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Seja bem vindo ao Aventuras em Sinnoh!



Olá, visitante, você está em Sinnoh! Esta história é um conjunto dos capítulos que
compõe o blog Aventuras em Sinnoh, parte integrante da Aliança Aventuras, uma parceria entre
escritores e amigos que se uniram para escrever fanfictions de Pokémon voltadas a cada um dos
continentes existentes nos jogos.
Esta história não possui nenhum tipo de conexão com os jogos ou o desenho animado, a
personalidade dos personagens já existentes entre outros fatos citados são fictícios e não possuem
nenhum vínculo com a Nintendo. O Aventuras em Sinnoh é apenas uma fic voltada para o
entretenimento e a diversão dos leitores sem fins lucrativos. Todo o conteúdo aqui apresentado é
parte integrante do blog, todos os direitos reservados. Obrigado por sua visita, leia e se divirta!

Escrito por: Canas Ominous (Nícolas Eroles)
Classificação: +10 | Terminada: Não | Publicada: Todas as sexta-feiras
Historia Iniciada: 20 de Maio de 2010 | Blog Iniciado: 17 de Maio de 2011
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Capítulo 1 - Entrelinhas do Início de uma Jornada. ...............................................................................................04
Capítulo 2 - Um Almoço para os Filhos dos Campeões! ......................................................................................10
Capítulo 3 - O primeiro Pokémon a gente nunca esquece! ...................................................................................20
Capítulo 4 - Surge o Team Galactic: Batalha pela Pokéagenda ............................................................................29
Capítulo 5 - Novos companheiros sempre são Bem Vindos! ...............................................................................42
Capítulo 6 - Inimigos de Infância! Ataque Bidoof! .................................................................................................53
Capítulo 7 - Fogo na Rota 202: Trabalho para um Ranger! ................................................................................65
Capítulo 8 - Amizade Especial ....................................................................................................................................74
Capítulo 9 - Defesas do Mundo Antigo ...................................................................................................................86
Capítulo 9.5 - Treinamento Noturno no Oreburgh Gate! ..................................................................................95
Capítulo 10 - Roark, o Mestre dos Fósseis ...........................................................................................................102
Capítulo 11 - Despedida da cidade do carvão! ......................................................................................................115
Capítulo 12 - Nunca Desistir ...................................................................................................................................125
Capítulo 13 - Desobediência Pokémon ..................................................................................................................138
Capítulo 13.5 - Sonho Solitário ...............................................................................................................................149
Capítulo 14 - Problemas Elétricos no Vale do Vento! .......................................................................................151
Capítulo 14.5 - Reunião Galáctica ...........................................................................................................................164
Capítulo 15 - Sussurros na Floresta Eterna ............................................................................................................170
Capítulo 16 - Botânica ...............................................................................................................................................181
Capítulo 17 - Pequena Felicidade e um Encontro Inusitado! ............................................................................196
Capítulo 17.5 - Aprisionados no Abismo do Medo ............................................................................................212
Capítulo 18 - Quem define o que é Certo e Errado? ...........................................................................................219
Capítulo 19 - Seguindo Minha Vida...................................................................................................................233
Capítulo 19.5 - Valor da Amizade..........................................................................................................................247
Capítulo 20 - O Melhor da Cidade dos Corações.................................................................................................256
Capítulo 21 - Ação de Elite........................................................................................................................................273
Capítulo 22 - A Segunda Competição e o Corvo da Noite.................................................................................292
Capítulo 22.5 - Nova fase em Nossas Vidas .........................................................................................................309
Capítulo 23 - Seriedade e Diversão ..........................................................................................................................317
Capítulo 24 - Irmandade ............................................................................................................................................329
Capítulo 25 - Paixão Fantasma .................................................................................................................................342
Capítulo 25.5 - Revelação ..........................................................................................................................................356
Capítulo 26 - Os Sonhos são para Você (Final de Temporada) .....................................................................364
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CAPÍTULO 1

Entrelinhas do Início de uma Jornada

Twinleaf Town. A pequena cidade localizada no interior de Sinnoh estava lindamente
iluminada com o sol radiante que penetrava entre as espessas nuvens fazendo com que a neve
deixada na noite passada derretesse aos poucos. O piado de Starlys ecoava ao longe anunciando o
início de mais uma bela manhã naquela simples cidade, os pequenos pássaros escondiam-se em
suas tocas pelo frio que ainda fazia, enquanto Budews abrigavam-se nas moitas ainda molhadas
pelo orvalho.
É nessa pacata cidade que nossa história começa. Numa pequena casa ao leste morava um
casal de famosos treinadores pokémon: Walter e Melyssa. O local era pequeno e bastante
confortável, revestido de uma madeira nobre, elegantemente construída. A fumaça cinzenta era
exalada da chaminé, mas nada que afetasse o ar puro que podia ser sentido em cidades rurais.
Tudo muito bem elaborado, uma perfeita casa para aqueles que procuram o sossego e a paz do
campo. Apesar de serem pessoas famosas, ambos preferiam uma vida simples nesta humilde, mas
tão amada cidade.


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Melyssa Wallers era uma das coordenadoras mais famosas de Sinnoh, tendo conquistado
inúmeras vezes o grande festival em sua temporada. A moça tinha longos cabelos lisos e negros,
assim como seus olhos, que definiam uma personalidade forte, mas ainda assim tão delicada
quanto uma flor branca na escuridão da noite.
Já Walter Wallers fora considerado o grande campeão da liga oficial de Sinnoh por ter
defendido seu título por quase quatro anos consecutivos, ele era amigo de todos os membros da
Elite dos 4, mas com o passar dos anos seu legado chegou ao fim, dando lugar para os treinadores
novos que lutaram e seguiram seus sonhos de tornarem-se Mestres Pokémon. Walter agora era
marcado pela idade, ele tinha cabelos castanhos com fios grisalhos, belos olhos verdes, também
usava barba, o que o deixava com um ar charmoso. Ele era calmo e paciente, completando a
personalidade agitada de sua esposa. Era um belo casal, um completava o outro.
Mas como toda família que se preze, Walter e Melyssa também tinham filhos, que por
sinal eram dois, e para completar: gêmeos. Dois garotos com a mesma idade e personalidades
muito distintas, Lukas e Luke. Porém, os jovens meninos não estavam em Twinleaf no momento.
Ambos moraram os últimos meses na cidade de Jubilife com os avós, preparando-se na escola de
treinadores. Luke era mais velho por três minutos, tinha o sonho de se tornar um renomado
treinador Pokémon e seguir os passos de campeão que seu pai trilhara; enquanto que seu irmão
Lukas queria ser um Top Coordenador como a mãe. Os dois garotos tinham talento, eram de
uma família nobre e de um sangue puro, e agora iriam voltar para casa após terem completado
treze anos. Além disso, iriam comemorar uma data marcante, o início de suas jornadas por
Sinnoh.
— Estou ansiosa para vê-los... — suspirou Melyssa que cortava alguns legumes próximo
à pia da cozinha.
A mulher cozinhava algo especial para recepcionar os filhos, a cozinha era pequena,
apetrechos modestos enfeitavam as estantes cobertas de livros de receitas e ingredientes especiais.
Havia uma geladeira, um fogão e uma mesa com seis cadeiras. O marido, Walter, estava sentado
na mesa ajudando a esposa fatiando cuidadosamente algumas batatas.
— Depois de tantos meses sem vê-los estou com saudades... Quero ver quem cresceu
mais. — comentou o homem de cabelos castanhos, sorrindo ao falar.
Puderam-se ouvir algumas batidas na porta, a mulher correu para atender. Quem batia era
uma bela garotinha de longos cabelos negros que também vestia um pequeno gorro e um cachecol
pelo frio que fazia.
— Olá, senhorita Wallers. Meu nome é Dawn Manson. — disse a garota com um
sorriso meigo — Sou assistente do Professor Rowan, da cidade de Sandgem.
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— Oh, olá querida! — disse a mulher, surpresa ao ver alguém vindo de Sandgem — Por
favor, entre!
A menina entrou educadamente tirando os sapatos, a bicicleta permaneceu encostada em
frente ao jardim da casa. Ela sentou-se em um aconchegante sofá, acompanhada de Melyssa.
— Então, a que devo a visita de uma das assistentes do Professor Rowan? — perguntou
Melyssa.
Dawn fez uma cara de desapontamento por um instante, o que deixou Melyssa confusa.
— Querida, quem era? — perguntou o esposo, indo até a sala.
— Sr. Wallers. — disse a garota levantando-se do sofá — Eu sou Dawn Manson, uma
das assistentes do Professor Rowan.
Walter sorriu e cumprimentou-a, logo todos estavam na sala, mas havia um clima
estranho. Dawn hesitava em falar algo, o que deixava Walter e Melyssa angustiados.
— Quer dizer-nos algo, querida? — perguntou Melyssa, com o intuito de acabar com
aquilo.
— Alguma mensagem do Dr. Rowan?
— Err... — hesitou a garota novamente.
Dawn estava nervosa, ela tinha uma notícia e não era das melhores.
— São sobre os pokémons de seus filhos... — disse a garota olhando para o chão,
tentando evitar os olhares das pessoas a sua frente.
— Aconteceu algo...?
— Pra falar a verdade, sim... — respondeu Dawn, hesitando antes de falar cada palavra.
— Dawn... O que houve? — perguntou Walter.
— Vocês sabem... Estamos no auge da temporada de iniciantes. Ultimamente, muitos
treinadores estão partindo em jornadas...
— Claro. Todos tem grandes sonhos relacionados a pokémons. Até mesmo nossos filhos
começarão suas jornadas esse ano.— assentiu Melyssa.
— O que aconteceu foi... — continuou Dawn.
O suspense rodeou a sala. Walter e Melyssa a encaravam pois sabia que a garota não teria
uma notícia muito boa. Em seus olhares era evidente a ansiedade, o nervosismo... Eles pareciam
confusos.
— Sinto muito... Mas o Professor Rowan já não tem mais pokémons iniciais a oferecer.
Depois do desabafo da péssima notícia de Dawn, Melyssa arregalou os olhos e abriu sua
boca em sinal de desgosto. Dawn os observava cautelosa. Um dos casais mais famosos de Sinnoh
havia sido decepcionado, e a garota era a culpada no momento.
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— NÃO! — exclamou Melyssa angustiada.
— Si-sinto muito!
A mulher andava de um lado para outro com as mãos na cabeça, o marido a observava
calmamente.
— O que iremos fazer?! — interrogou Melyssa decepcionada.
— Não perca a paciência querida, tudo vai dar certo. — retrucou o esposo tentando
manter a calma.
— Err... Então o recado está dado... Agora posso ir embora! — disse Dawn, saindo da
casa vagarosamente.
— Espere aí, mocinha!! — gritou Melyssa.
A garota parou pasma antes da porta e virou-se medonha, os olhos da Sra.Wallers
estavam em chamas.
— Querida, tenha calma. A garota só veio anunciar essa notícia. E eu tenho uma ideia. —
disse Walter — Você, garotinha, ficará e cuidará do almoço.
Walter apressou-se e pegou algumas pokébolas com marcas vibrantes dentro de uma
gaveta na estante, ele estava apressado, logo agarrou a mão da esposa e correu para fora de casa,
enquanto que Dawn continuava confusa ao lado da porta.
— Eu não sei cozinhar! — rebatia Dawn sem receber atenção.
— Nós iremos viajar por Sinnoh! Não se preocupe, pois não demoraremos muito! —
disse Walter sacando uma pokébola e a arremessando-a. — Vai, Tropius!
Ao abrir, um raio branco foi desferido no ar, aos poucos tomou a forma de um fabuloso
Tropius. Suas asas lembravam as folhas de bananeiras que balançavam com o vento, era um
enorme dinossauro coberto de uma armadura de plantas. Embaixo de sua cabeça, bananas
maduras exalavam um doce aroma no ar, aquelas que crescem apenas duas vezes ao ano,
extremamente raras e saborosas.
— Wahhh! — gritou Dawn assustada ao deparar-se com uma criatura tão grande e rara
no continente de Sinnoh.
— Viajar? — perguntava a esposa.
— Sim, mas será algo rápido. Sairemos à procura de bons Pokémon para nossos filhos.
Conheço lugares fantásticos e pretendo capturar algo que os agradem. — explicou o marido.
— E eu?! — choramingava Dawn.
O casal subiu nas costas do Tropius sem dar atenção à pequena garota que parecia
espantada. O pokémon levantou vôo abrindo suas grandes asas e com enormes rajadas de vento,
alçou vôo.
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— Nem pense em sair daí sem completar o almoço especial! — disse Melyssa acenando e
rindo.
— O quê?! — dizia Dawn choramingando em indignação.
— Receba nossos filhos e invente uma boa história! Se você fizer algo errado, vai se
arrepender para sempre mocinha!! — brincou a mulher — Sei que fará um bom trabalho Dawn!
— Aaaaaaaw... — Dawn não sabia o que falar.
— Até mais, querida! — despediu-se Walter.
Logo, o casal desapareceu acompanhado do grandioso Tropius, deixando Dawn sozinha
na casa de pessoas que ela nunca tinha visto na vida. Por um lado havia sido um grande erro
deixar um desconhecido tomar conta de sua casa, mas para a mente inocente de Dawn ela deveria
fazer de tudo para agradar o casal, uma vez que eles eram muito famosos e a garota não gostaria
de decepcioná-los em seu primeiro encontro.
— Ahhh... O que eu vou fazer? — pensava Dawn consigo mesmo enquanto entrava na
casa.

A garota carregava uma bolsa e de dentro dela, um flash emanou colocando um belo
Piplup para fora. Era o pequeno e inseparável parceiro de Dawn.
— Plup? — piou o Pokémon olhando para toda a casa, um pouco assustado.
— Piplup? Como você saiu? — perguntou Dawn.
— Pluuup! — piava o pokémon contente.
— Deixa pra lá...
A garota se jogou no sofá e encarou o teto por
um tempo. Dawn não queria experimentar a fúria de
Melyssa, mas isso não mudava o fato de que ela não sabia
cozinhar. Ao seu lado estava Piplup, tentando consolar a
amiga.
— E agora? O que eu vou fazer? — perguntava
Dawn, para si própria. Ela não sabia se ria ou se estava
indignada com o ocorrido. Mas no momento, ela
somente precisava preocupar-se em aprender a cozinhar
em uma hora.

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Enquanto isso, os irmãos Lukas e Luke pedalavam ansiosos pela estrada rumo à
Twinleaf. O vento corria entre as árvores da rota 202, mas a ansiedade pare rever os pais era
maior que o vento congelante que rodeava Sinnoh nos últimos tempos.
— Ansioso, Lukas? — perguntava Luke, indo a frente.
— Não muito... — respondeu o irmão calmamente.
— Eu estou, cara. Quero escolher logo meu Turtwig e mostrar pro mundo que eu sou o
melhor! E é claro, rever nossos pais, né... — revelou Luke, ofegante de tanto pedalar.
Os garotos iam rápido em suas bicicletas ansiosos para chegarem em casa, ver seus pais,
descansarem, e depois partirem rumo a centenas de aventuras por toda Sinnoh.
Luke e Lukas corriam rumo a Twinleaf, Dawn lutava ao lado de Piplup para ler um livro
de receitas e fazer um bom prato... Melyssa e Walter voavam por Sinnoh em busca de bons
pokémons para os filhos...

Parece que uma nova aventura está prestes a se formar... Lukas e Luke... Como será que
esses garotos começarão suas jornadas sem pokémons iniciais disponíveis? Muita coisa irá
revelando-se aos poucos, mas a pergunta na boca de todos é bem simples... Quais pokémons
Walter e Melyssa conseguirão capturar para seus filhos? E Dawn? Conseguirá fazer o almoço e
não decepcionar a furiosa mãe, Melyssa? Tudo isso e muito mais, nos próximos capítulos!
















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CAPÍTULO 2

Um Almoço para os Filhos do Campeão!

Dawn parecia eufórica procurando por livros que pudessem ajudá-la a preparar um bom
prato para o almoço, mas não estava com muita sorte.
— Não é possível, não deve ser tão difícil cozinhar alguma coisa... Sempre vejo o
professor cozinhando com tanta facilidade. — comentou Dawn, conversando com seu Piplup.
Ela olhava os livros procurando algo que pudesse ser fácil, e ao mesmo tempo saboroso. Na mesa
repousava um pequeno livro vermelho de receitas que aparentemente estava sendo usada por
Melyssa há pouco tempo atrás.

— Olhe só Piplup, o que acha de "Batatas Gratinadas"? Vai ser este mesmo! — disse
Dawn com um sorriso.
A garota aproximou-se do fogão e começou o desafio de tentar ligar o equipamento, ela
apertava os botões, mas nada ocorria, o que a obrigou a procurar algum livro que explicasse passo
a passo como ligar um simples fogão. Seu pequeno pokémon aproximou-se de uma caixa que
continha palitos de fósforos, e na sequência apontou para o fogão, Dawn percebera a tentativa do
pokémon em ajudá-lo e logo seguiu seu conselho. Ela acendeu um dos palitos e assim que uma
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das bocas do fogão ligou com o fogo, ela abriu um grande sorriso.
— Conseguimos passar da primeira fase Piplup!! Agora onde será que eu posso deixar o
fogo mais forte? — perguntou a garota, apagando o fogão sem querer na sequência — Opa...
Vamos voltar do começo então...
Passado mais algum tempo ela já havia adquirido experiência em ligar o equipamento, a
garota pegou o pequeno livro de receitas e então começou os devidos passos para a preparação do
prato.
— “Unte um refratário com margarina...” O quê é um Refratário? Bom, vai essa panela
estranha mesmo... "Em seguida corte as batatas em fatias..." “Disponha as fatias de batatas
cozidas no refratário...” “Tempere o leite com o sal, pimenta, noz moscada e alecrim...” —
suspirou Dawn, olhando para seu Piplup que agora a encarava sério — Onde vou achar essas
coisas? — disse Dawn, observando um pequeno pote de vidro em uma das estantes — Hum,
talvez esse potinho seja de sal...
— P-Pipluuuuuup!!! — gritou o pokémon.
— Não se preocupe Piplup, não vou colocar muito sal, eu sei o que estou fazendo. —
disse Dawn colocando cinco colheres de açúcar nas batatas.

• • •

Enquanto Dawn criava pratos “exóticos” para o almoço, Lukas e Luke passavam logo ao
lado do misterioso Lake Verity. Os irmãos pararam suas bicicletas ao lado do lago e encararam a
entrado do local por um momento, faziam várias anos que eles não iam àquele lago.
— Ei Lukas, se liga só! É aquele lago que costumávamos brincar quando éramos
pequenos. — disse Luke, parando sua bicicleta próximo a uma árvore.
— É mesmo! Faz tanto tempo que não passamos por aqui. Vamos dar uma paradinha,
não agüento mais pedalar. — respondeu o irmão um pouco cansado.
O Lago era um lugar extremamente belo, ainda mais agora coberto pela neve. Suas águas
não podiam ser congeladas, e era possível ver o fundo. acompanhado da grande quantidade de
criaturas que o habitavam. Goldeens balançavam suas caldas em movimentos suaves, e uma vez ou
outra, um grande Seaking dava as caras, surgindo como um rei com toda sua pompa.
As árvores balançavam fracamente com a brisa gerada pelo vento, pinheiros cortavam o
céu com seus longos galhos, e o chão era inteiramente coberto por várias pinhas. Aquele lugar era
tão pacífico e místico que fazia as pessoas esquecerem de seus problemas. Os irmãos deram uma
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rápida pausa para ver como o lago estava, pois faziam anos que não passavam por lá. Eles
passaram pelas alamedas que davam entrada para o lago e encontraram-no exatamente como era
há muitos anos.



— Olhe só! Esse lago parecia tão grande quando éramos pequenos. — riu Lukas,
olhando para as águas e lembrando-se de sua infância.
— Você que não cresceu, pivete. — brincou Luke.
— Somos do mesmo tamanho, não adianta tentar parecer melhor do que eu. — rebateu
o irmão, dando início a uma discussão que foi interrompida no momento que os dois se deram
conta da presença de um estranho homem. Ele observava uma caverna misteriosa que jazia no
meio do lago, ele era muito alto e com músculos bem definidos, tinha cabelos azuis e um rosto
marcado pelo tempo, mas com traços fortes, de quem já havia visto muita coisa nesse grande
mundo. Ele vestia um elegante uniforme e mais parecia um soldado militar.
— Quem é esse cara? — perguntou Luke silenciosamente.
— Não sei, não lembro-me de seu rosto aqui na cidade... Parece que ele está falando
algo... — respondeu Lukas na tentativa de ouvir o quê aquele estranho dizia.

O homem virou-se e foi em direção dos dois irmãos que ficaram observando-o.
— Peço-lhes licença... — disse o homem com sua voz grave.
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Os dois garotos abriram espaço, permitindo que o homem passasse.
— Que homem estranho... — comentou Lukas tentando entender o motivo de aquele
homem estar lá.
— Ah, deixa quieto cara, quero ver se minha marca na árvore dos Starlys ainda tá lá! —
disse Luke correndo.
— Não antes de mim! — falou o irmão correndo a frente.

• • •

— "Espalhe pedacinhos de margarina sobre as batatas..." "Polvilhe queijo ralado e
coloque no forno, até ficarem douradas..." Sim, já fizemos tudo isso, mas... Será que era para as
batatas ficarem tão pretas...? Hum, deve ser pra dar um gosto melhor... — disse Dawn satisfeita
com o que tinha feito.
— Pip... Lup... — respondeu Piplup em gesto de decepção.
— Piplup, acho que vou deixar as batatas no forno e sair... Já acabei o almoço então acho
que não haverá problemas se eu ir embora. Vou sair antes que eles voltem. Eu não imaginava que
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eles fossem tão estranhos, aposto que seus filhos não devem ser nada diferentes... — disse Dawn
saindo da casa e pegando sua bicicleta.

Dawn e Piplup estavam a caminho de Sandgem com sua bicicleta deixando aos poucos a
cidade de Twinleaf para trás. Pouco a pouco, a casa dos Wallers ia desaparecendo de vista,
deixando somente a fraca fumaça cinza que era exalada da chaminé. Quando de repente, Dawn
colocou a mão em seu bolso e notou a falta de alguma coisa.
— Essa não, Piplup! Minha pokéagenda sumiu!! Será que eu deixei ela na casa? — disse
Dawn preocupada, virando-se e encontrando uma placa que indicava: Lake Verity. — De repente
ela caiu próximo ao lago quando fomos procurar os pokémons para o Professor! Ele vai ficar
irado se não a encontrarmos, vamos aqui primeiro, está mais perto.

• • •

Lukas e Luke corriam olhando tudo exatamente como era, a floresta parecia ter ficado
parada no tempo enquanto os anos passavam. Luke olhou para frente e se deparou com um
grande pinheiro muito antigo, talvez mais antigo do que a própria vila, uma gigantesca árvore que
guardava lembranças para muitas pessoas especialmente aqueles dois jovens que agora a encarava.
Luke andou em direção do pinheiro quando percebeu que havia pisado em algo e rapidamente
levantou o pé para ver o que havia atingido.
— Argh! Pisei em alguma coisa que não podia... — disse Luke ao ouvir algo trincar
debaixo de seus pés — Ah, pensei que fosse alguma coisa importante... Olha só! Parece um...
Celular. — disse Luke levantando um estranho objeto enquanto ria.
— Não é um celular, era uma pokéagenda! E você quebrou o aparelho!! Parecia
novinho... E se o dono vier buscar?? — disse Lukas preocupado — Você deve prestar mais
atenção por onde anda, Luke!
— Deixe isso aí! — riu o garoto— Ninguém vai perceber.
— Seu desastrado... — disse Lukas largando o objeto — Se o dono vier buscar vou falar
que foi você...
Luke andou até o pinheiro e começou a checá-lo.
— Ahá!! Aqui, o buraco feito pelos Starlys! Será que minhas “pedras raras” ainda estão
aqui? — disse Luke animado, colocando a mão dentro do buraco no tronco, mas antes que o
jovem pudesse olhar melhor um bando de Starlys saíram e começaram a atacá-lo.
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Eram dezenas de aves dominadas pela raiva, e o pior, Starlys andam em bandos. Quase
não podem ser notados quando sozinhos, e apesar de pequenos, batiam suas asas com muita força
e bicavam com raiva.
— Auugh!! Lukas, ajuda aí carai!! — disse Luke, gritando com o irmão.
— Huh?! Mas fazer o que, Meu Arceus?? — gritava Lukas desesperado.
Dawn estava chegando lentamente no lago quando pôde ouvir os gritos dos irmãos.
— Piplup, você está ouvindo isso? Alguém está em perigo! Temos que ajudar! — disse
ela, rapidamente entrando nas alamedas do lago.
Ao aproximar-se do local ela pôde ver os irmãos gêmeos lutando consigo próprios em vez
de se unirem e fugirem dos Starlys. Os dois pareciam confusos e certamente não sabiam agir em
equipe.
— Lukas!! Faça alguma coisa sem ser bater em minha cabeça!! — gritava Luke tentando
espantar os Starlys.
— O que quer que eu faça?! O que quer que faça? — dizia Lukas tentando acalmar o
irmão.
— Piplup! Utilize o Bubble e espante esses Starlys! — ordenou Dawn. Na sequência, o
pokémon lançou rápidas bolhas que atordoaram os Starlys espantando-os.
— Ei! Vocês estão bem?...— dizia Dawn correndo em direção a Luke que estava caído
no chão, até perceber que também pisara em algo.

‘crack’

— Minha... Minha Pokéagenda!!! — gritou ela pensando que havia destruído o
aparelho.
Lukas aproximou-se do irmão e ajudou-o a levantar.
— Ei Luke, olha, eu disse que o dono iria voltar e buscar. Conte para ela que você que
quebrou o aparelho.
— ‘Cê tá louco? Ela vai ficar mó brava! Só vou agradecer... — disse Luke andando em
direção de Dawn que estava caída no chão com os destroços de sua pokéagenda — Ow, valeu por
nos ajudar a espantar os passarinhos...
— Seja educado! — continuou Lukas dando uma fraca cotovelada no irmão.
— Ah... Hum... Eu sou Luke Wallers, esse aqui é o Lukas. Será que você, não gostaria
de almoçar em nossa casa? Meu pai pode te ajudar a consertar essa bagaça...
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Dawn olhou para Luke e enxugou os olhos. Ela não podia voltar para o laboratório com
a pokéagenda quebrada e então decidiu aceitar o convite dos garotos.
— Hum, não foi nada... Vocês não sabem que não podem ir para a grama alta sem
pokémons? É perigoso. — disse Dawn um pouco recuperada.
— Ah. P-perdoe os p-problemas que causamos. — gaguejou Lukas.
— Heh... Não precisa ficar sem graça, vocês não fizeram nada de errado. — riu a garota.
— Liga não, ele não consegue falar direito com mulher. Fica trocando e repetindo
palavras, é mó engraçado. — contou Luke.
— Obrigado por acabar com a minha reputação, Luke. Agora estou tão sem graça que
nem sei mais o que falar... — disse Lukas corado.
— Heh, heh! Não tem problemas, é normal para garotos da sua idade não saberem como
lidar com garotas. Eu até acho isso uma graça. — disse Dawn, deixando Lukas ainda mais
vermelho.
— Quantos anos você tem? — perguntou Luke.
— Tenho quinze. Mas também não entendo muito essas coisas de meninos e meninas,
nunca fui muito de sair de casa, e não conheço muitas pessoas de fora. — explicou a garota.
— P-Perdoe o alvoroço que causamos, não vai acontecer de novo. Meu irmão só queria
pegar os “artefatos” dele, então acabou assustando os Starlys. — desculpou-se Lukas.
— Ei! São mais que artefatos, cara!! São fósseis pokémon ainda não descobertos! Um dia
vou me tornar um poderoso treinador com vários pokémons ancestrais! — respondeu Luke,
pegando pequenas pedrinhas com desenhos no buraco da árvore e guardando-as na mochila —
Elas tem um valor emocional muito grande pra mim, tá ligado pivete?
— Pivete? Mas vocês não são gêmeos? — perguntou Dawn, reparando na extrema
semelhança entre ambos.
— Sou três minutos mais velho que ele, e isso me dá poder. — riu Luke.
— Acho que esses três minutos te deram uma mente um pouco retardada. — murmurou
Lukas.
— O que disse, pivete?! — perguntou o irmão alterado.
— Esquece, Esquece... — respondeu Lukas sem dar atenção.
— Heh, heh... Vocês dois são engraçados. — riu a garota.
Os três nem andavam em suas bicicletas enquanto faziam o caminho de volta para casa,
eles conversavam calmamente, evitando a grama alta para não se encontrarem com Bidoofs ou
mais Starlys, e em pouco tempo já haviam chegado à Twinleaf. Dawn parecia preocupada ao
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perceber que acabou voltando para próximo da casa dos Wallers, o que a obrigou a interromper a
caminhada para que pudesse voltar para sua casa em Sandgem.
— O que houve Dawn? Você parece nervosa... — comentou Lukas.
A garota sempre mantinha os olhos no chão. Ela ainda estava preocupada com o almoço
deixado na casa dos Wallers, e nem imaginava que estava com os filhos deles.
— Não é nada, mas será que não podíamos passar um pouco mais longe daquela casa?
— Mas aquela é nossa casa... — riu Lukas.
Dawn parecia petrificada, seria o destino ou simplesmente o azar? Ela havia se encontrado
com os próprios filhos de Walter e Melyssa, e agora precisava sair de lá imediatamente.
— Sério?? Nossa, que estranho, tenho que ir!! Que pena, lembrei de um compromisso!
Vou ter que ir agora mesmo! — disse Dawn suando frio.
Porém, antes que a garota pudesse sair, o sol fora tampado. Um grande Tropius surgia,
eram Walter e Melyssa voltando. A criatura fez um pouso triunfal, Walter descia como um
verdadeiro campeão ao lado de sua esposa. Mas toda essa magia foi quebrada quando Melyssa
avistou seus filhos e pulou em seus braços.
— Luke!! Lukas!! Como vocês cresceram!! Estão tão bonitos!! A batian* cuidou de vocês?
Como foram de viagem?? Luke, você está machucado! Lukas, você está lindo! O que aconteceu?
Digam-me tudo! — dizia a mãe super animada.
— Deixe-me vê-los também, Melyssa! Como vocês estão crescidos e saudáveis! Estão
prontos para capturar pokémons, filhos?
— Aaaaaaaah!!! — gritava Dawn desesperada enquanto corria de um lado para outro.
— Dawn! Que bom que fez uma recepção! Você até mesmo foi receber nossos filhos
antes de chegarem! — disse Walter contente.
— Dawn, você conhece nossos pais? — perguntou Luke.
— Err... Digamos que sim.
— Vamos entrar. — convidou Melyssa — Dawn fez um almoço fabuloso!
— F-Fabuloso? — murmurou ela.
— EBA! — gritaram Lukas e Luke juntos.

Todos sentaram-se em seus devidos lugares. O prato de Dawn estava servido no centro
da mesa em que havia um prato branco com um contraste exacerbado criado pelas
batatas,levemente torradas. Todos olhavam de canto para o prato, Dawn olhava para baixo
forçando um sorriso sem graça.
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— Desculpem... — murmurou Dawn. Seus olhos estavam úmidos, a garota se continha
para não deixar que lágrimas escorressem. Lukas e Luke então comeram um pedaço, mas a cara
que Luke fizera fora péssima.
— Argh! Isso tá hórriv... — gritou Luke, mas o irmão foi interrompido por mais uma
cotovelado do irmão — Ai, por quê cê me cutucou, mano?!
— Seja educado. Ela é uma dama, não diga isso da comida dela. — cochichou Lukas —
Err... Está bom Dawn, parece marrom glacê. — sorriu o garoto.
— Marrom glacê? — perguntou Dawn, não fazendo idéia do erro que cometera trocando
sal por açúcar — Mas...
— Realmente, está muito bom... — comentouWalter com um sorriso, não querendo
magoar a menina.
— Bom trabalho, Dawn! — parabenizou Melyssa.
Somente Luke olhava contrariado, ele não entendia o porquê de todos fazerem aquilo,
mas por algum motivo sentiu que deveria fazer o mesmo.
— É... Não está tão ruim. — falou Luke com um sorriso forçado.

Todos riram e Dawn enxugou as lágrimas estampando um lindo sorriso na seqüência
enquanto eles gargalhavam sobre a longa mesa. O resto do dia passou rápido, todos alternavam
entre assuntos sobre pokémons e conversas paralelas. Dawn contava sobre suas experiências ao
lado do renomado professor Rowan, enquanto Lukas e Luke brigavam para ver quem contava
mais glórias... Melyssa e Walter escutavam atentos todas as histórias de seus filhos.
O sol ia descendo, deixando o céu com um tom laranja intenso. Os Starlys já voavam de
volta para seus ninhos e Bidoofs corriam para suas tocas. O dia ia se encerrando, e a visita de
Dawn também.
— Foi ótimo almoçar com vocês. Obrigada, Senhor e Senhora Wallers! — dizia a garota
tomando a cela da bicicleta.
— Seja sempre bem vinda, mocinha! — falava Walter acenando contente.
— Heh... Foi um almoço, digamos que... doce! — riu Melyssa.
— Até mais, Dawn! E obrigado por tudo! — falou Lukas seguido do irmão.
— E desculpem-me por tudo. Foi um grande prazer estar com vocês!
Dawn então deu o último aceno e partiu rumo a sua casa em Sandgem, mas antes ela deu
uma paradinha e gritou:
— Não se esqueçam de passar no laboratório para pegarem suas pokéagendas! — gritou
ela tornando a pedalar. Lukas e Luke sorriram lembrando que o dia seguinte seria o grande dia.
19

— Vamos pegar nossos primeiros pokémons Luke! — falou Lukas contente.
Os pais ficaram meio sem graça, mas juntaram as mãos e se entreolharam contentes. Eles
sabiam que tinham capturado os pokémons certos para seus filhos. A família então entrou. Lukas
e Luke continuavam a contar detalhadamente tudo que aconteceu durante o período na escola.
Luke continuou reclamando do almoço de Dawn e de como já não gostara daquela menina,
enquanto Lukas teimava em dizer que o almoço estava bom.

A noite caiu silenciosa. As estrelas brilhavam como se soubessem o futuro dos pequenos
heróis, mas o céu estava um pouco nublado graças ao frio que fizera o dia todo, a lua iluminava
tudo intensamente, podia-se ver as sombras dos Murkrows, que se moviam-se rapidamente, e ora
ou outra, um penetrante olhar surgia entre a escuridão.
Os corvos voavam ao longe fazendo sombra a luz da grande lua. O vento soprava fraco
dando ouvidos aos sussurros que apenas a noite nos trás fazendo os galhos das árvores
balançarem. Era noite em Twinleaf Town. Somente mais uma noite de tempos estranhos que
vinham rondando Sinnoh nos últimos meses...
— O sonho de se tornar um mestre Pokémon começa amanhã cara... — murmurou Luke
deitado na cama de cima do beliche.
— Top Coordenador... É isso que eu vou ser! — cochichava Lukas para si próprio.
Walter e Melyssa observavam cautelosos pela brecha deixada na porta, o casal permanecia
abraçado observando os filhos dormindo.
— Como cresceram... — comentou Walter.
— Estão bonitos como você. — respondeu Melyssa. Walter riu, mas voltou a ficar sério
por um momento.
— Só me pergunto se fizemos a escolha certa... — comentou o homem ao tirar uma
pokébola do bolso, ele olhava intrigado para ela. Melyssa tirou outra pokébola de dentro do
bolso de seu avental. Ambos olhavam expressivamente preocupados para as cápsulas que no dia
seguinte, já não seriam mais deles. A dúvida tomava sua mente: Teriam eles feito a escolha certa?

Lukas e Luke, as personalidades distintas começaram a ser reveladas. Com o cair da noite
o início de suas jornadas está bem próximo, exatamente a um amanhecer de distância... E no fim
de tudo Dawn acabou por não decepcionar a todos com seu almoço. Um novo amanhecer trará
muitas inovações... Uma nova aventura... Novos treinadores e novos rumos... Uma nova busca
pelo sonho de cada um.

20

CAPÍTULO 3

O Primeiro Pokémon a Gente Nunca Esquece!

O vento corria frio durante a noite. Twinleaf estava mais calma do que nunca... Os
irmãos dormiam encolhidos e embrulhados na tentativa de driblar o frio exacerbado que rondava
o continente nos últimos tempos. Mas eles já não estavam em Sinnoh... Ambos haviam viajado
para o mundo dos sonhos, um lugar onde tudo pode acontecer...
— Onde estou? — perguntava Luke.
O garoto estava entre árvores, num lugar bem familiar. Seu reflexo transparecia nas águas
límpidas de um lago. Uma densa névoa tomava conta do lugar deixando-o difícil de reconhecer.
— É o Lake Verity! — exclamou Lukas que também estava ali.
Luke virou-se confuso para ver o irmão e fez um sinal de desgosto ao perceber a presença
do irmão em seu sonho.
— Nem nos meus sonhos você me deixa em paz cara? O que tá fazendo aqui mano?
— Seu sonho? Eu que pergunto o que você faz aqui! — rebateu o irmão.
A discussão foi desfeita quando ouviram algo às margens. Era um homem de cabelos
azulados, e estava de costas para os irmãos,
— Não é aquele cara que vimos no lago? — perguntou Luke.
— Sim, é ele! — afirmou Lukas.
O homem parecia dizer algo, e dessa vez, Lukas e Luke puderam ouvir as palavras:
— O tempo flui... O espaço em expansão... Farei tudo o meu um dia... Cyrus é o meu
nome. Lembre-se... Até então, durma enquanto você pode, Pokémon lendário do leito do
lago... — sussurrou o homem, virando-se para os garotos.
Luke e Lukas se assustaram. O homem carregava um semblante alternado entre tristeza e
indignação. Ele caminhou até os irmãos, que deram passadas assustadas para trás parando logo em
frente de ambos.
— Com licença... Deixe-me passar...
Os garotos abriram alas, e o homem passou. Depois de desaparecer nas alamedas do lago,
Lukas e Luke se entreolharam desconfiados.
— Cyrus? O nome dele é Cyrus? — perguntou Luke.
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— Foi o que ele disse... — falou Lukas — Mas o que ele quis dizer com Lendário
Pokémon do lago?
A água que permanecia imóvel às margens se moveu calmamente, algo parecia surgir
lentamente sob as águas, mas devido a névoa era impossível de decifrar o que era. Eles apenas
tinham certeza que tratava-se de um Pokémon que lembrava uma fada e flutuava com suavidade.
Seus olhos brilhavam como se também estivesse curioso para saber o quê o observava. Era
possível ver que possuía duas caudas e nelas brilhavam duas lindas pedras, mas aquela que estava
em sua testa exalava uma beleza incomparável. Parecia vermelha, como um rubi lapidado por
deuses, ou uma Ametista levando-os à alta da consciência. Algo podia ser sentido enquanto os
irmãos observavam a criatura, eles pareciam sentir tristeza e dor, mas mesmo assim uma enorme
alegria. Era Mesprit, a essência da emoção.
— Esse é o lendário... — dizia Luke boquiaberto.
— ...Pokémon do Lago? — completou Lukas.
— Mes...Priiit! — grunhiu o Pokémon.
Tudo então ficou escuro. Os dois já não estavam mais lá. A escuridão também se
dissipava dando lugar a uma fraca luz. Os garotos despertavam devagar quando se deram conta da
luz fraca do sol que penetrava entre as persianas do quarto, o frio foi amenizado, e eles se
levantaram eufóricos lembrando de tudo que os esperava.
— É hoje! — gritaram os dois juntos.
— Não vejo a hora de pegar meu Chimchar! — exclamou Lukas pulando da cama.
— O Turtwig é meu! — gritou Luke.
Enquanto isso, Walter e Melyssa aguardavam no andar de baixo. Ambos sentados a mesa,
com o queixo depositado nas mãos. Suas faces expressavam preocupação.
— Tenho medo de decepcioná-los... — dizia a mãe.
— Nem me fale... — disse o pai.
As pokébolas permaneciam no centro da mesa. Só Walter e Melyssa sabiam os pokémons
que ali estavam depositados. Porém não eram pokébolas normais, uma delas carregava listras de
diversos tons de verde, conhecida como Nest Ball, já a outra era escura como a noite e tinha
detalhes vermelhos com partes verde escuros e melhor trabalhados, esta era a Dusk Ball.
Luke e o irmão trocaram seus pijamas por suas roupas de jornada. Lukas vestiu uma
camiseta branca, com um colete preto e sem mangas por cima. Ele usava uma calça jeans e sapatos
vermelhos, que eram presentes de seu amado avô em Jubilife. Por último, rodeou um cachecol
vermelho no pescoço e posicionou sua boina sobre o cabelo negro.
22

Luke preferiu uma camisa vermelha, coberta por um elegante casaco azul feito de um
tecido de ótima qualidade. Suas calças eram escuras e seus sapatos azulados, um pouco gastos
pelo tempo, mas que ainda ficavam bonito em seu corpo. Ele colocou uma boina semelhante a do
irmão, porém mais escura, era uma marca de ambos. E por fim, deu um nó no pescoço com um
cachecol branco costurado pela avó com tanto carinho, um pouco surrado, pelo fato de Luke
sempre estar se metendo em confusões. Eles se olharam no espelho por um instante e se
entreolharam.

— Boa sorte, Luke... — falou Lukas com um sorriso — Sei que se tornará o melhor
treinador Pokémon de Sinnoh!
— Valeu, irmãozinho... — agradeceu Luke com um raro sorriso — Vou estar ao seu
lado quando você se tornar um Top Coordenador.
— Obrigado... Mas não me chama de maninho, temos a mesma idade.
— Nem. Sou três minutos mais velho! — brincou ele.
— Só três minutos. O que não significa nada... — Lukas riu e na sequência olhou por
um momento para o espelho lembrando-se de algo, retornando a falar. — Nossa, tive um sonho
tão estranho essa noite.
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— Sério? — indagou o irmão com curiosidade— Você também teve um sonho?
— Sim, no Lake Verity, vimos o homem de ontem que estava no lago, e um Pokémon
que eu nunca havia visto antes. — explicou Lukas, ajeitando sua boina no espelho.
— Não pode ser. O mesmo sonho que tive... — comentou Luke, sendo interrompido
por sua mãe que os chamava incansavelmente para descerem.
— Crianças! Não vão descer? — gritou a mãe.
Os garotos se olhavam intrigados, mas desceram as escadas para o encontro da mãe. Nem
passava por suas cabeças a surpresa que teriam. Ou talvez... Uma grande decepção.
Os dois chegaram à cozinha e sentaram-se. Os pais ainda expressavam preocupação. Luke
devorara o café com pressa. Haviam pães que haviam acabado de sair de forno, manteiga, queijo,
mortadelas, leite, iogurtes... Uma mesa muito bem decorada, afinal, seria uma das poucas vezes
que os pais estariam tomando café junto aos filhos. Sem contar um pequeno prato embrulhado
em um canto remoto da cozinha: O lendário prato das batatas gratinadas queimadas.
— Pra quê tanta pressa? — perguntou a mãe com um sorriso enquanto passava a mão
nos cabelos negros de Lukas.
— Se chegarmos tarde a Sandgem, não poderemos escolher nossos pokémons! —
retrucou Luke de boca cheia.
— Não poderia terminar de comer antes de falar? Você é muito sem educação. — riu
Lukas em um tom irônico.
— Não me enche! — retrucou o irmão abocanhando um sanduíche inteiro.
Alguns minutos se passaram e o café da manhã havia terminado. Todos ainda estavam na
mesa quando Lukas olhou para o centro e percebeu as duas pokébolas que chamavam muita
atenção por seu design diferente.
— São suas? Elas possuem uns desenhos bem legais. — perguntou o filho para o pai.
O momento havia chegado... Walter e Melyssa se levantaram e observavam o nada por
um momento. Assim como Dawn havia hesitado, eles hesitavam antes de dar a notícia para os
filhos... Mas não havia mais nada a se fazer.

24

Dawn descansava em sua casa, em Sandgem. A garota permanecia deitada na cama com
uma doce camisola vermelha em branca, apoiando a nuca na palma das mãos. O pinguinzinho
azul, Piplup, estava deitado ao seu lado.
— Será que eles já entregaram os pokémons? Só espero que não fiquem chateados...
Queria ser uma Butterfree para voar até lá e observar tudo. Mas não posso fazer nada... Tenho
certeza que o senhor e a senhora Wallers capturaram pokémons fantásticos!

• • •

— O quê?!!! — exclamaram os irmãos juntos.
— Sentimos muito, queridos... — desculpou-se a mãe.
A noticia havia sido dada. Luke e Lukas pareciam não acreditar, seus olhos e bocas
estavam arregalados, mas os pais estavam ainda mais tristes pela decepção dos filhos.
— Quer dizer que ficaremos sem pokémons?! — perguntou Luke furioso.
— Não é bem assim...
— O que faremos então? — perguntou Lukas mais calmo, porém ainda assim chateado
— Todos meus amigos vão começar suas jornadas, como vou encará-los quando eles souberem
que não tenho Pokémon?
O pai arremessou as pokébolas para os filhos que pegaram com um rápido reflexo, eles
observaram cautelosos sem entender nada.
— São seus pokémons — explicou a mãe.
— Nossos Pokémons...? — murmurou Lukas.
— Eu e seu pai recebemos a noticia de que o Professor Rowan não teria mais pokémons
para entregar a iniciantes...
— Então não tivemos outra alternativa, a não ser capturar pokémons para entregar a
vocês...Viajamos por Sinnoh em busca de bons pokémons... Só não queríamos deixar vocês
tristes...
— Então estamos aqui, entregando seus pokémons iniciais. — sorriu a mãe.
Lukas e Luke se entreolharam e riram. Os dois correram e abraçaram seus pais. Walter e
Melyssa ficaram surpresos. A mãe se emocionou e abraçou os filhos com mais força. O pai riu
contente e completou um caloroso abraço de família.
— Filhos... — dizia a mãe tentando conter o choro.
— Papai... Mamãe... Muito obrigado! — disse Lukas.
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— Sem vocês estaríamos confusos e sem pokémons. — falou Luke — Não importa que
pokémons sejam... Sabemos que vocês fizeram a escolha certa...
Walter pegou a Nest Ball e entregou-a para
Luke, assim como Melyssa entregou a Dusk
Ball para Lukas. Os dois não conseguiam nem parar
quietos, era grande a ansiedade para ver os
pokémons. Os dois tinham um sorriso que não cabia
em seus rostos.
— Cara, eu vou ver meu pokémon primeiro!
Pokébola, vai! — disse Luke jogando o pequeno
objeto.
De dentro da cápsula surgiu um doce
esquilo azul, era a criatura mais fofa que se pode
imaginar, tinha bochechas rechonchudas amareladas
e uma grande cauda que permanecia empinada.
— Eu o peguei no vale dos moinhos, perto de Floaroma — contou Melyssa. — Ele
carregava uma fruta em suas mãos e olhava para todos confuso, mas é uma gracinha.
— Olha só, é um Pachirisu! Cara, que maneiro! — disse Luke animado — Ok, chega
mais bichinho, a gente vai ser os melhores treinadores do mundo, demorô?
— Pachi...? Pachiiiiii...... — grunhiu o pokémon ao olhar Luke, e assim, começando a
chorar.
— A-Ah! O que eu faço?? — perguntava Luke assustado.
— Espere, espere! — disse Lukas indo em direção ao esquilo e pegando-o no colo. —
Não tenha medo!
O pokémon parou de chorar na hora, e por um momento ficou fitando Lukas, que
sorriu. O esquilo sorriu e abraçou o menino ainda mais.
— Hah, hah! Parece que ele gostou de você, Lukas! Anda logo, quero ver o seu. Aposto
que não é melhor que meu Pachirisu! — retrucou Luke.
— Tudo bem. — disse Lukas colocando Pachirisu no sofá — Pokébola vai!

Assim que Lukas jogou a Dusk Ball, por questão de milésimos pareceu que uma enorme
escuridão havia tomado a casa. Era um pequeno dragãozinho que parecia mal encarado, estava
sempre bravo. Walter disse que o encontrou em uma pequena toca em cavernas escuras, eles
costumam fazer tocas em locais quentes, logo sua pele era dura como a de um dragão adulto. Seus
26

olhos brilhavam intensamente e pareciam encarar Lukas com certa desconfiança. Parecia um
tubarão martelo em terra firme com grandes dentes prontos para atacarem.
— Nossa! Que pokémon bonitinho! —
disse Lukas abraçando o dragão.
— Gibleeee... NHAC!
O pokémou saltou rapidamente na cabeça
de Lukas e mordeu-a com força, o menino sacudia
o pokémon na tentativa de livrar-se do mesmo.
— AII!!! Tira ele da minha cabeça!! Tira
ele! — gritava Lukas com o pokémon preso em
sua cabeça.
— Que style manooo! Calma aí cara! —
disse Luke tirando o pokémon da cabeça de seu
irmão — Heh, heh! Ele é muito forte! — sorriu o garoto com os olhos a cintilar pelo
dragãozinho.
Os pais davam risada, parecia que tinham acertado nos pokémons, porém Pachirisu
permanecia a chorar quando ficava no colo de Luke, e Gible continuava mordendo a cabeça de
Lukas.
— Hum, o Pachirisu realmente gosta do Lukas. Eles formam a dupla perfeita! — disse
Melyssa.
— Já o Gible parece não gostar do Lukas, ele parece ter mais respeito por Luke. —
continuou Walter.
Os dois irmãos continuavam a tentar dominar os pokémons, mas a tentativa continuava
em vão. Gible pulava e devorava qualquer coisa que encontrasse, inclusive as batatas queimadas.
Pachirisu chorava de um modo insuportável que parecia perturbar todos da vizinhança menos aos
pais.
— Venha aqui Pachiriu, eu cuido de você um pouquinho... — disse Lukas, fazendo o
esquilo parar de chorar.
— Gible! Venha aqui, agora! É preciso eu, pra tomar ordens nessa casa?? — ordenou
Luke.
Walter observou os dois por um tempo até que teve uma grande idéia.
— E se vocês trocassem de pokémons? — sugeriu.
— É uma boa idéia! Parece que um controla melhor o outro! Acho que erramos desta vez
querido. — riu Melyssa.
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Luke e Lukas olharam os pokémons que agora estavam se comportando perfeitamente.
Parecia que um adquirira mais respeito com outro. E assim, concordaram realizando troca.
Deixando o Gible nas mãos de Luke, e Pachirisu sob proteção de Lukas.
— É bom você cuidar bem do Gible! — brincou Lukas.
— Pode deixar! Eu e o Gible vamos ser os melhores! Você que vai ter que tomar conta
do Pachirisu! — respondeu Luke.
— Vou sim. Ele vai ser o maior astro dos contests!
Os irmãos já estavam no jardim, com as mochilas nas costas, as bicicletas prontas e os
pokémons nas pokébolas. O sol estava a pino, mas a brisa gelada ainda percorria entre os
cachecóis de Luke e Lukas. A mãe já enxugava algumas lágrimas, enquanto o pai observava
orgulhoso os filhos. Era hora da despedida.
— Vamos sentir saudades, papai! — falou Lukas.
— Nós também, filho.
— Se cuidem queridos. — advertiu a mãe — Escovem os dentes, comam na hora certa,
não briguem... — Luke e Lukas riam ao ouvir sempre as mesmas coisas vindas de sua mãe —
...Sejam educados com as pessoas e não passem muitos dias com a mesma cueca!
— Mãe! — gritaram os garotos envergonhados. Melyssa e Walter agora riam.
— Sei que serão os melhores! — disse Walter.
— Cuidem de seus pokémon com amor, essa é a chave para o sucesso! — explicou a mãe.
Os garotos então subiram em suas bicicletas, com o intuito de deixar o conforto de casa
para trás. A animação era evidente, isso deixou os pais tranquilos, os pokémons satisfizeram os
garotos, mesmo que não de primeiro encontro.
— Quando chegarem em Sandgem deixem um abraço pra Dawn e para o Professor
Rowan! — disse Walter.
— Ele lhes dará a pokéagenda, um item fundamental. — completou a mãe.
— Nós sabemos disso mãe... — disse Luke.
— Mantenham contato! — falou a mãe.
— Não se esqueçam de nós! — disse o pai.
Os garotos riram, e começaram a pedalar. Os pais continuavam a acenar, enquanto os
filhos desapareciam da vista.
— Até mais! — disseram Luke e Lukas antes de partir.
— Mal chegaram e já foram embora... — disse a mãe voltando a chorar.
— Eles vão voltar, querida. E quando voltarem, serão os melhores... — concluiu Walter.
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A missão agora era chegar em Sandgem. Não demoraria muito, pois eles só tinham que
passar pela rota 201. O vento corria passando entre os dentes arregalados num sorriso de euforia.
A floresta conífera margeava a estrada. Bidoofs observavam cautelosos enquanto os irmãos
passavam.

A aventura se iniciou. Um futuro desconhecido repleto de ação e aventura espera os dois
irmãos. Gible e Pachirisu... Pokémons nem tão comuns para iniciantes. Conseguirão eles cumprir
seus objetivos e realizar seus sonhos? Dar-se-ão bem com seus treinadores? Se sairão bem em
batalhas de GYM e contests? Tudo e muito mais nos próximos capítulos.

















29

CAPÍTULO 4

Surge o Team Galactic: Batalha pela Pokéagenda!

Lukas e Luke pedalavam velozes pela rota 201. O objetivo era chegar a Sandgem para
receberem suas pokéagendas do renomado professor Rowan. Pokémons pulavam entre a grama
alta, mas não ousavam atravessar a frente das furiosas bicicletas dos irmãos. Apesar da brisa ainda
correr fria pelas correntes de vento, os dois jovens pareciam nem sentir, a adrenalina era grande e
estavam muito ansiosos para receber suas pokéagendas e iniciar suas jornadas.
— Podemos visitar a Dawn. Ela iria ficar feliz. — comentou Lukas enquanto pedalava.
— Não! Aquela menina não!! — retrucou o irmão — Vamos pegar nossas pokéagendas
e depois ir direto pra Oreburgh!
— Deixe de ser ignorante Luke. Ela é nossa amiga, vamos visitá-la! — rosnou Lukas em
sinal de desprezo — Quem você pensa que é para ditar as regras?
— Seu irmão mais velho! — disse Luke com um sorriso de superioridade.
— Eu vou visitar a Dawn, faça o que você quiser.
— A mãe e o pai disseram para não nos separarmos!
— Humph! Então venha comigo!
Lukas pedalou mais rápido, passando do irmão, deixando-o ainda mais irado, agora eles
estavam perto de Sandgem, e já não pedalariam muito para chegar à cidade.

Enquanto isso, Dawn almoçava em sua pequena casa. A garota parecia lanchar alguns
salgadinhos entre outras comidas congeladas, uma vez que aparentemente seus pais não estavam
no momento. O pinguinzinho azul estava sentado em cima da mesa, olhando cauteloso a cada
movimento de Dawn.
Era uma casa simples revestida de madeira o que deixava-a mais aquecida, tinha teto
baixo e móveis singelos com um toque agradável; a pokéagenda quebrada estava na mesa também,
agora Dawn olhava triste para o objeto trincado. Peças, engrenagens e parafusos estavam
espalhados pela mesa, ela juntara todas as peças no lago para tentar consertá-la na casa de Luke e
Lukas, mas com toda a conversa, acabou esquecendo-se.
— Espero que o professor possa dar um jeito nela...
— Pluuup... — piou o pokémon tentando confortá-la.
30

— Ok, Piplup. — A garota levantou-se da mesa num pulo — Vou vestir-me e então
iremos ao laboratório.
— Pi-plup! — concordou o pokémon.
A garota subiu as escadas com agilidade, o pobre Piplup fazia um tremendo esforço para
subir de degrau em degrau. Era um caminho um pouco apertado, havia o corrimão apenas de um
lado, o outro ficava na parede que dava espaço para milhares de quadros de Dawn e sua família,
nos degraus, alguns vasos de flores e outros pequenos objetos. A garota parou por um momento e
aproximou-se dos quadros em que estava com sua família, ela tocou-os levemente e por um
momento sua face tomou uma feição triste como alguém que desejava tentar esquecer um triste
passado. Ela continuou subindo as escadas e então entrou em seu quarto.
No aposento, ela trocou o pijama branco por um vestido rosa. Cobriu as pernas com uma
longa bota também rosada. Rodeou um cachecol no pescoço e prendeu o cabelo no penteado
comum de sempre, por ultimo cobriu a cabeça com um gorro branco, afinal continuava frio, e do
jeito que o tempo estava, ela não sabia quando poderia esfriar ainda mais.
— Pronto! Vamos, Piplup!
— Plup!

31

Dawn pegou a pokébola de Piplup e retornou-o, guardando-a em sua bolsa e correndo
escada abaixo. Ela fechou a porta e saiu rumo ao laboratório, não era muito longe, mas mesmo
assim a garota preferiu ir em sua bicicleta. Ela cantarolava e pedalava serenamente enquanto
passava pelos quarteirões que dividiam Sandgem,. A brisa fria trazida pela praia de Sadgem fazia
com que os braços de Dawn tremessem. Era uma vista linda, logo atrás de algumas rochas podia-
se ver de relance uma bela praia de areias brancas, o que dava nome a cidade, mas devido ao frio
recente, ela começou a tornar-se mais vazia, permanecendo quase deserta.
Dawn avistou o laboratório, que já não estava do mesmo jeito de sempre. Havia uma van
na porta, com um enorme "G" estampado na lateral. Ela hesitou por um momento e em sua face
podia-se perceber preocupação.
— O que será que está acontecendo? — pensou.
Dawn pedalou mais rápido, e derrapou ao frear em frente às portas de vidro do
laboratório. Ao descer da bicicleta ela avistou o Prof. Rowan e dois jovens, um garoto e uma
garota, ambos de cabelos azuis claro vestidos em um uniforme peculiar, também com um "G".
Os jovens pareciam querer tomar algo do professor, ele lutava para não entregar, quando
Dawn se preocupou e entrou aflita.
— O que estão fazendo?!
— Dawn! — exclamou o professor aliviado.
Os jovens permaneceram calados, mas olhavam cautelosos para a garota.
— Professor o que está acontecendo?!
— Eles querem roubar as pokéagendas! — explicou o professor ofegante.
Dawn percebeu que um dos garotos, estava com uma caixa entre os braços, que com
certeza eram as pokéagendas.
— Não vou permitir que passem! — disse Dawn com os braços estendidos na tentativa
de impedir a passagem.
— Patético. — respondeu o rapaz sacando uma pokébola e a arremessando-a — Zubat,
utilize o Supersonic!

O homem libertou o pokémon morcego, não tinha olhos, e mesmo assim movimentava-
se melhor do que muitas criaturas que os possuíam, sua pequena boca tinha dentes que pareciam
liberar ondas ultrassônicas para detectar qualquer objeto a sua frente. Suas asas batiam rápidas,
fazendo com que a criatura parecesse estar flutuando se observada distraidamente. Tinha uma
coloração escura, talvez por ficar muito tempo dentro de cavernas escuras e longe da luz do sol,
acabou tornando-se uma criatura mais noturna, mas que mesmo assim, não perdia nem um pouco
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sua força em batalhas diurnas. O morcego rapidamente abriu sua pequena boca e emanou um som
extremamente agudo. Dawn se ajoelhou tapando os ouvidos, Professor Rowan imitou o
movimento. Os jovens riram, e então foram embora entrando na van e partindo velozmente rumo
a rota 201.
— Oh não! — lamentou o professor Rowan — Eles levaram as pokéagendas! Vou ligar
para a oficial Jenny! — falou o professor levantando-se e dirigindo-se rapidamente ao telefone.
— Eles vão pagar por isso! — disse Dawn correndo para a porta.
— Para onde vai Dawn? — perguntou o professor.
— Vou recuperar as pokéagendas! — respondeu a garota antes de partir.
Dawn subiu em sua bicicleta e pedalou com muita força, o veículo foi tomando
velocidade e em instantes Dawn corria como um carro. A van não podia ser mais vista, mas Dawn
tinha que alcançá-la.

• • •

— Não vou passar para visitar ninguém! — gritava Luke continuando sua briga com o
irmão.
— Está com medo de eu dizer que foi você que quebrou a pokéagenda?! — correspondia
Lukas.
Os garotos continuavam a brigar enquanto pedalavam lado a lado. Eles nem se davam
conta que a frente na estrada, vinha uma van em alta velocidade.
— Para de ser idiota, pra quê parar? Para visitar aquela garota?!
— Ela é nossa amiga!
— É uma estranha! Você conheceu ela ontem e já acha que é amiga??
— Ela fez o nosso almoço!!!
— Chama AQUILO de almoço cara?!
A van buzinava, mas os garotos não encostavam, continuavam discutindo no meio da
estrada enquanto a van se aproximava cada vez mais, eles pareciam não ligar, ou simplesmente não
perceber.
— Ela deu seu melhor! E estava bom, você que é um idiota!!
— Fala sério, aquilo estava horrível!
— Não estava tão ruim assim!
— Para de tentar ser o "educadinho", assume que estava péssimo!!!
33

— Não estou tentando ser o "educadinho" só não sou um mal educado prepotente e
ignorante como você!
— M-Mal educado?! Vou acabar com você pivete!

FOOOOOOOOOOOOOOOOM!!!

Os garotos viraram suas cabeças bruscamente para a frente, mas a van já estava muito
próxima. Eles pularam rapidamente nas moitas com agilidade, deixando com que a van batesse
nas bicicletas e perdesse o controle, chocando-se contra uma árvore. Os jovens olharam atônitos
para o automóvel, que exalava uma fumaça negra, mas a batida não fora o suficiente para ocorrer
qualquer coisa grave. De dentro da van, saíram um homem e uma mulher, que não pareciam nem
um pouco contentes com o ocorrido.
Eles vestiam estranhos uniformes, suas cores variavam entre preto e branco, com belos
detalhes em azul claro. Um misterioso símbolo marcava as vestes, ele lembrava um G, adornado
em uma cor dourada, que brilhava com o sol fraco que batia. Eram roupas muito elegantes,
devido ao frio, a mulher vestia uma blusa de gola alta, feito de um ótimo tecido, com um belo par
de botas. Seu cabelo era azul, cortado na altura do ombro, que balançava com o vento que corria
por entre as árvores. Já o homem vestia uma jaqueta de couro com os mesmos símbolos que a
mulher utilizava, seus cabelos também eram azuis, fazendo com que os dois parecessem um casal.



34

— Olhe só o que vocês fizeram, idiotas! Por quê não olham por onde andam? —
reclamou o homem.
— Espere aí! Vocês que vieram com tudo pra cima de nossas bicicletas! — respondeu
Luke furioso.
— Mas Luke, a culpa foi nossa, a gente que não percebeu a van vindo em nossa
direção... — disse Lukas tentando convencer Luke de que realmente estavam errado.
— Vocês deram sorte que não quebraram nossas biciclet... AAH! Minha bicicleta!! —
gritou Luke, ao ver as duas bicicletas completamente destruídas. — Vocês vão pagar por isso!
— Olhe só Star, parece que os pirralhos querem lutar! — debochou o homem.
— Mas que bobinhos, isso se tiverem algum pokémon. — disse a mulher.
— Luke, eles podem ser perigosos! — disse Lukas.
— Vocês vão pagar por terem nos atrapalhado, Glameow, eu escolho você! — disse a
mulher, jogando sua única pokébola.
— Stunky, vai! — acompanhou o homem.

Uma forte luz surgiu liberando os
dois pokémons, era uma doce gatinha e
um misterioso gambá, um grupo tanto
quanto excêntrico. A pequena gata
balançava sua cauda em movimentos
suaves como se tentasse provocar seu
inimigo. Ela não parecia um pokémon
muito bom para batalhas, sendo mais
utilizada mais normalmente para contests,
mas mesmo assim possuía garras afiadas
prontas para atacar se necessário.
Já o pokémon Stunky tinha uma coloração roxa, fazendo-o destacar-se em meio aquela
grande floresta. Essas criaturas não possuem uma fama muito boa, por jogar um forte cheiro em
seus adversários, e por serem do tipo venenoso muitos pokémons e seres humanos mantinham
distância.
— Olhe só, um Glameow! Ah, eu queria ter um! — disse Lukas, encantado com a graça
do pokémon.
35

— Glameow? Se liga então naquele
Stunky! Imagina os ataques venenosos que
ele poderia usar contra os adversários! —
disse Luke, maravilhado com os pokémons
de seus adversários — Mesmo assim,
aposto que não tem chance contra meu
Gible, vai!
— Um Gible? Um Pokémon bem
raro para um treinador iniciante... — disse
a mulher pensativa.
— Precisaríamos de algo bom para compensar a van que vocês destruíram, então vamos
levar o dragãozinho! Stunky utilize o Poison Gas no Gible! — ordenou o homem.
— Espere, dois contra um é covardia! Pachirisu vai! — disse Lukas, jogando a pokébola
de seu pequeno pokémon esquilo.

Gible era ágil, e por isso conseguiu esquivar-se facilmente do gás venenoso que se o
acertasse realmente traria grandes problemas.
— Fica de olho Luke! Os ataques venenosos podem ser perigosos! Ainda mais porque
não temos nenhum antídoto. — aconselhou Lukas.
— Tá bom Lukas, se concentra no seu pokémon que eu me concentro no meu! Ainda tô
irado com esses caras por terem destruído minha bicicleta!
— Só estou tentando ajudá-lo! Será que você não pode parar de ser cabeça dura e me
escutar às vezes?! — disse Lukas irritado.

Subitamente, a mulher ordenou que seu Glameow acertasse o Pachirisu com suas garras
afiadas aproveitando-se da discussão dos irmãos. Acompanhando o movimento de sua parceira
assim fez Cosmo, ordenando que seu Stunky arranhasse o pequeno Gible, que apesar de possuir
escamas fortes, ainda não tinha experiência suficiente em combates.
— Você me distraiu cara!! Eu sei o que fazer mesmo sem sua ajuda. Gible utilize
oEarthquake! — ordenou Luke. Mas o pequeno dragão virou-se com um olhar confuso, pois seu
nível ainda era muito fraco para utilizar um ataque de tamanha potência.
— Earthquake?! Você está louco? Não aprendeu nada na escola, não? O Gible ainda está
num nível muito baixo para usar tal movimento! — gritou Lukas — Pachirisu utilize o Quick
Attack!
36

O esquilo elétrico movia-se rapidamente por entre os dois pokémons inimigos, e sem que
percebessem atacou o Stunky, causando um pouco de dano.
— Muito fraco! Esse Pachirisu inútil não vai prestar pra nada, mas acho que vamos
roubá-lo junto com o dragãozinho. — comentou Cosmo
— Eles não têm chance contra nós! — ria a mulher.
Enquanto a dupla misteriosa ria de Luke e Lukas, Dawn chegou como um foguete em sua
pequena bicicleta que com uma freada brusca, parou ao lado dos dois meninos. O pequeno
pinguinzinho azul estava dentro da cestinha na parte frontal da bicicleta, quando pulou
bruscamente e se pôs em posição de combate.
— Olha só, Luke! É a Dawn!
— Nossa! É a garota das batatas!
— Vejo que estão tendo problemas com seus pokémons iniciais! Vou ajudá-los a
derrotar esse dois, eles são fortes! — disse Dawn
— Piplup, vamos recuperar as Pokéagendas!
Utilize o Bubblebeam!
O poderoso jato de bolhas acertou
Stunky em cheio, e uma vez que ele já estava
enfraquecido, nocauteou-o de imediato.
— Argh, aquela menina de novo não! —
reclamou o homem — Zubat, acabe com aquele
pingüim! — disse Cosmo, lançando novamente o
pequeno morcego.
— Piplup, Aerial Ace!
— Nossa! Parece-me que o Piplup da Dawn é muito bem treinado, olhe só! São ataques
apenas utilizados através de TMs! — disse Lukas — Ela é o máximo!
— Caramba, até que a cozinheira de batatas sabe fazer alguma coisa útil. — riu Luke —
Vou mostrar que eu também sei batalhar bem! ...Gible, utilize qualquer ataque!
Enquanto o pequeno Piplup lutava contra a Glameow de Star, Gible preparou um
poderoso ataque, que como uma explosão, acertou o Zubat perfeitamente deixando-o fora de
combate.
— Dragon Rage? — exclamou Lukas — Parece que o papai pegou um pokémon ótimo
pra você Luke! Esse ataque é perfeito para níveis baixos, bom trabalho!
Agora que Cosmo e Star já não tinham pokémons para continuar a batalha, eles se
encontraram obrigados a assumir a derrota e fugir dali.
37

— Vocês deram sorte que tiveram a ajuda dessa garota, da próxima vez não vão ter tanta
sorte! Podem ter ganhado a batalha, mas não a guerra. E se preparem, pois ainda vão ouvir muito
o nome: "Team Galactic."
Cosmo e Star recolheram seus pokémons e pularam para dentro da van quebrada,
torcendo para que ela funcionasse. Por sorte ainda funcionava, mas com certeza não iriam muito
longe. Os dois deixaram a caixa repleta de pokéagendas para trás, que por algum motivo estranho,
já não lhes era mais tão importantes.
— Vocês estão bem? — perguntou Dawn — Eu gostaria de agradecê-los por terem
impedido estes impostores! Sorte que tudo terminou bem, não é?
— Fala isso para as nossas bicicletas... — respondeu Luke constrangido.
— Que droga Luke, por que você é tão ignorante! Peça desculpas! — rosnou o irmão.
— Sem problemas Lukas, eu já sei como o Luke é, esse é o jeito dele de dizer
"obrigado"! — riu Dawn vendo Luke corar e virar a cara envergonhado — Venham comigo, o
professor Rowan vai ficar feliz em saber que conseguimos recuperar as pokéagendas!
— Eles tinham roubado as pokéagendas? Parece que tivemos sorte então, imagine se
quando chegássemos ao laboratório não houvesse nenhuma? — comentou Lukas.

Os três seguiram de volta para Sandgem Town quando no meio do caminho
encontraram-se com a van quebrada, mas dentro dela não havia mais nada, levando-os à conclusão
de que Star e Cosmo deviam ter fugido com o que conseguiram. Alguns Bidoofs e Starlys
aproximavam-se curiosamente dos escombros do automóvel, caso o carro continuasse lá por
muito tempo ele logo viria a tornar-se um abrigo para esses pequenos pokémons.
O caminho continuava gélido apesar de estarem aproximando-se de uma cidade litorânea,
os últimos dias tinham sido muito frios fazendo com que a cidade não fosse tão frequentada
como em temporadas mais quentes.
Apesar de pequena, o que mais chamava atenção na cidade era a linda praia na costa.
Muitas pessoas visitavam-na por conta do laboratório do renomado professor Rowan situar-se
nela. A cidade possuía aquele cheiro salgado, aquele clima de praia, e não muito longe dali era
possível encontrar a fofa areia branca que se estendia até chegar ao infinito mar azul. O vento
continuava forte apagando as pegadas deixadas na areia pelos jovens. Era a cidade da areia,
Sandgem Town.
38


Luke, Lukas e Dawn partiram direto ao laboratório do professor. Os garotos se
impressionaram ao ver o lugar que tinha paredes e piso brancos, o que dava um maior realce a
tudo que lá havia. Várias estantes de livros ocupavam a sala principal, e outra com centenas de
pokébolas atraiam a atenção dos jovens. Havia um pequeno quadro na parede com a foto de
Dawn e do professor Rowan, os dois pareciam ser amigos a um bom tempo.
Rowan estava sentado em uma cadeira debruçado sobre as mãos com uma feição de
preocupação, mas sua face mudou ao ver Dawn com a caixa das pokéagendas.
— Dawn! Você conseguiu! — disse o professor se aproximando.
— É, mas estes dois garotos me ajudaram a impedir que os criminosos fugissem. — disse
a garota, dando evidencia a Luke e Lukas.
Os garotos olhavam atentos a expressão rústica do professor, eles se envergonharam um
pouco, mas relaxaram ao perceber o leve sorriso que ele revelara.
— Eles são os filhos de Walter e Melyssa Wallers, os grandes campeões de Sinnoh. —
apresentou Dawn.
— Oh, então são vocês! Realmente, são a cara dos pais. Lembro-me como se fosse hoje o
dia em que dei o primeiro pokémon de seu pai. Peço-lhes desculpas por não conseguir pokémons
iniciais para vocês, mas já estamos providenciando-os. — falou o professor hesitante.
— Não se preocupe professor, papai e mamãe conseguiram ótimos pokémons para nós!
— respondeu Lukas.
— Não podia esperar menos de seus pais. Melyssa sempre esteve tão ansiosa pelo dia em
que veria seus filhos começando suas jornadas.
39

— Professor, o Lukas e o Luke estão partindo na suas jornadas, por isso querem as
pokéagendas. Graças a eles pudemos recuperá-las dos ladrões. — disse Dawn.
— Isso me preocupa, aqueles impostores deixaram as pokéagendas para trás, mas por que
será que fizeram isso? — indagou Rowan — Depois procurarei os motivos, agora peguem, isso é
de vocês.
O professor então entregou os aparelhos para os jovens, era compactos e muito bonitos,
tinham uma coloração vermelho metálico que brilhava em conjunto dos olhos contentes de Luke
e Lukas.

— Obrigado! — disseram os irmãos ao receber o objeto.
— Agora podemos ir em frente e seguir com nossa aventura! — comemorou Lukas.
— É, mas sem nossas bicicletas... — entristeceu-se Luke.
— Maldito Team Galactic! — praguejou Luke furioso.
— Mas vejam pelo lado positivo. — disse Rowan — Agora vocês terão mais tempo e
calma para andar por todo o continente de Sinnoh e apreciar a beleza criada por Arceus. Mesmo
que de bicicleta seja mais rápido que a pé, lembrem-se que "a pressa é inimiga da perfeição".
— Tem razão! — animou-se Lukas — Pense bem, agora poderemos observar cada
detalhe das florestas, descansar sob a sombra de uma árvore, ler um livro. Acho que sem as
bicicletas teremos mais tempo de ver vários pokémons e conhecer pessoas diferentes!
— Ah... Eu não entendi o que isso tem haver com estarmos sem nossas bicicletas, mas se
vai ficar por isso... É melhor irmos andando. — falou Luke.
— Certo! Professor Rowan, Dawn, obrigado por tudo! — agradeceu Lukas.
— Tomem cuidado, e boa sorte! — disse Rowan.
— Foi um prazer conhecer vocês! — respondeu Dawn.

40

Depois da despedida, Dawn ficou para trás apenas observando os garotos continuando
seu caminho e seguindo rumo à floresta da rota 202. Agora Lukas e Luke caminhavam
lentamente rumo ao próximo desafio. Eles teriam que ir a Jubilife, a grande capital de Sinnoh.
Rowan e Dawn acenavam contentes enquanto os irmãos desapareciam no horizonte, finalmente a
maior aventura de suas vidas iria começar...

Ambos caminhavam entre a estrada margeada de pinheiros cobertos por uma fina camada
de neve. O sol ainda estava exposto mas sua luz não aquecia. O vento corria devagar, numa brisa
congelante que arrepiava quem quer que andasse por ali. O sol escondia-se timidamente por trás
das espessas nuvens que rondavam Sinnoh nos últimos tempos, e logo a noite chegaria. Tudo
estava quieto, o inverno castigava até mesmo os pokémons que preferiam se abrigar a aquecer uns
aos outros, mas algo que se movia chamou atenção de Lukas.
Uma pequena criatura debatia-se próxima aos pinheiros daquela região gélida, com
certeza ele teria caído de um dos galhos da estrondosa árvore ao lado, mas devido a altura, ele
poderia estar machucado. O pequeno pokémon cobria-se com fortes camadas de folhas e
pequenos galhos. Esses pokémon são chamados de Burmy, que costumam utilizar materiais que
estiverem ao alcance para construir sua camada de proteção, muitas vezes de folhas, mas em raras
ocasiões acabam utilizando-se de areia ou pedaços de metais.
Havia uma densa camada de folhagem em cima do pequeno inseto, se a criatura não
tremesse tanto nem seria possível perceber que ela estava lá, mas Lukas, com sua ótima visão e
audição, conseguiu perceber o pequeno pokémon que precisava de sua ajuda.
— É um Burmy! — comentou Lukas.
— Hm? É um Pokémon? Deixa eu ver...— Luke então abriu a pokéagenda e apontou ao
pokémon camuflado entre as folhas.
Lukas aproximou-se e viu que o pokémon já não estava bem, seu corpo estava frio e as
folhas que o cobriam estavam secas, o pobre Burmy estava doente.
— Temos que fazer alguma coisa! — disse o garoto aflito ao pegar o pokémon no colo.
— Brrrrrmy... — gemeu o pokémon trêmulo.
A noite se aproximava, e junto dela caía uma forte tempestade de neve, a visão estava
ruim, a única coisa que podia se ver a frente era uma imensidão sem cor, totalmente branca. Era
perigoso até mesmo para um treinador experiente. Em tempestades daquele tipo o mais
aconselhável era procurar algum alojamento próximo e não sair de casa, mas caso estivessem no
meio da mata o certo seria esconder-se em algum local que a tempestade não alcançasse. Sair
andando em meio à neve era muito perigoso.
41

— Vou voltar para Sandgem! — gritou Lukas.
— Tá doido?! Não vai chegar a lugar nenhum com toda essa neve, a floresta é enorme,
pode acabar se perdendo!
— Não posso deixar o Burmy congelando aqui! Se você não vai, eu vou sozinho!
— Tá louco, cara? Eu não vou deixar você sair por aí e morrer congelado com um
pokémon que nunca viu!! Ei, Lukas, volta aqui!!

Lukas então se virou e deixou o irmão para trás, Luke tentou alcançá-lo, mas a densa
cortina de neve fez com que ele perdesse o irmão de vista. Agora ambos estavam separados... O
que pode acontecer?
















42

CAPÍTULO 5

Novos Companheiros sempre são Bem Vindos!

Enquanto Luke e Lukas haviam iniciado suas jornadas com um início bem conturbado,
digamos que de passagem; Dawn continuava no laboratório do Professor Rowan em Sandgem.
Seu dever era fazer algumas anotações sobre o Lake Verity, mas a garota já largara o lápis, e há
alguns minutos apenas se concentrava em observar a forte neve que caía, batendo fracamente na
janela a sua frente. Algumas vezes o vento passava por entre pequenas aberturas, rangendo sons
como sussurros na escuridão da noite que já chegara. Até mesmo a grandiosa lua decidiu não
aparecer naquela noite, escondida por trás das misteriosas nuvens que hoje cobriam o céu daquela
região. Dawn encostou sua cansada cabeça na janela e suspirou um tanto quanto preocupada.
— Algum problema, Dawn? — perguntou o professor observando a expressão da
menina, enquanto já preparava as últimas coisas para fechar o local. A garota virou-se para o
professor e percebeu o semblante preocupado que também estampava seu rosto, hesitando em
pronunciar-se:
— Não, Professor, eu estou bem. E o senhor? Me parece preocupado...
— Na verdade, estou mesmo.
O professor aproximou-se de Dawn e sentou-se na cadeira em sua frente. O laboratório
estava vazio, afinal, já era noite. Somente a menina, que era considerada a melhor assistente do
professor, permanecia por várias e várias horas, não o suficiente para atrapalhar seus estudos e não
por obrigação, mas sim por sempre interessar-se em aprender cada vez mais.
— O que o preocupa, Professor? — perguntou a menina de cabelos negros.
— Estava me perguntando o porquê daquela dupla ter roubado as pokéagendas, e o
porquê de minutos depois terem deixado-as para trás.
— O Team Galactic? — perguntou a moça, vendo o velho senhor acenar com a cabeça
positivamente — E então, o que descobriu?
— Lembra-se da pesquisa que concluí há um mês?
— Sim, a pesquisa sobre os três pokémons lendários dos lagos de Sinnoh. Recordo-me
perfeitamente.
— Todos os dados que recolhi sobre esses pokémons em meus estudos, eu os adicionei
na nova versão da pokéagenda...
43

Dawn levantou-se bruscamente da mesa, com uma face de preocupação extrema.
— Cheguei à conclusão que esse foi o motivo do furto, e mais, eles não precisariam de
todas as pokéagendas para conseguirem os dados, uma só já seria o suficiente.
— E o senhor contou o número de pokéagendas da caixa?
— Sim, e eles levaram apenas uma pokéagenda como previsto. — respondeu o professor.
— Droga! — suspirou Dawn, batendo a mão sobre a mesa.
— Não se preocupe, a Polícia Internacional já está investigando o caso, e tomará as
devidas precauções...
— Mesmo assim, o que esses caras estão planejando fazer?! — perguntou Dawn ainda
preocupada.
— Isso é um mistério até mesmo para o “Observador”... — respondeu Rowan.
— “Observador”? Quem seria? Uma pessoa?
— Sim, sim, mas não tenho muitos detalhes sobre ele. A única coisa que sei é que ele
trabalha para P.I. (Polícia Internacional) e que está investigando o caso. — explicou o professor.
— Se tem alguém tão qualificado no caso, fico mais tranquila. — respondeu Dawn
aliviada, sentado-se novamente.
O professor voltou aos seus afazeres, mas Dawn permanecia a observar a tempestade de
neve que teimava em não cessar.
Será que eles estão bem? — pensava ela aflita, enquanto sua respiração embaçava a janela.
Por algum motivo, Dawn havia criado um laço com aquela família, mesmo que por um
curto período juntos, ela se preocupava com Lukas e Luke como se já fossem melhores amigos. O
professor percebeu a aflição da garota e voltou a aproximar-se, dessa vez ele a olhava com seus
olhos penetrantes e cansados, olhos de alguém que já vira muito e sabia muito mais do que se
imagina. Ele estampou um breve sorriso que fizera Dawn ficar confusa.
— Algum problema, Professor?
— Ás vezes acho que você deveria expandir seus conhecimentos mocinha...
— Huh? O que o senhor está querendo dizer? — perguntou confusa.
— Vejo em seus olhos que você deseja sair em meio a essa tempestade e fazer sua própria
história, e vejo que aqueles garotos aumentaram ainda mais essa vontade...
Dawn baixou a cabeça por um minuto, o professor colocou a mão sobre o ombro da
garota e voltou a sorrir.
— Vá Dawn... Aprenda muito mais sobre Pokémons, torne-se a melhor.
44

— Mas, professor... Eu não quero deixá-lo sozinho. Já estou acompanhando o Senhor há
tanto tempo, sei que esse era o maior desejo de meu pai... — disse a garota com uma voz
pensativa.
— Eu não vou ficar só, há muitos ajudantes aqui, posso sentir falta de minha melhor
assistente, mas tudo bem. Como dizia o Professor Birch, o laboratório é só o começo, se você não
expandir suas áreas de estudo, não conseguirá expandir seus conhecimentos.
— Professor Rowan... — disse a garota, escondendo o choro.
— Espere até amanhã, com sua bicicleta conseguirá alcançar Luke e Lukas, mas é melhor
não sair nessa tempestade de neve, pode ser perigoso.
— Não posso esperar! — respondeu a garota pulando da cadeira.
Dawn rodeou seu cachecol e colocou seu gorro branco sobre os cabelos. A garota parecia
apressada, ela pegou sua mochila e colocou algumas coisas, que iam desde poções até pokébolas.
— Dawn, o pretende fazer? — perguntou o professor preocupado.
— Alguma coisa me diz que Luke e Lukas precisam de minha ajuda agora! Não posso
esperar que amanheça, tenho que correr e alcançá-los!
— Dawn é perigoso! Com essa tempestade você pode perder-se em meio a floresta!
— E se eles estiverem perdidos? Eu tenho que ajudá-los! Eu sei que ainda sou uma
criança, mas eles são ainda mais novos que eu, e podem estar em perigo!
O professor procurava argumentos para não deixar que a garota partisse em meio a
nevasca que castigava Sinnoh naquela noite, mas era inútil, a garota já estava pronta para partir e
nada a impediria.
— Não se preocupe professor, assim que eu encontrá-los mandarei uma mensagem
peloPokégear.
— Já que não posso te impedir, apenas poderei desejá-la boa sorte.
— Obrigada por tudo professor, por ter cuidado de mim durante todos esses anos.
Espere, pois estudarei bastante e serei uma renomada pesquisadora, assim como o Senhor!
A garota selou o momento com um caloroso abraço. Dawn e o professor se separaram e
trocaram olhares esperançosos, com ambição de um futuro glorioso. Ela despediu-se e partiu. Ao
abrir a porta pôde sentir a brisa congelante que parecia cortar a pele frágil da garota, mesmo assim
ela não teve medo e partiu, pegou sua bicicleta e acenou ao professor. Era difícil pedalar, a neve
fazia com que os pneus atolassem, não havia uma alma sequer em meio a tempestade, Dawn
estava só. A única coisa que a garota via em frente era uma imensidão branca, neve e mais neve.
— Que Arceus os ajudem... — sussurrou o professor antes de voltar-se ao laboratório e
finalizar aquele dia cansativo.
45


Dawn pedalava forte em busca de seus amigos, enquanto isso, Luke procurava sem trégua
pelo irmão “mais novo” que buscava ajuda para o Burmy encontrado. O movimento de Luke
estava rígido, seus lábios tremiam em sincronia com suas pernas, seu grito ecoava pelos cones de
árvores, um grito sem força que buscava o irmão.
E Lukas não estava em melhor situação, ele
sentia-se gélido e tentava aquecer o pobre Burmy
cobrindo-o com seus finos braços, ele não desistiria
de tentar salvar aquele Pokémon. O pequeno verme
rodeado de folhas observava o ato do garoto, o
Pokémon sentia ali algo nunca sentido antes...
Alguém havia se importado em ajudá-lo.
— Burmy, agüente firme, chegaremos em
Sandgem e Dawn irá nos ajudar...
— Brrrr-my... – gemia o trêmulo pokémon
em resposta.
Lukas tinha fé que estava indo no caminho certo, mas era impossível seguir a estrada
com o clima daquela noite, se ele não procurasse um abrigo ia congelar ao lado do pequeno
Pokémon.
Dawn continuava a pedalar, mas chegou a um ponto em que os pneus da frágil bicicleta
estavam totalmente cobertos pela neve, suas forças não eram suficientes para continuar a pedalar
ali.
— Droga de bicicleta! — resmungou, batendo no próprio veículo.
Dawn saltou da bicicleta e chegou a conclusão de que continuar daquele jeito era ainda
mais devagar do que ir a pé. De dentro da mochila pegou uma lanterna e uma pokébola, ela
arremessou a bola liberando o fiel companheiro Piplup, que por sinal até que estava feliz pelo frio
por ser totalmente acostumado a baixas temperaturas. Com o caminho iluminado pela fraca luz
da lanterna, ela seguia ao lado do pingüinzinho que a guiava em meio à tempestade.
— O professor vai me matar por abandonar essa bicicleta, mas não posso me atrasar
ainda mais, um dia eu pago ela. — disse a menina tentando tampar seu rosto, para não ser tão
atingida pela tempestade de neve.
Lukas continuava a caminhar por um caminho que ele acreditava ser o certo, mas o
garoto estava num rumo desconhecido entre os galhos congelados das árvores. O garoto
46

enxergava pouco a fraca luz da lua, mas de repente ele pôde avistar uma fenda numa montanha à
frente.
— Uma caverna... Sinto muito Burmy, mas é melhor descansarmos aqui um pouco, essa
tempestade pode piorar e vai acabar ficando ainda mais perigoso.
— Brrr... — concordava o Pokémon.
Lukas então adentrou a caverna que era ainda mais escura do que o véu negro de neve que
cobria aquela noite. Devido ao frio podia-se notar pequenas goteiras caindo suavemente dentro
do local como se em sintonia. Alguns estalagmites enfeitavam o local, tão antigos quanto as vilas
daquele lugar, histórias provavelmente a muito esquecidas pelo povo de Sinnoh. As rochas
escondiam mistérios que para sempre ficarão indecifráveis, fósseis de pokémons antigos ou até
mesmo pedras preciosas. Maravilhas que muitas vezes passam por baixo de nossos olhos e nem
somos capazes de perceber.

Lukas procurava um canto para sentar-se e acabou encontrando algumas pedras que
serviriam perfeitamente, com o Burmy no colo ele às vezes friccionava as mãos para aquecê-las
enquanto aconchegava o pequeno pokémon inseto. Depois de algum tempo, ele decidiu liberar
seu Pachirisu, que com sua longa cauda embrulhou Lukas, esquentando-o um pouco.
— Obrigado P-Pachirisu... — agradeceu Lukas gaguejando de frio.
— Pachi-pachi! — grunhiu o esquilo parecendo não incomodar-se com o frio.

• • •

Luke continuava a procurar pelo irmão, ele gritava pelo seu nome, mas não escutava nada
como resposta a não ser seu próprio eco, mas a situação mudou ao ver uma fraca luz
aproximando-se.
— C-Carai, meu Arceus!!! Quê porra é essa?! — gritou Luke em pânico.
Luke tremeu ainda mais, dessa vez ele estava com medo, ele não sabia o que poderia ser,
um pokémon talvez, na mente de uma criança quem sabe um alienígena? Ou um fantasma
surgindo para levá-lo embora? Obviamente que não. O garoto tranquilizou-se ao ver a imagem de
Dawn formar-se a sua frente.
— Ah, é a garota das batatas...
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— Ufa. Que bom que encontrei vocês! — suspirou ela em sinal de alívio, provavelmente
não ouvindo o comentário de Luke. Ao falar “vocês”, Dawn então percebeu a ausência de Lukas,
o que despertou ainda mais sua preocupação.
— Onde está o Lukas?
— Eu tô procurando ele, mas não faço ideia de onde ele esteja! Precisamos achar o pivete
rápido, certeza que ele já deve ter se metido em encrenca.

• • •

Lukas continuava na caverna, o frio havia dado trégua dentro do local, mas isso também
graças a cauda de Pachirisu que o aquecia bastante.
— Obrigado, amigão... — disse Lukas afagando o esquilinho.
— Pachi-pachi! — dizia Pachirisu, que ficou contente com o carinho.
— Brrrrrmy... — continuou a gemer o pokémon no colo de Lukas.
— Vejo que você já está melhor, não é amiguinho?
Lukas percebeu que o pokémon já não estava mais tão gelado e sua cor havia retornado
ao normal, porém as folhas que cobriam seu corpo estavam secas e quebradiças e não conteriam o
frio lá fora.
— Agora temos que ir, ou não chegaremos nunca em Sandgem... O Luke deve estar
preocupado comigo. Melhor irmos logo...
— SNOOOOOOOOOWR!!! — grunhiu uma estranha criatura que vinha da escuridão
da caverna.
Um ensurdecedor estrondo pôde ser ouvido ecoando por toda a caverna, Lukas
levantou-se bruscamente no susto que levara. Fortes patadas estremeciam o local, o garoto estava
nervoso e com medo, olhos raivosos brilhavam no escuro, era um pokémon imenso. Lukas pegou
sua pokéagenda e apontou para o vulto que se aproximava. Era um furioso Snorlax, que
provavelmente não gostava muito que o despertassem de seu sono profundo.
Não que aquela criatura dormisse nas redondezas de cavernas dos treinadores novatos,
mas como os últimos dias costumavam ser misteriosamente mais frios, alguns pokémons
acabaram tendo que mudar seus hábitos. Talvez Lukas acabara de acordá-lo de sua profunda
hibernação, e não seria de se surpreender que estivesse tão furioso. Esses pokémons possuíam o
costume de comer por longos períodos e depois dormir onde fossem, e de fato, não havia sido
uma boa ideia escolher uma caverna escura durante a noite. Os olhos da criatura exalavam ira,
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aquele lugar realmente não era um bom para descansar, e apesar de ser um Pokémon pacífico não
seria conveniente adentrar em seus territórios de sono.
— Essa não, um S-Snorlax!! — gritou Lukas.



Luke explicou tudo para Dawn, que por sua vez, também explicou o porquê dela estar ali.
Os dois nunca se davam bem, a garota urrava de como seu companheiro havia sido burro em
deixar uma simples criança sair correndo na tempestade, apesar dos dois terem a mesma idade.
Aqueles três minutos sempre faziam de Luke o responsável por qualquer desgraça.
— Como você é burro! Por quê não o impediu de sair nessa tempestade? — disse Dawn
furiosa.
— Argh!! Não me chama de burro, mina!! Eu não pude fazer nada, assim como você, ele
é um grande cabeça dura! — retrucou Luke, ainda mais furioso.
— Aaaaaaaaaaaaaah! — gritava a voz de Lukas ao longe.
— É o Lukas! — afirmou o irmão, escutando o eco do grito. Ambos preocuparam-se e
concluíram que realmente tratava-se de Lukas.
— Ele deve estar em apuros! Temos que ajudá-lo! — disse Dawn correndo e procurando
o local de onde o som viera.
Dawn e Luke corriam para o local de onde o eco vinha, e enquanto isso, Lukas estava
frente a frente com aquele enorme e furioso Pokémon.
— D-Desculpe-nos senhor Snorlax, não tínhamos a intenção de acordá-lo de seu sono!
— disse Lukas, tentando afastar-se.
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O Pokémon gritou intensamente e partiu para o ataque, ele levantou seus imensos braços
e suas garras estavam prestes a cortar quem estivesse a sua frente. Lukas abraçou Burmy e
Pachirisu com força, e esperou pelo golpe. Ele sentiu Burmy desprender-se de seu abraço e dar
uma investida sobre o garoto lançando-o para trás. Burmy então recebeu o golpe, fazendo com
que todas as suas folhas caíssem e o Pokémon caísse sem nenhuma proteção.
— Não!! Burmy! — gritou Lukas ao ver o o pequeno pokémon caído.
Burmy havia salvado Lukas, mas agora o garoto estava novamente sem proteção, Pachirisu
se colocou em posição de ataque e fez com que faíscas azuis rodeassem seu corpo, mesmo a
determinação do esquilinho não seria suficiente para conter aquele enorme Pokémon.
— Pachirisu, não! Não podemos vencer!
O gigantesco Snorlax mal-humorado então atacou novamente,
se Pachirisu fosse atingido por aquele arranhão ele seria nocauteado de
primeira. a criatura então desferiu um segundo golpe, e subitamente
Burmy surgiu, salvando Pachirisu novamente. O verme já não estava
mais coberto de folhas, mas sim coberto de pequenas rochas que
resistiram ao arranhão.
— Burmy! Como isso é possível? — Lukas se impressionou ao
ver a determinação daquele Pokémon em salvar ele e seu Pachirisu. Ele estava orgulhoso em ver o
poder do pequeno Burmy.
— Lukas! — gritaram Dawn e Luke ao encontrar o garoto.
O Snorlax parecia mais furioso, e atacaria a todos com um poderoso Hyper Beam, um
golpe desse calão destruiria a todos ali dentro, mas normalmente essas criaturas não aprendem tal
movimento, e isso levava à idéia que ele já pertencera a algum treinador no passado.
— Luke, Dawn! Que bom que estão aqui! — disse Lukas contente.
— Um Snorlax! — disse Luke admirado ao ver um Pokémon daquele tamanho.
— Não é hora de se impressionar, temos que fazer algo ou viraremos pó! — retrucou
Dawn.
— Tudo bem pivete, mas não seja tão burro da próxima vez. Gible, vai! — Luke então
arremessou a Dusk Ball, que por um momento pareceu deixar a caverna mais escura do que antes,
liberando o dragãozinho.

— Piplup, Bubblebeam!! — ordenou Dawm.
— Pachirisu, Spark!!!
— Gible, Dragon Rage!!
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A combinação de todos aqueles ataques transformou-se num poderoso raio que atingiu o
Snorlax causando um dano imenso na criatura, o Pokémon não chegou ao ponto de ser
nocauteado, mas fora enfraquecido até recuar e diminuindo sua ira, e consequentemente, sua
guarda. Com a força do impacto a estrutura rochosa da caverna se abalou deixando-a prestes a
desabar.
— Cara, eu quero capturar esse Pokémon! — falou Luke, sacando uma pokébola.
— Não seja idiota! Temos que sair daqui rápido! — falou Dawn.
— M-Mas ele ainda tá ali caído!! Droga, deixa quieto então. — praguejou Luke
guardando a pokébola.

Lukas pegou Burmy e Pachirisu no colo, e num rápido movimento todos saíram da
caverna deixando que ela desabasse. Agora todos estavam salvos. A neve caía devagar, o sol já
aparecia ao fundo, e a suavidade da manhã se aproximava, a melodia alegre de Kricketots e
Kricketurnes já podia ser ouvida, saindo de suas tocas por conta da temerosa noite. Todos se
sentaram no chão, um tanto aliviados.
— Essa foi por pouco... — suspirou Dawn rindo.
— Que batalha,cara!! Mas eu ainda queria ter pego aquele Snorlax, sempre gostei deles.
O primeiro pokémon que eu capturar vai ser muito poderoso, fica vendo! — riu Luke.
— Desculpem-me. Eu só queria ajudar o Burmy... — lamentou Lukas.
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— Esquece cara, agora tá tudo bem.
A angustia havia ido embora junto com a tempestade, tudo estava resolvido agora. Graças
a precaução de Dawn e suas Potions que trouxera de casa, Burmy pudera melhorar, mas depois de
ver a coragem do pequeno pokémon, Lukas queria capturá-lo.
— Cara, tem certeza que vai capturar esse Pokémon? Segundo a pokéagenda ele não
parece ser bom em nada, talvez um pouco em defesa, mas mesmo assim são baixos níveis. —
comentou Luke.
— Não julgue um Pokémon pelo seu status base Luke, qualquer um pode tornar-se
muito forte! Basta o treinador decidir no que gostaria de investir. — retrucou Dawn.
— Mesmo assim, os únicos ataques que ele pode aprender é o Tackle e o Hidden Power,
e eu nem sei pra que serve essa porcaria de ataque ainda. — falou Luke decepcionado.
— Você é muito inexperiente mesmo... Para a sua informação, os Burmys passaram a
adquirir o golpe Bug Bite, e a sua cabeça é muito vazia para entender a complexidade dosHidden
Powers... — respondeu o irmão em um tom provocativo.
— Enfim, o Lukas viu algo especial nesse pokémon e vai tentar capturá-lo a qualquer
custo. — disse Dawn.
Lukas, ao lado de Pachirisu lutou algum tempo contra Burmy, ambos os pokémons
estavam cansados, e devido a forte defesa de pedras do Burmy os ataques elétricos não surtiam
muito efeito. Mas a armadura estava gasta, e o Pokémon inseto já não tinha mais forças, bastaria
mais um ataque para que Pachirisu saísse vencedor.
— Pachirisu vamos ao ataque final! — gritou Lukas.
O inseto vinha na direção de Pachirisu com um forte Tackle , Pachirisu tinha que ser
rápido e contra atacar velozmente.
— Pachirisu, use o Spark!
Antes que Burmy impactasse seu golpe contra o esquilo, Pachirisu fez com que seu corpo
se eletrizasse e repelisse o ataque de Burmy destruindo seu manto de pedra e o eletrificando. O
inseto então foi nocauteado.
— Consegui! — comemorou Lukas ao ver o inseto nocauteado.
O garoto então pegou a mochila e de dentro retirou uma pokébola diferente. Azul com
alguns detalhes negros entrelaçados na parte superior em forma de teia, era uma Net Ball,
pokébola com eficácia superior em Pokémon insetos e aquáticos. Era uma pokébola cara e não era
muito visto naquelas regiões.
— Onde você conseguiu essa pokébola?! — perguntou Luke com um pouco de inveja.
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— Ganhei de aniversário da Tia Martha quando completei nove anos! — explicou Lukas
com uma voz contente.
O garoto arremessou a Net Ball que ao abrir-se materializou um raio no formato de uma
rede que capturou o pequeno Burmy, logo o Pokémon se transformou num raio branco e
adentrou a pokébola. A luz do centro piscou enquanto a cápsula balançava, mas logo cessou,
indicando o sucesso da captura. Lukas correu e pegou o objeto e ao lado de Pachirisu ergueu-a
como um troféu.
— Ahá, mais um para o time! O Burmy é meu! — comemorou o garoto.

Agora com mais dois novos companheiros para o time, Dawn e Burmy, os irmãos seguem
esperançosos em busca de seus objetivos. Dawn pretende seguir seu sonho de tornar-se uma
grande pesquisadora, e será uma ajuda fundamental no grupo. Agora a próxima parada é Jublilife,
a grande capital, onde Lukas lutará por sua primeira fita, mas será que ele irá conseguir?














53

CAPÍTULO 6

Inimigos de Infância! Ataque Bidoof!

Já amanhecia, os raios de sol derretiam a fofa neve da noite passada, enquanto gotas do
orvalho da manhã brilhavam nas folhas de algumas árvores. Embora a noite anterior fora
extremamente cruel, o clima agora estava agradável; com manhãs belas como a primavera e noites
violentas como o inverno.
Dawn, Luke e Lukas descansavam da turbulenta noite passada, eles montaram um
pequeno acampamento próximo a um grande pinheiro e lá passaram a noite. Ainda era muito
cedo, mas devido a grande claridade e aos sons de pokémons a todo momento era impossível
dormir até tarde. Exceto para Luke.
— Que sono... Eu demorei muito para dormir, eu não me sinto protegido aqui fora... —
comentou Lukas, esfregando seus olhos — Mas sabe, até que foi legal, gosto de ficar com a
natureza... Longe de toda a correria e dos problemas do dia-a-dia.
— Meus pais costumavam me levar muito pra sair, até que eu gosto de ficar lado-a-lado
com a natureza, ouvir de perto o doce som da manhã... É relaxante. — sorriu Dawn.
— Sério? Puxa, o Luke nunca gostou do silêncio. Ele prefere ficar trancado no quarto
dele jogando video game e escutando música alta, acho que eu nunca o vi lendo um livro! — riu
Lukas.
— Hah, hah, hah! Vocês são bem diferentes mesmo. Seu irmão me parece uma boa
pessoa. Vocês dois são uma graça! — disse Dawn, vendo Luke roncando e não acordando mesmo
com todo o barulho.
— Luke!! Tenha modos e não ronque do lado de uma garota!! — disse Lukas, chutando
de leve o irmão — Acorda baka, tá na hora de ir!
— Sai pra lá mano, ainda é cedo... — resmungou Luke.
— Olha, agora não tem mais a batian pra te tirar da cama, se você não acordar eu vou te
deixar pra trás. Vou escovar os dentes e me trocar, se prepare, porque quando a gente voltar nós
já vamos embora! — respondeu Lukas.
— Vai... Vai... — balbuciou Luke, voltando a cochilar.
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— Ah, eu e a Dawn vamos deixar nossas coisas na sombra daquela árvore, para não
ficarem no meio do caminho, cuide delas, ok? — disse Lukas, seguindo seu caminho junto com a
garota.
— Lukas, não é melhor nós esperarmos seu irmão? — perguntou Dawn.
— Se você esperar ele acordar, vai ficar aqui pra sempre. Não tem problema Dawn, ele é
o "irmão mais velho", vai conseguir virar-se sozinho! — riu ele.

