UNIVERSIDADE ANHEMBI MORUMBI

FERNANDA FURUNO





A EVOLUÇÃO DAS MÍDIAS E A INTERNET:
Cultura Participativa transformando os meios de
comunicação

















SÃO PAULO
2010

FERNANDA FURUNO





A EVOLUÇÃO DAS MÍDIAS E A INTERNET:
Cultura Participativa transformando os meios de
comunicação





Dissertação de Mestrado apresentada à Banca
Examinadora, como exigência parcial para a
obtenção do título de Mestre do Programa de
Mestrado em Comunicação, área de
concentração em Comunicação
Contemporânea da Universidade Anhembi
Morumbi, sob a orientação da Profa. Dra. Maria
Ignês Carlos Magno.








SÃO PAULO
2010


































F989e Furuno, Fernanda
A evolução das mídias e a internet: cultura participativa
transformando os meios de comunicação / Fernanda Furuno.
– 2010.
96f.: il.; 30 cm.

Orientador: Maria Ignês Carlos Magno.
Dissertação (Mestrado em Comunicação) – Universidade
Anhembi Morumbi, São Paulo, 2010.
Bibliografia: f.93-96.

1. Comunicação. 2. Cultura participativa. 3. YouTube.
4. Comunicação de massa. 5. Web. I. Título.

CDD 302.2




FERNANDA FURUNO





A EVOLUÇÃO DAS MÍDIAS E A INTERNET:
Cultura Participativa transformando os meios de
comunicação

Dissertação de Mestrado apresentado à Banca
Examinadora, como exigência parcial para a
obtenção do título de Mestre do Programa de
Mestrado em Comunicação, área de
concentração em Comunicação
Contemporânea da Universidade Anhembi
Morumbi, sob a orientação da Profa. Dra. Maria
Ignês Carlos Magno.


Aprovado em / /


Profa. Dra. Maria Ignês Carlos Magno

Profa. Dra. Valéria Martin Valls

Prof. Dr. Vicente Gosciola

DEDICATÓRIA

Dedico este trabalho a todos os pesquisadores das novas tecnologias e às pessoas
especiais que moram no meu coração (você pode ser uma delas), em particular ao
meu sobrinho Gabriel, que, aos oito meses de vida, já é fascinado pelas telas e
teclados.


AGRADECIMENTOS

Sou grata, primeiramente, a Deus, por me conceder a graça da vida e o
privilégio de me abrir os olhos para as boas oportunidades que me são propostas.
Dois anos se foram, “voando”, diga-se de passagem: pelo primeiro deles,
agradeço às brilhantes explanações do grupo de professores do Mestrado de
Comunicação Contemporânea; pelo segundo ano, meu agradecimento vai para o
meu anjo da guarda, que, sem dúvidas, foi minha querida orientadora, Profa. Dra.
Maria Ignês Carlos Magno, que, com toda a sua bagagem intelectual, sua paciência
e compreensão, me fez encontrar o “foco” nas muitas e muitas vezes que eu me
desviava dele. Também não poderia deixar de agradecer ao Prof. Dr. Vicente
Gosciola e à Profa. Dra. Valéria Martin Valls, que foram essenciais na reta final do
desenvolvimento da minha dissertação, com suas considerações e recomendações
na banca de qualificação.
Trabalhar sozinha nunca foi meu ponto forte, talvez, por isso, tenha
encontrado um pouco de dificuldade em desenvolver esta dissertação, que em
vários momentos se tornou um trabalho solitário. Sempre trabalhei em conjunto,
trocando idéias e experiências para concretizar qualquer projeto, fosse acadêmico
ou profissional, e sou muito grata a todas as pessoas que sempre estiveram ao meu
lado: à equipe da Universidade Anhembi Morumbi, em especial do Departamento de
Educação a Distância: aos professores-tutores, em especial à professora Cristina
Almeida, que me auxiliou na reta final desta dissertação; aos nossos milhares de
alunos online, que certamente serão beneficiados com as muitas possibilidades
exploráveis a partir dos estudos que realizei; a todos os amigos que acompanharam
esta etapa da minha vida, entre eles, um seleto grupo com o qual tive o privilégio de
trabalhar e aprender nesses mais de dez anos na área de EAD, e um agradecimento
carinhoso às amigas inspiradoras Carmem Maia e professora Cristiane Alperstedt.
Por fim, gostaria de agradecer às pessoas mais importantes da minha vida:
minha família, meus pais, minha irmã, meu cunhado, meu sobrinho e Kelder, pelo
amor, apoio, compreensão, paciência e carinho.
Agora eu só desejo: Boas ondas!


RESUMO

A proposta desta pesquisa é verificar como a web tem modificado os meios de
comunicação de massa tradicionais, levando-os a ampliar sua atuação e a sua
proximidade com o público, e, ao mesmo tempo, contribuindo para o surgimento de
canais interativos de comunicação, que possibilitam a livre produção e transmissão
de informações, sem a intermediação e o controle dos grandes veículos. Busca-se
relatar brevemente a evolução tecnológica dos principais meios de comunicação –
jornal, rádio, cinema e televisão – e suas convergências até a chegada da internet.
São também descritos e analisados os sites de três grandes representantes das
mídias na atualidade: o jornal O Estado de S. Paulo, a rádio CBN e a Rede Globo de
Televisão. Ao se identificar os recursos de colaboração e participação utilizados por
esses veículos, tanto no formato tradicional quanto na web, para manter cativa ou
ampliar sua audiência, evidencia-se, por um lado, seu estímulo à cultura participativa
e, por outro, a manutenção do seu domínio sobre a concepção, produção e
distribuição da informação. Por fim, apresenta-se uma possibilidade alternativa de
participação do público em geral na web, por meio de veículos como o YouTube,
que transforma antigos leitores, ouvintes e telespectadores passivos em usuários
ativos, produtores e emissores de conteúdo, formando a base de uma cultura
efetivamente participativa, com consequências, apenas em parte previstas, em
diversos âmbitos da atuação humana.

Palavras-chave: Web. YouTube. Comunicação de massa. Convergência. Cultura
Participativa.








ABSTRACT


The purpose of this research is to verify how Internet have been modifying the
traditional mass communication medias, making them stretch up the area of scope
and the proximity to the public, and in the same time, contributes for the creation of
interactive communication channels that allow free production and transmission of
information, without intermediation and control of the big media channels. It briefly
reports the technology evolution of the main communication medias – newspaper,
radio, cinema and television – and their convergence until the internet invention.
There are also analysis and descriptions of the 3 biggest representatives of the
communication media nowadays: O Estado de S. Paulo Newspaper, CBN Radio, and
Rede Globo TV, identifying the collaboration and participation used by theses medias
in the traditional format and on the Internet to keep and increase the audience ,
makes evident by one side the stimulation to the participative culture and by another
side the maintenance of the domain of creation, production and distribution of
information. This study presents an alternate possibility of public participation on the
web, via medias such as YouTube, which transforms old school readers, listeners
and passive TV watchers in active users, producers and content loaders, creating a
base of participative culture, with consequences in several aspects of the human life.

Key-words: Web. YouTube. Mass Communication. Convergence. Participative
culture.















LISTA DE FIGURAS


Fig. 01 – Indicadores da Central Nacional de Denúncias - Safernet..........................37
Fig. 02 – Página inicial do site do jornal O Estado de S. Paulo.................................42
Fig. 03 – Página com informações do Twitter do jornal O Estado de S. Paulo..........43
Fig. 04 – Página do Twitter oficial do jornal O Estado de S. Paulo............................43
Fig. 05 – Página do Facebook oficial do jornal O Estado de S. Paulo.......................44
Fig. 06 – Página do Flickr oficial do jornal O Estado de S. Paulo..............................44
Fig. 07 – Página de arquivos do Flickr oficial do jornal O Estado de S. Paulo..........45
Fig. 08 – Álbum do Flickr do O Estado de S. Paulo – Charges da Copa do Mundo.45
Fig. 09 – Seção de fotos do site do O Estado de S. Paulo........................................46
Fig. 10 – Seção de blogs do site do O Estado de S. Paulo........................................47
Fig. 11 – Seção da TV Estadão do site do O Estado de S. Paulo.............................47
Fig. 12 – Ferramentas de interação e compartilhamento das notícias.......................48
Fig. 13 – Tour Virtual do Estadão Digital....................................................................48
Fig. 14 – Página inicial do site da Rádio CBN............................................................49
Fig. 15 – Chamada da seção “Repórter Ouvinte CBN”..............................................49
Fig. 16 – Página com informações da rádio CBN no Twitter.....................................50
Fig. 17 – Canal CBN no YouTube..............................................................................51
Fig. 18 – Página “CBN no seu site”............................................................................52
Fig. 19 – Página do “Podcast CBN”...........................................................................53
Fig. 20 – Página inicial do site da Rede Globo...........................................................54
Fig. 21 – Páginas oficiais da Rede Globo no Twitter e no Facebook.........................55
Fig. 22 – Opções de compartilhamento de conteúdo.................................................55
Fig. 23 – Fale conosco do Jornal Nacional................................................................56

Fig. 24 – Cadastro único para envio de vídeos..........................................................57
Fig. 25 – Página do Jornal Nacional Especial............................................................57
Fig. 26 – Página do Twitter do Profissão Repórter.....................................................58
Fig. 27 – Página inicial do Projeto “Mil Casmurros”...................................................59
Fig. 28 – Página inicial do Canal Malhação no YouTube...........................................60
Fig. 29 – Página inicial do site da novela Caminho das Índias..................................61
Fig. 30 – Imagem da busca pelo nome da novela no YouTube.................................61
Fig. 31 – Mensagem de adequação ao idioma..........................................................72
Fig. 32 – Barra de busca do YouTube.......................................................................72
Fig. 33 – Página de busca por categorias..................................................................73
Fig. 34 – Opções de busca.........................................................................................73
Fig. 35 – Tela de acesso ao cadastro do YouTube....................................................74
Fig. 36 – Tela de envio de vídeos..............................................................................74
Fig. 37 – Tela de acompanhamento de envio e catalogação dos vídeos..................76
Fig. 38 – Tela do clipe do cantor Justin Bieber..........................................................77
Fig. 39 – Imagem da avaliação do vídeo....................................................................77
Fig. 40 – Opções de compartilhamento de vídeos no YouTube................................78
Fig. 41 – Opções de customização de template........................................................78
Fig. 42 – Alerta de vídeo impróprio............................................................................79
Fig. 43 – Análise estatística de visualização dos vídeos............................................80
Fig. 44 – Exemplo de transcrição e tradução de vídeos no YouTube .......................81
Fig. 45 – Exemplo da opção de download de vídeos no YouTube............................82


LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS


ARPANET – Advanced Research Projects Agency Network
BBC – British Broadcasting Corporation
CBN – Central Brasileira de Notícias
CBS – Columbia Broadcasting System
CPJ – Comitê para Proteção de Jornalistas
NET – Internet
WWW – World Wide Web



SUMÁRIO


INTRODUÇÃO .......................................................................................................... 13
1 A EVOLUÇÃO DOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO DE MASSA – BREVE RELATO
.................................................................................................................................. 16
1.1 Do alfabeto pictográfico aos jornais multimidiáticos ........................................ 16
1.2 Do rádio de ondas curtas às rádios online ....................................................... 21
1.3 Do cinema e da televisão ao YouTube .......................................................... 255
1.4 A (R)evolução da internet ................................................................................ 25
2 COMO OS MEIOS DE COMUNICAÇÃO DE MASSA SE RENDERAM À WEB .... 39
2.1 O Estado de S. Paulo, qual é o valor do conhecimento? ................................. 42
2.2 CBN, a rádio que toca notícias ........................................................................ 49
2.3 Rede Globo, a gente se vê por aqui ................................................................ 54
2.4 Mas o controle da informação continua ativo ................................................... 62
3 O YOUTUBE COMO VEÍCULO DE COMUNICAÇÃO LIVRE ............................... 66
3.1 O YouTube ...................................................................................................... 68
3.2 Funcionalidades do YouTube .......................................................................... 72
3.3 YouTube e as possibilidades de transmitir-se ................................................. 84
CONSIDERAÇÕES FINAIS ...................................................................................... 90
REFERÊNCIAS ........................................................................................................ 93


INTRODUÇÃO

Em ritmo de aceleração crescente desde o final do século XIX, o avanço das
tecnologias de informação e comunicação tem contribuído para mudanças
significativas nas várias esferas da atividade humana.
Ao longo do tempo, os meios de comunicação massivos, hoje dominados por
grandes grupos de abrangência global, regional ou local, sempre se apropriaram e
se beneficiaram, de uma forma ou de outra, desse avanço, preservando o controle
da produção e distribuição da informação destinada à sociedade em geral.
Tornada de domínio público há cerca de apenas duas décadas, a internet
vem gradativamente alterando essa relação assimétrica entre a mídia tradicional e
as suas vastas audiências.
O objetivo desta pesquisa é verificar como os meios massivos estão se
ajustando à nova realidade configurada pela web, que propicia condições para que
leitores, ouvintes e telespectadores antes passivos tornem-se geradores e
propagadores ativos de conteúdos, mediante a utilização de ferramentas digitais em
ininterrupta atualização.
A evolução gradativa dos recursos tecnológicos, tanto equipamentos
(câmeras, filmadoras, celulares) quanto softwares, tem tornado cada vez mais
simples e acessível a utilização de dispositivos de captação, edição e
disponibilização de conteúdos, contribuindo para o crescimento exponencial de
publicações na web.
Esse novo cenário reflete-se, assim, numa transformação conceitual
importante no que se refere à produção e ao acesso a informações, assim como à
disponibilização e ao compartilhamento dos dados. A cada segundo, incontáveis
conteúdos são publicados na web, por usuários das mais diversas localidades do
planeta, reduzindo distâncias e facilitando interações.
No primeiro capítulo, esta pesquisa traz um breve histórico da evolução
tecnológica dos meios de comunicação massivos, acompanhando as principais
transformações por que passaram ao longo do tempo. Esse capítulo inclui ainda o
14

relato da trajetória da internet, que, segundo estudiosos, constitui um dos mais
importantes meios de comunicação surgidos desde os primórdios da civilização
humana, contribuindo fortemente para a interação entre as pessoas e a
disponibilização e disseminação de conteúdos.
No segundo capítulo, busca-se contextualizar as mudanças impostas pela
web às mídias tradicionais, em sua tentativa de se adaptar aos novos formatos e de
se reinventar como meios, sem perder, contudo, o controle sobre a informação. Para
tanto, foram escolhidos como objeto de análise os sites de três veículos de
comunicação de massa: o jornal O Estado de S. Paulo, por ser um dos diários
impressos mais antigos e tradicionais do País, além de possuir uma das maiores
tiragens e circulação nacional; a rádio CBN, por ser uma emissora inovadora, que
apostou em um modelo diferenciado de radiojornalismo, sendo pioneira no formato
“all news” (24 horas de notícias); e a Rede Globo de Televisão, por ser a rede de TV
com maior audiência em todo o território nacional. Procurou-se destacar as
principais ações desses veículos no incentivo à participação do público, diante das
inúmeras possibilidades disponíveis na web, que proporcionam uma série de
mudanças na disponibilização das informações na rede, onde jornais deixam de
passar suas informações exclusivamente em papel e imagens estáticas, rádios
deixam de transmitir apenas áudio e as televisões não se restringem apenas aos
vídeos.
Finalmente, no terceiro capítulo, investiga-se o surgimento do YouTube, por
ser uma das novas plataformas agregadoras de conteúdos, já considerada a
comunidade de vídeos online mais popular na web. Trata-se de um veículo de
comunicação que, graças a evolução dos recursos de produção, compartilhamento e
distribuição de conteúdos, possibilita tanto aos veículos tradicionais de comunicação
(jornal, rádio, cinema/TV) quanto aos usuários comuns a disponibilização de vídeos,
que rompe com o modelo de comunicação de um emissor para vários receptores,
permitindo a transmissão de vários emissores para vários receptores, o que
descentraliza as informações e dá aos seus usuários a opção de “transmitir-se, ou
Broadcast YourSelf”.
Esta pesquisa foi norteada pelas visões de Asa Briggs e Peter Burke, e
Antonio F. Costella, que abordam a evolução dos meios de comunicação, e de
15

Manuel Castells, Nicholas Negroponte, Wilson Dizard e Henry Jenkins, com suas
percepções e previsões acerca do meio virtual. Assim como por Jean Burgess e
Joshua Green, que analisam e discutem as transformações causadas pelo YouTube,
Pierre Lévy e André Lemos, com suas colocações pontuais sobre as transformações
da web e os caminhos a serem percorridos, e Lúcia Santaella e seus estudos sobre
as relações humanas e a cultura das mídias e cibercultura, além de outros autores e
pesquisadores.
Assim, esta pesquisa se orienta pela pesquisa empírica e de investigação
com a análise das mudanças, adaptações e readaptações que estão ocorrendo nos
meios de comunicação tradicionais, em virtude das potencialidades da web, e das
mudanças culturais e sociais que afetam seus usuários, antes receptores passivos e
agora emissores ativos, usufruindo as possibilidades de interação oferecidas por
comunidades virtuais como o YouTube.
16

1 A EVOLUÇÃO TECNOLÓGICA E OS MEIOS DE COMUNICAÇÃO DE MASSA –
BREVE RELATO


A evolução dos meios de comunicação de massa – imprensa, rádio e
cinema/televisão – a par e passo com os avanços tecnológicos, será tratada
brevemente neste capítulo, a fim de resgatar os principais dados históricos e
fornecer uma visão ampla das suas transformações ao longo do tempo.
As mídias de massa surgem a partir do século XVI com a formação
da opinião, do público, primeiro da imprensa e, mais tarde, pelos
meios audiovisuais como o rádio e a televisão. O transporte à
distância do pensamento e da força vai criar as redes das primeiras
cidades modernas ganhando novas dimensões nos séculos XIX com
a revolução industrial e com as mídias de função massiva no final do
século XX. (LEMOS, 2010, p. 26)
Cada um desses meios, motivados pela exigência de seu público,
impulsionados pela economia mundial e acompanhando as evoluções tecnológicas
e, consequentemente, as mudanças culturais, passaram por diversas adaptações ao
longo do tempo. É por isso que continuam presentes em nosso cotidiano.
A web também se apresenta nesse contexto como o meio de comunicação
mais recente e que tem gerado transformações sociais, econômicas, políticas e
culturais.

