Batman - Cavaleiro das trevas: Uma análise teo-referente

Romulo A. T. Monteiro
1. INTRODUÇÃO
No dia 18 de julho de 2008 estreava a continuação de Batman Begins (2005! Batman – Cavaleiro
das Trevas (doravante! "#T. $em d%vida! um dos &randes sucessos do cinema americano dos
%ltimos anos. Nessa introdução 'ueremos evidenciar dados incontest(veis 'ue nos )a*em concluir
'ue "#T + uma o,ra 'ue não somente merece ser avaliada como tam,+m + uma )onte a-ro-riada de
entendimento do nosso zeitgeist (es-.rito da +-oca.
/m -rimeiro lu&ar! a aceitação da massa. "#T )oi o terceiro )ilme mais rent(vel de todos os
tem-os.
1
0ressu-ondo 'ue a relação entre )ilme e sociedade + de nature*a retroalimentativa! a
aceitação da massa revela muito dela mesma ,em como revela a in)lu1ncia da o,ra no -ovo. 2 )ato
'ue em 2008 "atman j( tinha noventa e nove anos. 0ode3se! -ortanto! im-licar 'ue Morce&o teve
tem-o su)iciente -ara criar v(rias &eraç4es de )ãs. 5a. a ra*ão de sua aceitação! -ode3se su&erir.
Mas trata3se de um &rande en&ano e6-licar a aceitação de "#T somente -elo hist7rico do seu her7i.
8s -ar(&ra)os se&uintes elucidarão a 'uestão.
$e&undo! trata3se de um )ilme 'ue su-erou as e6-ectativas da cr.tica es-eciali*ada. 9ma -alavra
so,re o conte6to hist7rico ajudar( a entender melhor. 0ara muitos! senão a esma&adora maioria dos
admiradores de "atman! Batman e Robin (1::; aca,ou com a re-utação do homem3morce&o.
5enominado de <horr.vel=! <in)antil= (,o,o! <sem conte%do= e <caro=!
2
o )ilme de >oel
$chumacher! 'ue estreou em 1::;! )oi um )racasso de cr.tica e de ,ilheteria. 0ara os )ãs do #ru*ado
/nca-u*ado
?
! Begins sur&iu como o salvador da ima&em do #avaleiro das Trevas. 0or outro lado! a
aceitação de Batman Begins tanto da cr.tica 'uanto da massa criou um clima de ceticismo -ara com
o -r76imo da s+rie. A ra*ão + sim-les@ tratava3se de uma se'u1ncia. 5i&o! uma se'u1ncia de um
)ilme muito ,om. 8ra! a reação cl(ssica diante de uma se'u1ncia + sem-re a mesma A descrença e
ceticismo.
/ntretanto! "#T sur-reendeu. A cr.tica rea&iu em-ol&ada
B
. Muitos deram nota m(6ima -ara a
se&undo )ilme de #hristo-her Nolan (diretor. #oment(rios como os de Cais #attassini (#inema
com Ra-adura revelam tal em-ol&ação@ <im-oss.vel não vi,rar com cada segundo de )ilma&em=
5
.
Tia&o $i'ueira (#inema com Ra-adura asse&ura o lado -ositivo da o,ra@ <Tenso e emocionalmente
-esado! D"atman 3 8 #avaleiro das TrevasE não + s7 um mero )ilme! mas uma e6-eri1ncia
cinemato&r()ica %nica. 9ma o,ra3-rima a,solutamente recomendada=.
F
/m terceiro lu&ar! as atuaç4es -remiadas de um &rande elenco. 8 cast contou com )i&uras
renomadas e -remiadas como Mor&an Greeman (Cucius Go6! Michael #aine (Al)red! Heath
Ced&er (#orin&a! Aaron /cIhart (5ent! Ma&&ie JKllenhaal (Rachel 5aLes.
/m 'uarto lu&ar! a morte misteriosa de Heath Ced&er. Ced&er (#orin&a + um ca-.tulo a -arte. 8
reconhecimento da comunidade es-eciali*ada )oi unMnime. MTN Movie ALards (/9A o
reconheceu como o melhor vilão! o Jlo,o de 8uro (/9A! a "AGTA (Reino 9nido e o 8scar
(/9A o reconheceram como melhor ator coadjuvante. Osa,ela "oscov! comentarista da revista
Neja! entende 'ue Ced&er elevou o -adrão <um de&rau acima= da atuação j( -remiada em
Brokeback Mountain. Galando de sua inter-retação! "oscov + direta! <+ a,solutamente antol7&ica=.
