ÍNDICE

UNIDADE I – ESPAÇO HUMANO
CAPÍTULO 01 – DEMOGRAFIA BRASILEIRA................................................................................................................................................................07
1) A população brasileira
1.1) O povo brasileiro
1.2) Os fluxos migratórios no Brasil
1.2.1) Os principais movimentos Internos e a emigração
1.2.2) As formas de migração no Brasil
1.3) A emigração
1.4) Taxas ou índices demográficos
1.4.1) Taxa ou índice de natalidade
1.4.2) Taxa ou índice de mortalidade
1.4.3) Crescimento vegetativo e transição demográfica
1.4.4) Taxa ou índice de mortalidade infantil
1.5) A estrutura da população brasileira
1.6) A População Economicamente Ativa (PEA) e a distribuição de renda no Brasil
1.7) Índice de Desenvolvimento Humano (IDH)
Exercícios
CAPÍTULO 02 – URBANIZAÇÃO BRASILEIRA...............................................................................................................................................................24
2) O que é urbanização
2.1) Urbanização no Brasil
2.1.1) Características da urbanização brasileira no século XX
2.2) A urbanização nas regiões brasileiras
2.3) A metropolização
2.3.1) A desmetropolização
2.4) As regiões metropolitanas
2.5) Rede e Hierarquia urbana
2.6) Terciarização das cidades
2.7) Os problemas urbanos brasileiro
Exercícios
UNIDADE II – ESPAÇO ECONÔMICO
CAPÍTULO 03 – INDUSTRIALIZAÇÃO BRASILEIRA.........................................................................................................................................................35
3) Industrialização
3.1) Surgimento da indústria no Brasil
3.1.1) Fatores favoráveis
3.2) A cronologia industrial brasileira
3.2.1) Do século XIX até a Revolução de 1930
3.2.2) A Indústria na era Vargas
3.2.3) JK e o Plano de Metas
3.4) O tripé industrial brasileiro
3.5) O milagre econômico brasileiro
3.5.1) A década perdida
3.6) A concentração e relativa desconcentração industrial brasileira
3.6.1) A concentração industrial no Brasil: O Sudeste brasileiro
3.6.2) Região Metropolitana de São Paulo ou Grande São Paulo
3.6.3) Região Metropolitana do Rio de Janeiro ou Grande Rio
3.6.4) Região Metropolitana de Belo Horizonte ou Grande Belo Horizonte
3.7) A desconcentração da atividade industrial no Brasil
3.8) O modelo de industrialização dependente
Exercícios
CÁPÍTULO 04 – COMÉCIO EXTERIOR........................................................................................................................................................................48
4) Comércio internacional
4.1) O MERCOSUL
Exercícios
CAPÍTULO 05 – O ESPAÇO AGRÁRIO......................................................................................................................................................................57
5) Evolução da propriedade agrária no Brasil: estruturas fundiárias
5.1) Plano nacional de reforma agrária de 1985
5.2) Agricultura brasileira
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5.2.1) Principais problemas relacionados aos solos:
5.2.2) Principais tecnologias de uso dos solos:
5.2.3) Modos de exploração da terra
5.3) Relações de trabalho no campo
5.4) Problemas da agricultura brasileira
5.4.1) A reforma agrária na constituição
5.4.2) Movimento dos sem-terra
5.5) O traiçoeiro ataque da doença da miséria
5.5.1) Como surgem os nanicos
5.6) A subordinação do campo à cidade
5.7) O futuro do agronegócio no Brasil depende da adoção da biotecnologia na agricultura
5.7.1) O futuro da agricultura brasileira
5.7.2) O agrobusiness no Brasil
5.7.3) Transgênicos no Brasil
5.8) A produção agropecuária brasileira
5.8.1) A agricultura
5.8.2) A pecuária
Exercícios
CAPÍTULO 06 – A REDE DE TRANSPORTE E COMUNICAÇÃO BRASILEIRA, SUA ESTRUTURA E EVOLUÇÃO..................................................................................72
6) Transportes
6.1) História dos transportes no Brasil
6.2) O transporte rodoviário no Brasil
6.2.1) O rodoviarismo e a integração regional
6.2.2) As rodovias brasileiras
6.3) O Transporte ferroviário no Brasil
6.4) O transporte hidroviário no Brasil
6.4.1) A navegação costeira
6.4.2) A navegação internacional
6.4.3) corredores de exportação
6.5) O transporte aéreo no Brasil
6.6) Comunicações
6.6.1) Internet
Exercícios
UNIDADE III - ESPAÇO NATURAL
CAPÍTULO 07 – ESPAÇO BRASILEIRO.......................................................................................................................................................................85
7) Espaço Geográfico Brasileiro
7.1) Macrorregiões
7.2) Amazônia no Espaço Brasileiro
7.3) A Estratégia de Ocupação da Amazônia
7.4) Geopolítica de Fronteiras
7.4.1) Amazônia
7.4.2) Nordeste
Exercícios
CAPÍTULO 08 – GEOLOGIA, MINERAÇÃO E ENERGIA....................................................................................................................................................97
8) A Superfície Terrestre
8.1) A Crosta Terrestre
8.2) As Placas Tectônicas
8.3) A Estrutura Geológica do Território Brasileiro
8.4) Mineração
8.5) Exploração do Petróleo
8.6) Carvão Mineral
8.7) Gás Natural
Exercícios
CAPÍTULO 09 – RELEVO.....................................................................................................................................................................................108
9) Relevo Brasileiro
9.1) As Feições e Classificações do Relevo Brasileiro
Exercícios
CAPÍTULO 10 – CLIMA.......................................................................................................................................................................................117
10) Características do Clima Brasileiro
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10.1) Temperatura
10.2) Massas de Ar que atuam no Brasil
10.3) A Distribuição das Chuvas
Exercícios
CAPÍTULO 11 – VEGETAÇÃO E EXTRATIVISMO VEGETAL.............................................................................................................................................126
11) Vegetação do Brasil
11.1) Aspectos Morfoclimáticos do Território Brasileiro
11.1.1) Os Domínios das Terras Baixas Florestadas da Amazônia
11.1.2) Os Domínios dos Chapadões Centrais Recobertos por Cerrados, Cerradões e Campestres.
11.1.3) Os Domínios dos Planaltos das Araucárias
11.1.4) Domínio das Pradarias Mistas do Rio Grande do Sul
11.1.5) Os Domínios dos Mares de Morros Florestados
11.1.6) Os Domínios dos Semi-Áridos do Nordeste
11.2) Aspectos Biogeográficos do Território Brasileiro
11.2.1) Formações Florestais
11.2.1.1) Floresta Latifoliada Equatorial
11.2.1.2) Floresta Latifoliada Tropical
11.2.1.3) Floresta Aciculifoliada Subtropical
11.2.1.4) Mata dos Cocais
11.3) Formações Complexas
11.4) Formações Herbáceas
11.5) Formações Litorâneas
11.6) Áreas ou Unidades de Conservação da Natureza
Exercícios
GABARITO.......................................................................................................................................................................................................141
BIBLIOGRAFIA...................................................................................................................................................................................................142
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UNIDADE I – ESPAÇO HUMANO
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DEMOGRAFIA BRASILEIRA
A Demografia é uma área da ciência geográfica que estuda a dinâmica populacional humana. O seu objeto de estudo engloba as di-
mensões, estatísticas, estrutura e distribuição das diversas populações humanas. Estas não são estáticas, variando devido à natalidade,
mortalidade, migrações e envelhecimento. A análise demográfica centra-se também nas características de toda uma sociedade ou um
grupo específico, definido por critérios como a educação, a nacionalidade, religião e pertença étnica.
1) A população brasileira
1.1) O povo brasileiro
O ano de 1889 pode ser considerado um marco significativo para os estudos geográficos da população brasileira. Foi a partir desta data,
com a consolidação da República e a separação entre o Estado e a Igreja, que se implantou o registro civil obrigatório. Tal fato possibilitou
a tomada por parte do Estado, do controle dos registros de nascimentos, mortes e casamentos, até então sob o controle da Igreja.
Mas, foi a partir de 1938, com a criação do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), que foram feitos alguns recenseamentos,
ainda de forma irregular. Só em 1940, o Brasil começou a realizar este procedimento a cada 10 anos. Observe a tabela com dados sobre
a evolução da população. Nota-se que falta o ano de 1990, que de acordo com as autoridades competentes deveu-se a falta de recursos
financeiros, sendo realizado então em 1991(ROSS, 1998).
A evolução da População Brasileira
ANO POPULAÇAO
1872 9930478
1890 14333915
1900 17438434
1920 30635605
1940 41236315
1950 51944397
1960 70119071
1970 93139037
1980 119070865
1991 146155000
Fonte: ROSS (1998).
A população brasileira formou-se de três matrizes étnicas básicas: a indígena, a europeia e a africana. Cada matriz era composta por
várias etnias, principalmente a indígena e a africana, com diversidade linguística, o que possibilitou grande variedade cultural ao país.
Observe a tabela a seguir.
População por cor e raça
Cor ou raça 1950 1980 1996
Branca 61,7 54,7 55,24
Negra 11,0 5,9 5,97
Parda 26,5 38,5 38,19
Amarela 0,6 0,6 0,42
Ídigina - - 0,16
Sem declaração 0,2 0,3 00,2
É importante salientar que, fatores como a proibição do tráfico negreiro (1850), a elevada mortalidade da população africana, o forte
estímulo da imigração europeia na época da expansão cafeeira, além da intensa miscigenação de brancos com negros, alteraram profun-
damente a composição étnica brasileira.
A intensa miscigenação (cruzamento inter-racial) dos grupos étnicos formadores da população brasileira deu origem aos mestiços
ou pardos. Observando que a miscigenação no período colonial, principalmente de portugueses (brancos) com africanos (negros), é que
explica o crescimento do contingente de mulatos (COELHO E TERRA, 2005).
