EVOLUÇÃO DO SERVIÇO DE ÔNIBUS NO RIO DE JANEIRO E

A TENTATIVA DE MONOPOLIZAÇÃO DOS TRANSPORTES URBANOS
Elisabeth von der Weid
Fundação Casa de Rui Barbosa
Rio de Janeiro – Brasil
eweid@rb.gov.br
eweid@terra.com.br
Introdução
Rio de Janeiro se caracteri!ou no s"culo #$# %or um r&%ido crescimento
demogr&'ico e e(%ansão urbana. )t" a metade do s"culo* a cidade não %assava de um
centro urbano mal traçado* des%rovido de in'raestrutura como calçamento das ruas*
distribuição de &gua* esgotos sanit&rios* coleta de li(o e iluminação. Era uma cidade
%ortu&ria nas margens da ba+a de ,uanabara* es%remida entre os morros* ocu%ando um
es%aço con-uistado arduamente* atrav"s do dessecamento dos mangues e aterro das lagoas
da região.
1

)o longo do s"culo #$#* o Rio de Janeiro so'reu uma s"rie de trans'ormaç.es
radicais. /ogo no in+cio* em 0121* a chegada e estabelecimento da Corte %ortuguesa 'e! da
cidade a ca%ital do mundo %ortugu3s durante mais de uma d"cada* o -ue e(igiu a
am%liação do tecido urbano %ara %oder acomodar os novos moradores cortesãos e as
atividades decorrentes desse novo status. Entretanto* a%esar de algumas melhorias*
manteve as caracter+sticas de cidade colonial. )%4s a inde%end3ncia* em 0155* tornou6se a
ca%ital do $m%"rio do Brasil* agravando a e(%ansão dos %roblemas urbanos decorrentes da
estrutura original.
crescimento da %o%ulação durante todo o s"culo #$# 'oi e(%onencial* o -ue
levou 7 necessidade de ada%tar a cidade* abrindo novos es%aços %ara abrigar os 'lu(os de
migrantes e imigrantes. sistema escravista contaminava toda a sociedade e o grande
n8mero de escravos* %resentes desde o %er+odo colonial* se am%liou muito na ca%ital
im%erial. 9o 'inal do s"culo* de%ois da abolição* a %o%ulação -uase dobrou com a chegada
dos e(6escravos -ue 'ugiam das 'a!endas da região em busca de nova vida na ca%ital* e o
0
BER9)R:E;* /<sia =.C. >Função de'ensiva do Rio de Janeiro e seu s+tio original>* $n?. BER9)R:E;*
/<sia =.C e ;)RE;* =.@.;. Rio de Janeiro, cidade e região. Rio de Janeiro? ;ecretaria =unici%al de
Cultura* :e%artamento ,eral de :ocumentação e $n'ormação Cultural* 0A1B. %.0A652 e C26C0. Der o ma%a
da cidade em 01E2.
e(cesso de migrantes tornou6se um %roblema com%le(o dentro da %ers%ectiva das
condiç.es sanit&rias e habitacionais da cidade.
) imensa maioria dos habitantes das ruelas da cidade velha era 'ormada %or
%essoas sem renda 'i(a* -ue viviam em moradias %rec&rias* muitas 'am+lias dividindo os
es%aços redu!idos dos cortiços e estalagens e das casas de cFmodos. Estas eram antigas
mans.es burguesas* e se multi%licaram com a sa+da dos ricos %ro%riet&rios do antigo centro
urbano. ,rande %arte das 'am+lias ricas* -ue moravam na &rea central durante a colFnia*
tinha6se trans'erido %ara ;ão Crist4vão* %ara 'icar mais %r4(imo da Corte* e %ara a Cidade
9ova* uma &rea residencial -ue vinha surgindo entre o centro e ;ão Crist4vão.
5
E o
arrabalde de Bota'ogo crescia ra%idamente* 'ormado sobretudo %or ch&caras de 'am+lias
burguesas.
) %o%ulação %resente no centro habitava a &rea e ali trabalhava* ou morava nos
arredores e tinha algum ti%o de trans%orte. )lgumas 'am+lias burguesas ainda mantinham
seus grandes sobrados tradicionais no centro* e não tinham ainda se deslocado %ara os
arrabaldes da moda. Gor"m* a grande maioria dos transeuntes era de trabalhadores
inde%endentes e escravos de ganho* ou de 'am+lias de bai(a renda* -ue não %odiam morar
longe do centro %or-ue era ali -ue a %o%ulação %obre %odia ganhar o seu sustento* como
vendedores ambulantes ou biscateiros. Gara eles* o centro era um es%aço ao mesmo tem%o
de habitação e trabalho.
C

Os transportes no sé!"o #I#
) multidão de trabalhadores ambulantes e biscateiros dividia o es%aço das ruas com
os trans%orte e(istentes* todos de tração animal. )s condiç.es da malha urbana
di'icultavam o tr&'ego de -ual-uer ti%o de trans%orte -ue tentasse se estabelecer. =esmo
assim* o trHnsito era congestionado %or 'lu(os %ermanentes de homens e carregamentos*
-ue se deslocavam entre a !ona %ortu&ria e o centro mercantil.
$

5
CRI/;* ,astão. Aparência do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro? Jos" l<m%io* 0AJE. %. C25.
C
:)=)K$* ;<lvia. F. Retrato social do Rio de Janeiro na virada do século: 1890-191. Rio de Janeiro? EdIERJ*
0AAJ. %.EE6EJ. Der tamb"m /ia de )-uino Carvalho. Contriui!ão ao estudo das "aita!#es populares $ cidade
do Rio de Janeiro? 011J60A2J. Rio de Janeiro? ;ecretaria unici%al de Cultura* @urismo e Es%ortes* :e%. ,eral
de :oc. E $n'. Cultural* 0AA2. %.0LC60LE e 02E.
L
) visão do -uotidiano das ruas do Rio de Janeiro neste %er+odo 'oi constru+da a %artir da leitura de João do
Rio* A al%a encantadora das ruas. Rio de Janeiro? ;ecretaria =unici%al de Cultura* :e%. ,eral de :oc. e
$n'. Cultural* 0A1BM /uis Edmundo, & Rio de Janeiro do %eu te%po* Rio de Janeiro? Con-uista* 0AEBM
9oronha ;antos* 'eios de transporte no Rio de Janeiro: "ist(ria e legisla!ão* Rio de Janeiro? ;ecretaria
=unici%al de Cultura* :.,.:.$.C.* 0AAJ N5a ed.O 0°v.M Eduardo ;ilva* As )uei*as do povo* Rio de Janeiro? Ga!
e @erra* 0A11M ;ilvia F. :ama!io* Retrato +ocial do Rio de Janeiro na virada do século. Rio de Janeiro?
EdIERJ* 0AAJM e Jaime /. Benchimol* ) moderni!ação do Rio de Janeiro* $n? ,iovanna Rosso del Brenna
5
)l"m das carroças %ara todo ti%o de mercadorias* havia diversos ti%os de carros
%ara %assageiros. s ve+culos e(istentes eram %u(ados %or cavalos ou burros. Godiam ser
individuais ou %ara %oucas %essoas* como as carruagens* as seges* t+lburis ou cal,c"esM ou
os ti%os de trans%ortes coletivos e(istentes no %er+odo? as dilig3ncias* Fnibus e gFndolas.
E
)s carruagens eram ve+culos mais re-uintados* %ara as 'am+lias de %osses ou %ara
homens de neg4cios. ) sege era uma es%"cie de carruagem %e-uena* com um s4 assento.