;
Todas as -remiaç4es )oram -7stumas. Ced&er )aleceu no dia 22 de janeiro de 2008 A seis meses
antes da estr+ia do )ilme. $ua morte misteriosa e -rematura &erou es-eculaç4es e criaram todo um
clima de mist+rio em torno do )ilme. Muitos li&aram sua morte com os e)eitos da inter-retação de
#orin&a.
/m 'uinto lu&ar! e não menos im-ortante! o conte%do do )ilme. A des-eito de se tratar de um )ilme
de su-er3her7i (&eralmente li&ado -%,lico in)antil! "#T não + somente entretenimento. Não se
trata de um )ilme redu*ido a &randes e6-los4es e &randes e)eitos es-eciais. /le e6i&e inteli&1ncia
dos seus <leitores=. A ra*ão + sim-les@ "#T levanta &randes 'uest4es +ticas e )ilos7)icas. $em
d%vidas! não + um )ilme -ara crianças. Temas so,re justiça! o -a-el da lei! seus limites! o verdadeiro
-a-el de um her7i! loucura e caos são traçados. $oma3se a isso o )ato de 'ue esses mesmos temas
não são a,ordados em -e'uenos lam-ejos! mas em &randes di(lo&os tornando3se a tPnica da o,ra.
2. INO!"
$e'u1ncia do sucesso de ação "atman "e&ins! "atman A 8 #avaleiro das Trevas! volta a reunir o
diretor #hristo-her Nolan e o astro #hristian "ale! re-risando o -a-el de "ruce QaKneR"atman.
#om a ajuda do comiss(rio >im Jordon e do novo -romotor HarveK 5ent! "atman se dedica a
com,ater de ve* o crime or&ani*ado em Jotham. 5e in.cio! o trio se mostra e)ica*! -or+m eles lo&o
se veem re)+ns de um -oderoso criminoso conhecido como #orin&a! 'ue )a* Jotham mer&ulhar na
anar'uia e )orça o #avaleiro das Trevas a che&ar mais -erto do 'ue nunca de ultra-assar a linha
t1nue 'ue se-ara o her7i do justiceiro.
8

#. CO$O%I&" UB'(C"NT"
?.1. Aus1ncia de $o,renatural
"atman + um su-er3her7i di)erente. 2 um her7i sem -oderes so,re3humanos. Não so)reu nenhuma
mutação! não veio de outro -laneta! + re-leto de cicatri*es! tem crises -sicol7&icas! so)re -or um
amor não resolvido e + -erse&uido -elo <)antasma= da -erca -rematura dos seus -ais (determinante
em 'uase tudo em sua vida.
/le não somente ajuda os -oliciais como tam,+m + salvo -or eles. $uas virtudes são exclusivamente
humanas. /s-eci)icamente! são virtudes intelectuais e ).sicas (e.&.! ha,ilidade nas investi&aç4es!
&rande a-tidão em artes marciais e! sem m(scara! um e6celente homem de ne&7cios. 0odemos
di*er 'ue "atman + o le&.timo e verdadeiro $u-er3Homem. 0or isso + o her7i <mais -r76imo= do
seu -%,lico.
/ssa caracter.stica tão marcante do homem3morce&o! i&norada -or >oel $chumacher em Batman e
Robin (1::; )oi reverenciada e levada Ss %ltimas conse'u1ncias -or #hristo-her Nolan (diretor
em "#T. 0ara Nolan! realidade si&ni)ica aus1ncia do so,renatural. Osso )oi evidenciado em sua
tentativa de evitar o uso de recursos com-utadori*ados. $eu o,jetivo + evitar! ao m(6imo! no
es-ectador! o re)erencial de )icção. Não + atoa 'ue todas as e6-los4es são reais.
9ma das cenas &randiosas do )ilme + a destruição do hos-ital de Jotham. A'ui Nolan não )e*
'ual'uer mani-ulação de ima&em. 9m -r+dio real )oi destru.do. No )ilme! + Ced&er (#orin&a 'ue
aciona os e6-losivos. Goi e6atamente isso 'ue aconteceu.
8utro e6em-lo se d( com os e'ui-amentos do "atman. Todos são reais. $ua moto! assim com sua
armadura! realmente e6istem e -odem ser utili*adas na prática. /ssa ,usca contuma* -or uma
maior realidade determinou o custo do )ilme (180 milh4es de d7lares ,em como a rejeição de
al&uns -ersona&ens como 0in&Tim. 0ara Nolan! o 0in&Tim destoava do universo realista dessa
s+rie.