Classificando a população quanto à cor da pele, têm-se os seguintes dados:
3 Os indígenas estão reduzidos a cerca de 0,4% da população do Brasil, resultado do etnocídio (destruição da própria cultura) extin-
guindo muitas nações indígenas.
3 Os negros representam 6% da população total.
3 Os brancos representam 53,8%.
3 Os mestiços (pardos) representam 39,1% da população brasileira.
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1.2) Os fluxos migratórios no Brasil
1.2.1) Os principais movimentos internos e a emigração
O processo de migração constitui-se no ato de a população deslocar-se espacialmente, ou seja, tanto de um país para outro como
também na troca de estado, região, município ou até de domicílio. As migrações acontecem por diferentes fatores, tais como: religiosos,
psicológicos, sociais, econômicos, políticos e ambientais.
Segundo Coelho e Terra (2005), o Brasil que é um país relativamente novo, muito extenso, com regiões pouco povoadas, rico em re-
cursos naturais, tem se caracterizado pela intensidade dos movimentos migratórios, principalmente a imigração e as migrações internas.
A imigração no Brasil pode ser compreendida em três períodos:
3 (1808 – 1850)
33 Imigração pequena graças ao desinteresse das pessoas em imigrar para um país de regime escravagista.
33 Entre 1808 (vinda da família real e assinatura do decreto que oficializou a imigração) e 1850 o governo implantou várias
colônias, em geral no sul do país, com a finalidade de garantir a posse dessa área, até então despovoada e cobiçada pelos espanhóis.
3 (1850 – 1934)
33 Mais importante e extenso, uma vez que, em 1850 houve a proibição do trafico negreiro (Lei Eusébio de Queiroz).
33 Rápida expansão da cafeicultura e consequente necessidade de mão de obra, do emprego do sistema de trabalho assalaria-
do, dos incentivos do governo e dos fazendeiros de café e da abolição da escravidão em 1888.
3 (após 1934)
33 Diminuição progressiva da imigração, por causa da crise da cafeicultura e da criação de leis que restringiram a entrada de
imigrantes (Lei de Cotas da Imigração – 1934).
33 A Segunda Guerra Mundial e a posterior recuperação da Europa que provocou a reorientação dos fluxos migratórios.
Fonte: www.google.com.br (acesso em 2011).
A migração interna acontece quando o deslocamento de pessoas acontece dentro de um mesmo território, que pode ser entre regiões,
estados e municípios. Este deslocamento não altera o número total de habitantes de um país e sim das regiões envolvidas nesse processo.
Para Coelho e Terra (2005), os principais movimentos migratórios internos no Brasil atenderam aos ciclos econômicos (cana-de-açúcar,
mineração, borracha e café), a política de ocupação do interior do país (frentes pioneiras, Marcha para Oeste, etc) e ao processo de indus-
trialização (êxodo rural). Até o século XVII, quase toda a população estava concentrada nas áreas litorâneas. O primeiro ciclo econômico a
transferir milhares de pessoas para o interior do país foi o da mineração.
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Outro ponto a ser observado sobre os movimentos migratórios é o dos fluxos de retorno, principalmente para o Nordeste: entre 1995
e 2000, 48,3% das saídas do Sudeste se dirigiram ao Nordeste. Entre 1986 e 1991, a porcentagem foi de 42,5%. Apesar desse retorno de
migrantes, os estados que apresentam maior emigração continuam sendo os nordestinos, principalmente da Paraíba, Piauí, Bahia e Per-
nambuco.
A tabela a seguir mostra que o Centro-Oeste possui o menor percentual de residentes nascidos na região, 69%. Isso significa que 31%
de seus moradores são migrantes. Já no Nordeste, apenas 2,8% dos moradores nasceram em outras regiões.
Distribuição percentual da população residente,
por região de residência atual e região de nascimento – 2001
Região de Nascimento
Região de residência atual (%)
Norte Nordeste Sudeste Sul Centro-Oeste
Norte 82,0 0,4 0,3 0,1 2,2
Nordeste 10,5 97,2 9,2 1,1 12,0
Sudeste 3,1 1,8 87,2 4,1 11,3
Sul 1,9 0,2 2,2 93,9 5,2
Centro-Oeste 2,3 0,3 0,7 0,4 69,0
Sem declaração 0,2 0,1 0,6 0,4 0,3
Analisando a história brasileira, percebemos que os movimentos migratórios internos estão associados a fatores econômicos desde o
tempo da colonização:
3 O ciclo da cana-de-açúcar no Nordeste e quando se iniciou o do ouro em Minas Gerais, houve um enorme deslocamento de pessoas e um
intenso processo de urbanização no novo centro econômico do país.
3 Com o ciclo do café e com o processo de industrialização, o eixo Rio-São Paulo se tornou o grande pólo de atração de migrantes, que saíam
de sua região de origem em busca de emprego ou de melhores salários.
3 A partir da década de 1970, com o processo de desconcentração da atividade industrial e a criação de políticas públicas de incentivo à
ocupação das regiões Norte e Centro-Oeste, a migração em direção ao Sudeste começou a apresentar significativa queda.
Qualquer região do país que receba investimentos produtivos, públicos ou privados, que aumente a oferta de emprego, receberá
também pessoas dispostas a preencher os novos postos de trabalho. As cidades médias e grandes do interior – como Campinas, Ribeirão
Preto, São José dos Campos, Sorocaba e São José do Rio Preto – apresentam índices de crescimento econômico maiores que os da Grande
São Paulo, o que gera crescimento populacional. Essa situação ocorreu graças ao desenvolvimento dos sistemas de transportes, energia e
comunicações, que integraram o interior do estado não só ao país, mas ao mundo. Boa parte da produção econômica estadual é destinada
ao mercado externo.
Atualmente, São Paulo e Rio de Janeiro são as capitais que menos crescem no Brasil. Em primeira posição, figuram algumas capitais
de estados da região Norte, com destaque para Palmas (TO), Macapá (AP), e Rio Branco (AC), localizadas em áreas de grande expansão das
atuais fronteiras agrícolas do país. Em seguida, vêm as capitais nordestinas e, finalmente, as do Sul do Brasil.
1.2.2) As formas de migração no Brasil
O processo de urbanização, de certa forma, foi acelerado no Brasil. Em 1920, 10% da população brasileira vivia nas cidades e cinquenta
anos depois, em 1970, a população urbana passou para 55,9%. Em 2000, 81,22% da população brasileira já viviam nas cidades. Essa urba-
nização acelerada foi motivada, em grande parte pelo êxodo rural.
Êxodo rural
Saída da população do campo para as cidades
É importante lembrar que, na maioria dos casos, esses migrantes se deslocaram para as cidades em condições muito precárias, conse-
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quência de uma política agrária que modernizou o trabalho no campo e concentrou a posse da terra. Esse processo ocorreu associado a
uma industrialização que permanecia concentrada nas principais regiões metropolitanas, que, por isso, tornavam-se áreas atrativas.
No entanto, como as cidades receptoras desse enorme contingente populacional não obtiveram investimentos públicos suficientes
em obras de infra-estrutura urbana passaram a crescer desmedidamente, com acelerada construção de submoradias e surgimento de lo-
teamentos em suas periferias, sobretudo ao redor de bairros industriais. Esse processo reduziu os vazios demográficos que existiam entre
uma cidade e outra e levou à formação de regiões metropolitanas, conjuntos de cidades com forte interação socioeconômica, nas quais
ocorre deslocamento diário da população entre os municípios, movimento conhecido como migração pendular. Para quem faz esse mo-
vimento diário entre moradia e local de trabalho, a reestruturação dos transportes coletivos é urgente.
Migração pendular
Pendulares são movimentos periódicos, porém diários. São executados pelas massas de trabalha-
dores que saem da periferia para o centro e vice-versa, ou das cidades-dormitório para os grandes
centros comerciais, de serviços ou mesmo industriais. É denominado também communting.
1.3) A emigração
A emigração é a saída espontânea de pessoas de uma região para outra. Este movimento ocorre por diferentes motivos, como: busca
por melhores condições de vida, procura de emprego, fuga de uma área de desastre natural ou existência de guerra. A partir da década
de 1980 o Brasil começou a se tornar um país com fluxo imigratório negativo, sendo o número de emigrantes maior que o de imigrantes
(veja a tabela).
Muitos brasileiros têm se transferido para os Estados Unidos, Japão e Europa (especialmente Portugal, Itália e Alemanha), entre outros
destinos, em busca de melhores condições de vida, já que os salários pagos no Brasil são muito baixos se comparados aos desses países, e
os índices de desemprego e subemprego são elevados. Há também um grande número de brasileiros estabelecidos no Paraguai, quase
todos os produtores rurais que para ali se dirigiram estavam em busca de terras baratas e de uma carga tributária muito menor que a bra-
sileira. Como a maioria dos emigrantes entra clandestinamente nos países a que se dirigem, há estimativas precárias sobre o volume total
do fluxo migratório.
Os principais fatores responsáveis pela migração de brasileiros para o Paraguai fo-
ram os seguintes:
3 Oferta de terras a preços muito inferiores aos existentes no sul do Brasil;
Facilidades de crédito, oferecido pelo governo paraguaio, para o plantio e a colheita da produção agrí-
cola;
3 Impostos de exportação dos produtos agrícolas (café, soja etc) muito inferiores aos do Brasil;
3 Interesse dos capitalistas brasileiros em realizar investimentos no Paraguai (compra de ter-
ras, extração de madeira etc.);
3 Expansão capitalista na agricultura do sul do Brasil (soja etc), acarretando desemprego e
expropriação dos pequenos produtores agrícolas;
3 Maior aproximação político-econômica entre Brasil e Paraguai, a partir da década de 1970
(construção da usina de Itaipu, da rodovia que liga Assunção ao Porto de Paranaguá no Paraná
etc.);
1.4) Taxas ou índices demográficos
1.4.1) Taxa ou índice de natalidade
Ainda que esteja entre as mais elevadas, essa taxa experimenta nítida redução nos últimos anos. São fatores determinantes dessa
redução, após 1970:
3 Casamentos tardios, especialmente no meio urbano, diminuindo assim a média de filhos por família;
3 Elevado custo de criação e socialização dos filhos nas áreas urbanas;
3 Integração da mulher no mercado de trabalho e restrições à gravidez por parte dos empregadores;
3 Maior acesso a métodos anticoncepcionais ou contraceptivos, como pílulas, ligaduras etc.
1.4.2) Taxa ou índice de mortalidade
A taxa de mortalidade experimenta forte declínio, especialmente a partir de 1940. Tal fato é explicado pelos seguintes fatores:
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3 Maior acesso à assistência médica, especialmente nas cidades, onde vive a maior parte da população;
3 Desenvolvimento e avanços da medicina preventiva, especialmente com a difusão das campanhas de vacinação gratuita, que atinge
principalmente a população das cidades;
3 Melhoria no saneamento básico, que, embora seja deficiente mesmo nas grandes cidades, ainda é melhor do que no meio rural.
