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DISCALCULIA: DISTURBIO DE APRENDIZAGEM DA MATEMÁTICA


ANDERSON AUGUSTO RA 104443
CYNTHIA MINUCCI RA 105016
DANIELA P. ARAÚJO RA 107122
ITALO R. SWIECIK RA 106697
RIVALDO S. DA SILVA RA 106713
SERGIO PEREIRA RA 106712



RESUMO

Com este artigo pretende-se contribuir para que os professores e profissionais da
área da educação, sobretudo da educação matemática, possam atender alunos com
dificuldade de aprendizagem e lhes permitam alcançar o sucesso acadêmico e
pessoal. A discalculia é um distúrbio de aprendizagem na área da matemática que
afeta a capacidade de realizar cálculos simples, como: adição; interpretar problemas
matemáticos; substituir um número por outro; inverter números; alinhar mal os
símbolos; nomear, ler e escrever incorretamente símbolos matemáticos. A inclusão
escolar evidenciou os alunos com distúrbio de aprendizagem no contexto escolar,
fazendo com que os professores se utilizem de metodologias diferenciadas para
obterem sucesso. Dentro deste contexto esta pesquisa tem como objetivo geral
definir a discalculia e evidenciar o professor como um mediador no processo ensino
aprendizagem de alunos com este distúrbio. Tendo como hipótese de pesquisa que
o professor é capaz de transmitir conhecimento a alunos com distúrbios de
aprendizagem por meio de metodologia diferenciada de ensino concluiu-se que
atividades lúdicas como jogos são excelentes estratégias para aprendizagem.

PALAVRAS-CHAVE: Distúrbio; Dificuldade de Aprendizagem; Discalculia.


1 INTRODUÇÃO

Com o advento da inclusão em escolas regulares, os alunos com distúrbios
de aprendizagem, antes excluídos, foram evidenciados no contexto escolar. Desta
forma, a capacitação dos professores para um ensino diferenciado a fim de atender
as necessidades de tais alunos tornou-se necessária.
Segundo Mantoan (2003) esta inclusão não é apenas permitir que os alunos,
frequentem a escola regular, mais sim, receber estes alunos aos quais é imposta


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uma identidade, uma capacidade de aprender, de acordo com suas características
pessoais.
O autor reafirma que o professor deve ensinar a turma promovendo situações
de aprendizagem que forme um “tecido colorido” do conhecimento, cujos “fios”
expressam diferentes possibilidades de interpretação e de entendimento da turma
que atua cooperativamente em sala de aula.
Assim, se faz necessário a intervenção de profissionais da educação para que
aja uma efetiva inclusão escolar, não somente física, mas a que propicie
aprendizagem ao aluno, sendo o mediador do conhecimento, analisando as
variáveis envolvidas no processo, seguindo o que é proposto pelo PCN (1998), é de
fundamental importância que o professor de matemática conheça a história de vida
de seus alunos, conhecimentos informais, suas condições sociológicas, culturais e
psicológicas.
De acordo com Smith & Strick (2001) nos últimos anos esta aprendizagem
tornou-se foco de pesquisas, porém ela é pouco entendida pelo público em geral e
infelizmente, professores e outros profissionais da educação não conseguem
identificar os distúrbios de aprendizagem como uma gama de problemas que podem
afetar o desempenho acadêmico. Normalmente estes distúrbios são tão sutis que os
alunos não parecem ter problemas, sendo rotulados, erroneamente como
desatentos, não cooperativos ou desmotivados.
Várias pesquisas são desenvolvidas a fim de entender e apontar métodos que
auxilie no processo de ensino aprendizagem.
Nos últimos anos as causas sobre os distúrbios de aprendizagem tornou-se
uma questão de crescentes pesquisas e debates. Têm sido utilizadas
técnicas sofisticadas de imagens como tomografia ou ressonância, para
visualizar o cérebro em funcionamento […] autópsias em cérebros de
pessoas falecidas que tinham distúrbios comparando-os com pacientes que
não apresentavam tais distúrbios. Contudo, embora tais pesquisas tenham
oferecidos informações importantes para o estudo, nem sempre é possível
aplica-las a um individuo (SMITH & STRICK, 2001, pa. 48).

No Brasil há muitas publicações com o tema distúrbio de aprendizagem,
porém há uma lacuna muito grande com relação ao problema direcionado a
matemática. (BASTOS, 2012).


