EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA __ VARA CÍVEL DA COMARCA DE

RECIFE – PERNAMBUCO






ELETROUTIL LTDA, pessoa jurídica de direito privado, com sede na cidade de ______, inscrita
no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas sob o nº, neste ato representada por
_____________, por sua procuradora infrafirmada, constituída nos termos da procuração
inclusa (doc nº) com escritório profissional na rua, nº, bairro, CEP, Recife/PE, onde recebe a
correspondência de estilo, sendo citada para se defender na ação de indenização por danos
morais e materiais, promovida por Pedro José Ferreira dos Anjos, brasileiro, engenheiro civil,
inscrito no RG nº e CPF nº residente e domiciliado na rua, nº, bairro, CEP, Cidade/Estado, vem,
no prazo legal oferecer
CONTESTAÇÃO
Expondo e requente a V. Exº o que se segue.
Em resumo, o Autor alega na inicial que em janeiro de 2007, após adquirir um forno micro-
ondas na loja de eletrodomésticos ELETROUTIL LTDA, ao ser ligado pela primeira vez, explodiu,
causando sérios danos a integridade física, no valor de R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais) e
queimaduras em seu rosto e pescoço, para as quais pleiteia reparação a títulos de danos
morais.
1. PRELIMINARES
1.1 DA PRESCRIÇÃO
I. Consoante o art. 206, §3º, V do atual Código Civil, prescreve em três anos a
pretensão de reparação civil.
II. O autor ajuizou a ação de indenização por danos morais e materiais em abril de
2011, relativamente ao fato supostamente ocorrido no mês de janeiro do ano de 2007.
Portanto, houve o intercurso temporal de 4 (quatro) anos e 3 (três) meses,
ocasionando a prescrição extintiva da demanda movida perante esse respectivo Juízo.
III. Ademais, observe que o art. 184 do Código de Processo Civil dispõe que os prazos
serão contados, excluindo o dia do começo e incluindo o do vencimento. Desta forma,
sobrevindo o fato no dia x, em janeiro de 2007, a partir do dia seguinte, in casu, dia x,
inicia-se o computo do prazo prescricional, cujo termo deu-se no dia x de janeiro do
ano de 2010.
IV. Diante do exposto, requer a V. Ex. a extinção do processo com resolução de mérito,
nos termos do art. 268, IV do Código de Processo Civil.
1.2 DA ILEGIMITIDADE PASSIVA DA ELETROUTIL LTDA
I.O Código de Defesa do Consumidor, Lei nº 8.078/90, em seu art. 13 coloca que o
comerciante só será igualmente responsável, por fato do produto ou serviço, nos
seguintes termos:
I - o fabricante, o construtor, o produtor ou o importador não puderem ser
identificados;
II - o produto for fornecido sem identificação clara do seu fabricante, produtor,
construtor ou importador;
III - não conservar adequadamente os produtos perecíveis.
II. Note-se que o caso em tela não abrange quaisquer das hipóteses elencadas no
diploma legal, vez que é facilmente identificável a empresa responsável pela
fabricação do forno micro-ondas, a CONTINENTAL DO BRASIL LTDA, com sede em
Ribeirão Preto, São Paulo.
IV. Neste diapasão, a ELETROUTIL LTDA, ora ré, é parte ilegítima para figurar no polo
passivo do pleito. Por conseguinte, evidente a carência de ação, requer-se, em não
sendo acolhida a preliminar de prescrição, a extinção do processo sem resolução de
mérito, nos termos do art. 267, I c/c 295, II do CPC.

2. DO MÉRITO

Em janeiro de 2007, o sr. Pedro Ferreira dos Santos, ora autor, sofreu graves danos
decorrentes da explosão de um forno micro-ondas marca tal, adquirido através da
ELETROUTIL LTDA, o que lhe trouxe despesas no montante de R$ 50.000,00
(cinquenta mil reais) e danos em sua integridade moral, por ocasião de queimaduras
em sua face e seu pescoço.
Ora, não nos cabe questionar a ocorrência do acidente: este deu-se e resta provado
não só a olhos nus, pelas queimaduras que o auto ostenta à face e, inclusive, por
recibos de hospitais, laboratórios e farmácias, que para tanto junta a fim de pleitear a
reparação que entende devida.
Contudo, sabemos que, conforme o Código Civil, a obrigação de reparar surge com a
comprovação da culpa, latu sensu, exceto nos casos em que a lei especificamente
determinar, consoante paragráfo único do art. 927 do CC/2002
Nesta orientação, nada dispõe sobre a responsabilidade objetiva do comerciante nem
o Código Civil e menos ainda o Código de Defesa do Consumidor, vez que não está
inscrito na relação contida no art. 12, da Lei 8.078/90.
Ademais, em momento algum o autor provou a culpa da ELETROUTIL LTDA. Os
documentos acostados nos autos só fazem prova do prejuízo auferido pelo autor. Por
conseguinte, como ter ciência de que o autor fez a utilização correta do produto?
Neste diapasão, requer:
I. A extinção do processo com resolução de mérito, com fulcro no art. 268, IV,
do Código de Processo Civil, por ocorrência de prescrição;
II. Em caso de não ser acolhida, a extinção do processo sem resolução de
mérito, nos termos do art. 267, I c/c 295, II do Código de Processo Civil, por
ilegitimidade do polo passivo;
III. Em não sendo acolhida a preliminar anteriormente levantada, que seja
julgada improcedente o pedido do autor, na medida em que não houve
comprovação de culpa por parte da ELETROUTIL LTDA.
IV. A condenação do autor ao pagamento das custas do processo e honorários
advocatícios de 20% sobre o valor da causa
Requer provar o alegado por todos os meios em direito permitidos.