1.4.3) Crescimento vegetativo e transição demográfica
Poucos países conheceram um crescimento populacional tão grande e rápido como o do Brasil nos últimos 120 anos (Coelho e Terra,
2005). Fato acontecido em razão do constante aumento populacional, principalmente a partir de 1960, intensificando-se nas últimas déca-
das. O Brasil atualmente ocupa a quinta posição dos países mais populosos do planeta, ficando atrás apenas da China, Índia, Estados Unidos
e Indonésia. No último Censo Demográfico (2010), realizado pelo IBGE, a população brasileira atingiu a marca de 190.755.799 habitantes.
O crescimento populacional de um determinado lugar acontece a partir de dois fatores: a migração (entrada e saída de pessoas do
lugar) e o crescimento vegetativo (relação entre as taxas de natalidade e as de mortalidade). No Brasil, até a década de 1930 o crescimento
populacional foi muito influenciado pela imigração, a partir de então, ele passou a depender quase que exclusivamente do crescimento
vegetativo (COELHO e TERRA, 2005).
Assim, observa-se que se a taxa de natalidade é maior que a de mortalidade, tem-se um crescimento vegetativo positivo; caso contrá-
rio, o crescimento é negativo; e quando as duas taxas são equivalentes, o crescimento vegetativo é nulo. Como exemplo cita-se o lento
crescimento populacional entre 1872 e 1940, explicado pela combinação de elevadas taxas de natalidade (ausência de práticas anticon-
cepcionais e do grande contingente de população rural) e também elevadas taxas de mortalidade, principalmente infantil (precariedade
das condições médicos-hospitalares e higiênico-sanitárias).
No Brasil, o crescimento vegetativo é o principal responsável pelo aumento populacional, já que os fluxos migratórios ocorreram de
forma mais intensa entre 1800 e 1950. Nesse período, a população brasileira totalizava 51.944.397 habitantes, bem longe dos dados atuais
que totalizam 190.755.799. Mas, nos últimos anos houve uma explosão demográfica no Brasil e o país teve um aumento de aproximada-
mente 130 milhões de pessoas. No período de 1991 a 2005, a população brasileira teve um crescimento próximo a 38 milhões de indivídu-
os. No entanto, acompanhando uma tendência mundial, o crescimento demográfico brasileiro vem sofrendo reduções nos últimos anos.
A população continuará aumentando, porém as porcentagens de crescimento estão caindo.
É importante citar que fatos como a urbanização, o planejamento familiar, a utilização de práticas anticoncepcionais e a queda da fe-
cundidade da mulher são fatores que contribuem para a redução do crescimento populacional. A queda na taxa de fecundidade é uma das
principais características da transição demográfica brasileira, uma vez que, nos anos 60, as mulheres brasileiras tinham uma média de 6,3
filhos, atualmente essa média é de 2,3 filhos, que está abaixo da média mundial, que é de 2,6. Além disso, as mulheres passaram a participar
mais da vida econômica do país.
Segundo estimativas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2050 a população brasileira será de aproximadamente
259,8 milhões de pessoas, apresentando uma taxa de crescimento vegetativo de 0,24%, o que é diferente da década de 1950, que apresen-
tou uma taxa de crescimento vegetativo positivo de 2,40%.
Porém, apesar da diminuição no crescimento vegetativo, a população do Brasil não irá reduzir rapidamente, já que a expectativa de
vida está aumentando, graças ao desenvolvimento de novas tecnologias medicinais, além da busca por uma medicina preventiva, o que
não ocorria com tanta frequência nas décadas anteriores. Acontecerá sim, o envelhecimento da população.
Adap.: BRASIL, em números, Rio de Janeiro: IBGE, 2003. P72, ANUÁRIO estatístico do Brasil, 2000.
A transição demográfica é a fase intermediária no ciclo evolutivo da população. Caracteriza -se pela passagem de taxas elevadas de
mortalidade e de fecundidade para as mais baixas. Os dados do censo demográfico de 2000 fornecidos pelo IBGE indicam que o Brasil
continua realizando sua transição demográfica, ou seja, saindo da segunda fase e entrando no terceiro período de evolução, no início do
século XXI. Apresentou, em 1999, taxas de natalidade e de mortalidade de 21,2‰ e 6,9‰, respectivamente, o que resulta em um cresci-
mento médio de 1,4% ao ano. Por volta do ano 2050, estará completando o seu ciclo demográfico. A queda de fecundidade é uma das
principais características da transição demográfica brasileira. No Brasil, esta taxa caiu de 6,2% em 1940, para 2,3% em 1999. Além de ter
menos filhos, as mulheres passaram a participar mais da vida econômica do país. Os estados do Acre, Amazonas e Roraima apresentam as
maiores taxas de fecundidade, e os estados de Rio de Janeiro e São Paulo, as menores. Nos países desenvolvidos, esta taxa situava-se entre
1,15% (Espanha) e 1,99% (Estados Unidos), 1999.
Taxa de fecundidade ou de fertilidade
É o número médio de filhos nascidos vivos que cada mulher tem ao longo do seu período repro-
dutivo (mais ou menos dos 15 aos 45 anos).
As principais características da população brasileira, reveladas pelo censo de 2000, são as seguintes:
3 O total de habitantes ou população absoluta do Brasil classifica-o como país populoso, situando-se em 5º lugar no mundo.
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3 Redução do ritmo de crescimento anual, que passou de 2,4%, período de 1971 a 1980, para 1,9%, de 1980 a 1991 e 1,6% de 1992 a 2000
devido à queda da taxa de natalidade.
3 A taxa de mortalidade infantil caiu cerca de 20%. Em 1992, de cada mil crianças nascidas, 44,3 morriam. Em 1999 este número caiu para
34,6, em média. A Região Nordeste continua concentrando o maior índice de mortalidade infantil; em 1999, em cada mil crianças nascidas,
53 morriam. O Estado de Alagoas apresenta as taxas mais altas, com 66,1%.
3 A expectativa de vida da população aumentou: passou de 66 anos em 1991 para 68,6 anos (ou 68 anos, 7 meses e 6 dias) em 2000. Os
brasileiros estão vivendo, em média, 2,6 anos (ou 2 anos, 7 meses e 6 dias) a mais. Para os homens, a esperança de vida ao nascer é de 64,8,
enquanto para a mulher é de 72,6.
As regiões mais populosas, em 1999, eram a Sudeste, Nordeste e Sul com 42,6%, 28,1% e 14,79% respectivamente, do total do país. As
regiões menos populosas eram a Norte e a Centro - Oeste, com 7,6% e 6,8%, respectivamente, do total.
A Região norte, tradicionalmente a menos populosa, apresentou maior crescimento populacional e passou à frente do Centro-Oeste,
que perdeu parte de sua área e de sua população com a criação do Estado de Tocantins (em 1988), que passou a integrar a Região Norte,
incorporando -lhe parte do antigo Estado de Goiás.
Desde a década de 1930 até a de 1960, desenvolveu-se nitidamente no Brasil uma política demográfica natalista ou populacionista, ou
seja, que incentivava a natalidade. A necessidade de mão-de-obra (numerosa e barata), para sustentar o crescimento industrial, e a preo-
cupação do governo em povoar os vazios do interior do país (Centro-Oeste e Amazônia) serviu de estímulo permanente à política natalista
ou populacionista. Na década de 1960, foram criados o auxílionatalidade (1960) e o salário família (1963).
Auxílio-natalidade (1960)
Pagamento de um salário mínimo aos pais, no nascimento de um filho;
Salário família (1963)
Pagamento mensal de 5% do salário mínimo local, correspondente a cada filho até os 14 anos de
idade.
Foi essa política demográfica natalista que, somada à situação de pobreza e falta de informações da população e ajudada pela redução
das taxas de mortalidade, produziu a maior explosão demográfica do mundo.
O auxílio-natalidade e o salário-família continuam em vigor, porém com seus valores originais alterados. No caso do salário-família: em
2001, quem ganhava até 429,00 reais por mês recebia 10,31 reais por filho menor de 14 anos ou inválido de qualquer idade.
1.4.4) Taxa ou índice de mortalidade infantil
Essa taxa corresponde ao número de crianças que morrem antes de um ano de idade. Oscila, no Brasil, em torno de 26‰ pelo censo de
1991, porém ainda é considerada muito alta se comparada à dos países desenvolvidos (USA: 10‰ e Suécia: 9‰).