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No entanto é preciso que o professor de matemática esteja munido de
informações sobre os distúrbios relacionados à sua área de atuação, tendo como
sua principal preocupação o ensinar e com isto, se o seu método será capaz de
ensinar a todos, ou a grande maioria, de uma forma que se obtenha êxito do
processo de ensino aprendizagem, sendo assim, necessário conhecer os problemas
que impedem o processo educativo dos alunos.
Desta forma o presente artigo apresenta a seguinte questão de pesquisa:
como o professor poderá ser um agente transformador de alunos com distúrbios de
aprendizagem na área da matemática conhecidos como discalculia? Apresenta-se
também como objetivo deste artigo definir a discalculia, evidenciar o professor como
um agente transformador no processo de ensino aprendizagem por meio de uma
proposta didática.
Segundo Farrell (2008) os professores buscam oportunidades para utilizar
novas maneiras de envolver todos os alunos a partir de experimentações e reflexões
por meio de um currículo amplo e equilibrado que abranja sem exceção e que aos
alunos que possuem distúrbios de aprendizagem é necessário um programa
específico para auxiliar a evolução da cognição e aprendizagem.
Os jogos são uma importante ferramenta para auxiliar alunos com distúrbios
de aprendizagem na área da matemática, pois toda situação lúdica é vista como
possibilidade de conhecimento. (BASTOS, 2003)
Por outro lado, Mantoan (2003), afirma que falta vontade, por parte dos
profissionais da educação de “virar a mesa”, assim, perdendo a possibilidade de
revolucionar o sistema educacional em favor de uma educação mais humana e
democrática.
Percebe-se que é possível ensinar alunos com discalculia em escolas
regulares, sendo o professor capaz de transmitir conhecimento por meio de
metodologia e didática diferenciada de ensino, estes métodos serão analisados e
evidenciados por autores pesquisados para realização deste artigo que possui como
metodologia uma pesquisa bibliográfica e descritiva, que segundo Cervo & Bervian
(2002):


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A pesquisa bibliográfica procura explicar um problema a partir de
referências teóricas publicadas em documentos. Pode ser realizada
independente ou como parte da pesquisa descritiva (observa, registra,
analisa e correlaciona fato ou fenômeno sem manipulá-los) ou experimental
(Cervo & Bervian 2002, pg. 65).

Assim, ao longo deste artigo pretende-se levantar as hipóteses com o intuito
de responder a problemática proposta a partir das referências citadas.

2 ENTENDENDO A DISCALCULIA

Para que possamos entender o que é o distúrbio de aprendizagem na área da
matemática é necessário ter em mente alguns conceitos sobre o assunto. Deste
modo, as definições de alguns pontos chave possibilitarão a compreensão do que é
a discalculia, bem como outras informações relevantes que precisam estar claras na
mente do leitor.

2.1 Dificuldades de aprendizagem ou distúrbios de aprendizagem?

Os alunos que apresentam dificuldade de aprendizagem fazem uma
aprendizagem mais lenta do que o normal na maioria das disciplinas escolares.
Estes alunos se encontram por um período maior na zona de desenvolvimento
proximal, onde eles podem ser desenvolvidos a partir do ensino sistemático. Ou
seja, eles se encontram entre o nível de desenvolvimento real, que se costuma
determinar através da solução independente de problemas pelo aluno, e o nível de
desenvolvimento potencial, determinado pela solução de problemas sob a
orientação de um adulto ou em colaboração com companheiros (Vygotsky apud
Bock, 1999).
Conclui-se que alunos que permanecem por um período maior na zona de
desenvolvimento proximal podem aprender os conteúdos, simplesmente, estudando
mais e o professor é a ferramenta importante neste processo, pois ele atua como
mediador do conhecimento.
Smith & Strick (2001) traz a dificuldade de aprendizagem como problemas
neurológicos que afetam a capacidade do cérebro para entender, recordar ou


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comunicar informações, associado a alguns comportamentos problemáticos em
geral observados em pessoas jovens com dificuldades de aprendizagem como: fraco
alcance de atenção, dificuldades para seguir instruções, imaturidade social,
dificuldade com a conversação, fraco planejamento e habilidades organizacionais,
distração, falta de destreza e falta de controle dos impulsos.
Segundo Farrel (2008), o distúrbio de aprendizagem é uma dificuldade de
aprendizagem especifica. Especifica, pois o aluno que tem o distúrbio de
aprendizagem, o tem voltado para uma área especifica como, por exemplo, a
discalculia que é voltado para a matemática.
O termo distúrbio de aprendizagem é caracterizado pela perturbação ou falha
na aquisição da utilização de informações ou na habilidade de solução de
problemas. Quando esta falha ocorre é modificado os patrões de aquisição,
assimilação e transformação das informações recebidas vias internas ou externas ao
individuo (VALLET apud CIASCA, 2003).
Ciasa (2003) completa afirmando que somente em 1981 Hammill propõe ao
National Joint Committee of Learning Desabilities uma definição geral:
Distúrbio de aprendizagem (DA) como um grupo heterogêneo de
transtornos que se manifestam por dificuldades significativas na aquisição e
uso da escrita, fala leitura, raciocínio ou habilidade matemática. Estes
transtornos são intrínsecos ao individuo, supondo-se ocorrerem devido à
disfunção do sistema nervoso central, e que podem ocorrer ao longo do
ciclo vital. Podem existir junto com as dificuldades de aprendizagem,
problemas nas condutas de auto regulação, percepção e interação social.
Podem ocorrer concomitantemente com outras condições incapacitantes ou
com influência, extrínsecas porem não são os resultados dessa condição.
(HAMMILL apud Ciasa, pg. 57, 1988/1991).

