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SBPJor – Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo

VII Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo
USP (Universidade de São Paulo), novembro de 2009
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Edição jornalística x edição colaborativa:
tensões na home da Folha Online

Carlos d’Andréa 1
Gabriele Maciel 2

Resumo: Este artigo visa discutir e comparar a seleção e hierarquização de matérias pela equipe
editorial de sites noticiosos (edição jornalística) e as preferências de acessos dos usuários, men-
surável especialmente através do recurso “matérias mais acessadas” disponível em muitos por-
tais jornalísticos (edição colaborativa). Após discussão teórica sobre conceitos de edição, noti-
ciabilidade e colaboração, é apresentado um levantamento piloto realizado a partir da página
principal do site Folha Online. Os objetivos são verificar o impacto da posição ocupada por uma
notícia na home sobre as escolhas dos usuários e as eventuais influências da edição feitas pelos
jornalistas sobre as escolhas do público, e vice-versa. Os resultados parciais nos permitem ela-
borar hipóteses a serem verificadas numa etapa posterior do projeto de pesquisa.

Palavras-chave: Edição; Webjornalismo; Colaboração; Noticiabilidade; Folha de S. Paulo.

1. Introdução

A facilidade de mensuração de dados (como o número de acesso a uma página
web) e a crescente abertura à colaboração do público leigo são alguns dos impactos téc-
nicos e processuais da internet na produção jornalística. Especificamente no que tange à
edição jornalística, nota-se atualmente, inclusive por parte de grandes grupos de mídia,
um crescente uso de recursos técnicos que permitem lógicas de hierarquização das in-
formações diferentes das adotadas tradicionalmente pelos editores nas redações. Trata-
se, por exemplo, da exibição de uma lista com as páginas mais acessadas pelo público
num dado intervalo de tempo.
1
Professor assistente do curso de Comunicação Social/Jornalismo da Universidade Federal de Viçosa
(UFV) e doutorando em Estudos Linguísticos pela Fale/UFMG. E-mail: carlosdand@gmail.com
Site pessoal: www.carlosdand.com
2
Graduanda em Comunicação Social/Jornalismo da Universidade Federal de Viçosa (UFV). E-mail: ga-
birm@gmail.com
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Acreditamos que, ao publicar hierarquizações que seguem critérios diferentes
dos adotados pelos editores, os portais jornalísticos explicitam uma tensão entre as deci-
sões internas da redação e as preferências do público. Assim, este artigo visa discutir e
comparar o que denominamos "edição jornalística", que é a seleção e hierarquização de
matérias pela equipe editorial de um veículo, a partir de critérios de noticiabilidade
compartilhados internamente, e a "edição colaborativa", que refere-se a hierarquização
das informações pelo público, seja através de um ato voltado a esse fim (votar ou atri-
buir nota a uma página, por exemplo) ou indireto (pelo simples ato de acessar uma pági-
na).

Para tanto, iniciamos problematizando a edição jornalística como etapa submeti-
da aos critérios de noticiabilidade que norteiam cada veículo, e debatemos como a adap-
tação e recriação das práticas jornalísticas na web impactou o processo de edição. Tam-
bém analisamos a incorporação das práticas colaborativas nas rotinas e projetos dos veí-
culos jornalísticos. Em seguida, é apresentado um levantamento piloto realizado a partir
da home da Folha Online, site cujo projeto editorial procura conciliar o papel de “jornal
de referência” com temas de interesse do público, como entretenimento. Os resultados
parciais nos permitirão elaborar hipóteses e esboçar um método a ser aplicado numa
pesquisa mais completa3.