Pavia um grande n8mero de seges %articulares e de aluguel* -ue 'uncionavam no tr&'ego
carioca desde meados do s"culo #D$$$. Eram o trans%orte mais tradicional da cidade e
'uncionavam como os t&(is de hoQe. s t+lburis surgiram mais tarde* Q& em 01LJ* e eram
ve+culos leves* trans%orte r&%ido %ara um s4 %assageiro* -ue viaQava ao lado do cocheiro.
@ornou6se o ve+culo mais %o%ular %or ser r&%ido e barato. Goder+amos com%ar&6lo 7s motos
e motobo<s de hoQe.
Ruanto aos trans%ortes coletivos* -ue " o nosso tema %rinci%al* os mais antigos
'oram as dilig3ncias* -ue surgiram no Rio em 010B* ainda no %er+odo da Corte %ortuguesa*
'a!endo o traQeto do centro ao %al&cio da Boa Dista* em ;ão Crist4vão* e 7 'a!enda de
;anta Cru!* ambos %ro%riedades da Coroa. s ve+culos tinham -uatro rodas e eram
%u(ados %or duas %arelhas de cavalos. @rans%ortavam malas do Correio e at" seis
%assageiros Fa!iam -uatro mudas da cidade a ;anta Cru!* num traQeto de cinco horas
a%ro(imadamente. Pavia -uatro hos%edarias no caminho* %ara -uem -uisesse %ernoitar.
J
Em 01E2* Q& havia linhas %ara Bota'ogo* ;ão Crist4vão e @iQuca. Em 01J1* havia
0BE ve+culos distribu+dos %or diversas em%resas e servindo toda a cidade e arredores. Em
0AB1* iniciava6se um serviço de dilig3ncias %ela ladeira do Barroso* -ue %artia de Bota'ogo
%ara Co%acabana* cru!ando a barreira de morros -ue isolava as %raias oceHnicas. Foi
organi!ado %elo :r. Figueiredo =agalhães* %ara atender 7 sua cl+nica* Qunto 7 -ual havia
um hotel e um balne&rio.
B
Foi o começo da descoberta de Co%acabana e dos banhos de mar
recomendados %elo doutor como tratamento de sa8de. ) maior %arte dos %assageiros das
dilig3ncias era geralmente gente sim%lesM costumavam trans%ortar trou(as de rou%a e
%e-uenas cargas* como tabuleiros com doces* verduras e 'rutas. =as alguns itiner&rios
Norg.O* & Rio de Janeiro de -ereira -assos, Rio de Janeiro? GICSRJ* 0A1E* e muitos outros estudos -ue
'ocali!am m8lti%los as%ectos do Rio de Janeiro da "%oca.
E
;)9@;* 9oronha. 'eios de transporte no Rio de Janeiro. .ist(ria e legisla!ão. Rio de Janeiro? @<%. do
Jornal do Commercio* 0ACL. Ca%+tulos E* J e 1.
J
$d.. $bidem. %. 50E655C.
B
$d.. $bidem. Der tamb"m ,ER;9* Brasil. .ist(ria das ruas do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro? /ivraria
brasiliana Ed.* 0AJE. LT ed. %. L0L.
C
tinham usu&rios mais so'isticados* como o )lto da Boa Dista e Co%acabana.
9os anos seguintes* o n8mero desses ve+culos em toda a cidade 'oi6se redu!indo
ra%idamente* em virtude do in+cio e da r&%ida e(%ansão do serviço de bondes a %artir de
01JA. 9o in+cio da Re%8blica N011AO restavam a%enas do!e carros* restritos ao tr&'ego %ara
Bota'ogo e /aranQeiras.
&s pri%eiros /nius
%rimeiro ve+culo denominado UFnibusV iniciou sua atividade no Rio de Janeiro
%or volta de 01CB. Era um ve+culo grande de dois andares %u(ado %or -uatro animais. )
%rimeira viagem %artiu do centro* e 'oi at" a %raia de Bota'ogo %elo Caminho 9ovo. Gouco
de%ois 'ormou6se uma em%resa %ara e(%lorar o seu uso. Funcionavam* inicialmente* -uatro
carros a%enas* mais sim%les do -ue o %rimeiro. :is%unham de dois bancos corridos de cada
lado* o -ue %ermitia acomodar mais %assageiros do -ue as dilig3ncias* e tinham uma 'ileira
de Qanelinhas laterais. Eram um ti%o de trans%orte utili!ado sobretudo %elas classes menos
'avorecidas. )s %rimeiras linhas serviam Bota'ogo* Engenho Delho e ;ão Crist4vão* -ue
eram os bairros residenciais da elite. s Fnibus serviam sobretudo %ara o trans%orte de
trabalhadores -ue %restariam serviços nas casas das 'am+lias burguesas.
1

Entre 0150 e 01C1* in+cio do Brasil inde%endente e do governo im%erial* a ca%ital
tinha6se e(%andido bastante* e a chegada dos Fnibus marcou uma 'ase da evolução da
cidade* %ermitindo a trans'er3ncia de %o%ulaç.es do centro %ara os arrabaldes.
estabelecimento de linhas de Fnibus %ara antigos bairros meio abandonados %ossibilitou
uma recu%eração da-ueles es%aços* -ue tiveram moradias reconstru+das e a criação de
casas comerciais em &reas revitali!adas* como o CaQu e o )ndara+ Ge-ueno.
Foram os %rimeiros ve+culos -ue se %ro%useram a levar um n8mero maior de
%assageiros* %rocurando dar a%oio ao trabalhador. =as o serviço dessas linhas era muito
irregular. =uitas ve!es %aralisavam com%letamente* sobretudo na "%oca das chuvas
torrenciais -ue inundavam Bota'ogo. =esmo assim* sua e(ist3ncia 'acilitou %ela %rimeira
ve! a mudança de 'am+lias de bai(a renda das ruas do centro %ara os arrabaldes* e
%ossibilitou o estabelecimento do com"rcio em &reas antes a%enas residenciais* como
Bota'ogo e a /agoa Rodrigo de Freitas.
s Fnibus se es%alharam %or v&rios bairros da cidade e tra'egaram no centro at"
01J1* -uando o tr&'ego 'oi sus%enso. Foi mantida a%enas uma linha* da %raia de Bota'ogo
1
;)9@;* 9. %us cit. %. 55E65CC.
L
at" as @r3s Dendas* na ,&vea* com%letando o itiner&rio da linha de bondes rec"m6
inaugurada. :esde meados da d"cada* vinham 'uncionando %recariamente* com a
concorr3ncia das dilig3ncias e das gFndolas -ue tinham am%liado bastante sua rede.
)s gFndolas eram um trans%orte semelhante aos Fnibus* e começaram a 'uncionar
na mesma "%oca. s ve+culos da Com%anhia de ,Fndolas Fluminenses eram coches* ou
%e-uenos Fnibus* %u(ados %or %arelhas de mulas* com ca%acidade %ara nove %assageiros 6
-uatro de cada lado e um no 'undo.
A
Eram ve+culos %esados e oscilantes* e o serviço era
inicialmente muito irregular. ) %artir de 01E1* a em%resa im%lantou mais duas linhas -ue
atingiam bairros mais a'astados* como Bota'ogo e o ;aco do )l'eres. Gor esta "%oca o
serviço tinha melhorado* com maior n8mero de ve+culos e %reços mais acess+veis %ara a
%o%ulação de bai(a renda. )s viagens tornaram6se mais baratas do -ue as dos Fnibus* al"m
de haver muito mais carros em circulação. Gassou a ser o ve+culo mais %o%ular e
mantiveram6se em atividade at" os anos 01B2.
