TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 5 QUESTÕES

:
Fotojornalismo

12
Vem perto o dia em que soará para os escritores a hora do irreparável desastre e da derradeira desgraça.
Nós, os rabiscadores de artigos e notícias, já sentimos que nos falta o solo debaixo dos pés… Um exército rival vem
solapando os alicerces em que até agora assentava a nossa supremacia: é o exército dos desenhistas, dos
caricaturistas e dos ilustradores. O lápis destronará a pena:
1
ceci tuera cela.
13
O público tem pressa. A vida de hoje, vertiginosa e febril, não admite leituras demoradas, nem reflexões
profundas. A onda humana galopa, numa espumarada bravia, sem descanso. Quem não se apressar com ela será
arrebatado, esmagado, exterminado.
8
O século não tem tempo a perder. A eletricidade já suprimiu as distâncias:
daqui a pouco, quando um europeu espirrar, ouvirá
2
incontinenti o “Deus te ajude” de um americano.
17
E ainda a
ciência humana há de achar o meio de simplificar e apressar a vida por forma tal que os homens já nascerão com
dezoito anos, aptos e armados para todas as batalhas da existência.
9
Já ninguém mais lê artigos. Todos os jornais abrem espaço às ilustrações copiosas, que entram pelos olhos
da gente com uma insistência assombrosa. As legendas são curtas e incisivas:
18
toda a explicação vem da gravura,
que conta conflitos e mortes, casos alegres e casos tristes.
É provável que o jornal-modelo do século 20 seja um imenso
3
animatógrafo, por cuja tela vasta passem
reproduzidos, instantaneamente, todos os incidentes da vida cotidiana. Direis que as ilustrações, sem palavras que
as expliquem, não poderão doutrinar as massas nem fazer uma propaganda eficaz desta ou daquela ideia política.
Puro engano. Haverá ilustradores para a sátira, ilustradores para a piedade.
(...) Demais,
19
nada impede que seja anexado ao animatógrafo um gramofone de voz
4
tonitruosa,
encarregado de berrar ao céu e à terra o comentário, grave ou picante, das fotografias.
E convenhamos que, no dia em que nós, cronistas e noticiaristas, houvermos desaparecido da cena – nem
por isso se subverterá a ordem social.
14
As palavras são traidoras, e a fotografia é fiel. A pena nem sempre é ajudada
pela inteligência; ao passo que
20
a máquina fotográfica funciona sempre sob a
5
égide da soberana Verdade, a
coberto das inumeráveis ciladas da Mentira, do Equívoco e da Miopia intelectual.
21
Vereis que não hão de ser tão
frequentes as controvérsias…
(...)
Não insistamos sobre os benefícios da grande revolução que a fotogravura vem fazer no jornalismo.
Frisemos apenas este ponto: o jornal-animatógrafo terá a utilidade de evitar que nossas opiniões fiquem, como
atualmente ficam, fixadas e conservadas eternamente, para
6
gáudio dos inimigos… Qual de vós, irmãos, não escreve
todos os dias quatro ou cinco tolices que desejariam ver apagadas ou extintas? Mas, ai! de todos nós!
15
Não há
morte para as nossas tolices!
16
Nas bibliotecas e nos escritórios dos jornais, elas ficam (...) catalogadas.
(...)
No jornalismo do Rio de Janeiro, já se iniciou a revolução, que vai ser a nossa morte e a
7
opulência dos que
sabem desenhar. Preparemo-nos para morrer, irmãos, sem lamentações ridículas,
10
aceitando resignadamente a
fatalidade das coisas, e consolando-nos uns aos outros com a cortesia de que, ao menos,
11
não mais seremos
obrigados a escrever barbaridades…
Saudemos a nova era da imprensa! A revolução tira-nos o pão da boca, mas deixa-nos aliviada a
consciência.

Olavo Bilac
Gazeta de Notícias, 13/01/1901.


1
ceci tuera cela − isto vai matar aquilo
2
incontinenti − sem demora
3
animatógrafo − aparelho que passa imagens sequenciais
4
tonitruosa − com o volume alto
5
égide − proteção
6
gáudio − alegria extremada
7
opulência − riqueza, grandeza
1. O texto, apesar de escrito no início do século XX, demonstra surpreendente atualidade, conferida sobretudo por
uma semelhança entre a vida moderna da época e a experiência contemporânea. Essa semelhança está
exemplificada na passagem apresentada em:
a) O público tem pressa. (ref. 13)
b) As palavras são traidoras, e a fotografia é fiel. (ref. 14)
c) Não há morte para as nossas tolices! (ref. 15)
d) Nas bibliotecas e nos escritórios dos jornais, elas ficam (...) catalogadas. (ref. 16)


2. O cinema se popularizou no Brasil depois de esta crônica ter sido escrita. Nela, porém, o autor já antecipa o
advento do novo meio de comunicação.
Um trecho que comprova tal afirmativa é:
a) E ainda a ciência humana há de achar o meio de simplificar e apressar a vida (ref. 17)
b) toda a explicação vem da gravura, que conta conflitos e mortes, (ref. 18)
c) nada impede que seja anexado ao animatógrafo um gramofone de voz tonitruosa, (ref.19)
d) a máquina fotográfica funciona sempre sob a égide da soberana Verdade, (ref. 20)


3. Vereis que não hão de ser tão frequentes as controvérsias… (ref. 21)

A previsão de Bilac sobre a diminuição das controvérsias ou polêmicas, por causa da vitória da imagem sobre a
palavra, baseia-se em uma pressuposição acerca da maneira de representar a realidade.
Essa pressuposição está enunciada em:
a) o desenho critica o real e as palavras expressam consciência
b) a fotografia reproduz o real e as palavras provocam distorções
c) a imagem interpreta o real e as palavras precisam de inteligência
d) a fotogravura subverte o real e as palavras tendem ao conservadorismo


4. Já em 1901, o escritor Olavo Bilac temia que a imagem substituísse a escrita. No entanto, ele reconhecia aspectos
positivos dessa possível substituição.
Um desses aspectos é observado no seguinte trecho:
a) O século não tem tempo a perder. (ref 8)
b) Já ninguém mais lê artigos. (ref.9)
c) aceitando resignadamente a fatalidade das coisas, (ref. 10)
d) não mais seremos obrigados a escrever barbaridades... (ref. 11)


5. Vem perto o dia em que soará para os escritores a hora do irreparável desastre e da derradeira desgraça. (ref. 12)

A profecia para os escritores, anunciada na primeira frase do texto de forma extremamente negativa, se opõe ao tom
e à conclusão do texto.
Considerando esse contraste, o texto de Bilac pode ser qualificado basicamente como:
a) irônico
b) incoerente
c) contraditório
d) ultrapassado












TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 3 QUESTÕES:
1
Escusando-me por repetir
2
truísmo tão martelado, mas movido pelo conhecimento de que
4
os truísmos são parte
inseparável da boa retórica narrativa, até porque a maior parte das pessoas não sabe ler e é no fundo muito
ignorante, rol no qual incluo arbitrariamente você, repito o que tantos já dizem e vivem repetindo, como quem usa
chupetas: a realidade é, sim, muitíssimo mais inacreditável do que qualquer ficção, pois esta requer uma certa
arrumação
3
falaciosa, a que a maioria dá o nome de verossimilhança. Mas ocorre precisamente o oposto. Lê-se
ficção para fortalecer a noção estúpida de que há sentido, lógica, causa e efeito lineares e outros adereços que
integrariam a vida. Lê-se ficção, ou mesmo livros de historiadores ou jornalistas, por insegurança, porque o absurdo
da vida é insuportável para a vastidão dos desvalidos que povoa a Terra.

João Ubaldo Ribeiro
Diário do Farol. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2002.
1
escusando-me − desculpando-me
2
truísmo − verdade trivial, lugar comum
3
falaciosa − enganosa, ilusória



6. O título do texto soa contraditório, se a verossimilhança for tomada como uma semelhança com o mundo real, com
aquilo que se conhece e se compreende.
Essa contradição se desfaz porque, na interpretação do autor, a ficção organiza elementos da vida, enquanto a
realidade é considerada como:
a) linear
b) absurda
c) estúpida
d) falaciosa


7. Para justificar a repetição de algo já conhecido, o autor se baseia na relação que mantém com os leitores.
Com base no texto, é possível perceber que essa relação se caracteriza genericamente pela:
a) insegurança do autor
b) imparcialidade do autor
c) intolerância dos leitores
d) inferioridade dos leitores


8. os truísmos são parte inseparável da boa retórica narrativa, até porque a maior parte das pessoas não sabe ler
(ref. 4)

O narrador justifica a necessidade de truísmos pela dificuldade de leitura da maior parte das pessoas.
Encontra-se implícita no argumento a noção de que o leitor iniciante lê melhor se:
a) estuda autores clássicos
b) conhece técnicas literárias
c) identifica ideias conhecidas
d) procura textos recomendados












TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES:

A namorada

Havia um muro alto entre nossas casas.
1
Difícil de mandar recado para ela.
Não havia e-mail.
2
O pai era uma onça.
A gente amarrava o bilhete numa pedra presa por
um cordão
E pinchava a pedra no quintal da casa dela.
Se a namorada respondesse pela mesma pedra
Era uma glória!
Mas por vezes o bilhete enganchava nos galhos da
goiabeira
E então era agonia.
No tempo do onça era assim.

Manoel de Barros
Poesia completa. São Paulo: Leya, 2010.



9. Difícil de mandar recado para ela.
Não havia e-mail.
O pai era uma onça. (ref. 1)

O primeiro verso estabelece mesma relação de sentido com cada um dos dois outros versos. Um conectivo que
expressa essa relação é:
a) porém
b) porque
c) embora
d) portanto



10. O pai era uma onça. (ref. 2)

Nesse verso, a palavra onça está empregada em um sentido que se define como:
a) enfático
b) antitético
c) metafórico
d) metonímico



















TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 4 QUESTÕES:
O tempo em que o mundo tinha a nossa idade

5
Nesse entretempo, ele nos chamava para escutarmos seus imprevistos improvisos.
1
As estórias dele faziam
o nosso lugarzinho crescer até ficar maior que o mundo. Nenhuma narração tinha fim, o sono lhe apagava a boca
antes do desfecho.
9
Éramos nós que recolhíamos seu corpo dorminhoso.
6
Não lhe deitávamos dentro da casa: ele
sempre recusara cama feita.
10
Seu conceito era que a morte nos apanha deitados sobre a moleza de uma esteira.
Leito dele era o puro chão, lugar onde a chuva também gosta de deitar. Nós simplesmente lhe encostávamos na
parede da casa. Ali ficava até de manhã. Lhe encontrávamos coberto de formigas. Parece que os insectos gostavam
do suor docicado do velho Taímo.
7
Ele nem sentia o corrupio do formigueiro em sua pele.
− Chiças: transpiro mais que palmeira!
Proferia tontices enquanto ia acordando.
8
Nós lhe sacudíamos os infatigáveis bichos. Taímo nos sacudia a
nós, incomodado por lhe dedicarmos cuidados.
2
Meu pai sofria de sonhos, saía pela noite de olhos transabertos. Como dormia fora, nem dávamos conta.
Minha mãe, manhã seguinte, é que nos convocava:
− Venham: papá teve um sonho!
3
E nos juntávamos, todos completos, para escutar as verdades que lhe tinham sido reveladas. Taímo recebia
notícia do futuro por via dos antepassados. Dizia tantas previsões que nem havia tempo de provar nenhuma. Eu me
perguntava sobre a verdade daquelas visões do velho, estorinhador como ele era.
− Nem duvidem, avisava mamã, suspeitando-nos.
E assim seguia nossa criancice, tempos afora.
4
Nesses anos ainda tudo tinha sentido: a razão deste mundo
estava num outro mundo inexplicável.
11
Os mais velhos faziam a ponte entre esses dois mundos. (...)

