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NUTRIÇÃO DE COELHOS


Professor Me. Lourival Júnior
Autores: Alinne D. Sippell Souza
Diego Cordeiro de Paula
Marribe Síria Cardena


A maioria das pesquisas realizadas em nutrição de coelhos foi realizada sob
condições de clima temperado e têm permitido definir recomendações para serem
utilizadas na formulação de dietas para a produção desses animais. As necessidades
energéticas ou protéicas divulgadas foram principalmente estabelecidas para condições
européias e estão relacionadas com a produção intensiva de carne de coelho.
O comportamento desses animais criados em sistemas intensivos é muito
diferente daqueles submetidos a condições extensivas. Sob condições intensivas de
crescimento, os coelhos se alimentam exclusivamente de grãos de alta qualidade e de
alfafa.
Existem estudos recentes que comprovam a eficácia de dietas simplificadas a
base de forragens de alta qualidade protéica na produção de coelhos. Também é possível
o uso do alimento em pasta, embora seja, pelo ponto de vista prático e sanitário, mais
complicado. Porém, também por razões práticas de administração do alimento e para
poder formular dietas balanceadas otimizando a relação custo e oportunidade dos
fabricantes industriais, combina-se grãos de oleaginosas, subprodutos de cereais e
forragens fenadas se dando preferência a dietas granuladas ou peletizadas.
A ração na forma peletilizada é a mais recomendável, pois por ser um animal
que não possuir os dentes caninos, são portadores de diastemas, possibilita uma melhor
apreensão dos grânulos peletizados, se comparados com os da forma de farelo. Sem
considerar que a ração na forma farelada ocasiona coriza no animal e o deixa nervoso,
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pois estes preferem partículas maiores, revirando o conteúdo do recipiente, acabando
por jogá-lo fora dos comedouros.
O beneficiamento também favorece o aspecto sanitário, já que a alta temperatura
do processamento destrói os microorganismos nocivos e gelatiniza o amido e a proteína,
melhorando a digestibilidade da ração, e conseqüentemente, uma melhor conversão
alimentar
Quando proporcionamos aos coelhos dietas peletizadas, os animais jovens e as
coelhas reprodutoras são capazes de ajustar seu consumo de alimentos em função da
concentração energética da dieta. Esta regulação, para chegar a um consumo constante
de energia diária, só é possível quando a concentração de energia digestível (ED) esteja
acima de 2.200 Kcal/ Kg na dieta o ideal é entre 2500 a 3200 Kcal/ Kg.
Segundo estudos a alimentação dos coelhos em criações caseiras, não apresenta
os mesmos problemas que o arraçoamento nas criações comerciais. Nas criações
caseiras, sua alimentação é feita à base de forragens, restos de horta, etc, neste caso a
pouco consumo de água pelo coelho, pois a água é retirada das forragens; já nas
criações comerciais, onde os animais recebem ração peletizada, deve ser adicionada
fibra bruta, neste caso, é indispensável à disponibilidade de água de boa qualidade para
a criação, pois a ração e fibras brutas têm baixa umidade, inviabilizando o negócio.
Os coelhos são animais de rápido crescimento e desenvolvimento precoce, que
se manifestam devido à constituição química, do leite da coelha, que é muito rico em
proteínas e sais minerais. Sua desmama requer uma ração de relação nutritiva estreita,
que pode ampliar-se à medida que o animal vai se aproximando da idade adulta.
A capacidade de digestão da fibra é, notadamente, inferior aos ruminantes e aos
herbívoros com fermentação pós-gástrica, como o equino. Tais diferenças devem-se ao
rápido trânsito da ingesta, assim como ao mecanismo que impede a entrada no ceco, de
partículas fibrosas maiores. De qualquer modo, a fibra é importante para a manutenção
do trânsito digestivo normal, bem como para a formação das fezes duras.