Conclui-se que o distúrbio de aprendizagem é uma falha do sistema nervoso
central em processar as informações recebidas polo aprendiz. Estas informações
são “recebidas” adequadamente, porém, esta falha resulta em um problema na
“saída” da informação, comprometendo, assim, a escrita, leitura ou o cálculo.

2.2 Causas dos distúrbios de aprendizagem
Não existem testes neurológicos definitivos para os distúrbios de
aprendizagem para determinação da causa de problemas deste tipo em determinado


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aluno é, basicamente, uma questão de ‘adivinha’. Contudo, fatores biológicos
contribuem para os distúrbios de aprendizagem podem ser divididos em quatro
categorias (SMITH & STRICK, 2001), são elas:

a) Lesão cerebral: por muito tempo se atribuiu os problemas de aprendizagem das
crianças a lesões sofridas. Porém a maioria das crianças com distúrbios de
aprendizagem não tem histórico de lesão cerebral. Contudo, não há dúvidas de que
alguns distúrbios de aprendizagem em crianças, realmente, surgem a partir de
lesões ao cérebro. Entre os tipos de lesão podem ser citadas os acidentes,
hemorragia cerebral e tumores, doenças como encefalite e meningite, transtornos
medulares não tratados e hipoglicemia.

b) Alteração no desenvolvimento cerebral: o desenvolvimento do cérebro começa
na concepção e continua durante toda vida, a fase mais critica é do quinto ao sétimo
mês. Após o nascimento o cérebro continua em desenvolvimento, permitindo que a
criança possa andar e falar, por exemplo. Se esse processo for perturbado em
qualquer ponto do cérebro, ele poderá não se desenvolver plenamente, sendo,
assim, responsáveis, também, por distúrbios de aprendizagem, acreditam
especialistas (SMITH & STRICK, 2001).

c) Desequilíbrio químico: os neurotransmissores são “mensageiros” químicos que
permitem que as células cerebrais se comuniquem, qualquer alteração neste
equilíbrio químico pode prejudicar a capacidade do cérebro para funcionar
normalmente. O Transtorno de déficit de atenção/hiperatividade (TDAH) pode ser
citado como exemplo de desiquilíbrio neuroquímico que afeta a aprendizagem
(SMITH & STRICK, 2001).
d) Hereditariedade: a hereditariedade pode determinar o desenvolvimento de
distúrbios de aprendizagem. Pesquisas realizadas desde a década de 1980 apontam
para esta conclusão. A incidência de problemas de aprendizagem em aparentados é
bem maior do que em indivíduos isolados.


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2.3 Diagnóstico

O diagnóstico deve ser feito por uma equipe multidisciplinar (neurologista,
psicopedagogo, fonoaudiólogo e psicólogo), por meio de exames apropriados,
também sendo importante na detecção das áreas do cérebro afetadas e encaminhar
para o tratamento (BASTOS, 2008).
Segundo Smith & Strick (2001) uma equipe multidisciplinar somente pode
determinar que uma criança tenha uma deficiência especifica de aprendizagem se
ela não tiver um desempenho consistente com sua idade e níveis de capacidade em
uma ou mais das áreas listadas a seguir: expressão oral; compreensão auditiva;
expressão escrita; habilidades básicas de leitura; compreensão de leitura; cálculos
matemáticos e/ou raciocínio matemático. O diagnóstico é fundamental para que aja
intervenção necessária.

3 DISCALCULIA

A discalculia é um distúrbio de aprendizagem na área da matemática. Este
distúrbio não deve ser confundido com uma simples dificuldade de aprendizagem
que pode ser superada por meio dos estudos.
Segundo o Código das Necessidades Educacionais Especiais (2001) apud
Farrell (2008) a discalculia é definida da seguinte forma:
Discalculia é uma condição que afeta a capacidade de adquirir habilidades
matemáticas. Os aprendizes com discalculia podem ter dificuldade para
compreender conceitos numéricos simples, não possuem compreensão
intuitiva de números e têm problemas para aprender fatos e procedimentos
numéricos. Mesmo que produzam a resposta correta ou usem o método
correto, eles fazem isto mecanicamente e sem confiança (DFES, 2001,
apud Farrel, pg. 73, 2008).