2. Edição jornalística e noticiabilidade

Os processos de definição de quais notícias merecem ser destaque numa deter-
minada publicação, assim como o tratamento gráfico e verbal dado à informação, é uma
das mais complexas atividades da produção jornalística. O Manual de Redação da Folha
de São Paulo (2002, p.33) define edição como um processo constituído pela “exposição
hierárquica e contextualizada das notícias e distribuição espacial correta e interessante
de reportagens, análise, artigos, críticas, fotos, desenhos e infográficos”. Pereira Júnior
(2006, p.22), sintetiza esta idéia: “editar significa valorizar a informação. Hierarquizar”.
3
A reflexão contida neste artigo é a primeira publicação oriunda do projeto de pesquisa Interfaces entre o
jornalismo tradicional e práticas colaborativas, em andamento na UFV desde o fim de 2008.
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Assim, neste trabalho focamos a discussão sobre a edição jornalística na hierarquização
de informações através da qual se atribui maior ou menor visibilidade a uma informa-
ção.
A edição de um material jornalístico por um ou mais profissionais, num dado
contexto, está submetida a muitas variáveis de ordem técnica e política. Para Marocco
& Berger (2006), a edição de um jornal está inscrita em um quadro complexo de produ-
ção que conjuga o gesto individual, as estratégias empresariais e as pautas jornalísticas.
Assim, o tratamento do material jornalístico durante a edição está inserido numa rede de
relações e de variáveis que, ao longo do processo, vão definindo o que é notícia e qual o
peso merecido por cada uma delas. A hierarquização das informações jornalísticas está,
portanto, submetida à lógica de noticiabilidade, aqui definida como
todo e qualquer fator potencialmente capaz de agir no processo da produção
da notícia, desde características do fato, julgamentos pessoais do jornalista,
cultura profissional da categoria, condições favorecedoras ou limitantes da
empresa de mídia, qualidade do material (imagem e texto), relação com as
fontes e com o público, fatores éticos e ainda circunstâncias históricas, polí-
ticas, econômicas e sociais (SILVA: 2005, p.96).

Segundo Silva (2005), muitas vezes a noção de noticiabilidade é confundida
com o conceito de valores-notícia. Para ela, enquanto os valores-notícia são “atributos
que orientam principalmente a seleção primária dos fatos (...)”, a noticiabilidade é um
conceito mais amplo, que inclui o “conjunto de elementos por meio dos quais a empresa
jornalística controla e administra a quantidade e o tipo de acontecimentos”, e ainda
“questões ético-epistemológicas” (p.97).
Neste sentido, a autora coloca que “a seleção e hierarquização recorrem sim aos
valores-notícia. Mas estes agem aqui apenas como uma parte do processo” do qual fa-
zem parte outros critérios de noticiabilidade, “como formato do produto, qualidade da
imagem, linha editorial, custo, público alvo etc”. A decisão do que deve ganhar mais vi-
sibilidade, portanto, envolve fatores diferentes e, muitas vezes, divergentes, como o per-
fil editorial (e comercial) da publicação, a percepção dos jornalistas e editores, o interes-
se público, as condições de produção do material jornalístico etc. Como afirma Pereira
Júnior (2006, p.24), “cada filtro de edição dá couraça objetiva a decisões de motivação,
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em última instância, subjetiva, organizacional ou restrita à comunidade profissional – ao
fim do processo, será uma revelação de caráter que vai amparar posições editoriais”.
As tarefas de selecionar e hierarquizar estão, em geral, nas mãos de um ou de
poucos jornalistas, que se tornam gatekeepers privilegiados dentro da redação. Para
Chaparro (1998, p.13), “balizar pelas razões do interesse público o relato dessa atualida-
de animada pelos interesses particulares” é a mais difícil e estimulante tarefa do editor.
Medina (1978) pontua que o editor deve ser um sujeito “bem informado” e sensível às
demandas do mercado, bem como antever as oportunidades de determinadas coberturas.
Deve, portanto, estar em sintonia com a angulação da empresa e com o público, sendo
assim, um agente regulador entre os dois lados. Ou, como propõe Chaparro (1998,
p.12), ser o “interlocutor escondido que provoca o leitor e lhe propõe acordos”.
Para alguns autores, a centralização da decisão e execução da hierarquização das
notícias tem como consequência inevitável um toque pessoal do editor. Segundo Pereira
Júnior (p.24), “a edição releva muito do ‘caráter’ de quem a assume - caráter aqui enten-
dido como a individualidade, mas também toda a agregação humana com ‘identidade’,
que age de maneira coerente em situações diversas (...)”. Esta visão se aproxima a pers-
pectiva da pesquisa de White (1993), que, ainda nos anos 1950, concluiu que “o proces-
so de seleção é subjetivo e arbitrário, com decisões dependendo mais de juízos de valor
baseado no conjunto de experiências, atitudes e expectativas do gatekeeper” (p.149). No
entanto, pesquisas posteriores, como a de Breed (1993), atribuíram maior peso à política
editorial da organização jornalística e à cultura organizacional das redações, minimizan-
do a autonomia do editor e suas percepções individuais.

