A Doutrina da Justificação (1

)
Sua Importância para o Evangelho o!e
por
Cornelis P. Venema

Com este, eu começo uma breve série de artigos a respeito da doutrina da justificação pela
graça somente e por meio da fé somente. Estes artigos são adaptados de duas palestras
ministradas na Conferência da Banner of Truth, em maio de !!" #$. %pesar de j& ter sido
editado para o The Outlook , os artigos ainda retêm alguma coisa em seu conte'do como
originalmente foi entregue. Em anos recentes, tem havido um bom n'mero de declaraç(es
de união a respeito da doutrina da justificação, feita por proeminentes representantes das
igrejas evangélica e Cat)lica *omana. +ais recentemente, em , de outubro de !!!, data
comumente associada ao in-cio da *eforma .rotestante, representantes da /ederação
0uterana +undial e da 1greja Cat)lica *omana assinaram uma declaração de consenso
sobre a doutrina, declarando 2ue as diferenças hist)ricas entre .rotestantismo e Catolicismo
2uanto este assunto foram superadas. Estes acontecimentos tornam a matéria algo de certa
urgência, pede 2ue os crentes reformados dêem uma boa olhada na doutrina da justificação
e temam 2ue nossa herança da fé reformada, e o artigo sobre a mais b&sica verdade do
Evangelho sejam comprometidos. 3 artigo a seguir, o primeiro desta série, somente
objetiva estabelecer a import4ncia do assunto para a igreja hoje. Começa com a citação de
uma passagem de *omanos, 2ue provê uma cl&ssica declaração da doutrina.
53ra, n)s sabemos 2ue tudo o 2ue a lei di6, aos 2ue estão debai7o da lei o di6, para 2ue
toda a boca esteja fechada e todo o mundo seja conden&vel diante de 8eus. .or isso
nenhuma carne ser& justificada diante dele pelas obras da lei, por2ue pela lei vem o
conhecimento do pecado. +as agora se manifestou sem a lei a justiça de 8eus, tendo o
testemunho da lei e dos profetas9 1sto é, a justiça de 8eus pela fé em :esus Cristo para todos
e sobre todos os 2ue crêem9 por2ue não h& diferença. .or2ue todos pecaram e destitu-dos
estão da gl)ria de 8eus9 sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção 2ue
h& em Cristo :esus. %o 2ual 8eus prop;s para propiciação pela fé no seu sangue, para
demonstrar a sua justiça pela remissão dos pecados dantes cometidos, sob a paciência de
8eus9 para demonstração da sua justiça neste tempo presente, para 2ue ele seja justo e
justificador da2uele 2ue tem fé em :esus. 3nde est& logo a jact4ncia< = e7clu-da. .or 2ual
lei< 8as obras< >ão9 mas pela lei da fé. Conclu-mos, pois, 2ue o homem é justificado pela
fé sem as obras da lei. = porventura 8eus somente dos judeus< E não o é também dos
gentios< Também dos gentios, certamente, visto 2ue 8eus é um s), 2ue justifica pela fé a
circuncisão, e por meio da fé a incircuncisão. %nulamos, pois, a lei pela fé< 8e maneira
nenhuma, antes estabelecemos a lei. ?ue diremos, pois, ter alcançado %braão, nosso pai
segundo a carne< .or2ue, se %braão foi justificado pelas obras, tem de 2ue se gloriar, mas
não diante de 8eus. .ois, 2ue di6 a Escritura< C*E@ %B*%A3 E+ 8E@B, E 1BB3 0CE
/31 1+.@T%83 C3+3 :@BT1D%. 3ra, E2uele 2ue fa6 2ual2uer obra não lhe é imputado
o galardão segundo a graça, mas segundo a d-vida. +as, E2uele 2ue não pratica, mas crê
na2uele 2ue justifica o -mpio, a sua fé lhe é imputada como justiça.F G*omanos ,.!HI.JK
% 58outrina .rincipalF da *eligião Cristã
>ormalmente, 2uando um pregador toma a posição sobre um assunto L como eu fi6 sobre a
doutrina da justificação L ele começa defendendo a import4ncia ou signific4ncia do
assunto.