Ruanto ao trans%orte de cargas* havia di'erentes ti%os de carroças* -ue entulhavam
as ruas e %raças do velho centro. )s cargas eram as mais diversas* e os itiner&rios variavam
entre os in8meros tra%iches e arma!"ns atacadistas e os %ortos de embar-ue* nas m8lti%las
enseadas do litoral da cidade. Ruando se iniciaram os trans%ortes 'errovi&rios* em 01J1* as
carroças %assaram a 'a!er trans%orte entre os %ortos e a estação central da Estrada de Ferro.
&s transportes %ar0ti%os
;endo o Rio de Janeiro uma cidade %ortu&ria* estabelecida no interior da ba+a de
,uanabara* havia a %ossibilidade do uso de embarcaç.es %ara trans%orte de %essoas ou
cargas* entre os m8lti%los embarcadouros e(istentes nas diversas enseadas -ue 'ormavam o
litoral da cidade. %rinci%al %onto de embar-ue 'icava no /argo do Gaço* era o chamado
cais Gharou(.
02
utro embarcadouro movimentado era o cais dos =ineiros* e v&rios outros
distribu+dos na Grainha* no Dalongo e Dalonguinho* na Graia Formosa e tamb"m nas %raias
de ;anta /u!ia e da ,l4ria.
00
)t" na %raia do Flamengo e na enseada de Bota'ogo tinha6se
recurso a %ontes de embar-ue.
:esses m8lti%los embarcadouros %artiam tamb"m serviços di&rios %ara os %ortos de
A
$d.. $bidem. ;obre as gFndolas* ver %rinci%almente as %. 5L065L5.
02
C)R)CW* Divaldo. 'e%(rias da cidade do Rio de Janeiro. Belo Pori!onteS;ão Gaulo? $tatiaiaSEdus%*
0A11. % JL. Der tamb"m /ui! Edmundo. %us cit. %. AL6AE.
00
FR$:=)9* F. e FERRE$R)* =.;.9. Cidade 'lutuante? os %ortos do Rio de Janeiro colonial. $n? Anais do
1° Congresso 2rasileiro de .ist(ria 3con/%ica e 4° Con5erência 6nternacional de .ist(ria de 3%presas,
9iter4i? )BGPES $CPF6IFF* 0AAB. vol. E. %. 15.
E
Estrela e Ca(ias* no recFncavo da ba+a de ,uanabara* e linhas regulares ligando o ;aco do
)l'eres a Bota'ogo* %assando %elo cais Gharou(.* ou saindo deste %onto %ara 9iter4i* do
outro lado da ba+a de ,uanabara. utras viagens se 'a!iam entre ;ão Crist4vão e o CaQu* e
%artindo da Grainha %ara o Dalongo e ;ão Crist4vão. )s viagens %ara outras cidades da
costa* %r4(imas como Garati* ou distantes como ;antos ou ;alvador da Bahia* tinham em
geral %artidas mensais.
05

A re%o"!&'o (os transportes (e )assa*
Rio de Janeiro 'oi a %rimeira cidade da )m"rica do ;ul a organi!ar um serviço de
trans%ortes coletivos sobre trilhos de 'erro. ) %rimeira linha 'oi inaugurada o'icialmente
em março de 01EA e seu itiner&rio ia do centro 7 @iQuca* num %ercurso de B Xm.
0C
Em
01J5* 'oi 'eita uma e(%eri3ncia com a troca da tração animal %or tração a va%or* %or"m as
di'iculdades da em%resa 'oram agravadas %or %roblemas 'inanceiros -ue levaram 7
sus%ensão dos seus serviços em 01JC.
utra concessão da mesma "%oca %ro%unha uma linha ligando o centro ao long+n-uo
arrabalde da ,&vea* servindo 7 !ona sul da cidade* -ue começava a crescer e se tornaria
mais tarde &rea residencial e 'abril. )s di'iculdades econFmicas continuavam* e a
concessão 'oi vendida a um americano* -ue organi!ou nos Estados Inidos a 2otanical
7arden Rail-Road Co%pan8 9td. )s obras 'oram iniciadas em Qunho de l1J1* o %rimeiro
trecho 'oi inaugurado em outubro e os trilhos chegaram at" Bota'ogo ainda no mesmo ano.
Entretanto o caminho do Jardim BotHnico era muito %rec&rio* em %leno manguesal
es%remido entre a lagoa e a base do Corcovado* e os bondes 'a!iam então cone(ão com o
serviço de Fnibus ou gFndolas %ara levar os %assageiros mais adiante. ) em%resa s4
conseguiu com%letar a linha em 011C* -uando os trilhos atingiram o alto da ,&vea.
0L

) %artir do sucesso da 2otanical 7arden* o interesse %elo novo trans%orte se
di'undiu e as em%resas de bonde se es%alharam %or toda a cidade. s bondes %ermitiram
um movimento de e(%ansão imobili&ria* %ois suas linhas abriram es%aço nos sub8rbios das
!onas norte e sul* inclusive rom%eram a barreira de montanhas -ue isolava as %raias da orla
oceHnica da cidade. Ra%idamente* essas &reas se trans'ormaram em bairros e %ermitiram a
05
C)R)CW* D. %us cit. %.JE6JB.
0C
;)9@;* N. %us cit. %.015.
0L
:I9/G* C.J. Rio Antigo. v.$$$. Rio de Janeiro* /aemmert* 0AEE. %.00B6001.
J
trans'er3ncia de %o%ulaç.es do velho centro* inclusive a-uelas -ue não tinham %oder de
mobilidade e -ue agora contavam com um trans%orte coletivo r&%ido e barato.
0E
utro trans%orte de massas -ue se desenvolveu na mesma "%oca* sobretudo em
direção 7 !ona norte da cidade* 'oram os trens da Estrada de Ferro :. Gedro $$. =uito
ra%idamente as linhas 'oram se estendendo na direção da !ona rural da bai(ada 'luminense*
%ermitindo a trans'er3ncia de %o%ulaç.es do centro e criando %ontos de concentração
urbana em torno das estaç.es* -ue logo se trans'ormaram em %ovoados suburbanos.
0J
s ve+culos sobre trilhos revolucionaram a ca%acidade de mobili!ação dos
habitantes do Rio* e as em%resas e(istentes de trans%ortes coletivos %erderam o sentido.
9os anos 01B2* -uando começou a enorme e(%ansão das em%resas de bondes* a maior
%arte dos itiner&rios dos antigos trans%ortes 'oi se restringindo* sobrevivendo a%enas
a-ueles 'ora do circuito urbano ou -ue atuavam como um com%lemento 7s linhas de
bondes ou de trens.
O renas+)ento (os ,n+-!s
9o 'inal do s"culo #$#* as e(%eri3ncias com eletricidade começavam a mudar o
modo de vida da cidade. ;ua a%licação* tanto na iluminação %8blica -uanto na tração dos
trans%ortes coletivos urbanos* 'oi mais uma revolução nos costumes dos cidadãos. )
situação sanit&ria e as di'iculdades de organi!ação do caos urbano em -ue se tinha
trans'ormado a ca%ital da Re%8blica levaram a %re'eitura e o governo 'ederal a reali!ar*
entre 0A2C e 0A2J* uma gigantesca re'orma urbana* -ue se estendeu at" 0A0L*
trans'ormando inteiramente o cen&rio e a l4gica da cidade.