1.1 Do alfabeto pictográfico aos jornais multimidiáticos

Estudos apontam a origem dos primeiros indícios de escrita na Mesopotâmia,
entre 4000 e 3000 a.C., com o alfabeto denominado pictográfico, constituído por
representações da realidade da época e expressos por desenhos simplificados.
Antes da utilização do papel, surgiram diversas variações de escrita –
cuneiforme (320 e 1950 a.C.), hieroglífica (3200 a.C), ideogramas (1600 a.C.),
alfabeto norte-semítico (1700 e 1500 a.C) e alfabeto grego (1000 e 900 a.C.),
registrados em suportes que iam de tábuas de argila a peles de animais, papiros e
pergaminhos.
17

Somente em meados do século XII, o papel, inventado pelos chineses, foi
introduzido no mundo ocidental, difundindo-se dessa época até o século XV na
Europa.
Não se pode falar em imprensa, sem antes mencionar a prensa, criada por
Gutenberg em meados do século XV, que permitiu a multiplicação ilimitada, sem que
os originais fossem alterados.
Essa invenção contribuiu para a disseminação entre os cidadãos comuns, de
informações que antes ficavam limitadas à igreja e seus copistas.
O conhecimento, até então restrito apenas a um grupo pequeno de
estudiosos, passou a ser difundido graças à disseminação das cópias, que facilitava
a transmissão de conteúdos. As obras, além de textos corridos, incluíam gráficos,
fotos, desenhos, gravuras e tabelas.
A produção e a comercialização dos livros deram início a grandes
transformações culturais, possibilitando o acesso ao conhecimento sem a
necessidade de se estar fisicamente diante do emissor da informação.
Antes do aparecimento do jornal periódico, desde o início do século XV, já
existiam as chamadas gazetas manuscritas, informativos derivados das cartas,
replicados por copistas e compostos de reportagens e notícias compiladas, mas
restritos a um grupo limitado de leitores. As gazetas continuaram a circular, mesmo
depois do surgimento do jornal, pois, por meio delas, as notícias podiam circular sem
passar pelos mecanismos de censura a que estavam sujeitos os jornais.
A abundância de correspondência resultou no surgimento
espontâneo da gazeta manuscrita, isto é, do jornal feito a mão. Nos
principais centros europeus, algumas pessoas, tomando esse
noticiário variado, começaram a reuni-lo em um único texto, do qual
tiravam cópias manuscritas, para vender. (COSTELLA, 2002, p. 76)
Apenas no começo do século XVII, o jornal tipografado surgiu na Europa.
Com o desenvolvimento do jornalismo e diretamente relacionado ao avanço das
tecnologias de impressão tipográfica, de acordo com BRIGGS e BURKE (2006, p.
26), “o surgimento dos jornais aumentou a ansiedade sobre os efeitos da nova
tecnologia”. Na época, se questionava se a invenção da tipografia traria mais
18

vantagens ou desvantagens, chegando a ser mencionado que esse recurso iria
distorcer a paz da humanidade.
Inicialmente, os jornais não contavam com periodicidade regular nem com
muita variedade de matérias. As notícias publicadas na época referiam-se a guerras,
morte de monarcas ou acidentes naturais.
O desenvolvimento da tipografia e a aceitação do público incentivaram os
tipógrafos a ampliar a quantidade e a variedade das notícias, e os jornais passaram
a ser entregues pelo correio, juntamente com a correspondência dos moradores das
maiores localidades.
Foi assim que passaram a circular na Europa os jornais impressos, seguindo
o formato até hoje conhecido. Os principais leitores da época eram os mercadores,
homens de negócios e homens de Estado, que faziam parte das cadeias comerciais
da época.
Nesse período, a circulação dos jornais era precária, pela ineficiência dos
meios de transporte, que não permitiam a distribuição de forma rápida. Mesmo
assim, os jornais foram se propagando, e, ainda no século XVII, Amsterdã se tornou
a principal localidade de edição de jornais, alguns deles com periodicidade de até
três vezes por semana e editados em línguas como latim, francês, inglês e holandês.
A Revolução Industrial, no século XVIII, deu início ao acelerado
desenvolvimento da imprensa. Máquinas de impressão movidas a vapor alteraram a
maneira de se fazer os jornais e, paralelamente, aceleraram a veiculação das
notícias.
O início do século XX foi marcado por evoluções tecnológicas importantes. A
imprensa ganhou valor e poder na sociedade, assumindo um papel preponderante
em todo o mundo, particularmente nos Estados Unidos.
De lá para cá, os jornais popularizaram-se e passaram a exercer maior poder
sobre as massas, contribuindo na formação da opinião pública.
Deve-se ressaltar que o surgimento de uma nova mídia causa um desconforto
inicial, gerando muitas dúvidas sobre seus benefícios. O meio impresso gerou
19

diversas transformações na forma de pensar e agir da humanidade, pois ampliou a
possibilidade de disseminação da informação e a necessidade de organizá-la
(BRIGGS e BURKE, 2006).
Na segunda metade do século XX, com o surgimento do rádio e da televisão,
os jornais passaram por uma adaptação, tanto no processo de confecção quanto na
produção de conteúdo, acompanhando a evolução das técnicas de impressão.
Uma característica do jornal moderno é possibilitar uma leitura não linear, pois
ele é composto por diversos cadernos, agrupados por categorias e traz a capa
repleta de manchetes, cada uma com um destaque diferente.
A experiência de leitura do jornal também é descontínua. Nós
varremos visualmente a primeira página para ter um sentido do que
está acontecendo no mundo. Absorvemos as imagens, manchetes,
leads e algum outro texto de uma olhada. Abrimos o jornal e vamos
lendo o que nos prende a atenção, saltando de uma coisa para outra,
não necessariamente completando qualquer leitura. Não há começo
ou fins fixos. Selecionamos um começo quando saltamos direto para
negócios ou esportes e terminamos quando deixamos o jornal de
lado. Escaneamos uma notícia, procuramos mais informações em
outras páginas e retornamos com a maior facilidade para o começo.
Saltamos para o parágrafo que sintetiza a conclusão. Assim como
em um mosaico, montamos uma imagem dos acontecimentos
cotidianos a partir de vários pedaços de informação. O jornal
moderno, informado pelo telégrafo, pressagiou as qualidades da era
digital. (SANTAELLA, 2008, p. 96)
Como se pode perceber, do século XV ao século XX, a evolução da escrita
não parou. Com o surgimento da internet e a criação de hiperlinks, os textos
deixaram de se limitar ao seu conteúdo linear, e a forma de ler foi passando por
mudanças perceptíveis.
O tempo humano entra em sua fase histórica a partir da invenção da
escrita. Mais tarde, as grandes civilizações do alfabeto e
particularmente aquelas que se inspiram na Bíblia (História da
Salvação, Profecia, Messianismo) inventaram a estranha consciência
– ao mesmo tempo atriz e observadora – de uma história orientada,
dotada de um sentido. Com a imprensa, o tempo se acelerou para
tornar-se “revolucionário”: revoluções científicas, religiosas,
industriais, políticas. A emergência do ciberespaço, novo salto capital
na história da linguagem, transforma a vivência no tempo e no
espaço. A velocidade ordinária da evolução cultural cedeu lugar ao
tempo real, instantâneo, de troca de informações multimidiáticas.
(LEMOS e LÉVY, 2010, p. 44)
20

Graças à multimídia na web, atualmente os textos deixaram de se limitar a
gráficos, fotos, desenhos, imagens e tabelas estáticas. Agora, os jornais contam
também com animações, vídeos e áudios, que convergem em um conteúdo mais
rico e interessante.
21

1.2 Do rádio de ondas curtas às rádios online

A descoberta da eletricidade por Benjamin Franklin, na segunda metade do
século XIX, impulsionou o avanço da tecnologia do áudio e do rádio. Diante da
necessidade da comunicação a distância, os estudiosos William Fothergill Cooke e
Charles Wheststone patentearam, em Londres, o primeiro sistema a utilizar os
princípios do eletromagnetismo para transmitir sons por ondas de radiofreqüência
por meio de um aparelho. Mas foi o telégrafo, desenvolvido pelo norte-americano
Samuel Morse, entre 1832 e 1837, que se popularizou, por ser um aparelho que
intercalava impulsos elétricos breves e longos que correspondiam, respectivamente,
a pontos e traços de acordo com um código, que foi denominado código Morse.
O jovem italiano Gugliemo Marconi também tem sua participação na história
do rádio, pois apresentou em Londres, em 1896, vários aparelhos para transmissão
sem fio, concebidos para substituir a telegrafia por fio. Com a intenção de vender
seus aparelhos a clientes comerciais de grande escala e ao governo, no ano
seguinte, Marconi fundou a Wireless Telegraph and Signal Company e iniciou suas
primeiras transmissões.
No Brasil, foi o padre Roberto Landell de Moura que construiu o primeiro
transmissor sem fio, em 1892. Em 1894, realizou a primeira transmissão de palavra
falada, por meio de ondas hertzianas, entre a Avenida Paulista e o alto de
Sant'Anna, em São Paulo, cobrindo uma distância de oito quilômetros. Depois de
muitos esforços, foram-lhe entregues nos EUA, em 1904, os registros das patentes
do transmissor de ondas, do telefone sem fio e do telégrafo sem fio.
Outra transmissão de voz por ondas eletromagnéticas foi realizada pelo
canadense Reggie Fasseden. Na noite de Natal de 1906, Fasseden surpreendeu os
operadores de telégrafo sem fio dos navios que navegavam na costa de
Massachussets, adaptando um microfone para transmitir sua própria voz e um solo
de violino (MEDITSCH, 2001).
O início da radiodifusão está relacionado à possibilidade do uso das ondas
eletromagnéticas para a transmissão de voz e música.
22

Mas foi na primeira década do século XX que teve início o desenvolvimento
da transmissão de sons. Nesse período, os governos europeus perceberam a
potencialidade que o uso do rádio teria nas operações militares.
Na Primeira Guerra Mundial (1914-1918), os governos submeterem o uso das
ondas de Hertz ao controle estatal, de forma a não permitir que pessoas comuns
pudessem captar informações cujo vazamento poderia causar uma série de
desvantagens estratégicas. Durante o período da guerra, o público não teve acesso
ao rádio.
Antes do advento da televisão, o rádio era o meio que reunia as famílias para
a audição, fosse das notícias, fosse das canções ou radionovelas.
Da maneira como é conhecido nos dias de hoje, o rádio foi concebido por
David Sarnoff, na última década do século XX, com o formato de uma caixa de
música e funcionava por meio de vários e diferentes comprimentos de ondas,
acionadas por um botão. O diferencial desse novo meio estava no fato de levar aos
ouvintes, no lugar em que estivessem, notícias, músicas ou programas de
variedades. Por meio das transmissões radiofônicas, pessoas dos mais remotos
lugares se atualizavam sobre as transformações pelas quais o mundo estava
passando. Ele também já era portátil, garantindo aos seus ouvintes a mobilidade. O
rádio tinha a função de entreter, informar e educar.
Para a sociedade industrial, todos os meios de entretenimento das massas
passaram a ser relevantes, e o rádio, a partir dos anos 20, tornou-se uma das
principais fontes de lazer da população. Era o início da indústria cultural ou indústria
de entretenimento.
É interessante constatar que, até meados de 1930, o rádio ainda era caro e
visto como um objeto de desejo, acessível somente a um número restrito de
pessoas. Aqueles que possuíam o aparelho tinham prestígio na sociedade.
Da mesma forma, um automóvel era um produto de luxo e ninguém o
imaginava em uma casa de subúrbio com uma garagem – (...) mais
tarde o mesmo tipo de domicílio não podia ser associado a aparelhos
de rádio. (BRIGGS e BURKE, 2006, p. 156)
23

Considerado um veículo de informação com capacidade de se comunicar de
maneira individualizada com milhões de pessoas simultaneamente, o rádio
transformou-se num poderoso instrumento de comunicação de massa, tanto para
fins políticos como para propaganda.
Vale ressaltar o uso do rádio na Segunda Guerra Mundial (1939-1945),
quando desempenhou um papel importante, pois, por meio dele, as pessoas
puderam acompanhar as decisões tomadas nos gabinetes dos chefes de Estado e
os acontecimentos nos fronts de batalha.
No dia 6 de junho de 1944, o famoso dia D, quando a divisão dos exércitos da
Grã Bretanha e dos Estados Unidos desembarcou na Normandia, na França, com a
finalidade de derrotar as forças alemãs, a resistência aos nazistas tomou
conhecimento do fato por meio de uma transmissão realizada pela companhia
britânica de comunicação, a BBC (British Broadcasting Corporation).
Assim, durante o período da Segunda Guerra Mundial, os dois lados da
guerra se utilizaram da radiodifusão como meio de divulgação de suas concepções
políticas.
Do ponto de vista do controle do rádio, em seus primórdios, apenas nos EUA,
não houve controle estatal, uma vez que parecia muito arriscado aos outros
governos abrir mão da fiscalização desse meio de comunicação de massa. Assim,
nos demais países, havia uma mistura dos dois modelos, o estatal e o privado.
Com a popularização da televisão, na segunda metade do século XX, houve
uma mudança no papel do rádio como meio de comunicação e entretenimento. Mas
o novo meio não teve o poder de exterminar o rádio, que se adaptou e continua
atuante em nossos dias.
Atualmente, o rádio é uma das mídias mais populares e acessíveis. No
veículo automotivo, nas residências, no ambiente de trabalho ou no próprio celular,
as pessoas podem ouvir sua estação de rádio preferida, cada uma com
programação destinada a um determinado público.
É possível ainda que as pessoas montem uma programação customizada, na
qual a seleção de músicas e programas fica organizada e pode ser baixada em
24

aparelhos portáteis de MP3. Softwares como Itunes possibilitam a organização de
faixas e a reprodução contínua delas das mais variadas maneiras. Na web vários
links ensinam os usuários a criar suas próprias rádios web, ou rádios online, como
são chamadas. E mesmo as emissoras têm portais na web onde os ouvintes podem
ouvir a programação do próprio computador.