Principais causas das mortes registradas
Antes de 1 ano % De 1 a 4 anos %
Infecção perinatal 62 Pneumonia 20
Pneumonia 13 Enterias 19
Subnutrição 6 Causas externas 12
Demais causas 19 Viroses 11
------ -- Subnutrição 8
------ -- Demais causas 30
Total 100 Total 100
Anuário estatístico do Brasil 2001. Rio de Janeiro: IBGE, 2003. P. 2-27
1.5) A estrutura da população brasileira
Entende-se por estrutura etária da população a sua distribuição por idades. As várias faixas de idade e os intervalos entre elas mais
utilizados, de acordo com a conveniência dos países e organismos interessados, são os seguintes:
3 Jovens: 0 a 14 ou 0 a 19
3 Adultos ou maduros: 15 a 59 ou 20 a 59 anos
3 Velhos ou idoso: 60 anos ou mais ou 65 anos ou mais
Com a queda das taxas de natalidade e de mortalidade, acompanhada do aumento da expectativa de vida da população brasileira, a
pirâmide de idades vem apresentando um significativo estreitamento em sua base, que corresponde aos jovens, e um alargamento do
meio para o topo, por causa do aumento da participação percentual de adultos. De 1992 para 2001, a participação dos menores de 10 anos
na população total caiu de 22,1% para 18,7%, enquanto a das pessoas de 60 anos ou mais aumentou de 7,9% para 9,1%. Mesmo com as
alterações nas porcentagens apresentadas, o Brasil ainda pode ser considerado como um país jovem, uma vez que as pessoas com até 19
anos de idade ainda constituem a faixa mais numerosa da população. Além disso, a proporção dos idosos no total da população é ainda pe-
quena em comparação a países como a Suécia ou os Estados Unidos, sendo mais semelhante aos países do terceiro mundo, mas conforme
as pesquisas mostram, o Brasil está caminhando para deixar de ser um país com um percentual baixo de idosos. A estrutura etária de uma
população, que apresenta os dados referentes às três faixas etárias (jovens, adultos, idosos), pode ser demonstrada através de um gráfico
chamado de pirâmide etária. Nele são apresentadas informações sobre a faixa etária e também da proporção dos sexos.
O formato da pirâmide (base mais larga, menos larga e outros) retrata a evolução demográfica dos países, ou seja, depende do estágio
socioeconômico em que se encontram. À medida que vão se desenvolvendo, gradativamente estreita-se a base da pirâmide, devido à re-
dução da natalidade, e alarga-se o corpo e o ápice, devido ao aumento da longevidade. Observe e evolução das pirâmides etárias brasileira
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entre 1980 e 2000.
PIRÂMIDE ETÁRIA DO BRASIL (1980-2000)
Quanto a distribuição da população brasileira por gênero (homens e mulheres), o país se enquadra nos padrões mundiais: nascem cer-
ca de 106 homens para cada 100 mulheres; no entanto a taxa de mortalidade masculina é maior e a expectativa de vida, menor. Assim, em-
bora nasçam mais homens que mulheres, é comum as pirâmides apresentarem uma parcela ligeiramente maior de população feminina, já
que as mulheres vivem mais. Segundo o IBGE, em 2000 o Brasil tinha 83,6 milhões de homens (49,2%) e 86,2 milhões de mulheres (50,8%).
1.6) A População Economicamente Ativa (PEA) e a distribuição de renda no Brasil
O Brasil apresenta um dos piores índices de distribuição de renda do mundo. O gráfico a seguir mostra que a participação dos pobres
na renda nacional diminuiu e a dos ricos aumentou até 1989. Esse mecanismo de resultados perversos para a maioria da população foi
estruturado principalmente no processo inflacionário de preços. Os reajustes nunca foram totalmente repassados aos salários. Naquele pe-
ríodo, sucessivos governos agravaram o processo de concentração de renda ao aplicar seus recursos em benefício de setores ou atividades
privadas, em detrimento dos investimentos públicos em educação, saúde, transporte coletivo, habitação, saneamento e lazer.
Uma parcela significativa da População Economicamente Ativa (20,6%) trabalha em atividades agrícolas, o que retrata o atraso de parte
da agricultura brasileira. Embora esse número venha diminuindo graças à modernização e à mecanização agrícola em algumas regiões, na
maior parte do país a agricultura é praticada de forma tradicional e ocupa muita mão-de-obra.
O setor industrial brasileiro absorve 13,5% da PEA, o que poderia indicar que o país possui um grande parque industrial, comparável
ao de países desenvolvidos. No entanto, esse dado não reflete a produtividade do trabalhador e o grau de desenvolvimento tecnológico
do parque industrial.
Já as atividades terciárias são o setor que apresenta mais problemas, por englobar os maiores níveis de subemprego. No Brasil, 57,7%
da PEA exerce atividades terciárias, mas é visível que grande parte desses trabalhadores não está efetivamente prestando serviços aos
demais habitantes. Essas pessoas estão apenas em busca de sobrevivência ou tentando “driblar” o desemprego em atividades informais,
como a de camelô e guardador de veículos. Mesmo no setor formal de serviços, as condições de trabalho e nível de renda são muito con-
trastantes: há instituições modernas ao lado de outras bastante atrasadas.
Quanto a composição da PEA por gênero, nota-se uma certa desproporção em 2001: 42% dos trabalhadores eram do sexo feminino,
enquanto nos países desenvolvidos há uma participação igualitária, de 50%. A inserção da mão-de-obra feminina no mercado de trabalho,
no Brasil, está ligada fundamentalmente à perda de poder aquisitivo dos salários e à consequente necessidade de que a mulher trabalhe
para complementar a renda familiar.
Essa situação permite que parte dos empresários prefira a mão-de-obra feminina. As mulheres, por necessidade de trabalho se sujeitam
a receber salários menores que os dos homens.
1.7) Índice de Desenvolvimento Humano (IDH)
Segundo o relatório de Desenvolvimento Humano de 2003 (RDH-2003), do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento
(PNUD), o Brasil foi o país que mais avançou posições na listagem do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) durante o período de 1975
a 2001, passando da 81ª posição para a 65ª. Nas décadas de 1970 e 1980, o país avançou dez posições, e entre 2000 e 2001, outras quatro.
Das três variáveis consideradas no cálculo do IDH (longevidade, educação e renda) a que apresentou maiores contribuições para a me-
lhoria do índice brasileiro foi o avanço da educação. Em contrapartida, a renda foi a variável que menos contribuiu. No item longevidade,
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que permite avaliar as condições gerais de saúde da população, os avanços também foram significativos. Entre 1975 e 2001, a expectativa
de vida aumentou de 59,5 para 67,8 anos, mas, apesar desse aumento, o Brasil ainda ocupa a 110ª posição num total de 175 países classi-
ficados por esse indicador.
Ao longo da década de 1990, o Brasil apresentou avanços na educação. Segundo o RDH, entre 1990 e 2001, a taxa de alfabetização
da população com 15 anos ou mais aumentou de 82% para 87,3%; no mesmo período, a taxa de matrícula no ensino fundamental, para
crianças de 7 a 14 anos, aumentou de 86% para 97%, e a taxa de matrícula no ensino médio para jovens de 15 a 17 anos subiu de 15%
para 71%. Além disso, a taxa de alfabetização de adultos, que, segundo o IBGE, compreende as pessoas com mais de 15 anos, cresceu de
86,9% em 2000 para 87,3% em 2001, o que fez o IDH da educação chegar a 0,90, numa escala que varia de 0,0 a 1,0. No mesmo período,
a esperança de vida ao nascer cresceu de 67,6 para 67,8 anos (IDH de 0,72) enquanto a renda per capita subiu muito pouco, de US$ 7.349
para US$ 7.360 (IDH 0,71).
Censo de 2010 (IBGE)
O censo de 2010, trouxe novos dados sobre a população brasileira:
População total – 190 755 799
Taxa media geométrica de crescimento anual – 1,17%
Grau de urbanização – 84,4%
Número de municípios – 5 565
População urbana – 160 925 792 (84,4%), H= 77 710 174 / M= 83 215 618
População rural – 29 830 007 (15,6%), H= 15 696 816 / M= 14 133 191
Densidade demográfica – 22,43 (hab/km²)
População residente – 190 755 799 (H = 93 4 06 990/M = 97 348 809)
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1) (EsAEx) Conforme se pode observar na tabela abaixo, a má distribuição de renda é um problema grave da estrutura socioeconômica brasileira
e repercute em diversos outros indicadores sociais.
Brasil: participação dos 20% mais ricos e dos 50% mais
pobres na renda nacional – 1960-1999
Ano 20% mais ricos 50% mais pobres
1960 54,0% 18,0%
1970 62,0% 15,0%
1980 63,0% 14,0%
1990 65,6% 11,3%
1999 63,8% 12,6%
(Addas, 2004)
Sobre esse tema é correto afirmar:
(A) Crescimento econômico e desenvolvimento social estão diretamente atrelados, visto que, apesar da má distribuição de renda, os números
da economia globalizada do Brasil permitiram, nas últimas décadas, uma diminuição da exclusão social.
(B) A exclusão social é uma marca do capitalismo. Ela se mostra ainda mais evidente na atual fase monopolista, financeira e globalizada que
atinge a todo o mundo, mas especialmente aos países da periferia do sistema, como o Brasil.
(C) A taxa de analfabetismo funcional, o percentual de cidadãos que sabem assinar o seu nome, é um índice fiel a ser tomado para mensurar o
nível de desenvolvimento de um país, pois, pressupõe-se que uma população que saiba apenas ler e escrever consiga se posicionar criticamente
frente à realidade.
(D) O IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) que leva em consideração a expectativa de vida ao nascer, o nível de instrução e o PIB per capita
revela que o Brasil ocupa uma posição mediana no cenário mundial e possui grande homogeneidade interna.
(E) A leitura da tabela mostra que na última década houve uma melhora na distribuição de renda no país apresentando números que indicam
uma relação mais justa de repartição da riqueza acumulada em relação à realidade de 1960.
Leia o texto VI, para solucionar o item 2.
TEXTO VI
“O que obrigou a novos investimentos na rede ferroviária foi não apenas o transporte de cargas, mas também a demanda da circulação
de passageiros. Entre 1970 e 1994 o número de passageiros cresceu 3,5 vezes, passando de 329,64 mil para 1.163.034 pessoas.”
(Santos & Silveira, 2001)
2) (EsAEx) É motivação principal para os investimentos em transportes ferroviários de passageiros no período citado no texto acima:
(A) A necessidade de transportar a população migrante do Nordeste para o Centro-Sul do Brasil.
(B) O incremento do uso de trens em escala metropolitana, com aumento de fluxos de trens suburbanos e construção de metrôs.