3. Edição na web
A edição do conteúdo noticioso ganhou características específicas na plataforma
da World Wide Web. Em primeiro lugar, deve-se inclusive relativizar a importância da
página inicial para o acesso a uma informação, uma vez que o usuário tem diferentes
mecanismos para localizar e/ou acessar uma matéria, como as ferramentas de busca (in-
ternas ou externas ao site), os agregadores de RSS e de notícias (como o Google News)
e as trocas de links através sites de redes sociais, como o Twitter. A existência destes
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caminhos, no entanto, não parece resultar num menor cuidado com a home por parte dos
portais jornalísticos – vide, por exemplo, os estudos cuidadosos de arquitetura da infor-
mação e as mudanças frequentes realizadas pelos maiores grupos de mídia.
Se compararmos com as publicações jornalísticas tradicionais, em especial as
impressas, uma das rupturas fundamentais na edição de notícias em sites e portais noti-
ciosos é a não-obrigatoriedade de seguir uma periodicidade. Esta ruptura é reforçada por
um modelo que enfatiza o deadline contínuo, isto é, uma rotina de publicação ininterru-
pta de notícias e chamadas na home. Umas das mudanças na rotina do editor de home é
a necessidade constante de incluir, excluir ou alterar a posição de informações, num rit-
mo menos ou mais intenso, visando imprimir uma certa “cadência” à página principal
do site. Ao longo de um dia, alguns jornalistas, que se revezam em turnos, assumem a
função de editor de home, o que indica a necessidade de um forte peso institucional so-
bre as decisões de noticiabilidade em um portal. Em redações menores, é comum que as
decisões sejam tomadas numa deliberação informal entre os repórteres e redatores.
Neste contexto, devemos considerar as mudanças nas atividades do editor e,
eventualmente, impactos na própria essência dessa atividade jornalística. Sobrinho
(1998, p.09) afirma que “de gerente máximo do conteúdo jornalístico, ele (o editor) é
hoje um administrador, preocupado com índices de leiturabilidade das várias editorias,
de ‘recall’ de seus leitores (...)”, entre outros fatores não habituais a jornalistas. A neces-
sidade de acompanhamento dos resultados na web deve-se parcialmente à facilidade de
se mensurar resultados, como o número de acesso por página ou editoria, tempo de na-
vegação, link de entrada e de saída do site, entre outros fatores.

