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UNIVERSIDADE METODISTA DE SÃO PAULO

FACULDADE DE HUMANIDADES E DIREITO - FAHUD
CURSO DE PEDAGOGIA A DISTÂNCIA

Carla Reis Santos
Débora Rodrigues Aragão Araújo
Giselle Malhone Guerra Silva
Thays Helena Sascio

AUTORIDADE, AUTORITARISMO OU VIOLÊNCIA
SIMBÓLICA, DO QUE ESTAMOS FALANDO?

MAUÁ
2009

UNIVERSIDADE METODISTA DE SÃO PAULO
FACULDADE DE HUMANIDADES E DIREITO - FAHUD
CURSO DE PEDAGOGIA A DISTÂNCIA

Carla Reis Santos
Débora Rodrigues Aragão Araújo
Giselle Malhone Guerra Silva
Thays Helena Sascio

AUTORIDADE, AUTORITARISMO OU VIOLÊNCIA
SIMBÓLICA, DO QUE ESTAMOS FALANDO?

Trabalho apresentado como exigência parcial para
conclusão do curso de pedagogia da Universidade
Metodista de São Paulo sob a orientação do(a) Prof.(a).
Ms. xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx

MAUÁ
2009

........ 1 Introdução ................Sumário Resumo............................................................................................................................................................. X Considerações Finais................................................................................ X A autoridade do professor................................................... X Referências............... autoridade ou violência simbólica: compreendendo os conceitos.................................................................................................... X ........................................................................................................................................................................ X Compreendendo a violência simbólica.............................. X O que pensam os professores........................................................................................................................... 1 Autoritarismo...................................................................................................... X Docilizando os corpos............ X O professor e a indisciplina...........................

contribuir para o esclarecimento destes termos para aqueles que os buscam. sendo por muitas vezes confundida com a autoridade do professor (autoridade pedagógica). foi realizada uma pesquisa em uma unidade de ensino localizada no município de Mauá. Esperamos.Resumo Qual será a diferença existente entre autoridade. Introdução Este artigo visa contribuir para a formação dos professores e auxiliar na escolha de modelos que esses profissionais queiram seguir em sua atuação pedagógica. transmitir o conhecimento. Palavras-chave: autoridade. E o professor por sua vez recusa-se a desempenhar o papel de educar. Considerando que muitas atitudes de repressão que os professores utilizam têm sido apontadas como violência simbólica. dessa forma. buscando evidenciar e também estabelecer paralelos entre o que ressaltam os autores e o que os professores pensam sobre esses conceitos dentro da escola. este artigo pretende esclarecer ao leitor como são vistas tais ações dentro de uma escola de Educação Infantil. autoritarismo. . se realmente acontecem e como são identificados. autoritarismo e violência simbólica? A partir desse questionamento. Educação Infantil. Para tanto. pois acredita que sua função é de apenas ensinar. violência simbólica. Tivemos como foco analisar tais situações na escola que atende crianças de 0 a 5 anos. O tema foi escolhido devido ao fato de vivenciarmos situações divergentes entre prática e teoria existente no cotidiano da Educação Infantil. como distinguir: o que é violência e o que é educar? Percebemos que a violência simbólica está presente na Educação Infantil devido à cultura existente.

a dimensão do poder determina a do saber: por não participar das decisões fundamentais relativas ao seu processo de . porque “sabe”. autoridade ou violência simbólica: compreendendo os conceitos Para esclarecermos os conceitos existentes dentro da escola. Paulo Freire. no qual o professor sabe que o aluno não sabe. que segundo o dicionário Michaelis é uma “Forma de controle baseado no poder atribuído a determinadas posições ou cargos”. que “não sabe”. Pierre Bourdieu e Lúcia Furlani que nos ajudarão a esclarecer ao leitor essas diferenças dentro da escola. Considerando os conflitos existentes no interior das escolas. Já o autoritarismo “é uma forma de despotismo. Vice-versa. e para explicitar essa confusão existente no cotidiano escolar fizemos a utilização de um questionário com perguntas qualitativas e quantitativas. ou seja.buscamos com este artigo proporcionar uma reflexão significativa a partir do cotidiano educacional infantil. e contribuir para o desenvolvimento da formação do professor com este esclarecimento. apresentaremos como alguns autores enxergam essa diferença ou semelhança entre essas palavras encontradas no cotidiano escolar. na relação professor-aluno. de poder absoluto” e que segundo Fleuri (2001) surge por meio da relação de poder e saber entre professor-aluno. deve dirigir as atividades didáticas a serem executadas pelo aluno.Queremos com este artigo suscitar uma discussão e propiciar um esclarecimento sobre a diferença entre autoritarismo e autoridade pedagógica. Esta pesquisa tem como base a fundamentação teórica de autores como Michael Foucalt. para assim o leitor compreender o resultado final deste artigo. é aquela que é atribuída ao cargo do professor perante seus alunos. então: A dimensão do saber determina a relação de poder: o professor. na estrutura escolar. assim como distinguir a violência simbólica muitas vezes associada com a autoridade do professor. Autoritarismo. em uma escola de Educação Infantil da rede privada do município de Mauá demonstrando que essas práticas ainda são muitas vezes confundidas. Começaremos então distinguindo autoridade.

