BREVES LINHAS SOBRE A UTILIZAÇÃO DO CRÉDITO DECORRENTE DA

FIXAÇÃO DE PREÇO AO SETOR SUCROALCOOLEIRO CONSTITUÍDO FACE
UNIÃO FEDERAL.

1. DA ORIGEM DO DIREITO.

Foi proposta Ação Ordinária junto à Justiça Federal dessa Seção Judiciária
Ação Ordinária face a União Federal e o Instituto de Açúcar e do Álcool,
tendo o processo sido tombado sob o nº 96.00.16761-3, cujo o objeto foi o
ressarcimento de prejuízos causados decorrente da fixação, do preço do
açúcar e do álcool abaixo dos custos de produção tendo como amparo legal
a Lei 4870/65.

No processo supracitado versou no pólo ativo da relação, além da
peticionaria, as empresas S.A. Leão Irmãos Açúcar e Álcool e S.A. Usina
Coruripe Açúcar e Álcool, tendo na ocasião sido realizada perícia em
relação as duas nominadas, porém ao final da fase de conhecimento o
pleito foi julgado improcedente.

Interposto Recurso de Apelação, o E. Tribunal Regional Federal da 1º
Região, reformou a sentença objurgada para considerar o pedido
procedente em parte para condenar os Apelados na indenização decorrente
do prejuízo direto. Interposto REsp contra a citada decisão este não
prosperou por ter sido negado seu seguimento.

Advindo o trânsito em julgado da decisão, as partes autoras propuseram o
que de direito. S.A. Leão Irmãos Açúcar e Álcool e S.A. Usina Coruripe
Açúcar e Álcool, por conta da perícia realizada na fase de conhecimento
ingressaram com a EXECUÇÃO DO JULGADO. Já S.A Ouricuri, que veio a ser
sucedida pelo Sr. Roberto Cerqueira Celestino, na ausência do laudo
pericial, ingressou com a LIQUIDAÇÃO DO JULGADO (Art. 604 do CPC).
Diante da incompatibilidade de procedimentos, o processo foi
desmembrado, seguindo o feito através dos Autos 2002.34.00.31726-3.

Dando seu normal sequenciamento, veio a IMPUGNAÇÃO apresentada pela
União, onde esta, essencialmente alegou a prescrição e atacando os
cálculos de forma genérica. Na RÉPLICA a Liquidante sustentou que não
haveria como ser acatada a tese da prescrição porque a petição foi
apresentada dentro do prazo de cinco anos e, na ocasião, pugnou pela
aplicação da pena de confissão em relação aos cálculos que foram
impugnados genericamente, já que todos os elementos de apuração (livros
de produção diária) estão nos Autos e dão plena condição de se opor de
forma ampla, garantindo, assim, a ampla defesa e o contraditório. Vindo o
despacho, a questão da prescrição foi prontamente afastada e determinada
a realização de perícia.

É o que há, em essência, para ser relatado.

2. DA UTILIZAÇÃO.

No nosso entendimento o crédito em comento tem uma vasta gama de
utilização, porém como a finalidade que se busca é a compensação de
tributos e os desdobramentos pela situação de devedor, é sobre esta que
discorreremos.

a. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA.

