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Quilombo

Mesquita



Integrantes:

Lucas Ortega Correa de Castro
Lídia Farias da Silva Almeida
Marly Pereira da Silva
Ana Cláudia de S. Almeida
Maria Neusa Alves de Mato
Raquel Miranda Vieira da Rocha










Introdução

























Quilombo Mesquita

A região do Estado de Goiás foi habitada antes da mineração por várias
etnias indígenas, que foram exploradas e dizimadas pela exploração dos
bandeirantes na procura de ouro, nos estados centrais do Brasil, era o ciclo
possessivo da mineração no país. Nesse trabalho explorador em busca do
ouro, os migrantes e exploradores utilizavam do trabalho de negros escravos
para um trabalho exaustivo e massacrante para manterem em equilíbrio a
Balança econômica portuguesa.
Como conseqüência da dureza do trabalho aumentada na condição de
escravidão, desde inicio do século XVIII, as constantes fugas dos negros desse
tipo de exploração para lugares isolados originaram os quilombos. Os negros
que formaram os quilombos não eram apenas os que fugiam da mineração,
mas também os que viam de engenhos ou qualquer forma opressora de
trabalho.
Dentre as comunidades comunidade Quilombolas, falaremos do
Mesquita, encontra-se no Município de Ocidental, 24 km de Luziânia, esta que
é tida como uma das cidades principiantes do quilombo Mesquita. Luziânia
chamava-se Santa Luzia, que foi criada com a penetração de caravanas em
busca de ouro e das atividades de mineração, no século XVIII (1746). As
abundantes minas, além de vales férteis às margens do Rio Vermelho atraiam
grandes contingentes de pessoas vindas de diversas regiões do país. Consta
que em 1763, durante o período áureo da exploração das minas de ouro, a
antiga Santa Luzia chegou a ter 16.529 habitantes, dos quais 12.900 eram
escravos.
Mesquita era uma fazenda com 600 alqueires e foi comprada por 6.000
réis, por uma sinhá muito bondosa, que a deu a três de suas escravas
preferidas, e alforriadas: Franquina, Teresina e uma terceira cujo nome é
desconhecido. Um antigo ancião já falecido da comunidade, seu Dito Nonato,
dizia que ninguém sabe ao certo, mas as terras passaram das ex-escravas
para o capitão Manuel Souza Vasquez, que as vendeu futuramente para João
Mesquita, apelidando-a então de fazenda Mesquita. Seu Dito também diz que
no começo quase não havia homem branco, a menos que estivesse de
passagem, todos eram negros. Porém com o tempo foram ocorrendo
miscigenações, e a população tornou mestiça em uma pequena parte, pois a
maioria continua sendo negra.
A fazenda manteve-se inabalada, e com sua cultura interrompida por
qualquer outro povo durante décadas, mesmos sendo formada por negros
vindos de Santa Luzia, Formosa, Kalungas entre outras formações
quilombolas, sua população nunca se interessou em ter contato com outras
civilizações, nem com Santa Luzia, que era a mais próxima.
A vida em comunidade

As famílias plantam em áreas particulares: Milho, mandioca, cana de
açúcar, verduras e tem alguns animais que servem para subsistência e venda
do excedente. Nesse período, desde o inicio do processo de reconhecimento, a
Associação Renovadora do Quilombo Mesquita promoveu várias capacitações
junto aos moradores para a agricultura familiar, consistindo tanto em formação
de áreas de plantio e produção de hortaliças, quanto para o viveiro de mudas,
processo de reflorestamento, e educação ambiental. É impressionante a
qualidade das frutas e verduras plantadas na região, que toda semana é levada
para a área comunitária, é pesado agrupado e distribuído para as escolar e
instituições sociais, um trabalho voluntário deles.
O quilombo associa-se ao de Aquisição de Alimentos (PAA), do
Ministério de Desenvolvimento Social e também ao Programa Nacional de
Alimentação Escolar (PNAE) do Governo Federal. Nesse programa tem
parcerias com a ONG Rede Terra, Conab (Companhia Nacional de
Abastecimento). Graças as boas terras que pertencem ao quilombo,
atualmente eles estão tentando vender parte de suas colheitas para o CEASA,
pois produzem além do necessário para os programas citados.
A população do Mesquita já faz intercâmbio com outros quilombolas do
Brasil para trocas de conhecimentos, aprendizado de novas técnicas e
conhecimentos. Recentemente 42 pessoas visitaram o quilombo Kalunga, e
participaram também da Rio +20, e do Encontro África na Cidade de Goiás.
Também são realizadas na sede da Associação e na área comunitária. No
plano da comunicação pretendem instalar uma rádio comunitária e um jornal,
além dos cursos de EJA- Educação de Jovens e Adultos.
Regularização

Em 2003 começou o processo para reconhecimento do grupo como
quilombo, e a demarcação das terras, porém o quilombo Mesquita só foi
reconhecido pela Fundação Palmares em 2006. O certificado da condição
quilombola é o primeiro passo para certificação e delimitação das terras, bem
como a determinação de suas demarcações e titulações pelo INCRA (Instituto
Nacional de Colonização e Reforma Agrária), segundo Decreto nº 4.887, de
20/11/2003.

As terras dos quilombos vêem com o tempo sendo, cada vez mais
disputadas severamente. Os quilombos perdem muitas vezes seus terrenos por
trocas ingênuas, e desleais de alguns proprietários, alguns quilombolas
perdem-nas: por dívidas, enganos, ou obrigados a doá-las. Com a expansão de
Brasília e a construção da Cidade Ocidental, o quilombo vem sendo assediado
também por grandes empreiteiras que pretendem construir condomínios, e por
um grande número de pessoas, moradores do distrito federal, que compram
frações de terra para a construção de casas de lazer.
Também há uma grande dificuldade entre alguns moradores para
reconhecimento, como grupo histórico e cultural e importante para o país, As
justificativas são de que recebem constantemente ofertas para vendas das
terras, ou se vinculam a políticos contrários à demarcação. Outros dizem que a
resistência é por conta de que ao definir como quilombo as terras são tituladas
coletivamente e não poderão ser vendidas.
Cultura local
Entre os habitantes do quilombo uma das tradições mais marcantes é a
Novena, aonde os moradores vão a cada dia em uma casa diferente
comemorando o santo devoto do local, Santa Abadia, para essa santa os
foliões rezam, fazem falas e músicas, e as folias nas casas são durante à noite
e deixam suas bênçãos a cada casa que vão. Há vários músicos do próprio
quilombo que animam as festas. E costumam dançar a catira, que também é
tradicional em todo Goiás.a
Fala-se do uso medicinal de algumas ervar da região como: Quebra-
pedra, Sete dor, Erva Cidreira, usadas muitas vezes sem se saber da
veracidade dos efeitos, há alguns casa onde moradores doentes abandonam
os hospitais para usar dessas plantas. Não se sabe bem ao certo de onde vem
esta tradição do uso medicinal, alguns moradores acreditam que foram de seus
descendentes escravos, e ainda acreditam que a vida que levavam antes era
mais saudável do que a que tem, tomando remédios industriais.
A Marmelada produzida no local conhecida nacionalmente, tem
chamado a atenção das cidades locais a décadas, o próprio Juscelino
Kubtchek se encantou com os doces do local. Existem algumas hipóteses de
como a planta chegou ao local não se sabe bem ao certo, uma delas é que o
Marmelo chegou ao quilombo por meio dos boiadeiros e bandeirantes, a outra
é que as três escravas alforriadas começaram o cultivo da planta no local.
Equipamentos Sociais Existentes no Quilombo
O quilombo tem uma casa sede da Associação Renovadora do Quilombo
Mesquita, com dois quartos, um posto de correio para toda a comunidade e
uma sala onde se empilham quantidades de livros, inclusive os livros da
Biblioteca Arca das Letras e agora os livros recebidos da 1ª. Fase do Ponto de
Leitura de matriz africana.
Uma das personagens mais importantes é Sandra Pereira Braga, que
criou o espaço da leitura no Quilombo. Entre as várias idéias dela estavam, o
cultivo do viveiro e a coleta de lixo, sustentáveis para que haja cidadãs mais
preocupadas com o destino da natureza. O outro projeto também voltado para
leitura tem a intenção de ligarem os habitantes ao local que moram, a partir do
reconhecimento da própria identidade quilombola, todos criados e motivados
por Sandra, um dos seus sonhos é erradicar os índices de analfabetismo.
Escola Aleixo Pereira Braga I, que vai até a 8ª série. Essa escola foi
construída com a doação de terreno e de materiais para construção e o
trabalho feito em mutirão pelos moradores. Conforme a diretora, professora
Rejane, a escola tem 400 alunos, que vem tanto do quilombo como de bairros
próximos de distritos da Cidade Ocidental como Jardim ABC, Jardim Edite e
outros. Pela manhã há cursos para crianças do 1º. ao 5º. Ano, com jornada
ampliada de cinco horas/aula, e à tarde aulas do 6º. Ao 9º. Ano.
Há também um posto médico com um médico e enfermeira, que
trabalham três vezes na semana, quando alguém tem algo mais sério, é levado
ao hospital do Ocidental pela ambulância. Um dos problemas mais graves de
saúde no quilombo ultimamente é a dengue.
Personagens Importantes
Sandra Pereira Braga, Atual presidente da Associação Renovadora
do Quilombo Mesquita, teve em seus avôs grande inspiração para crescimento
pessoal, e luta pela identidade de seu povo. Seus avôs Srs. Benedito Antonio
Nonato e Aleixo Pereira Braga, que mobilizaram para a construção da igreja no
local e batalharam por melhorias e conservação da terra do quilombo. Aleixo
utilizou o terreno de sua casa para montar a primeira escola do município, avô
Benedito Antônio ia buscar o professor a cavalo, no asfalto que ia de Luziânia à
Brasília que era pra dar aula aqui, e sua avó Paulina também ajudava com o
lanche. Ela diz que segue a luta de seus antepassados pelo local.
Sr Mauro também nascido na região criado pelo fazendeiro Dito Melo
desde os dois anos, ele só saiu da fazenda aos 27 anos, quando se casou.
Cresceu subordinado as fazendas onde trabalhava, porém após o casamento
teve que fazer ser pé de meia, como dizem na região, hoje ele é um dos
produtores de Marmelada da região. Também conta muitas de suas histórias
divertidas, foi um de nossos entrevistados.


Conclusão:

Um quilombo com a história interessante e diferenciada em sua
formação social, durante sua história fica notório que a comunidade não sofreu
abusos por parte de capitães-do-mato, senhores de fazenda, pois era um
quilombo formado por ex-escravos e seus descendentes que não
necessariamente estavam em fugas, mas decidiram habitar a região por
vontade própria, não por fugas ou o medo da morte nos engenhos. O que não
muda também seu estilo de vida e a precariedade do local, como há nos outros
quilombos.
A simplicidade, humildade e hospitalidade que são virtudes dos
habitantes que chamam à atenção ao pesquisarmos o local, a naturalidade
com que vivem e o orgulho que a maioria sente em se reconhecerem como
quilombolas, é um dos motivos que ainda deixa tal identidade ainda se manter
viva no coração do Brasil. Em meio a várias propostas contagiantes para
comercio com as terras, eles preferem levar a vida com sua rica simplicidade e
riquezas naturais com que vivem.















Bibliografia:

Livro: cidade Ocidental contada pelos seus pioneiros- Edição Eletrônica
e capa, 1ª Edição- autor: Lander Jorge da Silva.