o autor divide estás concepções pedagógicas em progressista. autoridade e autoritarismos estão diretamente ligadas às questões políticas e pedagógicas a qual o professor está ligado. o aluno incorpora conhecimentos de maneira fragmentada e acrítica. definindo seus objetivos comuns. autoritária. (p. o educador faz comunicados e depósitos que os educando.aprendizagem.em que a única margem de ação que se oferece aos educandos é a de receberem os depósitos.guardá-los e arquivá-los. a educação se torna um ato depositar. a discussão e interesses dos alunos. defendida por Paulo Freire. passadista e espontaneísta. desprezando todo e qualquer conhecimento que o aluno possa trazer do seu convívio social.86). a concorrência. propondo para os seus alunos que assumam como um grupo a direção do processo pedagógico. memorizam e repetem. democrática. estimulando desta forma. Agindo desta forma o professor estará vivenciando um modelo de educação libertadora. Segundo Freire (1997) as concepções de disciplina. a fragmentação do saber e a distância entre teoria e prática mantem-se dentro da escola a estrutura autoritária de poder” (p. Desta maneira. 94). meras incidências. impondo um conhecimento sem valor e sem utilização na vida cotidiana. 95). esta educação é chamada de educação bancária na qual o aluno é apenas um lugar para se depositar conhecimento e as avaliações uma forma de punir ou premiar os que ouvirão o mestre. recebem pacientemente. (p. Eis ai a “concepção bancaria da educação”. o professor pode utilizar o poder que lhe é atribuído (autoridade) para impor-se contra o autoritarismo. em que os educandos são os depositários e o educador depositante. . Para eliminar isso. Em lugar de comunicar-se. reacionária. Encontramos em Freire (1977) também esta discussão sobre autoritarismo já que para o autor o professor oprime os seus alunos utilizando-se do seu saber pedagógico. (p.66) Segundo Fleuri (2001) “alimentando o individualismo.

embora não haja violência física. modelagem. Já a violência simbólica é definida como aquela em que não existe violência física. mas outro tipo de violência.A partir do momento em que o professor se define por democrático utilizando se dos ideais de Freire este estabelece uma relação horizontal com seus alunos. existe violência quando mesmo sem usar a agressão física. punição e obediência. impondo valores e dobrando-as para a obediência e aceitação passiva da autoridade. não existe violência quando tentamos superar as contradições e conflitos. Foucault (2008) menciona que. podemos dizer que poder é um mecanismo científico utilizado como ferramenta de dominação e controle por meio de nossos corpos. Docilizando os corpos O autor Michel Foucault vem abordar as formas de poder que foram utilizadas na antiguidade e como ela se faz presente até os dias atuais. já que a força que se exerce é de natureza psicológica e atua sobre a consciência do indivíduo. Segundo suas concepções. doutrinando as crianças. . o que Foucault classificaria como. Por exemplo. Apresentamos a seguir formas de controle em que o professor utiliza desta violência simbólica para dominar a sala de aula. de natureza psicológica. por meio da persuasão. quando o professor abusa da autoridade que lhe é concebida dentro da sala de aula. treinamento e obediência. ele estará exercendo uma violência simbólica. o pai ou o professor exige o comportamento desejado. para tornar se um educador mediador do saber. mas não os escuta. No entanto. na época clássica. Este controle pode acontecer por meio da coerção. deixando de ser apenas um professor que transmite conhecimento. os que pensam de maneira diferente da nossa. Nesse caso. houve uma descoberta do corpo como objeto e alvo de poder. desta forma o professor passa a ouvir e falar para os seus educando ao contrário do professor autoritário que fala com os seus alunos. existe violência simbólica. identificaram no corpo um objeto permissivo a manipulação. convencendo. Podemos desta forma entender que.

É preciso anular os efeitos das repartições indecisas. (p. Cada individuo no seu lugar. assim. mas desta vez não se tratava apenas. são o que Foucault denomina como disciplina. um indivíduo. de lhe impor obrigações e limitações. sua coagulação inutilizável e perigosa. sanciona-lo. a economia de tempo e eficácia de movimentos. as quais. Não foi a primeira vez que o corpo foi pensado como objeto de investimento. interromper as outras. e cada em cada lugar. por meio. mas sim de conseguir juntar a organização interna. mas sim para que operem o que se quer. E em primeiro lugar segundo o principio da localização imediata ou do quadriculamento. Importa estabelecer as presenças e as ausências. Uma delas é a questão da utilização do espaço como forma de controle. pois. o desaparecimento descontrolado dos indivíduos. dominar e utilizar. Evitar as distribuições por grupos. maciças ou fugidias. de modo a permitir o seu controle minucioso. 123) . da coerção. utiliza-se de técnicas. com rapidez. Procedimentos. A disciplina. de antiaglomeração. instaurar as comunicações úteis. impondo-lhe.corpo dócil. poder a cada instante vigiar o comportamento de cada um. Os métodos que permitem o controle das operações do corpo. como objeto de docilidade e utilidade está ligada à questões políticas. O espaço disciplinar tende a se dividir em tantas parcelas quanto corpos ou elementos a repartir. sabe onde e como encontrar os indivíduos. ao ponto que pode ser submetido à utilização de transformação e aperfeiçoamento. tática de antideserção. A questão do corpo. aprecialo. sua circulação difusa. portanto. decompor as implantações coletivas. de antivadiagem. uma relação de docilidade-utilidade. analisar as pluralidades confusas. medir as qualidades ou os méritos. para conhecer. Disciplina não apenas para ter controle sobre o corpo do outro. viria a ser utilizada como fórmula de dominação no decorrer dos séculos XVII e XVIII. técnica e a eficácia pretendida. muito mencionada em sala de aula. Na qual Foucalt (2008) denomina como arquitetura quadriculada. Apresentaremos aqui formas de poder que foram e são utilizadas dentro da escola e das relações hierárquicas estabelecida entre professores e alunos. podem ser denominadas de “anatomia política”.