Os dois seguiram até um pequeno lago para se preparem para a viagem. Lukas e Dawn
conversavam calmamente e por algum motivo, o garoto não sentia vergonha quando conversava
com sua amiga. Talvez ela fosse a primeira garota que ele conseguia conversar normalmente sem
gaguejar. Ele sentia uma enorme admiração por ela, como se ela fosse sua irmã mais velha.
— Então Dawn, vai seguir viagem conosco? — perguntou Lukas.
— Se vocês me aceitarem no grupo, para mim seria ótimo acompanhá-los e conhecer
diversos pokémons diferentes! — sorriu a garota enquanto lavava seu rosto.
— Mas e os seus pais, eles deixam você sair em uma aventura sem mais nem menos? —
perguntou Lukas, preocupando-se com a garota.
— Bom, meus pais... Meus pais... Quero dizer, acho que deixariam sim... — disse a garota
meio sem graça, mudando rapidamente de assunto — Quero me tornar uma renomada
pesquisadora. E você?
— Quero ser coordenador, sempre gostei desse tipo de coisa. Minha mãe era muito
famosa e quero seguir os passos dela. Daqui há um tempo vou ser muito conhecido, você vai ver!
— Com certeza! E pode ter certeza que eu vou estar do seu lado pra te apoiar. — riu a
garota — Nossa, você é como um irmãozinho que eu nunca tive. Vou fazer de tudo para ajudá-lo
a se tornar um ótimo coordenador. Se precisar de qualquer coisa é só falar comigo.
— Ok! — respondeu Lukas alegremente.
Enquanto os dois escovavam seus dentes e se trocavam, Luke continuava adormecido em
meio a imensa floresta. Ele nem se dera conta do momento em que vários Bidoofs começaram a
cercá-lo, apenas observando a estranha criatura que dormia em seu domínio. Logo, Luke abriu
seus olhos com o irritante barulho que os roedores faziam, e percebeu dezenas de Bidoofs que o
encaravam. Luke tomou um susto e levantou-se bruscamente de sua cama.
— Nuuussa... De onde surgiram esses bichos? Sai pra lá. Sai!! — gritou ele, espantando
os pequenos pokémons que voltaram para um lago próximo.
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Luke pegou rapidamente sua pokéagenda para verificar os dados dos pequenos roedores.
E apesar de conseguir a informação dos pokémons, ele acabou esquecendo-se de tentar capturar
um.
— Droga, espantei todos os Bidoofs e esqueci de tentar capturar eles... Meu dia já
começou mal, que bosta... — pensou Luke, em seguida notando a ausência de Dawn e Lukas.
— MEU ARCEUS!! ELES FORAM EMBORA MESMO!! Eles tinham dito que se eu
não acordasse, eles iriam me deixar para trás!! Lukas você me paga!! — gritou ele, arrumando
rapidamente suas coisas e correndo para dentro da floresta.
Pouco tempo depois, Lukas e Dawn voltaram calmamente do lago enquanto riam e
conversavam, quando perceberam a ausência de Luke no acampamento.
— Onde está seu irmão? — perguntou Dawn preocupada.
— Deve ter acordado e ido lavar o rosto. — riu Lukas, mexendo em sua mala que estava
encostada na árvore.
— E ele levou todas as coisas dele para lavar o rosto?
Lukas ficou surpreso ao perceber que Luke realmente havia levado toda sua mochila e
pertences. O que o levou a conclusão de que Luke os deixara para trás.
— Lukas, ele deve ter ido pra floresta!!
— Hum, e se ele só saiu para capturar pokémons? Acho que não precisamos nos
preocupar tanto, tenho certeza que ele está bem. Mas de qualquer modo é melhor nós irmos
procurá-lo.



56

A rota 202 podia não ser muito grande, mas era coberta de florestas e treinadores jovens,
um sinuoso caminho que torcia por campos de relva e árvores altas que serviam de abrigo para
milhares de pequenos pokémons que rondavam este local. Mas aquela rota estava alterada com os
últimos dias, haviam rumores de uma sombra que tem alterado a natureza dos pokémons. Os
Bidoofs desta rota têm agido misteriosamente, eles atacavam treinadores iniciantes e agiam em
grandes grupos fazendo com que os novatos das cidades vizinhas se sentissem receosos em sair em
suas aventuras.
Luke andou por um tempo procurando qualquer sinal de seus amigos quando percebeu
que um pequeno Bidoof o acompanhava de longe. Dessa vez ele não perderia a chance e
capturaria seu primeiro pokémon.
— Heh, heh... E aí bichinho, tudo firmeza? Espero não ficar incomodado, mas eu vou te
capturar. — sussurrou Luke, aproximando-se cada vez mais do roedor. De repente, outros
Bidoofs começaram a aparecer, o que fez Luke assustar-se com a enorme quantidade de
pokémons que começavam a aglomerar-se em volta do garoto.
— Vish. De onde veio tanto Bidoof? — disse Luke surpreso, quando de repente, as
criaturas furiosas avançaram na direção do garoto que correu desesperadamente dos Bidoofs que
infestavam aquela floresta.
— EITA PORRA!! SAI PRA LÁ, BICHARADA!! AAAAAAH!
Luke correu por um tempo até alcançar uma pequena caverna escura, onde aproveitou
para descansar e esconder-se dos Bidoofs que passaram reto sem dar conta do esconderijo.
— Cadê o retardado do meu irmão?? Mas que raiva, ele me deixa sozinho e nem pra
deixar um bilhete dizendo para onde iria. Maldição, vou ter que seguir meu instinto de direção
apurado e procurá-los rápido! Antes que esses Bidoofs me comam vivo!! — disse Luke,
acendendo uma lanterna e percebendo que um Skorupi venenoso andava em seu colo.
As paredes da caverna eram cercadas de Skorupis com garras afiadas, mas que não
aparentavam estar muito zangados com o invasor, apenas curiosos.
— DE NOVO??! SAI DE PERTO DE MIM!! — gritou Luke, chutando o escorpião e
saindo rapidamente da caverna. Agora um bando de Bidoofs e Skorupis o seguiam com raiva —
Esqueci desses Bidoofs!! Saiam daqui seus roedores das trevas!! Sai! SAAAI! WOAAAAH!!

Luke continuou sua corrida sem rumo para proteger-se dos inúmeros Bidoofs que agiam
estranhamente naquela região. Ao longe, uma pequena casa de madeira erguia-se como a fortaleza
perfeita para aquela ocasião, uma fumaça negra saía da janela então obviamente alguém estava lá.
O garoto correu o máximo que podia dos pokémons histéricos e entrou na pequena casa sem
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mesmo bater na porta, que por sorte estava aberta. Alguns treinadores jovens também pareciam
esconder-se no local, enquanto um velho homem arrumava a fogueira.
A casa era bem simples, revestida de uma madeira gasta pelo tempo, mas que ainda
mantinha a beleza do local com móveis humildes e modestos, que provavelmente explicavam a
simplicidade do velho que lá morava. Havia muitas fotos espalhadas pelo local, e tudo
perfeitamente organizado. Algumas panelas velhas preparavam algo na cozinha, liberando um
adorável cheiro de comida caseira. Os treinadores ficavam irrequietos na casa, andando de um
lado para o outro como se esperassem algo. Provavelmente todos que lá estavam protegiam-se dos
Bidoofs que agiam estranhamente.
O velho andava encurvado e era muito magro, ele vestia uma calça social com uma
simples blusa de lã com vários botões. Ele tinha cabelos muito brancos assim como sua barba e
parecia muito cansado. Ao ver Luke entrando desesperado, ele foi em sua direção com sua
pequena bengala de madeira, em que a cabeça de um Staraptor estava esculpida na ponta.
— Também está fugindo dos Bidoofs enfurecidos, meu jovem? — perguntou o velho,
com sua voz rouca.
— Opa, desculpa por entrar na sua casa sem pedir tio, mas é que esses Bidoofs iam me
pegar! — riu Luke.
— Não se preocupe jovem, todos estes treinadores também entraram aqui
desesperadamente. — sorriu o velho — Entre, entre, estou preparando uma deliciosa refeição!
Podem aguardar esses Bidoofs irem embora, eles estão muito perigosos ultimamente.
Luke observou os jovens que ali estavam, todos pareciam assustados e confusos, não era
normal os Bidoofs agirem daquela forma, mas agora eles corriam e atacavam os treinadores sem
nenhum motivo.
— Este velinho é gente boa... Ele mora sozinho? — perguntou Luke, conversando com
uma menina que estava sentada no sofá.
Ela tinha cabelos ruivos na altura do ombro, vestia uma camiseta azul e saias bem curtas,
a garota parecia não se incomodar com o frio, mas podia-se notar um casaco que carregava dentro
de sua bolsa. Seus olhos pareciam ansiosos e cheios de energia. Podia-se perceber que ela corria
muito e se aventurava há um longo tempo devido aos tênis gastos. Ela tinha uma personalidade
muito curiosa e ativa, mas às vezes isto acabava atrapalhando-a, logo, ela procurava contentar-se.
Seu nome era Vivian Chevalier.
— Acredito que ele seja viúvo. Então acho que ele sinta um pouco de saudade de visitas
em sua casa... — respondeu tristemente a garota — Olá!! Prazer, eu me chamo Vivian!! Tudo
certinho contigo?! — respondeu ela em seguida, já animada.
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— E aí mina, eu sou o Luke. — sorriu ele, gostando da personalidade divertida da
garota.
Um outro jovem observava a janela da casa verificando os Bidoofs do lado de fora, mas
ao ouvir o nome “Luke” ele rapidamente virou-se e foi em direção do garoto.
Era um rapaz loiro aparentemente da mesma idade de Luke, tinha um penteado digamos
que peculiar, olhos alaranjados como uma manhã ensolarada e uma pele bem branca. Ele usava
um casaco listrado de cor branca e laranja feita de um ótimo tecido que esquentava bem, apesar
de não parecer. Ele também usava um cachecol verde rodeado em seu pescoço, exatamente como
aquele vestido pelo jovem Luke. Seu nome era Stanley.
— Com tanta gente para encontrar nesse vasto universo teve que ser justo você? — disse
o rapaz dirigindo-se a Luke.
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— Stanley? — comentou Luke surpreso — Não acredito que você também saiu em uma
jornada pokémon. E me parece que infelizmente nossos caminhos se cruzaram novamente. —
afirmou ele furioso, dando ênfase na insatisfação de ter encontrado o garoto.
— Qual é, você está me seguindo? Até quando saio em minha própria aventura você me
persegue?! Você é a última pessoa que eu desejaria ver no mundo, principalmente depois daquele
dia na escola. — respondeu Stanley, ainda mais furioso.
— Ah, fala sério cara. E você acha que eu faço questão de ficar lembrando do meu
passado? Eu não quero mais saber de você, nem da sua amizade. — respondeu Luke de modo
ignorante.
— Eu realmente não sei por que ainda estou perdendo tempo discutindo com você.
Aposto que você não capturou nenhum pokémon ainda, porque quando eu fui para o laboratório
do professor Rowan eu peguei um dos últimos!
— O último? Pokémons iniciais é coisa do passado cara, porque você não viu a força do
pokémon que eu consegui! Vamos lá fora resolver isso numa batalha! — respondeu Luke.
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— Mas os Bidoofs ainda estão lá fora, vocês não podem sair! — comentou Vivian que
observava a briga dos garotos.
— Bidoof...? — sussurrou Luke irado, encarando Stanley com um olhar mortal — Eu
acabo com o primeiro Bidoof que cruzar meu caminho, no momento eu só quero quebrar a cara
desse otário arrogante.
— Vou dormir contente hoje, depois de detonar esse idiota. — resmungou Stanley,
também não dando a mínima para os pokémons raivosos lá fora.
A briga começava a ficar mais intensa, até um ponto em que o próprio dono da casa foi
obrigado a pedir que os dois parassem com a discussão.
— Por favor crianças, isso realmente pode ser perigoso. Peço que fiquem aqui dentro por
hora. — disse o velinho com dificuldade.
Luke e Stanley se entreolharam e decidiram ficar abrigados na casa pelo pedido do velho,
uma vez que aquele senhor fazia um grande favor para eles, abrigando-os em sua humilde casa.
— Não se preocupe senhor, ficaremos aqui dentro. Desculpe o alvoroço que causamos.
— disse Stanley frustrado, dirigindo-se à Luke — Você tem sorte que eu tenho respeito pelos
mais velhos, diferentemente de um certo "alguém" que eu conheço.
— Ah, faz o que você quiser Stanley!! — gritou Luke, sentando-se no sofá e cruzando os
braços em sinal de desapontamento — Mas que ódio, que ódiooo! Eu odeio esse cara... —
resmungou Luke.
— Vocês não se dão muito bem né, parecem inimigos mortais... Desde quando se
conhecem? — perguntou a menina preocupada.
— Ele não é meu inimigo... Ele era meu... meu melhor amigo... — sussurrou Luke, com
uma voz receosa, mas que foi interrompida pelo velhinho, que agora carregava uma grande panela
de comida.
— Eu terminei de cozinhar a comida para os Bidoofs! — disse o velho.
— Para os Bidoofs? Não era pra nós? — perguntou um dos treinadores qu estava na casa.
— Hoh, hoh, hoh! Eu havia me esquecido de vocês! Acho que estou ficando velho. Eu
fiz esta comida deliciosa para acalmar os Bidoofs! Mas depois eu posso preparar uma para vocês!
— riu o senhor, abrindo a porta da casa lentamente.
Todos os Bidoofs juntaram-se próximos da panela e devoraram a comida cozinhada pelo
velho. Agora que os roedores estavam satisfeitos eles voltaram lentamente para suas tocas.
— Eles já foram embora! Agora podemos ir! — disse Vivian alegremente.
— Obrigado por nos aceitar em sua casa tiozinho! — agradeceu Luke, logo em seguida
percebendo que seu rival Stanley o esperava do lado de fora — Agora somos só nós dois, Stan.
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— Eu aguardei muito tempo pra acabar com você em uma batalha. — respondeu ele.
— Vão gastar suas energias lutando? Melhor tomarem cuidado, os Bidoofs podem voltar!
— sugeriu Vivian.
— Só permita-me ver a verdadeira força do pokémon desse otário, se é que ele tem um.
— debochou Stanley.
— Ah, eu tenho sim cara, e tenho certeza que é melhor que o seu! Gible, vai! — disse
Luke, lançando seu pequeno dragão. Stanley surpreendeu-se ao ver o pokémon que Luke havia
conseguido, mas ainda tinha confiança que poderia vencer.
— Um Gible? Ora, aposto que o seu “papai” capturou pra você. Oh, você não consegue
mesmo sair da sombra dos seus pais, não é? — provocou Stanley, vendo a raiva evidente no olhar
de Luke — É uma escolha diferente, eu nunca vi um inicial como esse, mas ainda assim não pode
ganhar do meu pokémon. Turtwig, vai!
— Tuuuu-tu-iiig!
Uma pequena tartaruga revelou-se de dentro da pokébola de Stanley, ela não parecia
muito contente e tinha o mesmo olhar de revolta de seu treinador, mas ao contrário de Gible,
parecia ter mais experiência. Com uma natureza corajosa, a pequena tartaruga encarava o
dragãozinho que sentia-se intimidado. A pequena folha em sua cabeça erguia-se elegantemente
com um verde vivo, sua concha estava úmida e parecia muito antiga, revelando que aquele
pokémon era muito bem cuidado e saudável.
— Um Turtwig? Que droga, era para eu ter pegado esse pokémon, eu queria ele de
inicial! — reclamou Luke.
— Atrasado como sempre Luke... No tempo da escola era eu que guardava lugar pra você
no fundão. Se não, você teria que sentar lá na frente junto com os nerds! O dia todo sentado com
os nerds conversando sobre cálculos químicos e matemáticos, eu sei que você adora isso!! — riu
Stanley.
— Auuugh!! Os nerds não! Nem me fale de matemática cara, eu já estou comemorando
que não preciso mais estudar essa porcaria! — gritou Luke — Realmente, aqueles eram bons
tempos... A gente brincava e zuava a aula inteira, era engraçado... — suspirou Luke cabisbaixo.
— Verdade... — sussurrou Stanley como se lembrasse dos tempos em que eles eram bons
amigos.
Os pokémons aguardavam as ordens de seus treinadores, mas eles foram interrompidos
quando Lukas e Dawn surgiram do meio da densa floresta.
— Nossa, o que será que aconteceu com esses Bidoofs? Sorte que do nada eles foram
embora... — disse Dawn ofegante.
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— Luke!! Até que enfim encontramos você! Onde esteve? — disse Lukas aliviado, vendo
Luke preparando-se para batalhar com alguém. — Ora essa, Stanley! O que faz por aqui?
— Jovem Lukas, como vai? — perguntou Stanley, educadamente. — Eu estava para
acertar algumas contas com seu irmão, mas me parece que terá que ficar para depois... Bom,
preciso ir, não quero que o Luke chegue antes de mim no ginásio de pedra, mas quero ver como
seu pokémon irá virar-se no ginásio, uma vez que seu treinador não passa de um ignorante! —
debochou ele. — Ainda nos veremos Luke... E eu garanto que da próxima vez, vou batalhar
seriamente, hoje eu não estava em boas condições... Até logo, perdedor!
Stanley entrou na floresta com seu Turtwig e desapareceu em meio as folhas que caiam
lentamente das grandes árvores. Luke continuava irado com o encontro com seu antigo amigo,
mas por outro lado foi bom evitar aquela batalha, ele ainda não tinha seu Gible perfeitamente
treinado.
— Luke, porque você desapareceu? Foi só nós sairmos por alguns minutos e você entrou
sozinho na floresta!! — perguntou Lukas furioso.
— Eu desapareci?? Vocês que me deixaram lá!! Eu fiquei preocupado e fui procurar
vocês!
— Nossas coisas estavam na sombra de uma árvore, atrás de onde você dormia... Nós te
avisamos, mas você nem ouviu. — riu Dawn.
— Ah... Bom, o importante é que eu achei um monte de pokémons legais. — disse Luke
animado.
— Sério? Conseguiu pegar algum?
— Não capturei nenhum... — respondeu ele decepcionado — Vocês vão ver, mesmo
que eu demore vou capturar um pokémon fantástico!
— Sei, sei... — brincou Lukas — Falando nisso, eu percebi que você estava para batalhar
com o Stanley.
— Ah, nem me fale do Stan. Esse cara consegue me irritar mais do que ninguém, como
eu odeio ele. Eu odeio... — disse Luke, furioso.
— Vocês ainda estão brigados? Luke, acho que você deveria conversar com ele, vocês
foram amigos por tanto tempo... Não vão deixar uma briguinha boba de escola acabar com essa
amizade, não é? — disse Lukas, colocando sua mão sobre o ombro do irmão, que a retirou com
força como alguém que não deseja ser tocado.
— Não foi uma briguinha boba, sou eu que sou um idiota... Eu só quero... que me
deixem sozinho... Só por um tempo...
63

Luke afastou-se e foi em direção a um lago próximo da casa do velho. Vivian que estava
observando a conversa foi até Lukas e Dawn para perguntar o que acontecera.
— Perdoem minha curiosidade, mas aquele garoto é seu irmão, não é? Pude perceber a
extrema semelhança entre vocês dois. — afirmou Vivian — Meu nome é Vivian Chevalier, sou
uma coordenadora pokémon!
— Sério? Parece que encontramos mais um coordenador então, o Lukas também quer se
tornar coordenador! — disse Dawn alegremente.
— P-Prazer... — gaguejou Lukas, ficando um pouco envergonhado ao lado de Vivian.
— Heh, heh... — sorriu a garota, tentando disfarçar a risada quando ouviu Lukas
gaguejando — O que há entre seu irmão e aquele rapaz loiro?
— O Stanley era o melhor amigo do Luke na escola. — explicou Lukas — Um dia eles
brigaram por algum motivo... Eu não sei direito o que aconteceu, mas desde então eles nunca mais
foram amigos...
— Hum, compreendo... — sorriu a menina — Obrigada por me contarem. Já que nós
dois somos coordenadores acredito que nos encontraremos no torneio em Jubilife. Estarei
esperando, quero vê-lo dando as caras por lá hein, mocinho!
— E-Espero que a gente se encontre por aí... — sorriu Lukas envergonhado.
— Ok! Também já estamos de partida! — disse Dawn contente.
— Até logo pessoal! Foi um prazer conhecê-los! — riu Vivian, indo despedir-se de Luke.
Já ficava tarde, o pôr do sol naquele lago era lindo. Alguns Budews refrescavam-se nas
águas cristalinas do local, enquanto Goldeens e Poliwags faziam belas acrobacias nas águas da
pequena lagoa. Muitas coisas estranhas ocorreram naquele dia, mas o acidente com os Bidoofs
continuava inexplicável. O que será que acontecera nas planícies de Sinnoh para os pokémons
agirem daquela forma? Isto é um mistério que apenas o tempo poderá revelar.
— Vamos lá Luke, tá na hora de continuar a jornada. — disse Lukas, sentando-se ao
lado do irmão que permanecia sentado, observando o belo pôr-do-sol na lagoa.
— Eu me sinto tão mal quando eu encontro o Stanley... Acho que ele foi o único amigo
verdadeiro que eu tive, e minha ignorância me fez perder essa amizade... Ele nunca me perdoaria
pelo que eu fiz... — murmurou Luke.
— Olha, vocês devem ter tido um bom motivo para brigarem. Mas sabe, acho que algum
dia você deveria tentar conversar com o Stanley. Só tente cara, vocês foram bons amigos pelo
pouco tempo que se conheceram! Não deixe que uma briguinha acabe com isso Luke, não deixe.
Uma amizade é o maior tesouro que você pode conquistar. — disse Lukas.
64

Luke olhou para o irmão e agradeceu as belas palavras, sua mente ainda estava confusa á
respeito de Stanley, e ele sabia que aquela fora somente a primeira ocasião que ele se encontraram.
O destino ainda faria os dois rivais se encontrarem várias vezes, e quando a chance chegasse, ele se
desculparia.

Dawn, Luke e Lukas partiram rumo à Jubilife que já não estava mais tão longe, Lukas
parece cada vez mais ansioso pelo contest que o esperava. Luke continuava chateado pelo
encontro com Stan, mas por sorte ele podia contar com o apoio de Dawn e de seu irmão para
horas difíceis. Muitas aventuras virão... E isso é apenas o começo...

























65

CAPÍTULO 7

Fogo na Rota 202: Trabalho para um Ranger!

Mais uma alvorada surgia devagar no horizonte gélido de Sinnoh. O orvalho deixado
pela noite anterior escorria pelas folhas verdes que se balançavam com a brisa que corria
refrigerando o ambiente ainda mais. Junto com o dia, nossos heróis também acordavam. Dawn já
estava de pé, aflita, Lukas o irmão mais novo, não estava ali, onde os amigos haviam acampado,
Luke levantou preguiçoso.
— Uaaah... Dormi muito bem cara, até que é dahora dormir no chão... Cadê o Lukas? —
perguntou o irmão enquanto esfregava os olhos.
— Esse é o problema, ele sumiu... — respondeu a garota, com as mãos na cintura.
— Burmy! Tackle! — disse a voz de Lukas que pôde ser ouvida abafada entre os
arbustos. Não muito longe, o garoto parecia estar envolvido em uma batalha, o que fez Luke
saltar preocupado de seu saco de dormir.
— Só pode ser ele!
— Ele pode estar em apuros! Vamos! — gritou Dawn correndo para o local de onde
vinha o barulho.
Eles não correram muito até chegar num pequeno campo onde as árvores não se
estendiam. Era um local amplo onde o verde predominava, um local perfeito para uma batalha
Pokémon. Lukas estava lá de pé, na sua frente estava o pequeno Burmy, com seu manto de
folhagens, o Pokémon parecia determinado, ele queria mostrar que tinha competência. Na frente
estava um pequeno Pokémon verde que mais
lembrava um broto, ele tinha olhos distantes e
negros, que no momento pareciam cansados. Era
um tipo de semente, seu corpo levava duas
protuberâncias acima de sua cabeça onde
entrelaçavam como um botão de flor. Os
pequenos pés triangulares cambaleavam, e da
cabeça amarelada emanava uma respiração
cansada. Era um pequeno Budew.

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— Lukas, o que está fazendo? — perguntou Dawn.
— Esse Budew... Ele parece ser bem forte, não acham? — disse o garoto com um sorriso
confiante, ele estava disposto a capturar o pequeno Pokémon.
— O quê?! — gritou Luke impressionado — Você não pode capturar esse Pokémon!!!
— Hã? Por que não? — perguntou o mais novo.
— Você não pode capturar dois pokémons enquanto eu só tenho um!
— Pára com isso Luke, ter mais pokémons não vai me fazer melhor que você! Além
disso, o Burmy precisa de treinamento! — retrucou Lukas.
— Hmm...Droga, parece que meu time ta ficando pra trás... Então vamos ver se esse é um
dos bons — disse Luke, procurando sua pokéagenda em sua mochila e apontando para o
pequeno Pokémon vegetal.
— O Budew é um ótimo Pokémon, ele pode vir a tornar-se muito poderoso quando
evoluir! E veja só, o Burmy já parece ter causado dano suficiente para que Lukas possa usar uma
pokébola. — comentou Dawn.
Dawn estava certa, o pobre Budew cambaleava sem forças, Burmy mesmo que com golpes
não muito fortes, parecia ter forças o suficiente para ter deixado o Budew fraco.
— Já está na hora da pokébola! — disse Lukas sacando uma
pokébola, e preparando-se para arremessá-la.
— Espere Lukas! — gritou Dawn enquanto procurava algo
em sua bolsa, até achar uma pokébola diferente, sua coloração era de
um róseo opaco com uma mancha de um amarelo creme que se
estendia da região inferior até a parte superior da pokébola, era
uma Heal Ball.
— Uma Pokébola? Mas...Que tipo de pokébola é essa? — perguntou Lukas curioso.
— É uma Heal Ball, uma pokébola especial que além de capturar o Pokémon, ainda
recupera suas forças sem que você precise levá-lo ao Centro Pokémon. Vai ser melhor assim, já
que o Budew já está bem machucado — explicou Dawn, arremessando a pokébola para o amigo.
— Valeu Dawn! — riu Lukas ao receber o presente.
— Woaaah! Que inveja cara! — resmungava Luke num canto.
— Certo! Pokébola vai! — gritou Lukas pronto para lançar o item, mas antes que
pudesse lançá-lo o garoto foi interrompido por um forte clarão tomou conta do local.
Uma intensa onda de calor se abarrotou por todo aquele lugar, uma explosão laranja
pôde ser sentida, e logo em seguida ouviu-se um imenso “Booom” que ensurdeceria qualquer um.
A forte onda cinética arremessou Luke, Lukas e Dawn, fazendo com que todos se chocassem
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contra o chão, o pobre Budew desapareceu no clarão, enquanto Burmy foi recolhido para a sua
pokébola por reflexo. Foi uma intensa explosão.
O clarão cessou e o estrondo ecoava cada vez mais distante, o frio havia desaparecido
dando lugar a um calor exagerado.
Dawn, Luke e Lukas levantavam-se devagar, enquanto se recuperavam do impacto, uma
intensa nuvem de fumaça podia ser vista, ao norte da floresta que rodeava aquela rota.
— O que foi isso?! — gemeu Luke.
— Acho que foi uma explosão — disse Dawn, enquanto se esforçava para se levantar.
Lukas estava aflito enquanto movia a cabeça de um lado para o outro, ele procurava pelo
Budew machucado. Ele levantou-se rápido continuando a procurar pelo Pokémon que havia
sumido com o impacto da explosão.
— Droga! Onde o Budew foi parar?
— Calma mano, você pode achar outro por aí... — disse Luke com desdém.
— Está louco! — falou Lukas furioso — Tem um Pokémon machucado por aí por
minha culpa!
— Calma aê, fica calmo! — respondeu o irmão.
— Calma?!
— É! Calma aí, estressadinho!
— Ahh Luke, eu vou arrebentar a sua cara!
— Hah, hah! Isso se você conseguir pivete! — provocou Luke.
Enquanto os irmãos discutiam, Dawn escutava aflita as chamas crepitarem na floresta, aos
poucos a nuvem negra de fumaça se estendia pela floresta, trazendo medo e insegurança para o
semblante da garota.
— Parem de brigar! — gritou a garota — Não estão vendo a situação?! A floresta está
em chamas!
Só então os garotos cessaram a discussão, e se voltaram a observar com espanto as chamas
que se alastravam. Brasas flutuavam pelo local e pokémons corriam angustiados para todos os
lados sem saber o que fazer. Bidoofs se escondiam em buracos, enquanto Budews corriam
desamparados, Starlys fugiam de seus ninhos alarmados com as chamas. Todos estavam
amedrontados.
— Isso é um desastre!
— Ahh, meu Arceus! Isso vai destruir a floresta!
— Piplup, vai! — Dawn então arremessou sua pokébola, liberando o pinguinzinho azul
— Utilize o Water Sport e tente diminuir as chamas!!
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Piplup levantou sua cabeça e abriu o pequeno bico, emanando rápidas gotas de água, o
movimento imitava muito bem a chuva e apagava as menores chamas, mas ainda assim não era o
suficiente, as chamas cresciam cada vez mais.
A situação estava crítica, Dawn estava angustiada com as chamas que tomavam a floresta,
pinheiros possuem muita oleosidade dentro de seus troncos, e por isso as chamas conseguiam
espalhar-se ainda mais rapidamente. A garota arregalou os olhos ao ver um vulto dentro das
chamas, a visão não era clara, mas era um homem, e ele usava um tipo de uniforme negro com
luvas e botas esbranquiçadas. Ele escondia seu cabelo azulado por baixo de uma boina, seus olhos
curvados e traiçoeiros passavam insegurança, sua boca carregava um sorriso malicioso de canto,
como uma Arbok pronta para o bote. E ele não estava só, ao seu lado havia um Pokémon médio
com uma cauda que carregava uma pequena chama, a criatura tinha escamas rubras, e um olhar
furioso. Sua boca permanecia aberta mostrando os afiados dentes que davam contraste às
pequenas, mas afiadas garras em suas patas, era um Charmeleon.

— Espere, nos ajude! — gritou a garota inutilmente, pois o homem havia desaparecido
entre as chamas.
— Dawn, para quem você está gritando?! — perguntou Luke confuso.
— Hum... Acho que não era nada. Não é hora pra isso, temos que fazer alguma coisa
antes que nós, e toda a floresta vire cinzas! — disse a garota agoniada.
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Dawn estava insegura, aquele homem era estranho e muito suspeito, mas aquela não era a
hora para se manifestar, já que o fogo estava prestes a engoli-la junto da floresta de coníferas.
— Tá difícil, não temos pokémons de água e o Piplup não tem movimentos fortes o
suficiente — disse Lukas.
— Está tudo certo, podemos dar um jeito! — disse uma voz masculina.
De dentro das chamas surgiu, um garoto que tinha olhos extremamente azuis e
confiantes, um cabelo castanho liso, mas espetado na região posterior. Ele carregava roupas
negras, sobrepostas por um colete vermelho com detalhes amarelados que parecia ser muito
resistente, tinha também luvas e botas que brilhavam bastante. Era um Patrulheiro Pokémon, ou
Pokémon Ranger. Ao seu lado estava um belo Wartortle, sua pele dura e azul parecia saudável,
tinha uma cauda branca e espiralada, dando evidência à força que ele tinha, seu casco duro polido
brilhava refletindo as chamas na floresta, suas garras e presas estavam afiadíssimas, sem dúvida era
um Pokémon muito forte.

— Meu nome é Kevin, e sou um patrulheiro Pokémon, não se preocupem, a minha
equipe já está trabalhando em apagar o incêndio, em breve tudo estará bem — disse o garoto.
— Eu sou Dawn, e esses são Luke e Lukas, estamos mais tranqüilos em saber que os
patrulheiros estão aqui.
— Um Wartortle! Ele parece ser fantástico! — disse Luke apontando a pokéagenda para
examinar a tartaruga.
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— Wartortle! Hydro Pump!!! — gritou Kevin.
A tartaruga azul, se colocou dentro de seu casco e se pôs a girar numa extrema velocidade,
em seguida disparou poderosas rajadas de água de dentro dos buracos de seu casco, aquele
poderoso movimento foi o suficiente para apagar todas as chamas ali perto.
— Hydro Pump? Esse Pokémon está em um nível bastante elevado... Afinal, o Hydro
Pump, não é um movimento comum de se ver... — comentou Lukas impressionado — Pessoal,
agora que está tudo bem aqui não posso ficar parado, o Budew pode estar em apuros já que é
fraco contra fogo.
Lukas correu em meio a floresta deixando os amigos para trás.
— Lukas espere! — gritou Dawn.
— Isso é ruim — disse Kevin — O lugar para onde ele foi é o provável foco da
explosão, é muito perigoso.
— Garoto idiota! — gritou Luke — Ele tem essa mania de sair por aí querendo ser o
herói da história, vamos atrás dele!
Kevin, ao lado de Dawn e Luke corriam na direção que Lukas havia ido, quando Luke
aproveitou para tirar algumas dúvidas.
— O que trás vocês, patrulheiros, aqui?
— Pra falar a verdade estamos investigando uma organização criminosa que está atuando
nessa região, mas parece que eles souberam da nossa atuação e provocaram uma queima de
arquivo... Nos dois sentidos... — explicou Kevin.
— Organização criminosa? Team Galactic? — perguntou Dawn curiosa.
— Já ouvimos falar nesse tal Team Galactic, mas não são eles que estão por aqui... Nem
temos um nome para o que estamos procurando, afinal não sabemos muita coisa, mas a P.I. está
trabalhando junto de nós. — respondeu Kevin.
— A Policia Internacional também está no caso? Isso parece ser complicado... — afirmou
Dawn.
— Então quer dizer que há mais vilões por Sinnoh?
— Sim garoto, os pokémons da região tem agido muito estranho ultimamente, isso nos
trouxe aqui.
— Isso explica a atitude dos Bidoofs, outro dia. — comentou Luke.
— Isso. Um forte ruído que vinha vindo desse prédio que explodiu estava causando
alterações nos comportamentos dos pokémons, não sabemos do que se trata, e nem saberemos já
que eles destruíram tudo.
— Droga! Como se não bastasse o Team Galactic... — resmungou Dawn.
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Enquanto isso, Lukas procurava aflito pelo Budew enfraquecido. O garoto então se
deparou com um imenso prédio em chamas, era o tal HQ da equipe criminosa. Era alto e tinha
pintura inacabada, era discreto e ficava escondido entre os altos pinheiros que naquele momento
já estavam em chamas. Lukas observava cauteloso aquele local que inspirava medo.
— Então foi isso que explodiu... — concluiu Lukas.
— Buuuuuudeeeeeeeeeeeeeeeeew!!!!
O garoto então escutou o gemido do broto vindo dos arredores do prédio em chamas, ele
correu e avistou o Pokémon recolhido num caule de uma árvore, bastante machucado. Lukas
abraçou a criatura contente em revê-lo;
— Te encontrei amiguinho, fique calmo, tudo vai ficar bem agora...
Um estrondo ecoou pela floresta, Lukas virou-se assustado e viu que o prédio estava
desmoronando, e além disso, grandes pedaços de concreto vinham a cair na sua direção, o garoto
abraçou o Budew e gritou assustado.
— Gible, Take Down!!! — ordenou Luke.
Antes que Lukas e Budew fossem atingidos pelo bloco de concreto, Gible desferiu um
poderoso golpe que transformou o bloco em poeira. Os garotos haviam chegado na hora certa.
— Obrigado Luke! — agradeceu Lukas.
— Irmãos são pra essas coisas, mas vê se aprende a não sair por aí correndo feito um
doido, da próxima vez posso não estar por perto! — riu o irmão.
O fogo do prédio crepitava mais forte, ele se espalhava mais rápido e a floresta ia se
destruindo. Uma brisa abundantemente quente se espalhava, trazendo dor a todos que estivessem
por perto, a vida por ali não ia durar muito.
— Temos que acabar com isso rápido! — disse Kevin.
Alguns Budew corriam pelas redondezas, era o que Kevin precisava, pokémons para serem
capturados para ajudá-lo. O garoto então colocou uma espécie de bracelete no braço direito que
tinha uma coloração metálica de um vermelho escarlate, e tinha o símbolo dosRangers em
detalhes azuis e brancos, era o famoso Styler Batonagge, uma ferramenta indispensável para
um Ranger.
— Muito bem! Capture Disc lançar! — gritou o garoto.
Um tipo de pião foi desferido do bracelete, era um capture disc. Era branco e tinha
detalhes azulados e vermelhos, o objeto rodeava os Budews deixando um rastro luminoso no
chão, um anel se formou ao redor dos pokémons que se uniram ao capture disc , aquilo era uma
captura ao estilo ranger.
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— Captura completa! — disse o garoto ao finalizar o processo.
— Uau! Isso é demais! — falou Lukas impressionado.
— É bem legal, mas o que ele fez? — perguntou Luke confuso.
— Ele fez uma captura, ao contrario de nós, ele usa o Capture Disc para capturar o
Pokémon por um determinado tempo, depois a criatura volta para a floresta, mas enquanto esta
sob o efeito do Styler ele obedece ao Patrulheiro.
— Vamos acabar logo com isso de uma vez por todas! — disse Kevin — Budews, Water
Sport. Wartortle. Hydro Pump!!
Os pokémons seguiram as ordens e jorraram água para todos os cantos, aquele
movimento era semelhante a uma forte tempestade e foi o suficiente para que todo o fogo fosse
apagado.

Foi um dia tenso. O sol se abaixava e deixava o céu com um laranja estonteante. Com o
fogo apagado, a brisa gélida voltou a pairar levemente entre os que estavam ali, o frio mais uma
vez reinava por Sinnoh.
Lukas estava abaixado, frente a frente com o brotinho verde. O Pokémon cambaleava
cada vez mais, a qualquer momento ele cairia, Lukas riu e pegou a Heal Ball de dentro da sua
mochila.
— Agora tudo está bem amiguinho... pode entrar...
O garoto encostou a bola no pequeno Pokémon, que se materializou num raio e adentrou
a pokébola. A esfera nem sequer balançou, Budew não teria forças para hesitar em ficar ali, a luz
do centro foi acessa, o que indicou o sucesso da captura.
Lukas levantou contente e ergueu a pokébola como se fosse um troféu
— Ahá! Mais um para o time! O Budew é meu! — comemorou o garoto.
— Humph! — bufou Luke — Exibido... Juro que quando eu capturar meu primeiro
Pokémon, vai ser algo bem grande! Bem melhor que o seu... — murmurou o garoto com braços
cruzados.
— Heh, heh... Não precisa ter ciúmes de mim Luke, meu objetivo está mais próximo que
o seu, então você vai ter mais tempo para capturar pokémons antes de sua primeira batalha no
ginásio.

O dia se encerrava quando uma van chegou ao local, ela tinha um símbolo semelhante ao
um Capture Disc, e de lá, saíram algumas pessoas com o mesmo uniforme de Kevin, a missão
deles estava cumprida, o jovem agora se despedia dos amigos que havia encontrado.
73

— Tomem mais cuidado, Sinnoh já não é mais um local tão pacifico... — alertou Kevin
com um leve sorriso.
— Não se preocupe, tomaremos mais cuidado daqui pra frente, afinal, já tenho um bom
time de Pokémons! — disse Lukas confiante.
— E eu só tenho o Gible... Por enquanto... — resmungou Luke chateado.
— Obrigado Kevin, sem vocês, patrulheiros, nem estaríamos aqui, e o pior poderia ter
acontecido! — agradeceu Dawn.
— Agora preciso ir. — disse Kevin — Ainda temos muito trabalho, e se souberem de
alguma coisa sobre a tal organização criminosa, não hesitem em me ligar.
Kevin entregou um cartão a Dawn, e em seguida acenou pela última vez. Os amigos
também acenaram, então a van partiu.
— Ufa! Acabou! — suspirou Dawn ao ver o fim da rota 202.

O fraco sol que ainda teimava em aparecer, refletia-se nos imensos prédios que rodeavam
a imensa Jubilife no horizonte à frente. As pernas de Lukas tremeram um pouco, mas o garoto
sorriu com esperança ao saber que seu primeiro torneio se aproximava. Luke continuava
indiferente, a ânsia por um novo Pokémon o deixava cabisbaixo.
— Agora sim, tudo vai começar... — disse Lukas dando um passo à frente.
— Fique calmo, tudo vai dar certo! — encorajou Dawn.
— Beleza, vamos passar logo esse concurso idiota e iremos o mais rápido possível para
Oreburgh! — disse Luke correndo a frente.
— Espera aí! Não é um concurso idiota!
— Meninos... — Dawn deu uma risadinha e olhou firme para o horizonte laranja —
Parece que a verdadeira história começa aqui, digamos que tudo que se passou fora só um
aquecimento...

Com a floresta da rota 202 salva graças aos patrulheiros, os jovens agora seguirão rumo à
Jubilife para inscrever Lukas em seu primeiro torneio. Será o primeiro passo de Lukas rumo ao
grande festival... Mas conseguirá ele vencer o concurso em Jubilife?





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CAPÍTULO 8

Amizade Especial

Já era muito tarde, as estrelas escondiam-se na escuridão de espessas nuvens e nem mesmo
a grandiosa lua ousava aparecer. Os jovens haviam acabado de chegar na imensa cidade de Jubilife,
os prédios erguiam-se majestosamente, os carros passavam a toda hora, luzes brilhavam, holofotes
iniciavam festas noturnas e músicas estouravam nas caixas de som sendo tocadas a todo momento.
Apesar de já ser bem tarde, a cidade jamais dormia.



— Cara, acabamos de sair dessa cidade e já tivemos que voltar pra cá de novo. Que saco,
Jubilife me lembra escola. Escola me dá raiva. Raiva me lembra uma série de coisas que me
deixam ainda mais irritado e de mal humor. — reclamou Luke enquanto andava pelas
movimentadas calçadas da cidade.
— Vamos parar um pouco Luke, eu não estou mais aguentando andar. — comentou o
jovem Lukas.
— Ué, é você quem estará se inscrevendo no concurso. Era pra você estar animado cara.
— Sim, eu sei, mas... Aaaw... Já estou sentindo saudade do silêncio de Twinleaf... Acho
melhor irmos nos inscrever no torneio amanhã, estou muito cansado.
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— Tudo bem, a batalha é sua mesmo... Bora pra casa da batian, a gente pode dormir lá essa
noite.

Eles continuaram a caminhada até encontrarem o Pokémon Center da cidade, as noites
em Jubilife costumavam ser perigosas, então não seria uma boa idéia continuar na rua naquele
horário. O Centro diferentemente daquele em Sandgem era bem mais avançado, ele possuía
máquinas melhores, uma estrutura mais elaborada e alguns seguranças na entrada. Apesar de já
estar bem tarde o local ainda estava muito cheio, parecia que as pessoas lá não dormiam, e para
muitos o dia realmente estava apenas começando.
Os jovens deixaram seus pokémons com a doce enfermeira Joy que fazia o turno noturno,
e após recuperá-los da viagem, retomaram seu caminho até a casa de seus avós. Os dois irmãos
haviam permanecido naquela casa por alguns anos enquanto cursavam o ensino fundamental na
escola de treinadores, então eles já sentiam como se fosse seu próprio lar.
— Oi batian! Nós viemos passar a noite aqui. — disse Lukas de modo carinhoso
enquanto abraçava sua avó.
— Ora, eu pensava que vocês tinham saído em suas aventuras. Mas já que estão aqui eu
vou preparar um jantar para vocês dois e para sua amiga. — disse a velinha com dificuldade.
Luke, Lukas e Dawn tiveram uma ótima janta com a típica comida que sua avó
costumava fazer, a garota ficara maravilhada com as habilidades culinárias da senhora que
realmente cozinhava como ninguém. Depois que todos terminaram eles subiram as escadas em
direção de seus respectivos aposentos, os irmãos ficaram em um quarto deixando o outro para que
Dawn ficasse sozinha. Enquanto Luke jazia dormindo em um colchão, Lukas permanecia deitado
na cama ao lado sem desviar seus olhos do teto, direcionando seus pensamentos na escuridão ao
tão esperado torneio que seria no dia seguinte.
— Luke, será que eu vou conseguir derrotar os competidores no contest? E se eu não
conseguir...? — balbuciou Lukas.
— Mano, é a quarta vez que você pergunta isso... Me deixa dormir... — respondeu Luke.
— Eu só queria saber sua opinião, seu grosso, por isso que a Dawn tem medo de você!
Luke irritou-se ao ouvir o que Lukas dissera, levantando-se bruscamente de sua cama e
encarando seu irmão ao lado.
— O que você disse??
— Você fica com esse seu jeito chato, nem mesmo os pokémons querem você, por isso
você ainda não capturou nenhum!
— Retire o que disse, pivete!! — gritou Luke.
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— É isso mesmo que você ouviu, você é um grosso ignorante e sem coração!!

Antes que Lukas ou Luke fizessem qualquer coisa, eles puderam ouvir um grito agudo
vindo do quarto em que Dawn estava. Os dois nem mesmo importaram-se com as roupas que
estavam e correram para o quarto da garota, que não estava trancado. Assim que abriram a porta
eles se depararam com Dawn caída no chão ao lado da cama, vestindo uma fina camisola, com os
olhos espantados e confusos.
— Dawn, o que aconteceu? — correu Lukas, aproximando-se da menina.
— Por que você gritou daquele jeito? — perguntou Luke ainda mais preocupado.
— E-Eu tive um pesadelo muito estranho... Não quero lembrar... Não quero... — repetia
ela com as mãos na cabeça tentando esquecer do sonho, derramando algumas lágrimas na
sequência. Luke agachou-se e deu um forte abraço em Dawn.
— Não chore... Estamos aqui agora, você vai ficar bem...
Os dois ficaram abraçados por um tempo, Luke não sabia o que fazer, mas sabia que
amiga estava assustada. Dawn sentiu o calor do corpo de Luke, mas não sabia se retribuía o
abraço. Seu choro cessou, e seus braços levemente entrelaçaram o corpo quente de Luke, que
tentava fazer a amiga sentir-se segura.
— Luke... Você está só de cueca...
— NUUUUSS!! PODE CRER MANO!! — gritou ele correndo de volta para o quarto,
deixando Dawn vermelha, mas que retribuiu com uma doce risada.
— Melhor você ir também Lukas, eu... já estou melhor depois de ver que vocês estão
bem. — disse ela.
— Ah, tudo bem então, e desculpe-nos por termos entrado no seu quarto sem bater na
porta. — desculpou-se ele educadamente.
— Sem problemas. — sorriu ela — Boa noite, e tomem cuidado.

Os três jovens voltaram para seus respectivos quartos e deitaram-se nas camas depois
daquele estranho incidente, Lukas continuava a pensar nos torneios do dia seguinte, enquanto
Luke permanecia com o travesseiro sobre seu rosto para tentar esconder a vergonha que passara.
— Sabe Luke, desculpe-me por ter brigado com você... Acho que você é o melhor irmão
que alguém poderia ter, e eu retiro tudo que eu havia dito sobre você... — sussurrou Lukas,
virando-se para Luke e encontrando-o roncando como um caminhão. Ele riu e virou-se na cama,
ajeitando seu cobertor — Espero que eu consiga ganhar o Contest... Amanhã é o grande dia!
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— F-Fechado?! — gritou Lukas pasmo, parando logo em frente a grande construção que
seria realizada o torneio de contests. Na grande porta de vidro da entrada jazia uma pequena
placa amarela com letras garrafais claras e explícitas: FECHADO.
— Mas que estranho, estamos no auge da temporada desses torneios, por que será que
um dos principais está fechado? — comentou Dawn.
— Pronto Lukas, tá feliz...? Você nos acordou cinco e meia da manhã para você fazer sua
maldita inscrição... Estamos aqui, e ainda tá fechado. Podemos voltar pra casa da batian e dormir
um pouco? — respondeu Luke, esfregando os olhos que imploravam por uma cama.
— N-Não, de forma alguma! Vamos procurar alguém que saiba que horas o torneio
começa, acho que aquela policial deve saber, podemos perguntar para ela! — disse Lukas,
apontando para uma mulher ali perto.
Saindo de uma das portas mecânicas da construção, encontrava-se uma mulher de cabelos
esverdeados e uniforme policial. Ela vestia uma roupa roxa que definiam perfeitamente suas
curvas. Ela também carregava uma pequena bolsa e um chapéu, mas que possuía uma estrela,
simbolizando seu cargo, que era superior aos outros.
— Bom dia, policial. Poderia nos informar que horas o torneio irá começar? —
perguntou Lukas.
— Não vai abrir hoje e acho que só voltará a funcionar em três dias. Alguns ladrões
entraram aqui noite passada e acabaram fazendo um grande estrago e roubando alguns pokémons.
Então não vamos abrir por motivos de segurança! — explicou ela.
Lukas abaixou sua cabeça e uma aura negra começou a rodeá-la. Aquilo havia acabado
com ele, noite passada nem sequer conseguira dormir e agora a notícia do fechamento do torneio
fora a gota d’água.
— Calma... — disse Dawn afagando o ombro do amigo — Isso pode ser bom, assim
você terá mais tempo para treinar seus novos pokémons.
— É... Tem razão Dawn, obrigado. — disse Lukas conformado.
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— Opaaa!!! Isso só pode dizer uma coisa!! — gritou Luke dando um pulo de felicidade
enquanto gargalhava — Então bora pra Oreburgh!
— Ahh, seu maldito! Como pode ficar feliz com a desgraça dos outros?! — gritou Lukas
irritado.
— Meninos, parem com isso... — dizia Dawn inutilmente, enquanto os irmãos trocavam
insultos. Ela afastou-se um pouco dos dois quando pôde perceber seu pokégear vibrando em seu
bolso — Huh?
A garota então, percebeu que seu Pokégear a chamava, ela atendeu o pequeno aparelho, e
trava-se de um e-mail de alguém desconhecido, assinado pelo nome “Observador”.
— Observador? Esse é o cara que está investigando o Team Galactic... — sussurrou
Dawn, lembrando-se do assunto que conversara dias atrás com o Professor Rowan.

O e-mail dizia:
“Garota, sei que posso confiar em vc, pois foi indicada pelo
prof rowan. Quero que me encontre no pokemart em 1 min”

Dawn ficou confusa por um momento, aquela mensagem era extremamente suspeita,
poderia muito bem ser alguém tramando uma brincadeira ou até mesmo um ladrão. Porém, o
emblema da Policia Internacional no e-mail lhe deu a certeza de que
aquilo era importantíssimo.
— Pessoal, tenho que ir ao mercado, querem alguma coisa? —
perguntou Dawn apressada.
A pergunta foi inútil já que o garotos não cessavam a briga, ela
suspirou, e então deu as costas seguindo para o Pokémart. Dawn corria
depressa, o “Observador” parecia apressado, e ela não gostaria de fazer
feio com a Policia Internacional. Chegando em frente ao Pokémart, ela
continuou discretamente sua busca para encontrar a tal pessoa, e
embaixo de um poste estava o misterioso homem.
Ele vestia roupas estranhas que lembravam um detetive. Era um
longo sobretudo de cor marrom que cobria um elegante terno da
mesma cor. Ele tinha traços fortes e robustos, sua testa sempre estava
franzida, o que fazia com que o homem parecesse ainda mais velho.
Tinha sobrancelhas grossas e olhos desconfiados que a todo momento
olhavam ao redor para ver se alguém o observava
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— Será ele? — pensou Dawn, encarando-o.
O misterioso homem estendeu a mão e balançou os dedos puxando-os para si, chamando
Dawn. A garota hesitou, mas aproximou-se devagar, ele desferiu um breve sorriso para a garota e
se apresentou.
— Olá, sou o Observador, agente da Polícia Internacional de Sinnoh.
Dawn mostrou-se surpresa, e também contente. O que ela mais queria era ajudar a
solucionar os mistérios do Team Galatic. Ela estava prestes a abrir a boca e fazer centenas de
perguntas, mas o homem foi mais rápido.
— Sejamos breves, Dawn. Sei tudo que preciso saber sobre você, e eu já disse o que você
precisava saber sobre mim.
— Ahh... Certo. — confirmou Dawn, sem entender muito bem.
— Recentemente, uma nova organização criminosa entrou em ação, soube que você
estava envolvida na queimada da floresta. O incidente não remete aos Galactic, então temos mais
um problema...O jovem Kevin avisou-me que você parecia saber de algo. Viu alguém suspeito
naquele dia?
— Ah, sim! — respondeu Dawn contente — Havia um homem com um uniforme negro
e botas brancas na floresta, eu não consegui ver seu rosto direito devido a fumaça e a boina que
ele usava... E além de tudo ele era acompanhado de um Charmeleon.
— Hum... — sussurrava o misterioso Observador passando a mão sobre o queixo
parecendo deduzir algo — Então creio que ele seja o culpado, talvez tenha usado o Charmeleon
para provocar o incêndio. Obrigado Dawn, sua informação foi de grande ajuda.
— É um prazer ajudar! Mas... E quanto ao Team Galatic?
— Não temos mais informações sobre eles. Infelizmente depois do ocorrido em
Sandgem, eles parecem estar mais cautelosos. Mas não se preocupe, tudo está sob controle,
estamos alertas. O Team Galactic não conseguirá realizar seus planos criminosos...
— Pode contar comigo!
— Não, Dawn. O Team Galactic é perigoso, eles tirarão qualquer um que se oponha aos
seus planos da frente deles... Você já ajudou bastante, então quero que me prometa que não vai
mais interferir-se.
— Mas...
— Espero que entenda. Agora eu tenho que ir... Tenho informações de uma possível base
do Team Galactic na cidade de Eterna, e não posso descansar enquanto não prender esses
cretinos.
— Mas afinal... O que eles pretendem?
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— Isso é um mistério Dawn. Não quero que conte nada aos seus amigos, não que eles
não sejam confiáveis, mas quanto menos pessoas estiverem envolvidas nisso, melhor.
— Tudo bem...
— Agora tenho que ir... Cuide-se mocinha...
Ao despedir-se, o homem de codinome “Observador”, desapareceu na multidão que se
alastrava pelas ruas de Jubilife, com o mesmo semblante de preocupação e desconfiança.
Dawn continuava ali, sem entender muito bem o que aquele estranho homem dizia. Ela
voltou para o local em que os irmãos estavam e encontrou os dois ainda discutindo. Aquilo já
estava indo longe demais.
— Você é uma criatura energúmena desprovida de inteligência!! — continuou Lukas,
elevando o nível dos xingamentos.
— O que disse?? Eu não entendo nada que você fala, pivete! A gente vai pra Oreburgh e
ponto final! Você é muito egoísta cara, depois a gente volta pra cá e faz o seu concurso idiota!! —
respondeu Luke.
— Hah, hah, hah! Pode retirar o filhote de eqüino da perturbação pluviométrica, nós
vamos ficar aqui. (Tirar o cavalinho da chuva.)
— Meninos, vocês ainda estão brigando? — suspirou Dawn, vendo que a briga já estava
chamando muita atenção, mas ela sempre terminava sendo ignorada.
— Ah, é assim né?? — respondeu Luke sem dar atenção para Dawn — Não sei o que
você toma pra ficar idiota, mas realmente funciona! — Lukas encarou o irmão e procurou
respostas ainda mais inteligentes.
— Mais um ou dois como você e já devia dar para provar cientificamente que não há
vida inteligente na terra.
— O QUÊ?
— Não pense irmão, vai entortar seu cérebro.
— Vocês querem parar! É ridículo dois irmãos brigarem desse jeito! Vocês são uma
família!! — gritou Dawn preocupada. Ela nunca gostara de ver pessoas brigando, e ver seus
próprios amigos era muito pior.
A garota aproximou-se dos dois e colocou suavemente sua mão sobre o ombro de Lukas,
que revidou dando um forte empurrão em Dawn que quase caiu no chão, assustando-se com o
ocorrido
— Não se intromete, Dawn!! — gritou Lukas de modo ignorante.
Nesse momento, até mesmo Luke surpreendeu-se com as palavras do irmão, Lukas nunca
brigara com nenhuma pessoa, sendo sempre ele a pessoa que era gentil e carinhosa com os outros,
81

mas agora ele acabara de gritar com sua melhor amiga. Dawn o olhava assustada tentando em vão
evitar as finas lágrimas que agora rolavam por seu rosto.
— Desculpa Lukas... Eu não queria ter me intrometido... — sussurrou Dawn.
— Ela... Ela tá chorando cara... — suspirou Luke preocupado, que apesar de ser uma
pessoa muitas vezes ignorante, ele não podia ver uma mulher chorando, pois esse era seu ponto
fraco — Vamos parar cara... Não precisamos ir para Oreburgh.
Lukas ficou extremamente surpreso ao perceber que seu irmão havia se entregado. Em
toda sua vida ele nunca fizera isso, seu egoísmo sempre o deixava em primeiro plano. Mas agora
ele via que Dawn chorava por sua causa, e isso afetou seu coração carente.
— O que eu fiz...? — sussurrou Lukas, colocando as mãos em sua cabeça em sinal de
desapontamento. Desde que era criança, sua mãe lhe ensinara que deveria ser bom com as
mulheres, e agora ele acabara de fazer sua única amiga chorar. Ele não pensou duas vezes e saiu da
cidade, correndo para bem longe em direção da floresta.
— Lukas, espere! — gritou Luke, tentando segurar o irmão — Dawn... Hmm... Dawn...
Precisamos encontrar o Lukas! Ele é muito emotivo, não gosta de magoar as pessoas. — explicou
Luke, segurando a mão da menina. Ela levantou seus belos olhos encharcados de lágrimas e olhou
para Luke, que ficou totalmente sem reação.
— N-Não chore Dawn!! Ai, caramba! Será que alguém pode me ajudar?? — perguntou o
garoto, ficando extremamente sem graça após ver os olhos vermelhos de Dawn. Mesmo com
todas as brigas e discussões com a garota, Luke realmente se importava em vê-la feliz.

• • •

Lukas continuou a correr sem olhar para trás. Aquele não estava sendo um dia bom para
ele, o jovem sentia-se terrivelmente mal por ter ferido os sentimentos de sua amiga. Ele não havia
ido muito longe quando decidiu sentar-se em uma escada logo na entrada de Jubilife; refletindo
sobre seus erros, notando que realmente estivera sendo egoísta com seu irmão por não deixá-lo ir
ao ginásio primeiro.
Algumas pessoas passavam pelo local, mas de fato ninguém notava no garoto que apenas
permanecia sentado com as mãos em seu rosto. Ele afastou-se um pouco mais da cidade e deitou-
se sobre a sombra de uma grande árvore onde poderia pensar e refletir sobre o que acabara de
fazer. O sol brilhava forte, mas ainda podiam-se ver algumas nuvens rondando a cidade pelo fato
da intensa poluição emanada de grandes metrópoles como Jubilife.
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A grama balançava com a suavidade do fraco vento que soprava, Lukas continuava
mergulhado em seus pensamentos, quando assustou-se com uma menina que pulara ao seu lado
com o intuito de aplicar-lhe um susto.
— YO!! Lukas-kun!! — gritou a menina.
— AAH! V-Vivian?? — gritou ele, levantando-se assustado.
— Hah, hah, hah! Dei um susto em você, né?? — sorriu ela, notando em seguido os
olhos vermelhos e inchados do garoto — Ei, por que seus olhos estão vermelhos? Você estava
chorando??
Lukas corou um pouco e limpou seu rosto para que a moça não percebesse sua tristeza.
Ele rapidamente tentou mudar sua feição para que parecesse mais alegre e cumprimentou-a
gentilmente.
— E-Eu estou bem, Vivian. O que faz em Jubilife? — perguntou Lukas.
— Ah, depois daqueles Bidoofs loucos nos atacarem eu segui em direção de Jubilife para
participar do contest, mas ele estava fechado...
— Oh sim, é verdade. Fiquei triste quando vi que estava fechado... Eu me lembro que
você havia d-dito que p-participava de torneios. Isso é muito legal.
Vivian ficou em silêncio por um tempo apenas olhando nos olhos de Lukas
que ficou sem reação, logo em seguida a garota tornou a falar com um sorriso em seu rosto:
— Por quê você está gaguejando? Eu não mordo.
— Ah... É q-que... sei lá. Eu tenho um p-pouco de vergonha de falar com... pessoas... Que
são bonit... Q-Quer dizer, que ficam me olhando nos olhos... — sussurrou Lukas sem graça
tentando evitar o olhar da garota.
— Noooooossa! — gritou ela.
— Heh, heh... Que coisa ridícula, né...
— Lógico que não, eu achei isso muuuito fofo em você. De verdade. — sorriu ela.
— Ah... Obrigado... — disse Lukas corado.
Os dois ficaram em silêncio por um tempo, mas logo em seguida Vivian continuou a
falar.
— Eu participava dos Torneios de Insetos em Johto. Agora que estou em Sinnoh quero
conhecer novas pessoas e pokémons, e vou aproveitar para disputar nos contests daqui e mostrar
minha capacidade. — explicou ela.
— É uma pena que esteja fechado... Será que ainda nos enfrentaremos no torneio? Seria
uma honra encontrá-la no campo de batalha. — disse Lukas sorridente.
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— Hih, hih, hih... Como você fala difícil, isso é bonitinho! — sorriu Vivian encarando
Lukas de frente, quase que encostando seus narizes. O garoto ruborizou-se por um momento —
Podemos fazer uma batalha, Lukas-kun!!
— Hum, meu forte não são batalhas pokémon, mas acho que podemos fazer uma para
treinar, não é mesmo? — riu ele, preparando sua pokébola.
— Então vamos começar, fofinho! — disse ela piscando para Lukas — Ledyba, eu
escolho você!
Vivian lançou um pequeno pokémon joaninha conhecido como Ledyba. São criaturas
muito tímidas e que tem o costume de andar em bandos. As joaninhas são insetos pequenos e
coloridos, muito admirados por sua beleza e, em muitas culturas, símbolos de boa sorte e fartura.
Para manter as antenas limpas, as joaninhas as esfregam com o primeiro par de patas, e desta
forma, removem resíduos que podem interferir em sua sensibilidade
— Que legal, um Ledyba! Você deve ter capturado esse Pokémon em Johto já que não
são comuns por aqui! Deixe-me checar minha pokéagenda...
— Um pokémon do tipo Inseto e Voador? Então eu tenho um pokémon perfeito para
essa batalha! — disse Lukas, pegando sua Nest Ball guardada em sua cintura — Pachirisu, vai!
Lukas lançou seu pequeno esquilo que parecia estar mais que pronto para uma batalha
como aquela. Ele realmente teria vantagem, pois pokémons elétricos são fortes contra voadores.
— Pachirisu, utilize o Quick Attack! — ordenou Lukas. O pequeno esquilo avançou
rapidamente na direção de seu inimigo, mas parecia que a investida não causara muito dano , o
que surpreendeu Lukas.
— Mesmo que meu Ledyba seja um pokémon inseto, eu investi em sua defesa para que
pudesse aguentar ataques físicos, vamos lá, utilize o Light Screen!
A pequena joaninha criou uma barreira luminosa que aumentou ainda mais sua defesa.
Pokémons insetos não possuem altos níveis de defesas, logo, Vivian sabia que deveria investir
nesse ponto para fazer com que seu Ledyba se tornasse um Pokémon mais versátil.
— Acabou a brincadeira, Pachirisu use o Spark!
O corpo do pequeno Pachirisu se eletrocutou e ele avançou na direção da joaninha,
acertando-a em cheio com um golpe super efetivo. Mas graças à barreira que a criatura criara, até
mesmo a investida elétrica do esquilo não causara muito dano, sua dúvida sobre a vitória
aumentava.
— Acho que é minha vez, Ledyba, Mach Punch!
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O rápido soco da joaninha acertou Pachirisu que nem mesmo tivera a chance de esquivar-
se. Pachirisu teimava em utilizar golpes elétricos no Pokémon inseto, mas os danos eram
insignificantes.
— Ledyba, utilize o Mach Punch mais uma vez! — disse Vivian, finalizando com um
último soco que nocauteou o pequeno Pachirisu com a sequência de golpes. Apesar de o esquilo
ser muito rápido e forte com ataques especiais, sua defesa era frágil como um copo de vidro.
— P-Pachirisu!! — gritou Lukas, abraçando seu pokémon e retornando-o para a
pokébola na sequência — Puxa, eu não imaginei que perderia mesmo em vantagem... Que coisa,
acho que ainda tenho muito que aprender. Com pessoas como você na competição tenho até
vontade de desistir... — disse Lukas, sentando-se novamente sobre a sombra da árvore.
Vivian retornou seu Ledyba e sentou-se ao lado de Lukas, sentindo a gélida brisa batendo
sobre seus rostos e apenas ouvindo o canto dos poucos Starlys que voavam alegremente no céu.
— Nossa maior fraqueza está em desistir. O caminho mais certo de vencer é tentar mais
uma vez. — sorriu Vivian, aproximando-se cada vez mais de Lukas, que ficou ainda mais corado
— Então não pense em desistir só por que perdeu uma batalha, ouviu Lukas-kun?! Desde o
momento em que eu te vi pela primeira vez eu sabia que você tinha capacidade para tornar-se um
ótimo coordenador. Quero você entre os melhores, ouviu bem, mocinho?!
— T-Tudo bem! — gaguejou Lukas timidamente, sem conseguir olhar nos olhos de
Vivian que não se desviavam dele nem por um segundo.
Vivian parecia não ter noção de aproximação, quando ela falava com Lukas ela quase
chegava a beijá-lo de tão perto que seus rostos estavam. Mas ela gostava do jeitinho tímido do
garoto, e ele também parecia sentir-se bem quando estava próximo dela.
— Você é muito tímido, adoro isso em você. — brincou ela — Você é uma graça
mesmo, mas agora eu preciso ir. Garanto que ainda vamos nos encontrar, e da próxima vez, é bom
você vencer! — disse ela, dando um suave beijo no rosto do garoto.
Lukas ficou sem reação, era a primeira vez que uma menina fizera isso com ele. Era mais
que um simples beijo para ele, isso o fazia sentir algo estranho em seu coração que ficava cada vez
maior ao deparar-se com a garota. Vivian levantou-se e partiu para Jubilife, dando uma última
olhada para trás, para ver se o garoto ainda a observava. Ela sorriu e entrou na grande cidade.
O jovem ficou por algumas horas deitado na grama, viajando mais uma vez em seus
pensamentos, mas dessa vez não por tristeza, mas sim por outro sentimento. Luke e Dawn
demoraram em encontrá-lo, mas finalmente lá estava ele, sonhando acordado em baixo da árvore.
— Pivete!! Onde 'cê tava cara? Você correu que nem um louco e me deixou lá sozinho!
— gritou Luke, estressado.
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— Lukas! Eu detesto ver meus amigos ou familiares brigando, por favor, da próxima vez
não repita isso... — disse Dawn com sua cabeça abaixada.
Lukas olhou para o irmão, que estendeu a mão para ele levantar-se.
— Sem brigas? — sugeriu Lukas.
— Caramba, vai ser foda. Mas se sempre que a gente brigar a Dawn for chorar de novo...
Dependendo de mim a gente nunca mais briga! — riu Luke.
Dawn sorriu e abraçou fortemente os dois irmãos, lágrimas novamente escorreram de seu
rosto, mas desta vez eram lágrimas de alegria em ver os amigos juntos mais uma vez.
— Ah!! Ela tá chorando de novo Lukas!! Caramba, faz alguma coisa!!
— Eu?? Faz você! Quero continuar no calor desse abraço. Sabe, esse foi o melhor dia da
minha vida... — sussurrou ele.
Amizade, palavra que designa vários sentimentos, que não pode ser trocada por meras
coisas materiais. Deve ser guardada e conservada no coração. Somos todos viajantes pelas agruras
do mundo, e o melhor que podemos achar em nossas viagens é um amigo honesto.

Lukas, Luke e Dawn agora partem rumo à cidade de Oreburgh. Lukas aprendeu ainda
mais com sua derrota, enquanto sua amizade com Vivian continua crescendo, afinal, os laços de
amizade são mais estreitos do que os de sangue. Apesar do fechamento do Torneio na cidade de
Jubilife, o grupo parte alegremente em busca da primeira insígnia de Luke, mas será que apenas
com o pequeno Gible no time ele será capaz de derrotar o líder do ginásio?














86

CAPÍTULO 9

Defesas do Mundo Antigo

As luzes da cidade de Jubilife ainda podiam ser vistas da rota 203; apesar de ser próxima
a uma grande metrópole, aquelas planícies mantinham um ambiente relaxado com sua atmosfera
natural. Diferentemente da rota 202, uma quantidade menor de árvores podiam ser vistas, e ao
longe, uma caverna conhecida como Oreburgh Gate dava entrada para a cidade de Oreburgh, que
seria o próximo destino dos jovens.



Ainda em Jubilife, os jovens aproveitaram para passar na casa de seus avós e agradecer por
todo o tempo em que lá ficaram. Os irmãos passaram alguns anos em Jubilife pois era mais
próximo da escola de treinadores, e além disso, Walter e Melyssa sempre estavam ocupados,
somente podendo dar a devida atenção aos filhos nos fins de semana. Agora era tempo deles
tornarem-se grandes treinadores, e alguns confortos e mordomias precisavam ser deixados para
trás.
Eles agora partiam em busca do ginásio de rocha, e a cada passo o primeiro desafio de
Luke aproximava-se. O jovem parecia ansioso para a batalha, ele tinha extrema confiança em seu
pequeno Gible que também parecia determinado a vencer por qualquer custo. Uma densa neblina
cobria Sinnoh naquela tarde, o céu encontrava-se coberto por espessas nuvens, fazendo Dawn
sentir falta da beleza das estrelas que eram vistas em sua cidade, Sandgem. O plano do grupo era
chegar em Oreburgh ainda naquele dia, mas seria preciso aumentar o passo pois a noite vinha
rapidamente.
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— Cara, eu me divirto quando vou pra casa da batian, lá parece um museu. Tem uns
brinquedos nossos que eu nem lembrava! Daí a gente começa a bagunçar as coisas e vai
encontrando uns bagulhos mó dahora. Daí ao invés de arrumar o quarto a gente bagunça ele mais
ainda!! — riu Luke.
— Ah, sem contar a comida que a batian faz! Tudo lá é bom, parece que voltamos no
tempo. — suspirou Lukas, lembrando-se do cobertor quentinho que fora obrigado a abandonar.
— Isso eu tenho que concordar, a comida de sua avó é maravilhosa! — sorriu Dawn —
E ela ainda fez um pouco para nossa viagem! Foi muito divertido mesmo, mas acredito que agora
as mordomias tenham acabado, melhor nós apressarmos o passo para chegarmos logo em
Oreburgh, antes que anoiteça.

As noites em Sinnoh faziam muito frio nos últimos tempos, parecia que as estações
estavam desreguladas por algum motivo. Os jovens estavam muito bem agasalhados enquanto
passavam pela rota 203 sem serem perturbados por treinadores. Os pokémons não pareciam
dispostos a sair de suas tocas, e isso forneceu uma calma passagem pelo local. Ao longe, repousava
a caverna que daria passagem para Oreburgh.
— Mano, mal posso esperar para derrotar o líder do ginásio! Por mim eu iria hoje, mas já
deve tá fechado. — disse Luke.
— Não é por nada Luke, mas você só tem o Gible no seu time... Não quer capturar
algum pokémon do tipo grama ou aquático para ter mais chances no ginásio? — explicou Lukas.
— Ora, dúvida da força do meu parceiro?? Pode apostar que ele vai dar um show no
ginásio! — riu Luke, que embora falasse com confiança e determinação, sua consciência ainda
teimava em dizer que seu time não era forte o bastante para derrotar o líder. Ele precisava de
pokémons mais versáteis, e rápido, antes que passasse um grande vexame em sua primeira batalha
de ginásio.
Os jovens entraram na fria caverna que dava passagem para Oreburgh. Lá dentro estava
ainda mais gélido que do lado de fora, o chão estava escorregadio enquanto o som de goteiras
ecoava pela escuridão do local. Alguns cristais de gelo podiam ser vistos no teto, e muitas pedras
atrapalhavam o caminho dos jovens que precisavam subi-las para continuar seu caminho. Apenas
o silêncio da noite rondava o local.
Lukas andava com uma lanterna enquanto guiava o grupo pela caverna, Dawn parecia
desconfiada com todo aquele silêncio olhando para os lados como se sentisse observada por algo.
Luke parecia descontraído e animado, parando a todo momento para examinar estranhas
pedrinhas que encontrava no chão.
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— Que saco, tá muito quieto. Bora pensar em algum assunto pra gente conversar... —
comentou Luke, olhando as paredes rochosas da caverna ao seu redor — Por que será que se
chama caverna? — perguntou ele, tentando quebrar aquele silêncio todo.
— Caverna vem do latim cavus, que significa buraco, é uma cavidade natural rochosa
com dimensões que permitam acesso a seres humanos. — explicou Lukas.
— Puxa Lukas, você é muito inteligente! Você devia estudar muito na escola, não é? —
perguntou Dawn.
— Bom... Eu só estudava quando necessário, mas não sou daquelas pessoas que ficam
estudando o dia inteiro. Eu apenas me esforço. — respondeu o jovem um pouco envergonhado.
— Mentira Dawn! Ele era mó nerd na escola, qualquer coisa que o professor falava ele
respondia antes! Ele levava a apostila da escola até quando a gente tirava férias no Resort Area, dá
pra acreditar?? Mano, quem estuda nas férias?! — riu Luke.
— Eu não sou nerd! Eu só me esforço, o que é bem diferente de você, Luke!! Quase todo
mês você levava advertência, sorte que nossos pais sempre conversavam com a diretora, se não
você já tinha saído daquela escola faz tempo.
— Advertência? Você já levou alguma advertência Luke? — perguntou Dawn.
— Qual delas? Tenho várias histórias engraçadas, teve uma que eu coloquei fogo na
cortina, tem outra que eu explodi uma privada, e outra que eu quebrei a maçaneta da sala pro
professor não entrar...— riu Luke, tentando contar nos dedos as inúmeras ocorrências que levara
na escola — Mas é óbvio que eu não fazia tudo isso sozinho, o Stanley e os caras me ajudavam,
eu até tinha amizade com a diretora. Heh, heh... É um tempo que não volta, eu sempre reclamo de
escola, mas até que era divertido.

Flashback On

— Vocês são loucos? O que vocês ganham explodindo a privada da escola? Agora por
culpa de vocês o banheiro dos meninos vai ficar interditado! — gritou a diretora.
— Tia Lurdinha... Você foi no cabeleireiro? Nossa, 'cê tá muito gata hoje. — disfarçou
Luke tentando mudar de assunto.
— Ah, vocês notaram? Pois é, fui ontem ao cabeleireiro e também aproveitei para fazer as
unhas, afinal, eu também preciso me cuidar! — respondeu a mulher agradecida com o elogio.
— Minha nossa Dona Lurdinha, você realmente está muito linda assim. — disse Stanley,
que acompanhava Luke com a advertência.
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— Ah, obrigada garotos, vocês dois são um amor. Querem um pouco de café? Pode
deixar que eu falo com o pai de vocês e essa ocorrência fica por isso mesmo, mas não quero vocês
aprontando de novo, hein?
— Firmeza, tia. — riu Luke, saindo da sala da diretora totalmente impune.

Flashback Off

— Tecnicamente eu nunca levei uma advertência... Cara, que saudade bateu agora... —
riu Luke, lembrando-se de cada dia que passara no ensino fundamental de sua escola.
— Nossa, vocês pareciam se divertir muito! Eu não tenho muitas lembranças de minha
época na escola, nem mesmo amigos eu tinha, eu comecei a trabalhar desde cedo... — disse Dawn.
— Mas agora estamos aqui, seguindo nossos sonhos. Tudo que aprendemos na escola
agora será aplicado em nossa vida. — respondeu Lukas, enquanto caminhava pela longa caverna.
— É estranho, só damos valor para algo quando o perdemos... — comentou Luke,
encerrando a conversa naquele ponto.
Parecia que o frio estava espantando até mesmo os pokémons, os aventureiros estavam
completamente sozinhos na caverna. Enquanto eles andavam, Luke, que estava mais a frente, pôde
ouvir um estranho rugido vindo das profundezas. O misterioso som parecia ser de um pokémon,
movendo-se rapidamente e fazendo com que toda a estrutura da caverna se movimentasse.
— Esperem? Ouviram esse ruído? — perguntou Luke, fazendo Lukas e Dawn o olharem
assustados.
— Ouvi, mas estava vindo lá de fora, acho que aqui dentro estamos seguros. — explicou
Lukas.
— Não cara, tá embaixo de nós... — sussurrou Luke parando com cautela, ajoelhando-se
no chão da caverna e encostando seu ouvido no solo para tentar ouvir algo.
— O que ele está fazendo? — riu Dawn, vendo a posição estranha que Luke se
encontrava.
— Ele está fazendo a única coisa útil que ele sabe fazer: estudar o solo. Desertos, pedras,
coisas desse tipo... Não sei de onde ele tira essa apreciação por coisas antigas, mas é
completamente inútil. Ele parece um homem das cavernas. — explicou o irmão.
— Hum, seja lá o que for... Já deve ter ido embora... — comentou Dawn.
— Tá se aproximando... — sussurrou Luke bem baixinho.
Subitamente algo extremamente grande surgiu das profundezas da terra, era uma criatura
colossal que se movia depressa na escuridão. Um olhar penetrante pôde ser rapidamente notado
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entre a poeira e a rochas que caíam, um olhar rodeado de raiva e fúria. Era um monstro imenso
que estava coberto pelas sombras, tinha o corpo forjado a milhões de anos por pedras esquecidas
pelo tempo que moviam-se rapidamente triturando a terra.
— AAAAH! O que é isso?! — gritou Dawn assustada.
— É um...?! É um Onix!! — disse Luke maravilhado, pegando rapidamente sua
pokéagenda para verificar as informações sobre a imensa criatura.
— Mas não é possível, esta caverna não possui nenhum Onix, e sua estrutura não irá
agüentar os tremores causados por ele! O que trouxe esse pokémon aqui?? — gritou Lukas,
escondendo-se atrás de uma pedra para não ser notado pela criatura.
— Não faço idéia, mas você viu o tamanho do bicho?? Muito louco cara!! — disse Luke
fascinado — Mano, eu vou capturar esse Onix!
— O quê?? Você não tem chances Luke! Ele está agindo de forma muito estranha, assim
como os Bidoofs na rota 202. É melhor sairmos da caverna logo, antes que o pior aconteça! —
explicou Dawn — Ué, cadê o Luke??
— Ele já deve estar lá tentando vencer o Onix. Acredite Dawn, ele QUER o Onix, e
ninguém vai impedi-lo. — respondeu o irmão.

O Onix debatia-se na caverna, os olhos de Luke brilhavam ao observar a força da
criatura, aquela seria a hora certa para capturar o tão prometido membro de seu time.
— Yes, finalmente vou capturar um pokémon cara! Pokébola vai! — gritou Luke,
jogando rapidamente sua pokébola em direção do gigantesco pokémon, que transformou-se em
raios vermelhos e adentrou a pequena cápsula.
Não demorou nem um segundo para que a criatura se libertasse da pokébola e agora
ainda mais irada. Agora a serpente percebera a presença de Luke.
— Você é louco?? Você nem enfraqueceu ele e já quer capturá-lo?? Pior ainda, você
gastou uma das suas poucas pokébolas! Pensa em uma estratégia antes, seu burro!! — gritou
Lukas.
— Maldição! Ele me viu... — comentou Luke espantado, vendo que a criatura agora não
desviava os olhos do garoto.
A gigantesca cobra rugiu de modo extremamente alto, fazendo com que seu grunhido
ecoasse por toda caverna de modo que demonstrasse sua fúria. Luke errara em não enfraquecer a
criatura, mas dessa vez ele não cometeria o mesmo erro.
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— Gible, está na hora de ganhar um amiguinho! — disse Luke, jogando a Dusk Ball que
liberou o pequeno dragão. Os dois estavam mais que preparados para a luta, e esse era o
momento que eles esperavam desde o começo de suas jornadas.
— Vamos lá Gible, não se deixe levar pelo tamanho dele, utilize o Sandstorm, e em
seguida o Sand Tomb!
O dragão azul criou uma grande tempestade de areia que apareceu subitamente no
cenário, em seguida ele mergulhou na areia e criou um profundo buraco que pudesse prender o
colossal Onix. A cobra rochosa irritou-se ainda mais e fez com que uma grande parede de pedras
caísse em direção do pequeno Gible, mas a tempestade de areia estava a seu favor, e sua
habilidade Sand Veil permitiu que ele pudesse escapar por pouco do ataque da serpente.
— Esse Onix acabou de utilizar um Stone Edge?? Os Onixs só aprendem Stone
Edge com um nível de experiência completamente avançado! — comentou Lukas surpreso — É
impossível!! Esse pokémon deve ser muito mais forte do que imaginamos! Precisamos ajudá-lo
Dawn!
— Ele deve ter pertencido a algum treinador no passado, precisamos fazer algo! Vamos
lá Piplup, utilize o Bubblebeam! — ordenou Dawn.
— Budew, utilize o Absorb!
Por ser um pokémon Rocha e Terrestre, os ataques Água e Grama surtiram um dano
imenso no Onix selvagem. A cobra fora lançada, chocando-se contra uma das paredes da caverna.
A raiva do pokémon era inexplicável, que assim comos os Bidoofs, agia de modo inexplicável.
— Onix, você é meu! Pokébola vai!! — gritou Luke, jogando novamente a pequena
cápsula na direção da serpente de pedra.
A pokébola debatia-se, Luke tinha certeza que já havia capturado o colossal pokémon,
mas a criatura não entregar-se-ia tão facilmente, libertando-se no último instante. Sua ira
aumentava a cada minuto, a cobra rochosa lançou-se contra o chão, causando um grande
terremoto que atingiu a todos na arena, que derrotou tanto Budew, como o Piplup com apenas
um golpe. O ágil Gible escapara por pouco, pois sua evasiva aumentara significamente com ajuda
de Sandstorm.
— O-O que foi isso?? O Onix acabou de usar um Earthquake?? Mas não é possível, eles
não aprendem esses ataques! — exclamou Dawn, acudindo seu pequeno pokémon que fora
nocauteado instantaneamente.
— Dawn, esse Onix deve ter pertencido a outro treinador, assim como aquele Ursaring
na rota 202! Vamos fugir Luke, não dá para derrotá-lo!! — gritou Lukas.
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— Cara, agora é questão de honra! Pode apostar que esse pokémon vai entrar no meu
time!! Gible, use o Dragon Rage! — ordenou Luke.

O pequeno dragão começou sua batalha com a serpente de pedra. Já era a quarta
pokébola que Luke tentara lançar no pokémon, mas todas acabavam por falhar, o
que aumentava ainda mais o desespero e o receio do garoto.
— Embora o Sandstorm tenha ajudado o Gible do Luke, a Defesa Especial do Onix
também aumentou muito, o que explica o fato dele ter agüentado os ataques de nossos
pokémons! — explicou Lukas.
— Agora não é hora de explicação cara, só tô com uma pokébola!! — gritou Luke
desesperado.
— Ele tem sorte que minha bolsa possui coisas infinitas, e nela eu
deixei uma Great Ball! — sorriu Dawn erguendo o pequeno artefato como
um troféu.
— Nooooossa!! Quando você comprou uma? Ela é perfeita para
capturar pokémons grandes como o Onix!! — disse Lukas surpreso —
Agora é a sua vez Luke, capture esse pokémon de uma vez por todas!!

Lukas jogou a pequena pokébola azul para Luke, que segurou-a como se fosse
o item mais caro e precioso do mundo. Aquela coloração parecia brilhar ainda mais, e Luke não
hesitou, lançou a pokébola contra a serpente de pedra com total certeza de que capturara a
criatura.
— Eu peguei cara! Capturei um Onix!! — gritou Luke pulando de alegria.
Mas sua felicidade não durara muito, a pequena cápsula não parava de debater-se até que
o grande Onix mais uma vez fugira da pokébola. Todas as esperanças haviam falhado.
— A p-pokébola deu errado?! — gritou Lukas surpreso.
Dawn ficou pasma, se nem mesmo uma Great Ball pôde capturar a criatura uma simples
pokébola nunca o capturaria. A imensa serpente agora fitava Luke com um olhar de deboche, a
criatura sentia como se tivesse derrotado seu adversário e nada mais poderia vencê-la. Mas Luke
ainda não estava disposto a desistir ele estava determinado a ter aquele pokémon, e mesmo que
agora fosse praticamente impossível capturá-lo, Luke não desistiria. A batalha ainda não havia
acabado.
— Eu posso não te capturar hoje, tanto quanto posso demorar anos para isso; mas ouça
o que vou dizer, eu ainda vou te capturar custe o que custar!! — gritou Luke com toda sua força
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— Eu vou ser o maior treinador do mundo, vou ser um verdadeiro Mestre Pokémon que todos
irão lembrar-se, e não será um Onix que vai me impedir de seguir meus sonhos!! Lembre-se de
mim, porque eu ainda vou te capturar!! — gritou Luke o mais alto que podia, lançando sua
última pokébola contra a grande serpente.
O pokémon lançou um breve olhar para Luke como se tivesse entendido suas últimas
palavras. A pequena cápsula tomou velocidade total e mais uma vez chocou-se contra o Onix, que
se transformou em raios vermelhos e desapareceu entre a poeira.
Luke ainda estava ajoelhado, mas subitamente os sons da cápsula haviam desaparecido, e
quando a poeira abaixou, lá estava a pequena pokébola. A captura estava completa. Dawn soltou
um grito de alegria e correu para abraçar o garoto que continuava imóvel, nem mesmo ele
acreditava que o Onix havia sido capturado por uma simples pokébola e no último instante.
— V-Você conseguiu capturar o Onix!! — gritou Lukas, correndo para parabenizar o
irmão.
—Não é um Onix cara... É uma Onix. — disse ele um pouco assustado.
— Aaaah, então ela é fêmea? — perguntou Dawn maravilhada — Isso é ótimo, você
realmente precisa de uma “força feminina” em seu time. Agora você terá um pokémon realmente
poderoso para usar no ginásio! Parabéns Luke!!
— Cara, quando eu a capturei foi como se eu ouvisse algo sussurrando em minha mente.
Eu pude ouvir uma voz de mulher...
— Hm? Pokémons não falam, muito menos por telepatia. — riu Dawn.
— Claro que falam Dawn, mas só seus treinadores conseguem entendê-los, é preciso ter
um grande laço de amizade para conversar com um pokémon. Aposto que você também conversa
com seus pokémons. — riu o jovem.
— É verdade. — sorriu a garota.
— Ah, sei lá. O importante é que eu capturei um Onix, mano!! Meu primeiro pokémon,
o primeiro pokémon que eu capturei!! — respondeu Luke com um imenso sorriso estampado em
seu rosto.
Dawn abraçou Luke fortemente parabenizando-o pela conquista. Ele finalmente
capturara seu primeiro pokémon, e como prometido, era algo bem "grande". Luke levantou a
simples pokébola como um troféu, seu primeiro pokémon estava capturado, e com seus
poderosos ataques, ele poderia finalmente partir rumo ao ginásio um pouco mais tranqüilo.
A voz sussurrava em sua cabeça, e o apelido da poderosa Onix ficara como Titânia. Não
era de costume para Luke dar apelidos a seus pokémons, mas algo lhe dizia que aquela serpente já
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era chamada de Titânia por seu antigo treinador. Muitos mistérios ainda rondam essa poderosa
criatura do mundo antigo, mas isso é algo que apenas o tempo pode revelar.

Agora que Luke possui uma poderosa ajuda em seu time, os três jovens poderão
finalmente partir rumo à cidade de Oreburgh para conquistar a primeira insígnia do rapaz, mas
será que essa colossal serpente obedecerá perfeitamente seu inexperiente treinador?

"Os atos de uma pessoa tornam-se a sua vida, tornam-se o seu destino. Tal é a lei da
nossa vida. Você é muito determinado e confiante garoto, e espero que até o fim você cumpra sua
palavra e torne-se um renomado Mestre Pokémon, assim como meu antigo treinador. Acredito
que somos nós quem montamos nosso destino. E apesar de você ainda ter muito o que aprender,
sei que virá a tornar-se um grande treinador. Meu nome é Titânia, e espero que você consiga
alcançar seus maiores sonhos.”





















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CAPÍTULO 9.5

Treinamento Noturno no Oreburgh Gate

A caverna estava escura e gélida, o frio rondava por toda as alamedas pedregosas do local
conhecido como Orebugh Gate. Depois da gloriosa captura de Luke, o time jazia à beira de uma
pequena fogueira descansando; Lukas tentava ler um livro que era iluminado pelas fracas chamas
que lutavam para se manterem acesas em meio a umidade da caverna, Dawn jazia coberta por
seus lençóis de dormir para tentar evitar o forte frio que fazia, e Luke continuava sentado ao lado
dos amigos apenas fitando a pequena pokébola que conquistara.
— Amanhã é o grande dia cara. Tô mó ansioso pra disputar no ginásio, ainda mais agora
que capturei um novo pokémon. — disse Luke empolgado.
— Acha mesmo que pode ganhar de um líder com um pokémon recém capturado? —
perguntou Lukas tentando não chatear o irmão que pareceu não gostar muito da pergunta.
— Olha aqui Lukas, mesmo que eu e a Titânia não estejamos perfeitamente entrosados,
tenho certeza que ela não vai me decepcionar. — rebateu o garoto.
— Luke, você já mostrou suas habilidades como treinador, mas talvez o Lukas tenha
razão. Você devia pelo menos treinar um pouco. Os líderes de ginásio são adversários
poderosos. — comentou Dawn, andando em direção do garoto e sentando-se ao seu lado para
cobrir-lhe por conta do frio que fazia.
— Ah, qual é. Eu acabo com qualquer um que me enfrentar. — riu Luke.
O irmão riu com o comentário e logo em seguida levantou-se e colocou sua mochila nas
costas, seus companheiros o fitaram curiosos prestes a perguntar aonde ele iria, mas Lukas
respondeu antes mesmo da pergunta.
— Eu vou treinar pessoal. Depois de Oreburgh seguiremos para Jubilife, então tenho
que estar preparado para o meu torneio.
— Espera aí, se você vai, eu também vou! — exclamou Luke também recolhendo suas
coisas.
— Bom, então eu vou acompanhá-los. — desta vez foi Dawn, estampando um belo
sorriso — Faz muito tempo que não treino meus pokémons, ultimamente eu não tenho tido mais
tempo para isso.
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— Certo, então todos nós iremos treinar! — falou Lukas contente — Vamos nos
reencontrar no fim do Oreburgh Gate perto do amanhecer, tudo bem?
Todos concordaram, e antes de partirem uniram suas mãos e desejaram boa sorte uns aos
outros, e num rápido movimento, se separaram. Lukas era guiado pela luz de uma pequena
lanterna, era possível ver alguns Geodudes enrolados enquanto dormiam, se assemelhando ainda
mais com uma rocha inativa. Os Zubats eram muito rápidos para serem vistos na escuridão, mas
as batidas de suas asas eram constantemente ouvidas pelos amplos corredores daquela caverna.
— Budew, Pachirisu! Saiam!
Lukas arremessou suas duas
pokébolas que liberaram seus respectivos
pokémons. Ambos grunhiam contentes,
e permaneciam alegres pelo fato de terem
sido libertos pelo dispositivo de captura.
— O Contest está cada vez mais
próximo, então é melhor nós treinarmos.
Vou usá-los no meu primeiro desafio, então
peço que deem o melhor de si.
Os Pokémons concordaram
contentes. Lukas se incomodou com algo quando pôde sentir uma de suas pokébolas movendo-se
constantemente, até que um flash emanou de sua bolsa. Ele estranhou um pouco, mas se
tranqüilizou ao ver que era o pequeno Burmy que se libertara.
— Então é você, mocinho?
O Burmy saltou da mochila, observando cautelosamente o local, num gesto estranho e
rápido, ele soltou todas as folhas de seu corpo viscoso e saiu à procura de pequenas pedrinhas.
Não demorou muito para que seu corpo estivesse inteiramente coberto de pedregulhos.
— Hm... Burmy, sei que você também quer ajudar nesse treino amigão, mas o problema
é que... — disse Lukas receoso, procurando por palavras que não decepcionassem o amigo.
— Brrrmy? — grunhia o pokémon, escutando confuso as palavras de seu mestre.
— Até agora só temos o Tackle e o Protect, então não posso usá-lo adequadamente em
um contest...
O Pokémon recolheu sua felicidade e abaixou a cabeça, os dois pequenos gravetos que o
sustentavam tremiam, enquanto a pequena criatura parecia tentar esconder o choro.
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— Sinto muito amiguinho... É melhor você retornar para sua pokébola no momento. —
hesitante, e também com um nó na garganta, Lukas recolheu seu Pokémon, mas antes de guardá-
lo na mochila, sussurrou: — Me desculpe Burmy, talvez na próxima...

• • •

— Vamos lá, Titânia! Rock Throw!! — gritava Luke já sem forças.
O garoto parecia estar no meio de uma suposta batalha, Titânia estava ao seu lado, e o
adversário era um pequeno Geodude. Luke estava ofegante e rouco de tanto gritar, pois por mais
que ordenasse, a imensa serpente de pedra não o obedecia, permanecendo deitada, sem se
importar com o dano mínimo causado pelas fracas investidas do Geodude.
— Ahh, Titânia! Por Favor, faça alguma coisa, caramba!!
Era inútil. A Onix continuava imóvel, bocejava de vez em quando o que mais parecia ser
uma provocação ao seu treinador. O pobre Geodude já havia desistido da batalha e tinha fugido.
Luke se jogou no chão de braços e pernas cruzadas com um semblante de decepção estampado
em seu rosto.
— Não vai mesmo me ajudar, né? — indagou Luke, quase que implorando.
— Olha garoto, estou cansada hoje. Já está tarde e você ainda me faz lutar contra esses
pokémons selvagens inúteis. Vamos fazer um acordo, você só me chama quando houver uma
batalha contra pokémons realmente poderosos. — disse a serpente, de forma que apenas seu
treinador entendesse.
— Aaah Titânia, mas nós precisamos treinar!! Vou batalhar em meu primeiro ginásio
amanhã, eu preciso que meus pokémons estejam preparados para o desafio! — disse Luke.
— Eu não preciso de treino, posso muito bem me cuidar sozinha.
O garoto então afastou-se um pouco e pegou mais uma pokébola da mochila.
— Tudo bem então. Se você não quer treinar, tenho certeza de que o Gible quer... Daqui
a pouco eu volto pra te buscar Titânia. — disse o treinador, desaparecendo na escuridão da
caverna.

• • •

Enquanto Luke e Lukas treinavam entre os corredores escuros do Oreburgh Gate, Dawn
e Piplup caminhavam alegres pelas beiradas que formavam piscinas naturais na caverna. Alguns
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Psyducks dormiam na beira daquelas pequenas fendas cheias de água quente, enquanto que alguns
Slowpokes também podiam ser vistos descansando suas caudas no local. Muitos pokémons
pareciam abrigar-se naquele ambiente natural, pois a temperatura estava agradável, diferentemente
de outros lugares do continente que começavam a ficar cada vez mais frios com o passar dos dias.
A garota se abaixou e tocou o dedo indicador na superfície da água, ela media a
temperatura do lugar e pareceu ter gostado, pois a água estava morna. Eram piscinas naturais
aquecidas pela alta temperatura do subsolo, que explicava o calor no local.
— Um banho aqui não seria nada mal. — sugeriu a garota se desfazendo de sua bolsa e
do cachecol.
— Plu-pi-plup! — disse o pequeno pingüim alegremente, saltando na água morna e
brincando sobre a superfície.
A garota se despiu rápido e soltou os belos cabelos negros que pendiam sobre sua pele
alva. Em movimentos leves, ela entrou na pequena fonte natural, percebendo que a água chegava a
cobrir todo o seu corpo.
— Não pensei que fosse tão fundo... — comentou ela.
Agora a menina relaxava, alternando brincadeiras com seu amigo Piplup. Ambos se
divertiam fortalecendo os laços entre humano e Pokémon quando de repente, um estranho som
pôde ser ouvido vindo do lado de fora, mas a caverna estava muito escura para que ela pudesse
enxergar mais longe.
— O que foi isso?! — perguntou ela aflita.
A garota podia escutar passos devagares sobre as duras rochas do chão da caverna, pelo
compasso, podia concluir que era um ser bípede, talvez um humano. Dawn ficou envergonhada, e
correu em busca de suas roupas, mas era tarde demais... Era impossível dizer quem estava mais
espantado, se era Dawn, ou aquele ser de meio tamanho, que não era um humano, mas se
assemelhava bastante. Tinha corpo humanóide, mas não tinha pelos, era musculoso e tinha olhos
expressivos, que naquele momento expressavam imensa vergonha.

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— AAAHHHHHHHHHH! — gritava Dawn tentando se cobrir.
— CHOOOOOOOP! — gritava o Machop sem saber o que fazer.
— Seu Pokémon pervertido! Piplup, utilize o Bubblebeam!!! — ordenou Dawn.
Piplup saltou da água e desferiu dezenas de poderosas bolhas na direção da criatura.
Dawn vestiu-se rapidamente e logo em seguida aproximou-se do Pokémon lutador, quase
nocauteado.
— Pokémon hentai de uma figa! Olha o susto que você me deu!
A garota gritava desesperada enquanto esbofeteava o pobre pokémon indefeso.
Piplup coçava a cabeça, o pingüim se perguntava se aquele não era seu trabalho, e até teve um
pensamento engraçado, onde ele era o treinador e ordenava que Dawn usasse um Double Slap.

• • •

— Pachirisu, utilize o Spark! Budew, Absorb! — gritava Lukas.
Seus pokémons lutavam lado a lado contra um time formado por um Zubat e um
Geodude. O morcego já caíra ao receber o golpe elétrico de Pachirisu, porém, o esquilo azul
acabara sendo atingido por um ataque super efetivo vindo do Geodude que quase o nocauteou.
— Muito bem Pachirisu, você já treinou bastante hoje, retorne! — o laser vermelho
recolheu o esquilinho, deixando somente Budew no combate — Vamos lá Budew, agora somos
só eu e você!
O pequeno broto amarelo-esverdeado jazia fraco, seu rosto expressava cansaço e dor,
mesmo absorvendo a energia do tipo pedra, não o suficiente,depois de tantas batalhas, o
Pokémon já estava prestes a desmaiar.
— Budew, agüente firme! Se ganharmos esta luta, adquiriremos bastante experiência para
o contest!
A Budew estava cansada, e o Geodude vinha rápido com mais uma investida, aquilo seria
fatal. A Budew começou a cintilar em um flash esverdeado que foi desferido em direção do
Geodude. Era um tipo de drenagem, e agora a Budew sugava ainda mais energia do Pokémon
rocha, que se abalava ao receber aquele ataque super efetivo.
— Isto é um Mega Drain! — concluiu Lukas alegremente.
Aos poucos o semblante cansado da Budew desaparecia, ela drenava toda a energia,
recuperando todo seu vigor. Enfim o raio desapareceu, Budew estava revigorada e o Geodude
caído, sob o efeito de um nocaute perfeito.
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— Isso! — comemorou Lukas abraçando seu Pokémon.
Agora faltava pouco para o desafio da competição, e Lukas sabia que seus pokémons
estavam em condições perfeitas. Mas será que seu irmão tinha a mesma sorte no treino?

• • •

Luke estava ofegante. Haviam vários pokémon nocauteados no chão, desde Zubats até
Psyducks e Geodudes. O pequeno Gible também estava ao seu lado, ofegante assim como seu
treinador. Ali, foram travadas dezenas de batalhas em que Luke e Gible saíram vitoriosos de
todas. Sem sombra de dúvidas, o dragãozinho estava em perfeitas condições de combate, repleto
de força e experiência, pronto para o desafio do ginásio. Gible parecia ter exatamente a mesma
personalidade que seu treinador, ambos eram confiantes e determinados, e com essa combinação
eles estavam dispostos a seguir até o fim.
— Você foi demais cara!
— Giii-blaaar! — saltava o Pokémon contente.
De repente, um enorme estrondo misturado ao som de um rugido pôde ser ouvido. Luke
olhou para trás espantado e avistou a enorme serpente de pedra surgindo na escuridão da caverna.
Ela chegou devagar e parecia estar observando os combates, ficando impressionada com a
experiência e a sincronização entre Luke e o pequeno Gible.
— Ahá, então decidiu voltar, né Titânia? — disse Luke em um tom de deboche como se
quisesse provocar a serpente.
— Você batalha bem, tem muita experiência. — disse a criatura.
— Obrigado, obrigado, eu sei que eu sou foda. — vangloriou-se Luke.
— Não estou falando de você garoto, estou falando do pequeno Gible. Ele é muito
habilidoso, pude perceber isso quando ele esquivou-se de todos meus ataques em nossa batalha.
Você tem um poderoso guerreiro em seu time, cuide bem dele. — disse Titânia.
O pequeno dragão sorriu e agradeceu o elogio, deixando Luke furioso com a
desobediência de seu pokémon.
— Mas eu sou o treinador dele, se alguém merece os créditos por aqui, esse alguém sou
eu!!
— Ei, ei. Pokémons e treinadores devem trabalhar em sincronia, do mesmo modo que
você exerce seu papel você também deve dar os devidos créditos ao pequeno Gible, assim como
um descanso merecido. — explicou Titânia.
— Qual é, agora o pokémon vai mandar no treinador?! — respondeu Luke.
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— Ei garoto, já vi mais coisas do que você imagina. Você não faz idéia da minha
experiência no mundo das batalhas, eu já pertenci à Liga Pokémon, então não pense que sabe
mais do que eu. — respondeu Titânia.
— L-Liga Pokémon? Você fazia parte da Liga?! — perguntou Luke entusiasmado.
— E isso importa? Afinal, o senhor treinador aqui sabe muito mais do que eu. —
provocou a serpente, falando em tom irônico.
— Já vi que você vai dar mais trabalho do que eu imaginava. Pode ficar com seus
segredinhos Titânia... Amanhã retomaremos nosso treino. — resmungou Luke. O pequeno
dragãozinho apenas observava a briga dos dois, provavelmente ainda demoraria muito para que
Luke conquistasse total confiança da criatura.

• • •

— Acha que peguei pesado demais, Piplup?
Dawn olhava, agora com pena a face inchada do Pokémon lutador, que já não dava sinais
de vida.
— Pluuup... — concordou Piplup sem jeito.
— Certo, não posso deixá-lo aqui nesse estado...
A garota tirou uma pokébola de sua mochila, e tocou no corpo do Machop nocauteado.
O Pokémon adentrou na pokébola na forma de um flash realizando uma captura rápida, pois a
criatura já estava completamente exausta.
A noite foi passando e logo a escuridão da caverna começou a dar lugar para os fracos
raios de luz que passavam as pequenas fendas do local. Luke, Lukas e seus pokémons estavam
exaustos depois de todo aquele treinamento, a saída da caverna já podia ser vista quando o time
reuniu-se novamente. Foi uma longa conversa, Luke se vangloriava do poder de seu Gible, e
escondia a desobediência de Titânia. Lukas falava do poder de seu Pachirisu, e de como seu
Budew enfrentara os Geodudes após aprender um novo golpe, enquanto Dawn contava
envergonhada a estranha captura do seu mais novo pokémon no time.