.artindoHse da hist)ria das igrejas reformadas, isto não deveria ser necess&rio com a
doutrina da justificação. Calvino, não menos 2ue 0utero durante a época da *eforma
.rotestante no século MN1, estava convencido de 2ue esta doutrina era 5a doutrina principal
da religião cristãF G1nstitutas, 0ivro 111K. Be nos desligarmos deste ponto, então a totalidade
da fé cristã corre o risco de ser perdida. % doutrina da justificação pela graça somente, com
base nos méritos de Cristo somente, e por meio da fé somente L para afirmar a doutrina de
forma mais clara L é, como a igreja luterana, historicamente tem e7pressado, o artigo de
fundamento e 2ueda da igreja Garticulus stantis et cadentis ecclesiaeK. .or2ue esta doutrina,
como nenhuma outra, cristali6a os grandes 5solasF da *eforma L Bola Oratia G5somente
pela graçaFK, Bolo Christus G5somente por CristoFK, e Bola /ide G5somente pela féFK.
+as não é apenas a hist)ria da *eforma 2ue nos lembra da import4ncia desta doutrina.
+esmo 2ue sejamos capa6es de es2uecer isto, a doutrina da justificação, como :ohn
+urraP apropriadamente enfati6a em seus estudos sobre o assunto, responde a mais b&sica
das 2uest(es religiosas, a saber, 2ual minha posição diante de 8eus< +esmo antes de %dão
pecar e empurrar toda a raça humana ao pecado L 2uanto estava no estado original do
homem de integridade e nenhum pecado L o assunto mais importante para ele e todos os
homens era 2uanto E sua aceitação diante de 8eus. >ão e7iste 2uestão mais preocupante
para 2ual2uer criatura 2ue a e7pressa nestas perguntasQ 3 2ue 8eus di6 a respeito de mim<
Ele me considera bom e aceit&vel< 3u Ele est& contra mim< Est& tudo correto entre n)s<
?ual é a minha reputação com 8eus<
Bem d'vida, a realidade do pecado humano e a rebelião contra 8eus têm complicado
imensamente o assunto. E agora 2ue 5não h& um justo, nem um se2uerF, a 2uestão da
posição do pecador perante 8eus se torna ainda mais urgente. @ma ve6 2ue 5todos pecaram
e destitu-dos estão da gl)ria de 8eusF, a 2uestão da aceitação do pecador e sua reputação
com 8eus têm se tornado mais preocupante.
.or estas ra6(es, a doutrina da justificação é uma doutrina certamente muito importante.
>ão somente foi o foco da grande controvérsia na igreja a respeito do Evangelho durante o
século MN1, mas também responde a 2uestão mais b&sica de vida e de morte L em 2ue
posição estou diante de 8eus, pobre e miser&vel pecador 2ue sou<
5Evangélicos e Cat)licos @nidosF<
% import4ncia da doutrina da justificação pode ser vista em termos da hist)ria da *eforma
e por ser a 2uestão religiosa b&sica. +as também pode ser visto hoje o 2uanto a doutrina da
justificação tornouHse assunto de uma discussão e debates renovados. Esta discussão
renovada revelou uma consider&vel negligência, e até ignor4ncia 2uanto E doutrina entre
muitos protestantes e evangélicos. +as, talve6 de forma mais significante, a discussão é
marcada por uma série de importantes declaraç(es, assinadas em alguns pontos por cristãos
evangélicos e cat)licos romanos igualmente, e afirmando 2ue um novo consenso começa a
emergir sobre esta doutrina.
.osso me lembrar, muitos anos atr&s, de ler o livro de +ichael Corton, As Doutrinas da
Maravilhosa Graça . En2uanto lia o livro, fui surpreendido por uma hist)ria 2ue ele conta,
sobre um debate para o 2ual foi convidado, em um colégio cristão. Corton conta como teve
a oportunidade de falar com apro7imadamente RS estudantes em diferentes ocasi(es
durante o dia. .or todo o dia, ele perguntou aos alunos sobre a doutrina da justificação. Ele
pediu 2ue eles definissem 5justificaçãoF. 3 2ue chamou minha atenção en2uanto lia isto foi
o registro de Corton, de 2ue nenhum destes RS estudantes Ge lembreHseQ eram estudantes
num colégio cristão, e não p'blicoK poderia darHlhe uma simples definição da doutrina.
>enhumT +esmo 2ue isto seja apenas uma simples hist)ria, é suficientemente alarmante
para sugerir 2ue, entre muitos cristãos evangélicos, a doutrina da justificação não é nem
apreciada ou se2uer claramente entendida.
+as não é apenas esta negligência geral 2ue é instrutiva. %conteceram, no curso dos
'ltimos vinte ou trinta anos, muitas discuss(es de alt-ssimo n-vel entre representantes da
igreja evangélica, considerando de uma forma genérica, e da 1greja Cat)lica *omana sobre
a 2uestão 5.odemos criar uma ponte entre as divis(es entre n)s< .odemos superar a divisão
entre protestantes e cat)licos< Esta é realmente uma 2uestão de tamanha import4ncia, entre
a Uverdadeira igrejaV , a2uela 2ue sustenta o Evangelho de Cristo, e a Ufalsa igrejaV, 2ue
enterra Cristo debai7o de todas as formas de ritos e cerim;nias religiosas, e boas obras
merit)rias<F
.or e7emplo, j& em !R,, na %ssemléia de CelsinWi da /ederação 0uterana +undial Gum
grupo representativo do 0uteranismo mundial, o primeiro ramo, poder-amos di6er, da
*eforma do Béculo MN1K, a conclusão encontrada foi, baseada em uma série de
conferências com representantes cat)licos, de 2ue não e7iste mais 2ual2uer diferença
substancial entre *oma e as igrejas luteranas sobre a doutrina da justificação. +ais
recentemente, em !"J, uma declaração unificada de representantes luteranos e cat)licos
sumari6ou suas decis(es desta formaQ 5um consenso fundamental no Evangelho é
necess&rio para dar credibilidade Es nossas afirmaç(es previamente concordes a respeito do
batismo, da eucaristia e das formas de autoridade eclesi&sticas. >)s acreditamos 2ue temos
2uase alcançado um consensoF.
+ais recentemente ainda, na %ssembléia Oeral das 1grejas Evangélicas 0uteranas da
%mérica, 2ue é uma combinação de v&rias denominaç(es hist)ricas luteranas, uma
declaração luterana e cat)lica romana unificada foi adotada, declarando 2ue as diferenças
da justificação pela fé não mais dividem a comunhão das igrejas. %lguém talve6 responda
estes acontecimentos di6endoQ 5bem, isto é verdade para representantes de não muitos, e
e7istem muitas formas e corpos religiosos de luteranos e cat)licos por todo mundoF. 1sto é,
estes desenvolvimentos estão acontecendo somente dentro de um conte7to eclesi&stico,
onde confiss(es hist)ricas e o ensino da Escritura a respeito de muitas doutrinas
importantes foi abandonado h& muito tempo.
+as em nosso conte7to norteHamericano, precisamos ter cuidado pelo fato de 2ue dois
documentos bastante importantes foram, em anos recentes, endossados por um consider&vel
n'mero de representantes, tanto do lado cat)lico 2uanto do evangélico. 3 primeiro destes
foi produ6ido em !!I, e carrega o impactante t-tulo 5Evangélicos e Cat)licos @nidosF.
@m grupo de importantes e proeminentes delegados Gda 1greja Cat)lica alguns bispos,
como *ichard :ohn >euhaus, editor da First Things 9 outros do mundo evangélico, homens
de grande proeminência e influênciaK afirmaram juntos, sobre a doutrina da justificação,
2ue 5n)s somos justificados pela graça, por meio da fé, por causa de CristoF. #X$
3 2ue chama a atenção nesta afirmação unificada não é tanto o fato de ser assinada por
evangélicos e cat)licos, mas 2ue contenha algumas omiss(es dignas de nota. >ão e7iste
2ual2uer “sola” nesta declaraçãoT %té onde posso ver, esta declaração é do tipo 2ue
2ual2uer signat&rio do grande Conc-lio de Trento da ContraH*eforma Cat)lica poderia
assinar. Cat)licos *omanos sempre ensinaram 2ue somos justificados pela graça, por meio
da fé, por Cristo. Entretanto, esta justificação não é Bolo Christus, 5por Cristo somenteF. E
por2ue não é por Cristo apenas, não é nem Bola Oratia, 5somente pela graçaF, nem Bola
/ide, 5somente pela féF.
%pesar desta falha da 5Evangélicos e Cat)licos @nidosF, boa parte de seus signat&rios
foram respons&veis pela preparação da declaração seguinte. Esta declaração foi publicada
em !!Y e carrega o t-tulo 53 8om da BalvaçãoF. Escrita para dei7ar claras algumas
2uestãos 2ue a primeira declaração levantou Ge para abrandar, talve6, os medos e temor de
alguns de 2ue eles tenham assinado um tipo de declaração amb-gua e incertaK, os autores
desta confissão tentaram oferecer uma melhor, e de certa forma aparentemente mais
aceit&vel, declaração sobre a doutrina da justificação. Esta declaração di6, a respeito da
justificaçãoQ 5>a justificação, 8eus, com base da justiça de Cristo apenas, declaraHnos 2ue
não mais somos seus inimigos rebeldes, mas amigos perdoados. Em virtude desta
declaração, segueHseQ Entendemos 2ue a2uilo 2ue afirmamos nesta confissão est& de acordo
com o 2ue as tradiç(es da *eforma 2uerem di6er com justificação pela fé somenteF. Esta
declaração, como parece, é uma melhora de sua anterior. = uma declaração 2ue n)s
poder-amos provavelmente assinar, se fosse formulada em um conte7to diferente, e se não
tivéssemos conhecimento, em trechos adiante da declaração, de algumas &reas de cont-nua
disc)rdia L incluindo se a justiça, na conta da2uele 2ue é justificado, é uma justiça
5imputadaF ou nãoT
Eu menciono estas coisas para ilustrar 2ue vivemos um momento de grande confusão e
incerte6a a respeito da doutrina da justificação. 1sto não seria tão sério se esta doutrina não
fosse o artigo em 2ue a igreja se sustenta ou cai, a 5doutrina principalF da fé cristã. %lém
disso, por vivermos em uma época em 2ue a toler4ncia algumas ve6es toma o melhor de
n)s, alguns são capa6es de mudar por causa a um desejo de concordar com outros sobre
esta doutrina. E isto é de uma import4ncia muito grande, não apenas por causa do valor
perpétuo e essencial desta doutrinas, mas por2ue a forma como a 2uestão é vista hoje, com
tanta incerte6a e confusão, devemos d&Hla nossa mais cuidadosa atenção. >ada menos 2ue
um verdadeiro entendimento do Evangelho est& em risco.
>3T%BQ
#$ H Oostaria de agradecer a Nirginia Ei6enga, secret&ria do +idH%merica *eformed
BeminarP, por aceitar o desafio e completar o tedioso trabalho de transcrever estas
palestras.
#X$ H *.C. Bproul tem feito um )timo serviço Es igrejas evangélicas e reformadas por nos
tra6er livros sobre estas duas declaraç(esQ Justificação Pela F !o"ente GEd. Cultura
CristãK e Getting the Gos#el !traight$ The Tie That %inds &vangelicas Together GOrande
*apidsQ BaWerK. 3 segundo destes livros inclui um apêndice 2ue d& o te7to completo de
uma recente declaração evangélica 53 Evangelho de :esus CristoQ @ma Celebração
EvangélicaF. Esta declaração mais recente tenta resolver algumas diferenças 2ue emergiram
entre os evangélicos sobre os documentos anteriores 5Evangélicos e Cat)licos @nidosF e
53 8om da BalvaçãoF.
Dr' (ornelis )ene"a* cola+orador da The Outlook Maga,ine* ensina &studos Doutrin-rios
no Mid.A"erica /efor"ed !e"inar0'
TraduçãoQ :osa-as Cardoso *ibeiro :r.
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