O PRINCÍPIO DA INDUÇÃO

Elon Lages Lima
| Nível Avançado.
INTRODUÇÃO
O Princípio da Indução é um eficiente instrumento para a demonstração de fatos
referentes aos números naturais. Por isso deve-se adquirir prática em sua utilização. Por outro
lado, é importante tamém con!ecer seu si"nificado e sua posição dentro do arcaouço da
#atemática. $ntender o Princípio da Indução é praticamente o mesmo que entender os
números naturais.
%presentamos aai&o uma reve e&posição sore os números naturais, onde o
Princípio da Indução se insere adequadamente e mostra sua força te'rica antes de ser utilizado
na lista de e&ercícios propostos ao final.
1. A SEQÜÊNCIA DOS NÚMEROS NATURAIS
Os números naturais constituem um modelo matemático, uma escala padrão, que nos
permite a operação de conta"em. % seq()ncia desses números é uma livre e anti"a criação do
espírito !umano. *omparar con+untos de o+etos com essa escala astrata ideal é o processo
que torna mais precisa a noção de quantidade, esse processo -a conta"em. pressup/e portanto
o con!ecimento da seq()ncia numérica. 0aemos que os números naturais são 1, 2, 3, 4, 5,6
% totalidade desses números constitui um con+unto, que indicaremos com o símolo N e que
c!amaremos de con+unto dos naturais. Portanto N 7 81, 2, 3, 4, 5,69.
$videntemente, o que acaamos de dizer s' faz sentido quando +á se sae o que é um
número natural. :açamos de conta que esse conceito nos é descon!ecido e procuremos
investi"ar o que !á de essencial na seq()ncia 1, 2, 3, 4, 56 .
;eve-se a Giussepe Peano (1858-1932) a constatação de que se pode elaorar toda a
teoria dos números naturais a partir de quatro fatos ásicos, con!ecidos atualmente como os
axiomas de Peano. <outras palavras, o con+unto N dos números naturais possui quatro
propriedades fundamentais, das quais resultam, como conseq()ncias l'"icas, todas as
afirmaç/es verdadeiras que se podem fazer sore esses números.
*omeçaremos com o enunciado e a apreciação do si"nificado dessas quatro proposiç/es
fundamentais a respeito dos números naturais.
2. OS AXIOMAS DE PEANO
=m matemático profissional, em sua lin"ua"em direta e o+etiva, diria que o con+unto
N dos números naturais é caracterizado pelas se"uintes propriedades>
A. $&iste uma função s > N ¡ N, que associa a cada n ¸ N um elemento s-n. ¸ N,
c!amado o sucessor de n.
B. % função s > N ¡ N é in+etiva.
C. $&iste um único elemento 1 no con+unto N, tal que 1 =s-n. para todo n ¸ N.
D. 0e um sucon+unto X ¸ N é tal que 1 ¸ N e s-X. ¸ X
-isto é, n ¸ X = s-n. ¸ X., então X 7 N.
Oserve que, como estamos c!amando de N o con+unto dos números naturais, a
notação n ¸ N si"nifica que n é um número natural.
%s afirmaç/es A, B, C e D são os axiomas de Peano. % notação s-n. é provis'ria. ;epois de
definirmos adição, escreveremos n ? 1 em vez de s-n..
*omo concessão @ fraqueza !umana, nosso matemático nos faria a "entileza de
reformular os axiomas de Peano em lin"ua"em corrente, livre de notação matemática. $ nos
diria então que as afirmaç/es acima si"nificam e&atamente o mesmo que estas outras>
A'. Aodo número natural possui um único sucessor, que tamém é um número
natural.
B'. <úmeros naturais diferentes possuem sucessores diferentes. -Ou ainda> números que
t)m o mesmo sucessor são i"uais..
C'. $&iste um único número natural que não é sucessor de nen!um outro. $ste número é
representado pelo símolo 1 e c!amado de Bnúmero umB.
D'. 0e um con+unto de números naturais contém o número 1 e, além disso, contém o
sucessor de cada um de seus elementos, então esse con+unto coincide com N, isto é,
contém todos os números naturais.
% partir daí, retomamos a palavra para dizer que o sucessor de 1 c!ama-se BdoisB, o
sucessor de dois c!ama-se Btr)sB, etc. <ossa civilização pro"rediu ao ponto em que temos um
sistema de numeração, o qual nos permite representar, mediante o uso apropriado dos
símolos C, 1, 2, 3, 4, 5, D, E, F e G, todos os números naturais. %lém disso, nossa lin"ua"em
tamém fornece nomes para os primeiros termos da seq()ncia dos números naturais.