Aquela fora uma longa noite repleta de ação e aventura. Sem dúvidas o time estava mais
forte do que nunca e Luke cada vez mais confiante de vencer o líder do ginásio. Lukas estava feliz
em ver seus pokémons se fortalecendo, enquanto Dawn parecia contente por chegar numa cidade
para ajudar o pobre Machop... Finalmente eles haviam chegado a Oreburgh, e a batalha de ginásio
aproximava-se.
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CAPÍTULO 10

Roark, o Mestre dos Fósseis

Fazia um tempo quente, os grandes prédios prendiam a poluição que as indústrias
emanavam das fábricas causando um fenômeno conhecido como Ilha de Calor, que aumenta
significativamente a temperatura de grandes cidades. Máquinas gigantescas trabalhavam na
extração de carvão, um dos grandes recursos que davam o nome ao local: A cidade dos
minérios, Oreburgh City.
Luke sempre tivera uma queda por pokémons antigos, principalmente os do tipo
Pedra e Metálicos. A cidade de Oreburgh era como um sonho para o garoto, uma vez que muitos
treinadores e pesquisadores de pokémons ancestrais usavam a cidade como um ponto de
encontro.



— Finalmente a gente chegou em Oreburgh cara!! Tem tanta coisa que eu quero ver, vou
direto ao Museu! Ah não, eu quero ver a extração de carvão deles!! Cara, eu tenho que ver o Líder
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de Ginásio pessoalmente antes, ele é meu ídolo mano!! — gritava Luke, extremamente animado
com todas as atrações da cidade — Nossa, eu adoro vir nessa cidade!
— Heh, heh. Aproveita pra fazer tudo que você quiser Luke, porque depois que você
vencer o líder do ginásio a gente some daqui. Minha nossa, nunca vi tanta poluição, essa cidade
devia ser interditada por destruição do meio ambiente! — riu Lukas.
— Cara, eu tô pensando em ir pro ginásio agora. Estou louco pra estrear com a Titânia!
Com meu Onix ninguém tem chance comigo. — gabava-se Luke.
— Você nem mesmo treinou ela direito, tem certeza que é seguro usar um pokémon
recém capturado? — perguntou Lukas novamente, relembrando-se dos treinos na caverna.
— A Titânia é bem forte, ela só tá com uns probleminhas pra me obedecer... Mas no
ginásio ela vai perceber que eu preciso da ajuda dela e vai ganhar a luta! E tem mais, eu treinei
muito o Gible, sei que ele pode derrotar qualquer coisa. Vai ser uma vitória fácil.
— Você é muito convencido, Luke! — retrucou Lukas — Acho que nós poderíamos dar
uma passada na mina de carvão para treinar. Afinal, não tem nada de legal para se fazer nessa
cidade...
— ...Tô falando cara, eu não preciso treinar, meu Gible vai acabar com qualquer um.
— Você não é nada humilde hein Luke... Vamos treinar, pois eu quero ver se o seu Gible
está mesmo tão forte, e também quero ver se seu Onix realmente te obedece, afinal, não vou
querer vê-lo passando vexame em seu primeiro ginásio.

Uma vez que os três haviam dormido muito tarde na noite passada, por conseqüência eles
também acordaram mais tarde do que o normal. Os jovens retornaram para o Centro Pokémon e
pegaram suas coisas para retomar mais um dia de árduos treinamentos. Eles seguiram o caminho
dos trilhos dos carros de carvão na cidade que terminava em uma imensa caverna escura, em que
alguns trabalhadores usavam máquinas gigantescas que pareciam perturbar Lukas com todo o
barulho que causavam.
— Meu Arceus, em que lugar eu fui parar! Não consigo nem mesmo ouvir meus próprios
pensamentos, eu odeio essa cidade! — reclamou Lukas.
— Você disse alguma coisa?! — gritou Luke, não entendendo o que o irmão acabara de
dizer.
— Eu disse que o barulho está me incomodando! — respondeu Lukas.
— O QUÊ? NÃO TÔ TE OUVINDO!!— gritou Luke mais uma vez.
— EU DISSE QUE ODEIO BARULHO! SEU SURDO! — respondeu Lukas.
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— Você tá me chamando de burra Lukas?? — gritou Dawn entrando na conversa,
entendendo errado o que seu amigo acabara de dizer por conta do barulho.
Os três jovens já começavam a chamar atenção o suficiente para fazer que os
trabalhadores parassem seus deveres, quando de repente, de dentro da mina surgiu um homem
que vestia roupas cinzentas e sujas, com instrumentos de trabalho e um capacete de escavação. Ele
não era muito alto, tinha cabelos ruivos e sua pele também era um pouco morena. Saindo da
caverna o rapaz limpou seus óculos que estavam sujos, revelando seu rosto que parecia
demonstrar que ele possuía um conhecimento realmente vasto.



— Ei, ei! O que está acontecendo aqui? Que baderna é esta e quem são vocês? —
perguntou o homem.
— Por Arceus, é o Roark em pessoa, cara!! Líder do ginásio de rocha da cidade de
Oreburgh!! — disse Luke maravilhado.
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Porém, o rapaz não parecia nada maravilhado com crianças perambulando numa área
perigosa e interrompendo seus serviços.
— Aqui é uma área de trabalho, vocês não podem ficar aqui! Melhor irem embora antes
que algo de ruim aconteça. — disse Roark.
— Nós estávamos indo para a mina de carvão treinar um pouco, mas acredito que
acabamos nos desentendendo por motivos irrelevantes. Perdoe o alvoroço que causamos, já
estamos de partida. — desculpou-se Lukas.
— Ah, eu não sabia que vocês estavam indo treinar na mina de carvão. Eu sou Roark,
líder do ginásio de Oreburgh. É uma pena, mas a mina está desativada no momento. Alguns
ladrões entraram aqui na noite passada e causaram alguns problemas sérios na estrutura da
caverna, então desativamos por segurança. — disse o líder.
— Ladrões? — perguntou Dawn.
— Sim, a polícia afirmou tratar-se do Team Galactic, mas eu duvido muito, uma vez que
segundo testemunhas o uniforme dos impostores era preto e não trazia o letra “G” dos Galactic.
Desculpem, mas é melhor treinarem em outro lugar. — explicou Roark.
— Oh, sem problemas. Obrigado por avisar-nos senhor Roark! — disse Dawn.

Enquanto Dawn conversava com o líder, Luke aproximou-se lentamente do rapaz que
assustou-se com a expressão do garoto.
— Eu ainda não tô acreditando que estou frente a frente com o príncipe da escavação de
Sinnoh, o líder do ginásio de pedra!! — disse Luke fascinado com o encontro.
— Heh, heh, heh... Príncipe da Escavação? Puxa, eu nem sabia que eu tinha esse apelido.
E quem seria você?
— Cara, é um prazer encontrar você!! É tipo um sonho tornando-se real, tá ligado?! Eu
posso... Eu posso tocar no seu capacete de trabalho??
— Luke, para com isso... Você está me deixando com vergonha... — sussurrou Lukas
encabulado por ter que ouvir as coisas ridículas que seu irmão dizia. Roark riu com a proposta do
garoto, mas retirou gentilmente o capacete que utilizava no momento e entregou-o nas mãos de
Luke.
— Caramba!! É o M89 da geração Antique Relics, restaurado pelas melhores fábricas!
Lanterna Explorer Deluxe X5! Autêntico ainda, ou até melhor, do próprio Roark cara!! — gritou
Luke fascinado.
— Nossa. Quer dizer que você também conhece a história desse capacete? Você parece
ter futuro no ramo de escavações garoto. — sorriu Roark, agora se interessando no assunto.
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— Quer que eu conte a história da primeira pedra que você cavou também?? Eu
acompanho seu blog há um tempão. Manooo, tira uma foto comigo pra mim colocar
no Facebook? Eu tenho que falar pros cara da escola que eu te conheci cara!! — disse Luke
maravilhado.
Lukas e Dawn se entreolharam observando o entusiasmo de Luke ao deparar-se com seu
amado ídolo.
— Vamos deixá-los aí Dawn, não vamos atrapalhá-los... — falou Lukas.
— Boa idéia Lukas, o que acha de irmos ao museu? Será que existem outras atrações na
cidade? Afinal, vamos ter que esperar a conversa interminável desses dois mesmo. — sorriu a
menina, saindo junto do garoto.

Oreburgh era conhecida pelo barulho interminável de máquinas dia e noite, nunca era
possível ver as estrelas no céu devido à intensa camada de poluição. O dia foi passando, Lukas e
Dawn andaram por toda a cidade, visitaram o Museu e jantaram em um restaurante quando a
noite começou a chegar. Enquanto isso, Luke e Roark continuavam a conversar sobre
antigüidades. Os dois tinham gostos parecidos, o que colaborou para que em pouco tempo eles já
conversassem como se fossem amigos há vários anos.
O Museu de Oreburgh era um dos mais belos de todo o continente de Sinnoh, Roark
administrava o local colaborando com doações de diversos fósseis que encontrava em suas
expedições, decorando cada ponto do museu com muitos artefatos antigos que iam desde pedras
raras até objetos antigos e artefatos de milhões de anos atrás.
As paredes eram decoradas por quadros que retratavam os pokémons que viveram nos
continentes há milhões de anos atrás, todos já extintos, mas que agora podiam ser restaurados
com ciência moderna. O chão do museu era feito de mármore , e suas paredes eram decoradas por
pedras preciosas extraídas da própria mina da cidade. No centro do local havia um gigantesco
pedaço de carvão que fora encontrado nas cavernas da região, sua camada negra era tão dura
quanto o Tungstênio, tornando-se uma das maiores atrações da cidade.

Luke e Roark estavam sentados em um sofá na biblioteca que se situava dentro do
imenso museu, os dois conversavam um pouco sobre os mais diversos assuntos, Luke falava sobre
seus sonhos de tornar-se um Mestre Pokémon, enquanto Roark falava sobre suas grandes
descobertas no subterrâneo de Sinnoh.
— Nossa, lembro-me do primeiro fóssil que encontrei com meu pai, foi um dos
melhores dias de minha vida! E desde então acredito que meu amor por antiguidades só
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aumentou. Fico feliz que você ainda goste de pokémons do tipo rocha Luke, hoje em dia isso é
bem raro. — riu Roark.
— Eu não ligo para o que os outros falam dos pokémons pedra, não me importo deles
possuírem muitas fraquezas no mundo pokémon; gosto deles por toda a história que eles
carregaram com o passar dos anos. Além de possuírem níveis de defesa altíssimos eles também
possuem ótimos níveis de ataque, formando uma combinação perfeita! — disse Luke.
— Você poderia ir conosco para o subterrâneo de Sinnoh qualquer dia desses. Quem
sabe você tem a sorte de encontrar algum fóssil raro de pokémon! — disse Roark animado.
— Seria uma honra cara! Meus pais não me deixavam ir ao subterrâneo porque achavam
perigoso, mas agora eu estaria com um especialista, então acho que não tem problema. — riu o
garoto.
— Bom Luke, foi ótimo conhecê-lo, mas agora eu preciso voltar para o meu ginásio, já
estive ausente por muito tempo hoje.
— Opa, espera um pouco Roark!! Eu quero te desafiar para uma batalha de ginásio! —
retrucou o rapaz confiante de sua vitória.
— Uma batalha? Ora, lutar com alguém que conhece tanto de pokémons do tipo pedra
como você vai ser um desafio. — respondeu Roark — Essa batalha vai ser épica, quero ver se a
mesma capacidade que possuí para falar de fósseis é aplicada em uma batalha. Eu aceito o seu
desafio

Luke parecia extremamente entusiasmado com a batalha. Roark entrou no ginásio que
trazia um enorme campo de rochas pontiagudas e montanhas de pedras gigantescas. Parecia que o
próprio ginásio era uma caverna de tempos antigos, era como se os pokémons estivessem em seu
próprio ambiente natural. Os olhos de Luke brilhavam com todos os mínimos detalhes do
ginásio projetados por Roark, que também era engenheiro. Para Luke era como se ele estivesse a
um passo do Hall of Fame, sua primeira batalha de ginásio começaria em poucos minutos.
— Vamos lá, Luke. Faz muito tempo que não tenho uma batalha decente. — disse
Roark.
— É bom você não pegar leve comigo, você sabe que conheço muito sobre os pokémons
do tipo pedra, e se você der bobeira vai ficar comendo poeira! Até rimou essa parada. — brincou
Luke — Cara, nem acredito que vou iniciar a minha primeira batalha de ginásio.
Um juiz entrou no local e anunciou as regras da batalha. Seriam dois pokémons contra
dois, e era permitido o uso de itens. A batalha seria iniciada.
— Que vença o melhor, Luke. — disse o líder.
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— Igualmente. Titânia, eu escolho você!!
Luke lançou sua pokébola que despertou a gigantesca serpente de rocha, Roark assustou-
se ao ver o pokémon, pois ele sabia que aquele pokémon era de um nível muito alto para um
iniciante como Luke.
— Onde você achou esse Onix? — perguntou Roark assustado.
— Cada um joga com o que pode, não é? — debochou Luke.
— Heh, heh... Eu pensei que teria que usar meus pokémons fracos contra você, mas vejo
que essa batalha vai ser fenomenal e nós poderemos realizar uma luta séria. Probopass, eu escolho
você!
Luke também se surpreendeu ao perceber que Roark estava utilizando pokémons tão
poderosos, em treinadores iniciantes o líder costumava usar um simples Geodude equivalente ao
nível de força do desafiante, mas seu Probopass era um de seus melhores pokémons.
Mesmo que Luke conhecesse muito sobre pokémons antigos, ver um Probopass
pessoalmente era algo inédito. A criatura flutuava por estranhas forças exercidas através de
magnetismo, ele tinha pequenas estruturas ao seu redor que pareciam flutuar da mesma
forma. Aquela criatura parecia enfrentar todas as forças exercidas pela gravidade, deixando Luke
fascinado pelo pokémon em sua frente. Os Nosepass eram raros da região de Sinnoh, levando à
possibilidade de que Roark o capturara na longínqua ilha Dewford, em Hoenn.
— Nossa, é um Probopass cara! Eles são muito foda, como você conseguiu evoluí-lo?! —
perguntou Luke, pegando sua pokéagenda para verificar as informações do pokémon metálico.
— Heh, heh... Isso é segredo. Luke. Mas a sua Onix também é um pokémon fenomenal,
tenho certeza que teremos uma boa batalha.

Enquanto Luke e Roark começavam sua batalha, Lukas e Dawn jantavam calmamente em
um restaurante da cidade quando perceberam que passava uma batalha de ginásio em uma das
televisões do local.
— Olha que engraçado Lukas, aquele na televisão parece você, batalhando com o Roark.
— disse Dawn, notando a extrema semelhança do garoto na televisão com seu amigo Luke —
Espera um pouco, é o Luke na televisão...
— O QUÊ?? O Luke está na televisão lutando no ginásio?! E ele não me chamou para
estar do lado dele na primeira batalha oficial? Vamos terminar rápido e ir procurá-lo Dawn, eu
preciso ver essa batalha de perto!! — respondeu Lukas.

• • •
109

Titânia encarava o Probopass que agora se erguia em sua frente pronto para a batalha. Ela
parecia irritada por algum motivo, mas Luke não deixou que isso o interferisse, logo ordenando
para que o pokémon iniciasse seus ataques.
— Vamos lá Titânia, utilize o Earthquake! — ordenou Luke.
A serpente encarou seu dono lançando um olhar ameaçador o que fez o garoto estremecer
por inteiro.
— Ah, é você novamente, garoto... Você só me manda lutar em batalhas chatas e contra
pokémons fracos. — disse a serpente, de modo que apenas seu dono entendesse.
— Mas é uma batalha de ginásio, Titânia! É muito importante!! — implorou ele.
— Hm... Eu não estou com vontade de batalhar hoje, pode ser outro dia? — disse
Titânia.
— T-Titânia, eu preciso que você use o Earthquake! O ataque vai ser super efetivo no
Probopass, é nossa chance de ganhar no ginásio! — repetiu o garoto.
— Não. Você consegue vencer esse ginásio muito bem sem a minha ajuda. Tenho certeza
que o Gible vai sair-se bem.
— O que houve com sua Onix, Luke? Ela não está obedecendo seus comandos? —
perguntou Roark.
— Ah n-não, é só impressão sua. Ela só tá meio nervosa, é que é o primeiro ginásio dela,
daí já viu né... — disse Luke meio sem graça.
— Primeiro ginásio? Audácia, você tem noção de quantas batalhas de ginásio eu já
participei no passado? Não seja tão ávido para julgar alguém. — retrucou a serpente.
Roark parecia pensativo com a ocasião, mas não se deixaria abater pelo desencontro de
seu oponente, ele deveria aproveitar ao máximo a oportunidade de distração.
— Se você não tem a capacidade de ter controle sob seu próprio pokémon, isso será um
grande problema no futuro. Mas eu não posso esperar mais, Probopass utilize o Magnet Bomb!
O pokémon de Roark rapidamente criou pequenas bombas metálicas que foram guiadas
na direção de Titânia por magnetismo, a serpente até tentou esquivar-se, mas as bombas nunca
erravam o seu alvo. Titânia recebeu o forte dano causado pelo ataque, mas aquilo serviu como um
aviso para que a batalha se iniciasse.
— Parece que as coisas estão começando a esquentar. — disse a cobra tomando sua
posição de batalha.
— Até que enfim Titânia, vamos terminar essa batalha! Utilize o Earthquake! —
ordenou Luke.
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— Você não manda em mim, garoto! — respondeu o pokémon, criando uma enorme
tempestade de areia no campo de batalha. — Pense em uma tática antes de cada batalha, ficar
somente na ofensiva nem sempre é seguro.
— Mas por que você utilizou o Sandstorm, mano?! — perguntou Luke.
— Você vai saber na hora certa, afinal, não sou só eu quem está lutando nessa
batalha. — disse Titânia — Agora podemos acabar com as coisas, Earthquake!
A grande serpente lançou seu pesado corpo sobre o chão que criou um enorme terremoto.
O dano recebido pelo Probopass foi imenso, lançando-o contra as paredes de rocha do ginásio
aparentemente abatido.
— P-Probopass! — disse Roark aflito.
— Conseguimos Titânia, derrubamos o primeiro pokémon do Roark! — comemorou o
garoto, mas que logo foi repreendido pela serpente.
— Ainda não acabou. — disse a serpente.
— Pense melhor em sua estratégia e conheça bem seus inimigos, é sempre bom conhecer
os itens do seu adversário. — alertou Roark — Meu Probopass carregava um Focus Band, não
percebeu?
— Ah, aquela fitinha vermelha no braço dele? Até percebi, mas pensei que era pra
enfeitar... — riu Luke.
— Você é um ótimo treinador Luke, mas ainda tem muito a aprender. A Focus
Band permite que o pokémon receba um poderoso ataque, mas se sua energia estiver completa, ele
agüentará firmemente para tentar aplicar um último golpe. — explicou Roark.
— Legal, mas você acha que consegue vencer minha Onix com um único golpe? Ela
éinvencível. — gabava-se Luke.
— E se eu usar o próprio ataque dela contra ela mesma? Probopass utilize o Counter!!
Com suas últimas forças o pokémon metálico causou um explosão que lançou o mesmo
dano que Titânia causara nele, mas agora devolvendo o ataque duas vezes mais forte. Nem
mesmo a poderosa serpente de Luke seria capaz de receber tamanho dano, sendo derrotada
instantaneamente. A serpente foi lançada contra uma das paredes do local e caiu nocauteada.
— T-Titânia!! — gritou Luke correndo na direção de seu pokémon.
— Ugh... Por essa eu não esperava. — sussurrou o pokémon.
— Eu não acredito que eu estava sendo tão cego para batalhar neste ginásio deixando
todo o peso da batalha sob suas costas. Desculpe-me, Titânia... — desculpou-se Luke.
111

— Tolo. Você ainda tem muito a aprender... Mas quer saber, todos erram uma vez. Não
desista da batalha. Você ainda pode ganhar. — sussurrou a serpente, retornando para sua
pokébola.
— Obrigado pelo Sandstorm que você criou Titânia. Gible, vamos mostrar o quanto
evoluímos!!
Luke lançou seu pequeno pokémon que se sentiu-se em sua própria casa quando viu
todas aquelas pedras e rochas no ginásio. A tempestade de areia o fazia sentir-se ainda mais
confortável, logo ele teria grandes vantagens. Mas Probopass continuava com forças para batalhar.
— Probopass, utilize o Rock Slide! — ordenou Roark.
— Gible, esquive-se e use o Dragon Rage !
Com aquela imensa tempestade de areia no cenário, a habilidade Sand Veil de Gible
entrou em ação, permitindo que ele pudesse esquivar-se do ataque de Probopass para na seqüência
aplicar um golpe certeiro. Probopass já estava muito enfraquecido, e logo caiu abatido.
— Vamos lá Roark, agora é o meu Gible contra seu único pokémon, estamos de igual
para igual! — disse Luke confiante.
— Dessa vez eu usarei um pokémon com níveis de força equivalentes ao seu Gible.
Cranidos eu escolho você!
Roark lançou seu pequeno pokémon fóssil, era parecido com um dragãozinho como
Gible, mas ele tinha uma cabeça dura como um crânio. O dinossauro ancestral parecia muito
ansioso para a batalha, mas Gible ainda estava perfeitamente renovado.
— Olha só, é um Cranidos de verdade!! Eu nem sabia que vocês já tinham tecnologia
para revivê-los, isso é fantástico!! — disse Luke, pegando sua pokéagenda.
— Na verdade este é apenas mais um Cranidos que eu estive treinando. Meu primeiro
Cranidos já evoluiu para um poderoso Rampardos, e este é apenas um de seus filhotes que estou
criando para poder estudá-los melhor. — disse Roark — Cranidos, utilize o Ancientpower!
— Não deixe barato Gible, use o Take Down!
A batalha dos pequenos pokémons começou a chamar atenção de muitas pessoas, e logo
uma multidão encontrava-se nas arquibancadas do ginásio. Enquanto do lado de fora, Lukas e
Dawn lutavam contra as filas para tentar aproximar-se da disputa.
— Gible, utilize outro Take Down! — ordenou Luke.
— Vamos lá Cranidos, acabe com ele utilizando o Take Down também! — acompanhou
Roark.
112

Os dois pokémons tomaram distância a avançaram na direção do outro para aplicar uma
forte cabeçada, o golpe pareceu causar muito dano para os dois, quando de repente uma intensa
luz cobriu os dois pokémons que brilhavam intensamente.
— E-Eles evoluíram!! — gritou Luke — Mas o seu Cranidos nem mesmo chegou ao
nível de evolução!
— Acho que existem muitos mistérios no mundo pokémon que não podemos explicar!
— afirmou Roark — Essa batalha está sendo surpreendente, eu nunca tinha presenciado algo
como isso!
O Rampardos era o pokémon predileto de Roark, esses dinossauros
poderosos receberam o apelido de “Canhão de Vidro” uma vez que possuíam um ataque colossal
e uma defesa que o condenava. Luke também estava maravilhado com seu mais novo Gabite. Ele
ainda mantinha aquele jeito brincalhão de quando era um Gible, mas agora parecia mais ágil e
poderoso com garras afiadas e escamas resistentes.
Pessoas aplaudiam toda a adrenalina da batalha; os dois dragões haviam evoluído, mas
quem seria o vencedor desta árdua disputa? Finalmente Lukas e Dawn encontraram um caminho
para conseguir ver a disputa, mas agora ela já estava quase no fim.

— Olha o Luke ali! — gritou Dawn.
— Luke? Mas ele está com um Gabite! Quando o Gible dele evoluiu? — disse Lukas
com um pouco de inveja do poderoso dragão do irmão — Veja só, os dois pokémons parecem
muito cansados, provavelmente o que levar o primeiro golpe será derrotado.
Apesar do Rampardos de Roark ser extremamente grande e poderoso, o Gabite de Luke
ainda tinha a tempestade de areia à seu favor, tornando-o mais ágil com a capacidade de aplicar
um último golpe que finalizasse o dinossauro de Roark. Gabite pulou para próximo de seu
adversário e utilizou o Sand Tomb, Rampardos foi atingido pelo golpe e acabou ficando preso
dentro da armadilha, o que nocauteou dando um fim a luta.
— Rampardos está fora de combate! O vencedor é o desafiante Luke Wallers da cidade
de Twinleaf! — disse o juiz levantando a bandeira de Luke.
— Nós vencemos Gabite!! Obrigado Titânia, sem você não seríamos capazes de ter
vencido esta batalha!! — disse Luke pulando de alegria.
— Rapaz, tenho que admitir que fazia muito tempo que eu não me divertia assim! Foi
um imenso prazer batalhar contra você, e presenciar esta fantástica evolução, meus parabéns pela
luta! — elogiou o líder.
— Obrigado, Roark! Você também é um treinador cabuloso!!
113

— Só tome cuidado Luke, pois senti pouca confiança em seu Onix. Acredito que seja
melhor você treiná-la com mais carinho e determinação, se não você pode vir a perdê-la algum
dia. Sua Onix é um pokémon fantástico.
— Obrigado pelo conselho cara! Acho que fui um pouco egoísta acreditando que ela
venceria essa batalha sozinha. Tive sorte que meu parceiro Gible evoluiu na hora certa! — sorriu
Luke.
Roark abriu seu bolso pegando um pequeno objeto brilhante, aquela era a insígnia do
carvão, que só era dada aos treinadores que provaram vencer no ginásio de Oreburgh. Era a
primeira insígnia de Luke, e ver seu grande ídolo Roark entregando-o em suas próprias mãos era
como um sonho.
— É com muito prazer a que venho entregar-lhe a insígnia do ginásio de Oreburgh,
a Coal Badge! Parabéns Luke. — disse Roark abraçando o amigo.



O jovem trazia um sorriso que não cabia em seu rosto quando saiu do ginásio, ele
segurava a insígnia como se fosse o objeto mais precioso do mundo até que se encontrou com
Lukas e Dawn na saída. A garota parecia extremamente animada com a vitória, por outro lado, o
irmão não parecia nem um pouco feliz pelo fato de que Luke não os chamou para presenciar a
batalha.
— Criatura enrgúmena!! Eu queria ter visto a sua batalha de ginásio, e você nem nos
avisou!! — disse Lukas chacoalhando o irmão — Como a Titânia se saiu na batalha? Você
chegou a usá-la?
114

— Usei sim, e ela foi essencial, mas o importante é que eu ganhei cara!!— disse Luke
com um enorme sorriso em seu rosto.
— Fico feliz que tenha vencido o ginásio Luke! Pena que conseguimos pegar só o final,
eu queria ter visto desde o começo. — disse Dawn abraçando o garoto.
— Foi a melhor batalha da minha vida! Eu venci cara, nem tô acreditando!!
Luke esticou suas mãos para o céu levantando a insígnia que brilhava em sua mão, para
ele aquele objeto representava um passo a mais em busca de seu sonho.
— Parabéns pela vitória, Luke! Fiquei muito feliz, de verdade. — sorriu Dawn, dando
um beijo de leve no rosto do garoto que ficou sem reação.
— Obrigado Dawn... — respondeu Luke um pouco corado.

Luke acaba de adquirir sua primeira insígnia mesmo que conquistada com muito esforço.
Com a poderosa Titânia e o astuto Gabite no grupo, será que ele será capaz de continuar sua
jornada contra os líderes? Mesmo que vitorioso, aquela batalha mostrou que Luke ainda tem
muito a aprender. Próxima parada: Contests de beleza e o torneio de Lukas!



















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CAPÍTULO 11

Despedida da Cidade do Carvão!

Dawn abriu lentamente seus olhos ainda sonolentos, estava impossível dormir naquela
cidade, pois as máquinas trabalhavam a todo vapor. Visitantes reclamavam do barulho
freqüentemente, mas aqueles que moravam na cidade há mais tempo pareciam não se importar
mais.
A noite já havia acabado, era por volta de seis horas da manhã e a garota sentia que não
havia nem mesmo alcançado o sono profundo. Aquele seria um típico dia em que ela estaria de
mau humor, pronta para descontar toda sua raiva na primeira pessoa que aparecesse. Dawn
levantou-se da cama e dirigiu-se para o banheiro, ao olhar-se no espelho ela percebeu que seu
cabelo estava extremamente desarrumado o que colaborava cada vez mais para aumentar sua raiva.
Antes que Dawn pudesse explodir de raiva e destruir o espelho do hotel, ela pôde ouvir alguém
batendo lentamente na porta do quarto. A garota abriu a porta de modo estressado, o que acabou
assustando o garoto do outro lado.
— Melhor fazer silêncio, se não poderemos acordar os outros hóspedes... — sussurrou
Lukas — Bom dia Dawn, eu queria saber se você estava conseguindo dormir, é que essa cidade é
muito barulhenta. Eu não te acordei não, né?
— É da tua conta...? — respondeu ela de modo ignorante.
— N-Não... É que com o barulho das máquinas não estou conseguindo dormir, eu estava
pensando em dar uma saída e andar pela cidade, quem sabe treinar um pouco meus pokémons.
Você quer vir comigo...?
— Não. — respondeu ela de modo ainda mais ignorante, fechando a porta na cara do
inocente Lukas, que ficara sem reação.
— Ah... Tudo bem então... A gente se fala mais tarde.
Dawn sentou-se na cama e lançou seus dois pokémons para que pudessem tomar um
pouco de ar, logo de cara seu Piplup percebera que a dona estava de mau humor, mas preferiu não
dizer nada. Tudo que ela precisava era de um bom banho naquele momento, ela ligou o chuveiro,
retirou suas roupas e ficou por um longo tempo embaixo da água quente para tentar acalmar-se
um pouco.
116

— Puxa... Acho que fui um pouco grossa com o Lukas... Ele só queria companhia...
Garotos são um problema, eles não sabem lidar com mulheres de TPM... Hum, acho que vou
esperar o Luke acordar para depois procurar o Lukas... Se eu não pedir desculpas para ele irei
ficar com peso na consciência. — dizia ela, alisando seus cabelos negros embaixo do chuveiro. —
Até que o Luke é bonitinho... Não Dawn. Não comece a pensar nisso de novo...

O sol ainda escondia-se timidamente entre as montanhas no horizonte. Assim que saiu do
banho, a jovem desceu lentamente as escadas de madeira do Centro Pokémon, naquele horário
haviam apenas alguns senhores de idade acordados.
Fracos feixes de luz passavam por entre as persianas do restaurante, iluminando e dando
um lindo brilho às paredes do local. Apesar de pequeno, o Centro Pokémon era muito
confortável e atraente. Móveis de madeira davam um tom exótico ao local, as cadeiras e as mesas
eram muito bem decoradas com o café-da-manhã. Dawn terminou sua refeição e em seguida
subiu ao quarto dos irmãos para ver se Luke já havia acordado.
— Luke? — sussurrou Dawn batendo levemente na porta. — Luke? Está acordado?
Não houve resposta.
— Luke? Você está passando bem? — o garoto demorou tanto para sequer responder
que a garota logo começou a preocupar-se, chegando a pensar se o jovem tinha desmaiado ou
qualquer coisa do gênero. — Luke?! Houve alguma coisa??
— Que droga cara!! Não dá nem pra dormir sossegado?? — gritou o garoto de forma
rude, só então percebendo que se tratava de Dawn em sua frente — Caramba, eu não sabia que
era você Dawn... — respondeu ele, arrependido por ter gritado com ela, e em seguida percebendo
a triste feição na face da garota.
— Ah... E-Eu só queria saber se você estava bem... É que eu fiquei preocupada, pois você
não me respondia... — sussurrou ela um pouco sem graça.
— Agora já tô acordado mesmo, o que você quer?
— Não era nada não. Desculpa.
— Afe, agora você já me acordou, o que você queria? — respondeu ele novamente de
forma rude.
Dawn afastou-se lentamente da porta e desceu as escadas depressa quase que segurando
choro: — Desculpa, eu só queria saber se você estava bem...
— N-Não!! Maldição, o que foi que eu fiz?

117

O dia já havia começado conturbado para todos. Antes que a garota pudesse passar pela
porta de saída do Centro Pokémon, ela foi surpreendida por Luke que segurou em seu braço para
desculpar-se.
— Desculpa, eu não sabia que era você. — disse ele.
— Você devia tomar mais cuidado com o modo que trata as pessoas, ás vezes isso pode
machucá-las. — respondeu Dawn, virando seu rosto.
— Mas eu nunca responderia você daquele modo. Foi sem querer. — continuou ele.
A garota se soltou e olhou para o chão como se tentasse esconder algo, uma pequena
lágrima percorreu seu fino rosto. O que fez Luke fica totalmente sem graça. Ver mulheres
chorarem era o seu maior ponto fraco.
— D-Dawn... Me perdoa!
— Por que você é sempre assim tão arrogante? Me deixa em paz Luke. — respondeu ela,
saindo do Centro ás pressas.

• • •

Enquanto isso, Lukas estava tendo um bom dia de treinamento, seu pequeno Pachirisu e
seu Budew pareciam ainda mais graciosos lutando contra os fracos pokémons de um bosque nas
proximidades. O pêlo do esquilo branco revelava-se cada vez mais brilhante, enquanto que o
pequeno pokémon broto era mimado com vários elogios e frutos dos seus preferidos.
— Budew, essa foi demais! — disse Lukas, abraçando seu pokémon.
A pequena planta ficava cada vez mais alegre, seu Mega Drain conseguia manter sua
energia sempre elevada, pronta para mais um desafio. Lukas já havia esquecido o que Dawn
dissera há algumas horas atrás, e ele não era de guardar mágoas, mas por outro lado Luke culpava-
se por ter sido tão arrogante com a garota.
— Droga! Será que eu não consigo ser gentil nem que seja uma vez na minha vida?! —
gritava Luke irritado falando consigo mesmo. Por um momento ele observou a pequena insígnia
que ganhara no dia anterior, lembrando-se de como a garota fora gentil com ele na noite passada.
Dawn era a única pessoa que ele pediria desculpas, mesmo que ele estivesse errado seu orgulho
nunca permitia a pronunciasse tais palavras de forma sincera.
Luke vestiu-se mais apropriadamente e desceu as escadas do Centro Pokémon para
procurar mais uma vez pela garota. Ela jazia sentada no banco de uma pequena praça pouco
freqüentada, observando o suave movimento das poucas árvores da cidade.
118

— Então? Vai aceitar minhas desculpas? — perguntou Luke, sentando-se ao lado da
menina e cruzando os braços, sem mesmo olhar diretamente nos olhos da garota.
— Você está brincando, não é? Você foi muito arrogante comigo. — respondeu Dawn,
ignorando o jovem.
— Mas eu só estou pedindo desculpa porque é você...
— Então se não fosse eu você não pediria desculpa? Você acha que as outras pessoas não
têm sentimentos?
Luke pensou por um longo tempo para encontrar uma resposta, refletindo se o que ele
acabara de dizer fora certo. E no final das contas ele só acabava piorando sua relação com a
garota.
— M-Mas é claro que não! — respondeu Luke meio confuso.
— E por que você pensou tanto para responder? Argh! Me deixa em paz Luke!
— Não, agora espera um pouco Dawn! — gritou ele, segurando no braço da garota com
força, que imediatamente revidou com um tapa no rosto do jovem.
— Você é ridículo. — respondeu ela, deixando Luke sozinho na praça com a mão em
seu rosto.

Luke saiu de lá extremamente irritado, para ele sua parte já estava feita, pedir desculpas
era um desafio, e para melhorar a situação suas “desculpas” foram negadas. Quando um homem
briga com uma mulher, a primeira coisa que ele vai fazer é pedir a opinião de um amigo, e
ninguém menos que Roark, que no momento estava no Museu da cidade realizando uma pesquisa
na biblioteca. O líder pôde ouvir de longe as reclamações de Luke, entrando aos berros dentro do
museu.
— Shhhh!! Aqui é uma biblioteca Luke, não faça barulho!! — alertou o líder.
— Dane-se. Que raiva cara. Que raiva... — disse Luke indignado — Eu estou irritado,
preciso fazer alguma coisa que me acalme... O que 'cê tá fazendo mano?
— Estou tentando entender o motivo da evolução de meu Cranidos ontem, mas não
consigo entender... De qualquer forma, eu posso fazer isso outro dia. Aconteceu algo, meu caro?
— Aconteceu sim. Cara, mulher é uma criatura complicada! Quem ela pensa que
é?! Porra, ela deu um tapa na minha cara de bobeira, tá ligado?! E eu já pedi desculpas pra ela!! Eu
fiz o mais difícil e ela não aceitou! Que droga, eu odeio ela!
— De quem você está falando? — perguntou Roark confuso.
— Dawn... Uma garota que tá nos acompanhando na viagem.
— Espere um pouco, não quer explicar-me esta história direito?
119

Luke continuou a criticar a inocente Dawn, ele estava muito frustrado pelo tapa que
recebera e seu rosto ainda estava com uma mancha vermelha. Luke nunca pedia desculpas para
ninguém, pois seu orgulho nunca permitia tal feito.
— Que ódio cara... O que você acha que eu devo fazer? — perguntou Luke.
— Você vai ficar ainda mais bravo com o que pretendo dizer, mas eu acho que ela está
certa. — riu Roark.
— O quê disse?? — gritou Luke liberando faíscas pelos seus olhos.
— Luke, você já pensou na possibilidade dela simplesmente estar preocupada com você?
O jovem demorou em responder, pois estava mergulhado em seus pensamentos. Ele sabia
que Dawn só queria o melhor para ele.
— Pense comigo, mulheres são como fósseis... Elas são muito frágeis e podem quebrar a
qualquer momento, elas precisam de muito carinho e dedicação, pois são objetos raros e
preciosos. Acho que você tem que ir pedir desculpas para a Dawn. — aconselhou Roark.
— Meu Arceus! Tu tá comparando as mulheres com fósseis? — disse Luke — Anyway,
mas ela não aceitou minhas desculpas cara. Eu não vou pedir e novo.
— Não quero nem imaginar como você pediu essas “desculpas”. Olha, faça algo bem
romântico, leve flores para ela, eu garanto que ela vai gostar!
— Flores? Que coisa de gay, mas eu gostei da idéia. E se eu levar um cactus pra ela?? Ou
uma planta carnívora?? Daí ela morre de vez. — empolgou-se Luke.
— Hm, você tem um gosto peculiar para plantas... — riu Roark — Olha, eu não
conheço nada de flores, então eu o aconselho a pesquisar o significado de cada flor. Seria muito
legal se você levasse uma que significasse “perdão”, eu garanto que ela iria comover-se.
— Essa idéia foi genial cara!! Vou ir comprar uma flor e já volto! Obrigado aí amigão!!
— disse Luke, correndo para procurar uma floricultura.
Por sorte, na mesma praça em que estivera há poucas horas atrás havia uma aberta.
— Moça, eu quero uma flor bem bonita! — disse Luke animado.
— É para uma pessoa especial? Você quer que tenha algum significado mocinho? —
perguntou a atendente, encostando seus braços no balcão e olhando admirada o entusiasmo e a
beleza do jovem.
— Bom, é para uma garota... — respondeu ele meio encabulado.
— Então eu sei uma flor que será perfeita. Veja que Lírios lindos! São um pouco caros,
mas se é para garotas não podemos economizar, não é?
— Vai essa mesmo, tia! — animou-se ele, comprando o buquê de flores de imediato e
rapidamente retornando para o museu — Pronto Roark. Comprei lírios!
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— Nossa, você foi bem rápido. Eu estava aqui procurando alguns significados de flores,
mas percebi que eu realmente não levo jeito pra isso, não consigo entender nada que está escrito
nesse livro. Bom, agora é só entregar para a garota.
— Vai comigo parceiro?? — implorou Luke.
— Por quê? Se eu for eu só irei atrapalhar, você não quer que eu fique de vela, não é? —
riu Roark.
— Eu não sei o que falar cara, você precisa me ajudar! — implorou Luke.
— Tudo bem, tudo bem. Mas só desta vez...

Os dois partiram retornaram para o Centro
Pokémon, Luke segurou as flores em suas mãos e olhou
uma última vez para Roark que o encorajou a continuar.
Ele bateu bem de leve na porta do quarto de Dawn, que
atendeu e fez uma cara de desgosto ao ver o garoto.
— Oi, Dawn. — disse Luke animado.
A garota imediatamente fechou a porta na cara de
Luke que ficou extremamente irritado.
— Olha só Roark!! Eu disse que mulheres são
problemáticas! Deixa eu arrombar a porta e acabar com
ela!!
— Fique quieto, e continue conforme o
combinado. — falou Roark, que estava escondido em um corredor.
Luke bateu novamente na porta, mas desta vez Dawn fora mais boazinha com o rapaz
não fechando a porta em sua cara.
— Oi, Dawn.
— O que foi agora?
— Eu vim aqui para pedir minhas humildes e sinceras desculpas. — disse Luke com um
sorriso forçado.
— Você disse algo? Eu não ouvi direito. — debochou a garota.
— Estou pedindo desculpa.
— Eu ainda não entendi. — riu ela, encostando o braço na porta.
— Porra. Desculpa, Dawn!! Eu sei que eu fui um ridículo, eu mereci aquele tapa, eu fui
idiota, eu realmente peço seu perdão, do fundo de meu coração. Que droga, eu queria pelo menos
uma vez tentar ser gentil com você para retribuir toda a atenção e o carinho que você me fornece!
121

Dawn ficou sem reação ao ouvir todas as palavras que o garoto acabara de pronunciar
espontaneamente. Em seguida, Luke abaixou sua cabeça e entregou o buquê de lírios para a
garota. Dawn também ficara um pouco sem graça, pois ela não imaginava que o jovem fosse capaz
disso.
— Nossa, estes lírios são lindos Luke...
— Eles possuem o significado de perdão, que eu sinceramente peço para você neste
momento. Me perdoa Dawn? — disse Luke de modo romântico, lutando para lembrar-se das
falas que decorara com Roark. — Você me perdoa?
— Espere um pouco... Lírios significam “Perdão”? Heh, heh, heh... Não, não. Os lírios
possuem outro significado: Casamento! — riu Dawn.
— C-CASAMENTO?! — gritou Luke, pegando a flor das mãos de Dawn. — Eu
compro outra mano, a tiazinha da floricultura me enganou!!
— Não!! Eu fico com elas! — retrucou Dawn, pegando as flores da mão de Luke, e em
seguida fechando a porta do quarto.
— Estou me sentindo ridículo agora, cara. — disse Luke saindo correndo do Centro
Pokémon. Roark riu da cena, e encostou levemente sua mão na porta do quarto de Dawn.
— Você gostou das flores, não é? — perguntou o líder.
— Foi você quem deu a idéia? — questionou a voz de Dawn, vinda do outro lado do
quarto.
— Até foi, mas foi ele quem escolheu as flores, e o principal, foi ele quem decidiu
entregá-las. — sorriu ele.
— Obrigada por ter me ajudado...
— Boa sorte na sua vida amorosa Dawn, e a propósito, não se esquece de me convidar
para o seu casamento! — brincou Roark.
— Heh... Bobo... — riu Dawn com uma doce risada.
Ela apenas continuou sentada com as costas encostadas à porta, o que importava era que
aquele dia estava muito melhor do que imaginara. Ela observou os lindos lírios em suas mãos que
a lembravam do lindo jovem que as trouxera há poucos minutos atrás.
— Luke, seu bobinho... Mas é o meu bobinho... — sussurrou ela, fechando levemente
seus olhos com um belo sorriso estampado em seu rosto.

Luke continuava ofegante, ele agora estava sentado no sofá do museu, e Roark nem
mesmo conseguia olhar para sua cara de tanto rir. Era uma feição de surpresa e ao mesmo tempo
confusa. O líder sentou-se ao seu lado do amigo e colocou a mão no ombro do garoto.
122

— Parabéns campeão! Você conseguiu desculpar-se com a garota. Pelo incrível que
pareça você tem sentimentos. — brincou ele.
— Desculpar?? Eu passei o maior mico da minha vida cara! Acho que não vou nem
conseguir olhar pra cara dela depois disso! — respondeu Luke ainda assustado.
— Eu garanto que ela ficou muito feliz.Você fez o certo cara. — disse Roark — Ah, e a
propósito. Hoje de manhã eu esqueci de te dar um presente! — falou o líder, procurando por
algo em sua mochila, e em seguida retirando uma pequena pokébola — Já que você gosta tanto
de pokémons fósseis, eu queria lhe dar este pokémon de presente!
— Um pokémon fóssil? Assim tão de repente? Mas o que fiz para recebê-lo?
— Sei que você tem a determinação para tornar-se um excelente treinador. É um presente
meu, desse modo você vai sempre poder contar com uma força extra do meu time.
Os olhos de Luke brilharam e sem hesitar ele lançou a pequena pokébola que liberou um
pokémon rochoso, algo que ele nunca tinha visto pessoalmente. A criatura tinha uma cabeça
metálica muito dura que era como um escudo, seus olhos eram profundos e centrados. Assim que
lançado o pokémon fóssil se escondera atrás do líder ainda um pouco receoso, mas o sorriso de
Luke trazia segurança para o pequeno pokémon que logo aproximou-se do garoto, e após
examiná-lo, deitou-se em cima de seu colo para descansar. Era um pequeno Shieldon.
— É um pokémon fóssil de verdade! — disse Luke maravilhado — Nossa, com a
Titânia, o Gabite, e esse Shieldon no meu time, eu tenho certeza que ninguém vai conseguir me
vencer!! — disse Luke maravilhado com o pokémon.
— Espero que você cuide bem dele. Estou dando-lhe de presente pois percebi que você
se esforça para ser um bom treinador. Só peço que tome mais cuidado com sua Onix. Ela é muito
poderosa, mas você não tem total controle sobre ela. — disse Roark.
— Tudo bem. Obrigado cara, de verdade!
A noite logo veio. Lukas retornou para o Centro Pokémon em que descansaram a noite
passada, e lá se encontrou com os outros que estavam no refeitório para jantar e finalmente partir
da cidade de Oreburgh. Roark também estava presente, e Dawn trocava alguns olhares e risadas
com Luke.
— Lukas, eu queria desculpar-me por hoje de manhã! — disse a garota.
— Hum? Está falando do momento em que acordamos? Ah, nem precisa esquentar com
isso, aquilo não foi nada. Eu pensei que fosse eu que tivesse deixado você irritada! Hah, hah, hah!
Sem problemas Dawn. — sorriu Lukas, sentando-se na mesa com seus amigos — Mas como foi
o dia de vocês pessoal? Estou animado, eu aproveitei muito. Treinei todos os meus pokémons.
123

Luke olhou novamente para Dawn que
retribuiu o olhar e deu um sorriso, os dois se fitaram
por um instante e depois desviaram sua atenção
novamente. Luke corou, mas em seguida demonstrou
seu mais novo pokémon no grupo. Lukas
rapidamente apaixonou-se pelo pequeno Shieldon
que também parecia gostar do garoto.
— Nossa, esse Shieldon é muito legal! Com
ele no seu time você vai ficar ainda mais forte. —
elogiou Lukas.

Os quatro terminaram sua refeição e logo voltaram ao salão principal do Centro
Pokémon, eles conversaram por um tempo, mas logo a noite começou a cair. Lukas pretendia sair
de Oreburgh bem cedo no dia seguinte, então eles teriam que despedir-se de Roark ainda hoje.
— Pessoal, sempre que vocês precisarem de algo eu farei de tudo para ajudar! — disse
Roark.
— Você pode ter certeza que quando ouvir falar de mim eu já serei um treinador muito
melhor do que sou agora! E da próxima vez que lutarmos é bom você batalhar seriamente, ou
você não vai conseguir vencer esse meu Shieldon! — riu Luke.
— Já que você pretende batalhar em todos os ginásios e enfrentar a liga, acredito que
você vá encontrar-se com meu pai. — disse Roark.
— Seu pai? Qual o nome dele? — perguntou Luke.
— Byron, líder do ginásio metálico. Faz algum tempo que não o vejo, pois estamos
brigados há alguns anos. Mas desejo-lhe boa sorte em sua aventura, pois muitos outros
treinadores poderosos aparecerão no caminho!
— Obrigado Roark, pode sempre contar comigo também! Espero te encontrar em
minhas aventuras, e quando nós formos batalhar de novo eu estarei bem mais forte! — disse
Luke, abraçando o líder como bons e velhos amigos.

Com a ajuda de Roark, Luke conseguiu desculpar-se com Dawn e ainda ganhar um
pequeno Shieldon para seu time. Os jovens agora seguem de volta para a cidade de Jubilife para
que Lukas possa finalmente disputar no contest. A cidade de Oreburgh logo ficará para trás, e
apesar de todas as reclamações e brigas, aquela saudade começaria a bater. Quem sabe o destino
ainda faça Roark cruzar o caminho destes garotos?
124


Acompanhe o Fire Tales 1- As Aventuras do Dragão Guerreiro

Procure pelo nosso e-book dos Fire Tales e confira o episódio FT 1 para a estréia deste especial!
Enquanto a História Central progride, você pode acompanhar também a rotina dos Pokémons
com essa divertida leitura!
Este é um dos Especiais de maior sucesso no blog!

Os Fire Tales são formados pela equipe de Pokémons dos protagonistas do Aventuras
em Sinnoh, o nome deriva do costume de contar histórias em volta de uma fogueira, de forma
que os integrantes aos poucos passassem a tornarem-se mais unidos e assim serem mantidos por
seus fortes laços de amizade, que apesar das discussões e intrigas, demonstra que um completa o
outro. O especial é formado por uma série de contos e aventuras variadas sobre as inigualáveis
ocasiões em que os Pokémons se encontram; de um simples grupo, passaram a fundar uma guilda
e a seguir o ramo que todos os grandes guerreiros de Sinnoh traçaram.

















125

CAPÍTULO 12

Nunca Desistir

A cidade de Oreburgh já desaparecia atrás da enorme cadeia de montanhas no horizonte
conhecidas como Mt. Coronet. Lukas estava ansioso pelo início de seu primeiro contest, onde
poderia disputar torneios e entrar definitivamente para a liga oficial de Sinnoh, seguindo os
passos de sua mãe que era uma excelente coordenadora.
O dia estava belo e iluminado, deixando para trás o céu cinzento e poluído de
Oreburgh. Luke já estava eufórico para seguir rumo ao segundo ginásio e derrotar o líder, ele
tinha confiança em seu time e imaginava que poderia derrotar qualquer um com a força de
Titânia, Gabite e seu mais novo membro, Shieldon; mas agora ele deveria cumprir sua promessa e
retornar para Jubilife para o primeiro torneio de Lukas, que por sua vez, parecia mais calmo e
menos eufórico que o próprio irmão.
— Nossa cara, estou louco pra te ver nesse torneio. Imagina só cara? Vai ter um monte
de newbie e eu vou poder mostrar a MINHA Coal Badge! Morram de inveja meros mortais, eu
sou amigo do Roark, o mestre dos fósseis. — vangloriava-se Luke, imaginando mais os fatores
positivos para si próprio do que para o irmão.
— Tá bom Luke, já cansamos de ouvir seus comentários sobre sua vitória no ginásio de
pedra. Se você não guardar essa insígnia agora mesmo, eu vou ser obrigada a colocá-la num lugar
onde você nunca vai alcançar. — respondeu Dawn.
— V-Você me dá medo... — sussurrou Luke — É que eu não tenho onde colocar minha
insígnia, não tenho aquelas bagaças que guardam tranqueiras, tá ligado?
— Ué, deixa no bolso. — respondeu a garota.
— Cara, do jeito que eu sou esquecido se eu deixar no bolso eu perco ela num segundo.
E minha mochila é uma zona, nem eu sei o que tem ali dentro, tenho medo de abri-la... — riu
Luke.
— Já pensou em deixar com seu Gabite? Em minha pokéagenda dizia que os Gabites
adoram itens brilhantes para montar seus ninhos em cavernas. Ele poderia guardá-la
temporariamente, tenho certeza que estará mais seguro que com você. — explicou Lukas.
— Nossa mano, tu é um gênio! Gabite, saia! — disse Luke, lançando a Dusk Ball de seu
dragão azulado.
126

Luke sorria animado para seu pokémon, mas assim que Gabite saiu da pokébola ele não
parecia amigável, parecia sonolento e irritado por ter sido acordado, avançando imediatamente na
direção de Luke.
— AAAAI!! Sai da minha cabeça!! Tira ele, tira!! — gritou Luke desesperado — Fica
quietinho, falou? Olha Gabite, a parada é o seguinte, você pode guardar minha insígnia por um
tempinho? Só até chegarmos à Jubilife, é que eu confio em você e acredito que você guardará ela
melhor do que eu.
Luke sorriu amigavelmente para o dragão que encarou a insígnia por um tempo, em
seguida mordendo a mão de seu treinador com muita força.
— AIII!! Desgraçado, mordeu minha mão!! — gritou Luke.
— Vejo que você vêm criando um excelente vínculo entre treinador e pokémon... —
debochou o irmão.
— São só problemas técnicos cara, eu arrumo isso num segundo e... Cadê minha
insígnia?! — perguntou Luke, dando conta de que o pequeno objeto já não se localizava em sua
mão. O jovem encarou seu Gabite que o olhava sem reação. Ele temia imaginar o que havia
acontecido com sua adorada insígnia, mas acabou chegando a uma única conclusão:
— VOCÊ COMEU MINHA INSÍGNIA?! — gritou Luke apavorado.
Lukas e Dawn não conseguiam parar de rir, o próprio pokémon de Luke agora o
desobedecia e fazia as coisas contra suas ordens. Parecia que o treino excessivo fizera Gabite
tornar-se muito confiante, assim como seu treinador, fazendo-o pensar que ninguém podia
derrotá-lo depois da luta no ginásio de pedra. O dragão deu rápidos pulos para longe e sentou-se
em cima de uma pedra, coçando sua cabeça. Em uma das mãos ele tinha um par de óculos escuros
que provavelmente havia roubado de alguém, o dragão colocou-os em sua cabeça e tentou
adormecer. Seus eternos Blackglasses.
— Pense bem Luke, a insígnia estará num lugar bem seguro, e você nunca mais vai perdê-
la agora. Literalmente. Hah, hah, hah. — debochava Lukas. — Agora é só esperar a insígnia sair
por... outro lugar... Depois você pega, Luke.
— Cara, como eu vou mostrar minha primeira insígnia para as garotas? — reclamou
Luke, lançando um olhar ameaçador para seu Gabite — Sorte que você é meu
próprio pokémon. Gabite. É bom guardar muito bem essa insígnia seu desgraçado, se não vou te
assombrar a noite.
Sem que seu treinador percebesse, o pequeno Gabite mostrou uma caixinha preta
adornada em prata que guardava a insígnia de seu treinador. Parecia que o dragão era mais
inteligente do que aparentava, ele ainda amava seu treinador e não faria nada que fosse prejudicá-
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lo. Lukas e Dawn riram com a cena e retomaram seu caminho rumo à Jubilife. O primeiro torneio
se aproximava.

A metrópole de Jubilife novamente erguia-se a sua frente, o barulho da cidade grande
voltava a dar dores de cabeça em Lukas, que preferia locais calmos onde pudesse concentrar-se e
ler um bom livro. Já Luke sempre ficava maravilhado com lugares lotados e barulhentos, era
cômica a forma como os dois irmãos gêmeos eram tão opostos. Lukas rapidamente foi procurar
onde poderia inscrever-se para o contest, e para sua felicidade, o local já estava aberto e as vagas
estavam começando a serem preenchidas.
Lukas aproximou-se da mulher que atendia os iniciantes para fazer sua inscrição,
deparando-se com um grande problema logo na sequência.
— P-P-Por favor moça, eu q-quero fazer uma inscrição. — gaguejou ele.
A atendente deu uma leve risada com a timidez do garoto e na sequência entregou o
papel para Lukas que corou um pouco.
— Aqui está mocinho. — disse ela com um sorriso — Você será o competidor número
4, sua apresentação começará em uma hora e meia. Boa sorte garotinho.
Lukas saiu do local e deparou-se com Luke que ria sem parar da cena ridícula que o
irmão acabara de passar.
— Cara, eu não aguentei ver você gaguejando de novo. É muito comédia ver você sem
graça no meio de uma multidão.
— Como assim? — perguntou Dawn.
— É que o Lukas tem um probleminha com pessoas que não conhece, lembra? Quando
ele fica no meio de muitas pessoas, ou sob pressão, ele começa a gaguejar. É muito engraçado! —
riu o irmão.
— Não brinque com isso Luke, como ele vai apresentar-se hoje? O torneio estará repleto
de pessoas! Uma das características dos coordenadores é ter facilidade para falar em público, isso
pode vir a tornar-se um grande problema para o Lukas.
O garoto pareceu pensativo por um momento como se ainda não tivesse caído a ficha de
que ele estaria apresentando-se para centenas de pessoas em um torneio de grande
reconhecimento, podendo até mesmo aparecer na televisão caso conquistasse a vitória.
— NOOOOSSA!! Imagina só ele falando na televisão? Cara, vai ser muito engraçado!
Meu nome é Luk-k-k-kas. Hah, hah! — debochou o irmão novamente.
— Pare com isso Luke, é um problema sério. Como poderemos resolvê-lo? — perguntou
Dawn.
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— Eu não quero passar um vexame em rede nacional... Venha aqui Dawn, finja que você
está entrevistando-me para aparecer na televisão. — disse Lukas, trazendo Dawn para sentar-se
em um sofá. — Finja que você é uma repórter para que eu treine minhas falas.
— Tudo bem então, eu vou fazer o possível... — disse a garota — Estamos aqui com o
mais novo vencedor do Beginner contest de Jubilife. Lukas Wallers, da cidade de Twinleaf.
Como se sente sabendo que é o mais novo vencedor desse renomado torneio? — entrevistou ela,
fingindo ser uma repórter.
— Bom dia Dawn, sinto-me perplexo em saber que um simples iniciante, como eu, foi
capaz de vencer um torneio de tamanha importância em Sinnoh, é uma grande alegria e sinto-me
feliz por poder estar com vocês aqui... Espera um pouco... Acho que é isso, não sei mais o que
falar. — encerrou ele.
Dawn olhou-o confuso e tornou a falar:
— Ué, você não gaguejou agora Lukas. O que houve?
— Verdade, por quê será?
— Hum, acho que é porque a Dawn já é amiga nossa há um tempinho, e por isso você
não ficou com vergonha. Acho que poderíamos pedir para alguém desconhecido fazer esse teste.
— sugeriu Luke, aproximando-se de uma garota ruiva que estava de costas na arquibancada
fazendo sua inscrição — Ow garota, pode nos dar uma ajudinha aqui?
— Sem problemas, do quê precisam? — respondeu a garota entusiasmada.
Na sequência, Luke encarou-a por um tempo, como se aquele rosto já lhe fosse familiar.
— Eita, eu lembro de você! É a mina que tava sendo perseguida pelos Bidoofs há alguns
dias atrás na rota 202! — afirmou Luke.
— Oxi, eu sabia que já tinha visto você também! Seu nome é Luke, não é mesmo? —
sorriu ela — Você é o irmão daquele garotinho fofo chamado Lukas. Ele está aqui com você?
— Tá ali ó, é exatamente pra isso que a gente precisa de sua ajuda. Meu irmão tá com
uns problemas pra falar com pessoas que ele não tem muita afinidade, então será que você poderia
entrevistar ele? — perguntou Luke.
— Será um prazer! — respondeu Vivian, sentando-se em frente ao garoto.
— Lukas-kun!! Lembra de mim? Como você está? — perguntou ela animada,
rapidamente puxando assunto com o jovem.
— Vivian! Que bom vê-la por aqui, eu lembro você havia dito que estaria no torneio.
Que legal, acho que seremos rivais então, não é? — disse Lukas, revelando um grande sorriso ao
deparar-se com a amiga.
129

— Ele também não gagueja conversando com ela. Acho que ele só gagueja quando
conversa com mulheres bonitas... — comentou Luke bem baixinho.
— Pode até s... Ei, o que você quis dizer com isso?? Ele também não gaguejou comigo!!
— respondeu Dawn enfurecida.
— Opa, é mesmo. Esquece o que eu disse então. Você é caso a parte, entende? Só você é
exceção. — sorriu Luke um pouco receoso.
— Heh... Bobinho. — sorriu Dawn, acompanhando o sorriso do rapaz.

Lukas e Vivian conversaram por um tempo sobre como pretendiam fazer suas táticas nos
torneios, a garota aproveitou para dar algumas dicas ao jovem, pois ela já tinha experiência em
torneios de Johto. Enquanto isso, Luke e Dawn tomavam sorvete aguardando o início do
competição quando uma voz mecânica anunciou a entrada dos participantes.
— Inscritos no Beginner Contest do continente de Sinnoh, dirijam-se ao salão 3 e
preparem-se para suas apresentações dentro de dez minutos. Obrigada. — disse a voz.
O torneio estava para começar e Lukas parecia cada vez mais nervoso, enquanto Vivian
procurava acalmá-lo.
— Lukas-kun, você já melhorou bastante sua fala desde a última vez que nos
encontramos. Se você ficar nervoso, é só pensar que está conversando comigo. Tudo vai ficar
bem. — sorriu ela, tentando ajudar o amigo.
— Muito obrigado pela ajuda Vivian, você é muito especial para mim. Boa sorte no
torneio. — sorriu Lukas.
— Ooown, você é tão fofinho! Me dá um abraço de boa sorte!! — gritou ela no meio do
salão, abraçando Lukas e deixando-o extremamente corado — Só vamos sair daqui com o
primeiro e segundo lugar, entendeu? Que vença o melhor!

Centenas de pessoas aguardavam ansiosamente o início do torneio. Mesmo sendo
somente para iniciantes era uma temporada que prometia render bons resultados, principalmente
por revelar novos talentos que poderiam vir a tornar-se competidores profissionais. Lukas já
começava a cambalear com a quantidade de pessoas que o assistiam, ele não estava acostumado a
usar roupas chiques e para ele era estranho estar tão arrumado. Ele sabia que seus pais poderiam
estar assistindo a luta da televisão, e por isso ele precisaria caprichar.
Dentre os jurados estavam nomes muito reconhecidos; a doce enfermeira Joy de Jubilife
avaliaria o estilo e a moda utilizado por cada pokémon; enquanto um senhor de idade avaliaria o
ritmo e a dança de acordo com seus treinadores. Mas a verdadeira atração era a lendária Fantina,
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líder do ginásio fantasma de Hearthome, sendo que ela normalmente avaliava somente torneios de
Mestres, e nunca de iniciantes.



— Oh, mon chéri, eu odeio torneios de iniciantes, são todos tão bobos, sem graça e sem
emoção... Mas é a vida, recebo por fazer bem o que faço. É duro ser uma celebridade. —
comentou Fantina com seu jeito convencido de ser, logo em seguida iniciando a competição de
iniciantes de Jubilife. — Mesdames et Messieurs! Bem vindos à cidade de Jubilife. Eu sou
Fantina, e declaro aberto o torneio de hoje! Uma salva de palmas para nossos competidores!
Várias pessoas aplaudiam os participantes que entravam um a um no palco. Diversas
pessoas só estavam lá para ver Fantina, pois ela tratava-se de uma figura muito famosa no
continente de Sinnoh, e vê-la apresentando uma competição de iniciantes era uma experiência
única.
Lukas estava nervoso, mas ele não havia vindo até aquele ponto para desistir, ele lutaria
por sua primeira fita até o fim e jamais desistiria de seus sonhos, afinal, uma certa garota chamada
Vivian uma vez lhe dissera: Nossa maior fraqueza está em desistir. Mesmo que haja derrota, o
caminho mais certo de vencer é tentar mais uma vez.
O torneio estava iniciado, pouco a pouco os competidores estavam apresentando-se nas
primeiras categorias. Na parte de moda e estilo os iniciantes não mostravam sair-se muito bem,
pokémons sofriam com o mau gosto de seus treinadores, o que era evidente no olhar de Fantina
que não parecia nada feliz com o que estava vendo.
— Isto são iniciantes? Horribles, uma criança de três anos consegue escolher roupas
melhores que eles. — comentou Fantina, conversando bem baixo com a enfermeira Joy.
131

— M-Madame Fantina, são apenas crianças... A senhorita está acostumada a
avaliar Top Coordenadores... Concentre-se em avaliá-los como iniciantes, e seja verdadeira. —
respondeu Joy.
— Tudo bem, vou tentar ser verdadeira... Splendides, mes amours!! Próximo. — disse
Fantina sendo um pouco falsa.
— Ela nunca aprende... — riu Joy.

Parecia que as coisas não iam muito bem para os treinadores novos, mas de repente uma
estreante parecia ter atraído a atenção da líder de ginásio. Era Vivian, com um pequeno Spinarak
que parecia muito bem vestido com cores belas e acessórios bem selecionados, ela havia
conseguido uma boa nota com os jurados.
— Oh mon, parfaite!! Que charpe rosa L-I-N-D-O em sua Spinarak! Adorei seu estilo
menina, e seu pokémon é uma graça. Que venha o próximo, proches!! — disse Fantina
alegremente.
Vivian agradeceu o elogio e chamou Lukas para entrar no palco, ela piscou para o garoto
que se encorajou uma última vez antes de apresentar-se pra valer. Fantina encarou-o e revelou um
lindo sorriso para o garoto. Ela era realmente linda, tinha longos cabelos roxos amarrados em um
penteado moderno, seu rosto era perfeito e seu corpo parecia esculpido por deuses, vestindo um
enorme vestido brilhante.

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— Mostre-nos sua pequena perfeição. — disse Fantina, apoiando seu cotovelo na mesa
enquanto descansava sua cabeça sobre suas mãos.
Lukas suou frio, mas teve forças para mostrar seu pequeno Pachirisu vestido com lindas
roupas. Os acessórios eram perfeitamente combinados e as cores destacavam-se de acordo com o
tema determinado. Era simples e modesto, mas deixava o pequeno Pachirisu com um excesso de
fofura que fora um sucesso.
— Oh mon, que criaturinha F-O-F-A! Mas diga platéia, fofo mesmo é esse treinador
lindo da cidade de Twinleaf! Dêem uma salva de palmas para Lukas Wallers! — disse Fantina.
Uma multidão de fãs aplaudia, principalmente mulheres, enquanto Luke ria de seu irmão
e Dawn torcia para que nada saísse errado. Fantina era uma mulher linda, e ficaria ruim caso
Lukas gaguejasse em uma hora como aquela.
As notas na seção de beleza estavam dadas, no concurso de dança de um modo geral
todos os treinadores se saíram bem, principalmente Vivian. Mas agora vinha a fase mais difícil da
competição, numa espécie de batalha contra outros treinadores os competidores deveriam mostrar
força e experiência com golpes diversos. Eles deveriam ter perfeita sincronia entre treinador e
pokémon.
— Mes amours, estamos na rota final do torneio, escolham seus pokémons e preparem-se
para a última apresentação que muitas vezes determina o destino dessa rodada. — explicou
Fantina.
Lukas lançou seus três pokémons e pensou em qual poderia usar, Pachirisu havia se saído
muito bem na parte de beleza, e Budew havia dançado perfeitamente na parte de dança, deixando
apenas o pequeno Burmy de lado. Seu treinador estava extremamente em dúvida se devia usá-lo,
pois sabia que Burmy não sabia muitos golpes e ainda era um pouco atrapalhado.
— Olha Burmy, estou pensando em usar o Pachirisu, quem sabe você fica pro próximo
torneio? — disse Lukas tentando ser gentil com o pokémon, mas a tristeza no rosto do pequeno
Burmy era evidente, e Lukas detestava ver seus amigos tristes — Tudo bem então, eu confio em
você assim como confio em meus outros pokémons, vamos vencer essa rodada! — disse ele
entusiasmado.
Assim que Lukas entrou no palco com Burmy, Luke e Dawn levantaram-se em sinal de
espanto, não havia motivo para ele escolher um pokémon tão ruim, a menos que quisesse perder
na última fase da competição.
— Burmy?? Ele tá louco? Quer perder nas finais?? — gritou Luke.
— Espere um pouco Luke, talvez ele tenha um plano, não vamos julgar o pequeno
Burmy só porque ele aparenta ser fraco. — disse Dawn.
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— Ele é um idiota mesmo... Não sei se vejo essa derrota ridícula...
Lukas estava confiante de seu pokémon, Vivian trazia consigo uma grande Vespiqueen
que parecia ter experiência em torneios, enquanto os outros treinadores tinham os mais diversos
pokémons dispostos a ganharem suas primeiras competições.
— Bom, estamos com um número equivalente de homens e mulheres, então quero que os
garotos olhem para as garotas que estão a sua direita, pois serão elas que batalharão com vocês
agora. — afirmou Fantina.
Lukas olhou para seu lado direito e encontrou ninguém menos que sua amiga Vivian,
pronta para uma batalha nas finais do torneio.
— EBA! Vou batalhar com você Lukas-kun!! Que felicidade!! — disse ela com seu rosto
alegre de sempre.
— Vamos caprichar na apresentação e deixar os jurados boquiabertos, que vença o
melhor Vivian! — assentiu ele.
Cada um dos competidores se preparou e ordenou que seus pokémons lançassem seus
golpes em sincronia. Lukas era um dos favoritos, seu charme e simpatia já havia conquistado a
admiração da platéia e dos jurados, principalmente da líder Fantina.
— Diga-me Joy, esse garotinho chamado Lukas. Ele é uma graça, não é mesmo? —
sorriu a líder.
— Fantina! Não é hora de dar em cima dos competidores, concentre-se em avaliá-los!
— Dammit, não posso nem me divertir um pouco... Comecem as apresentações!
O Burmy de Lukas parecia chamar atenção com seu Hidden Power que era um mistério
cada vez que lançado, despertando uma certa admiração por parte dos jurados, enquanto a
Vespiqueen de Vivian lançava golpes belos que por sorte combinavam com os de Burmy, dando
destaque à dupla que ganhava muitos aplausos.
Porém, em um determinado momento Burmy já não tinha como inovar, seus golpes
eram repetitivos e começavam a enjoar, Lukas precisava de uma nova tática ou perderia aquele
torneio. Algumas pessoas reclamavam pelo fato de que os ataques já não eram tão belos, o que
deixava o pequeno Burmy extremamente chateado.
— Vamos lá Burmy, utilize o... Tackle novamente... — disse Lukas receoso.
— A repetição de golpes renderá notas negativas, será que essa seria uma boa escolha para
o estreante Lukas? Ou será que seu pokémon não tem mais escolhas? — dizia um dos jurados.
A pressão começava a cair sobre Lukas, ele sabia que se ficasse sob pressão ele começaria
a gaguejar, o que seria ridículo para aquele momento, mas depois de tudo que eles passaram ele
sabia que ainda não era hora de desistir. Até o pequeno Burmy perdia as esperanças e sentia-se
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como se tivesse acabado com os sonhos de seu treinador, mas Lukas ergueu seu rosto e sorriu
para o pokémon.
— Vamos mostrar para eles como se dá um verdadeiro espetáculo, pois eu tenho os
melhores pokémons do mundo, e não vou desistir. Você é o melhor Burmy, vamos lá!! — disse
ele com um sorriso.
O pequeno Burmy sentiu uma enorme felicidade em seu coração, pois não imaginava que
seu treinador o amava tanto, e com muita determinação o pequeno broto foi envolvido em uma
luz branca, até que duas enormes asas surgiram em suas costas.
De dentro do manto de folhas surgiu uma bela mariposa de asas grossas e um olhar
penetrante, era seu mais novo Mothim. A evolução do pequeno pokémon trouxe muitos aplausos
e a admiração de todos os jurados, até mesmo Fantina ficara surpresa com a evolução da pequena
criatura que agora parecia ainda mais renovada e pronta para fazer combinações com a
Vespiqueen de Vivian.
— Vespiqueen, lance o Power Gem!
— Mothim, utilize o Confusion nas pedras e faça um show!
O torneio terminou com aplausos de todos os telespectadores e até mesmo dos
jurados, flashes de câmeras podiam ser vistos no salão com uma grande notícia: Treinadores
iniciantes dão um show em seu primeiro torneio.
Lukas estava extremamente feliz, aquela fora uma batalha fantástica e com a ajuda de sua
amiga, os dois haviam passado das expectativas. Em seguida, Fantina reuniu todos os
competidores no palco para anunciar os resultados.
— Mesdames et Messieurs ,os jurados já determinaram quem deve vencer, e também já
computamos os votos do público. — disse Fantina.
— Vocês determinaram que Lukas deveria ganhar esse prêmio, mas os jurados deram
notas maiores para Vivian por apresentar mais experiência e competência com seu pokémon nesta
última fase. Vivian também mostrou destaque na categoria de dança e moda, então digamos que
houve um empate até o momento. — disse um dos jurados.
— Parfaite. Agora cabe a mim decidir o vencedor dessa fantástica disputa. — disse
Fantina, hesitando em responder por alguns segundos para um maior suspense entre os
telespectadores — A vitória é sua, pequeno Lukas.
Vivian pulou no colo do amigo quando ouviu a notícia, foi como se ela mesma tivesse
levado a vitória. Lukas não tinha reação, não sabia se chorava de alegria ou se era apenas um
sonho. Parecia que ele havia ganhado a maior disputa de sua vida. E de fato, era um passo a mais
em busca de seu maior sonho: Ser um Top Coordenador.
135

Todos comemoraram e logo chegou uma moça carregando um microfone, pronta para
entrevistar o mais novo vencedor do torneio.
— Estamos aqui com Lukas Wallers, filho do campeão Walter Wallers e da lendária
competidora Melyssa. Ele é o mais novo vencedor do contest de Jubilife que foi dito como uma
das grandes revelações da temporada. Pelo visto esse garoto continua seguindo os passos de sua
mãe que foi uma renomada competidora em sua temporada. Lukas, como se sente sabendo que é
o mais novo vencedor dessa competição? — perguntou a entrevistadora.
Lukas olhou para a linda moça e não soube o que responder, ele sabia que aquela não era
à hora de dar uma gafe ridícula como gaguejar. Mas de relance ele pôde ver Vivian que o
observava confiante, pois sabia que o amigo daria uma ótima entrevista. “Se você ficar nervoso é
só pensar que está conversando comigo. Tudo vai ficar bem.”
— Bom dia, sinto-me lisonjeado em saber que um simples iniciante como eu foi capaz de
vencer um torneio de tamanha importância em Sinnoh, é uma grande alegria e sinto-me feliz por
poder estar com vocês aqui hoje. Foi uma batalha difícil, mas acima de tudo devo-a aos meus
grandes amigos que nunca me abandonaram. Oh sim, eu queria dedicá-la ao pequeno Mothim e
meus outros pokémons, sem eles eu não seria nada! Uma vez uma amiga me disse que “Nossa
maior fraqueza está em desistir. E mesmo que haja uma derrota, o caminho mais certo de vencer é
tentar mais uma vez.” Aguardem minha presença nos próximos torneios, este foi apenas meu
primeiro passo em busca de meu sonho. Obrigado.
— Obrigada Lukas. Esta pode ser apenas a primeira fase de um futuro próspero desse
garoto, será que ele seguirá o mesmo caminho que seus pais? Tenham um bom dia, aqui quem
fala é Stela Williams, para a TV Pokémon. — encerrou a mulher.
As belas palavras do garoto foram aplaudidas por todos, Luke e Dawn desceram para o
encontro do jovem que comemorava a vitória. Fantina foi até o palco e entregou uma linda fita
para Lukas. Ele havia vencido seu primeiro torneio, e este era um passo a menos em busca de seus
sonhos.
— Mandou bem, hein pivete. Pelo visto você leva jeito com as palavras. — disse o irmão.
— Arrasou Lukas-kun!! — continuou Vivian.
Enquanto os amigos do garoto o parabenizavam pelo feito, Fantina aproximou-se de
Luke e apoiou sua mão no ombro de menino, encarando-o nos olhos que não se desviam nem por
um instante.
— Eu nunca tinha visto uma apresentação tão excelente entre iniciantes, você poderia até
mesmo ter surpreendido em torneios de veteranos! Quero você competindo em minha cidade
daqui a algumas semanas, estarei te esperando! ♥ — sorriu Fantina.
136

— Eu não sou o Lukas não, moça. Eu sou o irmão gêmeo dele, meu nome é Luke. —
disse o garoto sem reação pelo erro cometido pela líder que ficou extremamente sem graça.
— Oops, ma faute. Hoh, hoh, hoh! — riu Fantina.
Lukas riu com a gafe cometida pela mulher, mas logo em seguida agradeceu os elogios
que a veterana lhe fizera.
— Muito obrigado senhorita Fantina, pode ter certeza que estarei na próxima
competição em sua cidade. Espero encontrá-la logo. — respondeu Lukas.
— Vocês dois são garotinhos muito educados... E eu também notei algo de especial em
vocês quando vi seus nomes completos. Por um acaso são filhos dos Wallers? — perguntou
Fantina.
— Sim, são nossos pais, você os conhece?
— Claro, o senhor Walter é um homem muito charmoso, assim como seus filhos. A mãe
de vocês era minha rival em torneios. — riu Fantina — Diga que mandei um grande beijo para
eles, fofinhos. Nós ainda nos veremos!
Luke, Lukas, Dawn e Vivian saíram do salão deixando a líder para trás, Fantina ficou
observando o grupo afastar-se cada vez mais, como se já estivesse ansiosa por seu próximo
encontro.
— Esse Lukas é muito fofo, mas acho que me apaixonei pelo irmão dele, o Luke. Ele tem
o mesmo olhar de determinação que seu pai. Ainda vamos nos encontrar no futuro, mocinho.
Esteja preparado. — sorriu ela — Oh mon, quantos anos esses garotos têm mesmo?
— Eles têm apenas trezes anos, Madame Fantina... — disse a enfermeira Joy.
— Treze...? Não tem problema, eu espero! ♥ — riu ela.

Lukas conseguiu sua primeira vitória no torneio de iniciantes com a ajuda de Vivian.
Com seu mais novo integrante, Mothim, seu time fica mais forte e preparado para novos desafios.
O amor por seu pequeno pokémon fizera com que ele evoluísse e desse um verdadeiro show em
frente aos jurados. Mas será que da próxima vez ele terá tanta sorte? Os torneios são repletos de
adversários poderosos, e a cada nível que ele passar treinadores mais fortes irão surgir.
Agora parece que o futuro reserva algo entre Luke e Fantina. Com seu objetivo em
Jubilife terminado, os jovens agora partem rumo à Eterna City para a segunda Gym Battle de
Luke. Mas será que mesmo com seus pokémons desobedientes ele será capaz de derrotar o líder?
Tudo isso e muito mais nos próximos capítulos.

137

— Essa Fantina tá dando em cima de você, Luke. Vai deixar?? — perguntou Dawn
irritada segurando no braço do garoto.
— Tá nada, é só impressão sua. Por quê? Você ficou com ciúmes? — provocou o garoto.
— N-Não... É q-que... Ah, ela é muito velha pra você. É bom você se comportar
direitinho, Senhor Luke, se não eu vou ser obrigada a te colocar na linha.
— Colocar na, o quê?? — respondeu Luke sem entender o motivo pelo qual Dawn estava
tão agarrada em seu braço. Seria isso paixão?



























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CAPÍTULO 13

Desobediência Pokémon!

Uma nova manhã erguia-se bela ao som do piado de pequenos Starlys. Os jovens agora
pareciam chegar à rota 204, um caminho naturalmente encantador, coberto por pequenos lagos e
bosques do passado. Exatamente no centro dessa rota existe uma caverna conhecida
como Ravaged Path, que separava a planície na parte do norte e no sul.
Os jovens agora caminhavam na companhia de Vivian, que acompanhava o grupo até sua
próxima parada na cidade de Floaroma. Enquanto isso, eles acampavam próximos à um bosque
para fazer um rápido almoço e poder então seguir até o destino desejado. Lukas permanecia
embaixo da sombra de uma grande árvore lendo calmamente um livro, enquanto Luke observava
Dawn tentar cozinhar alguma coisa em uma fogueira improvisada, mas eles não pareciam ter
muito sucesso.
— Nem miojo você sabe fazer Dawn? Isso tá parecendo uma papinha mano, acho que
você deixou o miojo muito tempo na água quente... Eu disse que você devia ter tirado aquela
hora!! — disse Luke.
— Desculpa, é que eu nunca soube cozinhar muito bem... — desculpou-se ela meio sem
graça.
— Eu lembro cara... Principalmente das batatas marrom glacê que você queimou lá em
casa quando nos conhecemos. — riu Luke, lembrando-se do ocorrido episódio das batatas
gratinadas.
Dawn segurou a panela com um olhar de tristeza e provou, percebendo que o gosto
realmente não era dos mais agradáveis. Mas ela não estava disposta a desperdiçar comida, uma vez
que odiava esse tipo de ação.
— Joga fora esse miojo Dawn, nem dá pra comer...
— J-Jogar fora? Será que nenhum pokémon iria querer provar? É que eu não gosto de
jogar comida fora, tem tanta pessoa passando necessidade e a gente aqui desperdiçando... —
comentou a garota com um olhar chateado até que Vivian aproximou-se dos dois.
— O que vocês estão fazendo? — perguntou ela animada — Cozinhando? Oh, por
favor, deixem uma verdadeira expert na cozinha, pois eu sou a melhor cozinheira que o mundo já
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viu! — vangloriou-se Vivian, pegando em seguida uma panela para começar a preparar um novo
miojo.
Passados alguns minutos a comida já estava pronta, Vivian colocou algumas plantas
estranhas em cima do macarrão que agora parecia uma verdadeira salada de frutas. Luke provou
do alimento e no mesmo momento fez uma cara de quem não havia gostado.
— Bleergh... Isso não têm gosto de nada, parece puro azeite! Mano, e você ainda acabou
com o único azeite que a gente tinha guardado. — reclamou Luke — Azeite é muito ruim cara,
só fica bom quando coloca sal e come com pão.
— Perdoe-me Vivian, mas acho que você deve ter errado alguma coisa no tempero, pois
não tem gosto de nada. — disse Dawn, tentando não chatear a amiga.
— E-Errei no tempero?? Como isso? Aaaaw... Desculpe-me, eu também nunca soube
cozinhar direito, mas eu sempre ouvi todo mundo falar que cozinhar miojo era fácil, então achei
que eu poderia tentar fazer também... — disse Vivian, provando de sua própria comida que
estava com um gosto horrível — Aaaugh! Credoo!! Oxi, fui eu que cozinhei essa bagaça mesmo??
— Cara, eu não me ofereço pra cozinhar porque eu nunca soube nem ligar o fogão...
Bom, a gente pode comer umas frutas ou, sei lá. A gente pode transformar o miojo em
salgadinho. É só pegar o saquinho, socar ele, tacar o tempero, chacoalhar, e comer o resto. Já
tentaram fazer isso? — riu o rapaz.
— Não dá idéia Luke... Tem gente aqui que não bate muito bem da cabeça. — disse
Dawn, vendo Vivian socando os pacotes de miojo para comer em forma de salgadinho.
— Ow, ficou muito bom mesmo! Tenta experimentar Dawn! — disse Vivian,
oferecendo o alimento para a amiga — Esse temperinho do miojo deve ter algum segredo, é bom
demais!!
Lukas apenas observava os amigos enquanto ria, vendo os três se matarem para cozinhar
um simples miojo. Ele levantou-se lentamente e andou em direção da fogueira para tentar
preparar algo para seus amigos.
— O papai é um ótimo chef de cozinha Luke, assim como a batian. Você deveria ter
ficado mais ao lado deles para aprender a cozinhar algumas coisas... — sorriu Lukas enquanto
abria os saquinhos de miojo para começar a prepará-los.
Lukas esperou a água aquecer e então colocou o alimento dentro, em seguida abrindo sua
bolsa e procurando alguns temperos que pudesse usar. Pelo menos no cheiro ele estava acertando,
até mesmo alguns pokémons pareciam se aproximar do acampamento pelo ótimo aroma que era
exalado da panela. Ao terminar, Lukas pegou alguns pratos e serviu para seus amigos que
provaram do alimento.
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— Cara, ficou muito bom!! Nem eu sabia que você tinha aprendido a cozinhar. —
elogiou Luke.
— Está divino! A partir de agora você poderia ser nosso cozinheiro oficial. — riu Dawn.
— Parabéns Lukas-kun, a comida ficou ótima! Eu sabia que você cozinhava bem. Já dá
até pra casar. — brincou Vivian, enquanto provava mais um pouco do alimento.
— Puxa, obrigado pessoal. Tudo que eu fiz foi usar alguns temperos diferentes. Estou
pensando em procurar algumas berries para criar novos gostos. Isso que o miojo é a comida mais
fácil de preparar, assim que tivermos a oportunidade eu prepararei um verdadeiro banquete pra
vocês! — sorriu Lukas.
— Ow, mas agora o que vamos fazer com esses três pacotes de miojo estragado? Acho
que nem os pokémons vão querer o miojo queimado da Dawn. — riu Luke — Ah, espere aí. Eu
sei alguém que vai adorar comer isso. Gabite, vai!



Luke lançou seu Pokémon dragão que parecia satisfeito em poder sair um pouco de sua
pokébola, a criatura espreguiçou-se e esperou as ordens de seu treinador, que apontou para os
restos de miojo em uma panela ao lado. Gabite não pensou duas vezes e rapidamente devorou
todos os miojos queimados.
— Eita porra, esse bicho deve ter umas Ascaris lumbricoides no estômago. Eu não pensei
que ele iria levar a sério o papo do miojo. — riu Luke, vendo seu pokémon dragão morder a
panela de alumínio. Porém, parecia que nem mesmo Gabite queria comer a “salada” criada por
Vivian.
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— Vivian, acho que nem o Gabite quer o seu miojo. — riu Dawn.
— Oxi, será que ficou tão ruim assim?
Lukas provou do alimento e não fez uma cara muito agradável, parecia que Vivian tinha
exagerado na quantia do azeite e tinha se esquecido de colocar os temperos no alimento.
— Não fique triste Vivian, acho que meus pokémons iriam adorar a comida que você
fez! Principalmente porque eles são do tipo grama e inseto. Mothim, Budew, Pachirisu!! Vai!
Lukas lançou todos seus pokémons que pareciam bem alegres com o ambiente. De fato, o
sol brilhava intensamente, o que fazia daquele momento um ótimo dia para que os bichinhos se
divertissem nos campos. Dawn também jogou seu Piplup que rapidamente aproveitou para
refrescar-se nas lagoas próximas, assim como Machop. Enquanto Luke também aproveitara para
lançar seu mais novo Shieldon, para que eles pudessem se conhecer melhor.



— Ei, e aí amigão! Eu sou seu novo treinador, meu nome é Luke! — disse o jovem,
conversando com seu pequeno Pokémon fóssil.
O Shieldon parecia receoso em conhecer seu novo mestre, sua personalidade era um
pouco tímida o que o deixava extremamente envergonhado, mas diferentemente dos outros
pokémons que corriam alegremente entre a grama, a criatura andou lentamente até a sombra de
uma árvore e lá permaneceu por um longo tempo mantendo a vigia do local.
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— Seu Shieldon parece bem calmo, não é Luke? Diferentemente do seu Gabite que não
pára quieto.— disse Vivian.
— É sim, ele será de grande ajuda no time, porque no momento estou tendo alguns
problemas com meu Onix... — comentou Luke, olhando para uma pequena pokébola em sua
mão até que ouviu o grito de seu irmão:
— LUKE!! Seu Gabite engoliu minha Budew!! Manda ele jogar fora!! — gritou Lukas.
— AAAAAH!!! Gabite!! A Budew não é sobremesa pra você comer depois do almoço, se
quiser comer salada come o miojo da Vivian, porra!! — gritou Luke, fazendo seu dragão cuspir o
pokémon e sair de lá irritado.
— Buuuuuuuuuuudeeeeewww..... — sussurrou o Pokémon aliviado, saindo de lá
chorando em direção do colo de seu treinador que o acolheu. Logo em seguida Pachirisu
repreendeu Gabite, por algum motivo o esquilo parecia ser um dos poucos Pokémons que
conseguia controlar o dragão. Até mesmo Luke começava a ficar preocupado com a
desobediência das criaturas.
— Nossa, eu não consigo controlar meus Pokémons Vivian, o que eu posso fazer? —
perguntou Luke.
— Sabe, acho que do mesmo modo que você, eles são muito confiante de sua própria
força. Para ganhar respeito com pokémons de nível avançado você precisa obter várias insígnias,
desse modo seus pokémons perceberão que você tem experiência e irão passar a obedecê-lo.
— Compreendo. Vou me esforçar. — assentiu o garoto.

O Mothim de Lukas voava alegremente pelos ares enquanto Pachirisu e Piplup se
divertiam no solo. O pequeno Budew agora se refrescava nas lagoas enquanto o astuto Gabite
cavava buracos no chão para esconder-se do intenso sol que fazia. O Machop de Dawn também
estava nas redondezas ajudando sua dona a arrumar os preparativos do acampamento, pois eles já
estavam de saída. De repente, um pequeno garoto aproximou-se do grupo e apontou para Luke
desafiando-o para uma batalha.
— Você é o garoto que passou outro dia na Tv enfrentado o Roark no ginásio de pedra!!
Eu te desafio para uma batalha!! — gritou o garotinho, apontando para Luke com seu dedo
indicador.
— Demorô, tô precisando mesmo de uma batalha pra me aquecer pro próximo ginásio!
— disse Luke confiante.
— Deixe-me ver sua Coal Badge para saber se era realmente você. — disse o garoto.
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— Minha insígnia? Tem que ser agora? Digamos que ela não esteja “disponível” no
momento... — comentou Luke furioso, olhando para seu Gabite e pensando que a insígnia agora
jazia em seu estômago.
— Tudo bem então. Vamos lá Luxio, eu escolho você!! — disse o garotinho, lançando
seu pequeno Pokémon que parecia bem treinado.
Pequenas faíscas podiam ser vistas sendo exaladas do rabo do leãozinho, a criatura parecia
confiante e disposta a derrotar seu adversário, assim como seu treinador. Luke apenas encarou o
garoto percebendo que ele tratava-se apenas de um iniciante ingênuo, e mesmo que sua própria
jornada não tivesse começado a muito tempo, ele sabia que tinha muito mais experiência.
— Titânia, pega leve com ele... — disse Luke, lançando a pokébola da enorme serpente
de rocha.
Titânia não parecia muito alegre por estar em uma batalha, ela encarou o Luxio indefeso
que quase desistiu da batalha só por ver o tamanho da gigantesca serpente. Titânia encarou seu
treinador com raiva e tornou a dizer de modo que só ele ouvisse.
— Continua trazendo-me para essas batalhas inúteis? Eu já lhe disse, só me chame
quando for extremamente necessário e quando meu inimigo seja equivalente ao meu nível. —
disse a serpente de pedra.
— Ah, vamos lá Titânia, é só uma batalha rapidinha! Olha, pega leve com o Luxio e
toma cuidado pra não machucá-lo, tá bem? — sorriu Luke.
— Que seja. Earthquake. — disse a Onix, levando seu gigantesco corpo contra o chão
que atingiu o solo causando um rápido e poderoso terremoto.
O Luxio do garoto fora derrotado no mesmo instante, até mesmo Luke caiu no chão com
o impacto da força daquele golpe. O garoto desafiante recolheu seu Pokémon e saiu correndo de
lá aos choros.
— Seu monstrooo!! Nunca mais quero batalhar com você!!
— Obrigado pela batalha cara, volte sempre. — disse Luke com certa ironia, mas ainda
assim satisfeito com o resultado da batalha — Valeu Titânia, você detonou com aquele Luxio. Só
acho que não precisava ter usado seu golpe mais forte.
— Eu não usei meu golpe mais forte, eu fiz o possível para não machucá-lo. — riu a
serpente — Ouça, essas rotas só possuem treinadores iniciantes, tente treinar seus outros amigos,
o Gabite ou o Shieldon novato. Eu não preciso de treinamento, sei virar-me sozinha. —
continuou Titânia.
— É que eu acho que nós deveríamos conversar mais, sabe, sermos mais amigos, essas
coisas...
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— Que seja... Treine seus outros pokémons e esteja preparado para o próximo
ginásio. — respondeu a serpente, retornando automaticamente para sua própria pokébola.
Lukas e os outros observavam a conversa, e mesmo que não entendendo o que eles
conversavam, eles puderam notar a tristeza estampada no rosto de Luke.
— Confiante igual ao treinador... — comentou Lukas.
— Acho que a Titânia é um Pokémon muito poderoso para o Luke, ele realmente deve
tomar cuidado quando for escolhê-la para batalhas. — explicou Dawn.
— De qualquer modo, obrigado Titânia. Eu a considero uma grande amiga. Pelo menos
eu tento... — disse Luke, olhando para sua pokébola e sendo consolado por seu Gabite que estava
sentado ao seu lado. O pequeno dragão achou que aquela fosse a hora perfeita para mostrar o
porta insígnia que guardara para seu dono. Luke arregalou os olhos ao perceber que seu Pokémon
guardara fielmente sua amada insígnia.
— MALDITO, DESGRAÇADO!! Me enganou esse tempo todo!! — gritou Luke,
saindo correndo atrás de Gabite.
— Heh, heh... Essa é a forma dele de agradecer? — riu Vivian.
— Do jeitinho dele, mas é sim. — sorriu Dawn.

E pelo incrível que parecesse, Luke decidira deixar suas insígnias com Gabite, uma vez
que elas estariam mais seguras com o dragão do que com ele próprio. Depois da rápida batalha,
os joven seguiram pela pequena caverna conhecida como Ravaged Path.
Com ajuda do Rock Smash do Shieldon de Luke, eles foram capazes de destruir algumas
pedras que estavam no caminho e seguir até Floaroma. Luke mais uma vez batalhara com alguns
treinadores, mas dessa vez ele não usara Titânia, concentrando seus treinos em Shieldon que
ganhara a pouco tempo em sua jornada Lukas também batalhara com uma garota e vencera, sendo
que agora seu Mothim havia tornado-se poderoso e seu Pachirisu melhorava cada vez mais.
Finalmente, Floaroma Town estava em sua frente, a cidade exalava um doce perfume
vindo das milhares de flores espalhadas no chão. Mulheres lindas andavam pelas ruas, pois aquela
cidade era conhecida tanto pela beleza do local quanto pelas pessoas que lá moravam. No centro
da cidade havia um pequeno shopping que era mundialmente conhecido por produzir perfumes
e berries dos mais diferentes tipos.
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Lukas estava ansioso para ir até o local e comprar algumas berries para que pudesse
preparar novos temperos por sempre ter gostado de cultivar esse tipo de planta quando criança.
Luke e Dawn foram até o Centro Pokémon para recuperar seus pokémons enquanto Lukas e
Vivian seguiram até o shopping para uma rápida visita.
Assim que eles chegaram ao local, Vivian parecia já conhecer grande parte das mulheres
que lá trabalhavam, pois todas ficaram muito contentes quando avistaram a garota.
— Vivian, já voltou? Como se saiu no torneio de iniciantes em Sinnoh? — perguntou
uma linda moça de cabelos loiros e olhos esverdeados.
— Ah, eu perdi para o meu amigo, então vou ficar aqui na cidade até o torneio da
semana que vem. Lydia-san, este é o amigo fofucho que me deu uma surra na competição.
Apresente-se, Lukas-kun! — disse Vivian contente, apresentando o garoto que ficara um pouco
sem graça no meio de tantas mulheres.
— Ooown, Vivian-chan, é o seu novo namoradinho? — perguntou uma das atendentes.
— N-Não!! — sussurrou Lukas meio sem graça.
— Ele é só meu amigo mesmo, por enquanto. — sorriu ela — Mas então, viemos aqui
para comprar algumas berries, sabe, o Lukas adora cozinhar, e por sinal cozinha muito bem!
— Verdade?? Nossa, que garotinho fofo. Já dá até pra casar, hein! — brincou uma das
garotas, fazendo Lukas corar ainda mais.
— Lukas-kun, aqui está um pote de vidro especial que você pode usar para guardar
suas berries, espero que você cultive-as muito bem e possa espalhá-las pelo mundo! — sorriu a
mulher loira.
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— O-Obrigado... — disse ele com uma voz trêmula.
— Own, ele está com vergonha!! Onde foi achar esse garotinho fofo, Vivian? Ele é um
amor.
— Ei, ei, ei! Tira os olhos mulher, ele é meu. — riu Vivian, arrastando Lukas para fora
do shopping.
— Volte sempre, amorzinho! — despediu-se a atendente.
— Cada mico que você me faz passar Vivian... Mas de qualquer modo, obrigado por me
ajudar a comprar esse jarro de berries, agora posso começar a reproduzi-las. — disse o garoto.
— Sem problemas. Acho que ela também deu algumas berries de cortesia... Umas nada,
deu quase metade da loja! Maldita. Mas de qualquer modo, é bom criar vários tipos de frutos
diferentes, porque não há nada melhor do que comida natural para pokémons. Eles vão adorar!
— respondeu Vivian.
— É verdade. Bem, vamos voltar ao centro e procurar o Luke e a Dawn, já está ficando
tarde.

Lukas e Vivian seguiram então até o centro Pokémon e encontraram Luke e Dawn
jantando juntos. Os dois estavam sentados em uma mesa feita de madeira enquanto tomavam
um Milk-shake, apenas aguardando a volta dos dois.
O Centro Pokémon de Floaroma era muito bem decorado, uma madeira nobre deixava
um tom rústico e exótico ao local. O local tinha um bar que era servido por lindas garçonetes,
além de ter uma recepção para visitantes e aventureiros. Tudo com um toque feminino que dava
um ar especial ao local. Lukas abriu sua bolsa e mostrou o pequeno Berry Pot que armazenaria
as berries na viagem, aquele objeto não era comumente encontrado em qualquer tipo de loja, e
certamente seria de grande ajuda para os jovens na jornada.
— Olha Luke! Comprei um pote de vidro para guardar berries. — disse Lukas animado,
sentando-se ao lado do irmão.
— Isso é bom cara, podemos usar pra batalhas, não é? — sorriu Luke.
— Exato, e também melhorar a amizade com os pokémons, uma vez que eles prefiram
mil vezes produtos naturais do que aqueles produzidos pelo homem. — respondeu ele.
De repente, Vivian parou e apontou entusiasmada para o milk-shake que estava na mesa,
gritando logo em seguida:
— Eiiiita, quanto chocolate tem nesse milk-shake! Oxi, como vocês conseguiram um??
— Levantando e pedindo. — brincou Luke, recebendo em seguida um leve tapa de
Dawn.
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— Não seja bobo. Eu comprei para nós dois com aquela garçonete Vivian, elas disseram
que este drink é uma especiaria da casa. Por quê não vai pedir um também? — sugeriu Dawn,
vendo o rosto de empolgação da garota em sua frente.
— Ela deve morar nessa cidade a vida inteira, mas aposto que não sabia desse milk-
shake... — riu Luke.
— Oxi, é claro que eu sabia, eu só não tinha com que tomar! Mas agora eu tenho!! — riu
a garota — Garçonete!! Traz um Milk-shake igual a esse aqui na mesa?? Pra dois por favor!! E
com muuuito chocolate! — gritou Vivian, apontando para a grande taça de vidro que era
compartilhada por Luke e Dawn — Você toma comigo, Lukas-kun?
— Heh, heh... Agora que você já pediu, né...

A noite foi caindo, e logo seria hora deles se despedirem de Vivian. Os jovens somente
passariam um dia na cidade de Floaroma, e no dia seguinte já tentariam chegar até Eterna para a
batalha contra o líder. As estrelas iluminavam o céu que estava totalmente límpido e sem nuvens.
Próximo daquela cidade existia uma usina que produzia energia eólica, logo, ventos eram
constantes pelas redondezas.
— O dia hoje foi fantástico pessoal, mas preciso voltar pra casa. Vocês não querem
passar lá essa noite? A casa é alugada, e é bem pequena. Eu não moro em Floaroma, mas fiquei
uns dias aqui desde que cheguei de Azalea, em Johto. Vamos passar a noite juntos lá! — disse
Vivian empolgada.
— Oh, não precisa. Não queremos ser um incômodo, amanhã cedo estaremos partindo
para Eterna, então não queremos atrapalhar a rotina. Dormiremos aqui no Centro Pokémon
mesmo, mas obrigada pelo convite, Vivian! — disse Dawn.
— Ok então. Vou treinar bastante para vencer o torneio da semana que vem, então
voarei para a cidade do próximo contest, pois quero batalhar com você novamente, Lukas-kun!
— Vou estar esperando, Vivian! — sorriu o jovem.
A garota então se despediu de seus amigos e deixou o Centro Pokémon, mas todos
sabiam que seus destinos ainda se cruzariam, pois a ela era a mais nova rival de Lukas, e ele estava
disposto a encontrá-la no próximo torneio. Os três seguiram para seus respectivos quartos no
Centro Pokémon e encerraram a noite. O dia fora longo e cansativo, Luke continuava pensando
no incidente com Titânia, o que o fazia pensar que ele não era um treinador competente. Mas
aquilo não o fazia desistir, era apenas uma forma de batalhar cada vez mais para poder provar
para seu Pokémon que ele era digno de ser seu treinador.
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A noite em Floaroma era calma e reluzente, os jovens teriam que descansar pois sabiam
que o dia seguinte seria corrido e imprevisível. Mal sabiam eles que ao lado daquela simples
cidade algo muito estranho acontecia no Valley Windworks, o que certamente atrasaria sua
aventura rumo à cidade de Eterna.

Luke, Lukas e Dawn retomam sua viagem em busca do segundo ginásio. Mesmo que com
problemas com seus pokémons, Luke está confiante de que pode adquirir a vitória e conquistar
sua próxima insígnia, pois ele ainda podia contar com seu pequeno e inseparável companheiro
Gabite, que mesmo que com todas as brincadeiras sempre confiou em seu mestre. Lukas sabe que
ainda encontrará Vivian no futuro, e da próxima vez que eles se encontrarem não vai ser tão fácil
conquistar sua segunda fita.