0B
Y neste conte(to* em 0A2E*
-ue se estabelece na ca%ital a em%resa canadense de eletricidade :"e Rio de Janeiro
:ra%;a8 9ig"t and -o;er Co. 9td.* assumindo %rogressivamente o controle do
'ornecimento de energia el"trica %ara a cidade* a iluminação urbana* a uni'icação e
eletri'icação dos sistemas de bondes* o 'ornecimento de g&s e as comunicaç.es
0E
WE$:* Elisabeth von der. A tra<et(ria do onde dentro da perspectiva e%presarial. N@e(tos de trabalho CO
Rio de Janeiro? Fundação Casa de Rui Barbosa* 0AAL.
0J
)BREI* =aur+cio de ). 3volu!ão urana do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro? $G/)9R$S Kahar* 0A1B.
0B
;obre a re'orma urbana do Rio de Janeiro ver? )BREI* =aur+cio. %us Cit.M BE9CP$=/* Jaime /.
-ereira -assos? um Paussman tro%ical. Rio de Janeiro* ;ecretaria =unici%al de Cultura* @urismo e Es%ortes*
:e%artamento geral de documentação e in'ormação cultural* :ivisão de editoração* 0AA5M BRE99)*
,iovanna R. :el Nrg.O. & Rio de Janeiro de -ereira -assos: u%a cidade e% )uestão. Rio de Janeiro* Znde(*
0A1EM WE$:* Elisabeth. ) re'orma urbana e a /ight? uma revolução na cidade. Rio de Janeiro* in+cio do
s"culo ##. $n .ist(ria 3con/%ica e .ist(ria de 3%presas* v.D$60* ;ão Gaulo? )BGPE* 522C.M e Bota6
)bai(o. $n .ist(ria =iva* n
o
L* ;ão Gaulo? 'evereiro 522L. %. B161C.M entre outros.
B
tele'Fnicas.
01
Em %ouco tem%o* a em%resa oni%resente %assou a ser chamada %elos cariocas
sim%lesmente 9ig"t.
Garalelamente 7 e(%ansão dos bondes* desenvolvia6se um novo ti%o de trans%orte
coletivo* -ue tinha surgido no rastro do autom4vel. Este a%arecera como e(%eri3ncia na
Euro%a e Estados Inidos Q& no 'inal do s"culo #$#* e começara a 'ascinar os cariocas nos
%rimeiros anos do s"culo ##. Em %lena revolução do es%aço e dos costumes na ca%ital*
surgia no Rio o autom4vel* o novo ve+culo moderno* individual e elitista.
Em 0A2E* 'oi a%resentado* numa e(%osição de autom4veis em Garis* o %rimeiro
>auto6Fnibus>* -ue logo em seguida %assaria a ser utili!ado em /ondres.
0A
Grevendo a
utilidade do novo ve+culo* o %re'eito Gereira Gassos Q& %ublicava* em B de Qunho de 0A2J* o
decreto 02AC* e em 5B de setembro do mesmo ano o decreto J5B* -ue regulamentavam o
serviço de auto6Fnibus. s termos dos decretos eram com%lementares* e de'iniam -ue
durante 52 anos a %artir da data do decreto não haveria outros im%ostos ou contribuiç.es
al"m dos %revistos na lei orçament&ria vigente. )l"m disso* de'iniam ruas e avenidas %or
onde %odiam tra'egar* tari'as* seç.es* tari'as %ara cargas e bagagens* multas e %enalidades
em caso de descum%rimento das normas.
52

%rimeiro ve+culo desse ti%o a circular no Rio de Janeiro iniciou em 0A21* de
'orma es%ontHnea* um serviço regular na )venida Central* %rinci%al art"ria da cidade* entre
a Graça =au& e o Gasseio G8blico.
50
Gara 'acilitar o acesso 7 E(%osição 9acional
comemorativa do centen&rio da )bertura dos Gortos* os novos auto-/nius %assaram a
'a!er viagens e(traordin&rias da )venida Central 7 Graia Dermelha.
55
Em 0A00* 'oi 'irmado
um contrato com a Gre'eitura tornando este serviço de'initivo. ) %artir de então*
começaram a a%arecer novas %ro%ostas de outros em%res&rios e autori!aç.es da %re'eitura*
01
=c:W)//* :uncan. :"e 9ig"t. Bra!ilian @raction /ight and Gower Co. /td.6 01AAS0ALE. @oronto?
Iniversit< o' @oronto Gress* 0A11.
0A
;)9@;* 9. %us cit. v.5. %.050.
52
C=G)9P$) :E C)RR$; /IK E FR[) : R$ :E J)9E$R /@:). NCC/FRJO. Auto-/nius.
/egislação – )utori!aç.es. Rio de Janeiro? CC/FRJ* 0AL2. %. C6B. Este livro* organi!ado %or Ch. J. :unlo%*
'uncion&rio da 9ig"t* %rocura a%resentar uma consolidação de todos os contratos e leis re'erentes ao serviço
de Fnibus no Rio de Janeiro. :e%ois desses decretos* -ue %reviam a utili!ação do ve+culo e -ue
%raticamentemente não 'oram im%lementados* a %rimeira lei re'erente aos Fnibus " de de!embro de 0AC2.
50
;)9@;* 9. %us cit. %.050605L. Essa %rimeira 'ase dos Fnibus 'oi toda %es-uisada nesta obra* %ois não
houve nenhuma concessão ou contrato registrado* o -ue s4 começou a ser 'eito a %artir de 0A0J. Der tamb"m
CC/FRJ* cit. ) %rimeira autori!ação* com um U@ermo de obrigaçãoV* 'oi concedida a P. /. Wheatle<*
engenheiro industrial* em novembro de 0A0J. %.E0.
55
;)9@;* 9. %us cit.. %.05C.
1
-ue levaram %ouco a %ouco 7 e(%ansão das linhas* de 'orma dis%ersa e desordenada.
5C

novo ti%o de trans%orte coletivo iniciava sua atuação nas ruas da cidade. 9ão
havia legislação de controle* concess.es* ta(as de manutenção ou im%ostos. )s em%resas
obtinham uma autori!ação do munic+%io %ara e(ercer sua atividade num determinado
%er+metro ou itiner&rio e %assavam a 'uncionar. @amb"m não havia %rivil"gios de !ona* e
os itiner&rios se sobre%unham* sem %reocu%ação com outras em%resas de Fnibus nem com
os bondes. Como eram %e-uenas em%resas* a 9ig"t inicialmente não se %reocu%ou com
elas. Entretanto* seu interesse 'oi des%ertado %ela criação* em 0A0J* dos Fnibus el"tricos do
engenheiro Wheatle<* com rodas de borracha maciça e alimentados %or baterias..
5L
s
novos Fnibus modernos 'a!iam o traQeto da %raça =au& ao Gasseio G8blico* %ercorrendo
toda a )venida Rio Branco Nantiga )venida CentralO* e eram chamados U)uto6)venidaV.
)s %ro%ostas e concess.es se multi%licavam* e as linhas 'oram se e(%andindo* mais
duas em%resas em 0A0B* outra em 0A55. 9o ano seguinte 'ormou6se a %rimeira com%anhia
%ro%ondo um serviço regular %ara os arrabaldes* inicialmente %ara Dila $sabel* em seguida
%ara @iQuca* )ndara+* Co%acabana e /eblon. Eram os auto-/nius do 9opes* como 'icaram
conhecidos* %ois tinham uma 're-ncia bastante regular* o -ue %o%ulari!ava esse meio de
trans%orte.
5E
9os anos seguintes houve um enorme desenvolvimento do serviço de Fnibus
na cidade? tinham %assado de L em%resas* inicialmente* e(%lorando um total de seis linhas*
%ara 55 com%anhias no 'inal de 0A5B*com L2 linhas e e(tensão total de 5BE Xm.