(C) Garantir o deslocamento migratório pendular de trabalhadores rurais temporários em períodos de plantio e colheita nas regiões agroexpor-
tadoras.
(D) O uso dos trens de passageiros em âmbito inter-regional como alternativa ao transporte rodoviário, saturado pela má conservação das es-
tradas.
(E) A construção da linha férrea ligando Brasília aos núcleos polarizadores do Centro-Sul.
3) (EsAEx) Associe as pirâmides etárias do Brasil (1980 e 2000) às suas características principais, numerando a coluna B de acordo com a coluna
A e, a seguir, assinale a alternativa correta.
(ADAS, 2004)
COLUNA A COLUNA B
(1) Pirâmide etária do Brasil, 1980.
(2) Pirâmide etária do Brasil, 2000.
( ) Elevado crescimento vegetativo.
( ) Melhoria na saúde e saneamento básico.
( ) Baixa expectativa de vida.
( ) Maior número proporcional de jovens na população.
( ) Diminuição da taxa de fecundidade.
( ) Transição demográfica nas fases iniciais.
(A) 1; 2; 1; 1; 2; 1.
(B) 1; 2; 2; 1; 1; 1.
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(C) 2; 1; 2; 2; 1; 2.
(D) 1; 2; 1; 2; 2; 2.
(E) 2; 1; 1; 1; 2; 1.
4) (EsAEx) Leia o texto, para solucionar o item 57.
TEXTO
“A vida aqui só é ruim, quando não chove no chão,
mas se chover dá de tudo, fartura tem de porção,
tomara que chova logo, tomara meu Deus tomara,
só deixo o meu Cariri, no último pau-de-arara”.
(Corumbá/José Guimarães/Venâncio)
O trecho da música acima faz referência a um dos movimentos migratórios internos do Brasil. Sobre este e outros movimentos internos da po-
pulação brasileira é correto afirmar:
(A) Resultado do recente processo de retorno às metrópoles, visto que estas representam o espaço da melhor qualidade de vida e das oportu-
nidades de emprego nos setores secundário e terciário, há, ao final do século XX, maior índice de crescimento populacional nas capitais que nas
cidades médias do interior de Rio de Janeiro e São Paulo.
(B) Proporcionalmente, Palmas (TO) e algumas capitais nordestinas possuem maior índice de crescimento demográfico que Rio de Janeiro (RJ) e
São Paulo (SP), visto que estes espaços já estão densamente ocupados e possuem diversos problemas internos, ao passo que aqueles aparecem
como atrativos aos fluxos migratórios nacionais.
(C) A música diz respeito ao êxodo rural, movimento migratório que, no Brasil, significa o fluxo de nordestinos para as capitais do Sudeste e
esteve concentrado nas décadas de 1930 e 1970 por conta da viabilidade do transporte rodoviário em nível nacional.
(D) A migração pendular é um fenômeno contemporâneo e diz respeito aos fluxos de pessoas entre os países do mundo que a globalização
permite e estimula. A exemplo de um cidadão que nasce numa pequena cidade, migra para a capital regional, consegue um emprego numa
metrópole nacional e, após alguns anos, volta a migrar para se especializar num centro urbano mundial.
(E) A transumância ou migração sazonal é um fluxo urbano-urbano que acontece em cidades conurbadas onde diversas pessoas moram numa
cidade e trabalham ou estudam na outra, gerando intenso movimento regular e diário.
5) (EsAEx) Sobre os fluxos migratórios externos e internos e os seus impactos na formação demográfica brasileira, é correto afirmar que:
(A) O período de maior fluxo imigratório se dá entre 1808 e 1880 com a abertura dos portos às nações amigas e o estabelecimento da Lei de
Terras (1850) que possibilitava ao imigrante estrangeiro adquirir posses no território nacional.
(B) As principais correntes imigratórias do fluxo internacional para o Brasil, ao final do século XIX, foram de italianos, japoneses e bolivianos. Estes,
concentrados nos centros urbanos e os dois primeiros, com destino ao trabalho no campo.
(C) As duas últimas décadas do século XX marcam uma significativa alteração no saldo migratório do país. O Brasil passa a ser um espaço de
emigração, sendo os principais destinos os EUA, o Paraguai e a Europa.
(D) Dos fluxos migratórios internos, merece destaque, na década de 60 do século passado, a saída de trabalhadores do Sul e do Nordeste em
direção ao Centro-Oeste. Eles formavam a mão-de-obra necessária à construção de Brasília. Como não podiam residir no local, houve, na mesma
década, um refluxo migratório para as regiões de origem.
(E) A criação da Zona Franca e Região Metropolitana de Manaus, na década de 70 do século passado, induziu ao intenso fluxo migratório de
trabalhadores da periferia das grandes metrópoles nacionais (Rio de Janeiro e São Paulo) para a capital amazonense.
6) (EsAEx) A concentração da população brasileira em determinadas áreas do país apresenta características singulares no seu intenso processo,
tais como: ocupação de encostas, ocupação de áreas alagadiças e/ou margens de rios, etc. Tais aspectos levam a uma maior suscetibilidade a
desastres naturais, como movimentos de massa ou vulnerabilidade a intempéries climáticas. Sobre o assunto, assinale a alternativa correta
(A) Os desastres naturais não têm relação direta, com as condições pré-existentes do relevo ou condicionantes físico-ambientais.
(B) As áreas ocupadas anteriormente por Floresta Ombófila densa, possuem espessos mantos de alteração que associados a forma de ocupação
criam zonas de falhas.
(C) O elevado aumento dos totais pluviométricos anuais é o responsável pelas catástrofes urbanas no Brasil.
(D) O domínio morfoclimático dos Mares de Morros apresenta maior suscetibilidade a desastres naturais dadas as suas características morfoes-
truturais.
(E) A zona costeira é uma área de anteparo as intempéries climáticas, portanto recebe o impacto direto das massas de ar.
7) A partir da década de 70, a população brasileira tornou-se predominantemente urbana. Dentre outros fatores, contribuiu para essa realidade
o (a)
(A) aparecimento das agrovilas.
(B) surgimento de superpopulação no meio rural.
(C) diversificação do mercado urbano, possibilitando a absorção total da mão-de-obra rural.
(D) deslocamento da mão-de-obra rural para as cidades, em virtude da modernização da agropecuária.
8) Num sistema econômico capitalista, a principal causa das migrações populacionais está associada
(01) à atração que a cidade exerce, devido à grande oferta de emprego nos grandes centros urbanos.
(02) à procura de uma melhor alternativa de vida.
(03) ao glamour das cidades, principalmente nos grandes centros de lazer.
(04) à maior oferta de moradia, principalmente na periferia dos grandes centros urbanos.
(05) ao desenvolvimento econômico e industrial, que ocorre no mesmo modo em todos os centros urbanos.
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Dê como resposta a soma das respostas corretas.
9) Brasil: taxas de natalidade e de mortalidade (
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taxa de natalidade taxa de mortalidade crescimento natural
1941-1950 43,5 19,7 23,8
1951-1960 44,0 15,0 29,0
1961-1970 37,7 9,4 28,3
1971-1980 35,0 9,0 26,0
1981-1990 26,0 7,0 19,0
1991-2000* 24,0 7,0 17,0
* estimativa
Fonte: ADAS, M. Geografa. Ed. Moderna. V. 2, p. 20.
A interpretação dos dados apresentados acima nos permite concluir que a população brasileira, a partir das décadas de 80 e 90, atingiu um
estágio de transição demográfica:
(A) potencial.
(B) inicial.
(C) concluída.
(D) avançada.
(E) em curso.
10) “Em geral, o migrante reluta antes de optar pela saída de seu lugar de origem. Não é diante das primeiras dificuldades que ‘arruma as
malas e vai embora’. Tenta, primeiro, manter-se naquele lugar que lhe é familiar, até ser irremediavelmente expulso.”
(Regina Bega dos Santos. Migração do Brasil, 1994)
Em geral, no Nordeste brasileiro, o principal fator de expulsão dos migrantes têm sido os aspectos
(A) físicos, como a seca na zona da Mata.
(B) políticos, decorrentes dos conflitos de terra.
(C) socioeconômicos, como a fome e a miséria.
(D) ambientas, decorrentes da erosão dos solos.
(E) financeiros, como o alto custo da produção agrícola.
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URBANIZAÇÃO BRASILEIRA
Na atualidade, o encaminhamento da Ciência Geográfica tem trazido à tona algumas questões relativas ao campo,
a partir da concepção de que existe uma intercomplementaridade entre a cidade e o campo; ou melhor, o espaço
rural e o espaço urbano não são simplesmente complementos, mas se constituem em espaços solidários; é a partir
dessas discussões realizadas mais recentemente pela Geografia que somos levados a questionar o problema da
desumanização na cidade, visto sob um outro prisma.
SOUZA, Álvaro J. de. Milton Santos – cidadania e globalização. Bauru: AGB/Saraiva, 2000. p. 200 – Urbanização versus humanização –
adaptado.
2) O que é urbanização
A urbanização pode ser entendida como um processo que resulta principalmente da transferência de pessoas do meio rural para o
meio urbano, em geral para as cidades. Concretiza-se quando o percentual da população urbana é superior ao da população rural. Ou seja,
um país só é considerado urbano quando mais da metade da sua população vive em cidades. A Inglaterra, por exemplo, tornou-se urbani-
zada por volta de 1850, e o Brasil, em 1970.
Em seis décadas (1940-2000), a população rural brasileira passou de 28,3 para 31,8 milhões de pessoas, enquanto a população urbana
passou de 12,8 para 137,6 milhões de pessoas, um aumento de 1006%.
No Brasil os estados compõem-se de municípios, que são as menores divisões político-administrativas, com governo próprio. Os mu-
nicípios, em geral, abrangem áreas urbanas e rurais. Em alguns, a área urbana cresceu de tal forma, que englobou quase todo o território
municipal, como é o caso de São Caetano e Osasco, na Região Metropolitana de São Paulo. No Brasil, o IBGE, responsável pela realização
dos censos demográficos e econômico, considera como população urbana as pessoas que residem no interior do perímetro urbano de
cada município.