A realidade (aus1ncia do so,renatural do "atman tam,+m -ode ser vista em suas limitaç4es. /m
uma das cenas -rimorosas do )ilme! o #orin&a coloca "atman em um dilema@ ou ele salvaria a vida
de sua amada (Rachel ou a vida do -romotor -%,lico (5ent. Revelando as limitaç4es do her7i! o
0iadista a)irma@ <Noc1 não -ode )a*er nada com toda sua )orça=. / realmente "atman não
conse&ue. Ali(s! ele não conse&ue salvar nenhum deles.
9m dos eeitos dessa ,usca -ela realidade (sem so,renatural + nos a-ro6imar do her7i! sua hist7ria!
seus sentimentos! ,em como seus ideais. ! priori se voc1 tem uma ,oa sa%de! muito dinheiro e um
ideal! voc1 tam,+m -ode ser um "atman. 0or+m! como ele! não resolver( todos os dilemas da vida.
?.2. Moral e 2tica
8s her7is convencionais se&uem as re&ras. /les não mentem (&eralmente omitem! não invadem a
-rivacidade de trinta milh4es de -essoas e não torturam. Não + assim com o "atman. 2 )ato 'ue h(
certo e errado em "#T. /m outras -alavras! h( moral -ara o #ru*ado /nca-u*ado. 0or+m! isso não
+ o mesmo 'ue se&uir a +tica vi&ente. 2tica e moral são distintos. 8 -rimeiro -ode ser mudado e
violado en'uanto o se&undo deve ser o,edecido.
"atman vai al+m do conceito convencional de her7i. $e&undo o )ilme! ele + melhor 'ue um her7i. A
o,ra dei6a -atente 'ue ser her7i não ,asta. /le + o a&ente do ,em! mas não -ode estar -reso Ss
amarras da +tica. Al)red! seu mordomo e conselheiro! a)irma 'ue "atman + a %nica -essoa 'ue -ode
tomar a decisão correta! -ois ele est( al"m da lei! ele não res-onde S lei! ele est( <nas trevas=.
0ara "#T! a verdade e o le&al são ut7-icos. A-esar de e6istir certo e errado! sua a-licação + irreal.
Al&u+m tem 'ue se sacri)icar. Al&u+m 'ue não est( -reso Ss amarras da +tica convencional. /m sua
carta de des-edida! Rachel! ami&a e amada -or "atman! a)irma@ <8 mundo vai sem-re -recisar do
"atman=. Res-eitando o conte6to da declaração! ela 'uis di*er 'ue nunca vai sur&ir um her7i <sem
m(scaras= 'ue si&a as re&ras -lenamente A um cavaleiro ,ranco.
#omo todo homem sem re)erencial )ora de si mesmo! "atman tem suas -r7-rias re&ras. Tem moral!
mas + ele 'uem a determina. $ua +tica não + ,aseada em um senso moral a priori (in)inito e
universal. <UVW! a -osição moral de "atman se ori&ina de uma a-reciação da com-le6idade do
com-ortamento humano e das )ormas e6tremas 'ue ele -ode assumir=
#.
$ua %nica re&ra + não
matar. 0or+m! essa re&ra est( li&ada a sua e6-eri1ncia de or)andade -rematura e traum(tica.
A -ostura de "atman lem,ra o viver aut1ntico do e6istencialismo de Martin Heide&&er.
10
$e&undo o
#orin&a! -oucos se encai6am nessa cate&oria. "atman e o -r7-rio #orin&a seriam um desses. 9m
("atman escolheu com,ater o crime! o outro (#orin&a escolheu o cinismo e a loucura. A m()ia
,em como a -ol.cia! -or outro lado! são <idiotas= (-alavras do #orin&a -or'ue! como a &rande
maioria! + escrava do sistema. $e&undo >oIer (#orin&a! <o c7di&o de honra deles + uma -iada
$%oke ruim=.