O crédito, no meu modesto entendimento, pode ser utilizado para
compensação de tributos e contribuições federais pois é originário de
decisão judicial transitada em julgado nos Autos da Ação de Indenização
n°. 96.16761-3, movida por S.A Usina Ouricuri Açúcar e Álcool e outros face
a União Federal, onde esta última veio a ser condenada a ressarcir os
prejuízos diretos causados em decorrência da fixação do preço do açúcar e
do álcool abaixo dos custos de produção, vide Decisão do E. TRF1.
Méier por sua vez adquiriu parcela do crédito reconhecido através da
decisão alhures mencionada, isto através de Instrumento Público de
Cessão, nos termos do Art. 288 do novo CC iv.
Neste aspecto, a Cessionária ao adquirir parte do crédito em comento e
informar o fato, desistir da execução e informar ao Juízo condutor do feito
que utilizaria para compensação tributária, passou a figurar no pólo ativo
do processo em relação à União Federal.
Não bastasse isso, o Art. 66 da Lei n°. 4870/65 e o Art. 20 da Lei n°.
8029/90 determinam que os débitos do IAA sejam transferidos pela União
Federal . Desta forma, ao assumir os débitos do referido instituto, tem a
União Federal o DEVER de ressarcir, mesmo porque versou no pólo passivo
da relação , no processo n°. 96.16761-6 que reconheceu o prejuízo causado
.
Desta forma, a União Federal assumindo os débitos do mencionado
Instituto para com os produtores de açúcar e álcool, tem o dever de
ressarci-los dos prejuízos causados e reconhecidos em decisão transitada
em julgado nos Autos de Ação Indenizatória.
Não bastassem tais argumentos, o Art. 170 do CTN, que deve ser um dos
argumentos da Receita, para não homologar a compensação pretendida, vez
que o dispositivo legal ora mencionado não autoriza a adoção do que se
persegue.
Dispõe o Art. 170, do Código Tributário Nacional que “a lei pode , nas
condições e sob as garantias que estipular , ou cuja a estipulação em cada
caso atribuir à autoridade administrativa , autorizar a compensação de
créditos tributários com créditos líquidos e certos vencidos e vincendos , do
sujeito passivo contra a Fazenda Pública” .
Neste particular, esclarece Sibele de Andrade Taques Akselrad, em
“Compensação de Créditos Tributários”, Doutrina e Jurisprudência, ed.
Juarez de Oliveira, 2002, pág. 36, verbis:
“ O art. 170 diz respeito a compensação de
créditos tributários com CRÉDITOS DE
QUALQUER NATUREZA (tributários ou não) ,
vencidos e vincendos, do sujeito passivo contra a
Fazenda Pública” . (destaque nosso)

Logo o art. 170 do Código Tributário Nacional NÃO VEDA A
COMPENSAÇÃO do crédito a ser utilizado, decorrente ação judicial
promovida contra a União Federal, cuja a decisão encontra-se transitada em
julgado, com seu débito tributário. Nestas condições.
Ora, o Art. 170 do CTN não distingue entre crédito contra a União
decorrente de tributos ou contribuições, e crédito contra a União não
decorrente de tributos ou contribuições.
Logo, tal distinção não ser feita, como foi, pelo Art. 74 da Lei n°. 9430/96 e,
muito menos, pelo contido na IN/RFB n°. 1300/2012 .
Com efeito, essa dicotomia entre contribuintes, uns que podem compensar
créditos contra a União, decorrentes de tributos e contribuições, enquanto
outros não podem compensar créditos contra a União não decorrentes de
tributos e contribuições é flagrantemente inconstitucional, porque fere um
de seus princípios – o da ISONOMIA.
A respeito deste assunto, somos compelidos a transcrever parte do artigo
“A Compensação como Direito do Contribuinte” de autoria do mestre Hugo
de Brito Machado, onde a matéria é tratada com extrema clareza, senão
vejamos:
“Como a autonomia dos „ramos‟ do Direito é
simplesmente didática, por certo se não existe no Código
Civil tal exclusão também as dívidas tributárias
poderiam ser extintas por compensação,
independentemente de qualquer dispositivo da lei
tributária.
Aliás, a rigor a exclusão da Fazenda Pública, que
implica autorizá-la a exigir o pagamento de um tributo,
mesmo sendo devedora inadimplente do respectivo
contribuinte, é redobrada injustiça, além de ser uma
imoralidade. E sendo assim, a norma excludente é
inconstitucional, porque contraria o art. 3° , inciso I , e o
art. 37 da Constituição Federal .
Segunda Silva Martins, a lei que estipula redução do
direito do contribuinte de fazer compensação, porque
autoriza a inadimplência do Poder Público fere o
princípio da moralidade. Mais razoável, portanto, é
dizer que a exclusão pura e simples desse direito lesiona
a moralidade.”