128) A forma como o tempo era estabelecido. está presente no controle do horário. implica organização. onde era excluído tudo que pudesse causar distrações. Fez funcionar o espaço escolar como uma máquina de ensinar. sinos. colocar uns aos lados dos outros em todos os locais.) Determinando lugares individuais tornou possível o controle e o trabalho simultâneo de todos. pátio entre outros. ou seja. um segundo para saudarem a Cristo. por meio das filas em todos os ambientes ou até mesmo pelo controle de horário. sua ajuda e sua retribuição. corredor. com os braços cruzados e os olhos baixos. p. mas sempre sobre a vigilância. p. onde o mestre deve dar o seu saber e aprendiz deve trazer seus serviços. mas sim responder prontamente a ele. seja com a estrutura física do espaço. O que chamamos de fila. mas também de vigiar. Podemos perceber que a todo o momento.No século XVIII. do olhar do mestre. com vista a permitir a sua melhor utilização. gestos ou olhares. de recompensar. e. seja por palmas. (FOUCAULT. (. ao primeiro toque. outra forma de “oprimir”. É importante destacar.. nenhuma explicação. sala. Terminada a oração. . e o terceiro para se sentarem. por poucas palavras. 2008. todos os alunos se porão de joelhos. que este controle minucioso do tempo é supervisionado. 126) Além da disciplina. de hierarquizar. só podendo ser interrompido. mas implica também a dependência individual e total. que os aprendizes. O mestre apenas sinaliza o que é esperado. onde se faz necessário. capazes de responder às ordens solicitadas e realizar os comandos esperados. silêncio total. começa a definir uma forma de repartição dos indivíduos na ordem escolar. o professor dará um sinal para os alunos se levantarem. a qualidade do tempo empregado. (FOUCAULT. A última pancada do relógio. 2008. um aluno baterá o sino. A sala é caracterizada.. do espaço e da estrutura física deste espaço. por um sinal do mestre. e o que importa não é entendê-lo. a permitir o melhor aproveitamento do tempo. Organizou uma nova economia do tempo da aprendizagem. por meio das filas. são criaturas obedientes e dóceis.

a estrutura de classes reproduzindo de maneira diferenciada a ideologia da classe dominante.. sempre arbitrários e injustificáveis. de “atos pedagógicos” destinados a impor um conjunto de valores culturais. Um bom escolar. Com o intuito de docilizar e dominar os corpos para a atuação do professor em cumprimentos de horário. ou seja. cronograma e matérias fragmentadas da escola. 2008. toda vez que este quiser chamar a atenção das crianças e fazer para qualquer exercício. 140). constitui-se. O sistema educacional segundo Bourdieu consegue produzir por meio de uma violência simbólica as relações de dominação. Para Bourdieu todo sistema educacional. definida como toda forma de dominação mediante impregnação inconsciente de hábitos. a violência existe. aonde encontramos dentro desses aspectos a violência Simbólica? Compreendendo a violência simbólica Bourdieu e Passeron (1992) apresentam a teoria da “violência simbólica”. Portanto. e valores que ao mesmo tempo impõem essa dominação e a encobrem aos olhos dos dominados. Assim. a arbitrária por sua vez.O primeiro e principal uso do sinal é atrair de uma só vez todos os olhares dos escolares para o mestre e faze-los ficar atentos ao que ele lhes quer comunicar.. Por exemplo: a violência que a escola exerce sobre o aluno quando impõem conteúdos sem significado para a vida dos indivíduos e desconsidera a capacidade de pensar e o torna um ser capaz somente de reproduzir. na medida em que a .) (FOUCAULT. toda vez que ouvir o ruído do sinal pensará ouvir a voz do mestre (. mas não se apresenta como tal. de modo que a violência é tanto mais efetiva quanto menos reconhecida. p. baterá uma vez. Sendo assim as noções de “violência” estão ligadas as questões do “arbitrário” na medida que se define objetivamente a cultura de um grupo ou de uma classe social como sistema simbólico e. por meio de “violência simbólica”. A teoria da reprodução nos apresenta a escola como reprodutora das diferenças sociais na medida em que reforça internamente as relações de poder em relação às classes populares e não como meio de resolver os problemas sociais.