A tese do #orin&a + 'ue as -essoas são tão ,oas 'uanto o mundo (sistema -ermite. Não h( uma
re&ra universal. No -rimeiro sinal de -ro,lema ou -ressão! o ser humano a,andona seus c7di&os
+ticos. $e o sistema -ermitir! di* o #orin&a! as -essoas devorariam umas as outras. <Anomalias=
como "atman e #orin&a se&uem sua <vida aut1ntica=. A di)erença! a)irma o #orin&a! + 'ue a&ora o
sistema -recisa do "atman! -or isso o aceita! mas lo&o o e6-ulsar( como a um le-roso. 0ara o
0iadista $&oker sua rejeição se d( -or estar na van&uarda. /le est( al+m do "atman. 8 homem3
morce&o ainda est( -reso Ss re&ras. / -ara o #orin&a! o %nico jeito de viver de uma )orma sensata +
não ter re&ras.
H( certa inde)inição eRou incoer1ncia na -ostura moral do "atman. 8ra ele -arece ser um
deontolo&ista
11
'uando não somente não conse&ue matar o #orin&a Utalve* sua %nica re&raW como
tam,+m o salva e luta com a culpa de mortes 'ue não )oi o res-ons(vel diretoX
12
ora + um -er)eito
ade-to do -ra&matismo eRou utilitarismo 'uando se sacri)ica sendo odiado escolhendo a mentira
como consolo -ara o -ovo. "atman + um enigma entre o mocinho e o ladrão! entre o 'ue + correto
)a*er e o 'ue +! de certa )orma! ilimitado -ela maldade! crueldade ou o desejo de reali*ar! -elo mal!
o inima&in(vel. /le )a* o 'ue + moralmente certo! mas <nas trevas=! ou seja! + um )ora da lei.
?.?. 0essimismo
A realidade e -ro6imidade do "atman -ara com o ser humano não são moldadas -elo romantismo
do modernismo. 0or mais 'ue o her7i seja inteli&ente! h(,il )isicamente! -ossua ideolo&ia e seja um
dos homens mais ricos do mundo! ele não resolve tudo. Ali(s! ele não conse&ue resolver seus
-r7-rios -ro,lemas.
8 o,jetivo do her7i do )ilme + dos mais no,res@ ins-irar o ,em. No entanto! sua e6ist1ncia atrai
criminosos cada ve* mais loucos como o #orin&a. #om toda sua )orça o her7i -erde sua amada! e!
nas -alavras do -romotor 5ent (a-rovadas -elo -r7-rio "atman! ele não -assa do -roduto da
indi)erença eRou cr.tica do -ovo. A'uele em 'uem "atman a-osta suas )ichas -ara ser o verdadeiro
her7i de Jotham! o her7i sem m(scara e se&uidor da lei! aca,a se tornando um criminoso A
chamado -osteriormente de 5uas #aras.
8 -essimismo não est( -resente somente no insucesso de "atman! mas na relação de de-end1ncia
ontol7&ica entre o ,em e o mal na 'ual "atman e #orin&a estão -resos e são seus estere7ti-os. 8
)ilme coloca o ,em como uma res-osta ao mal! en'uanto o mal s7 e6iste -or'ue h( o ,em -ara
com,at13lo. #orin&a di* -ara "atman@ </u te matarY /u não 'uero te matar! voc' me completa...=.
/m outro di(lo&o #orin&a di*@ <acho 'ue n7s dois estamos destinados a )a*er isso -ara sem-re=.
"atman + um homem tentando resolver os -ro,lemas do seu -ovo. 0or+m! sem sucesso. 8 #orin&a
+ um louco! autodenominado a&ente do caos! 'ue tem seus -lanos! ora são reali*ados com sucesso!
ora são )rustrados. "atman e #orin&a re-resentam a luta sem )im entre ,em e mal.
H( uma m(6ima 'ue sinteti*a o )ilme. /la a-arece tanto no in.cio como no )im da o,ra. 0rimeiro na
,oca do -romotor -%,lico (HarveK 5ent! -osteriormente -ela ,oca do -r7-rio "atman. $e&ue@ <8u
voc1 morre her7i ou vive o ,astante -ara ver voc1 mesmo se tornar vilão=. /sse a)orismo +
reali*ado tanto na vida do -romotor 'ue começa como a &rande solução -ara Jotham e se torna um
assassino movido -ela vin&ança e termina com "atman 'ue assume os crimes 'ue não cometeu -ara
manter a ima&em do -romotor. 8u seja! se al&u+m -laneja )a*er o ,em! s7 -oder( morrer her7i se
morrer cedo! caso contr(rio! se tornar( um vilão (-ela -r(tica ou -ela re-utação. 2 uma 'uestão de
tem-o. Nada mais -essimista.