5J
Com a e(%ansão consider&vel das linhas de Fnibus e o crescimento desordenado do
tr&'ego automobil+stico* agravaram6se os %roblemas de circulação dos bondes. ) %artir de
0A0A* a %reocu%ação dominante %assou a ser o crescimento e o congestionamento do
tr&'ego* con'irmando a insu'ici3ncia das linhas e dos bondes %ara o serviço. Em 0A5E mais
cinco milhas de trilhos 'oram instaladas* o -ue* no entanto* era insu'iciente 'rente aos
%roblemas do setor.
5B
5C
$dem. $bidem. autor menciona este contrato* -ue no entanto não est& registrado no livro da CC/FRJ cit.
5L
CC/FRJ. %us cit. @ermo de obrigação de 5B.00.0A0J* %.E0. termo de'inia itiner&rio* tari'as* multas e
outras sanç.es * re'erindo6se neste caso ao decreto J5B de 0A2J. =esmo re'erindo6se ao decreto de 0A2J* não
menciona im%ostos nem ta(as* somente as multas e o Udireito ao go!o de vantagens e regaliasV contidos
na-uele decreto. Der tamb"m =em4ria da Eletricidade. A cidade e% %ovi%ento? energia el"trica e meios de
trans%orte na cidade do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro? 5220. %.021.
5E
;)9@;* 9. %us cit. G.050605L.
5J
$d. $bidem. %.05E.
5B
RJ:9-. Annual Report: ,eneral =anager. Re'. 0A5E.
A
Em 0A01* a 9ig"t tinha decidido com%rar a %e-uena em%resa de Fnibus el"tricos*
-ue entrou logo em atividade* sendo considerado satis'at4rio o resultado alcançado.
51
Entretanto* sua %artici%ação no total dos serviços da com%anhia era %e-uena. ) em%resa
manteve esse serviço sem e(%ressivas modi'icaç.es at" 0A5J. ) %artir de então* %assou a
demonstrar um 'orte interesse %elo setor de Fnibus* atrav"s de solicitaç.es %ara novas
concess.es. bteve em Qunho da-uele ano a concessão de uma linha %ara o traQeto do
Clube 9aval N)venida Rio BrancoO ao 'orte de Co%acabana.
5A
Em 5C de novembro de
0A5B* 'irmou novo @ermo de brigação na -ual a em%resa a%arece designada como Diação
E(celsior.
C2
Esta tinha sido criada em 0A5J* com carros lu(uosos -ue 'a!iam o %ercurso do
Clube 9aval* no centro* at" o Gavilhão =ourisco* em Bota'ogo. s Fnibus tinham
a%arelhos reguladores de velocidade* 'reios de segurança* cai(a coletora %ara %assagens e
assentos de veludo.
C0

) Diação E(celsior marcou uma nova 'ase de investimento da Com%anhia neste
setor. ) 9ig"t começava a se interessar %or investir 'undo tamb"m no serviço de Fnibus.
Em 0A51* a em%resa lançava os Fnibus de dois andares* -ue Q& eram utili!ados na Euro%a e
)m"rica do 9orte. ) lotação era de C5 %assageiros no andar su%erior e C2 no t"rreo. )
%rimeira linha inaugurada 'a!ia o %ercurso Estrada de Ferro6/a%a e novos Fnibus 'oram
logo a%elidados %elos cariocas de Ucho%e du%loV.
C5
Com o obQetivo de incor%orar novas t"cnicas* oriundas de %a+ses mais avançados*
'oram colocados 7 'rente da E(celsior %ro'issionais e(%erientes? o ;u%erintendente ,eral –
=r. W. J. Wolle<* vindo da :oronto :ransportation Co.* Canad&* e seu assistente =r. E.
=. Gullers* oriundo da 9ondon 7eneral &%nius Co. de /ondres. ) Diação E(celsior
im%lementou v&rias inovaç.es na o%eracionali!ação dos serviços.
CC
Estabeleceu cai(as
coletoras %ara o recebimento de %assagens e criou a 'unção de trocadorM 'i(ou hor&rios %ara
51
CC/FRJ. %us cit. @ermo de trans'er3ncia de E de de!embro de 0A01. %. EE.
5A
;)9@;* 9. %us cit. %.0BA. Der CC/FRJ* cit. @ermo de obrigação de B de Qunho de 0A5J. %.0BA
C2
$d. $bidem. @ermo de obrigação de 5C de novembro de 0A5B. %.01E. 9este volume " a%resentado como
observação de abertura do trabalho* o seguinte te(to? U serviço de Fnibus do :istrito Federal -ue tem a
designação de Diação E(celsior* " e(ecutado %ela R.J.:.9.-. Diação E(celsior " sim%les designação ou t+tulo*
7 semelhança de outras em%resas e(istentesV* destacado de uma certidão de 50S21S0ACA* %assada %ela
:iretoria dos ;erviços de Itilidade G8blica. Der tamb"m 9. ;)9@;* %us cit. %.0A5.
C0
=em4ria da Eletricidade. %us cit. %.021.
C5
$d. $bidem. %. 000.
CC
RJ@/GC. Annual Report. ,eneral =anager. Re'. 0A5B. %. 0C.
02
]nibus movido a bateria el"trica? U)uto6)venidaV. :"cada de 0A52. )r-uivo 9ig"t.
Ucho%% du%loV* Fnibus da Diação E(celsior* subsidi&ria da Rio 9ig"t.
F9@E ? )r-uivo Rio-9ig"t. Apud )genda 9ig"t* 0AJE.
sa+da de Fnibus* inde%endente do n8mero de %assageirosM esti%ulou a divisão no valor das
%assagens %or seç.es e colocou cigarras %ara o %assageiro avisar ao motorista a %arada
00
deseQada.
CL

En-uanto os ve+culos das em%resas concorrentes* na maioria das ve!es* eram
montados sobre chasis ada%tados* os da Diação E(celsior eram todos modelos modernos*
montados nas o'icinas da em%resa. $m%ortavam6se motores :aimler de CE a 52 cavalos e
os chasis ,u<* sendo todo o restante do e-ui%amento de 'abricação %r4%ria.
CE
Em novembro de 0A5B começou a 'uncionar a linha de Fnibus de lu(o. 9a ocasião
'oi 'eito um %asseio inaugural com Qornalistas* tendo como motoristas =r. C. ). ;<lvester*
Dice6Gresidente da Rio 9ig"t* e =r. C. ). Barton* ;u%erintendente do :e%artamento de
@ração e ''icinas.
CJ
@oda esta 3n'ase na ocasião da inauguração deste serviço tinha como
obQetivo %rinci%al obter desta-ue na im%rensa.
9a-uele ano a Rio 9ig"t vira6se ameaçada %ela com%etição de outras com%anhias.
Eram 00A Fnibus de outras com%anhias circulando na cidade* ou seQa* 5E*C^ a mais do -ue
no ano anterior. :entre estas concorrentes destacava6se a Em%resa 9acional )uto Diação
/tda.* -ue so!inha o%erava 11 ve+culos.
CB
Em de!embro de 0A5B* a 9ig"t substituiu os
Fnibus el"tricos da )v. Rio Branco %or Fnibus a gasolina. ) com%etição com os carros de
lotação – <itne8s $ redu!ia a %o%ularidade dos Fnibus. ) %r4%ria Em%resa diagnosticava
-ue o <itne8 tinha6se tornado mais %o%ular em seç.es em -ue o serviço %or ela o'erecido
era de'iciente.