25

1.3 Do cinema e da televisão ao YouTube

De acordo com COSTELLA (2002), por volta de 5000 a.C. na China, já se
faziam projeções de sombras com narração, chamadas de “jogos de sombras”, que
quase sempre envolviam príncipes, guerreiros e dragões.
Leonardo Da Vinci, no século XV, criou a “câmara escura” que projetava
imagens invertidas por um orifício coberto por uma lente no interior de uma caixa.
Na metade do século XVII, baseando-se no processo inverso ao da câmara
escura, o alemão Athanasius Kirchner cria a “lanterna mágica”, composta por uma
caixa cilíndrica iluminada a vela, que projetava as imagens desenhadas em uma
lâmina de vidro.
Em 1º de novembro de 1895, os irmãos alemães Max e Emil Skladanowsky
exibiram as primeiras figuras em movimento, para um público pagante, por meio de
um primitivo projetor de filmes chamado de “Bioscópio” (Bioskop). Mas o marco da
história das imagens em movimento ficou com os irmãos Lumière, que realizaram a
primeira exibição pública em 28 de dezembro do mesmo ano, no Grand Café, em
Paris, dando início, assim, ao cinema mudo.
Os primeiros filmes eram documentários curtos sobre a vida cotidiana, com
imagens capturadas ao ar livre. Tinham cerca de dois minutos de projeção, tempo
que durava o rolo de filme utilizado.
Outros nomes importantes marcam a história do cinema. O francês George
Méliès, considerado o pai da arte do cinema, devido à sua familiaridade com
números de mágica e ilusionismo, investia em suas produções, tanto nos figurinos,
quanto em atores, maquiagens e cenários, opondo-se ao estilo documentarista dos
irmãos Lumière. Ele desenvolveu técnicas de fusão, exposição múltipla, uso de
maquetes e foi o percussor dos efeitos especiais. Já David Griffith foi o primeiro
realizador de um longa-metragem americano, tido como base da criação da indústria
cinematográfica de Hollywood, cuja ascensão ocorreu no período da Segunda
Guerra Mundial.
26

A década de 20 consolidou a indústria cinematográfica americana e os
grandes gêneros, como policial, musical e, principalmente, a comédia. Charles
Chaplin, como diretor, produtor e ator, foi um dos principais nomes do cinema mudo
norteamericano.
Na época, ainda não se conseguia sincronizar som e imagem, e as vozes
saíam com imperfeição. Mas os cineastas e produtores fizeram diversas pesquisas
em estúdios de gravação para desenvolver uma técnica que mostrasse o movimento
dos lábios juntamente com a emissão da voz. Essa técnica foi utilizada pela Warner
Bros no filme O Cantor de Jazz, de 1928. (COSTELLA, 2002)
Com o surgimento do cinema sonoro, acabou-se o tempo da improvisação
dos atores, pois os diálogos passaram a ser escritos e previamente estudados pelo
elenco dos filmes.
A realização de um filme, principalmente de um filme sonoro, oferece
um espetáculo jamais visto em outras épocas. Não existe, durante a
filmagem, um único ponto de observação que nos permite excluir do
nosso campo visual as câmaras, os aparelhos de iluminação, os
assistentes e outros objetos alheios à cena. Essa exclusão somente
seria possível se a pupila do observador coincidisse com a objetiva
do aparelho, que muitas vezes quase chega a tocar o corpo do
intérprete. (BENJAMIM, 1985, p.186)
Mas essa passagem para o cinema sonoro recebeu críticas de muitos
cineastas. Entre eles, Pudóvkin e Eisenstein, que chegaram a redigir um manifesto
no qual afirmavam que o som deveria existir apenas como ruído, pois, se
acompanhasse a imagem, poderia destruir a essência da arte cinematográfica,
tornando-a uma cópia da arte teatral.
Depois do desenvolvimento do rádio e do cinema, a necessidade de transmitir
simultaneamente som e imagem a distância fez com que os investimentos na
televisão tivessem início.
A televisão, ao surgir, levou enorme vantagem sobre o rádio. Este já
construíra uma estrutura comercial e jurídica, da qual a TV tirou
proveito imediato. Na América, em especial nos Estados Unidos, a
TV arrecadou as verbas publicitárias que o rádio levara anos.
(COSTELLA, 2002, p.197)

27

O invento da televisão é resultado da soma de esforços do sueco Jons Jakob
Berzelius, que descobriu o selênio em 1817, do alemão Paul Nipkow, que em 1884
propôs um “disco explorador” considerado o princípio básico da televisão, e do
também alemão Karl Ferdinand Braun, que em 1897 criou um tubo conhecido como
“ociloscópio”. Mas foi o russo Wladimir Kosma Zworykin que, em 1923, construiu e
patenteou uma invenção que aproveitava o tubo de Braun e um sistema de
fotocélulas: o “iconoscópio”, definido como o primeiro sistema eficiente de televisão
totalmente eletrônico.
Em 1937 dois sistemas de TV já estavam desenvolvidos para competir: o
dissector de imagens de Farnsworth, da Farnsworth Laboratory Ltd., e o iconoscópio
de Zworykin, da RCA, que acabou prevalecendo. (COSTELLA, 2002)
A princípio, os produtores de cinema temeram que, com o advento da
televisão, as famílias não freqüentassem mais as suas salas. Isso de certa forma
ocorreu, o que acabou por estimulá-los a investir em mais e melhores produções,
destacando assim as diferenças das telas (não só pelo tamanho, mas também pela
qualidade de imagem e som).

Com o advento da TV, a grande tela da sala de cinema se
reproduzia, por sua vez, na telinha do interior doméstico; a massa de
espectadores afluía para o núcleo familiar; a distração pública se
convertia na distração privada. O tempo coletivo da metrópole se
unia ao tempo subjetivo do indivíduo, os desvios da multidão com o
trabalho, as fantasias e os períodos de inatividade da família (...).
(ABRUZZESE, 2006. p. 64)

Hoje, cinema e televisão têm, cada um, seu espaço garantido e seu público
cativo. As salas de cinema cada vez investem mais em conforto e qualidade de
reprodução, e as televisões passam por grandes mudanças com o investimento em
altadefinição, sistema digital e as inovadoras telas 3D.
Canais fechados de filmes auxiliam na rentabilidade das produções
cinematográficas e existe ainda a possibilidade de se assistir a TV e filmes pelo
computador, por meio da web outro canal bem explorado na atualidade.
Com a introdução dos microcomputadores pessoais e portáteis, que
nos anos 80 já estavam penetrando no mercado doméstico, os
28

espectadores começaram a se transformar também em usuários.
Isso significa que começou a mudar aí a relação receptiva de sentido
único do televisor para o modo interativo e bidirecional que é exigido
pelos computadores (...) (SANTAELLA, 2008, p.81)

Apesar da baixa resolução de qualidade, as transmissões pela web,
conquistam público cativo nos mais diversos portais. Um deles é o YouTube
1
,
serviço livre e líder no setor de vídeos on-line, que permite aos usuários facilmente
assistir e compartilhar vídeos originais, por meio de sites, celulares, blogs e e-mail,
estimulando as produções não só profissionais, mas também domésticas ou
amadoras.


1
Disponível em: http://www.youtube.com
29

1.4 A (R)evolução da internet

“Quando for escrita a história da mídia do Século XX,
a internet será vista como a sua maior
contribuição”
E.M. Noan
2


A internet surgiu em meados da década de 1950, a partir de projetos
desenvolvidos pelo Departamento de Defesa Americano, com o intuito de manter a
viabilidade da comunicação em caso de guerra, mantendo interligados os centros
militares por meio de redes de computadores.
O projeto tinha sede em vários edifícios nos EUA, devidamente equipados e
interligados em rede. Os equipamentos reuniam informações sobre os aviões que
sobrevoavam suas localidades, possibilitando o controle de todo o trânsito aéreo nas
regiões, por meio da comunicação entre eles. (COSTELLA, 2002)
No início dos anos 70, o uso dessa rede militar foi ampliado para uma rede
acadêmica que interligava universidades norteamericanas, para a fomentação de
pesquisas com fins bélicos. A partir de 1975, o acesso a essa rede passou a ser
liberado em outras localidades do mundo, ainda com uso limitado ao exército e às
universidades, formando uma pequena rede de algumas centenas de computadores.
No início, tratava-se de uma rede limitada, (ARPANET),
compartilhando informação entre universidades “high tech” e outros
institutos de pesquisa – em 1975 havia dois mil usuários. Graças ao
tipo de informação que estava sendo compartilhada, um elemento
essencial de sua razão de ser era que a rede pudesse sobreviver à
retirada ou destruição de qualquer computador ligado a ela, e, na
realidade, até a destruição nuclear de toda a infraestrutura de
comunicações. Essa era a visão do Pentágono. A visão das
universidades é que a NET oferecia “acesso livre” aos usuários
professores e pesquisadores, e que eram eles comunicadores.
(BRIGGS e BURKE, 2006, p. 301)

O marco mais importante na ampliação desse sistema foi a criação em
Genebra, em 1989 da WWW (World Wide Web), que permitiu a interligação de

2
E.M. Noan é diretor do Instituto para Teleinformação da Universidade de Columbia, e disse essa
frase no final da década de 1990.
30

milhares de redes, iniciando assim o tráfego mundial de informações por meio dos
computadores, não mais restrito às comunidades científicas (exército/universidades),
mas também acessível aos usuários comuns.
Graças a essa liberação, criaram-se os primeiros provedores de acesso, cuja
função era possibilitar a conexão do computador pessoal do usuário com a grande
rede. Liberada para uso comercial, a internet, logo se tornaria a rede das redes,
dando a todos a possibilidade de acesso a web.
No Brasil, foi no início dos anos 90 que as Universidades iniciaram a
disseminação do uso da internet, com alguns recursos disponíveis de acesso livre e
gratuito. Os primeiros usuários tinham seu endereço de e-mail, sua página pessoal
cheia de gifs
3
animados e passavam várias horas conversando em salas de bate-
papo com outros usuários de diferentes lugares do planeta.
De acordo com Costella (2002), em 1996, com cinco anos de existência, a
web já contava com cerca de 50 milhões de usuários pelo mundo, número que a
eletricidade conseguiu atingir somente depois de 46 anos e o automóvel após 55
anos.
Atualmente a internet está presente na vida diária de muitas pessoas, seja
para trabalho, entretenimento, comunicação ou pesquisa, constituindo-se num meio
de comunicação essencial, ou, como definiu McLuhan (2006), numa extensão de
nós mesmos.
Contemplar, utilizar ou perceber uma extensão de nós mesmos sob
forma tecnológica implica necessariamente em adotá-la. Ouvir rádio
ou ler uma página impressa é aceitar essas extensões de nós
mesmos e sofrer o “fechamento” ou o deslocamento da percepção,
que automaticamente se segue. É a contínua adoção de nossa
própria tecnologia no uso diário que nos coloca no papel de Narciso
da consciência e do adormecimento subliminar em relação às
imagens de nós mesmos. Incorporando continuamente tecnologias,
relacionamo-nos a elas como servomecanismos. Eis por que, para
utilizar esses objetos-extensões-de-nós-mesmos, devemos servi-los,
como a ídolos ou religiões menores. (MCLUHAN, 2006, p.64)


3
Graphics Interchange Format – um dos primeiros formatos de imagens animadas compactadas,
utilizadas para ilustrar as páginas da internet.
31

Graças às constantes transformações e evoluções tecnológicas, empresas
estão investindo cada vez mais no desenvolvimento de recursos ligados aos
interesses dos usuários, possibilitando acesso fácil e rápido às informações, num
mundo cada vez mais globalizado. Tornou-se comum consultar-se as referências de
pessoas, empresas ou produtos na web, antes mesmo de conhecê-las ou testá-las.
A INTERNET é uma revolução. É uma revolução tecnológica mas
também um fenômeno que afeta e afetará em todos os aspectos a
sociedade mundial.[...] O que na realidade parece evidente, é que
tanto a imprensa, quanto o telefone, quatro séculos mais tarde, e a
INTERNET agora, deixarão importantes seqüelas em cada aspecto
da nossa vida e da nossa cultura. [...] A INTERNET nos levará a
participar do que poderíamos chamar de um novo Renascimento
Cultural. Baseados nessa nova tendência podemos definir esse
renascimento como Negroponte o faz: a Cultura do Bit. (TURNER e
MUÑOZ, 1999. p. 44-45)
É fato que a internet, inicialmente uma rede limitada, tem contribuído para a
aceleração do avanço da tecnologia de comunicação, desafiando as previsões da
época de sua criação, ao se tornar uma rede sem fronteiras.
Havia abordagens muito constantes sobre o futuro da Internet. Assim
como nas ferrovias, ela reuniria estranhos: você nunca sabia quem
iria encontrar. Semelhante à mídia – e pela mídia – ela ofereceria
informação, entretenimento e educação. (BRIGGS e BURKE, 2006.
p. 303)
Os grandes portais de notícias e entretenimento não param de crescer. A
maioria dos meios de comunicação tradicionais – jornal, rádio, cinema e TV –
ingressam na rede, oferecendo várias opções de interação para o usuário, que, de
passivo, pode se tornar ativo, interagindo com os canais disponíveis. Os conteúdos e
as mídias convergem e são atualizadas na velocidade de um clique.
Com o aumento significativo de usuários na rede, o volume de informação
cresce aceleradamente a cada minuto. Segundo Shons (2007), esse crescimento se
deve ao fato de a rede ser uma via de comunicação:
a) Desregulamentada
A internet não possui dono e, portanto, não é propriedade de ninguém.
Não há um manual de regras e normas para utilizá-la. No âmbito legal,
existe apenas uma organização internacional dos usuários da internet, a
32

Internet Society
4
, que controla e promove a troca global de informações.
No Brasil, há uma organização similar, o CGI
5
(Comitê Gestor da Internet),
criado em 1995, que coordena e integra iniciativas de serviços internet no
país, visando à qualidade técnica, à inovação e à disseminação dos
serviços ofertados.
b) Descentralizada e aberta
A internet se caracteriza por ser uma rede que todos podem acessar a
qualquer momento e de qualquer lugar. A rede interage todo o tempo com
tudo e todos. Desse modo, torna-se um sistema ativo, em constante troca
com o meio e altamente mutável.
c) Não-hierárquica e interativa
Pelo seu alto grau de interatividade, a internet promove seu
remodelamento na estrutura do fluxo de informação, possibilitando o
desdobramento hierárquico entre emissor e receptor, pois ambos possuem
funções ativas (produzem e distribuem informação).
A internet pode ser considerada, portanto, um meio de comunicação que
reúne um volume crescente de conteúdos, em vários formatos digitais (texto, som,
imagem e vídeo), sobre os mais diversos assuntos e provenientes das mais variadas
fontes. Tanto portais respeitáveis de conteúdo utilizam-se dos seus recursos para
compartilhar dados e notícias de interesse público (economia, política, esportes,
artes) como simples e anônimos usuários da web disponibilizam conteúdos de
interesse pessoal e muitas vezes privados (cenas engraçadas do dia a dia, fotos
pessoais, vídeos caseiros).
Com o desenvolvimento das tecnologias da informática,
especialmente a partir da convergência explosiva do computador e
das telecomunicações, as sociedades complexas foram
crescentemente desenvolvendo uma habilidade surpreendente para
armazenar e recuperar informações, tornando-as instantaneamente
disponíveis em diferentes formas para quaisquer lugares.
(SANTAELLA, 2008, p. 18)
A web reúne uma infinidade de informações geradas, disponibilizadas e
atualizadas a cada momento, num crescente movimento chamado por Lévy (1999)

4
Disponível em: http://www.iscoc.org
5
Disponível em http://cgi.br
33

de “inteligência coletiva”, pois todos podem contribuir a qualquer momento e de
qualquer ponto com suas percepções e conhecimentos.
Precisamente, o ideal mobilizador da informática não é mais a
inteligência artificial (tornar uma máquina tão inteligente quanto ou
talvez mais inteligente que o homem), mas sim a inteligência coletiva,
a saber, a valorização, a utilização otimizada e a criação de sinergia,
entre as competências, as imaginações e as energias intelectuais,
qualquer que seja sua diversidade qualitativa e onde quer que ela se
situe. Esse ideal da inteligência coletiva passa, evidentemente, pela
disponibilização de memória, da imaginação e da experiência, por
uma prática banalizada de troca dos conhecimentos, por novas
formas de organização e coordenação flexíveis e em tempo
real.(LÉVY, 1999, p. 197)
Lemos (2010) também explicita que, na cultura contemporânea, da era digital
e das redes, as ações de produzir, distribuir, compartilhar são os princípios
fundamentais que possibilitam múltiplas formas de criação e recriação de conteúdos.
E defende a idéia de que, quanto mais livremente se torne possível produzir,
distribuir e compartilhar informações, mais inteligente e politicamente consciente a
sociedade ficará.
A web reúne mais de 205 milhões de páginas publicadas (2010), segundo a
Netcraft
6
. Porém, parte dos conteúdos localizados pelos buscadores não se encontra
mais disponível. “Muitos links não levam a lugar algum, ou levam a outro lugar sem
relação nenhuma com o que fora indicado. Isso acaba por deixar o internauta ainda
mais inseguro em relação aos resultados obtidos em suas pesquisas”. (COSTA,
2003)
E essa é apenas uma das várias discussões que a multiplicação de
publicações e o compartilhamento de conteúdos na web tem gerado tanto na esfera
acadêmica quanto na esfera social.
Outro debate importante envolve os direitos autorais, uma vez que há a
percepção equivocada de que tudo o que está na web é público.
A utilização da rede como forma de disponibilização, divulgação e
transmissão de informações apresenta uma gama de problemas
relacionados ao direito de propriedade intelectual, em especial ao
campo de direito autoral, uma vez que a facilidade do acesso, bem
como a facilidade de realização de cópias, possibilita ao usuário a

6
Disponível em http://news.netcraft.com
34

utilização do conteúdo, através de qualquer mídia ou meio, sem que
seja respeitado o direito do titular do mesmo. É preciso compreender
que [...] o fato de uma obra estar disponível na Internet sob a forma
de um arquivo digital não a descaracteriza como criação do espírito
passível de proteção legal. (NIGRI, 2006. p.51)
Outro grande desafio é definir uma regra que possa conciliar o gerenciamento
desse volume conteúdo, à liberdade de expressão.
Alguns países estão se mostrando mais rígidos que outros nesse quesito. Um
artigo
7
publicado pelo CPJ (Comitê para Proteção dos Jornalistas)
8
, em 2009, indica
“os 10 piores países para ser blogueiro”, com base em uma pesquisa realizada com
peritos em internet. O questionário aplicado compunha-se de oito perguntas que
avaliavam as condições dos blogueiros no mundo. Tais condições incluíam: 1)
encarceramento de blogueiros no país, 2) perseguição, ataques cibernéticos,
ameaças, agressões ou outro tipo de repreensão, 3) autocensura como medida de
proteção, 4) limitação de conexões ou restrição de acesso pelo governo, 5)
necessidade de registro ou identificação junto ao governo, 6) regulamentações ou
leis que podem ser utilizadas para censurar os blogueiros, 7) monitoramento dos
cidadãos que usam a internet pelo governo, e 8) uso de tecnologias pelo governo
para filtrar, bloquear ou censurar a internet.
Os resultados da pesquisa mostram que as autoridades do Irã, Síria, Arábia
Saudita, Tunísia e Egito são líderes na oposição à internet no Oriente Médio e norte
da África. A China e o Vietnã foram considerados os piores países para blogueiros
na Ásia, em decorrência dos monitoramentos e das exaustivas restrições a que são
submetidos. Cuba e Turcomenistão são os países em que o acesso à web é
extremamente limitado.
Verifica-se, portanto, que as restrições à publicação e ao acesso às
informações na web ocorrem não apenas na esfera política (bloqueio de sites pelo
governo), mas também na esfera profissional/educacional (instituições que
restringem o acesso a determinados sites/serviços em suas redes internas) e
mesmo doméstica (por exemplo, bloqueio do acesso de conteúdo adulto em
computadores utilizados por crianças).