Em Ross (1998) a grande concentração das atividades terciárias públicas e privadas do aglomerado e a forma contínua dos espaços
edificados onde se da a proximidade das habitações da população que vive dessas atividades são atributos que permitem melhor carac-
terizar o termo cidade.
2.1) Urbanização no Brasil
De acordo com Coelho e Terra (2005) a industrialização, a oferta de empregos, o crescimento das cidades e as mudanças no meio rural
(mecanização, concentração fundiária, desemprego, produção voltada para as necessidades urbanas) explicam o crescente esvaziamento
populacional do campo no Brasil. Em 1940, apenas 31% dos brasileiros viviam em cidades. O processo de urbanização se intensificou a
partir da década de 1950.
O processo de urbanização no Brasil iniciou-se em 1532, com a fundação da Vila de São Vicente, no litoral paulista. Salvador, a primeira
cidade brasileira, foi fundada em 1549. No século XVI, existiam no Brasil apenas três cidades, todas situadas junto ao litoral: Salvador, a ca-
pital, Rio de Janeiro, (fundada em 1565) e Nossa Senhora das Neves, (atual João Pessoa, fundada em 1585). Existiam ainda 14 vilas, dentre
a quais São Vicente (1532) e São Paulo (1554). No século XVII, fundaram-se mais quatro cidades, também situadas junto ao litoral: São Luís
do Maranhão (1612), Cabo Frio (1615) e Olinda (1676). Além destas cidades, criaram-se 37 vilas.
O primeiro surto de urbanização verificou-se no século XVIII, com o ciclo da mineração. A atividade mineradora contribuiu para este
processo por vários motivos: provocou a transferência da capital da Colônia, de Salvador para o Rio de Janeiro (1763), e o deslocamento
do eixo produtivo do Nordeste açucareiro para o Sudeste aurífero, originou inúmeras vilas e cidades (Vila Rica, Mariana, São João Del Rei,
Diamantina, Cuiabá e outras) e promoveu a interiorização do crescimento econômico do país. Com a chegada da família real (1808) e, prin-
cipalmente, após a independência (1822), iniciou-se outra etapa na evolução urbana do país. Em virtude da expansão cafeeira, o Sudeste,
principalmente os atuais estados do Rio de Janeiro e de São Paulo, conheceu um rápido crescimento urbano. Já em 1872, data do primeiro
recenseamento oficial no Brasil, a cidade do Rio de Janeiro (275 mil habitantes) já estava com o dobro da população de Salvador (129 mil
habitantes). Da segunda metade do século XIX até a primeira metade do século XX como capital do país, centro portuário e comercial,
ocupou a primeira posição no cenário nacional (COELHO e TERRA,2005).
Em Milton Santos (2008), a partir dos anos 1970, o processo de urbanização alcança novo patamar, tanto do ponto de vista quantitativo
quanto qualitativo. Desde a revolução urbana brasileira, consecutiva a revolução demográfica dos anos 1950, tivemos, primeiro, uma urba-
nização aglomerada, com o aumento do número - e da população respectiva – dos núcleos com mais de 20 mil habitantes e, em seguida,
uma urbanização concentrada, com a multiplicação de cidades de tamanho intermédio, para alcançarmos, depois, o estágio da metropo-
lização, com o aumento considerável do número de cidades milionárias e de grandes cidades médias.
Ainda de acordo com o autor, é a partir de 1950 que se nota mais francamente uma tendência à aglomeração da população e da urba-
nização. Os núcleos com mais de 20 mil habitantes vêem crescer sua participação no conjunto da população brasileira, passando de pouco
menos de 15% do total em 1940 para quase o dobro (28,43%) em 1960, para constituir mais da metade (51%) da população em 1980.
Esses mesmos núcleos com mais de 20 mil habitantes reuniam quase metade (47,7%) da população urbana em 1940, mais de três quintos
(63,64%) em 1960 e mais de três quartos (75,48%) em 1980. Mas as realidades regionais são diferentes e o peso relativo dessas aglomera-
ções na população total e na população urbana de cada região é um reflexo de sua história passada e recente.
2.1.1) Características da urbanização brasileira no século XX
O processo de urbanização no Brasil ganhou intensidade a partir da década de 1950 devido à industrialização e à modernização das ati-
vidades agrárias. Desde o início do processo de colonização, as cidades concentraram-se na faixa litorânea. Quase a totalidade das cidades
brasileiras são espontâneas, porque surgiram naturalmente de pequenos núcleos ou povoados. Existem também as cidades planejadas,
que nasceram de um plano, como as cidades de Belo Horizonte, Brasília e Goiânia.
A partir dos anos 1960, o poder público passou criar mecanismos para um processo de urbanização mais intenso, além dos já existentes
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como hidrelétricas, portos, aeroportos, estradas, comunicação e a fronteira agrícola. Era preciso, no ponto de vista administrativo, aumen-
tar o parque industrial brasileiro, mas para isso, também, era necessário existir consumidores desses produtos industrializados e mais do
que isso deveriam ter um pensamento consumidor – “American way live”. Segundo o IBGE, o porcentual de população urbana elevou-se
para 81,2% bem próximo dos porcentuais encontrados em países desenvolvidos: 137 milhões de pessoas viviam em áreas urbanas no
Brasil em 2000. As três capitais mais populosas, São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador, em 2000 concentravam 46,3% da população total
residente nos municípios das capitais brasileiras.
Como reconhecer uma cidade?
Bom senso prefere critérios funcionais, aos estruturais, para determinar o que é urbano e rural.[...] Até tribos
foram consideradas urbanas pelos Censos feitos entre 1940 e 2000. [...] Saborosa nota intitulada Urbano ou
Rural? Foi destaque da coluna Radar, assinada por Lauro Jardim na revista Veja. Ela apresenta o caso extremo
de União da Serra (RS), município de 1900 habitantes dos quais 286 são considerados urbanos por residirem na
sede do município, ou nas sedes de seus dois distritos. A investigação da revista apontou as seguintes evidên-
cias: a) a totalidade dos moradores sobrevive de rendimentos associados à agropecuária ; b) a população de
galinhas e bois é 200 vezes maior que a de pessoas ; c) nenhuma residência é atendida por rede de esgoto ; d)
não há agência bancária . Os comentários não poderiam ser melhores. Demonstram que o bom senso sempre
dá preferência aos critérios funcionais, em vez de estruturais, quando a questão é determinar se parte de um
município como União da Serra pode ser considerada urbana. Ao fazer perguntas sobre a base das atividades
econômicas dos moradores, e sobre a existência de esgoto ou de agência bancária, a reportagem revela que
não é razoável o critério estrutural em vigor segundo o qual urbano é todo habitante que reside no interior dos
perímetros delineados pelas Câmaras Municipais em torno de toda e qualquer sede de município ou de distrito.
Infelizmente é assim que o Brasil conta a sua população urbana desde o auge do Estado Novo, quando Getúlio
Vargas baixou o decreto-lei 311/38. Até tribos indígenas foram consideradas urbanas pelos censos demográfi-
cos realizados entre 1940 e 2000.
Outra prova de que o bom senso dá preferência a critérios funcionais é o contraste entre o que ocorre aqui e
no exterior. Para explicar como costuma ser feita a classificação territorial das populações no resto do mundo,
o exemplo mais próximo é o da nação que colonizou este imenso País. Por lei aprovada há vinte anos pela
Assembleia da República de Portugal, uma povoação só pode ser elevada à categoria de vila se possuir pelo
menos metade de oito equipamentos coletivos: a) posto de assistência médica, b) farmácia, c) centro cultural,
d) transportes públicos coletivos, e) estação dos correios e telégrafos, f) estabelecimentos comerciais e de ho-
telaria, g) estabelecimento que ministre escolaridade obrigatória, h) agência bancária.
Pela mesma lei, uma vila só pode ser elevada à categoria de cidade se possuir, pelo menos, metade de dez
equipamentos coletivos: a) instalações hospitalares com serviço de permanência b) farmácias, c) corporação de
bombeiros, d) casa de espetáculos e centro cultural, e) museu e biblioteca,
São poucos os municípios brasileiros nos quais se podem encontrar 8 mil eleitores em aglomerado populacio-
nal contínuo. E mais raros ainda são os aglomerados populacionais que possuem alguns dos dez equipamentos
coletivos que definem as cidades portuguesas.[...]
José Eli da Veiga é professor titular da FEA-USP e secretário do Conselho Nacional de Desenvolvimento Rural
Sustentável (CNDRS).
Home page: www.fea.usp.br/professores/zeeli/acessado em 27/02/2011
2.2) A urbanização nas regiões brasileiras
O maior desenvolvimento urbano da Região Sudeste nada mais é que o reflexo da sua hegemonia econômica, iniciada com o ciclo do
café e da indústria. Por concentrar o maior parque fabril do país, constitui pólo de atração de migrantes de diversas regiões para suas prin-
cipais cidades. O desenvolvimento das atividades rurais, com intensa mecanização, é um fator de aceleração das migrações para a cidade,
no interior da própria região. A tabela abaixo refere-se à urbanização brasileira nos anos de 1950,1960 e 2000.
