1

Coletânea de preces, (Joana d‟Arc, 06/ 05/ 2014).
Tema: Prece pelas pessoas a quem tivemos afeição.
Fonte: Evangelho segundo o Espiritismo, XXVIII: 62-63.

Pelas pessoas a quem tivemos afeição
62. PREFÁCIO. Que horrenda é a ideia do Nada! Quão de lastimar são os que acreditam que no vácuo se
perde sem encontrar eco que lhe responda a voz do amigo que chora o seu amigo! Jamais conheceram as puras
e santas afeiçoes os que pensam que todo morre com o corpo; que o gênio, que com a sua vasta inteligência
iluminou o mundo; é uma combinação de matéria, que, qual sopro, se extingue para sempre; que do mais
querido ente, de um pai, de uma mãe, ou de um filho adorado não restará senão um pouco de pó que o vento
irremediavelmente dispersará.
Como pode um homem de coração conservar-se frio a essa ideia? Como não o gela de terror a ideia de
um aniquilamento absoluto e não lhe faz, ao menos, desejar que não seja assim? Se até hoje não lhe foi
suficiente a razão para afastar de seu espírito quaisquer dúvidas, aí está o Espiritismo a dissipar toda incerteza
com relação ao futuro, por meio das provas materiais que dá da sobrevivência da alma e da existência dos seres
de além-túmulo.
Tanto assim é que por toda a parte essas provas são acolhidas com júbilo; a confiança renasce, pois que
o homem doravante sabe que a vida terrestre é apenas uma breve passagem conducente a melhor vida; que
seus trabalhos neste mundo não lhe ficam perdidos e que as mais santas afeições não se despedaçam sem
mais esperanças. (Cap. IV, n° 18; Cap. V, n° 21.)

63. Prece. - Digna-te, ó meu Deus, de acolher, benévolo, a prece que te dirijo pelo Espírito N... Faze-lhe
entrever as claridades divinas e torna-lhe fácil o caminho da felicidade eterna. Permite que os bons Espíritos lhe
levem as minhas palavras e o meu pensamento.
Tu, que tão caro me eras neste mundo, escuta a minha voz, que te chama para te oferecer novo penhor
da minha afeição. Permitiu Deus que te libertasses antes de mim e eu disso me não poderia queixar sem
egoísmo, porquanto fora querer-te sujeito ainda às penas e sofrimentos da vida. Espero, pois, resignado, o
momento de nos reunirmos de novo no mundo mais venturoso no qual me precedeste.
Sei que é apenas temporária a nossa separação e que, por mais longa que me possa parecer, a sua
duração nada é em face da ditosa eternidade que Deus promete aos seus escolhidos. Que a sua bondade me
preserve de fazer o que quer que retarde esse desejado instante e me poupe assim à dor de te não encontrar,
ao sair do meu cativeiro terreno.
Oh! Quão doce e consoladora é a certeza de que não há entre nós mais do que um véu material que te
oculta às minhas vistas! De que podes estar aqui, ao meu lado, a me ver e ouvir como outrora, senão ainda
melhor do que outrora; de que não me esqueces, do mesmo modo que eu te não esqueço; de que os nossos
pensamentos constantemente se entreluzam e que o teu sempre me acompanha e ampara.
Que a paz do Senhor seja contigo.
******************
PONDERAÇÕES:
A prece por uma pessoa que já não esteja no mundo físico, se tivermos de explicar a uma pessoa que não
seja espírita é muito complicado, porque em geral poucas religiões admitem prece por os chamados mortos, ou
seja, nossos desencarnados, daí há pessoas que tremem e se arrepiam ao falar disso, é porque não está na
realidade das pessoas na convivência do dia a dia, primeiro porque quem morre é descartado, e passam a
chamar almas do outro mundo. Isso soa apavorante e muitos são condicionados por muitas entidades religiosas
a associar almas do outro mundo como demónios ou espíritos que só vêm nos fazer mal, isso porque esses
religiosos têm em dogma que as pessoas boas e dignas vão para um Céu circunscrito e que Deus não lhes
permite comunicação de forma alguma com o mundo físico.
Daí constante em suas explicações que só espíritos maus se comunicam com os homens; é questão de
compreensão, o espírita acredita que a vida continua que ninguém morre que o espírito é imortal, que se ele era
uma pessoa boa quando viveu entre nós ele não vira um demónio depois de morrer, que sim no além há