7
Disponível em: http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=535CID003
8
Disponível em: http://www.cpj.org/
35

Talvez essa situação se altere ao longo do tempo.
Mais comunicação implicará mais liberdade, entendida aqui como a
possibilidade sem controle estatal ou policial de produzir, consumir e
distribuir informação. No século que se anuncia, não é unicamente o
ciberespaço que vai crescer, mas a ciberdemocracia. (LEMOS, 2010,
p.44)
Independentemente das restrições de acesso nos países citados, nota-se que
a multiplicação de manifestações individuais e coletivas na web, seja por meio dos
blogs, comunidades ou das redes sociais, tem gerado mudanças culturais,
eliminando barreiras entre tempo e espaço, além de proporcionar a ação e reação
quase que simultâneas, como previu McLuhan há mais de 40 anos.
Durante as idades mecânicas, projetamos nossos corpos no espaço.
Hoje, depois de mais de um século de tecnologia elétrica, projetamos
nosso próprio sistema nervoso central num abraço global, abolindo
tempo e espaço (pelo menos naquilo que concerne o planeta).
Estamos nos aproximando rapidamente da fase final das extensões
do homem: a simulação tecnológica da consciência, pela qual o
processo criativo do conhecimento se estenderá coletiva e
corporativamente a toda a sociedade humana, tal como já se fez com
nossos sentidos e nossos nervos através dos diversos meios e
veículos. (MCLUHAN, 2006, p. 17)
Um exemplo concreto de como se desenvolve esse processo de comunicação
pode ser observado em redes sociais como o Facebook
9
. Nesse espaço virtual, o
usuário pode publicar uma mensagem, um vídeo ou um áudio e, em frações de
segundos, receber comentários de seus amigos, estejam eles onde estiverem,
desde que conectados à internet (pelo celular ou computador). O mecanismo de
rede social rapidamente dissemina aquele conteúdo, confirmando assim a teoria de
Castells (1999) de que nossa estrutura social tem hoje como principal característica
a informação, cujo encadeamento básico é realizado pelas redes, interconectadas
por um fluxo constante de imagens e de mensagens. Redes, por ele definidas como
sistemas abertos, dinâmicos, que incorporam inovações capazes de suplantar o
espaço e invalidar o tempo.
Nesse contexto, as distâncias físicas e territoriais são reduzidas pela
comunicação em rede, pois as pessoas podem interagir uma com as outras apenas
por fazerem parte de uma comunidade de interesses comuns.

9
Disponível em: www.facebook.com
36

No ciberespaço, o “eu” também torna-se desterritorializado. Ele está
cada vez menos ligado a uma localização física, a uma classe social,
a um corpo, um sexo, ou a uma idade. Isso não significa,
evidentemente (seria necessário precisar?), que não teremos mais
um corpo orgânico, sentimentos humanos, nem relações fundadas
na vizinhança física, classes ou faixas etárias. Mas devemos
compreender, como mostram diversos estudos sobre a subjetividade
e a cultura contemporânea, que nossa identidade se ligará
diferentemente aos nossos conhecimentos, centros de interesse,
competências sociais e lingüísticas. Nosso “corpo informacional”,
virtualmente onipresente, se define cada vez mais por suas
coordenadas no espaço semântico. (LEVY e LEMOS, 2010, p. 202)
A facilidade do acesso aos ambientes que possibilitam a geração, a
publicação e a transmissão de conteúdos acaba por gerar novos hábitos, tornando,
assim, o acesso à internet mais uma atividade de entretenimento, como ouvir rádio,
assistir à TV ou ir ao cinema. Além disso, a nova tecnologia digital permite que as
pessoas se tornem também criadores.
Mudanças profundas foram provocadas pela extensão e
desenvolvimento das hiper-redes multimídia de comunicação
interpessoal. Cada um pode tornar-se produtor, criador, compositor,
montador, apresentador, difusor de seus próprios produtos. Com
isso, uma sociedade de distribuição piramidal começou a sofrer a
concorrência de uma sociedade reticular de integração em tempo
real. Isto significa que estamos entrando numa terceira era midiática,
a cibercultura. (SANTAELLA, 2008, p.82)
Entretanto, essa possibilidade torna cada vez mais complexas as
consequências resultantes do uso da internet, tanto para o bem quanto para o mal.
No Brasil, uma das principais preocupações que envolvem a internet se refere
aos crimes cibernéticos. De acordo com a SaferNet Brasil
10
, entidade sem fins
lucrativos que busca auxiliar as vítimas de crimes e violações aos Direitos Humanos
na web, o uso da rede no país atinge mais de 68 milhões de usuários, já habituados
ao uso constante e prolongado de diferentes tecnologias de comunicação. Ainda de
acordo com a entidade, apesar das pesquisas sobre o universo e perfil dos usuários
brasileiros, poucos ainda são os dados que discutem segurança para além de
questões patrimoniais (roubo de contas bancárias, cartões de crédito, direitos
autorais) e técnicas (vírus, spam).

10
Disponível em: http://www.safernet.org.br/
37

Por meio de uma central de denúncias, disponibilizada em seu site, a Safernet
recebeu, no primeiro semestre de 2010, mais de 30.500 denúncias sobre
pornografia infantil, sendo a maioria dos casos provenientes da rede social Orkut
11
.
Fig. 01 – Indicadores da Central Nacional de Denúncias
Fonte: Safernet
12

Verificando-se esse extrato, pode-se concluir que é preciso formular uma
legislação específica para o uso da internet, pois a inexistência dela acaba por
causar morosidade na solução desses casos. De acordo com as recomendações da
Safernet, o uso da internet deve ser feito de forma ética e responsável,
conscientizando-se seus usuários de que, como qualquer outro espaço público, ela
requer cuidados.
A propagação de crimes na internet se deve ao fato de os usuários não
estarem devidamente preparados para esse novo contexto. Muitas pessoas utilizam
a rede sem restrições, não se preocupando com as consequências indesejáveis que
a divulgação em excesso de informações pessoais, o acesso a sites não confiáveis
ou a efetivação de compra em sistemas não certificados possam trazer.
Com a proliferação das comunidades e redes sociais, cada vez mais são
disponibilizadas ferramentas que facilitam a publicação da vida privada na web.
Apesar dos alertas veiculados pelos meios de comunicação, os usuários, em sua
maioria crianças e jovens, expõe suas vidas nesses ambientes, sem se preocupar
com essa exposição.

11
Disponível em: http://www.orkut.com
12
Disponível em: http://www.safernet.org.br/site/indicadores
38

Os jovens da nova geração “mutável” sentem-se muito mais à
vontade em dirigir negócios e em se engajar em atividades social nos
mundos do comércio eletrônico e do ciberespaço, e eles se adaptam
facilmente aos vários mundos simulados que compõem a economia
cultura... Para eles o acesso já é uma forma de vida, e embora a
propriedade seja importante, estar conectado é ainda mais
importante. (RIFKIN, 2001, p.10)
É sobretudo essa geração que tem colaborado para o aumento da circulação
de conteúdos na web. Já habituados com a produção e o compartilhamento de
conteúdos, a atualização de blogs e a comunicação intermitente com gente do
mundo todo, via e-mail ou redes sociais, os jovens realizam essas atividades
enquanto trabalham, estudam, ouvem uma rádio online ou acessam conteúdo em
algum dos milhares de portais disponíveis.
Pode-se concluir que a internet é um meio de comunicação abrangente, em
constante evolução, com infinitas possibilidades de utilização, inclusive por outros
meios de comunicação de massa, que tem provocado, em nível mundial, constantes
mudanças sociais, econômicas, políticas e culturais, ainda que apresente diversos
aspectos que devem ser aprimorados.
39

2 COMO OS MEIOS DE COMUNICAÇÃO DE MASSA SE RENDERAM À WEB

O capítulo anterior apresentou a evolução dos meios de comunicação de
massa como uma contínua adaptação aos avanços tecnológicos. Apesar de o
surgimento de cada novo meio suscitar previsões quanto à extinção de seus
predecessores, até agora isso nunca ocorreu. Ao contrário, o que se pode perceber
é que eles acabaram se acomodando uns aos outros.
O jornal não parou de circular com o aparecimento do rádio, que também não
deixou de existir com a invenção da televisão. Cada um deles assumiu
características peculiares até o nascimento de um novo meio, a internet.
Hoje, qualquer indivíduo comum pode montar uma página na internet, com
vídeos disponibilizados no YouTube, links para conteúdos de telejornais publicados
nos sites das emissoras e para informativos em sites de rádios ou qualquer outro
material multimídia
13
, permitindo que os usuários comentem e interajam entre si, o
que promove uma troca de informações sem restrição de tempo e espaço.
Essa nova abordagem, envolvendo produção, colaboração, interação e
compartilhamento de dados, tem promovido a chamada cultura participativa.
A expressão cultura participativa contrasta com noções mais antigas
sobre a passividade dos espectadores dos meios de comunicação.
Em vez de falar sobre produtos e consumidores de mídia, como
ocupantes de papéis separados, podemos agora considerá-los como
participantes interagindo de acordo com um novo conjunto de regras,
que nenhum de nós entende por completo. (...) E alguns
consumidores têm mais habilidades para participar dessa cultura
emergente que outros. (JENKINS, 2008. p.28)
Complementando, Burgess e Green (2009) definem que a cultura participativa
pode ser descrita pela mudança das relações de poder entre os segmentos de
mercado da mídia com seus consumidores, que passam a gerar conteúdos por meio
das tecnologias digitais mais acessíveis.

13
Negroponte (2005) define como multimídia a mistura de áudio, vídeos e dados, desde que estejam
disponíveis para compartilhamento.
40

Em paralelo à disseminação da cultura participativa, outro movimento que tem
se destacado na web é a chamada convergência das mídias, que Santaella (2008, p.
59) define assim:
No cerne dessa revolução está a possibilidade aberta pelo
computador de converter toda informação – texto, som, imagem,
vídeo – em uma mesma linguagem universal. Através da
digitalização e da compreensão de dados que ela permite, todas as
mídias podem ser traduzidas, manipuladas, armazenadas,
reproduzidas e distribuídas digitalmente produzindo o fenômeno que
vem sendo chamado de convergência das mídias.
A web pode ser classificada como o meio de comunicação que mais
possibilita a convergência das mídias, e tem causado transformações tanto na
produção quanto no consumo de conteúdo.
A convergência das mídias é mais que apenas uma mudança
tecnológica, a convergência altera a relação entre as tecnologias
existentes, indústrias, mercados, gêneros e públicos. A convergência
altera a lógica pela qual a indústria midiática opera e pela qual os
consumidores processam a notícia e o entretenimento (...) refere-se
a um processo, não a um ponto final (...) estamos entrando numa era
em que haverá mídias em todos os lugares (...) prontos ou não, já
estamos vivendo numa cultura da convergência. (JENKINS, 2008, p.
41)
Os meios de comunicação tradicionais, atentos às mudanças provocadas
pelas convergências das mídias na web e à disseminação da cultura participativa, já
estão se adaptando a este contexto.
A computação social da Web 2.0 aporta uma modificação essencial
no uso da web. Enquanto em sua primeira fase a web é
predominantemente para leitura de informações, esta segunda fase
cria possibilidades de escrita coletiva, de aprendizagem e de
colaboração na e em rede (...) a expansão de sistemas de produção
em colaboração não para de demonstrar a evolução dos processos
de inteligência coletiva no ciberespaço apontando para uma
ampliação da mobilização cultural e política. (LEMOS e LEVY, 2010,
p. 52-53)

A recente explosão das redes sociais, popularizadas por sites como
MySpace, Facebook, Twitter, Linkedln, Orkut, entre outros, é impulsionada pela
facilidade de acesso e pela possibilidade de conexão 24 horas por dia, por meio de
celulares e notebooks. Elas permitem que a chamada Geração Internet faça uso das
41

redes sociais online não apenas como uma maneira de manter contato, mas como
um modo de vida, em que expressam suas opiniões e compartilham com todos os
seus pensamentos, críticas e comentários sobre os mais diversos assuntos,
incluindo o compartilhamento de informações veiculadas pelos meios de
comunicação. E essa mudança cultural já está transformando o modo de
relacionamento entre os meios e o público.
Para que se possa situar o momento, este capítulo descreverá os sites de três
veículos de comunicação tradicional: do jornal O Estado de S. Paulo
14
, por ser um
dos diários impressos brasileiros mais antigos e tradicionais, em circulação com
esse nome desde 1890 (de 1875 até essa data chamava-se “A Província de São
Paulo); da Rádio CBN
15
, por ser uma emissora relativamente nova e que já nasceu,
em 1991, com um formato inovador (all news
16
, ou seja, 24 horas de notícias) e da
Rede Globo de Televisão
17
no ar desde 1965 e hoje o canal de televisão com maior
audiência nacional.
O objetivo da descrição é apresentar a estrutura de cada um desses sites e
mostrar como os veículos têm se adaptado e se integrado às convergências e à
cultura participativa na internet, destacando os principais recursos utilizados para
captar a participação do público, para, por fim analisar como essa participação se dá
efetivamente, uma vez que a maior parte das informações publicadas já são
moderadas pelos próprios meios.
Vale ressaltar que as imagens das telas dos sites, mostradas a seguir, foram
capturadas durante os meses de julho e agosto de 2010.


14
Disponível em: http://www.estadao.com.br/
15
Disponível em: http://cbn.globoradio.globo.com/home/HOME.htm
16
O all news é uma linha editorial caracterizada pelo gênero exclusivamente jornalístico nos meios de
comunicação.
17
Disponível em: http://redeglobo.globo.com/
42

2.1 O Estado de S. Paulo – Qual é o valor do conhecimento?

O jornal popularmente conhecido como Estadão é um dos veículos de
comunicação impressa mais antigos e de maior circulação diária no Brasil . Hoje
além de manter sua edição, investe na mídia digital.
A própria chamada do site – que informa: “O Estado de S. Paulo – Notícias,
vídeos, fotos do Brasil e do mundo, online e celular” – já demonstra a intenção de
atuar na convergência midiática, com numerosos recursos tecnológicos, integrados
às redes sociais, e uma ampla diversidade de informações organizadas em várias
seções.