BRASIL: CIDADES MAIS POPULOSAS EM 1950, 1960 e 2000
CIDADE
POPULAÇÃO
1950 1960 2000
Rio de Janeiro 2.377.451 (1º) 3.281.908 (2º) 5.851.914 (2º)
São Paulo 2.198.096 (2º) 3.781.446 (1º) 10.405.867 (1º)
Recife 524.682 (3º) 788.336 (3º) 1.421.993 (8º)
Salvador 417.235 (4º) 649.453 (5º) 2.440.828 (3º)
Porto Alegre 394.151 (5º) 635.125 (6º) 1.360.033 (10º)
Belo Horizonte 352.724 (6º) 683.908 (4º) 2.232.747 (4º)
Fortaleza 270.169 (7º) 507.108 (7º) 2.138.234 (5º)
Observe que o crescimento populacional das duas maiores cidades do Sudeste, Rio de Janeiro e São Paulo, foi muito superior ao das
maiores do Nordeste, Salvador e Recife. A partir de 1950, na Região Sudeste estavam São Paulo e Rio de Janeiro as duas maiores cidades do
país. A elevada taxa de urbanização (72,8%) nesta região em 1970 foi o que mais contribuiu para transformar o Brasil em país urbano, ou
seja, sua população urbana (56%) superou a rural (44%). Nos censos de 1960 e 1970, apenas a Região Sudeste aparecia como urbana. Foi
só a partir do censo de 1980 que as demais regiões se incluíram nessa categoria. Observe a tabela abaixo.
1) (EsAEx) A metropolização brasileira se dá também como “involução”. O dito processo de involução metropolitana significa:
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(A) Diminuição da mancha urbana das metrópoles brasileiras em razão da dispersão espacial das classes médias.
(B) Aumento da pobreza nas metrópoles brasileiras como resultado da escassez de investimentos públicos em infra-estrutura.
(C) Redução do número de municípios componentes das Regiões Metropolitanas, visando a otimização das Políticas Públicas.
(D) Aumento de contingentes populacionais sem qualificação educacional ou profissional nas metrópoles brasileiras.
(E) Diminuição da circulação de capitais e a consequente redução do crescimento econômico das metrópoles em relação ao território como
um todo.
2) (EsAEx) Sobre a organização interna das cidades brasileiras, analise as afirmativas abaixo, colocando entre parênteses a letra V, quando se
tratar de afirmativa verdadeira, ou a letra F quando se tratar de uma afirmativa falsa. A seguir, assinale a alternativa que apresenta a sequência
correta.
( ) As carências de serviços geram especulação, pela valorização diferencial das diferentes áreas do território urbano.
( ) Os lugares de residência obedecem a uma lógica especulativa, posto que as pessoas abonadas alojam-se onde haja maior conveniência,
segundo os cânones de cada momento, incluindo-se a moda.
( ) As atividades mais dinâmicas se instalam nas áreas mais privilegiadas.
( ) O tamanho das grandes cidades brasileiras tem relação direta com o fenômeno da especulação.
(A) V; F; V; V.
(B) V; F; F; V.
(C) V; V ;V; V.
(D) V; V; F; F.
(E) V; V; V; F.
3) (EsAEx) A sociedade capitalista na sua fase industrial, baseada na produção e consumo em massa, deixou, ao longo do século XX, transforma-
ções na natureza e consequentes marcas no espaço geográfico. Sobre os impactos ambientais urbano-industriais é correto afirmar:
(A) No século XX o Brasil se urbanizou e industrializou de forma concentrada no eixo Rio de Janeiro e São Paulo, concentrando nessas duas
cidades os seus problemas ambientais e permitindo que no processo de relocalização industrial da década de 1970 os impactos ao ambiente já
não fossem sentidos.
(B) Na transformação que faz de recursos naturais em produtos para o consumo, a indústria gera diversos tipos de poluição, dentre eles se
destaca a chuva ácida, um processo que decorre da concentração de componentes ácidos na atmosfera global e que atinge a todo o planeta.
(C) O Efeito Estufa, fenômeno natural, tem sido intensificado pela ampliação da emissão de “gases estufa” da sociedade urbano-industrial, o
Brasil contribui para esse fenômeno, por exemplo, com as queimadas de vegetação, com os gases dos veículos automotores e com a poluição
atmosférica das indústrias.
(D) As ilhas de calor são um típico fenômeno que decorre da concentração urbana e do consumo industrial, elas acontecem em grandes cidades
e determinam uma menor temperatura no centro em detrimento às periferias em função da menor retenção do calor e da concentração de água
sobre a superfície, face à impermeabilização dos solos.
(E) A inversão térmica é um impacto ambiental que tende a atingir, no verão, a todas as cidades industriais da faixa temperada do mundo. No
Brasil esse fenômeno é evidente em cidades como São Paulo, Florianópolis e Porto Alegre.
4) (EsAEx) Analise as afirmativas abaixo acerca do processo de urbanização no Brasil e, a seguir, assinale a alternativa correta.
I. A partir da década de 50 do século passado, estabelece-se uma tendência à aglomeração da população em cidades com mais de 20 mil habi-
tantes, conduzindo a um processo de urbanização concentrada e posterior metropolização.
II. As regiões metropolitanas, criadas em 1972, tem, no Brasil do século XXI, grande importância administrativa, mas pequena atratividade demo-
gráfica, sendo responsáveis por percentuais inferiores a 20% da população nacional, uma marca da interiorização da nossa urbanização.
III. O processo de desmetropolização, em curso no Brasil, reflete a busca por qualidade de vida nas pequenas cidades e leva a um decréscimo
demográfico nas metrópoles.
(A) Somente I está correta.
(B) Somente II está correta.
(C) Somente I e III estão corretas.
(D) Somente I e II estão corretas.
(E) Todas as afirmativas estão corretas.
5) (EsAEx) Sobre o processo recente da urbanização brasileira, ocorrido na década de 90 do século passado, assinale a alternativa correta.
(A) Aumentou o número de migrantes do campo para as metrópoles.
(B) As metrópoles regionais, pelas relações nacionais que passam a estabelecer, tenderam a mudar a sua qualificação.
(C) O crescente retorno da população da cidade para o campo inverteu a tendência observada nos períodos anteriores.
(D) As metrópoles e as cidades médias tiveram uma estagnação no crescimento populacional, enquanto as pequenas cidades passaram por
acelerado crescimento demográfico.
(E) A região Norte apresentou-se como a única que registrou aumento da população rural.
6) (EsAEx) Complete as lacunas abaixo e assinale a alternativa que dá sentido correto ao parágrafo.
O fato urbano, medidas as variações espaço -temporais, remonta ao início da colonização portuguesa quando as cidades e vilas _________
tinham função estratégica na ocupação e uso do território. Ao longo do século XVIII, a centralidade das cidades _______ se concretizou deter-
minando nova lógica espacial para a colônia portuguesa nas Américas. Vivia-se, no conjunto do território, _______ integração entre os centros
urbanos, concretizando-se, no século XX, o estabelecimento de uma rede e hierarquia urbanas nacionais com expansão das __________.
(A) interiores — amazônicas — grande — rodovias.
(B) amazônicas — açucareiras — intensa — rodovias.
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(C) litorâneas — mineiras — pequena — rodovias.
(D) sertanejas — litorâneas — grande — ferrovias.
(E) atlânticas — agrárias — pequena — ferrovias.
7) (EsAEx) Considera-se característica histórica da urbanização brasileira:
(A) Um processo que se ampara na Teoria das Localidades Centrais.
(B) Cidades interioranas que nasceram a partir de necessidades administrativas.
(C) Aglomerações que sempre se basearam na exploração de matas e florestas.
(D) Cidades que se voltavam muito mais pra o exterior do que para o território nacional.
(E) Localizações que buscaram a integração nacional como forma de defesa do território.
8) A capacidade de maior ou menor polarização de uma cidade depende não apenas do número de seus habitantes, mas, principalmente, do
dinamismo econômico da área onde se localiza e do equipamento urbano que possui. Quando seus limites se confundem com os de cidades
vizinhas, denomina-se:
(A) inchaço urbano
(B) hipertrofia urbana
(C) conurbação
(D) megalópole
(E) favelização
9) Leia com atenção o texto de Hélio Viana Jr.
“É preciso não esquecer que, entre as definições da palavra urbana, encontram-se aquelas ligadas a cortês, afável, civilizado. Internalizando e
elitizando a vida urbana, estaremos cada vez mais longe dessas qualidades.”
Esta perda, de que fala o texto, está relacionada ao (à):
(A) pouco número de equipamentos modernos que reúnam as pessoas, como TV, “shopping center” etc.;
(B) violência urbana e à revolução eletrônica;
(C) redução de escolas na cidade;
(D) número de pobres na cidade.
10) A urbanização do território é a difusão mais ampla no espaço das variáveis dos nexos modernos.
Milton Santos. A urbanização brasileira Hucitec. 1993.
A expressão “variáveis dos nexos modernos”, empregada na citação acima, refere-se:
( ) aos sistemas de informação em tempo real, que constituem um dos alicerces do circuito global da economia mundial.
( ) ao alto índice de crescimento da produtividade na produção, o qual permite às indústrias de ponta uma localização geográfica privilegiada,
junto às fontes de matérias-primas.
( ) à revolução tecnológica, que permitiu a separação geográficas das fases de concepção, execução e consumo da produção industrial globa-
lizada.
( ) À produção flexível e à desregulamentação do mercado de trabalho, as quais proporcionaram a produção em massa e o aproveitamento em
largas escala da mão-de-obra dos países em desenvolvimento.
( ) À concepção da questão ambiental, tratada politicamente, no âmbito das fronteiras internas de cada país.
UNIDADE II - ESPAÇO ECONÔMICO
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INDUSTRIALIZAÇÃO BRASILEIRA
O meio técnico-científico-informacional é “a expressão geográfica da globalização”. As redes de informação difun-
dem-se, desigualmente, para o mundo inteiro. O “mundo artificial” rompe os limites das cidades e passa a abarcar o
meio rural. “Cria-se um verdadeiro tecnocosmo, uma situação em que a natureza natural, onde ela ainda existe, ten-
de a recuar, às vezes brutalmente”. A imagem dos cabos de fibra óptica, ancorados no leito oceânico ou enterrados
sob os canteiros das rodovias, proporciona uma primeira aproximação do conceito.
Milton Santos e Maria Laura Silveira. A natureza do espaço.1996.
3) Industrialização
3.1) Surgimento da indústria no Brasil
O Brasil permaneceu durante um longo período como um país de economia agroexportadora. A industrialização começou de forma
tímida e só deslanchou no final da década de 1920 em função da quebra da bolsa de Nova Iorque. Com a crise que se abateu sobre a ativi-
dade cafeeira, grande parte do capital acumulado com a comercialização do produto passou a ser investido na implantação da indústria.