EXIGÊNCIA NUTRICIONAL DO COELHO
Devem ser ressaltados, portanto, os limites mínimos e máximos da fibra na
ração, levando-se em conta que a variação do conteúdo de fibra implica em flutuações
nos valores de proteína e energia. Indica-se um mínimo de 13 % de fibra bruta ou 17,5
% de fibra detergente ácido, ou um máximo de 17,5 % de fibra bruta ou 23 % de fibra
detergente ácido, sobre a matéria natural, seriam recomendados. Também é importante
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observar os requisitos com relação á idade ou processos fisiológicos como a gestação e
lactação.
As recomendações são: Para engorda: 14% de fibra bruta e 11% de fibra
indigestível Lactação: 12% de fibra bruta e 10 % de fibra indigestível.
Outro estudo indica uma dieta equilibrada com: Fibras: > 18%; Proteínas: 12 -
16%; Gordura: 1 - 4%; Cálcio: 0,6 - 1%; Fósforo: 0,4 - 0,8%; Potássio: 0,6 - 0,7%;
Zinco: 0,5%; Magnésio: 0,3%; Vitaminas (em especial A, D e E).
O coelho requer um aporte vitamínico um tanto pequeno, porém bastante
essenciais tanto as lipossolúveis como as hidrossolúveis. Em relação a minerais, são
nutrientes com múltiplas funções também nos coelhos, pois fazem parte como
componentes estruturais do corpo, das proteínas, dos hormônios, dos aminoácidos e de
algumas vitaminas do complexo B. Lembrando sempre, que estes têm função ativadora
de enzimas e mantém o equilíbrio ácido-básico no sangue e nos fluídos corporais.
Dentre os minerais podemos destacar o cálcio, o fósforo, sódio, cloro, potássio,
magnésio, ferro, cobre, iodo, zinco.
Para a sobrevivência dos coelhos, a água é o fundamental elemento da estrutura
corporal do animal, vindo a representar 70% de seu peso corporal, já que desempenha
funções importantes no metabolismo, como a regulação térmica, na pressão osmótica
sanguínea entre outras. Dados mostram que se um coelho perder em torno de 10% de
água pode vir a morrer.

MANEJO ALIMENTAR
Como os coelhos são animais herbívoros e, por isso, se alimentam de vegetais
como as forrageiras, (gramíneas e leguminosas) que podem ser: rami, soja perene,
alfafa, e outros vegetais como, folhas de goiabeira, amoreira e bananeira. Além desses
alimentos verdes, devemos fornecer-lhes também uma ração balanceada, comendo o
verde e a ração de maneira equilibrada.
Eles possuem um ceco bem desenvolvido que desempenha função importante
para o aproveitamento alimentar. No ceco ocorre a proliferação bacteriana (semelhante
ao que ocorre no rúmem), e no período noturno o coelho se alimenta deste produto
(cecotrofagia).
A energia contida no corpo dos animais é importante para as funções biológicas
como o crescimento, reprodução, lactação.
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A ração deve ser oferecida preferencialmente uma vez ao dia, mas pode ser dada
em duas vezes, deve dar-se a quantidade de ração correspondente a 2 ou 3% do peso do
animal.
A maior parte dos coelhos come e mostram-se ativos do anoitecer ao amanhecer,
e passa o dia descansando e dormindo.
A ração peletizada deve ser controlada à base de 50g. por dia/animal.
A coelha deve receber forragem à vontade além de 80g/dia de ração quando se
encontrar na faixa etária de 71 a 120 dias. Durante os 10 primeiros dias gestacionais o
conteúdo de ração cai para 50g./dia, pois isto facilitará o diagnóstico de confirmação
das prenhes.
Em fase de lactação a coelha deverá receber 250 g. de ração até o 20º dia, e, a
partir daí 450g/dia, já neste período os filhotes partilham também da ração junto ao leite
materno, pois nos primeiro 20 dias os filhotes se alimentam exclusivamente de leite.
No período compreendido do 20º ao 30º dia é a fase em que os filhotes somam
a ingesta de leite e ração, com isso, passam a desenvolver os sistema intestinal
enzimático/microbiano, favorecendo na redução do estresse dos mesmos no desmame.
O habito alimentar do coelho se caracteriza por pequena ingestão de alimentos, e
com grande freqüência, chegando a uma freqüência de 70 vezes ao longo do dia. A não
ser em casos de enfermidade o estômago encontra-se sempre cheio devido à dificuldade
de contração e de não poder forçar a passagem do alimento pelo piloro. A passagem
ocorre sempre com a ingesta de nova quantidade de alimento pela pressão sobre o
conteúdo gástrico já existente.
A respeito da sua ingesta de água é de 2,5 vezes a quantidade de matéria seca
consumida, podendo variar segundo o estado fisiológico que o coelho se encontra, bem
como a temperatura do ambiente e a temperatura da própria água.
Fêmeas em lactação exigem mais água, já que esta entra na composição do leite
em maior quantidade, portanto a falta de água pode provocar a redução ou até cessar a
produção. Em gestantes a falta de água poderá provocar abortamento.
A temperatura ideal da água para a ingesta deve ser entre 10ºC a 15ºC, é
oportuno dizer que a água com menos de 5ºC e acima de 30ºC o coelho não ingere.