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CAPÍTULO 13.5

Sonho Solitário

A garota chamou pelo homem na rua, sua voz era fina e ecoava com dificuldade na noite
gélida daquela cidade, que quase não era ouvida. Ela esticava os braços machucados pelo frio e
pelas pedras; era uma criança, não aparentava ter mais que 10 anos, suas pequenas mãos tremiam
com o cansaço, e suas unhas surradas encontravam-se até roxas. Ela continuava sentada debaixo
de uma árvore coberta por pequenos flocos de água congelada, em um pequeno banco da praça,
que era molhado pelo sereno da noite.
A menina abraçava seus próprios joelhos na tentativa de se aquecer e sobreviver a mais
uma noite cega, ela escondia sua pequena cabeça entre os braços, enquanto o vento batia nela com
vontade de arrancar-lhe a vida. Sua feição era pálida, seus pequenos olhos estavam cobertos por
lágrimas de angustia, seus belos lábios de menina estavam ressecados e sem brilho, e mal podiam
se mexer para ressoar um grito de ajuda, os finos fios de cabelo recaiam sobre sua face delicada,
mas tristonha. A noite estava chuvosa, parecia que chorava com a cena que se alastrava sobre a
terra, o céu era dominado pelo véu negro enquanto as pequenas gotas da chuva podiam ser vistas
recaindo pela fraca iluminação das ruas.
— Senhor, você pode me ajudar? — disse a garota com dificuldade direcionando-se ao
homem que passava em sua frente — Está frio, e não tenho onde dormir. Há algum lugar onde
você possa me indicar?
O homem a fitou com desprezo e continuou seu rumo sem olhar para trás. Fingia que
não podia ouvi-la. Manteve-se em silêncio e atravessou a rua. Ele parecia constrangido por
encontrar-se em uma situação como aquela, mas a pequena garota continuava sentada no banco
junto da solidão e suas lágrimas. Seus pés estavam machucados pelo tempo, ela não conseguia
caminhar, mas continuava tentando. A paisagem sempre era a mesma, sem vida ou alegria, apenas
tristonha e malévola. A menina deitou-se lentamente sobre o mármore frio em frente a uma casa
que havia encontrado e esperou que o sono chegasse, seus olhos continuavam encharcados de
lágrimas que quase congelavam seu pequeno rosto que não teimavam em cessar. Era só mais uma
noite para aquela pequena garota órfã.

• • •
150


Dawn levantou-se aflita de sua cama, ela mantinha um olhar confuso para o quarto do
Centro Pokémon. Seus olhos também estavam cobertos por lágrimas, a garota levemente passou a
mão em seu rosto avermelhado e levantou-se para ir ao banheiro. No caminho ela agachou-se na
altura do criado mudo e procurou por um relógio, eram três e meia da manhã. A jovem dirigiu-se
ao banheiro e olhando-se no espelho, percebeu a feição que apresentava; a mesma face de
inocência e tristeza da garota de sua imaginação, mas aquela não era a primeira vez que aquela
lembrança viera à tona, ela tivera o mesmo sonho ainda em Jubilife quando foi consolada por
Luke.
Dawn manteve a luz de seu quarto apagada e abriu a janela, ela apoiou-se sobre a varanda
e ficou por um tempo observando a praça da cidade de Floaroma à procura de qualquer pessoa
que passasse por necessidade, mas não havia ninguém.
O vento frio batia sobre seu rosto que fazia seus longos cabelos dançarem a música da
noite, por um minuto ela fechou seus olhos e levou os pensamentos ao longe, e em seguida
recolheu-se pensativa, fechando a janela. Ela sentou-se na beira de sua cama e pegou uma mochila
que estava no chão, dentro havia um pequeno quadro com o vidro um pouco embaçado devido o
frio que fazia, ela passou seu finos dedos sobre o vidro que revelou a imagem de uma linda
mulher na companhia de seu marido, e ao lado, uma pequena garotinha de cabelos negros. A
jovem deu um leve sorriso quando viu a foto, mas seus olhos continuavam cheios de lágrimas, em
seguida, ela sussurrou com sua voz cansada:
— Já faz tanto tempo... — comentou a garota, seguido de um suspiro.
Dawn guardou o porta-retrato e lentamente deitou-se em sua cama, descansando sua
cabeça sobre suas mãos juntas.
O quarto foi dominado por um profundo silêncio, apenas o vento podia ser escutado,
que atravessava com dificuldade uma pequena abertura da janela trazendo lembranças que a
garota lutava para que não viessem à tona. A imagem da menina solitária em seu sonho era muito
real, uma vez que ela já havia vivido aquilo. Dawn suspirou e fechou lentamente seus olhos até
que o sono a cobriu. O sereno da noite continuou a banhar a praça, e agora tudo que restavam
eram memórias de uma infância difícil.





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CAPÍTULO 14

Problemas Elétricos no Vale do Vento

A suavidade do vento podia ser sentida passando por entre os vãos das janelas do quarto
dos garotos. Era muito cedo, pois eles queriam chegar à cidade de Eterna ainda naquele dia. O
frio parecia voltar a reinar em Sinnoh nas manhãs gélidas do inverno, as flores da cidade de
Floaroma pareciam lutar para resistir às frias manhãs seguidas das noites congelantes do
continente.
Lukas já estava de pé escovando os dentes e preparando-se para partir, enquanto seu
irmão continuava dormindo em sua cama implorando por mais três minutos antes que fosse
obrigado a se levantar. Dawn também já se preparava para sair, ela vestia uma fina camisola
enquanto arrumava seu cabelo para mais um dia de viagem.
Até mesmo o Centro Pokémon ainda parecia adormecido àquele horário da manhã, a
enfermeira Joy do período diurno acabava de chegar para atender qualquer emergência, mas além
dela não se podia perceber nem uma outra alma sequer perambulando por entre os frios
corredores. A lareira outrora acesa no centro do salão agora jazia apagada, um vasto silêncio
reinava no local que só era quebrado pelo fraco piado de pássaros que anunciavam a chegada da
manhã.
Lukas já havia terminado de arrumar suas coisas quando Luke havia se levantado para
começar a se trocar. Ele sorriu, e deixou o irmão no quarto enquanto descia para tomar seu café
da manhã. Ao sair do quarto o jovem deparou-se com Dawn, que o acompanhou até o primeiro
andar para poderem comer.
— Qual será nossa rota hoje, Lukas? — perguntou ela, enquanto colocava um pouco de
suco de laranja em seu copo.
— Segundo o Luke, poderemos chegar à cidade de Eterna ainda hoje se agirmos rápido.
Mas acho que teremos que acampar no caminho, pois acredito que a rota 205 seja repleta de
treinadores prontos para uma batalha. — explicou Lukas.
— O Luke quer chegar à Eterna ainda hoje e é o último que acorda. Eu não o entendo.
— riu a garota.
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Os dois tomaram café lentamente e somente muito tempo depois Luke desceu para
acompanhá-los. Ele fez um breve lanche e logo já estava pronto para retomar o curso da aventura,
Lukas até pensou em visitar Vivian para despedir-se, mas por ser muito cedo eles acharam que
poderiam estar sendo um incômodo para a garota. A cidade encontrava-se deserta, o que era bem
diferente de Jubilife que naquele mesmo horário ainda estaria lotada. O silêncio agradava Lukas,
mas ele agora tinha que se despedir da humilde cidade que tanto apreciara visitar.



Fortes ventos eram sentidos vindos do leste, aparentemente a usina eólica estava
trabalhando a todo vapor, e por um momento eles se sentiram na curiosidade de visitar o local
para ver como funcionava. Ao chegar à usina Dawn se encontrou maravilhada com a força e a
potência de máquinas enormes que geravam energia através do vento, era o Valley Windworks,
uma usina muito conhecida que gerava energia para diversas cidades nas redondezas.
— Nossa, é muito bom ficar aqui e poder sentir o vento batendo sobre nós. É tão
refrescante!! — disse Dawn estendendo os braços e recebendo o vento em seu corpo bem
abrigado contra o frio.
— Nossa, a sensação térmica daqui deve ser muito baixa. Ultimamente as manhãs em
Sinnoh têm sido frias, e o vento aumenta ainda mais essa sensação congelante! — comentou
Lukas.
— Hoje tava bom pra estar embaixo do cobertor, dormindo e curtindo um chocolate
quente, mas não, estamos numa aventura às sete horas da manhã. Acho que nem os caras da usina
acordaram, ainda deve tá desligado. — disse Luke.
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— Acho que não. Olhe lá, tem dois homens na entrada. Nós poderíamos falar com eles e
pedir para darmos uma olhada na usina. Seria interessante aprender um pouco sobre como
funciona a energia gerada por ventos, o Pachirisu que iria se interessar! — disse Lukas animado,
andando em direção dos dois estranhos que vestiam uniformes brancos com detalhes em pretos.
Dawn olhou aqueles homens e teve uma rápida impressão de que já os vira em algum
outro lugar não fazia muito tempo. Lukas aproximou-se dos estranhos e pediu gentilmente para
que os dois os deixassem entrar na construção.
— Olá, somos aventureiros e gostaríamos de saber a que horas a usina vai abrir. Nós
gostaríamos de dar uma olhada e aprender como funciona a energia gerada pelo vento. — disse
ele educadamente.
— Sai daqui moleque, a usina não vai abrir hoje. — respondeu um dos homens de modo
ignorante.
— Ei!! Ele foi educado, custava dizer não? — retrucou Dawn enfurecida.
— Saiam daqui seu bando de pivetes, e não venham atrapalhar nossos planos. — encarou
o outro homem.
— Espere um pouco, vocês são membros do Team Galactic! — afirmou a garota agora
surpresa — E você é um daqueles caras que nós vencemos há alguns dias atrás, seu nome era
Cosmo, não é?
— Caramba. Agora que notei, vocês são os pivetes das pokéagendas! — afirmou Cosmo
— Então vocês continuam atrapalhando nossos planos, não é? Dessa vez nós não vamos deixar
barato! — disse ele pegando uma pokébola em sua cintura.
— Opa, quando o assunto é batalha eu até me animo! — disse Luke empolgado.
— Vamos acabar com eles, Luke! Budew, eu escolho você!!
— Gabite, vai!
Os dois garotos lançaram seus pokémons que logo pela manhã já estavam dispostos a
uma batalha, os dois membros do Team Galactic por sua vez lançaram um Stunky e um Zubat.
— Dessa vez não vou pegar leve com vocês, Stunky utilize o Smokescreen naquele
Gabite! — ordenou Cosmo.
— Zubat, ataque aquele Budew com o Leech Life! — disse o outro integrante.
A cortina de fumaça lançada pelo Stunky acabou atordoando Gabite que agora já não
conseguia enxergar muito bem, enquanto que o morcego atacava Budew incansavelmente. O broto
recebera muito dano pelos golpes do tipo inseto da criatura, mas ele não se deixava levar pelo tipo
em desvantagem.
— Gabite, utilize o Sand Tomb naquele Stunky! — ordenou Luke.
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Porém, uma vez que o dragão não conseguia enxergar muito bem, Gabite acertava golpes
no ar ao invés de acertar o gambá em sua frente.
— Budew, utilize o Mega Drain no Zubat!
O golpe do pequeno broto acertara o morcego, mas não parecia causar muito danos, o
que começou a preocupar os dois irmãos em meio a batalha.
— Gabite, tente o Dragon Rage agora! — ordenava Luke, porém, os ataques de Gabite
continuavam a não acertar o seu inimigo que se esquivava e em seguida arranhava o dragão com
suas garras afiadas.
— Hah, hah, hah! O Pokémon de vocês continua uma porcaria! — debochou um dos
homens.
— Droga, Lukas faz alguma coisa!! — gritou Luke.
— Estou fazendo o possível! Budew, por hora já está bom, pode descansar. — disse ele
retornando seu pequeno broto — Pachirisu, saia e utilize o Spark naquele Zubat!
Assim que o pequeno pokémon liberou-se de sua pokébola o esquilo rapidamente grudou
no morcego e derrubou-o com um golpe elétrico, logo na seqüência acertando um Swift ordenado
por seu treinador. Parecia que o Zubat estava fora de batalha, mas o poderoso Stunky continuava
de pé.
— Minha jogada agora, Gabite utilize o Sand Tomb novamente!
O dragão de Luke logo se acostumou com a fumaça que atrapalhava sua visão e na
sequência criou um buraco na terra que aprisionou Stunky impedindo sua fuga. O ataque fora
poderoso causando um dano imediato no Pokémon de seu inimigo, e logo o gambá acabou por
não aguentar o dano causado e caiu derrotado.
— D-Droga, vocês venceram de novo! — gritou Cosmo.
— Vencemos sim! Agora nos diga o motivo de vocês estarem aqui na usina.
— Isso não é problema de vocês, dêem o fora daqui antes que sejamos obrigados a... —
hesitou ele — Sei lá, só vão embora daqui!! — em seguida, os dois rapidamente entraram na usina
e trancaram a porta de forma que os jovens não pudessem mais entrar.
— Pessoal, precisamos fazer alguma coisa, o Team Galactic pode estar aprontando
alguma coisa lá dentro! — disse Dawn preocupada.
— Mas como vamos entrar se não temos a chave? — perguntou Lukas.
— E vocês precisam de chave para entrar em algum lugar? Simplesmente destruam a
porta. — disse a voz de um rapaz que estava logo atrás deles.
Luke virou-se para ver de quem se tratava e imediatamente fechou a cara ao notar que era
seu rival, Stanley. O rapaz loiro mantinha-se sério enquanto encarava o grupo, mas era evidente a
155

feição de raiva no rosto de Luke que o observava, transmitindo com seu olhar a mensagem: “Você
não é bem vindo aqui”.
— S-Stanley!! — afirmou Lukas surpreso.
— O que você tá fazendo aqui? — perguntou Luke de modo direto.
— Eu estava passando quando pude ver alguém batalhando com aqueles dois idiotas.
Parece que você não melhorou nada Luke, agora, o seu irmão está batalhando em ótima sincronia
com seus pokémons. Parabéns Lukas. — elogiou o jovem.
— Hm... Obrigado Stanley. — agradeceu ele meio sem graça.
— Vai procurar alguma coisa pra fazer Stanley, estamos no meio de uma situação crítica
pensando em alguma forma de abrir a porra dessa porta. E você não é bem vindo aqui, dá um
fora. — disse Luke de modo ignorante.
— Ora, se quiserem entrar na usina basta destruir a porta como eu havia dito. —
explicou ele.
— Hm... Acho que destruir a usina sem motivos não seria uma boa idéia. — comentou
Lukas.
— Eu prefiro destruir essa porta do quê ficar aqui e aguardar que o Team Galactic cause
mais danos à essa usina. Gyarados, destrua aquela porta agora!! — disse Stanley, lançando a
pokébola de seu Pokémon.

De dentro da cápsula surgiu uma longa serpente aquática, uma criatura mítica de grande
poder de destruição, o pokémon tinha uma enorme boca coberta de dentes e escamas
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extremamente duras. A criatura seguiu os comandos de seu treinador e lançou um poderoso raio
em direção da estrutura da usina de energia, evitando ao máximo fazer um estrago no local, mas
de certo modo Stanley conseguira abrir uma passagem como desejava. Luke surpreendeu-se ao
deparar-se com a força do Pokémon que seu rival havia conquistado, e de certo modo sentiu um
pouco de inveja quando percebeu que aquele Gyarados obedecia perfeitamente seu treinador, o
que era bem diferente de seu caso com Titânia.
— Vamos impedir que esse Team Galactic cause mais problemas. — disse Stanley.
— Quem você pensa que é pra dar ordens pro meu grupo?! — perguntou Luke irritado.
— Não estou dando ordens pro seu grupo, só quero impedir que esses ladrões causem
qualquer problema dentro da usina. — respondeu Stanley — Olha Luke, eu não estou a fim de
brigar com você hoje, então faça o que quiser. Eu vou entrar lá dentro e acabar com esses caras.
— Eu não tô brigando cara, você surge do nada e quer manter pose de fodão pra cima
dos meus amigos? Eu vou mostrar pra você do que sou capaz, vou mostrar que meu time é muito
melhor do que o seu!! — gritou Luke irritado, entrando na usina na companhia de Stanley. Lukas
e Dawn os olharam por um tempo sem entender muito bem o
que acontecia, mas adentraram o local em seguida.

A usina parecia completamente vazia, algumas máquinas
estavam ligadas enquanto ainda operavam o armazenamento de
energia, mas o motivo pelo qual o Team Galactic utilizava o local
ainda era um mistério.
Stanley e Luke continuaram discutindo enquanto corriam
dentro da usina até darem de cara com uma moça que estava na
sala de controles, o que os fez cair no chão com o susto que
levaram. A mulher estava na companhia de outros membros da
organização dos Galactic, mas de todos que estavam lá presentes
ela parecia estar no comando uma vez que vestia roupas diferentes
e utilizava um brasão dourado com o símbolo do grupo. A
mulher parecia ser nova, tinha belas silhuetas e um corpo
acentuado que era bem esculpido pela roupa que vestia no
momento. Ela tinha olhos vermelhos e cabelos de cor escarlate,
cortados em um formato chanel. A moça surpreendeu-se ao ver
os dois jovens caídos ao seu lado e agachou-se na altura deles para
conversar.
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— Opa, desculpem-me por assustá-los, é melhor não ficarem correndo por esses
corredores, vocês podem se machucar da próxima vez. — disse a mulher com um lindo sorriso
em seu rosto, apoiando suas mãos sobre seus joelhos — Vocês estão bem?
— Cara, é a Tia Martha!! E aí, Tia Martha!! — gritou Luke animado, apontando para a
moça que o olhou assustada. A Comandante ficou sem reação por um minuto, eram poucas as
pessoas que a conheciam por seu veridadeiro nome, e aquele ocorrido a pegara de surpresa. A
mulher arregalou seus olhos e rapidamente implorou por silêncio, aproximando-se do garoto e
sussurando em seu ouvido:
— Shh... L-Luke, o que faz aqui? Não é a Tia Martha não, é Comandante Mars...! —
disse ela, tentando abafar o comentário que o garoto fizera.
— Comandante, quem é Tia Martha? — perguntou um dos integrantes da corporação.
— Heh, heh... Não é ninguém rapazes. Ignorem esse comentário. — disfarçou ela,
virando-se para os dois garotos no chão e mudando sua feição amigável para uma de esnobe —
Então, esses são os jovens que pretendem acabar com os planos do Team Galactic, não é?
— Isso mesmo Tia, a gente tava tentando impedir uns caras doidos que entraram aqui
dentro. Acho que eles são desse tal de Team Galactic mesmo. — disse Luke, percebendo em
seguida que vários integrantes da corporação estavam na mesma sala observando o ocorrido —
Caramba Tia, os carinhas do Team Galactic seqüestraram você também!!
— Você é muito burro cara, ela faz parte do Team Galactic... — advertiu Stanley.
Luke olhou para a mulher em sua frente que o encarou um pouco receosa, Luke ainda
não tinha reparado que ela era uma das comandantes da facção, ele a observou por um tempo e
depois voltou-se para Stanley.
— Cara, na minha frente só tem a Tia Martha... — suspirou Luke.
— N-Não me chame de Tia Martha, Luke!! Eu sou a Comandante Mars!!
COMANDANTE MARS!!! — berrou ela.
Logo que Mars gritara para que todos na usina ouvissem, Lukas subitamente entrou na
sala e avistou a mulher, ele rapidamente pulou em seus braços e abraçou-a com carinho.
— Titia Martha! Eu não sabia que você estava aqui!! O Team Galactic está mantendo-a
como refém? — perguntou o garoto enquanto abraçava a mulher.
— L-Lukas, você também?? Aaaaw, não é possível... Olha, no momento eu não sou a Tia
Martha de vocês. Eu sou a Comandante Mars, estão ouvindo? — disse a mulher um pouco sem
graça.
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— Comandante, o que está acontecendo? Não estamos entendendo nada... — disse um
dos integrantes confuso.
— Não é nada, soldados. Heh,heh, heh... É só um breve problema familiar... — sorriu a
mulher, trazendo os dois garotos para próximo de si e falando bem baixinho para que somente
eles pudessem ouvir — Olha, estou muito feliz em vê-los no momento, mas a tia está trabalhando
e precisa da ajuda de vocês. A brincadeira é o seguinte: Eu sou uma vilã muito malvada conhecida
como Comandante Mars, e vocês são os mocinhos que tem que derrotar essa vilã. Então nós
vamos batalhar e vocês vão ganhar, entenderam?
— Entendi sim, Tia Martha!! — sussurou Lukas alegremente.
— Ah... Eu queria ser vilão também, mas deixa quieto, assim tá bom. — acompanhou
Luke.
A mulher rapidamente afastou-se dos garotos e agora ela se dirigia a eles com severidade.
— Então, vamos ter uma batalha para decidir o que devemos fazer em seguida, seus
moleques insolentes! Se eu ganhar, vocês vão embora. Mas caso vocês ganharem, nós, o Team
Galactic, deixaremos o local! — disse Mars.
— Ahá!! Não pense que poderá derrotar-nos Comandante Mars. Nós somos os heróis de
Sinnoh e temos poderosos pokémons ao nosso lado, você nunca sairá vitoriosa!! — gritou Lukas
fazendo pose de herói.
Mars sorriu com a cena, ela não sabia se ria ou se chorava com a cena ridícula que acabara
de acontecer, mas no momento ela precisava se concentrar na batalha que teria.
— Purugly, Golbat, eu escolho vocês!! — disse ela, lançando seus dois poderosos
pokémons.
O Golbat da comandante voava sem parar entre a usina, o morcego tinha dentes caninos
afiados e parecia bem treinado. Seus olhos conseguiam enxergar no escuro e pareciam estar mais
que prontos para uma batalha. Já o outro Pokémon era um gato muito gordo e largo, ele tinha
patas grossas e longas orelhas. As duas criaturas encaravam seus inimigos com um olhar sério, mas
assim que o Purugly avistou Lukas ele andou até o garoto e deitou-se próximo de suas pernas
como se pedisse por carinho.
— Comandante Mars, sua Glameow evoluiu!! Ela ficou tão fofinha... — disse Lukas
animado enquanto acariciava o gato cinzento.
— Não pense que nós vamos pegar leve com você Comandante, você ainda é nossa
inimiga!! — disse Luke confiante.
— Bom, então vamos ver que pokémons vocês conseguiram! — disse Mars, chamando
por seu Purugly que rapidamente se colocou em posição de combate.
159

— Eu também quero entrar nessa batalha, vocês não vão conseguir me deixar de fora. —
disse Stanley, lançando a pokébola de seu Pokémon evoluído — Grotle, eu escolho você!
— Owaah! Seu Turtwig também evoluiu cara! Ele parece fort... Quer dizer, parece um
lixo. — disse Luke.
— Eu também fiquei impressionado quando vi que seu Gible tinha evoluído, Luke. E eu
agradeço o suposto elogio. Sem mais comentários, vamos começar essa batalha. — assentiu o
rapaz loiro.
— Ei, vocês não podem me deixar fora dessa batalha! Machop, eu escolho você!! — disse
Dawn.
— Vamos arrebentar nessa batalha cara, Gabite vai!
— Pachirisu, eu escolho você!!



Agora os outros integrantes do Team Galactic também entravam na disputa para batalhar
contra Stanley e Dawn, mas o verdadeiro foco estava em Luke e Lukas que lutavam contra a
Comandante Mars. O Gabite de Luke arranhava o grande Purugly, enquanto Pachirisu tentava
derrubar Golbat que voava rapidamente entre a usina.
— Droga, esse Golbat é muito mais forte do que os Zubats que enfrentamos
anteriormente. — disse Lukas receoso.
— Comandante Mars, você não sabe como esperei por esse momento em que eu teria a
oportunidade de batalhar contra você. O futuro do mundo está nessa batalha! — disse Luke,
imaginando que aquela disputa fosse realmente importante.
160

— Estou gostando de ver Luke, quero vê-los batalhando com perseverança e sendo os
melhores! Mas para isso vocês precisam me vencer antes. Golbat, utilize o Wing Attack no
Pachirisu. E Purugly, utilize o Fury Swipes no Gabite!
Os dois pokémons eram bem mais treinados do que o normal, e isso fazia com que
Gabite recebesse um grande dano das unhas afiadas de Purugly, enquanto que o pequeno
Pachirisu encontrava problemas em derrubar o ágil Golbat. Com as ordens de Lukas, o esquilo
elétrico usou uma das máquinas de energia como apoio e alcançou o Golbat que cambaleou um
pouco com o peso da criatura em seus pés. Pachirisu rapidamente lançou uma descarga elétrica no
Pokémon que caiu no chão paralisado.
— Agora Pachirisu, utilize o Swift no Golbat e finalize o trabalho!
O Pachirisu de Lukas rapidamente tomou distância e lançou várias pequenas estrelas que
acertaram o morcego, fazendo-o cair nocauteado.
— Gabite, lance o Dragon Rage no Purugly!! — ordenou Luke.
O dragão azul lançou seu mais poderoso ataque no momento, as chamas dracônicas
queimaram o corpo da gata que ainda resistia bravamente. Aquele Pokémon tinha muita energia, e
Mars não estava disposta a perder tão fácil.
— Purugly, Faint Attack!
O gato da comandante desapareceu por um segundo, e por um momento Gabite parecia
coberto em um mundo desconhecido; de repente, a gata habilmente surgiu em suas costas
acertando um poderoso golpe que quase nocauteou Gabite, mas o Pachirisu de Lukas fora mais
rápido derrotando o Pokémon de Mars com um Quick Attack.
Luke e Lukas comemoraram a vitória, e pelo visto Stanley e Dawn também tinham
conseguido derrotar os outros integrantes do Team Galactic. Agora a Comandante Mars
precisava cumprir o seu trato e partir, deixando a usina para trás.
Ela ordenou que seus subordinados fossem em frente, pois gostaria de ter uma conversa
em particular com os dois irmãos. Ela andou até um sofá e sentou-se na companhia dos garotos
que pareciam extremamente enstusiasmados, Lukas gostava de ficar abraçado à moça que também
sentia-se bem com a companhia dos sobrinhos.
— Tia Martha, essa batalha foi super show! Seus pokémons são poderosos! — disse
Luke.
— Eu que devo falar isso de vocês, e veja só, vocês acabaram de me derrotar em uma
batalha! Fazia alguns anos que eu não os via, e agora que nos reencontramos vocês estão saindo
em uma grande aventura em busca de seus sonhos... Isso é realmente fantástico, sua mãe deve
estar orgulhosa de vocês dois, não é? — sorriu a comandante, acariciando a cabeça de Lukas.
161

— Está sim, ela sempre fala de você. Mas por onde esteve tia? Nós sentimos saudade. —
perguntou Lukas, abraçando a mulher.
— Eu também senti, mas sabe, acho que nossos destinos acabaram indo em caminhos
opostos. — comentou a mulher — Como vocês cresceram... Fico feliz que vocês estejam tão
grandes e bonitos. Vou falar com a mãe de vocês para um dia ir visitá-los em Twinleaf depois que
essa jornada acabar, o que acham da idéia? — sorriu ela.
— Seria muito louco tia!! Você tem que nos ensinar esses golpes que os seu pokémons
aprenderam, o Faint Attack foi foda! — disse Luke fascinado.
— Heh, heh... Foi muito bom revê-los, meus queridos. Mas olhem só, agora é a última
parte da brincadeira. Eu não quero que vocês se envolvam novamente com o Team Galactic,
ouviram? E nunca contem a ninguém essa batalha que nós tivemos hoje, principalmente para sua
mãe, ok? Eu só preciso que vocês guardem esse segredo, vocês acham que conseguem “Heróis de
Sinnoh”?
— Mas é claro que sim Tia Mart... Quer dizer, Comandante Mars! Seu segredo estará
seguro conosco!! — disse Lukas, fazendo sinal de continência.
— Heh, heh... São os meus garotos! Agora eu preciso ir, e cuidem-se, viu? Quero vê-los
inteiros no fim dessa jornada. E a propósito Lukas, tenho um novo presentinho para você. —
disse a moça, retirando uma espécie de CD de sua bolsa. Era um TM24 Thunderbolt, que seria
de extrema ajuda para o Pachirisu do jovem.
Os olhos de Lukas brilharam, sempre que a tia o visitava ela lhe dava presentes, isso
causara um pouco de ciúmes em Luke, mas que abriu um enorme sorriso ao ver que também
tinha um presente para ele. Era um TM78, contendo Rock Slide, que seria um ótimo golpe
ofensivo para seu Gabite.
— É só um presentinho que consegui onde eu trabalho, mas agora preciso ir queridos, foi
muito bom revê-los! De verdade! — disse a mulher com um sorriso, despedindo-se de seus
sobrinhos no momento.
— Tudo bem tia, da próxima vez que nós nos encontrarmos teremos uma nova batalha!
Mas meus pokémons estarão muito mais fortes! — disse Luke. Mars sorriu e concordou com a
proposta do garoto, logo em seguida saindo por uma das janelas e deixando os jovens na sala.
Dawn rapidamente correu na direção dos garotos que agora riam alegremente com os
presentes que acabaram de ganhar. Dawn não conseguia entender o motivo daquela mulher ter
sido bondosa com os jovens, uma vez que eles haviam atrapalhado seus planos.
— Pessoal, vocês estão bem? Aquela mulher não machucou vocês? — perguntou Dawn
assustada.
162

— Claro que não, ela é nossa t... Quer dizer, ela é a Comandante Mars, e nós a
derrotamos!! — disse Lukas alegremente.
— Vocês estão loucos?? Ela é comandante do Team Galactic, ela é nossa inimiga!! —
gritou Dawn.
Os irmãos se entreolharam e começaram rir.
— Então acho que somos amigos do Team Galactic agora!
Dawn baixou a cabeça em sinal de reprovação, quando de repente, todos ouviram um
estranho som vindo de dentro de uma sala. Stanley correu para o local e abriu a porta que jazia
fechada, dentro haviam vários cientistas que estavam amarrados e vedados. Os homens
agradeceram a ajuda ao serem libertados e explicaram o ocorrido.
— Oh, foram vocês que derrotaram o Team Galactic!! Muito obrigado, eles queriam
roubar nossa energia, mas graças a vocês agora poderemos retomar nosso trabalho! — disse um
dos cientistas.
— Viram só? Eu disse que aquela mulher era uma impostora, vocês tiveram sorte dela
não ter machucado-os! — alertou Dawn.
— Vocês têm alguma pista sobre os impostores que estavam aqui? — perguntou um dos
homens que trabalhavam no local.
Luke e Lukas ficaram pensativos por um momento, mas lembraram-se em seguida da
promessa que haviam feito para sua tia. E por isso eles jamais entregariam-na para os policiais.
— Não fazemos idéia de quem seja. — disse Luke.
Os cientistas agradeceram toda a ajuda dos jovens que saíram da usina. Após o ocorrido,
a energia poderia voltar a ser produzida para outras cidades. Por motivos desconhecidos, o Team
Galactic parecia utilizar da usina para armazenar energia em uma quantidade descomunal, e
provavelmente eles haviam conseguido o que queriam antes de partir. E no fim de tudo talvez por
obra do destino, uma das comandantes da temível facção criminosa era tia dos jovens irmãos.
— Seus pokémons parecem fortes Luke, quero ter uma batalha com você qualquer dia
destes. — elogiou Stanley.
— Também fiquei admirado com a força dos seus, Stanley. Quando a oportunidade
surgir nós iremos batalhar, e saiba que até lá eu já serei o melhor, tá ligado? — riu Luke,
esticando a mão para o garoto loiro que deu um leve sorriso.
— Não pense que esse elogio mudou minha consideração por você, nosso passado
continua o mesmo. — advertiu ele agora com uma feição séria.
— Tô ligado cara, eu ainda te odeio e você me odeia, mas não posso negar que seus
pokémons são fantásticos. Se manda daqui, otário. — sorriu Luke.
163

Agora era por volta de meio dia, e os garotos tinham planos de chegar na cidade de
Eterna ainda hoje. O passado dos dois garotos permanecia em mistério, o que fazia com que
Dawn continuasse curiosa para saber o motivo da inimizade de Luke para com o loiro. Mesmo
que Stanley não estivesse mais na companhia dos jovens, Luke pareceu mais contente em
encontrá-lo dessa vez, o que poderia significar uma possível aproximação entre os dois
novamente.
Com o Thunderbolt de Pachirisu e o Rock Slide de Gabite, o time fica cada vez mais
poderoso, mas a cada dia que passa novos treinadores surgem com pokémons de níveis cada vez
mais elevados. Será que os garotos serão capazes de seguir seus objetivos e chegar à cidade de
Eterna em segurança?

Agora que a usina do Valley Windworks está salva, os jovens continuarão seu caminho
até a cidade de Eterna. Com o incidente ocorrido com a Comandante Mars, Luke e Lukas
parecem estar cada vez mais envolvidos com o misterioso Team Galactic, embora Dawn continue
de olho na facção criminosa após esse estranho ocorrido no Valley Windworks.



Acompanhe o Fire Tales 2- O Corsário

Procure pelo nosso e-book dos Fire Tales e confira o episódio FT 2! Enquanto a História
Central progride, você pode acompanhar também a rotina dos Pokémons com essa leitura!
Este é um dos Especiais de maior sucesso no blog!









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CAPÍTULO 14.5

Reunião Galáctica

Um helicóptero acabara de pousar na cidade de Veilstone, o imenso prédio da facção
preparava a chegada da comandante que parecia entusiasmada por chegar novamente em sua casa.
Mars fora recebida por vários integrantes da equipe galática que a acompanharam até uma grande
sala no penúltimo andar do prédio. No local haviam duas outras pessoas, uma delas era uma
mulher de cabelos rosados que vestia um uniforme em formato de colã, ela observava a cidade a
partir de uma das grandes janelas da sala, seu pensamento mantinha-se voltado à reunião que
estava para ocorrer dentro de poucos minutos. Ela era a Comandante Jupiter, uma das
três pessoas responsáveis pelo comando da facção criminosa.
Encostado em um luxuoso sofá branco jazia um homem de cabelos azuis e olhos
castanho escuros, o rapaz por sua vez parecia quase adormecer pelo mútuo silêncio que percorria
o prédio. Ele era o Comandante Saturn, o terceiro membro que exercia controle sobre
osGalactics. Por ser o único homem dentre os três comandantes, ele era quem exercia mais
respeito e com isso também era o mais responsável.
Vários sofás confortáveis estavam à disposição dos poucos membros privilegiados que
ganhavam acesso àquela sala, uma grande lareira jazia ligada por conta do frio e do sereno que
amenizavam a temperatura do imóvel. O local também era decorado por muitos tapetes e quadros
com pinturas exóticas, o piso era feito de mármore que combinava com algumas estátuas que
eram expostas na sala. Saturn pemanecia cochilando, mas assim que Mars entrou na sala e avistou
o rapaz ela pulou em seus braços fazendo-o acordar com o susto que levara.
— Alex, Alex! Como eu senti saudades de você! — disse a mulher de cabelos vermelhos
com um lindo sorriso estampado em seu rosto. Apesar de ter sido acordado inesperadamente, o
rapaz também parecia feliz em avistar a moça que agora o abraçava fortemente.
— Martha, que bom que você chegou, pensei que iria atrasar-se para a reunião, como
sempre. — respondeu ele em um tom sereno — Como você está, minha pequena? Teve uma boa
viagem?
— Alex, enquanto eu estava no Valley Windworks eu reencontrei meus sobrinhos! Fazia
muito tempo que eu não os via, então foi uma grande surpresa quando eu os encontrei! — disse
Mars alegremente — E eu também estive pensando, acho que nós deveríamos começar a pensar
165

um pouco mais no futuro, sabe, minha irmã Melyssa estava louca para ter alguns sobrinhos
também...
— Err... Assim de repente? Podemos deixar para pensar nisso daqui há um tempo? A
reunião já vai começar. — disfarçou o rapaz meio sem graça.
Enquanto os dois conversavam, Jupiter rapidamente se deu conta da presença de sua rival
e andou em sua direção para cumprimentá-la. Nenhuma das duas pareciam alegres em rever sua
colega de trabalho, então a mulher tornou a dizer com desgosto:
— Ei Martha, agora você simplesmente entra na sala e esquece de cumprimentar as
“amigas”? — disse a mulher de cabelos rosados que jazia apoiada na parede ao lado.
— Ah, olá Juliana. É uma pena que o seu helicóptero não tenha caído no caminho pra cá.
Eu tinha esperanças de que quando eu chegasse aqui só haveria eu, e o Alex. — retrucou a
comandante.
— Não precisa preocupar-se Martha, eu nunca faria nada de errado com o seu amado
namorado, afinal, eu sei como vocês dois formam um lindo casal de pombinhos “perfeitos”. —
provocou Jupiter.
— Poupe seus elogios, Juliana. Se da próxima vez o seu helicóptero não cair eu mesma o
derrubo.
— Não lhe dê ouvidos, Martha. — continuou Saturn que permanecia ao seu lado —
Esteja pronta, pois o chefe logo estará chegando.

A mulher permaneceu abraçada ao rapaz no sofá por um tempo, até que um soldado da
corporação dos Galactic adentrou o local e informou-lhes da chegada do chefe. Os três
comandantes se colocaram em prontidão e aguardaram a entrada do homem. Ele era robusto, e
tinha uma feição marcada pelo tempo e um olhar cansado de quem trabalhara por dias sem um
descanso merecido; ele era muito alto e com músculos bem definidos apesar de já parecer velho.
Seu nome era Cyrus, o chefe e fundador do Team Galactic.
Os três comandantes fizeram sinal de continência e aguardaram o movimento do chefe
que lhes dispensou, Cyrus sentou-se em sua cadeira e ficou por um tempo fitando uma das
grandes janelas de vidro de sua sala que davam visão para um lindo lago de água cristalina,
conhecido como Lake Valor. Martha pareceu entristecer-se ao ver a feição cansada do homem,
hesitando por um momento em perguntar como ele estava. Nos últimos tempos Cyrus
envelhecera muito, ele era jovem, mas não aparentava nem um pouco a idade que tinha. Era como
se todos os problemas caíssem sobre suas costas de modo que ele não desejasse compartilhar com
166

mais ninguém. Agora eram raros os sorrisos que ele revelava, uma alegria que outrora trazia a
felicidade para todos, tudo agora parecia cessado para sempre, e isso entristecia a comandante.
— Chefe, o senhor está bem? — perguntou Martha.
— Estou sim Comandante Mars, estou apenas um pouco cansado com a rotina da
organização, são muitos problemas que a Polícia Internacional vem nos causando. — respondeu o
homem com sua voz grave.
— Senhor Cyrus, aproveito para avisar-lhe de que nossas respectivas missões foram bem
sucedidas em seus devidos objetivos. — disse Saturn, adotando agora uma postura diferente da
qual agia com Martha.
— Excelente Comandante Saturn, agora que já possuímos energia o suficiente do Valley
Windworks seremos capazes de criar as máquinas para a criação do Red Chain. Jupiter e Mars,
vocês duas fizeram um excelente trabalho. — disse Cyrus.
— Obrigada chefe. Estamos lutando para que os ideais do Team Galactic sejam
alcançados. — agradeceu Jupiter.
— E o que me diz dos explosivos implantados no Lake Valor, Comandante Saturn? A
Polícia Internacional suspeita de algo?
— Negativo senhor, os explosivos funcionarão perfeitamente quando for o tempo de
implodi-los. — explicou Saturn.
— Eu acho uma pena ter que de destruir um lago tão belo e matar tantos Magikarps
inofensivos... — suspirou Mars, que recebeu um olhar reprovador de Saturn — Q-Quero dizer,
nós faremos de tudo para continuar seguindo com os planos da organização.
— Temos um ideal, Mars. Quando entrou nessa organização você prometeu submeter-se
aos afazeres dos Galactic, mas não pense que fazemos isso por sermos maus. Temos um sonho a
seguir. O sonho da criação de um novo mundo e a criação de um novo universo, criaturas inúteis
como as Magikarps não terão seu lugar nesse mundo perfeito que eu criarei, e é por isso que nós
não devemos ter pena delas. — explicou Cyrus, vendo a feição de tristeza que continuava evidente
no rosto de Martha — Se você tiver pena de uma simples Magikarp, logo também terá pena de
qualquer outro ser humano. Peço que refaça sua concepção sobre ‘pena’ Mars, isso pode vir a
tornar-se uma ameça par a nossa facção no futuro.
— Entendido senhor, não virei a cometer o mesmo erro novamente. — desculpou-se ela
receosa.
Cyrus levantou-se de sua mesa e mexeu em sua gaveta à procura de alguns documentos,
tirando em seguida alguns papéis que jaziam dentro de envelopes com letras garrafais que
anunciavam sua importância: CONFIDENCIAL.
167

— Recebi notícias de que os Foguetes Vermelhos vêm agindo no continente de Sinnoh
também, eles queimaram uma de nossas bases secretas na floresa da rota 202 que continha
informações importantes sobre a Red Chain. Algum de vocês saberia algo a respeito da
EquipeRocket? — perguntou Cyrus.
— Afirmativo senhor, segui com investigações e descobri muito sobre a história da
facção. Depois que a equipe foi dizimada dos continentes de Kanto e Johto, há cerca de três anos
atrás, alguns remanescentes vêm tentando reatar os planos da equipe em continentes diferentes. A
desaparição do líder da equipe causou uma certa dispersão de seus membros que hoje atuam de
forma independente. — explicou Saturn — Um dos líderes atuais dessa facção no continente de
Sinnoh é conhecido como Archer, e ele também anda acompanhado de seus respectivos
comandantes. Ultimamente eles vêm tentando interromper nossos planos para tirar-nos do jogo e
tornar-se o monopólio de contrabando de pokémons nesse continente, assim como costumava ser
em Kanto.
Cyrus suspirou e se pôs a falar:
— Compreendo. Qualquer base dessa corporação deve ser totalmente dizimada, não
mantenham qualquer tipo de relação com os membros dos Rockets. Eles são nossos inimigos, e
nós os deles. — disse Cyrus.
— Chefe, ultimamente venho mantendo contato com um dos capitães dessa equipe, seu
nome é Proton, e foi ele quem ateou fogo em nossa base da rota 202. — explicou Mars.
— Eles são mais cautelosos do que nós nesse continente, uma vez que acredito que nem
mesmo a Polícia Internacional conheça perfeitamente essa facção, levando em conta de que eles
são relativamente novos por essas bandas. — disse Jupiter — Uma vez que nós mantemos a fama
de vilões, a mídia tende a manter que os crimes organizados pelos Rocketssão na verdade de
nossa autoria.
— Nós nunca estivemos no ramo dos crimes. Foram apenas alguns acidentes que fizeram
de nossa equipe a má reputação, mas agora a mídia tende a colocar o mundo contra nós. Isso
pode vir a tornar-se um problema... — assentiu Saturn.
— Vamos continuar com as investigações sobre essa facção na medida do possível,
quando descobrirmos o paradeiro de sua base iremos atacá-la e terminar com eles de uma vez.
Continuem com as pesquisas e protejam as nossas bases remanescentes. Mars, eu quero que vá
para Eterna; Saturn permanecerá aqui em Veilstone com Jupiter para manter o progresso das
máquinas que serão utilizadas para a Red Chain. — disse Cyrus.
— Ora essa, me parece que nós dois vamos ficar sozinhos por um tempo, Comandante
Saturn. — disse Jupiter, provocando a ira em sua colega de trabalho.
168

— Encosta nele pra você ver... — sussurrou Mars.
Cyrus guardou o panfletos confidenciais e desligou o computador de sua sala. Naquele
local haviam todas os ideais dos Galactics, poucos eram os membros que tinham conhecimento
sobre o Red Chain e o que eles realmente queriam fazer, mas no momento todos eram movidos
por um único objetivo: A criação de mundo melhor.
— Esta reunião está encerrada. — completou Cyrus, dispensando seus comandantes.

Saturn e Jupiter saíram da sala deixando apenas Mars para trás, a mulher andou em
direção de seu chefe que continuava sentado em sua mesa olhando para o Lake Valor de sua
janela. A mulher de cabelos vermelhos sentou-se ao lado do velho homem e dirigiu-se a ele
amigavelmente:
— Chefe, você tem certeza de que está tudo bem? O senhor tem parecido cada vez mais
exausto, você já não sorri como antigamente... — suspirou ela.
— Não precisa preocupar-se Comandante Mars, eu estou bem... — respondeu ele,
seguido de uma tosse.
— Senhor, enquanto estive em minha missão no Valley Windworks acabei por encontrar
meus dois sobrinhos, eles são muito jovens mais demonstraram um forte potencial. Eles são filhos
de minha irmã Melyssa, e acho que seriam uma excelente ajuda para a equipe. Eles se
demonstraram interessados pelos Galactics, gostaria que eu lhes oferecesse um cargo?
— É melhor não Mars, devemos evitar que crianças se envolvam com nossa corporação,
estamos sempre por trás de problemas envolvendo a polícia e isso seria ruim para sua irmã.
Nossas regras nunca permitiram crianças na equipe, mas obrigado por avisar-me Mars, é bom
saber que uma nova geração ainda possui uma certa concepção sobre o certo e o errado. — disse
o homem.
— Tudo bem, espero que você melhore, Senhor. Se precisar de algo estaremos aqui para
ajudá-lo. Não sobrecarregue todas as tarefas somente para você, estamos aqui para isso. — disse a
mulher andando para deixar a sala, mas no mesmo momento Cyrus tornou a lhe interromper.
— Você é jovem, Martha. Acha que o que fazemos é errado? Você acharia errado lutar
por um mundo melhor? — perguntou ele, fazendo a mulher revelar um leve sorriso.
— Eu acho que temos de nos tornar a mudança que queremos ver. — disse Mars — A
adversidade está na interpretação das pessoas para o que fazemos. Se quisermos mudar o mundo,
precisamos começar por nós mesmos.
A mulher fez um último sinal de continência e então deixou a sala. Mars correu em
direção de seu quarto e encontrou Saturn debruçado sobre a janela, ela andou lentamente em
169

direção do rapaz e abraçou-o fortemente por trás. Saturn não reagiu, e por um momento apenas
sentiu que deveria ficar no conforto daquele abraço. Ele era bem mais alto em relação à altura da
mulher, mas podia-se notar nitidamente que Mars mantinha uma feição chorosa em seu rosto.
— Prometa que não vai fazer nada com a Juliana durante esse tempo em que eu estiver
ausente... — sussurrou ela.
— Martha, você sabe que eu te amo, por mais que a Juliana tente, ela nunca conseguirá
tirar o seu lugar. Você é a única para mim. A eterna mulher perfeita de minha vida. — disse o
rapaz — Eu vou sentir saudades de você... E a cada segundo que você fica longe de mim em
alguma missão eu sinto que posso te perder.
— Não vá fazer nada de perigoso Alexsander, estarei te esperando. — continuou Mars.

Mars estaria seguindo para a cidade de Eterna, a fina garoa ganhava mais força enquanto
o helicóptero lentamente partia em direção do local, algumas vezes era preciso abandonar aquilo
que amava para poder mudar o mundo, e a equipe galática estava disposta a lutar pelo melhor. As
pessoas julgavam aquela facção pela má reputação que adquirira, pois alguns não podiam entender
que são necessárias mudanças para que o melhor possa vir. Quando nos aconchegamos à rotina
não queremos que nada mude. Os Galactics não diziam que haviam mudado, e nem que
mudariam o mundo; eles apenas diziam que o mundo deveria ser mudado.
















170

CAPÍTULO 15

Sussurros na Floresta Eterna

O dia fora longo e cansativo, mas agora a noite já se aproximava trazendo o silêncio
noturno. Depois do incidente no Valley Windworks em que os jovens se depararam com a
Comandante Mars, o grupo continuou seguindo pela rota 205 na tentativa de alcançar a cidade
de Eterna ainda naquele dia. Conforme a escuridão se propagava, lindas estrelas guiadas pela
luminosidade da lua começavam a revelar-se no céu escuro de Sinnoh, porém, com o frio que
voltava a tona, cadeias de nuvens cinzentas começavam a esconder o brilho dos belos astros
daquela noite ominosa.
Vários treinadores batalharam com Luke que não perdera sequer uma batalha, seu Gabite
era muito poderoso se comparado aos outros iniciantes e agora com seu golpe Rock Slide recém
aprendido por meio da tecnologia humana ele tornava-se uma verdadeira ameaça. O pequeno
Pachirisu de Lukas também mostrava destaque com seu Thunderbolt, e até mesmo o ágil Mothim
parecia mais forte que nunca. Todos haviam mostrado bom desempenho durante o caminho e
experiência o suficiente para enfrentar seus próximos desafios.
A noite caiu, e no fim do dia eles não ainda haviam conseguido chegar à cidade, pois em
frente ainda levantava-se a misteriosa Eterna Forest que parecia convidá-los para uma temerosa
aventura dentro de suas terras. Lukas hesitou em entrar no local e até tentou convencer os outros
a acamparem do lado de fora, mas Luke mantinha a convicção de chegar em Eterna ainda naquele
dia, e com isso convencera o time a continuar e enfrentar a floresta, pois tinha certeza que não
havia perigo, ou pelo menos era isso que imaginavam.

A floresta de Eterna era conhecida por ser extremamente perigosa ao anoitecer. O local
era negro e ominoso, suas árvores pareciam cortar o céu formando uma imensa capa de galhos e
folhas, sendo que somente em algumas vezes era possível notar a fraca luz da lua transpassando os
finos galhos das árvores que pareciam tentar agarrá-los. Diversas teias eram vistas na floresta, o
que revelava a possível idade do local, provavelmente muitas daquelas árvores eram as mais antigas
em todo o continente de Sinnoh, carregando lembranças e memórias para sempre esquecidas. Essa
era Eterna Forest, um local assombrado e amaldiçoado pela mente humana que teimava em contar
diversas lendas sobre a temerosa floresta abandonada pelo tempo.
171



Lukas hesitava a cada passo que dava, os segundos dentro daquela floresta pareciam
afugentar-lhe a coragem fazendo com que o garoto sempre olhasse para os lados à procura de
qualquer movimento anormal nas redondezas; Dawn não largava dos braços de Luke que se sentia
bem em ter a garota ao seu lado, sabendo que agora ela depositava uma grande confiança no
jovem. Todos já haviam ouvidos histórias contadas sobre aquela floresta, nem mesmo a idade
avançada de Dawn impedia o receio de andar por aquelas bandas durante a noite. Era um feito de
poucos.
— P-Pessoal, eu ainda acho melhor nós termos ficado lá na entrada... Amanhã nós
podemos passar pela floresta. Hoje não tem nem sequer uma alma viva passando por aqui... —
comentou Lukas.
— Eu curto essa floresta cara, parece que nós estamos sendo observados o tempo todo.
Só eu tenho a sensação de que existem olhos nos seguindo...? — brincou Luke tentando assustar
o irmão.
— Não faça esse tipo de brincadeira Luke, eu também estou um pouco receosa —
comentou Dawn.
— Ah, qual é, pessoal! A Titânia mete mais medo nessa floresta do que qualquer coisa.
— riu o jovem, apontando para uma pokébola que jazia em sua cintura.
172

— Você lembra das lendas que contam sobre a Floresta de Eterna? — perguntou Lukas
em um tom sério.
O irmão fechou a cara no mesmo instante. Parecia que ele já ouvira outrora, e agora as
memórias daquelas lendas sinistras voltavam à tona. Luke ficou pensativo por um tempo e logo
assentiu que se lembrava das histórias contadas sobre aquela floresta, lendas não muito agradáveis
para o frágil coração das crianças que agora perambulavam na escuridão numa rota desconhecida.
— Lenda...? Que tipo de lenda seria? — perguntou Dawn receosa.
— E-Eu não vou contar, fiquei sem dormir uma semana depois de ouvir essa história do
tio Glenn. Conta você Luke. — disse o irmão.
— Bom, eu preciso me concentrar pra contar história de terror. Vamos dar uma parada
pra eu poder começar a contar a história. — disse Luke sorridente, abrindo sua mochila e
pegando uma laterna, sem seguida direcionando-a contra sua face de modo a deixar que a história
ficasse mais horripilante.

“Há muitos anos vivia uma linda moça nessa floresta, ela tinha cabelos loiros na altura do
ombros, tinha olhos verdes que mais pareciam um par de esmeraldas quando refletidos à luz da
lua. A mulher tinha um belo corpo e por isso sempre fora desejada pelos aldeões da vila próxima.
Ela vivia sozinha com seus servos numa imensa mansão ao norte da floresta, que era usada como
casa de campo pela rica família da garota.
Um humilde jardineiro que trabalhava no local sempre se encontrou apaixonado pela
imensa beleza da garota, mas a moça sempre fora rude para com o pobre homem. Ele tentava
demonstrar seu amor pela amada, mas ela o ignorava. Certo dia, o jardineiro criou coragem e
declarou-se para a mulher, que o negou e o humilhou. Tomado em fúria, o jardineiro decidiu
matá-la, o que fez com que a linda moça fosse assassinada sem misericórdia. O jardineiro
enterrou-a no próprio quintal da mansão, mas ninguém nunca encontrou o corpo da mulher.
Passados alguns dias, aquele mesmo jardineiro morrera de forma misteriosa, dizem que
ele fora assassinado, mas ninguém nunca descobriu com precisão quem fizera tal crime. Desde
então, aquela moça perambula por essas bandas para assombrar aqueles que passam na floresta.
Seu olhar frio petrifica os viajantes, de modo que ela possa levá-los para sua cova no quintal da
mansão e enforcá-los para saciar o ódio que sente de todos os humanos.”

Luke terminou a lenda e continuou observando a cara de espanto de seus dois amigos,
Dawn estava encolhida em seu canto enquanto ouvia atentamente a lenda contada, já seu irmão
173

Lukas mantinha uma feição de choro. Assim que Luke terminou de contar a lenda ele caiu no riso
por não conseguir conter-se em ver a cara de assustado dos dois.
— HAH, HAH, HAH! Não acredito que vocês estão com medo! É só uma lenda cara,
vocês acham que vai aparecer uma mulher vestida de branco atrás de nós?! É só uma histórinha
que um tio nosso contava, nem é real. — riu Luke.
— Você... Você não devia ter contado isso... — sussurrou a garota em um tom sério.
— Ah, por favor, é só uma lenda besta. Essas coisas não existem. Olha, se não quisessem
ouvir era só não terem pedido, daí eu não contava.
— Luke, você não devia ter contado isso... — repetiu Dawn passando a mão em sua face
em sinal de descontentamento.
Os dois garotos desconheciam aquele lado preocupado da garota, ela parecia suar frio
como alguém que estava prestes a desmaiar.
— D-Dawn, não fique com medo... Olha, vou deixar meu Pachirisu com você, então não
precisa ter medo, ele é bem corajoso! — disse Lukas, lançando a pokébola do pequeno pokémon
que subiu nas costas da moça — Pachirisu, quero que cuide da Dawn e não deixe nada acontecer
com ela, ouviu?
— Pachii, pachiii! — assentiu o pokémon.
— Ah, que ótimo. — disse Luke irritado — Agora vou ficar com peso na consciência
por assustar vocês dois. Se alguém vier me encher o saco de noite por que não está conseguindo
dormir vocês vão ver.
Luke parecia descontraído enquanto direceionava a luz de sua lanterna para o céu
quando de repente ouviu um estranho som vindo da floresta. Ele rapidamente levantou seu olhar
e encarou as redondezas apontando o feixe luminoso em meio a sinistra floresta à procura de
algo, ou alguém, escondido na escuridão.
— Ow, vocês ouviram isso?
— O-Ouviu o quê? — perguntou Lukas receoso.
— Na moral cara. Sem zuar agora. Eu ouvi... som de metal sendo rastejado... — afirmou
Luke, percebendo a feição de espanto de seu irmão e da garota — Vocês iriam entrar em pânico
se eu dissesse que eu ouvi barulho de correntes...?
Dawn soltou um grito de desespero e levantou-se rapidamente para sair daquela floresta
de uma vez por todas. Desde o início fora uma péssima idéia ter entrado lá, e agora até mesmo
Luke tinha receio da decisão que tomara.
— Aaah!! Que ódio, nós nunca deveríamos ter entrado aqui, vamos embora e esperar o
amanhecer, por favor!!! — implorou Dawn.
174

— Agora vou ter que concordar com vocês. Vamos embora e amanhã nós voltamos, foi
uma péssima idéia entrar nessa floresta de noite! — respondeu Luke de modo eufórico,
arrumando suas coisas e pronto para dar partida, quando de repente uma figura sinistra pôde ser
vista dentro da floresta.
Luke levantou sua visão e avistou uma estranha criatura que flutuava em meio à densa
neblina que começava a ser formada na floresta, a criatura parecia tomar a forma de uma mulher,
seu corpo vestia um fino vestido branco que parecia manchado nas pontas. A figura tinha olhos
sem expressão que brilhavam intensamente em meio à floresta, e a cada segundo a misteriosa
figura parecia aproximar-se mais dos jovens.
Os três gritaram em sinal de pânico e saíram correndo dali, cada qual para um lado
diferente deixando a figura fantasmagórica para trás. Nenhum deles pôde perceber do que se
tratava, mas certamente aquela imagem sinistra ficaria guardada em suas mais obscuras
lembranças.

Dawn correu até não agüentar mais, suas pernas doíam, mas ela não queria olhar para
trás, a adrenalina em seu corpo fazia com que corresse cada vez mais. O pequeno Pachirisu em
seu ombro lutava para acompanhar seus movimentos, e depois de um certo tempo, ela finalmente
parou de baixo de uma árvore. Dawn encolheu-se e abraçou seus joelhos, ela não queria abrir seus
olhos, pois sabia se a realidade poderia ser pior do que a escuridão que a rondava. Tudo que se
podia ouvir era o choro abafado de uma garota naquela floresta; uma garota que agora estava
sozinha, pois Luke e Lukas haviam desaparecido.

• • •

Os irmãos estavam agora do lado de fora da floresta, ambos pareciam ofegantes e
cansados, pois já não agüentavam mais correr. A imagem da criatura ficara na cabeça de Lukas,
que agora tinha uma feição preocupada a respeito daquela estranha lenda que seu irmão contara.
— Você viu aquilo? Será que era a mulher da lenda? Será que ela veio nos pegar porque
invadimos seu território...? — perguntou Lukas ofegante.
— Eu nunca senti tanto medo na minha vida cara... — suspirou Luke.
Enquanto os dois descansavam, Luke rapidamente notou a falta de sua amiga que não
estava no grupo, ele sabia que ela provavelmente teria se perdido na hora do pânico. O rapaz
175

fechou seus olhos e passou a mão no rosto, pois sabia que Dawn estava sozinha naquela floresta
escura.
— Foi minha culpa ter contado aquela história, eu sou um idiota!! — gritou Luke em
sinal de desapontamento — Cara, eu não vou descansar enquanto eu não tirar a Dawn segura
daquela floresta.
— Como assim, você vai voltar para a Eterna Forest?!
— Você não vai me impedir de entrar lá de novo. Ou você fica aqui sozinho, ou volta
pra dentro da floresta comigo! Eu sei que ela é mais velha do que nós e sabe muito bem cuidar-se
sozinha, mas por dentro acredito que ela seja apenas uma garota meiga e assustada. Eu preciso
ajudá-la! — disse Luke, preparando uma de suas pokébolas — Titânia, eu escolho você!!

Luke lançou a pokébola de sua imensa serpente que o olhou em sinal de
descontentamento, provavelmente aquela não seria uma boa hora para ter escolhido Titânia que
detestava ser interrompida quando estava noite.
— É bom você ter uma boa explicação para chamar-me à uma hora dessas... — disse a
serpente irritada, abaixando-se até ficar na altura dos olhos de seu treinador.
— Minha melhor amiga tá presa naquela floresta, nós vamos entrar lá e procurar ela o
mais rápido possível. Demorô? — ordenou Luke.
— Refere-se àquela humana fêmea de cabelos negros? Tudo bem garoto, acho que posso
ajudá-lo. Dessa vez. — disse Titânia.
Lukas ficou surpreso ao perceber que pela primeira vez seu irmão conseguira controlar
seu pokémon perfeitamente. Eles então subiram nas costas da gigantesca Onix e adentraram
novamente naquela inóspita floresta.

• • •

Dawn permanecia sentada sob uma camada de folhas secas da floresta enquanto tentava
abafar o som de seu choro no silêncio da noite. O pequeno Pachirisu de Lukas tentava animá-la,
mas ele também tinha receio por estar em um campo desconhecido e sem o auxílio de seu
treinador. A garota queria evitar ao máximo olhar para os lados, pois não sabia o que encontraria,
e sua mente humana poderia ver o pior. De repente, ela começou novamente a ouvir sons de
passos andando nas proximidades.
176

O pequeno esquilo se colocou em posição de ataque, pois prometera ao seu mestre que
não deixaria que nada de ruim acontecesse com a garota. Dawn levantou seus olhos de relance e se
deparou com a silhueta de uma mulher vindo em sua direção; seus pés não obedeciam seu corpo e
ela nem mesmo conseguia colocar-se de pé para fugir dali. Logo, a misteriosa figura aproximou-se
de Dawn e agachou-se ao seu lado para ficar na mesma altura de seu olhar.
— Você está perdida, garota? — perguntou a mulher com uma voz doce.
Dawn não respondeu por um instante e em seguida voltou seu olhar para a moça. Ela
tinha cabelos verdes amarrados em uma longa trança que recaia sobre seus ombros, seus olhos
eram verdes e transmitiam um certo conforto e segurança. A mulher estendeu a mão para Dawn
que levantou-se com dificuldade, logo em seguida abraçando a pequena garota que mantinha seus
olhos inchados.
— Não tenha medo da floresta, ela nunca iria fazer mal à vocês. Meu nome é Cheryl, eu
estava passando aqui perto quando ouvi gritos, então decidi vir procurar de onde vinha. —
confortou — Tudo vai ficar bem. Você já é uma moça, e garotas assim não devem chorar.
— Obrigada... — agradeceu.
— Qual o seu nome garotinha? — perguntou Cheryl.
— Dawn... — respondeu ela receosa.
— Dawn... É um nome muito
bonito. — sorriu Cheryl — É perigoso andar
por essas redondezas de noite, ainda mais
para uma garota bonita como você. —
alertou ela.
— Eu não estava sozinha, eu estava
com meus amigos, mas nós nos assustamos e
então acabamos nos separando. — explicou
ela.
— Entendo... Venha comigo, pois eu
sei onde fica a saída dessa floresta, eu já me
perdi muito aqui quando era mais jovem.
Fique atenta para encontrar seus amigos, é
melhor sairmos dessa floresta o quanto antes.
— disse Cheryl.

177

Hora ou outra alguns Murkrow apareciam entre os galhos das árvores enquanto seguiam
as garotas com seus olhos noturnos. Dawn andou por um tempo na companhia de Cheryl que
parecia conhecer perfeitamente aquele local, as duas já aproximavam-se da saída do norte quando
perceberam uma enorme mansão cercada por paredes e um portão destruído em sua frente.
Aquela parecia a própria casa da lenda da princesa que Luke contara, o que dispertou uma grande
curiosidade em Dawn no mesmo instante.
— Meu amigo me contou uma lenda sobre essa mansão... O que ele falou era verdade?
— disse Dawn.
— Ah, imagino que tenha sido a história sobre uma princesa que foi morta aqui e que
perambula por essas bandas procurando por uma vítima, não é? — perguntou Cheryl.
— E-Exatamente! — disse Dawn surpresa.
— Heh... Meninos são assim mesmo, gostam de ficar colocando medo nas garotas. Mas
não ligue para o que ele falou, tudo não passa de uma lenda. — sorriu Cheryl.
— Que ótimo, assim fico mais aliviada...
— Eu estava brincando. Isso aconteceu sim, só que há 3 décadas atrás. Essa lenda que seu
amigo contou realmente aconteceu, legal não? — disse Cheryl com um sorriso estampado em seu
rosto.
— Você não está ajudando muito, Cheryl... — retrucou Dawn.

Dawn e Cheryl continuaram seu caminho até a saída quando ouviram um enorme
estrondo que vinha de trás das árvores, e de lá, surgiu a serpente de pedra na companhia dos dois
irmãos que procuravam Dawn por todos os cantos da floresta.
— Dawn?! Onde você estava, nós ficamos tão preocupados!! — disse Lukas, correndo em
direção da garota e abraçando-a.
Cheryl sorriu enquanto pensava que o jovem fosse o irmão mais novo de Dawn, ela
apreciava a forma como ele demonstrava carinho, algo que parecia raro nos dias atuais. Dawn
retribuiu o abraço em Lukas e passou levemente sua mão em seu rosto que agora a fitava aliviado.
— Eu estou bem Lukas. Tive sorte de encontrar essa mulher que conhece muito bem a
floresta. Seu nome é Cheryl, e ela estava me guiando para fora da floresta. — explicou a garota.
— Muito prazer, senhorita Cheryl. Agradeço imensamente por ajudar nossa amiga! —
agradeceu Lukas.
— Ah, sem problemas. Eu imaginei que vocês dois fossem irmãos. — sorriu ela —
Agora digam-me, quem é que teve a brilhante idéia de entrar na Eterna Forest durante a noite? —
perguntou ela.
178

Os dois apontaram para Luke que no momento conversava com Titânia agradecendo a
ajuda. Ele retornou seu pokémon e andou em direção de Cheryl.
— E aí mano. — cumprimentou ele.
— Quem você pensa que é para ficar perambulando por essa floresta de noite? Vocês são
crianças, não sabem que pode ser perigoso?? E se eu não estivesse aqui, o que teria acontecido?? —
perguntou Cheryl zangada, enquanto apontava para Luke que recuava cada vez mais.
— Q-Quem é você?? — perguntou Luke.
— Meu nome é Cheryl, e saiba que eu não quero mais vocês andando por aí de noite,
ouviu? Aposto que foi você que convenceu seus amigos a entrarem aqui, não foi? Você é muito
irresponsável! — disse Cheryl.
— Ow, quem você pensa que é? Minha mãe?? Eu nem te conheço e você ainda quer ficar
mandando em mim? — respondeu Luke.
— Ora essa, seu ingrato. Vocês poderiam estar correndo perigo, saiba que eu só quis
ajudar! — respondeu Cheryl.
— Afe, e por um acaso eu pedi sua ajuda mulher? Eu estava quase encontrando a Dawn
quando você surgiu do nada pra estragar minha glória. — respondeu Luke, tendo em seguida seu
braço segurado por Dawn que o fitava com um olhar de reprovação.
— Podia ter sido perigoso Luke, e a Cheryl me ajudou muito. Não seja ignorante e peça
desculpas. — disse Dawn.
— EUUUU?? Pedir desculpa?! Essa palavra não existe no meu dicionário.
— Então vou ser obrigada a realizar uma reforma ortográfica e implementar essa palavra
no seu vocabulário limitado. Pede desculpa, agora. — disse Dawn, fazendo o garoto desculpar-se
no mesmo instante.
— Desculpa tia. E obrigado por ajudar minha amiga a sair da floresta. — respondeu
Luke — Pronto, agora podemos ir embora.
— Da próxima vez que você quiser entrar na floresta, ouça o conselho de seus amigos e
entre de dia, ouviu garoto? — aconselhou Cheryl.
— Foi mal!! É que eu queria chegar em Eterna ainda hoje pra poder batalhar no ginásio,
mas acho que meu egoísmo quase nos levou a uma enrascada. — explicou Luke.
— Ginásio, você diz? Compreendo... — disse Cheryl num tom de curiosidade — Ora,
perdoem-me também por ter sido muito apreensiva, tenho o costume de preocupar-me com
pessoas mais novas. Bom, é melhor vocês descansarem hoje, pois acredito que amanhã o dia será
muito agitado. Vou levá-los até o Centro Pokémon, e pode deixar que eu arrumarei um ótimo
quarto pra vocês.
179

— Muito obrigado, Cheryl! — agradeceu Dawn.

A noite estava quase no fim, mas pelo menos dessa vez os garotos poderiam dormir até
tarde e descansar do dia cansativo que tiveram. Os jovens então seguiram rumo à cidade de Eterna
na companhia de Cheryl, que lhes forneceu um ótimo quarto no Centro Pokémon. Lukas e Luke
teimavam em pensar na misteriosa imagem da mulher que avistaram na floresta, mas o cansaço era
maior e isso impediu com que os dois permanecessem acordados pensando no assunto.
Dawn entrou no quarto dos irmãos e lentamente ajeitou a coberta de Lukas, em seguida
dando-lhe um suave beijo no rosto para desejar-lhe boa noite. Luke estava no banheiro escovando
seus dentes antes de dormir, Dawn deu uma leve batida na porta e desejou-lhe boa noite, em
seguida voltando para seu quarto. Porém, ela continuava com sua mente em trabalho, era como se
a euforia daquela noite não a deixasse descansar, e de certo modo a imagem da mulher na floresta
ainda lhe perturbava.
Já havia passado uma hora e o sono ainda não surgira. Dawn andou lentamente até o
cômodo dos dois irmãos e bateu lentamente na porta. Luke atendera de certa forma rude, pois já
era tarde para qualquer tipo de serviço, mas ao ver que se tratava de Dawn seu rosto estampou um
semblante de surpresa.
— O que houve Dawn...? — perguntou ele com uma voz sonolenta.
— Eu não consigo dormir... Fiquei pensando na lenda que você contou e... Não estou
conseguindo dormir mesmo. Parece ridículo alguém com minha idade ficar com medo disso, né...
— comentou ela, enquanto Luke continuava a observá-la confuso — Ah, desculpe-me por
incomodá-lo. Você havia dito que ficaria bravo caso alguém não conseguisse dormir à noite por
causa dessa lenda... Eu já estou indo embora. Boa noite.
— Ahh, esquece aquilo que eu falei... Sei que parece estranho, mas você não quer dormir
aqui com a gente? — perguntou ele um pouco sem graça.
— O quê? — indagou Dawn surpresa.
— N-Não que eu queira algo do tipo, quer dizer, é só pra você ficar aqui se estiver com
medo. Daí a gente fica bem longe, é só pra ver se o medo passa, sei lá, mas se não quiser... —
gaguejou ele receoso pela proposta que fizera.
A garota deu um sorriso sem graça e entrou no quarto. Lukas nem mesmo acordara com
sua presença. Luke procurou algum lugar que ela pudesse ficar, mas não encontrou, deixando
então sua cama para que ela deitasse, e arrumando um colchão no chão para si.
— Não tem problema mesmo se eu dormir em sua cama, Luke? — perguntou a garota
meio sem jeito.
180

— Não, não. Contanto que você se sinta segura aqui no quarto. Pode ficar tranqüila que
a gente não vai deixar nada acontecer com você, beleza?
Dawn sorriu e agradeceu a preocupação, deitando-se na cama e fechando seus olhos pelo
cansaço. Agora Luke tentava dormir no chão duro e gelado do quarto, mas ele estava feliz, pois
sabia que era para agradar a garota que ele mais admirava.

A Floresta de Eterna guarda muitos segredos e mistérios indecifráveis, e mesmo que com
muitas dificuldades, os jovens conseguiram fazer seu caminho até a cidade de Eterna com o
auxílio de uma mulher que conheceram por acaso, chamada Cheryl. Agora eles poderão descansar
e preparar-se para a segunda batalha de ginásio de Luke, que será contra um líder especialista em
tipos planta. Será que ele conseguirá vencer tal desafio tendo um time de pokémons em
desvantagem?






















181

CAPÍTULO 16

Botânica

Mais um lindo dia surgia dentre as manhãs gélidas de Sinnoh, Luke encolhia-se entre
seus finos cobertores para tentar evitar o frio, enquanto Lukas já preparava-se para tomar seu café
da manhã e iniciar seu treino para a competição que haveria dentro de uma semana. Ainda era
bem cedo, Dawn já não encontrava-se mais no quarto dos irmãos, ela parecia já ter acordado
disposta a dar uma volta e conhecer a nova cidade de Eterna.
Eterna City era marcada pelo tempo, as evidências de sua antiguidade eram vistas em
construções antigas porém bem conservadas que eram espalhadas pelas estreitas ruas do local. O
nome Eterna referia-se justamente ao fato de que a cidade era muito antiga, sendo algo eterno e
que duraria para sempre.



Era cedo, mas já haviam algumas pessoas andando nas ruas para iniciar sua rotina de
trabalho. Dawn parecia despreocupada enquanto caminhava calmamente pelo local, observando
cada detalhe da bela cidade que tinha seu charme. Eterna nem poderia ser comparada à Jubilife e
182

Oreburgh, ela transmitia uma certa tranqüilidade capaz de acalmar qualquer um, o que tornava-se
bem diferente das cidades poluídas e turbulentas que os jovens visitaram.
Dawn continuava seguindo pelas calçadas enquanto procurava algo para fazer quando
fora surpreendida por um homem de sobretudo que vinha em sua direção. Aquele rosto e aquela
feição de preocupação lhe eram familiar, e quando o homem lhe dirigiu a palavra, ela rapidamente
lembrou-se de quem se tratava.
— Agente D. Nos encontramos de novo... Descobriu algo a respeito do paradeiro das
equipes criminosas na ativa? — perguntou o homem.
— Senhor Observador, eu não havia reconhecido o senhor! — disse Dawn surpresa.
— Sou um mestre do disfarce, Agente D. O que faz em Eterna?— continuou o homem
em um tom desconfiado, olhando para os lados e verificando se alguém os observava.
— Hm... Eu e meus amigos viemos para batalhar no ginásio da cidade, por isso estamos
aqui. Tivemos um caminho muito conturbado desde Jubilife até Eterna, então acho que vamos
ficar por um tempo para descansar.
— Entendo. Estou verificando vestígios do Team Galactic na cidade, a polícia afirmou
que depois de um incidente do Valley Windworks eles partiram para Eterna, em uma de suas
bases.
— Oh, fomos nós que encontramos o Team Galactic na usina. Eu e meus amigos, nós os
derrotamos. — respondeu ela animada.
— O quê?! Como eles eram? Em quantos estavam? Quem os liderava? O que pretendiam
fazer lá?? Por quê estavam lá?? Responda-me, Agente D!— respondeu o Observador, enchendo a
garota de perguntas.
— C-Calma, o Team Galactic não parecia estar fazendo nada de mau. Meus amigos
conversaram normalmente com eles, e até que fomos bem recebidos...
— Seus amigos...? Hm, isso é suspeito, muito suspeito. Fiz bem em mandar que você
guardasse segredo e não contasse nada para eles. — comentou ele, direcionando novamente seu
olhar para a garota — Ou você contou algo para eles?
— Contar o quê?? — perguntou Dawn confusa.
— Deixa pra lá, não conte nada sobre o Team Galactic para seus amigos estranhos. Eles
são estranhos, muito estranhos. Eu temo que eles também façam parte dessa corporação, então
tome cuidado com os amigos que escolhe, Agente D. Eles podem fazer parte do Team
Galactic com seus planos maléovolos para dominar o mundo! — disse o Observador.
Dawn observou o homem sem entender sequer uma palavra do que dissera, ele
rapidamente colocou suas mãos em seus bolsos e observou em volta novamente.
183

— Não conte para ninguém que tivemos essa conversa, e continue investigando o Team
Galactic secretamente. — respondeu o Observador, afastando-se da garota e desaparecendo em
meio às movimentadas ruas da cidade.
— Ele é louco... — riu Dawn, enquanto tentava entender o que o homem acabara de
dizer.

Mais tarde, Dawn retornou para o Centro Pokémon deparando-se com Lukas que já
estava acordado tomando seu café-da-manhã com seu irmão ao seu lado, mas Luke mais
aparentava estar dormindo sentado com a cabeça encostada na mesa.
— Bom dia, Dawn. — disse Lukas gentilmente enquanto tomava um gole de seu suco.
— Bom dia rapazes. Acordaram cedo, hein? — sorriu ela.
— Acordamos mesmo, mas me fala, pra quê acordar cedo? Parece que vocês madrugam
cara, nem pra me deixarem dormindo mais um pouquinho... — resmungou Luke que permanecia
debruçado sobre a mesa.
— Bom, a batalha de ginásio é sua, então eu realmente não estou me importando se você
demorar. Quero dar uma volta na cidade e treinar meus pokémons, estou até pensando em
aumentar meu time... Será que encontramos algum Pokémon legal nas redondezas? Estou
precisando de um aquático. — disse Lukas.
— Ah não, a cada dia que passa eu vou ficando mais pra trás. Também quero aumentar
meu time então, eu estava pensando seriamente em capturar um Geodude, o que acham?
— Péssima idéia Luke, você possuí três pokémons com tipos parecidos, procure montar
seu time de modo que ele fique mais versátil. Se não for cauteloso vai perder na batalha do
ginásio hoje. — alertou Dawn — E a propósito, já tem uma tática para derrotar a líder de grama?
Luke rapidamente levantou sua cabeça e revelou um largo sorriso.
— Vou usar a Titânia e arregaçar todo mundo, é óbvio. Alguém sabe quem é o líder do
ginásio? — perguntou o garoto.
— Seu nome é Gardenia, especialista em pokémons do tipo grama.
— Blargh, grama fede. Ela deve ser zuada, eu queria que todos os líderes fossem firmeza
que nem o Roark. — disse Luke, debruçando-se novamente sobre a mesa.
— Mas você nem a conhece e já vai criticando? Não seja tão precipitado Luke, ela pode
ser bondosa e divertida. — explicou Lukas.
— Não, eu não gosto de grama. E não vou gostar dela. — respondeu o garoto,
abocanhando mais um pedaço de seu sanduíche.
— Você não tem jeito mesmo... — disse Lukas acenando sua cabeça negativamente.
184


Dawn esperou que os irmãos terminassem de comer para finalmente partir em direção do
ginásio. Naquele horário do dia provavelmente ele já estaria aberto, mas aparentemente não
haviam muitos treinadores que pareciam estar interessados em uma batalha. A maioria nas
redondezas eram mulheres, mas que aparentavam mais interessadas em visitá-lo do que em
agendar uma batalha. O ginásio parecia também funcionar como um laboratório de botânica para
estudantes, sendo que muitos que lá estavam vestiam aventais e estudavam a imensa variedade de
flores e plantas na estufa do ginásio.
— Olhe só, pessoal! O ginásio de grama de Eterna é muito conhecido pelas pesquisas
exercidas na parte de botânica, eles possuem vários exemplares
de briófitas, pteridófitas e gimnospermas. É até interessante a forma como eles reproduzem novas
espécies de plantas através da polonização das flores. — dizia Lukas animado que aparentava
adorar a visita ao local.
— Sorria e concorde com o que ele disse. — explicou Luke.
— Heh, heh... Puxa, que legal, Lukas!! — respondeu Dawn, sem entender sequer uma
palavra do que o jovem acabara de dizer — Acho que eu faltei nessa aula da escola, parece que ele
está falando em outra língua.
— Eu gostava quando a gente tinha aula prática de botânica, pois eu nunca iria imaginar
que uma simples planta poderia ter um conjunto tão complexo de reprodução.
As briófitas são haplodiplobiontes, sabia?
— Mano, planta é planta. Pra quê a gente precisa saber de todas essas porcarias sobre
plantas?? — perguntou Luke.

Nesse instante, uma mulher que ouvia a conversa andou em direção dos garotos e se pôs a
responder a ousada pergunta que Luke fizera.
— Ora essa, as plantas transformam dióxido de carbono em oxigênio. São o habitat de
grande parte dos seres vivos. Absorvem grandes quantidades de água das chuvas
impedindo cheias. — disse a mulher, citando as inúmeras funções das plantas para o mundo —
Uma árvore isolada pode transpirar em média 400 litros de água por dia. Este vapor mistura-se
com as partículas de poluição do ar, e quando se acumulam em nuvens caem em forma de chuva.
Portanto, as árvores ajudam a retirar poluentes do ar! Quer alguma coisa a mais? Podemos ficar
aqui até amanhã falando sobre as qualidades das plantas. — respondeu a mulher.
— Caramba, você de novo?! — gritou Luke apontando em direção da mulher que
mantinha-se de pé ao seu lado.
185

— Cheryl!! — disseram Dawn e Lukas em unissono,
alegres em ver novamente a mulher que os ajudara na noite
passada.

— Bom dia pessoal, dormiram bem noite passada?
Espero que os funcionários do Centro Pokémon tenham
recebido-os bem. — sorriu Cheryl.
— Oh sim, fomos muito bem atendidos. E por sinal,
estamos adorando a cidade. — disse Dawn — O que você está
fazendo no ginásio? Veio ter uma batalha contra o líder?
— Não, não. Eu trabalho aqui como bióloga, sou
especializada em botânica. Porém, o ginásio tem sido pouco
frequentado ultimamente, são raros os desafiantes que buscam
uma insígnia uma vez que Gardenia está hospitalizada há uma
semana. — explicou a mulher de cabelos esverdeados.
— Como assim? A líder do ginásio não está aí hoje?! —
gritou Luke.
— Mas é claro que está... — respondeu Cheryl
— Ufa, pensei que teria que esperar até sei lá quando para batalhar com a líder. Onde ela
está? — perguntou ele.
Cheryl revelou um sorriso simpático e provocativo ao mesmo tempo, ela abaixou a cabeça
por um momento e na sequência dirigiu-se à Luke como se o desafiasse para uma batalha.
— Eu sou a líder do ginásio.
Os três jovens ficaram atônitos, eles não imaginavam se era brincadeira ou se Cheryl
falava sério, mas o tom de seriedade que ela pronunciara era impossível duvidar. Cheryl era a líder
temporária do ginásio de grama.
— VOCÊ?? Tem que ser bem você?! Cadê a Gardenia, ela volta quando?! — perguntou
Luke preocupado.
— Ora essa, parece que você será meu adversário. Foi você quem levou seus amigos para
entrarem na Eterna Forest ontem, não é? Que mau exemplo, e também precisarei ensinar-te a
respeitar mais as plantas. — respondeu Cheryl.
— Ei, ei! Eu já pedi desculpas por ontem. Agora é sério, a Gardenia volta quando? —
disse Luke.
186

— Ela está doente, não sei quando ela vai voltar, o hospital ainda não deu alta mesmo
não sendo nada grave. Sou uma grande amiga dela, e estou apenas fazendo um pequeno favor para
a Gardenia enquanto ela não tem condições de permanecer no ginásio. — explicou Cheryl —
Agora, caso você não queira batalhar... O próximo ginásio é logo adiante, em Hearthome. Só não
se esqueça de voltar para Eterna para conseguir a sua Forest Badge.
— Ótimo, pelo menos você tem boas ideias, senhorita líder de ginásio. — disse Luke
num tom irônico, o que irritou ainda mais a mulher.
— Minha nossa, como você consegue ser tão ignorante garoto?! É difícil eu perder minha
paciência com as pessoas, mas pelo visto você conseguiu! — gritou Cheryl.
— EU?? Eu sou o cara mais suave do mundo, 'cê que torra minha paciência!! —
respondeu Luke.

Nesse momento, quem havia perdido a paciência eram Lukas e Dawn, os dois puxaram
Luke para um canto prontos para reclamarem da falta de educação do garoto que agia como uma
criança ao lado da líder.
— Quer parar de ser ridículo? A Cheryl foi muito gentil com a gente, será que você pode
ser bondoso com ela pelo menos como agradecimento? E você vai batalhar contra ela no ginásio,
depois não vai reclamar se ela for com força total pra cima de você! — advertiu Lukas.
— Eu? Na moral, dessa vez é ela quem deve pedir desculpas. Eu não fiz nada de errado, e
eu não vou pedir desculpa. — respondeu o garoto.
— Luke, por favor... Ela me ajudou bastante. — insistiu Dawn.
Ele a olhou pensativo e por um momento a pena tomou seu coração, pelo visto Dawn era
a única pessoa que conseguia fazê-lo desistir de seu orgulho.
— Ugh... Maldito poder de sedução feminino. — resmungou Luke, andando em direção
da líder do ginásio — Olha Cheryl, é a segunda vez que eu perco a paciência com você, mas é que
essa é minha personalidade. Eu peço humildemente para que você aceite minhas desculpas.
Cheryl olhou para Luke pensativo, mas decidira aceitar o perdão do garoto só pelo fato
dele ter sido sincero.
— Olha aqui, você tem uma amiga que vale ouro. Se você não cuidar bem dela eu vou até
o fim do mundo pra te procurar, ok? — disse Cheryl com um sorriso.
— O quê?? M-Mas eu e a Dawn não somos nada, s-só amigos! É tipo uma amizade, não
chega a ser um namoro, sabe?! — respondeu Luke ofegante.
— Namoro? Oh, mas em momento algum eu citei isso. Hm... Senti um clima no ar. —
sorriu Cheryl em um tom provocativo.
187

— Ahh!! Você me enganou!! — gritou Luke.
— Hah, hah, hah! É só brincadeira! — respondeu a mulher.
Por sorte, Luke e Cheryl acabaram entendendo-se e evitando uma possível briga precoce
entre líder e treinador. Luke é orgulhoso, e mesmo que Cheryl seja gentil e educada, ela também
acaba por ter um temperamento um tanto quanto explosivo quando lhe faltam com respeito, mas
por sorte tudo estava resolvido.

Os jovens entraram no laboratório do ginásio na companhia de Cheryl. Lukas parecia
maravilhado enquanto observava atentamente a variedade de plantas e de pokémons do mesmo
tipo. Cheryl era muito inteligente e apreciava o entusiasmo do jovem Lukas, mas Luke não
conseguia parar de pensar em sua tão esperada batalha.
— Cheryl, esse laboratório é realmente fascinante! Ele é seu, ou é mantido pelo ginásio?
— perguntou Dawn.
— O ginásio é originalmente da Gardenia, eu sou apenas uma bióloga do local. Faço
pesquisas para o desenvolvimento de berries novas que possam ser criadas para ajudar os
pokémons. — explicou ela.
— Berries? Vocês fabricam berries aqui? — perguntou Lukas animado.
— Sim, sim. Vejo que possui interesse nesse assunto, então gostaria de alguns
exemplares? Temos desde as mais simples até algumas mais sofisticadas, mas essas não podem ser
distribuídas gratuitamente, pois ainda estão em processo de avaliação.
— Eu adoraria ter algumas berries, comprei um pote em Floaroma, mas realmente não
tive a oportunidade de encontrar muitas árvores pelo caminho. Acho que outros treinadores
foram mais rápidos. — riu o garoto.
— Ok, vou procurar por algumas que você possa guardar e começar sua coleção, quero
vê-lo tornando-se um grande produtor desses frutos, tudo bem? — sorriu Cheryl.
— Pode deixar!

Luke já não aguentava toda aquela conversação sobre plantas e flores, sua ansiedade pela
batalha aumentava, mas ele estava disposto a aguentar um pouco mais, pois Dawn parecia apreciar
a conversa.
— Luke, não é legal ver esses dois conversando? O Lukas e a Cheryl são muito
inteligentes, acho que seu irmão seria um ótimo pesquisador pokémon, ele poderia tentar seguir
essa carreira. — disse Dawn.
188

— Você gosta de gente inteligente? Eu queria poder ser inteligente cara... — respondeu
Luke em um tom enstristecido.
— Ah Luke, você não precisa ser inteligente. Eu gosto do seu jeito exatamente como é, e
acho que isso o torna especial. — respondeu Dawn, segurando levemente na mão do rapaz. Logo
em seguida, Cheryl entrou na sala em que eles estavam e avistou a cena.
— Ei Luke, preciso falar com voc... Ah, deixa pra lá, desculpem-me. Eu não queria ter
incomodado.
— Aaah, nós não estávamos fazendo nada. — retrucou Luke envergonhado — O que
você iria dizer Cheryl?
— Pronto para a batalha, garoto?
— Eu nasci pronto. — respondeu ele animado.

O estádio não estava muito cheio e nem mesmo possuia uma platéia, apenas alguns
cientistas pareciam presenciar a batalha contra a líder Cheryl. O cenário era repleto de verde e
árvores gigantescas fazendo com que o campo de batalha parecesse uma verdadeira floresta. A sala
era completamente fechada, sendo que o público só poderia assistir a batalha atrás das altas
janelas de vidro localizadas em um galpão. Apenas Luke, Cheryl e o juiz da batalha estavam em
cena, o jovem tinha confiança e estava determinado a dar tudo de si naquela batalha,
principalmente para não fazer feio em frente de Dawn que assistia de longe a disputa.
— Bom, vejo que possui três pokémons, Luke. Então o que acha de uma batalha três
contra três? — sugeriu Cheryl.
— Tá ótimo. — assentiu Luke animado — Que vença o melhor!
— Boa sorte garoto, mostre-me tudo que for capaz!
Logo na sequência, o juíz declarou a batalha iniciada. Cheryl lançou sua pokébola que
liberou um pequeno pokémon em forma de broto, a criatura parecia esconder-se dentro de uma
flor envolvida em um tom violeta chamativo, escondendo totalmente seu rosto.
— Um Cherrim. — concluiu ele — Então vamos ver do que essas plantas são capaz!
— Não pense que vou pegar leve com você Cheryl, vou mandar força total para acabar de
vez com essa batalha. Titânia, eu escolho você!
Luke lançara a pokébola da gigantesca serpente rochosa que rugiu assim que saiu da
cápsula. Cheryl não estava surpresa, pois já havia visto o mesmo pokémon na noite passada na
floresta, e provavelmente ela sabia como lidar com a situação.
—Vamos detonar esse ginásio, Titânia!! — disse Luke confiante.
189

— Bom dia para você também Luke, obrigada por perguntar. — respondeu o Pokémon
em um tom irônico — Você não sabe como eu estava ansiosa por uma batalha em um fim de
semana....
— Sério?
— Não. Mas agora que você me acordou vamos terminar logo essa luta para que eu
possa descansar. — respondeu a serpente.
— Não vamos perder tempo Cherrim, utilize o Sunny Day! — ordenou Cheryl.

O pequeno broto rapidamente fez movimentos com suas pétalas que pareciam ter
limpado todas as nuvens no céu. O teto do ginásio era feito de vidro, e desse modo um sol muito
intenso pôde entrar iluminando totalmente a sala e causando um forte calor no local. Logo, o
pequeno Cherrim já não tinha suas pétalas fechadas, agora elas estavam abertas e exalavam um
lindo aroma, demonstrando toda a beleza do Cherrim.
— Demorô. Titânia, use o Earhtquake!!
Ao invés de seguir os conselhos de seu treinador, a grande serpente utilizou de seu imenso
corpo para jogar-se na direção da pequena planta que fora esmagada pela peso da rocha. Era
um Double-Edge, e pelo fato da habilidade de Titânia ser Rock Head ela não recebera nem um
pouco de dano.
— Eu mandei você usar Earthquake Titânia, não Double-Edge!! — gritou o treinador.
— Ataques terrestres não são tão efetivos em pokémons do tipo grama, fugiu da escola
mocinho? Isso é o básico que um treinador deve saber. — respondeu a serpente.
— Ok, ok. Deu certo do mesmo jeito, o Cherrim já era.
Cheryl apenas observava atônita seu pequeno pokémon ser destruído com um simples
golpe. Ela sabia da presença do Onix, mas não imaginava que a serpente fosse tão poderosa.
— V-Volte Cherrim! — ordenou.
— Um já era, manda o próximo Cheryl! — provocou Luke.
— Não pense que terá tanta sorte dessa vez, vou mostrar do que os pokémons grama são
capazes! Roserade eu escolho você!
Cheryl lançara uma linda planta que parecia usar um longo vestido enquanto carregava
outras duas rosas em suas mãos. Lukas ficou maravilhado assim que avistou a Roserade no campo
de batalha, libertando assim sua pequena Budew para presenciar o ocorrido. A Roserade parecia
forte e determinada, mas Titãnia não se deixava ser dominada pelo tipo em desvantagem por estar
lutando contra um pokémon do tipo grama que podem vir a causar danos imensos em pokémons
pedra e terrestres.
190

— Uma Roserade! Olhe só Budew, você ainda vai tornar-se tão forte quanto o pokémon
da Cheryl! — comentou Lukas, enquanto carregava seu Pokémon que assistia fascinada a
batalha.
Utilizando-se do sol que estava à favor de Roserade, a pequena rosa rapidamente lançara
pequenos espinhos em direção do campo de batalha adversário, um ataque conhecido
como Toxic Spikes. O ataque fora tão rápido que nem mesmo Titânia conseguira notá-lo sendo
desferido, Luke era inexperiente na questão de batalhas que envolvessem táticas, logo pensando
que os espinhos desferidos não viriam a ser grande ameaça.
— Muito bem Titânia, utilize o Stone Edge na Roserade!!
— Nem pensar, quando utilizo esse ataque não tenho total precisão sobre onde estou
atacando. Como a Roserade é pequena, preciso atacar com algo que tenha mais chances de acertá-
la! Você nunca pensa antes de ordenar algo? Earthquake!!
Titânia jogou seu imenso corpo na direção do chão e criou um terremoto que derrubou
Roserade imediatamente, entretanto, o ataque não era forte o suficiente para causar danos à
estrutura do ginásio. Cheryl mais uma vez ficara pasma, parecia que dois de seus poderosos
pokémons já haviam sido derrotados, e a colossal serpente de Luke ainda erguia-se no campo de
batalha em perfeitas condições.
— Garoto, você não faz idéia da força do pokémon que carrega em seu time. — elogiou
Cheryl.
— Quer desistir “Cherry”? Não tem problema, eu não ligo. Afinal, acho que ninguém
pode derrotar a Titânia. — gabou-se ele.
— Não seja precipitado garoto, eu fui derrotada no ginásio de pedra, e nada garante que
sairei intacta dessa última batalha. Nunca banque a vitória antes do fim. — advertiu a serpente.
— Ah... Pelo visto agora só tenho um único pokémon, mas como algumas pessoas dizem
por aí, a gente guarda o melhor pro final, não é mesmo? — sorriu Cheryl — Fico imaginando se
seu time estaria estável depois que o Onix cair.
— Ora, lógico que tá. Meu outros pokémons também são fortes, e garanto que eles
podem segurar essa batalha. — respondeu Luke.
— Ok, lá vai meu trunfo final. Tangrowth, eu escolho você!!

Cheryl lançou seu último e mais poderoso pokémon. A especialidade da mulher não era
em pokémons do tipo grama, e provavelmente os outros dois pertenciam ao ginásio, mas agora ela
sabia com quem estava trabalhando por utilizar seu próprio Pokémon, e desde o início da batalha
tinha um plano em mente para aumentar a força do poderoso Tangrowth.
191

A criatura era totalmente coberta por cipós de cor azulada, nada podia ser visto dentro de
seu entrelaçado corpo, exceto por um par de olhos misteriosos, misturados em meio à confusão
de cipós. O pokémon tinha dois grandes braços que eram formados em conjunto deixando-o com
uma aparência um pouco desengonçada, mas Luke não podia deixar-se intimidado.
— Caramba, eu nunca tinha visto um Tangrowth!! Eu preciso dar uma olhada em minha
pokéagenda. — disse o rapaz, rapidamente retirando o objeto de sua mochila.
— Pode garantir que essa batalha já é nossa, Titânia. Lembro de ter lido em algum lugar
que esses pokémons são lentos, então nós atacamos primeiro e finalizamos a batalha. — disse
Luke.
— Esse pokémon... Ele me confunde. — comentou a serpente — Não subestime sua
força, ele será um adversário extremamente poderoso. E não adiante a vitória, olhe para cima
garoto.
Luke desviou seu olhar po um instante e notou o intenso sol que ainda brilhava, o Sunny
Day de Cherrim no início da batalha ainda estava em jogo, e isso dava muita vantagem ao
Tangrowth que estava mais rápido graças a sua habilidade.
— Chlorophyll. Essa habilidade aumenta a velocidade do pokémon enquanto a
intensidade do sol estiver em jogo, não pense que meus outros pokémons foram inúteis, eles
fizeram sua parte na batalha. — explicou Cheryl — Tangrowth, utilize o Ingrain no solo!!
A criatura rapidamente plantou vários de seus cipós no chão, desse modo podendo sugar
nutrientes do solo e recuperar sua energia a todo momento.
— Você perdeu Cherry!! Titânia utilize o Earthquake e acabe com ele!!
— Será um prazer. — disse a serpente, lançando o poderoso ataque na direção do
pokémon. Definitivamente, o golpe acertara Tangrowth em cheio, mas assim que a poeira
abaixara o Pokémon mantinha-se erguido firmemente.
— E-Ele não caiu com o ataque!! — gritou Luke.
— Meu Tangrowth foi inteiramente investido na defesa e no HP, ele pode aguentar
ataques poderosíssimos como o tronco de uma árvore. Agora é a minha vez de atacar. — sorriu
Cheryl — Tangrowth, Solarbeam!!
A criatura aproveitara-se do sol e rapidamente lançou um raio de luz na direção da
serpente. Titânia era fraca contra ataques do tipo planta, e nem mesmo a colossal serpente
conseguiria aguentar tal impacto caindo nocauteada no chão.
— T-Titânia! — gritou Luke, correndo na direção da serpente que permanecia estendida
sem condições de levantar-se — Obrigado, sua ajuda foi fundamental nessa batalha. Agora você
merece o seu merecido descanso.
192


Luke encarou Cheryl que agora tinha seu Tangrowth erguido em meio ao ginásio. Depois
de todo trabalho que eles tiveram aquela não seria a hora de desistir, e ainda por cima, ele tinha
total vantagem por ter dois pokémons com energia máxima.
— Gabite, vamos acabar com isso! — disse Luke, lançando sua Dusk Ball.
— Gaaaaawr, biiiite! — grunhiu o pokémon.
— Um Gabite? Vejo que possui bons pokémons para um iniciante. Mas mesmo que ele
seja extremamente forte, acho que você esqueceu-se de alguma coisa... — alertou Cheryl.
Quando Luke notara, os espinhos tóxicos lançados por Roserade haviam envenenado o
pobre Gabite que agora sofria danos constantes. Luke precisaria agir rápido, antes que o veneno
destruísse completamente seu pokémon.
— Que droga!! eu nem lembrava mais desse ataque cara! Precisamos agir rápido então.
Gabite, utilize o Dragon Rage!
— Tangrowth, Ancientpower!
Gabite era rápido, mas Tangrowth estava em seu próprio ambiente, e para piorar a
situação, o clima estava a seu favor. Os ataques pesados da criatura acertavam o dragão que a cada
momento recebia danos maiores do envenenamento. Esse era o plano de Cheryl, utilizar a
estratégia e confundir seu inimigo, algo que Luke não sabia fazer. Agora ele encontrava-se
aprofundado no desespero, arrependendo-se de ter cantado a vitória precocemente.
— Tudo bem Gabite, vamos utilizar o novo golpe que a Tia Martha nos ensinou. Utilize
o Rock Slide no Tangrowth! — ordenou Luke.
Mas por alguma razão, o dragão não se movera. Ele fitou seu oponente por um instante e
em seguida caiu exausto. O envenamento havia derrotado-o. Luke retornou seu pokémon
cabisbaixo, agora ele tinha uma última esperança que precisaria lutar arduamente contra o
poderoso pokémon de Cheryl. Eles estavam empatados, e agora ele entendia por que não devia ter
subestimado a força de um líder de ginásio.
— Essa não!! O time mais forte do Luke foi derrotado, ele não tem mais condições de
derrotar a Cheryl! — disse Dawn — E afinal, qual o terceiro pokémon dele?
— Você não se lembra? Ele ganhou do Roark, é um Shieldon. — explicou Lukas —
Vamos lá Luke, eu sei que você pode ganhar com o pequeno Shieldon, eu sei que ele tem essa
capacidade!
Luke agora estava confuso, suas últimas esperanças estavam despositadas em Roark e no
pokémon que ele lhe dera, mas será que o pequeno Shieldon inexperiente seria capaz de derrotar
Cheryl?
193

— Vamos lá campeão, eu sei que ainda não tivemos muitas oportunidades de treinar
seriamente , mas o pouco tempo que ficamos juntos foi o suficiente para mim acreditar em você.
Shieldon, vai!!
Luke lançou seu pequeno pokémon escudo que parecia calmo e tranquilo em meio à
pressão da batalha. Shieldon encarou seu adversário e se colocou em posição de ataque, mas
Cheryl não estava disposta a esperar o movimento do adversário, e logo ordenou um novo ataque:
— Tangrowth, finalize essa batalha com um Solarbeam!!
— Shieldon, utilize o Protect!
O poderoso raio de luz da criatura acertara com força total o escudo de Shieldon, mas
nada havia afetado o pequeno pokémon. Tangrowth agora estava cansado, e Shieldon poderia
começar seus verdadeiros ataques.
— Shieldon, agora utilize o Swagger!
Luke tentava pela primeira vez valorizar as tática ao invés da força, o Swagger havia
confundido Tangrowth, que agora parecia irritado e incontrolável em meio à batalha.
— Shieldon, aumente sua defesa com o Iron Defense!
— Tangrowth, lance o Ancientpower!
Pouco a pouco, os fortes ataques do pokémon de Cheryl já pareciam não surtir tanto
efeito no pokémon pré-histórico. A defesa de Shieldon estava impecável, e a cada minuto ela
tendia a melhorar significativamente. O Sunny Day do Cherrim já havia cessado, e o Toxic
Spikes do Roserade não tinha efeito já que o pequeno pokémon era do tipo metálico.
Essa era uma das virturdes de Shieldon, enquanto os inimigos enlouqueciam e não
conseguiam causar dano na defesa da criatura, o pequeno Shieldon mantinha a calma e
concentrava-se na estratégia. Mesmo que lentamente, enquanto Tangrowth perdia sua paciência
entre ataques confusos e inefetivos ele causava danos que pouco a pouco acabavam com a energia
de seu oponente.
Em um último lance, Shieldon avançou na direção de Tangrowth e derrubou-o com uma
investida final, trazendo assim a vitória à Luke. Mesmo que com um pokémon pouco treinado,
Shieldon mostrou-se extremamente concentrado e paciente, provando assim a virtude da calma.
— YES! Eu venci cara!! — gritou Luke pulando de alegria e abraçando seu pequeno
Shieldon que continuava calmo e sério.
Dawn e Lukas desceram as escadas para o encontro do amigo, enquanto Cheryl também
aproximava-se para parabenizá-lo pelo feito. Algumas pessoas que assistiam a batalha agora
aplaudiam a tática de Luke, que fizera uma ótima batalha no ginásio de grama.
194

— Parabéns garoto, acho que você realmente merece a Forest Badge do ginásio de Eterna.
Só espero que algum dia você tenha a oportunidade de batalhar seriamente contra Gardenia para
ver o que é uma batalha de verdade! — sorriu a mulher.


— Obrigado Cherry, seu Tangrowth é um pokémon fenomenal. — elogiou Luke.
— Ei, parabéns pela vitória!! — gritou Lukas, enquanto corria para o encontro do irmão
— E então, o que aprendeu com essa vitória no ginásio?
— Cara, nunca subestime seu adversário, e não cante a vitória até que ela ralmente seja
sua. Tenho que agradecer imensamente à Titânia e ao Gabite, pois sem eles eu não teria
conseguido essa vitória também!
— Parabéns Luke, cada dia você está melhorando mais! — disse Dawn.
— Obrigado pessoal, mas percebi que preciso tornar meu time mais variado. Embora eu
ame pokémons pedra e metálicos, preciso variá-los e montar um time mais equilibrado. Acho que
a Titânia realmente merece um descanso depois dessa, preciso treinar meus outros pokémons.
Luke estava alegre com a vitória conquistada no ginásio. A pequena insígnia em suas
mãos marcava o segundo estágio completo em busca de seu sonho. Ele provavelmente deixaria o
objeto sob posse de Gabite que parecia apreciar a responsabilidade de guardar suas insígnias, mas
no momento ele deveria permitir que seus aliados descansassem depois da árdua disputa. Em
seguida, Cheryl caminhou em direção do garoto e sorriu:
195

— Olhe Luke, acho que em alguns momentos fui ignorante com você. Acho que me
precipitei em achar que você fosse irresponsável...
— Ah, sem problemas, eu aceito suas desculpas. — respondeu Luke, novamente elevando
seu orgulho.
— Desculpa? Eu não ia pedir desculpa, eu só ia dizer que você realmente foi irresposável
lá na floresta, e eu nao quero que isso se repita, ouviu?! — repetiu a mulher.
— I-Irresponsável?? Quem você tá chamando de irresponsável?! Nem pra você elogiar a
batalha que nós tivemos?? Ahh, eu não sei mais o que faço com você Cherry! — respondeu o
rapaz caindo na risada.
— Hah, hah, hah! Parabéns pela vitória Luke, foi uma vitória mais do que merecida. e o
mais importante é que você tenha aprendido a lição. — finalizou Cheryl.