?.B. /s-erança /6istencialista
$e a eternidade + c.clica e o mal e o ,em sem-re e6istirão! o 'ue )a*er! entãoY "atman -re)ere a )+
(es-erança na mentira do 'ue a verdade 'ue não -rodu* es-erança. $e&ue seu %ltimo di(lo&o no
)ilme lo&o a-7s a morte do s.m,olo de es-erança A o -romotor HarveK 5ent denominado
<#avaleiro "rilhante=@
A As -essoas vão -erder a es-erança (#omiss(rio Jordon.
A Não vão não. /les nunca vão sa,er o 'ue ele )e* ("atman.
A #inco mortos. 5ois -oliciais. Não se -ode varrer isso (Jordon.
A Não. 8 #orin&a não -ode vencer. Jotham -recisa de um her7i de verdade ("atman.
A Não. (Jordon
A 8u voc1 morre her7i ou vive o ,astante -ara ver voc1 mesmo se tornar vilão. /u -osso ser as duas
coisas. 0or'ue não sou her7i. Não como HarveK. /u matei a'uelas -essoas. 2 o 'ue sou ("atman.
A Noc1 não + (Jordon.
A /u sou o 'ue Jotham -recisar UVW (s vezes a verdade n)o basta. !s pessoas merecem mais. (s
vezes as pessoas merecem ter sua " recompensada. ("atman.
1?

5esta'ue -ara sua %ltima declaração. 0ara "atman! a dura realidade de uma vida sem es-erança
-ode ser su,stitu.da -ela mentira (a'ui no caso não + o mesmo 'ue omissão. 0ara o #avaleiro das
Trevas! a recom-ensa -ara )+ + a reali*ação da mesma! mesmo 'ue seja um em,uste. 8 'ue não se
-ode + -arar de es-erar. A mentira + um mal menor diante da )alta de es-erança. Nesse mundo de
injustiças o -ovo -recisa acreditar. 2 isso 'ue move as -essoas.
). $O$"NTO D" %"RD(D"
B.1 8s Cimites da >ustiça Humana
/m /clesiastes ?@1315 nos asse&ura 'ue 5eus tem um -lano &randioso 'ue a,arca todos os homens
e suas a*+es em todo o tempo. 8 homem não decide o seu nascimento e uma ve* vivo desco,re 'ue
-ode morrer e ele não decidiu isso. 8 mesmo acontece com os ve&etais. , -eus .uem controla
todas as coisas. Nesse mesmo conte6to o autor nos revela 'ue 5eus colocou a eternidade no nosso
coração sem d( condiç4es de res-osta so,re o -rinc.-io e o )im. 0recisamos de 5eus! -recisamos de
$ua revelação so,re a vida! os valores! o certo! o errado e o ,em. /m ?@1F3B@1F o autor a-resenta
al&umas anomalias e a-arente contradiç4es 'ue -odem ser im-licadas do 'ue aca,ou de asse&urar@
o controle de 5eus. 8 verso 11 di* 'ue 5eus )e* tudo <)ormoso=. Mas! o verso 1F di*@ <Ni ainda
de,ai6o do sol 'ue no lu&ar do ju.*o reinava a maldade e no lu&ar da justiça! maldade ainda=.
8 0re&ador o,serva 'ue aonde deveria ter justiça encontramos maldade. 5iante desse 'uadro aonde
lançar nossas es-erançasY 8 te6to res-onde@ </ntão! disse comi&o@ -eus %ulgará o justo e o
-erversoX -ois h( tem-o -ara todo -ro-7sito e -ara toda o,ra= (?.1;. /m outras -alavras! n)o
%usti*a plena en.uanto o homem or seu /nico agente.
8 )ilme revela as limitaç4es 'ue a lei ('ueda im-4e na a-licação da justiça <maior= (criação. Não
d( -ara )a*er o certo estando <-reso= S lei. 0or duas ra*4es@ as limitaç4es da -r7-ria lei ,em como
as limitaç4es dos 'ue a a-licam ('ueda. 9sando a terminolo&ia do )ilme! + -reciso )a*er a justiça
<nas trevas=.
A constatação de 'ue não se alcança verdadeira justiça -ela )orça do homem + correta ('ueda. Não
são -oucos os 'ue -rocuram justiça nos meios convencionais e e6-erimentam )rustração. /s-erar
-ela justiça <dos homens= + es-erar demais. 8 &rande di)erencial se d( em como devemos reagir
diante de tal constatação (redenção. A'ui os cristãos se se-aram tanto do #orin&a 'uanto do
"atman. 8s cristãos con)iam em 5eus. Romanos 12.1: + claro@ <Vnão vos vin&ueis a v7s mesmos!
amados! mas dai lu&ar S iraX -or'ue est( escrito@ A mim me -ertence a vin&ançaX eu + 'ue
retri,uirei! di* o $enhor=. Al+m disso! o reconhecimento das limitaç4es das leis não nos im-elem a
aceitar tudo da lei.
8 her7i das trevas! como nos mitos anti&os! não dei6a de ser (ou 'uerer ser um deus 'ue resolve
tudo com suas pr0prias mãos ('ueda. #omo cristãos! )icamos com a constatação! -or+m mudamos
na reação. Cutamos reconhecendo nossas limitaç4es es-erando 'ue no )inal a justiça -lena venha
-or meio de 5eus (redenção.
B.2. Tend1ncia ao mal
Antes de adentrar ao assunto! )a*3se necess(rio descrever uma cena crucial@ 8 #orin&a coloca
e6-losivos em duas ,arcas. /m uma delas estão <civis inocentes= (terminolo&ia do )ilme! em outra!
somente -resos (condenados -or rou,o! morte etc.. 8 detonador dos e6-losivos da ,alsa dos -resos
)icou no -oder dos cidadãos comuns en'uanto o detonador dos e6-losivos da ,alsa dos <inocentes=
)icou com os -risioneiros. 8 #orin&a orienta am,as as ,alsas de 'ue Ss 00@00h ele vai e6-lodir
am,as caso uma delas não esteja j( destru.da. 8u seja! o ,arco 'ue destruir o outro! estar( livre. A
hora che&a e nenhum ,arco destr7i o outro. 5iante desse 'uadro "atman di* ao #orin&a@ <8 'ue
voc1 'uer -rovarY Zue l( no undo todos são -odres Uugl1W como voc1Y 20 voc' " podre UVW </ssa
cidade aca,ou de mostrar 'ue est( cheia de -essoas 'ue s7 acreditam no ,em=
1B
.
8 )ato + 'ue o #orin&a nesse -onto est( certo. A maioria do ,arco dos <civis inocentes= decide -or
e6-lodir o outro ,arco. / no ,arco dos -residi(rios! um &ru-o decide matar o res-ons(vel -elo
,arco -ara e6-lodir o outro. Am,os os ,arcos 'uerem e6-lodir o outro! mas! ou não t1m cora&em (o
,arco dos <inocentes= ou )alta o-ortunidade (o ,arco dos condenados. Não )altou vontade
(desejo! )altou cora&em e o-ortunidade.
/m res-osta ao "atman! o #orin&a a)irma 'ue o es-.rito da cidade não se corrom-eu
com-letamente ainda! mas 'uando sou,erem dos atos <heroicos= do -romotor (assassinou cinco
-essoas as cadeias vão )icar cheias. /le (#orin&a colocou HarveK 5ent no mesmo n.vel dele e do
"atman. /le a&ora )a*ia -arte do &ru-o dos )ora da lei. $e&undo o #orin&a! isso não )oi di).cil.
"atman no )undo acredita no #orin&a! -or isso escolhe mentir so,re o HarveK assumindo seus
crimes. /le sa,e 'ue! no )undo! o -ovo vai se re,elar ao sa,er 'ue o -romotor! a es-erança de
Jotham! + um assassino. /ssa + a tend1ncia da humanidade. Nas -alavras do #orin&a@ <A loucura +
como a &ravidade! ,asta um em-urrão*inho=. $e o sistema -ermitir! a)irma o -iadista! <as -essoas
civili*adas comerão umas as outras=.
*. Res+ostas B,-li.as +ara (l/0mas 10est2es
5.1. 8 $istema e o Ondiv.duo
No )ilme a -o-ulação ou a <massa= muda de acordo com as condiç4es. A-oia o "atman! no entanto!
lo&o a-7s o #orin&a começar a matar -essoas ameaçando não -arar at+ a revelação do mascarado!
todos 'ueriam a revelação de sua identidadeX o 'ue si&ni)icava o )im de sua vida de her7i e o
começo de uma vida de -risioneiro.
