A Doutrina da Justificação (3

)
O Fundamento ou Base
por
Cornelis P. Venema
Este é o terceiro de uma breve série de artigos sobre a doutrina da justificação pela graça
somente, por meio da fé somente. Estes artigos são adaptados de duas palestras ministradas
na Conferência da Banner of Truth, em maio de !!". # primeiro artigo desta série tratou
da import$ncia da doutrina, especialmente no conte%to das recentes discuss&es entre
cat'licos, luteranos e representantes evangélicos. # segundo artigo tratou da nature(a da
justificação ) o *ue é. Este terceiro artigo refere+se , *uestão de da base ou fundamento de
nossa justificação. -nicia+se com uma cl.ssica afirmação da doutrina do Catecismo de
/eidelberg, pergunta e resposta 01.
01. Como você é justo perante 2eus3
4. 5omente por verdadeira fé em 6esus Cristo. 7esmo *ue minha consciência me acuse de
ter pecado gravemente contra todos os mandamentos de 2eus, e de não ter guardado
nenhum deles, e de ser ainda inclinado a todo mal, todavia 2eus me d., sem nenhum mérito
meu, por pura graça, a perfeita satisfação, a justiça e a santidade de Cristo. 2eus me trata
como se eu nunca tivesse cometido pecado algum ou jamais tivesse sido pecador8 e, como
se pessoalmente eu tivesse cumprido toda a obediência *ue Cristo cumpriu por mim. Este
benef9cio é meu somente se eu o aceitar por fé, de todo o coração.
5obre o *ue é baseada3
5e justificação tem relação com nossa posição e aceitação diante de 2eus ) como
argumentei no artigo anterior ) a *uestão mais importante *ue encaramos é: sobre o *ue ela
é baseada3 Esta é uma *uestão+chave, um assunto fundamental. Era assim no tempo da
4eforma no séc. ;<-, e permanece desta forma neste dia. 5obre *ual fundamento n's
encontraremos a aceitação de 2eus e teremos uma posição justa diante dEle3
Em resposta a esta *uestão, as Escrituras ensinam *ue, *uando 2eus justifica o 9mpio,
*uando 2eus nos declara aceit.veis a Ele, Ele o fa( com base na obediência e no
sofrimento de 6esus Cristo. Ele fa( isto tão+somente sobre a base desta justiça, *ue est. em
Cristo 6esus, *ue Ele concede e imputa em n's como um dom gratuito de 5ua graça.
=enhuma justiça *ue é nossa, nenhuma obra da lei *ue tenhamos feito, nada *ue
apresentemos ) nada nos torna aceit.veis a 2eus. =ossa justificação é inteira e
e%clusivamente baseada na obra de Cristo, *ue se tornou nossa justiça *ue procede de 2eus
> Cor9ntios .?18 @ilipenses ?.!A.
Em sua Teologia 5istem.tica, Bouis BerChof apresentam isto bem na sua curta definição de
justificação: DE justificação é um ato judicial de 2eus, no *ual Ele declara, com base na
justiça de 6esus Cristo, *ue todas as reivindicaç&es da lei Ftanto em termos da*uilo *ue a
Bei e%ige de n's na forma da obediência positiva *uanto do julgamento do pecador *uanto
, condenação e morteG são satisfeitas com vistas ao pecadorH. Egora, neste ponto, algumas
ve(es cometemos um erro muito sério em nosso entendimento de justificação. Estamos tão
interessados em di(er *ue é pela graça somente e sem obras da Bei, *ue passamos a
impressão de *ue 2eus justifica pecadores ao custo de sua retidão. ='s damos crédito ,
idéia de *ue 2eus, de alguma forma, viola a justiça ao aprovar o culpado. 7as as Escrituras
ensinam *ue 2eus de forma alguma aprova o culpado. Ele é tão puro de olhos *ue não pode
ver o mal. E então, a *uestão para o entendimento da base de nossa justificação é: como é
poss9vel *ue 2eus possa ser justo ) en*uanto honra e respeita as e%igências de 5ua pr'pria
Bei, *ue é a forma como sua retidão é manifesta ) e ao mesmo tempo considera perdoados
os 9mpios, considera aceit.veis a Ele indignos pecadores3
E resposta a esta *uestão é a seguinte: 2eus satisfa( 5ua justiça8 Ele vê *ue a retribuição
pelo pecado foi paga através da redenção providenciada para n's, por meio do sangue de
Cristo. Ele vê *ue as obrigaç&es da Bei foram perfeitamente cumpridas por meio da
obediência de outro, nosso mediador 6esus Cristo, o /omem *ue, por 5eu Inico ato de
justiça tornou justos a*ueles *ue são 5eus >4omanos J."+!A. Epesar de e%istirem muitas
passagens b9blicas *ue ensinam isto, citarei apenas três, a t9tulo de ilustração.
Kassagens B9blicas
Romanos 3.24-26
Em 4omanos ?, vers9culos LM a L0, o ap'stolo Kaulo fala *ue somos Djustificados
gratuitamente pela sua graça, pela redenção *ue h. em Cristo 6esus. Eo *ual 2eus propNs
para propiciação pela fé no seu sangue, para demonstrar a sua justiça pela remissão dos
pecados dantes cometidos, sob a paciência de 2eus8 para demonstração da sua justiça neste
tempo presente, para *ue ele seja justo e justificador da*uele *ue tem fé em 6esusH.
# ponto *ue o ap'stolo Kaulo especialmente foca nestes versos é o sacrif9cio propiciat'rio
de nosso 5enhor 6esus, 5eu sofrimento vic.rio pelo despra(er de 2eus contra o pecador.
2eus demonstrou 5ua justiça não por permitir o pecado, não por ignorar eternamente o
pecado, mas por, na plenitude dos tempos, pronunciar na Cru( de Cristo *ue n's somos
culpados e estamos sob a condenação da Bei e sentença de morte. Ouem, de acordo com
essa passagem, assumiu o lugar do culpado3 Ouem carregou o peso do pecado por n's3
Ouem foi pisado por nossas transgress&es3 =osso 5enhor 6esus CristoP Ele tomou nosso
lugar e sofreu o castigo da Bei em nosso benef9cio.
# Catecismo de /eidelberg, no trecho em *ue se pergunta a respeito da base de nossa
justificação, ecoa o ensinamento desta passagem ao falar de 2eus concedendo e imputando
em n's a perfeita justiça, satisfação e obediência de 6esus Cristo. Então, o *ue o ap'stolo
Kaulo nos conta nestes versos é *ue a base sobre a *ual 2eus nos justifica é a obra
e%piat'ria de 6esus Cristo. Esta obra e%piat'ria, Kaulo sustenta, é uma e%pressão da graça e
perdão de 2eus para conosco. =ão é algo *ue n's tenhamos con*uistado ou merecido. Kelo
contr.rio, é um dom gratuito da graça de 2eus para conosco. Q por isto, na porção seguinte
de 4omanos M, *ue Kaulo nos mostra um contraste entre o trabalhador *ue recebe um justo
sal.rio por seu trabalho e a*uele *ue recebe o dom gratuito. =ossa justificação não é como
um sal.rio merecido por um trabalhador, mas um dom gratuito da graça de 2eus. Kortanto,
falar de obras como base de nossa justificação contradiria a graça de 2eus e faria o
sacrif9cio e%piat'rio de Cristo sem efeito.
Romanos 4.25
Egora, se você observar o verso LJ em 4omanos M, o ap'stolo nos d. uma breve descrição
de como nossa justificação é baseada somente na obra de Cristo. Cristo, ele declara, Dpor
nossos pecados foi entregue, e ressuscitou para nossa justificaçãoH.
Então, não importa o *uanto de Cristo em relação ,s obrigaç&es da Bei fosse e%igido, Ele
foi completamente justo. Ele veio para cumprir toda justiça, e assim Ele o fe(. Kortanto,
diante da mesa de julgamento de 2eus, a sentença *ue Ele merecia inegavelmente seria
Dinocente, não culpadoH. 7as esta é a maravilha da graça de 2eus para conosco em Cristo:
Ele colocou+5e em nosso lugar ) Ele foi entregue , morte por causa de nossas
transgress&es. ='s *uebramos a Bei8 Cristo a guardou. ='s merec9amos carregar o castigo8
Cristo tomou o castigo. Este é o fundamento sob nossos pés, di( o ap'stolo, *uando
recebemos nossa justificação. Es obrigaç&es da Bei de 2eus ) *ue n's vivamos diante dEle
em obediência, *ue n's sofreremos a conse*Rência de nossa desobediência ) foram levadas
por outro. Cristo assumiu estas obrigaç&es. E, por*ue Ele assumiu estas obrigaç&es por n's,
cumprindo toda a justiça, Ele foi ressuscitado para nossa justificação. Em 5ua ressurreição,
n's ouvimos o veredicto de 2eus Kai, 5eu amém ao Dest. consumadoH de Cristo. 5ua
ressurreição declara+nos *ue nossa batalha terminou, nossos pecados foram totalmente
pagos, o preço de nossa redenção foi satisfeito. # Kai apresenta 5eu deleite para conosco ao
levantar 5eu @ilho dos mortos ) para nossa justificaçãoP E ressurreição de Cristo declara o
veredicto do Kai a respeito de n's.
Romanos 5.18-19
E Iltima prova na Escritura *ue mencionarei est. em 4omanos, cap9tulo J, versos " e !:
DKois assim como por uma s' ofensa veio o ju9(o sobre todos os homens para condenação,
assim também por um s' ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação
de vida. Kor*ue, como pela desobediência de um s' homem, muitos foram feitos pecadores,
assim pela obediência de um muitos serão feitos justos.H Estes versos se colocam no
conte%to do cap9tulo, descrevendo o paralelo e analogia entre o primeiro e o segundo Edão.
Kor meio do pecado e da desobediência do primeiro Edão, todos se tornaram pecadores e
são merecedores de condenação e morte. Entretanto, por meio da obediência do segundo
Edão, muitos foram feitos justos e são herdeiros da vida eterna.
=ada poderia ser mais claro nestes versos do *ue a afirmação de *ue não é por nossa
pr'pria obediência ou justiça *ue somos justificados. =ada *ue n's possamos oferecer de
n's mesmos diante de 2eus nos conceder. o 5eu favor. Kelo contr.rio, por meio do ato de
outro, a obediência de 6esus Cristo, é *ue somos constitu9dos justos, não mais merecedores
da condenação *ue tra( morte.
4esumindo, a situação é e%atamente como Bouis BerChof descreve em sua definição de
justificação. Com base na justiça de Cristo, 2eus declara *ue todas as e%igências de 5ua
Bei foram plenamente satisfeitas por n's. Cristo não apenas guardou a Bei por n's, mas
também sofreu sua maldição >veja S.latas ?.L1A. Kortanto, é somente pela graça >sola
gratiaA, por causa de Cristo apenas >solo ChristusA, *ue 2eus nos declara aceit.veis a Ele.
Egora, é claro, o lado negativo disto, o *ual não darei atenção especial, é a repetida ênfase
das Escrituras de *ue nossa justificação não é por obras. =enhum de n's conseguiu ou
conseguir. jamais fa(er uma satisfação pelos seus pecados. # sal.rio do pecado é a morte,
mas o dom gratuito de 2eus é a vida eterna. =enhum de n's poderia jamais chegar a
cumprir toda justiça e, assim, conseguir o favor de 2eus para si. Es boas novas, no entanto,
são *ue isto foi cumprido por nosso 7ediador, o 5enhor 6esus Cristo.
Elgumas ve(es imagino se n's chegamos a apreciar o *ue estas boas novas são para
pecadores como você e eu. ='s percebemos *ue, em nossa justificação, 2eus não di(
simplesmente *ue nos acha toler.veis. E situação para n's é bem melhor *ue isto: na
justificação, 2eus nos declara aceit.veis, pra(erosos a Ele. Correndo o risco de um
antropomorfismo irreverente, devemos entender *ue, *uando 2eus nos justifica, ele não
tapa 5eu nari( ou cobre os olhos como se fNssemos repugnantes a Ele, como pecadores.
=ão, Ele nos vê como verdadeiramente somos, vestidos, cobertos e adornados com as
vestes da justiça de Cristo. Então, somos todos ador.veis a EleP 5omos tão aprovados por
Ele *uanto Cristo éP Eu tenho *ue retornar neste ponto , linguagem do Catecismo de
/eidelberg. Ouando 2eus concede e imputa em mim a perfeita satisfação, justiça e
santidade de Cristo, Ele considera+me Dcomo se eu nunca tivesse cometido pecado algum
ou jamais tivesse sido pecador8 e, como se pessoalmente eu tivesse cumprido toda a
obediência *ue Cristo cumpriu por mim. Este benef9cio é meu somente se eu o aceitar por
fé, de todo o coração.H E verdade e o conforto de nossa justificação com base na obra de
Cristo são e%postos de uma forma linda por Butero em seu grande sermão sobre Ddois tipos
de justiçaH. Ele descreve isso desta forma: D# noivo não tem nada *ue é apenas seu. E
noiva tem uma parte completa em tudo *ue é do noivo. Essim, a vida, a morte, as obras, o
sofrimento, tudo a*uilo *ue é de Cristo torna+se nosso. Temos porção completa nisto.
Temos parte disto. 5omos adornados com isto. #s dois tornam+se umH.
Conclusão
Tudo isso significa, a respeito da doutrina de nossa justificação gratuita com base na justiça
de Cristo, nada menos *ue o Evangelho. =o *ue o Evangelho consiste3 Consiste no louvor
a Cristo somente, cuja justiça é suficiente para nossas necessidades e a Inica base para
nossa confiança perante 2eus.
Elgumas ve(es e%iste, nesta ligação, um profundo mal+entendido do *ue estava em jogo na
4eforma. Elguns di(em *ue a *uestão b.sica da 4eforma era, como posso eu, pecador,
encontrar aceitação e estar em pa( com 2eus3 7as esta é apenas uma meia+verdade, na
melhor das hip'teses, e uma séria distorção, na pior. 5eria melhor di(er *ue a *uestão
b.sica da 4eforma era, como a igreja pode voltar a sua pregação de uma devida apreciação
da graça imerecida de 2eus para conosco em Cristo3 Essim, o ponto é tanto Dcomo eu
posso ter pa( com 2eus3H *uanto Dcomo eu posso dar o louvor digno , justiça de 2eus em
Cristo3H. DE*uele *ue se gloria, glorie+se no 5enhorPH. Kor esta ra(ão, *uando Calvino
considera as duas implicaç&es primordiais da doutrinas de nossa justificação gratuita, a
primeira *ue ele enfati(a é esta: a doutrina da justificação gratuita não e%ige *ue dividamos
entre 2eus e n's mesmos a*uilo *ue pertence a 2eus somente. Este é o coração do
testemunho da 4eforma a respeito da graça de 2eus em Cristo: 2ei%e 2eus ser 2eus,
E*uele *ue justifica o 9mpio devido , obra de Cristo somente.
Dr. Cornelis Venema, colaborador da The O!loo" #a$a%ine, ensina &s!dos Do!rin'rios
no #id-(merica Re)ormed *eminar+.
Tradução: 6osa9as Cardoso 4ibeiro 6r.
http:TTUUU.monergismo.comT
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Felipe Sabino de Araújo Neto
V
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