A passagem do Brasil de rural e agrário para urbano e industrial estará sempre atrelada à atividade cafeeira que em muito contribuiu
para tal mudança.
3.1.1) Fatores favoráveis
3 Lei Eusébio de Queiroz (fim do tráfico negreiro).
3 Entrada de imigrantes.
3 Elevação de tarifas alfandegárias, que tornaram os produtos importados mais caros.
3.2) A cronologia industrial brasileira
3.2.1) Do século XIX até a Revolução de 1930
De modo geral podemos entender que a indústria no Brasil teve a sua origem por volta da segunda metade do século XIX, apoiada em
capitais nacionais de origem agrária e beneficiada por importantes transformações na realidade nacional, como a introdução do trabalho
livre e a formação de um mercado consumidor, o início da urbanização, a expansão do setor bancário, a introdução das ferrovias e da ener-
gia elétrica. Essa indústria nascente floresceu simultaneamente nas regiões Sudeste, Sul e Nordeste, sendo que o crescimento mais vigoro-
so ocorreu no Sudeste, com base na força econômica da cafeicultura. Apesar de apresentar uma significativa expansão, o setor industrial foi
secundário na realidade nacional até 1930, quando a cafeicultura entrou em crise e o grande comércio exportador perde o poder político.
3.2.2) A Indústria na era Vargas
Após a crise de 1929, que atingiu de forma considerável a economia brasileira, ocorreram profundas mudanças em nosso país, levando-
-nos a uma revolução em 1930. A Revolução de 1930 levou ao poder a oligarquia gaúcha, personificada em Getúlio Vargas, que conduziu
a modernização de forma autoritária, criando as instituições e os meios necessários para a aceleração industrial, tendo em vista a substi-
tuição de importações – industrialização voltada para o mercado interno – baseada no capital nacional. Na década de 1930 foram criados
o Conselho Nacional de Política Industrial, a Comissão de Planejamento Econômico, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística e o
Conselho Nacional do Petróleo. Nessa fase a aceleração industrial foi destacada e ainda estava baseada no capital privado nacional.
CSN, produção em 1948
Nos anos 40, observa-se o início da participação direta do Estado nas ati-
vidades econômicas, que caracterizou a economia brasileira até 1990, quando
ocorre o início da desregulamentação. A primeira grande empresa Estatal foi
a Companhia Siderúrgica Nacional, (CSN – 1941), instalada em Volta Redonda,
no Rio de Janeiro, localizada no vale do Paraíba do Sul, entre os dois maiores
centros urbanos e industriais do país.
3.2.3) JK e o Plano de Metas
Outro ponto importante no processo evolutivo de nossa indústria teve iní-
cio no governo de JK, com a entrada de capital externo em nosso país. Sabe-
-se que a participação do capital estrangeiro na economia brasileira pode ser
observada desde o século XIX, com a atuação do setor financeiro britânico e a
presença da Companhia Light, de produção de eletricidade. Após a Primeira
Grande Guerra também entraram no país empresas estrangeiras do setor si-
derúrgico, alimentício e automobilístico.
Mesmo assim, o fenômeno da grande expansão das empresas transnacionais no mundo contemporâneo data da década de 1950 e o
Brasil, junto com o México e a Argentina, foi um dos primeiros países a participar desse processo. A chegada dessas empresas coincide com
a eleição do presidente Juscelino Kubitschek (1955) e a condução de seu Plano de Metas, que visava acelerar a industrialização e fazer o
país crescer 50 anos em 5.
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Durante esta nova fase, o Plano de Metas inaugura o planejamento econômico em escala nacional e a criação da SUDENE dá início ao
planejamento regional, com o objetivo de reduzir as diferenças de desenvolvimento.
De acordo com a Lei n° 3.692, de 15 de dezembro de 1959, foi criada a Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE)
como uma forma de intervenção no Estado no Nordeste, com o objetivo de promover e coordenar o desenvolvimento da região. A criação
deste órgão resultou da percepção de que, mesmo com o processo de industrialização, crescia a diferença entre o Nordeste e o Centro-Sul
do país, portanto, era necessária uma intervenção direta na região, guiada pelo planejamento, como um caminho para o desenvolvimento.
Nos anos seguintes foram criados também: SUDAM (Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia), a SUDECO (Superintendência
de Desenvolvimento do Centro-Oeste), a SUDESUL (Superintendência de Desenvolvimento do Sul) e outras, que foram extintas ou trans-
formadas em agências de desenvolvimento a partir do início da década de 1990.
O governo JK desenvolveu uma política de atração de capitais estrangeiros, tendo em vista o setor automobilístico, considerado di-
nâmico, dada a sua capacidade de estimular o desenvolvimento de indústrias complementares. Para isso foi criado o Grupo Executivo da
Indústria Automobilística (GEIA), que trouxe para as cidades do “ABC Paulista” as fábricas da Volkswagen,Ford e outras.
3.4) O tripé industrial brasileiro
A Partir do Plano de Metas de JK, constitui-se no país o “Tripé da Modernização” formado pelo capital privado nacional (mais voltadas
as indústrias de bens de consumo não-duráveis), as empresas estatais (visando a indústria de base) e as empresas transnacionais (ligadas
as indústrias de bens de consumo duráveis). A partir daí, a participação do capital estrangeiro tem sido crescente, com retração observada
apenas nos momentos de crise econômica.
Esse período pode ser considerado como a segunda fase do processo de substituição de importações, que incluiu o capital estrangeiro.
A industrialização era voltada para um mercado interno protegido contra a concorrência de mercadorias estrangeiras, ao mesmo tempo
em que eram facilitadas as importações de equipamentos industriais.
Moreira e Sene (2005) acrescentam que, a inflação aumentaria ainda mais no governo seguinte, desencadeando a crise econômica e
política que levou ao golpe militar de 1964.
3.5) O milagre econômico brasileiro
Este período compreendido entre 1968 e 1973 é conhecido como a fase do “milagre” quando, sob o regime militar, o crescimento da
economia brasileira apresentou uma extraordinária aceleração, com ampliação média de 11% ao ano. O nosso “milagre” foi abalado pela
crise do petróleo de 1973, já que a elevação dos preços comprometia o desenvolvimento de um país onde o consumo era crescente e a
maior parcela do petróleo era importada. Mesmo assim, o país ainda manteve bons níveis de aceleração econômico-industrial até o final
dos anos 70, numa fase conhecida como o “pós-milagre”. Esse crescimento esteve relacionado com os grandes investimentos em infra-
-estrutura do regime militar e o duro controle sobre as manifestações dos trabalhadores, que garantiu a mão-de-obra barata e, juntos
levavam à atração de novos investimentos.
No governo do presidente Médici foi implantado no Brasil uma medida de crescimento econômico, o principal idealizador dessa me-
dida foi o ministro da fazenda, que atuava desde o governo Costa e Silva, Antonio Delfim Netto, esse projeto tinha como princípio o cres-
cimento rápido. O que ocorreu para provocar esse chamado “milagre” foi o imenso capital estrangeiro no país.
3.5.1) A década perdida
Apesar da espetacular modernização da estrutura econômica brasileira entre 1956 e 1980, devemos salientar que a mesma esteve
baseada em elevados níveis de endividamento externo. Na década de 1970 existia um grande excedente de capitais disponíveis nos países
mais desenvolvidos, o que facilitava a tomada de empréstimos, dadas as baixas taxas de juros vigentes no mercado internacional. No iní-
cio dos anos 80 os EUA, o Japão e os países da Europa Ocidental enfrentavam uma inflação elevada e, para combatê-la, elevaram as taxas
internacionais de juros, elevando consideravelmente os gastos dos países endividados com o pagamento dos juros.
Com o aumento dos juros, a dívida brasileira cresceu como uma “bola de neve” e o país foi obrigado a negociar um acordo de rene-
gociação com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e aceitar as medidas de ajuste econômico recomendadas pelo fundo, entre elas a
obtenção de superávits na Balança Comercial. Para a obtenção desses superávits o mercado interno foi fechado para as importações e os
setores exportadores receberam muitos estímulos governamentais.
Portanto, a década de 1980 ficou sendo chamada de “A Década Perdida” pois, nesse período houve desorganização da produção eco-
nômica, a atividade industrial ficou estagnada, a atração de capital estrangeiro foi incipiente e o processo inflacionário levou à ampliação
da pobreza. Houve estagnação dos índices de produtividade da economia, especialmente em função da importação de equipamentos e
da elaboração dos famosos planos de combate à inflação, cujo pioneiro foi o Plano Cruzado, de 1986.
3.6) A concentração e relativa desconcentração industrial brasileira
Observando-se o mapa a seguir conseguimos notar claramente a grande concentração industrial brasileira na Região Sudeste. Situação
que faz dessa região o centro industrial do país tornando as demais áreas do território brasileiro periferias industriais consumidoras da
produção específica e fornecedoras de matérias-primas. Essa lógica é muito parecida com a Divisão Internacional do Trabalho (DIT) onde
os países periféricos são consumidores dos produtos mais avançados tecnologicamente e fornecedores de matérias-primas.
3.6.1) A concentração industrial no Brasil: O Sudeste brasileiro
Até o início do século XIX, as indústrias, ainda que poucas e pequenas, estavam bastante dispersas no território nacional. A maior parte
localizava-se junto às maiores cidades da época: Recife, Salvador, Porto Alegre e, principalmente, Rio de Janeiro, que era a capital do país
e que possuía o principal porto. A partir de 1907, o Rio de Janeiro respondia com 37,8% da produção industrial do país, portanto mais que
o dobro da produção de São Paulo (15,9%). As regiões Sul e Nordeste tinham uma participação de 19,9% e 10,8%, respectivamente. A ex-
pansão cafeeira e o rápido desenvolvimento industrial de São Paulo tornaram esse estado, desde 1920, o principal centro industrial do país.
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