4. Colaboração, ainda que limitada
A facilidade técnica para uma participação mais direta do público nos processos
de produção jornalística é outra característica fundamental da prática jornalística basea-
da na web. A incorporação do chamado “jornalismo colaborativo” na rotina das reda-
ções é uma consequência direta da não só da crescente conectividade de dispositivos fi-
xos e móveis, que permitem que uma nova velocidade e dinâmica de troca de informa-
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ções, mais também da facilidade de se mensurar informações como o número de acessos
a uma página, os votos atribuídos a elas e o peso do voto de cada usuário.
A participação do público ganha contornos próprios no que tange à edição do
conteúdo jornalístico. Um dos recursos mais comuns atualmente é a publicação, na pá-
gina principal de portais noticiosos, de uma lista das notícias mais lidas pelo público.
No Brasil, sites com o G1, Último Segundo e Folha Online exibem na home as matérias
mais acessadas pelo público. Entre os jornais estrangeiros de maior tradição, as versões
online do The New York Times, The Washington Post, El Pais e The Guardian também
disponibilizam, em locais menos ou mais destacados, um ranking das páginas mais cli-
cadas. A relação das páginas mais enviadas por e-mail, mais “blogadas”, mais discuti-
das e dos termos mais buscados são outros serviços encontrados na home desses portais.
Acreditamos que, ao tornar pública a lista e, por consequência, o perfil das maté-
rias que mais chamaram a atenção do público num dado intervalo de tempo, os veículos
jornalísticos na internet relativizam a tradição de hierarquizar de forma centralizada as
informações veiculadas. Para retomando as palavras de Pereira Júnior (2006), a edição
torna-se menos “institucional”, e não tão “restrita à comunidade profissional”. Neste
sentido, a co-existência de destaques selecionados pelos editores de capa (a chamada
“edição jornalística”) com as preferências do público (“edição colaborativa”) parece-nos
um espaço privilegiado para os estudos das tensões explicitadas na relação entre os pro-
cessos jornalísticos tradicionais e a dinâmica da web colaborativa.
O pequeno espaço e, na maioria dos casos, a posição pouco destacada dos boxes
com a relação das páginas mais acessadas são indícios de uma decisão institucional de
que a divulgação dessas matérias não deve “concorrer” com a edição feita por profissio-
nais. O peso dado à edição colaborativa nos portais noticiosos é muito menor do que o
adotado por sites como o Digg e o brasileiro Overmundo, que têm toda sua estrutura
técnica e editorial planejadas para uma hierarquização efetivamente coordenada pelos
usuários. Analisando este contexto, Briggs (2007, p.34) afirma que
embora a maioria das páginas de notícias não estejam prontas para delegar a
seleção de notícias aos seus usuários, eles já reconhecem que é fundamental
levar em conta aquilo que os leitores valorizam no site, em vez de adotar ape-
nas sua visão mais tradicional do que é a notícia.
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Num plano mais amplo, podemos identificar aqui um exemplo do que Malini
(2008, p.10) caracteriza como “o jogo de forças no âmbito contemporâneo midiático”,
cenário do qual os “grandes jornais online” fazem leituras ambivantes. Para o autor, as
publicações reconhecem a possibilidade de dialogar com seu público como um “mo-
mento de oportunidade”, principalmente pela possibilidade de constituir um “espaço
mais elástico de visibilidade e diálogo público”. Por outro lado, configura-se um instan-
te de crise, uma vez que “sua força (dos jornais) em constituir uma ‘opinião pública` es-
taria a diminuir”.
A natureza da participação do público na edição do conteúdo jornalístico tam-
bém tem características peculiares no ranking das páginas mais acessadas. Em iniciati-
vas como o Digg, Overmundo, Kuro5hin e outras, a participação de um usuário implica
em um envolvimento, ainda que pontual, com tema tratado e numa relação mais pró-ati-
va com as funcionalidades técnicas/editoriais do site, como o próprio ato de criar um lo-
gin que o identifique. Para contribuir para a relação das mais lidas, não é necessária ne-
nhuma ação além do clique sobre uma chamada, o que nos permite inclusive supor que
uma parte significativa dos usuários não se preocupa ou sequer sabe que está contribuin-
do para uma edição paralela à realizada pela equipe do site.
Neste sentido, acreditamos que a geração de uma relação das matérias mais aces-
sadas em um site, ainda que seja uma forma limitada de “filtragem colaborativa”, não
chega a configurar um “sistema de recomendação” como os adotados, por exemplo, em
sites de comércio eletrônico (REATEGUI; CAZELLA, 2005). No mesmo sentido, ainda
que a exibição das preferências do público usuário represente uma flexibilização no mo-
delo de gatekeeper tradicionalmente usado pelas empresas jornalísticas, sua adoção não
pode ser considerada uma guinada para um modelo de edição inspirado no gatewat-
ching, em que o papel do jornalista passa a ser uma filtragem seletiva das informações
geradas e publicadas na web, inclusive por usuários comuns (BRUNS, 2005).
Na relação entre “edição jornalística” e “edição colaborativa”, interessa-nos aqui
identificar possíveis influências de um sobre outro, isto é, até que ponto uma edição in-
fluencia ou determina a outra. Neste sentido, foram elaboradas duas questões iniciais de
pesquisa: qual a relação entre a exibição de uma matéria nas áreas de edição jornalística
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da home com o aparecimento e permanência da mesma entre as mais acessadas? Por ou-
tro lado, a ocorrência de uma matéria no ranking das mais acessadas influencia a edição
jornalística, determinando por exemplo um maior destaque nas áreas coordenadas pela
redação do portal? Visando esboçar um método e elaborar hipóteses que possam orien-
tar a continuação da pesquisa, optamos por estudar essa dinâmica no site Folha Online,
apresentado a seguir.

