UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS

FACULDADE DE ENGENHARIA MECÂNICA


FERNANDO NASCIMENTO COSTA




Análise de Válvula de Expansão Eletrônica em
Sistema de Refrigeração








Orientador: Prof. Dr. Luiz Felipe Mendes de Moura




Referência bibliográfica apresentada ao Professor Dr. Luiz Felipe Mendes de Moura
para a obtenção de nota na disciplina Estudos Especias I (IM 403).
























































































SUMÁRIO

1 Introdução 1
2 Revisão da Literatura 2
2.1 Ciclo Teórico de Refrigeração por Compressão de Vapor 2
2.2 Dispositivos de Expansão 3
2.2.1 Superaquecimento e Sub-resfriamento 3
2.2.2 Válvula de Expansão Termostática 4
2.2.3 Válvula de Expansão Eletrônica 5
2.3 Revisão Bibliográfica 6















1. Introdução


Atualmente a refrigeração e a climatização são extremamente necessárias aos seres
humanos, seja para conservar produtos congelados e não-congelados, transporte e
processamento de alimentos, controle de temperatura em laboratórios e hospitais, industrias
químicas e processos, e também para o conforto humano. Dado ao intenso crescimento deste
segmento, torna-se necessário estudos que otimizem tais sistemas. O funcionamento dos
sistemas atuais de refrigeração doméstica, comercial, veicular e industrial, é projetado para
atuar em carga máxima independente da variação de carga térmica. O dispositivo de expansão
promove a queda de pressão de condensação até a pressão de evaporação e controla a vazão
de fluido refrigerante que chega ao evaporador. O fluxo de gás refrigerante é função da
demanda da carga térmica que promove a abertura ou fechamento do dispositivo de expansão.
presente estudo, faz-se um estudo da eficiência de um ciclo frigorífico com válvula de
expansão termostática e o mesmo ciclo às mesmas condições com válvula de expansão
eletrônica, tendo em vista um melhor parâmetro de eficiência, COP (coeficiente de
Performance).















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2. Revisão da literatura
A revisão bibliográfica considera o funcionamento do ciclo de refrigeração por
compressão de vapor, seus principais componentes e princípios de funcionamento.
Apresenta-se também alguns estudos, teóricos experimentais, e de modelagem da válvula
de expansão eletrônica com seus respectivos resultados que darão suporte ao
desenvolvimento deste trabalho.

2.1 Ciclo teórico de Refrigeração por Compressão de Vapor

O sistema de refrigeração por compressão de vapor é composto por quatro componentes
básicos: compressor, condensador, dispositivo de expansão, evaporador. O fluido
refrigerante somado a esses componentes é responsávelpelo processo de retirada de calor
de um ambiente transferindo-o a outro ambiente.

A figura 1 mostra o esquema básico de um ciclo de refrigeração por compressão de
vapor, seus principais componentes, suas características termodinâmicas eo ciclo teórico
representado sobre o diagrama de Mollier no plano P-h (pressão-entalpia).


Figura 1: Ciclo frigorífico e Diagrama Pxh. Fonte:Retrofit 2009

 Processo 1-2: Adiabático reversível e isentrópico. Ocorre no compressor. O fluido
refrigerante entra no compressor (1) à pressão do evaporador no estado de vapor
saturado e comprimido até a pressão de condensação. Na saída do compressor (2), o
fluido refrigerante se encontra no estado de vapor superaquecido.

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 Processo 2-3: Processo de rejeição de calor e sem trabalho do fluido refrigerante para
o ambiente de resfriamento, à pressão constante. O fluido é resfriado da temperatura



da saída do compressor, até a temperatura de condensação. É condensado até o estado de
liquido saturado na temperatura de condensação.
 Processo 3-4:Ocorre no elemento de expansão. É irreversível à entalpia constante
desde a pressão de condensação. A entropia do refrigerante na saída do dispositivo de
expansão é maior que a entropia do refrigerante na entrada.O dispositivo de expansão
provoca uma queda de pressão, responsável também pela queda da temperatura, passando
logo a seguir pelo evaporador que absorve o calor do meio a ser resfriado.
 Processo 4-1: É um processo de transferência de calor a pressão e temperatura
constante, desde o estado de vapor úmido até atingir o estado de vapor saturado. O calor
cedido ao refrigerante não muda a temperatura do refrigerante, mas seu titulo.