-<úmeros muito "randes não t)m nomes específicos, ao contrário dos menores como Bmil
novecentos e noventa e oitoB. Huem sae, por e&emplo, o nome do número de átomos do
universoI.
Joltando a usar a notação s-n. para o sucessor do número natural n, teremos então 2
7 s-1., 3 7 s-2., 4 7 s-3., 5 7 s-4., etc. %ssim, por e&emplo, a i"ualdade 2 7 s-1. si"nifica
apenas que estamos usando o símolo 2 para representar o sucessor de 1. % seq()ncia dos
números naturais pode ser indicada assim>
÷ ¡ ÷ ÷ ¡ ÷ ÷ ¡ ÷ ÷ ¡ ÷ ÷ ¡ ÷
s s s s s
5 4 3 2 1
%s flec!as li"am cada número ao seu sucessor.
<en!uma flec!a aponta para 1, pois este número não é sucessor de nen!um outro. O
dia"rama acima diz muito sore a estrutura do con+unto N dos números naturais.
3. O AXIOMA DA INDUÇÃO
=m dos axiomas de Peano, o último, possui claramente uma natureza mais elaorada
do que os demais. $le é con!ecido como o a&ioma da indução. :aremos dele uma análise
detida, acompan!ada de comentários.
O si"nificado informal do a&ioma D é que todo número natural pode ser otido a
partir de 1 por meio de repetidas aplicaç/es da operação de tomar o sucessor. %ssim, por
e&emplo, 2 é o sucessor de 1, 3 é o sucessor do sucessor de 1, etc. Para se entender mel!or o
a&ioma da indução é util e&aminar o e&emplo, no qual N 7 81, 2, 3,69 mas a função s > N ¡
N é modificada, pondo-se s-n. 7 n ? 2. $ntão, se começarmos com 1 e a este número
aplicarmos repetidamente a operação de tomar o BsucessorB -nesta nova acepção. oteremos
s-1. 7 3, s-3. 7 5, s-5. 7 E, etc., e nunca c!e"aremos a qualquer número par. Portanto, o
dia"rama
÷ ¡ ÷ ÷ ¡ ÷ ÷ ¡ ÷ ÷ ¡ ÷ ÷ ¡ ÷ ÷ ¡ ÷
s s s s s s
D 4 2 5 3 1
e&ie uma função in+etiva s > N ¡ N para a qual não é verdade que todo número natural n
pode ser otido, a partir de 1, mediante repetidas aplicaç/es da operação de passar de k para
s-k..
;entro de um ponto de vista estritamente matemático, podemos reformular o a&ioma
da indução do se"uinte modo> =m sucon+unto X ¸ N c!ama-se indutivo quando s-X. ¸ X, ou
se+a, quando n ¸ X = s-n. ¸ X, ou ainda, quando o sucessor de qualquer elemento de X
tamém pertence a X.
;ito isto, o a&ioma da indução afirma que o único sucon+unto indutivo de N que contém o
número 1 é o proprio N.
<o e&emplo acima, os números ímpares 1, 3, 5, 6 formam um con+unto indutivo que
contém o elemento 1 mas não é i"ual a N.
O papel fundamental do a&ioma da indução na teoria dos números naturais e, mais
"eralmente, em toda a #atemática, resulta do fato de que ele pode ser visto como um método
de demonstração, c!amado o Método de Indução Matemátia, ou P!in"#io da Indução
$inita, ou P!in"#io da Indução, conforme e&plicaremos a"ora.
0e+a P uma propriedade que se refere a números naturais. =m dado número natural
pode "ozar ou não da propriedade P%
Por e&emplo, se+a P a propriedade de um número natural n ser sucessor de outro
número natural. $ntão 1 não "oza da propriedade P, mas todos os demais números "ozam de
P%
O Princípio da Indução diz o se"uinte>
Princípio da Indução> 0e+a P uma propriedade referente a números naturais. 0e 1 "oza de P
e se, além disso, o fato de o número natural n "ozar de P implica que seu sucessor s-n.
tamém "oza, então todos os números naturais "ozam da propriedade P.