5. Folha Online: referência e diversão
O site Folha Online (www.folha.com.br) é um portal noticioso vinculado ao
Grupo Folha e hospedado no portal Universo Online. Auto-intitulada "o primeiro jornal
em tempo real em língua portuguesa", teve sua primeira versão lançada em 1995 com o
nome Folha Web. Inicialmente usado para reproduzir o conteúdo do jornal impresso Fo-
lha de S. Paulo, atualmente a Folha Online possui uma redação própria e canais exclusi-
vos de informação jornalística e de serviços. Segundo o próprio site, "seu compromisso
é o de produzir conteúdo on-line com a mesma qualidade editorial e seguindo os princí-
pios de pluralidade, independência e criticismo da Folha". O jornal Folha de São Paulo,
vale ressaltar, é considerado uma das publicações que produz no país um "jornalismo de
referência", definido por Marques de Melo (2003, p. 195) como aquele que tem "valida-
de pública não apenas pelo reconhecimento que lhe tributam as elites dirigentes [...] ou
as lideranças da sociedade civil, mas sobretudo pela função de agendamento informati-
vo que exerce no interior do sistema midiático”.

Em agosto de 2007, a Folha Online lançou um novo projeto editorial, gráfico e
de arquitetura da informação. Segundo a matéria que explica as mudanças, os objetivos
foram tornar a "leitura mais agradável, com textos e páginas mais vibrantes, leves e ilus-
trados" e facilitar "o caminho de quem lê o site diariamente" (FOLHA ONLINE, 2007)4.
A home foi dividida em "blocos informativos por editorias", em geral identificadas por
cores. Um maior destaque foi dado para o conteúdo multimídia (vídeos, podcasts), que
passou a ter chamadas no topo da página (ao lado da logomarca do site) e uma seção ex-

4
Uma reprodução da home da Folha Online está na próxima seção deste artigo.
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clusiva na home, a partir da qual é possível escutar diretamente os arquivos de áudio,
por exemplo.

Também entre as alterações de cunho editorial está a inclusão, à esquerda da
parte superior da home, de um box intitulado "Noticiário de Variedades", no qual é inse-
rido o "noticiário sobre televisão e celebridades, sempre com o enfoque crítico e infor-
mativo". Outros assuntos que ganharam "editorias exclusivas" a partir dessa mudança
foram a cobertura de Ambiente, Bichos, Comida e Crianças. Ao lado do box de varieda-
des fica uma galeria de fotos-legendas que pretende "surpreender o leitor com uma nova
imagem a cada instante". Segundo editor-chefe, Ricardo Feltrin, a nova home é fruto de
um esforço para combinar um "jornalismo de qualidade, independente e criativo" com
"diversão", o que significaria "a modernização de nosso projeto".

Esta “modernização” alinha-se ao que Fonseca (2006) chama de cenário pós-for-
dista de produção da informação jornalística, principalmente nos conglomerados multi-
mídia. Segundo a autora, "a nova tendência seria caracterizada pelo declínio da notícia
como expressão do jornalismo em favor de valores como informação, prestação de ser-
viço e entretenimento (fait divers)" (p.03). Neste sentido, ao oferecer espaço em sua
home para notícias que extrapola seu papel de "jornal de referência", a Folha Online
aproxima-se, por exemplo, da proposta editorial do Universo Online, portal de conteúdo
ao qual está vinculado. Pesquisa de Jorge (2007, p. 169) na redação do UOL identificou
que, embora as hard news fiquem na metade superior da página principal, é a "home de
baixo", que abriga as softnews, que "tem uma audiência brutal" (palavras da gerente ge-
ral de conteúdo editorial do UOL).

Uma novidade relevante da reforma realizada em 2007 foi a implementação do
box "Ranking das Notícias", que exibe as notícias "+Lidas, "+Enviadas" e "+ Curiosas"
da Folha Online. No caso das +Lidas, cinco notícias são exibidas em ordem decrescente
de visitação e atualizadas a cada 15 minutos. Segundo o diretor de tecnologia do Grupo
Folha, Fernando Nemec, o único critério para o ranking das +Lidas é o número de aces-
sos. Não há nenhuma rotina para exclusão de um link muito acessado para que haja uma
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renovação periódica da lista. Ainda segundo Nemec, o portal pode retirar o recurso da
home quando, em "momentos de grande audiência", torna-se inviável tecnicamente o
processamento das informações pelos servidores que hospedam o site5.