A escola tem se configurado como o principal agente educacional da sociedade e. baseado na apropriação diferencial dos meios de produção. e operando uma seleção que –sob as aparências da equidade formal sanciona e consagra as desigualdades reais. Bourdieu (In Nogueira e Catani. segundo Bourdieu e Passeron (1992) jamais acontece.58). decorrente da divisão social do trabalho. Mas isso. sobretudo. Isto tem se tornado um grande desafio para o professor que precisa levar em consideração a “normalidade” de algumas transgressões dos alunos. ao contrário do que se espera. a escola não vem educando para formar cidadãos e sim para legitimar o poder simbólico da classe dominante. Desta forma a ação pedagógica tende à reprodução cultural e social simultaneamente. a ação pedagógica não seria violência simbólica e sim um ato racional. a escola contribui para perpetuar as desigualdades ao mesmo tempo em que as legitima (p. Já o caráter simbólico da violência centra-se nas características fundamentais da estrutura de classes da sociedade capitalista. partindo do ponto que se oculta à cultura imposta na escola. A partir de estudos Bourdieu e Passeron apresentam que no interior de uma sociedade de classes existem diferenças sociais e culturais e por sua vez a escola ignora estas diferenças sócio-culturais selecionando e privilegiando em sua teoria e pratica as manifestações e valores culturais da classe dominante. pois toda ação pedagógica é objetivamente uma violência simbólica enquanto imposição de um poder. Devido ao contexto social que estamos vivenciando.1998) contesta e mostra que na verdade as chances são desiguais. a escola oculta as conseqüências que levam ao sucesso escolar do aluno que pertence à classe dominante pois: Ao atribuir aos indivíduos esperanças de vida escolar estritamente dimensionadas pela sua posição na hierarquia social. e que sua cultura é a das classes dominantes.estrutura e as funções dessa cultura não podem ser deduzidas de nenhum princípio universal. Porém. reduzindo significativamente a idade em que vão para a escola. se o sistema simbólico refletisse sobre os princípios universais. os pais vêm se distanciando cada vez mais do papel de educar seus filhos. considerando o aumento número de pais negligentes e sem vocação para educar seus .

as quais apresentaremos a seguir: a autoridade baseada na posição hierárquica. Segundo Bourdieu e Passeron. o que dá uma “licença” para exercer a tirania ou o autoritarismo. A Autoridade do professor Segundo Furlani (2001) existem diferentes formas que se manifestam a autoridade pedagógica encontrada na relação professor-aluno. explicaremos a seguir os diferentes tipos de autoridades que podemos encontrar reproduzidos nas escolas de Educação Infantil. os indivíduos fazem suas escolhas de vida influenciadas pelo seu habitus. evitando assim que o aluno pense autonomamente e trabalhem produtivamente. no caminho percorrido para o alcance de seus objetivos o indivíduo é dominado pela situação econômica. Nem sempre a escolha é a mais adequada do ponto de vista individual. porém. A escola contemporânea convive com o dilema: educar e/ou ensinar? Dentre tudo a violência simbólica é um risco cotidiano a ser considerado na prática pedagógica. se analisada no âmbito do seguimento social de onde se origina. ela coloca o professor como o informador.filhos. a autoridade baseada na competência e empenho do professor e a recusa dos modelos (negação da autoridade). classificador e com uma vivência de modelos autoritários. política. o aluno torna-se . onde o ato a ação pedagógica deve ter uma caráter libertador e não opressor. cultural e social onde atua. a desigualdade no exercício do poder. como o próprio nome já diz. a ocultação do exercício de poder. ou seja. A desigualdade no exercício de poder é uma forma de autoridade baseada na posição hierárquica de forma explícita. onde ele acredita que o poder vem apenas de cima. essa lhe trará maior proveito dentro do grupo. controlador. Para entendermos como ocorre essa reprodução social. A autoridade baseada na posição hierárquica. caracterizando assim sua teoria da “reprodução social”. é aquela em que o professor está em uma instituição hierarquizada.

de facilitador de desempenhos. sendo: a transmissão do conhecimento. quando o professor nega autoridade ele deixa de cumprir o seu papel. A ocultação no exercício de poder é uma autoridade baseada na posição hierárquica de forma oculta. dentro do qual o poder do aluno pode ser usado de forma que haja influências múltiplas. A autoridade baseada na competência e empenho do professor é aquela em que o professor exerce sua autoridade para desempenhar os papéis que lhe foram atribuídos para facilitar a negociação. Neste tipo de autoridade o professor deixa claro de que se o aluno não fizer o que lhe é mandado sofrerá sanções. A autora classifica o papel de informador como desigualdade no exercício de poder ou ocultação . A transmissão do conhecimento é a forma como o conhecimento é transmitido para os alunos podendo ser um monólogo com transmissão objetiva do conhecimento e reprodução idêntica indiferente das classes (professor como informador). os alunos sofrem os efeitos dessa autoridade sentindo-se ressentido. vivência nos modelos no relacionamento com os alunos. pois os padrões pré-estabelecidos limitam a atuação dos participantes. são flexíveis e incorporam as críticas necessárias às suas correções. assemelha-se muito à desigualdade no exercício de poder. o que não significa que o poder deixe de ser exercido. exceto pelo fato de que o professor não se coloca como o mandante das ordens e normas. respeitam os alunos e são respeitados.subordinado do professor. Furlani (2001) também define quatro papéis que integram a competência do professor. avaliação da situação pedagógica. não há espaços para desenvolver características de cada um. Ao professor lhe é atribuído a função de didata. de disciplinar e avaliar e de vivenciar modelos em seu relacionamento com os alunos. se mostram abertos à ideias. ou seja. inferior e passivo. disciplinamento da situação pedagógica. A recusa de modelos (negação da autoridade): ao professor é atribuído o poder que lhe garante o reconhecimento voluntário (autoridade baseada na competência) ou involuntário (autoridade baseada na posição hierárquica). diagnosticador e de vivenciar modelos democráticos. ele deixa de transmitir o conhecimento. o disciplinamento é desempenhado através da persuasão e da sugestão e o professor é visto como o frágil perante às ordens superiores. ou ele pode recusar.