Para ver que o Princípio da Indução é verdadeiro -uma vez admitidos os axiomas de
Peano. asta oservar que, dada a propriedade P cumprindo as condiç/es estipuladas no
enunciado do Princípio, o con+unto X dos números naturais que "ozam da propriedade P
contém o número 1 e é indutivo. Ko"o X 7 N, isto é, todo número natural "oza da propriedade
P. %s propriedades ásicas dos números naturais são demonstradas por indução. *omecemos
com um e&emplo em simples.
Exemplo 1. $ntre os axiomas de Peano não consta e&plicitamente a afirmação de que todo
número é diferente do seu sucessor, a qual provaremos a"ora. 0e+a P esta propriedade. #ais
precisamente, dado o número natural n, escrevamos P-n. para si"nificar, areviadamente, a
afirmação n =s-n.. $ntão P-1. é verdadeira, pois 1 =s-1., +á que 1 não é sucessor de número
al"um, em particular, 1 não é sucessor de si pr'prio. %lém disso, se supusermos P-n.
verdadeira, isto é, se admitimos que
n =s-n., então s-n. =s-s-n.., pois a função s > N ¡ N é in+etiva. #as a afirmação s-n. =s-s-n.
si"nifica que P-s-n.. é verdadeira. %ssim, a verdade de P-n. acarreta a verdade de
P-s-n... Pelo Princípio da Indução, todos os números naturais "ozam da propriedade P, ou
se+a, são diferentes de seus sucessores.
<as demonstraç/es por indução, a !ip'tese de que a propriedade P é válida para o
número natural n -da qual deve decorrer que P vale tamém para s-n.. c!ama-se !ip'tese de
indução.
O Princípio da Indução não é utilizado somente como método de demonstração. $le
serve tamém para definir funç/es &> N ¡ ' que t)m como dominio o con+unto N dos
números naturais.
Para se definir uma função & > X ¡ ' e&i"e-se em "eral que se+a dada uma re"ra em
determinada, a qual mostre como se deve associar a cada elemento x ¸ X um único elemento
( 7 &-x. ¸ '%
$ntretanto, no caso particular em que o domínio da função é o con+unto N dos
números naturais, a fim de definir uma função & > N ¡ ' não é necessário dizer, de uma s'
vez, qual é a receita que dá o valor &-n. para todo n ¸ N. Lasta que se ten!a con!ecimento dos
se"uintes dados>
-1. O valor & -1.,
-2. =ma re"ra que permita calcular & -s-n.. quando se con!ece & -n..
$sses dois dados permitem que se con!eça & -n. para todo número natural n. -;iz-se
então que a função & foi definida por recorr)ncia.. *om efeito, se c!amarmos de X o con+unto
dos números naturais n para os quais se pode determinar & -n., o dado -1. acima diz que 1 ¸ X
e o dado -2. asse"ura que n ¸ X = s-n. ¸ X. Ko"o, pelo a&ioma da indução, tem-se
X 7 N.
Obs. > =ma função & > N ¡ ' cu+o domínio é o con+unto dos números naturais c!ama-se uma
se)*+nia ou suessão de elementos de '. % notação usada para uma tal seq()ncia é -(
1
, (
2
,
6,(
n
,6., onde se usa (
n
em vez de &-n. para indicar o valor da função & no número n. O
elemento (
n
.

4. ADIÇÃO E MULTIPLICAÇÃO DE NÚMEROS NATURAIS
% adição e a multiplicação de números naturais são e&emplos de funç/es definidas
por recorr)ncia.
Para definir a adição, fi&aremos um número natural aritrário k e definiremos a soma
k ? n para todo n ¸ N.
:i&ado k, a correspond)ncia n ¡ k ? n será uma função &> N¡ N, &-n. 7 k ? n,
c!amada Bsomar kB. $la se define por recorr)ncia, a partir dos se"uintes dados>
--1. k ? 1 7 s-k.
--2. k . s-n. 7 s-k ? n..
Portanto, k ? 1 é, por definição, o sucessor de k. $, se con!ecermos k ? n, saeremos o valor
de k ? s-n.> por definição, tem-se k ? s-n. 7 s-k . n.. Isto nos permite con!ecer k ? n para
todo n ¸ N -e todo k ¸ N..
=sando as notaç/es definitivas n ? 1 em vez de s-n. e -k ? n. ? 1 em vez de s-k ? n.,
a i"ualdade --2. se escreve assim>
--2M. k ? -n ? 1. 7 -k ? n. ?1.