Mia Couto
Terra sonâmbula. São Paulo, Cia das Letras, 2007.
11. Este texto é uma narrativa ficcional que se refere à própria ficção, o que caracteriza uma espécie de
metalinguagem.
A metalinguagem está melhor explicitada no seguinte trecho:
a) As estórias dele faziam o nosso lugarzinho crescer até ficar maior que o mundo. (ref. 1)
b) Meu pai sofria de sonhos, saía pela noite de olhos transabertos. (ref. 2)
c) E nos juntávamos, todos completos, para escutar as verdades que lhe tinham sido reveladas. (ref. 3)
d) Nesses anos ainda tudo tinha sentido: (ref. 4)

12. A escrita literária de Mia Couto explora diversas camadas da linguagem: vocabulário, construções sintáticas,
sonoridade.
O exemplo em que ocorre claramente exploração da sonoridade das palavras é:
a) Nesse entretempo, ele nos chamava para escutarmos seus imprevistos improvisos. (ref. 5)
b) Não lhe deitávamos dentro da casa: ele sempre recusara cama feita. (ref. 6)
c) Ele nem sentia o corrupio do formigueiro em sua pele. (ref. 7)
d) Nós lhe sacudíamos os infatigáveis bichos. (ref. 8)

13. Um elemento importante na organização do texto é o uso de algumas personificações.
Uma dessas personificações encontra-se em:
a) Éramos nós que recolhíamos seu corpo dorminhoso. (ref. 9)
b) Seu conceito era que a morte nos apanha deitados sobre a moleza de uma esteira. (ref. 10)
c) Nós lhe sacudíamos os infatigáveis bichos. (ref. 8)
d) Os mais velhos faziam a ponte entre esses dois mundos. (ref. 11)

14. Ao dizer que o pai sofria de sonhos (ref. 2) e não que ele sonhava, o autor altera o significado corrente do ato de
sonhar.
Este novo significado sugere que o sonho tem o poder de:
a) distrair
b) acalmar
c) informar
d) perturbar
TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES:
Com base na charge abaixo, responda à questão a seguir.



15. Na charge, além da crítica à arte moderna presente na fala do personagem, é possível identificar ainda outra
crítica. Esta outra crítica está relacionada ao seguinte aspecto:
a) moral
b) estético
c) econômico
d) acadêmico

16. Ao formular sua crítica, o personagem demonstra certo distanciamento em relação à arte moderna. Uma marca
linguística que expressa esse distanciamento é o uso de:
a) terceira pessoa
b) frase declarativa
c) reticências ao final
d) descrição do objeto

TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 6 QUESTÕES:
Recordações do escrivão Isaías Caminha

Eu não sou literato, detesto com toda a paixão essa espécie de animal. O que observei neles, no tempo em que
estive na redação do O Globo, foi o bastante para não os amar, nem os imitar.
1
São em geral de uma lastimável
limitação de ideias, cheios de fórmulas, de receitas,
9
só capazes de colher fatos detalhados e impotentes para
generalizar, curvados aos fortes e às ideias vencedoras, e antigas, adstritos a um infantil fetichismo do estilo e
guiados por conceitos obsoletos e um pueril e errôneo critério de beleza. Se me esforço por fazê-lo literário é para
que ele possa ser lido, pois quero falar das minhas dores e dos meus sofrimentos ao espírito geral e no seu
interesse, com a linguagem acessível a ele. É esse o meu propósito, o meu único propósito. Não nego que para isso
tenha procurado modelos e normas. Procurei-os, confesso; e, agora mesmo, ao alcance das mãos, tenho os autores
que mais amo. (...)
5
Confesso que os leio, que os estudo, que procuro descobrir nos grandes romancistas o segredo
de fazer.
6
Mas não é a ambição literária que me move ao procurar esse dom misterioso para animar e fazer viver
estas pálidas Recordações. Com elas, queria modificar a opinião dos meus concidadãos, obrigá-los a pensar de
outro modo, a não se encherem de hostilidade e má vontade quando encontrarem na vida um rapaz como eu e com
os desejos que tinha há dez anos passados. Tento mostrar que são legítimos e, se não merecedores de apoio, pelo
menos dignos de indiferença.

7
Entretanto, quantas dores, quantas angústias!
2
Vivo aqui só, isto é, sem relações intelectuais de qualquer ordem.
Cercam-me dois ou três bacharéis idiotas e um médico mezinheiro,
10
repletos de orgulho de suas cartas que sabe
Deus como tiraram. (...) Entretanto, se eu amanhã lhes fosse falar neste livro - que espanto! que sarcasmo! que
crítica desanimadora não fariam. Depois que se foi o doutor Graciliano, excepcionalmente simples e esquecido de
sua carta apergaminhada, nada digo das minhas leituras, não falo das minhas lucubrações intelectuais a ninguém, e
minha mulher, quando me demoro escrevendo pela noite afora, grita-me do quarto:

3
– Vem dormir, Isaías! Deixa esse relatório para amanhã!

De forma que não tenho por onde aferir se as minhas Recordações preenchem o fim a que as destino; se a minha
inabilidade literária está prejudicando completamente o seu pensamento. Que tortura! E não é só isso: envergonho-
me por esta ou aquela passagem em que me acho, em que
11
me dispo em frente de desconhecidos, como uma
mulher pública...
12
Sofro assim de tantos modos, por causa desta obra, que julgo que esse mal-estar, com que às
vezes acordo, vem dela, unicamente dela. Quero abandoná-la; mas não posso absolutamente. De manhã, ao
almoço, na coletoria, na botica, jantando, banhando-me, só penso nela. À noite, quando todos em casa se vão
recolhendo, insensivelmente aproximo-me da mesa e escrevo furiosamente. Estou no sexto capítulo e ainda não me
preocupei em fazê-la pública, anunciar e arranjar um bom recebimento dos detentores da opinião nacional.
13
Que ela
tenha a sorte que merecer, mas que possa também, amanhã ou daqui a séculos, despertar um escritor mais hábil
que a refaça e que diga o que não pude nem soube dizer.

(...)
8
Imagino como um escritor hábil não saberia dizer o que eu senti lá dentro. Eu que sofri e pensei não o sei narrar.
4
Já por duas vezes, tentei escrever; mas, relendo a página, achei-a incolor, comum, e, sobretudo, pouco expressiva
do que eu de fato tinha sentido.

LIMA BARRETO
Recordações do escrivão Isaías Caminha. São Paulo: Penguin Classics Companhia das Letras, 2010.

17. só capazes de colher fatos detalhados e impotentes para generalizar, (ref. 9)
Esse trecho se refere à utilização do seguinte método de argumentação:
a) indutivo
b) dedutivo
c) dialético
d) silogístico

18. Na descrição de sua situação e de seus sentimentos, o narrador utiliza diversos recursos coesivos, dentre eles o
da adição. O fragmento do texto que exemplifica o recurso da adição está em:
a) repletos de orgulho de suas cartas que sabe Deus como tiraram. (ref. 10)
b) me dispo em frente de desconhecidos, como uma mulher pública... (ref. 11)
c) Sofro assim de tantos modos, por causa desta obra, que julgo que esse mal-estar, com que às vezes acordo, vem
dela, (ref. 12)
d) Que ela tenha a sorte que merecer, mas que possa também, amanhã ou daqui a séculos, despertar um escritor
mais hábil (ref. 13)

19. O emprego de sinais de pontuação contribui para a construção do sentido dos textos. O emprego de
exclamações, no segundo parágrafo, reforça o seguinte elemento relativo ao narrador:
a) ironia
b) mágoa
c) timidez
d) insegurança


20. O texto de Lima Barreto explora o recurso da metalinguagem, ao comentar, na sua ficção, o próprio ato de
compor uma ficção. Esse recurso está exemplificado principalmente em:
a) São em geral de uma lastimável limitação de ideias, (ref. 1)
b) Vivo aqui só, isto é, sem relações intelectuais de qualquer ordem. (ref. 2)
c) – Vem dormir, Isaías! Deixa esse relatório para amanhã! (ref. 3)
d) Já por duas vezes, tentei escrever; mas, relendo a página, achei-a incolor, comum, (ref. 4)

21. O personagem Isaías Caminha faz críticas àqueles que ele denomina “literatos”. No primeiro parágrafo, podemos
entender que os chamados literatos são escritores com a característica de:
a) carecer de bons leitores
b) negar o talento individual
c) repetir regras consagradas
d) apresentar erros de escrita

22. O personagem parece julgar quase todos que o rodeiam, mas não se exime de julgar também a si mesmo. Um
julgamento autocrítico de Isaías Caminha está melhor ilustrado no seguinte trecho:
a) Confesso que os leio, que os estudo, (ref. 5)
b) Mas não é a ambição literária que me move (ref. 6)
c) Entretanto, quantas dores, quantas angústias! (ref. 7)
d) Imagino como um escritor hábil não saberia dizer o que eu senti (ref. 8)

TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 6 QUESTÕES:
Ciência e Hollywood

5
Infelizmente, é verdade: explosões não fazem barulho algum no espaço. Não me lembro de um só filme que tenha
retratado isso direito.
6
Pode ser que existam alguns, mas se existirem não fizeram muito sucesso.
10
Sempre vemos
explosões gigantescas, estrondos fantásticos. Para existir ruído é necessário um meio material que transporte as
perturbações que chamamos de ondas sonoras. Na ausência de atmosfera, ou água, ou outro meio, as perturbações
não têm onde se propagar.
7
Para um produtor de cinema, a questão não passa pela ciência. Pelo menos não como
prioridade. Seu interesse é tornar o filme emocionante, e explosões têm justamente este papel; roubar o som de uma
grande espaçonave explodindo torna a cena bem sem graça.

11
Recentemente, o debate sobre as liberdades científicas tomadas pelo cinema tem aquecido. O sucesso do filme O
dia depois de amanhã (The day after tomorrow), faturando mais de meio bilhão de dólares, e seu cenário de uma
idade do gelo ocorrendo em uma semana, em vez de décadas ou, melhor ainda, centenas de anos,
9
levantaram as
sobrancelhas de cientistas mais rígidos que veem as distorções com desdém e esbugalharam os olhos dos
espectadores (a maioria) que pouco ligam se a ciência está certa ou errada. Afinal, cinema é diversão.

15
Até recentemente, defendia a posição mais rígida, que filmes devem tentar ao máximo ser fiéis à ciência que
retratam. Claro, isso sempre é bom. Mas não acredito mais que seja absolutamente necessário.
1
Existe uma
diferença crucial entre um filme comercial e um documentário científico.
12
Óbvio,
2
documentários devem retratar
fielmente a ciência, educando e divertindo a população, mas filmes não têm necessariamente um compromisso
pedagógico.
13
As pessoas não vão ao cinema para serem educadas, ao menos como via de regra.