controle de presenças. e a concentração de esforços do professor na gratificação ou “reforçamento positivo”. que respeite a autoridade. privilegiando valores de disciplina. o professor passa essa responsabilidade aos alunos (ocorrendo a ausência de disciplinamento) ou seja. .no exercício de poder. a disciplina é relacionada com o trabalho coletivo. o professor não sabe que comportamento deve estimular. pelo qual o aluno é co-responsável e a organização (local e tempo necessários ao trabalho) auxiliam o envolvimento do aluno. A concepção de disciplina associada com alguma forma de organização da aula. vendo pelos apontamentos da autora o ideal seria um professor que exerce sua autoridade através de sua competência e empenho. tornando-se um didata e um facilitador no processo de aprendizagem. Analisando a concepção de Furlani. ocorrendo assim um “exercício conjunto de poder” no qual o aluno respeita o professor que demonstra competência. mas na escola cabe ao professor decidir qual postura deseja assumir. usando de estratégia o manejo das notas. dependendo das estratégias que são utilizadas no disciplinamento da situação pedagógica. possibilitando o exercício conjunto de poder. ele não subestima a autoridade. vemos que o poder está presente em todos os lugares. mas vê numa perspectiva diferente da concepção de controle. quando o professor espera um aluno submisso. Ou pode ser transmitida através de um diálogo. discuta os pressupostos teóricos e suas limitações. anular prova. com autodomínio de professores e alunos. obediência. respeito e dependência. dar ponto ou retirá-lo. delegada por ambas as partes. podendo estabelecer uma mediação democrática. permitindo que os alunos refaçam com o professor as etapas da experimentação científicas. A concepção de disciplina associada a nenhum valor. sendo este visto pela autora como o professor como facilitador dos desempenhos adequados dos alunos. possibilitando que o aluno e o mestre avancem em várias perspectivas (professor como didata). O disciplinamento da situação pedagógica é a forma em que o professor entende a disciplina e foi dividida de três formas: a concepção de disciplina com o sentido implícito de controle exterior dos alunos como vemos no professor como controlador.

é importante analisar primeiramente o significado da palavra “disciplina” que segundo o dicionário Aurélio (1999). poderá se comportar de acordo com elas. que dependendo da sala e da instituição que ele atua torna-se somente um transmissor de conhecimento. ele assume uma postura.Todas as formas acima descritas por Furlani são encontradas também na Educação Infantil. Entretanto. Para melhor compreender o assunto. O professor e a indisciplina Em tempos modernos.) procedimento. reforçando as relações de poder e reproduzindo as diferenças sociais. é um regime de ordem imposta ou mesmo consentida.. às vezes inconsciente. O problema da indisciplina é um dos principais obstáculos enfrentados pelo professor em sua atuação em sala de aula. o dicionário Aurélio refere-se ao termo “indisciplina” como sendo “(.) a escola contribui para perpetuar as desigualdades. certos princípios estão gerando preocupação e desconforto em meio ao corpo docente destacamos em especial a indisciplina na Educação Infantil e como o professor está lidando com a falta de limites em sala de aula. ao mesmo tempo em que as legitima”.. família e sociedade. A criança que aprende desde pequena que o mundo é feito de regras. de autoridade pedagógica. tendo o professor de enfrentar a diversidade cultural dentro de sua sala de aula. ato ou dito contrário à disciplina”. Para podermos aplicar no ambiente escolar a disciplina faz-se necessário que as normas básicas de convivência estejam formuladas e justificadas com clareza sendo conhecidas e aceitas pela escola. para o autor a disciplina também é intelectual sendo construída pelo educando a fim de auxiliar o educando em todos os momentos de sua vida. como afirma Boudieu (1998) “(. Segundo Freire (1997) disciplina não deve ser entendida apenas como um conjunto de normas de convivência ou conteúdos a serem estudados separadamente. mesmo sem a .. pois se percebe a falta de regras e limites por parte da criança desde a primeira infância..

. com problemas muitas vezes de origem extra-escolar. No cotidiano escolar percebemos que o professor. democrática e autoritária e trabalhar de acordo com a postura a qual ele se identificou. Portanto. para realização deste processo a relação professor aluno deve ser horizontal. os pais acabam sendo influenciados por modelos mais liberais e terminam por assumir um papel mais “moderno” de educar. mas é a soma de todos esses fatores que levam um aluno ao sucesso acadêmico. não podemos deixar de ressaltar que quando os professores atuam com competência profissional e coerência. tem um papel de mediador entre nossa realidade social e a função de educar. pois vivemos num mundo de alto desenvolvimento tecnológico e não podemos esquecer que estamos nos referindo a seres humanos em processo de formação. de forma a produzir uma educação libertadora. mas sim discutir o que é o estabelecimento de regras e o cumprimento destas. esta denominação está ligada a uma licenciosidade e que por diversas vezes é confundida com liberdade.presença dos pais. E esta realidade social nos apresenta um grande desafio. sentindo-se responsáveis pelo que ocorre ao seu redor. mas torna-se um ato de desrespeito às normas de convivência e uma falta de interesse pelos estudos já que disciplina não é meramente um conjunto de normas ou conteúdos escolares a serem estudados. não uma que reproduz o sistema e as diferenças sociais os comportamentos inadequados ficam restritos a poucos alunos. espontaneístas. Assim. o professor não deve permitir que somente as crianças participem do processo de estabelecimento de regras. Freire (1997) afirma que o ato de educar é um ato político. Diante da confusão em relação aos conceitos mencionados. mas. queremos deixar claro que não estamos centrando exclusivamente nos professores a responsabilidade pelo comportamento dos alunos em sala de aula. Por muitas vezes os pais e professores se autodenominam liberais. mas não observam o que. o professor deve ter a clareza que ele aprenderá com seus alunos da mesma forma que ensinará os seus alunos. para Freire. Sendo este um ato político cabe ao professor assumir um posicionamento dentro das diversas políticas como as tendências progressistas.