Vivendo e aprendendo, Luke agora sabe que nunca deve subestimar seus adversários. E
além de tudo, ele agora procurará uma forma de variar seu time e torná-lo mais versátil. Com a
segunda insígnia em mãos, Luke agora poderá partir tranquilo para seu próximo objetivo, mas
por algum motivo parece qua algo ainda vai manter os jovens nessa eterna cidade...


















196

CAPÍTULO 17

Pequena Felicidade e um Encontro Inusitado!

O sol erguia-se timidamente por trás da enorme cadeia de montanhas que formava o
Monte Coronet; com a vitória de Luke no segundo ginásio, os jovens agoram pretendiam
descansar um pouco na Cidade Eterna para em seguida retomar sua viagem em direção de seu
próximo destino rumo à Hearthome, a segunda maior metrópole de Sinnoh. Lukas teria a
oportunidade de participar de um novo Contest onde treinadores mais experientes começavam a
revelar suas apresentações, enquanto que Luke lutaria por sua terceira insígnia oficial.
A manhã estava fria, no salão do Centro Pokémon só se podia ver uma figura solitária
que tomava seu café-da-manhã calmamente enquanto lia um livro no silêncio do amanhecer, um
romance escrito pelos mais famosos escritores dos continentes Pokémon, algo que facinava a fértil
imaginação do garoto que adorava histórias de heróis e princesas de reinos distantes. Assim que
terminara um capítulo, Lukas fechou seu livro e subiu lentamente até o quarto do irmão que
continuava dormindo, totalmente esgotado da intensa batalha de ginásio que tivera no último dia.
Ao lado de Luke estava o pequeno Shieldon que observava o garoto atentamente, como se vigiasse
à espreita um invasor em seu território.
— Bom dia Shieldon, parabéns pela batalha ontem. Você foi demais. — sorriu Lukas,
enquanto acariciava o pequeno pokémon fóssil que continuava encarando-o com um olhar sério
— Não se preocupe, seu mestre não vai acordar nem que eu grite. Só vim para parabenizá-lo por
sua batalha ontem mesmo. Até mais.
Lukas acariciou novamente a cabeça do pequeno pokémon deixando em seguida
uma berry ao seu lado. Shieldon continuou observando o garoto sair pela porta para treinar seus
pokémons, talvez sentindo uma enorme vontade de segui-lo e agradecer o fruto, mas ele devia
manter-se no quarto ao lado de Luke, que mesmo não sendo tão carinhoso e gentil quanto o
irmão, ainda era seu mestre.
Lukas rapidamente pegou suas coisas e saiu do Centro Pokémon para começar seu treino,
mas antes de voltar para a floresta ele partiu em direção do ginásio da cidade à procura de Cheryl,
que parecia já estar trabalhando no laboratório àquele horário. Lukas aproximou-se do local e
abriu lentamente a porta, haviam pouquíssimos cientistas no momento, e Cheryl concentrava-
se em um pequeno frasco em sua frente que continha os hormônios de reprodução
197

de berries raras, para que desse modo pudessem enteder os efeitos daqueles frutos sobre os
pokémons. Lukas aproximou-se da moça e cumprimentou-a gentilmente, Cheryl apenas revelou
um belo sorriso em seu rosto ao ver o garoto ao seu lado.
— Bom dia, senhorita Cheryl.
— Bom dia Lukas, acordou cedo, hein? — sorriu a mulher — Como passou essa noite?
Você dormiu bem?
— Heh, heh... Tirando os roncos do meu irmão, até que eu dormi bem, sim. Pretendo
tirar o dia hoje para conhecer a cidade, eu estou apreciando muito nossa visita à Eterna! — falou
o jovem.
— Fico feliz que esteja aproveitando. Mas por que saiu da cama tão cedo? Você poderia
ter descansado mais um pouco, acho que o centro da cidade ainda nem está aberto a esse horário.
— Quero treinar meus pokémons, após ver a batalha do meu irmão contra você ontem
senti-me inspirado. Sua Roserade parece estar em perfeitas condições, o que você faz para que ela
fique tão bela?
— Dou carinho e amor para meus
pokémons, tudo que você tem para ter uma
Roserade tão bela quanto a minha! — sorriu
Cheryl, batendo a ponta de seu indicador
levemente sobre o nariz do garoto — E a
propósito... Veja, eu estive preparando
algumas berries para você levar em sua viagem.
Vou deixar vários exemplares das mais comuns
com você, mas você precisará plantá-las e cuidar
delas com carinho se quiser aumentar sua
produção. — explicou.
— Muito obrigado Cheryl! Mas onde posso encontrar essas berries raras? Eu nunca ouvi
falar delas. — comentou o garoto.
— Existem sessenta e quatro tipos de berries espalhadas pelos continentes, pelo menos
esse é o total que se conhece até hoje, mas tenho certeza que existem muitas outras que os
cientistas de Sinnoh ainda não descobriram. Aqui, no ginásio, temos algumas raras, mas elas são
muito difíceis de se reproduzir por apresentar uma reprodução extremamente demorada se
compararmos às outras. — disse Cheryl — Mas de qualquer forma, espero que possa aprender
muito sobre as plantas e transmitir esse conhecimento para o mundo.
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— Tudo bem, muito obrigado por todas as berries! Agora preciso ir, pois quero treinar
meus pokémons hoje e prepará-los para o contest que terei na próxima cidade no fim de semana.
— Cuide-se querido, se precisar de qualquer coisa basta me chamar, estarei sempre aqui
no laboratório caso queira conversar. — despediu-se a mulher, beijando o rosto do garoto que em
seguida continuou seguindo seu caminho.

Lukas retornou para a rota 205, onde poderia treinar seus pokémons calmamente,
enquanto teria chances perfeitas para procurar por um novo membro que pudesse juntar-se ao seu
time. O sol agora brilhava, deixando um clima agradável para que seus pokémons descansassem
um pouco e aproveitassem o dia ensolarado. O garoto lançou suas três pokébolas que liberaram
seus respectivos pokémons; a pequena Budew parecia alegre em poder respirar o ar puro,
rapidamente procurando por alguma poça de água nas redondezas para refrescar-se; enquanto
Mothim voava pelo céu azul da manhã.



Porém, por algum motivo Lukas olhou para seu Pachirisu que segurava algo estranho em
suas mãos. O objeto refletia os raios do sol com um brilho dourado. Parecia ser uma esfera de
metal, mas estava um pouco suja. Lukas abaixou e procurou verificar o que era, percebendo então
que tratava-se de uma Ultra ball.
— Onde encontrou isso, amigão? É uma pokébola fantástica! — disse Lukas, enquanto
examinava o artefato em suas mãos. O pequeno esquilo parecia feliz, o que pelo visto tratava-se
199

de um presente para seu dono — Aposto que foi sua habilidade Pickup, não é? Obrigado
Pachirisu, é um ótimo presente!!
Lukas respirou o ar puro do local e começou os preparativos para seus pokémons, eles
precisavam criar uma perfeita sincronia entre seus golpes, para que desse modo ele pudesse inovar
na apresentação final da competição. Pachirisu parecia mais do que preparado com seu mais novo
golpe Thunderbolt, o ataque criava uma enorme onda elétrica que se disperçava em partículas
menores como um ataque único. Lukas agora tinha uma verdadeira potência em seu time.
Mothim usava seus golpes novos tentando acostumar-se com as enormes asas que
adquirira desde o último torneio, o ataque Confusion ainda precisava ser aperfeiçoado, mas dessa
vez o garoto pretendia deixar outro pokémon para a categoria final. Enquanto que o resto do
time parecia sair-se bem no treino, a pequena Budew parecia não cansar de ficar próxima a seu
treiandor, observando cada movimento de seu mestre.
— Ei Budew, não quer treinar com seus amigos? — sorriu Lukas, enquanto acariciava o
broto que parecia muito alegre e contente — Você está muito forte Budew, garanto que se sairá
muito bem na próximo competição.
Lukas deu uma pequena Oran Berry para seu pokémon que parecia ainda mais alegre, em
seguida, ele acendeu uma pequena fogueira e pegou uma panela em sua bolsa para começar a
preparar o almoço para seus companheiros. Quando a comida já ficava pronta, outros pokémons
começavam a aproximar-se pelo ótimo aroma que era exalado. Bidoofs curiosos aproximavam-se a
cada minuto, assim como alguns Shellos e Buizels que sentiam-se atraídos pelo cheiro da comida.
— Ei, parece que temos visitas pessoal! Não querem repartir a comida com os outros
pokémons? — sugeriu o treinador.
Pachirisu e Mothim pareciam ter gostado da idéia, rapidamente repartindo a comida com
os novos amigos, já a pequena Budew parecia ter vergonha de ficar com os outros por ser um
pouco tímida. Lukas ria com a situação, logo aproximando-se da pequena para tentar enturmá-la
com os pokémons selvagens.
— Fez novos amigos, Budew? Quem são? — a pequena parecia corada ao ver alguns
Shellos que pareciam ter adorado a comida feito por Lukas.
Mesmo não possuindo nenhum daqueles pokémons, o garoto conseguia fazer amizade
sem muita dificuldade, como se todas as criaturas se sentissem bem com sua presença. Logo que
todos pokémons haviam terminado de comer, o rapaz levantou-se e retomou o seu treino, mas
agora com uma platéia de pokémons selvagens que continuavam nas redondenzas. O carinho que
Lukas tratava seus amigos fazia com que qualquer pokémon quisesse ser capturado.
200

— Tudo bem pessoal, vamos começar a treinar para algumas apresentações. Quem
gostaria de participar da sessão de moda?
A pequena Budew parecia a candidata perfeita para a categoria, enquanto Mothim
tentaria a dança e Pachirisu a batalha.
— Estive pensando pessoal, e se a senhorita Fantina estiver lá de novo? Preciso inovar em
algo, não quero que ela olhe e pense que fizemos exatamente a mesma coisa na última
competição...
Budew rapidamente tomou frente e candidatou-se a batalhar contra Mothim para que
desse modo ela pudesse aprender golpes novos e melhorar a apresentação. Lukas estava receoso,
pois sabia que Budew era mais nova e tinha total desvantagem contra Mothim, uma vez que a
mariposa era do tipo inseto e voador, dois tipos vantajosos sobre os pokémons planta.
— Mas Budew... Você pode ferir-se enquanto luta contra o Mothim, ele está bastante
forte, e eu não quero vê-la se machucar...
Mothim olhou para seu treinador e prometeu pegar leve com a pequena Budew que
estava disposta a dar o máximo de si na batalha. Após a evolução de Burmy no último torneio, a
criatura havia tornado-se mais sensata, Mothim não era mais um pokémon envergonhado que
nunca conseguia sair-se bem em nada. Ele agora tinha experiência e havia se tornado um dos
membros mais fortes da equipe; depois de todo o carinho e apoio que recebera de seu treinador
ele estava disposto a fazer o máximo para retribuir da melhor forma.
Lukas concordou com a idéia da batalha e iniciou-a com a meiga Budew ao seu lado.
— Vamos lá Budew, utilize o Mega Drain! — ordenou ele, vendo seu pokémon aplicar
seu golpe de drenagem na mariposa, que no entanto não parecia nem um pouco atordoado pelo
dano.
Mothim rapidamente revidou com um Confusion, que instantaneamente derrotou
Budew, mesmo que usando o mínimo de sua força. A tristeza era evidente no rosto do broto, e
Lukas sabia que Budew era muito sensível, o que deixou-a muito triste por não poder ajudar em
nada.
— Ei, ei. Não precisa ficar triste Budew, o Mothim é muito forte, e você ainda terá a
chance de tornar-se um pokémon eficiente. E quer saber? Eu gosto de você exatamente do jeito
que você é, sabia?
Budew parecia ainda não estar satisfeita com a fácil derrota. Mothim estava sem graça por
ter feito sua amiga chorar, quando de repente, um Shellos que assistia a batalha lentamente
aproximou-se de Lukas desafiando-o para uma nova batalha. O garoto sabia que aquela seria uma
201

boa hora para que Budew mostrasse sua força, uma vez que seu tipo estaria em vantagem sobre a
lesma aquática.

Pachirisu subiu em uma pedra e ficou observando a batalha
que se iniciaria, Mothim também assistia a disputa ao lado do esquilo;
os dois pokémons pareciam dar o maior apoio para Budew que
tentava sair-se bem dessa vez.
— Budew, utilize o Stun Spore no Shellos!— ordenou Lukas.
Ela rapidamente lançou pequenos esporos na lesma que ficara
paralizada por um instante, mas ao livrar-se da paralização o pokémon
rapidamente revidou com um rápido Water Pulse, que parecia ter
causado um grande dano em Budew, mesmo sendo de um golpe não
muito efetivo.
— Utilize o Mega Drain!
Budew revidou com seu golpe que acertou Shellos em cheio, e além de recuperar sua
própria energia, também causara um grande dano no adversário. Em seguida, Shellos lançou um
ataque conhecido como Mud Bomb que acertou os olhos de Budew. Por ter sua visão manchada,
a pequena rapidamente desistiu da batalha e começou a chorar, correndo em seguida para os
braços de seu treinador. Lukas parecia confuso em ver o pokémon desistir da batalha só porque
recebera um golpe, mas ele precisava investir nisso para que ela não tornasse a cometer o mesmo
erro no futuro.
— Budew, foi só um ataque. Você precisa voltar enfrentar o seu inimigo. Eu não me
importo se você perder, afinal, a arte de vencer se aprende nas derrotas!
O broto então levantou seus pequenos olinhos inchados e concordou, retornando em
seguida para a batalha disposta a enfrentar seu inimigo. Repetindo o golpe Mega Drain, o Shellos
parecia enfraquecer-se cada vez mais até que caiu derrotado. Budew ficou extremamente feliz com
a vitória, e rapidamente voltou para abraçar seu dono. Os dois já tinham um grande laço de
amizade, até que de repente o broto foi envolvido por uma luz branca, o que parecia anunciar
uma evolução.
O broto de Budew agora estava aberto, revelando duas lindas rosas de cores alteradas
entre vermelho e azul, ela parecia vestir pequenas folhas que formavam um lindo vestido que fazia
a plantinha sentir-se ainda mais linda. Era uma Roselia, que havia evoluido por todo o carinho
que seu treinador lhe dera com o passar dos dias.
202

A recém formada rosa agora observava o Shellos que permanecia caido no chão, Roselia
pediu para que seu dono o capturasse, pois o pokémon havia ajudado-a mesmo sabendo que isso
poderia causar-lhe alguns machucados. Lukas concordou com a proposta e lançou então uma
pokébola em direção do pokémon selvagem. A cápsula vibrou por alguns instantes, mas
finalmente anunciou uma captura completa com perfeição.
— Isso!! Capturei um novo pokémon!! E para melhorar as coisas você ainda evoluiu,
Roselia! Obrigado a todos pessoal, hoje o dia está sendo realmente fantástico.

• • •

Enquanto Lukas treinava arduamente para seu próximo torneio, Luke não parecia nem
um pouco disposto a pensar no próximo ginásio. Dawn o acordara cedo para que pudessem dar
uma volta na cidade e aproveitar um pouco o belo dia que começava a iniciar-se, mesmo que
contra sua vontade. Era quase horário do almoço, e eles pretendiam aproveitar para comer em
algum restaurante de Eterna que tinham a reputação de serem excelentes.
— Luke, hoje está um dia lindo para a gente sair, o que acha de irmos há algum lugar
especial? — sorriu Dawn, enquanto segurava levemente um dos braços do rapaz.
— Boa idéia, a gente podia ficar no Centro Pokémon e dormir um pouco mais... Ainda
estou cansado... — respondeu Luke enquanto bocejava.
— Não foi esse tipo de lugar especial que eu quis dizer... Mas de qualquer modo, acho
que poderiamos ir em algum restaurante ou qualquer outro lugar, não é?
— Aposto que essa cidade não tem nada de legal. — respondeu ele indiferente.
— Hm... Que tal irmos ao... Sei lá, podemos ver a estátua pokémon no centro da cidade,
é um ponto turístico muito famoso em Sinnoh, diversos pesquisadores pokémon vinham para
Eterna somente para vê-lo. O Professor Rowan sempre vinha pra cá, mas eu precisava ficar e
cuidar do laboratório... — disse Dawn, vendo a feição desinteressada de Luke — Então
poderiamos ver a pista de ciclistas no sul da cidade, o que acha?
— Pista de ciclistas?! Mano, nem me fala de bicicletas, ainda estou com raiva daqueles
caras do Team Galactic que destruíram nossas bicicletas, agora teremos que fazer o caminho mais
longo até Hearthome City!! — retrucou Luke.
— Minha nossa, é verdade... Eu havia esquecido desse detalhe, sem as bicicletas não
poderemos tomar o caminho pela rota 206. Bom, nós poderiamos alugar bicicletas, mas o
203

problema é que ficaria um pouco caro... — comentou Dawn — Aww... Realmente não temos
nada de legal para se fazer nessa cidade...
Luke parou pensativo, e em seguida encarou a garota que agora o fitava. Ele sabia que ela
estava fazendo de tudo para que os dois tivessem um dia agradável, então por fim ele decidira
chamá-la para visitar algum ponto turístico da cidade.
— Onde fica essa tal estátua pokémon? Não temos nada de melhor pra fazer mesmo.
Depois podemos perguntar para alguém onde tem um restaurante bacana, daí a gente
almoça. Demorô?
— Seria ótimo, Luke! — sorriu ela, abraçando o rapaz.

Os dois jovens seguiram até o centro da cidade onde encontrava-se uma gigantesca
estátua de uma estranha combinação de pokémons. No passado, aquele local era o centro de
todas as atividades e festivais de Eterna, mas com o passar dos anos as festas começaram a tornar-
se mais raras até que foram extintas. A estátua era coberta por um mistério indecifrável, nela,
havia esculpida a imagem de um pokémon que nenhum deles parecia conhecer. Hoje, o local era
aberto somente para visitantes, sendo que muitos exploradores e historiadores continuavam a
viajar até a cidade só para conhecê-la.



Quando Luke e Dawn se aproximaram haviam um aglomerado de pessoas que pareciam
gritar incontrolávelmente, o que era estranho, pois os guias diziam que o local não era mais muito
frequentado, o que logo dispertou a curiosidade dos dois para verificar o que estava acontecendo.
Ao aproximar-se, Luke pôde ver um homem de estatura média, ele provavelmente já tinha
por volta de seus trinta anos, ele vestia roupas chiques na última tendência da moda, também
204

usava óculos escuros mesmo estando de dia. Ele tinha uma corrente feita de ouro, o que
representava o possível poder de aquisição de sua pessoa, vestindo também uma jaqueta branca e
roupas de marcas extremamente caras. Sua pele era escura, ele tinha cabelos negros bem raspados,
e em todo seu corpo haviam os mais diversos acessórios de ouro, desde relógios da rolex até anéis
feitos de diamantes.



— Glenn!! Glenn Combs, queremos um autógrafo!! Nós amamos você!! — gritavam fãs
enlouquecidos.
— Caraca, o que tá acontecendo aqui? Parece que estamos no centro de um cenário de
guerra! — disse Luke, sendo empurrado por pessoas que tentavam aproximar-se daquele homem.
— Você não o conhece Luke? Ele é ex-integrante da Elite dos 4!! Seu nome é Glenn
Combs, especialista em pokémons terrestres!! — disse Dawn maravilhada — Será que a gente não
consegue chegar mais perto? Eu nunca imaginei que fosse vê-lo em nossas aventuras!
— Glenn... Combs...? Será que é ele mesmo...? O que está fazendo aqui em Eterna? —
comentou Luke pensativo, acompanhando a garota que tentava aproximar-se do famoso membro.
Mesmo estando fora da Elite há alguns anos, Combs era muito conhecido por seus
negócios e sua indústria musical, mantendo a fama que conquistara no tempo em que
representava a Elite dos 4 entre os melhores treinadores de Sinnoh. Luke e Dawn andaram até
uma pequena brecha e conseguiram chamar a atenção do homem, Glenn lançou um rápido olhar
205

para os dois e pareceu estar surpreso ao deparar-se com aqueles jovens. O coração de Dawn bateu
mais forte ao ver o astro aproximando-se e parando exatamente em sua frente, Luke levantou seu
olhar e com um sorriso acenou amigavelmente.
— Oi Tio Glenn.
— TIO?! VOCÊ TÁ LOUCO MOLEQUE?? Quem você pensa que é para chamar um
ex-integrante da Elite dos 4 de ‘Tio’?? — gritou Dawn, chacolhando Luke que não entendia o
motivo da raiva da garota.
— M-Mas ele é meu tio de verdade!! — desculpou-se o garoto — Quer dizer, ele não é
meu tio diretamente por família, mas é meu tio por criação, tá ligado?! Agora para de me
chacoalhar!!
Glenn colocou sua mão sobre o braço da garota e pediu gentilmente para que ela parasse,
o homem realmente parecia conhecer Luke, que por sua vez também estava alegre por encontrar-
se com seu suposto “tio”.
— Caramba Luke, eu não esperava poder te encontrar aqui em Eterna cara. O que faz
aqui, baixinho? — perguntou o homem.
— E ae Tio Glenn, tudo firmeza mano? Cara, eu que fiquei surpreso quando vi que era
você aqui. Faz tanto tempo que a gente não se via! — sorriu Luke, vendo Dawn que agora o
observava pasma por não acreditar que seu amigo conhecia um ex-integrante da elite dos 4 — Eu
disse que eu conhecia ele!
— Prazer em conhecê-la mocinha, você é a namorada do baixinho? — riu Glenn,
batendo na cabeça de Luke que parecia odiar o apelido.
— N-Não exatamente, estou apenas acompanhando-o em viagem. Meu nome é Dawn, é
um prazer conhecê-lo Senhor Combs, sou uma grande fã sua!
— O prazer é meu, garota. — disse Glenn — Ow, vocês tão ocupados? Já que tá na hora
do almoço eu tava pensando em ir há algum restaurante da cidade. Não querem ir junto comigo?
Eu tava com saudades de trocar uma idéia com esse baixinho aqui, aposto que ele tem um monte
de coisas pra me contar dessa aventura!
— Demorô, Tio Glenn!! — disse Luke animado.
Pouco a pouco a multidão de fãs começou a dispersar-se pelo homem que os dispensara.
Os jovens seguiram Glenn em seu carro até um dos restaurantes mais refinados da cidade, alguns
fãs tentavam acompanhar o astro, mas não era permitido a entrada de qualquer tipo de pessoa no
local, deixando-o fechado quase que exclusivamente para Luke, Dawn e Glenn.
O restaurante era muito belo, tinha uma decoração em tons escarlates e era revestido de
uma madeira nobre, o dono do local havia recebido Glenn pessoalmente na entrada, o que
206

retratava sua fama naquele continente. Dawn sentou-se timidamente ao lado de Luke, ainda não
acreditando que estaria almoçando com um astro, Glenn sentou-se na confortável cadeira do
restaurante e esticou seus braços para trás, colocando um palito de dentes em sua boca e
realizando alguns pedidos para os garções.
— Ei baixinho, onde está seu irmão? — perguntou Glenn — Acredito que vocês dois
tenham saído em uma jornada juntos.
— Deve tá treinando. Ele quer ser coordenador, e tá se preparando pro contest que vai
ser em Hearthome daqui há um tempo. — respondeu Luke.
— Entendo... E você, decidiu ser treinador mesmo?
— Com certeza cara. Contest é coisa pra mulheres, o meu negócio é entrar em batalhas
de ginásio e virar o campeão da liga!!
— Hah, hah, hah!! Isso mesmo pivete, segue os passos do seu pai que você vai virar um
Mestre Pokémon e tanto!! — riu Glenn — E o seu velho? Como tá o Waltão? Faz muito tempo
que não o vejo cara... Na verdade faz um tempão que não vejo ninguém daquele tempo.
— Tá de boa, lá em casa. — assentiu Luke.
— Hm... Desculpe-me interrompê-los. Mas você realmente é Tio do Luke? Vocês
conversam como se conhecessem há muito tempo... — comentou Dawn.
— Isso mesmo broto. Como você deve saber, o pai do Luke era o campeão da Liga de
Sinnoh, logo, eu trabalhei com ele. Somos grandes amigos até hoje, mas como o campeão foi
derrotado e a elite se desfez de uns tempos pra cá a gente acabou perdendo um pouco o contato.
— disse Glenn.
— Isso mesmo! Eu cresci com esse maluco do meu lado, tá ligado? Tudo que eu sei sobre
pokémons e mulheres foi ele quem me ensinou, não é mesmo Tio Glenn? — disse Luke animado,
esticando a mão que foi ao encontro do homem.
— Isso mesmo cara. Eu sou tipo o mestre dele, então ele tem que me respeitar, tá ligado?
— respondeu Glenn, batendo em encontro com a palma da mão de Luke.
— Ah... Agora eu sei de quem o Luke puxou esse modo “convencional” e essas gírias
loucas para conversar com as pessoas. — riu a garota.
— E os seus pokémons Tio, tão tudo de boa?
— Poxa Luke, eu dei uma parada nos treinos com eles. Acho que faz um ano que não
pego meu Rhyperior para treiná-lo de verdade. Estou mais focado em minhas novas linhas que
serão anunciadas em Hearthome, além do show que pretendo fazer daqui há uma semana nessa
mesma cidade. — disse Glenn.
207

— Você vai fazer um show em Hearthome? Que legal, faz mó cota que não colo lá. —
disse Luke.
— Vocês estão seguindo para Hearthome? Puxa, então acho que tem alguém que deseja
muito ver vocês nessa cidade. Será que poderiam fazer um favor para mim?
O homem colocou a mão em seu bolso e procurou por uma caneta, seguido de um
pequeno bloco de papel. Glenn começou a escrever, parecendo montar uma carta. Após colocar
sua assinatura no final ele entregou o envelope para os jovens.
— É um convite para vocês se hospedarem em um hotel em Hearthome, quando vocês
chegarem lá acho que o Marshall vai querer encontrá-los. Principalmente o Lukas. — disse
Glenn.
— O Tio Marshall? Faz tempo que não vejo ele. E aí, tem falado com ele ainda? —
perguntou Luke.
— O Marshall? Cara, de vez em... nunca, ele aparece do nada. Você conhece o cara. O
Lukas vai ficar muito feliz quando souber que ele vai estar em Hearthome. — continuou Glenn.
— Marshall? Ex-membro da Elite dos 4, especialista em Pokémons do tipo Dark? Não
me diga que você também o conhecia? — perguntou Dawn surpresa.
— Opa, ele é meu Tio também. Tio Marshall. — sorriu Luke.
— Por um acaso você conhecia a antiga elite inteira?? — brincou Dawn, vendo um
sorriso sem graça no rosto de Luke e imaginando a resposta do garoto.
— Sim, eu conheço. E eram todos meus tios.
— N-Nossa... — suspirou a garota.
— Cara, às vezes sinto saudade daquele tempo. — disse o homem com um sorriso
estampado em seu rosto.
Glenn olhou para a janela e pareceu lembrar-se do tempo em que pertencia à Liga; os
tempos haviam mudado, e agora todos os membros de sua época já estavam fora, mas agora o que
restava eram as lembranças de cada momento que passara na companhia de seus amigos.
— O que houve para que o senhor decidisse sair da elite, Senhor Combs? — perguntou
Dawn.
Luke cessou seu sorriso e calou-se no mesmo instante, por um momento ele virou seu
olhar como alguém que tentava esquecer algo. Dawn notou o certo desconforto em Glenn e
desculpou-se pela pergunta, mas o homem sorriu em seguida e respondeu-a gentilmente.
— Na verdade a saída de um único membro provocou a saída dos outros três. Assim
como a saída desse membro também ocasionou a derrota do Waltão como campeão da liga...
208

Foram tempos muito difíceis, todos ficaram arrasados. — comentou Glenn com sua voz agora
em um tom sério.
— Minha nossa... D-Desculpe-me por ter feito a pergunta anterior. Na época eu soube o
que houve com a elite, assim como a morte de um dos membros. Eu devia ter imaginado que sua
morte fez com que a elite ficasse desestruturada. Me desculpem... — disse Dawn aflita.
— Ei, não precisa ficar chateada garotinha. Você não tem culpa de nada, foram apenas
alguns problemas que nós, como toda família, tem que enfrentar. — sorriu Glenn.
O grupo manteve-se quieto por mais alguns minutos, pois aquele assunto parecia
incomodar a todos presentes. O motivo pelo desmembramento da antiga elite dos 4 era evitado,
pois fora um fato que chocou todo o continente. A morte de um dos integrantes fez com que
toda a equipe se desestruturasse e ocasionasse na derrota de Walter Wallers, o campeão da época.
Foram tempos difíceis, e Luke não gostaria de ter aquelas lembranças voltando à tona. O garoto
apenas levantou seu rosto e tornou a sorri:
— Mas agora a gente ganhou mais um membro na família Tio Glenn. A Dawn também
faz parte da nossa família! — sorriu o garoto.
— Heh, heh, heh... Obrigada Luke, mas nós nem somos de mesmo sangue...
— E você acha que esse monte de tio que eu tenho é de sangue? Nem é, a gente chama de
tio mas não temos nenhuma relação, é por isso que os laços de nossa família são mais unidos! —
riu o garoto, apoiando seu braço no ombro de Dawn — E é por isso que você faz parte da nossa
família.
Dawn manteve-se em silêncio e deu um leve sorriso, em seguida abraçando Luke como se
tentasse esconder o choro. Ela parecia ter algum segredo relacionado à sua família, uma vez que
sempre que alguém tocava naquele assunto ela parecia alterada.
A comida chegou, e eles finalmente almoçaram. Glenn continuou a fazer peguntas sobre
as longas aventuras de Luke no continente, e o apoiava a continuar em busca de todas as insígnias
para enfrentar a liga. O tempo foi passando, e assim que todos haviam terminado, Glenn
despediu-se para retornar ao seu trabalho.
— Cara, fico muito feliz em poder ter tido a oportunidade de te ver, baixinho. O Waltão
deve estar orgulhoso de poder ter tido filhos como vocês! — falou Glenn.
— Hah, hah, hah! Com certeza tio, qualquer pai gostaria de ter filhos super dotados
como nós. — brincou Luke.
— Convencido igualzinho ao Waltão quando era mais novo... — riu o homem, fazendo
o garoto dar uma leve risada.

209

Terminado o almoço, sendo que tudo fora pago por Glenn, Luke e Dawn agradeceram a
hospitalidade do homem, mas agora cada um precisava retomar seus compromissos, uma vez que
o homem ainda tinha muito a fazer naquele dia. Todos saíram do restaurante e pararam em frente
ao carro do homem, Glenn olhou novamente para Luke e lembrou-se do tempo em que ele era
apenas uma criança de três anos. Tomado então de lembranças que seriam eternizadas pelo
tempo.
— Ei baixinho. Preciso falar um dia desses com seu pai. Dar uma visita, reunir o pessoal
das antigas...
— Nossa, ele vai ficar muito feliz quando eu disser que encontrei você em Eterna. Foi
muito bom te ver Tio Glenn, eu estava sentindo saudades cara. — disse Luke, abraçando o
homem.
— Muito obrigada pelo almoço, Senhor Combs. E desculpe-nos se tivermos atrapalhado
o senhor em algum compromisso! — falou Dawn.
— Sem problemas garotinha. Será que não teria mais alguma coisa que possa fazer para
ajudá-los? — disse ele.
— Não, acredito que nada de mais. Mas o senhor saberia indicar-nos algum lugar legal
para se visitar nesta cidade? Eu e Luke estávamos saindo para fazer alguma coisa especial e...
— Ah lá, garotão. Eu sabia que essa mina tava afim de você! — brincou Glenn.
— Não enche!! — retrucou, fazendo Glenn rir.
— Hah, hah, hah! Olha garota, não fiquei muito tempo aqui na cidade, mas me disseram
que a pista ciclística é da hora.
— Poutz! Pista ciclística de novo, não!! A gente perdeu nossas bicicletas tio, uns caras
idiotas quebraram elas, então vamos ter que fazer o caminho mais longo até Hearthome. — disse
Luke.
— Quebraram suas bicicletas? Que marginais idiotas. Vamos fazer o seguinte, eu dou três
bicicletas novas para vocês, incluindo seu irmão. Mas não podem deixar de aparecer no meu show
no fim de semana, hein? — disse Glenn.
— Sério mesmo? Caramba, valeu ae tio!! — disse Luke.
Glenn sorriu e alertou-os para que pegassem suas bicicletas novas no dia seguinte, pois já
as deixaria reservadas especialmente para seus ‘sobrinhos’. O homem entrou em seu carro e
despediu-se dos dois, Dawn apenas continuou fitando homem de longe, uma vez que o encontro
com um ex-membro da elite seria inesquecível.
210

— O Senhor Combs é muito simpático, e ele nos levou há um restaurante fantástico! Foi
muito legal hoje Luke, obrigada por esse encontro especial! — disse Dawn, dando um beijo de
leve no rosto do rapaz.
Luke corou e sorriu com leve beijo que recebera, os dois ainda aproveitaram um pouco
aquele dia até que ficasse mais tarde. Quando chegou por volta das cinco horas o céu já começava
a ficar alaranjado, Staravias pareciam retornar para suas tocas alimentando os pequenos Starlys
recém nascidos. Algumas nuvens cobriam o céu trazendo uma fraca brisa que começava a deixar o
ar gélido. Assim que Luke e Dawn haviam chegado ao Centro Pokémon, parecia que Lukas
também retornava depois de um árduo dia de treinamento. Os três pareciam ter tido um ótimo
dia em Eterna, repleto de encontros e acontecimentos inesperados.
— O QUÊ? Você capturou mais um pokémon? E ainda evoluiu outro?? — gritou Luke
furioso, demonstrando o evidente descontentamento em ver seu irmão progredindo nos treinos.
— A-Acho que sim, mas isso é ruim? Estou sentindo-me mais seguro agora a respeito da
competição no fim de semana. Preciso treinar mais uns dias para poder testar perfeitamente os
golpes da Roselia. Você tem que vê-la Dawn, ela é uma graça. — sorriu o irmão.
— Parabéns Lukas, os Budews só evoluem quando há um grande laço de amizade entre
treinador e pokémon. Tenho certeza que a Roselia deve estar muito feliz tendo você como
mestre! — disse Dawn.
— Mas então Luke, como foi reencontrar-se com o Tio Glenn? O Tio Marshall estava lá
também?
— Nem tava, mas o Glenn falou pra gente ir pra Hearthome que ele vai estar lá. Faz
muito tempo que você não se encontra com o Marshall, não é?
— Faz sim... Ele sumiu de uns anos para cá, o único meio de contato que venho recebido
dele são cartas. Mas fico feliz só de saber que ele está bem. — sorriu Lukas — Bom, então
precisamos seguir logo para Hearthome! Estou ainda mais ansioso agora! Você também deveria
começar a treinar Luke, sua terceira batalha de ginásio será lá.
— Acho que antes você precisa capturar alguns pokémons para o seu time, não acha? —
sugeriu Dawn.
— Sei lá, eu acho que meu time tá bom assim... Mas vocês têm razão. Eu vou procurar
um pokémon pra capturar amanhã. Que tal um Murkrow? Ouvi dizer que eles rondam a Eterna
Forest de noite.
— Ótima idéia, um Murkrow será de grande ajuda no próximo ginásio, uma vez que será
do elemento fantasma. — retrucou o irmão.
211

— Demorô!! Fiquei animado, então vou capturar ele AGORA. — disse Luke confiante,
correndo para fora do Centro Pokémon em busca de seu pokémon.
— Mas está ficando escuro, a Cheryl disse para não irmos à floresta ao anoitecer! —
disse a garota.
— Pode deixar Dawn, daqui a pouco ele volta correndo de medo. Aposto que ele não
passa a noite naquela floresta. — riu o irmão.
— É verdade... — sorriu ela, apoiando seus braços sobre a mesa e se pondo a observar
uma janela — Você viu como a noite está nublada hoje? Nem a lua está aparecendo direito... É
como se algo estranho estivesse sobre nós... Eu espero que o Luke fique bem...
— Está começando a ficar frio... Vamos pegar um chocolate quente no refeitório? —
perguntou Lukas.
— Só se for agora! — concordou a garota.

Luke e Dawn conheceram Glenn Combs, um ex-membro da Elite dos 4, que comprou-
lhes bicicletas para que pudessem chegar mais rapidamente em Hearthome, e agora, a aventura
dos jovens continuará seguindo... Com a evolução do Budew de Lukas para Roselia, e sua perfeita
captura de um novo integrante, o pequeno Shellos; seu time se encontra muito bem preparado
para a próxima competição. Luke agora parte em direção da Floresta Eterna para tentar capturar
um novo pokémon para seu time, mas será que tudo ocorrerá bem?



Acompanhe o Fire Tales 3- O Esquilo da Lua

Procure pelo nosso e-book dos Fire Tales e confira o episódio FT 3 deste especial! Enquanto a
História Central progride, você pode acompanhar também a rotina dos Pokémons com essa
leitura! Este é um dos Especiais de maior sucesso no blog!





212

CAPÍTULO 17.5

Aprisionados no Abismo do Medo

Os raios do sol já começavam a tornar-se mais fracos no céu alaranjado do continente de
Sinnoh. Estava ficando tarde, o vento trazia uma sensação fria para o garoto que corria em
direção da Floresta Eterna para capturar algum pokémon e não ficar atrás de seu irmão.
As nuvens cobriam totalmente o céu, os pokémons nas redondezas já começavam a
retornar para suas tocas para evitar os predadores noturnos. Logo o barulho dos Cricketots
começaria a ser ouvido vindo da mata, mas não naquela noite. Nem mesmo os pokémons
ousavam a sair, pois eles também sentiam uma sensação estranha... Uma sensação que os humanos
não percebem, e nem consegue ver...
Luke entrou na floresta e rapidamente olhou para o céu à procura de algum Murkrow
para seu time, mas tudo que se podia ver eram os galhos das árvores que pareciam entrelaçar-se
cada vez mais, fechando a visão para o céu e trancafiando todas as saídas daquela floresta, como
uma gaiola.
— De volta a essa floresta macabra... Pelo menos agora eu não tenho que me preocupar
com aqueles dois, vou capturar o meu Murkrow e dar o fora daqui antes que comece a escurecer
ainda mais... — comentou Luke.
Os raios de sol começaram a ficar escassos na floresta, agora a única iluminação para
Luke era uma lanterna que ele carregava em sua mochila. O jovem lançou seu Gabite para que o
dragão ajudasse-o na busca por algum Murkrow, pois quanto mais rápido eles saíssem de lá,
melhor seria. Os ruídos que o vento fazia ao passar pelos corredores tortuosos das árvores
sonorizavam um som de terror, parecido com um grito oco que estabelecia um transe medonho.
Luke fazia passos fortes e segurava com força sua lanterna, a fraca luz que ela ofuscava era
apagada com sombras rápidas que passavam a sua frente, conforme ele andava, a vida ia
desaparecendo, e o ar parecia o esganar, seu pokémon se mantinha atento a cada barulho que
aparecia, mas os dois pareciam se assustar com a própria sombra que hora ou outra parecia ter
vida.
Após um tempo de caminhada, os dois encontraram, logo na entrada da floresta, uma
enorme mansão abandonada, sua aparência era medonha e havia apenas a luz da lua para a
iluminar, que era coberta com nuvens que possuíam formas fantasmagóricas, sua entrada possuía
213

um caminho tortuoso cheio de pedras; a grama estava alta e mal feita, o vento que batia era gélido
e a movimentava de um lado para o outro, fazendo parecer que havia almas andando por aquele
estranho jardim abandonado. As paredes da mansão possuíam uma cor gasta pelo tempo, era
possível observar arranhaduras feitas por criaturas que não se sabia ao certo sua forma, a sombra
das arvores gigantescas faziam imagens grotescas nas janelas, e o sussurro de vozes apareciam com
o passar do tempo. Luke ficou perplexo com que o que via a sua frente, por um momento, toda a
sua coragem pareceu desaparecer, seu Gabite ficou quieto, apenas observando o que seu dono
pretenderia fazer, mas era possível observar em seu olhos o desconforto criado pela aura do local.
Aquela mansão era estranha para o garoto, que não lembrava-se da presença de tal estrutura na
floresta.
— Ei Gabite, será que se a gente entrar nessa casa abandonada a gente encontra os
Murkrows? Eles devem ter um monte de ninho lá, o que acha? — perguntou o garoto.
Gabite não parecia disposto a entrar naquele local, estava anoitecendo, e até mesmo os
pokémons temem algumas coisas. Luke também estava um pouco receoso, mas seria melhor
encontrar seu pokémon o mais rápido possível e sair dali.
— Ah, vamos lá, nem pega nada. A gente pula a cerca, captura algum pokémon dahora, e
dá o fora. Não vai levar nem meia hora. — afirmou Luke, atravessando as cercas que davam
limite ao território da mansão.
— Gaaahr...biteee... — grunhiu o pokémon receoso, adentrando no local junto de seu
treinador.

Agora mais próximo a mansão era possível observar os pequenos detalhes que eram
cobertos com o escuro que surgia com o passar do tempo, aquela casa tinha um ar macabro, todas
suas janelas estavam estilhaçadas, enquanto os pequenos pedaços refletiam a luz da lanterna de
Luke parecendo formar olhos sinistros entre a escuridão. Luke e Gabite tinha receio a cada passo
que eles davam, o toque suave da grama parecia atraí-los para dentro da mansão. A pintura da
casa era desgastada, tinha tons em vinhos com tijolos destruídos e rachaduras. Milhares de teias
de aranhas davam a idéia do tempo que ela estava abandonada e conforme elas se mexiam parecia
que as paredes eram vivas, uma vez que todos os moradores da cidade de Eterna evitavam aquele
local por conhecerem as Lendas Urbanas que eram contadas.
— Sabe Gabite, será que aquela lenda da mulher que foi morta pelo jardineiro é verdade?
Por que se pararmos para ver bem, nós estamos andando no quintal de uma... mansão
abandonada... — sussurrou Luke.
214

Gabite imediatamente parou e olhou para seus pés, vendo as pegadas que eram deixadas
para trás como se agora eles estivessem entrado no domínio dos fantasmas, e não tivessem mais
saída.
— GAAWHR! Gawahr, gwaaaahr..... — implorou o pokémon.
— Não Gabite, é só uma lenda, eu falei brincando. Não vai aparecer uma mulher vestida
de branco e nos... matar. — disse Luke um pouco receoso — V-Vamos entrar na mansão logo.
Os minutos que passaram enquanto os dois caminhavam pelo jardim pareciam nunca
terminar, quando se aproximaram da porta, perceberam que ela já estava meio aberta, como se
alguém já esperasse por sua visita, Luke encostou suavemente a mão sobre a maçaneta e o ranger
da porta deu calafrios nos dois que por um momento sentiram vontade de sair de lá correndo,
mas Luke criou coragem e entrou na casa abandonada. Um vento pareceu passar por seu corpo, o
cheiro de mofo cobria todo o local e a poeira voa pela sala conforme o ar adentrava o recinto
abandonado. A luz de sua fraca lanterna iluminava a escuridão do local, um enorme lustre
dourado coberto com pedras que já não possuíam mais brilho se estendia no centro do salão que
se pendurava por um fino cabo de ouro coberto pela sujeira, e a cada passo que davam era
possível ouvir sua própria respiração.
Duas estátuas davam entrada para uma sala principal que parecia ser a cozinha, as duas
eram feitas de mármores e pareciam trazer a figura de um Rhydon esculpida, elas estavam
cobertas pelo tempo, a pedra já não era mais perfeita e manchas ocasionadas pelo passar das
estações eram observadas em toda sua extensão. Luke observou aquelas duas estátuas atônito, elas
pareciam querer se movimentar e sair daquele local onde estavam aprisionadas a tantos anos, o
chão era coberto com suas pegadas e de seu pokémon que andava assustado; havia apenas a fraca
luz de sua lanterna para iluminar um lugar tão cheio de mistérios. As árvores que se
movimentavam do lado de for, traziam para dentro da casa figuras que dançavam de acordo com
a aparição e ausência da lua.
Luke movimentou a sua cabeça para todo os lados procurando um possível caminho que
ele poderia percorrer, percebendo logo, que ali havia uma gigantesca escadaria coberta com uma
tapeçaria já prejudicada pelo tempo, e continuou seguindo até o andar de cima.
Luke já parecia ter se esquecido do pokémon que viera buscar, ele só queria explorar
aquele local macabro e ver se encontrava algo interessante. Os dois caminharam por um longo
corredor que ecoava seus passos, então entraram em um pequeno quarto; no local havia uma cama
totalmente empoeirada e um televisor quebrado. Muitos papéis estavam rasgados, forrando quase
que completamente o chão do local. Também havia várias estantes de livros, mas um único livro
jazia aberto naquele cômodo.
215

Luke sentou na cama e segurou o livro para tentar examiná-lo, enquanto Gabite observava
o quarto com receio que parecia querer devorá-lo. O dragão parecia surpreso ao deparar-se com
um quadro coberto por poeira, e ao passar levemente suas garras pelo vidro do objeto, ele pôde
ver a figura de uma linda moça loira que os observava.
— Gabite, se liga que livro muito louco! Tá cheio de anotações, mas nem dá mais pra
entender o que tá escrito. Deve ser muito antigo. — disse Luke — O que acha da gente levar?
Gabite andou lentamente em direção do seu dono e mostrou o quadro empoeirado, Luke
arregalou os olhos ao ver que a foto da mulher adequava-se perfeitamente ao perfil da mulher que
fora assassinada na Lenda. Um arrepio subiu por sua espinha, seus pensamentos começaram a
confundi-lo, seus braços e pernas amoleceram, e por um curto tempo, toda sua vida pareceu
passar como um fio em frente aos seus olhos.
Todo seu corpo começou a estremecer, o fato dele pensar que ali poderia ser um quarto
de uma mulher que fora assassinada de maneira brutal corroeu a sua mente, Luke começou a
perceber detalhes que não havia notado; será que os livros estavam jogados porque a jovem havia
tentado se salvar? Por que o carpete estava sujo com uma lama já seca? Luke começou a suar frio,
e sua feição parecia demonstrar que ele havia sido engolido pelo desespero, quando sua mão foi
tocada pelo simples toque de seu Pokémon que parecia querer sair dali o mais rápido possível.
— Cara, agora sim eu fiquei com medo... — sussurrou Luke sem reação.
— Gawhr, gawhbite? — grunhiu o pokémon, apontando para uma página do livro que
jazia aberto ao lado de Luke.
— Hm? O que tá escrito aí?

“Que importa morar aqui ou lá, quando se descobre
que se está sozinho em qualquer lugar?”

Os olhos de Luke encontravam-se fixados no livro que trazia uma coletânea de frases
misteriosas. Poucas palavras estavam legíveis naquele livro, mas por algum motivo as últimas
páginas pareciam ter sido escritas há pouco tempo.

“A timidez é uma condição alheia ao coração,
uma categoria, uma dimensão que desemboca na solidão.”

“A solidão é o destino de todos os espíritos eminentes.”

216

“ Minha solidão não tem nada a ver com a presença ou ausência de pessoas… Detesto
quem me rouba a solidão, sem em troca me oferecer verdadeiramente companhia… Gostaria de
viver comigo pela eternidade?
Glaciallis.”

Luke fechou bruscamente o livro e sem querer derrubou o quadro da garota no chão, que
se estilhaçou completamente, naquela hora toda a mansão pareceu ganhar vida, o grito do vento
parecia ensurdecedor, as cortinas rasgadas dançavam conforme o lugar esfriava, e as poucas
porcelanas que havia no recinto caia no chão, estraçalhando todo o local. Sua feição agora era de
pavor, eles haviam feito uma má escolha em entrar naquele local fantasmagórico.
— Gabite, vamos dar um fora daqui AGORA!! — gritou Luke, pegando suas coisas para
sair o mais rápido possível daquela mansão.
Enquanto os dois corriam para fora, um estranho vulto pôde ser percebido na sala
principal. Algo mais escuro do que a própria noite parecia perambular por aquele local. Luke e
Gabite ficaram pasmos. Por um momento o vulto parou e seus olhos puderam ser notados, eram
amarelos e sem expressão. A criatura vestia uma roupa totalmente branca suja com terra, e não era
possível ver seus pés nem seu rosto.
Um vento muito frio pôde ser sentido pelos dois, suas pernas já não os obedeciam, e
mesmo que eles gritassem, eles não seriam capazes de chamar por alguém.
— G-G-Gabite, faz alguma coisa!! — disse Luke trêmulo.
Gabite tinha uma boa visão na escuridão por estar acostumado às cavernas escuras em que
morava, e diferentemente dos humanos, o dragão podia ver o que estava por trás daquela
misteriosa figura.
O dragão avançou em direção do fantasma que foi atingido, caindo no chão
imediatamente sem conseguir mover-se, mas Gabite não parecia disposto a machucar a criatura.
Luke aproximou-se então e percebeu que na verdade tratava-se um inofensivo pokémon.
— Era só uma Froslass...

Agora que Luke a observava com mais calma, ele pôde chegar à conclusão de que era uma
pequena Froslass. O pokémon tinha belos olhos amarelados e vestia um longo vestido branco. A
criatura parecia mais assustada do que si próprio, transmitindo um sentimento de pena ao ver a
verdadeira forma do pokémon.
217

— Gabite, acho que invadimos a casa dessa Froslass. — comentou Luke — Vamos
embora, não vamos perturbá-la. Não era essa a minha intenção.
Gabite então soltou o fantasma que continuou observando-os dois um tanto quanto
surpresa. Luke sorriu e pegou suas coisas para saírem de uma vez por todas daquela mansão
sombria, mas enquanto os dois caminhavam em direção da saída, a Froslass parecia continuar a
segui-los lentamente.
— Gawahr gawhorwir...— grunhiu o dragão.
— Eu percebi. — respondeu o garoto, sem dar queixa ao pokémon que os seguia.
O jovem então parou e voltou-se para Froslass que tentava aproximar-se cada vez mais,
mas no momento que percebeu terem notado sua presença ela rapidamente desapareceu na
escuridão. Apenas um par de olhos amarelos podiam ser vistos, mas o medo não
lhes incomodava mais.
— Você deve ser muito solitária aqui, não é? — perguntou.
A Froslass não apareceu de imediato, mas logo voltou com um pequeno livro em suas
mãos. O mesmo livro que Luke encontrara no quarto do andar de cima. Ele estava um pouco
empoeirado e manchado pela velhice, mas a criatura o segurava como se fosse seu maior tesouro.
— Esse livro é seu? E foi você quem escreveu essas frases? — perguntou ele. A pequena
Froslass acenou positivamente — Imagino que você deve ter vivido por muito tempo sozinha
nessa mansão... Será que você não gostaria de seguir viagem conosco?
Froslass parecia confusa com a oferta, nunca alguém lhe propora algo parecido. Luke
retirou uma pokébola de sua mochila e mostrou para o Pokémon fantasma, Gabite apenas a
observava atentamente como se conversasse com a criatura, em seguida, virando-se para seu
treinador e confirmando a resposta de Froslass. Ele pegou a pokébola e lançou-a em direção do
fantasma. Era uma captura completa. Mesmo que não fosse um Murkrow, Luke estava
extremamente feliz por ter conseguido capturar uma pokémon. Agora ele precisaria treiná-la para
que estivesse pronta para sua próxima batalha de ginásio.
Gabite e Luke saíram da velha mansão lentamente, que parecia não os assustar mais, mas
agora eles estavam contentes, pois sabiam que tudo não passava de uma lenda.
— Bom Gabite, sorte que tudo terminou bem, né. E pelo menos agora a gente tem
certeza de que essa coisa de fantasma assombrado não existe. — disse Luke confiante.
Gabite parou por um momento e olhou uma última vez para a mansão, o dragão chamou
a atenção de seu dono que também olhou. Sendo que no segundo andar da mansão, no mesmo
quarto em que eles encontraram o vidro algo os observava, mas dessa vez era possível ver
218

perfeitamente a silhueta de uma mulher com olhos vermelhos, que observava sutilmente os dois
intrusos da janela do quarto.
Luke e Gabite se entreolharam e saíram da floresta aos gritos. Aquela seria a última vez
que eles iriam a tal lugar numa noite como aquela. O silêncio prevaleceu.






























219

CAPÍTULO 18

Quem define o que é Certo e o Errado?

O dia seguinte amanhecia como as belas manhãs da primavera no continente de Sinnoh.
Lukas estava acordado logo cedo para retomar seus treinos para o contest em Hearthome, ele
escovou seus dentes, tomou uma ducha, arrumou uma pequena mochila e saiu do quarto. Dawn
também planejava acordar cedo, Lukas esperou-a para que os dois pudessem descer e tomar o
café-da-manhã; e ao entrar no refeitório, os dois se supreenderam ao perceber que Luke já estava
acordado, sentado em uma das mesas com um copo de café entre suas mãos. Com toda certeza
aquela cena não era normal, afinal, Luke jamais teria acordado mais cedo que seus amigos, e se
tivesse, faria questão de acordá-los aos berros.
— Não acha que é muito novo pra tomar café, mocinho? — sorriu Dawn, retirando a
caneca da mão de Luke que não mexeu nem serquer um músculo.
— Caramba, fazia tempo que eu não via você acordando cedo. Como foi ontem? —
perguntou Lukas, que não obteve resposta de Luke. O irmão sentou-se ao lado do rapaz
observando-o por um tempo, o garoto permanecia encurvado com seus olhos pregados como
alguém que dormira muito pouco. Lukas sorriu ao ver a cena, em seguida passando a mão
próxima ao rosto para ver se havia reação. Luke deu um rápido piscar de olhos e tornou a dizer:
— Não é nada. — afirmou de modo seco, como alguém que não queria prolongar um
assunto.
Dawn sorriu e também sentou-se ao lado do garoto, em seguida tomando um pouco do
café que estava em sua mão.
— Conseguiu capturar o pokémon que você queria ontem? Você foi dormir tão tarde,
nós nem vimos você chegar.
— Capturei uma Froslass. — continuou.
Sua feição estava pálida, o garoto realmente parecia ter ficado acordado a noite inteira,
em sua voz era predominante o descontentamento em prolongar aquela conversa, mas os dois
amigos permaneciam curiosos para saber o que realmente havia acontecido na noite passada
em Eterna Forest.
— O que houve Luke? Parece que você viu um fantasma. — brincou a garota.
220

Luke simplesmente virou-se para Dawn e se manteve sério, como se seu olhar
afirmasse: Vi sim, e não quero tocar no assunto. Não foi preciso mais nada para que ela
percebesse que Luke não estava nem um pouco disposto a conversar.

Os três terminaram sua refeição e saíram para começar a realizar os últimos afazeres
naquela cidade. O grupo pretendia trilhar seu caminho para em seguida poder seguir pela rota
206 e 207 e chegar à Hearthome, seria uma rota longa e provavelmente muito cansativa, então o
grupo precisava estar preparado. Dawn ria da estranha feição que Luke mantinha em seu rosto, o
garoto ainda parecia assustado e trêmulo, sendo que os dois não faziam nem ideia do que
acontecera com o jovem na noite passada. Foi então que Dawn quebrou o silêncio:
— Ei Luke, lembra que o Senhor Combs havia dito que deixaria três bicicletas para nós?
— Ah... Falou sim, ele disse que deixaria elas prontas na loja de bicicletas. — assentiu o
garoto.
Os três jovens então seguiram para uma pequena construção que havia na cidade. O dono
do imóvel foi rapidamente atendê-los perguntando-lhes o nome na sequência. Dois garotos
idênticos e uma mocinha meiga. Era essa a descrição que recebera, afirmando em seguida que um
homem muito bem vestido havia encomendado três das melhores bicicletas. Com toda certeza
aquele homem era Glenn. As bicicletas eram fantásticas, uma perfeita combinação entre
velocidade e qualidade, e aquilo era o suficiente para deixar os três viajantes fascinados.
— Nossa, com essa bicicleta nova eu nem vou mais precisar arrumar a minha antiga! Eu
perdi a minha outra bicicleta enquanto eu tentava ajudar vocês dois na rota 202, a tempestade de
neve acabou com ela. — disse Dawn sorridente.
— Dá só uma olhada nessas, elas são perfeitas! — disse Lukas.
— Eu prometi para o Glenn que nós aparecíriamos no show dele em Hearthome. Ele até
nos entregou uma carta falando que ia pagar a estadia num lugar lá, dahora né? Vamos terminar
de arrumar nossas coisas e partir pra próxima cidade pela rota 206, essa aventura vai ser muito
louca!! — disse Luke animado.
— Ué, mudou de personalidade do nada? Até agora pouco você parecia traumatizado
com alguma coisa. — disse Dawn.
Luke parou por um momento tentando lembrar-se do motivo de estar emburrado, mas as
bicicletas novas eram o suficiente para melhorar sua autoestima, rapidamente revelando um
sorriso animado:
— Sério? Sei lá, eu esqueci o que era. Agora só tô pensando nessa bicicleta novas, quero
estreá-la assim que possível!
221

Os jovens rapidamente retornaram para o Centro Pokémon e começaram a arrumar suas
malas em seus respectivos quartos. O treino ficaria para depois, pois no momento o que eles mais
queriam era estrear suas novas bicicletas enquanto andassem na famosa Rodovia dos Ciclistas, na
rota 206. Os três terminaram de arrumar suas mochilas e saíram do Centro Pokémon, mas antes
que pudessem seguir para a próxima cidade eles decidiram comprar mantimentos e outros
produtos necessários.
— Ei pessoal, eu preciso passar no Pokémart pra comprar algumas pokébolas e poções,
mas é rapidão. Vocês querem ir comigo ou vão passar no supermercado antes? — perguntou
Luke, enquanto empinava sua bicicleta e fazia acrobacias.
— Nós vamos com você. Só vamos comprar algumas comidas básicas, e isso tudo tem
no Pokémart. É melhor estarmos prontos para os obstáculos, pois Hearthome fica bem longe
daqui. — afirmou o irmão.



Enquanto os três seguiam em direção à loja mais próxima, um forte barulho de estrondo
pôde ser ouvido vindo de um imenso prédio nas redondezas. Muita fumaça saia do local, o que
chamou a atenção dos jovens, fazendo-os mudar seu curso para verificar o que estava
acontecendo. Quando os garotos se aproximaram nem mesmo os bombeiros haviam chegado, e
alguns cientistas evacuavam o prédio com pressa tentando salvar os intrumentos de pesquisa e
livros das chamas que começavam a propagar-se nos andares mais altos.
— Uow, o que tá acontecendo ai? — perguntou Luke para um dos cientistas que tentava
euforicamente salvar os livros do prédio em chamas.
— Nós não sabemos ainda, o bombardeio veio do quinto andar por um helicóptero de
cor preta e vermelha que se aproximou, mas nem sequer imaginamos quem seja e nem o motivo
do ataque! — respondeu o cientista.
222

— Nossos superiores ainda estão lá em cima, precisamos ajudá-los! — afirmou um
segundo homem.
— Essa não!! Luke, Lukas! Nós precisamos fazer algo!! Vamos usar nossos Pokémons e
tentar apagar esse incêndio! — afirmou Dawn.
Dawn lançou seu Piplup; Lukas, sua Roselia; e Luke, seu Gabite. Os cientistas lá
presentes tentaram impedi-los, mas os três estavam dispostos a entrar no imóvel e ajudar da forma
possível. Ao entrarem no prédio, as primeiras salas não apresentavam grandes danos, sendo que
apenas uma espessa cortina de fumaça cobria os dois últimos andares. O alarme disparava, e eles
precisavam verificar se alguém ainda estava em perigo. Com sua visão aguçada, Gabite guiava os
jovens em meio à forte fumaça que jazia no local, enquanto Piplup e Roselia apagavam as
pequenas chamas ao redor com o Bubblebeam e o Water Sport.
Enquanto os irmãos corriam pelos andares, Dawn pôde perceber várias pessoas
uniformizadas descendo as escadas com pressa e tentando salvar diversos documentos. Todos
vestiam os mesmos uniformes do Team Galactic, o que levou a garota à conclusão de que eram
eles que haviam causado aquele incêndio.
— Pessoal, foi o Team Galactic que causou o incêndio nesse laboratório!! E eles estão
fungindo, nós precisamos impedi-los! — gritou.
— Claro que não Dawn, não está vendo que eles estão tentando apagar o fogo?! O Team
Galactic não iria bombardear um prédio, eles são os bonzinhos!! — afirmou Lukas.
— N-Não é possível!! Eles são os vilões, não podem... AAAH!! — gritou Dawn, ao
perceber que um pedaço do teto cairia em cima de sua cabeça. Mas no mesmo instante o Gabite
de Luke pulou em sua direção e destruiu a madeira antes que ela caísse sobre a garota.
Dawn jazia de joelhos no chão, Luke aproximou-se dela e estendeu sua mão para ajudá-la.
O maior incêndio estava no quinto andar, sendo que frequemente pedaços do teto podiam cair
sobre suas cabeças no quarto andar.
— Vamos logo Dawn, o Lukas tem razão. O Team Galactic parece estar tentando apagar
o fogo, eles provavelmente foram vítimas de um incêndio. Vamos subir até o último andar e ver o
motivo dessa explosão, rápido!

Assim que os três subiram as escadas, duas estranhas sombras puderam ser notadas entre
a forte cortina de fumaça que cobria a sala. A explosão realmente fora feita no quinto andar, um
imenso buraco podia ser visto na parede de modo que desse visão para o céu, que pouco a pouco
começava a ser tomado pela fumaça negra que era exalada.
223

Uma das sombras presente na sala apresentava as belas silheutas de uma mulher, enquanto
a outra parecia ser de um homem bem alto que vestia uma boina e um uniforme negro. Lukas
imediatamente percebeu que a mulher era sua Tia Martha, mas antes que ele pudesse chamar pela
tia, Luke rapidamente tampou sua boca e apontou seu dedo indicador pedindo silêncio.

— É realmente uma pena, Comandante Mars. Você seria uma ótima integrante do Team
Rocket, mas me parece que você escolheu o lado errado. Não digo nem por isso, por que não fica
somente do meu lado? Esqueça as facções, deixe tudo para trás. — disse o homem, vendo que a
feição de seriedade não desaparecia no rosto da Comandante — Vocês nunca perdem a
esperança? Realmente acham que a criação de um mundo perfeito vai mudar algo? O problema
está nos humanos.
— Pelo menos as intenções do Senhor Cyrus são bem melhores do que os ideais
do Team Rocket. — respondeu a comandante com severidade — “Conquistar o mundo?”
224

“Roubar Pokémons?” Por favor Proton, não somos mais crianças e sabemos muito bem escolher
o que é certo e o que é errado.
— Que desperdício... Uma mulher tão linda como você desperdiçando seu precioso
tempo com um bando de inúteis como o Team Galactic... Poderíamos voltar para os tempos de
infância, não é?
Martha parecia irritada com o elogio que aquele homem fizera. Proton apenas estendeu
seus braços para o alto parecendo espreguiçar-se, e em seguida acenando brevemente para um
helicóptero que sobrevoava a cidade ao longe.
— Bom, missão cumprida por hoje. Espero que todas as respostas para seus planos
estejam nesses documentos do prédio, porque em poucos minutos tudo estará lá embaixo. — riu
o homem, virando-se para Martha e dando um último aceno — Você ainda será minha.
Proton aproveitou a parede destruída na sala e pulou em uma escada de cordas que o
levava para o helicóptero. Ele realmente tinha habilidade, pois não seria qualquer pessoa capaz de
realizar tal feito. O helicóptero distanciou-se e o levou para bem longe, deixando a comandante
sozinha na sala que continuava a arder em chamas.
— Seu desgraçado! — gritou ela, lançando uma pokébola que liberou seu Golbat. O
pokémon rapidamente começou a tentar apagar as chamas com o bater de suas asas, mas elas
começavam a espalhar-se cada vez mais. Nesse momento, os três jovens surgiram com seus
Pokémons e começaram a ajudar a mulher a apagar o incêndio.
— Tia Martha!! Você está bem? — perguntou Lukas, abraçando a mulher que abriu um
lindo sorriso ao ver os sobrinhos.
— Luke, Lukas? O que fazem aqui?! — perguntou ela surpresa.
— Nós ouvimos o barulho e corremos para ver o que estava acontecendo! Nós viemos
aqui para ajudar a apagar o fogo! — disse Luke.
— Fantástico queridos, vocês chegaram na hora certa! — disse a comandante — Golbat,
utilize o Wing Attack no fogo!
Com a ajuda dos três jovens, rapidamente o incêndio começou a cessar. Com o fogo
controlado no quinto e no quarto andar, Martha desceu as escadas e encontrou todos os
membros do Team Galactic a salvos, embora grande parte dos documentos tivessem sido
destruídos.
— Aqueles idiotas dos Rocket nos atacaram de novo!! Eles já destruíram nossa base na
rota 202, e agora tentaram livrar-se de nós para acabar com nossos arquivos e pesquisas!
Degraçados!! — praguejou um dos integrantes extremamente irritado.
225

— Não se preocupe Cosmo, nós conseguimos salvar alguns arquivos. — comentou uma
mulher ao seu lado.
— Mas, Star... Os Foguetes Vermelhos conseguiram o que eles queriam. Eles destruíram
a sala em que ficavam os arquivos mais importantes. Teremos que notificar o chefe sobre o
ocorrido, não podemos ficar parados enquanto os Rocket continuam a nos atacar. — explicou
Cosmo novamente.
A comandante então notificou para que os integrantes do grupo começassem a
recuperação do prédio, e embora os últimos andares tivessem sido extremamente prejudicados, os
primeiros quase não tinham sofrido danos. Os Galactic começavam a recuperação do prédio
quando um dos integrantes notou a presença dos três jovens ao lado de sua comandante,
apontando para eles de modo surpreso e anunciando logo em seguida:
— Espera um pouco, esses garotos foram os mesmos que nos atrapalharam no Valley
Windworks!! O que eles estão fazendo aqui?!
— Aaaaah!! São os pirralhos da pokéagenda! — afirmou Cosmo.
— Vocês devem ser os amigos da Tia Martha, não é? Eu lembro que vocês tentaram
pegar algumas pokéagendas há algumas semanas, mas se quisessem era só ter pedido pro
Professor, acho que ele dava numa boa. — sorriu Luke.
Martha colocou a mão em seu rosto e percebeu que agora ela não tinha mais como negar
o fato de ser tia dos garotos. Ela então reuniu os membros presentes da equipe e explicou o
ocorrido.
— Perdoe-me rapazes. Já que estão todos reunidos decidi explicar para vocês o que
realmente está acontecendo. Esses dois jovens são meus sobrinhos, eles são o Luke e o Lukas. —
explicou a comandante sorridente, fazendo todos os outros membros ficarem boquiabertos.
— O QUÊ?! Esses pirralhos são sobrinhos da comandante?!
— Algum problema, soldado?
— De forma alguma... — assentiu — Mas Comandante, esses dois garotos estão
atrapalhando nossos planos há um bom tempo. Eles são nossos inimigos.
— Atrapalhando nossos planos? Que eu saiba, até o momento tudo ocorreu
perfeitamente. No incidente com as pokéagendas nós só precisamos de uma única amostra do
aparelho, vocês que inventaram de roubar todas, não é mesmo Cosmo e Star?
— Ugh... Perdoe-nos comandante, nós imaginamos que se roubassemos várias amostras
poderíamos vir a ser promovidos de alguma forma. — desculpou-se Cosmo.
226

— E no Valley Windworks tudo que nós precisávamos fazer era desviar a energia
para Veilstone City, e nós conseguimos também. Então de certo modo eles não nos atrapalharam
em nada. — sorriu a comandante.
— É verdade... — disse um dos soldados.
— Desculpa se em algum momento nós atrapalhamos o trabalho de vocês, prometemos
sermos mais cuidadosos. — desculpou-se Lukas.
— Oh, como eles são fofinhos. A comandante tem dois sobrinhos muito lindos. — disse
Star.
— Bom, agora voltem aos seus afazeres, tenho muito o que falar com meus queridos
sobrinhos que não vejo há tanto tempo. — disse a mulher.

A Comandante Mars guiou os jovens até a entrada do prédio em que havia uma pequena
área que funcionava como uma sala de visitas. Dawn permanecia irriquieta por estar em um local
que julgava ser dos inimigos. As palavras do detetive Looker permaneciam em sua mente, e
ninguém conseguiria fazê-la esquecer que os Galactics eram realmente inimigos do mundo.
Martha sentou-se em um belo sofá vermelho, Lukas rapidamente pulou ao seu lado abraçando a
Tia, ela acariciava lentamente os cabelos negros do garoto, e seguido de um suspiro, tornou a
falar:
— Queridos, acho que agora nós podemos conversar com mais calma. Como vocês estão?
Me digam como tem sido a viagem de vocês, quero saber de tudo!
— Tia Martha, nós não sabíamos que você fazia parte de uma corporação de verdade. A
gente pensou que era brincadeira! Isso é muito louco! — disse Luke maravilhado.
— Na verdade não é uma corporação. É uma facção criminosa. — retrucou Dawn com
certo desgosto, ainda não apreciando a companhia da Comandante.
— Heh, heh, heh... Não é bem uma facção criminosa, nós só batalhamos pelos ideais de
cada um. Queremos construir um mundo perfeito, mas eu não vejo nada de errado nisso. As
pessoas nos julgam por algo que não somos.
— Você é realmente tia desses garotos? — perguntou Dawn.
— Sou sim, e quem seria você? É a namorada do meu jovem Luke?
— N-Namorada?! Mas é claro que não, nós só somos amigos!! — respondeu ela
encabulada — Meu nome é Dawn, quero ser uma pesquisadora Pokémon. Estou com seus
sobrinhos em uma aventura para poder aprender mais sobre o universo dos Pokémons!
— Isso é fantástico. Você poderia ser uma grande cienstista do Team Galactic, estamos
trabalhando para encontrar pessoas novas com experiência. — explicou Mars.
227

Dawn agora parecia pensativa. Uma criminosa nunca poderia ser tão adorável com
alguém, ela não sentia insegurança quando se dirigia à comandante, e pouco a pouco ela começava
a levar em conta o que seus amigos diziam: Seriam os Galactics realmente bondosos?
— Nossa, estou muito feliz em poder vê-los de novo, nós nem conseguimos conversar
no Valley Windworks pelas confusões e controvérsias que aconteceram, mas agora espero ter
todo o tempo do mundo! — disse a comandante.
— Hm, Tia Martha, agora a gente pode te chamar de Tia, ou ainda tem que te chamar
de Comandante? — perguntou Lukas.
— Vocês podem me chamar do que quiserem agora. — disse a mulher abraçando o
sobrinho.

Após um tempo de conversa, um helicóptero surgiu e
pousou próximo a entrada. De lá saiu um homem que vestia o
uniforme no padrão dos Galactics, ele mostrava um grau de
importância acima dos membros normais com detalhes adornados
em ouro na roupa, sendo imediatamente recebido por dois
soldados. O homem andava com pressa parecendo procurar por
algo desesperadamente, até que avistou Martha na sala para
finalmente tranquilizar-se.
— Martha?! — perguntou o homem incrédulo.
— Alex!! — gritou a mulher animada, rapidamente
pulando no colo do homem para abraçá-lo.
— Eu vim correndo assim que soube do ataque. Foi
difícil ganhar permissão do chefe para vir para cá, mas foi por um
bom motivo. Fiquei preoupado pensando que algo poderia ter
acontecido com você.
— Você sabe que eu consigo virar-me sozinha. Mas fique
sabendo que fico muito feliz que você esteja aqui!! — disse Mars
— Venha aqui Alex, quero apresentar-lhe meus sobrinhos. Estes
são o Lukas e o Luke, e a garota é amiga deles, seu nome é Dawn.
O homem parecia um pouco assustado por, de repente, encontrar-se com crianças dentro
da corporação. A princípio ele pensava que haviam destruído a base, mas em seguida sentiu-se
aliviado por ver que tudo estava bem. Alexsander parecia extremamente assustado ao encontrar-se
com crianças, ele não demonstrava convivência com jovens, e de uma hora para outra deparar-se
228

com várias crianças em seu ambiente de trabalho de certo era algo “peculiar”. Alex aproximou-se
dos garotos e cumprimentou-os com um gesto rápido de sua mão, recebendo o cumprimento dos
jovens logo em seguida.
— Eae cara, firmeza? — perguntou Luke.
— Hm, prazer... — riu o homem.
— Queridos, este é o Comandante Saturn. Seu nome é Alexsander, e peço que chamem-
no pelo nome verdadeiro. Ele também é o meu namorado. — disse Martha.
— O QUÊ?? A Tia tá namorando?? — gritou Luke surpreso.
— Ahh, isso é muito legal Tia! Parabéns para vocês dois! — sorriu Lukas.
— Caramba, que bom que você tá namorando! A mamãe sempre dizia que você estava
encalhada.
— O QUE A MELYSSA FICA FALANDO PRA VOCÊS?? — gritou ela furiosa.
— Que você precisa ter filhos. — riram os dois garotos.
Mars deu um leve sorriso e em seguida segurou levemente em uma das mãos de Alex. O
homem não retribuiu o olhar no momento. A ideia de ter filhos não parecia mal para a
comandante, pois há muito tempo gostaria de ter uma família unida e feliz. Porém, o trabalho
impedia qualquer plano à respeito, e sempre que pensava no assunto acabava por desanimar-se.
— Por favor Cosmo, não gostaria de trazer-nos alguns drinks? Traga algo especial para o
meu querido também, deve ter sido uma viagem longa desde Veilstone City.

Os jovens ficaram por um tempo na companhia dos dois comandantes do Team Galactic.
Saturn ria das palahaçadas que Luke fazia, enquanto Mars perguntava a todo momento das
aventuras de seus sobrinhos. Dawn encontrava-se cada vez mais convencida de que os Galáticos
realmente eram bondosos, o que levava a garota a ter dúvidas sobre se o que o Observador achava
era realmente verdade.
— Tia Martha, o que causou a explosão no quinto andar hoje de manhã? — perguntou
Lukas.
— Foram os membros de uma corporação rival. Já ouviram falar do Team Rocket? —
perguntou a mulher.
— Não, nunca ouvimos.
— Imaginei que não, quando eles atuavam nos continentes de Kanto Johto vocês ainda
eram muito novos. A mídia anunciou que o grupo foi desfeito, mas alguns membros ainda
procuram realizar os antigos ideais da equipe. Eles incendiaram o prédio hoje de manhã porque
aqui era o único lugar que haviam documentos importantes sobre alguns planos nossos. —
229

suspirou a comandante virando-se para seu namorado — Você acha que o chefe ficará bravo se
souber que perdemos os arquivos, Alex?
— Talvez Martha, aqueles arquivos eram muito importante para seguirmos nossos
planos...
— Que tipo de plano era? Era tipo uma aventura? Deve ser emocionante trabalhar nessa
corporação! — disse Luke entusiasmado.
— Bom, isso é confidencial. — explicou Saturn.
— Que confidencial o quê, em família não tem segredo não rapaz, e você já faz parte da
família!! — brincou ele, fazendo Saturn dar uma leve risada.
— Ele está certo Alex, não há problemas se contarmos nossos planos para eles. Queridos,
nós queremos construir um mundo perfeito. Não é legal? — perguntou a comandante.
— Nuuuuuuuuuussa. Que demais!! — disse Luke.
— Eu disse que eles eram bonzinhos, Dawn! — afirmou Lukas.
— Hm... Acho que sim. — confirmou ela com incerteza.
— Aqueles arquivos continham o manual para montar uma máquina capaz de juntar os
três guardiões do lago de forma que possamos abrir um portal para um mundo paralelo ao nosso.
E isso não era interessante para os Rockets, e foi por isso que eles incendiaram não só esse prédio,
como nossa base secreta na rota 202.
— Espere um pouco! Lembro-me de ter visto de relance um homem que colocou fogo na
floresta! Tenho certeza, ele usava aquela mesma boina e tinha o mesmo olhar do rapaz que vimos
hoje no incêndio!! — disse Dawn.
— Vocês estavam ouvindo nossa conversa naquele momento? O nome dele era Proton, e
ele é um dos Comandantes do Team Rocket. — disse Martha.
— Proton?! O Proton esteve aqui?! Não me diga que ele continua dando em cima de
você? — perguntou Saturn irritado.
— Ele esteve sim Alex, e ele continua dando em cima de mim. Mas não se preocupe
amorzinho, eu não vou te trocar pelo Proton. Não precisa ter ciúminho. — provocou a mulher
usando todas as suas palavras no diminutivo.
Alexsander cruzou seus braços e tornou a sentar-se no sofá com uma feição emburrada,
enquanto Martha passava sua mão lentamente sobre seu rosto para tentar acalmá-lo.
— Eu não estava com ciúmes, eu só não gosto dele. — respondeu Saturn.
— Tudo bem querido, eu só estava brincando. Eu nunca vou trocá-lo por alguém como
o Proton. Nunca. — sorriu Mars.

230

O dia foi passando, e os garotos nem viram o tempo passar enquanto permaneciam na
companhia de Martha e Alexsander. Hearthome provavelmente ficaria para o dia seguinte, pois
naquele horário já não seria possível chegar à cidade. Martha adorava dar presentes para seus
sobrinhos, e dessa vez haviam mais TMs que ela trouxera. Luke particularmente era fascinado
pelos objetos pois adorava testá-los em seu computador. Esse era o motivo deles sempre
adorarem as visitas da Tia.
— Nooooossa, é um TM 24 Thunderbolt igual àquele que você deu pro Lukas!! Eu tava
louco pra conseguir um desses, onde é que você compra eles tia?? — perguntou Luke.
— Onde eu trabalho tem um monte, então decidi trazer os melhores para vocês usarem
em suas aventuras. Eu estive guardando esses para quando nos encontrassemos de novo, então é
só escolher o que quiserem. — sorriu a mulher.
— Tia, muito obrigado pelos presentes e por sua companhia. Mas já deve estar ficando
tarde, é melhor nós voltarmos para o Centro Pokémon. Amanhã temos que ir bem cedo para
Hearthome. — disse Lukas.
— É uma pena... Eu gostaria que vocês pudessem ficar uma semana inteira, mas eu e o
Alex também precisamos retomar o trabalho e concertar as coisas por aqui. — disse a mulher,
abraçando os dois sobrinhos — Adorei a visita de vocês, e desculpe todo o alvoroço causado pela
explosão no quinto andar, mas esse tipo de coisa é normal por aqui.
— Acontece nas melhores famílias, né Tia? — riu o garoto.
— Isso mesmo, nas melhores. — sorriu a mulher.

Luke, Lukas e Dawn arrumaram suas mochilas guardando os presentes que haviam
ganhado e saíram do prédio dos Galáticos. Mars e Saturn ainda teriam muito trabalho pela frente
para organizar a base, mas a visita dos jovens fora a mais agradável surpresa naquele dia.
— Esses garotos tem futuro, tenho certeza que eles seriam ótimos membros do Team
Galactic. — disse Saturn.
— Verdade, seria ótimo tê-los conosco. Viver sempre perto daqueles que aprecíamos e
podemos confiar, mas minha irmã nunca concordaria com isso, ela nunca gostou dos ideais
do Team Galactic... — disse Mars com uma voz triste.
— Martha, nós seguiremos o plano do chefe e realizaremos os sonhos de todos, o que há
de errado nisso? E se na verdade os pensamentos dos outros que estão errados? Eu acredito que eu
estou fazendo o certo, então tenho minha mente limpa. — explicou Saturn.
— É algo confuso... Às vezes me pergunto, quem define o que é certo e o que é errado?
— disse a mulher abraçando delicadamente o rapaz.
231


Pouco a pouco o céu começou a tornar-se alaranjado. Embora o dia já terminasse e com
isso anunciasse a chegada da escuridão, no fim das contas os aventureiros pretendiam seguir
viagem e acampar no caminho. Aquele dia fora bem cansativo, seus corações estavam ligados à
próxima cidade de modo que não pudessem aguentar nem mais um segundo em Eterna. Já era
chegada a hora de dizer adeus àquela cidade milenar.
Os garotos fizeram uma rápida passagem no Centro Pokémon para que pudessem fechar
as contas de seus quartos, em seguida andando até o salão central e sentando-se próximos à um
conjunto de sofás no canto da sala.
— Cara, onde será que a tia acha tanta coisa legal? Se liga só, eu peguei um monte de
TM dahora. Agora só preciso juntar bastante dinheiro... Sabe o que eu vou fazer depois?? —
perguntou Luke.
— Comprar uma casa para nós no futuro? — perguntou Dawn.
— Que casa o que mulher, e você acha que eu iria gastar dinheiro com bobeira?
— Bobeira? Você ainda quer comprar aquele maldito Porygon? Já sabemos disso Luke,
quando nós estudávamos na escola você falava desse Porygon todo santo dia. Será que você não
desiste dele não? Comprar um Porygon é muito caro, você ia acabar com ele no primeiro dia!! —
retrucou o irmão.
— Você acaba com minhas esperanças pivete. Eu ainda vou ter um Porygon. Anota isso
aí, eu vou ter um Porygon. — disse Luke emburrado.
Lukas suspirou e em seguida observou Dawn que mantinha seu olhar direcionado à
janela.
— E você Dawn, gostou de conhecer nossa tia?
— Gostei sim. Ela é muito simpática. — comentou a garota pensativa.
Dawn permanecia mergulhada em seus pensamentos, ela sabia que a Polícia Internacional
estava atrás dos Galactics, mas agora que ela conhecera pessoalmente seus integrantes ela sentia
que eles não eram uma facção maldosa. Ela estava coberta pela dúvida, deveria contar ao
Observador à respeito do encontro, ou então simplesmente manter-se quieta? Pelo fato de Martha
ser tia dos garotos isso certamente influenciaria em algo, e Dawn tinha medo de prejudicar seus
amigos.
Luke espreguiçou-se e esticou seus pés colocando-os sobre uma pequena mesa em sua
frente. Dawn deu um leve sorriso e se pôs a observá-lo.
— Ai, ai... De qualquer modo, hoje foi um dia e tanto.
232

— Estou louco pra chegar logo em Hearthome. Vocês já querem ir agora? — perguntou
Luke.
— Está anoitecendo, mas acho que não tem problema se andarmos pela Rodovia dos
Ciclistas ao anoitecer, disseram que é um dos locais mais belos de Sinnoh à noite! — sorriu
Dawn.
— Verdade, está ficando escuro. Estranho, estou sentindo um calafrio aqui por perto...
— São fantasmas. Eles vieram para te assombar. — brincou o irmão.
Luke calou-se imediatamente ao ouvir a palavra “fantasma” ser proferida. Imediatamente
ele lembrou-se do espírito que avistara na Floresta Eterna, e isso também explicava o motivo dele
estar tão assustado de manhã. Sua pressão despencou e sua pele começou a ficar pálida, seus olhos
pareciam amedrontados, olhando para os lados a todo momento como se alguém o observasse.
— O que houve? Parece que viu um fantasma de verdade. — riu Dawn.
— Cara, vocês não fazem ideia do que eu vi na Floresta Eterna ontem. Foi tão assustador
que eu não quero nem lembrar. Estava tudo escuro e de repente eu ouvi uns barulhos e então o
vento invadiu a mansão... Cara, foi amedrontador. Acho que seria uma boa ideia se a gente ficasse
no Centro Pokémon essa noite, não é muito bom sair no escuro e...
Subitamente, todas as luzes do centro se apagam.
— Senhores visitantes, aderindo ao movimento Hora do Planeta todas as luzes da cidade
serão apagadas. As máquinas de recuperação entre outros recursos importantes do Centro
Pokémon continuarão ativos, mas as luzes só retornarão daqui a uma hora. O planeta precisa de
ajuda, o Centro Pokémon de Eterna City agradece. — disse voz.
— Que legal!! A gente vai ficar no escuro por uma hora!! Isso não é legal, Luke? —
perguntou o irmão.
— AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH!!

Com o novo pokémon de Luke, uma tímida Froslass, o grupo parece estar mais sinistro
do que nunca! Agora que o Team Galactic já não parece mais ser uma ameaça, Luke e Lukas
continuarão suas jornadas rumo à grande cidade de Hearthome. Com o Team Rocket no
caminho, novos inimigos começam a surgir, mas ao mesmo tempo trazendo aliados e
companheiros. Que mistérios a rota rumo à Hearthome trará?




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CAPÍTULO 19

Seguindo Minha Vida

Os jovens avançavam rapidamente pela Rodovia de Ciclistas na rota 206 com as novas
bicicletas que haviam ganhado do ex-integrante da elite, Glenn Combs. Estava ficando tarde,
pouco a pouco o céu começava a ser coberto pelo tom alaranjado que anunciava a despedida do
sol naquela manhã, a cidade Eterna agora seria uma vaga lembrança em suas mentes, pois o
caminho rumo à Hearthome seria repleto de surpresas e novos desafios. Luke pedalava mais a
frente pela longa estrada fazendo manobras com sua bicicleta enquanto Lukas acompanhava
lentamente o ritmo de seu irmão, carregando o pequeno Pachirisu e sua Roselia no cesto da
bicicleta. O vento batia em seus rostos causando uma fria sensação de que a noite já se
aproximava, os postes de luz começavam a serem ligados, e os outros ciclistas já começavam a
deixar a rodovia.
Assim que a rota 206 chegou ao fim, os jovens continuaram seguindo para o leste até
alcançarem a rota 207, um caminho rochoso e montanhoso que dava entrada a uma das diversas
passagens do majestoso Mt. Coronet, localizado exatamente no centro da região de Sinnoh. No
caminho alguns treinadores desafiavam Luke que continuou a treinar seu Gabite e seu Shieldon,
assim como a nova integrante Froslass; enquanto Lukas preferia evitar qualquer tipo de batalha
para não exaustar seus pokémons.


234

Os jovens aproximaram-se da entrada do Mt. Coronet e observaram a vastidão da
montanha, o local era provavelmente um dos pontos mais altos de Sinnoh, perdendo somente
para o lendário vulcão de Stark Mountain. A imensa parede rochosa erguia-se além de onde seus
olhos alcançassem, e desse modo a montanha serviria como forma de proteção para que os jovens
acampassem lá mesmo, onde provavelmente passariam a noite.
— Ei pessoal, hoje eu preparei uma macarronada com molho fungi e carne.
As berries que eu estive cultivando deram um toque especial para a comida, bon apetit. — sorriu
Lukas, servindo o banquete para seus amigos. A comida do garoto continuava a melhorar a cada
dia, Dawn fazia de tudo para aprender a cozinhar com o amigo, mas por mais que tentasse, sua
comida nunca ficava igual.
Depois de terminada a janta eles começaram a arrumar o acampamento para passar a
noite, Luke rodeava a encosta da montanha, acompanhado de seu pequeno Shieldon à procura de
pedras raras ou qualquer registro de fóssil nas redondezas. O Mt. Coronet o fascinava, e há
tempos ele tentava encontrar uma oportunidade de explorá-lo com mais calma. Lukas permanecia
abraçado a seu Pachirisu no acampamento, enquanto Dawn acompanhada de seu pequeno
Piplup fitava o céu que logo estaria coberto por estrelas.
— Às vezes eu sinto saudade de casa... — comentou a garota, recebendo um olhar
curioso de Lukas que parecia interessado em prolongar o assunto — Não sei, nunca gostei muito
de sair, mas agora estou aqui, em uma grande aventura com meus dois melhores amigos. — disse
ela com um sorriso e na sequência olhando para Lukas que jazia deitado ao seu lado.
— Eu também, sinto saudades do tempo de infância. Sei que ainda somos crianças, mas a
cada ano que passa parece que temos mais obrigações. Ahh, eu queria poder ser criança para
sempre. — disse Lukas — Eu quero me tornar um grande coordenador para poder mostrar para
meus pais como nós melhoramos. E você? Como têm andado suas pesquisas Pokémon?
— Admito que tenho deixado isso um pouco de lado. Acho que preciso voltar a
trabalhar na minha vocação, tenho estado "ocupada" com umas coisas tão bobas ultimamente. —
riu Dawn de modo meio sem graça, em seguida deitando-se ao lado do garoto — Mas me conta
Lukas, o que tem achado dessa aventura? E a Vivian? Rola mais alguma coisa além de amizade?
— O quê?! N-Não tem nada entre eu e a Vivian, nós somos só amigos, entende? Não
que eu goste dela, ou adore o jeito como ela fala comigo e me trata, essas coisas do tipo e... N-
Não pense que seja algo além de amizade. — gaguejou Lukas assustado.
Dawn sorriu e abraçou o garoto que ficou sem reação por um momento, ela permaneceu
abraçada como se quisesse protegê-lo, Lukas sentia que Dawn era como uma irmã mais velha para
ele, e irmãos mais velhos sempre sabem o que está acontecendo com os mais novos.
235

— Vou te dizer uma coisa, eu sinto que têm algo a mais no jeito que a Vivian fala com
você. Eu sou mulher, e sei como as mulheres agem. — sorriu Dawn, arrumando o cabelo do
garoto — Mas não acho que ela combine com você.
— Hm? Não entendi o que você quis dizer com isso então. — riu Lukas um pouco
confuso.
— A Vivian é aquele tipo de garota que preza muito a amizade, acho que ela te considera
tanto como um amigo que o “eu gosto de você” virou uma coisa casual, mas quem está em volta
não consegue entender este sentimento. De certa forma eu entendo como ela se sente.
— Vocês mulheres nos confundem. — brincou ele.

Pouco depois Luke retornara ao acampamento junto de seu Shieldon, que ficaria
mantendo a guarda noturna junto do Machop de Dawn. As noites em Sinnoh eram frias, os
jovens estavam muito bem agasalhados enquanto preparavam-se para dormir. Dawn colocou um
pequeno cobertor em volta de seu Machop para que o pobre Pokémon não passasse frio durante
a noite, enquanto Shieldon mantinha-se ereto em frente ao acampamento mantendo a vigia, pois
se uma tarefa lhe fora designada por seu mestre, ele iria cumpri-la.
A noite foi passando e os jovens logo caíram no sono, os dois Pokémons mantinham a
vigia noturna quando avistaram um vulto aproximando-se da montanha. A sombra carregava um
lampião fazendo com que não fosse possível ver seu rosto naquela densa escuridão, Shieldon
rapidamente colocou-se em sinal de alerta, mas a figura agachou-se e acariciou a cabeça do
Pokémon que percebeu não tratar-se de nenhuma ameaça. Machop nem sequer notara o vulto,
pois havia acabado por adormecer. Provavelmente era apenas um aventureiro, e sua presença não
demonstrava nenhum sinal de perigo.
Por ter um sono leve, Lukas acordou com os passos que ouvira por entre os pedregulhos
nas proximidades. Ele levantou-se lentamente e percebeu a presença de uma mulher vestida de
preto na encosta da montanha, parecendo examinar uma das parede. O garoto andou em sua
direção e perguntou:
— Com licença, mas a senhora está perdida?
A mulher virou-se e revelou um leve sorriso.
— Sou uma Pesquisadora Pokémon, não há necessidade de ficar preocupado comigo,
conheço cada canto deste continente como ninguém. — sorriu ela, aproximando-se do garoto —
Meu nome é Cynthia.
A mulher levantou um pouco seu lampião de modo que Lukas pudesse ver de relance o
formato de seu rosto. Ela era uma mulher linda, tinha longos cabelos loiros e olhos cinzentos que
236

brilhavam na escuridão da noite. Suas roupas eram todas
pretas, e como estava frio, ela vestia um longo sobretudo de
mesma cor. Lukas ficara fascinado com a beleza da mulher,
mas sua mente ainda não sabia dizer se tudo não passava de
um sonho, ou se realmente estava acontecendo.

— E o que um garotinho como você faz acordado
há uma hora dessas em meio a essas planícies? Você é um
aventureiro? — perguntou Cynthia.
— Eu me chamo Lukas Wallers, estou em uma
jornada com meu irmão e minha amiga, desculpe-me se te
incomodei, é que eu fiquei assustado com a presença de
alguém no acampamento. — explicou ele.
— Não tem problema. Eu que peço desculpas por
ter te acordado. — sorriu ela, andando até a entrada do Mt.
Coronet e tocando nas paredes rochosas da montanha —
Você já ouviu as lendas desse continente?
— Não senhora, você as conhece?
— Sim, além de Pesquisadora preso muito o estudo
de Pokémons Lendários e mitologia, procuro saber as lendas
e os mitos contados sobre essas criaturas através das
gerações, e digo que o Monte Coronet guarda mais
mistérios do que aparenta.
— A Senhorita deve ser muito inteligente. — disse Lukas um pouco sonolento.
— Gosto de lendas Pokémon, particularmente aquelas sobre o Monte Coronet são as
minhas preferidas. Você está em uma aventura pokémon, não é? Eu me lembro de quando era eu
quem estava saindo em uma aventura com meus amigos. Isso me trás tantas lembranças... —
sorriu ela — Oh, perdoe-me, estou aqui conversando e tirando você de seu sono. É melhor eu
continuar meu caminho.
— Não, não precisa ficar preocupada, senhorita.
Cynthia sorriu e olhou o garoto que parecia sonolento em sua frente, ela agachou-se e
abriu a bolsa que carregava no momento, e de dentro dela retirou um pequeno ovo, entregando-o
para o garoto que parecia confuso com o presente que recebera.
237

— Eu quero que fique com esse ovo, de dentro dele irá nascer um Pokémon que precisa
de muita atenção e carinho, e tenho certeza que você poderá tornar-se um ótimo treinador para o
Pokémon desse ovo. — explicou ela.
— Muito obrigado... — disse Lukas sonolento, que pensava estar imaginando coisas —
Desculpe-me a pergunta, pois acho que ainda não a reconheci. Nós já nos encontramos alguma
vez...?
— Acho que não, mas sei que são poucos os que têm o sangue nobre e a honra de ter um
sobrenome como Wallers. Seu pai foi um grande homem. Não quero prolongar essa conversa,
volte a dormir, amanhã será um longo dia... — sorriu Cynthia.
— Tudo bem mãe, boa noite... — disse ele bem baixinho, fazendo Cynthia dar um doce
sorriso com o erro que ele cometera.
Cynthia retomou seu caminho para dentro do Mt. Coronet. A luz de seu lampião já
começava a tornar-se ofuscada dentro da longínqua caverna, o futuro talvez ainda reservasse um
novo encontro com aquela misteriosa mulher, mas no momento tudo que restara eram as
lembranças de uma sombra esquecida numa noite gélida de inverno.

Os jovens acordaram com os primeiros raios de sol que começavam a raiar naquela
manhã, o pobre Machop de Dawn parecia ter adormecido durante a noite pelo cansaço, enquanto
o pequeno Shieldon de Luke continuava em pé mantendo a vigia até que seu dono ordenasse que
ele parasse.
— Ei campeão, tá na hora de descansar, você já fez um excelente trabalho. — disse Luke,
retornando seu Shieldon para a pokébola e então voltando a dormir.
Ao seu lado Lukas espreguiçou-se em sua cama e viu o sol nascer no horizonte por trás
das montanhas. Tudo parecia perfeitamente normal, o garoto levantou-se e começou a arrumar
sua mochila para escovar seus dentes quando avistou um pequeno ovo parado ao lado de sua
mochila. O encontro com a mulher na noite passada não fora um sonho.
— Ahh!! O ovo ainda está aqui!! — gritou Lukas caindo para trás.
— Eita porra, roubaram alguma coisa?? — acompanhou Luke que acordara com o susto.
— N-Não, uma mulher estranha trouxe um ovo misterioso ontem de noite, mas isso foi
no meu sonho! S-Será que aquilo aconteceu mesmo...? — perguntou Lukas incrédulo.
— Como era essa mulher? — perguntou Dawn, que também acabava de levantar-se de
sua cama.
— Estava um pouco escuro, então não consegui ver com mais detalhes. Acho que ela era
loira, e estava vestida de preto. Ah, e era muito bonita também.
238

— Orra, até eu queria ter sonhado com essa mulher. — brincou Luke, recebendo um leve
tapa de Dawn.
— De qualquer modo, o que você fará com o ovo, Lukas?
— Bom, acredito que eu vá cuidar dele, não é? — sorriu o garoto, segurando o pequeno
ovo em suas mãos como se fosse um filho — Eu nunca tive um ovo Pokémon, mas acho que deve
ser legal. Vou cuidar dele todo dia. O que será que vai nascer?
— Eu não sei, mas dou graças à Arceus que não fui eu quem ganhou esse bagulho. Cara,
eu odeio cuidar desse tipo de coisa. Principalmente de Pokémon bebê, eles sempre são tão
fofinhos e mimados e ficam se fazendo de coitados. Odeio eles. — resmungou Luke.
— Tudo bem, eu cuido sozinho dele... Mas você não vai nem chegar perto
do Tyranitar que vai nascer de dentro desse ovo. — brincou o irmão.
— Passa essa porcaria pra cá, pivete!! — gritou Luke, correndo atrás do irmão.

Os jovens se aprontaram e terminaram de arrumar suas coisas para deixarem o
acampamento. Era por volta de oito horas da manhã, e uma fina camada do sereno da noite ainda
cobria o chão da caverna. Pela primeira vez eles estariam entrando no Mt. Coronet, o que deixava
Luke fascinado a cada passo que davam dentro da cadeia de montanhas. Algumas fontes de água
natural podiam ser vistas no local, e belas fendas na caverna davam iluminação para que eles
fizessem seu caminho. Os jovens não queriam perder muito tempo na caverna do monte, então
rapidamente seguiram até a Rota 208. Luke estava à procura de um novo Pokémon para seu time,
mas não havia encontrado absolutamente nada que lhe fosse útil.
A Rota 208 começava a partir do oeste dando saída de uma das passagens do Mt.
Coronet, o local era coberto por várias pontes feitas de madeira que garantiam passagem entre um
conjunto de rios, formados através de belas cachoeiras da região. Os três tiraram suas mochilas e
as deixaram em um canto enquanto apreciavam a vista. O local estava relativamente vazio, pois
ainda era cedo, então apenas alguns Pokémons podiam ser vistos rondando aquela rota.







239

— Meninos, olhem só que cachoeiras lindas! Nós poderíamos parar um pouquinho aqui
para aproveitar, o que acham? — sugeriu Dawn.
— Demorô mano, eu topo a ideia. — disse Luke animado, rapidamente retirando seu
moletom e sua camiseta para preparar-se para saltar dentro da água. Era uma altura muito grande
da ponte até o riacho, mas para Luke a altura não passava de um obstáculo — Aí pivete, eu te
desafio a pular dessa ponte no rio lá embaixo.
— Você está louco?? É muito alto Luke, ele pode se machucar! — alertou Dawn.
— Que nada, o máximo que pode acontecer é ter umas pedras lá embaixo, daí a gente
perde o Lukas pra sempre, mas não é nada demais. — brincou Luke, tentando calcular a distância
da ponte e a altura.
— Você é louco, quem pularia em uma altura dessas? — perguntou Dawn, vendo o
pequeno Lukas tirando sua camiseta e pulando da ponte.
— Nussa, ele pulou mesmo cara!!! — gritou Luke.
— VOCÊ É LOUCO, MOLEQUE?! — gritou a garota, vendo Lukas desaparecer nas
águas do riacho pela forte quantidade de espuma que era formada pela cachoeira.
Dawn quase entrou em pânico, não era possível ter nenhum sinal de seu amigo naquela altura.
— Vai salvar ele Luke, foi você quem deu a ideia dele pular!!
— Euuuu?? Mas foi ele quem decidiu pular! Maldição, isso que dá ser facilmente
influenciado. Não se afogue pivete, a cavalaria já tá chegando!! — gritou Luke, segurando na
sequência na mão da garota que levantou seu olhar pasma, como se não quisesse acreditar no que
o garoto estava para fazer.
— Você não vai fazer o que eu estou pensando, não é?
— Vem comigo Dawn, a gente pula junto!
— Nem pensar!! Eu tenho medo de altura e não sei nad...!!
— ...Agora não vai ter mais!! — gritou ele, abraçando a garota e pulando da ponte em
direção do rio. Dawn soltou um grito ensurdecedor que só foi calado quando eles caíram dentro
da água, o pequeno lago estava bastante movimentado pelas correntezas causadas pela cachoeira.
Luke riu quando saiu da água e encontrou-se com o Lukas aguardando-os na margem.
— Yow brother, curtiu pular lá de cima? — perguntou.
— Foi muito divertido. Mas onde está a Dawn, ela ficou lá em cima?
— Ela pulou junto comigo, deve estar nadando agora, daqui a pouco ela sai da água. —
concluiu Luke, sentando-se na margem da lagoa.
Lukas deu um leve sorriso enquanto observava as águas cristalinas daquele pequeno
riacho, mas até agora não havia sinal de sua amiga.
240

— Você não acha que ela está demorando um pouquinho pra sair de dentro da água?
— Acho que não.
— Você tem certeza que ela sabia nadar?
— Claro que sim, que garota de quinze anos não saberia nadar? — brincou Luke,
olhando para a água novamente e percebendo que já fazia um tempo que Dawn não aparecia —
Era só o que me faltava...
Luke rapidamente pulou novamente para dentro da água acompanhado do irmão, ele
mergulhava a procura de Dawn que ainda não dera sinal de vida, até que Lukas a avistara boiando
próxima de algumas pedras do outro lado da margem. Luke rapidamente nadou em sua direção e
retirou a garota da água. Ela estava inconsciente. Lukas se desesperou ao ver que a amiga estava
machucada na região do abdômen, provavelmente na hora do pulo ela teria batido em alguma
pedra.
— Você devia tomar mais cuidado, você machucou a Dawn!! — disse Lukas enfurecido.
— Não foi de propósito cara, eu só queria que ela se divertisse!! — respondeu ele
apavorado — O que a gente faz agora, mano?? Você sabe fazer respiração boca-a-boca?!
— E-Eu não aprendi isso no curso de primeiros socorros, eu tinha vergonha!! —
respondeu Lukas, olhando para Dawn que parecia desacordada.
— Mano, isso é tudo culpa minha! Meu Arceus, e se ela morrer?!
— Nada de pânico! Nada de pânico!
— Liga pros bombeiros! Liga pra polícia! Liga pra Dona Lurdinha, qualquer coisa
manolo!!
— Ligar pra quem, criatura?? Aqui não tem nem telefone, e o Pokégear da Dawn ficou lá
em cima!! Faz alguma coisa você, Luke!
O jovem olhou por um momento a feição pálida da garota, seus lábios estavam úmidos, e
nem ele tinha certeza do que estava fazendo. Dawn jazia deitada, Luke agachou-se e segurou-a em
seus braços, beijando a garota em seguida na tentativa de fazer uma respiração boca-a-boca. Não
era uma respiração boca-a-boca, mas havia dado certo.
Lukas ficara totalmente sem graça com a atitude de seu irmão, ele não estava nervoso, em
seu coração sentia-se feliz por ter o irmão ao lado da garota que ele mais gostava. Lukas apreciava
Dawn somente como uma irmã, seu coração puro nunca conseguira ver nada em uma mulher
além de uma amizade. Lukas virou-se por um momento como se quisesse deixar seu irmão mais a
vontade. Dawn esticou seu braço e segurou levemente no rosto de Luke que continuava a beijá-la,
e mesmo que fosse por acidente, ela também apreciara o ocorrido.
— O que você estava fazendo, Luke...? — perguntou Dawn ofegante.
241

— Opa. Acho que eu agi por impulso. Merda de sentimentos... — respondeu ele meio
sem graça, sendo interrompido pela garota na sequência.
— N-Não, eu gostei... — sussurrou ela em silêncio, sentando-se em seguida e olhando
para seus amigos a sua volta — Obrigada meninos, por terem me salvado.
Dawn levantou-se e logo em seguida e deu um tapa na cara de Luke.
— E por quase ter me matado ao mesmo tempo, seu desgraçado. Eu não sei nadar!
Luke permanecia com sua mão no local em que recebera o tapa, mas logo deu uma leve
risada. Aquilo não havia quebrado a sensação que sentira a pouco, caindo na gargalhada logo em
seguida.
— Ahh, mas foi se querer!! E como eu ia saber que você não sabe nadar?! — desculpou-
se o garoto.
Luke caiu na risada, o que irritava ainda mais a garota. Dawn sentou-se na margem do
lago e passou a mão em seus cabelos que agora estavam molhados.Os dois irmãos sentaram-se ao
lado da garota, e em seguida Dawn deu um leve sorriso e tornou a agradecer.
— A gente pensou que tivesse perdido você. — comentou Lukas.
— Eu não poderia deixar vocês dois sozinhos à sua própria sorte. Vocês ainda vão ter
que me aguentar por muito tempo. — disse Dawn.
— Cara, desculpa mesmo por ter te jogado de lá de cima. Eu queria que você se divertisse
Dawn, não era a minha intenção te machucar. — disse Luke.
— Só não faça mais isso, por favor. Mas pense bem, pelo menos teve um lado positivo,
não é? — continuou ela, passando levemente seus dedos sobre seus próprios lábios como se
insinuasse o beijo que recebera.
Nesse instante Lukas levantou-se com uma nova ideia em mente.
— Eu estive pensando pessoal, a gente podia acampar aqui então. O sol está brilhando
bem forte, nós podemos passar o dia o aproveitando, não temos pressa, e o torneio só começa
nesse fim de semana. O que acham da ideia? — sugeriu Lukas.
— Por mim tudo bem, contanto que ninguém pule daquela ponte que nem um retardado
de novo... — brincou Dawn.