6. Metodologia, coleta e análise de dados
Visando esboçar uma metodologia de coleta e análise de dados que nos permita
identificar as relações entre a edição jornalística e a edição colaborativa nos portais noti-
ciosos, realizamos uma coleta de dados nos dias 08 (quinta-feira), 09 (sexta) e 12 (se-
gunda) de dezembro de 2008. Das 8h às 18h, a cada 30 minutos, foi salvo um print
screen da home da Folha Online, totalizando 66 telas6. Ao longo dos três dias analisa-
dos, 51 matérias diferentes foram listadas entre as +Lidas, o que resulta numa média de
17 páginas por dia.
No primeiro momento, mapeamos a posição ocupada pelas notícias mais acessa-
das na home da Folha Online. O objetivo foi verificar a provável influência da posição
ocupada por uma notícia na escolha dos usuários/, compreendendo, por exemplo, se as
áreas de maior destaque jornalístico necessariamente abrigam as notícias mais lidas.
Para isso, dividimos a metade superior da home da Folha Online em sete áreas, confor-
me figura 01.

5
Informações obtidas em entrevista concedida por e-mail
6
A opção metodológica pela coleta os dados a cada 30 minutos deve-se a uma percepção que, em geral,
os destaques não eram alterados significativamente no prazo médio de 15 minutos.
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Figura 1: Áreas de edição jornalística na home da Folha Online (reprodução em 04 de dezembro de 2008)

Área 1: Chamada principal e links extras
Área 2: Chamada secundária e links extras
Área 3: Imagens (Foto-legendas)
Área 4: Noticiário de variedades
Área 5: Em cima da hora
Área 6: Coluna com três blocos temáticos
Área 7: Multimídia

Fizemos um levantamento da área da home em que foi posicionada por mais
tempo cada matéria que figurou entre as mais acessadas, e obtemos o seguinte resultado
(em ordem decrescente):
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Área 1 - 15 matérias (29,4%)
Área 6 - 13 matérias (25,5%)
Área 4 - 10 matérias (19,6%)
Área 2 - 04 matérias (7,8%)
Área 7 - 01 matéria (2,0%)

Oito matérias, ou 15,7% do total, não estavam posicionadas nas áreas pré-defini-
das ou sequer na home da Folha Online. Não foram registradas nenhuma ocorrência por
tempo majoritário nas áreas 3 e 5. Em síntese, os dados indicam uma grande concentra-
ção das matérias mais lidas em três áreas da home da Folha Online (as áreas 1, 6 e 4,
juntas, totalizam 74,5%), o que indica que há uma relação direta entre uma posição pri-
vilegiada na home e um número maior de acessos. Surpreende, por outro lado, a ausên-
cia das áreas 3 e 5, também posicionadas na metade de cima da home.

Numa segunda etapa da compilação e análise dos dados, procuramos mapear as
posições ocupadas ao longo do dia, tanto na home quanto no ranking +Lidas, por algu-
mas das notícias mais populares. O objetivo foi verificar indícios de influências mútuas
entre a edição colaborativa e a edição jornalística. Foram selecionadas seis matérias que,
no início da manhã, estavam entre as mais acessadas. Das duas matérias analisadas de
cada dia, uma estava posicionada na área 1 da home e pertencia à editoria de Política, e
a outra, sobre entretenimento e temas afins, encontrava-se na área 4.

Os três artigos posicionados na área 4 são:

1a) Stallone rodará filme no Brasil (04/12/2008)
2a) Ellen Jabour ameaça sair do “Olha Você”, do SBT (05/12/2008)
3a) Falabella se irrita ao perder espaço na Globo (08/12/2008)

1a) “Stallone rodará filme no Brasil”
- Edição colaborativa: a página permaneceu entre as +Lidas de 9h às 18h, ficando em
primeiro lugar de 10h às 15h.
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- Edição jornalística: foi destaque principal (com foto) da área 4 das 8h30 às 12h30. A
partir deste horário, foi posicionada na logo abaixo (2ª chamada da área 4), sendo retira-
da da home às 14h.