internalizando-os de forma positiva. Autoritarismo e Violência Simbólica). na Educação Infantil e o tempo de trabalho na instituição escolhida. berçarista. Quanto ao tempo de trabalho na instituição. Solicitamos que mencionassem o tempo de experiência. um professor possui apenas Ensino Médio. intervenções lúdicas para crianças com dificuldade de aprendizagens. utilizamos um questionário. Dentre os seis professores entrevistados. como adultos capazes de auxiliá-la a controlar seus impulsos sem se sentir humilhada e/ou com baixa auto-estima. A autoridade é indispensável para que a criança perceba seus pais e professores como referenciais de apoio e identificação. entre outros. como por exemplo: contação de histórias. é diferente do conceito de autoritarismo. enquanto o autoritarismo usa de promessas e ameaças para impor um tipo de comportamento à criança. relacionado ou não diretamente com a Educação Infantil. Para tanto. com perguntas quantitativas para destacarmos suas considerações acerca do nosso objeto de estudo (Autoridade. Três professores possuem até dois anos de experiência. Também questionamos quanto à rotatividade de Cursos realizados pelos professores nos últimos dois anos. três são formados pelo Curso Normal (Magistério) e curso Superior em Pedagogia e dois professores. identificar o perfil dos professores que participaram da entrevista. apenas um professor tem um ano de trabalho. fases de desenvolvimento motor. outros dois possuem de dois a cinco anos e apenas um professor possui de cinco a dez anos. cinco professores realizaram algum tipo de curso. possuem somente Ensino Superior. informática. Dentre os seis. também em Pedagogia. O que pensam os professores Buscamos por meio da coleta de dados.A competência do professor está muito relacionada com o conceito de autoridade que. e os outros profissionais possuem de quatro a nove meses na . E perguntas qualitativas para destacar suas concepções acerca da Educação Infantil.

isto. como alguma atitude ligada ao diálogo e. imposição. ensinar princípios básicos e agregar valores. interar-se da situação com correção e sem punição e também sendo a autoridade como aquela que é atribuída ao professor em sala de aula. proporcionar a socialização. como gritar. promover o desenvolvimento integral. apesar do pouco tempo de atuação com a Educação Infantil. é classificado como um ato de execução. Os professores informaram que as funções das escolas são: acolher. suprir as necessidades das crianças. na maioria das respostas. Analisando os discursos dos professores notamos que a concepção de autoridade e autoritarismo não é claro para os educadores. Diante do perfil dos professores pesquisados. citaram as seguintes situações como a imposição de autoridade com respeito visando o bem estar e a disciplina dos seus alunos. encontram-se presentes nas falas de autoridade pedagógica e. No decorrer da pesquisa fica explícita a confusão existente entre as definições. perguntamos aos professores. podemos destacar seu comprometimento na busca por cursos de atualização e capacitação profissional mencionados acima. e outros verbos que foram mencionados. a autoridade é colocada. . Em seguida perguntamos aos educadores. acerca de suas concepções sobre a Educação Infantil e qual a função da mesma. mesmo que inconsciente. falta de respeito e a obediência a qualquer custo. o que eles entendem por autoritarismo e autoridade pedagógica. como autoritarismo. Em um segundo momento.instituição. Quanto à autoridade pedagógica. trabalhar com as crianças de maneira que possa oprimi-las. se deve ao fato da escola ser uma instituição recente. métodos educacionais que não propiciam o diálogo. como imposição e dominação. já o autoritarismo. pois quando perguntamos aos professores a diferença entre os termos. preparar as crianças para o Ensino Fundamental. aprendizagem receptiva. como respeito e cidadania. dominação sem oposição ao oprimido. Os professores nomearam algumas atitudes. as palavras que definem autoritarismo. com apenas um ano e meio de atendimento. abusar do poder que lhes foi atribuído.

assim. atribuindo-lhes estigmas. Os professores nomearam situações diversas. que afirmaram que não existe. Foi mencionado que a mídia e a forma como são veiculadas as informações. tentam passar para o inconsciente das pessoas que. pois. seguida de exposição por parte do professor. dos alunos de “ontem”. autoritarismo e violência simbólica está atrelada ao desconhecimento e reflexão de suas concepções pedagógicas e políticas. um justificou sua resposta. não focando a violência simbólica apenas na escola. a transmissão de conteúdo. a aplicação de advertências da direção para com os seus professores e a de privar o aluno de alguma atividade prazerosa com o intuito de puni-lo por um ato cometido. pois. se eles percebem atos de violência simbólica dentro da escola. e a indisciplina. foram citados apenas atos advindos da . os professores que esperam de seus alunos de “hoje” comportamentos. aceitando. favorecendo a hegemonia cultural da classe média. quatro professores mencionaram que existem. o fato de o professor chamar a atenção do aluno por meio de chantagens. o que esta sendo colocado. em sua maioria. Ao questionarmos. onde as crianças eram tratadas como mini-adultos. é o certo para as suas vidas. pois. todas as crianças são livres para brincar e aprender e quando alguma faz “arte” ela é corrigida e ensinada a agir de outra forma. Dentre os professores. como por exemplo.Para Freire (1997) essa confusão que os professores encontram entre os termos autoridade. como forma de definirmos a Violência Simbólica. e pedimos para os professores apontarem um exemplo de tal violência. houve uma divisão de opiniões. os mesmos citaram apenas atos. Outro professor citou um exemplo da antiguidade. seus costumes e suas regras. informando que nunca percebeu nenhum tipo de violência explicita e outro mencionou que não há. Em seguida citamos um pensamento de Bourdieu e Passeron. Indagamos os professores quanto ao que seria a violência simbólica. o método tradicional de ensino. externos à escola e quando pedimos para destacar alguma situação dentro da escola. é uma forma de violência simbólica. justificando suas respostas. como a rejeição de uma criança para a outra. Também foram colocadas outras situações.