Os jovens subiram até onde haviam deixado suas coisas e depois desceram novamente,
preparando seu acampamento na encosta da lagoa. O Piplup de Dawn parecia divertir-se na água
enquanto brincava com Roselia, Shellos e Pachirisu. O Mothim de Lukas voava por entre as
cachoeiras animadamente, enquanto Machop treinava sob as fortes quedas d’água. Gabite jazia
escondido nas sombras de uma grande pedra na companhia de Shieldon, Titânia descansava
242

próxima à cachoeira fornecendo sombra e proteção para equipe, enquanto Froslass jazia mais
distante da equipe carregando seu pequeno livro de poesias. O pequeno ovo recém recebido de
Lukas parecia receber o máximo de cuidado dos outros Pokémons, sendo que a todo momento
algum Pokémon ia checar se tudo estava ocorrendo bem.
Luke andou em direção de Dawn e sentou-se novamente do seu lado, a garota não olhava
para ele, apenas continuava mergulhada em seus pensamentos sentindo a leve brisa que batia no
momento.
— Desculpa Dawn, foi sem querer naquela hora, de verdade...
— Qual dos momentos? O que você me jogou, ou o quê você me beijou? — brincou
num tom irônico.
— Os dois. — riu ele um pouco sem graça — Eu não devia ter te colocado em perigo
em momento algum... Me desculpa.
— Olha, por um lado foi bom você ter me jogado de lá de cima, por que se não, eu não
teria passado pela melhor sensação da minha vida. — sorriu ela, dando um leve suspiro e em
seguida falando um pouco acanhada — Foi a minha primeira vez.
— O quêêêê?? Primeira vez?? Com quinze anos?! Nooossa, que estr... Quer dizer,
diferente.
Dawn olhou para Luke com desgosto de modo que o garoto imediatamente percebesse que
poderia ter dispensando aquele comentário.
— Desculpa então se eu faço tudo no meu tempo, “senhor apressadinho”. Argh, essa
nova geração é uma droga, eu preferia as coisas na minha época. — retrucou Dawn, levantando-se
no mesmo instante.
— Drogaaa!! Por quê eu sempre tenho que abrir minha boca?! — praguejou Luke.
Porém, Dawn parou por um instante e voltou cabisbaixa ao lado de Luke sentado-se
novamente.
— Não vou conseguir ficar brava com você hoje, por mais que eu tente.
— Acho melhor eu parar de falar também, antes que eu cause mais problemas...
Os dois mantiveram-se quietos por algum tempo, como se quisessem dizer o que
realmente sentiram naquela hora, mas a timidez de ambos impedia tal ação. O sol continuava a
brilhar com força de modo que os chamasse para dar um mergulho, até que Luke virou-se para a
garota e deu um leve sorriso.
— Não quer aprender a nadar? Eu sou um Magikarp desde criança. Vem comigo! —
disse ele, segurando na mão de Dawn e levando-a para dentro da água novamente.
243

Os jovens continuaram aproveitando da melhor forma possível, Lukas continuava a
brincar de vôlei com uma grande bola inflável com seus pokémons, enquanto Luke sorria ao saber
que estava ao lado de sua amiga ensinando-o a nadar,
Luke segurava levemente o corpo de Dawn de modo que ela boiasse para aprender a nadar aos
poucos, ele achava engraçado como uma garota de quinze anos, e que ainda por cima morava
numa cidade litorânea, não sabia nadar, mas naquela manhã ele estava disposto a fazer tudo para
seu agrado.
— Eu estive pensando Dawn, foi realmente muito perigoso pular de uma altura daquelas
sem saber o que tinha no fundo do lago, poderia ter acontecido algo pior.
— É verdade, acho que só nós somos loucos o bastante para pular de uma altura
daquelas... — continuou a garota com uma leve risada.
Os dois nadavam calmamente quando de repente algo caiu em sua frente dentro da água,
Dawn tomou um grande susto e rapidamente pulou no colo de Luke que segurou-a espantado.
Lukas ouvira o barulho e rapidamente correu para ver do que se tratava.
— O que foi aquilo?? — perguntou Dawn assustada, vendo uma menina ruiva sair de
dentro da água com os braços esticados e uma feição animada em seu rosto.
— UOW!! Essa foi demais!! Vamos pular de novo!! — gritou a garota, dando-se conta
de que estava sendo observada pelos jovens — Oxi, mas que coincidência encontrá-los por aqui,
pessoal!
— V-Vivian?? — perguntou Lukas.
— É, tem que ser alguém que não bate muito bem da cabeça pra pular de uma altura
dessas... — comentou Dawn de modo que a garota não ouvisse.
— Eita, Lukas-kun!! Parece que nos reunimos novamente! — disse Vivian.
— É verdade eu não imaginava que você chegaria tão rápido à Hearthome, como se saiu
no concurso de Jubilife? — perguntou ele.
— Fácil, fácil. No caminho eu arranjei um companheiro de viagem pra me ajudar na
jornada, por isso consegui dar uma agilizada. Ele ficou lá em cima na ponte, acho que daqui a
pouco ele vai descer. — disse Vivian, olhando para Luke sem seguida que continuava com Dawn
em seus braços — Ué, por que ele está carregando a Dawn-chan no colo?
— Você deu um susto nela quando pulou que nem um Snorlax doido dentro da água...
— disse Luke.
— Que lindo!! Lukas-kun, me carrega também, me carrega também!! — gritou Vivian,
pulando no colo do garoto que não aguentou o impacto e caiu no chão com a garota em seu colo.
— D-Desculpa, Vivian!! Isso foi muito repentino!! — disse ele.
244

— Desculpa nada, foi muito louco!! Você é um fofo Lukas-kun, faz de novo, faz de
novo!! — gritou ela animada.

Os quatro riram com a estranha cena e com
o inesperado encontro com Vivian, mas parecia que
os acontecimentos do dia não parariam por aí, pois
quando um rapaz loiro aproximou-se do grupo,
Luke cessou seu riso no mesmo instante.
— Ei Vivian, eu disse que seria melhor se a
gente não fizesse essa parada para chegar mais
rapidamente à cidade de Hearthome... O que
aconteceu para você estar dando tanta risada desse
jeito? — perguntou o rapaz, surgindo de trás das
pedras.
— Ah, esse aqui é o meu companheiro de
viagem, seu nome é Stanley. Stanley, pessoal.
Pessoal, Stanley. — apresentou a garota.
— Nós já o conhecemos, Vivian... Foi
quando nos encontramos na Rota 202 há algumas
semanas. — respondeu Luke num tom sério.
— Nossa, com tanta gente para que
pudéssemos nos encontrar nessa aventura tinha que
ser justamente você... Ninguém merece, é muito azar
para um dia só. — respondeu o loiro.
— Faça-me o favor Stanley, a gente chegou primeiro, vaza daqui. — disse Luke de modo
ignorante.
— Espere um pouco, eles não estão fazendo nada de errado Luke, por que não esquecer
as diferenças por um instante e aproveitar esse momento? — perguntou o irmão.
— A Vivian está com ele, Luke. Faça isso por seu irmão. — disse Dawn
— Vou fazer isso por você, mas não pense que isso muda a minha consideração por esse
otário. — respondeu o garoto.
— Tanto faz, não faço questão de sua presença. — concordou Stanley.
— Uooooow!! Briga, briga, briga!! — gritou Vivian.
— Você não está ajudando muito... — comentou Lukas.
245


Os dois grupos permaneceram reunidos até o fim da tarde. Dawn, Vivian e Lukas se
divertiam na água, mas Luke já não parecia estar tão sorridente quanto no início da manhã, ele
apenas trocava olhares ameaçadores com seu rival que permanecia do outro lado da margem.
Titânia aproximou-se de seu dono e começou a conversar.
— Quem é aquele jovem? Parece-me que vocês dois são grandes rivais pelo modo como
vocês se olham. — disse a serpente.
— Ele é o Stanley, ele é um ex-amigo dos tempos de escola. — explicou Luke
enfurecido.
— O que houve para que vocês quebrassem essa amizade?
— Isso não importa... O problema é que... eu sou muito estúpido. Cara, eu não gostaria
de ter um amigo como eu.
— O orgulho é o complemento da ignorância, jovem Luke. Pelo que conheço de sua
pessoa acredito que o motivo do término dessa amizade foi culpa sua somente pela intonação que
pronuncia suas palavras. Acredito que você deveria conversar com este garoto. — disse a serpente.
— Dispenso essa, Titânia.
Luke continuou mergulhado em seus pensamentos, ambos os treinadores se encaravam
como rivais mortais. De um lado jazia Luke, acompanhado de Titânia e Gabite, enquanto do
outro estava Stanley com um Staravia e seu Grotle. Mesmo que todos estivessem se divertindo, o
clima agradável do local não mudaria nada nos pensamentos de Luke.

O dia foi passando e logo ele chegava ao fim. Lukas parecia animado em poder ter se
encontrado com Vivian mais uma vez, sendo que Stanley também era bem recebido pelos amigos
que não tinham nada contra sua pessoa, afinal, isto era algo que apenas Luke mantinha em seu
coração.
— Ai pessoal, eu tive uma ideia! Já que tá todo mundo indo pra Hearthome, por que nós
não vamos todos juntos amanhã? — sugeriu Vivian animada — A gente podia acampar aqui
hoje, contar histórias de terror, jogar truco, observar as estrelas, brincar de explorador, fazer uma
noite do pijama...
— E quem não tem pijama...? — perguntou Lukas.
— Ah, não tem problema, eu empresto uma camisola minha que vai deixar você L-I-N-
D-O!! — disse Vivian animada.
— Camisola? — disse Dawn seguido de uma risada.
Vivian sorriu e logo tomou uma decisão precipitada na sequência:
246

— Então está resolvido, hoje todos nós vamos passar a noite aqui e nos divertiremos
muito!!
— Acho que não teremos outra escolha mesmo. — riu Stanley.
— Tanto faz, amanhã eu me livro de você. — respondeu Luke.
A noite caiu, e depois de um agitado dia os jovens puderam finalmente descansar. Agora
que o grupo conta com a presença temporária de Vivian e Stanley, a aventura promete esquentar e
tomar um rumo diferente, principalmente pelo fato de que Luke continuar detestando a presença
de seu rival.

Mesmo que com todos os incidentes do dia, desde o beijo acidental de Dawn até o
misterioso encontro de Lukas com Cynthia, os jovens poderão seguir com sua aventura rumo à
Hearthome, e nessa cidade, o destino parece reservar algo realmente fascinante para nossos jovens.
Sua aventura está para mudar como nunca.


Acompanhe o Fire Tales 4- A Spinarak sem Bunda

Procure pelo nosso e-book dos Fire Tales e confira o episódio FT 4 deste especial! Enquanto a
História Central progride, você pode acompanhar também a rotina dos Pokémons com essa
leitura! Este é um dos Especiais de maior sucesso no blog!












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CAPÍTULO 19.5

Valor da Amizade

Flashback On

Os dois rapazes continuavam a rir enquanto estavam sentados no fundo da sala com um
grupo de amigos; Luke e Stanley se divertiam enquanto comentavam e faziam graça de tudo que a
professora falava. Alunos escutavam música, outros simplesmente sentavam em grupinhos
próximos às carteiras dos colegas do lado para conversar. Com esses dois amigos não era
diferente, Stanley sempre estava com seus fones de ouvido ouvindo as brincadeiras e comentários
de seu parceiro.
— Nossa Stan, para de fazer lição por um minuto cara, a professora nem vai corrigir
nada. Bora ficar trocando idéia. — disse Luke que estava sentado em cima da mesa amassando
uma bolinha de papel.
— Bom, alguém precisa fazer as lições para vocês copiarem, não é? Você tem sorte que
sou eu quem passa você em inglês, gramática, literatura, biologia, história, geografia, sociologia e
filosofia. Se não você já teria reprovado em todas essas matérias. — riu o rapaz loiro.
— Pelo menos eu sou o melhor em batalhas pokémons, você sabe que quando eu pego
um pokémon forte ninguém consegue me deter! — brincou Luke.

De fato, os dois eram amigos inseparáveis, estavam juntos a todo momento e
aparentemente ninguém poderia quebrar aquela amizade. O grupo continuou conversando até que
o sinal alertou a chegada do intervalo. Stanley e Luke saíram da sala e foram até a cantina
comprar algo para comerem. Os dois observavam as pessoas durante o intervalo, Luke
abocanhava seu sanduíche quando Stanley chamou sua atenção para olhar uma garota.
— Olhe só a Clarisse com as amigas dela... Não consigo acreditar como uma garota
consegue ser tão perfeita cara... Ela não tem defeito, é a mulher mais linda que eu já vi em toda
minha vida... — disse Stanley com uma voz apaixonada.
— Quem? A Clarisse?! Nuuussa cara, você continua gostando dela? Olha o tamanho
daquele nariz mano, ela é muito feia, acorda pra vida. — respondeu Luke indiferente.
— Mentira!! Ela é bonitinha sim, e... Cara, ela está vindo em nossa direção... — concluiu
Stanley receoso, vendo que a garota por algum motivo realmente se aproximava dos dois.
248

A garota saiu de perto de suas amigas e sentou-se ao lado dos dois, Luke continuava a
comer seu sanduíche sem importar-se com a presença da garota, enquanto que Stanley se escondia
atrás de seu amigo para não mostrar a vergonha.
— Bom dia, Luke. — disse Clarisse.
— E aê mano, tudo firmeza?
— Heh, heh, heh... Olá Stanley, por quê você está escondido aí atrás? — perguntou a
garota com um sorriso.
— Hm... Eu só estava... Quer dizer, oi Clarisse. Tudo bem com você...? — gaguejou ele.
— Vocês são engraçados. — sorriu ela.
— Tá achando a gente com cara de Mr. Mime? Hah, hah, hah! Zuera. você devia ir lá no
fundão pra gente dar risada, é mó comédia ficar lá. — disse Luke.
Clarisse revelou um rápido sorriso parecendo interessar-se no assunto.
— Sério? Bom, então qualquer hora eu vou ir lá para falar com vocês!
— Nossa cara, toda hora que eu vou falar com ela eu acabo gaguejando, estou me
sentindo um ridículo... — disse Stanley.
— Ridículo você sempre foi. Hah, hah, hah! Brincadeira de novo cara. Ai, ai... Você é o
único que cara que aguenta eu te zuando.
— Lucky, que idéia é essa de chamar a Clarisse pra falar com a gente lá atrás??
— Ah, pelo menos daí vocês podem se conhecer melhor. Eu sei que você é caidinho por
ela, essa vai ser a oportunidade pra conquistar a mina.
— Obrigado pela ajuda então...
— É pra isso que servem os amigos, não é? — riu Luke, colocando o braço no ombro do
rapaz loiro.

O tempo foi passando, e de fato a garota ia falar com os jovens no fundo da sala. Luke
sempre fazia brincadeiras que a faziam rir enquanto Stanley mantinha-se quieto na sua presença.
Ele gostaria de convesar com a garota que gostava, mas sempre que tinha chance de olhá-la de
perto ele perdia a fala.
— Heh, heh... O que foi Stanley? Você não está dizendo nada. — disse a garota.
— É mano, fala alguma coisa. — encorajou Luke.
— É que... Eu não sei o que falar. — disse ele meio sem graça, procurando por qualquer
assunto que pudesse falar só para tentar chamar a atenção da garota — Vocês vão na excursão da
escola amanhã?
249

— Aquele teatro bobo em Hearthome? Eu só vou pra ficar zuando no ônibus. — riu
Luke.
— Acho que eu também vou. — comentou Clarisse.
Stanley abriu um sorriso quando ouviu que a garota iria, aquela poderia ser a
oportunidade perfeita para que ele conversasse, e ele não deixaria a oportunidade passar.

No dia da excurssão todos os alunos se preparam e adentraram o ônibus que logo
partiria, Stanley fora obrigado a ficar nos lugares mais da frente uma vez que os últimos já
estavam lotados. Ele sentou-se em seu lugar e logo um colega sentou-se ao seu lado.
— Brendan, você viu o Luke por aí? — perguntou Stanley.
— Ele ficou sentado lá no fundo, então eu vim aqui pra frente. — explicou — Você se
importa se eu ficar aqui do seu lado?
— Não, não tem problema nenhum. — disse o rapaz — E a propósito. Você sabe se a
Clarisse já entrou no ônibus, Brendan?
— Já entrou sim, acho que ela ficou lá no fundo também.
— E tem algum lugar sobrando?
— Poxa, nem tem mais não...
— Tudo bem então...

Stanley continuou a viagem inteira em silêncio enquanto ouvia música e observava os
pokémons da janela do ônibus. Brendan era um amigo seu, mas ele ainda preferia que Luke
estivesse ao seu lado, e que no momento aparentava estar no fundo com as garotas. O teatro fora
normal e os dois quase não tiveram a oportunidade de conversar. Cada um retornou para suas
respectivas casas e continuaram seguindo seu dia normalmente. No dia seguinte Stanley chegou na
sala e avistou Luke debruçado sobre a carteira aparentemente dormindo, o loiro andou até o lado
do amigo e chutou-o para que ele acordasse.
— Acorda aí Lucky, como é que foi a viagem ontem?
— Foi dahora cara... — disse ele em um tom de quem aparentemente não queria
conversar.
— Você me deixou sozinho lá na frente.
Luke não respondeu por um momento.
— Foi sem querer, eu tinha... coisas a resolver... — respondeu Luke, sem encarar Stanley
nos olhos.
— Você está estranho, aconteceu alguma coisa?
250

— De forma alguma.

A aula se iniciou e todos foram para seus devidos lugares, os outros grupinhos da sala
pareciam comentar algum assunto que dispertava a curiosidade de Stanley, principalmente pelo
fato de que a todo momento os outros alunos apontavam para eles no fundo da sala. Stanley via
Clarisse olhando para o fundo da sala a todo momento, algumas vezes a garota o até olhava para
o loiro que não parava de observá-la durante a aula, mas dessa vez o loiro percebera que não era
para ele que ela estava olhando.
Após soar o sinal do intervalo, os dois amigos saíram da sala e andaram em direção do
refeitório novamente. Stanley manteve-se sério o caminho inteiro, enquanto que Luke parecia agir
normalmente.
— Você não tem nada para me contar da viagem de ontem...? — perguntou Stanley.
— Já que você tocou no assunto... — disse Luke indiferente — Bom, era a Clarisse quem
estava sentada do meu lado no ônibus... Daí conversa vai e vem.. E de repente, aconteceu cara...
— Aconteceu..? — perguntou Stanley de modo confuso.
— Ah, ela pediu pra ficar comigo, daí... Ela ficou me olhando e tudo mais... Daí eu
aceitei né. — disse Luke com uma risada, mas seu amigo não rira com o comentário. Stanley
manteve-se sério, por um momento Luke sentiu-se mal com o ocorrido e logo tornou a falar:
— Poxa, foi mal cara... Eu não pude resistir, eu nunca tinha ficado com uma garota que
nem ela e tudo mais, daí rolou, entende? Você não vai ficar bravo comigo, não é?
— Não... De forma alguma cara. — disse Stanley com uma voz triste.
— Bom, problema resolvido então. — sorriu Luke, continuando a comer seu sanduíche.
— Espera um pouco, Lucky... Cara, se você sabia que eu gostava dela. por quê você fez
isso? Você nunca sentiu nada por ela, você simplesmente ficou e agora fica por isso...? — gritou
Stanley irritado.
— Ei cara, eu já pedi desculpa!
Luke manteve-se quieto por um momento como alguém que refletia sobre o que fizera,
os dois manteram-se quietos por um instante, e lentamente Stanley soltou um suspiro dizendo
logo em seguida:
— Você não iria me contar nada disso, não é? Você ia deixar eu descobrir pelos outros...
— Foi mal cara, era só uma garota.
— Mulheres, antes dos amigos, não é? — sussurrou Stanley.
Luke manteve-se calado.
251

— Eu não sei mais em quem acreditar. Lucky, quando eu te conheci com o passar desses
meses eu poderia afirmar para qualquer um que perguntasse: “Esse é o meu amigo, eu colocaria a
mão no fogo por ele.” Mas agora que a gente conhece as pessoas melhor a gente percebe que elas
não fariam o mesmo por nós. Acho que o tempo realmente mostra quem é quem, e eu fui um
idiota por acreditar que você fosse meu amigo.
— Olha cara, é a última vez que eu vou pedir isso. Desculpa, falou?
Stanley afastou-se do rapaz e não voltou mais, nos dias seguinte Luke também evitava
conversar com o loiro que vinha agindo estranhamente. Luke fora extremamente ignorante com
seu amigo, mas em seu coração ele sabia que o que fizera fora errado, e em nenhum momento
suas desculpas tiveram o sentimento de arrependimento, em fato, não havia o por que de Stanley
desculpar-se do garoto, e Luke também não fazia questão de ter seu amigo de volta.
Com o passar dos anos Luke percebera como agira errado, mulheres podem ir embora,
mas infelizmente seu amigo nunca poderia ser substituído. O tempo nunca mais seria capaz de
curar suas cicatrizes, de modo que o garoto para sempre caminhasse com suas feridas. Luke nunca
mais teve coragem de encarar Stanley sem perceber o erro que cometera. Malditas palavras,
simplesmente escapolem, e agora ele precisou recolher cada sentimento que foi ao chão. A
amizade pode ser assim tão delicada? A verdadeira amizade é como a saúde: o seu valor só é
reconhecido quando a perdemos.

Flashback Off

Já passava da meia noite, mas Luke ainda permanecia acordado dentro de sua barraca.
Algo o incomodava por dentro, ele não sentia a vontade de dormir desde que acordara. O garoto
sentou-se e deu uma rápida olhada por sua barraca para o lado de fora do acampamento,
aparentemente não havia ninguém acordado. Luke colocou uma camiseta e saiu, sentindo a leve
brisa bater em seu rosto. Ele caminhou até a margem do riacho e sentou-se um pouco refletivo,
atirando na sequência uma pequena pedra no lago que quicou algumas vezes para finalmente
afundar.
O garoto continuava pensativo, quando de repente viu outra pedra sendo atirada no riacho. Luke
olhou para trás e assustou-se ao ver Stanley deitado em cima de uma pedra com seus fones de
ouvido, perguntando logo em seguida:
— O que você tá fazendo acordado a essa hora?
— Eu estava escutando música, mas infelizmente acabei deparando-me com você. — riu
Stanley.
252

Luke levantou-se e caminhou de volta para sua barraca, mas ele sabia que se tornasse a
deitar ele não conseguiria dormir, pois dentro de si um sentimento de culpa sempre lhe batia ao
deparar-se com o loiro. Luke tornou a voltar e sentou-se ao lado de seu rival em cima da pedra,
enquanto Stanley continuava deitado ouvindo música.
— E aê, o que tem feito de bom depois que as aulas acabaram? Treinando muito? —
perguntou Luke na tentativa de puxar conversa.
— Não tenho feito nada demais. — respondeu Stanley como alguém que parecia não
querer prolongar o assunto. O loiro olhou desconfiado para Luke e perguntou: — Por quê
estamos conversando a uma hora dessas? Não era pra você estar dormindo?
— Eu pergunto o mesmo. Mas sei lá, deu vontade de sair.
Stanley deu uma leve risada ao ouvir o comentário. Luke também sorriu e deitou-se ao
lado do amigo olhando para o céu, em seguida soltando um longo suspiro.
— Cara, eu sou um idiota.
— Isso todo mundo sabe, conta algo novo. — brincou Stanley.
— Serião cara, eu sou orgulhoso, eu fui idiota por tudo que fiz no passado. Faz quanto
tempo já? Um ano? Sei lá, às vezes acho que sou um amigo terrível...
— Ainda está com aquilo na cabeça? Nós dois éramos crianças na época. O assunto já
morreu Lucky, não precisa ficar se condenando.
— Nossa, fazia muito tempo que ninguém me chamava assim. Esse meu orgulho me fez
perder meu melhor amigo...
Os dois permaneceram em silêncio novamente. De certo modo Luke queria pedir
desculpa por algo em seu passado, mas seu orgulho teimava em falar mais alto, aquele peso
lhe atormentava há muito tempo, mas dessa vez ele não deixaria aquele peso se prolongar.
— Posso te contar uma história?
— Você é terrível para contar histórias, mas não tenho nada para fazer, então acho que
não tem problema perdermos meia hora de nossas vidas.
— Obrigado pelo apoio moral, seu desgraçado. Deixa eu começar...

Bom, era uma vez dois caras muito amigos. Amigos de sangue mesmo, tá ligado? Zuera,
não era de sangue não porque um era loiro e o outro era moreno, daí nessa parte entrava todas
aquelas paradas de genética que eu dormi nas aulas de Biologia, mas enfim... O nome desses dois
caras era Luke e Stanley, então um dia...

— Sem nomes conhecidos, por favor. — disse Stanley.
253

— Ah... Tudo bem então.

Era uma vez dois caras muito amigos chamados Zé e João, pode ser? Continuando a
história, eles eram muito amigos e estudavam juntos há um tempão, um era inteligente e o outro
era burro pra caramba. Mas eles se ajudavam, o inteligente ajudava o burro a tirar boas notas e o
burro ajudava o inteligente a ir mal nas matérias distraindo ele nas aulas. Era uma troca justa.

— Isso me soa familiar. — brincou Stanley.
— Deixa eu continuar.

Certo dia, o João falou pro Zé que tinha uma garota que ele gostava muito. Era
apaixonado mesmo, sabe? Só que ela era muuuuito feinha, era nariguda pra caramba.

— Mentiroso! Ela não era nariguda, vocês que ficavam falando iss...
— Shhhhh!! Deixa eu acabar a história!

Então né... João era apaixonado por essa garota, daí ele contou isso pro Zé, que como um
bom amigo começou a conversar com a nariguda pra tentar entretê-la a gostar do seu amigo, e
adivinha o que aconteceu??

— A menina começou a gostar do Zé. — concluiu Stanley como alguém que já conhecia
muito bem aquela história.

Isso mesmo! Mulheres. Ela começou a gostar do Zé e esqueceu o coitado do João! Pode
isso?! Mas espera aí, agora vem a pior parte. No começo eu havia dito que o Zé e o João eram
muito amigos, mas adivinha o que o Zé fez?? Ficou com a garota que o João gostava!!

— Desgraçado. — disse Stanley com uma risada.
— Desgraçado é pouco. Maldito!! Falso!! Tentou ajudar o amigo e mesmo sabendo de
tudo ele ainda ferrou ele ainda mais!!
Resultado: O Zé ficou com essa menina e no fim das contas descobriu que ela também
era uma desgraçada. No fim das contas os dois se separaram, porém, Zé nunca mais ouviu falar
do João. Os dois viraram rivais e nunca mais se falaram. E fim da história.

254

Stanley manteve-se quieto como se refletisse sobre a história que Luke acabara de contar.
— Bom, dá pra gente escrever o final da história agora, o que acha ideia? E no fim os dois
viveram sozinhos para sempre. Fudidos, mas unidos.
— Gostei desse final. — acompanhou o loiro.
— Olha cara, desculpa de verdade. Acho que nós acabamos por fazer coisas ridículas
quando não temos noção das coisas, só quero que você saiba que eu mudei.
— Nós dois mudamos, agora que olhamos para trás vemos que tudo aquilo foi besteira.
Brigamos por coisas inúteis.
— Você ainda me odeia?
— Por que odiaria? Por uma mulher que nem valeria muito a pena? Nem, hein!
Luke riu e levantou-se da pedra, agora preparando-se para voltar a domir. Toda aquela
reflexão e histórias sem nexo resultaram em seu sono vindo de volta, mas antes que ele pudesse
voltar para sua barraca Stanley tornou a perguntar:
— Lucky, tudo pode ter voltado ao normal, mas você vai continuar sendo o meu rival.
— Ahh, isso nunca vai mudar. Só fico mais aliviado em saber que tenho meu amigo de
volta.
— Espero que tenha aprendido a lição.
— Qual é? Agora vai ficar jogando isso na minha cara?
— Vou te condenar pro resto da vida. Afinal, foi você quem ficou com a nariguda! Hah,
hah, hah!!
A noite prolongou-se. Os dois estavam condenados a terem seus rivais para o resto de
suas vidas, mas era uma presença que ambos apreciavam. E enquanto isso, atrás de uma pedra
Lukas permanecia sentado na companhia de seu Pachirisu e de Gabite ouvindo atentamente cada
palavra. Ele era o único que conhecia as duas versões da história, ele era o único que sabia o
quanto Luke sofrera com o passar do tempo, e acima de tudo, como havia mudado. Ele sorriu e
colocou a mão na cabeça de seus Pokémons.
— Sabe, às vezes fazemos coisas em nossas vidas que nos arrependemos amargamente,
mas nunca é tarde demais para pedir desculpas. — disse Lukas para os dois pokémons que
pareciam olhá-lo como se não entendessem muito bem.
Luke já havia ido dormir, mas Stanley continuou mais um tempo sentado a céu aberto até
ver de relance a cauda de Pachirisu atrás de uma rocha.
— Crianças deveriam estar dormindo a essa hora, Lukas.
255

O esquilo ficara pasmo ao perceber que haviam notado sua presença, Lukas levantou-se
de trás da pedra e andou em direção de Stanley que deu um leve sorriso e olhou novamente para o
céu.
— Nós temos a mesma idade, Stan — falou Lukas rindo.
— Eu havia perdoado o Luke faz muito tempo. Eu só esperei o dia em que ele se
arrependesse de verdade e pedisse desculpas. — disse Stanley com seu olhar direcionado ao céu.
— Eu sei disso, mas acho que demorou um pouco. Mas fico feliz em saber que vocês
finalmente acertaram as contas.
Stanley soltou um longo suspiro.
— Na sua opinião, ele mudou com o passar do tempo?
— Você não faz ideia. Ele sofreu muito antes de tudo isso, e digo que ele só recuperou-
se verdadeiramente depois de sair nessa aventura. Parece que o Luke tornou-se uma nova pessoa.
— respondeu Lukas — Bom, então já vou partindo. Amanhã será um grande dia Stan, é melhor
você descansar também. Boa Noite.
— Boa Noite.

Nossas ações podem muitas vezes comprometer uma amizade, e Luke sabia todos os
erros que cometera, de modo a nunca mais repetir tal ação. O perdão está diretamente ligado ao
arrependimento. Nunca é tarde para pedir desculpas.















256

CAPÍTULO 20

O Melhor da Cidade dos Corações

Um novo dia erguia-se no horizonte, a manhã era introduzida pelos fracos raios de sol
anunciavam a chegada de mais um longo dia de caminhadas até a cidade de Hearthome. Os
jovens estavam de pé logo cedo, dormir até mais tarde seria impossível uma vez que Vivian não
deixava que nem sequer os Pokémons descansassem naquele acampamento. Vivian acordava
muito cedo como os insetos de sua equipe, ela parecia animada enquanto divertia-se
desarrumando suas barracas; sua felicidade parecia contagiar todos a sua volta, com exceção de
Luke e Stanley que imploravam por mais cinco minutos de sono.
— Juro por Arceus, se essa garota não parar de falar vou ser obrigado a acabar com ela.
— reclamou Luke, colocando o travesseiro em seu rosto para tentar abafar o som.
— Vai se acostumando Lucky, hoje ela ainda está calma. — riu Stanley, que encarava o
cenário da rota ainda sonolento como se tentasse lembrar o por que dele estar naquele local.
— Vamos acordando, amores da minha vida! O dia está tão claro e reluzente, nós
devemos agradecer por todo esse canto de Starlys que anunciam a chegada de mais um lindo dia!!
— disse Vivian animada — Estejam atentos, esses Starlys fofinhos se alimentam de insetos, e por
isso nós temos que acordar mais cedo que eles para que não viremos café da manhã!! Ahh, eu
adoooro a manhã!
— Cara, como ela consegue ficar sorrindo vinte e quatro horas por dia? — comentou
Luke novamente.
— Vocês sempre estão tão desanimados, parecem uma Magikarp morta, tem que sorrir
Luke!! Sorrir por poder estar vivo e ter amigos maravilhosos!! Você já sorriu hoje fofinho? —
perguntou Vivian, segurando as duas bochechas do garoto para fazer parecer que ele estava
sorrindo — Ahh, olha que sorriso lindo você tem! Agora vão arrumar suas coisa porque já
estamos de saída!
— Se houvesse uma doença por excesso de felicidade ela já tava morta.
— Deixe de ser rabugento Luke, você também deveria tentar ficar feliz sempre. Acho que
isso melhoraria a sua estima. — disse o irmão.
— Tanto faz. Preciso lavar meu rosto, essa garota quase arrancou minhas bochechas
fora...

257

Logo que todos terminaram de se arrumar eles seguiram viagem pela rota 208. Era por
volta das oito e quinze da manhã, alguns treinadores desafiaram Luke e Stanley que pareciam sair-
se muito bem em meio aos amadores da região. Luke treinava seu Shieldon, enquanto Stanley
acabou por revelar outros pokémons que tinha em mãos, como um Bronzor e um Luxio. Os
pinheiros forneciam uma fina camada de sombra para os aventureiros que seguiam viagem, e após
as rápidas batalhas o grupo continuou em direção de Hearthome que já demonstrava seus altos
prédios mesmo à distância.
Hearthome City. A quinta maior cidade de todos os continentes Pokémon. O local era
frequentemente visitado pelos mais variados tipos de treinadores, desde veteranos até Top
Coordenadores, uma vez que era o berço de renomadas competições como o Super Contest Hall,
a maior construção de torneios do continente e também a sede dos melhores coordenadores de
Sinnoh. O Ginásio Fantasma era protegido pela dançarina Fantina, havia também famoso Amity
Square, o restaurante de Poffins, entre várias outras atrações.
Diferentemente de Jubilife e Oreburgh, Hearthome era mais agradável por ser uma cidade
onde viviam muitas famílias. O local recebia cuidados dignos para tornar-se uma cidade perfeita e
aconchegante. A educação a tornava diferente de qualquer outra, uma das regras era que todos os
moradores deveriam manter a cidade limpa. Hearthome era uma metrópole que só tinha
tendências a crescer e tornar-se ainda melhor com o passar dos anos, tornando-a uma das
melhores e mais belas cidades para se viver em Sinnoh.



258

Hearthome não era tão lotada e barulhenta quanto as outras que o grupo já havia
passado, e isso fazia com que todos parecessem fascinados com todas as belezas fornecidas pela
cidade. Os irmãos gêmeos costumavam visitá-la muito na época em que seu Pai era da Liga
Pokémon, mas com o passar dos anos as visitas à Hearthome tornaram-se mais raras.
— Eu sempre gostei de Hearthome, mas faziam um tempão que eu não vinha pra cá, a
cidade mudou pra caramba! — disse Luke animado — Ainda temos dois dias até o torneio do
Lukas começar. Cara, já estou até montando um esquema para esse fim de semana, eu lembro de
umas lojas muito loucas que tinham aqui quando éramos criança. Será que o Porygon ainda tá
vendendo? Quero aproveitar essa cidade ao máximo!
— Eu lembro que o papai e a mamãe sempre nos traziam para cá, normalmente as
reuniões da Liga Pokémon eram feitas nessa cidade. Enquanto eles tratavam desses assuntos nós
ficávamos no Amity Square. — comentou Lukas com um sorriso.
— Bom, antes de começarmos a fazer qualquer coisa acho melhor irmos até o Centro
Pokémon e reservar um quarto. Então nós guardamos nossas malas, tomamos um banho, e então
poderemos sair tranquilamente pela cidade para aproveitar. O que acham da idéia? — sugeriu
Dawn.
— É uma boa, nós reservamos dois quartos para o fim de semana. — continuou Stanley.
Os grupo continuou andando pela cidade quando Luke pareceu lembrar-se de algo, o
garoto segurou no ombro de Dawn e perguntou se ela se lembrava do encontro com Glenn
Combs ainda em Eterna.
— Mas espere um pouco, pessoal. Dawn, você lembra aquela carta que o Tio Glenn deu
pra gente? Ele disse que era pra um hotel em Hearthome, ou algo parecido. Você ainda está com
a carta aí guardada? — perguntou Luke.
— Claro que sim, aqui está. — disse a garota, retirando uma pequena carta de folha
grossa embrulhada em um envelope de cor escarlate.
Os cinco jovens sentiram-se na curiosidade de verificar o que estava escrito, mas tudo que
havia era uma assinatura e o nome de um hotel em letras garrafais.
— Hotel Deluxe Heart? Onde será que é isso? — comentou ela.
— Será que é aquele prédio gigantesco ali do lado? Caramba, parece casa daqueles artistas
famosos vigiados vinte e cinco horas por dia com câmeras em todos os lugares... — comentou
Vivian — Vixi, acho que é lá mesmo.
Os cinco olharam para trás e notaram o maior prédio da cidade, o local parecia rasgar o
céu, carros de luxo paravam em frente ao condomínio frequentemente e era notável que as pessoas
que lá freqüentavam eram extremamente requintadas. O Hotel Deluxe Heart era um dos melhores
259

da região e só podia ser frequentado por aqueles que tivessem licença ou alguma relação com seus
proprietários. Em uma das paredes do hotel jazia um imenso outdoor com a imagem de Glenn
Combs em destaque.

— Você está brincando que o Senhor
Combs nos deu entrada para esse hotel. —
disse Dawn pasma — Eles irão barrar a gente
na entrada!! Esse negócio deve ser cinco estrelas,
imagina só a diária pra passar um fim de
semana aí!! Nem se eu trabalhasse minha vida
inteira eu conseguiria passar um único dia nesse
lugar!
— Confere aí direito Dawn, a gente tá
lendo errado o nome do lugar...
— Hotel Deluxe Heart. Em baixo tem
uma assinatura do próprio Glenn Combs. Acho
que é lá mesmo... — explicou Dawn, fazendo
todos os outros a olharem assustados — O que
vamos fazer agora?
— Eu não vou entrar, é pedir para
passar vergonha. Esses seguranças vão nos
barrar logo na entrada. Vocês têm certeza que
um membro da antiga elite de Sinnoh realmente
falou com vocês? — perguntou Stanley.
— Claro, eu conheço o Glenn há muito tempo, ele era amigo de nosso pai e sempre
estava andando com o Luke. Ele não faria isso com a gente, o Glenn deve ter um bom motivo
para deixar que a gente passe um fim de semana nesse hotel de luxo. — comentou Lukas.
— Ou muito dinheiro... — continuou Dawn.
— Precisamos entrar em um acordo, vamos para o Centro Pokémon ou tentaremos
entrar nesse hotel? — perguntou Lukas.
— Vocês estão de brincadeira? É ÓBVIO que vamos para o hotel!! Se o Tio Glenn
chamou vocês ele dever ter um bom motivo!! Vamos lá cambada, perguntar não vai matar
ninguém. — disse Vivian.
260

— Vai saber né, de repente eles já estão preparando um míssel e nos vigiando via satélite.
— riu Stanley.
Vivian guiou o grupo até a entrada do formoso hotel, os guardas pareciam estranhar a
entrada de cinco crianças no local e frequentemente falavam com alguém no walkie talkie, o que
ocasionava um certo desconforto nos jovens. A porta giratória era adornada em ouro e os
corrimões das escadas pareciam ser feitos de jóias preciosas, mas nem todos pareciam
acostumados com tais recursos.
— Uma porta giratória!! Noooossa, isso é coisa de rico. Eu só via umas dessas na
porcaria dos bancos. Estou me sentindo uma lady agora, só falta alguém vir aqui e pegar as
minhas malas para eu ficar concretizada. — disse Vivian, girando na porta e fazendo com que
seus companheiros ficassem constrangidos.
— Eu não conheço ela não, Senhor. — fingiu Luke, negando qualquer coisa que o
perguntassem naquele momento.

Todos pareciam maravilhados em estar naquele local, no teto haviam pinturas de
pokémons lendários que pareciam estar em um eterno confronto. Várias estátuas de pokémons
raros também erguiam-se logo na entrada do local, o que deixava os garotos boquiabertos pela
luxuosidade do local.
Os atendentes foram imediatamente ao encontro dos jovens que causavam certo alvoroço
no local. O Deluxe Heart era um hotel cinco estrelas pela absoluta opulência e seu serviço
escandalosamente cortês.
— Vocês estão perdidos? — perguntou uma moça que parecia muito bem vestida.
— Hm... Não, na verdade viemos para passar aqui o fim de semana. Somos amigos de
Glenn Combs e ele mandou uma carta indicando este lugar... — disse Dawn.
Assim que os balconistas ouviram aquele comentário eles rapidamente se colocaram em
prontidão e correram para atender os jovens. Cinco pessoas pegaram suas pequenas malas e os
levaram para seus quartos, parecia que Glenn realmente preparara algo especial para seus
“sobrinhos”.
— Bom dia, senhores. Vocês são Luke e Lukas Wallers, exato? — perguntou a
atendente, checando um papel que continha a descrição dos garotos — O Doutor Combs
deixou-nos avisado de que os Senhores estariam chegando em alguns dias. Aguardem apenas um
instante que logo alguém os guiará até seus respectivos quartos de hospedagem. — disse a
balconista.
— Ebaaa... A gente tem serviço de cama grátis? — perguntou Vivian.
261

A atentendente de uma leve risada e tornou a falar:
— Todas as mordomias já estão inclusas, e vocês também estão liberados para o uso dos
Salões de Banho, das piscinas, das quadras, das lojas, dos estádios de batalha, do restaurante...
— N-Noossa... — comentou Dawn um pouco sem graça ao perceber que estavam
recebendo mordomias dignas de reis.
Os jovens pareciam ainda não terem percebedo que estariam passando um fim de semana
em um hotel de luxo sendo tratados como pessoas realmente famosas. Um homem aproximou-se
dos jovens e serviu-lhes champagne. Luke até tentou pegar um dos copos, mas Dawn proibiu-lhe
pelo fato de todos ali ainda serem menores de idade. O hotel era imenso, pela pequena caminhada
em direção de suas suítes os jovens já puderam perceber o poder de aquisição daqueles que lá
freqüentavam. Piscinas aquecidas, cassinos, aquários gigantescos, saunas, baladas, salões de jogos
lojas com decorativos da cidade... E tudo já estava incluso dentro daquele grandioso resort.


Um rapaz vestido de terno os guiou até um dos últimos andares para mostrar-lhes seus
quartos, e após entregar-lhe os cartões magnéticos que abriam as portas retornou para o hall de
entrada.
— Se necessitarem de qualquer tipo de serviço ou atendimento basta telefonar para o
número 015 que os redirecionará ao salão principal. O acesso é livre para qualquer salão que
desejarem, e o frigobar será frequentemente substituído. Todas as mordomias estão inclusas.
Esperamos que tenham um bom dia no Deluxe Heart, e agradecemos a escolha de nossa franquia.
Um único quarto do hotel era maior do que toda a casa de Dawn em Sandgem. Haviam
televisores de última geração e camas de casais imensas, os sofás eram feitos dos melhores tecidos,
o banheiro era marcado por uma gigantesca banheira, todos pareciam fascinados pela beleza e
luxuosidade dos quartos.
262

— Este lugar é perfeito!! Acho que para mim ainda não caiu a ficha que iremos passar um
fim de semana inteiro aqui. É a primeira vez que eu sequer me aproximo de um lugar como este, é
maravilhoso! — disse Dawn fascinada, deitando-se em uma das camas de casal com seus braços
esticados.
— O Tio Glenn que forneceu esse quarto para nós, Luke? Temos que agradecê-lo
pessoalmente mais tarde, primeiro foram as bicicletas, e agora a estadia por aqui! — disse Lukas.
— Mas é claro que eu vou cara. Ver esse hotel lembrou do tempo que éramos crianças e
costumávamos viajar por toda Sinnoh com nossos pais. Bons tempos, sinto saudade dessa época...
Os jovens ficaram por um tempo vendo tudo nos quartos e decidindo quem ficaria em
cada quarto. Provavelmente as garotas ficaram em um e os meninos no outro, mas havia um
problema: Só haviam quatro camas, e eles estavam em cinco.
— Bom, temos quatro camas de casal e estamos em cinco... — concluiu Stanley.
Dawn sugeriu que as duas garotas dormissem em uma mesma cama de casal, mas desse
modo um dos garotos ficaria no mesmo quarto que elas, e ninguém pretendia deixar que isso
acontecesse. Os três jovens se reuniram e decidiram tirar na sorte par ver quem ficaria com as
camas, e no fim das contas Luke fora o sorteado para dormir no sofá.
— Vocês tramaram tudo isso contra mim. Mas não tem problema, esse sofá parece ser
melhor do que a minha cama de casa mesmo. — disse Luke, colocando suas coisas ao lado do
sofá.
— Oh, o Senhor Lucky é realmente um cavalheiro deixando a cama para as garotas. —
brincou Stanley.
— Oe. É bom não me provocar cara, se não eu te derrubo da cama de noite.
Enquanto os garotos continuavam a decidir quem iria dormir nas camas, Vivian surgiu
animadíssima apontando para o único banheiro do quarto com euforia.
— Eiiiiita!! Vocês já viram esse banheiro?! Parece uma piscina lá dentro!! Acho que até
um Gyarados caberia, é imensooooo!!
— Eu notei algo também, esses dois quartos possuem um único banheiro. E parece que
os dois quartos podem se interligar nesse banheiro também. Que diferente... — comentou
Stanley.
— Ih, isso vai causar problemas. — riu Luke.
— Nem pense em fazer nada Senhor Luke, eu vou ficar de olho em você nesse hotel pra
que você não saia da linha. — sorriu Dawn.
Vivian entrou no banheiro e em seguida voltou carregando diversos pequenos frascos.
263

— Ahh, amostra grátis dos xampus e dos sabonetes do hotel!! Que graça esses frascos
pequenininhos!! Vou levar tooodos pra mim!!
— Ai, ai... Esse povo caipira... — disse Stanley, fazendo os outros rirem.

Os jovens nem sequer saíram do imóvel naquele dia, o próprio hotel era como uma
cidade, ele fornecia tudo que alguém precisasse. Lukas ficou fascinado com um imenso aquário
que trazia diversos pokémons aquáticos raros, era possível ver Magikarps curiosas e grandiosas
Mantines passando lentamente pelos vidros acompanhada de pequenas Remoraids que seguiam
com dificuldade a criatura cartilaginosa. Lindos Lumineons balançavam suas caudas em um
movimento suave acompanhado de pequenos Finneons, Horseas escondiam-se próximos de
Clamperls que pareciam brilhar como uma verdadeira pérola, aquele aquário era apenas de enfeite,
mas rapidamente prendeu a atenção dos garotos que se encontravam maravilhados com a beleza
daquelas águas límpidas.
— Droga. Agora eu quero um pokémon aquático. Estou precisando desse tipo pra
melhorar a ofensiva de meu time, acho que ele está um pouco desequilibrado...
— Você ainda terá sua chance para capturar um, Luke. Vamos dar uma volta pelo hotel,
ainda tem tantas coisas que eu gostaria de ver!! — sorriu Dawn com um brilho em seu olhar,
segurando Luke pelo braço e rapidamente puxando-o para os infinitos corredores do resort.



O grupo separou-se por um momento. Lukas parecia interessado em aprender novos
pratos com o chef de cozinha local, as duas garotas já haviam desaparecido de vista assim que
avistaram as lojas, enquanto Luke e Stanley andavam pelo salão de jogos à procura de algo
interessante para fazer.
264

Luke caminhou com seu rival até uma pequena máquina daquelas com ganchos que
pegam ursinhos. O garoto parou por um momento e observou um pequeno Piplup de pelúcia que
jazia caído em meio dos outros bonecos. Ele sorriu por lembrar-se de Dawn, e sabia que a garota
gostaria de ganhar um daqueles.
— Você vai tentar pegar um? — perguntou Stanley.
— É claro que não, eu lá tenho cara de quem fica nessas máquinas de criança tentando
pegar esses objetos ilusionários nessa programação extorsiva que na verdade funcionam como uma
forma de roubar dinheiro das pobres crianças sem coordenação motora?? Não cara, odeio essas
máquinas... — respondeu Luke.
— Garotas gostam de ganhar ursinhos de pelúcia.
— Eu não vou ficar que nem um idiota tentando pegar ursinhos ridículos nessa máquina.
O garoto logo seguiu seu caminho até que o movimento mais em frente chamou-lhe a
atenção. Luke adentrou em meio a multidão que parecia assistir a uma batalha pokémon.
Renomados treinadores pareciam batalhar naquele local, Stanley pôde ouvir comentários de
pessoas que diziam que os membros da Elite 4 estavam no hotel. Os dois garotos rapidamente
interessaram-se pela batalha e foram procurar um lugar para tentar assistir a luta.
— Senhor, é verdade que os membros da atual Elite dos 4 estão presentes no hotel? —
perguntou Stanley.
— É sim, garoto. Dois deles estão fazendo uma batalha demonstrativa agora mesmo!
Luke e Stanley rapidamente procuraram um lugar para tentar assistir aquela disputa. No
campo haviam dois Pokémons raríssimos na região, criaturas vindas de continentes distantes e
que representavam a capacidade de luta daqueles treinadores.

265

Um Arcanine e um Feraligatr enfrentavam-se em meio à arena com grande fúria, ambos
pareciam conhecer o outro perfeitamente de modo que previssem cada golpe do oponente.
Parecia que os dois treinavam juntos há muito tempo, o que levava os jovens à conclusão de que
seus treinadores eram amigos ou companheiros de batalha. Não demorou para que Luke
percebesse quem realmente batalhava, revelando assim dois dos mais poderosos treinadores de
Sinnoh.
Um dos rapazes na arena de batalha não era muito alto, ele tinha cabelos loiros e olhos
verdes e em seu rosto estava estampada um sorriso fotogênico. Ele era extremamente belo,
algumas mulheres assistiam a batalha só por conta dos membros da elite serem muito atraentes. E
de fato isso fazia muita fama entre as treinadoras mulheres. Seu nome era Lins, um dos
integrantes da Elite dos 4 e perito em Pokémons aquáticos. Em frente do rapaz jazia o grande
Feraligatr,
O segundo rapaz na arena aparentava ser mais velho. Ele tinha cabelos vermelhos, e tinha
um par de fones de ouvido como alguém que claramente não levava a batalha a sério e só fazia
aquilo por brincadeira. Seus olhos eram da mesma cor de seus cabelos e exalavam a segurança e
a veracidade que seu elemento lhe atribuía Seu nome era Kyle, perito em Pokémons de fogo com
um lindo Arcanine de pêlos perfeitamente cuidados ao seu lado.
— Tira a porra dos fones de ouvido!! Quando perder não vai colocar a culpa na música
dizendo que ela te desconcentrou. — disse Lins.
— Me deixa em paz, a música me acalma. Não me subestime, você sabe que estamos
apenas começando essa batalha. — respondeu Kyle.

Luke e Stanley podiam claramente ouvir os comentários das mulheres ao seu lado. Era a
primeira vez que eles se encontravam com os atuais membros da Elite. Luke riu ao perceber que
Lins apesar de ter uma aparência educada a requintada na verdade falava como ele próprio, às
vezes as aparências enganavam.
Kyle ordenou que seu Arcanine rapidamente atacasse o adversário com um Thunder
Fang. O cão saiu de posição de defesa e avançou na direção de Feraligatr, e com sua mordida
eletrizada, rapidamente aplicou um golpe no crocodilo que recebeu um grande dano.
— Essa ataque já tá manjado, revide com o Hydro Pump! — continuou Lins.
O pokémon lançou uma explosão de água em direção do cão de fogo, mas Arcanine em
um rápido movimento esquivou-se do impacto não recebendo dano nenhum. As pessoas
aplaudiam toda a adrenalina da batalha, Luke estava fascinado ao ver dois membros da Elite 4
enfrentando-se um local como aquele. Por um momento foi como vê-los como seus próprios
266

adversários, e de certo modo ele sabia que ainda deveria treinar muito para um dia poder desafiá-
los.
— Esses caras são muito bons, olha só a combinação de golpes que eles utilizam! Os dois
fazem jus ao cargo que exercem, eles são excelente treinadores! — disse Stanley.
— Cara, ainda preciso treinar muito para um dia poder enfrentá-los. — comentou Luke.
Os dois garotos saíram da sala com o término da batalha, mas em momento algum a
multidão na arena de batalha começou a dispersar-se. Os dois caminhavam lentamente quando
Stanley pôde ver que os dois integrantes da liga agora aproximavam-se de onde eles estavam. Lins
como sempre estava rodeado mulheres, enquanto Kyle parecia descontraído com seus fones de
ouvido. No momento em que eles passaram ao lado dos jovens Stanley não poupou seus elogios.
— Os senhores fizeram uma batalha fantástica agora a pouco. — elogiou Stanley.
— Nós somos os melhores, garoto. O que quer que façamos? — respondeu o loiro com
seu jeito convencido.
— Ignora o Lins, digamos que ele sofra de uma séria doença de egocentrismo. —
respondeu Kyle.
— Ae Cabeça de Fogo, fica quietinho na sua!
O integrante da elite suspirou e dispensou o amigo com um aceno, em seguida retomando a
conversa com Luke e Stanley.
— Nós agradecemos o elogio. Vocês também são treinadores?
— Isso aí, vamos treinar para um dia desafiar vocês! — respondeu Luke, apontando para
os dois rapazes. Lins caiu na risada ao ouvir aquilo, Kyle deu um leve sorriso e em seguida
arrumou a boina na cabeça de Luke.
— Então treine bastante garoto, espero que um dia você consiga. — sorriu Kyle,
tentando ser gentil com os jovens.
Os dois membros da elite continuaram seguindo seu caminho deixando os garotos para
trás, Lins esticou seus braços enquanto Kyle caminhava com as mãos em seu bolso, sendo que o
parceiro não pôde deixar de comentar.
— Como esses novatos querem ganhar da elite se ninguém nunca mais passou do oitavo
ginásio? Cara, fazem anos que não tenho uma batalha decente, no dia que algum treinador ganhar
do Volkner esse cara vira uma lenda. — disse Lins.
— A nova geração de treinadores em Sinnoh é muito fraca, mas eu não vejo o por que de
acabar com os sonhos desses jovens. Quem sabe algum dia a gente encontre um garoto que
realmente faça as batalhas Pokémon voltarem a valer a pena. — disse Kyle.

267

Agora era Lukas quem caminhava no hotel à procura de algum conhecido, e não demorou
muito para que a um certo ponto se deparasse com Vivian. A garota lutava para convencer seu
amigo a entrar em um casino, mas pela idade de ambos Lukas já tinha em mente de que seriam
barrados logo na entrada. As cores e pessoas daquele local chamavam a atenção de qualquer
criança, lhes parecia interessante entrar lá e poder jogar aquelas estranhas máquinas que
produziam dinheiro. Era o sonho de Vivian poder frequentar um lugar como aquele.
— Eu quero entrar, eu quero entrar!! Lukas-kun, vamos dar uma olhada nesse casino, eu
nunca entrei em um!
— Que bom que não entrou né, olha só a nossa idade! Só gente de maioridade pode
entrar Vivian, vamos procurar outra coisa pra fazer.
— É só uma olhadinha, rapidão!! Ninguém vai ver a gente!
Os dois jovens se aproximaram e logo puderam notar o movimento dentro do casino.
Enquanto Vivian observava tudo lá dentro Lukas mantinha a guarda do lado de fora, quando
pôde perceber um garoto sentado em um sofá observando-os.
— Vocês não são muito novos para entrar em um casino? — perguntou o garoto,
fazendo Vivian virar-se imediatamente.
— Ah... A gente só estava... dando uma olhada. — comentou Vivian meio sem graça.
Mas assim que a garota virou-se ela pôde perceber que parecia ser uma criança que
conversava com ela. Vivian não era de levar desaforos, principalmente de desconhecidos, em
seguida respondendo-o de certo modo provocativo:
— E eu pergunto o mesmo, você não é muito novo para ficar andando por aí sozinho?
Eu tenho vinte e três anos. — respondeu o garoto meio sem graça.
Vivian arregalou os olhos parecendo não acreditar na idade daquela criança à sua frente.
Lukas instantaneamente percebeu de quem tratava-se, um garoto de cabelos prateados e sempre
vestido de branco só poderia ser um dos famosos integrantes da liga.
— Você é o Mark da Elite dos 4, não é? — perguntou Lukas.
— Oxi, v-você é da elite?! Mil desculpas, eu não quis ser ignorante com você!!
— É normal as pessoas me confundirem com uma criança. Eu já estou acostumado, não
precisa ficar preocupada.
Por ser uma treinadora nativa de Johto, Vivian não conhecia muito bem a Liga de
Sinnoh, sentindo-se extremamente sem graça por faltar com respeito para alguém tão
importante. O garoto era muito baixo parecendo ter a estatura de uma criança, e isso era
constante motivo de piada entre os outros membros da elite. Seus cabelos pareciam ser de um
tom prateado, assim como as roupas que vestia no momento. O garoto era muito elegante, a
268

postura na qual ele se encontrava revelava sua etiqueta. Seu nome era Mark, ele era um dos
integrantes da Elite dos 4, especialista em Pokémons fantasmas.
Os dois se desculparam pelo ocorrido e em seguida sentaram-se ao lado de Mark para
conversar um pouco. Ele era muito gentil e educado, dominava perfeitamente a norma culta da
língua o que demonstrava seu alto grau de estudo. Lukas sentiu-se honrado em poder conhecer
um dos integrantes da Elite. Afinal, eles nem faziam ideia de que poderiam encontrar pessoas tão
famosas naquele hotel.
— O que traz jovens treinadores como vocês à um hotel tão sofisticado? Estão
acompanhado de seus pais? — perguntou Mark.
— Na verdade nós viemos como um convite de Glenn Combs.
— O ex-elite? Um treinador fenomenal, pertencia à época em que a Liga Pokémon de
Sinnoh estava em seu auge. Não me surpreende que poucos treinadores saibam quem somos, à
muito tempo ser um membro da elite perdeu sua fama devido à falta de competitividade na liga.
Está para completar quase um ano que não recebemos desafios. — respondeu Mark.
— Dizem que o oitavo líder de ginásio pretende deixar o ginásio e enfrentar a Liga. Isto
é verdade? — perguntou Lukas.
— Refere-se ao Volkner? Ele é um excelente treinador, mas há muito tempo perdeu sua
consideração por batalhas. Ele ignora desafios se souber que o adversário não tem potencial, acho
que até o fim do ano ele pretende batalhar contra a elite caso nenhum treinador derrote-o.
— Então pode ficar tranquilo, porque logo o meu irmão vai acabar com ele! — brincou
Lukas.
— E quem seria o seu irmão?
— Luke Wallers, ele está enfrentando os ginásios e eu os contests.
Mark ficou extremamente surpreso ao ouvir o sobrenome Wallers. Ele sabia que aquele
garoto lhe lembrava alguém, mas em momento algum lhe passara na mente que eram filhos do ex-
campeão Walter Wallers.
— Isso quer dizer que você é um dos filhos de Walter? Minha nossa, esse homem foi
quem me inspirou a tomar meu caminho em uma jornada, mas infelizmente ele foi derrotado
antes que eu pudesse ter a honra de encontrá-lo em uma batalha. — disse Mark — Nossa, agora
sou eu quem estou surpreso por deparar-me com os filhos de uma verdadeira lenda. É um prazer
conhecê-los.
— Lukas-kun, você nunca tinha dito que era filho de um campeão! Aiiin, isso quer dizer
que se eu casar com você eu serei tipo uma rainha? — perguntou Vivian.
— A-Acho que não. — comentou o garoto sem entender o que ela queria dizer.
269

A conversa estendeu-se por um tempo, Lukas apreciava a companhia do garoto
que revelava seu vasto conhecimento sobre todas as áreas. Era como conversar com um amigo de
escola, ambos compartilhavam os mesmos interesses, de modo que o integrante da elite adorasse
saber mais sobre os contests que era uma área que ele não dominava com tanta destreza. Mark era
um dos membros mais responsáveis da elite, e provavelmente um dos únicos que mantinha seu
cargo conforme o combinado. Todos os outros membros haviam perdido o interesse por batalhas
há muito tempo.
• • •

Enquanto isso, em uma das lojas do grande salão do hotel,
Dawn parecia deleitar-se com todos os objetos de desejo de qualquer
mulher. Ela simplesmente entrava nas bancadas, observava os produtos,
e em seguida ia embora, afinal, ela não tinha dinheiro para comprar
acessórios tão caros. Perfumes, roupas, bolsas, sapatos. Era como um
verdadeiro shopping dentro daquele resort.
— Ah, a Vivian iria adorar esse perfume... — comentou
Dawn, segurando um pequeno frasco de cor azulada.

Dawn tinha um singelo sorriso em seu rosto enquanto observava o frasco. De certo modo
ela queria de alguma forma poder comprar aqueles objetos, mas suas condições financeiras nunca
lhe permitira. Ela pegou o frasco e verificou o preço em sua embalagem, e arregalou seus olhos ao
verificar o preço do produto, em seguida colocando-o imediatamente na prateleira novamente.
De repente, o pequeno frasco de vidro escorregou de suas mãos e estilhaçou-se no chão.
Dawn deu um grito quando viu o objeto quebrado e os estilhaços espalhados. Era óbvio que ela
não teria teria dinheiro para pagar o estrago, e sem os amigos por perto ela não passava de uma
visitante no local, uma vez que Luke e Lukas eram os responsáveis pela estadia.
Dawn não sabia o que fazer, por um momento ela ficou com as mãos em em sua face
como se não acreditasse no que ocorrera, não demorou para que os atendentes da loja fossem
verificar o ocorrido.
— E-Eu vou ter que pagar pelo perfume? — perguntou ela incrédula.
— Não há problemas senhorita, mas o preço do perfume será aplicado na hora da saída
do hotel. — explicou o balconista.
270

— P-Perdoe-me, foi sem querer. O problema é que eu não tenho condições de pagar esse
perfume. — desculpou-se ela.
— Senhorita, caso isso ocorra seremos obrigados a comunicar seus pais no mesmo
instante.
Dawn calou-se quando ouviu o homem falar de seus pais, ela sentiu-se sozinha e culpada
naquele instante sem saber o que responder, quando de repente, um homem alto de cabelos
castanhos aproximou-se da garota e colocou a mão em seu ombro.
— Eu pagarei o perfume agora, eu sou o responsável por essa garota. — disse o homem.
— Tudo bem senhor, por favor siga-me até a recepção.
Ele usava óculos e vestia uma espécia de uniforme que de fato era muito elegante. Dawn
não percebera de quem se tratava no instante, mas tudo que sentiu foi um imenso alivio. Dawn
observou o desconhecido por um tempo, ela sentia que já o tinha encontrado em algum lugar, e
assim que retornou ele agachou-se na altura da joven e e falou em um tom sério.
— Tome mais cuidado da próxima vez. — disse o homem.
— Muito obrigada, senhor. Você me salvou de um grande problema!
— Disponha. — respondeu ele de modo indiferente e ajeitando seus óculos.
Dawn ficou sem reação ao ver o homem sair de primeira instância, mas ela não poderia
deixar que ele fosse embora sem agradecer propriamente.
— Por favor, permita-me fazer algo por você! O senhor me ajudou muito.
— Procure seus pais mocinha, só não vá causar encrenca.
Dawn ficou em silêncio por um momento. Aquele estranho homem parou, mas não
olhou para trás. Dawn suspirou e levantou seu rosto.
— Posso ao menos perguntar o seu nome?
O homem parou e pela primeira vez Dawn pôde ver seu rosto com mais calma, ele tinha
uma feição séria e lindos olhos azuis. Não demorou para que a garota imediatamente percebesse
quem ele realmente era.
— Ahh!! O Senhor é Allen, da Elite dos 4!
— E qual seria o nome da senhorita?
— Dawn Manson.
Allen deu um sorisso e em seguida partiu, deixando Dawn sozinha sem entender muito
bem o que acontecera. Provavelmente ela não tornaria a encontrá-lo, deparar-se com um dos
integrantes da elite nunca lhe passara na mente, mas ela ainda sentia um aperto por não poder ter
feito nada para retribuir o favor.

271

A batalha agora já havia terminado, Luke e Stanley pareciam ainda mais dispostos a
treinar e um dia enfrentar a Elite. Kyle e Lins eram treinadores fenomenais, e isso encorajava cada
vez mais as esperanças dos garotos. Luke esticou seus braços e continuou caminhando pelos
vastos corredores à procura de seus amigos, pois já estava ficando tarde, e o cansaço pouco a
pouco começava a bater.
— É melhor a gente procurar o resto do pessoal, já faz um tempo que nos separamos. —
comentou Stanley.
— Ah, eu tava pensando nisso agora mesmo cara. A gente pode se encontrar lá no Hall
principal? Eu tenho que ir... ao banheiro. — disse Luke.
— Tudo bem, só não vai ir junto com a descarga. — brincou o loiro.
— Tá bom Stanley, tá bom.
Luke continuou andando e retornou para o salão de jogos, ele aproximou-se de um caixa
e comprou dez moedas das máquinas de gancho. Em seguida foi em direção da mesma máquina
que possuía um Piplup de pelúcia e começou o desafio de conquistar seu prêmio.
No Hall principal Vivian e Lukas contavam sobre o ocorrido episódio do casino e
também de como conheceram Mark, um dos membros da Elite dos 4. Coincidentemente, Stanley
havia encontrado com outros dois membros, Kyle e Lins. Dawn contava a história de como um
homem pagara o perfume que ela acidentalmente destruíra, e com isso, todos se surpreendiam ao
perceberem que haviam deparado-se com toda a Liga Pokémon.
Eles aguardaram um tempo até que Luke voltasse, mas Stanley não pôde conter o riso ao ver o
garoto carregando um pequeno Piplup de pelúcia em suas mãos. Ele aproximou-se gentilmente de
Dawn e entregou-o para a garota, que parecia ter adorado o presente.
— Você comprou ele para mim...? — perguntou Dawn sem graça.
— Ué, não era você que tinha acabado de falar que odiava aquelas máquinas de gancho?
— provocou Stanley.
— Cala a boca , se não acabo com tua cara. — disse Luke, fazendo o loiro cair na risada.
Os jovens agora seguiam de volta para seus quartos, após um dia cansativo no
lindo Hotel Deluxe Heart eles já estavam totalmente exaustos. Vivian continuava fascinada com
os roupões que eram dados para seus hóspedes, e por isso andava a todo momento exibindo sua
roupa como uma lady.
As garotas passavam horas no banheiro, Piplup e Shellos se divertiam enquanto os
meninos esperavam pacientemente que elas terminassem o banho. Lukas continuava a cuidar
perfeitamente do ovo que ganhara de Cynthia, uma vez que o pequeno mexia-se cada vez mais.
272

Luke havia liberado seus Pokémons, Froslass jazia sentada próxima ao frigo bar, enquanto Gabite
corria loucamente pelo quarto brincando com Pachirisu.
Depois de muitas horas, Vivian abriu bruscamente a porta do banheiro esticando seus
braços para o alto. Ela vestia um grande roupão branco e uma tolha em sua cabeça.
— Adoooro roupões assim! Por mim eu moraria nesse banheiro a vida inteira, é tudo tão
perfeito!! Eu não queria sair dessa banheiro por nada!
— Será que vocês não acabaram com a água do mundo inteiro, não? Faz uma hora que a
gente tava esperando, podemos entrar agora? — perguntou Luke, que estava sentado na sala ao
lado de sua Froslass.
— Prossiga Lucky-chan, você vai adorar esse banheiro! — sorriu a ruiva.
Quando todos haviam terminado já era bem tarde, os jovens estavam cansados pelo
horário que haviam acordado naquele dia, então não demorou para que eles caíssem no sono.
Luke dormira no sofá que mais parecia uma gigantesca cama de casal, enquanto Lukas dormia ao
lado do pequeno ovo. Dawn estava abraçada ao pequeno Piplup de pelúcia que ganhara, de fato
ela sabia que Luke passara a ser mais romântico com ela depois daquele ocorrido. Todos haviam
adorado a estadia naquele hotel, mas de fato a surpresas só estava começando. O dia fora muito
cansativo, mas depois de todas as longas aventuras dos jovens era bom que eles descansassem por
um tempo.

Com sua estadia no Hotel Deluxe Heart, os jovens agora aproveitam das melhores
mordomias. O encontro com quatro membros da Elite dos 4 foi o suficiente para que eles
percebessem que ainda há muito treino pela frente. Mesmo que os jovens agora durmam
tranquilamente em seus aposentos, eles sequer imaginam uma estranha sombra que cada vez se
aproxima mais dos aposentos. O que será que pode vir a acontecer?

273

CAPÍTULO 21

Ação de Elite

O crepúsculo começava a formar-se a partir da densa escuridão que começava a tomar
conta da cidade de Hearthome. A cidade tinha a reputação de ser um local muito seguro, as
pessoas costumavam ser amigáveis e sempre evitavam conflitos, porém, naquela noite
aparentemente silenciosa estava para ter sua tranquilidade quebrada por uma estranha sombra que
cada vez mais aproximava-se do Hotel Deluxe Heart.
Luke dormia no sofá como se fosse o local mais confortável do
mundo, Stanley continuava dormindo em silêncio, e Lukas ao lado na outra
cama; tudo estava perfeitamente normal, mas nos vastos corredores do hotel
uma sombra se movia. Quando o profundo silêncio reinava era possível
ouvir os leves passos de sapatos a ecoar pelos corredores, os toques
estalavam no chão na madeira envernizada, um homem alto vestido de
negro caminhava na escuridão quando parou exatamente em frente ao
quarto dos garotos, e de dentro de seu palitó retirou um pequeno cartão
automático que abriu a porta com facilidade.
Pôde-se ouvir um fraco ranger, mas não o suficiente para acordar
alguém. A misteriosa figura andou pelo dormitório e passou por Luke ainda
adormecido, parou por um momento apenas observando a respiração
pesada do mais novo, e com mãos ageis e serenas apenas pegou o cobertor
que jazia completamente jogado e colocou-o de volta sob o corpo do
menino, abrigando-o, de modo que na imensa negritude fosse possível ver
um singelo sorriso. Andando na escuridão com perfeita destreza, o homem
andou em direção da cama de Lukas e parou ao seu lado, ele lentamente
sentou-se na cama do garoto e se pôs a observá-lo.
O homem vestia um elegante terno preto, sua camisa era dourada que destacava a gravata
negra amarrada em seu pescoço. Ele tinha cabelos escuros e não era possível ver a cor de seus
olhos, mas era evidente que ele olhava Lukas com uma certa feição de felicidade. O homem tinha
um chapeú fedora que o deixava oculto nas sombras, e em sua cintura trazia três pokébolas o que
demonstrava seu cargo como treinador.
274

Lukas abriu lentamente seus olhos e pôde ver de relance a figura do homem ao seu lado,
mas o garoto não assustou-se, e ainda sonolento revelou um sorriso cansado de quem não sabia se
tudo não passava de sonho.
— Tio Marshall...? — sussurrou ele confuso.
— Durma criança, apenas durma... — retrucou o homem silenciosamente, passando
levemente sua mão sobre os olhos do garoto e fechando-os.
De repente, um fraco som de vidro sendo quebrado pôde ser ouvido vindo dos andares
inferiores do hotel, Stanley levantou-se pensando ter ouvido algo, quando viu a sombra do
homem sentado ao lado de Lukas. O loiro assustou-se com a presença do estranho no local e
ficou sem reação ao ver que alguém havia entrado no quarto. Ninguém havia pedido algum
serviço e os funcionários não podiam ter acessos aos aposentos naquele horário. Stanley levantou-
se bruscamente de sua cama, mas antes que pudesse falar ou chamar por alguém o homem
respondeu:
— Não precisa ter medo, Stanley Tycoon.
— Q-Quem é você?
— Apenas uma sombra. — respondeu o homem indiferente. Dispertando uma maior
preocupação em Stanley que pensou tratar-se de algum ladrão.
— Como você entrou aqui?!
— Não pense que pode me derrotar com seu Grotle, não sou nenhuma espécie de
ameaça. — continuou o homem.
Stanley surpreendeu-se ao ver que aquela misteriosa figura conhecia seu nome, e ainda
por cima conhecia os pokémons que ele possuía. Ele tentou descobrir quem era a figura escondida
na escuridão, mas ele realmente não fazia idéia de quem se tratava. Antes que ele pudesse chamar
por alguém ou fazer qualquer movimento, novamente o barulho de vidro sendo quebrado pôde
ser ouvido, só que agora mais alto. Parecia que alguém estava tentando invadir o hotel. O homem
olhou para a janela e pareceu pensativo por um momento, falando calmamente logo em seguida.
— Parece que quebraram a segurança do hotel. — riu o homem como se isso não
mudasse em nada. — Se eu fosse você, meu jovem, me preocuparia mais com as duas damas que
estão no quarto ao lado do que com esses garotos.
— E como posso ter certeza que você não vai machucar o Luke e o Lukas? — perguntou
o jovem com desconfiança.
— Cabe a você julgar se sou mesmo uma ameaça.
275

Dito isto, Marshall apenas cobriu Lukas que também tinha seu cobertor jogado. Em
seguida, o barulho de estilhaços foi repetido, mas não fez com que o homem nem sequer
levantasse seu olhar de Lukas que dormia calmamente.
Stanley assustou-se e rapidamente correu para fora do quarto para ver do que se tratava.
O homem também levantou-se, mas no mesmo instante Lukas segurou em seu braço e o olhou
com um olhar cansado.
— Tio Marshall, onde você estave durante esses anos...? — perguntou Lukas.
— O tempo passou, meu garoto... Você já está tão crescido... — sorriu o homem.
— Você vai partir novamente...?
Marshall deu um leve sorriso e sentou-se novamente ao lado do garoto.
— Eu estarei cuidando de vocês, como sempre estive. Volte a dormir, pequeno.
Lukas pensava estar sonhando, o homem continuou ao seu lado até que o garoto pegasse
no sono, mas nos andares inferiores do hotel um grande perigo começava a rondar todos os
hóspedes do imóvel.

Enquanto isso, Stanley parecia assustado enquanto tentava acordar as garotas no quarto
ao lado, ele mesmo não acreditava que acabara de deixar seus dois amigos com um homem que
nunca vira, mas algo em si permitiu que isso acontecesse.
Dawn abriu a porta bruscamente a deparou-se com o loiro vestindo uma calça e uma
regata branca. Vivian vestia um longo pijama rosa e Dawn uma camisola, as duas pareciam
preocupadas, uma vez que Stanley estava acordando-as no meio da noite de modo desesperado.
— O que houve, Stanley? Por quê a preocupação? — perguntou Dawn.
— Alguém invadiu o hotel. — assentiu ele, causando pânico nas garotas no mesmo
instante.
— Invadiram?? — perguntou a garota incrédula tentando abafar o som de sua voz —
Isso é impossível, este hotel deve ser um dos lugares mais bem guardados de toda Sinnoh, como
alguém conseguiria burlar sua defesa?
— Tenho certeza que isso é obra do Team Galactic. — afirmou Stanley.
— N-Não... Nós conversamos com alguns membros dos Galactics na cidade de Eterna...
E por incrível que pareça eles não são tão malvados quanto parecem. Estamos lutando contra
outro inimigo. — afirmou Dawn.
— Só vou tirar a prova quando encontrar quem foram os impostores que invadiram o
hotel.
— Devemos permanecer em nossos quartos em silêncio? — sugeriu Dawn.
276

— É óbvio que não, como poderemos saber que outras pessoas também sabem dessa
invasão? Eita, e se a gente for os únicos que sabem disso até agora?! Não podemos deixar as
pessoas correndo perigo! — disse Vivian.
— Eu vou descer e investigar. — disse Stanley.
— Por que todo treinador tem que ter esse espírito de ajudar o próximo e ser o herói do
dia? — resmungou Dawn — Imagino que não vou conseguir convencê-los de ficar, então
é melhor termos certeza que alguém invadiu no hotel antes que chamemos a polícia e causemos
algum alvoroço no meio da noite.

Dawn rapidamente colocou uma blusa sobre seu corpo e acompanhou Stanley, Vivian
também estava andando de pijama pelos silenciosos corredores do hotel, assim como o loiro.
Parecia que ninguém estava acordado, os andares outrora movimentados encontravam-se
completamente desertos. O casino estava vazio e a recepção sem atendentes.
Os garotos se surpreenderam ao ver que todos os alarmes do hotel estavam desconectados
e toda a luz do imóvel estava apagada, o que explicava o fato dos corredores não terem acendido
suas luzes. Ao chegarem no hall principal eles puderam ver os vidros de entrada quebrados, e não
havia nenhum movimento de carros nas ruas. Os garotos agora tinham certeza de que tinham
invadido o hotel.
— Eu vou ligar para a polícia, isso já foi longe demais. — disse Dawn.
— Vamos voltar para o quarto, Stan!! Isso está começando a ficar perigoso. —
acompanhou Vivian.
Stanley concordou e voltou a subir as escadas, quando de repente eles ouviram sons de
passos vindo daqueles corredores. Os jovens rapidamente esconderem-se atrás do balcão da
recepção e tentaram ver do que se tratava. No local haviam quatro homens, três deles vestiam
capuzes negros e traziam um grande “R” em sue uniforme.
O único homem que não vestia capuz parecia estar no comando, ele tinha uma expressão
de desgosto em sua face e trazia algumas pokébolas em sua cintura. O homem mantinha um
olhar indiferente para seus súditos que pareciam servi-lo com respeito. Os homens traziam três
visitantes do prédio que aparentemente jaziam dormindo em seus aposentos. Com as chaves
roubadas na recepção eles teriam acesso a qualquer quarto.
— P-Por favor, peguem todo nosso dinheiro, mas não nos machuquem. — disse uma das
vítimas.
277

— Dinheiro? Esse não era exatamente nosso objetivo nesse hotel, sabe... Mas já que você
ofereceu, então eu aceito seus pertences de valores. — riu o homem, pegando todo o dinheiro de
um dos homems que estava amarrado.
— Se não querem dinheiro, então o que buscam nesse hotel? — perguntou outro homem
que estava sendo amarrado.


O líder dos criminosos agachou-se na altura do homem e deu uma risada cínica revelando
seu sorriso cínico e malicioso.
— Eu sou Petrel, executivo da Equipe Rocket. Já ouviu falar de nós, não é? Kanto,
Johto... Tivemos nossos nomes marcados nesses continentes, e por fim viemos para Sinnoh.
Porém, nós mudamos de ramo, roubar Pokémons é coisa do passado, nós já passamos para outra.
Petrel deu um chute na cara do homem que desmaiou no mesmo instante, as outras
vítimas assustaram-se com o ocorrido, mas ninguém poderia fazer nada naquelas condições.
— Bom, agora que já temos um bom número de vítimas podemos começar a festa de
verdade. Podem ativar os alarmes.
Assim que seu comandante dera a tarefa, um dos homens de negro reativou a energia do
prédio. Os alarmes soaram e ativaram a polícia no mesmo instante. Petrel ria de forma cínica
enquanto os jovens tentavam entender o motivo pelo qual aqueles ladrões haviam ativado o
alarme.
278

— Que os jogos comecem! — disse Petrel.
— Esses caras são loucos, vamos sair daqui!! — gritou Vivian.
A garota levantou-se na companhia de seus dois amigos e rapidamente todos tentaram
correr para fora do hall de entrada. Alguns ladrões viram os jovens e gritaram no mesmo instante
para que parassem, mas nenhum deles estava disposto a ficar lá e esperar para ver o que acontecia.
Dois dos integrantes dos Rockets rapidamente começaram a segui-los, mas antes que o terceiro
saísse em disparada, Petrel colocou a mão em seu ombro e pediu para que deixasse.
— Deixe-os ir, o hotel está repleto de nossos membros. E além do mais, o Proton deve
estar rondando algum dos corredores. Eles não irão muito longe. Foque em nosso objetivo central
por aqui, três crianças não vão fazer diferença. — disse Petrel.

Vivian, Dawn e Stanley apenas continuavam correndo pelo hotel à procura de seus
quartos, em um certo ponto eles avistaram outros três homens encapuzados que ao avistarem os
jovens, rapidamente se colocaram em posição de ataque.
— Três crianças acordadas à essa hora? Que perigoso. — disse um dos Rockets em um
tom ameaçador.
— Criancinhas levadas já deveriam estar na cama, acho que devemos colocá-las para
dormir então. — disse outro.
Os três preparavam-se para atacá-los quando Stanley entrou na frente das garotas. Vivian
e Dawn eram treinadoras corajosas e determinadas, porém, naquela situação elas não podiam
evitar o pânico que sentiam por estar naquela situação. Nunca antes elas haviam se deparado com
assaltantes, e todos conheciam a reputação maléfica dos Rockets.
— Vocês não vão se aproximar delas, seus idiotas. — disse Stanley, tentando proteger as
garotas.
— Ora essa, encontramos o heroi da história querendo proteger as princesinhas. —
provocou o bandido.
— Vamos resolver isso numa batalha, se eu vencê-los vocês irão dar o fora daqui e irão
nos deixar em paz! — propôs Stanley, colocando a mão em sua cintura e notando a falta de seus
pokémons.
— Onde estão suas pokébolas, Stanley?? — gritou Dawn apavorada.
— E-Eu deixei no quarto...
Os três ladrões riram muito alto de modo que qualquer um naquele andar acordasse. Eles
pegaram suas pokébolas e começaram a avançar lentamente, Stanley ficou extremamente sem
279

graça pela gafe que acabara de passar, e assim como ele, Dawn e Vivian também estavam sem
nenhum pokémon.
— Que pena, acho que ganhamos duas princesinhas de presente. — disse um dos
bandidos — Vamos pegá-los.

Quando os ladrões estavam prontos para agir, subitamente uma das portas do corredor
abriu-se bruscamente revelando um rapaz loiro vestindo um roupão preto aberto o que revelava
nitidamente que ele dormia somente de roupas de baixo. Mesmo sendo muito tarde ele ainda
parecia belo e bem produzido enquanto dormia, mas o brilho de sua aparência foi quebrado
quando se ele pôs a gritar:
— Que porra é essa que vocês estão fazendo na frente do meu quarto?! Vocês têm noção
de que horas são?? — gritou o homem, que no mesmo instante despertou a surpresa em Stanley
que percebeu que na verdade ele tratava-se de Lins, da Elite dos 4.
No mesmo instante, a porta ao lado revelou um outro rapaz de cabelos vermelhos
extremamente bagunçados, ele vestia uma camiseta regata vermelha e calças de moletom.
— Poxa Lins, fica tranquilo que são só crianças brincando de pega-pega com uns caras
estranhos, não precisa causar esse alvoroço só porque estão fazendo bagunça na frente do seu
quarto. — respondeu Kyle, segundo membro da Elite dos 4.
— Cala a boca, cabeça de fogo!! Eu pago a porcaria desse hotel e quero meus direitos!! Se
vocês querem batalhar vão fazer isso em outro lugar que não seja na frente do meu quarto!! —
gritou Lins.

Stanley parecia ter reconquistado todas as suas esperanças ao ver os dois membros da elite
que encontrara no dia anterior, ainda mais pelo fato dos ladrões pareceram assustados por um
momento ao deparar-se com aqueles estranhos homens.
— Senhor Lins e Senhor Kyle!! Vocês precisam nos ajudar, os bandidos invadiram o
hotel e agora estão fazendo as pessoas de refém na entrada! Vocês precisam fazer alguma coisa!!
— disse Stanley.
— Ah, que se dane as vítimas... Tô no meu dia de folga e não quero ficar salvando gente
que eu nem conheço... — continuou Lins.
— Espera aí cara, podem ter lindas damas em perigo lá embaixo, acho que a gente podia
descer e se divertir um pouco, será que o Allen e o Ike iriam ficar bravos se a gente destruísse
metade do hotel? — comentou Kyle pensativo, como se para ele não fizesse diferença estar ao
lado de três ladrões.
280

— É que eu não tô afim, agora que vocês me falaram o que está acontecendo eu fiquei
mais tranquilo e já posso voltar pro meu quarto e continuar minha sessão de filmes... Boa noite,
crianças. Divirtam-se no hotel. — disse Lins, retornando para seu quarto e fechando a porta.
Os ladrões agora lançaram um olhar intimidador para os jovens e em seguida riram de
forma cínica.
— Viram só? Até um membro da Elite dos 4 conhece a verdadeira força do Team
Rocket! — disse o ladrão.
Kyle entrou imediatamente na frente dos jovens e encarou os ladrões com severidade. Seu
olhar agora era diferente, ele sacou uma simples pokébola de seu bolso e apontou na direção dos
ladrões que se intimidaram só de encará-lo.
— Vocês vão ficar longe dessas duas princesas. — disse Kyle.
— Você acha que só você consegue vencer nós três juntos? Isso é impossível, nem como
membro da elite você seria capaz de tal feito!
— Depois dessa cheguei à conclusão de que vocês realmente não fazem ideia do que
representa um cargo na Liga Pokémon. — comentou Kyle — Escutem aqui crianças, quero que
retornem para seus quartos e fiquem lá, as coisas parecem estar ficando perigosas por aqui, então
apenas fiquem escondidos e não façam nada. — alertou Kyle.
Dawn, Vivian e Stanley rapidamente agradeceram e retornaram para o corredor em busca
da escadarias de cima. Kyle continuou a fitar inflexível os ladrões que agora o encaravam com um
ar de vitória. Lins que estava no quarto agora retornara balançando uma única Net Ball em suas
mãos. O rapaz olhou para Kyle ao seu lado e riu de modo descontraído.
— Os filmes ficam para depois. Você acha que eu iria perder a oportunidade de acabar
com um hotel de luxo? Tô pronto pra começar
a batalha. — disse Lins.
— Isso é bom, Ondinha, mas sabe que
eu não vou deixar você destruir muito esse hotel
que nem é nosso. O Allen iria ficar uma fera.
— sorriu Kyle — Chega de papo. Vamos
acabar com esses otários só pra aquecer, odeio
quem tem falta de educação para com as
mulheres. Charizard, eu escolho você.
— Starmie, vá!


281


Os jovens continuavam a caminhar com cautela, a cada corredor pareciam surgir mais e
mais membros dos Rockets na ativa de modo que eles tivessem que ser cuidadosos. Ao alcançar o
quinta andar eles encontraram cerca de sete ladrões no local, que rapidamente se deram conta dos
jovens que corriam. Eles precisavam despistá-los de algum modo, e por isso cada um correu para
um lado na tentativa de fuga.
— A gente se encontra no quarto pessoal, não sejam pegos!! — gritou Stanley.
O grupo se separou, assim como os ladrões. Vivian continuou correndo, mas suas pernas
pareciam já não aguentar. Ela procurava por algum local onde pudesse esconder-se, pois os
ladrões corriam bem mais rápido que a garota. Vivian viu de relance uma porta aberta e entrou
sem pensar duas vezes, não levando em conta o fato de que lá dentro os ladrões poderiam cercá-la
e capturá-la. Vivian entrou no local e procurou por algum lugar onde pudesse esconder-se, ela
pulou para trás de um sofá e lá permaneceu tentando abafar o som de sua voz com as mãos. Os
ladrões entraram com um sorriso malicioso em seu rosto.
— Onde vocês escondeu-se, garotinha? Cedo ou tarde nós vamos te achar. — disse um
dos homens, percebendo logo de cara que ela estava atrás do sofá. Uma fina lágrima escorreu do
rosto da garota que rezava para que não fosse encontrada, quando de repente, um garoto saiu do
banheiro vestindo um pijama totalmente branco, assim como seus cabelos.
— Eu não pedi nenhuma assistência. Poderiam retirar-se de meus aposentos? —
perguntou o garoto de forma educada.
Os ladrões riram e encaram o jovem, ele não parecia ter mais do que dezesseis anos. O
ladrão deu um rápido chute em direção do garoto que inexplicavelmente desapareceu. Os
bandidos ficaram pálidos ao perceber que o garoto agora estava logo atrás deles. Os olhos
vermelhos daquele jovem pareceram ficar evidentes com a escuridão, eram sinistros como o olhar
ameaçador de um Gengar, a ponto de deixar os dois
ladrões pasmos de medo.
— Agora vocês estão em meu domínio, e
serão para sempre amaldiçoados com a maldição
negra. — disse o garoto, sendo acompanhado por um
Pokémon fantasma que jazia logo atrás de si.
Uma sombra fantasmagórica surgiu por entre
o véu da cortina que dançava com o passar do vento,
um par de olhos penetrantes e ameaçadores eram
completados com um sorriso sarcástico.
282


O Pokémon fitou os ladrões que o observavam atônito, por um momento eles tiveram a
impressão de ver um prego atravessando a cabeça da criatura. Eles ficaram amedrontados e
gritaram de medo, saindo do quarto no mesmo instante. Era um ataque conhecido como Curse,
uma técnica antiga usada especialmente por pokémons fantasmas que lançavam uma maldição
sobre as criaturas que viam aqueles golpe aterrorizante que permanecia em suas mentes causando
um medo abismal.
Vivian levantou-se de trás do sofá e percebeu que tratava-se de Mark, o pequeno garoto
que encontrara em frente ao casino no dia anterior. O garoto era um pouco mais alto que Vivian
e agora carregava um humilde sorriso em sua face, nem parecia que a poucos segundos ele havia se
deparado com perigosos bandidos de uma facção criminosa.
— Você é a garota do casino, não é? Lembra-se de mim? — perguntou Mark
amigavelmente.
— C-Claro que lembro! Mas nossa, como é que você fez aqueles ladrões saírem
correndo? Tipo assim, eles desaparecem sem você sequer se mexer!!
— Heh, heh, heh... eu não faço idéia. Até parece que eles viram um fantasma! — brincou
Mark.
Vivian inclinou levemente sua cabeça parecendo não notar a presença de nada no quarto,
sendo que o grandioso Gengar continuava com seu sorriso cínico logo atrás da garota.
— Muito obrigada pela ajuda, acho que você salvou minha vida. — disse Vivian — E
me desculpa por ter entrado aqui do nada, eu estava assustada...
— O que está acontecendo lá fora? — perguntou Mark.
— Uma equipe criminosa invadiu o hotel essa noite, então eles estavam atrás de mim.
— Eu diria que eram os Galactics, mas me surpreendi ao ver que os bandidos tinham um
uniforme diferente, e por sinal, eles vestiam um símbolo muito conhecido. São membros
do Team Rocket. — concluiu Mark — Senhorita, sugiro que retorne para seus aposentos e evite
deparar-se com esses ladrões, eles são muito perigosos. Pode assegurar-se de que estará segura,
pois terei meus Pokémons acompanhado-a até seu quarto.
— Eita, eu nem sei como agradecer!! Tipo, eu nunca encontrei com alguém tão
importante que nem você, daí eu nem sei direito o que falar e... Nossa, estou tão nervosa que nem
estou conseguindo falar direito!
— Fique tranquila, mas agora acho melhor eu sair e ajudar os visitantes do hotel! Tenho
certeza que o Lins e Kyle estão causando uma baderna, então preciso evitar que mais prejuízos
283

sejam causados ao imóvel. Peço-lhe licença, senhorita. — despediu-se Mark, vestindo uma camisa
branca e rapidamente correndo para fora dos corredores.
Vivian parou e observou-o um por instante enquanto apoiava-se no batente da porta, ao
vê-lo de longe ele parecia apenas uma criança preocupada, mas ela sabia que Mark era na verdade
um treinador com um imenso potencial.

• • •

Dawn corria com dificuldade, os criminosos pareciam
não estar mais atrás dela, mas ela precisava chegar ao seu quarto
para pegar seus pokémons e certificar-se de que Luke e Lukas
estavam bem. Ao deparar-se com o corredor desejado, havia um
único homem caminhando no local. Era evidente que ele era
diferente que os demais bandidos, pois ele vestia um uniforme
adornado em partes douradas e vestia uma boina completamente
diferente dos demais. A calma com que ele caminhava deixava
Dawn aflita, era como alguém que aguardava pacientemente a
chegada de uma pessoa desejada.
Dawn sentia que já havia visto aquele homem em algum
outro lugar. Quando ele virou-se, Dawn deu um grito de susto
que chamou sua atenção. Definitivamente era ele quem ela havia
visto no incêndio na rota 202, assim como na cidade de Eterna,
batalhando com a Comandante Mars.
— Ora essa. Uma garotinha indefesa acordada à essa
hora? — disse o homem.
— Quem é você? — perguntou Dawn, caminhando para trás na medida que ele se
aproximava.
— Não lembra-se de mim? Bom, eu lembro perfeitamente de você. Nunca esqueço esse
rostinho belo de inocência. Eu estava no incêndio da rota 202, e você estava lá comigo. — disse
ele — Meu nome é Proton, executivo dos Rockets.
— Então você foi o causador daquele incêndio?! — perguntou incrédula, vendo o
homem agora aproximar-se cada vez mais.
284

— O incêndio foi irrelevante, nem há motivo para você parecer tão brava. Já fiz coisas
muito piores. Muito piores. — disse ele, seguido de uma risada.
Dawn continuou afastando-se até o momento em que sentiu suas costas encostaram na
porta de um dos quartos. Ela não tinha saída, por um momento tentou distanciar-se, mas Proton
segurou-a pela blusa e empurrou-a de modo que ela caísse no chão. Proton agora a fitava com um
olhar sério, a blusa da garota jazia em suas mãos, de seu bolso ele retirou uma faca e rasgou-a ao
meio.
— Você já viu demais garota, e sei que está envolvida com aquele detetive idiota do
“Observador”. Vamos fingir que você nunca teve essa conversa. — disse ele, apontando a faca em
direção da garota.

Dawn ficou pasma, mas antes que o bandido pudesse fazer qualquer coisa a porta em
que ele estava apoiada abriu-se, fazendo com que a garota caísse nos braços um homem. O rapaz
usava óculos, e estava só de calças, fazendo com que Dawn pudesse sentir claramente seus
músculos bem definidos. O homem encarou Proton com severidade e em seguida tornou a falar
de forma educada:
— Guarde esta faca. São proibidos objetos cortantes no hotel. — disse ele.
— Ora essa, e quem seria você para dar lição de moral em mim? Será que você não se
tocou por que eu tenho uma faca em minhas mãos? — debochou Proton, mas o homem não
mudou sua feição.
— Vou pedir só mais uma vez. Guarde esta faca.
Proton sentiu-se humilhado neste instante e rapidamente avançou em direção do homem
que empurrou Dawn para dentro do quarto e segurou o braço do bandido de modo que ele fosse
imobilizado. A faca agora jazia caída ao longe no chão, Proton estava caído sem conseguir mover-
se. O homem levantou-se e arrumou seus óculos.
— Tenha respeito quando fala com um dos membros da Elite
dos 4. Eu sou Allen, também investigo as ações das facções criminosas
em Sinnoh e cheguei à conclusão de que os Rockets estão causando
sérios problemas para a Liga. — disse Allen.
Allen encarou o homem e lançou uma pokébola em sua direção,
de dentro da cápsula saiu um Claydol, que manteve seus milhares de
olhos fixados no inimigo.


285

— Claydol, volte para o saguão principal do hotel e entregue este homem para a polícia,
ela já deve ter mantido controle do salão principal após os alarmes soarem. — disse Allen —
Seus dias estão contados, executivo Proton.
O Pokémon pareceu dominar o bandido com alguma magia, a criatura de argila guiou o
impostor lentamente pelos corredores de forma que Proton nem tivesse como revidar. Allen
arrumou seus óculos novamente e em seguida andou em direção de Dawn que jazia caída no chão
de seu quarto. Ele ajudou-a levantar-se e encarou a garota com um semblante sério.
— Tome mais cuidado da próxima vez mocinha, os membros da Equipe Rocket vêm
tornando-se cada vez mais perigosos. — disse Allen.
— Senhor Allen, você salvou minha vida novamente! Devo ao senhor minha vida!—
afirmou ela fascinada.
O homem não respondeu, ele apenas vestiu uma camiseta e um blusão negro, na
sequência saindo de seu quarto e deixando Dawn sozinha. Allen mais uma vez arrumou seus
óculos e continuou descendo os corredores do hotel, Dawn parecia ainda não compreender o
pensamento daquele estranho homem, mas a cada encontro ela sentia mais profundamente que
deveria agradecê-lo.

Allen caminhava lentamente pelos corredores do hotel, ele caminhava com firmeza em
direção do casino, e ao chegar, deparou-se com um único homem sentado em um banco enquanto
bebia um drink. Ao seu lado jazia um pequeno Beldum que parecia servir a bebida. O homem
estava só de calça e não vestia nenhuma camisa, ele parecia ter acabado de acordar com todo o
barulho e euforia que o hotel estava, ao seu lado jazia um cinzeiro com vários cigarros apagados.



286

Allen aproximou-se do homem e retirou mais um cigarro de sua mão, apagando-o na
sequência. O rapaz não teve reação e apenas acendeu outro de modo indiferente. Allen riu e
sentou-se ao seu lado, parando por um momento para observar as diversas bebidas que eram
expostas nas prateleiras do casino.
— Pare de fumar Ike, um dia isso ainda vai te matar.
— Sou feito de ferro. — respondeu o homem com o cigarro na mão.
— O fogo é um dos poucos elementos fortes contra os pokémons metálicos, e até
mesmo você possui suas fraquezas, agora apague isso. — continuou Allen, pegando novamente o
cigarro da mão do homem e o apagando.
Allen virou seu banco e apoiou seus braços no balcão.
— Onde estava a noite toda, Ike? O hotel estava uma zona e você nem para ajudar.
— Eu estava dormindo. — riu ele, bebendo um pouco de seu drink — O que eu perdi?
— Para falar a verdade, não perdeu absolutamente nada. — disse Allen, levantando-se
da mesa do bar e preparando-se para sair do casino.
— Só para avisar, a Elite se disponibilizará para pagar todos os prejuízos causados no
hotel. Então, as contas serão todas mandadas para sua cobrança.
— Bom. — disse Ike indiferente.
— Apareça na reunião da Elite dos 4 daqui há dois dias, você tem faltado muito
ultimamente.
— Adoro esse nome. Elite dos quatro, com cinco membros. — riu Ike em um tom de
deboche — Não se preocupe Allen, estarei presente como sempre faço, a única diferença é que
nossas reuniões nunca terminam em nada. E por isso eu tenho um ótimo companheiro como
você.
— E a propósito, vista uma camiseta.
Ike apenas continuou sentado no bar, ele retirou uma nova caixa de cigarros de seu bolso
e acendeu, mas no mesmo instante o pequeno Beldum ao seu lado apagou o cigarro, o que fez o
homem olhá-lo e dar um sorriso na sequência.
— Você tem razão, ela ficaria triste em saber que eu estou fumando... Eu vou parar,
por ela.

Todos os criminosos já estavam sendo presos no hotel, a polícia havia chegado após os
alarmes terem sido acionados, e as vítimas no salão principal pouco a pouco começavam a serem
libertadas sem maiores sequelas. Kyle e Lins jaziam sentados em um longo sofá do salão
287

principal, o loiro estava deitado enquanto seu companheiro jazia apoiado em uma parede com
suas mãos em seus bolsos.
— Cabeça de Fogo, que horas são? — perguntou Lins.
— São exatas cinco e quarenta e três da manhã. Demorou duas horas para que a polícia
conseguisse manter controle do local. Acha que foi um recorde de demora? — disse Kyle.
— Cinco e quarenta?? Que droga, já devem ter acabado meus filmes... — riu Lins —
Mas valeu a pena, foi divertido sair por aí quebrando tudo. Tudo bem que aqueles ladrões nem
deram pro cheiro, mas fazia um tempão que eu não me divertia!
Enquanto os dois membros da Elite aguardavam a manutenção do controle no hotel,
pouco a pouco os demais integrantes começavam a surgir. Mark logo desceu as escadas na
companhia de Allen, de forma que agora os quatro integrantes da Liga estivessem presentes.
— Digam-me, de quem foi a brilhante ideia de destruir praticamente o segundo andar
inteiro? Vocês sabem que somos os responsáveis por tudo que acontece em Sinnoh, e todos os
prejuízos serão aplicados em nosso salário. — afirmou Allen.
— Olha ae, Cabeça de Fogo, Ninguém mandou começar a batalhar e sair por destruindo
tudo!!
— Eu?! Lins, seu mentiroso, essa ideia foi sua!! — respondeu Kyle.
— Só para constar, mas eu já sabia que eram os dois. — riu Allen.
— Foi mal ae chefia, é que a gente se empolgou no final.
Allen e Mark aproximaram-se do sofá e ficaram na companhia dos outros dois
companheiros. Naquele momento só faltava um único integrante para que a Liga de Sinnoh
estivesse completa. Diferentemente dos outros continentes, nos últimos anos a Elite era formada
por cinco membros e um campeão, sendo assim representada pela Elite 5. Lins e Kyle batalhavam
em dupla como um único desafio, e dessa forma a Liga mantinha o protocolo de realizar quatro
batalha para os treinadores.
— Alguém viu o Ike? — perguntou Mark.
— Ele estava dormindo até agora a pouco, mas já conversei com ele sobre o ocorrido no
hotel, e ele deu risada. O Ike é extremamente irresponsável para com os assuntos da Liga, mas
ninguém aqui pode negar sua habilidade numa batalha, e por isso ele tornou-se o último desafio
antes do campeão. Espero que algum dia ele volte a interessar-se em liderar sua equipe
corretamente... — disse Allen.
Lins deitou sua cabeça no banco e suspirou de forma cansada.
288

— Ai, ai... Estou com sono agora, essa vida agitada de membro da Elite nunca me deixa
descansar... Salvamos o mundo e fim de história. Estou voltando para o meu quarto.