C1
) Rio 9ig"t decidiu* então* orientar seus investimentos buscando o mono%4lio do
setor de auto6Fnibus do :istrito Federal. Esta dis%osição 'oi claramente mani'estada nos
relat4rios anuais internos da em%resa.
CA
9esta "%oca* a 8nica legislação re'erente aos
trans%ortes urbanos dei(ava %raticamente isentos de im%ostos e contribuiç.es as em%resas
-ue investissem no setor.
L2
@al legislação* certamente* serviu de est+mulo aos investimentos
da Rio 9ig"t.
CL
JR9)/ :) /$,P@. =em4ria da /ight. Rio de Janeiro? /ight* v. C* n. C2* Qan. 0AA2. Boletim su%lemento.
)%ud. RCP)* )mara ;. ) Consolidação N0A5J60ACLO. $n? /B* Eul&lia =. l. e /EDW* =. B&rbara.
NcoordO. 3studos sore a Rio 9ig"t. Rio de Janeiro? $nstituto /ightSCentro de mem4ria da Eletricidade no
Brasil* 5221. %.52J.
CE
RED$;@) /$,P@. Rio de Janeiro? /ightS :e%artamento% de %ublicidade. =aio 0A5A. %.01.
CJ
$d. $bidem. %.0L.
CB
RJ:9-. Annual Report. ,eneral =anager. Re'. 0A5B* %.5L.
C1
$d. $bidem.
CA
RJ@/GC. Annual Report. ,eneral =anager. Re'. 0A5B e 0A51.
L2
CC/FRJ. %us cit. )t" a-uele momento* s4 havia os dois %rimeiros :ecretos =unici%ais de Gereira
Gassos de 0A2J. %.E e B. s im%ostos eram a%enas a-ueles %revistos na lei orçament&ria vigente* não havendo
im%ostos ou ta(as es%ec+'icos %ara os auto6Fnibus.
05
Gara desenvolver sua estrat"gia de mono%oli!ação* a 9ig"t adotou o sistema de
triangulação nas a-uisiç.es de outras com%anhias* atrav"s de ra!.es sociais -ue
'uncionavam como intermedi&rias. ) a-uisição de outras em%resas de Fnibus e a
incor%oração de maiores &reas de concessão tiveram como intermedi&ria uma outra
com%anhia* da -ual a 9ig"t detinha o controle acion&rio – a Em%re!a )uto6mnibus ;.).
Esta em%resa tinha sido criada como com%anhia limitada em agosto de 0A55* tendo
como &rea de concessão o traQeto Graça =au&6/eblon.
L0
Em 0A51* Q& como sociedade
anFnima e tendo como re%resentante J. =. Bell* a em%resa am%liou sua &rea de atuação
%ara os bairros da =uda e ="ier.
L5
$nteressante observar -ue J. =. Bell era* na "%oca*
;u%erintendente ,eral da Rio 9ig"t. ) Em%re!a )uto6mnibus ;. ).* embora não
constasse do organograma o'icial da "olding* era de 'ato sua subsidi&ria. ;4 %assou a 'a!er
%arte da 9ig"t o'icialmente atrav"s do @ermo de @rans'er3ncia de 0C de Qulho de 0ACC.
9este termo* o re%resentante da com%anhia NC. ). ;<lvester* -ue tamb"m 'a!ia %arte da
e-ui%e da 9ig"tO Utrans'ere 7 :"e Rio de Janeiro :ra%;a8 9ig"t > -o;er Co. 9td. NDiação
E(celsiorO o termo...V. ) Diação E(celsior* -ue era uma subsidi&ria da 9ig"t* %assara a ser
tamb"m uma Ure%resentanteV da com%anhia estrangeira no sistema de triangulação* a %artir
de 0A5A* -uando recebeu a trans'er3ncia do @ermo de brigação da em%resa
$nde%end3ncia )uto6mnibus U7 :"e Rio de Janeiro :ra%;a8 9ig"t > -o;er Co. 9td.
NDiação E(celsiorOV – da mesma 'orma como se %assou alguns anos de%ois com a em%resa
)uto mnibus ;.). 9a trans'er3ncia da em%resa $nde%end3ncia* o re%resentante da 9ig"t
NDiação E(celsiorO era J. =. Bell – -ue 'ora re%resentante da Em%re!a )uto6mnibus em
0A51.
LC
) %artir de 0A51* %ortanto* iniciou6se uma investida da /ight no setor de Fnibus*
atrav"s da )uto6mnibus ;.).* -ue aumentou o movimento de com%ra de outras
com%anhias atuantes no setor* obtendo novas concess.es. Foi o caso da incor%oração das
em%resas? Rio de Janeiro Auto-&%nius Co%pan8 e )uto Diação ,l4ria N0A51OM Cru!eiro*
W%iranga* $nde%end3ncia* Conceição* =aracanã* =otor Diação* Em%re!a Brasileira e
Em%re!a Es%erança N0A5AO e Diação @iQuca N0AC2O.
) estrat"gia de controle da 9ig"t sobre os trans%ortes da ca%ital 'a!ia um e'eito de
concorr3ncia a si %r4%ria* ou seQa* a e(tensa rede da Diação E(celsior %arecia concorrer
L0
CC/FRJ. %us cit. %. 0EC.
L5
$d. $bidem. %.0EB.
LC
$d. $bidem. G. 0EB* 0JB e 0BE. ;obre a concorr3ncia Fnibus6bondes ver Weid* E. A tra<et(ria... Cit.
0C
com os bondes da cidade* todos sob o controle da mesma "olding. ) ra!ão %rinci%al era*
%rovavelmente* a manutenção %ela %re'eitura do valor das tari'as dos bondes*
e(cessivamente bai(o %ara os %roQetos da em%resa* e o 'ato de -ue o sistema de Fnibus
ainda não tinha -uase controle munici%al at" os anos 0AC2.
)inda em 0A5A* com a %ers%ectiva do %lano )gache de urbani!ação do Rio de
Janeiro* a 9ig"t a%resentou 7 %re'eitura um memorial sobre o %roblema dos trans%ortes no
:istrito 'eederal* %ro%ondo soluç.es. ;abia6se -ue o %roQeto de remodelação da ca%ital*
%ro%osto %elo urbanista 'ranc3s* sugeria a su%ressão da maior %arte dos bondes*
considerados causadores de congestionamento de tr&'ego e %ouco velo!es %ara as
necessidades dos novos tem%os.
LL
) id"ia dos em%res&rios da "olding 'oi 'a!er uma
contra%ro%osta em -ue seriam su%rimidas algumas linhas de bondes* mas em com%ensação
haveria a e(tensão de outras a %artir das Q& e(istentes. Paveria tamb"m linhas de metrF e
bondes subterrHneos* coordenadas com as linhas de bondes de su%er'+cie e Fnibus. )
%ro%osta era com%letada %ela sugestão de -ue as linhas de metrF e bondes subterrHneos
'ossem constru+das %ela Gre'eitura* en-uanto a com%anhia* seria res%ons&vel %elo
'uncionamento do sistema* encarregarda da instalação e o%eração dos ve+culos e o'icinas.