e perguntamos como eles classificariam cada atitude. Esta questão correspondia a uma ação de violência simbólica. Em um terceiro momento de nossa pesquisa. justificaram suas respostas mencionando que a professora não estava preocupada com o rendimento de seus alunos e sim com o comportamento dos mesmos e que a exposição negativa é uma forma de violência. faz-se necessário diversas interações. pois o professor expôs o aluno para os demais. para o desenvolvimento dos seus alunos. não se reconhecem como o detentor do poder. expondo-os. não levando em consideração que. servindo de exemplo aos outros. Já os professores que mencionaram que a situação tratava-se de autoritarismo. técnica e a eficácia pretendida. colocamos três situações fictícias. pois. Na primeira situação a professora interfere nas atividades de seus alunos. Analisando essas respostas. então o aluno foi punido. três professores responderam que se trata de violência simbólica e três afirmaram que se trata de autoritarismo. Os professores que optaram pela violência simbólica. dentro da sala de aula. caso eles atrapalhem a ordem da sala. Na segunda situação. Desta forma o professor utiliza do “controle dos corpos” para “dominar” sua sala de aula. porque a encontra batendo em outra. violência simbólica. pelo fato de o aluno ter violado a conduta que o professor acreditava ser a correta. destacaram que o professor quer mostrar quem é que manda e o fato de não aceitar a “desordem” o torna autoritário. autoridade pedagógica e autoritarismo. classificando somente a violência simbólica por parte de outras relações do cotidiano escolar. quando faz o uso da mesma não atribui o ato a si. temos uma professora que coloca uma criança de castigo (pensando). como afirma Foucault (2008) a disciplina são os métodos que permitem o controle das operações do corpo por meio da coerção e também utilizada para atingir os objetivos com rapidez.relação das crianças com seus pares e por parte da direção escolar perante seus funcionários e alguns ainda afirmaram que não existe tal relação dentro da escola. Nesta pergunta também. houve uma divisão de opiniões. Quatro dos professores informaram . percebemos que o professor não assume o ato de violência simbólica. dentro das alternativas.

que a atitude do professor trata-se de autoridade pedagógica. privou suas alunas de atividades prazerosas. a situação refere-se a um ato de autoritarismo. mencionando em sua resposta que a primeira atitude do professor foi correta (diálogo) e sua segunda atitude foi incorreta. outros dois como autoridade pedagógica e somente um dos seis professores assinalou duas questões. apresentada propositalmente. Na situação mencionada. O professor ao responder o questionário deveria encontrar a contradição. Nesta situação os professores ficaram divididos. devido à punição exagerado. pois em nenhum momento o professor questionou ou procurou saber o que havia ocorrido. buscando esclarecer os reais motivos. pois. e ao voltar depara-se. dois classificaram como violência simbólica. pois. justificando em suas respostas. na palavra pensar. que o professor usou de seu poder e não questionou o que aconteceu. exclui as duas alunas de atividades de recreação. dois como autoritarismo. Na terceira situação. corrigiu a criança e ensinou que sua atitude não foi correta. pelo pensar) o professor está impondo sua autoridade negligenciando a democracia que deveria existir na relação professor aluno. usando de punição. não colocamos que houve qualquer situação de diálogo por parte da professora. Já os demais professores que optaram por . Ele separa. pois quando definimos o conceito “pensar” nos remetemos a uma situação onde o aluno já foi advertido por um comportamento incorreto e não correspondeu positivamente ao mesmo. Após essa situação o professor conversa com o aluno em uma relação horizontal e explica os reais motivos da advertência. justificando que o professor solucionou o problema. mesmo tendo esclarecido a situação. Os professores que optaram por autoritarismo e violência simbólica justificaram suas opções. conversa com ambas. por motivos consistentes. com duas alunas brigando. usou sua autoridade para o bem estar da sala. Porém quando essas atitudes não são realizadas (o pensar. temos um professor que se ausentou da sala. Os demais professores apontaram à atitude da professora como autoritarismo. E ao final. exercida pelo professor. Acreditamos que quatro dos professores tenham classificado como autoridade pedagógica devido à observação “pensando” (citada no questionário) o que nos leva acreditar mais uma vez que o professor não distingue ou não concebe o que vem a ser autoridade em sala de aula.