• • •

Marshall, que estava no quarto dos irmãos, agora fitava Lukas calmamente. O garoto
parecia finalmente ter dormido. Ele passou a mão na cabeça do menino e em seguida levantou-se.
Após pegar seu chapéu que estava apoiado em uma das mesas ele andou em direção da varanda do
quarto. Marshall observou a cidade e notou os policiais que pareciam agora já conseguir manter
controle sobre o local. Marshall pegou um pequeno pokégear do bolso de seu terno e discou o
número de um grande amigo seu, e a voz que saía do aparelho era de ninguém menos que Glenn
Combs.
— Fala carinha que mora logo ali. — disse a voz no celular.
— Onde você está, Glenn? As coisas parecem estar pegando fogo aqui no Deluxe Heart.
— riu Marshall.
— É, tô sabendo cara, daqui a pouco eu tô colando aí pra botar tudo em ordem. Mas e
aí? Encontrou os filhos do Waltão, não é? Como foi ver os garotos depois de tanto tempo?
— Eles estão grandes, mudaram bastante...
— Verdade, verdade. Ficaram grandes. — disse a voz de Glenn no celular, fazendo uma
longa pausa — Mas me diga cara, você sabe por que esses criminosos atacaram meu hotel assim
de repente?
— Ainda não sei Glenn, estou em meus dias de folga, mas pelo visto terei que mudar a
data. Até o momento não cheguei à uma conclusão concreta do motivo da invasão dos Rockets,
mas tenho minhas suposições. Não estou preocupado com isso, temos a atual elite no hotel.
Então não precisei fazer nada. — disse Marshall.
— Pô, os caras metendo bala no meu hotel e você nem pra levantar a bunda daí e colocar
as coisas em ordem??
— Heh, heh... Eu não, o hotel não é meu mesmo. — riu Marshall.
— Você não tem jeito mano... Mas demorô cara, se eu descobrir qualquer coisa eu te
ligo.
— Esse é meu trabalho, eu sou chefe da polícia e não posso tirar nem um dia férias. Bom,
deixe-me voltar ao trabalho. Espero vê-lo logo, Glenn.
— Abraço aí irmão, a gente se fala.
289




O homem desligou o celular e preparou-se para sair do quarto, mas antes dando uma
última pausa para verificar como estavam os pequenos jovens. Marshall abriu a porta e quando
caminhava lentamente pelos corredores de repente deparou-se com um único membro
dos Rockets parado. O criminoso impediu sua passagem e pediu os pertences de valor, mas
Marshall olhou para o homem de forma séria.
— Passa a grana ae tio, não vou sair daqui sem
nada. — disse o bandido.
— Com licença, mas eu estou com pressa.
Marshall não poupou tempo, e logo na sequência
lançou um grandioso Tyranitar. A criatura tinha uma
armadura concreta e andava sobre duas patas, seu corpo
inteiro era marcado por cicatrizes e em sua cabeça os
espinhos demonstravam claramente o sinal de sua
força. O dragão de pedra intimidou seu oponente sem
precisar fazer sequer um som, pois ainda as crianças ainda
dormiam em seus quartos. O criminoso saiu correndo no
mesmo instante, e como uma sombra, aquele feito não
passou de um sussurro.

Marshall retornou seu pokémon e continuou caminhando. Ao chegar no salão principal
tudo parecia estar sob controle, os dois executivos do Rockets pareciam estar presos, mas por
algum motivo eles tinham um sorriso de vitória em seu rosto.
290

— Oh, vocês nos capturaram!! Fantástico, fantástico. A polícia de Sinnoh é realmente a
melhor, conseguiu prender os dois melhores membros da equipe Rocket!! — disse Petrel de
modo cínico.
— Qual é, pensam que ganharam? Só pra vocês verem como a justiça é falha, essa
segurança em Sinnoh realmente me decepciona... — resmungou Proton, sendo levado por dois
policiais enquanto encarava Marshall friamente de longe — Nos encontraremos em breve,
Doutor.
Marshall refletiu e no momento que ouvia o homem sendo preso pareceu entender
perfeitamente o motivo daquela invasão, ele pegou seu pokégear e rapidamente mandou uma
mensagem para Glenn.

“Era uma armadilha.
Os Rockets atacaram algum outro lugar,
mas ainda estou tentando descobrir aonde.
O hotel era uma distração.
By: Marshall.”

O homem apenas saiu do hotel sem que ninguém notasse sua presença, como uma
sombra ele havia entrado, e da mesma forma tornou a sair. Marshall continuou seguindo pelas
ruas ainda escuras de Hearthome com as mãos em seu bolso. O plano dos Rockets era concentrar
todas as atenções em um lugar para em seguida atacar outro, o verdadeiro alvo deles ainda não
havia sido descoberto, mas quando a resposta viesse à tona todos realmente perceberiam a
gravidade do roubo. Os Rockets eram mais inteligentes do que aparentavam.
O dia agora se iniciava, Lukas espreguiçou-se e encontrou Luke revirado no sofá do
quarto, e por incrivel que parecesse, sua coberta estava intacta em seu corpo, e não largada no
chão como sempre. O garoto estranhou a falta de Stanley no quarto, mas não ligou por um
momento. Ele andou até a uma das sacadas e abriu a janela. Quando o garoto avistou a cidade, no
mesmo momento ele lembrou-se da noite passada em que sonhara com Marshall. Lukas não sabia
se tudo passara de um sonho ou se o homem realmente estivera lá na noite passada.
Lukas refletiu por um instante, mas foi interrompido quando virou-se e se deparou com
Stanley entrando no quarto com uma feição de quem não dormira nem um segundo. Stanley
deitou-se na cama no mesmo e dormiu no mesmo instante, o que fez Lukas dar uma leve risada.
— Heh, heh, heh... O que houve, Stan? Você ficou a noite toda aproveitando no hotel?
— perguntou Lukas, mas sem resposta.
291

O garoto apenas continuou observando o céu que nascia em Hearthome. Nenhum dos
dois irmãos fazia ideia da batalha que fora travada no hotel naquela noite. Porém, agora haviam
problema maiores a serem resolvidos. Todos tentavam entender o motivo da invasão, uma vez
que eles não haviam roubado nada de muito valor, um mistério que agora apenas Marshall
poderia decifrar. E como uma sombra, o homem havia desaparecido entre as
ruas movimentadas da cidade.

A invasão do Hotel Deluxe Heart assustou nossos jovens aventureiros, mas com a ajuda
da Elite eles puderam manter tudo sobre controle de modo que ninguém saísse ferido. Os jovens
irmãos nem sequer faziam ideia do que acontecera naquela noite, e o encontro com o misterioso
Marshall parecia ter sido muito mais real do que um simples sonho. Cada personagem tem uma
história em Sinnoh, e com toda certeza o passado de muitos ainda permanece em segredo. Sua
estadia no Deluxe Heart ainda irá proporcionar-lhes diversas aventuras...


Acompanhe o Fire Tales 5 – Pokémon Amigo Secreto

Procure pelo nosso e-book dos Fire Tales e confira o episódio FT 5 deste especial! Enquanto a
História Central progride, você pode acompanhar também a rotina dos Pokémons com essa
leitura! Este é um dos Especiais de maior sucesso no blog!












292

CAPÍTULO 22

A Segunda Competição e o Corvo da Noite

Um belo dia parecia tomar forma na cidade de Hearthome, os fracos raios de sol eram
refletidos pelos vidros dos hóteis que enfeitavam as ruas da metrópole; todas as construções eram
feitas do mesmo material, a cidade havia sido planejada em cada pequeno detalhe, e por isso era
considerada como uma das mais belas do continente.
Do quarto dos jovens era possível ver o parque Amity Square, Lukas estava ansioso para
poder passear no local com seus pokémons, mas no momento o que realmente lhe interessava era
a construção onde seria realizada a próxima competição, o Contest Hall, onde eram realizadas os
shows mais importantes de Sinnoh. Lukas estava na varanda observando a cidade enquanto seus
companheiros continuavam adormecidos; uma leve brisa entrava no quarto que fazia com que as
longas cortinas balançassem suavemente ao toque do vento.
Luke acordou sonolento do sofá, o garoto levantou-se esfregando seus olhos e pareceu
admirado ao perceber que não sentira frio durante a noite, vendo o cobertor perfeitamente sobre
si, o que era algo realmente surpreendente. Luke levantou-se e caminhou em direção da varanda
onde seu irmão encontrava-se, o garoto parecia confuso ao perceber que todos continuavam
dormindo e ele havia sido um dos primeiros a acordar. Lukas apoiou-se sobre o corrimão e soltou
um longo suspiro de satisfação:
— Que dia lindo. Eu adoro essa cidade.
— Cara, que horas são? Tá todo mundo dormindo ainda. — perguntou Luke, apoiando-
se ao lado do irmão.
— São dez e quarenta e três da manhã. Parece que todos tiveram uma noite bem agitada
ontem, provavelmente ficaram se divertindo no hotel enquanto descansávamos. — sorriu Lukas.
— Droga, e eles nem me chamaram... — suspirou Luke, esticando o pé e espreguiçando-
se — E ae, o que pretende fazer hoje, pivete? Vai participar da competição da cidade?
— Vou sim, eu e a Vivian. Porém, vamos entrar em categorias diferentes para que cada
um tenha mais chances de ganhar suas fitas. E quanto a você? Vai enfrentar a Fantina, não é? É
melhor começar a preparar-se para o desafio, se ela for tão boa em batalhas quanto é em contests,
você terá problemas.
— Fantina...? Cara, essa mulher me dá medo. — riu Luke.
293

Lukas deu uma leve risada tornando a observar a paisagem na sequência. Luke caminhou
um pouco pelo quarto e não poupou risadas maléficas ao ver Stanley dormindo, aquela seria uma
ótima hora para tramar algo contra o parceiro, e após colocar um pouco de chantilly em uma de
suas mãos, saiu do quarto com o ar de "vitória".
— Bom, deixa eu ir pro banheiro agora, tem um monte de coisa dahora que eu ainda
quero fazer nessa cidade, então vou aproveitar o meu dia já que eu acordei cedo!

Luke caminhou até o banheiro do quarto e abriu lentamente a porta. Qual foi sua
surpresa ao levantar seu olhar e deparar-se com Dawn enrolada em uma toalha preparando-se
para tomar seu banho. A garota ficou estática ao ver o rapaz do outro lado. Luke arregalou os
olhos ao perceber a cena, os dois se encararam parecendo ainda não terem se tocado no que
acontecera, até que Dawn soltou um grito.
— COMO VOCÊ ENTROU AQUI??
— Como assim?! A porta tava aberta!! — afirmou o garoto.
— Batesse antes, seu desgraçado!! Eu ainda não estou acostumada com um banheiro desse
tamanho e morei sozinha minha vida inteira!! AGORA SOME DAQUI!!
Lukas saiu da varanda e deparou-se com seu irmão caído no chão, dando uma leve risada
na sequência.
— Parece que nossa estadia nesse hotel vai ser bem conturbada. — riu o garoto.
— Esse tipo de coisa só acontece comigo...
Luke levantou-se e então ligou a TV, o barulho parecia ter acordado Stanley que naquele
momento não estava nem um pouco animado. O loiro passou a mão em seu rosto tentando
esconder-se dos raios do sol, mas teve uma pequena surpresa ao perceber como seu rosto estava.
Ele levantou-se e caminhou até a sala do hotel, Luke virou e se deparou com o garoto encarando-
o com um olhar sombrio, provavelmente irritadíssimo por ter sua cara manchada com chantilly.
— Opa, acordou meu velho? — perguntou Luke na ironia.
Stanley não respondeu, e em seguida apontou para a própria face coberta por chantilly.
— Que porra é essa?
— Bom, tem gente que chama de rosto, mas no seu caso a gente pode falar "coisa feia"
ou "Wobbuffet".
Stanley virou-se sem dizer nada, e antes de entrar no banheiro apontou mais uma vez para
Luke como se o intimidasse.
— Eu vou tomar banho, e quando eu voltar vou acabar com a sua cara.
294

Stanley estava claramente irritado com o ocorrido, enquanto Luke não poupava as risadas
ao ver seu amigo coberto de chantilly. O loiro caminhou em direção do banheiro, e quando Lukas
viu seu companheiro aproximar-se soltou um leve um comentário:
— A Dawn não está tomando banho lá?
— Shhh... Só se liga nessa cena...
Stanley abriu a porta e logo pôde ser ouvido outro grito capaz de acordar o hotel inteiro,
Dawn rapidamente chutou-o para fora, o que fez Luke cair na risada novamente.
— Será que a primeira vez já não serviu de exemplo para que ela trancasse a porta? —
sorriu Lukas.

Lukas era o único capaz de segurar Stanley de modo que o o loiro não matasse seu
irmão. Alguns minutos se passaram até que tudo fosse colocado sobre controle, Stanley entrou no
banheiro depois de horas que as duas garotas finalmente terminaram seu banho. O loiro escovava
seus dentes enquanto Lukas descansava na varanda ao lado de Vivian que também apreciava a
cidade.
Luke já começava a ficar entediado no quarto enquanto esperava seus amigos para que
todos pudessem partir em direção do Contest Hall. O garoto procurava algo para comer
no frigobar quando levantou seu olhar e deparou-se com um pequeno pokémon dentro do
quarto, por um momento ele pareceu estranhar a presença da criatura, até que perceberu que o
Pokémon jazia em cima de um ovo pokémon. Era um Murkrow, um pokémon corvo. Luke
arregalou seus olhos e soltou um grito ao ver a ave, rapidamente jogando uma garrafa de vidro na
criatura que levantou voo no mesmo instante.
— Você é louco? O que está fazendo?! — gritou Dawn.
— Tem uns bicho aqui dentro mano!! — retrucou Luke.
— Mas precisava jogar uma garrafa que nem louco na criatura?? É só um Murkrow!!
Stanley saiu correndo do banheiro quando ouviu o barulho da garrafa sendo quebrada, os
dois rapazes procuravam pelo Pokémon por toda parte quando puderam ver o corvo em cima da
estante com um ovo ao seu lado. Para os dois, o Murkrow estava claramente tentando roubar o
ovo que Lukas ganhara, mas ninguém estava disposto a deixar a ave levá-lo embora.
— Lukas, esse Murkrow pegou seu ovo!! — gritou Luke, apontando para o pokémon
que continuava parado na estante.
Lukas correu em direção de seu quarto e notou que o pequeno ovo pokémon continuava
guardado com cuidado ao lado de sua mochila, logo, agora pareciam haver dois ovos no quarto.
— Esse ovo pokémon não é meu, o que eu ganhei está guardado. — afirmou o garoto.
295


Os jovens observaram o Pokémon novamente que com um rápido voo carregou o ovo até
o meio da sala, apoiando-se sobre a mesinha central. Lukas aproximou-se do corvo e pôde notar
um pequeno envelope amarrado em seu pescoço.
— Corvo trás azar, esse bicho é que nem Pidgey em cidade, é tipo uma praga. Espanta
esse Murkrow daqui, cara! Ele vai roubar o ovo que você ganhou. — disse Luke, tentando
espantar o pokémon que teimava em não deixar que o garoto tocasse no objeto que carregava.
Dawn pareceu pensativa por um momento.
— Você acha que esse ovo pertence ao Murkrow?
— Talvez, levando em conta que ele não deixa ninguém tocá-lo. — disse Stanley.
Lukas aproximou-se lentamente em direção do Murkrow selvagem que milagrosamente
deixou ser tocado. O garoto segurou o envelope que estava preso ao pescoço da ave e o abriu,
revelando uma pequena carta de coloração negra com um carimbo de cor dourada. Aquele
símbolo lhe era muito familiar, de modo que Lukas percebesse imediatamente de quem se tratava.
— Esse carimbo pertence ao Tio Marshall. — afirmou ele.
— Tio Marshall? Quando ele esteve aqui? — perguntou Luke pensativo.
— E-Eu sonhei que ele estava aqui ontem, mas será que isso realmente aconteceu? —
perguntou Lukas confuso.
— Agora que vocês mencionaram, entrou um cara no nosso quarto ontem, mas daí
aconteceu um monte de coisa louca no hotel que eu nem pude ver direito quem era. Ele era tio de
vocês? — perguntou Stanley de longe, enquanto escovava seus dentes no banheiro.
— Não exatamente, ele é nosso tio de criação, mas não diretamente de sangue. Ele era
membro da Elite dos 4, e cuidava da gente quando éramos
pequenos. — disse Lukas, observando agora o ovo pokémon em
sua frente.
Lukas segurou a carta em sua mão e leu a seguinte
mensagem:

“À você, minha criança, um Pokémon que eu
sempre soube que você adora. Cuide bem dele.
Estarei sempre protegendo-os de qualquer perigo,

Marshall.”

296


Lukas guardou a carta e encarou o ovo. Levando em conta que os pokémons utilizados
por Marshall eram do tipo Dark, provavelmente aquele Murkrow pertencia à ele. Luke estava
louco para capturar o corvo, desde sua estadia em Eterna ele dizia querer ter um daqueles, mas
Lukas o impedia de qualquer movimento. Assim que Lukas pegou o ovo em suas mãos o
Murkrow voou para fora da janela e desapareceu em meio à cidade.
— Lukas-kun, agora você tem dois ovos pokémon para cuidar!! — disse Vivian animada.
— Caramba, você deve ter cara de mãe, porque todo mundo acaba te dando um ovo
pokémon. — brincou o irmão.
— Não tem problema, eu gosto de cuidar de pokémons filhotes. E não se preocupe
Luke, eu te empresto por alguns minutos o meu Salamance, e o meu Dragonite que vão nascer
desses ovos.
— M-Maldito... Eu ainda roubo esses ovos pokémons pra mim.

Lukas agora tinha dois ovos sobre seus cuidados, embora ainda não tivesse certeza do que
poderia vir. Luke tinha esperanças de vir um Pokémon poderoso para que ele também pudesse
usar em uma batalha, mas seu irmão conhecia Marshall perfeitamente, e já fazia ideia do
Pokémon que poderia nascer.
Os jovens terminaram de se arrumar e então desceram até o salão principal do hotel,
Luke e Lukas ainda não faziam idéia do que tinha acontecera até que chegaram na recepção e
depararam-se com todos os vidros quebrados e policiais em frente. O movimento havia
diminuído muito, de modo que os jovens fossem um dos poucos hóspedes presentes no local.
— Caraca, teve uma guerra aqui? O hotel não estava destruído desse jeito quando nós
chegamos ontem, aconteceu alguma coisa? — perguntou Luke.
— Para ser mais exato, os Rockets invadiram o hotel e fizeram os hóspedes de refém
ontem à noite, mas por sorte o grupo foi preso e não causará mais problemas. Acho que esse
acontecimento acabou um pouco com a reputação do hotel, — disse Stanley.
— Então é por isso que vocês foram dormir tão tarde? Por quê não nos acordaram? Nós
poderíamos ter ajudado.
— Não se preocupe, Lukas-kun. Tivemos uma grande ajuda de profissionais. — disse
Vivian, apontando para um homem que parecia estar tentando ajudar na organização do prédio.
— Woaah!! Aquele é o Allen, da Elite dos 4!! Ele também está aqui? Por um acaso todos
oe membros da elite estão aqui?? — perguntou Luke.
— Acho que sim. — sorriu Stanley encarecidamente.
297


Dawn encarou o homem e lembrou-se do ocorrido na noite passada, até agora ela não
tivera a oportunidade de agradecê-lo formalmente, logo, ela rapidamente andou em sua direção e
tocou em seu braço de forma leve.
— Senhor Allen... — disse ela.
O homem virou e deparou-se com a garota, seu olhar estava indiferente, mas no
momento que a via ele deu uma leve risada como se lembrasse das enrascadas que ela sempre se
metia.
— Cuidado com os estilhaços de vidro, pode machucar seus pés se ficar andando por
aqui com sapatilhas. — respondeu o homem, ajeitando seus óculos com um sorriso estampado
em seu rosto.
— Senhor Allen, eu gostaria de agradêce-lo pela ajuda ontem, e também por aquela vez
do perfume. Se o senhor não tivesse aparecido poderia ter acontecido o pior. — sorriu Dawn.
— Tome mais cuidado da próxima vez, acredito que a senhorita esteja fadada a estar no
meio de encrencas. — respondeu ele — Dawn Manson, não é?
— Sou eu, sim.
— Agente D.? — perguntou Allen.
Dawn arregalou seus olhos quando o homem disse tal nome. Por um momento ela
pareceu nem sequer lembrar de onde aquele nome surgira, mas por fim, percebeu claramente que a
única pessoa que a chamava daquele modo era o Observador.
— Então quer dizer que o Senhor Allen é na verdade o Observador...? Nossa, o Senhor
está tão diferente. Está mais novo, mais alto, e forte...
— Claro que não, você acha que eu tenho cara de detetive? Estou dizendo isso porque o
Observador era o meu amigo. — explicou Allen — Mas eu não tenho relações com a Polícia
Internacional, eu estava apenas ajudando um amigo. Você devia o conhecer como Observador, ele
investigava o Team Galactic.
— Sim, eu o conhecia. Ele me chamava de Agente D., por isso fiquei surpresa quando
ouvi o senhor proferir tal codinome. — respondeu Dawn;
— O Observador foi envolvido em um tiroteio há quatro dias, ele estava investigando
os Galactic quando em uma missão percebeu que o verdadeiro inimigo tratavam-se dos Rockets.
Por este motivo estive com os olhos fixados na senhorita, receio que você tenha tornado-se um
alvo dos Rockets agora. — disse Allen.
— M-Mas o Observador está bem?! — perguntou ela assustada.
298

— Foi internado no hospital, mas passa bem. Você estará sendo sua substituta, Agente
D. ou melhor, Observadora NeoSeeker.
— Como assim? Está dizendo que eu sou uma detetive agora?!
— Continue seguindo seu caminho e tome conta de seus companheiros. Os amigos são
seu maior tesouro. Os Galactics estão de seu lado, então tome cuidado com os Rockets, eles são
os verdadeiros vilões, creio que você esteja na mira desses canalhas por pertencer à investigação da
Polícia Internacional.
Dawn ficou sem saber o que responder por um tempo, era como se todos os homens
estranhos tivessem algum fetiche por ela. Por um momento Allen era um membro um
desconhecido da Elite dos 4, e agora revelava-se como um detetive independente nas horas vagas.
— ...E principalmente, não se esqueça, sua identidade é confidencial. É melhor evitar
chamar muita atenção a partir de agora, Dawn Manson. Da próxima vez eu posso não estar ao seu
lado para ajudá-la. — disse Allen.
O homem afastou-se aos poucos e tornou a fazer seus afazeres. Dawn andou ao encontro
de seus amigos de modo que eles finalmente deixassem o hotel.
O dia estava apenas começando, ainda haviam muitas coisas que eles desejavam fazer.
Uma vez que o restaurante do hotel estava fechado, eles tiveram que ir em algum restaurante da
cidade para almoçar, e o escolhido era a famosa Poffin House. O local não era exatamente um
restaurante, mas servia como uma lanchonete para que treinadores e Pokémons pudessem
desfrutar de lanches saborosos. E além de tudo, os próprios clientes podiam preparar suas
receitas. Aquela era uma ótima forma de Lukas mostrar seus dotes culinários, cozinhando
diversos Poffins que pudessem usar em suas longas viagens por Sinnoh.



299

— Cara, na cozinha esse pivete comanda! É bom você guardar um monte desses pra
viagem, além dos Pokémons você também tem um grande fã dessa receita!! — elogiou o irmão.
— Lukas-kun, Lukas-kun! Você pode fazer um Sweet Poffin para mim? São os meus
preferidos! — disse Vivian.
— Claro, só peço alguns segundos para que eu possa começar uma nova forma! —
respondeu o garoto com um sorriso.
Lukas também alimentou seus pokémons para que eles estivessem prontos para o torneio,
tanto o treinador quanto as criaturas precisavam estar em harmonia de corpo e alma, e Lukas
sabia que com Poffins seriam a melhor forma de aumentar as condições de seus pokémons.
Assim que todos terminaram, o grupo preparava-se para partir em direção do torneio de
Lukas que rodaria um turno ainda naquela tarde. Vivian e Lukas estariam se inscrevendo, então
eles não poderiam atrasar para cadastrar-se na competição daquele fim de semana.
— Pessoal, eu estou pensando em ir à igreja, então depois que eu terminar eu irei ao
encontro de vocês no Contest Hall. Prometo não demorar. — disse a garota.
— Não tem problema, Dawn. Eu sei que você deve ter seus motivos para ir à igreja,
afinal, sempre é bom tirar um tempo especial para agradecer o criador. — sorriu Lukas.
— Me desculpe caso eu me atrase Lukas, mas vou correr para tentar chegar à tempo de
assistir a sua competição!
— Então eu vou acompanhá-la. — aprontou-se Stanley — Estou precisando passar
no Pokémart para comprar algumas Potions e Pokéballs novas.
— Ei, ei, ei!! Quem é que deu permissão pra você pegar do nada e sair do nada com a
minha garot... Quer dizer, sair assim de repente com a Dawn?! — resmungou Luke.
O rapaz sorriu e direcionou seu olhar para Luke.
— Vingança pelo chantilly, Lucky. — riu o garoto — Estou brincando, vou apenas
acompanhá-la.

Por um momento Dawn ficou feliz em saber que seus dois amigos importavam-se com
ela, principalmente seu amado. O grupo separou-se, e agora Luke resmungava pelo fato de ter que
ficar segurando vela em meio aos seus amigos. A cidade era bem objetiva e de fácil identificação,
logo, não demorou muito para que os jovens chegassem no Super Contest Hall.
A construção era uma das maiores da cidade, e também uma das melhores elaborados
pelos arquitetos da região com uma construção do tipo circular feita de tijolos quase que em um
tom dourado. Os contests eram extremamente reconhecidos no continente de Sinnoh e
300

especialmente na cidade de Hearthome, sendo que a líder da cidade era até mesmo mais
conhecida por sua competência nas competições do que no próprio ginásio.

Todos estavam surpresos pela beleza do local,
dentro parecia ser ainda mais bonito de modo que a
todo momento os jovens encontrassem pessoas
famosas. Em uma das paredes havia um enorme quadro
que trazia fotos dos mais renomados treinadores com
seus pokémons em temporadas passadas. Para Lukas,
seu maior sonho era poder estar presente naquele
mural.
— Vejam só, são os melhores competidores
do contest desde que foram criados no continente de Hoenn. Será que conseguimos encontrar a
mamãe aqui? — perguntou Lukas.
— Acho que sim, vocês sempre disseram que sua mãe era a melhor em apresentações
desse tipo. Qual o nome dela? — perguntou Vivian.
— Procure por ‘M’, de Melyssa.
Os três foram andando lentamente pelo corredor de quatros procurando por algum nome
conhecido, muitos haviam vindo de regiões diferentes simplesmente para competir em uma das
maiores competições do mundo. Sinnoh tinha sua reputação por ser um continente belo e
elegante, e elegância era o que não faltava para os coordenadores do mundo Pokémon.
— Brendan Crowley? Ae pivete, tem uns garotos famosos que competiam também... Lyra
Elm, Cyntia Hawking... Caramba, têm umas garotas bonitas aqui, se eu soubesse que tinha
tanta mina competindo eu iria começar a vir mais em contests. — brincou Luke.
— Aqui!! Encontrei a mamãe! — interrompeu Lukas alegremente.
Os três correram até onde o garoto indicava e puderam ver um belo quadro adornado em
ouro que estampava a foto de uma mulher morena com um grandioso Milotic, a moldura
localizava-se num patamar acima dos outros, localizando-se na área dos Top Coordenadores que
conquistaram o Grande Festival.
— Ela é realmente muito linda, Lukas-kun. — elogiou Vivian — E por isso que teve
filhos tão bonitos!
O garoto sorriu e agradeceu o elogio. Luke apenas continuou andando em volta do mural
que parecia não ter mais fim, e a um certo ponto, acabou trombando-se em uma mulher que
estava ao seu lado. Ela era alta, e por usar um longo vestido e saltos altos parecia ficar ainda
301

maior. Luke acabou dando de cara na região de seu busto, o que fez com que ele ficasse
extremamente sem graça.
— Oops, que garotinho safado! ♥ — disse a mulher.
— D-Desculpa ae tia, foi sem querer!! — retrucou Luke assustado, rapidamente
afastando-se da mulher.
A mulher que agora o observava realmente lhe era familiar, Luke sabia que já havia visto
aquele penteado peculiar e um rosto cheio de maquiagem como aquele, mas antes que pudesse
processar quem realmente era, ele foi interrompido por um grito da mulher:

— Ohh!! Emperour Luke, você veio me ver!! ♥
— F-Fantina?? — gritou ele.
— Então era você o tempo todo, chers? Oh mon, onde você está hospedado? Enfin, se eu
soubesse que você estaria chegando em minha cidade eu teria organizado tudo! Veio me ver em
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uma de minhas fantastiques apresentações? Own, estou tão feliz que você esteja aqui!! — dizia a
mulher enquanto sufocava Luke que não tinha como revidar.
— Gaaah... Me s-solta... Não consigo r-r-respirarr... — debatia-se Luke.
Fantina abraçava o garoto de forma frenética até que Lukas surgiu na presença de sua
amiga, Vivian riu com a cena, pois Luke já não tinha como revidar o ataque de beijos e abraços;
— Oh, parece que os dois fofinhos vieram à minha cidade! Que felicidade em vê-los por
aqui, mes amours. Vieram participar novamente de um torneio?
— É bom revê-la, senhorita Fantina. E você também acertou em cheio, vamos competir
na competição desse fim de semana. E você será jurada novamente? — perguntou Lukas animada.
— Chers, não desta vez. O último torneio de iniciantes que apresentei foi uma excessão,
agora retomarei meu cargo para apresentar somente os melhores. — disse Fantina vangloriando-
se — Mas imagino que vocês não sejam mais iniciantes, hoje competirão por suas segundas fitas,
no Normal Contests. Já é um passo à frente!
— É sim, muito obrigado Fantina. Vamos nos esforçar para um dia poder competir
no Master Rank e ser avaliado por você novamente! O Grande Festival nos espera. — sorriu
Lukas.
— Oh, vocês dois são lindos. Je l’aime. Bom, eu também preciso continuar os
preparativos para uma competição que estarei apresentando em breve. Emperour Luke,
você virá visitar-me em meu ginásio? ♥ — perguntou Fantina, apertando novamente o garoto em
seus peitos.
— Gaaaah... A-Ar... — resmungou Luke com dificuldades.
— Nos veremos em breve, chers! Façam logo suas inscrições de hoje antes que se
esgotem! Estamos nos auge da temporada, e quero ver você e sua amiguinha entre os melhores!
Hoh, hoh, hoh! Au revoir! — disse Fantina, em seguida entrando em uma sala.
— Vamos fazer nossas inscrições então, Vivian! — sorriu Lukas — Luke, você vai ficar
aí deitado?
— M-Me deixa respirar um pouco... Só um pouquinho... — retrucou o garoto caído no
chão.
Lukas e Vivian riram e em seguida partiram até o balcão de inscrição. Os dois
pretendiam entrar em competições diferentes para que cada um pudesse ter mais chances de
ganhar em sua categoria, mas enquanto o garoto anotava os documentos necessários para a
competição, Vivian precisava manter seus olhos abertos para as diversas mulheres que pareciam
observar Lukas a todo instante.
303

— Podemos passar na feirinha mais tarde? Pretendo comprar uma plaquinha de madeira
e pendurar em você, escrito: JÁ TEM DONO. — disse Vivian furiosa.
— O quê? Não precisa ficar brava Vivian, acho que na verdade é você quem deve ficar
muito obcecada com isso, ninguém está olhando para nós. — disse Lukas, que enquanto escrevia
nos papéis foi surpreendido por duas garotas que pareciam puxar conversa.
As duas pareciam ser mais velhas, vestiam roupas de marca e tinham longos cabelos lisos.
As duas apoiaram-se em seus joelhos e ficaram na altura de Lukas, que corou e recuou
timidamente quando avistou as mulheres.
— Você é aquele garoto que deu um show no Contest de Jubilife, não é? Eu o vi na
televisão, você fala tão bonito! — disse uma das mulheres.
— E além do mais, é um excelente coordenador! Você vai participar da competição
hoje? — perguntou a outra.
— VAI participar da competição sim, e depois disso NÓS DOIS vamos sair juntos e
andar um pouco pelo Amity Square BEM LONGE de qualquer pessoa, não é Lukas-kun? —
disse Vivian, rangendo seus dentes de raiva daquelas duas garotas.
— Hoje nós vamos competir por nossa terceira fita, então acho que acabaremos nem nos
vendo. Esperamos encontrá-lo em alguma competição logo, garotinho! Faça um verdadeiro show
e dedique-os para nós duas, tudo bem? — sorriu a mulher.
— T-Tá bem... — gaguejou o garoto.
— Ooooown, ele está com vergonha! Ele não é uma graça?
Uma aura negra parecia envolver Vivian, que arrancou Lukas a força e levou-o para bem
longe do balcão de recepção.
— Até logo, queridinho! Ele não é uma graça?
— Vamos, Senhor Lukas, você já terminou sua inscrição.
— T-Tudo bem... — concordou ele, enquanto era arrastado pelos corredores.
Vivian aproximou-se de dois sofás que haviam no salão principal e colocou o garoto
sentado no local, parecia que ele ainda estava vermelho depois do ocorrido, mas Vivian não
parecia nem um pouco satisfeita.
— Você me dá muito trabalho, Lukas-kun. Preciso estar de olho nessas Miltanks que
ficam de olho em você. Ninguém mandou ter o mesmo excesso de fofura que seu Pachirisu...
Agora eu preciso fazer a minha inscrição, mas nem pense em conversar com alguma outra garota.
Ouviu?! — intimou ela.
— Desculpa, Vivian. Eu disse que nenhuma garota vai vir aqui... Aquilo foi um acidente,
não vai acontecer de novo. — sorriu ele.
304


Vivian distanciou-se e apenas Lukas permaneceu sentado em meio ao grande salão, várias
pessoas passavam pelo local e até agora não havia nem sinal de seu irmão, que provavelmente
ainda tentava recuperar o fôlego. Lukas continuou esperando balançando lentamente suas pernas,
até que uma estranha garota sentou-se ao seu lado. Ele temeu por um momento que fosse outra
pessoa que começasse a puxar assunto, mas surpreendeu-se ao perceber que ela não parecia estar
interessada em conversar.
A garota parecia ter um estranho gosto para roupas,
ela usava um vestido negro com pequenos detalhes em branco
em um estilo conhecido como Gothic Lolita. Seu cabelo era
bem curto, negros assim como seus olhos, que pareciam sérios
e irritados com qualquer um que ousasse conversar. Lukas
estranhou por um momento, mas preferiu manter-se quieto, de
modo que nem tivesse coragem de olhar para seu lado.
Os dois ficaram em silêncio por um longo tempo
até que a garota comentou bem baixinho:
— Você tem uma namorada muito irritante... — disse
ela sem desviar seus olhos.
— Ela não é minha namorada, é só uma amiga... —
comentou Lukas sem graça, cessando a conversa naquele
instante. Nenhum dos dois pareciam gostar muito de falar,
sendo que Lukas nem mesmo conseguia fixar seus olhos em
direção da garota com medo do que Vivian poderia fazer.
— Hm... Você vai participar da competição? — perguntou ela.
— Sim. — respondeu Lukas, mantendo novamente o silêncio na sequência. Demorou
muito para que novamente alguém ousasse falar alguma coisa, mas Lukas era educado a não
deixar mulheres falando sozinhas — Você também irá participar?
— Sim. — respondeu a garota.
Era a conversa mais monótona que alguém ouvira. Lukas hesitou por um momento
quando viu Vivian aproximar-se novamente com um olhar ameaçador, ela não estava nem um
pouco satisfeita com alguém estar sentado ao lado de seu amado.
— Toma a sua inscrição. — disse a ruiva furiosa — Quem é ela?
— E-Eu não sei... Eu só perguntei se ela iria participar da competição... — comentou
Lukas.
305

— Você deve ser a garota irritante. — concluiu a garota morena, o que despertou uma
enorme raiva que já era evidente em Vivian — Meu nome é Marley.
— Prazer senhorita ninguém-perguntou, vamos sair daqui Lukas. — disse Vivian,
carregando o jovem para longe do sofá.
— Até logo, Marley... — despediu-se Lukas sem graça, acenando para a garota que
apenas acenou gentilmente ainda sem mudar a sua expressão de seriedade.

Vivian levou o garoto para fora da construção, Lukas parecia chateado com o ocorido,
mas ele não ousaria levantar a voz para Vivian, porque ainda assim ele a considerava uma grande
amiga, e desde pequeno sua mãe lhe ensinara a não responder as mulheres e a tratá-las com
respeito.
— Acho que não tinha necessidade de fazer isso, Vivian. Ela só sentou-se ao meu lado.
— Eu sei os pensamentos poluídos daquelas garotas à respeito de você, e por isso não
quero que nenhuma dessas mulheres loucas fiquem perto do seu coração puro. — respondeu
Vivian diferente — Mas tudo isso é para o seu bem, Lukas-kun. Eu só quero te proteger!
— Você consegue me proteger de si mesma?
Vivian parou no mesmo instante, a garota o encarou com um olhar surpreso, por um
momento ela desviou-se e observou o chão, Vivian mordeu seus lábios e apertou seus punhos
como quem sabia que tinha feito algo errado. Lukas não havia pensado para a resposta que dera, e
agora sua grande amiga parecia decepcionada à ponto de chorar. Ele odiava ver mulheres tristes, e
ainda mais uma amiga sua. Lukas recuou por um momento, mas em seguida segurou uma das
mãos de Vivian e desculpou-se encarecidamente:
— Desculpa Vivian, eu não queria...
— Acho que você está certo. — interrompeu ela — Eu estava sendo tão ciumenta e
ridícula esse tempo todo, isso porque somos apenas amigos... — disse ela com uma voz triste —
Não sei, talvez pelo fato de que ninguém nunca aguenta a minha presença. Todos dizem que eu
só penso em mim mesma e nunca levo em conta de que os outros têm sentimentos... Eu não sei
porque agi dessa forma, me desculpe.
— Vivian, eu...
Vivian colocou sua mão no ombro do garoto e deu uma leve risada, e após um rápido
beijo em seu rosto ela abriu um enorme sorriso e carregou-o no colo.
— Vamos tomar sorvete!! — gritou ela, carregando Lukas pela cidade inteira até que
encontrassem uma sorveteria.

306

Dawn e Stanley pareciam estar em uma enorme catedral localizada a oeste de Hearthome.
O ambiente era mórbido, não era possível ouvir nenhum tipo de som nas proximidades, todos os
moradores tinham enorme respeito pelo local que era conhecido como Foreign Place. Dawn
andou até uma das longas cadeiras que estavam em filas, feitas de uma madeira especial. Ela
passou lentamente uma de suas mãos para retirar o pó do local e sentou-se, em seguida olhando
para uma enorme vidraça que refletia os fracos raios de sol com cores e tons diferentes. As figuras
estampavam Pokémons lendários.
Stanley estava aguardando a garota do lado de fora. Ele já havia comprado seus
mantimentos necessários no Pokémart, e agora só deveria esperá-la para voltar ao Super Contest
Hall. O loiro permanecia encostado em uma das paredes enquanto esperava pacientemente, de vez
em quando bocejava pelo cansaço que sentia em ter que aguardar, mas ele entendia que Dawn
tinha seus motivos para estar lá. Assim que terminou, a garota levantou-se e saiu.
— Eu não sabia que você tinha o costume de vir à lugares como esse. Você segue alguma
religião ou coisa do tipo? — perguntou Stanley, enquanto caminhava ao lado da garota com as
mãos no bolso.
— Na verdade eu nunca tinha vindo à Hearthome, mas eu sempre soube que existia essa
igreja aqui. Então eu vim fazer uma oração aos meus pais falecidos. — respondeu ela de forma
silenciosa.
Stanley não respondeu, e por um lado sentiu-se envergonhado por ter tocado em um
assunto tão pessoal como aquele.
— Perdão, eu não deveria ter perguntado.
— Não tem problema. Pra falar a verdade, eu nunca contei isso ao Luke e o Lukas. Mas
também acho que não há necessidade deles saberem por enquanto, isso só iria deixá-los ainda
mais preocupados comigo. — disse Dawn.
— Se eu conheço o Luke ele não iria sair do seu lado o dia inteiro, quando algo ruim
acontece com alguma pessoa ele fica o tempo todo do lado dela. Ele faz de tudo para alegrar as
pessoas que ama. — sorriu Stanley.
Dawn olhou para o rapaz e deu um leve sorriso.
— Você é muito gentil, Stan. Obrigada por acompanhar-me, acho que agora já podemos
voltar ao Super Contest Hall.

Os dois seguiram continuaram seu caminho até que se depararam com Lukas e Vivian
perto de uma pequena sorveteria na calçada. Os dois disseram que já haviam feito suas inscrições
e estariam entrando dentro de uma hora.
307

— Onde está o Luke? — perguntou Dawn.
— Oxi, acho que esquecemos ele em algum lugar... Você lembra aonde foi? — perguntou
Vivian.
— Agora que você citou, eu podia jurar que ele estava junto com a gente... Onde será que
o Luke foi parar? — comentou o irmão pensativo, fazendo uma longa pausa em seguida — Nós
não o esquecemos jogado lá no salão dos Contests?
— Verdade, depois do ocorrido com a Fantina. — assentiu Vivian.
— Fantina? Essa mulher estava com vocês? — perguntou Dawn — Vamos procurar o
Luke agora mesmo, eu preciso ter uma conversinha com ele.
Vivian e Lukas terminaram seus sorvetes e logo seguiram Dawn até o salão, de imediato
eles puderam ver um aglomerado de pessoas em volta de um rapaz que exibia seus Pokémons para
algumas garotas. Ele não hesitava em mostrar suas duas insígnias afirmando com glória que era
amigo do líder Roark. Gabite e Shieldon acompanhavam seu dono e por um momento tentaram
avisar seu mestre que Dawn se aproximava, mas o mesmo parecia não ouvir. A garota cutucou-o
levemente pelas costas.
— Opa, mais uma fã querendo autógraf... DAWN?! — gritou Luke.
— Não venha falar comigo.
Stanley riu por um momento e Lukas balançou sua cabeça negativamente quando viu a
situação de seu irmão. A cada dia ele parecia só piorar a relação entre os dois.
— Você tem uma garota perfeita do seu lado e você não dá valor para ela cara. É melhor
você abrir os olhos Lucky, porque quando você menos esperar você pode acabar perdendo-a. —
disse Stanley.
Luke observou sua amiga por um tempo, todas as vezes que ele cometia um erro dentro
de seu coração ele sabia que o estava cometendo, mas sua natureza teimava em dizer mais alto.
— Eu já errei muito na minha vida cara, mas eu não vou errar de novo. Pode anotar aí
Stan, a partir de hoje eu vou passar a ser o cara mais legal do mundo. — respondeu Luke.
— Anotado.
Dawn andou em direção de Lukas e sentou-se ao lado do garoto que parecia muito
ansioso para o início da competição. Dawn deu um leve sorriso e passou sua mão levemente sobre
os finos fios de cabelo de seu companheiro.
— Você está pronto para este torneio?
— Acho que sim. Treinei bastante em Eterna para que eu pudesse me sair bem. E
mesmo sabendo que terei adversários fortes estou seguro, pois vou dar o meu melhor. Pelo menos
acho que agora não estou mais com tanta dificuldade para falar em público. — explicou ele.
308

— Lukas-kun! Quando eu ganhar vou dedicar minha vitória à você, tudo bem? — sorriu
Vivian ao seu lado.
— Então é melhor vocês se preparem, pois faltam apenas dez minutos para o início da
competição. — disse Dawn — Boa sorte, meus queridos!

Agora que Lukas possui dois ovos pokémon ele terá trabalho dobrado para cuidar dos
pequenos que ainda permanecem em segredo sobre o que virá a nascer. Dawn descobriu que está
cada vez mais envolvida com a Polícia Internacional, enquanto o encontro de Luke e Fantina
previu uma grande batalha na cidade dos corações. A segunda competição de Lukas e Vivian
tomará início, mas eles ainda não sabem os desafios e adversários que poderão aparecer durante
seu caminho.























309

CAPÍTULO 22.5

Nova Fase em Nossas Vidas

Os cinco integrantes da Elite dos 4 estavam reunidos em uma vasta sala da Liga
Pokémon no continente de Sinnoh, eles aguardavam o início de uma reunião que trataria dos
mais diversos assuntos de seu cargo. Além de treinadores, os membros também eram responsáveis
por todo o conselho da região.
Tornar-se o campeão era um cargo que exigia muito mais do que seguir um sonho, a
pessoa deveria ter experiência, responsabilidade e competência. Nos últimos anos o campeão
havia trocado de cargo constantemente, não se passava mais do que um mês e os novatos logo
perdiam seus cargos para treinadores mais experientes. Tornar-se campeão agora não era mais um
sonho, aquele cargo já havia tornado-se uma obrigação, não havia dificuldades em arquivar tal
feito.
Fazia cerca de um ano que o atual campeão mantera seu título, e as pessoas já
comentavam que este poderia vir a ser uma nova Era em que os campeões eram dignos de manter
seus cargos, pois eram poucos os treinadores que realizavam tal feito.
Grande parte estava condenada à falta de experiência, além do fato de que a atual elite
sempre estava desestruturada. Os cinco integrantes mantinham o cargo por realmente serem os
melhores treinadores de Sinnoh, mas nenhum deles mostrava grande interesse em cumprir suas
obrigações massantes como membro da elite. Era algo por diversão, lutavam contra novatos e
nunca davam tudo de si, pois já fazia muito tempo que nenhum deles demonstrava uma
verdadeira batalha.
Um velho homem lutava para conseguir a anteção dos membros. Cada um parecia mais
desatento do que o outro, Allen lia um livro calmamente enquanto aguardava o início da reunião
e a coperação de seus amigos; Lins e Kyle discutiam como sempre pelos mesmos assuntos banais,
por trabalherem em equipe na liga e por terem Pokémons de tipo tão diferentes era comum
encontrá-los brigando, mas quando se uniam formavam a equipe mais mortal do continente. Ike
jazia em silêncio sentado em seu canto, desenhando em um pequeno bloco de notas aguardando o
tempo passar e rezando para que a reunião acabasse e pudesse voltar para sua casa. O pobre Mark
era o único que tentava chamar a atenção de seus amigos para que eles começassem a reunião, mas
infelizmente ele era totalmente ignorado de forma que também já tivesse perdido o interesse.
310

— S-Senhores, por favor, peço-lhes pela última vez que prestem atenção no que estou
dizendo, é de grande importância as decisões que a Elite toma para nosso continente! —
implorou um velho homem que parecia ser o secretário da equipe.
— Não adianta Senhor Candido, eles não vão prestar atenção. Sugiro que aguarde o
retorno do campeão na esperença deles prestarem o mínimo de atenção no senhor, porque na
situação atual, você só está gastando seu tempo. — disse Allen, que continuava a ler seu livro sem
sequer direcionar seu olhar ao velho secretário.
— Senhor Allen, tente convencê-los de colaborar, se não nós não saíremos daqui hoje.
Ainda precisamos acertar todas as contas da Liga. Como responsáveis pela região, devemos tratar
de assuntos como saúde, educação e infraestrutura. Isso tudo é muito importante para o avanço
de Sinnoh. — continuou o secretário.
— Odeio política... — comentou Mark, com sua cabeça depositada sobre a mesa.
O secretário coçou sua cabeça e percebeu que naquela situação não havia como chamar
atenção dos integrantes da elite, que naquele ponto já estavam quase destruindo o escritório.
— Nossa, cala a boca seu Cabeça de Fogo idiota, tá na cara que meu Gyarados
iria regaçar qualquer Pokémon desse seu timinho de fogo de meia tijela. — retrucou Lins, que já
começava a discutir com Kyle novamente.
— Disponha de seus comentários Lins, não me obrigue a iniciar uma batalha novamente.
Você sabe que eu tenho desvantagem sobre seu tipo, mas ainda assim você acaba perdendo. Isso é
humilhante... — respondeu Kyle, colocando um pouco de café em seu copo.
— Perdendo?! Qual é, a gente tá quase empatado. 23x22. — respondeu o loiro irritado,
subindo em cima da mesa e apontando para Kyle — Cabeça de Fogo, eu estou te desafiando para
uma batalha!!
— Fique quieto. Estou tomando café. — respondeu Kyle na tentativa de irritar ainda
mais seu companheiro, o que realmente foi o pretexto para que a raiva de Lins aumentasse, mas o
rapaz ainda não havia se dado por vencido.
— Hm... Ficou com medinho, não é? — concluiu Lins, aumentando a ênfase num tom
provocativo.
No mesmo instante Kyle apertou a xícara de café de modo que ela quase trincasse, seus
olhos pareciam pegar fogo, de forma que a feição pacífica de seu rosto mudasse drasticamente
como se ameaçasse dar um soco de Lins que ria do companheiro.
— O que você disse? — perguntou Kyle, subindo em cima da mesa e encarando o
parceiro — Pode falar o que quiser meu caro Lins, mas saiba que eu nunca ignoro uma batalha,
ainda mais vinda de você. Vamos resolver as coisas agora Ondinha, valendo sua honra.
311

— Cai dentro Fogueira, não vou pegar tão leve com você dessa vez!!
— Ah... Será que vocês dois não conseguem ficar quietos por um minuto...? —
resmungou Mark, que deu um leve suspiro e em seguida chutou a mesa de modo que os dois
caíssem no chão da sala. O secretário parecia atordoado com tudo que acontecia, de um lado os
membros discutiam e do outro eles quase não falavam nada. O único que parecia prestar atenção
era Mark.
— Lins, Kyle. Fiquem sentados e se comportem como gente grande. Vamos esperar que
o campeão volte para que possamos começar a reunião. Não trato de assuntos importantes sem
sua presença. — disse Allen.
— Não pensa que escapou da luta Fogueira, eu acabo com você hoje de tarde.
— Tenho compromisso hoje de tarde meu caro Lins, você sabe como eu sou um cara
ocupado e frequentemente requisitado pelas garotas. — sorriu Kyle, pegando um par de fones de
ouvido em sua mochila como se não fizesse questão de conversar.
— Então quer discutir agora quem tem mais garotas? — ameaçou Lins.
— Mulheres não são objetos para serem contadas, elas devem ser tratadas como jóias nas
mãos dos homens que são abençoados por terem sua presença.
— Olha só quem fala né, o cara mais sincero e cara de pau do mundo...
— E eu não sou? — riu ele de modo convencido.
— ...De qualquer jeito, eu estou entediado. Quero voltar logo para casa...

Lins bateu sua cabeça contra a mesa e assim ficou por um bom tempo. Kyle tinha uma
xícara de café ao seu lado acompanhado dos fones de ouvido para passar o tempo. Mark mexia
suas pernas para mostrar a ansiedade em começar a reunião, ele era um dos mais novos membros
da elite, e embora parecesse uma criança, tinha o respeito dos demais integrantes.
Ike continuava a desenhar algo em seu bloco de notas que logo chamou a atenção de
Lins. O desenho parecia tratar-se de uma linda mulher loira, ela tinha um belo sorriso e olhos
cinzentos. O homem aparentava desenhar muito bem, e seu amigo não poupou os elogios para
seu desenho.
— Gostosa, hein? — riu Lins, apontando para o desenho — Quem é?
— Minha esposa. — respondeu Ike.
O loiro havia ficado extremamente envergonhado, Kyle quase cuspiu o café que tinha em
sua boca, rindo em seguida com a gafe cometida por seu amigo, logo ele tornou a falar:
— Você é muito indelicado, Lins. Depois dessa eu nem saberia o que responder. Acho
que você poderia nos apresentar sua esposa qualquer dia desses, Ike.
312

— Ela morreu. — concluiu o homem.
Agora era Kyle quem não sabia o que responder e Lins que caía na gargalhada. Os dois
membros da Elite finalmente haviam sossegado após a patada que receberam, deixando a sala em
um pleno silêncio por alguns segundos até que Lins voltasse a berrar.
— Que tédio cara. Tédiooo, tédiooo! Estou com fome, vamos pro Pokémart comprar
alguns bolinhos. Eu não estou aguentado ficar aqui, tá muito chato. — reclamou.
— Então nós deveríamos começar a reunião para terminarmos logo e os senhores possam
ir embora, o que acham da ideia? — sugeriu o secretario um pouco receoso. Lins lançou um olhar
ameaçador para o homem como se não estivesse nem um pouco afim de tratar dos assuntos
chatos do continente. Ser um membro da elite era divertido, mas na hora da obrigação nenhum
dos integrantes gostavam de levá-lo a sério.
— Tudo bem, vamos tentar começar aos poucos. Quais são os assuntos que temos de
tratar, Senhor Candido? — perguntou Mark.
— Bom, desde o início do ano há indícios de que a infraestrutura em algumas cidades do
interior de Sinnoh têm sido péssimas, assim como o estudo e acessibililidade de famílias mais
pobres. Também precisávamos investir na proteção aos Pokémons nativos de florestas que vêm
sido desmatadas na região do sudoeste de Sinnoh, como um incêndio na rota 202 há algumas
semanas por conta de uma equipe criminosa que vem agindo no continente. — concluiu o
secretário, lendo um imenso formulário de papel. Mark deu um leve sorriso, e em seguida o velho
tornou a perguntar: — Há alguma pergunta?
— Acho melhor esperarmos o campeão mesmo. — disse Mark.

O silêncio prevaleceu por um tempo enquanto os membros aguardavam a chegada de seu
superior, os assuntos não vinham e pouco a pouco a paciência começava a desaparecer. Mark era
o único disposto a tentar fazer com que seus amigos continuassem na sala, de modo que
pocurasse algum assunto que lhes fosse de interesse.
— Acompanharam os anúncios ultimamente? Os treinadores não estão mais conseguindo
passar do oitavo ginásio, parece que o Volkner realmente está pegando duro com os novatos. —
disse Mark, lendo uma folha de jornal que estava ao seu lado.
— E isso só nos atrapalha. Estou com saudade de batalhar cara, faz muito tempo que não
encontro ninguém digno de verdade, sabe? Daí só sobra esse Cabeça de Fogo. — disse Lins.
— Acredito que os tempos já foram melhores, essa nova geração de treinadores em
Sinnoh é muito inexperiente. Tive notícias de que nos outros continentes jovens extremamente
313

talentosos estão derrotando líder após líder. — concluiu Allen, parecendo interessar-se pelo
assunto.
— Ser da Elite já foi mais legal... — suspirou Mark entristecido.
Lins debruçou-se novamente sobre a mesa, seu tédio parecia não desaparecer.
— Que saco, vou pirar aqui. Alguém tem alguma ideia do que possamos fazer?
— Que tal brincarmos de fazer silêncio? Acho que seria uma ótima forma de vocês
calarem a boca e deixarem eu me concentrar em meu livro. — respondeu Allen.
— Demorô, a gente canta então. — disse Lins, fazendo questão de contrariar o amigo.
— Música? É comigo mesmo rapaz! — disse Kyle, retirando seu fone de ouvido e
parecendo cantar o refrão de uma música que apreciava simulando uma guitarra em suas mãos —
And The highway is alive tonight. Nobody's foolin' nobody is to where it goes. I'm sitting down
here in the campfire light... ♪
Assim que o rapaz terminou de cantar todos os outros o observaram com um olhar
curioso, de modo que ele ficasse meio envergonhado pela atenção que recebera.
— Por quê estão me olhando assim? Eu cantei tão mal?
— Você canta muito bem, Kyle. — respondeu Ike, guardando seu desenho por um
momento. Kyle sorriu e agradeceu o elogio.
— Só agora você decide falar alguma coisa? — riu Lins.
— Aprecio muito a música, e ainda mais aqueles que tem o dom de compartilhá-la.
Músicas me trazem lembranças, minha esposa adorava cantar. — respondeu Ike — Cavalheiros, a
reunião foi ótima, mas estou indo embora.
Allen deu uma leve risada enquanto os outros membros arregalavam seus olhos de
surpresa. Ike estava fazendo o que todos gostariam de ter feito há muito tempo.
— S-Senhor Ike, nós ainda nem começamos a reunião!! Precisamos de sua presença para
avaliar as normas, afinal, o senhor está encarregado da Elite! — disse o secretário em vão, vendo
que pouco a pouco o homem se aproximava da porta de saída.
Ike pegou sua blusa que estava no cabide, e sem olhar para trás apenas acenou com a mão:
— Mandem uma carta para minha casa e indiquem onde tenho que assinar. Já estou de
saída.
Ike aproximou-se da porta e antes de tocar na maçaneta pôde ver que uma mulher entrava
na sala. Ela tinha longos cabelos loiros e vestia um lindo sobretudo preto. Seus olhos estampavam
cansaço como alguém que implorava por um lugar para que pudesse sentar-se. Kyle levantou-se
no mesmo instante e andou em direção da mulher. Ela parou ao entrar na sala e deparou-se com
314

Ike, que por um momento assustou-se ao deparar-se subitamente com uma conhecida. Ela sorriu
e tornou a falar:
— Está de saída, Ike? — perguntou a mulher.
— Estou. — respondeu de modo seco.
— Tome cuidado no caminho de volta, sei que sua casa fica muito longe daqui, e o
caminho é muito perigoso e íngrime até mesmo para seu poderoso Skarmory. — disse ela.
— Por quê se importa tanto comigo, Cynthia?
— É a minha função, não é? Preocupar-me com meus funcionários e companheiros. —
continuou.
— Eu não preciso de ajuda. — finalizou Ike, saindo do escritório e deixando seus amigos
calados.
A mulher soltou um leve suspiro e continuou andando, Kyle aproximou-se dela e
imediatamente puxou a cadeira para que ela se sentasse. Ela apenas sorriu, e agradeceu o gesto.
— Seja bem vinda de volta, Senhorita Cynthia. — disse ele.
— Obrigada Kyle, pode sentar-se.
— É muito bom revê-la Cynthia, fazia muito tempo que você não voltava para uma
reunião. — disse Mark
— Oh!! Finalmente nossa campeã chegou, agora nós finalmente poderemos começar a
reunião!! — comemorou o secretário, olhando para Cynthia que agora estava debruçada sobre a
mesa — Hm? Senhorita?
— Ela teve um dia muito cansativo hoje Candido, deixe-a descansar por hora, nós
podemos adiar essa reunião para outro dia, afinal, o Ike também já foi embora. — disse Allen.
— M-Mas Senhor, o conselho precisa desses resultados o mais rápido possív...
— Esta reunião está encerrada. — pronunciou Allen.

Kyle guardou seus fones de ouvido e arrumou os copos da mesa para que logo fechassem
a sala. Lins comemorava o fim daquele massante encontro enquanto Mark suspirava pela perda de
um dia inteiro naquela reunião. Allen aproximou-se de Cynthia e pegou-a no colo de modo que a
mulher nem sequer acordasse pelo cansaço que sentia. Os outros membros da equipe
acompanhavam o homem que levou Cynthia até seu cômodo e deixou-a na cama para que
descansasse um pouco. Apesar de ser a mais recente campeã de Sinnoh, algumas vezes Cynthia
parecia ser a irmã mais nova dos membros da elite. Os cinco integrantes faziam de tudo para
protegê-la, ela era uma pesquisadora muito nova, e por isso sempre estava cansada de seu trabalho
em continentes distantes.
315


Depois de deixar sua superior descansando no quarto, os quatro membros saíram do
galpão principal e deixaram o prédio. O céu estava um pouco nublado, provavelmente ele
anunciaria a chegada da chuva em breve, um leve vento batia sobre as faces dos rapazes que no
caminho depararam-se com Ike em um bar. O homem tinha uma garrafa em sua mão, o que
provavelmente tratava-se de algum vinho, embora sempre ser contradito de tal ação por seus
amigos.
— Espero que isso seja suco cara, se não serei obrigado a quebrar isso na sua cabeça. —
riu Lins, sentando-se ao lado de Ike.
— Então já prepara a garrafa irmão, porque o Ike é feito de ferro. — brincou Kyle,
sentando-se do outro lado.
Allen encostou-se no balcão e sentou-se ao lado de Mark que parecia apenas uma criança
no local, embora os donos de lá já soubessem que ele era na verdade um dos mais velhos e
responsáveis.
— Vamos beber alguma coisa para comemorar mais uma reunião fracassada e mais um
dia completamente inútil de nossas vidas na Elite. — sorriu Allen — O que vão querer beber?
— Manda três refrigerantes, um sem gelo, e uma água com gás também. Vai pegar
alguma coisa, Ike?
O homem apenas deu um leve sorriso e levantou a taça em sua mão.
— Eu tenho o meu... suquinho de uva. — sorriu.
As bebidas chegaram e os cinco integrantes sentaram-se em uma mesa que dava vista para
o mar. A Liga de Sinnoh situava-se em uma região que dava vista para grande parte do continente.
O mar estava turbulento, muito havia mudado em Sinnoh nos últimos anos, eles sentiam que em
breve novos acontecimentos estariam sendo evidenciados. Cada um lá presente esperava que
algum dia um treinador lhes mostrasse a importância de uma batalha novamente, alguém que
pudesse fazer com que eles voltassem a amar o que faziam. A única coisa que mantinha a atual
Elite unida era a amizade de seus componentes.
— Não esquece da nossa batalha, Cabeça de Fogo. Hoje à tarde, no mesmo local, na
mesma hora, demorô? — disse Lins, apontando para Kyle que deu uma leve risada.
— Eu já disse que estou ocupado hoje, meu caro. Seria legal se nós jogassemos um
futebol, ou então quem sabe cantássemos uma canção? Para animar vocês nesse dia nublado... —
sorriu Kyle.
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Ike pegou sua garrafa de vinho e ficou por um tempo vendo a embalagem. Ele suspirou
por um momento e olhou para a chuva que pouco a pouco começava a cair do lado de fora,
dando um leve sorriso na sequência.
— No que você está pensando, Ike? — perguntou Mark.
— Eu sei que parece ridículo, mas a Elite é tudo que sobrou em minha vida.
Os outros membros da elite ficaram em silêncio por um instante, mas não demorou
muito até que Lins começasse a rir e soltasse um comentário.
— Ohh, coitadinho do meu brother, a gente não vai te deixar na mão, firmeza? —
brincou o loiro.
— Ei rapaz, somos uma equipe, compartilhamos as dores e as tristezas. — acompanhou
Kyle.
— Não fique guardando suas mágoas meu amigo, não somos videntes para prever suas
dores, mas estamos ao seu lado para compartilhar esses momentos. — explicou Allen.
— A verdadeira amizade é aquela que a lembrança não se apaga, a distância não separa e
a maldade não destrói. É isso que nos tornou a atual Elite do continente, não é? — disse Mark de
forma gentil.
Ike deu um raro sorriso, sendo que seus amigos agora eram os único motivo que o
mantinha erguido. Em seguida, o homem preencheu sua taça com vinho e ergueu-a para o alto.
— Proponho um brinde à Elite de Sinnoh. Como as estrelas, nossa amizade continuará
brilhando. Que os anos venham, mas que os momentos que compartilhamos aqui possam
perdurar pela eternidade em nossas lembranças. — disse Ike — Que venha uma nova fase em
nossas vidas.


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CAPÍTULO 23

Seriedade e Diversão

Uma singela voz mecânica anunciava o início da segunda competição que o jovem Lukas
estaria participando, era por volta das três da tarde, e o sol ainda brilhava no belo céu da cidade
Hearthome. Vivian continuou a observar seu amigo entrar junto com os outros participantes,
sendo que agora, tudo que ela poderia lhe desejar era boa sorte. Lukas olhou para seus amigos que
o apoiavam a encarar mais uma disputa, ele sabia que no Super Contest Hall ele teria um público
bem maior do que em Jubilife, e provavelmente poderia até estar sendo observado por
profissionais da área que sempre buscam novos talentos de coordenadores iniciantes.
O salão estava cheio, realmente um público maior estava presente para assistir as
apresentações dos competidores da categoria Normal Contest. Lukas parecia tão apreensivo que
nem tinha coragem de olhar para seus lados à procura de seus amigos, ele precisava concentrar-se
na batalha. Ao subir no palco eram três outros jurados, dessa vez, um homem e duas garotas,
sendo que uma delas era a mesma que havia conversado com Lukas pela manhã.
— Oh, você é o garotinho que estava fazendo a inscrição hoje de manhã! Eu estarei
sendo a jurada deste evento, desejo-te muita sorte! — sorriu a mulher, passando a mão no cabelo
de Lukas.
— O-Obrigado, senhorita...
Lukas saiu e entrou em seu camarim para preparar seus pokémons, ele tinha algumas
ideias em mente e provavelmente já tinha planejado como faria cada série de apresentação. Assim
como eles haviam planejado nos treinos, Roselia começaria na categoria de Moda e estilo,
Mothim faria a dança, enquanto Pachirisu finalizaria a apresentação no quesito da batalha. Assim
que os juízes anunciaram a entrada dos competidores, Lukas pôde ver cada adversário com
cuidado. Com certeza eles já não pareciam ser tão novatos como seu último torneio, alguns
aparentavam experiência em seu olhar, sendo que seus pokémons também transmitiam confiança.
— Sejam bem vindos, senhoras e senhores! Meu nome é Ellen, e declaro iniciado
o Normal Contest da cidade de Hearthome neste fim de semana! Esperamos que essa temporada
possa render bons resultados e que todos os competidores possam dar o seu melhor! — disse a
mulher.
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— A primeira categoria será a de Moda e Estilo. Competidores, preparem seus
pokémons em um tempo de cinco minutos e tragam para que os juízes e o público avaliem. —
explicou um outro jurado.
Lukas rapidamente lançou sua Roselia que parecia animada com a competição, a pequena
estava disposta a dar o seu melhor nessa categoria, embora ainda não tivesse experiência naquela
categoria.
— Vamos lá Roselia, você é linda, e eu sei que seu charme fará com que todos os jurados
fiquem boquiabertos! — elogiou Lukas.
Nas preparações de seu pokémon, Lukas também lançou seu Pachirisu, Mothim e Shellos
para que eles ajudassem seu treinador. Shellos parecia um pouco atrapalhado com toda a pressão
exercida pelo público, mas aquela era uma forma de fazer com que ele fosse se acostumando aos
poucos com competições e torneios do tipo.
O tempo havia esgotado e cada um dos competidores revelou seus respectivos pokémons,
Lukas estava com a pequena Roselia vestindo um manto de folhas e acessórios delicados. Além de
ser um ótimo cozinheiro, Lukas aparentava também ter um ótimo senso de moda por conta da
convivência com sua mãe. Haviam Staravias, Luxios e Bidoofs, além de Pokémons que como
Geodudes e Zubats que apesar de parecerem estranhos por fora, ainda assim tinham um grande
potencial em torneios.
A pequena Roselia desfilava com toda sua graça, a
evolução fizera com que a flor se tornasse mais carismática e
bela. Seu rebolado fascinava os Pokémons em volta, e mesmo
que ainda fosse um Pokémon jovem, quando ela se tornasse
adulta seria ainda mais atraente. Lukas sabia desde cedo que
Roselia daria muito trabalho quando crescesse, ela era como
uma filha, e sendo dever de todo pai, Lukas deveria educá-la.
Durante seus dias de treinamento Roselia havia dado duro para aperfeiçoar seu recém aprendido
golpe Giga Drain, mas mesmo que nesse torneio ela não fizesse uso de tal movimento, ela sentia-
se feliz, pois a área de beleza era a sua favorita.

Cada juiz aplicou suas respectivas aos coordenadores acompanhados de seus Pokémons.
Lukas estava confiante de sua conquista, por um momento ele olhou para o público à procura de
seus amigos quando de repente avistou um homem vestido de terno observando-o. O homem
estava afastado das outras pessoas em um canto vazio, ele arrumou seu chapéu de forma breve e
continuou observando a disputa.
319

— M-Marshall... — sussurrou Lukas, que em seguida foi repreendido por Roselia para
que prestasse atenção na competição.
Ele tinha certeza que aquele vulto era Marshall, mas por qual motivo o homem
continuava na cidade? Lukas estava ansioso para que pudesse terminar logo a competição e falar
com o tio que não via há tanto tempo. Pessoas importantes assistiam aquela disputa, e isso servia
como forma de inspiração para que ele continuasse dando seu melhor.

A segunda categoria seria dado pela sincronia
na dança de seus pokémons. Lukas ordenou que
Mothim participasse na categoria, e com o suave bater
de suas asas, a mariposa pareceu sair-se muito bem.
Lukas parecia não estar tendo dificuldades para chamar
atenção, por algum motivo o garoto já era alvo dos
olheiros principalmente por tratar-se de um dos
filhos da lendária Melyssa, uma das melhores
coordenadoras de sua época.
Com as notas aplicadas na dança, o último quesito seria a apresentação de golpes.
Normalmente aquela categoria sempre inovava em algum aspecto, desde utilizar diversos
pokémons em uma única apresentação ou até participar de uma batalha com algum adversário,
mas tudo dependia dos juízes que organizariam a competição.
— As regras estabelecidas para esta categoria será do uso de um único Pokémon para a
apresentação. Não haverão batalhas ou coisas do tipo, e são proibidos golpes que sacrifiquem o
usuário como Selfdestruct ou Explosion. O treinador deverá aproveitar dos golpes de seu próprio
pokémon para criar uma apresentação objetiva. Podem começar a preparar-se! — disse a juíza.
Lukas lançou Pachirisu que subiu no ombro do garoto e encarou o público, o esquilo
também parecia ansioso para a apresentação, mas assim como seu treinador, ele estava disposto a
encarar todos desafios e conquistar a vitória.
— Vamos lá garoto, tudo conforme o combinado. — sorriu Lukas.
— Por ordem numérica, cada treinador apresentará uma série de ataques, e nós,
aplicaremos uma nota.
Chegada a hora de Lukas, seu Pachirisu colocou-se em posição de ataque e dando rápidos
giros fez uma singela entrada na arena. Ellen apoiou seus braços sobre a arquibancada e se pôs a
observar o garoto, não porque o achava bonito, mas porque sabia que ele tinha potencial para
tornar-se um ótimo coordenador no futuro.
320


— Pachirisu, comece a apresentação utilizando o Quick
Attack, e suba em uma das pilastras, em seguida lance
um Spark para o alto!! — ordenou Lukas.
O pequeno esquilo escalou a pilastra como uma árvore e
ao chegar no topo lançou um ataque elétrico que pareceu tomar
conta de seu corpo, o golpe lançou faíscas para o chão que
pareceram dançar na sincronia que eram lançadas. A combinação
rendeu aplausos, mas sua apresentação só estava começando.
— Pachirisu, lance um Swift o mais longe que puder e em seguida utilize o Spark em
volta de seu corpo! — dito isto, o pokémon lançou uma série e estrelas para o alto que após um
alguns segundos retornaram em direção do esquilo, mas aquele tempo fora o suficiente para que
ele armazenasse energia o suficiente e lançasse o ataque elétrico que fez com as estrelas
explodissem e liberassem pequenas pedrinhas preteadas.
— Para finalizar, Pachirisu utilize o Thuderbolt! — ordenou Lukas.
— Pachii, pachi!! — grunhiu o pokémon, preparando uma descara elétrica que em
seguida foi lançada para o alto.
A arena foi brevemente tomada por um clarão seguido de uma explosão elétrica que
cessou a energia do prédio por alguns segundos. O ataque pareceu surpreender os juízes, pois era
muito incomum encontrar um ataque daquele nível em pokémons de iniciantes.
— Obrigado pelo Thunderbolt, Tia Martha. — sussurrou Lukas.
As notas estavam dadas, assim como cada apresentador também já havia apresentando-se.
Ellen levantou-se em andou em direção dos jovens anunciando o vencedor.
— Senhoras e Senhores, é com muito orgulho que anúncio o novo vencedor do Normal
Contest! Este é Diego Kazue, que ficou em terceiro colocado, seguido de Fernanda Leinon em
segundo. E o vencedor desta categoria foi Lukas Wallers, da cidade de Twinleaf!!
Lukas revelou um grande sorriso, em seguida abraçando seus Pokémons que haviam feito
daquela ocasião tão especial, Pachirisu pulava em sua cabeça comemorando a vitória que
aparentemente fora conquistada com facilidade, Shellos mal podia esperar o momento que
finalmente fosse sua vez, enquanto Roselia e Mothim agradeciam os aplausos do público.
Lukas estava feliz, mas a todo momento seus olhos procuravam pelo homem que o
observava de longe. Mesmo que ele não tivesse tido a oportunidade de conversar, Lukas estava
feliz por saber que alguém tão especial assistira sua batalha, mesmo que discretamente.
321

— Parabéns, criança. Você será um coordenador fenomenal. — sussurrou o homem para
si mesmo.
Marshall o olhou e deu um leve sorriso, mas em seguida apenas arrumou seu chapéu e
saiu da sala.

O garoto saiu do palco de apresentação e foi ao encontro de seus amigos que o
aguardavam na saída. Sua nova fita viera com muita facilidade, e a cada competição Lukas
mostrava ser um coordenador mais experiente e dedicado.
— Mandou bem, pivete! Show esse Thunderbolt do Pachirisu cara, aposto que ele
também deve fazer mó estrago em uma batalha! — disse Luke.
— Lukas, sua apresentação foi realmente muito boa! Eu ainda não tinha visto a Roselia
em ação, mas devo dizer que ela é muito meiga! Parece uma princesinha! — elogiou Dawn —
Mas não podemos deixar de dar os devidos créditos ao Pachirisu e ao Mothim, eles também se
saíram muito bem!
Dawn agachou na altura do pequeno esquilo que jazia ao lado do garoto, a criatura
grunhiu de felicidade e subiu no colo da garota. O pelo fofo de Pachiriu era tão macio quanto um
travesseiro, e ele também parecia apreciar o carinho que recebia.
De repente, Vivian soltou um grito apontando para seu relógio.
— Ahh!! Minha competição estaria começando durante a apresentação do Lukas-kun! Se
eu me atrasar serei desclassificada!! — gritou ela, correndo para dentro de uma das salas do
torneio.

O público parecia estar inquieto, Vivian já não causara uma boa apreciação mostrando
seu atraso. A garota correu em direção do palco e rapidamente recebeu seu número para entrar na
fila dos candidatos.
— Senhoras e Senhores, a quarta competidora acaba de chegar, mesmo que com alguns
minutos de atraso! Esta é Vivian, do continente de Johto! — apresentou uma das juradas.
Vivian suspirou aliviada por ter chegado à hora, ela arrumou brevemente suas roupas e
enquanto aguardava o início da competição uma garota morena virou-se para ela e falou:
— Tome mais cuidado para não atrasar-se da próxima vez... Você quase foi
desclassificada... — disse ela bem baixinho.
— Não se preocupe, foi só um descuid... AHH!! Você é a menina gótica que estava
sentada ao lado do Lukas-kun hoje de manhã!! — gritou ela, apontando para a garota de modo
eufórico.
322

— Marley. Meu nome é Marley... — respondeu ela indiferente.
— Quer dizer que nós duas seremos rivais no torneio de hoje? Que ótimo, vou poder
mostrar ao Lukas-kun a minha vitória com grande pompa!!
— Você deve ser uma namorada muito irritante...
— Começa logo esse torneio, vou mostrar para todo mundo como tenho competência
em uma competição. — retrucou Vivian já zangada com a presença da garota.

Lukas que estava sentado nas arquibancadas com seu Pachirisu no colo logo se deu conta
que a garota ao lado de Vivian era Marley. Ele sabia que aquilo poderia render problemas,
temendo o que sua amiga viesse a fazer para conquistar a vitória.
— Eu conheço aquela garota ao lado da Vivian. — comentou ele.
— Quem? — perguntou Dawn.
— Pra mim não tem ninguém lá no palco, as duas parecem uma tábua de passar roupas
de lado! Hah, hah, hah!! Entendeu? Entendeu?! — brincou Luke, recebendo em seguida um olhar
reprovador de seus amigos.
— Lucky, a gente podia ter ficado sem esse seu comentário. — disse Stanley.
— Quer dizer que você gosta de garotas turbinadas? — perguntou ela um pouco receosa.
— N-Não foi isso que eu quis dizeeeeer... — retrucou sem graça, percebendo a gafe que
cometera e de modo que Dawn também não fosse muito diferente das duas.
— Shh... Vamos prestar atenção na competição que já vai começar! — disse Lukas,
acariciando seu Pachirisu.
Todos os competidores da categoria entraram em seus camarins para que pudessem
preparar seus pokémons na categoria de moda. Vivian mantinha seus olhos pregados em Marley
que aparentava vestir seus pokémons com um gosto um tanto quanto peculiar. Ela tinha um
Sneasel em suas mãos, enquanto Vivian preparava seu Ledian para a competição.
— Por quê você só fica quieta com essa cara de boba? Até parece que você não tem voz.
— argumentou Vivian enquanto arrumava seu pokémon. Marley apenas respondeu sem tirar os
olhos de seu Sneasel:
— Eu não gosto de falar... Escolho minhas palavras cuidadosamente, mas ainda assim
elas podem machucar alguém mesmo que acidentalmente...
Vivian estranhou o estilo da garota, mas agora o tempo havia acabado, e elas precisavam
levar seus pokémons para a apresentação. Os juízes pareciam ter gostado da vestimenta do Sneasel
de Marley, assim como o Ledian de Vivian que parecia já ter mais experiência em competições.
— Você tem um gosto estranho para vestir seus pokémons. — provocou Vivian.
323

— Acho que os seus também... — respondeu Marley de modo sério, olhando para a
Ledian de Vivian que vestia vários acessórios 100% cor-de-rosa.
Com a modalidade de dança as duas também pareciam disputar juntas, a Vespiqueen de
Vivian de atrapalhava o Floatzel de Marley, sendo que agora as duas treinadores perdiam pontos
na categoria por tentar atrapalhar um oponente. Lukas não acreditava que Vivian estava saindo-se
tão mal só pelo fato de ter alguém que não gostava na competição.
— Nossa, a Vivian está muito pior dessa vez, nem parece a mesma pessoa que competiu
com o Lukas em Jubilife. — disse Dawn.
— Acho que ela está tentando chamar atenção, e por isso está perdendo a concentração
nas apresentações. A categoria de batalha será sua última chance de repercutir e garantir a vitória.
— disse Stanley.
— Mas por que ela está fazendo isso? Não há necessidade de se mostrar, uma garota não
precisa se mostrar para que alguém goste dela... — comentou Lukas chateado, observando a
garota que estava no palco — Vocês acham que a Vivian ganharia uma batalha?
— Com pokémons insetos? Sinceramente, eu acho que não. — disse Luke.
— A Vivian possui bons pokémons, alguns que vocês nem conhecem do tempo que ela
disputava nos ginásios de Johto. Porém, especializar-se em um único tipo pode ser perigoso.
Temos que torcer para que ela enfrente algum treinador que não tenha vantagem sobre o tipo
inseto. — explicou Stanley.

Um grande painel indicava os respectivos treinadores e seus adversários. O estilo sorteado
seria a batalha em que os competidores lutavam com um companheiro na tentativa de criar
combinações de ataques e sincronia de golpes, adquirindo desse modo a admiração dos jurados,
mas sem o objetivo de derrotar o adversário. Os competidores deveriam olhar para seu lado
direito, pois este seria o seu companheiro de batalha.
Vivian revelou um olhar sombrio como alguém que já imaginava quem seria seu parceiro.
No mesmo instante ela se deu conta de era Marley quem enfrentaria. A garota deu uma risada
maléfica e se pôs a falar com ironia:
— Oh, parece que vamos nos enfrentar. Vamos trabalhar juntinhas como duas
amiguinhas que vão fazer golpes magníficos, não é mesmo? — disse Vivian, seguido de uma
risada.
— Claro. Vamos nos esforçar. — assentiu Marley.
— Senhoras e Senhores, a regra que será realizada nessa batalha será a do uso de dois
pokémons para cada competidor. Logo, serão um total de quatro pokémons no campo de batalha
324

demonstrando seus golpes para o público. Façam suas melhores combinações e boa sorte, mas não
se esqueçam, é proibido nocautear o pokémon do adversário! — disse a jurada.
Vivian andou até um pequeno ginásio onde seria realizada a sua batalha. Em seu rosto era
evidente que ela não estava disposta a pegar leve com Marley, mesmo imaginando que ela era uma
iniciante.

Vivian era nova em Sinnoh, mas ela já tinha muita experiência pelos torneios de inseto
em Johto. E mesmo que ninguém soubesse, ela participava de ginásios em seu continente. Vivian
sonhava em se tornar um Mestre Pokémon como qualquer criança. Sendo nativa de Azalea Town
ela era muito influenciada pelo líder Bugsy, que também possuía Pokémons insetos. Seu primeiro
desafio seria contra o Líder Falkner, mas depois de ter sido derrotada tantas vezes ela acabou
desistindo. A ruiva queria provar de algum modo que os insetos eram fortes, e foi então que lhe
surgiu a oportunidade de entrar nos torneios de insetos de Johto. Ela era uma treinadora com
muito potencial, mas ninguém conhecia seus verdadeiros Pokémons até aquele momento. Agora
era sua vez de reviver os momentos de treinadora do passado, escondendo aquele aparente jeito
iniciante de coordenadora.
Lukas temia que Vivian pudesse ser derrotada facilmente, mas ao mesmo tempo se
preocupava com Marley que poderia estar enfrentando uma adversária forte demais. Os
Pokémons das duas garotas permaneciam em mistério, mas que estava para ser quebrado assim
que suas pokébolas foram lançadas.
Todos se surpreenderam ao perceber que Marley não era somente uma iniciante. Em sua
frente jazia um majestoso Arcanine seguido de um Jolteon ao lado. Vivian também se
surpreendeu, o que a fez presumir que Marley não era uma novata inexperiente em concursos.
O público estava muito surpreso com a equipe de Marley, mas os irmãos não podiam
esconder a surpresa ao notar os dois Pokémons que Vivian escolhera. Pela primeira vez eles
estavam vendo um Heracross e um Scizor em Sinnoh. Pokémons nativos de Johto e Kanto eram
raros, e embora aparecessem algumas vezes naquela região eles ainda eram aclamados como
criaturas raras e poderosas, e por isso, a plateia parecia ir à loucura por poder presenciar tais
criaturas.
325


— V-Você não é iniciante! — concluiu Vivian.
— Vejo que você também não seja... Acho que fiz mal em julgar que você fosse apenas
uma garota iniciante sem dote nenhum... Acho que será uma batalha mais difícil do que eu
esperava... — respondeu Marley.
— Desde quando a Vivi tem esses Pokémons tão legais?! — gritou Luke, apontando para
os poderosos insetos que estavam na arena.
— Vivian é nativa de Johto, não é de surpreender que ela tenha criaturas típicas dessa
região. — afirmou Stanley.
— Um Scizor e um Heracross não seriam uma escolha muito boa para um contest...
Acho que Vivian entendeu errado a parte de apenas apresentar os golpes do pokémon. Tenho
uma estranha impressão de que ela irá batalhar seriamente. — concluiu Lukas.
Os jurados pareciam adorar a presença de estrangeiros nas competições. Aqueles
Pokémons além de raros não eram muito vistos nas competições, e por isso todos sabiam que
seria uma batalha espetacular.
— Vejam só, Senhoras e Senhores! Temos aqui quatro pokémons de nível aparentemente
elevado das competidoras Vivian e Marley! Tenho certeza que essa apresentação renderá golpes
fenomenais. Eu declaro essa batalha iniciada!!
— Arcanine, utilize o Flamethrower naquele Scizor. — ordenou Marley.
— Heracross, proteja-o com o Stone Edge! — aprontou-se Vivian.
O pokémon besouro rapidamente protegeu seu aliado em desvantagem criando uma
parede de pedras que quase acertou o cão de fogo, que por sua vez esquivou-se com destreza. O
ataque de fogo rendeu uma imensa parede pedras que brilhava como o magma fervente de um
vulcão. O que deveria ser um ataque fatal acabou se tornando uma linda apresentação, mesmo que
indiretamente. Vivian e Marley pareciam criar golpes que chamavam a atenção dos juízes.
326

— Scizor, derrube aquele Jolteon com o X-Scissors!
— Rápido Jolteon, revide com um Shock Wave e impessa este ataque.
A pequena raposa elétrica era mais rápida que Scizor, e com isso criou uma onda elétrica
que ao deparar-se com o vento cortante lançado pelo pokémon inseto, rapidamente repercutiu em
uma descarga elétrica para os dois lados.
Seguindo as ordens de sua treinadora, Jolteon ainda criou uma forte chuva com o Rain
Dance, para que dessa forma seu Thunder pudesse ter mais precisão ao atacar o oponente. A
chuva molhava o salão inteiro, Lukas tentava proteger seu Pachirisu, Dawn reclamava de seu
cabelo, enquanto Luke parecia não acreditar que aquelas duas estavam competindo entre
"treinadores iniciantes".
— Elas são de que mundo cara?? Onde já se viu quatro pokémons desse nível se
enfrentarem em uma batalha?! — disse Luke — Se eu soubesse que a Vivi era tão forte eu teria
pedido ajuda para treinar!!
Vivian e Marley continuavam se encarando enquanto a chuva escorria por seus rostos.
— Eu vou ganhar essa batalha e mostrar para o Lukas-kun como sou uma boa
coordenadora. — disse Vivian.
— Você fala muito... Concentre-se na batalha e leve em conta que tenho vantagem sobre
seus pokémons. Jolteon, lance um Thunder na arena! — disse Marley.
Vivian sabia que aquele ataque poderia paralisar seus dois pokémons e a impediria de
realizar qualquer movimento de primeira instância, facilitando um golpe de Arcanine para cima
dos insetos que tinham enorme desvantagem. A garota precisava pensar em um plano, e rápido.
— Heracross, utilize o Earthquake na arena! — ordenou Vivian.
O besouro pulou com todas suas forças no chão e causou um terremoto que destruiu a
arena, desse modo o solo seria alterado o que impediria a propagação do ataque elétrico de
Jolteon na terra. Com o raio lançado, um enorme clarão surgiu pela explosão elétrica lançada. Os
quatro pokémons permaneciam encarando-se até que uma das juízes levantou-se e aplaudiu.
— Esta batalha foi sensacional!! A perfeita combinação e o perigo em combinar golpes de
pokémons tão opostos fizeram desta batalha uma das melhores! Eu declaro-a encerrada. — disse
um juíz.
— Acabou...? — comentou Marley.
— Nãoooo, eu ainda não acabei com essa Gothitelle retardada!! Deixa a batalha
continuar só por mais alguns minutos Senhor Jurado, prometo que ela não passa disso. — disse
Vivian.
327

— Senhoritas, a batalha já foi encerrada. Vocês duas foram as melhores nesse quesito,
agora peço que retornem para o palco para que possamos anunciar os resultados.
Vivian encarou Marley que apenas retornou seus pokémons e caminhou em direção ao
palco, e mesmo que contra sua vontade, Vivian deveria fazer o mesmo.
— Graças a Arceus que acabou cara, essas duas iriam destruir o prédio inteiro. —
comentou Luke, escondendo-se atrás de uma cadeira.
— Aaaaw... Agora vou ter que lavar meu cabelo de novo. — comentou Dawn, irritada
pelo Rain Dance utilizado pelo Jolteon.
Lukas estava ansioso para os resultados. Ao mesmo tempo que ele queria que sua amiga
ganhasse , ele também torcia por Marley que havia se mostrado uma coordenadora muito capaz.
Essa tensão estava para terminar quando os jurados anunciariam os resultados.
— Que batalha eletrizante nós tivemos!! E para encerrar essa grande competição
aproveito para anunciar nosso vencedor! Esta pessoa que saiu-se perfeitamente no estilo, arrasou
na dança, e mesmo que de modo discreto na batalha ainda conquistou a vitória...! — dizia a juíza,
hesitando em anunciar o vencedor para causar suspense na plateia.
— Vai ter que se contentar com a derrota, amiguinha. — provocou Vivian.
— E a grande vencedora foi Lucy!! Com seu amável e adorável Buneary!! — anunciou a
juíza, o que fez com que Vivian e Marley ficassem surpresas com o resultado.
— O QUÊÊÊÊ?? Quem é essa mano?? Ela tava competindo com a gente?? — gritou
Vivian.
— A-Acho que eu perdi também... — suspirou Marley um pouco sem graça.
— Minhas queridas, vocês duas deram um verdadeiro show na apresentação de golpes,
mas sinceramente, saíram-se muito mal nas duas outras categorias. Agradecemos a participação de
vocês, e esperamos vê-las no próximo torneio! — disse a jurada.
— Obrigada senhorita. — despediu-se Marley, deixando Vivian parada no meio do
palco ainda não acreditando que havia perdido.
Lukas e os outros rapidamente correram em direção da garota que permanecia parada no
meio do palco, a garota vencedora já recebera seu prêmio, mas Vivian ainda não acreditava que
havia perdido novamente. Lukas estava chateado em ver sua amiga triste, mas ninguém ousava
dizer nada para não chateá-la ainda mais.
— Hm... Foi uma boa batalha, Vivian... — comentou Luke sem graça.
— Não fique chateada, ainda vão haver outras oportunidades no torneio daqui há uma
semana... — explicou Stanley, mas a garota continuava atônita e parecia não querer respondê-los.
Vivian suspirou e levantou seu olhar de modo furioso.
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— Cadê aquela gótica retardada? — perguntou Vivian.
— Acho que está na saída, mas o que você pretende fazer? — perguntou Dawn receosa,
vendo a ruiva correr atrás da menina que estava para sair do salão — Meu Arceus, segura essa
garota pra ela não matar alguém!!

Vivian parou ao lado de Marley e apontou em sua direção pedindo para que parasse, a
menina apenas lançou um rápido olhar e parou. Vivian parecia furiosa, e seus amigos temiam que
ela fizesse o pior do modo que era estressada.
— Marley!! — gritou Vivian, hesitando em responder pelo cansaço — Você não vai
conseguir roubar o Lukas-kun de mim, tá ouvindo?!
Marley franziu o cenho de modo confuso, mas quem realmente estava envergonhado era
Lukas que agora não tinha como esconder-se da gafe que sua amiga o fazia passar.
— Você é minha rival a partir de agora!! Tanto no amor quanto nos torneios!! E da
próxima vez que nos encontrarmos pode ter certeza que vou dar o meu melhor e acabar com
você!! — gritou Vivian.
— Você é... muito irritante... Mas eu gosto. — comentou Marley de modo sério —
Espero poder encontrá-lo na próxima competição, e é bom tomar conta do seu namorado antes
que alguém o roube. Nos vemos na próxima. — disse Marley, revelando um raro sorriso na
sequência.
— Malditaaaaaaaaa, eu disse que ela tava dando em cima de você, Lukas-kun!!
— Ah... Na verdade é você que sempre entende as coisas errada... — brincou o garoto.
O céu logo começava a ficar em um tom alaranjado. Os torneios haviam sido bem
cansativos, e Vivian continuava furiosa sem largar Lukas de seus braços. Os jovens agora
retornariam para o o hotel depois de um dia bem cansativo, Luke olhava para o ginásio pensativo,
ele pensava em um modo de vencer Fantina sem utilizar Titânia, sendo que sua Froslass poderia
vir a tornar-se uma poderosa arma. Quais desafios ele teria em sua terceira batalha de ginásio?

Com a segunda fita em mãos, Lukas poderá começar a preparar-se para o seu próximo
torneio, por outro lado, Vivian pareceu não ter a mesma sorte na competição, de quebra ainda
ganhando uma nova rival para sua vida. Agora cabe a Luke e Stanley prepararem-se para a batalha
de ginásio que será realizada no dia seguinte, mas será que os dois conseguiriam sair-se bem
contra a habilidosa líder, Fantina?


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CAPÍTULO 24

Irmandade
Eleito o melhor capítulo pelo público
no The Omascar da Saga Pérola!

Lukas já estava de pé quando os fracos raios do sol passavam por entre as luxuosas
cortinas do quarto do Hotel Deluxe Heart. O garoto levantou-se de sua cama e partiu em direção
ao banheiro para trocar-se, andando lentamente no quarto para não acordar seu irmão que dormia
no sofá. Ele entrou no local e fechou a porta para começar a trocar-se, Lukas dava uma rápida
ajeitada em seu cabelo quando pôde ouvir alguém batendo na porta, ele abriu-a e deparou-se com
Vivian, que mantinha um belo sorriso estampado em seu rosto ao deparar-se com o jovem.
— Bom dia meu fofinho, campeão de torneios. — disse ela, abraçando Lukas de modo
que ele ficasse sem reação — Sabia que o ser humano precisa de dez abraços diários para sentir-se
bem?
— Acho que o Luke deve estar com um saldo negativo de abraços então, ele vai precisar
de uns cem por dia para alcançar essa meta. — brincou — Bom dia para você também Vivian, o
que faz acordada à essa hora?
— Eu sou uma treinadora de Pokémons inseto, eu acordo junto com o amanhecer, como
eles! — disse a garota — Brincadeira, eu cai da cama sem querer. Definitivamente, não estou
acostumada com camas gigantes como essa, eu pensei que fosse uma arena de batalha.
— Ahh... Então tá.
Lukas deu uma leve risada e então andou em direção da pia para escovar seus dentes,
Vivian sentou-se próxima do balcão da banheira e passou a fitá-lo de modo sereno. Lukas sentia-
se envergonhado em ter alguém observando-o o tempo todo, mas logo a ruiva passou a prolongar
um assunto.
— Me diga Lukas-kun, você e o Lucky-chan se dão bem? — perguntou Vivian, que
recebeu um olhar confuso do garoto.
Lukas refletiu por um momento enquanto observava seu próprio reflexo no espelho. Era
complicado ter um irmão gêmeo, acabou por lembrar-se do início de sua jornada em que os dois
estavam frequentemente discutindo para ver quem era o melhor. Momentos bons em que Luke o
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protegia parecendo ser um irmão mais velho e responsável, mas ao mesmo tempo algumas vezes
ele agia de forma imatura em que aparentava ser o mais novo.
— Refere-se ao Luke? Ah, sei lá. Irmãos, né... Eu preciso aturá-lo e ele precisa me aturar.
É de família, acho que todos irmãos brigam.
— Sinto saudade de minha família também, fazem três anos desde que saí em minha
jornada em Johto, para depois vir para Sinnoh. Eu tinha só dez anos naquela época... —
comentou Vivian com um sorriso em seu rosto como se lembrasse de todos os momentos pelos
quais passara em sua jornada — Eu tenho quatro irmãos, minha família sempre foi grande, então
você encontra meus primos em qualquer canto. Ah, eu tenho uma foto deles, você quer ver?
A garota saltou do balcão e pegou um pequeno caderno amontoado de fotografias
dentro, ela sentou-se ao lado de Lukas no banheiro e passou a mostrar sua família para o garoto.
— Que legal Vivian, eu não sabia que você tinha uma família bonita assim.
— Essa prima começou jornada comigo, acho que agora ela está nas Ilhas Laranjas. Essa
outra ficou em Johto mesmo, a maioria da família é de mulheres. Nós nunca tivemos muita
condição financeira, mas sempre fomos bem felizes. Eu sempre agradeço pela família perfeita que
eu tenho, por isso perguntei sobre o Lucky-chan. — disse Vivian.
— Sempre me dei bem com meus pais, mas acho que eu e o Luke somos meio... opostos
demais. Às vezes sinto que ele queria ter um irmão melhor do que eu. Eu queria poder ser
diferente, queria que ele se orgulhasse de mim... — disse o garoto com uma tonalidade chateada.
— Olha Lukas-kun, eu não levo jeito pra dar conselho encorajador pros outros, mas se
eu fosse sua irmã eu iria me orgulhar de ter você do meu lado todos os dias. — disse Vivian,
abraçando o garoto e encostando sua cabeça em seu ombro — É sério, você é gentil, cavalheiro,
humilde, inteligente, simpático, bonito... Você deve acreditar mais em si mesmo e em seu irmão, é
a igualdade dos dois, um completa o outro.
Lukas olhou profundamente nos olhos da ruiva que agora o encaravam de forma singela.
A garota segurou seu rosto de modo que os dois ficassem frente a frente, em seguida dando um
beijo em seu rosto.
— Lindo!! Agora deixa de se preocupar com isso e vamos descer para tomar café da
manhã!
Lukas levantou-se e então foi em direção da pia para escovar seus dentes. Vivian saltou
do balcão do banheiro e começou a tirar a blusa de seu pijama. Lukas arregalou os olhos ao ver a
garota despindo-se atrás de você pelo espelho, ele se virou e soltou um grito apontando para ela.
— O quê você está fazendo?!
— Ué, eu estou me trocando. Tem algum problema? — perguntou ela.
331

— L-Lógico que tem!! Eu ainda estou no banheiro!! — gritou Lukas.
— Mas você estava de costas...
— Tinha um espelho bem na minha frente!
— Ahh, pega nada, nós já somos quase casados.

Lukas passou a mão em seu rosto e saiu do banheiro sem saber como respondê-la, Vivian
deu uma leve risada e continuou a trocar-se como se nada houvesse acontecido. Lukas foi em
direção do quarto feminino para acordar Dawn e chamá-la para que pudessem tomar o café da
manhã, mas a garota parecia já estar acordada, penteando seus longos cabelos negros. Ela deu um
leve beijo na cabeça de Lukas e desejou-lhe bom dia, mas alertou que iria esperar Luke e Stanley
acordarem para em seguida descerem e tomassem café.
Lukas saiu do quarto na companhia de Vivian e andou pelos longos corredores do hotel
até chegarem ao restaurante, e após uma reforçada refeição eles saíram para aproveitar dos
melhores recursos da grandiosa cidade de Hearthome. Os dois andavam pelas longas avenidas da
cidade de Hearthome quando Lukas pode ver de relance um estranho pássaro que o
acompanhava. Ao virar-se, ele viu um pequeno Murkrow escondido nas sombras de uma varanda.
— Ei Vivian, aquele Murkrow não é mesmo que trouxe o ovo Pokémons ontem?
— Para mim todos os Murkrows parecem iguais...
— Sério? Mas esse parece diferente. Ele tem um chapéu maior e uma cicatriz no olho
direito, eu reparei isso ontem e lembro-me claramente desse olhar. — comentou Lukas, em
seguindo virando-se para continuar seu caminho, mas o pensamento continuava em sua
mente: Será que esse Murkrow pertence ao Marshall?
O sol brilhava intensamente,
Vivian segurou a mão de Lukas e sorriu
para o garoto, em seguida caminhando
alegremente pela cidade na companhia de
seu querido amigo que tanto apreciava. Os
dois seguiram em direção da mesma
sorveteria que haviam ido no último dia, o
local era bem tranquilo e no momento não
estava muito movimentado por localizar-se
em uma rua fechada.


332

As mesas e cadeiras eram revestidas de madeira dando um clima agradável à sorveteria que
era um dos pontos mais antigos da cidade, localizando-se próximo à casa de Poffins. Vivian
pediu um grande sundae para dois, cobertura de calda de chocolate com sorvete de creme e
morango, acompanhado de chantilly, granola, e uma pequena cereja no topo; com o calor que
estava não demorou para que os dois devorassem o sorvete. Vivian e Lukas ficaram por um longo
tempo jogando conversa fora, pareciam mais dois grandes amigos do que um casal.
Uma leve brisa passava pela cidade fazendo as cortinas das casas dançarem ao toque suave
vento. De repente, um garoto que caminhava na calçada entrou na sorveteria e encarou os dois
amigos que jaziam sentados em uma mesa. Ele tinha uma feição de descaso e sobrancelhas
franzidas como alguém que parecia irritado com algo, ele tinha um ar metido e esnobe, logo
causando um certo receio em Lukas por tratar-se daqueles garotos mal encarados que sempre
estão procurando confusão.
— Você é o garoto que apareceu ontem na televisão disputando um Contest aqui na
cidade. — concluiu o rapaz.
— Foi o meu querido sim, você viu como ele estava lindo fazendo as suas apresentações
no concurso? — perguntou Vivian com um sorriso, antes de ser surpreendida pelo que o garoto
estava para dizer:
— ...Pois eu achei uma merda.
Lukas rapidamente cessou seu sorriso e se pôs a observar o rapaz que agora estava de pé
ao seu lado, Vivian havia percebido que ele não parecia estar brincando e se diriga à eles com
severidade, embora os dois ainda não entendiam o motivo da ignorância.
— Olha aqui garoto, minha prima tava naquela competição e você não merecia ganhar
aquele prêmio nem um pouco, ela foi bem melhor do que você. Acho que você pagou os juízes
para comprar a vitória só porque seus pais são conhecidos.
Lukas manteve-se calado. Ele não havia feito nada daquilo pois sabia que havia
conquistado sua vitória com muito esforço e treino, porém, sua natureza não lhe permitia discutir
com algum desconhecido, e sua timidez apenas o fazia abaixar a cabeça e ouvir os desaforos com
atenção.
— Ei!! Seu idiota, quem você pensa que é pra sair por aí falando mal dos outros? Você
nem nos conhece pra sair por aí chingando qualquer um! — disse Vivian.
— Fica na sua metidinha, eu tô falando com esse moleque otário. — retrucou ele.
Vivian cerrou seus punhos e sentiu a adrenalina subir sobre seu corpo. Em momento
algum ela permitiria alguém falar mal daqueles que amava, e por isso avançou na direção do rapaz
para desferir-lhe um soco, mas ele era mais rápido, e rudemente segurou as pequenas mãos da
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garota e jogou-a contra o chão. Vivian chocou-se bruscamente batendo seu ombro com força no
concreto, Lukas saltou de sua cadeira para ajudá-la e em seguida mandou um olhar ameaçador
para o garoto ao seu lado que continuava a observá-los com desprezo.
— Eu sou Lúcio, da cidade de Veilstone. — disse ele.
— Ninguém perguntou seu nome, seu idiota. — resumungou Vivian, ainda sentindo
dores pela força que o rapaz jogara ela contra o chão. Lukas continuava com a garota em seu colo,
mas não sabia o que fazer. Não haviam muitas pessoas na rua no momento, e as que passavam
evitavam intrometer-se.
— Você não era digno de ganhar aquela fita, haviam pessoas muito melhores do que
você. E aquele seu Pachirisu idiota? Ele era uma porcaria! Da próxima vez que eu te encontrar
num torneio eu acabo com sua cara.
— Quem você pensa que é para sair por aí falando mal das pessoas? — continuou Lukas.
— Eu tenho quatro insígnias, sou bem melhor do que qualquer um de vocês. Eu só não
permito que gente fraca como vocês fiquem por aí tirando a glória de quem realmente merece. —
disse Lúcio — Olha só pra você garoto, volta pra mamãe, você é um idiota mesmo.
— Ele é educado, bem diferente de um certo idiota que está de pé na minha frente!
Agora quer fazer o favor de sumir daqui? — completou a ruiva.
Lukas mantinha sua cabeça baixa enquanto parecia nem mesmo ter coragem de encará-lo.
Vivian não poderia fazer nada, não havia como uma simples garota como ela fazer qualquer coisa
contra Lúcio, e por ele ter quatro insígnias ele provavelmente era muito mais experiente.
— Deixa eu ir embora porque já acabou a diversão. Foi muito legal encontrar vocês. —
debochou ele, partindo lentamente enquanto Vivian continuava caída no chão ao lado de Lukas.