Fig. 02 – Página inicial do site do jornal O Estado de S. Paulo

Na barra superior do site, localizam-se as redes sociais em que o jornal está
inserido.
Iniciamos a análise pelo link relacionado à rede social Twitter. Selecionando
essa opção, abre-se uma página que concentra todos os canais oficiais do jornal
18
.

18
Disponível em: http://www.estadao.com.br/twitter/
43


Fig. 03 – Página com informações do Twitter do jornal O Estado de S. Paulo
Organizados em duas categorias – editoriais e jornalistas – esses canais
permitem que os leitores localizem facilmente aqueles que querem seguir. As
páginas dos Twitters do Estadão seguem a apresentação visual do site do jornal, de
modo a assegurar sua identidade.
Além das segmentações, o jornal mantém um Twitter oficial, estadao
19
, que
conta com mais de 27.000 seguidores. Nele a publicação dos conteúdos são
realizadas frequentemente, abordando os mais diversos assuntos.

Fig. 04 – Página do Twitter oficial do jornal O Estado de S. Paulo

19
Disponível em: http://twitter.com/estadao
44

A página do Estadão na rede social Facebook
20
também mantém a identidade
visual do jornal, e as interações com seus leitores são instantâneas, como a própria
ferramenta se propõe. As mensagens publicadas são atualizadas diariamente e
tratam dos mais diversos assuntos. Os comentários dos usuários ficam disponíveis
para acesso de todos, e o jornal não se posiciona em nenhum dos tópicos
publicados, deixando que os leitores interajam entre si. Em várias mensagens, o
jornal incentiva a interação dos participantes, pedindo que eles opinem sobre os
temas publicados.

Fig. 05 – Página do Facebook oficial do jornal O Estado de S. Paulo
O Estadão também disponibiliza sua área no Flickr
21
, uma comunidade online
específica para gerenciamento e compartilhamento de fotos e vídeos do grupo
Yahoo. A seção é denominada pelo jornal “Galeria do Estadão”.

Fig. 06 – Página do Flickr oficial do jornal O Estado de S. Paulo

20
Disponível em: http://www.facebook.com/estadao
21
Disponível em: http://www.flickr.com/photos/estadaocombr/
45

Essa ferramenta, que começou a ser utilizada em maio de 2010, ainda conta
com um pequeno repositório de fotos. É o que se pode notar pelo levantamento
disponível na página do aplicativo
22
, que na época da pesquisa apresentava cerca
de 90 fotos.

Fig. 07 – Página de arquivos do Flickr oficial do jornal O Estado de S. Paulo
Apesar da recente disponibilização do canal, um dos seus álbuns, cujo tema é
“Charges da Copa do Mundo”
23
, com 27 fotos, publicadas no início do mês de julho
de 2010, gerou mais de 8.000 visualizações em menos de uma semana.

Fig. 08 – Álbum do Flickr oficial do O Estado de S. Paulo – Charges da Copa do
Mundo

22
Disponível em: http://www.flickr.com/photos/estadaocombr/archives/
23
Disponível em: http://www.flickr.com/photos/estadaocombr/sets/72157624325103991/
46


O próprio site do Estadão também dispõe de uma seção exclusivamente
destinada à divulgação e publicação de fotos
24
.

Fig. 09 – Seção de fotos do site do O Estado de S. Paulo
Essa área do site é um enorme repositório de imagens publicadas pelo jornal,
que podem ser salvas no computador, compartilhadas nas redes sociais e
encaminhadas por e-mail. Lá se encontra ainda a seção denominada “FotoRepórter”,
lançada em outubro de 2005, que, de acordo com a empresa, é um projeto pioneiro
no modelo de jornalismo participativo no Brasil, pois possibilita aos leitores o envio
de fotos de cunho jornalístico. O objetivo desse canal é permitir que os usuários
participem das publicações oficiais do grupo com suas fotos, que podem ser
adquiridas pelo grupo e veiculadas tanto no Estadão como no Jornal da Tarde. Os
valores da aquisição são apresentados no site que também fornece especificações
quanto à qualidade da imagem e ao formato. O fotorrepórter que quiser participar
deve manter seu cadastro atualizado e declarar ciência dos “Termos de uso”.

24
Disponível em: http://fotos.estadao.com.br/
47

O Estadão disponibiliza, para acompanhamento dos leitores, cerca de uma
centena de blogs, dos mais variados assuntos, mantidos por seletos jornalistas
25
.

Fig. 10 – Seção de blogs do site do O Estado de S. Paulo
Outro investimento do jornal na web é a TV Estadão
26
, que produz e veicula
audiovisuais que cobrem a maioria dos seus editoriais.

Fig. 11 – Seção da TV Estadão do site do O Estado de S. Paulo
O jornal autoriza o compartilhamento desses audiovisuais com as principais
redes sociais, além de possibilitar a inclusão deles em outros sites, por meio do
“embed”
27
, e o envio via e-mail a partir do seu link. Seus usuários podem avaliar

25
Disponível em: http://www.estadao.com.br/blogs/
26
Disponível em: http://tv.estadao.com.br/
27
Recurso que permite incorporar o arquivo em outros sites, por meio de programação HTML.
48

cada um dos vídeos, classificando-os como “Destaques” e “Campeões de
Audiência”.
No que se refere às notícias publicadas no site do jornal, todas podem ser
compartilhadas nas redes sociais e também comentadas pelo leitor, neste caso,
mediante o aceite do termo de responsabilidade. O código de conduta online reserva
ao jornal o direito de excluir o comentário ou, em situações mais graves, bloquear o
acesso por interdição ou exclusão do usuário.

Fig. 12 – Ferramentas de interação e compartilhamento disponíveis nas notícias
Embora haja muito conteúdo disponível no site, a versão do jornal em papel
continua a ser comercializada. Há ainda a possibilidade de assinar uma versão
digital
28
, cópia fiel da versão em papel, para leitura na tela, o que demonstra a
necessidade de atender a todos os públicos.

Fig. 13 – Tour Virtual do Estadão Digital



28
Disponível em: http://digital.estadao.com.br/home.asp?modo=degustacao
49

2.2 CBN, a rádio que toca notícia

A Rádio CBN (Central Brasileira de Notícias) foi pioneira na implantação do
modelo all news. Presente em São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Belo Horizonte,
e contando com 24 afiliadas, a emissora tem se utilizado da web para ingressar na
era da convergência das mídias.
O site da rádio apresenta funcionalidades que permitem ao usuário não só a
publicação de comentários, mas também o envio de arquivos de áudio, fotos e
vídeos.

Fig. 14 – Página inicial do site da rádio CBN
A disponibilização desses recursos mostra que a rádio vem incentivando o
desenvolvimento do perfil do repórter em seus ouvintes, que podem enviar
informações por meio de um canal exclusivo, denominado “Repórter Ouvinte”
29
.

Fig. 15 – Chamada da seção Repórter Ouvinte

29
Disponível em: http://cbn.globoradio.globo.com/servicos/reporter-ouvinte-cbn/REPORTER-
OUVINTE-CBN.htm
50

O ouvinte previamente cadastrado no canal pode enviar arquivos de texto,
fotos, áudio e vídeo de maneira bem simples. Ele deve acessar a área restrita com o
seu identificador/senha, preencher o formulário, aderir aos termos de uso e
condições gerais e enviar seu material. Ao final do processo, o repórter ouvinte
recebe a informação de que aquele material será avaliado pela equipe de editores e
poderá ser publicado no site.
A CBN também disponibiliza no site seus canais nas mídias sociais. A área
destacada em “CBN no Twitter”
30
apresenta os perfis de seus colaboradores, que
podem ser seguidos, e possibilita a interação dos ouvintes, em tempo real, em três
seções:
 Programas e âncoras
 Comentaristas e boletins
 Repórteres

Fig. 16 – Página com informações da rádio CBN no Twitter
Há ainda o canal CBN no YouTube
31
, que no seu descritivo informa:
CBN é a rádio que toca notícia. Offline e online. Mas também tem
podcasts, blogs, twitters. E vídeos. Cerca de 200 jornalistas
trabalham para levar informação isenta e de qualidade a seus
ouvintes e internautas. O time de comentaristas reúne nomes
como Arnaldo Jabor, Miriam Leitão, Carlos Alberto Sardenberg,
Lucia Hippolito, Max Gehringer, Mauro Halfeld, André Trigueiro e
muitos outros. No site da CBN e aqui no YouTube é possível

30
Disponível em: http://cbn.globoradio.globo.com/twitter/index.htm
31
Disponível em: http://www.youtube.com/cbn
51

conferir fotos e vídeos produzidos por nossos jornalistas, além de
fazer comentários e enviar mensagens para a equipe.
No canal oficial da Rede CBN no YouTube, como o envio é feito
exclusivamente pela rede de colaboradores da emissora, todos os vídeos obedecem
a um padrão, no qual a chamada da notícia é sempre seguida por um pequeno
descritivo, contextualizando a informação.

Fig. 17 – Canal CBN no YouTube
É interessante observar como a CBN assumiu seu papel de transmissora de
informação em todas as plataformas, não se restringindo apenas à veiculação de
áudio, e como a adesão dos ouvintes a esses ambientes tem se multiplicado. O
canal da emissora no YouTube, apesar de ter apenas cerca de 700 usuários
inscritos desde sua criação em 2006, acumulou até hoje mais de 40.000
visualizações, uma vez que estas não dependem de inscrição.
Uma restrição que a rádio aplica ao compartilhamento de seus conteúdos no
YouTube é a de deixar inativa a adição dos vídeos a outros sites. No entanto,
permite que o usuário os compartilhe em redes sociais como Orkut, Facebook,
Twitter, Blogger, Live Spaces e My Space.
52

O compartilhamento das informações da rádio também é facilitado por meio
de um recurso gratuito, disponível no portal, que possibilita a inclusão de uma barra
de notícias e comentários, automaticamente atualizada em qualquer outro site
disponível na web, denominado “CBN no seu site”
32
.

Fig. 18 – Página da “CBN no seu site”

O “CBN Express”
33
permite que o ouvinte receba em seu e-mail, de acordo
com a configuração que determinar, notícias “sob medida”, por meio de uma
assinatura simples e gratuita. O usuário pode também receber as informações no
celular, porém, nesse caso, a assinatura implica arcar com o custo da operadora
telefônica. Está disponível ainda um recurso desenvolvido para Iphone e Ipod
graças ao qual o usuário pode ouvir a rádio pelo celular.
Outro recurso adicional, muito inovador, está no canal “Podcast CBN”
34
, que,
mediante assinatura, disponibiliza arquivos de música, vídeos, programas esportivos
e jornalísticos, que são baixados no computador do ouvinte e podem ser transferidos
para outras mídias portáteis, como celulares ou MP3 players.

32
Disponível em: http://cbn.globoradio.globo.com/servicos/seu-site/SEU-SITE.htm
33
Disponível em: http://cbn.globoradio.globo.com/servicos/cbn-express/CBN-EXPRESS.htm
34
Disponível em: http://cbn.globoradio.globo.com/servicos/podcast/NOME.htm
53


Fig. 19 – Página do “Podcast CBN”

A CBN disponibiliza a seus ouvintes acesso aos mais de trinta blogs mantidos
por sua equipe de jornalistas, comentaristas, especialistas e repórteres. Cada um
deles segue sua linha própria, mas todos convivem na mesma plataforma e mantêm-
se conectados o tempo todo com as redes sociais.
Com o ingresso da rádio na web, tornou-se ainda possível aos ouvintes
conhecerem visualmente os locutores e apresentadores dos programas que antes
nutriam o seu imaginário apenas pela voz.
A partir dessa descrição geral de funcionalidades integradas na web,
constata-se que a rádio CBN já está inserida no contexto da convergência de mídias
e tem se beneficiado dos recursos disponibilizados de maneira bem ampla. Graças a
isso, a emissora pode se fazer presente no dia a dia dos seus ouvintes, seja no rádio
do carro, no computador ou no celular, fornecendo-lhes informações que podem ser
entregues de forma “delivery” ou exploradas no site, que abriga conteúdo escrito,
falado e filmado, produzido por jornalistas e profissionais sérios e atualizados com as
novas mídias.


54

2.3 Rede Globo, a gente se vê por aqui

A Rede Globo completou, em 2010, 45 anos de funcionamento, e é
considerada a emissora de TV aberta mais popular no Brasil.
No site da emissora, os conteúdos sobre seus colaboradores e programas
são publicados em primeira mão, e há uma área denominada “Boatos e Alertas”
35

para que os telespectadores e internautas possam conferir se os boatos que
circulam na web envolvendo a emissora e seus funcionários são verídicos.

Fig. 20 – Página inicial do site da Rede Globo

Há também um link direcionando o usuário para seguir a emissora no Twitter
36

e outro remetendo-o ao Facebook
37
. Os dois seguem o padrão visual da emissora,
porém não apresentam uma atuação forte nas redes. No período de observação do
site, verificamos que, em várias dessas interações feitas pelos usuários, havia
mensagens ofensivas à rede, o que sugere que a empresa não monitora as
mensagens.

35
Disponível em http://redeglobo.globo.com/boatos-alertas/noticia/plantao.html
36
Disponível em: http://twitter.com/rede_globo
37
Disponível em: http://www.facebook.com/pages/Rede-Globo/109205795764440
55


Fig. 21 – Páginas oficiais da Rede Globo no Twitter e no Facebook

No portal da emissora, cada programa tem um site específico com
informações adicionais ao conteúdo veiculado na televisão aberta. São cerca de 60
canais com vídeos, fotos, entrevistas e edições complementares, que, acima de
tudo, possibilitam a interação e a participação dos telespectadores.
Como cada um dos programas segue uma linha de atuação, foram escolhidos
apenas alguns sites para exemplificar a análise.
Os conteúdos complementares disponibilizados na maioria dos sites
específicos dos programas incluem muito texto, fotos e, em geral, apresentam uma
seção de vídeos online que reproduzem trechos já exibidos na TV. É interessante
observar que, em vários casos, as matérias ou entrevistas são transcritas,
possibilitando acesso às informações, sem a necessidade de assistir aos vídeos.
O usuário pode gerar uma versão impressa da matéria e enviá-las por e-mail.
Pode ainda compartilhar as matérias e os vídeos em redes sociais, de forma
automática e avaliá-los.
Fig. 22 – Opções de compartilhamento de conteúdos


56

Também pode entrar em contato com o programa por meio de um “Fale
Conosco”.

Fig. 23 – Fale conosco do Jornal Nacional

Em alguns casos, o telespectador pode interagir com os programas por meio
de enquetes, chats e envio de conteúdo.
No site do Fantástico, há um canal para envio de vídeos, por usuários
cadastrados no portal Globo.com, sem tema predefinido, que podem ser gerados por
máquina digital, filmadora, ou celular. Esses vídeos, depois de passar por uma
triagem, podem ser exibidos nas seções colaborativas do programa: “Você no
Fantástico” e “Bola cheia, bola murcha”. É imprescindível que o telespectador
preencha seus dados pessoais e disponibilize um telefone de contato, assim como
que respeite e aceite as normas estabelecidas pelos termos de uso
38
, antes de
enviar o conteúdo.


38
Disponível em: https://login.globo.com/contrato/1129?url=javascript:history.go(-1)
57


Fig. 24 – Cadastro único para envio de vídeos

No site do Jornal Nacional, há um canal
39
específico de informações e
entrevistas produzidas e disponibilizadas exclusivamente na web, aberto para
comentários dos usuários.

Fig. 25 – Página do Jornal Nacional Especial

Já no site do Profissão Repórter, há um twitter
40
para seguir o programa, além
de uma seção para envio de reportagens sobre assuntos relacionados às matérias
exibidas.

39
Disponível em: http://especiais.jornalnacional.globo.com/jnespecial/
58


Fig. 26 – Página do Twitter do Profissão Repórter

Merecem destaque algumas iniciativas que a emissora empreendeu
envolvendo a web, como o Projeto Mil Casmurros, o ingresso do programa Malhação
no YouTube e as ações de marketing na web da novela Caminho das Índias.
Em meados de 2008, pouco antes da veiculação da minissérie Capitu
(Jul/2008), a emissora decidiu investir em uma nova proposta de comunicação,
visando encontrar a linguagem adequada para levar a obra de Machado de Assis ao
público jovem.
O projeto denominado Mil Casmurros
41
tinha à frente um estudioso de
Machado de Assis, que organizou o livro Dom Casmurro em mil trechos, que foram
lidos por mil pessoas diferentes. As cenas de leitura foram gravadas e publicadas no
próprio site e também associadas a um blog. Para aumentar o interesse do
telespectador pelo projeto, que foi divulgado no Fantástico e no Portal da Rede
Globo, atingindo boa repercussão, 50 artistas convidados tomaram parte nas
gravações.