eles exercem o que Furlani classifica como autoridade baseada na posição hierárquica. no primeiro olhar. Desta forma apenas dois professores se equivocaram classificando a situação como um ato de violência simbólica. devido a punição aplicada mesmo após o diálogo. nas salas de aulas de Educação Infantil. Considerações Finais Ao iniciarmos a nossa pesquisa tínhamos como intuito esclarecer algumas situações e comportamentos que estão presentes. Constatamos que os professores não tem consciência de sua prática pedagógica. Buscamos conceituar o nosso trabalho de modo a esclarecer para os profissionais de educação. levaram em consideração o diálogo entre os alunos e o professor. Essa questão possibilita duas afirmações corretas pois. e no segundo olhar o autoritarismo se faz presente. pois. acabam exercendo o autoritarismo dentro de sua sala . esperávamos encontrar divergência no discurso dos professores.autoridade pedagógica. algumas relações que permeiam as escolas que muitas vezes fazem parte de nossas práticas como educadoras e não percebemos a gravidade ou a intencionalidade de nossas posições. confirmamos a nossa hipótese inicial. uma vez que. a situação nos remete a autoridade pedagógica uma vez que o professor dialogou com as alunas sobre o ocorrido. Por meio do questionário identificamos contradições por diversas vezes. mas contribui e muito para repensarmos as nossas práticas enquanto educadoras e nossas concepções teóricas acerca dos comportamentos de nossos alunos. O artigo nos permitiu a reflexão e a análise não somente dos profissionais que participaram de nossa pesquisa. Conseguimos explanar e analisar diversas situações que estão presentes nesta discussão e comprovar a falta de clareza para tais definições. Com a definição e esclarecimento de nosso tema de pesquisa e com a aplicação do questionário. conforme análise mencionada.

Com essa confusão existente entre os conceitos eles não tem clareza de que conduta adotar. diante da totalidade de professores que foram pesquisados.. que destacaram observações. Enfim (. além de que eles não tinham claro o que significa cada termo.. Não sabiam ao certo a causa deste conhecimento e a distância entre seu discurso e prática. Ainda que ingressantes na universidade não acordaram para a . o fato de trabalharmos com nossos alunos disciplinas ou conceitos que não acrescentam nenhum tipo de significado para a aprendizagem de nossos alunos. Podemos identificar por meio destes discursos que o professor entende a singularidade de seus alunos e trabalha com os mesmo. aos quais consideramos importantes. Observações estas. não podemos deixar de destacar. como por exemplo: a fala do professor que mencionou que violência simbólica é esperar dos alunos de “hoje”. comportamento dos alunos de “ontem”. não se coloca apenas como um tarefeiro (cumpridor de tarefas) ou mero transmissor de conhecimento (educação bancária).) ainda há uma porcentagem grande de professores que não tem consciência de seu papel enquanto educadores. de forma que não neutraliza a e nem ignora as mudanças sociais que ocorreram no decorrer dos tempos. sendo esta. ou seja. estão apenas presentes nas escolas de Educação Infantil desempenhando tarefas e obrigações destinada pela sua instituição de ensino. sem ao menos refletir sobre suas ações com medo perder o cargo e assumindo uma falsa neutralidade política e pedagógica. que demonstraram o olhar sensível dos professores para questões rotineiras. Por outro lado. para o desenvolvimento e crescimento de seus alunos. A segunda fala nos permite afirmar que este professor trabalha com seus alunos conhecimentos significativos. que ficamos felizes por encontrar. ainda que em número menor. Mas infelizmente este é um número pequeno de professores. O discurso e prática dos docentes por muitas vezes se distanciam.tornando-se um professor “tarefeiro”. apenas uma forma de reproduzir as práticas sociais excludentes da sociedade em que vivemos. professores que têm consciência do seu papel enquanto educador. e da professora que destacou que.

São Paulo: Cortez. Almejamos que muitas dessas realidades sejam transformadas. Petrópolis. pois. Acreditamos ainda. 1979 FLEURI. . Vigiar e punir: Nascimento da prisão. Lúcia Maria Teixeira. Paulo. PASSERON. Sabemos que muitos professores são coagidos pelo meio ao qual estão. Ainda não sabem que é necessário diferenciar esses (autoridade. Reinaldo Matias. ainda enxergam a educação. A Reprodução . críticos e livres. que é melhor ser um professor coagido a um professor inerente ou indiferente às suas concepções.Elementos para uma teoria do sistema de ensino. 7ª ed. Pierre Bourdieu: Escritos da educação. Petrópolis. Michael. mito ou nada disso?. 35ª ed. tia não: cartas a quem ousa ensinar. Professora sim. 2001. Jean-Claude. São Paulo: Cortez. Rio de Janeiro: Francisco Alves. FOUCAULT. FREIRE. com uma visão muito romântica e alienada. Autoridade do professor: meta. Pedagogia do Oprimido. cresce e desenvolve e o inerente é incapaz de perceber a gravidade de suas ações. 2001. FREIRE. FURLANI. REFERÊNCIAS BOURDIEU Pierre. para desta forma entender que a autoridade pedagógica se faz necessária no ambiente escolar para formarmos alunos/cidadãos autônomos. Educar pra que? Contra o autoritarismo da relação pedagógica na escola. indiferente da Instituição ao qual ele está. autoritarismo e violência simbólica) para não interferirem de forma negativa no desenvolvimento de seu aluno. RJ: Vozes. Vozes 2008. 1997. que o professor possa examinar suas práticas e sua concepção. 9ª ed. NOGUEIRA. em especial a infantil. Paulo. São Paulo: Olho d’água. RJ. 1992. Não conseguiram perceber a conotação política que a envolve e a influência de nossa cultura e valores enraizados nas relações entre professor-aluno. o coagido liberta-se. e CATANI AFRANIO (orgs). Maria Alice. 7ª ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra.realidade de nossa educação. 1998.