LE
9a verdade* sentindo a evolução r&%ida dos meios de trans%orte* a 9ig"t %rocurava
garantir* usando de todos os recursos* a manutenção e e(tensão do seu mono%4lio.
resultado desta %ol+tica 'oi -ue* em 0AC0* a Com%anhia tinha a%enas seis em%resas
concorrentes* -ue o%eravam em conQunto 15 ve+culos* contra 0LJ de sua %ro%riedade. )l"m
da su%erioridade num"rica* a E(celsior tinha a vantagem de o%erar Fnibus mais modernos
do -ue a maioria das outras em%resas. 9este %er+odo* a 9ig"t diagnosticava -ue* devido 7s
condiç.es %rec&rias das concorrentes seria a%enas uma -uestão de tem%o a insolv3ncia
destas e a e'etivação de sua estrat"gia de mono%oli!ar o setor.
LJ
Esta %revisão* no entanto*
não 'oi con'irmada %elos acontecimentos seguintes.
) Revolução de 0AC2* e as conse-\entes intervenç.es nos Estados e no %r4%rio
:istrito Federal* trou(eram uma nova %ers%ectiva de governo e de %ol+ticas %8blicas. :r.
Gedro Ernesto* interventor na Ca%ital Federal* decretou uma nova legislação munici%al*
criando e(ig3ncias at" então ine(istentes %ara as concess.es no setor de Fnibus.
LL
;$/D)* =./.G. &s transportes coletivos na cidade do Rio de Janeiro. @ens.es e con'litos. Rio de Janeiro?
;ecretaria =unici%al de Cultura* @urismo e Es%ortes. :e%. ,eral de :oc. e $n'. Cultural. 0AA5. %. 1061C. )
autora %es-uisou nos ar-uivos da Com%anhia do =etro%olitano do Rio de Janeiro.
LE
C=G)9P$) : =E@RG/$@)9 : R$ :E J)9E$R* out. 0ABB. )%ud. =./.G.da ;ilva. %us
cit. %.C2.
LJ
RJ@/G. Annual Report. ,eneral =anager. Re'. 0AC2. %.EJ.
0L
Em de!embro de 0AC2* 'oi %ublicada uma nova legislação munici%al %ara o setor de
trans%ortes urbanos. ;egundo o decreto n
o
. CL22* elaborado %or Gedro Ernesto* os novos
%edidos deviam ser acom%anhados de uma %lanta da cidade assinalando o itiner&rio dos
Fnibus* e relat4rios da em%resa solicitante es%eci'icando o n8mero de ve+culos a serem
utili!ados* o ti%o de chasis* a%resentando 'otogra'ias ou desenhos dos ve+culos* e at" %rovas
de idoneidade 'inanceira e t"cnica* como garantia da ca%acidade de manutenção do serviço.
) mudança na %ostura do %oder %8blico munici%al em relação ao setor de trans%ortes
urbanos 'a! %arte de uma s"rie de alteraç.es em n+veis mais abrangentes ocorridos na
organi!ação do Estado* a %artir da d"cada de 0AC2. )s novas limitaç.es levaram a 9ig"t a
acumular %reQu+!os e a desistir de sua %ro%osta mono%oli!adora.
LB
$nclusive %or-ue o
%roQeto do metrF %assou a ser da %re'eitura e s4 'oi im%lantado muitos anos de%ois.
9o relat4rio de 0AC0 a Rio 9ig"t registrava -ue as e(ig3ncias munici%ais e o
est+mulo a livre concorr3ncia tornavam o setor %ouco atraente. Em Qulho de 0ACC a
Em%re!a )uto6mnibus /tda. 'oi o'icialmente trans'erida %ara Rio 9ig"t. Entretanto* a
%retensão de mono%oli!ação dos trans%ortes 'ora %aralisada em 0AC0. Grogressivamente* a
em%resa se desinteressou %elos Fnibus* sendo su%erada tanto %or antigas concorrentes*
-uanto %or novas em%resas -ue obtiveram suas licenças com base na nova legislação.
Em 0ACL* iniciava6se o %roQeto e'etivo da administração munici%al. ,overno
Grovis4rio decretou a divisão da cidade em !onas?* Udentro das -uais* entre as -uais ou
%ara as -uais* a %artir de determinada !ona central* os serviços de Fnibus6autom4veis se
'arão sem com%etição.V
L1
)s em%resas %erdiam* assim* a iniciativa de %ro%or itiner&rios 7
Gre'eitura. Gara obter e(clusividade tinham -ue submeter6se aos traQetos de'inidos %elo
%oder munici%al. Como* %or outro lado* a %re'eitura não levou adiante o Glano )gache*
nem as %ro%ostas de sistemati!ação do trans%orte coletivo 'eitas %ela com%anhia
canadense* a 9ig"t abandonou esta eta%a de investimento e estrat"gias de mono%oli!ação
do setor de trans%orte rodovi&rio.
LA
)s condiç.es %ara investimentos no setor %assavam* %ortanto* a di'erir radicalmente
das condiç.es encontradas nos anos anteriores. s e'eitos do acirramento da concorr3ncia
%odiam ser sentidos no lucro l+-uido do setor* -ue registrou em 0AC0 o d"'icit de BL0
LB
$d. $bidem. Re'. _AC0. %. 1C. Der tamb"m 9oronha ;antos* %us cit. v.0.
L1
CC/FRJ. %us cit. :ecreto =unici%al no. L1JL* 0C Qun. 0ACL. %. L0.
LA
WE$:* Elisabeth. A tra<et(ria do onde... cit. %.CJ.
0E
contos de r"is* com%arado com os LEL contos de r"is do ano anterior.
E2
Esta tend3ncia
aumentou nos anos seguintes* e a 9ig"t começou a su%rimir linhas no centro e !ona 9orte*
inclusive uma linha inaugurada em 0ACL* -ue 'oi sus%ensa no m3s seguinte.
Gercebe6se -ue* a %artir da+* os investimentos da Com%anhia no setor vão
diminuindo* ao contr&rio do %er+odo iniciado em 0A5J* Q& -ue as condiç.es %ara
remuneração do ca%ital investido não eram tão %romissoras desde 0AC2. ) Rio 9ig"t
encerrava* %ortanto* uma eta%a de investimento e a intenção de mono%oli!ar o setor de
trans%orte urbano -ue não se e'etuou. =as as antigas em%resas ad-uiridas %ela "olding
continuavam todas reunidas sob o controle da Diação E(celsior* a%enas iam sendo
su%rimidas as linhas -ue se tornavam de'icit&rias.
Pro-"e)as (e transportes e propostas (e so"!&.es
%rocesso de crescimento tentacular do Rio de Janeiro* determinado %or
condicionantes '+sicos e %elas tend3ncias de ocu%ação do solo* havia resultado no
aumento das distHncias entre local de trabalho e resid3ncia* e(igindo deslocamentos cada
ve! maiores dos trabalhadores e tra!endo* conse-uentemente* %roblemas relacionados aos
trans%ortes.
E0

Em 0ACA* criou6se uma Comissão 9acional %ara estudar a -uestão relativa ao
uso e desenvolvimento do gasog3nio* como substituto da gasolina* -ue era im%ortada
e tornava6se inacess+vel na "%oca da guerra. decreto n` 0.05E* de 'evereiro deste
ano* regulou -ue 02^ de todos os ve+culos a motor* utili!ados %or -ual-uer ti%o de
atividade* deveriam rodar com a-uele combust+vel.
E5
,overno Federal contou com o a%oio da Cia. de Carris* /u! e Força do Rio
de Janeiro* /tda. N9ig"tO* %ara a escolha da 'orma mais ade-uada %ara se %rodu!ir
gasog3nio. =r. C.). Barton* da 9ig"t* 'oi indicado como membro da Comissão
9acional %elo %r4%rio =inistro da )gricultura. @rabalhos e %es-uisas 'oram
e'etuados nas o'icinas da 9ig"t* concluindo6se -ue os sistemas Co"in--oulenc
N'ranc3sO e UP.;.,.V Ningl3sO eram os mais ade-uados 7s condiç.es locais.