%ssim, as i"ualdades --1. e --2. ou, equivalentemente, --1. e --2M. definem por
recorr)ncia a soma k ? n de dois números naturais quaisquer k e n.
% multiplicação de números naturais se define de modo análo"o @ adição. :i&ado
aritrariamente um número natural k, a multiplicação por k associa a todo número mnatural n
o produto n k, definido por indução da se"uinte maneira>
-P1. 1 k 7 k%
-P2. -n ? 1. k 7 nk ? k%
O produto nk escreve-se tamém nk e l)-se Bn vezes kB. % definição acima diz portanto que
uma vez k é i"ual a k e n ? 1 vezes k é i"ual a n vezes k mais -uma vez. k . %ssim, por
definição, 2 k 7 k ? k, 3 k 7 k ? k ? k, etc.
=sa-se indução para provar as propriedades ásicas da adição e da multiplicação de números
naturais. $ntre elas, destacam-se as se"uintes, válidas para quaisquer k, n, # ¸ N>
%ssociatividade> k ? -n ? #. 7 -k ? n. ? # e k -n #. 7 -k n. #
*omutatividade> k ? n 7 n ? k e k n 7 n k
Kei do *orte> k ? n 7 k ? # = n 7 # e k n 7 k # = n 7 #
;istriutividade> k -n ? #. 7 k  n ? k #.
Omitiremos as demonstraç/es destes fatos. O leitor pode considerá-las como
e&ercícios sore o método da indução.
5. ORDEM
% adição de números naturais permite introduzir uma relação de ordem em N. ;ados
os números naturais m, n diremos que m é menor do que n, e escreveremos m N n, para
si"nificar que e&iste # ¸ N tal que n / m . #% <este caso, diz-se tamém que n é maior do
que m e escreve-se n O m para e&primir que se tem m N n. % notação m Cn si"nifica que m N
n ou m 7 n. Por definição, tem-se portanto m N m ? # para quaisquer m, # ¸ N. $m particular,
m N m . 1. 0e"ue-se tamém da definição que 1 N n para todo número natural n =1.
*om efeito, pelo a&ioma C, n =1 implica que n é sucessor de al"um número natural
m, ou se+a, n 7 m . 1 7 1 ? m, lo"o n O 1. %ssim, 1 é o menor dos números naturais.
Provaremos a se"uir as propriedades ásicas da relação de ordem
m N n que definimos. % primeira delas é a transitividade.
Teorema 1. -0!ansitividade%. 0e m N n e n N #, então m N #%
Demonsração> 0e m N n, n N # então n / m . k, # / n . !, lo"o # / -m . k. ? ! / m . -k .
!., portanto m N #%
Outra importante propriedade de relação de ordem é que, dados dois números naturais
diferentes m, n, ou se tem m N n ou então n N m. $sta propriedade pode ser reformulada de
outra maneira, como se"ue.
;iremos que os números naturais m, n são om#a!áveis quando se tem m / n, m N n
ou n N m% Podemos então enunciar o se"uinte teorema.
Teorema !. -1om#a!a2i3idade%. 0odo n4me!o natu!a3 n é om#a!áve3 om )ua3)ue! n4me!o
natu!a3 m%
Demonsração> Isto se prova por indução. O número 1 é comparável com qualquer outro
número natural pois +á saemos que 1 N m para todo m =1.
0upon!amos a"ora que o número n se+a comparável com todos os números naturais.
#ostremos, a partir daí, que n ? 1 tamém tem essa propriedade. *om efeito, se+a m ¸ N
tomado aritrariamente. 0aemos que se tem
m N n, m / n ou n N m% $&aminemos cada uma dessas possiilidades>
0e for m N n então m N n . 1 por transitividade, pois saemos que n N n ? 1.
0e for m / n, então m N n . 1.
0e for n N m então m / n . #. <este caso, !á duas possiilidades. Ou se tem # / 1, donde m
/ n ? 1, ou então # O 1, lo"o # / 1 ? #5, e daí m 7 -n . 1. ? #5 e concluímos que n ? 1 N m.
$m qualquer !ip'tese, vemos que n ? 1 é comparável com qualquer número natural m. Por
indução, fica provada a comparailidade de quaisquer números naturais m, n%
% comparailidade dos números naturais é complementada pela proposição aai&o.