40
Disponível em: http://twitter.com/profreporter
41
O projeto pode ser acessado em http://www.milcasmurros.com.br/
59

O site foi ao ar 15 dias antes do lançamento da série, e, às vésperas de sua
estréia, 70% da obra online já estava concluída.

Fig. 27 – Página inicial do projeto Mil Casmurros

É importante ressaltar que o regulamento disponível no site do projeto,
classificado pelos organizadores como a “maior leitura coletiva da história”,
informava, de maneira clara e objetiva, as regras de participação, assegurando todos
os direitos de uso de imagem e som.
O projeto Mil Casmurros recebeu, em 2009, o Prêmio Leão de Ouro, em
Cannes, na categoria “melhor uso de internet – novas mídias”.
Antes disso, em 2007, a emissora já havia estabelecido uma parceria com a
comunidade de vídeos online, YouTube, para criar o seu canal exclusivo do
programa Malhação
42
, utilizado como repositório de episódios compactados.
Algumas restrições de uso foram aplicadas, como o impedimento de incorporar os
vídeos em outros sites, para evitar que pudessem ser veiculados sem autorização
prévia.

42
Disponível em: http://www.youtube.com/malhacao
60


Fig. 28 – Página inicial do canal Malhação no YouTube

O canal conta com mais de 18.000 inscritos, mas qualquer interessado pode
acessar livremente seus conteúdos.
Outra iniciativa da emissora, inédita na internet brasileira, foi a divulgação
viral, por meio do YouTube, da novela Caminho das Índias
43
.
Segundo o portal da TV Globo
44
, antes da sua estréia em 19 de janeiro de
2009, mais de 30 mil pessoas já haviam acessado os vídeos postados na
comunidade de vídeos online. Em paralelo, Glória Perez, autora da novela,
participou de um almoço com 50 blogueiros para entender as funcionalidades da
ferramenta (blog) e descobrir como ela poderia agregar valor à novela com seus
novos recursos.
De acordo com a emissora, a intenção de Caminho das Índias era se tornar a
primeira novela da TV Globo com "personalidade digital", capaz de interagir com os
internautas brasileiros pelos blogs de Glória Perez, no site oficial e em diversos
canais colaborativos, como Youtube, Twitter, Flickr, Facebook, MySpace e Orkut.

43
Disponível em: http://caminhodasindias.globo.com/
44
Disponível em: http://redeglobo.globo.com/Tv_globo/Noticias/0,,MUL954268-16162,00.html.
61


Fig. 29 – Página inicial do site da novela Caminho das Índias

A repercussão dessa ação foi grande. No YouTube, por exemplo, fazendo
uma simples busca pelo termo “Caminhos das Índias”, encontramos
aproximadamente 9.000 referências, São vídeos oficiais ou criados e postados por
usuários, abrangendo os mais diversos conteúdos.

Fig. 30 – Imagem da busca pelo nome da novela no YouTube

Como uma das maiores emissoras de televisão da América Latina, a Rede
Globo tem investido em seus canais na web, nas novas práticas midiáticas e no
movimento de convergências das mídias, alterando e aperfeiçoando as formas de
criação, produção e distribuição das informações.


62

2.4 Mas o controle da informação ainda continua ativo

A investigação dos principais recursos de interação, participação e
compartilhamento das informações disponíveis nos sites dos três veículos de
comunicação de massa selecionados permite constatar que, apesar de terem
incorporado as novidades do mundo digital, as empresas continuam a exercer o
controle da informação em circulação por seus canais.
Os próprios veículos são os responsáveis pela produção da maior parte do
conteúdo e pela liberação de sua totalidade, demonstrando a tendência de conduzir
as informações aos seus públicos, sejam eles leitores, ouvintes, telespectadores ou
internautas.
A participação dos usuários nos canais digitais é na maioria das vezes, quase
sempre monitorada e moderada. Além disso parte das colaborações geradas pelo
grande público passa por filtros e edições, sendo disponibilizados apenas os
conteúdos condizentes com a política editorial ou de programação das empresas.
Frente ao número expressivo de usuários, dos mais diferentes níveis culturais
e sociais, que têm acesso aos recursos participativos disponibilizados na web, a
preocupação com o monitoramento do conteúdo é vital para os veículos de
comunicação de massa tradicionais.
O fato de disponibilizarem na web alguns mecanismos de comunicação mais
abertos em transmissões ao vivo, para participação dos usuários, pode gerar
problemas de inadequação das mensagens, devido à falta de bom senso ou à má
intenção dos participantes. Porém, a tendência é de que esses inconvenientes
sejam eliminados na medida em que os canais de participação se tornem mais
disseminados nas mídias.
A partir do momento em que as informações são publicadas em um
sítio web intrinsecamente multimídia, adaptado à edição de texto, de
som, de imagem fixa ou animada, não existe mais nenhuma razão
para distinguir a imprensa, o rádio e a televisão da forma como a
indústria cultural massiva fez por no mínimo um século. De fato,
encontramos textos e hipertextos em sítios de rádios e de televisões,
imagens e sons em sítios de jornais, blogs, wikis, podcasting...
Velhos formatos midiáticos foram reconfigurados (TV, rádio, jornais,
63

revistas) e novos surgiram desde meados dos anos 1990. (LEMOS e
LEVY, 2010, p. 77)
Quanto à utilização das redes sociais pelos veículos pesquisados, verifica-se
que o Estadão mantém seus perfis editorial e institucional frequentemente
atualizados, de acordo com as informações publicadas no site. A rádio CBN, além de
manter seus programas e colaboradores nas redes sociais, divulga os endereços
para que os ouvintes possam localizá-los facilmente. Por fim, a Rede Globo, apesar
da atuação limitada do canal institucional nas redes sociais, mantém na
segmentação dos programas a atuação nessas redes.
A ferramenta mais utilizada pelos três veículos é o Twitter, talvez porque essa
rede social, cujo objetivo é “seguir” pessoas, lhes permita utilizar seus colaboradores
mais carismáticos para atrair os indivíduos comuns e ganhar repercussão entre eles.
É interessante constatar ainda como os três meios de comunicação distintos –
jornal, rádio e TV – acabam por disponibilizar em seus sites vídeos produzidos ou
editados por suas equipes exclusivamente para a web, agregados aos dispositivos
de compartilhamento que possibilitam ao público avaliar e comentar os temas. Isso
denota o empenho dos meios tradicionais em tratar o conteúdo com os recursos
multimídia que a internet requer, de forma a disponibilizar, em formatos distintos, a
informação que desejam transmitir.
Os blogs são também canais muito explorados pelos três veículos
investigados. Por utilizarem uma linguagem mais informal e abrangerem temas mais
gerais, os blogs permitem que leitores, ouvintes e telespectadores se aproximem
mais dos jornalistas, artistas, apresentadores ou até mesmo das equipes de redação
e edição, comentando as publicações e compartilhando suas opiniões.
Deve-se ressaltar que para interagir na grande maioria dos canais
disponibilizados pelos três veículos, é necessário o preenchimento de um cadastro
com informações pessoais e o aceite formal de regras de conduta previamente
estabelecidas. Essa é uma maneira de as empresas garantirem a originalidade e a
confiabilidade das informações, ainda mais se tratando de canais que possibilitam
que os usuários enviem conteúdos para serem publicados nas páginas da web ou
veiculados nos meios tradicionais.
64

Cada um dos três veículos também disponibiliza áreas de conteúdos
colaborativos, remunerados ou não, que incentivam seus usuários a enviarem fotos
ou vídeos sobre assuntos predeterminados ou livres para que sejam selecionadas e
eventualmente veiculadas. Foto Repórter do Estadão, Repórter Ouvinte CBN, Você
no Fantástico ou Você no VídeoShow são seções que permitem que pessoas
comuns participem e colaborem nas programações.
O estímulo à cultura participativa e à convergência das mídias tem crescido
muito rapidamente nos meios de comunicação tradicionais. Tanto repórteres como
apresentadores, locutores e anunciantes incentivam seus públicos a acessarem a
internet para que continuem a acompanhar a programação online, a enviarem
opiniões e sugestões ou até mesmo a explorarem conteúdos complementares que
não foram publicados ou veiculados nos suportes originais
Os veículos também disponibilizam canais de fácil contato, os famosos “Fale
Conosco”, que, juntamente com os 0800, tornam-se vias fundamentais de contato
com o público, tanto para as empresas de comunicação como para as organizações
em geral.
É interessante também notar que, se antes a disponibilização dos conteúdos
nos sites dos veículos de comunicação era muitas vezes restrita apenas a usuários
cadastrados e “pagantes”, é mais livre, possibilitando que seus usuários
compartilhem informações pelas redes sociais ou as enviem por e-mail, fazendo com
que circulem. Vale ressaltar que, possibilitando esse tipo de compartilhamento, a
fonte sempre fica segura, pois a origem da notícia sempre é preservada.
Em suma, com base em nossa investigação, constatamos que os veículos de
comunicação de massa estão passando por uma transformação rápida e radical,
para acompanhar a velocidade das informações e incorporar as tecnologias de
interação e participação. Alguns deles estão cada vez mais próximos dos seus
públicos, outros nem tanto, mas é possível prever que aqueles que não se
adequarem aos novos meios e que não permitirem a interação e participação do
público, permanecendo exclusivamente no modelo tradicional, estarão fadados à
perda da audiência.
65

Ao mesmo tempo, como já observamos anteriormente, apesar do incentivo à
participação ativa dos usuários, toda e qualquer informação não gerada pelos meios
é, de uma forma ou de outra, validada, moderada ou reconfigurada para só então
ser veiculada.
Ao monitorarem as interações que eles mesmos incentivam para ampliar e/ou
fidelizar seu público, os meios de comunicação mantêm sob controle todo o
conteúdo publicado pelo usuário como medida de preservação de suas políticas
editoriais e de seus propósitos.
Entretanto, como território ainda livre que é, a web continua a oferecer
espaços para que indivíduos comuns publiquem o que quiserem – fotos, vídeos,
opiniões –, sem a intervenção das empresas de comunicação ou de qualquer tipo de
organização.

66

3 YOUTUBE COMO VEÍCULO DE COMUNICAÇÃO LIVRE

Exiba seus vídeos favoritos para o mundo.
Faça vídeos de seus cães, gatos e outros bichos.
Publique em seu blog os vídeos que você fez com sua câmera digital ou celular.
Exiba seus vídeos com segurança, privacidade aos seus amigos e familiares no mundo
todo.
... e muito, muito mais!
“Quem somos” (YouTube 2005)
45



O controle da informação tem se constituído desde a origem da civilização em
uma questão crucial nas relações entre os homens. Com o surgimento da sociedade
de massa e a consequente evolução dos dispositivos tecnológicos destinados a
satisfazer suas necessidades de informação/formação e entretenimento, os
conteúdos gerados e distribuídos pelas empresas detentoras desses recursos
passaram a circular cada vez mais rapidamente, atingindo cada vez mais penetração
e abrangência.
A disseminação de cada novo meio de comunicação de massa contribuiu
para transformações sociais e culturais às quais os indivíduos comuns foram se
adaptando. Fato é que nenhum meio foi extinto com o aparecimento de outro. Ao
contrário, eles foram se amalgamando, até constituírem seu próprio espaço de
atuação e vêm se atualizando para garantir seus públicos.
No entanto, o surgimento da internet na década de 60, que atingiu dimensões
globais com a criação da web no ano de 1990, acelerou e radicalizou de maneira
imprevisível as mudanças que costumam acompanhar a introdução de cada nova
forma de mediação na comunicação humana. Sua popularização tem sido tão
espantosa que hoje já é considerada o maior canal de referência, pesquisa e busca
de todos os tempos.
As possibilidades oferecidas por esse novo meio tornaram a convergência
nas redes que abriga uma necessidade quase que urgente para empresas,
governos, associações e as próprias mídias tradicionais, todos preocupados em se
aproximar mais e em abrir canais de interação com seus públicos.

45
Essa era a apresentação inicial do YouTube cujo o slogan, “Your Digital Video Repository” (“seu
repositório de vídeos digitais”), vem ao encontro da chamada atual, a já consagrada “Broadcast
yourself” (“Transmita-se”)
67

Esses públicos, por sua vez, não mais se limitam a utilizar os canais
disponibilizados por organizações em geral ou pelas empresas de comunicação para
se manifestar. A proliferação de blogs, redes sociais e comunidades virtuais permite
que qualquer cidadão disponha de um canal de livre expressão de opiniões, anseios,
ideais, por meio do qual pode compartilhar qualquer conteúdo, nos mais diferentes
formatos, com qualquer outro cidadão conectado à internet.
É nesse cenário que surge o YouTube, como uma comunidade de vídeos
online cuja finalidade é possibilitar que pessoas comuns possam “transmitir-se”,
criando seus próprios canais de conteúdo.
Os recursos de divulgação e compartilhamento de dados oferecidos por essa
recém-nascida plataforma propiciam a veiculação e visualização de vídeos de
maneira fácil e rápida no mundo todo. Graças a essa simplicidade e abrangência,
pessoas comuns podem sair do anonimato e se tornar famosas na web, sendo,
algumas vezes, imediatamente absorvidas pelos meios de comunicação tradicionais.
Ao mesmo tempo, conteúdos originalmente veiculados em emissoras de TV ou no
cinema e publicados na comunidade de vídeos por usuários comuns ou pelos
próprios detentores dos seus direitos podem alcançar enorme repercussão na rede.
O YouTube configura-se, assim, como uma mídia alternativa capaz de
transformar leitores, ouvintes e telespectadores antes passivos em usuários ativos,
produtores e emissores de conteúdo, formando a base de uma cultura efetivamente
participativa, que, sem excluir a colaboração da mídia tradicional, deixa de depender
dela para gerar comunicação.


68

3.1 O YouTube

Em 2010, ao completar cinco anos de existência, o YouTube já é considerado
o maior aglutinador de mídia de massa da web do início do século 21.
Fundado por Chad Hurley, Steve Chen e Jawed Karim, ex-
funcionários do site de comércio online PayPal, o site YouTube foi
lançado oficialmente sem muito alarde em junho de 2005. A inovação
original era de ordem tecnológica (mas não exclusiva)...
disponibilizava uma interface bastante simples e integrada, dentro da
qual o usuário podia fazer upload, publicar e assistir vídeos em
streaming sem necessidade de altos níveis de conhecimento técnico
e dentro das restrições tecnológicas dos programas de navegação
padrão e da relativamente modesta largura de banda... não
estabeleceu limites para o número de vídeos que cada usuário
poderia colocar online via upload, ofereceu funções básicas de
comunidade, tais como a possibilidade de se conectar a outros
usuários como amigos e gerava URLs e códigos HTML que
permitiam que os vídeos pudessem ser facilmente incorporados em
outros sites, um diferencial que se aproveitava da recente introdução
de tecnologias de blogging acessíveis ao grande público. (BURGUES
e GREEN, 2009, p.17 - 18)
Também entre as redes sociais, o YouTube faz sucesso. No Facebook, tem
mais de 7 milhões de fãs e no Twiter cerca de 290 mil seguidores
46
, sendo que no
Facebook há uma interação maior entre a “empresa” e os usuários, que comentam
os vídeos oficialmente destacados.
A primeira versão beta do YouTube foi lançada em maio de 2005, com uma
missão simples: possibilitar que as pessoas transferissem facilmente seus vídeos e
os compartilhassem com o mundo, ou melhor, criar um espaço onde as pessoas
pudessem “transmitir-se”.
A iniciativa teve tal repercussão que, em novembro de 2006, a Google
adquiriu o site por US$1,65 bilhão.
De acordo com o próprio blog do YouTube
47
, com o passar do tempo, a
comunidade foi se tornando “vibrante e inspiradora”, a ponto de transformar aquele

46
Dados apurados em julho/2010
47
Disponível em: http://youtube-global.blogspot.com
69

interesse inicial em algo muito maior do que qualquer um de seus criadores poderia
imaginar.
Atualmente, o site registra mais de dois bilhões de visualizações diárias
48
,
praticamente o dobro da audiência do horário nobre das três maiores redes de
televisão americanas juntas.
Se no início o YouTube era utilizado apenas por vloggers
49
e para o
compartilhamento de vídeos virais, hoje ele evoluiu para uma plataforma global que
suporta vídeos em formato HD e 3D, e hospeda os mais diversificados programas,
filmes de Hollywood e do cinema independente, documentários e manifestações
filmadas das mais diferentes formas e com as mais variadas intenções.
Presente em 19 regiões do mundo, englobando Estados Unidos, Japão,
Reino Unido, Itália, Espanha, Holanda, Irlanda, França, Polônia, Brasil, Canadá,
México, Austrália, Hong Kong, Taiwan, Nova Zelândia, Alemanha, Rússia e Coréia, a
plataforma está disponível em 12 idiomas: inglês, japonês, coreano, italiano, francês,
espanhol, holandês, polonês, português, chinês, alemão e russo.
E não são apenas pessoas comuns que estão no YouTube. Segundo
informações do próprio site da empresa, graças à sua popularidade, ele já angariou
parcerias com grandes provedores de conteúdo, como CBS, BBC, Universal Music,
Sony Music, Warner Music, The Sundance Channel e muitos outros.
De acordo com o ALEXA
50
, empresa do grupo Amazon especialista em
ranqueamento de sites, o YouTube está em terceiro lugar na lista dos Top Sites
51
,
atrás somente da Google e do Facebook. No Brasil, o acesso ao YouTube ocupa o
quarto lugar no ranking, sendo precedido pelo Google Brasil, seguido de Orkut e
Google (oficial), em ordem decrescente.