,eradores com%letos destes ti%os 'oram manu'aturados %ara testes* bem como um
carvoeiro de a%urado design.
EC
Em 0AL5* -uando os Fnibus de dois andares 'oram
E2
RJ@/G. Annual Report. ,eneral =anager. Re'. 0AC0. %.J2.
E0
$d. $bidem. %. AL
E5
BR);$/. 9eis e ?ecretos. :ecreto n` 0.05E* de 51.25.0ACA.
EC
RJ@/G. Annual Report. Re'. 0ACA. %. J1.
0J
trocados %or Fnibus sim%les os chassis 'oram recondicionados e e-ui%ados %ara
o%eração com gasog3nio.
EL

9a d"cada de L2* o Rio de Janeiro Q& convivia com o %roblema do trHnsito*
agravado %elas di'iculdades to%ogr&'icas. 9o centro encontravam6se ruas re%letas de
bondes e carros im%ortados. Ruatro linhas du%las de bondes serviam a %arte central da
cidade e o tra'ego de Fnibus e autos so'ria tamb"m os limites im%ostos %elos acidentes
naturais.
)s !onas 9orte e ;ul a%resentavam tamb"m uma situação %rec&ria* como as
vias de acesso 7 cidade sobrecarregadas em determinados momentos. Estudos
elaborados ao 'inal da d"cada de 0AL2 mostravam -ue em de! anos – de 0AL0 a 0AE2 – o
n8mero de ve+culos -ue tra'egavam %elo Rio* elevou6se de LA.A1B %ara B5.222*
veri'icando6se uma r&%ida ascensão a %artir de 0AL1. Ressaltava6se o n8mero crescente
de linhas de Fnibus -ue* dada a con'iguração da cidade* a%ertada entre as montanhas*
tra'egavam %or sobre as linhas de bondes* com%letando o -uadro alarmante do trHnsito
carioca.
Pouve diversas soluç.es %ro%ostas %ara o %roblema do tr&'ego da cidade. )lgumas
delas retomavam a %ro%osta do Glano )gache* elaborado no 'inal dos anos 0A52* -ue não
tinha sido im%lementado em 'unção da mudança de %ers%ectivas da %ol+tica munici%al a
%artir de 0AC2. =ais uma ve!* a então Com%anhia de Carris* /u! e Força do Rio de
Janeiro N9ig"tO* no ano de 0ALB* tamb"m encaminhou ao %re'eito do :istrito Federal
uma %ro%osta %ara resolver a crise do trans%orte coletivo do Rio de Janeiro.
EE
)
%ro%osta da 9ig" consistia na construção de uma rede metro%olitana* -ue iria
coordenar todos os meios de trans%orte coletivo atuais. Ima 8nica em%resa nacional*
%rivada ou semi%8blica* iria gerir – administrativa e 'inanceiramente – todo o serviço.
Era sua 8ltima tentativa de retomar o %roQeto de mono%4lio dos trans%ortes urbanos do
Rio de Janeiro.
/ON/LUSÃO
s %rimeiros trans%ortes coletivos da cidade no s"culo #$# 'oram os Fnibus e as
gFndolas* -ue %odiam levar mais %assageiros do -ue as velhas dilig3ncias do tem%o da
Corte Gortuguesa. ;urgiram no 'inal da d"cada de 01C2 e as %rimeiras linhas ligavam o
EL
Jornal da 9ig"t* ;u%lemento* area do GatrimFnio Pist4rico e Cultural* Boletim n` C2* )no $$$* Qaneiro de
0AA2. Fnibus de dois andares* a%esar do a%elido divertido* nunca 'oi muito %o%ular no Brasil.
EE
CC/FRJ. =emorial a%resentado ao Gre'eito do :istrito Federal* 0ALB.
0B
centro aos arrabaldes -ue eram bairros residenciais da elite* e serviam %ara o trans%orte de
trabalhadores -ue %restariam serviços nas casas das 'am+lias burguesas. Foram os
%rimeiros trans%ortes -ue se %ro%useram a levar um n8mero maior de %assageiros*
%rocurando dar a%oio ao trabalhador* e %ermitiram a trans'er3ncia de %o%ulaç.es %obres do
centro %ara os arrabaldes.
) chegada dos trans%ortes de massa* circulando sobre trilhos* revolucionou a
ca%acidade de mobili!ação dos habitantes da cidade. s bondes e trens eram trans%ortes
coletivos r&%idos e baratos* -ue garantiam o deslocamento de trabalhadores com segurança
e tran-\ilidade* al"m de %ossibilitarem a trans'er3ncia de 'am+lias %obres %ara novos
bairros -ue surgiam em &reas -ue se tornaram %r4(imas graças 7 ra%ide! dos novos
ve+culos. Em virtude dessa mudança no modo de vida* os antigos trans%ortes coletivos
'oram redu!indo ra%idamente suas linhas e %raticamente desa%areceram do tr&'ego urbano.
9o in+cio do s"culo ##* os auto6Fnibus iniciaram sua atividade na ca%ital. @inham
um sistema de %ro%ulsão a motor* com gasolina como combust+vel. )tuavam em condiç.es
e(ce%cionalmente 'avor&veis* %ois a legislação era %reventiva* anterior 7 sua chegada* o
-ue resultava numa -uase ine(ist3ncia de controle %or %arte do munic+%io. ) e(%ansão das
linhas se 'a!ia sem %reocu%ação com sobre%osição de itiner&rios nem com a %resença dos
trilhos dos bondes.
) 9ig"t* em%resa estrangeira de eletricidade* %assou a investir no setor de auto6
Fnibus em 0A01* -uando com%rou uma %e-uena em%resa de Fnibus el"tricos. :e! anos
de%ois* iniciou o seu velho %rocesso de controle %or triangulação. )trav"s da )uto6
mnibus ;. ). e* em seguida* da Diação E(celsior* a com%anhia chegou a dominar* do!e
anos de%ois* grande %arte das linhas de Fnibus da cidade. ) criação da Diação E(celsior
teve como obQetivo melhorar o %adrão do sistema de Fnibus da cidade* e ra%idamente
%assou a ter o segundo lugar em n8mero de carros entre as em%resas de Fnibus locais. )
)uto6mnibus ;.). %assou a assumir o controle de uma s"rie de outras com%anhias de
Fnibus* uni'icando* em %arte* o serviço.
) %ers%ectiva da 9ig"t de estabelecer o mono%4lio dos trans%orte urbanos*
coordenando os bondes* Fnibus e metrF* 'oi 'rustrada %ela legislação estabelecida %elo
interventor no :istrito Federal* -ue %ublicou uma s"rie de decretos de'inindo limites %ara a
e(%ansão arbitr&ria das em%resas de Fnibus. s itiner&rios tinham -ue ser %redeterminados*
tari'as* seç.es* multas* im%ostos* e outros condicionantes estavam de'inidos e tinham -ue
ser cum%ridos. ) 9ig"t 'e! duas tentativas de %ro%ostas de soluç.es %ara os %roblemas do
tr&'ego carioca* coordenando os diversos trans%ortes de 'orma uni'icada* o -ue lhe
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%ermitiria manter e estender o seu mono%4lio. 9ão teve* %or"m* o resultado es%erado e se
desinteressou do sistema de Fnibus* mantendo a%enas* ainda durante algum tem%o* o
sistema de bondes* -ue teve seu %er+odo de m&(ima atividade nas d"cadas de 0AC26L2.
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