Teorema ". -0!iotomia%. 6ados m, n ¸ N, )ua3)ue! das a&i!maç7es m N n,
m / n, n N m ex3ui as out!as duas%
Demonsração> 0e tivéssemos m N n e m 7 n, então seria m 7 m ? #, donde m ? 1 7 m . #
. 1 e, cortando m, concluiríamos que 1 7 # ? 1, um asurdo, pois 1 não é sucessor de #.
Portanto m N n -e analo"amente, n N m. é incompatível com m 7 n.
;o mesmo modo, se tivéssemos m N n e n N m, então teríamos n 7 m . # e m / n . k, do
que resultaria n 7 n . k . #, lo"o n . 1 7 n ? k . # . 1 e, cortando n, concluiríamos que 1 7
k . # . 1, um asurdo.
O teorema se"uinte mostra que n e n . 1 são números consecutivos.
Teorema #% 8ão existem n4me!os natu!ais ent!e n e n . 1.
Demonsração> 0e fosse possível ter n N # N n . 1, teríamos # 7 n . k e n . 1 7 # . !, lo"o
n ? 1 7 n . k . !. *ortando n, oteríamos 1 7 k . !% Por definição, isto si"nificaria k N 1, o
que é asurdo, pois +á vimos que k =1 = k O 1.
% cone&ão entre a relação de ordem e as operaç/es de adição e multiplicação é dada pelo
se"uinte teorema>
Teorema $. -Monotoniidade%. -e m N n, então m ? # N n . # e m# N n#.
Demonsração> =sando a definição de N, temos que m N n = n 7 m . k = n . # / -m . k.
? # = m . # N n . #% %nalo"amente, m N n = n 7 m . k = n# / m# . k# = n# 9m#%
% recíproca da monotonicidade é a Kei do *orte para desi"ualdades> m ? # N n . # = m N n e
m# N n# = m N n% O leitor poderá prová-la por asurdo, usando a tricotomia e a pr'pria
monotonicidade.
Teorema %> -Princípio da Indução Peneralizado.. -e:a P uma #!o#!iedade !e&e!ente a
n4me!os natu!ais, um#!indo as se;uintes ondiç7es<
(1) = n4me!o natu!a3 a ;o>a da #!o#!iedade P?
-2. -e um n4me!o natu!a3 n ;o>a da #!o#!iedade P então seu suesso! n . 1 tam2ém ;o>a de
P%
@ntão todos os n4me!os natu!ais maio!es do )ue ou i;uais a a ;o>am da #!o#!iedade P%
Exemplo !. Je+amos uma situação simples onde se empre"a o Princípio da Indução
Peneralizado. Arata-se de provar que 2n . 1 N 2
n
, para todo n _3. $sta afirmação, -que é falsa
para n 7 1 ou n 7 2., vale quando n 7 3. 0upondo-a válida para um certo n _3, mostremos que
daí decorre sua validez para n ? 1. *om efeito, 2-n ? 1. ? 1 7 -2n ? 1. ? 2 N 2
n
? 2 N 2
n
? 2
n
7
2
n ? 1
. -<a primeira desi"ualdade, usamos a !ip'tese de indução..
Exemplo ". =sando a desi"ualdade 2n ? 1 N 2
n
, qua acaamos de provar para n _3, podemos
demonstrar que n
2
N 2
n
para todo n _5, empre"ando novamente o Princípio da Indução
Peneralizado. *om efeito, vale 5
2
N 2
5
pois 25 N 32. 0upondo válida a desi"ualdade n
2
N 2
n
para um certo valor de n
_5, daí se"ue-se que -n ? 1.
2
7 n
2
? 2n ? 1 N 2
n
? 2n ? 1 -pela !ip'tese de indução. N 2
n
? 2
n
-pelo e&emplo anterior. 7 2
n ? 1
. Portanto P-n. = P-n . 1.. Pelo Princípio de Indução
Peneralizado, se"ue-se que P-n. vale para todo
n _5. $videntemente, a desi"ualdade n
2
N 2
n
é falsa para n 7 1, 2, 3, 4.
Exercícios>
1. *onstrua um esquema de setas começando com os números ímpares, se"uidos dos
números pares divisíveis por 4 em ordem decrescente e, por fim, os pares não divisíveis
por 4 em ordem crescente. <outras palavras, tome X 7 N e defina s > X ¡ X pondo s-n. 7
n ? 2 se n não é divisível por 4, s-n. 7 n Q 2 se n for múltiplo de 4. #ostre que s > X ¡ X
cumpre os a&iomas A, B, C mas não D.