Claro,
3
filmes históricos ou mesmo aqueles fiéis à ciência têm enorme valor cultural. Outros educam as emoções
através da ficção.
14
Mas, se existirem exageros, eles não deverão ser criticados como tal. Fantasmas não existem,
mas filmes de terror sim. Pode-se argumentar que, no caso de filmes que versam sobre temas científicos,
4
as
pessoas vão ao cinema esperando uma ciência crível. Isso pode ser verdade, mas elas não deveriam basear suas
conclusões no que diz o filme. No mínimo, o cinema pode servir como mecanismo de alerta para questões científicas
importantes: o aquecimento global, a inteligência artificial, a engenharia genética, as guerras nucleares, os riscos
espaciais como cometas ou asteroides etc.
8
Mas o conteúdo não deve ser levado ao pé da letra.
16
A arte distorce
para persuadir. E o cinema moderno, com efeitos especiais absolutamente espetaculares, distorce com enorme
facilidade e poder de persuasão.

O que os cientistas podem fazer, e isso está virando moda nas universidades norte-americanas, é usar filmes nas
salas de aula para educar seus alunos sobre o que é cientificamente correto e o que é absurdo. Ou seja, usar o
cinema como ferramenta pedagógica.
17
Os alunos certamente prestarão muita atenção, muito mais do que em uma
aula convencional. Com isso, será possível educar a população para que, no futuro, um número cada vez maior de
pessoas possa discernir o real do imaginário.

MARCELO GLEISER
Adaptado de www1.folha.uol.com.br.


23. Ao longo do texto, o autor procura evitar generalizações, admitindo, após algumas conclusões, a possibilidade de
exceções. Essa atitude do autor está exemplificada em:
a) Sempre vemos explosões gigantescas, estrondos fantásticos. (ref. 10)
b) Recentemente, o debate sobre as liberdades científicas tomadas pelo cinema tem aquecido. (ref. 11)
c) Óbvio, documentários devem retratar fielmente a ciência, educando e divertindo a população, (ref. 12)
d) As pessoas não vão ao cinema para serem educadas, ao menos como via de regra. (ref. 13)

24. Mas, se existirem exageros, eles não deverão ser criticados como tal. (ref. 14)

Esta afirmação, embora pareça contraditória, sugere um elemento fundamental para a compreensão do ponto de
vista do autor. O fragmento que melhor sintetiza o ponto de vista expresso pela frase citada é:
a) Até recentemente, defendia a posição mais rígida, (ref. 15)
b) filmes históricos ou mesmo aqueles fiéis à ciência têm enorme valor cultural. (ref. 3)
c) A arte distorce para persuadir. (ref. 16)
d) Os alunos certamente prestarão muita atenção, (ref. 17)

25. Marcelo Gleiser é um cientista que admite mudar de opinião se confrontado com novas evidências ou com novas
reflexões.
De acordo com o texto, o autor antes pensava que filmes devem tentar ao máximo ser fiéis à ciência que retratam,
mas atualmente tem outra opinião.
A opinião que hoje ele defende, acerca desse assunto, baseia-se na seguinte conclusão:
a) Existe uma diferença crucial entre um filme comercial e um documentário científico. (ref. 1)
b) documentários devem retratar fielmente a ciência, educando e divertindo a população, (ref. 2)
c) filmes históricos ou mesmo aqueles fiéis à ciência têm enorme valor cultural. (ref. 3)
d) as pessoas vão ao cinema esperando uma ciência crível. (ref. 4)

26. Na construção argumentativa, uma estratégia comum é aquela em que se reconhecem dados ou fatos contrários
ao ponto de vista defendido, para, em seguida, negá-los ou reduzir sua importância. O fragmento do texto que
exemplifica essa estratégia é:
a) Infelizmente, é verdade: explosões não fazem barulho algum no espaço. (ref. 5)
b) Pode ser que existam alguns, mas se existirem não fizeram muito sucesso. (ref. 6)
c) Para um produtor de cinema, a questão não passa pela ciência. (ref. 7)
d) Mas o conteúdo não deve ser levado ao pé da letra. (ref. 8)

27. No título do texto, a palavra Hollywood é empregada por causa da identificação entre a indústria cinematográfica
e uma localidade dos Estados Unidos que concentra empresas do ramo. Esse emprego, portanto, configura uma
figura de linguagem conhecida como:
a) metáfora
b) hipérbole
c) metonímia
d) eufemismo

28. levantaram as sobrancelhas de cientistas mais rígidos que veem as distorções com desdém e esbugalharam os
olhos dos espectadores (a maioria) que pouco ligam se a ciência está certa ou errada. (ref. 9)

O autor faz um paralelo entre as sobrancelhas levantadas dos cientistas e os olhos esbugalhados dos espectadores.
Assim, os olhos esbugalhados dos espectadores representam o seguinte elemento:
a) reflexão
b) admiração
c) indiferença
d) expectativa

TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 3 QUESTÕES:
Com base na tira abaixo, responda às questões que se seguem.

29. No segundo quadro da tira, a minhoca se esconde para não ser notada pelas cobras.
Essa tentativa de desaparecimento da personagem é enfatizada pelo uso do seguinte recurso:
a) caráter exclamativo de uma fala
b) movimento conjunto das cobras
c) ausência da moldura do quadro
d) presença de personagens distintos

30. No último quadro, a fala da minhoca revela uma reação comum das vítimas de discriminação.
Essa fala deixa subentendida a intenção da personagem de:
a) atacar o opressor com alguma iniciativa
b) questionar a razão de vários preconceitos
c) aceitar sua condição de certa inferioridade
d) transferir seu problema para outro grupo
31. Na tira, as duas cobras estão dialogando entre si, quando a minhoca interfere.
Nessa situação, a repetição e o tom exclamativo da fala da minhoca destacam principalmente a seguinte
característica da personagem:
a) raiva
b) ansiedade
c) intolerância
d) contrariedade

TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 7 QUESTÕES:
Nós, escravocratas

Há exatos cem anos, saía da vida para a história um dos maiores brasileiros de todos os tempos: o pernambucano
Joaquim Nabuco.
1
Político que ousou pensar, intelectual que não se omitiu em agir, pensador e ativista com causa,
principal artífice da abolição do regime escravocrata no Brasil.
Apesar da vitória conquistada, Joaquim Nabuco reconhecia: “
2
Acabar com a escravidão não basta. É preciso acabar
com a obra da escravidão”, como lembrou na semana passada Marcos Vinicios Vilaça, em solenidade na Academia
Brasileira de Letras. Mas a obra da escravidão continua viva, sob a forma da exclusão social: pobres, especialmente
negros, sem terra, sem emprego, sem casa, sem água, sem esgoto, muitos ainda sem comida; sobretudo sem
acesso à educação de qualidade.
Cem anos depois da morte de Joaquim Nabuco, a obra da escravidão se mantém e continuamos escravocratas.
3
Somos escravocratas ao deixarmos que a escola seja tão diferenciada, conforme a renda da família de uma criança,
quanto eram diferenciadas as vidas na Casa Grande ou na Senzala. Somos escravocratas porque, até hoje, não
fizemos a distribuição do conhecimento: instrumento decisivo para a liberdade nos dias atuais. Somos escravocratas
porque todos nós, que estudamos, escrevemos, lemos e obtemos empregos graças aos diplomas, beneficiamo-nos
da exclusão dos que não estudaram. Como antes, os brasileiros livres se beneficiavam do trabalho dos escravos.
Somos escravocratas ao jogarmos, sobre os analfabetos, a culpa por não saberem ler, em vez de assumirmos nossa
própria culpa pelas decisões tomadas ao longo de décadas. Privilegiamos investimentos econômicos no lugar de
escolas e professores. Somos escravocratas, porque construímos universidades para nossos filhos, mas negamos a
mesma chance aos jovens que foram deserdados do Ensino Médio completo com qualidade. Somos escravocratas
de um novo tipo: a negação da educação é parte da obra deixada pelos séculos de escravidão.
A exclusão da educação substituiu o sequestro na África, o transporte até o Brasil, a prisão e o trabalho forçado.
Somos escravocratas que não pagamos para ter escravos: nossa escravidão ficou mais barata, e o dinheiro para
comprar os escravos pode ser usado em benefício dos novos escravocratas. Como na escravidão, o trabalho braçal
fica reservado para os novos escravos: os sem educação.
Negamo-nos a eliminar a obra da escravidão.
Somos escravocratas porque ainda achamos naturais as novas formas de escravidão; e nossos intelectuais e
economistas comemoram minúscula distribuição de renda, como antes os senhores se vangloriavam da melhoria na
alimentação de seus escravos, nos anos de alta no preço do açúcar. Continuamos escravocratas, comemorando
gestos parciais.
4
Antes, com a proibição do tráfico, a lei do ventre livre, a alforria dos sexagenários. Agora, com o
bolsa família, o voto do analfabeto ou a aposentadoria rural. Medidas generosas, para inglês ver e sem a ousadia da
abolição plena.
Somos escravocratas porque, como no século XIX, não percebemos a estupidez de não abolirmos a escravidão.
5
Ficamos na mesquinhez dos nossos interesses imediatos negando fazer a revolução educacional que poderia
completar a quase-abolição de 1888. Não ousamos romper as amarras que envergonham e impedem nosso salto
para uma sociedade civilizada, como, por 350 anos, a escravidão nos envergonhava e amarrava nosso avanço.
Cem anos depois da morte de Joaquim Nabuco, a obra criada pela escravidão continua, porque continuamos
escravocratas. E, ao continuarmos escravocratas, não libertamos os escravos condenados à falta de educação.
CRISTOVAM BUARQUE. Adaptado de http://oglobo.globo.com, 30/01/2000.
32. “Acabar com a escravidão não basta. É preciso acabar com a obra da escravidão” (ref. 2)

No início do texto, o autor cita entre aspas as frases de Joaquim Nabuco para, em seguida, se posicionar
pessoalmente perante seu conteúdo.
Para o autor, a obra da escravidão caracteriza-se fundamentalmente por:
a) manter-se através da educação excludente
b) atenuar-se em função da distribuição de renda
c) aumentar por causa do índice de analfabetismo
d) enfraquecer-se graças ao acesso à escolarização

33. A expressão somos escravocratas é repetida quatro vezes no texto que, embora assinado pelo autor Cristovam
Buarque, é todo enunciado na primeira pessoa do plural.
O uso dessa primeira pessoa do plural, relacionado à escravidão, reforça principalmente o objetivo de:
a) situar a desigualdade social
b) apontar o aumento da exclusão social
c) responsabilizar a sociedade brasileira
d) demonstrar a importância da educação
34. No desenvolvimento da argumentação, o autor enumera razões específicas, facilmente constatadas no cotidiano,
para sustentar sua opinião, anunciada no título, de que todos nós seríamos ainda escravocratas.
Esse método argumentativo, que apresenta elementos específicos da experiência social cotidiana, para deles extrair
uma conclusão geral, é conhecido como:
a) direto
b) dialético
c) dedutivo
d) indutivo

35. Somos escravocratas ao deixarmos que a escola seja tão diferenciada, (ref. 3)

A forma sublinhada introduz uma relação de tempo. A ela, entretanto, se associa outra relação de sentido.
Essa outra relação de sentido presente na frase acima é de:
a) causa
b) contraste
c) conclusão
d) comparação