2a) "Ellen Jabour ameaça sair do “Olha Você”, do SBT"
- Edição colaborativa: a página permaneceu entre as +Lidas durante todo o período ana-
lisado (8h às 18h) e ocupou a primeira posição desse ranking de 9h30 às 12h30.
- Edição jornalística: ocupou a 2ª e 3ª chamadas da área 4 até 11h, quando foi retirada
da home da Folha Online.

3a) "Falabella se irrita ao perder espaço na Globo"
- Edição colaborativa: permaneceu entre as +Lidas de 8h às 17h do dia 08 de dezembro.
Das 8h a 12h esteve na 2ª posição do ranking, e subiu para 1ª de 12h às 15h.
- Edição jornalística: a página (com o título “Globo vai encurtar Negócio da China”, po-
rém associada à mesma URL) ficou em destaque na área 4 até 9h30, quando foi retirada
da home.

A partir da pequena amostra analisada, podemos levantar algumas tendências da
relação entre edição jornalística e edição colaborativa das matérias de entretenimento na
Folha Online. As matérias acima permaneceram entre as +Lidas durante todo ou prati-
camente todo o dia, mesmo não estando em destaque na área 4 durante todo este perío-
do. O tempo máximo de permanência na área 4 foi de 8h30 às 14h, o que nos leva a ela-
borar uma hipótese de que as matérias de entretenimento mantêm a posição entre as
+Lidas mesmo sem estar destacadas na parte superior da home da Folha Online. Ao
mesmo tempo, o fato de uma matéria figurar entre as +Lidas parece não influenciar na
decisão da equipe editorial do site de manter uma matéria em destaque, já que, nos três
casos, as matérias foram retiradas das áreas de “edição jornalística” mesmo estando em
1º lugar no ranking colaborativo7.

7
Um fator que certamente influenciou a permanência das matérias "Ellen Jabour...” e "Falabella se irri-
ta...” entre as +Lidas ao longo de todo o dia foi sua associação com a palavra ZAPPING, situada na área
4. Ao clicar nesta palavra, o usuário acessava diretamente as páginas analisadas, contribuindo para seu
número de acessos, ainda que a escolha tenha corrido em função de uma editoria, e não de uma página em
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Os três artigos posicionados na área 1 às 8h da manhã são:

2a) Governo admite que desemprego aumentará em 2009 (04/12/2008)
2b) Taxa de aprovação a Lula bate novo recorde e alcança 70% (05/12/2008)
2c) Serra amplia liderança para disputa presidencial de 2010, mostra Datafolha
(08/12/2008)

2a) “Governo admite que desemprego aumentará em 2009"
- Edição colaborativa: entre 8h e 11h, a matéria oscilou entre 3º e 4º lugares do ranking
das +Lidas, e caiu para 5º lugar às 11h30.
- Edição jornalística: até 10h30 está na área 1; então passa para a área 2, variando entre
a chamada principal e os links na parte inferior. Às 12h30, a página sai simultaneamente
da home e da relação editada pelo público.

2b) "Taxa de aprovação a Lula bate novo recorde e alcança 70%"
- Edição colaborativa: a matéria teve uma trajetória bem parecida com o destaque do dia
anterior. Até 10h, sua posição variou entre a 2ª e 3ª colocação do ranking das +Lidas,
caindo para 4º posição às 10h30, saindo da lista às 12h.
- Edição jornalística: permaneceu até 10h na chamada principal da área 1 e, de 10h30 às
11h30, passou a ser um “link extra” desta área. Às 11h30, passou para o segundo bloco
da área 6, onde permaneceu até 17h.