2
espíritos bons e maus do mesmo jeito que nós temos entre nós pessoas boas e pessoas más, pessoas
caridosas e pessoas egoístas, tudo conforme o grau e mérito espiritual que as pessoas hajam alcançado.
Precisando-se explicar que na Doutrina espírita não há perdidos e caídos em pecados eternamente, mas
evolução e progresso das almas, com arrependimentos e resgates, na doutrina Espírita há a explicação que o
mundo espiritual e o mundo físico marchem juntos, que Deus está nos dois lados da vida, que Deus zela pelo
nosso bem, que nas leis de Deus há reencarnação entendendo-se que todos têm a necessidade de progresso
para a perfeição, seja a perfeição moral, seja a de inteligência, seja a de sentimentos do coração, seja a de
sensibilidade em dons espirituais, seja a de tolerância, seja de sensibilizado por injustiça, sensibilizado ao ponto
de chorar com os que choram, perdão ou misericórdia perante o próximo, etc. Perante esta demanda que Jesus
nos pede “sede perfeitos”, Ele mesmo nos dá exemplo e diz: „Exemplo eu vos dou‟, que exemplo é que Jesus
deu foi o de egoísta, foi o de ter em estoque celeiros cheios, não, não, foi o de amor e amor total, amor do fundo
do coração, será que já estamos todos prontos com esse amor ou precisamos mais tempo ou progresso na
nossa evolução para merecermos o Céu em que Jesus nosso Mestre e Senhor está convivendo embora esteja
entre nós. ‟Estarei convosco até a consumação dos séculos‟ (Mateus, XXVIII: 20).
Estando o mundo espiritual marchando com o mundo físico há vamos chamar assim: um convénio entre
os dois mundos nas leis de Deus, será que ninguém pensou assim, e que havendo essa união de mundos em
espiritualização, pode alguém contestar a reencarnação, pois que não é senão a vinda de espíritos do além para
cá para este mundo do mesmo jeito que morremos e vamos para lá, daí a vida é: ”Naitre mourir, renaitre encore
et progresser sans cesse, telle est la Loi”, Nascer morrer renascer (nascer outra vez) e ter progresso sem cessar,
essa é a Lei. Nesta sentença está resumida a movimentação do espírito, ou seja, nossa movimentação, pois
somos espíritos imortais e o mundo físico não nos pode segurar senão temporariamente.
Entendamos que quando uma pessoa quer bem a outra esteja ela viva ou desencarnada faça sim prece a
Deus por ela e essa pessoa receberá o bem a ela desejado, mesmo até mesmo que não se forme palavras em
prece, mas formada só em pensamento de bons desejos alcança a pessoa independente de distancias vida ou
morte, pois o nosso espirito é força dinâmica com poderes de atravessar o Universo instantaneamente, melhor
do que um celular. Nós nos comunicamos uns aos outros por telepatia ou força de desejo no bem, e
consequentemente influenciamos e somos influenciados e se formos pessoas de bem temos proteção de más
influencias, pois atraímos afinidades no bem e no nosso viver pratiquemos a oração sugerida por Jesus que
disse: „Vigiai e orai‟, é porque a oração é como uma armadura de proteção contra influencias indesejáveis a que
todos estamos sujeitos devido ao mundo contendo muitos espíritos inferiores ainda, até que o mundo vire
„mundo regenerador‟, onde então muitos espíritos atrasados serão retirados para evolução deles e para bem das
pessoas de bem que por merecimento ficam permanentes. (A Gênese, XVIII: 27, 28 - Nova geração).
**********************************
Apreciemos no livro „O Céu e o Inferno‟ de Allan Kardec, na 1ª parte capitulo III: itens 5-10:
5. - O homem compõe-se de corpo e Espírito: o Espírito é o ser principal, racional, inteligente; o corpo é o
invólucro material que reveste o Espírito temporariamente, para preenchimento da sua missão na Terra e
execução do trabalho necessário ao seu adiantamento. O corpo, usado, destrói-se e o Espírito sobrevive à sua
destruição.
Privado do Espírito, o corpo é apenas matéria inerte, qual instrumento privado da mola real de função;
sem o corpo, o Espírito é tudo: a vida, a inteligência. Em deixando o corpo, torna ao mundo espiritual, onde
paira, para depois reencarnar.
Existem, portanto, dois mundos: o corporal, composto de Espíritos encarnados; e o espiritual, formado dos
Espíritos desencarnados. Os seres do mundo corporal, devido mesmo à materialidade do seu envoltório, estão
ligados à Terra ou a qualquer globo; o mundo espiritual ostenta-se por toda parte, em redor de nós como no
Espaço, sem limite algum designado. Em razão mesmo da natureza fluídica do seu envoltório, os seres que o
compõem, em lugar de se locomoverem penosamente sobre o solo, transpõem as distâncias com a rapidez do
pensamento. A morte do corpo não é mais que a ruptura dos laços que os retinham cativos.