36. Antes, com a proibição do tráfico, a lei do ventre livre, a alforria dos sexagenários. Agora, com o bolsa família, o
voto do analfabeto ou a aposentadoria rural. Medidas generosas, para inglês ver e sem a ousadia da abolição plena.
(ref. 4)

O fragmento acima apresenta duas enumerações que, separadas pelo tempo, exemplificam um mesmo processo.
Pela leitura do 8º parágrafo, pode-se concluir que os exemplos enumerados se referem a:
a) gestos naturais
b) soluções ousadas
c) medidas parciais
d) melhorias na renda

37. Ficamos na mesquinhez dos nossos interesses imediatos negando fazer a revolução educacional que poderia
completar a quase-abolição de 1888. (ref. 5)

A criação da palavra composta, quase-abolição, cumpre principalmente a função de:
a) desfazer a contradição entre os termos
b) estabelecer a gradação entre os termos
c) enfatizar a abstração de um dos termos
d) restringir o sentido de um dos termos

38. Político que ousou pensar, intelectual que não se omitiu em agir, pensador e ativista com causa, principal artífice
da abolição do regime escravocrata no Brasil. (ref. 1)

Na frase acima, Cristovam Buarque define Joaquim Nabuco de quatro maneiras. As três primeiras definições partem
de determinadas pressuposições.
Uma pressuposição que se pode deduzir da leitura do fragmento é:
a) ativistas têm abraçado muitas causas
b) intelectuais costumam resistir à ação
c) políticos ousam pensar a respeito de tudo
d) pensadores têm lutado pelo fim da escravidão

TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 5 QUESTÕES:
Igual-Desigual

Eu desconfiava:
todas as histórias em quadrinho são iguais.
Todos os filmes norte-americanos são iguais.
Todos os filmes de todos os países são iguais.
Todos os best-sellers são iguais
Todos os campeonatos nacionais e internacionais de futebol são
iguais.
Todos os partidos políticos
são iguais.
Todas as mulheres que andam na moda
são iguais.
Todas as experiências de sexo
são iguais.
Todos os sonetos, gazéis, virelais, sextinas e rondós são iguais
1
e todos, todos
2
os poemas em verso livre são enfadonhamente iguais.

Todas as guerras do mundo são iguais.
Todas as fomes são iguais.
3
Todos os amores, iguais iguais iguais.
Iguais todos os rompimentos.
A morte é igualíssima.
Todas as criações da natureza são iguais.
Todas as ações, cruéis, piedosas ou indiferentes, são iguais.
Contudo, o homem não é igual a nenhum outro homem, bicho ou coisa.

Ninguém é igual a ninguém.
4
Todo ser humano é um estranho
5
ímpar.

CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE
Nova reunião: 19 livros de poesia. Rio de Janeiro: José Olympio, 1985.

– best-sellers – livros mais vendidos
– gazéis, virelais, sextinas, rondós – tipos de poema

39. O poema de Carlos Drummond de Andrade se caracteriza por uma repetição considerada estilística, porque é
claramente feita para produzir um sentido.
Pode-se dizer que a repetição da expressão são iguais é empregada para reforçar o sentido de:
a) afirmação da igualdade no mundo de hoje
b) subversão da igualdade pelo raciocínio lógico
c) valorização da igualdade das experiências vividas
d) constatação da igualdade entre fenômenos diversos

40. e todos, todos
os poemas em verso livre são enfadonhamente iguais. (ref. 1 e 2)

Os versos livres são aqueles que não se submetem a um padrão.
Considerando essa definição, identifica-se nos versos acima a figura de linguagem denominada:
a) antítese
b) metáfora
c) metonímia
d) eufemismo

41. Todos os amores, iguais iguais iguais. (ref. 3)
A intensificação da repetição do termo iguais no mesmo verso, relacionado a amores, enfatiza determinada crítica
que o poeta pretende fazer.
A crítica de Drummond se dirige às relações amorosas, no que diz respeito ao seguinte aspecto:
a) exagero
b) padronização
c) desvalorização
d) superficialidade
42. Todo ser humano é um estranho
ímpar. (ref. 4 e 5)

No contexto, a associação dos adjetivos estranho e ímpar sugere que cada ser humano não se conhece
completamente.
Isto acontece porque cada indivíduo pode ser caracterizado como:
a) solitário
b) singular
c) intolerante
d) indiferente

43. O título do poema anuncia a noção de desigualdade.
Pela leitura do conjunto do texto, é possível concluir que a desigualdade entre os homens diz respeito principalmente
a:
a) traços individuais
b) convicções políticas
c) produções culturais
d) orientações filosóficas



TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES:



44. Na tira do cartunista argentino Quino, utilizam-se recursos gráficos que lembram o cinema.
A associação com a linguagem artística do cinema, que lida com o movimento e com o instrumento da câmera, é
garantida pelo procedimento do cartunista demonstrado a seguir:
a) ressaltar o trabalho com a vassoura para sugerir ação
b) ampliar a imagem da mulher para indicar aproximação
c) destacar a figura da cadeira para indiciar sua importância
d) apresentar a sombra dos personagens para sugerir veracidade

45. A tira traz um efeito de surpresa ao final, produzido pela cena inusitada de uma pessoa sentada no ar, como se
isso fosse possível. Esse efeito de surpresa se intensifica pelo fato de o último quadrinho contrastar com o seguinte
aspecto da própria tira:
a) exposição parcial do cotidiano familiar
b) sugestão gradual de atitudes imprevisíveis
c) apresentação sequencial de ações rotineiras
d) referência indireta à solidão dos personagens





TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 5 QUESTÕES:
O chá, os fantasmas, os ventos encanados...

Nasci no tempo dos ventos encanados, quando, para evitar compromissos, a “gente bem” dizia estar com
enxaqueca, palavra horrível mas desculpa distinta.
6
Ter enxaqueca não era para todos, mas só para essas senhoras
que tomavam chá com o dedo mindinho espichado. Quando eu via aquilo, ficava a pensar sozinho comigo
1
(menino,
naqueles tempos, não dava opinião) por que é que elas não usavam, para cúmulo da elegância, um laçarote azul no
dedo...
2
Também se falava misteriosamente em “moléstias de senhoras” nos anúncios farmacêuticos que eu lia. Era
decerto uma coisa privativa das senhoras, como as enxaquecas, pois as criadas, essas, não tinham tempo para isso.
Mas, em compensação, me assustavam deliciosamente com histórias de assombrações.
3
Nunca me apareceu
nenhuma.
Pelo visto, era isso: nunca consegui comunicar-me com este nem com o outro mundo.
4
A não ser através d’
O tico-tico e da poesia de Camões, do qual
5
até hoje me assombra este verso único: “Que o menor mal de tudo seja
a morte!” Pois a verdadeira poesia sempre foi um meio de comunicação com este e com o outro mundo.

MÁRIO QUINTANA
Mario Quintana: poesia completa. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2005.


46. Além da comparação entre papéis sociais, há no texto outra comparação, implícita, que indica uma compreensão
do narrador acerca de comportamentos na sociedade.
Essa comparação implícita está em:
a) menino, naqueles tempos, não dava opinião (ref.1)
b) Também se falava misteriosamente em “moléstias de senhoras” (ref.2)
c) Nunca me apareceu nenhuma. (ref.3)
d) até hoje me assombra este verso único: (ref.4)

47. A não ser através d’ O tico-tico e da poesia de Camões, (ref.4)

A expressão em destaque torna a frase que ela introduz uma ressalva em relação ao que está enunciado
anteriormente. Essa ressalva evidencia que as leituras do poeta lhe davam a seguinte possibilidade:
a) rever suas crenças arraigadas
b) interagir com universos diferentes
c) superar uma alienação do presente
d) compreender a idealização da morte

48. O segundo parágrafo do texto revela mais claramente a compreensão do menino acerca daquela sociedade de
papéis bem definidos, a partir da situação econômica de cada um.
O par de vocábulos, presentes no texto, que remete à divisão entre grupos sociais, tal como caracterizada pelo
narrador, é:
a) chá – fantasmas
b) elegância – laçarote
c) privativa – verdadeira
d) encanados – espichado

49. Ter enxaqueca não era para todos, (ref.6)

Considerando que a afirmação acima não pode ser verdadeira, conclui-se que ela é feita para expressar outro
sentido, menos literal.
O sentido expresso pela afirmação, no texto, pode ser definido como:
a) metonímico
b) hiperbólico
c) metafórico
d) irônico

50. O texto de Mário Quintana se baseia em duas oposições: “gente bem” versus “criadas” e “este mundo” versus “o
outro mundo”. “O outro mundo” é representado, no texto, por alguns elementos evocados pelo narrador. A expressão
que melhor identifica tais elementos é:
a) ventos encanados
b) moléstias de senhoras
c) anúncios farmacêuticos
d) histórias de assombrações

TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 8 QUESTÕES:
Memórias do cárcere
1
Resolvo-me a contar, depois de muita hesitação, casos passados há dez anos − e, antes de começar, digo os
motivos por que silenciei e por que me decido. Não conservo notas: algumas que tomei foram inutilizadas, e assim,
16
com o decorrer do tempo, ia-me parecendo cada vez mais difícil, quase impossível, redigir esta narrativa. Além
disso, julgando a matéria superior às minhas forças, esperei que outros mais aptos se ocupassem dela. Não vai aqui
falsa modéstia, como adiante se verá.
2
Também me afligiu a ideia de jogar no papel criaturas vivas, sem disfarces,
com os nomes que têm no registro civil. Repugnava-me deformá-las,
9
dar-lhes pseudônimo, fazer do livro uma
espécie de romance; mas teria eu o direito de
5
utilizá-las em história presumivelmente verdadeira? Que diriam elas
se se vissem impressas, realizando atos esquecidos, repetindo palavras contestáveis e obliteradas?
(...)
O receio de cometer indiscrição exibindo em público pessoas que tiveram comigo convivência forçada já não me
apoquenta. Muitos desses antigos companheiros distanciaram-se, apagaram-se.
10
Outros permaneceram junto a mim, ou vão reaparecendo ao cabo de longa ausência, alteram-se, completam-se,
avivam recordações meio confusas − e não vejo inconveniência em mostrá-los.
(...)
E aqui chego à última objeção que me impus.
13
Não resguardei os apontamentos obtidos em largos dias e meses de
observação: num momento de aperto fui obrigado a atirá-los na água.
6
Certamente me irão fazer falta, mas terá sido
uma perda irreparável? Quase me inclino a supor que foi bom privar-me desse material.
17
Se ele existisse, ver-me-ia
propenso a consultá-lo a cada instante, mortificar-me-ia por dizer com rigor a hora exata de uma partida,
11
quantas
demoradas tristezas se aqueciam ao sol pálido, em manhã de bruma, a cor das folhas que tombavam das árvores,
num pátio branco, a forma dos montes verdes, tintos de luz, frases autênticas, gestos, gritos, gemidos. Mas que
significa isso?
15
Essas coisas verdadeiras podem não ser verossímeis. E se esmoreceram, deixá-las no
esquecimento: valiam pouco, pelo menos imagino que valiam pouco. Outras, porém, conservaram-se, cresceram,
associaram-se, e é inevitável mencioná-las.
7
Afirmarei que sejam absolutamente exatas? Leviandade. (...)
14
Nesta reconstituição de fatos velhos, neste
esmiuçamento, exponho o que notei, o que julgo ter notado.
3
Outros devem possuir lembranças diversas. Não as
contesto, mas espero que não recusem as minhas:
4
conjugam-se, completam-se e me dão hoje impressão de
realidade. Formamos um grupo muito complexo, que se desagregou. De repente nos surge a necessidade urgente de
recompô-lo. Define-se o ambiente, as figuras se delineiam, vacilantes, ganham relevo, a ação começa.
18
Com esforço
desesperado arrancamos de cenas confusas alguns fragmentos. Dúvidas terríveis nos assaltam. De que modo
reagiram os caracteres em determinadas circunstâncias? O ato que nos ocorre, nítido, irrecusável, terá sido
realmente praticado? Não será incongruência? Certo a vida é cheia de incongruências, mas estaremos seguros de
não nos havermos enganado? Nessas vacilações dolorosas,
12
às vezes necessitamos confirmação, apelamos para
reminiscências alheias, convencemo-nos de que a minúcia discrepante não é ilusão. Difícil é sabermos a causa dela,
8
desenterrarmos pacientemente as condições que a determinaram. Como isso variava em excesso, era natural que
variássemos também, apresentássemos falhas. Fiz o possível por entender aqueles homens, penetrar-lhes na alma,
sentir as suas dores, admirar-lhes a relativa grandeza, enxergar nos seus defeitos a sombra dos meus defeitos.
Foram apenas bons propósitos: devo ter-me revelado com frequência egoísta e mesquinho. E esse desabrochar de
sentimentos maus era a pior tortura que nos podiam infligir naquele ano terrível.
GRACILIANO RAMOS
Memórias do cárcere. Rio de Janeiro: Record, 2002.
51. Não resguardei os apontamentos obtidos em largos dias e meses de observação: num momento de aperto fui
obrigado a atirá-los na água. (ref.13)

O fragmento acima poderia ser reescrito com a inserção de um conectivo no início do trecho sublinhado. Esse
conectivo, que garantiria o mesmo sentido básico do fragmento, está indicado em:
a) porque
b) embora
c) contudo
d) portanto

52. Em sua reflexão acerca das possibilidades de recompor a memória para escrever o livro, o narrador utiliza um
procedimento de construção textual que contribui para a expressão de suas inquietudes. Tal procedimento pode ser
identificado como:
a) encadeamento de fatos passados
b) extensão de parágrafos narrativos
c) sequência de frases interrogativas
d) construção de diálogos presumidos

53. Nesta reconstituição de fatos velhos, neste esmiuçamento, exponho o que notei, o que julgo ter notado. (ref.14)
O uso do verbo “julgar”, no fragmento acima, promove uma correção do que estava dito imediatamente antes. Essa
correção é importante para o sentido geral do texto porque:
a) questiona a validade de romancear fatos
b) minimiza o problema de narrar a memória
c) valoriza a necessidade de resgatar a história
d) enfatiza a dificuldade de reproduzir a realidade

54. Essas coisas verdadeiras podem não ser verossímeis. (ref.15)

Com a frase acima, o escritor lembra um princípio básico da literatura: a verossimilhança − isto é, a semelhança com
a verdade − é mais importante do que a verdade mesma. A melhor explicação para este princípio é a de que a
invenção narrativa se mostra mais convincente se:
a) parece contar uma história real
b) quer mostrar seu caráter ficcional
c) busca apoiar-se em fatos conhecidos
d) tenta desvelar as contradições sociais


55. Memórias do cárcere, do romancista Graciliano Ramos, contam as desventuras do autor enquanto foi preso
político no Presídio da Ilha Grande, em 1936. Apesar de ser um livro autobiográfico, o autor expõe, logo na abertura,
as dificuldades de reconstrução da memória.
A consciência de Graciliano Ramos em relação ao caráter parcialmente ficcional das suas memórias está
evidenciada no seguinte trecho:
a) Resolvo-me a contar, depois de muita hesitação, (ref.1)
b) Também me afligiu a ideia de jogar no papel criaturas vivas, (ref.2)
c) Outros devem possuir lembranças diversas. (ref.3)
d) conjugam-se, completam-se e me dão hoje impressão de realidade. (ref.4)


56. Normalmente, é possível omitir elementos de construção de frases sem dificultar a compreensão do leitor, uma
vez que ficam subentendidos pelo conjunto da própria estrutura ou pela sequência em que se apresentam.
O exemplo do texto em que há omissão de elementos de construção de frases, sem prejuízo da compreensão, é:
a) com o decorrer do tempo, ia-me parecendo cada vez mais difícil, quase impossível, redigir esta narrativa. (ref.16)
b) Se ele existisse, ver-me-ia propenso a consultá-lo a cada instante, mortificar-me-ia por dizer com rigor a hora exata
de uma partida, (ref.17)
c) Afirmarei que sejam absolutamente exatas? Leviandade. (ref.7)
d) Com esforço desesperado arrancamos de cenas confusas alguns fragmentos. Dúvidas terríveis nos assaltam.
(ref.18)


57. As palavras classificadas como advérbios agregam noções diversas aos termos a que se ligam na frase,
demarcando posições, relativizando ou reforçando sentidos, por exemplo.
O advérbio destacado é empregado para relativizar o sentido da palavra a que se refere em:
a) utilizá-las em história presumivelmente verdadeira? (ref.5)
b) Certamente me irão fazer falta, (ref.6)
c) Afirmarei que sejam absolutamente exatas? (ref.7)
d) desenterrarmos pacientemente as condições que a determinaram. (ref.8)


58. Graciliano Ramos busca dar uma explicação mais objetiva ao leitor sobre os motivos que justificam seu relato.
Entretanto, já nesta explicação, o autor lança mão de recursos da linguagem figurada, frequentes no discurso
literário.
O fragmento do texto que melhor exemplifica o uso de linguagem figurada é:
a) dar-lhes pseudônimo, fazer do livro uma espécie de romance; (ref.9)
b) Outros permaneceram junto a mim, ou vão reaparecendo (ref.10)
c) quantas demoradas tristezas se aqueciam ao sol pálido, (ref.11)
d) às vezes necessitamos confirmação, apelamos para reminiscências alheias, (ref.12)



















TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES:

59. O quadro produz um estranhamento em relação ao que se poderia esperar de um pintor que observa um modelo
para sua obra. Esse estranhamento contribui para a reflexão principalmente sobre o seguinte aspecto da criação
artística:
a) perfeição da obra
b) precisão da forma
c) representação do real
d) importância da técnica

60. Pode-se definir “metalinguagem” como a linguagem que comenta a própria linguagem, fenômeno presente na
literatura e nas artes em geral.
O quadro A perspicácia, do belga René Magritte, é um exemplo de metalinguagem porque:
a) destaca a qualidade do traço artístico
b) mostra o pintor no momento da criação
c) implica a valorização da arte tradicional
d) indica a necessidade de inspiração concreta



TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 7 QUESTÕES:
Sobre a origem da poesia

A origem da poesia se confunde com a origem da própria linguagem.
Talvez fizesse mais sentido perguntar quando a linguagem verbal deixou de ser poesia. Ou: qual a origem do
discurso não poético, já que, restituindo laços mais íntimos entre os signos e as coisas por eles designadas,
1
a
poesia aponta para um uso muito primário da linguagem, que parece anterior ao perfil de sua ocorrência nas
conversas, nos jornais, nas aulas, conferências, discussões, discursos, ensaios ou telefonemas.
4
Como se ela restituísse, através de um uso específico da língua, a integridade entre nome e coisa − que o
tempo e as culturas do homem civilizado trataram de separar no decorrer da história.
A manifestação do que chamamos de poesia hoje nos sugere mínimos flashbacks de uma possível infância
da linguagem, antes que a representação rompesse seu cordão umbilical, gerando essas duas metades −
significante e significado.
Houve esse tempo? Quando não havia poesia porque a poesia estava em tudo o que se dizia? Quando o
nome da coisa era algo que fazia parte dela, assim como sua cor, seu tamanho, seu peso? Quando os laços entre os
sentidos ainda não se haviam desfeito, então música, poesia, pensamento, dança, imagem, cheiro, sabor,
consistência se conjugavam em experiências integrais, associadas a utilidades práticas, mágicas, curativas,
religiosas, sexuais, guerreiras?
2
Pode ser que essas suposições tenham algo de utópico, projetado sobre um passado pré-babélico, tribal,
primitivo. Ao mesmo tempo, cada novo poema do futuro que o presente alcança cria, com sua ocorrência, um pouco
desse passado.
Lembro-me de ter lido, certa vez, um comentário de Décio Pignatari, em que ele chamava a atenção para o
fato de, tanto em chinês como em tupi, não existir o verbo ser, enquanto verbo de ligação. Assim, o ser das coisas
ditas se manifestaria nelas próprias (substantivos),
5
não numa partícula verbal externa a elas, o que faria delas
línguas poéticas por natureza, mais propensas à composição analógica.
3
Mais perto do senso comum, podemos atentar para como colocam os índios americanos falando, na maioria
dos filmes de cowboy − eles dizem “maçã vermelha”, “água boa”, “cavalo veloz”; em vez de “a maçã é vermelha”,
“essa água é boa”, “aquele cavalo é veloz”. Essa forma mais sintética, telegráfica, aproxima os nomes da própria
existência − como se a fala não estivesse se referindo àquelas coisas, e sim apresentando-as (ao mesmo tempo em
que se apresenta).
6
No seu estado de língua, no dicionário, as palavras intermedeiam nossa relação com as coisas, impedindo
nosso contato direto com elas.
7
A linguagem poética inverte essa relação, pois, vindo a se tornar, ela em si, coisa,
oferece uma via de acesso sensível mais direto entre nós e o mundo.
(...)
Já perdemos a inocência de uma linguagem plena assim. As palavras se desapegaram das coisas, assim
como os olhos se desapegaram dos ouvidos, ou como a criação se desapegou da vida.
8
Mas temos esses pequenos
oásis − os poemas − contaminando o deserto da referencialidade.

ARNALDO ANTUNES
www.arnaldoantunes.com.br


61. Mas temos esses pequenos oásis − os poemas − contaminando o deserto da referencialidade. (ref.8)

Na frase acima, o emprego das palavras “oásis” e “deserto” configura uma superposição de
figuras de linguagem, recurso frequente em textos artísticos. As figuras de linguagem superpostas na frase são:
a) metáfora e antítese
b) ironia e metonímia
c) elipse e comparação
d) personificação e hipérbole

62. No último parágrafo, o autor se refere à plenitude da linguagem poética, fazendo, em seguida, uma descrição que
corresponde à linguagem não poética, ou seja, à linguagem referencial.
Pela descrição apresentada, a linguagem referencial teria, em sua origem, o seguinte traço fundamental:
a) o desgaste da intuição
b) a dissolução da memória
c) a fragmentação da experiência
d) o enfraquecimento da percepção

63. a poesia aponta para um uso muito primário da linguagem, que parece anterior ao perfil de sua ocorrência nas
conversas, nos jornais, nas aulas, conferências, discussões, discursos, ensaios ou telefonemas. (ref.1)

A comparação entre a poesia e outros usos da linguagem põe em destaque a seguinte característica do discurso
poético:
a) revela-se como expressão subjetiva
b) manifesta-se na referência ao tempo
c) afasta-se das praticidades cotidianas
d) conjuga-se com necessidades concretas

64. Pode ser que essas suposições tenham algo de utópico, (ref.2)

Neste fragmento, a expressão em destaque é empregada para formar um conhecido recurso da argumentação. Esse
recurso pode ser definido como:
a) admitir uma hipótese para depois discuti-la
b) retomar uma informação para depois criticá-la
c) relativizar um conceito para depois descrevê-lo
d) apresentar uma opinião para depois sustentá-la
e) apresentar uma opinião para depois sustentá-la

65. Mais perto do senso comum, (ref.3)

A expressão que inicia o trecho transcrito acima introduz uma comparação em relação ao comentário anterior, feito
por Décio Pignatari. O emprego da expressão comparativa revela que o autor considera o exemplo dos filmes de
cowboy como algo que teria a seguinte caracterização:
a) muito complexo
b) menos elaborado
c) pouco importante
d) bastante diferente

66. Na coesão textual, ocorre o que se chama catáfora quando um termo se refere a algo que ainda vai ser
enunciado na frase. Um exemplo em que o termo destacado constrói uma catáfora é:
a) Como se ela restituísse, (ref.4)
b) Pode ser que essas suposições tenham algo de utópico, (ref.2)
c) não numa partícula verbal externa a elas, (ref.5)
d) No seu estado de língua, no dicionário, as palavras intermedeiam (ref.6)

67. A linguagem poética inverte essa relação, pois, vindo a se tornar, ela em si, coisa, oferece uma via de acesso
sensível mais direto entre nós e o mundo. (ref.7)

O vocábulo destacado estabelece uma relação de sentido com o que está enunciado antes.
Essa relação de sentido pode ser definida como:
a) explicação
b) finalidade
c) conformidade
d) simultaneidade

TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 6 QUESTÕES:
A palavra

Tanto que tenho falado, tanto que tenho escrito − como não imaginar que, sem querer,
4
feri alguém? Às
vezes sinto, numa pessoa que acabo de conhecer, uma hostilidade surda, ou uma reticência de mágoas.
1
Imprudente
5
ofício é este, de viver em voz alta.
11
Às vezes, também a gente tem o
6
consolo de saber que alguma coisa que se disse por acaso ajudou
alguém a se
9
reconciliar consigo mesmo ou com a sua vida de cada dia; a sonhar um pouco, a sentir uma vontade de
fazer alguma coisa boa.
Agora sei que outro dia eu disse uma palavra que fez bem a alguém. Nunca saberei que palavra foi; deve ter
sido alguma frase
7
espontânea e distraída que eu disse com naturalidade porque senti no momento − e depois
3
esqueci.
Tenho uma amiga que certa vez ganhou um canário, e o canário não cantava. Deram-lhe receitas para fazer
o canário cantar; que falasse com ele, cantarolasse, batesse alguma coisa ao piano; que pusesse a gaiola perto
quando trabalhasse em sua máquina de costura; que arranjasse para lhe fazer companhia, algum tempo, outro
canário cantador; até mesmo que ligasse o rádio um pouco alto durante uma transmissão de jogo de futebol... mas o
canário não cantava.
Um dia a minha amiga estava sozinha em casa, distraída, e assobiou uma pequena frase melódica de
Beethoven − e o canário começou a cantar alegremente. Haveria alguma
8
secreta ligação entre a alma do velho
artista morto e o pequeno pássaro cor de ouro?
2
Alguma coisa que eu disse distraído − talvez palavras de algum poeta antigo − foi
10
despertar melodias
esquecidas dentro da alma de alguém. Foi como se a gente soubesse que de repente, num reino muito distante, uma
princesa muito triste tivesse sorrido. E isso fizesse bem ao coração do povo; iluminasse um pouco as suas pobres
choupanas e as suas remotas esperanças.

RUBEM BRAGA
PROENÇA FILHO, Domício (org.). Pequena antologia do Braga. Rio de Janeiro: Record, 1997.


68. O final do texto expressa uma reflexão do escritor acerca do poder da sua escrita, a partir da menção a uma
princesa e a um povo. Essa menção sugere, principalmente, que o escritor deseja que suas palavras tenham o poder
de:
a) desfazer as ilusões antigas
b) permear as classes sociais
c) ajudar as pessoas discriminadas
d) abolir as hierarquias tradicionais


69. Imprudente ofício é este, de viver em voz alta. (ref.1)

O ofício a que Rubem Braga se refere é o seu próprio, o de escritor. Para caracterizá-lo, além do adjetivo
“imprudente”, ele recorre a uma metáfora: “viver em voz alta”. O sentido dessa metáfora, relativa ao ofício de
escrever, pode ser entendido como:
a) superar conceitos antigos
b) prestar atenção aos leitores
c) criticar prováveis interlocutores
d) tornar públicos seus pensamentos


70. Alguma coisa que eu disse distraído − talvez palavras de algum poeta antigo − foi despertar melodias esquecidas
dentro da alma de alguém. (ref.2)

O cronista revela que sua fala ou escrita pode conter algo escrito por “algum poeta antigo”.
Ao fazer essa revelação, o cronista se refere ao seguinte recurso:
a) polissemia
b) pressuposição
c) exemplificação
d) intertextualidade


71. O episódio do canário traz uma contribuição importante para o sentido do texto, ao estabelecer uma analogia
entre a palavra do escritor e a música assobiada pela amiga.
A inserção desse episódio no texto reforça a seguinte ideia:
a) a intolerância leva o artista ao isolamento
b) a arte atinge as pessoas de modo inesperado
c) a solidão é remediada com soluções artísticas
d) a profissão envolve o artista em conflitos desnecessários


72. Toda a indagação do cronista acerca da palavra se baseia na diferença entre a importância que ela pode ter, por
um lado, para quem a escreve e, por outro, para quem a lê. O par de vocábulos que melhor exemplifica essa
diferença no texto é:
a) esqueci (ref.3) − feri (ref.4)
b) ofício (ref.5) − consolo (ref.6)
c) espontגnea (ref.7) − secreta (ref.8)
d) reconciliar (ref.9) − despertar (ref.10)


73. Às vezes, também (ref.11)

Ao estabelecer coesão entre os dois primeiros parágrafos, a palavra “também”, nesse contexto, expressa
determinado sentido. Considerando esse sentido, “também” poderia ser substituído pela seguinte expressão:
a) desse modo
b) por outro lado
c) por conseguinte
d) em consequência


74. A imagem produzida pelo artista combina elementos de modo surpreendente, inesperado na realidade cotidiana.
A figura da mão saindo do computador e oferecendo ao possível leitor um objeto característico de outro espaço de
leitura sugere principalmente o sentido de:
a) coexistência entre práticas diversas de leitura.
b) centralidade da tecnologia na vida contemporânea.
c) artificialidade das leituras instantâneas na sociedade.
d) ambiguidade do leitor na relação com o aparato técnico.

75.


No cartum apresentado, o significado da palavra escrita é reforçado pelos elementos visuais, próprios da linguagem
não verbal.
A separação das letras da palavra em balões distintos contribui para expressar principalmente a seguinte ideia:
a) dificuldade de conexão entre as pessoas
b) aceleração da vida na contemporaneidade
c) desconhecimento das possibilidades de diálogo
d) desencontro de pensamentos sobre um assunto

TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 3 QUESTÕES:
Os poemas

Os poemas são pássaros que chegam
não se sabe de onde e pousam
no livro que lês.
Quando fechas o livro, eles alçam voo
como de um alçapão.
Eles não têm pouso
nem porto
alimentam-se um instante em cada par de mãos
e partem.
E olhas, então, essas tuas mãos vazias,
no maravilhado espanto de saberes
que o alimento deles já estava em ti...

MÁRIO QUINTANA
Poesia completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2005.

76. E olhas, então, essas tuas mãos vazias,
no maravilhado espanto de saberes
que o alimento deles já estava em ti... (v. 10-12)

De acordo com esses versos, um dos efeitos da compreensão da leitura é:
a) alimentar o leitor com novas perspectivas e opções.
b) revelar ao leitor suas próprias sensações e pensamentos.
c) transformar o leitor em uma pessoa melhor e mais consciente.
d) deixar o leitor maravilhado com a beleza e o encantamento do poema.

77. Eles não têm pouso
nem porto (v. 6-7)

Os versos acima podem ser lidos como uma pressuposição do autor sobre o texto literário.
Essa pressuposição está ligada ao fato de que a obra literária, como texto público, apresenta o seguinte traço:
a) é aberta a várias leituras.
b) provoca desejo de transformação.
c) integra experiências de contestação.
d) expressa sentimentos contraditórios.

78. O texto é todo construído por meio do emprego de uma figura de estilo.
Essa figura é denominada de:
a) elipse
b) metáfora
c) metonímia
d) personificação

TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 6 QUESTÕES:
Como e porque sou romancista

Minha mãe e minha tia se ocupavam com trabalhos de costuras, e as amigas para não ficarem ociosas as
ajudavam. Dados os primeiros momentos à conversação,
2
passava-se à leitura e era eu chamado ao lugar de honra.
Muitas vezes, confesso, essa honra me arrancava bem a contragosto de um sono começado ou de um
folguedo querido;
3
já naquela idade a reputação é um fardo e bem pesado.
Lia-se até a hora do chá, e tópicos havia tão interessantes que eu era obrigado à repetição. Compensavam
esse excesso, as pausas para dar lugar às expansões do auditório, o qual desfazia-se em recriminações contra
algum mau personagem, ou acompanhava de seus votos e simpatias o herói perseguido.
Uma noite, daquelas em que eu estava mais possuído do livro,
4
lia com expressão uma das páginas mais
comoventes da nossa biblioteca. As senhoras, de cabeça baixa, levavam o lenço ao rosto, e poucos momentos
depois não puderam conter os soluços
8
que rompiam-lhes o seio.
Com a voz afogada pela comoção e a vista empanada pelas lágrimas, eu também cerrando ao peito o livro
aberto, disparei em pranto e respondia com palavras de consolo às lamentações de minha mãe e suas amigas.
Nesse instante assomava à porta um parente nosso, o Revd.º Padre Carlos Peixoto de Alencar, já assustado
com o choro que ouvira ao entrar –
6
Vendo-nos a todos naquele estado de aflição, ainda mais perturbou-se:
- Que aconteceu? Alguma desgraça? Perguntou arrebatadamente.
As senhoras, escondendo o rosto no lenço para ocultar do Padre Carlos o pranto e evitar seus
1
remoques,
não proferiram palavra. Tomei eu a mim responder:
7
- Foi o pai de Amanda que morreu! Disse, mostrando-lhe o livro aberto.
Compreendeu o Padre Carlos e soltou uma gargalhada, como ele as sabia dar, verdadeira gargalhada
homérica, que mais parecia uma salva de sinos a repicarem do que riso humano. E após esta, outra e outra, que era
ele inesgotável, quando ria de abundância de coração, com o gênio prazenteiro de que a natureza o dotara.
Foi essa leitura contínua e repetida de novelas e romances que primeiro imprimiu em meu espírito a
tendência para essa forma literária [o romance] que é entre todas a de minha predileção?
1
Não me animo a resolver esta questão psicológica,
5
mas creio que ninguém contestará a influência das
primeiras impressões.

JOSÉ DE ALENCAR
Como e porque sou romancista. Campinas: Pontes, 1990.

1
remoque: zombaria, caçoada


79. Não me animo a resolver esta questão psicológica, mas creio que ninguém contestará a influência das primeiras
impressões. (ref. 1)

Ao final do texto o autor levanta uma questão, mas diz que não pode resolvê-la. Entretanto, a segunda parte da frase
sugere que o autor tem uma resposta.

Este é um conhecido processo retórico, pelo qual o autor adota o procedimento indicado em:
a) criticar para negar
b) negar para afirmar
c) duvidar para justificar
d) reconhecer para criticar

80. Na composição das suas memórias, o escritor José de Alencar relaciona indiretamente sua infância a questões
da vida adulta.
Essa relação entre a memória da infância e uma reflexão sobre o presente está mais claramente estabelecida em:
a) passava-se à leitura e era eu chamado ao lugar de honra. (ref. 2)
b) já naquela idade a reputação é um fardo e bem pesado. (ref. 3)
c) lia com expressão uma das páginas mais comoventes da nossa biblioteca. (ref. 4)
d) mas creio que ninguém contestará a influência das primeiras impressões. (ref. 5)

81. Vendo-nos a todos naquele estado de aflição, (ref. 6)
O fragmento acima poderia ser reescrito, com o emprego de um conectivo.
A reescritura que preserva o sentido original do fragmento é:
a) caso nos visse a todos naquele estado de aflição.
b) porém nos viu a todos naquele estado de aflição.
c) quando nos viu a todos naquele estado de aflição.
d) não obstante nos ver a todos naquele estado de aflição.
82. - Foi o pai de Amanda que morreu! Disse, mostrando-lhe o livro aberto.
Compreendeu o Padre Carlos e soltou uma gargalhada, (ref. 7)

De acordo com o texto, a compreensão que o padre teve da situação foi possível pela combinação das palavras do
narrador com:
a) um gesto simultâneo à fala.
b) um senso apurado de humor.
c) uma opinião formada sobre a família.
d) um conhecimento prévio do problema.

83. que rompiam-lhes o seio. (ref. 8)

O vocábulo sublinhado faz referência a uma palavra já enunciada no texto.
Essa palavra a que se refere o vocábulo lhes é:
a) soluços
b) páginas
c) senhoras
d) momentos

84. A reação do Padre Carlos é muito diferente daquela que apresentam as senhoras diante da “morte” do
personagem, situação que, no texto, é demarcada também pelo emprego de certas palavras.
A diferença entre a reação das senhoras e a do Padre Carlos é indicada pelo uso das seguintes palavras:
a) consolo - riso
b) lágrimas - desgraça
c) homérica - inesgotável
d) comoção - gargalhada

TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 4 QUESTÕES:
Ler e crescer

1
Com a inacreditável capacidade humana de ter ideias, sonhar, imaginar, observar, descobrir, constatar,
enfim, refletir sobre o mundo e com isso ir crescendo, a produção textual vem se ampliando ao longo da história. As
conquistas tecnológicas e a democratização da educação trazem a esse acervo uma multiplicação exponencial, que
começa a afligir homens e mulheres de várias formas. Com a angústia do excesso. A inquietação com os limites da
leitura. A sensação de hoje ser impossível abarcar a totalidade do conhecimento e da experiência (ingênuo sonho de
outras épocas). A preocupação com a abundância da produção e a impossibilidade de seu consumo total por meio de
um indivíduo. O medo da perda. A aflição de se querer hierarquizar ou organizar esse material.
3
Enfim, constatamos
que a leitura cresceu, e cresceu demais.
4
Ao mesmo tempo, ainda falta muito para quanto queremos e necessitamos que ela cresça. Precisa crescer
muito mais. Assim, multiplicamos campanhas de leitura e projetos de fomento do livro. Mas sabemos que, com todo o
crescimento, jamais a leitura conseguirá acompanhar a expansão incontrolável e necessariamente caótica da
produção dos textos, que se multiplicam ainda mais, numa infinidade de meios novos. Muda-se então o foco dos
estudiosos, abandona-se o exame dos textos e da literatura, criam-se os especialistas em leitura, multiplicam-se as
reflexões sobre livros e leitura, numa tentativa de ao menos entendermos o que se passa, já que é um mecanismo
que recusa qualquer forma de domínio e nos fugiu ao controle completamente.
Falar em domínio e controle a propósito da inquietação que assalta quem pensa nessas questões equivale a
lembrar um aspecto indissociável da cultura escrita, e nem sempre trazido com clareza à consciência: o poder.
Ler e escrever é sempre deter alguma forma de poder. Mesmo que nem sempre ele se exerça sob a forma
do poder de mandar nos outros ou de fazer melhor e ganhar mais dinheiro (por ter mais informação e conhecer
mais), ou sob a forma de guardar como um tesouro a semente do futuro ou a palavra sagrada como nos mosteiros
medievais ou em confrarias religiosas, seitas secretas, confrarias de todo tipo. De qualquer forma, é uma caixinha
dentro da outra: o poder de compreender o texto suficientemente para perceber que nele há várias outras
possibilidades de compreensão sempre significou poder – o tremendo poder de crescer e expandir os limites
individuais do humano.
Constatar que dominar a leitura é se apropriar de alguma forma de poder está na base de duas atitudes
antagônicas dos tempos modernos. Uma, autoritária, tenta impedir que a leitura se espalhe por todos, para que não
se tenha de compartilhar o poder. Outra, democrática, defende a expansão da leitura para que todos tenham acesso
a essa parcela de poder.
Do jeito que a alfabetização está conseguindo aumentar o número de leitores, paralelamente à expansão da
produção editorial que está oferecendo material escrito em quantidades jamais imaginadas antes, e ainda com o
advento de meios tecnológicos que eliminam as barreiras entre produção e consumo do material escrito,
2
tudo levaria
a crer que essa questão está sendo resolvida. Será? Na verdade, creio que ela se abre sobre outras questões. Que
tipo de alfabetização é esse, a que tipo de leitura tem levado, com que tipo de utilidade social?

ANA MARIA MACHADO
www.dubitoergosum.xpg.com.br


85. tudo levaria a crer que essa questão está sendo resolvida. Será? (ref. 2)

O emprego da forma verbal “levaria” e a forma interrogativa que se segue – “Será?” – sugerem um procedimento
argumentativo, empregado no texto.

Esse procedimento está explicitado em:
a) a exposição de um problema que será detalhado.
b) a incerteza diante de fatos que serão comprovados.
c) a divergência em relação a uma ideia que será contestada.
d) o questionamento sobre um tema que se mostrará limitado.


86. Segundo o texto, as atitudes autoritárias e democráticas em relação à leitura possuem um pressuposto comum.
Esse pressuposto está sintetizado em:
a) o reconhecimento de que a leitura se associa ao poder.
b) a percepção de que a leitura se expande com o tempo.
c) a expectativa de que a leitura se popularize na sociedade.
d) a necessidade de que a leitura se identifique com a tecnologia.


87. Enfim, constatamos que a leitura cresceu, e cresceu demais. (ref. 3)
Ao mesmo tempo, ainda falta muito para quanto queremos e necessitamos que ela cresça. Precisa crescer muito
mais. (ref. 4)

Ao afirmar que a leitura cresceu, mas ainda precisa crescer mais, a autora mostra seu ponto de vista.
Esse ponto de vista se relaciona com a seguinte constatação:
a) os novos meios tecnológicos não aproximaram de imediato os leitores.
b) a ampliação da produção textual não alterou o número de alfabetizados.
c) a eliminação de barreiras não representou de verdade uma conscientização.
d) o aumento de quantidade não se verificou do mesmo modo na qualidade.


88. Com a inacreditável capacidade humana de ter ideias, sonhar, imaginar, observar, descobrir, constatar, enfim,
refletir sobre o mundo e com isso ir crescendo, a produção textual vem se ampliando ao longo da história. (ref. 1)

O trecho destacado acima estabelece uma relação de sentido com o restante da frase.
Essa relação de sentido pode ser definida como:
a) simultaneidade
b) consequência
c) oposição
d) causa


















TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:



89. O processo de composição da imagem de Pep Montserrat é o de “colagem”, misturando e combinando signos
visuais diferentes.

Esse processo de mistura e combinação pode ser relacionado diretamente ao seguinte trecho do texto de Ana Maria
Machado:
a) jamais a leitura conseguirá acompanhar a expansão incontrolável e necessariamente caótica da produção dos
textos, que se multiplicam ainda mais, numa infinidade de meios novos. (ref. 5)
b) abandona-se o exame dos textos e da literatura, criam-se os especialistas em leitura, multiplicam-se as reflexões
sobre livros e leitura. (ref. 6)
c) o poder de compreender o texto suficientemente para perceber que nele há várias outras possibilidades de
compreensão. (ref. 7)
d) Constatar que dominar a leitura é se apropriar de alguma forma de poder está na base de duas atitudes
antagônicas dos tempos modernos. (ref. 8)

TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 3 QUESTÕES:
Múltiplo sorriso

Pendurou a última bola na árvore de Natal e deu alguns passos atrás. Estava bonita. Era um pinheiro
artificial, mas parecia de verdade. Só bolas vermelhas. Nunca deixava de armar sua árvore, embora as amigas
dissessem que era bobagem fazer isso quando se mora sozinha. Olhou com mais vagar. Na luz do fim da tarde,
notou que sua imagem se espelhava nas bolas. Em todas elas, lá estava seu rosto, um pouco distorcido, é verdade –
mas sorrindo.
1
“Estão vendo?”, diria às amigas, se estivessem por perto. “Eu não estou só.”

HELOÍSA SEIXAS
Contos mais que mínimos. Rio de Janeiro: Tinta Negra, 2010.


90. Ao dizer que o pinheiro era artificial, “mas parecia de verdade”, a narrativa realça um estado que define a
personagem.
Isto ajuda o leitor a compreender o fingimento da personagem em relação à:
a) existência de suas amigas
b) consciência de sua beleza
c) presença de várias pessoas
d) exposição de alguma intimidade

91. Há um contraste irônico entre o título do conto e o seu desenvolvimento.
As ideias essenciais desse contraste são:
a) alegria - isolamento
b) admiração - distorção
c) ornamentação - inutilidade
d) multiplicidade - contemplação


92. “Estão vendo?”, diria às amigas, se estivessem por perto. (ref. 1)
O trecho acima revela o choque entre o mundo imaginário da personagem e a realidade de sua solidão.
Esse choque entre imaginação e realidade é enfatizado pela utilização do seguinte recurso de linguagem:
a) o uso das aspas duplas
b) o emprego dos modos verbais
c) a presença da forma interrogativa
d) a referência à proximidade espacial

TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 6 QUESTÕES:
Competição e individualismo excessivos ameaçam saúde dos trabalhadores

Ideologia do individualismo
O novo cenário mundial do trabalho apresenta facetas como a da competição globalizada e a da ideologia do
individualismo. A afirmação foi feita pelo professor da Universidade de Brasília (UnB) Mário César Ferreira, ao
participar do seminário Trabalho em Debate: Crise e Oportunidades.
Segundo ele, pela primeira vez, há uma ligação direta entre trabalho e índices de suicídio, sobretudo na
França, em função das mudanças focadas na ideia de excelência.