3b) "Serra amplia liderança para disputa presidencial de 2010, mostra Datafolha"
- Edição colaborativa: permaneceu em 1º lugar das +Lidas até 12h e, das 12h30 e às
15h, ficou em segundo. Sobe novamente para a primeira posição das 15h30 às 16h,
quando sai do ranking.
- Edição jornalística: a matéria foi a principal chamada da área 1 até 11h30, quando tor-
nou-se a chamada da área 6. Permaneceu na home até 14h30.

específico. Esta situação, se confirmada, parece indicar uma forte vinculação de parte de usuários com a
temática da área 4, o que os levaria a acessá-la sem mesmo sem saber a matéria indicada pelo link.
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VII Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo
USP (Universidade de São Paulo), novembro de 2009
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A análise inicial acima nos permite esboçar algumas hipóteses sobre a relação
entre edição jornalística e edição colaborativa das matérias mais destacadas (área 1) pela
equipe editorial da Folha Online. Ao contrário das tendências observadas entre as maté-
rias de entretenimento, as matérias de política não permaneceram todo o dia entre as
+Lidas. Sua presença destacada na área 1 mostrou-se fundamental não apenas para uma
boa colocação, mas para a própria permanência na lista das mais acessadas. Este movi-
mento foi identificado em duas das três matérias analisadas: a exceção foi a matéria de
08/12 (sobre o governador José Serra), cuja permanência nas +Lidas mostrou desvincu-
lada do destaque jornalístico. Assim como observado no conjunto de matérias anterior,
o fato de uma página estar entre as mais acessadas parece não influenciar na decisão,
pelos jornalistas editores, de manter uma matéria em destaque. As três matérias analisa-
das foram retiradas da área 1 quando ocupavam a melhor posição alcançada no ranking.

7. Ressalvas e considerações finais
Esta análise inicial nos permite supor que, em maior ou menor grau, a presença
das matérias em áreas de destaque da home da Folha Online (em especial nas áreas 1 e
4) é fundamental para o ingresso e permanência na lista das +Lidas. A edição jornalísti-
ca, no entanto, parece ter influências diferentes nas escolhas do público quando se com-
para o acesso a matérias de entretenimento e de política. As primeiras parecem ter maior
"autonomia" ao alcançar o ranking colaborativo, enquanto as matérias sobre política de-
pendem mais dos destaques editoriais na home da Folha Online.
Por outro lado, nos dois conjuntos de dados analisados, o fato de uma matéria
estar em qualquer posição das +Lidas parece não influenciar na decisão de manter uma
matéria numa área de maior destaque, ao menos na home da Folha Online. Esta consta-
tação nos permite elaborar a hipótese de que as preferências do público, explicitadas
através do ranking das +Lidas, não impacta diretamente os critérios e o ritmo de edição
da home pelos editores jornalistas.
A partir deste cenário, podemos indicar que, na tensa relação entre "edição cola-
borativa" e "edição jornalística" discutida anteriormente, há uma influência muito maior
das escolhas dos jornalistas sobre as do público do que o contrário. Esta situação reforça
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o peso dos critérios de noticiabilidade, em todas suas variáveis, sobre as escolhas dos
editores, a despeito das preferências do público apontarem outras tendências. Para os
jornalistas do site, portanto, prevalecem os preceitos que orientam o “jornal de referên-
cia”, enquanto a edição do público dialoga diretamente como o que Fonseca (2006) cha-
mou de “declínio da notícia como expressão do jornalismo”.
Partindo das hipóteses levantadas, faz-se necessário um levantamento mais ex-
tenso e melhor estruturado. Ressalte-se que uma das principais limitações do método
aqui esboçado é a impossibilidade de se mapear a origem de todos os acessos de uma
matéria. Certamente o destaque na home da Folha Online contribui bastante para um au-
mento no volume de cliques, mas um destaque na home do portal UOL, por exemplo,
pode render ainda mais acessos. Esta possibilidade, o acesso através de mecanismos de
buscas e outros recursos não foram considerados nesta pesquisa principalmente pela in-
viabilidade técnica de se mensurar todas as fontes de acesso a uma dada URL. Outra va-
riável que deve ser considerada numa fase mais avançada da pesquisa é a dinâmica vari-
ável do noticiário: supõe-se que a relação entre a edição colaborativa e a jornalística seja
diferente em dias pautados por “grandes acontecimentos” (morte de alguma personali-
dade, por exemplo) em relação a períodos sem nenhum fato jornalístico de grande des-
taque (caso dos três dias analisados).

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