6. - Os Espíritos são criados simples e ignorantes, mas dotados de aptidões para tudo conhecerem e para
progredirem, em virtude do seu livre-arbítrio. Pelo progresso adquirem novos conhecimentos, novas faculdades,
novas percepções e, conseguintemente, novos gozos desconhecidos dos Espíritos inferiores; eles vêm, ouvem,
sentem e compreendem o que os Espíritos atrasados não podem ver, sentir, ouvir ou compreender.
A felicidade está na razão direta do progresso realizado, de sorte que, de dois Espíritos, um pode não ser
tão feliz quanto outro unicamente por não possuir o mesmo adiantamento intelectual e moral, sem que por isso
precisem estar, cada qual, em lugar distinto. Ainda que juntos, pode um estar em trevas, enquanto que tudo

3
resplandece para o outro, tal como um cego e um vidente que se dão as mãos: este percebe a luz da qual
aquele não recebe a mínima impressão.
Sendo a felicidade dos Espíritos inerente às suas qualidades, haurem-na eles em toda parte em que se
encontram, sela à superfície da Terra, no meio dos encarnados, ou no Espaço.
Uma comparação vulgar fará compreender melhor esta situação. Se se encontrarem em um concerto dois
homens, um, bom músico, de ouvido educado, e outro, desconhecedor da música, de sentido auditivo pouco
delicado, o primeiro experimentará sensação de felicidade, enquanto o segundo permanecerá insensível, porque
um compreende e percebe o que nenhuma impressão produz no outro. Assim sucede quanto a todos os gozos
dos Espíritos, que estão na razão da sua sensibilidade.
O mundo espiritual tem esplendores por toda parte, harmonias e sensações que os Espíritos inferiores,
submetidos à influência da matéria, não entreveem se quer, e que somente são acessíveis aos Espíritos
purificados.

7. - O progresso nos Espíritos é o fruto do próprio trabalho; mas, como são livres, trabalham no seu
adiantamento com maior ou menor atividade, com mais ou menos negligência, segundo sua vontade, acelerando
ou retardando o progresso e, por conseguinte, a própria felicidade.
Enquanto uns avançam rapidamente, entorpecem-se outros, quais poltrões, nas fileiras inferiores. São
eles, pois, os próprios autores da sua situação, feliz ou desgraçada, conforme esta frase do Cristo: - A cada um
segundo as suas obras.
Todo Espírito que se atrasa não pode queixar-se senão de si mesmo, assim como o que se adianta tem o
mérito exclusivo do seu esforço, dando por isso maior apreço à felicidade conquistada.
A suprema felicidade só é compartilhada pelos Espíritos perfeitos, ou, por outra, pelos puros Espíritos, que
não a conseguem senão depois de haverem progredido em inteligência e moralidade.
O progresso intelectual e o progresso moral raramente marcham juntos, mas o que o Espírito não
consegue em dado tempo, alcança em outro, de modo que os dois progressos acabam por atingir o mesmo
nível.
Eis por que se vêm muitas vezes homens inteligentes e instruídos pouco adiantados moralmente, e vice-
versa.
8. - A encarnação é necessária ao duplo progresso moral e intelectual do Espírito: ao progresso intelectual
pela atividade obrigatória do trabalho; ao progresso moral pela necessidade recíproca dos homens entre si. A
vida social é a pedra de toque das boas ou más qualidades.
A bondade, a maldade, a doçura, a violência, a benevolência, a caridade, o egoísmo, a avareza, o orgulho,
a humildade, a sinceridade, a franqueza, a lealdade, a má-fé, a hipocrisia, em uma palavra, tudo o que constitui o
homem de bem ou o perverso tem por móvel, por alvo e por estímulo as relações do homem com os seus
semelhantes.
Para o homem que vivesse insulado não haveria vícios nem virtudes; preservando-se do mal pelo
insulamento, o bem de si mesmo se anularia.