$e&undo o #orin&a@ <Coucura + como a &ravidade! ,asta um em-urrão*inho=. 8 #orin&a de)ende a
ideia de uma in)lu1ncia determinante do sistema nos indiv.duos. 0ara ele! se colocarmos (e isso
inclui o sistema as -essoas em situaç4es de tensão 'ue elas revelarão 'uem realmente são A loucas
e sem moral. Osso )ica claro 'uando a)irma 'ue <as -essoas são tão ,oas 'uanto o mundo (sistema
-ermite=. 8 -r7-rio "atman acredita nisso! 'uando no )inal do )ilme entendeu 'ue a mentira so,re
uma instituição (-romotoria -%,lica era o melhor -ara o -ovo.
A -ers-ectiva Teo3re)erente! -or outro lado! asse&ura 'ue nossa cosmovisão + o -roduto do nosso
coração -ecaminoso e a-7stata somado Ss estruturas -s.'uico3sociais e hist7rico3culturais (e.&.!
educação U)ormal! e -rinci-almente )amiliar nos -rimeiros anos de vidaW! cultura re&ional!
relacionamentos! meios de comunicação. 8 relacionamento dessas duas nuanças (interna e e6terna
da construção da cosmovisão humana deve ser entendido como camadas sobrepostas. 8 coração
(su,strato interno da e6ist1ncia humana + a matri* -rimordial se&uida das camadas su-racitadas.
0ressu-ondo uma antro-olo&ia ,.,lica! o homem! devido ao -ecado! conse'uentemente! não
inter-reta a vida de )orma neutra ou va*ia como se )osse! nas -alavras do em-irista in&l1s >ohn
CocI! uma tabula rasa. 0elo contr(rio! o coração humano + reli&ioso -or nature*a e a-7s a 'ueda
esse coração continua sendo -ara35eus! -or+m em rebeli)o.
As /scrituras nos revelam 'ue essa es)era ou dimensão 'ue chamamos de <coração= + a mais
-ro)unda do nosso ser (sel)! e -or isso! inacess.vel a toda )orma de an(lise ou -rocedimento de
sonda&em em-.rica (c). $l. 1?:.2?! 2BX >r. 1;.10. 8 acesso s7 se d( -ela 0alavra atrav+s do /s-.rito
(1#o 2.1?315X H, B.12. A mudança radical de uma cosmovisão! -ortanto! + o 'ue a /scritura
chama de <re&eneração= (>o ?.?!BX Tt ?.5.
/m s.ntese! o sistema tem seu -a-el na )ormação das cosmovis4es! -or+m não + determinante. #aso
aceit(ssemos tal -ostulado eliminar.amos a cul-a do indiv3duo. <A idolatria Uno sentido de -ecadoW
+ um -ro,lema -ro)undamente enrai*ado no coração e -oderosamente im-in&ido so,re n7s -elo
am,iente social=
15
. A com-le6idade do ser humano não -ermite 'ue )açamos declaraç4es como as
'ue o #orin&a )e*. Nossa tend1ncia! sim! + -ara o mal. Mas como ele se revelar( + outra hist7ria. 8
mal não tem s7 uma cara (#l 2.2?X 2#o 5.12X 2#o 11.1B.
5.2. 8 ,em e o mal
Muitas são as -ro-ostas 'ue t1m se levantado diante da -ro,lem(tica do ,em e o mal A sua
e6ist1ncia! ori&em! relação com 5eus e entre si. Al&uns t1m diminu.do o -oder de 5eus (te.smo
a,ertoX outros versam 'ue o mal não -assa de uma ilusão ("udismo! o 'ue &era outro -ro,lema@ a
ilusão do mal. 8utros adotam a visão do #orin&a. /ntendem o ,em e mal como entidades de
de-end1ncia ontol7&ica. 8 )ilme (atrav+s do #orin&a asse&ura 'ue o ,em como uma resposta ao
mal! en'uanto o mal s7 e6iste -or'ue h( o ,em -ara com,at13lo. #orin&a di* -ara "atman@ </u te
matarY /u não 'uero te matar! voc1 me completa...=
1F
0ara os re)ormadores o mal + de)inido como privatio actuosa. 8 -onto a'ui + 'ue o mal não -ode
e6istir em si e de si mesmo. /le de-ende da corru-ção do ,em. A relação de de-end1ncia seria
e'uivalente S do )erro e a )erru&em. 8 -rimeiro não de-ende do se&undo -ara e6istir! mas o
contr(rio + )ato.
A incoer1ncia de #orin&a + )acilmente re)utada. $e o ,em de-ende do mal! o mal -assa a ser um
,em enco,erto. <Mas o mal do 'ual 5eus e6trai o ,em + um mal verdadeiro. 5a traição cometida
-or >udas contra >esus vem o ato redentor da cru*! mas isso de )orma al&uma minimi*a a
-erversidade do ato de >udas=.