48
Disponível em: http://googlediscovery.com/2010/05/17/youtube-completa-cinco-anos-e-atinge-2-
bilhoes-de-visualizacoes-diarias/
49
Vloggers são pessoas que gravam diários em vídeo e os disponibilizam pela web. Derivados dos
blogs, os vlogs viraram febre no YouTube.
50
Disponível em: http://www.alexa.com
51
Disponível em: http://www.alexa.com/topsites
70

Especialistas no assunto atribuem razões diversas para o sucesso do
YouTube. Para SERRANO (2010, p.4), o site se destaca em relação aos seus
concorrentes por dois motivos:
1) O pioneirismo no processo de digitalização dos conteúdos audiovisuais. O
YouTube foi o primeiro site a utilizar a compressão dos vídeos para o formato
FLV, ou Flash Vídeo. Esse formato aumenta a compressão e reduz o
tamanho do arquivo, potencializando a velocidade de transmissão de dados.
2) A interatividade. Além da simples recepção do vídeo, os mecanismos de
resposta propostos pelo site permitem a submissão de comentários,
inscrições, a recepção de notificações de novos acréscimos de determinado
usuário e a resposta aos vídeos já publicados. Essa comunicação entre os
usuários do site incentiva troca de informações e estimula a alteridade com o
objetivo de desenvolver o sentimento de comunidade.
Burgess e Green (2010, p.18-20) apresentam a explicação de três diferentes
fontes sobre o êxito do YouTube:
1) Segundo a comunidade tecnológica, o YouTube começou a ganhar
repercussão a partir da publicação do seu perfil pelo respeitado blog de
tecnologia e negócios TechCrunch, em 8 de agosto de 2005 (Arrington). Esse
perfil entrou como destaque na home page do Slashdot, um site cujo foco são
as notícias de tecnologia para “nerds”, que tanto criticou prontamente a
arquitetura tecnológica do YouTube como o colocou em suas listas de sites
que mereciam atenção.
2) Para Jawed Karim, um de seus fundadores, o sucesso do site se deve à
implementação de quatro recursos essenciais: recomendação de vídeos por
meio da lista de “Vídeos Recomendados”; um link de e-mail que permite o
compartilhamento de vídeos; comentários (e outras funcionalidades inerentes
às redes sociais) e um reprodutor de vídeo que pode ser incorporado “embed”
em outras páginas da Internet. Essas funções foram implementadas como
parte de uma reestruturação depois do fracasso das tentativas anteriores de
popularizar o site.
71

3) A terceira versão para o sucesso do YouTube está relacionada à
repercussão de um quadro cômico do Saturday Night Live que mostrava dois
nova iorquinos nerds estereotipados cantando um rap sobre comprar bolinhos
e assistir As crônicas de Nárnia. Em dezembro de 2005, esse clipe, intitulado
Lazy Sunday (“Domingo de Preguiça”), tornou-se o que poderia ser chamado
de primeiro hit do YouTube. O esquete de dois minutos e meio foi visto 1,2
milhão de vezes, em seus dez primeiros dias online, e mais 5 milhões de
vezes, em fevereiro de 2006, quando a NBC Universal exigiu que o YouTube
o retirasse, junto com outros 500 clipes, caso contrário, enfrentaria uma ação
legal com base na Lei dos Direitos Autorais do Milênio Digital (Digital
Millenium Copyright Act).
O êxito alcançado até agora pelo YouTube, no entanto, ainda não satisfaz as
expectativas dos seus desenvolvedores. De acordo com informações disponíveis no
site, cada usuário gasta hoje aproximadamente 15 minutos por dia no YouTube, o
que é pouco em comparação com a média de cinco horas diárias que as pessoas
passam assistindo à TV. Daí a busca por criar mecanismos que facilitem a
organização e localização dos vídeos, mantendo os usuários conectados por mais
tempo. A intenção é que o YouTube se torne a comunidade preferida na web.


72

3.2 Funcionalidades do YouTube

É um desafio apresentar as funcionalidades do YouTube, pois elas não param
de ser implementadas. Na descrição a seguir, que compreende os recursos
disponíveis no site em julho de 2010, procurou-se ressaltar aqueles que são foco de
atenção dos desenvolvedores do site.
Em 2007, o YouTube ganhou uma versão brasileira, o que possibilitou o
acesso ao seu sistema em língua portuguesa.

Fig. 31 – Mensagem de adequação ao idioma

A configuração do “filtro local” permite ao usuário exibir na tela inicial os
vídeos mais populares do país/região selecionado.

Fig. 32 – Barra de busca do YouTube

A barra principal apresenta um sistema de pesquisa simples, e, caso o
usuário opte por clicar na opção “Procurar”, abre-se uma página onde é possível
classificar a busca por categorias.
73


Fig. 33 – Página de busca por categorias do YouTube

Além das categorias por assunto, é possível filtrar a busca por outras
classificações (mais populares, definição, mais respondidos, melhor avaliados),
assim como por período.

Fig. 34 – Opções de busca

Nota-se que, apesar dos esforços, por não seguir uma catalogação rigorosa,
uma vez que é alimentado por usuários de diversos lugares do planeta, esse sistema
de busca ainda precisa ser aprimorado. Trata-se de um desafio.
74

Para “Enviar vídeos”, é necessário que o usuário seja devidamente
cadastrado. Ao clicar nessa opção, é apresentada uma tela de identificação, com
orientações para o usuário que ainda não tenha cadastro.

Fig. 35 – Tela de acesso ao cadastro do YouTube

Ao se logar, o usuário cadastrado é direcionado para a área de publicação de
vídeos.

Fig. 36– Tela de envio de vídeos
75

Nesse local, ele pode enviar vídeos já gravados, pelo computador ou pelo
celular, e até mesmo gravá-los diretamente da Webcam (recurso muito utilizado
pelos Vloggers). Há uma chamada em destaque para as restrições de publicação de
programas de TV, videoclipes, shows ou comerciais sem prévia permissão, caso não
sejam da autoria do usuário. Ficam também disponíveis na página links para
informações sobre direitos autorais
52
e as diretrizes da comunidade
53
para que o
usuário verifique se os vídeos publicados infringem os direitos autorais de outras
pessoas. O serviço deixa claro que, ao clicar em "Enviar vídeo", o usuário declara
que o conteúdo não viola os Termos de Uso do YouTube
54
, assumindo os direitos
autorais com permissão para envio e isentando o site de quaisquer
responsabilidades.
Como a principal finalidade do YouTube é permitir o compartilhamento, o site
possibilita também ao usuário, por meio da conexão com as redes sociais Facebbok,
Twitter, Google Reader e Orkut, informar por elas as atividades (vídeos publicados,
classificação de favoritos, avaliações, comentários, etc.) realizadas no YouTube
simultaneamente.
A tela de envio dos arquivos é simples e intuitiva, exibindo campos de
classificação e privacidade para serem completados pelo usuário, com as opções de
inclusão de título, descrição, palavras-chave, categorias e classificação do vídeo em
Público (qualquer pessoa pode buscá-lo e visualizá-lo), Não listado (qualquer
pessoa pode visualizá-lo, mas somente pelo compartilhamento do link e nunca em
nenhum espaço público do site) ou Privado (apenas usuários específicos do
YouTube podem visualizá-lo).

52
Disponível em: http://www.youtube.com/t/howto_copyright
53
Disponível em: http://www.youtube.com/t/community_guidelines
54
Disponível em: http://www.youtube.com/t/terms
76


Fig. 37– Tela de acompanhamento de envio e catalogação dos vídeos

Se essa classificação fosse feita corretamente, tornaria possível a
“reorganização” dos vídeos publicados na comunidade. O problema é que muitos
usuários não classificam seus vídeos, colaborando assim para a proliferação de
conteúdos sem referências, que acabam não sendo facilmente localizados pelos
sistemas de busca e não entram nos filtros de classificação do sistema.
Voltando-se à página inicial do YouTube (sem mesmo estar logado), vídeos
de campanhas publicitárias já se encontram disponíveis, assim como vídeos
classificados em: vídeos que estão sendo assistidos no momento; vídeos em
destaque; vídeos mais populares por categoria; vídeos mais vistos e vídeos mais
adotados como favoritos.
Já existe uma inteligência no sistema do YouTube que guarda os registros de
acesso dos seus usuários e tende a otimizar essa página inicial para vídeos que
remetam aos temas das últimas visualizações e interesses relacionados.
Para análise das próximas funcionalidades do YouTube, foi selecionado o
vídeo mais acessado no YouTube, de acordo com matéria publicada no site do
jornal O Globo, em 17/07/2010
55
. Trata-se do clipe oficial da música Baby
56
, de Justin

55
Disponível em: http://oglobo.globo.com/cultura/mat/2010/07/16/justin-bieber-desbanca-lady-gaga-
se-torna-numero-1-no-youtube-917171162.asp
56
Disponível em: http://www.youtube.com/watch?gl=BRev=kffacxfA7G4
77

Bieber, um garoto canadense que aos 14 anos virou um fenômeno mundial depois
de ser descoberto no YouTube, por meio dos vídeos que ele gravava e publicava na
web. Segundo O Globo, esse clipe ultrapassou, no dia 16 de julho a marca dos 246
milhões de acessos (em cerca de seis meses que está no ar).

Fig. 38 – Tela do Clipe do cantor Justin Bieber

No quadro principal desta tela, o vídeo é apresentado com os recursos de
iniciar, pausar, voltar, avançar, aumentar o volume, configurar o tamanho da
visualização e ampliar na tela.
Na lateral direita, estão organizados os vídeos relacionados ao cantor e às
músicas.
A avaliação dos vídeos é feita por meio de um clique nas opções “Gostei” e
“Não Gostei”:

Fig. 39 – Imagem da avaliação do vídeo
78

Essa avaliação é imediatamente calculada, podendo ser visualizada em um
gráfico disponibilizado ao lado das opções. Como se pode perceber pela imagem
acima, nem todos os que acessam o vídeo gostam dele.
O compartilhamento dos vídeos também é efetivado de forma bem simples. É
possível enviar o link do vídeo por e-mail ou publicá-lo nas principais redes sociais:

Fig. 40– Opções de compartilhamento de vídeos no YouTube

Por meio da funcionalidade “salvar”, o usuário também pode gravar o vídeo
visualizado em sua relação de vídeos favoritos. E, caso queira incluir o vídeo em
outro local da internet não listado dentre as opções de compartilhamento, pode
copiar o código HTML e incorporá-lo facilmente.

Fig. 41– Opções de customização de template
79

São apresentadas algumas possibilidades de formatação de apresentação,
que, customizadas de acordo com a preferência do usuário, com um “copy and
past”, permitem que o vídeo seja compartilhado em outros locais da internet.
Outro recurso disponível no YouTube é o de alertar aos seus administradores
sobre vídeos impróprios.

Fig. 42– Alerta de vídeo impróprio

Já a possibilidade de comentar sobre alguns dos vídeos, como no caso do
vídeo analisado, restringe-se apenas ao usuário cadastrado.
Um recurso muito interessante é a análise estatística de visualizações dos
vídeos publicados, um dos motivos para a escolha desse vídeo como exemplo. Ao
clicar no botão que sinaliza a quantidade de exibições do vídeo, aparecem vários
dados estatísticos sobre ele:
80


Fig. 43 – Análise estatística de visualização dos vídeos

Embora o site apresente apenas dados quantitativos, o fato de os vídeos
serem organizados por referências de acessos, avaliações, comentários, favoritos,
indicações do link, menções honrosas e por quem e onde são considerados mais
populares torna possível obter os resultados, calculados e atualizados
automaticamente pelo próprio serviço, de forma rápida e precisa.
Preocupados com a acessibilidade dos deficientes auditivos aos materiais do
YouTube, seus desenvolvedores estão buscando incluir entre seus recursos a
legendagem dos vídeos.
De acordo com o blog oficial da empresa, os primeiros passos foram dados
com o desenvolvimento de um recurso de legenda em 2008. Em novembro de 2009,
foi lançado o autocaption para um pequeno grupo de parceiros. O proprietário do
vídeo também pode baixar as legendas geradas automaticamente e melhorá-las,
fazendo depois o upload da nova versão, e os usuários podem escolher uma opção
para traduzir as legendas em cerca de 50 línguas diferentes. Por enquanto, o
81

dispositivo só pode ser aplicado a vídeos em língua inglesa, mas a idéia é ampliá-lo
para outras línguas. Um vídeo que o Blog apresenta como exemplo da
funcionalidade é o do presidente dos EUA, Barack Obama, comentando sobre o
terremoto que afetou o Chile
57
. Nele, dois recursos são disponibilizados: a tradução
das legendas e a transcrição delas.

Fig. 44 – Exemplo de transcrição e tradução de vídeos no YouTube

Segundo seus desenvolvedores, 20 horas de vídeo são enviadas ao YouTube
a cada minuto. Tornar parte desses vídeos mais acessível às pessoas que têm
deficiências auditivas ou que falam línguas diferentes irá representar um significativo
avanço na democratização da informação, além de promover uma maior
colaboração e compreensão dos conteúdos.
O recurso de inclusão de autolegendas é funcional e inclusivo, pois, por meio
de configurações simples, os vídeos podem ser acessados não só por deficientes
auditivos, mas também por um público global que não tem o domínio de línguas.
Ainda utilizando como exemplo o vídeo do Presidente dos EUA, identifica-se
outro recurso implementado pelo YouTube: a possibilidade de fazer download de
materiais autorizados por seus produtores. Ao clicar na opção de “Download
Gratuito”, o usuário pode baixar o vídeo em formato MP4.

57
Disponível em: http://www.youtube.com/watch?v=kP-IomabysU
82


Fig. 45– Exemplo da opção de download de vídeos no YouTube

De acordo com os desenvolvedores do site
58
a opção de acessar os materiais
também de maneira offline foi estudada para atender à solicitação de usuários
interessados em baixar seus vídeos preferidos. Parte dos produtores de vídeos
aderiu à proposta, desde que seus créditos fossem preservados.
Em conjunto com a Creative Commons
59
, o YouTube está aos poucos
oferecendo a seus parceiros e usuários licenças que permitem a reutilização dos
conteúdos baixados sob condições previamente estabelecidas. E há estudos
paralelos que preveem a cobrança de taxas pelo download, por meio do Google
Checkout
60
.
Isso representa apenas o começo de uma revolução, na qual as
potencialidades dos recursos afloram a todo o momento, como resultado de uma
construção colaborativa que acompanha as tendências e os hábitos dos usuários. A
possibilidade de que esses projetos alcancem rapidamente o sucesso é concreto.
O YouTube, mais ainda que a televisão, é um objeto de estudo
particularmente instável, marcado por mudanças dinâmicas (tanto em
termos de vídeos como de organização), diversidade de conteúdos
(que caminha para um ritmo diferente do televisivo mas que, da
mesma maneira, escoa por meio do serviço e, à vezes, desaparece

58
Disponível em: http://youtube-global.blogspot.com/2009/02/youtube-goes-offline.html
59
Creative Commons é uma organização sem fins lucrativos dedicada a facilitar o compartilhamento
e a intervenção no trabalho de outras pessoas, de acordo com as regras de copyright. Disponível em:
http://creativecommons.org/
60
Serviço de Compras do Google, disponível em: http://checkout.google.com/
83

de vista) e uma frequência cotidiana análoga, ou “mesmice”.
(BURGESS e GREEN, 2009, p. 23-24)

O YouTube é um universo amplo a ser estudado. Apesar da sua
desorganização interna, resultante da liberdade proporcionada a seus usuários,
constitui uma empresa organizada nos moldes dos detentores dos seus direitos, o
Google.
Acessando sua seção institucional, é possível obter muitas outras evidências
de que o trabalho de pesquisa dos desenvolvedores do YouTube constitui um
processo contínuo e permanente.