Comedouros
Devem ser de fácil limpeza, feitos de materiais resistentes à ferrugem; com
bordas dobradas para dentro a evitar que se espalhem os alimentos; posicionados de
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forma a não contaminar os alimentos com os dejetos; de tamanho que não permita que o
animal entre nele; deve ser prático, permitindo o manuseio do lado de fora da gaiola e se
possível automatizado.

Bebedouros
Os mais comuns são os tipo vaso ou tipo "chupeta" (automático), pois impedem
que os animais se banhem ou contaminem a água.
Os do tipo pote devem ser higienizados diariamente, no mínimo uma vez ao dia
fazendo a limpeza interna com buchinhas e trocando a água.

PROBLEMAS ASSOCIADOS À MÁ ALIMENTAÇÃO
Os problemas dentários são bastante comuns em coelhos, e embora não serem
normalmente identificados pelos donos como tal, é um dos principais motivos de ida ao
veterinário. O manejo correto destes animais e a identificação precoce destes problemas
são indispensáveis para a sua prevenção e resolução.
Os coelhos pertencem à ordem dos Lagomorfos, que se distingue da ordem dos
roedores devido a algumas características anatômicas, especificamente a presença de
dois pares de incisivos superiores (os chinchilas ou os hamsters têm apenas um par). A
arcada dentária dos coelhos é: 2x(I 2/1 C 0/0 P 3/2 M 3/3) = 28 dentes. Entre os
incisivos e os pré-molares possui um espaço sem dentes, chamado diastema. Os dentes
dos coelhos crescem durante ao longo de toda a vida.
Em um animal normal, os dentes estão perfeitamente alinhados, ficando os
incisivos inferiores alojados entre os 2 pares de incisivos superiores, e os molares
superiores e inferiores opõem-se, existindo uma superfície oclusional regular entre eles.
Quando se desenvolve uma má coaptação dentária, que pode ser o resultado de trauma,
problemas hereditários ou, mais freqüentemente, de uma alimentação inadequada, os
dentes não se desgastam como devem, aparecendo então problemas relacionados com
este sobrecrescimento.
Má oclusão dos molares é mais difícil de detectar, mas existem sinais que podem
indicar um problema dentário:
- Diminuição do apetite;
- Perda de peso;
- Salivação excessiva;
- corrimento ocular;
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- Irregularidades ao nível da mandíbula (provocadas pelo sobrecrescimento das
raízes dos molares) e abscessos;
- Alterações de crescimento ao nível dos incisivos (se existirem alterações a
nível nos incisivos, existe uma boa probabilidade de existirem já alterações ao nível dos
molares);
A ração comercial é bastante calórica. Assim sendo, os coelhos cuja base da
alimentação é a ração podem acabar com obesidade e com problemas de saúde
relacionados como a redução da libido e a fertilidade dos mesmos.
A fisiologia digestiva do coelho é adaptada ao consumo de rações com alto teor
de fibra dietética, que é fermentada no ceco e no cólon. O baixo consumo de fibra
resulta em distúrbios digestivos, como alterações na atividade fermentativa do ceco e
trânsito lento que favorece a ocorrência de diarréias, sobretudo em coelhos jovens.
Deste modo, um aporte mínimo de fibra dietética é imprescindível para garantir
o bom funcionamento digestivo e para evitar o aparecimento de enterites
freqüentemente mortais.
No entanto, o teor e a qualidade da fibra também afetam a boa produtividade dos
animais.
Quando os coelhos são muito gulosos e o criador não controla a quantidade de
ração que é distribuída diariamente, os animais podem apresentar indigestão e os sinais
são de estômago endurecido e o ventre inchado.
O efeito no desempenho reprodutivo pode ser afetado pela limitação do
fornecimento e consumo de água, com isso surge a grande probabilidade do
abortamento bem como, propicia o canibalismo praticado pelas matrizes opôs o parto,
onde podem vir a ingerir suas próprias crias.

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