Desse modo não há que se questionar acerca da natureza e propriedade do
direito creditório, cabendo tão somente ao órgão fazendário dar o devido
processamento ao pedido (DeComp) e extinguir o débito sob condição
resolutiva

Ora, o Código Tributário Nacional, como visto alhures, diz em seu Art. 170
que “a lei pode” autorizar a compensação, e o Código Civil, que é lei
ordinária, disciplina esse importante instituto do direito obrigacional,
estabelecendo no seu Art. 368 que “se duas pessoas forem ao mesmo
tempo credor e devedor uma da outra, as duas obrigações extinguem-se,
até onde se compensarem.”
Por outro lado, a compensação tem fundamento na Carta Cidadã de 1988.
Quando se diz que um direito tem fundamento na Constituição, o que se
está afirmando é que nenhuma norma inferior pode, validamente, negar
esse direito, seja diretamente, seja por via oblíqua, tornando impraticável o
seu exercício.
Assim, a questão de saber se o direito à compensação tem, ou não,
fundamento constitucional é, em outras palavras, a questão de saber se
valem as normas jurídicas inferiores que, de algum modo, inviabilizem a
compensação.
O direito de compensar é decorrência natural da garantia do direito de
crédito, combinada com princípios constitucionais, conforme veremos
adiante.
Seria absurdo pretender que alguém, sendo devedor, e, credor da
mesma pessoa, pudesse exigir daquela o pagamento de seu crédito, sem
que estivesse, também, obrigado a pagar o seu débito. A compensação
é, na verdade, um efeito inexorável das obrigações jurídicas.
Desse contexto, não se pode excluir a União Federal, cuja expressão é usada
para indicar, de modo genérico, a Fazenda Pública Nacional, significando
todas as pessoas jurídicas que compõem a administração pública, pois,
sem distinção, se compreendem na UNIÃO.
A Constituição Federal diz que a República Federativa do Brasil constitui-se
em Estado Democrático de Direito e tem como fundamento, entre outros, a
cidadania ( Art. 1°) .
Coloca entre os princípios fundamentais de nossa sociedade o de construir
uma sociedade livre, justa e solidaria ( Art. 3° , III).
Diz que todos são iguais perante a lei, e que são garantidos os direitos,
entre os quais, à propriedade ( Art. 5° , caput ) .
E estabelece, ainda, que a Administração obedecerá aos princípios que
enumera, entre os quais, o da moralidade.
Vemos que, pelo menos, cinco são os fundamentos que se encontram na
Constituição sustentando o direito à compensação de crédito do
contribuinte com seus débitos tributários.
O primeiro deles, conforme dito alhures, é o da cidadania.
Excluir a Fazenda Pública do contexto em que é admitida a compensação de
créditos é evidente atentado à cidadania.
O Estado que se diz fundado na cidadania não pode atingir de tal forma o
direito do cidadão, pois estará ferindo mortalmente o Estado Democrático
de Direito.
O segundo é o da justiça.
Se um dos objetivos de nossa República é constituir uma sociedade justa,
não se pode compreender que um credor, qualquer que seja ele, venha ser
excluído da regra da compensação.
Isto seria evidente atentado ao Princípio mais elementar de justiça, e o
Estado, certamente, não pode praticá-lo.
O terceiro diz respeito a isonomia.
Se “todos são iguais perante a lei”, não se pode admitir que à Fazenda
Pública seja reservado o privilégio de cobrar o que lhe é devido sem pagar
o que deve.
Não invoque o interesse público em defesa de tese em contrário, pois o
mais fundamental interesse público consiste, precisamente, na preservação
da ordem jurídica, na obediência à Constituição Federal e abolição de
privilégios.
O Estado, enquanto ente soberano, não se confunde com a Fazenda Pública
ou Estado pessoa, titular de relações jurídicas.
Felizmente já está superada a ideia de que o soberano governante pode
ignorar os direitos que ele mesmo prometeu garantir.
Por outro lado a Fazenda Pública vem praticando a compensação de ofício
sempre que é devedora. Compensa até créditos seus que são sabidamente
desprovidos de liquidez e certeza, como é o caso de multas cominadas e
ainda não confirmadas porque ainda não apreciada a impugnação do
contribuinte.
Para finalizar esta questão, há de se transcrever o ensinamento do Mestre
PONTES DE MIRANDA, in Comentários à Constituição de 1946, volume 3,
página 165. Vejamos: “O princípio dirige-se a todos os Poderes do Estado.
É um imperativo para o Legislativo, para a Administração e para a
Justiça. Aliás podem ser explicitados dois princípios: um de igualdade
perante a lei feita e outro na lei a fazer-se. Não só a incidência e a
aplicação que precisam ser iguais. É preciso que seja igual a Legislação”.
Acrescenta o Mestre: “Só existem exceções ao princípio da igualdade de
todos perante a lei , quando a Constituição mesma estabelece.”
Em suma temos que o fundamento imposto ao Poder legislativo, num
comando dirigido para que ele se abstenha de criar desigualdade nas
feituras da lei, cujo o imperativo proíbe tratar desigualmente situações
juridicamente iguais, forjar restrições propositadas, formular, em suma,
discriminação contrária ao direito, e que importem em prejuízo de uns, em
contraste com o que a outros são assegurados em equivalência de
situações.
O quarto é o da propriedade.
O crédito do contribuinte é parcela de seu patrimônio. É sua propriedade!
Antes de qualquer coisa, vale salientar que o aludido direito creditório será
transferido por meio de instrumento público de cessão, conforme norma
preconizada no Art. 286 do CC iv. (“o credor pode ceder seu crédito , se a
isso não se opuser a natureza da obrigação, a lei, ou a convenção com o
devedor; a cláusula proibitiva da cessão não poderá ser oposta ao
cessionário de boa fé, se não constar do instrumento da obrigação” ) .
Não bastasse o dispositivo legal ora transcrito, que autoriza a cessão,
mesmo porque é direito disponível, cujo o fato não encontra qualquer
oposição pelo fato do cessionário vir versar no pólo ativo da relação
processual como assistente litisconsorcial – que torna dispensável a
anuência do devedor – deverá desistir da Liquidação do Julgado ou
Execução para que produza seus devidos e legais efeitos. Desta forma,
resta evidente que a UNIÃO FEDERAL na qualidade de DEVEDORA deverá vir
quitar seu débito junto detentor do pólo ativo de forma pecuniária (via
precatório) ou através de compensação tributária, haja vista que a RFB, por
delegação de competência, é quem administra seus tributos e
contribuições, sendo assim, não há como argumentar que o direito
creditório não é próprio ou que sua origem não possui natureza tributária,
posto que irrelevantes.
Na medida em que não se admite a compensação de créditos ou direitos do
contribuinte com suas dívidas fiscais, se está admitindo o verdadeiro
confisco de seus bens, sabido que é de todos que os contribuintes não
possuem de meios eficazes para fazer valer contra a Fazenda Pública.
b. CAUÇÃO JUDICIAL.