2. ;efina, por recorr)ncia, uma função & > N ¡ N estipulando que & -1. 7 3 e & -n ? 1. 7 5. &
-n. ? 1. ;) uma formula e&plícita para & -n..
3. ;) uma f'rmula e&plícita para & > N ¡ N saendo que &-1. 7 1, &-2. 7 5 e & -n ? 2. 7 3& -n
? 1. Q 2& -n..
4. 0e+a X ¸ N um con+unto indutivo não-vazio. #ostre que e&iste a ¸ N tal que X 7 8n ¸ N,
n _a9.
5. Prove, por indução, que .
D
. 1 2 .- 1 -
... 2 1
2 2 2
÷ ÷
¸ ÷ ÷ ÷
n n n
n
D. <um polí"ono com n _D lados, o número de dia"onais é maior do que n.
E. Prove, por indução que R-n ? 1.SnT
n
N n, para todo n _3. -0u"estão> Oserve que -n ? 2.S
-n ? 1. N - n ? 1.Sn e eleve amos os memros desta desi"ualdade @ pot)ncia n ? 1..
*onclua daí que a seq()ncia ,... 5 , 4 , 3 , 2 , 1
5 4 3
é decrescente a partir do terceiro termo.
F. Prove, por indução a desi"ualdade de Lernoulli> -1 ? a.
n
O 1 ? na quando 1 ? a O C.
G. Para todo n ¸ N, pon!a
n
n
n n
n
x
[
¨

I
D
Ý
÷
÷
¸
. 2 -
. 1 -
2
e prove, por indução que se tem .
1
2
÷
÷
<
n
n
x
n
*onclua, a partir daí, que a seq()ncia de termo "eral
n
n
n
/
/
/
d
S
í ÷ 1
é crescente.
&u'esão> oserve que
n n
x
n
n
n
n
x
÷
/
/
/
d
S
í
÷
÷
¸
÷
3 1
2
3
1
.
1C. =se a distriutividade de duas maneiras diferentes para calcular -m ? n .-1 ? 1. e
aplique em se"uida a Kei do *orte para oter uma nova prova de que m ? n / n . m%
11. =m con+unto - ¸ N, não-vazio, é limitado superiormente, se e&iste um natural k tal que
para todo natural x ¸ -, então x Ck. #ostre que - possui um maior elemento. -Isto é,
e&iste m ¸ - tal que x Cm, para todo x ¸ -%.
12. ;emonstre que a soma dos n primeiros números ímpares é n
2
, ou se+a, que 1 ? 3
? 5 ?6? -2n Q 1. 7 n
2
.
13. Prove que 2
n
Q 1 é múltiplo de 3, para todo número natural n par.
14. ;emonstre que, para todo número natural n, vale
. 1
1
1 ...
3
1
1
2
1
1
1
1
1 ÷ C /
/
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d
S
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S
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S
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d
S
í
÷ n
n
15. ;emonstre que .
2CC
1
...
1C2
1
1C1
1
2CC
1
1GG
1
..
4
1
3
1
2
1
1 ÷ ÷ ÷ ¸ ÷ ÷ ÷ ÷ ÷ ÷
1D. ;etermine A
n
se A /
/
/
/
/
d
d
S
í
4 2
2 1
1E. ;emonstre, usando o Princípio da Indução :inita, que
.

1

...

1
/
/
/
/
d
d
S
í ÷ ÷
¸
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S
í ÷
÷
/
/
/
/
d
d
S
í
#
n #
#
n #
#
#
#
#
$ste resultado é comumente con!ecido por 0eo!ema das 1o3unas% -Por qu)I..
1F. *onsidere a seq()ncia
,..., ,...,
5
E
,
2
3
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1G. R% Aorre de Uan'i.T 0ão dados tr)s suportes A, B e 1% <o suporte A estão encai&ados n
discos cu+os diVmetros, de ai&o para cima, estão em ordem estritamente decrescente.
#ostre que é possível, com 2
n
Q 1 movimentos, transferir todos os discos para o suporte
B, usando o suporte 1 como au&iliar, de modo que +amais, durante a operação, um disco
maior fique sore um disco menor.
2C. ;emonstre que 2
n
N nW, para n _4.
21. ;emonstre que 2n
3
O 3n
2
? 3n ? 1 para n _3.
22. *onsidere n retas em um plano. #ostre que o BmapaB determinado por elas pode ser
colorido com apenas duas cores sem que duas re"i/es vizin!as ten!am a mesma cor.