Lukas ficou quieto por um momento, fitando o nada, mergulhado em pensamentos
contrapostos que cercavam seu coração; medo, raiva, insegurança, tristeza, ódio, não era possível
explicar como se sentia naquele instante, até que Vivian tornou a chamá-lo:
— Por que você não falou nada...? — perguntou ela com uma feição que lutava para não
deixar as lágrima caírem. Lukas suspirou e tampou o rosto com suas mãos.
— Eu não pude encará-lo porque tive medo... — sussurrou.
Lukas não queria encarar o mundo ao seu redor. Às vezes parecia ser difícil demais
continuar seguindo a vida, queria largar a mão de tudo e voltar para sua família, ter os mimos de
sua infância e seus pais ao redor para sempre lhe proteger. Por um momento foi como se seus
sonhos não importassem mais nada, sempre haveria alguém tentando destruí-los.
334

O sol foi brevemente tampado, Lukas levantou seu olhar e deparou-se com uma figura
que caminhava de modo austero. Os raios do sol atrapalhavam sua visão, mas o garoto caído no
chão sabia muito bem de quem se tratava. Sem desviar seu olhar, uma feição de frieza e ódio
cobria aquele indivíduo de modo que ele não dirigisse nenhuma palavra ao garoto caído. Era
Luke, que parecia ter visto todo o ocorrido.
Dawn rapidamente correu em direção de Lukas e Vivian para ajudá-los a se levantarem,
enquanto do outro lado, Stanley permanecia enconstado em uma parede apenas observando-os.
Dawn estava preocupada, mas Lukas estava ainda mais por ver seu irmão aproximando-se cada
vez mais de Lúcio que se distanciava aos poucos. Luke tocou com seu indicador sobre o ombro
do desconhecido que virou-se bruscamente com um semblante de desaforo:
— O que é garoto, veio chorar no meu ombro? — provocou Lúcio, que foi interrompido
por um soco que lhe acertara a face com todas as suas forças.
Tarde demais. Lúcio chocou-se bruscamente contra o chão, atordoado pela impacto que
recebera. Por um momento ele pensou em não se levantar pelo medo que sentia do olhar
ameaçador que o acertara, um olhar que exalava ódio, e que provavelmente não estava nem um
pouco contente com o que vira.
— Você cometeu três pecados que eu não posso perdoar: Primeiro, você nasceu;
segundo, você fez uma mulher chorar; e terceiro, você mexeu com a minha família. — disse Luke,
apontando para Lúcio que continuava caído no chão.
— De onde você tirou tanta força, garoto?! — perguntou o rapaz, percebendo logo em
seguida que Lukas estava caído ao longe, notando só então que os dois eram gêmeos. Lúcio deu
uma leve risada e então levantou-se passando a mão na ferida em seu rosto.
— Então quer dizer que você não consegue arranjar as coisas sozinho e tem que chamar
o irmãozinho para resolver ? Que imaturo. — provocou Lúcio.
Luke ergueu Lúcio pela gola da blusa e encarou-o com um olhar capaz de intimidar
qualquer pessoa.
— Eu te desafio para uma batalha. — disse Luke.

Um rápido olhar de vitória surgiu em Lúcio, ele sabia que teria total vantagem, pois tinha
orgulho de suas quatro insígnias. Vivian ficara pasma, não acreditava na proposta que seu amigo
acabara de fazer. Provavelmente Luke não imaginava que seu adversário já estava em um nível
mais avançado que o seu, pois ele nem mesmo havia conquistado sua terceira insígnia na cidade.
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— Então quer dizer que você está me desafiando para uma batalha? — perguntou Lúcio
de forma provocativa, mas não houve resposta por parte de Luke que deu as costas e preparou
sua Dusk Ball.
— Esse garoto têm quatro insígnias!! — comentou Vivian preocupada.
Nesse momento, Stanley que estava encostado em uma das parede ousou se pronunciar:
— A insígnia é apenas um objeto representativo que não prova em nada a sua verdadeira
força. A verdadeira força de cada um está dentro daquilo que é especial para você, sejam seus
sonhos, sua família ou seus amigos... Você tem que ter um motivo para seguir em frente. —
explicou o loiro — Fica tranquila, Vivian. Esse cara já era.
Luke mantinha sua feição séria enquanto o rapaz do outro lado já parecia sentir a vitória.
A rua estava deserta, e agora apenas os dois garotos se encaravam com severidade. Luke apontou
para Lúcio fazendo um sinal que indicava “dois” o que provocou uma certa curiosidade em seu
adversário.
— O que é isso?
— Dois. Com dois Pokémons eu acabo com você. — disse Luke.
— Apenas dois? Contra o meu time inteiro? É o que vamos ver. — provocou Lúcio.
O rapaz lançou sua primeira pokébola no ar que colocou em jogo um Floatzel. A raposa
parecia ser bem rápida e com certeza já havia passado por vários desafios ao lado de seu treinador.
Luke encarou a criatura ainda sem mudar sua feição, e em seguida lançou sua Dusk
Ball em campo. O dragão espreguiçou-se e então tomou posição de combate, ele lançou um
rápido olhar para Luke que mantinha seu rosto escondido na sombra da boina que usava.
— Gabite, esse cara falou mal do Lukas e do Pachirisu. E uma das coisas que eu não
perdôo é que critiquem a minha família. — disse Luke — Acabe com ele.
O dragão voltou seu olhar para seu adversário como se entendesse perfeitamente a
mensagem dada por seu mestre. Lúcio não esperou mais e ordenou um ataque:
— Floatzel, utilize o Aqua Jet!
Luke nem mesmo precisou ordenar para que seu Pokémon fizesse qualquer movimento,
os dois pareciam conhecer-se perfeitamente trabalhando em sincronia perfeita. Gabite acertou o
chão com força de modo que um grande pedaço de concreto formasse um escudo em sua frente,
Floatzel acertara sua cabeça diretamente na pedra. O Pokémon ficou atordoado por um
momento, e antes mesmo de retomar a consciência Gabite usou suas garras afiadas aplicando-lhe
um Slash e imediatamente tirando Floatzel de combate.
O dragão parecia mais enfurecido do que nunca. Ele costumava levar as lutas na
brincadeira, mas sabia muito bem quando deveria exercer uma função séria. Criticar seus amigos
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era algo imperdoável, e falar mal de Pachirisu era o suficiente para que o dragão terrestre se
tornasse uma verdadeira arma.
— D-De onde você tirou um Pokémon tão poderoso?! — indagou Lúcio, surpreso pela
derrota fácil de seu companheiro Floatzel — As coisas não vão ficar tão baratas. Ponyta, vá e
utilize o Stomp!
O rapaz recolheu seu Pokémon nocauteado e no mesmo instante colocou o cavalo de
fogo em atividade. O Pokémon avançou em direção de Gabite que defendeu-se do golpe
habilmente, a forte patada parecia não ter-lhe causado danos, suas escamas azuis eram duras como
o diamante das cavernas. Gabite imediatamente preparou um novo ataque.
— Rock Slide. — ordenou Luke.
O dragão pulara habilmente sobre alguns escombros retirando grandes pedras pontudas, e
em seguida lançando-as em direção do cavalo que nem mesmo teve chances de escapar do golpe
super efetivo. Ponyta estava soterrada, deixando Lúcio cada vez mais irritado. Luke parecia ter
total controle da batalha. Era como se seu próprio pai estivesse em uma batalha. Walter estava
sempre calmo e paciente, os dois tinham o mesmo olhar, a mesma forma de agir com seus
Pokémons. Era a primeira vez que Lukas via seu irmão batalhar de forma tão perfeita.
O próximo Pokémon lançado por Lúcio era um Sudowoodo. A árvore de pedra tinha
uma forte defesa e tentaria copiar os golpes de Gabite para usá-los contra ele.
— Não pense que dessa vez serei tão descuidado. Tenho uma tática muito melhor para
meu Pokémon e não deixaria que você vencesse tão fácil.
— Gabite, utilize o Sand Tomb no Sudowoodo. — disse Luke, como se já previsse
qualquer movimento de seu oponente.
O dragão rapidamente avançou em direção de Sudowoodo que encontrou-se trancafiado
na armadilha de areia, a árvore tentava atacar seu oponente, mas seus movimentos eram
prejudicados pela tumba de areia que ele mesmo criara cada vez que tentava se livrar. Gabite
tomou distância e pulou em cima do Pokémon, e ao parar sobre sua cabeça, lançou um Dragon
Rage diretamente deixando-o fora de combate.
Lúcio manteve-se quieto, mas em seguida deu uma leve risada debochante. Retornando
seu Pokémon derrotado ele pareceu não ter mais saídas, mas parecia que ele tinha um trunfo na
manga. Luke preferiu não contestar, até que o rapaz tornou a dizer:
— Acho que está na hora de eu usar meu Pokémon mais poderoso que me rendeu essas
quatro insígnias. E com ele, eu poderei acabar facilmente com esse seu Gabite de merda. — disse
Lúcio, lançando uma pokébola para o alto — Empoleon, vai!!
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Todos que assistiam a batalha se surpreenderam ao ver a grandiosidade do Pokémon
imperador. Dawn nunca havia visto um Empoleon em sua frente, era uma criatura bela, por um
momento ela almejou evoluir seu pequeno Piplup, bastava tirar a Everstone que o pinguim
carregava, embora o medo dele tornar-se uma criatura diferente de sua natureza a evitara de tal
ação há vários anos.
O Pokémon imperador era revestido de uma forte armadura metálico, seu andar
exalava autoridade e poder, parecia ter uma coroa de prata em sua cabeça, vestindo um manto
digno de reis. Aquele era provavelmente o inicial escolhido por Lúcio, e também viria a ser seu
Pokémon mais poderoso.



— Um Empoleon. — concluiu Luke — Retorne por hora, Gabite.
— Oh, então você vai tirar seu dragãozinho e colocar algum Pokémon que tenha
vantagem? Mas é um covarde mesmo, não tem coragem de enfrentar-me frente a frente?
Luke manteve-se quieto e em seguida lançou uma simples pokébola. Lúcio se surpreendeu
ao ver o tamanho do Pokémon, uma serpente de pedra enrolava-se em volta de seu treinador
como se o protegesse de qualquer perigo. Era Titânia quem disputaria a batalha final. Lúcio ficou
surpreso ao ver um Pokémon em total desvantagem sendo escolhido, mas com isso sentiu a
vitória ainda mais próxima de seu alcance.
— Você é louco? Não pensa nas estratégias antes de enfrentar alguém? Seu idiota!!
Luke interrompeu o rapaz novamente apontando para ele e fazendo o sinal de dois com
sua mão direita:
— Dois. Com dois Pokémons eu acabaria com você, só estou cumprindo minha palavra.
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Lúcio deu uma risada muito alta, em seguida começando a lançar várias críticas à Luke
que parecia não dar a mínima. O garoto apenas tocou levemente no rosto de Titânia que parecia
ouvir atentamente cada palavra de seu treinador.
— Esse garoto me dá nos nervos. — disse Titânia.
— Eu sei que ainda estamos em um processo de treino Titânia, e que você normalmente
não costuma me obedecer, mas esse cara me irritou. Criticou meu irmão e seus Pokémons, e eu
não permito que pessoa alguma fale mal de minha família. — explicou Luke.
— Vejo que você finalmente encontrou um propósito para realizar uma batalha, não tem
mais aquele frenesi por lutar e ser o mais poderoso treinador do mundo. Estou feliz que tenha
aprendido a lição. — disse a serpente.
— Que seja, só quero chutar a cara desse maluco de novo.
A serpente deu uma leve risada.
— Quais são as ordens, Senhor?
— Ordens, Titânia? Mas não era sempre você quem mandava ataques sem o meu menor
sinal? — perguntou o treinador.
— Estou de bom humor hoje, considere-se abençoado.
— Então vamos fazer do seu jeito. Que tal acabar com a batalha logo de cara?
— Eu adoro essa tática. Earthquake!!
A gigantesca serpente tomou distânia e em seguida lançou seu enorme corpo contra o
chão, causando um leve terremoto na cidade que chacoalhou casas e rachou calçadas. Empoleon
estava gravemente ferido sem a menor chance de ter escapado daquele poderoso golpe. Lúcio não
acreditava de onde aquele garoto tirara tanta força e por um momento sentiu-se intimidado por
seu olhar.
— E-Empoleon, levante-se! — ordenou ele para seu Pokémon, de modo que o hábil
pinguim se levantasse ainda que com dificuldade.
— Um oponente tão poderoso como ele não cairia com um simples Earthquake. Fazia
muito tempo que eu não tinha uma batalha decente, agora quais são as ordens, Senhor? — sorriu
Titânia.
— Utilize o Sandstorm. — acompanhou Luke.
— Empoleon, avance e utilize o Whirpool naquele Onix!!
O pinguim rapidamente avançou em direção da serpente que se concentrava na criação de
uma tempestade de areia, e sem que ele ao menos pudesse perceber já estava cercado por uma
forte tempestade. O golpe ajudava o próprio Empoleon, mas pelas dunas de areia criadas por
Titânia a serpente locomovia-se como uma sombra no abismo. A visão de Empoleon era afetada e
339

seu golpe aquático acabou por acertar apenas areia. Enquanto distraído, a serpente rapidamente
enrolou-se em volta de seu adversário e apertou-o até que toda sua armadura metálica trincasse.
Aqueles que assistiam pareciam pasmos pela fúria que a criatura carregava.
— Já chega, Titânia. — disse Luke de modo calmo.

A serpente apenas largou seu adversário no chão que caiu com força contra o concreto.
Logo a tempestade de areia cessou, e Lúcio permanecia imóvel pela derrota que obtera. Luke não
se deu no trabalho de olhar para seu oponente, de modo que apenas falasse de relance:
— Da próxima vez que mexer com a minha família vai estar mexendo comigo. Dá o fora
daqui.
— Seu desgraçado!! Da próxima vez eu vou acabar com você e com esses seus Pokémons
otários, e fica esperto moleque, da próxima vez o seu irmãozinho pode não estar do teu lado pra
te proteger! — gritou Lúcio, retornando seu Empoleon .
— Proteger? — pronunciou Luke — O Lukas não precisa de minha ajuda pra acabar
com otários como você, já que ele é até mais forte do que eu! Sorte que ele é muito educado, eu
só fiz isso para que ele não precisasse perder o tempo dele com merdas.
— Eu queria poder afundar a cara dele no concreto. — comentou Stanley, que assistia a
batalha.
Titânia rastejou lentamente em direção de seu mestre e parou ao seu lado, Luke tocou
levemente em sua face e deu um sorriso, em seguida a serpente parabenizou-o pela batalha.
— Boa batalha, Senhor. — sorriu ela, fazendo com que Luke revelasse um singelo sorriso
— Mas não pense que vai conseguir sair por aí mandando em mim, você ainda tem que melhorar.
— Eu adoro quando você me chama de Senhor. Me sinto mais forte e importante, sabe?
A gente poderia treinar assim mais algumas vezes. — brincou o garoto.
— Tolinho. — riu a serpente.
— Você e o Gabite fizeram um excelente trabalho. Agora já podem descansar. — disse
Luke, retornando seu pokémon.
Luke caminhou em direção de seu irmão ainda de modo sério. Lukas manteve-se quieto
como se quisesse abraçá-lo e agradecer tudo que fizera. Luke manteve-se calado por um
momento, mas em seguida deu uma leve risada e falou alegremente.
— Acabei com ele.
Lukas levantou-se no mesmo instante e correu para abraçar o irmão que ficou um pouco
sem graça, Dawn sorriu e andou em direção dos dois garotos abraçando-os em seguida. Vivian já
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parecia recuperada de modo que ela quase beijasse Luke por ter derrotado Lúcio, enquanto
Stanley apenas ria da situação.
— Obrigado irmão, de verdade, não sei como agradecer. — disse Lukas.
— Você vencia ele fácil cara, mas pena que essa sua educação superior à minha não te
permitiu dar um soco no meio da cara dele como eu fiz. Pelo menos deu tudo certo, deixa o
trabalho sujo pra mim e continua assim, maninho. — brincou Luke, tampando o rosto do garoto
com sua boina.
— Ohh, você foi tãooo fofênho protegendo seu irmão!! Foi tipo assim, MUITO style, tá
ligado?! A-R-R-A-S-O-U. — disse Vivian.

Gabite e Pachirisu que haviam saído de suas pokébolas agora assistiam a confraternização
de seus treinadores. O dragão olhou para o pequeno esquilo e tocou em sua cabeça como se
dissesse: Você também é o meu irmãozinho, meu dever é te proteger. O esquilo abraçou com
força o dragão que ficou meio sem jeito, Gabite sempre tentava manter a pose de malvado, mas o
que mais lhe preocupava era sua família, e ele faria de tudo para protegê-la. Cada Pokémon que
entrava na equipe passava a tornar-se um novo membro da família, um completava o outro, e
apesar de todas as diferenças era isso que a tornava completa.
— Achei muito nobre de sua parte você proteger o Lukas. — comentou Dawn,
segurando de leve nos braços de Luke — Porém, você sabe que foi totalmente errado bater em
alguém no meio da rua. Vocês deveriam ter conversado antes, isso podia vir a ser caso de polícia!
— Se nós formos parar na delegacia você será o culpado. — brincou Stanley.
— Seu bando de mal agradecido, pelo menos eu resolvi as coisas, demorô? E o
importante mesmo é que o Lukas ficou bem, detesto esses caras metidos que ficam se gabando
para as pessoas.
Dawn deu um leve sorriso e tocou suavemente no rosto de Luke:
— Heh, heh, heh... Por outro lado, veja que bonito, você nunca mais chamou seu irmão
de pivete. Pelo visto vocês dois aprenderam a conviver em harmonia. — disse Dawn.
— Não seja por isso. Pivete. — brincou Luke, agarrando o irmão e batendo em sua
cabeça com força — E eu continuo sendo três minutos mais velho que você cara, e isso me dá
poder!
— Meu Arceus, lá vem ele com essa conversa de novo... — retrucou Lukas. — Mas sabe,
Luke, eu tenho orgulho de ter você como irmão!
Luke deu um leve sorriso, e em seguida retribuiu o abraço. Ele queria poder dizer o
mesmo, mas suas palavras não conseguiam sair de sua boca. Mesmo que ele não houvesse dito
341

nada, seu sorriso já transmitia a mensagem de seu coração: Eu também me orgulho de você,
irmãozinho.
Gabite aproximou-se de seu treinador e olhou para Luke com um sorriso de canto, o
dragão parecia perguntar para o garoto: Por quê você não fala o que sente para seu irmão? Luke
apenas ri e fala brincando:
— Pô, Gabite... É que pega mal eu falar assim na frente de todo mundo! E meu orgulho,
aonde fica?!
Os dois riram e por fim continuaram seguindo o grupo. Era por volta de meio dia, e com
esse treino adiantado Luke estaria pronto para enfrentar a líder Fantina naquela mesma manhã.
Stanley também pretendia agendar uma batalha, então provavelmente ainda haveriam duas
batalhas ainda mais excitantes em Hearthome.

Lukas percebera que apesar de todas as brigas sua família ainda era o tesouro mais
precioso em sua vida. Luke mudara muito, a viagem parecia amadurecê-los de forma a encarar o
mundo de forma mais abrangente e madura. Sempre sofremos derrotas, a vida nos derruba, mas
cabe a cada um decidir se vai levantar ou não. O Ginásio Fantasma os aguarda.


















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CAPÍTULO 25

Paixão Fantasma

As batalhas estavam para começar. O passar do meio dia trazia algumas nuvens cinzentas
que pouco a pouco começavam a cobrir o céu iluminado de Hearthome com o possível anúncio
de uma chuva que estava por vir, Stanley e Luke preparavam suas inscrições para enfrentar a líder
do ginásio fantasma da cidade e sentiam claramente a ansiedade para poder batalhar contra um
elemento tão macabro. Até mesmo o clima parecia tomar um ritmo tenebroso no momento em
que ambos os treinadores tinham receio de dar o primeiro passo. Stanley desconhecia o líder, e
temia que enfrentasse um oponente que lhe cobrisse de pesadelos durante a noite; mas Luke tinha
um medo ainda maior, e certamente devia preocupar-se com aquela batalha, pois poderia vir a ser
a última de sua vida no ritmo que andava.
— Dawn, por quê exatamente você carrega um canivete em sua bolsa...? — perguntou
Lukas com insegurança.
— Só estou me prevenindo de certas coisas, meu querido. — respondeu a garota, afiando
a ponta da faca e em seguida apontando pra Luke que estremeceu — E então, quem vai primeiro?
— O Stanley. — afirmou Luke prontamente, o que causou uma certa surpresa em seu
rival que o olhava assustado.
— Nossa, você está com tanto medo assim de enfrentar esse ginásio? Ouvi dizer que lá
dentro é tão escuro que você não é capaz de enxergar nem a sua própria mão... Se o desafiante não
decifrar as charadas do líder ela pode jogá-lo em um calabouço e prendê-lo como um escravo para
todo sempre... — comentou Stanley — Mas são lendas Lucky, acho que não tem um motivo para
você se preocupar.
— Não são os fantasmas que me assustam cara. É algo muito pior...
— Você tem alguma idéia de como irá enfrentar a líder do ginásio, Luke? — perguntou
o irmão.
— Sei lá, quero evitar ao máximo usar a Titânia aqui. Tô pensando em usar a Froslass,
nós treinamos um pouco enquanto caminhávamos pela rota 206, mas eu não gosto de usar ela em
batalhas, sei lá, não gosto de ver ela se machucar...
— Ownn, que fofinho você se importando com seus Pokémons!! — disse Vivian.
— Aposto que ele só fala isso porque a Froslass é fêmea.
343

— Mas a Titânia também é fêmea, e ele não parece ter esse “carinho” com ela. Acho que
na verdade é a Titânia quem manda nele. — brincou Stanley.
— Tudo bem, vamos deixar pra falar mal de mim depois e enfrentar a líder logo. Deixo a
primeira batalha com o Stan, pelo menos vou ter mais chance de pensar em uma estratégia já que
serei o segundo a batalhar... — continuou Luke, fazendo uma longa pausa e olhando para Dawn
que continuava a lançar olhares ameaçadores para sua pessoa — E isso se eu estiver vivo até lá...

Luke e Stanley pararam logo em frente ao grande portal que dava entrada no ginásio, o
próprio portão parecia ser amaldiçoado trazendo um ar macabro como as catedrais de outrora.
Os rivais respiraram fundo e então tocaram ao mesmo tempo nas alavancas que abriam a porta,
empurrando-a e logo em seguida propondo o desafio.
— Eu desafio o Gym Leader de Hearthome! — disseram os dois como em uma única
voz desencadeada pela segurança e perseverança em enfrentar um dos ginásios mais difíceis da
região.
Um vento gélido passou por entre seus corpos. Conforme as lendas diziam, não era
possível enxergar um palmo a sua frente. Os dois garotos permaneciam encarando a escuridão à
espera de uma resposta, quando o eco de uma voz já conhecida pôde ser ouvida na imensidão
daquele ginásio.
— C’est showtime!
No momento em que todas as luzes foram ligadas o grupo pôde notar uma imensa
plateia que aguardava ansiosamente o início da batalha. Praticamente todas as bancadas estavam
cheias, as pessoas aplaudiam os desafiantes e o início de uma grandiosa batalha. Haviam três
grandes vidraças na parte mais alta daquele ginásio, e as figuras estampadas traziam desenhos de
Pokémons Lendários raramente vistos naquela região. O local aparentemente estava em obras,
pois haviam alguns equipamentos na arena principal, mas mesmo assim, toda aquela bagunça não
escondia a grandiosidade de um dos ginásios mais belos de Sinnoh.
No centro da arena estava Fantina, com seu longo vestido roxo e dançando de forma
sedutora. A mulher aproximou-se lentamente de Luke e puxou-o para dançar valsa em meio
àquela multidão, Dawn sentia ciúmes a ponto de não conseguir conter-se, principalmente no
momento em que as luzes se concentraram exatamente na líder de ginásio e no desafiante.
— Aguardei durante anos o dia em que você viesse a me desafiar, mon cher. Há muito
tempo tenho aguardado este dia e agora nos encontramos frente a frente encarando a doce
realidade... — disse Fantina.
— Mas não faz nem um mês que nos conhecemos. — retrucou Luke.
344

Fantina fez um rápido movimento com Luke e aproximou-o de seu corpo, tocando
levemente em seu peito.
— Tudo é uma questão do destino. Não cabe à nós escolher.

A mulher deixou o lado do garoto e em seguida continuou rodopiando até localizar-se no
centro do ginásio. Uma batalha contra Fantina era uma ocasião rara, nem sempre os desafiantes
conseguiam marcar horário com a líder por conta dela sempre estar ocupada com afazeres das
competições da cidade, porém, dessa vez a própria líder fizera questão de agendar um horário
para aquela batalha.
— Mesdames et Messieurs, contemplem um legado jamais esquecido dos tempos em que
o lendário Walter Wallers era o campeão de Sinnoh! Eu lhes apresento Luke Wallers, e seu irmão
Lukas Wallers!!
A plateia parecia estagnada. A partir daquele momento o mundo inteiro reconheceria os
dois pequenos como filhos de um campeão, uma vez que Fantina fazia questão de chamar atenção
e concentrar todo o foco em suas apresentações. Lukas estava extremamente envergonhado, mas
de certo modo Luke sentia-se animado por ter seu nome reconhecido. Tudo que ele tinha a fazer
agora era manter a honra de seu pai e arquivar a vitória.
— Jovem Lukas, eu lhe devo meus parabéns por sua apresentação ontem.
Foi spetaculaires e digno de sua vitória. — elogiou Fantina.
O garoto agradeceu ainda que sem jeito. Stanley aprontou-se em seguida e pronunciou-se
para a líder:
— Fantina, antes que o Luke batalhe contra você, eu estarei sendo o seu primeiro
adversário!
A mulher olhou profundamente para o garoto parecendo lembrar-se de alguém que
conhecia no passado.
— Oh, você é muito parecido com um amigo que eu tinha na infância. Por um acaso
você é filho de Palmer Tycoon, blond?
— Sou eu sim, meu nome é Stanley Tycoon. E vim disputar a insígnia. — sorriu o
garoto.
— Fantastiques, estaremos tendo duas batalhas maravilhosas essa manhã! Vamos nos
aprontar, quero que todos contemplem uma das batalhas mais lindas da década!
Stanley entrou na arena de batalha na companhia de Fantina que parecia mais concetrada
em dançar do que concentrar-se na disputa. Luke, Lukas, Dawn e Vivian estavam na companhia
de uma grande platéia, mas os jovens tinham assentos reservados especialmente para aquela
345

ocasião. Era raro ver Fantina realizar duas batalhas em uma única manhã, e os jornais não
perderiam a chance de ver uma verdadeira estrela em ação.
Luke iria aproveitar para estudá-la na tentativa de pensar em uma técnica que levasse
vantagem, embora a ansiedade não o permitisse concentrar-se naquela ocasião.
— Luke, mon amour!! Quando eu ganhar irei dedicar esta vitória à você, mon cher!! —
gritou ela, acenando para a platéia de modo que deixasse o rapaz extremamente sem graça.
— Se eu fosse um Sandshrew eu já teria enfiado minha cabeça num buraco cara, eu só
não enfio aqui porque o chão é feito de concreto. Que vergonha... — disse Luke.
Stanley aprontou-se na arena de modo que estivesse pronto para finalmente desafiar a líder.
— Alguma regra, Fantina?
— Dois Pokémons contra dois, blond. Está preparado?
— Vamos começar então! Bronzor, eu escolho você!!
Stanley lançou um pequeno Pokémon que aparentava uma formato achatado parecendo
um espelho de bronze mantido em uma coloração azulada e platina. Luke já havia visto-o antes,
mas em momento algum havia visto seu rival batalhando contra um líder de ginásio. Era uma
forma de estudar ambos os oponentes.
— Gengar, c’est showtime!!
Fantina lançara um Pokémon fantasma que mantinha um sorriso malicioso em seu rosto,
a criatura de coloração roxa tinha olhos vermelhos que mantinham-se fixados em Bronzor que
tentava encorajar-se para enfrentar o oponente.

Stanley não deixou se intimidar e no momento em que o juíz anunciou a bandeira ele se
pôs a ordenar a primeira investida:
— O Gengar também é do tipo venenoso, então ataques psíquicos serão super efetivos!
Bronzor, utilize o Extrasensory!
— Gengar, seja mais rápido e lance um Confuse Ray no adversário! — ordenou a líder.
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O Pokémon fantasma era conhecido por seus altíssimos níveis de Speed e Sp. Attack,
Gengar era sem sombra de dúvidas mais rápido que Bronzor, e desse modo lançou um raio que
fez com que o pokémon espelho ficasse confuso em meio a arena de batalha.
— Bronzor, utilize o Safeguard! — ordenou Stanley.
— Ataque com o Shadow Ball.
Bronzor agora tentava manter-se na defensiva, mas seu oponente era rápido e conhecia
vários golpes que aos poucos quebravam a defesa do Pokémon metálico. Stanley precisava agir
rapidamente.
A batalha prolongou-se enquanto Luke observava cada passo dos dois atentamente. Os
golpes fantasmas de Fantina eram extremamente misteriosos e com certeza causariam fortes danos
em Froslass, que por sua vez também era um Pokémon fantasma. O garoto precisava pensar em
uma tática rapidamente.
— Ela é bem forte. Parece ser só uma mulher apaixonada, mas faz jus ao seu título de
líder de ginásio em uma batalha. Você terá problemas para enfrentar a Fantina, Luke. — alertou
o irmão.
— Eu sei... Estou pensando em propôr uma batalha três contra três. Desse modo poderei
usar a Titânia caso a situação piore. — afirmou ele.
— Luke, você é muito dependente da Titânia! Como irá fazer quando ela não estiver
mais por perto? Parece que você depende só dela, é óbvio que você deve depositar uma grande
confiança nela, mas acredito que você também deva acreditar em seus outros Pokémons. — disse
Dawn.
— E-Eu não sei o que fazer!! Vou propôr uma batalha de dois contra dois e vou utilizar
a Froslass e o Gabite, afinal, os golpes estratégicos do Shieldon não seriam uma boa jogada... —
comentava Luke que continuava mergulhado em seus pensamentos para pensar em uma estratégia,
quando de repente, ele pôde ouvir o juíz anunciar a derrota do Bronzor de Stanley.
— Bronzor está fora de combate, a
vencedora do primeiro round é a Senhorita Fantina,
e seu Gengar! O segundo round está para começar,
qual será a escolha do desafiante?
— Vamos lá Grotle, vou deixar as coisas
para você resolver. — disse ele, lançando a pokébola
de seu Pokémon tartaruga.

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— O Stan está perdendo... As situação está ficando precária. — disse Lukas.
— O Grotle dele é muito forte, Lukas-kun. É o Pokémon preferido e inicial dele, pode
ficar tranquilo que ele deve ter alguns truques na manga. — concluiu Vivian.
De volta à arena de batalha, Fantina mantinha-se desconcetrada enquanto Stanley bolava
estratégias para derrotar o adversário.
— Você deveria investir em Pokémons mais rápidos, mon cher. A velocidade é como na
dança, se você não for rápido o suficiente não conseguirá acompanhar os passos do adversário! —
disse Fantina.
— Eu sei como derrotar esse seu Gengar agora, sei que ele está enfraquecido e não
aguentará muito tempo. — concluiu.
— Então permita-me mostrar-lhe o verdadeiro segredo dos Pokémons fantasmas!
Gengar, lance um Curse em direção de seu adversário!
Stanley assustou-se ao ouvir tal palavra sendo proferida. Aquele golpe era extremamente
letal, algo que sacrificava o próprio pokémon para lançar uma maldição nos adversários, um golpe
que funcionava de modo totalmente diferente para os fantasmas do que para qualquer outro.
Gengar parecia criar uma imagem fantasmagórica em que um prego cruzava sua cabeça, causando
assim um profundo medo na tartaruga que observava tudo atentamente. O Gengar caiu derrotado
em seguida, mas agora aquela imagem sinistra continuava na mente de Grotle que parecia
atordoado com a batalha.
— Drifblim, viennent briller!
Fantina lançou um Pokémon que tinha a aparência de um grande balão que permanecia
flutuando em meio à arena de batalha. A criatura tinha uma coloração roxa e com toda certeza
assemelhava-se muito à figura da própria líder de ginásio. Os Drifblims eram os Pokémons
preferidos de Fantina, de modo que os dois parecessem dançar em uma perfeita sincronia.

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— Grotle, vamos lá! Ataque com o Bite!
Mesmo que o Pokémon sofresse com a maldição lançada por Gengar, a tartaruga
obedeceu seu treinador fielmente e deu uma forte mordida em Drifblim que sofreu um grande
dano pelo ataque, porém, os níveis de energia dos Drifblims eram extremamente altos, e com isso,
o Pokémon ainda parecia disposto a receber uma centena de golpes.
— Drifblim, Stockpile!
O Pokémon balão parecia tomar tamanho enquanto absorvia uma energia misteriosa que
cada vez mais aumentava todas as suas defesas. Provavelmente aquela seria a tática de Fantina,
enquanto seu adversário sofria da maldição imposta por Gengar, o astuto Drifblim, com seus
altíssimos níveis de defesa e energia, permaneceria intacto até que o inimigo caísse exausto.
— Que tática formidável. Essa mulher vai ser difícil de se derrubar. — disse Lukas.
— Um Drifblim... Como será que eu poderia derrotá-lo...? — suspirou Luke, mantendo
seus pensamentos voltados para a batalha.
A disputa continuava e Drifblim mantinha sua defesa aumentando cada vez mais. Grotle
continuava com a temível imagem da maldição em sua mente, e a cada minuto aquilo parecia
afetá-lo com mais intensidade.
— Grotle, lance o Mega Drain!
A tartaruga levantou sua visão para Drifblim, mas por um momento foi como se Gengar
mais uma vez dominasse sua mente. Aquilo já havia passado dos limites, e então Grotle caiu
derrotado pela maldição imposta por seu último oponente.
— Grotle está fora de combate! A vencedora é a Senhorita Fantina, e o seu Drifblim! —
anunciou o juiz.
Stanley parecia surpreso por ter sido derrotado pela líder, mas ainda assim, aquilo não
havia causado-lhe tanto desespero, pois ele havia aprendido muito com a batalha, e mesmo que
com a derrota, ele poderia preparar-se para uma revanche.
— Acho que te subestimei de primeira instância. — disse Stanley.
— Você é um ótimo treinador, mon cher. Seu pai deve orgulhar-se de você. Tenho
certeza que se permanecer fiel nos treinos ainda irá longe com seu Grotle. Félicitations! — sorriu
Fantina.
O público continuava presente, mas já havia diminuído muito. Fantina apontou em
direção dos jovens que continuavam sentados nas arquibancadas, e com isso anunciou:
— Você é o próximo, moun amor. ♥ — sorriu ela, apontando para Luke.
— Vai lá cara, e boa sorte. — desejou Stanley.

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Luke parou por um momento e olhou para seus amigos na esperança de que algum deles
tivesse ideia de como derrotar aquela líder, embora nenhum deles parecesse ter descobrido um
ponto fraco naquela ocasião crítica. Ele chamou os companheiros presentes e então bolou uma
rápida estratégia.
— Vivian, a parada é o seguinte: Eu preciso que você corra em direção dessa mulher,
amarre ela, coloque ela dentro de uma caixa, jogue no oceano, e depois volte pra cá. Se a gente
fizer isso bem rápido pode ser que ela não venha atrás de mim e eu tenha a vitória por W.O. —
concluiu Luke.
— Uhh!! Uhh!! Gostei, gostei, quanto tempo eu tenho pra fazer isso?!
Os amigos do garoto se entreolharam parecendo não acreditar no truque inútil que o
garoto tivera.
— Você já foi mais criativo. — respondeu o irmão.
— Ahh, eu tinha achado bem divertido...
— Luke, por que você não enfrenta a Fantina frente a frente da mesma forma que
enfrentou todos os outros líderes? Olha só pra ela, parece Slowbro com dor de barriga, por que
tem tanto medo de enfrentar a Fantina? — perguntou Dawn.
— Arceus, nunca senti tanto medo na minha vida. Seria algum tipo de ginefobia por
mulheres mais velhas?!
— Usa sua cabeça, garoto. — respondeu Dawn, dando um rápido empurrão com seu
indicador na testa de Luke. Nesse momento seu cérebro criativo pareceu ter uma ideia. Se Fantina
era apaixonada por Luke, então por que não tirar vantagem disso para arquivar a vitória?
— Valeu Dawn, acho que tive o plano perfeito.
Luke caminhou em direção de Fantina que continuava no aguardo da chegada de seu
amado oponente.
— Emperour Luke, eu esperei por muito tempo esse dia, e agora finalmente pude
encontrá-lo no campo de batalha. Esta disputa será tão parfaite!! — disse Fantina.
— Fantina, eu preciso te falar uma coisa...
Dawn e seus amigos observavam o garoto antentamente que parecia planejar algo, Luke
suspirou e retomou seu olhar para a mulher que parecia surpresa do outro lado da arena.
— Você vai pegar leve comigo, não é? ♥ — perguntou Luke de modo delicado o que
mais fazia com que ele parecesse com seu irmão.
Fantina soltou um grito apaixonado enquanto parecia não conter-se, ela tinha vontade de
abraçar o garoto, mas não poderia sair de sua arena de batalha para tal feito. Ela parecia
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totalmente desconcentrada enquanto falava sozinha e todos a observavam confusos, Luke
mantinha em seu rosto um sorriso de vitória.
— Que coisa de viadoooo!! — gritou Stanley, caindo na risada.
— Olha só!! E não é que ele usou a cabeça mesmo para pensar em alguma coisa útil?
Misturando os sentimentos da Fantina e o jeito meigo do Lukas-kun, o Luke conseguirá seduzir a
líder! — disse Dawn — Manda ver Luke!! Nós estamos torcendo por você!!
— Ohhh, mon cher. Isso foi tão inesperado, e eu nem mesmo estou preparada para nosso
casamento!! Ohh, quando essa batalha terminar nós faremos uma linda festa com muitos balões e
bolos e convidaremos Sinnoh inteiro!! Sera divin!
— Podemos começar nossa batalha então? — perguntou o garoto.
— Ahh claro, claro. Permita-me lançar um Pokémon primeiro. Mismagius, vamos lá!! —
disse ela.
Fantina tinha em campo um fantasma que mais assemelhava-se à figura de uma bruxa
fantasmagórica. O vestido roxo da criatura era manchado com tonalidades em lilás de forma que
somente os olhos vermelhos da criatura se destacassem em meio ao vulto que sobrevoava a sala.
Era um Pokémon muito bem treinado, mas Luke tinha seu plano caminhando em perfeita
sincronia.
— Tudo bem então, Froslass eu escolho você!!

Luke lançou a pokébola de um Pokémon que não era frequentemente visto em Sinnoh.
Até mesmo seus amigos haviam visto poucas vezes a doce figura gélida, que por sua vez, preferia
manter-se isolada de todos os outros. Froslass era tímida, e com a grande platéia que assistia a
disputa ela parecia receosa em iniciar a batalha. Ela não tinha muita experiência em combate, mas
Luke estava disposto a tentar.
— Mismagius, comece utilizando o Psybeam! — disse Fantina, que ao olhar para Luke
por um momento pareceu perder a fala. O garoto deu um leve sorriso, o que fez com que a
351

mulher logo ficasse sem graça e virasse seu rosto — Ohh, você é tão fofinho!! Eu fico imaginando
o dia em que poderemos viver juntinhos para sempre e morar em minha terra natal, a cidade da
luz!! É tudo tão romântico! ♥
— Isso mesmo Fantina-chan, continue pensando em coisas boas! Agora Froslass, utilize
o Ominous Wind em direção de Mismagius!!
Mismagius estava confusa sem as ordens de sua mestra, a pequena criatura de gelo
desapareceu e com isso criou uma cortina nebulosa que cobriu toda a arena. O golpe fantasma
acertou Mismagius causando um forte dano, logo, Luke havia aproveitado-se da desconcentração
de Fantina para ganhar vantagem sobre o adversário.
— Fantina is immobilized by love... — ironizou Stanley, comparando a tática de Luke à
habilidade Cute Charm de alguns pokémons.
— Mismagius, vamos retomar o curso da batalha! Eu quero que você utilize o...
Luke parou novamente e sorriu para a mulher.
— Você está linda hoje, Fantina.
— Aaaaaaaahh!! ♥ Você achou mesmo? Eu trouxe este vestido especialmente para nosso
encontro hoje, tenho outros trezentos e sessenta e quatro exemplares iguais, mas este é o melhor e
mais caro da minha coleção!! É última tendência dos melhores estilistas de Sinnoh. — continuou
Fantina, deixando seu Pokémon à própria sorte.
— Fantina flinched. — ironizou Stanley novamente.
— Froslass, mantenha o ritmo utilizando o Ominous Wind! — ordenou ele.
O Pokémon novamente criou um vento sinistro que acertou Mismagius em cheio
fazendo com que o fantasma bruxo caísse derrotado. Froslass parecia assustada por ter derrotado
seu primeiro oponente numa batalha oficial, e isso mostrava sua inexperiência em meio às
disputas. Ela parecia não apreciar lutas, destentando machucar outros Pokémons, e por isso se
mantinha isolada nas florestas solitárias de Eterna. Porém, a pequena dama de gelo ainda fazia de
tudo para agradar seu Mestre.
— Muito bem Froslass, você foi demais! — elogiou seu treinador, fazendo com que a
criatura corasse levemente.
— Oh mon, a batalha já acabou? Então agora eu precisarei retomar o curso da batalha
para garantir o prejuízo. Vamos lá Drifblim, le spectacle commence!
O Pokémon balão estava mais uma vez na ativa, disposto a utilizar-se de suas estratégias
defensivas para derrotar o adversário. Froslass recuou ao deparar-se com seu poderoso oponente,
mas Luke encorajou-a a permanecer na batalha e enfrentar os desafios.
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— Não se preocupe Glaciallis, eu não deixarei que nada de ruim aconteça com você.
Vamos enfrentar essa juntos! Comece lançando o Confuse Ray em direção de seu adversário!
Froslass fez conforme seu mestre lhe ordenara e com isso lançou uma esfera em direção
do Pokémon balão que ficou atordoado.
— Hm, utilizando golpes fantasmas contra uma própria especialista em Pokémons
fantasmas. É uma pena, mas terei que machucar sua pequena amiga...
— Fantina! Você está espetacular hoje!! — gritou ele rapidamente.
— Ahh, adoro quando você fala isso! ♥
— Rápido Froslass, utilize o Icy Wind em direção do Drifblim! O ataque será super
efetivo! — prontificou-se ele.
Froslass continuava apenas na ofensiva de modo que Fantina
continuasse desconcentrada em meio a batalha. Aquilo incomodava Dawn, mas de certo modo a
tática estava funcionando de modo perfeito. O inimigo balão continuava de pé, e mesmo que não
tivesse controle de sua treinadora, o grandioso Drifblim ainda não cairia tão cedo. Sua camada de
pano o protegia como uma verdadeira armadura, e somando a inexperiência de Froslass, aquela
luta parecia longe de acabar.
— Droga, esse Drifblim tem muita energia, nós não vamos derrubá-lo tão cedo se
continuarmos nesse ritmo... — concluiu Luke — Froslass, retorne a utilizar o Ominous Wind!
Froslass tornou a usar seu golpe que cobriu todo o ginásio em uma densa névoa, porém,
após desferir o ataque em direção de Drifblim, a pequena parecia estar revigorada. Aquela era uma
das vantagens do golpe, o usuário tinha todos os seus atributos melhorados, tornando-se assim
mais forte em todas as perspectivas.
— Oh, my! Drifblim, lance o Shadow Ball!! — ordenou Fantina em todo o seu
desespero.
Ao lançar o ataque, o Pokémon balão se confundiu acertando a si próprio por conta
do Confuse Ray lançado no início da batalha. A situação parecia piorar cada vez mais.
— Dammit. — resmungou Fantina — Você me distraiu durante a batalha inteira, mas
não pense que agora eu vou deixar isso barato... Drifblim, utilize o Payback!
A criatura rapidamente partira em direção de Froslass aplicando-lhe um golpe que lhe
afetara muito. As defesas da pequena dama de gelo eram baixíssimas, e por esse motivo Luke
tinha um carinho especial para com ela. Ele a tratava como uma boneca de vidro, pois sempre
tivera um carinho especial por aqueles que amava. A fantasma caíra em frente ao garoto quase que
derrotada. Fantina não parecia alegre, pois também sentia tristeza em ver o garoto chateado.
353

Luke agachou na altura de Froslass, mas era impedido de correr em sua direção. A batalha
não estava terminada, e a pequena ainda tinha forças para batalhar.
— Vamos lá querida, às vezes temos que batalhar para adquirir experiência e enfrentar os
problemas da vida! Eu acredito em você, sei que você consegue!! Icy Wind!

Fantina ordenara um novo Shadow Ball, e Drifblim era muito mais rápido do que a
pequena. Tudo dependia de uma jogada da sorte, e no momento crucial da batalha, o balão
acertou a si mesmo em um movimento de confusão causado pelo Confuse Ray. Num último
golpe super efetivo, Froslass criou um vento gélido que congelou Drifblim por completo fazendo
com que o balão se chocasse bruscamente contra o chão, caindo derrotado. O gelo partiu-se e o
Pokémon estava inconsciente. O juiz anunciou a vitória por parte do desafiante, e no fim das
contas conseguiu proteger a pequena Froslass que parecia extremamente contente com a vitória.
— Eles venceram!! — gritou Lukas animado, correndo ao encontro do irmão na
companhia de seus amigos.
Luke correu para o campo de batalha e abraçou sua Froslass que corou com o ocorrido,
mas ao deparar-se com a multidão de pessoas em sua volta ela simplesmente desapareceu de
vergonha.
— Você fez um bom trabalho, Glaciallis, descanse agora. — disse seu treinador,
retornando o pokémon.
Fantina permanecia de pé do outro lado da arena, ela parecia não acreditar que no fim das
contas havia cedido a vitória por uma tática tão simples. Aquilo era imperdoável para alguém com
o posto de líder de ginásio, pois sua função era testar os treinadores mesmo que fosse obrigada a
ignorar o amor e a amizade. A mulher andou lentamente em direção de Luke que comemorava a
vitória com seus amigos, ela juntou suas mãos e pediu perdão de forma cortês como nos costumes
franceses.
— Pardonnez-moi... Não fui forte o bastante para enfrentá-lo em uma batalha, mon cher.
Não sei se sou digna de voltar a competir, sou uma desgraça como líder de ginásio... — disse
Fantina em um tom de tristeza.
— Você é uma mulher forte, e perdeu por um sentimento muito mais importante do que
um cargo de líder de ginásio, o amor! — sorriu Lukas.
— Exatamente, se você quer algo de mim é só pedir! — explicou Luke — Eu não quero
nada de você, só quero a sua fecilidade.
— L-Luke... — corou ela com um olhar choroso — Você é idêntico ao seu pai, até
mesmo na forma de batalhar. Lembro disso quando eu o enfrentei e ele era apenas um garotinho
354

juntando insígnias para lutar contra a Liga, talvez por isso eu tenha ganhado tanto afeto com
você...
— Meu pai? Espera aí, quantos anos você tem?!
— Isso é segredo, moun amor. Isso é segredo... Hoh, hoh, hoh! E quanto à você, meu
querido Luke. Ofereço-lhe a Relic Badge que é parte integrante do ginásio oficial de Hearthome.
Você se saiu muito bem e deu duro para utilizar de minhas fraquezas e para me derrotar.
Combinou a elegância de sua pequena Froslass para derrubar a minhas estratégias e poderes, mas
sempre levando o carinho por seus Pokémons em primeiro lugar. Esta insígnia é sua.
Parabéns, mon amour.



Luke segurou o objeto fazendo com que seus olhos brilhassem intesamente. Sua terceira
insígnia estava conquistada, e após a fácil batalha no ginásio ele arquivara sua vitória dando um
passo a mais em busca de seus sonhos. Seu objetivo em Hearthome estava concretizado.
— Luke... — aprontou-se Dawn, encarando o garoto em sua frente — Você pode ter
conquistado a vitória, mas não pense que isso acerta suas contas comigo.
— Ahh, qual é Dawn! Você sabe que era tudo brincadeirinha pra eu tirar a concetração
dela!
— Não ligue, mon amour! Ela está com ciúmes. Hoh, hoh, hoh! — provocou Fantina.
— Eii, quem você pensa que é para falar com o meu Luke desse jeito,
sua Cofagrigus esquelética?!
355

— Luke, se precisar de qualquer coisa é só me chamar. Estarei sempre disponível, ok?
Vou estar sempre te esperando quando precisar! ♥ — continuou Fantina, dando um leve beijo no
rosto do garoto.
— Cara, você deve ter idade pra ser a minha avó...

Com a vitória conquistada no Ginásio Fantasma, Luke agora tem tudo para continuar seu
rumo até o próximo oponente, enquanto Lukas inicia seu treino para a próxima
competição. Mesmo que Luke tenha conquistado a vitória, o garoto ainda ganhou uma eterna
amante que nunca mais o deixará. Agora os jovens apenas passarão seus últimos dias em
Hearthome para finalmente continuar a jornada pelo mundo Pokémon. Mesmo que a primeira
fase daquela jornada estivesse finalizada, algo os dizia que o segundo passo traria incontáveis
desafios.






















356

CAPÍTULO 25.5

Revelação

O Hotel Deluxe Heart ainda parecia tentar recuperar-se dos tumultos causados nos
últimos dias, grande parte dos frequentadores já haviam deixado o local por conta do perigo e de
um possível novo ataque da Equipe Rocket, mesmo que alguns de seus membros já houvessem
sido presos e a segurança na cidade dobrada. Porém, apesar de estar mais vazio, o hotel ainda
mantinha seu tom refinado, e agora parecia estar aberto quase que exclusivamente para os jovens
aventureiros. Eles eram visitas exclusivas do próprio Glenn Combs, e por isso, os funcionários
deveriam tratá-los como realezas.
Vivian e Dawn correram em direção do quarto feminino e pularam na gigantesca cama, o
lugar estava uma zona, pois não era sempre que as duas tinham oportunidade de ficar em um
hotel cinco estrelas sem pagar nada. Dawn era orfã, e desde então sua moradia nunca fora muito
além de Sandgem, prendendo-a às fronteiras da pequena cidade litorânea. Ela nunca havia
contado aquilo para ninguém, e se esforçava para esquecer o seu passado. Vivian já explorara
grande parte de Johto à procura de Pokémons insetos, ela era da pequena cidade de Azalea, mas
sua cidade natal sempre lhe dera características mais humildes, tanto em seus modos quanto no
jeito de falar.
— Oxi! Menina, estou adorando ficar nesse hotel! A gente pode fazer tudo o que quiser!
— disse Vivian, deitando-se na cama de braços abertos.
— É verdade, tivemos muita sorte em poder ficar em um lugar assim, então temos que
aproveitar! Vamos andar pelo hotel, ver roupas, aproveitar os atrativos... Ainda mais porque
depois de amanhã eu acredito que já estejamos de partida da cidade. — acompanhou Dawn.
— Verdade... Acho que eu e o Stanley vamos ficar na cidade... — respondeu Vivian de
modo pensativo, em seguida virando-se na cama e dando de cara com o Piplup de pelúcia que a
amiga ganhara. —Ahh, eu também quero um ursinho fofinho daqueles que você ganhou! O
Lucky-chan consegue ser fofucho quando quer. Acho que vou comprar um ursinho e pedir para o
Lukas-kun me dar!
Vivian deu um rápido salto da cama e começou a caminhar pelo quarto.
— Eu não aguento ficar parada. Vamos descer e procurar alguma coisa legal pra fazer!
357

Dawn concordou com a proposta de sua amiga e as duas então deixaram o quarto para
aproveitar seus últimos dias de estadia no Deluxe Heart. Os garotos no outro quarto
permaneciam quietos enquanto aguardavam pacientemente o tempo passar.
Gabite estava ao lado de seu dono enquanto os dois pareciam não estar nem um pouco
animados assistindo a televisão. Froslass e Shieldon também estavam no quarto, mas ambos
preferiam ficar sozinhos sem divertir-se como os outros. Froslass estava atrás de uma cortina com
seu pequeno livro em mãos, enquanto Shieldon permanecia no chão ao lado do sofá com sua
feição de seriedade. Lukas também lançara seus Pokémon no quarto, e agora Pachirisu se divertia
na cama na companhia de Mothim e Shellos.
A pequena Roselia acompanhava o garoto que parecia concentrado jogando um xadrez na
companhia de Stanley, que por sua vez, tinha seu Bronzor ao seu lado. Lukas mexeu em seu
tabuleiro e por fim aproximou uma de suas peças próximo ao rei do adversário, declarando assim
o fim de jogo.
— Xeque-mate.
Roselia pulou no colo do garoto parecendo estar extremamente feliz com a vitória,
Stanley passou a mão em sua cabeça sem sequer perceber que cometera um erro no jogo, mas
de qualquer modo, Lukas era um jogador muito experiente.
— Droga, não fui atento. Eu poderia ter usado a Defesa Petroff aquela hora, mas foi uma
vitória merecida. O reino é seu. — riu o loiro.
Luke se espreguiçou e então deitou no sofá da sala que já havia tornado-se sua cama em
seu tempo de estadia. Gabite coçou-se brevemente e continuou observando a televisão que parecia
tomar conta de sua mente.
— Cara, que tédio... — resmungou ele — Ow Stanley, você vai tentar enfrentar a
Fantina de novo?
— Acredito que não, este fim de semana o ginásio estará fechado, pois será usado como
palco para um show que farão no sábado à noite. Acho que terei que esperar mais alguns dias aqui
na cidade para poder enfrentá-la também, preciso treinar meus pokémons. — explicou ele.
— Presumo que não seguirá viagem conosco nos próximos dias. — concluiu Lukas,
arrumando seu tabuleiro.
— Acho que não, mas depois que eu vencer o ginásio vou ver se consigo seguir os passos
de vocês pra encontrá-los de novo. E a propósito, acredito que a Vivian também ficará, pois ela
também não venceu o contest em sua categoria.
— A viagem vai ficar sem graça sem vocês agora. Não vou ter com quem competir. —
disse Luke.
358

— Heh, heh... Mas eu ainda estou aqui cara, e dá pra aproveitar bastante nossa estadia no
hotel. Acho que nós poderíamos dar uma volta por aqui já que está bem vazio, e também porque
estamos em um tédio total.
— Demorô então, bora fazer alguma coisa! — sorriu o garoto.
Os garotos saíram do quarto e retornaram seus Pokémons, eles andaram pelos longos
corredores e desceram as escadas até o salão principal. O movimento realmente havia diminuido,
e agora apenas alguns funcionários estavam trabalhando. Estava escuro, mas ainda haviam muitas
coisas para se fazer lá. Os jovens andaram por alguns corredores até que chegaram à uma porta
feita de madeira que exalava um forte vapor, parecia ser uma casa de banhos.
— Nuuussa! Que dahora manolo, uma casa de banhos! Vamos dar uma olhada como é?
— sugeriu Luke.
— Ahh, acho melhor não... — retrucou o irmão.
— Não precisa se preocupar mano, deve estar bem vazio. A esse horário não deve ter
ninguém lá dentro.
Os rapazes falaram com uma recepcionista e então entraram no local, pouco depois,
Vivian e Dawn surgiram enquanto riam e traziam toalhas em suas mãos.
— Foi uma ótima ideia tirar um tempo só para nós! Esta casa de banho deve ser uma
delícia, e ainda mais por estarmos longe dos garotos!
As duas garotas entraram no local e seguiram até a área feminina. Era um lugar imenso,
suportando centenas de pessoas, mas por sorte estava completamente vazio, deixando a área
exclusivamente para as duas garotas.
— Eita, que maravilha!! — sorriu Vivian, tirando sua roupa e depois pulando na
banheira de água quente — Ahh, está uma delícia!! Entra logo, Dawn!
A garota então entrou lentamente para poder relaxar depois de dias cansativos de viagem.
Dawn levantou seu olhar e percebeu uma grande parede que parecia separar as duas salas, por
onde o vapor saia do local.
— O que será que tem do outro lado?
— O banheiro dos meninos, provavelmente. — concluiu Vivian, olhando para Dawn em
seguida e dando uma rápida risada — Você quer ver?
— C-Claro que não! E se tiver alguém lá dentro?? Dá pra ouvir gente conversando do
outro lado, vamos ficar aqui. — retrucou ela
Vivian havia acertado na suposição, pois do outro lado realmente era o banheiro
masculino. O local também estava vazio em comparação ao espaço disponível, mas Luke, Lukas e
Stanley permaneciam divertindo-se do outro lado quase que travando uma guerra. O grandioso
359

Gyarados de Stanley servia como um trampolim para que os garotos pulassem nas banheiras que
mais pareciam piscinas. Aquela sala era como uma casa e banhos extremamente variada, desse
modo possuindo bacias de água quentes para centenas de pessoas. Luke tomou distância e então
saltou da serpente marinha caindo dentro da banheira.
— Hah, hah, hah!! Que muito louco cara!! — gritou Luke — Que inveja de você Stan,
eu também quero um Pokémon aquático. Fica só olhando, eu vou capturar um melhor que o seu,
vai ser tipo um Sharpedo ou um Wailord!
— Onde você pretende encontrar esses Pokémons em Sinnoh? Hah, hah... Boa sorte em
sua busca então, meu time já está quase completo agora.
— Depois eu penso nisso. Por enquanto só quero ficar aqui descansando.
Lukas apoiou-se na beirada da banheira e esticou seus braços, descansando sua cabeça de
forma que tivesse visão do teto.
— Ahh, a água está muito boa... — comentou o garoto.
Enquanto os três estavam no local, Luke pareceu ouvir algo vindo do outro lado de uma
grande parede. O garoto fez sinal de silêncio para os outros dois e tentou ouvir do que se tratava
o barulho, era a risada aguda de alguma garota nas redondezas.
— Ué, parece a voz da Vivian, vocês estão ouvindo? — perguntou Stanley — Será que a
gente consegue ouvir elas gritando até mesmo lá do quarto?!
Lukas olhou para seu irmão que já tinha um olhar malicioso, Stanley riu com os possíveis
pensamentos de Luke, mas seu irmão estava disposto a não deixá-lo fazer nada.
— Hm... Então quer dizer que o banheiro feminino é do outro lado dessa parede...? —
perguntou Luke animado.
— Você não vai fazer nada, elas são nossas amigas... — retrucou Lukas zangado.
— É só uma espiada rapaz, não vai matar ninguém. Aposto que o Stanley vai topar.
— Eu não quero ver nada. As duas parecem uma tábua.
— Ei!! N-Não é verdade! — retrucou Lukas tentando proteger as amigas.
— Tanto faz parceiro. Vamos fazer o seguinte Stanley, eu preciso do seu Gyarados pra
gente alcançar o topo dessa parede, acho que ali onde o vapor sai deve dar até o banheiro delas...
Luke subiu nas costas de Gyarados na companhia de Stanley deixando Lukas para trás. O
garoto não estava nem um pouco afim de participar da espionagem. Luke dava apoio para Stanley
que já estava na ponta de seus pés, mas a parede era muito grande, e provavelmente não seria
possível ver nada mesmo com a ajuda de Gyarados.
— Achou alguém aí...? — perguntou Luke.
360

— Nem dá pra ver... Alguém deveria dar uma olhada melhor, não acha? — sugeriu
Stanley.
— Pode ser.
Assim que terminou de falar, Luke rapidamente empurrou Stanley para cima da parede de
modo que o rapaz caísse dentro de uma banheira do lado feminino, dando logo de cara com
Dawn que jazia dentro d'água em sua frente. Os dois ficaram se encarando por um momento até
que Vivian soltou um grito.
— Aleluia! Tá caindo homem do céu!! — gritou ela — Ah não, é só o Stanley...
— O-Olá garotas...
— AAAAAAAAAAH! HENTAI!! — gritou Dawn, chutando o garoto de volta para o
outro banheiro — Que saco, por que essas coisas sempre acontecem comigo?!
Luke começou a cair na risada no mesmo momento, mas logo as duas garotas ouviram
sua risada do outro lado. O Gyarados de Stanley parecia não ter gostado da brincadeira com seu
Mestre, empurrando Luke logo em seguida para o outro lado. Ele levantou seu olhar e deu de
cara com as duas garotas enroladas em suas toalhas exalando um olhar de fúria. O riso cessou no
mesmo instante.
— Então você foi a mente poluída por trás desse pobre laranja que paga pelos seus
pecados?! — disse Dawn tomada pela fúria.
— Tecnicamente, o Stan quis vir junto comigo...
— Você vai pagar por querer nos espiar durante o banho. — disse Vivian sacando uma
de suas pokébolas — O que fazemos com ele, Dawn?
— Vamos mandá-lo pro lugar de onde ele veio. — ela riu.
Dawn e Vivian lançaram
duas pokébolas que liberaram um
Scizor e um Lairon. As duas
criaturas olhavam para Luke que
permanecia caído de forma
indefesa, nem mesmo ele sabia de
onde haviam surgido aqueles
Pokémons, mas era evidente o que
estava estampado em seus
rostos: Prepare-se para morrer.

361

— O QUÊ?? De onde saiu esses pokémons?! Vocês querem me matar??
— Isso serve também. — riu Vivian.
— Caramba, Titânia faz alguma coisa!!
Luke lançou a pokébola de sua serpente que parecia não gostar nem um pouco
da umidade do local, ela direcionou um olhar de raiva para Luke que deu um sorriso sem graça.
— Moleque, dessa vez você não tem moral pra me mandar em batalha. Acha que eu vou
ficar do seu lado depois do que você fez?!
— Opa, esqueci que você também é fêmea. Agora fudeu tudo.
Os três pokémons combinaram seus golpes e mandaram o garoto de volta para o outro
banheiro. Stanley e Luke jaziam derrotados no banheiro masculino enquanto Lukas os observava
receoso.
— E-Eu avisei vocês... — disse o garoto.

O grupo terminou o banho, e assim que as meninas saíram elas nem ousavam olhar para
Luke que mantinha um sorriso em seu rosto e um olho roxo depois da combinação que recebera.
Todos retornaram para seus quartos, e foi nesse momento em que o garoto parou
para refletir sobre o que acontecera. Luke havia visto algo que ninguém mais vira... De onde
surgira o Lairon de Dawn? Em momento algum em sua aventura ela havia citado-o, e por isso, tal
mistério permanecia instalado em sua mente.
A noite foi passando, e os jovens aproveitaram ao máximo seus últimos momentos de
estadia no hotel. Luke bateu na porta do dormitório feminino e encontrou-se com Dawn, o
garoto sorriu, perguntando em seguida se poderia conversar.
— Yo, tudo certinho Dawn? — sorriu ele.
— Eu estou bem. Nós duas já estamos nos preparando para dormir, vocês também já vão
dormir?
— Vamos sim, hoje o dia foi duro, tô cansadão depois da luta com a Fantina. E um
monte de outra coisa engraçada que aconteceu. Só preciso deixar o gelo no meu olho mais alguns
minutos, depois eu vou dormir. — disse Luke.
— Seu bobo. Fez por merecer. — respondeu Dawn com um sorriso, tocando levemente
sobre o rosto do garoto na parte em que ele mantinha o gelo. Os dois se fitaram por um tempo,
mas logo Luke interrompeu o silêncio novamente.
— Eu posso te perguntar uma coisa?
362

Dawn calou-se no mesmo instante. Ela não sabia o que Luke estava para dizer, se seria
uma declaração ou qualquer coisa do tipo, mas a única coisa que ela tinha certeza era que meninas
odiavam quando rapazes faziam aquela pergunta.
— Pode falar, sim. — assentiu ela receosa.
— Cara, aquele Lairon era muito foda!! Eu não sabia que você tinha um Lairon, de onde
você tirou ele??
Conversa típica de garotos. Nunca falavam algo sério com as garotas, a não ser que fosse
voltado para batalhas Pokémon ou assuntos sobre Video Games. Não que Dawn não gostasse,
mas ela apenas esperava algo mais importante.
— Ahh, era só isso? Eu pensei que você iria fazer algo, mas deixa pra lá... — riu ela
mais aliviada — Bom, eu tenho esse Lairon faz tempo. Na verdade tenho outros Pokémons, mas
não gosto muito de usá-los. Eles não costumam me obedecer muito bem.
— Uow, então você tem outros Pokémons?! Por quê nunca contou pra gente? —
perguntou Luke
— É porque... Eu não gosto deles. Eles me trazem lembranças ruins.
Luke pareceu confuso por um momento, no mesmo momento ele percebera que aquela
pergunta afetara Dawn de alguma forma. A garota também sabia que já estava escondendo um
segredo dos irmãos há muito tempo, e por isso decidiu contar naquele mesmo instante.
— Posso te contar uma coisa?
— Justamente pra mim? Mano, eu sou o cara mais indecente pra você desabafar sobre
essas coisas de garotas. Se você tá gostando de alguém vai falar com meu irmão, ele é aquele típico
amigo que toda mulher quer ter. — brincou Luke, vendo a tristeza estampada no rosto da amiga
— Ihh, foi mal pela brincadeira. Já vi que a coisa é séria.
— Deixa quieto, isso não importa então.
No mesmo momento, Luke segurou a mão da garota e olhou-a de modo sério.
— Pode contar o que quiser. Se você acredita em mim a ponto de tal confiança então eu
te ouvirei com todo respeito.
Dawn ficou em silêncio por um tempo. Ela sentia confiança em Luke, e apesar de todas
as brincadeiras e idiotices do garoto ele conseguia agir de forma séria quando necessário.
— O Lairon era do meu pai... Eu também tenho uma Glaceon e um Leafeon que
pertenciam à minha mãe. Mas eu não gosto de usá-los porque lembro-me deles. Na verdade eu
nunca os usei de verdade, lá no banheiro acho que o Lairon acabou saindo por acidente, mas eu
não gosto de usá-lo...
363

— Ei, ei. Mas qual o problema de usar um Pokémon do seu pai? Você deveria se
sentir lisonjeada em poder usar um, eu seria o rei do mundo se pudesse usar o Salamence do meu
velho. — riu Luke.
Porém, Dawn continuava quieta e a cada momento parecia que os olhos da garota
lutavam para não deixar as lágrimas caírem.
— Os meus pais morreram. — disse ela.
Luke calou-se no mesmo instante, pois não sabia como lidar com aquela cena. Ele
conhecia Dawn há pouco tempo, mas sentira-se inútil ao saber que o tempo tudo ela sofria e ele
nem sequer percebera.
— Por quê você não nos contou?
— São problemas meus, vocês são crianças, não tem com que se preocupar com meus
problemas...
Luke segurou com força nos ombros da garota e forçou-a a olhar em sua direção.
— Você também é criança! Só porque é mais velha acha que tem que ser responsável por
todos nós? Somos seus amigos, você pode contar com a gente sempre que precisar, a qualquer
hora!!
Dawn não queria mostrar que estava errada, queria tentar ser forte, embora seu coração
ainda fosse frágil. Ela não aguentou e caiu no choro, Luke abraçou-a e manteve-se quieto. Dawn
ainda tinha os sentimentos de uma garotinha, mas a vida lhe obrigara a crescer precocemente.
— Amigos servem para isso. Você deveria ter confiado na gente...
— Eu sei, eu sei... Só não sei porque preferi manter isso em segredo, eu sou uma idiota...
— Tudo vai ficar bem Dawn, eu prometo. — aconchegou o garoto.
Muitas vezes crescemos antes da hora, tentamos ser alguém que não somos na verdade.
Deixamos nossos amigos de lado pois pensamos que eles não sejam capazes de nos ajudar, mas
muitas vezes eles são nossa família, aqueles que sempre podemos contar, que muitas vezes
compensam o abraço de irmão que não possuímos, ou a ausência de pais que nunca tivemos. Eles
podem ser aqueles que nem sempre conseguem te impedir de chorar, mas sempre estão do seu
lado para enxugar as lágrimas.






364

CAPÍTULO 26

Os Sonhos são para Você

Hearthome City. O último dia, em algumas horas o berço dos corações não passaria de
uma longínqua memória nas mentes dos jovens que iniciavam sua rotina de manhã na grandiosa
cidade. Lukas já estava de pé logo cedo, como sempre, o garoto saiu lentamente de sua cama
retirando o cobertor e arrumando o acolchoado. Lukas coçou sua cabeça e se olhou no espelho, e
ao deparar-se com seu reflexo percebeu que algo estava faltando. Ele virou-se bruscamente e
encontrou apenas um dos ovos que recebera em sua viagem. Lukas deu um grito desesperado e
rapidamente inicou sua busca pelo perdido, acordando todos seus amigos logo em seguida.
— Que porra é essa?? — gritou Luke, pulando do sofá.
— Um dos meus ovos sumiram!! — disse Lukas, fazendo com que Luke fizesse uma
feição de espanto.
— Ahh, você tá falando daqueles que você ganhou na viagem? Será que alguém pode ter
roubado?
— Roubado como, meu Arceus?? Ninguém entrou aqui no quarto essa noite! E-Eu sou
muito burro, como pude deixar um ovo que nem anda fugir de mim?!
— Fica triste não irmão, lembra daquela vez que a gente perdeu um Squirtle na escola? É
cara, uma tartaruga conseguiu passar a perna na gente. Ainda acho que ela pulou o muro, mas isso
não vem ao caso... Fica triste não manolo, pelo menos seu Ovinho pode descansar em paz, que
Arceus guie ele até o paraíso...
— Ele não está morto!! E pare de ficar me assustando, eu vou encontrá-lo!

Lukas permanecia em estado de alerta à procura de seu precioso ovo, quando de repente,
ele pôde ouvir Stanley gritar e pular da cama, apontando em seguida para seu cobertor que se
mexia sem parar.
— O cobertor me mordeu cara!! Deve ter uma Spinarak lá dentro, doeu pra caramba! —
resmungou ele.
Os três garotos agora observavam atônitos o cobertor se mexer, até que uma pequena
figura surgiu ofegante. A criatura tinha uma feição amigável, seu corpo parecia ainda não ter sido
toltamente chocado, mas isso devido à própria espécie do Pokémon. Era um pequeno Togepi.
365



— Ohh, você tava com medo de um Togepi, Stanley? — ironizou Luke.
— Não enche, ele me mordeu cara. Quase arrancou meu dedo.
Lukas andou em direção do pequeno Pokémon e abraçou-o no mesmo instante,
provavelmente aliviado e feliz ao descobrir que um de seus ovos haviam chocado, e ele não era um
pai ruim por ter perdido um de seus filhos.
— Que susto você me deu. — sorriu ele, abraçando o pokémon.
— Hm, pelo visto um dos ovos já nasceu. Mas esse devia ser aquele que aquela mulher
loira te deu, acho que ainda está muito cedo para aquele do Tio Marshall nascer. — disse Luke.
— Um Togepi... Não podia haver Pokémon melhor. Eu adorei. — disse o irmão.
— Graças a Arceus que não fui eu quem ganhou esse ovo. Na moral, eu iria ficar muito
bravo se nascesse um Togepi. — riu Luke, vendo que o pequeno Pokémon agora olhava para o
garoto de forma assustadora — Oe, por que esse bicho tá me olhando com cara feia?
O Togepi rapidamente pulou do colo de Lukas e avançou em direção de Luke mordendo
sua mão, Luke deu um grito e em seguida jogou o Pokémon para longe que voltou para os braços
de seu mestre e se pôs a observá-lo.
— Que foi isso, mano?? Togepi dos infernos cara, quase arrancou minha mão fora!! —
gritou Luke.
— Claro que não, foi legítima defesa! Você o provocou, então mereceu.
— Esse Togepi é pior que o Gible quando eu ganhei ele, sorte que o Gabite perdeu essa
mania de me morder, porque senão ele já tinha arrancado minha mão.
— Hah, hah, hah! Gostei desse Togepi, normalmente eles parecem ser criaturas frágeis e
meigas, mas esse pequeno mostrou ser bem ousado! Ele vai manter seu time bem equilibrado,
Lukas. — disse Stanley.
— Seja bem vindo ao grupo, Togepi!

366

Agora que os garotos estavam acordados eles não demoraram para acordar suas amigas
para garantir que eles aproveitassem ao máximo seu último dia na cidade de Hearthome, afinal,
pela noite seria a chegada de Glenn na cidade, e como Luke prometera ainda em Eterna, eles iriam
visitá-lo em seu show.
Os jovens desceram as escadas enquanto brincavam e comentavam o nascimento do
pequeno Togepi, o Pokémon parecia apreciar a presença das garotas, o que pelo visto mostrava
seu descontentamento único para com Luke, que mantinha a cara fechada enquanto o Togepi era
o centro das atenções.
Todos se dirigiram até o refeitório e guardaram seus pertences na mesa para em seguida
montar um prato do café da manhã. Luke permaneceu guardando a mesa enquanto Togepi
continuava sentado em sua frente, encarando-o de forma assustado. Luke apoiou-se na mesa e
apontou para o Pokémon, falando logo em seguida:
— Ovo do Darkrai, vou te tacar na panela quando ninguém tiver olhando. — encarou
Luke, fazendo o Togepi mostrar a língua para o rapaz.

Terminado o café da manhã, os jovens sairam pelas praças da cidade para caminhar um
pouco. O plano deles era visitar a casa de Poffins e o Amity Square, pois seria uma ótima forma
de deixar seus Pokémons se divertirem depois de dias cansativos de batalhas e competições.
Passados alguns minutos, Dawn sentiu seu pokégear vibrar, estranhando a ligação de
alguém, uma vez que ela só utilizava o objeto em casos de extrema urgência. A garota fechou a
cara ao atender o celular, o que provocou uma certa curiosidade em seus amigos. Dawn atendeu o
aparelho e em seguida entregou-o para Luke, que a olhava confuso:
— É pra você. — disse Dawn em um tom sério.
Luke atendeu o objeto receoso, pois não sabia muito bem como utilizá-lo e nem mesmo
com quem estaria falando, tomando um susto logo em seguida ao ouvir os gritos exaustivos de
uma mulher.
— Bom dia, mon amour!! — disse a voz.
— Hm, quem é? — perguntou ele receoso.
— Adivinhaaaaaa...??
— Mãe?
— Que mãe o quê moleque, é a Fantina!!
— Ahh, tá!! E ae, Tia Fantina. — riu Luke sem graça.
— Mon cher, você está ocupado? Eu gostaria que você desse uma passada em meu
ginásio, eu tenho um presentinho para você!
367

— Sério mesmo? Poxa que bacana, nem tô fazendo nada não, daqui a pouco a gente vai
passar aí! — disse Luke animado, olhando para Dawn que manuseava gentilmente seu canivete.
— Tudo bem fofinho, estarei esperando! Beijos! ♥ — disse Fantina, por fim, desligando
telefone.
Luke entregou o objeto para Dawn que mantinha-se séria enquanto encarava o garoto
que parecia extremamente animado em ter conversado com a líder de ginásio.
— Você passou o número do meu pokégear para ela? — perguntou Dawn zangada.
— Eu não, eu nem sabia que você tinha essa coisa aí. Provavelmente ela deve ter lido a
lista telefônica de Sinnoh inteira até encontrar o seu número. — riu Luke — Mas então, ela falou
para mim dar uma passada lá, vocês querem ir comigo?
— Pode ser, mas depois vamos ao Amity Square! — disse Lukas.

Os jovens seguiram até o nordeste da cidade onde localizava-se o ginásio de Fantina. No
momento o local parecia estar passando por grandes reformas, no dia da batalha os preparativos
já estavam sendo feitos. Eles pretendiam organizar tudo de forma que lá pudesse servir como um
palco para a cidade, em que seria dado o show do astro Glenn Combs, e por esse motivo o
ginásio permaneceria fechado por mais um tempo.
Luke entrou no lugar na companhia de seus amigos e rapidamente encontrou-se com
Fantina que organizava as obras daquele local realizando os detalhes e a decoração das salas.
Assim que ela avistou seu amado, Fantina rapidamente saltou em sua direção, e convidou-o para
uma dança.
— Oh, mon cher, você virá para o show está noite? Hoje tudo será tão magnifiques,
haverão fogos de artifício, dança, comidas refinadas, e gente famosa! Eu, como uma atriz esbelta e
perfeita da região, devo manter minha pose, mas se quiser eu posso reservar um camarim só pra
você! ♥ — disse Fantina.
— Ahh, obrigado pela oferta, mas eu vou ficar com meus amigos mesmo. — sorriu Luke.
— Oh, okay. Mas eu espero ver todos vocês no show, se precisarem de qualquer coisa é
só me chamar! — disse ela — E a propósito, mon amour Luke, eu gostaria de dar-lhe isto. É
motivo pelo qual o chamei aqui hoje. C'est un présents!
Fantina retirou uma pequena pokébola que guardava em sua bolsa e
entregou-a para Luke. Aquela era uma Luxury Ball, e os olhos do garoto
brilharam assim que avistou-a.

368

— É uma Luxury Ball! Você deu sorte irmão, elas são muito raras em Sinnoh. Eu lembro
que só era possível comprá-las na cidade de Sunyshore, onde morávamos. — disse Lukas.
— Caramba, obrigadão Tia Fantina! Mal posso esperar para usá-la!
— Mas quem disse que ela está vazia? Hoh, hoh, hoh! — riu a mulher.
Luke estranhou, mas em seguida encarou a pokébola e lançou-a para cima. O objeto
liberou uma forte luz branca que tomou a forma de uma linda criatura que vestia um vestido
branco. Todos ficaram pasmos com a presença da aura de luz emancipada pela sala, o Pokémon
tinha olhos avermelhados e uma aparência serena, seu toque era suave, e ela parecia ter um sorriso
em seu rosto, disposta a ajudar qualquer companheiro.
— Uma Gardevoir!! Onde você conseguiu uma?! — perguntou Luke surpreso.
— Eu comprei-a há alguns dias, algumas lojas da cidade vendem os melhores Pokémons
a altos preços, mas a Gardevoir não é usada para batalhas. Ela trabalha como supporter, ou seja,
um Pokémon para apoio da equipe. Estou dando-lhe para que você sempre se lembre de mim
quando olhar para ela, e que nunca me esqueça em suas viagens! Okay? ♥ — sorriu Fantina.
— Nossa, muito obrigado!! Ela é realmente muito linda.
— Se não bastasse essa mulher agora vamos tê-la “para sempre” andando no grupo. Eu
mereço isso... — sussurrou Dawn.

Luke tinha sua nova Gardevoir na equipe, enquanto Lukas havia ganhado o pequeno
Togepi. Aquele dia seria memorável, e todos aproveitariam ele ao máximo. Porém, sempre
aconteciam imprevistos em confusões em qualquer rotina graciosa, e ao passarem no Amity
Square, os jovens se depararam com um pequeno problema.
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— Como assim meu Gabite não pode entrar? Só porque ele é feio? Que preconceito do
caramba, e por que todos os Pokémons do meu irmão podem entrar?? — disse Luke, discutindo
com a recepcionista.
— D-Desculpe-me moço, mas apenas Pokémons fofinhos são permitidos. — disse a
recepcionista.
— Meu Shieldon é fofinho mano, dá uma olhada pra carinha dele. — disse Luke,
mostrando seu Pokémon que mantinha-se sério.
— Desculpe-me, eles não podem entrar...
— Preconceito, viu...
Luke deixou a sala e deparou-se todos os Pokémons de sua equipe do lado de fora.
Titânia parecia ansiosa para entrar no Amity Square, enquanto Gabite, Shieldon e Froslass
apoiavam-se sobre suas pedras aguardando a chegada de seu dono.
— Pessoal, vocês vão ter que ficar aqui fora. — disse Luke de forma chateada, sentado-se
do lado de fora do Amity Square sobre o corpo rochoso de seu Onix.
— Tudo bem, eu não fazia questão de entrar mesmo... — suspirou Titânia.
— Gawwwh, bitee, bite. Tsh, tsh, tsh... — grunhiu o dragão.
— Ih, Titânia. O Gabite falou que hoje você ficou se arrumando a manhã inteira porque
eu disse que a gente ia pro Amity Square. Então quer dizer que por trás dessa armadura de metal
a gente tem uma mulher delicada que também quer chamar atenção e ser bonita?
Titânia devolveu-lhe um suspiro entristecido.
— Eu estava ansiosa sim, mas não combino com locais graciosos e delicados mesmo...
Acho que os outros Pokémons não fazem questão de minha presença. Mas enfim, é melhor o
Senhor adentrar o logo o local. Eu ficarei aqui fora tomando conta dos outros. — disse Titânia,
de modo evidente que pudesse perceber sua tristeza — Esperamos que aproveite bastante, senhor.
— Ei pessoal, não fiquem chateados só porque não puderam entrar... Shieldon, você
assustou a mulher com essa sua cara séria, tem que tentar ser mais amigável. — disse Luke, vendo
seu pokémon continuar encarando-o de modo sério — E Froslass, minha querida, você é um
fantasma, os outros Pokémons poderiam assustar-se com sua presença...
Luke parecia triste em ver todos seus Pokémons ficarem para fora, sendo que a única que
seria permitida entrar era a novata Gardevoir. A cidade estava repleta de regras, e isso o enfurecia,
tudo que queria poder fazer é caminhar com seus companheiros no aclamado Amity Square. O
garoto suspirou e então sentou-se sobre a cauda de Titânia, cruzando seus braços em seguida.
— Se vocês não vão, então eu também não vou. — disse Luke.
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De certo modo, aquela atitude fora o suficiente para que o garoto ganhasse a confiança de
cada um ali presente. Gardevoir sentou-se lentamente ao lado do garoto e sorriu, pois sabia que
agora estaria em boas mãos com seu novo dono.
— Ótima escolha, Senhor. Você mudou bastante desde que nos conhecemos. — sorriu a
serpente.
— Eu deixo o Amity Square pra outro dia, os amigos vêm em primeiro plano.
Ao contrário de seu irmão, todos os cinco Pokémons de Lukas podiam andar livremente
pela famosa praça. Stanley tinha seu Grotle ao seu lado, enquanto Vivian caminhava com uma de
suas diversas Spinaraks. Dawn estava com dois Pokémons bem chamativos, tinha uma Glaceon e
um Leafeon ao seu lado, o que despertava uma grande curiosidade em todos que passassem por lá.



— Dawn, desde quando você tinha esses Pokémons? Os dois são lindos, eu estive
procurando por um Eevee desde que saímos em jornada. — disse Lukas admirado, com seu
Pachirisu em seu colo.
— É uma longa história... Eu tenho os dois faz tempo, a Glaceon é fêmea e o Leafeon é
macho. Os dois pertenciam à minha mãe. — sorriu a garota.
Glaceon tinha seu caminhar delicado enquanto mantinha seu nariz empinado para
qualquer Pokémon que a observasse, ela era esnobe, exatamente o contrário de seu parceiro
Leafeon, que procurava enturmar-se com os companheiros facilmente formando novas amizades.
O Amity Square era um local muito belo, era uma vasta área com construções, árvores e
lagoas para que os Pokémons dos treinadores caminhassem de livremente. Porém, só eram
permitidos criaturas fofas dentro dos padrões populares, e por isso a praça costumava ser alvo de
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críticas, mas mesmo assim, a praça ainda não perdia sua fama e nem os inúmeros visitantes todos
os dias.
— Oooown, eu adorei esse lugar! É tão cheio de brilho e pokémons fofênhos, só achei
maldade eles barrarem o Luke na entrada. Coitadinho. — disse Vivian.
— Bom, daqui a pouco eu aposto que ele arranja alguma coisa pra fazer. Por enquanto
vamos continuar dando umas voltas por aqui, é ótimo para encontrar objetos e melhorar a
amizade com nossos Pokémons! — disse Stanley.
O Mothim de Lukas voava livremente pelo céu azul daquela manhã, Shellos e Roselia
permaneciam próximos à uma lagoa localizada no centro, enquanto o meigo Togepi assustava os
outros Pokémons. O dia fora ótimo na praça do Amity Square, mas ao passar das quatro horas o
local já começava a fechar, e os jovens precisavam retornar ao hotel e começar a preparar-se para o
show de noite.
Luke aproveitara muito ao lado de seus Pokémons, tal como seus amigos também. Os
jovens continuaram seguindo seu caminho até o hotel. O céu estava começando a ser tomado pelo
tom alaranjado, e as nuvens brancas amenizavam a temperatura naquele fim de tarde. Lukas estava
feliz pelo frio, pois desse modo poderia colocar suas melhores roupas, já Vivian não parecia nem
um pouco alegre com o frio, preferindo dias quentes e manhãs ensolaradas. Os dois eram bem
opostos, mas de uma certa forma se atraíam como os imãs de um Magnemite.
Ao se aproximarem do hotel Deluxe Heart eles puderam perceber alguns carros que
acabavam de chegar, acompanhado de uma multidão que lutava para aproximar-se de algo.
Parecia que Glenn já havia chegado ao hotel, e por conta disso toda a cidade parecia entusiasmada
com a chegada do astro.
— Ei, aquele não é o ex-integrante da Elite dos 4? — perguntou Stanley.
— É o tio Glenn cara, ele que nos deu permissão de ficar aqui no hotel. — respondeu
Luke.
— É melhor nós falarmos com ele depois, ele deve estar ocupado agora. Vamos subir
para nossos quartos e nos trocarmos para o show, podemos vê-lo antes de começar! — sugeriu
Lukas.
Todos concordaram e então seguiram até seus aposentos para começarem a se trocar.
Seria uma rotina demorada, afinal, as garotas demoravam uma eternidade na banheira. Dawn e
Vivian foram as primeiras, pois levavam mais tempo para se trocarem.
Pouco a pouco o sol começava a despedir-se da cidade, desaparecendo por trás do
grandioso Mt. Coronet. Luke vestia uma blusa preta enquanto fazia os últimos ajustes para ficar
atraente, pois ainda assim ele era vaidoso, e gostaria de impressionar as garotas. Lukas tinha um
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ótimo senso para moda. Agora só faltava Stanley aprontar-se, de forma que as garotas ainda
estivessem se trocando no outro quarto.
Os irmãos decidiram descer para andar um pouco pelo hotel. A cidade toda estava em
movimento, pois o show parecia ser muito aguardado. Os dois foram em direção do aquário do
local, pois aquele era um dos lugares que Lukas mais apreciava, e até mesmo Luke, que não
gostava de Pokémons aquáticos, gostava de observar o grandioso aquário, provavelmente um dos
maiores de Sinnoh.



Lukas sentou-se em um sofá e avistou uma pequena Feebas que o fitava nitidamente. O
garoto a achava esquisita, pois o Pokémon era estranho de natureza e parecia manter distância de
todos os outros.
— Heh, heh... Você é engraçada, amiguinha. — sorriu Lukas, em seguida vendo seu
irmão levantar-se bruscamente e apontar para um homem:
— Tio Glenn!! — gritou Luke animado.
— E aí, baixinho! — respondeu o homem, abraçando o garoto.
— Tio Glenn, faz muito tempo que não nos viamos! Como você está? — perguntou
Lukas.
— Vou seguindo meu caminho, Lukinhas. Aconteceram alguns problemas como vocês
puderam perceber aqui no hotel por conta dos Rockets, mas espero que agora tudo já esteja
resolvido. — disse Glenn — Conseguiram encontrar o Marshall na cidade? Acho que ele
continua por aqui.
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— Bom, ele nos encontrou, mas digamos que a gente não tenha encontrado ele. — riu
Lukas — Você vai dar um show essa noite?
— Exatamente. Só passei aqui pra dar um ‘oi’ mesmo, pois me disseram que vocês
estavam no hotel. Fico feliz que estejam bem, quero vê-los lá no show! — disse Glenn.
— Demorô Tio, só estamos esperando nossos amigos se trocarem, então já iremos direto
para o ginásio da cidade! Vai ser muito foda esse show cara, estou louco pra te ver lá! —
continuou Luke.
— Hah, hah, hah! É bom saber que vocês gostaram de ficar aqui no hotel, e desculpe-me
por colocá-los em perigo durante o ataque dos Rockets. Preciso fazer algo que compense, se não
o Waltão arranca minha pele. — concluiu Glenn, olhando para o grandioso aquário ao seu lado
— Ah, querem escolher um Pokémon daqui? Como forma de pagamento.
— Sério mesmo?! Caraca, tinha um Sharpedo muito louco que eu tinha visto, certeza que
eu vou escolher ele!! — gritou Luke animado, rapidamente correndo para o outro lado do aquário
que rodava em círculos. Lukas apenas riu e tornou a agradecer seu tio.
— Obrigado Tio Glenn, espero que você realmente faça um “show” hoje à noite.
— Que nada Lukinhas, eu tinha que dar algum presente para os meus “sobrinhos” dos
velhos tempos. E pode deixar, porque vou dar o meu melhor lá em cima! — sorriu o homem —
Vou indo nessa baixinho, quando terminarem basta indicar o Pokémon que desejam para aquele
balconista. Abraços aí!

Lukas apenas sorriu e tornou a olhar o aquário em sua frente. Ele já tinha em mente o
que escolheria, havia um Lumineon que realmente conquistara sua apreciação, mas segundos antes
de indicar o Pokémon para o balconista, ele pôde ver o mesmo Feebas escondido em um canto do
aquário.
O peixe não estava sozinho, ele parecia estar sendo perseguido por um grupo de
Sharpedos, e ao lado do Pokémon também havia um Horsea. Ambos estavam totalmente
indefesos para defender-se dos poderosos tubarões. Lukas rapidamente correu em direção do
balconista e indicou os dois pokémons.
— Por favor, nós queremos aqueles dois Pokémons! O Horsea e o Feebas que estão
sendo atacados, rápido!!
O homem rapidamente aproximou-se do aquário subiu uma escada que levava até o seu
topo. Ele retirou os Pokémons desejados e de certo modo também os salvou do ataque dos
Sharpedos. O homem desceu a escada e então entregou as duas pokébolas para Lukas.
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— Estão aqui garoto, espero que cuide bem deles. Esses coitadinhos sempre eram
perseguidos por esses Sharpedos encrenqueiros e por sorte escapavam. Hoje a sorte deles foi ter se
encontrado com você. — disse o homem.
Lukas revelou um singelo sorriso e olhou para as duas pokébolas. Não eram Pokémons
fortes, mas ele sabia que era preciso dar tempo ao tempo, e se treinados, viriam a tornar-se as
criaturas mais poderosas da equipe. No mesmo instante, Luke rapidamente chegou correndo ao
lado do balconista e indicou o Pokémon que queria.
— Cara, vou querer aquele Sharpedo gigante com uma cicatriz na cabeça!! — disse ele
animado.
— Desculpe garoto, mas acho teve um garoto igualzinho à você que pediu os dois
Pokémons. Ele dever ser seu irmão gêmeo. — concluiu o balconista.
— Espera um pouco, quer dizer que ele já escolheu meu Pokémon?
— Já sim.
— Ah, tudo bem então. Só espero que ele tenha pego o Sharpedo que eu pedi.
Luke rapidamente seguiu seu caminho até o quarto e deparou-se com Lukas em dos
corredores. Ele acenou para o irmão e em seguida correu ao seu encontro.
— Yo! O carinha da recepção disse que você já tinha pego meu Pokémon, qual você
escolheu?
— Eu peguei uma Feebas. Ela estava em apuros sendo atacada por um bando de
Sharpedos, então eu decidi salvá-la.
— Feebas?! Nossa, que desperdício... Cara, esse Pokémon é muito idiota. Pelo menos não
foi uma Magikarp, né? — riu Luke — Bom, mas o Feebas é seu, você pegou o Sharpedo que eu
pedi?
— Eu peguei um Horsea pra você. — sorriu Lukas, entregando a pokébola nas mãos de
Luke que o encarou sério. O garoto deu uma alta risada e em seguida apoiou-se no ombro do
irmão.
— Há! Você me enganou, né? Horsea, imagina só. Se eu tivesse um Horsea no meu time
eu jogava ele fora. — riu Luke, pegando a pokébola logo em seguida — Obrigado pelo Sharpedo
irmão, agora meu time tem um Pokémon aquático!
— Ah, então tá... — suspirou Lukas.
Os irmãos entraram no quarto e Stanley já parecia estar terminando de aprontar-se. Um
pouco depois, as duas garotas bateram na porta. Luke estava boquiaberto pela beleza de Dawn
naquelas vestes. Era a primeira vez que todos se haviam parado por um minuto para refletir a
beleza um do outro, e daquele modo era possível ver a claramente como eram atraentes. Vivian
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entrou saltitando para dentro do quarto dos garotos à procura de Lukas, enquanto que Dawn
permaneceu parada na porta observando Luke de modo surpreso. Por um instante o garoto ousou
pronunciar-se:
— Nossa. Você está muito linda.
— Obrigada, eu usei uma roupa de minha mãe... — sorriu Dawn meio sem graça.
— Ela deve estar orgulhosa de poder ter tido uma filha como você, onde quer que ela
esteja, tenho certeza que ela estará olhando por você. — sorriu Luke, segurando nas mãos da
garota.
Dawn sorriu e então pôde ver Vivian pulando em cima de Lukas e derrubando-o na
cama, o que fez todos os outros rirem.
— Lukas-kun!! Fala que eu tô bonita!!
— Hm, você está bonita...
— OOOWN! Adoro você!! — gritou ela, abraçando o garoto.
O grupo deixou os aposentos para então seguiram pelos longos corredores até sair do
Hotel Deluxe Heart. O movimento estava intenso nas ruas da cidade, mas todas as pessoas
pareciam muito arrumadas para o show que haveria dentro de uma hora.

• • •

O astro Glenn Combs também precisava preparar-se, pois shows não eram uma tarefa
fácil de lidar. O homem estava em seu camarim fazendo os últimos retoques e relendo suas
composições, alguns produtores conversavam com o homem e avisavam que ele estaria entrando
em ação dentro de poucos minutos. Glenn suspirou, e sentou-se em sua cadeira, dispensando-os
logo em seguida. Assim que os homens saíram da sala, uma sombra pôde ser vista atrás da porta.
— Viu como o céu está nublado hoje? — perguntou a sombra, fazendo Glenn girar sua
cadeira e encarar o homem que estava escondido.
— Cara, você ainda não aprendeu a usar a porta? — disse o homem seguido de uma
risada.
— Eu sou uma sombra, Glenn. Posso entrar em qualquer lugar mesmo sendo indesejado.
Glenn levantou-se e andou em direção do homem que permaneceu imóvel, ele tocou seu
ombro e sorriu.
— Você é sempre bem vindo em minha casa, Marshall. — disse Glenn — Mas me conta
rapaz, por onde esteve andando? Eu podia jurar que você não ia dar as caras no meu show.
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— Eu sempre posso tirar um tempinho para os velhos amigos. — sorriu Marshall — E
também estou na guarda dos pequenos há três dias. Deixei um Murkrow observando o Lukas há
um tempo. Temo que os Rocktes estejam de olho neles, principalmente por suas ligações com
os Galactics e com o Senhor Walter.
— Descobriu alguma coisa sobre esses Rockets otários? Ou por que eles detonaram meu
hotel? — perguntou Glenn, olhando-se no espelho e ajeitando sua roupa.
— Descobri o suficiente, e principalmente o motivo deles atacarem seu hotel. —
concluiu Marshall — Primeiramente, atacar um ponto extremamente renomado como o Deluxe
Heart foi uma questão de chamar atenção. Então você se pergunta, por que eles iriam querer
chamar atenção?
Glenn parou por um momento e com um semblante confuso encarou Marshall.
— Se eles chamaram atenção em um lugar... Então era pra desviar a atenção de outro.
— Exatamente. O ataque ao Hotel Deluxe Heart foi uma isca para que eles chamassem
atenção e desse modo pudessem atacar o banco. Mas veja que surpreendente, nem um centavo foi
roubado. E você sabe o que de mais importante existe no banco de Hearthome?
— Lustrous Orb. — disse Glenn irritado, batendo com força na mesa — Esses caras nos
enganaram direitinho! Eles devem trabalhar em conjunto com os Galactic, provavelmente vão
entregar a Lustrous Orb para eles!
— Negativo. Os Galactics possuem a Adamant Orb, e são inimigos diretos dos Rockets.
Eles estão do nosso lado, pois a irmã de Melyssa, a Senhorita Martha, é uma de suas comandantes
desta facção. Provavelmente eles roubaram a Orb para que os Galactics não conseguissem
prosseguir com seus planos no continente. — concluiu Marshall.
— Vai ser trabalho dobrado pra polícia agora... — riu Glenn.
— Eu só vim para dar-lhe este recado mesmo. Deixe-me voltar ao trabalho agora...
Sempre que eu tiro um dia de folga a região entre em caos. — riu Marshall, partindo em direção
da porta.
— Foi bom te ver, cara.
— Boa sorte no show. — e por fim desapareceu como uma sombra.

O momento havia chegado. Glenn Combs subiu no palco e deparou-se com toda a cidade
de Hearthome que o assistia. Os jovens estavam em meio à multidão, apenas aguardando a
chegada do homem e o início do show. Glenn suspirou e pegou o microfone, falando logo em
seguida:
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— Passei por tempos difíceis em minha vida, tive perdas e passei por momentos ruins,
mas ergui a cabeça e continuei seguindo em frente. E para mim, voltar a cantar depois de tanto
tempo e ainda receber esse carinho dos fãs é inspirador. Por cada amigo, membro da família, ou
pessoas que amamos. Nós vivemos para isso. A melhor saída é seguir em frente, e eu apenas lhes
digo, nunca parem de sonhar! Ninguém pode tirar os sonhos de vocês. — disse Glenn — Vamos
começar nosso show, galera!



A multidão aplaudia enquanto aguardavam ansiosamente a música ser tocada, a batida
podia ser sentida em seus corações e com isso todos estavam felizes por no fim das contas
pemanecerem unidos. Vivian agarrou todos os seus amigos do grupo e os uniu em um grande
abraço.
— A-D-O-R-O ver todo mundo unido assim. Eu sei que depois de amanhã nossos
caminhos vão seguir rumos diferentes, mas olha, eu NUNCA vou esquecer nenhum de vocês.
Nunca vou esquecer os bons momentos que passei com a Dawn, nem de como o Luke é forte e
corajoso; ou então do meu amado Lukas. Não falo nada do Stanley porque vou continuar
seguindo viagem com ele, mas espero que todos os sonhos de vocês três se realizem!! — sorriu
Vivian.
— Mesmo com todas as brigas eu fico feliz por ter acertado as contas com o Lucky. Vou
treinar para um dia poder chegar ao seu nível meu caro, e então nos enfrentaremos como dois
grande rivais! — continuou Stanley.
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— Vocês foram os melhores companheiros de viagem que nós tivemos,
eu realmente espero que nos encontremos novamente nas próximas semanas. — disse Dawn — E
não somente nós, mas o Luke e o Lukas agora agem como grandes irmãos, é como se todos nós
estivéssemos unidos pela amizade.
— Se algum dia a chama de nossa amizade se apagar, foda-se, a gente acende uma vela!
— riu Luke.
— Vocês serão inesquecíveis para nós, mas saibam que quando nos reencontrarmos
estaremos entre os melhores! — sorriu Lukas.
Enquanto o grupo se abraçava, fogos de artifício começaram a ser lançados no céu, e
mesmo que estando frio e nublado, o brilho e a batida da música inspirava cada um que estava lá.
Luke segurou levemente em uma das mãos de Dawn que percebera o ocorrido, o rapaz virou-se
para ela e deu um leve sorriso.
— Aquele beijo na rota 207 contou alguma coisa? — perguntou Luke.
— Heh... Claro que não, aquilo foi um acidente. Mas eu posso fazer valer agora.
Dawn segurou no rosto do rapaz e beijo-o como nunca fizera antes, os dois eram
influencidos pelo clima lindo de modo que eles jamais esquecessem, e enquanto isso, a melodia da
canção de Glenn podia ser ouvida por toda a cidade, ecoando como memórias longínquas de
pessoas que fizeram parte de suas vidas.

“Estou voltando para casa
Diga ao Mundo que estou voltando para casa
Deixe a chuva lavar toda a dor de ontem
Eu sei que o meu reino me espera, e eles perdoaram meus erros
Diga ao Mundo que estou voltando...

Outro dia, outro amanhecer
Estou voltando para onde eu pertenço, e eu nunca me senti tão forte
Eu sinto que não há nada que eu não possa tentar
Se você já perdeu uma luz antes, esta é pra você
Os sonhos são para você
Estou voltando para casa”


FIM DA SAGA PÉROLA.
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O Autor

Canas Ominous é o pseudônimo de um ficwriter
que conheceu o mundo da leitura através das fanfictions
de Pokémon, e desde então despertou um hábito contínuo
de ler que têm melhorado cada vez mais sua vida.
Um simples jogador de video games que aprecia
toda a magia daquilo que o fez olhar o mundo de forma
diferente, inovando sua criatividade e expandindo sua
imaginação. Responsável, trabalhador, organizado,
pontual e ambicioso. Imaginativo, original e curioso.
Generoso, tolerante e cortês. Tranquilo, constante e
racional. Se você sonha e acredita, você pode fazer.

Começou a escrever a Saga Pérola do Aventuras em Sinnoh em 2010, quando tinha 15
anos. Por fim, com um pouco de força de vontade e determinação reuniu suas histórias para
disponibilizá-las via download para todos aqueles que se interessarem ou que algum dia no
passado já riram e se divertiram com suas Aventuras Pokémon.
O projeto Aventuras em Sinnoh e-book não foi revisado, e nem modificado de sua versão
original. É apenas um projeto feito de fã para fã que não visa obter lucros.

Todos os direitos da franquia Pokémon são da Nintendo.
Créditos das imagens disponibilizadas são de seus respectivos autores.


Versão 1.0. Agosto de 2013.
Não-revisado. Projeto Teste.
http://aventuras-em-sinnoh.blogspot.com.br/