2.2 Dispositivos de Expansão
No ciclo de refrigeração por compressão de vapor o elemento de expansão regula a vazão
de fluido refrigerante que entra no evaporador e reduz a pressão do refrigerante desde a
pressão de condensação à pressão de evaporação. Válvulas de expansão termostática, válvula
de bóia, válvulas de expansão a pressão constante,tubos capilares e válvulas de expansão
eletrônicas são os principais tipos de dispositivos utilizados atualmente.

2.2.1 Superaquecimento e Sub-resfriamento
O superaquecimento no evaporador é um parâmetro que garante o aproveitamento
máximo do evaporador verificando se o evaporador possui um bom preenchimento de fluido
refrigerante. O superaquecimento do compressor garante que o fluido refrigerante retorna ao
compressor no estado de vapor superaquecido e que sua temperatura supra o resfriamento do
conjunto eletromecânico, evitando altas temperaturas de descarga.
O sub-resfriamento tem por função garantir que o condensador rejeita o calor do
sistema e condensa todo o fluido refrigerante e também garante a carga de fluido refrigerante
adequada.
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2.2.2 Válvula de Expansão Termostática

O elemento de expansão mais usado em sistemas frigoríficos são as válvulas
controladas pelo superaquecimento. Isso ocorre devido a sua fácil adaptação a vários tipos de
aplicações e sua alta eficiência. A válvula de expansão termostática regula a vazão de
refrigerantecondensado parao evaporador compensando a taxa de evaporação do mesmo. As
partes que compõem uma (VET) são o corpo, mola, difragma, parafuso de ajuste e bulbo
sensível. Um diagrama esquemático de uma válvula de expansão termostática é mostrado na
Fig. 2.
O corpo metálico e o tubo de entrada (E) são interligados ao orifício restritor. No
interior da válvula 85% é preenchido com líquido e 15% com gás saturado. O gás saturado
entra no evaporador pela saída do corpo da válvula (S).

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O conjunto termostático é formado por uma câmara contendo um diafragma
interligado com um bulbo através de um tubo capilar.


Figura 2: Componentes de uma válvula de expansão termostática. Fonte: Edubrás

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A diferença de pressão entre ambos os lados do diafragma promove a movimentação
da haste. O bulbo é preenchido um fluido no estado líquido e vapor. Na superfície inferior a
atuação é devida a pressão no evaporador, ao passo que na superfície superior é devido ao
fluido de acionamento do bulbo. A força da mola atuante no diafragma tende a fechara
válvula. Para promover a abertura da válvula, a pressão devido à cargadeve equivaler as
forças combinadas resultantes da pressão no evaporador e da ação da mola. O controle da
válvula de expansão termostática é do tipo proporcional, em sentido em que o deslocamento
da hasteé proporcional à diferença entre o valor do parâmetro de controle e o valor de ajuste
da válvula. (SAIZ JABARDO,2002).
Em uma instalação frigorífica, dotado de um compressor com carga de deslocamento
constante, a pressão ou temperatura variam quando o controle da vazão é promovido por uma
VET. Com o aumento da carga térmica ocorre um aumento na pressão de evaporação. Em
sistemas comerciais as condições para a aplicação de válvulas de expansão termostática
justificam seu uso. Porém o uso da mesma em sistemas de baixa temperatura de evaporação
acarreta alguns aspectos negativos. Em sistemas cuja temperatura é reduzida com grande
freqüência, necessita-se de valores de superaquecimento elevados na saída do evaporador, o
que compromete o seu desempenho. Em sistemas a baixas temperaturas, outro inconveniente
está no fato de a temperatura está relacionado ao superaquecimento na saída do evaporador.
Este se torna mais crítico a temperaturas baixas de evaporação o que compromete a
capacidade e o COP do ciclo. Com a redução da temperatura de evaporação, cada grau de
diferença de temperatura afeta a capacidade de refrigeração e a potencia de compressão.

2.2.3 Válvula de expansão eletrônica
A válvula de expansão eletrônica promove um controle mais preciso e eficiente do
fluxo de fluido refrigerante, tendo como principal vantagem economia de energia. Existem
três tipos de válvulas de expansão elétricas: as válvulas acionadas por motores de pulso, as de
pulsode largura modulada e as válvulas analógicas.
As válvulas microprocessadas possuem algumas vantagens quando comparadas com
as válvulas de expansão termostática: promove um controle mais exato da temperatura e do
superaquecimento à pressão variável, operam com menores pressões de condensação, não
necessita de ajuste e resultam em economia na faixa de 10%. A Figura 3 mostra o esquema
de uma válvula de expansão eletrônica com seus respectivos componentes.
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Figura 3: Válvula de expansão eletrônica. Fonte: Danfoss
O sinal para controle das válvulas de expansão eletrônica são gerados através de um
termistor, instalado na saída do evaporador, cuja função é detectar a presença de refrigerante
líquido. Na ausência de líquido, a temperatura do termistor se eleva reduzindo sua resistência
elétrica. A variação da resistênciaé analisada por um circuito, que envia o sinal digital para o
posicionamento da agulha da válvula.



2.3 Revisão Bibliogáfica

A busca por técnicas de controle em sistemas frigoríficos, objetivando melhores
rendimentos eletromecânicos e térmicos crescido nos dias atuais. Se um sistema de
refrigeração não possui um controle correto, este não trabalhará eficientemente. A ênfase
global de conservação de energia tem impulsionado pesquisas para promover o
desenvolvimento de novas tecnologias viáveis economicamente para em sistemas (HVAC). A
eficiência térmica e energética pode ser obtida de forma direta (controle de cargas individuais,
ventiladores, bombas e compressores) e de forma indireta (gerenciamento e controle do
dispositivo de expansão). A redução energética pode ser conseguida operando os
equipamentos próximos de seu limite termodinâmico, o mesmo não é garantido com a
maximização de seus componentes individuais. (CARVAJAL, 2004)



Dada a importância do superaquecimento em um sistema frigorífico (2.2.1), torna-se
evidente que um controle adequado deste parâmetro é vantajoso, em termos de eficiência
energética, bem como eficiência frigorífica. No presente trabalho busca-se explanar os aspetos
referentes ao controle do grau de superaquecimento do fluido refrigerante a partir da válvula
de expansão termostática e válvula de expansão eletrônica de diversos trabalhos.
Diversos estudos tem sido realizados na busca da otimização do grau de
superaquecimento. Silva (1994) descreve a avaliação e comparação de uma válvula de
expansão termostática e uma válvula de expansão eletrônica. Em seu estudo demonstrou que a
válvula de expansão eletrônica apresenta faixa mais ampla de estabilidade variando-se a
carga térmica no evaporador. O comportamento favorável da válvula de expansão eletrônica,
foi observado mesmo com a obtenção de dados através de métodos convencionais (PID) com
uma entrada e uma saída (SISO). No (SISO) o sistema de controle é baixo devido às
limitações da estrutura de controle e a dificudade de sintonia com o controlador.

As instabilidades características que ocorre no controle do grau de superaquecimento
são discutidas por Schmidt (1999). Tomando-se como referência uma malha de controle com
quatro classes distintas de atuador (bulbo sensor, semi-eletrônica, solenóide e motor a passo),
o autor concluiu que a válvula eletrônica, embora mais complexa em seu controle é a que
apresenta maior vantagem em relação às demais.

As teorias modernas de controle trazem uma boa contribuição referente ao controle de
ciclos por compressão de vapor. Dado os avanços ao controles de técnicas de controle
envolvendo múltiplas entradas e múltiplas saídas (MIMO), cujas vantagens podem ser
utilizadas numa coordenação entre a abertura da válvula de expansão, velocidade do
compressor e velocidade de ventiladores, amortecendo por sua vez perturbações externas,
ampliando faixas de trabalho, modulando a capacidade do sistema e melhorando o grau de
superaquecimento.

O grau de controle do superaquecimento do refrigerante na saída do evaporador, pode
ser controlado por quatro parâmetros, individualmente ou em conjunto: pressão, temperatura,
conteúdo de líquido e o sinal mínimo estável.


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Carvajal (2004) adaptou uma válvula de expansão termostática, balanceada
externamente, para projetar uma válvula de expansão eletrônica (Fig.4) . A câmara de bulbo
sensor foi substituída por um mecanismo de atuação que consiste num motor de passo
acoplado a um conjunto de engrenagens, que aciona uma came atuando sobre o diafragma e
fazendo a haste se deslocar produzindo o fechamento ou abertura da válvula de expansão.

Figura 4: Válvula de expansão termostática modificada. Fonte:

O sensor de posição da abertura da haste da válvula é executado por um potenciômetro
de 18 ohms acoplado numa engrenagem ao eixo da came do dispositivo de expansão,
variando-se a resistência o deslocamento da haste desloca-se proporcionalmente e a leitura é
executada utilizando um canal de módulo condicionador de sinais analógicos.

Segundo Maia (2000) os dispositivos de expansão convencionais, como a válvula de
expansão termostática, não harmoniza seu funcionamento com compressores de velocidade
variável e com a vazão adequada de fluido refrigerante presente no evaporador.

Para determinadas faixas de operação o sistema com válvula de expansão eletrônica
apresenta maior rendimento quando comparados aos tubos capilares. Pottker (2006) avaliou o
efeito do grau de abertura do dispositivo de expansão, a carga de fluido refrigerante e rotação
do compressor simultaneamente. Também comparou o efeito da substituição de um elemento


restritor constante por um dispositivo de expansao eletrônico em um sistema dotado de um
compressor com rotação variável. O autor mostrou que sistemas dotados com compressor de
rotação variável e com válvulas de expansão eletrônica são mais eficientes que sistemas de
compressor variável e elemento de expansão constante.

Garcia (2010) fez uso de controladores fuzzy em um sistema de refrigeração por
compressão de vapor, objetivando a economia de energia. Para a velocidade de rotação do
compressor e para a válvula de expansão eletrônica, trabalhando simultaneamente foram
utilizados um controle difuso-adaptativo e um controle fuzzy proporcional integrativo,
respectivamente. Os resultados mostraram um excelente desempenho do sistema de
refrigeração, tomando-se como referência a qualidade, sensibilidade, respostas e regulagem de
graus de superaquecimento.

Antunes (2011) através de um sistema de refrigeração convencional com fluido
refrigerante R-22, automatizou o sistema. Em seguida alterou o fluido para o R1270. O autor
concluiu que a válvula de expansão termostática no sistema convencional tem o papel de
manter o grau de superaquecimento adequado, enquanto a válvula de expansão eletrônica
alem de manter o grau de superaquecimento na faixa desejada, garantiu uma capacidade de
refrigeração uniforme durante o tempo de serviço dos sistemas automatizados. A válvula de
expansão eletrônica mostrou um comportamento típico de controle PID, possibilitando um
funcionamento contínuo do compressor.
















Referências

Antunes ,A. H. P, Análise experimental da eficiência energética de um sistema de
refrigeração automatizado utilizando R-22 e propileno como fluido refrigerante.
Dissertação de Mestrado, Universidade Federal de Uberlândia MG, 2011.

Garcia, Avaliação teórico experimental de um controle adaptativo para um sistema de
refrigeração. Tese de doutorado, Universidade Federal de Uberlândia MG, 2010.

Maia, T. A. A, Estudo experimental do comportamento transiente do conjunto
Evaporador Válvula de Expansão. Dissertação de Mestrado, Universidade Federal de
Minas Gerais MG, 2000

Pottker, G, Analise do efeito combinado de compressores e expansores de ação variável
sobre o desempenho de sistemas de refrigeração. Dissertação de Mestrado, Universidade
Federal de Santa Catarina SC, 2006.


Silva S. A, Desenvolvimento de uma válvula de expansão comandada por um
microcomputador. Dissertação de Mestrado, Universidade Federal de Uberlândia MG, 2009

Schmidt F, Optimol control of electronic expansion valves in morden low desing.
International Congress of refrigeration IIR/IIF, Sidney Austrália, 1999.



















































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