84

3.3 YouTube e as possibilidades de trasmitir-se

O YouTube é um dos maiores fenômenos da comunicação pós-moderna.
Considerada a mais popular comunidade da internet para compartilhamento e
exibição de vídeos (amadores e profissionais), é responsável por uma mudança no
processo comunicacional que transforma o antigo receptor da comunicação massiva
no emissor da era da comunicação pós-massa.
Essa mutação na comunicação está atrelada a processos midiáticos
que não se enquadram mais na denominação de “mídias de massa”.
Alguns autores chamam de mídias digitais, outros de mídias
interativas, novas mídias, etc. Independente do termo utilizado,
parece ser uma evidência que diferentes formas de consumo, de
produção e de distribuição da informação aparecem hoje com os
dispositivos e as redes digitais. O que era fluxo massivo nas mídias,
como a TV, o rádio e o impresso, passa a desempenhar agora o que
sugerimos chamar de “função pós-massiva”, função personalizável,
interativa, estimulando não só o consumo, mas também a produção e
a distribuição da informação (...) (LEMOS e LEVY, 2010, p. 26)

De acordo com Berti (2010), a disponibilização de vídeos na web faz parte
das sociabilidades modernas, que compreendem o compartilhamento de
informações e a interação usuário-usuário, atribuindo a importância máxima ao
receptor no processo comunicacional.
A essência do YouTube são os vídeos, em sua maioria classificados como
amadores e disponibilizados por usuários comuns, de acordo com as prescrições
dos Direitos Autorais e as diretrizes da comunidade estabelecidas pelo serviço. O
modo de envio é bem simples, e o único requisito é estar cadastrado no site
61
.
Essa é uma forma de o YouTube se resguardar em relação, à polêmica
questão dos direitos autorais.
Fato é que as várias formas de “disponibilização” de obras através
dos mais diversos meios tecnológicos existentes não excluem os
direitos dos autores de autorizar a reprodução, a comunicação ao
público e a distribuição das obras. O simulcasting (transmissão
simultânea em tempo real), o webcasting (forma de transmissão
televisiva não necessariamente em tempo real), o streaming (simples
disponibilização da obra para que a mesma seja vista ou para sua

61
Disponível em: http://upload.youtube.com/my_videos_upload
85

audição), o download (mecanismo de reprodução da obra para uso
da mesma ou do fonograma captado), são formas de se permitir o
acesso à obra e ensejam os direitos do autor de autorizar ou proibir a
sua utilização. (NIGRI, 2006. p.96-97)

O sistema permite que os usuários enviem e compartilhem facilmente seus
vídeos na rede por meio de sites, celulares, blogs e e-mail. Mesmo sem ser
cadastrada, qualquer pessoa pode assistir a vídeos no YouTube, buscando-os por
meio das classificações disponíveis no site ou pelos milhares de compartilhamentos
existentes na web, nesse caso, sem ser necessário se conectar ao site oficial.
Com a era pós-industrial e a emergência de processos comunicativos
com funções pós-massivas, surgem novas formas de produção e
circulação da opinião pública abertas, multimidiáticas e interativas.
(LEMOS, 2010, p. 26)

A possibilidade de qualquer pessoa captar, editar e compartilhar sua
produção, de modo simples e rápido, por meio do YouTube, está transformando um
número crescente de meros receptores de mensagens provenientes dos hábitos
adquiridos dos veículos de comunicação de massa tradicionais, em colaboradores
ativos na construção de uma cultura participativa.
Os colaboradores constituem um grupo diversificado de participantes
– de grandes produtores de mídia e detentores de direitos autorais,
tais como canais de televisão, empresas esportivas e grandes
anunciantes, a pequenas e médias empresas em busca de
distribuição mais barata ou de alternativas aos sistemas de
veiculação de massa, instituições culturais, artistas, ativistas, fãs
letrados de mídia, leigos e produtores amadores de conteúdo. Cada
um desses participantes chega ao YouTube com seus propósitos e
objetivos e o modelam coletivamente como um sistema cultural
dinâmico: o YouTube é um site de cultura participativa. (BURGESS e
GREEN, 2009, p.13-14)

Novas soluções de compartilhamento de conteúdo, seja foto, vídeo ou texto,
são criadas e aperfeiçoadas numa velocidade impossível de se acompanhar, e
esses recursos se integram às diferentes mídias, permitindo que os usuários
publiquem dados tanto do seu celular quanto de qualquer computador ou
dispositivos conectados à internet. Com isso, as pessoas têm cada vez mais acesso
a um volume imenso de conteúdos, disponibilizados pelas mais diferentes fontes e
86

nos mais diversos ambientes, sejam eles blogs, comunidades de compartilhamento
de fotos e vídeos ou redes sociais.
As funções pós-massivas (...) caracterizam-se por abertura do fluxo
informacional, pela liberação da emissão e pela transversalidade e
personalização do consumo da informação. Elas permitem não só a
produção livre, mas também a circulação aberta e cooperativa dos
produtos informacionais (sons, textos, imagens, programas).
(LEMOS e LÉVY, 2010, p. 48-49)

Trata-se de um movimento que, segundo Burgess e Green (2010, p.9),
caracteriza “a cultura da convergência: pessoas de áreas diferentes (tecnologia,
mídia, entretenimento, comunidades de fãs, artistas, educadores) trocando e
construindo como no YouTube, um dos maiores cases de cultura participativa do
mundo”.
A evolução das redes sociais tem proporcionado uma nova realidade aos
seus integrantes. A possibilidade de se comunicar, manter e fazer novos contatos,
sem restrição de espaço ou tempo,. acaba por criar um laço de proximidade que
altera o estado da “presença”. Com as redes sociais, as interações podem acontecer
de forma síncrona ou assíncrona, muitas vezes podem ser percebidas de forma
desorganizada e ao mesmo tempo organizada, quando o usuário se acostuma com
a não linearidade da comunicação.
Cada vez mais indivíduos comuns estão deixando de ser receptores passivos
para se tornarem emissores ativos na web. Graças aos conteúdos que cria e partilha
em sites como o YouTube, um anônimo qualquer pode se tornar uma estrela da
internet, ser rapidamente absorvido pelos meios de comunicação tradicionais e se
transformar num comunicador de massa.
O YouTube não é somente uma empresa de mídia e não é somente
uma plataforma de conteúdo criado por usuários. É mais proveitoso
entender o YouTube como ocupante de uma função institucional –
atuando como um mecanismo de coordenação entre a criatividade
individual e coletiva e a produção de significado; e como um
mediador entre vários discursos e ideologias divergentes voltados
para o mercado e os vários discursos voltados para a audiência ou
para o usuário. Sem essa perspectiva centrada na audiência, sem
uma noção de como as pessoas usam a mídia em seu cotidiano,
qualquer debate sobre o impacto cultural ou social do YouTube está
propenso a tomar como base uma série de equívocos fundamentais.
(BURGESS e GREEN, 2010, p. 60)
87

É fato que os meios de comunicação tradicionais tendem a alterar sua
atuação, aderindo aos recursos da web. Porém, nesse momento, a distribuição, o
controle e a disseminação da informação não são mais exclusividades deles.
A transformação da esfera midiática pela liberação da palavra se dá
com o surgimento de funções comunicativas pós-massivas que
permitem a qualquer pessoa, e não apenas empresas de
comunicação, consumir, produzir e distribuir informação sob qualquer
formato em tempo real e para qualquer lugar do mundo sem ter de
movimentar grandes volumes financeiros ou ter de pedir concessão a
quem quer que seja. Isso retira das mídias de massa o monopólio na
formação da opinião pública e da circulação da informação. (LEMOS,
2010, p. 25)
Antes do surgimento de plataformas como o YouTube, a interação ativa do
público com os meios de comunicação de massa era insignificante, perpetuando o
processo comunicacional baseado no modelo “de um (emissor) para muitos
(receptores)”. Com a chegada desses serviços e a concomitante popularização de
celulares e câmeras digitais, o modelo passa a ser “de um para poucos” e até de
“um para um”.
Na era da pós-informação, o público que se tem é, com freqüência,
composto de uma única pessoa. Tudo é feito por encomenda, e a
informação é extremamente personalizada. Uma teoria amplamente
difundida afirma que a individualização é a extrapolação do
narrowcasting ou transmissão voltada para grupos específicos de
interesse – parte-se de um grupo grande para um grupo pequeno;
depois, para um grupo menor ainda; por fim, chega-se ao indivíduo
(...) (NEGROPONTE, 1995, p. 157)
A evolução dos recursos tecnológicos foi essencial para essas mudanças que
vêm ocorrendo em escala progressiva: da disseminação de câmeras digitais e
proliferação dos blogs à popularização de reprodutores de MP3 e ao
compartilhamento dos vídeos online.
Com a multiplicação de ferramentas digitais para produção e distribuição de
conteúdos, a tendência é que os hábitos de consumo de informação se transformem
radicalmente, “provocando novas e inesperadas interações entre a mídia alternativa
e a mídia comercial de massa” (BURGESS e GREEN, 2010, p. 60).
No caso particular da relação do YouTube com a TV, é possível observar um
fenômeno mais de agregação do que de concorrência (BERTI, 2010).
88

Hoje, praticamente em minutos e de forma gratuita aquele
programa televisivo que não teve tempo de ser assistido pelo
telespectador, ou aquele documentário ou programa de
entretenimento em emissora televisiva fechada ou até em regiões
em que o canal ou vídeo por ora desejado de ser visto não foi
transmitido, pode ser facilmente encontrado no YouTube. (BERTI,
2010 p. 4)

É assim que, no YouTube, agrega-se à enorme quantidade de vídeos
originados de gravações domésticas, feitas pelo celular, câmeras digitais ou
webcans, a produção proveniente dos meios de comunicação tradicionais, que se
preocupam cada vez mais em marcar presença na web, com a oferta de conteúdos
atraentes, interativos e customizáveis.
Esses meios não conseguem, contudo, fazer frente ao crescimento
exponencial da produção gerada e/ou propagada por indivíduos comuns. Em meio a
essa proliferação de informações, dúvidas acabam surgindo quanto à origem dos
conteúdos, uma vez que vídeos idênticos são e podem ser publicados sem
identificação de autoria, o que tem acirrado as discussões em torno da
regulamentação dos direitos do autor na internet.
A sociedade da informação e da comunicação forma hoje a base da
sociedade do conhecimento e da disseminação deste conhecimento.
O princípio do acesso à informação “anywhere, anytime, anydevice”
tem como fundamento precípuo o que se convencionou chamar
democratização da informação, fundada nas inúmeras possibilidades
da comunicação e troca de informações entre os serem humanos em
qualquer parte do mundo. E quais são os limites que a lei impõe à
disseminação descontrolada de informações? No caso da lei de
direitos autorais este limite está na autorização do titular da obra, da
imagem, da música, enfim, do conteúdo a ser veiculado através das
novas tecnologias de informação. (NIGRI, 2006. p. 73)

Essa questão é destacada por Lévy (2101, p. 13), ao afirmar que “um dos
aspectos mais desconcertantes da nova situação da comunicação no ciberespaço é
o apagamento da distinção público/privado, ou, mesmo simplesmente, a erosão da
esfera privada”. Mas o YouTube, de acordo com Burgess e Green (2010, p. 9)
“provou ter mudado para sempre a nossa relação com a propriedade intelectual, o
89

entretenimento e o conteúdo audiovisual (...), transformando definitivamente a nossa
maneira de absorver conteúdo”.
Pode-se acrescentar que não só transforma nossa maneira de absorver, mas
também de produzir e compartilhar conteúdo, pois, ao mesmo tempo em que permite
a agregação de conteúdos de mídias já existentes, o YouTube favorece a criação de
novos materiais, possibilitando a sua disseminação sem o controle das mídias
hegemônicas, como jornais e emissoras de rádio e televisão.


90

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A internet proporciona aos seus usuários acesso rápido e fácil às mais
variadas informações, das mais diversificadas fontes, por meio de um simples clique
do mouse.
Como buscamos relatar nesta pesquisa, hoje, ao chegar ao trabalho, é
possível acessar o jornal que se recebeu impresso em casa pela manhã, mas não se
teve tempo para ler, com um adicional: as informações “impressas” no exemplar
físico, possivelmente, estarão mais atualizadas na web e agregarão complementos,
como notícias já publicadas dias ou meses antes, vídeos dos fatos em caráter
exclusivo, entrevistas na íntegra e comentários dos usuários (ou leitores) mais
assíduos e críticos que já acessaram a informação.
Também é possível acessar a página oficial da sua rádio preferida na web,
para ouvir a programação na íntegra, ao vivo, ou ouvir e ler as notícias e entrevistas
que já foram veiculadas, assim como acessar os comentários dos usuários (ou
ouvintes). É possível ainda conhecer os jornalistas (visualmente também) que fazem
parte da programação da emissora e interagir com eles por meio das redes sociais e
blogs, dando palpites, emitindo opiniões e até sugestões, de forma simples e direta.
Os sites dos programas de televisão estão também na web, reproduzindo
muitas vezes na íntegra a sua programação, mas de forma organizada, o que
permite: localizar o conteúdo que se procura rápida e facilmente, acessar gravações
complementares que não foram exibidas na programação tradicional e
enviar/publicar conteúdos de maneira simples, com a possibilidade adicional de que
esses materiais sejam selecionados e veiculados em rede nacional, mediante
remuneração ou gratuitamente.
Convergência é o termo que melhor traduz o fenômeno que vem ocorrendo
com a integração e adaptação das mídias de comunicação de massa tradicionais à
internet, meio considerado por alguns como de massa e classificado por outros
como pós-massa.
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Atualmente, qualquer um dos meios de comunicação de massa pode utilizar
os recursos disponíveis na web para publicar conteúdos de acesso livre ou restrito
aos usuários cadastrados. Apesar desse movimento de integração com seus
usuários pelas ferramentas de interação e sua adequação à convergência das
mídias e conteúdos, os meios de comunicação de massa tradicionais ainda mantêm
e detêm o controle da informação, monitorando todo o conteúdo veiculado em seus
canais e não permitindo que o usuário interfira nas programações – o que se
considerar adequado, tendo-se em vista a responsabilidade desses meios.
Mas há uma frente crescente de usuários da internet que, por si só,
compartilham seus próprios vídeos ou trechos de vídeos produzidos por outros. Para
esses usuários, o caminho certo é o YouTube, a comunidade de vídeos online mais
popular do planeta, que em cinco anos de existência tornou-se um dos sites da web
mais acessados por usuários que desejam assistir, publicar e compartilhar os mais
diversos vídeos.
Sem ser esteticamente bonito, o YouTube é extremamente funcional. Não é
completamente organizado, o que dependeria de uma catalogação mais rigorosa
dos próprios usuários. Ainda assim, é considerado por muitos como um arquivo
cultural em constante atualização. Usuários de todo o mundo publicam a cada
segundo vídeos sobre os mais diversos temas, das mais diversas regiões e épocas.
Pode-se encontrar no YouTube trechos dos mais consagrados filmes, novelas e
seriados, as cenas mais engraçadas de programas de televisão, videoclipes de
artistas famosos e também de não famosos, estes sempre com a esperança de
serem descobertos por empresários e se tornarem celebridades, o que de fato tem
ocorrido nos últimos anos.
Enquanto a internet já pode se enquadrar entre os meios de comunicação de
massa, o YouTube é um exemplo do que vem pela frente. Tendo como base as
análises realizadas, é possível considerá-lo como um veículo de comunicação pós-
massa por permitir que seus usuários compartilhem vídeos de qualquer lugar, a
qualquer tempo e sobre os mais diversos temas, sem burocracias ou envolvimento
financeiro. Ou simplesmente que assistam aos vídeos publicados por outros,
diminuindo o monopólio exercido pelos meios de comunicação de massa tradicionais
sobre a produção e distribuição da informação.
92

A disseminação da internet marca uma revolução tecnológica que exige que
todos se adaptem à nova realidade, com mudanças de comportamento, hábitos e
costumes.
Nesse processo de adaptação, sobretudo cultural, novas soluções estão
surgindo para permitir que indivíduos e organizações acompanhem o movimento
acelerado de transformações que caracteriza o nosso tempo.
Pode-se prever que essa cultura participativa, em que usuários cada vez mais
colaboram e interagem com os meios, produzindo e compartilhando informações a
todo o momento, tenda a se consolidar cada vez mais no cotidiano, o que alterará
significativamente a forma como os meios de comunicação deverão se portar.
Espero que esta pesquisa venha a contribuir para instigar novas discussões
sobre as transformações tecnológicas, sociais e culturais que estamos vivenciando
em um momento em que temas como a comunicação pós-massa, cultura
participativa, convergência de meios e mídias estão em destaque e,
consequentemente, causando transformações nos meios de comunicação de
massa, pois, sem dúvidas, a “massa” está mudando.
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