Vislumbramos uma possibilidade que surgiu em decorrência de fato nos
Autos nº. 2002.34.00.031726-3 (Ação Ouricuri), que estamos tratando, que
é a existência de penhora sobre o direito creditório requerida pela PFN,
conforme será demonstrado no tópico seguinte. Note que o Procurador da
Fazenda é textual quando pugna pela reserva do direito creditório “para
que a Fazenda Nacional receba, prioritariamente, seu crédito por
ocasião da expedição do precatório judicial”.

Esta é uma situação bastante favorável, já que se trata de um
reconhecimento da perfeita validade do direito creditório para fim de
satisfação da obrigação tributaria que foi feito pela representação judicial
da Fazenda Nacional.

No caso em testilha, estamos diante da possibilidade concreta de ingressar
com Ação Cautelar de Caução porque existindo crédito fiscal que está
sendo cobrado do contribuinte, embora não ajuizada a execução fiscal, é
possível o ajuizamento da ação cautelar de caução para oferecer bens à
penhora, possibilitando a expedição de certidão positiva com efeitos de
negativa, nos termos do artigo 206 do CTN (Tem os mesmos efeitos previstos
no artigo anterior a certidão de que conste a existência de créditos não
vencidos, em curso de cobrança executiva em que tenha sido efetivada a
penhora, ou cuja exigibilidade esteja suspensa). Para aqueles contribuintes
que encontram-se nesta situação (pré-execução fiscal), o remédio para
solução da situação é este.

Será buscada através da ação em comento a concessão da medida liminar,
nos termos do inciso V, do Art. 156, do CTN, que assim dispõe, in verbis:

"Art. 151 - Suspendem a exigibilidade do crédito
tributário:
I - moratória;
II - o depósito do seu montante integral; III - as
reclamações e os recursos, nos termos das
leis reguladoras do processo tributário administrativo;
IV - a concessão de medida liminar em mandado
de segurança;
V- a concessão de medida liminar ou de tutela
antecipada, em outras espécies de ação judicial;
VI o parcelamento."