9. - Uma só existência corporal é manifestamente insuficiente para o Espírito adquirir todo o bem que lhe
falta e eliminar o mal que lhe sobra.
Como poderia o selvagem, por exemplo, em uma só encarnação nivelar-se moral e intelectualmente ao
mais adiantado europeu? É materialmente impossível.
Deve ele, pois, ficar eternamente na ignorância e barbaria, privado dos gozos que só o desenvolvimento
das faculdades pode proporcionar-lhe?
O simples bom-senso repele tal suposição, que seria não somente a negação da justiça e bondade
divinas, mas das próprias leis evolutivas e progressivas da Natureza. Mas Deus, que é soberanamente justo e
bom, concede ao Espírito tantas encarnações quantas as necessárias para atingir seu objetivo a perfeição.
Para cada nova existência de permeio à matéria, entra o Espírito com o cabedal adquirido nas anteriores,
em aptidões, conhecimentos intuitivos, inteligência e moralidade.
Cada existência é assim um passo avante no caminho do progresso. (1) A encarnação é inerente à
inferioridade dos Espíritos, deixando de ser necessária desde que estes, transpondo-lhe os limites, ficam aptos
para progredir no estado espiritual, ou nas existências corporais de mundos superiores, que nada têm da
materialidade terrestre. Da parte destes a encarnação é voluntária, tendo por fim exercer sobre os encarnados
uma ação mais direta e tendente ao cumprimento da missão que lhes compete junto dos mesmos. Desse modo
aceitam abnegadamente as vicissitudes e sofrimentos da encarnação. (1) Vede 1ª. Parte, cap. I, n° 3, nota 1.


4

10. - No intervalo das existências corporais o Espírito torna a entrar no mundo espiritual, onde é feliz ou
desgraçado segundo o bem ou o mal que fez. Uma vez que o estado espiritual é o estado definitivo do Espírito e
o corpo espiritual não morre, deve ser esse também o seu estado normal. O estado corporal é transitório e
passageiro. É no estado espiritual sobretudo que o Espírito colhe os frutos do progresso realizado pelo trabalho
da encarnação; é também nesse estado que se prepara para novas lutas e toma as resoluções que há de pôr
em prática na sua volta à Humanidade.
O Espírito progride igualmente na erraticidade, adquirindo conhecimentos especiais que não poderia obter
na Terra, e modificando as suas ideias. O estado corporal e o espiritual constituem a fonte de dois gêneros de
progresso, pelos quais o Espírito tem de passar alternadamente, nas existências peculiares a cada um dos dois
mundos.
******************************
REFLEXÕES;
A prece ou desejo a uma pessoa que se ame ou deseje bem é também reciproca, pois a pessoa desencarnada
também pode desejar bem à pessoa ou pessoas que fiquem mais tempo no mundo físico, pois o amor é eterno o
amor não se apaga e se essa pessoa no além tiver condição de nos ajudar ou proteger, Deus não proibirá,
porque o bem é da sua Vontade, certo que se costuma dizer: se não pode ajudar não venham atrapalhar, isso é
mais justo, então nossa prece é que Deus nos ajude e que também abençoe os nossos com que tenhamos
afeição, neste conhecimento e fé sentimo-nos sempre ligados uns aos outros sem desesperos chorosos.
Daí sejam elas encarnadas ou desencarnadas e nós encarnados, já vivemos em conflitos com os que nos
atrapalham e por que, é porque diferenciamos muitas vezes uns dos outros e na convivência às vezes
necessária considerando-se que dos acertos e desacertos é que aprendemos evoluímos e temos progresso, a
vida é assim, podemos viver bem sim, desde que seja em amor uns pelos outros amando perdoando pedindo
perdão acertando ao máximo que se possa com tolerância e respeito, mesmo com nossas diferenças de uns dos
outros andemos sempre em passo a passo com fé em Deus.
E quanto ao próximo tudo vai dar certo, por mais esforço que se faça sempre damos algumas cabeçadas
na vida, mas com a fé em Deus que sabendo dos nossos defeitos escreve por linhas tortas, e nos leva ao
aprisco do bem e da felicidade, amar o próximo na nossa medida sincera é o melhor que às vezes se possa
fazer, embora nossa meta seja a da perfeição relativa considerando-se que estamos ainda em estagio evolutivo,
se Jesus nos sugeriu a perfeição é porque mais tarde ou mais cedo vamos conseguir nos aperfeiçoarmos por
nossos esforços com ajuda continua de Deus, de Jesus ou de a Espiritualidade ao serviço de Deus fazendo Sua
Vontade, pois estamos todos interligados uns aos outros desde o átomo ao Archanjo Espírito Puro no ápice de
maior elevação perante Deus.

Que Deus seja conosco, assim como outrora, hoje e sempre.

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful