Resumo Fitoquímica aula 1 – Introdução à Análise Fitoquímica

É amplamente conhecida a origem de diversos fármacos das plantas,
conhecidos como metabólitos secundários, sendo ainda uma fonte de diversos
novos fármacos, devido à diversidade da flora (o Brasil é o país com maior
diversidade, com mais de 55 mil espécies catalogadas), o pequeno peso molecular de
algumas drogas (poucos daltons), além da característica de absorção e metabolismo.
Para obtenção de um determinado metabólito de interesse é utilizado diversos
processos analíticos, como, por exemplo, a cromatografia (coluna, alta eficiência,
gasosa).
Mas por que é essencial o contínuo estudo das plantas? Isso se deve á grande
quantidade de compostos que mesmo que conhecidos, ainda não foram estudados
suas propriedades farmacológicas, com o avanço dos métodos de separação, pode
ser que uma menor resolução permita uma maior purificação ou até mesmo uma
descoberta de um novo composto. Como visto na QF o desenvolvimento de fármacos
demanda grandes investimentos, mas também o retorno é muito alto, chegando a
movimentar cerca de 12 bilhões de dólares/ano. Um fator que também estimula o
estudo de metabólitos de plantas é que atualmente, 61% dos fármacos utilizados no
tratamento de câncer têm origem de produtos naturais.
Agora alguns conceitos acerta das plantas:
Medicamento Fitoterápico  É composto exclusivamente por matérias-
primas ativas vegetais, cuja eficácia e segurança são validadas por meio de
levantamentos etnofarmacológicos, de utilização, documentações tecnocientíficas ou
evidências clínicas (RDC 14/2010).
Planta medicinal  Espécie vegetal, cultivada ou não, utilizada com
propósitos terapêuticos (RDC 10/2010). Europa é responsável por 50% do mercado.

Droga vegetal  Planta medicinal ou suas partes que contenham as
substâncias ou classes de substâncias responsáveis pela ação terapêutica, após
processos de coleta, estabilização, quando aplicável, e secagem, podendo estar na
forma íntegra, rasurada, triturada ou pulverizada (RDC 10/2010).

Devido a grande quantidade de procura da população brasileira acerca de
tratamentos com plantas medicinas, o Ministério da Saúde publicou uma portaria na
qual apresenta diretrizes, ações e responsabilidades dos entes federais, estaduas e
municipais, acerca da fitoterapia, voltando ao cuidado continuado, humanizado e
integral em saúde. Além disso, é apresentado também um Decreto Presidencial, com
diretrizes para a cadeia produtiva de plantas medicinais e fitoterápicos. Além disso,
tem o Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira, disponível na internet,
que apresenta diversas formas corretas de preparações de plantas (infusão,
decocção, pomada, etc).

O objetivo da pesquisa fitoquímica é conhecer os constituintes químicos de
espécies vegetais e avaliar sua presença e concentração, através de métodos
analíticos citados anteriormente. É importante devido à presença ou não de um
determinado metabólito secundário de interesse.


As etapas da Pesquisa Fitoquímica são:
 Coleta do material vegetal  é realizada a coleta do material isento de
doenças (fungos, parasitas) e com integralidade, e realizada a exsicata.
 Preparação do material vegetal  é dividido em algumas fases:
o Estabilização e secagem  a estabilização tem como objetivo a
desnaturação proteica das enzimas celulares, evitando assim a
alteração de compostos químicos originalmente presentes na
amostra. Já a secagem é a retirada de água da planta,
impedindo assim as reações de hidrólise e de crescimento
microbiano. Ocorre em temperaturas inferiores a 60ºC, por 7
dias.
o Moagem  depende da textura do órgão a ser moído, quanto
maior, maior será o grau de divisão necessário. Pode ser
realizado pela divisão grosseira, utilizando facas tesouras,
impacto, utilizando gral e pistilo, rasuração, onde utiliza – se
raspadores ou processadores de alimentos, ou moinhos de
pinos, facas, jato de ar.
 Extração  retirar de forma seletiva e completa, através de um líquido,
ou mistura de líquidos, as substâncias ou frações ativas da droga
vegetal. Depende da característica do material, seu grau de divisão,
solvente e a metodologia empregada.
 Análise fitoquímica preliminar  a maneira clássica é através da
mudança de coloração, realizada através de reações químicas com as
substâncias da droga vegetal. É utilizada um tratamento preliminar,
onde ocorre partição de substâncias entre fase orgânica e aquosa, e a
formação de sais com diferenças de solubilidade em relação às bases
ou ácidos que lhe deram origem. Podem ser identificados, por exemplo,
cumarinas, polifenois, alcaloides, triterpenos, esteroides, etc.
 Fracionamento / isolamento fracionamento é o processo que obtêm –
se uma fração parcialmente pura, ou seja, um grupo de substâncias.
Isolamento é o processo em que se consegue uma substância ou um
composto puro. Tem dois métodos mais comuns: partição por
solventes, ou métodos cromatográficos.
 Elucidação estrutural  permitem análise de estruturas complexas,
com pequenas amostras (miligramas ou menos). Os principais são:
o Espectroscopia de massas  permite determinar a massa
molecular e a fórmula molecular de uma substância, além de
certas características estruturais como os padrões de
fragmentação. Trata – se de uma técnica cara, porem com alta
sensibilidade.
o Espectroscopia do UV visível  simples e rápida, através da
absortividade é determinada a concentração de um determinado
composto (utilizado predominantemente em flavonoides).
o Infravermelho  é verificado através de um gráfico: analisando
as vibrações, demonstradas na forma de bandas, verifica – se
qual ligação se trata (através de uma tabela auxiliar) e
posteriormente é verificada a formula e estrutura molecular.
o RMN  essencial para determinação estrutural de compostos
orgânicos.