Fim da especialização

2
“A configuração do mundo do trabalho é cada vez mais volátil”, disse o professor. Ele destacou ainda a
crescente expansão do terceiro setor, do trabalho em domicílio e do trabalho feminino, bem como a exclusão de
perfis como o de trabalhadores jovens e dos fortemente especializados. “As organizações preferem perfis
polivalentes e multifuncionais.” Desta forma, a escolarização clássica do trabalhador amplia-se para a qualificação
contínua, enquanto a ultraespecialização evolui para a multiespecialização.

Metamorfoses do trabalho

1
Ele ressaltou que as “metamorfoses” no cenário do trabalho não são “indolores” para os que trabalham e
provocam erros frequentes, retrabalho, danificação de máquinas e queda de produtividade.

3
Outra grande consequência, de acordo com o professor, diz respeito à saúde dos trabalhadores, que leva à
alta rotatividade nos postos de trabalho e aos casos de suicídio.
4
“Trata-se de um cenário em que todos perdem, a
sociedade, os governantes e, em particular, os trabalhadores”, avaliou.

Articulação entre econômico e social
Para a coordenadora da Diretoria de Cooperação e Desenvolvimento do Instituto de Pesquisa Econômica
Aplicada (Ipea), Christiane Girard, a problemática das relações de trabalho envolve também uma questão:
5
qual o
tipo de desenvolvimento que nós, como cidadãos, queremos ter?
Segundo Christiane, é preciso “articular” o econômico e o social, como acontece na economia solidária.
“Ela é uma das alternativas que aparecem e precisa ser discutida.
6
A resposta do trabalhador se manifesta
por meio do estresse, de doenças diversas e do suicídio. A gente não se pergunta o suficiente sobre o peso da
gestão do trabalho”, disse a representante do Ipea.

Adaptado de www.diariodasaude.com.br

93. A resposta do trabalhador se manifesta por meio do estresse, de doenças diversas e do suicídio. A gente não se
pergunta o suficiente sobre o peso da gestão do trabalho”, disse a representante do Ipea. (ref. 6)
A negação expressa pela fala transcrita acima remete, na verdade, a uma afirmação.
Essa afirmação está corretamente enunciada em:
a) a gestão do trabalho deve ser mais bem avaliada
b) o mundo do trabalho deve secundarizar a gestão
c) os gestores precisam ser suficientemente saudáveis
d) os trabalhadores precisam atender melhor aos gestores

94. Dentre as palavras usadas no texto para descrever o novo regime de trabalho, uma delas implica uma
contradição nos próprios termos, ou seja, uma palavra cuja composição contém elementos que se opõem.
A palavra formada por elementos que sugerem sentidos opostos é:
a) terceirização
b) escolarização
c) ultraespecialização
d) multiespecialização

95. No texto, as falas do professor universitário e da coordenadora do instituto de pesquisa reforçam o sentido geral
antecipado pelo título da matéria jornalística.
A citação de falas como as referidas acima é um recurso conhecido da argumentação.
Esse recurso está corretamente descrito em:
a) exemplificação de fatos enunciados no texto
b) registro da divergência entre diferentes autores
c) apoio nas palavras de especialistas em uma área
d) apresentação de dados quantificados por pesquisas

96. Os subtítulos do texto organizam a leitura, sintetizando o que está diagnosticado ou proposto em cada parte.
Dentre os subtítulos, aquele que anuncia uma proposta é:
a) ideologia do individualismo
b) fim da especialização
c) metamorfoses do trabalho
d) articulação entre econômico e social

97. Ele ressaltou que as “metamorfoses” no cenário do trabalho não são “indolores” para os que trabalham e
provocam erros frequentes, retrabalho, danificação de máquinas e queda de produtividade. (ref. 1)

No fragmento acima, a exemplo de outras passagens no texto, o emprego das aspas pelo autor tem a função de:
a) dar destaque a termos pouco conhecidos
b) assinalar distanciamento de sentido irônico
c) retomar uma ideia enunciada anteriormente
d) identificar citação de palavras do entrevistado

98. Na coesão textual, os pronomes podem ser empregados para fazer a ligação entre o que está sendo dito e o que
foi enunciado anteriormente.
O pronome sublinhado que estabelece ligação com uma parte anterior do texto está na seguinte passagem:
a) “A configuração do mundo do trabalho é cada vez mais volátil” (ref. 2)
b) Outra grande consequência, de acordo com o professor, diz respeito à saúde dos trabalhadores,
(ref. 3)
c) “Trata-se de um cenário em que todos perdem,” (ref. 4)
d) qual o tipo de desenvolvimento que nós, como cidadãos, queremos ter? (ref. 5)



TEXTO PARA AS DUAS PRÓXIMAS QUESTÕES:

7
De repente voltou-me a ideia de construir o livro. (...)

1
Desde então procuro descascar fatos, aqui sentado à mesa da sala de jantar (...).
Às vezes, entro pela noite, passo tempo sem fim acordando lembranças. Outras vezes não me ajeito com
esta ocupação nova.
Anteontem e ontem, por exemplo, foram dias perdidos.
3
Tentei debalde canalizar para termo razoável esta
prosa que se derrama como a chuva da serra, e o que me apareceu foi um grande desgosto.
8
Desgosto e a vaga
compreensão de muitas coisas que sinto.

9
Sou um homem arrasado. Doença? Não. Gozo perfeita saúde. (...) Não tenho doença nenhuma.
O que estou é velho. Cinquenta anos pelo S. Pedro.
10
Cinquenta anos perdidos, cinquenta anos gastos sem
objetivo, a maltratar-me e a maltratar os outros. O resultado é que endureci, calejei, e não é um arranhão que penetra
esta casca espessa e vem ferir cá dentro a sensibilidade embotada.
Cinquenta anos! Quantas horas inúteis! Consumir-se uma pessoa a vida inteira sem saber para quê!

2
Comer e dormir como um porco! Como um porco! Levantar-se cedo todas as manhãs e sair correndo,
procurando comida!
4
E depois guardar comida para os filhos, para os netos, para muitas gerações. Que estupidez!
(...)

5
Coloquei-me acima da minha classe, creio que me elevei bastante. Como lhes disse,
6
fui guia de cego,
vendedor de doce e trabalhador alugado. Estou convencido de que nenhum desses ofícios me daria os recursos
intelectuais necessários para engendrar esta narrativa. Magra, de acordo, mas em momentos de otimismo suponho
que há nela pedaços melhores que a literatura do Gondim. Sou, pois, superior a mestre Caetano e a outros
semelhantes. Considerando, porém, que os enfeites do meu espírito se reduzem a farrapos de conhecimentos
apanhados sem escolha e mal cosidos, devo confessar que a superioridade que me envaidece é bem mesquinha.
(...)
Quanto às vantagens restantes – casas, terras, móveis, semoventes, consideração de políticos, etc. – é
preciso convir em que tudo está fora de mim.

11
Julgo que me desnorteei numa errada.

GRACILIANO RAMOS
São Bernardo. Rio de Janeiro: Record, 2004.



99. Desde então procuro descascar fatos, aqui sentado à mesa da sala de jantar (ref. 1)
Na sentença acima, o processo metafórico se concentra no verbo “descascar”.
No contexto, a metáfora expressa em “descascar” tem o seguinte significado:
a) reduzir
b) denunciar
c) argumentar
d) compreender




100. Comer e dormir como um porco! Como um porco! (ref. 2)
A repetição das palavras, neste contexto, constitui recurso narrativo que revela um traço relativo ao personagem.
Esse traço pode ser definido como:
a) carência
b) desespero
c) inabilidade
d) intolerância
Gabarito:

Resposta da questão 1:
[A]
Resposta da questão 2:
[C]
Resposta da questão 3:
[B]
Resposta da questão 4:
[D]
Resposta da questão 5:
[A]
Resposta da questão 6:
[B]
Resposta da questão 7:
[D]
Resposta da questão 8:
[C]
Resposta da questão 9:
[B]
Resposta da questão 10:
[C]
Resposta da questão 11:
[A]
Resposta da questão 12:
[A]
Resposta da questão 13:
[B]
Resposta da questão 14:
[D]
Resposta da questão 15:
[C]
Resposta da questão 16:
[A]
Resposta da questão 17:
[A]
Resposta da questão 18:
[D]
Resposta da questão 19:
[B]
Resposta da questão 20:
[D]
Resposta da questão 21:
[C]
Resposta da questão 22:
[D]
Resposta da questão 23:
[D]
Resposta da questão 24:
[C]
Resposta da questão 25:
[A]
Resposta da questão 26:
[B]
Resposta da questão 27:
[C]
Resposta da questão 28:
[B]
Resposta da questão 29:
[C]
Resposta da questão 30:
[D]
Resposta da questão 31:
[B]
Resposta da questão 32:
[A]
Resposta da questão 33:
[C]
Resposta da questão 34:
[D]
Resposta da questão 35:
[A]
Resposta da questão 36:
[C]
Resposta da questão 37:
[D]
Resposta da questão 38:
[B]
Resposta da questão 39:
[D]
Resposta da questão 40:
[A]
Resposta da questão 41:
[B]
Resposta da questão 42:
[B]
Resposta da questão 43:
[A]
Resposta da questão 44:
[B]
Resposta da questão 45:
[C]
Resposta da questão 46:
[A]
Resposta da questão 47:
[B]
Resposta da questão 48:
[A]
Resposta da questão 49:
[D]
Resposta da questão 50:
[D]
Resposta da questão 51:
[A]
Resposta da questão 52:
[C]
Resposta da questão 53:
[D]
Resposta da questão 54:
[A]
Resposta da questão 55:
[D]
Resposta da questão 56:
[C]
Resposta da questão 57:
[A]
Resposta da questão 58:
[C]
Resposta da questão 59:
[C]
Resposta da questão 60:
[B]
Resposta da questão 61:
[A]
Resposta da questão 62:
[C]
Resposta da questão 63:
[C]
Resposta da questão 64:
[A]
Resposta da questão 65:
[B]
Resposta da questão 66:
[D]
Resposta da questão 67:
[A]
Resposta da questão 68:
[B]
Resposta da questão 69:
[D]
Resposta da questão 70:
[D]
Resposta da questão 71:
[B]
Resposta da questão 72:
[A]
Resposta da questão 73:
[B]
Resposta da questão 74:
[A]
Resposta da questão 75:
[A]
Resposta da questão 76:
[B]
Resposta da questão 77:
[A]
Resposta da questão 78:
[B]
Resposta da questão 79:
[B]
Resposta da questão 80:
[B]
Resposta da questão 81:
[C]
Resposta da questão 82:
[A]
Resposta da questão 83:
[C]
Resposta da questão 84:
[D]
Resposta da questão 85:
[C]
Resposta da questão 86:
[A]
Resposta da questão 87:
[D]
Resposta da questão 88:
[D]
Resposta da questão 89:
[A]
Resposta da questão 90:
[C]
Resposta da questão 91:
[A]
Resposta da questão 92:
[B]
Resposta da questão 93:
[A]
Resposta da questão 94:
[D]
Resposta da questão 95:
[C]
Resposta da questão 96:
[D]
Resposta da questão 97:
[D]
Resposta da questão 98:
[B]
Resposta da questão 99:
[D]
Resposta da questão 100:
[B]