A suspensão da exigibilidade do crédito tributário (que implica óbice à
prática de quaisquer atos executivos), encontra-se taxativamente
prevista no art. 151 do Codex Tributário, sendo certo que a concessão de
tutela antecipada viabiliza a expedição de Certidão Positiva com efeitos de
Negativa (CPD-EN).

Forçoso concluir que enquanto suspensa a exigibilidade do
crédito tributário com base na concessão de tutela antecipada (art. 151, V,
do CTN), não pode o fisco negar o fornecimento de certidão positiva de
débitos, com efeito de negativa, de que trata o art. 206 do Diploma Legal
alhures citado.

Nesse sentido nossos Tribunais Pátrios se pronunciam da seguinte forma:

"TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL. DISSÍDIO
PRETORIANO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇAO.
ART. 111 DO CTN. PREQUESTIONAMENTO.
INOCORRÊNCIA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. EXIGIBILIDADE
SUSPENSA. ANTECIPAÇAO DETUTELA. ART. 151,
INCISO V, DO CTN. CERTIDAO POSITIVA DE DÉBITO COM
EFEITO DE NEGATIVA.
ART. 206 DO CTN. FORNECIMENTO. POSSIBILIDADE.
1. Pela alínea c, o recurso especial não ultrapassa a
etapa de conhecimento, visto que a recorrente não
comprovou o dissídio pretoriano nos termos legais e
regimentais, deixando de cumprir as formalidades
encartadas no art. 541, parágrafo único, do CPC
e art. 255, 1º, alínea a, do RISTJ para a demonstração
da divergência.
2. No concernente à apontada ofensa ao
art. 111 do CTN, verifica-se que o Tribunal a quo não
decidiu a controvérsia à luz desse dispositivo legal, nem
a recorrente apresentou embargos de declaração com o
com o fito de instar debate sobre a correspondente
questão, de modo que são aplicáveis, nesse ponto, os
óbices das Súmulas 211/STJ, 282/STF e 356/STF.
3. Suspensa a exigibilidade do crédito tributário
pela concessão de tutela antecipada (art. 151,
inciso V, do CTN), nada obsta o fornecimento de
certidão positiva de débito com efeito de negativa
(art. 206 do CTN).
4. Recurso especial improvido ."
(REsp 718.304/RS, Rel. Min. Castro Meira, Segunda Turma, julgado em
18.10.2005, DJ 7.11.2005, p. 228.)

“CERTIDÃO POSITIVA COM EFEITOS DE NEGATIVA.
CAUÇÃO PARA GARANTIR O CRÉDITO DA FAZENDA
PÚBLICA.
Cuida-se de agravo de instrumento interposto contra
decisão proferida em ação cautelar, nas seguintes
letras:
„... A questão trazida à apreciação do Juízo diz respeito
a situação em que o contribuinte, inconformado com a
decisão administrativa, pretendendo impugná-la, está
impedido de fazê-lo porque os procedimentos de
inscrição em dívida ativa e o conseqüente ajuizamento
da ação fiscal com a penhora de bens tardam a
acontecer.
Nesse intervalo de tempo, fica a empresa impedida de
obter certidão positiva com efeitos de negativa, o que
sem dúvida traz consideráveis prejuízos a sua vida
negocial. Com esta ação está o devedor a reservar bens
suficientes ao pagamento total da dívida, em face da
execução, porém antes da penhora, a qual está, neste
momento impedido de fazer. E, desse modo, afasta
qualquer intenção fraudulenta em face do Fisco (artigo
185 do CTN, parágrafo único).
Assim, tenho que a presente ação de caução é meio
adequado para garantir o crédito tributário da Fazenda
Pública e com isso garantir à demandante a obtenção
da certidão positiva de débitos com efeitos de negativa,
nos termos do artigo 206 do CTN, desde que outros
créditos tributários não tenham sido lançados, exceto
aqueles mencionados na inicial, procedimentos
administrativos de nºs . 11080.003.675/00-49 e 11080-
003.673/00-13. Com fundamento nos artigos 829 c/c o
827 e 828, todos do CPC, defiro a liminar para
autorizar a prestação de caução do bem móvel descrito
na inicial e determinar à União (FN) o fornecimento à
autora de certidão positiva de débito com efeito de
negativa.
Destarte, nada impede que o mesmo benefício possa ser
alcançado
pelos que não tenham contra si ajuizada a execução
fiscal, desde que
antecipada a garantia em Juízo por meio de caução,
sendo esta a hipótese dos autos. Portanto, em função do
princípio da instrumentalidade e efetividade do
processo, devem ser recebidos os bens oferecidos.”