1;
Nessa conce-ção! -ara e6-erimentar ,em! o -r7-rio 5eus deveria
e6-erimentar o mal.
[[[[[

1
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\ltimo se&undo OJ disse@ 8 novo )ilme do "atman! <8 #avaleiro das Trevas=! ,ateu todos os
recordes de ,ilheteria nas sess4es do )inal de semana nos cinemas dos /stados 9nidos. A estr+ia
dei6ou ,em atr(s a marca sem -recedentes conse&uida -or <8 Homem Aranha=.
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es-aço -ara inter-retaç4es! investindo em ,o,a&ens e clich1s^ (c).
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Maltin disse 'ue ^a hist7ria )re'uentemente não )a*ia sentido^ e 'ue ^a ação e os e)eitos são altos!
enormes e entor-ecentes^ (c). htt-@RR-t.shvoon&.comR,ooIsR1F:B8:23,atman3ro,inR Acesso 1F de
setem,ro de 200:! 10@?;@51. Ceandro Jantois di* 'ue ^Zuem -oderia ima&inar 'ue de-ois de
tantos anos de carreira o diretor >oel $chumacher iria )a*er a maior ,esteira de sua vida! tantos
sucessos e o,ras inteli&entes no -assado não )oram su)icientes -ara enco,rir a -orcaria )eita neste
'uarto )ilme da s+rie ,aseada no Homem3Morce&o! o "atman^ (c).
LLL.cinemaemcena.com.,rR#ritica[5etalhe.as-6Yid[critica]2218_id[ti-o[critica]1 Acesso@ 1F
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?
8utro nome -ara "atman? 8utro nome -ara "atman
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0:@?0.
:
H8QAR5! >ason >. 4oites 5scuras e o chamada da Consci'ncia. em ORQON! Qilliam (coord..
"atman e a Giloso)ia A o cavaleiro das trevas da alma. $ão 0aulo@ 2008! -.182.
10
$e&ue uma de)inição de homem aut1ntico@ Honesto -ara consi&o mesmo so,re o 'ue est( ou não
so, nosso controle! leva S s+rio inevita,ilidade da morte ,em como assume a responsabilidade total
pela dire*)o de sua vida e dei6a claro o -ro-7sito e o si&ni)icado da'uilo 'ue )a*. A'ui vale
lem,rar as -alavras de #hesterton@ <2 mais verdadeiro di*er 'ue um homem 'ue con)ia em si
mesmo certamente )racassar(= (#H/$T/RT8N! J. b. 6rthodox1! Massachusetts@ HendricIson!
200F! -.10.
11
A )i&ura mais in)luente da +tica deontol7&ica + &rande )il7so)o Ommanuel bant. $e&undo >ensen@
<A cont.nua recusa de "atman em matar! en'uanto -rosse&ue em sua missão! ainda 'ue seja o
#orin&a! + um e6em-lo -er)eito do com-romisso dele com uma ra*ão moral deontol7&ica=
(>/N$/N! Randall M. ! 7romessa de Batman. /m ORQON! Qilliam (coord. o-. cit.! -. 85.
12
/m um dos di(lo&os com "atman! #orin&a declara <Noc1 + mesmo incorru-t.vel=. / continua@
<Noc1 não vai me matar -or al&um senso e.uivocado de also moralismo8.
1?
"ATMAN cavaleiro das trevas. 5ireção@ #hristo-her Nolan. 0rodução@ /mma Thomas! #harles
Roven! #hristo-her Nolan! Cos An&eles@ Qarner "ros. /ntertainment! 2008! 5N5 1 (152 min.
1B
"ATMAN cavaleiro das trevas. 5ireção@ #hristo-her Nolan. 0rodução@ /mma Thomas! #harles
Roven! #hristo-her Nolan! Cos An&eles@ Qarner "ros. /ntertainment! 2008! 5N5 1 (152 min.
15
08QCON$8N! 5avid. 9dolos do Cora*)o e :eira das ;aidades< vida crist)= motiva*)o
individual e condicionamento sociol0gico. "ras.lia@ /ditora re)%&io! 1::F! -. ??.
1F
A versão -ortu&uesa di*@ <eu -reciso de voc1=.
1;
$0R89C! R. #. Raz)o para Crer. $ão 0aulo@ Mundo #ristão! 1::;! -.85.