(TRF 4ª Região, AG nº 2001.04.01020922-3/RS, Rel. Desembargador Federal
ÉLCIO PINHEIRO DE CASTRO, DJ 7.6.2001, p. 631)

Não obstante as previsões legais, que resguardam o direito do contribuinte
durante o curso do processo administrativo-tributário e da ação executiva
fiscal (nesta, após a garantia do juízo pela penhora), há um período de
tempo – que se inicia com o encerramento do processo administrativo e se
prolonga até o ajuizamento da execução fiscal e lavratura do respectivo
termo de penhora – no qual o contribuinte fica desacobertado, é dizer, sem
poder renovar sua certidão com efeitos negativos perante o Poder Público.

De fato, encerrada a fase administrativa de discussão do crédito tributário
e apurado tributo a pagar, o débito é inscrito em dívida ativa pela PFN.
Todavia, muitas vezes, o processo administrativo-tributário é
desrespeitado, onde é imposta a imediata inscrição do débito em dívida
ativa, que torna iminente o ajuizamento da execução fiscal.

Repise-se que, uma vez encerrada a esfera administrativa, o contribuinte
deixa de fazer jus à renovação de sua certidão com efeitos negativos até o
momento em que, proposta a execução fiscal, tenha sido lavrado o
competente termo de penhora, garantindo integralmente o juízo.

Ocorre que o prazo prescricional para ajuizamento da execução por parte
da Fazenda Pública é de 05 (cinco) anos, contados do encerramento do
processo administrativo, nos termos do art. 174, caput, do Código
Tributário Nacional, in verbis:

“Art. 174. A ação para a cobrança de crédito tributário
prescreve em 5 (cinco) anos, contados da data da sua
constituição definitiva.”

O prazo de cinco anos justifica-se: muitas vezes os órgãos públicos
competentes não dispõem da estrutura necessária para o ajuizamento e
acompanhamento de todas as execuções fiscais logo após o encerramento
da esfera administrativa. O problema reside em que, no intervalo entre o
encerramento da esfera administrativa e a lavratura do termo de penhora
na execução fiscal, o contribuinte fica desguarnecido , vendo-se
impossibilitado de renovar sua CPDEN perante o Poder Público, salvo se
conseguir decisão liminar suspendendo a exigibilidade do crédito
tributário, o que será buscado através da Ação Cautelar de Caução , onde
será entregue à Fazenda Nacional o direito creditório para que esta venha
receber por ocasião da expedição do precatório judicial , com fulcro no art.
151, V , do CTN , conforme já requerido pela PFN nos Autos nº. 0031662-
31.2002.4.01.3400, atual numeração do 2002.34.00.031726-3.

c. GARANTIA DE EXECUÇÃO FISCAL

Outra situação que resta patente a utilização é em esfera de Execução Fiscal
para garantia da mesma e oposição de Embargos. Tanto para os débitos
gerados pela Receita como aqueles constituídos pela Previdência.

Tal afirmação adentra ao mundo “concreto” em razão de existir penhora
no rosto dos Autos determinada via Carta Precatória oriunda da 5ª Vara
Federal da Seção Judiciária em Alagoas , cujo o ato de constrição foi
pugnado pela Fazenda Nacional (PFN) . Para demonstrar a possibilidade real
de seu aproveitamento e dos argumentos aqui colacionados apresenta – se
o extrato de informação processual do Juízo Deprecante .


Processo: 2002.34.00.031726-3
Nova Numeração: 0031662-31.2002.4.01.3400
Classe: 156 - CUMPRIMENTO DE SENTENÇA
Vara: 15ª VARA FEDERAL
Juiz: JOÃO LUIZ DE SOUSA
Data de Autuação: 02/10/2002
Distribuição: 3 - DISTRIBUICAO POR DEPENDENCIA (02/10/2002)
Nº de volumes: 23
Assunto da Petição:
1070100 - CONTROLE DE PREÇOS - INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO
ECONÔMICO – ADMINISTRATIVO
Observação:

Localização: EXEC. - EXEC.
Principal: 96.00.16761-3

Movimentação
Data Cod Descrição Complemento
13/09/2013
11:07:04
208
PENHORA
ORDENADA
INSCRICAO
PRENOTAÇÃO DE PENHORA - CARTA
PRECATÓRIA 44100-06.2013 - 5ª VARA SJ
ALAGOAS
28/08/2013
16:17:14
218
RECEBIDOS EM
SECRETARIA
SEM PETIÇÃO (COM 21 VOLUMES DE ANEXOS)
27/08/2013
17:43:45
126
CARGA:
RETIRADOS
ADVOGADO(S)
(OUTROS)
CONFORME COGER 68 (SAIU COM 21 VOLUME DE
ANEXOS) - ADVG:DF0012743E GUILHERME DA
SILVA FREITAS FERRER TELEFONE:21078900
DATA DEVOLUÇÃO:02/09/2013
22/08/2013
16:16:53
218
RECEBIDOS EM
SECRETARIA
SEM PETIÇÃOI
22/08/2013
15:53:04
126
CARGA:
RETIRADOS
ADVOGADO(S)
(OUTROS)
ADVG:RJ00063169 CLIMERIO DA SILVA A DE
ALENCAR TELEFONE:3364-3197 DATA
DEVOLUÇÃO:27/08/2013
12/08/2013
14:34:30
218
RECEBIDOS EM
SECRETARIA
SEM PETIÇÃO
12/08/2013
14:23:18
126
CARGA:
RETIRADOS
ADVOGADO(S)
(OUTROS)
CARGA COGERQ - ADVG:DF00024212
COSMEVALDO RAMOS DA SILVA TELEFONE:3352-
6782 DATA DEVOLUÇÃO:12/08/2013


Resta patente que o próprio órgão exeqüente INDICOU à penhora o direito
creditório em análise, provando desta forma que não há como sua
indicação ser rejeitada pela exequente quando indicada pelo(a)
executado(a), pelo de ser direito próprio (adquirido via instrumento
público de cessão) e existir precedente de utilização para este fim, onde
o próprio credor o indicou para satisfação de seu crédito.

Portanto, qualquer objeção neste sentido seria TOTAL INCONGRUÊNCIA
do exeqüente de indicar o direito à penhora e quando ofertado pelo
executado vir recusá–lo. Sem dúvida alguma, isso ocorrendo,
proporcionará uma “bela” batalha jurídica, mas com concretas chances de
êxito, posto que os casos apresentados representam apenas uma pequena
parte do que foi pugnado pela RFB, levando em conta, principalmente, o
fato de que a execução deve correr do modo menos danoso para o devedor.

3. DA CONCLUSÃO.

Pelo exposto e CONSIDERANDO que:

I. A DECISÃO COSNTITUTIVA DO DIREITO CREDITÓRIO
ENCONTRA-SE TRANSITADA EM JULGADO DESDE 12/2000;

II. PELA CESSÃO DO DIREITO E SUA COMUNICAÇÃO AO JUÍZO
CONDUTOR DO FEITO, A TITULARIDADE SOBRE ELE ESTARÁ
CARACTERIZADA;

III. A UNIÃO FEDERAL FOI CONDENADA A RESSARCIR O
TITULAR DO DIREITO, QUE DEVERÁ SER ESPÉCIE OU
TÍTULOS;

IV. PARA EFEITO DE COMPENSAÇÃO, A LIMITAÇÃO DA
NATUREZA DO TÍTULO É ABUSIVA e

V. EXISTEM PRECEDENTES DE PENHORA DE DIREITO
CREDITÓRIO DA MESMA NATUREZA, REQUERIDA PELA PGFN,

CONCLUI-SE que

Onde quer que se pretenda utilizar o direito creditório aqui mencionado,
teremos uma ampla área para discussão, posto que a situação está
revestida de TODA SEGURANÇA JURÍDICA para o Contribuinte utilizante,
já que sua situação de regularidade fiscal estará plenamente garantida pela
solidez contida nos ordenamentos, doutrinas e jurisprudência Pátrios.

Assim sendo, salvo melhor juízo, esta é nossa visão quanto ao
aproveitamento do direito creditício e a segurança que reveste a situação.

São Paulo – SP, quarta-feira, 7 de maio de 2014.


Helder Vasconcellos Jr.
Advogado