É importante salientar que essa “condição” (discalculia) é um distúrbio de
aprendizagem na área da matemática que afeta a capacidade de realizar cálculos
simples, como: adição; interpretar problemas matemáticos; substituir um número por
outro; inverter números (9 por 6, por exemplo); alinhar mal os símbolos (ao usar um


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ponto decimal); nomear, ler e escrever incorretamente símbolos matemáticos
(FARRELL, 2008).
Pode-se afirmar que o discalculo apresenta uma falha no sistema nervoso
central, onde ele recebe as informações adequadamente, porém não processa
corretamente, resultando no comprometimento das habilidades matemáticas.
Segundo Emerson & Babtie (2010) a discalculia é um termo genérico usado
para se referir a várias condições que causam problemas específicos com
matemática, tais como discalculia do desenvolvimento, deficiência matemática
numérica, dificuldades de aprendizagem e transtorno numérico entre outros termos.
Segundo Bastos (2008) o Manual de Diagnósticos e Estatísticos de Distúrbios
Mentais (DSM-IV) define o distúrbio da matemática como: a baixa capacidade em
resolver problemas matemáticos, levando em consideração a idade cronológica,
inteligência mediana e escolaridade; diferentes habilidades podem estar
prejudicadas no distúrbio da matemática como, por exemplo, reconhecer e ler
símbolos numéricos ou aritméticos e agrupar objetos por categorias.
Conclui-se que a discalculia não é um termo utilizado para alguém que tenha
dificuldades matemáticas que com atenção e estudos pode ser resolvido. É uma
falha no sistema nervoso central, caracterizando um distúrbio na área da
matemática.
A discalculia não é uma doença, portanto, não há cura. Muitos discalculos
podem tornar se matemáticos competentes se forem ensinadas adequadamente
utilizando uma abordagem de ensino estruturada e multissensorial, (EMERSON &
BABTIE, 2010).
O doutor José Alexandre Bastos, em sua obra “O cérebro e a matemática”
(2008), afirma que não há apenas uma parte do cérebro responsável pela
matemática. Deste modo, ao observar a inabilidade comprometida do aprendiz, é
possível saber qual parte de seu cérebro está comprometida, bem como, saber qual
o tipo de discalculia.





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3.1 Fatores e Causas

Há muito pouco consenso sobre os fatores que causam a discalculia. Embora,
numa fase inicial, os pesquisadores acreditam que ela é causada pela forma como o
cérebro é estruturado. Neurocientistas cognitivos, por meio da utilização de técnicas
de imagem cerebral, sugerem que estas diferenças podem ser localizadas no lobo
parietal do cérebro, podendo, também, ser causada por outros distúrbios de
aprendizagem que coexistam em um mesmo individuo (discalculia e dislexia, por
exemplo), ao que o autor chamou de comorbidade ou condições concorrentes,
(SMITH & STRICK, 2001).
Além dos fatores biológicos que contribuem para os distúrbios de
aprendizagem já citadas (lesão cerebral, erros no desenvolvimento cerebral,
desequilíbrio neuroquímico e hereditariedade) é importante salientar que o uso do
álcool durante a gravidez é um fator causador de distúrbios de aprendizagem, dentre
outros males causados ao feto.
Bastos (2008) afirma que o álcool atravessa a barreira placentária, interrompe
o desenvolvimento do cérebro, compromete a formação do corpo caloso (parte do
encéfalo, que "liga" os dois hemisférios do cérebro, inclusive "cruzando as
informações" entre eles), reduz o tamanho dos gânglios da base, lesa o cérebro e o
córtex cerebral.

3.2 Tipos de discalculia

Segundo Bastos (2008), há basicamente dois tipos de distúrbios da
matemática, a acalculia e a discalculia do desenvolvimento. O primeiro é
caracterizado pela perda da capacidade de executar cálculos e desenvolver
raciocínio aritmético devido a alguma lesão sofrida no cérebro, o segundo é
caracterizado por um distúrbio neurológico que afeta a capacidade de realizar
cálculos simples.


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Em 1961, Hecaen apud Bastos (2008), em estudos com 183 pacientes com
lesões cerebrais reconheceu três subtipos de acalculia, são eles:
• Acalculia alexia e agrafia para números: é a existência do comprometimento
para ler e escrever quantidades, devido à lesão do hemisfério cerebral esquerdo.
• Acalculia espacial: implica no comprometimento da orientação espacial, onde o
hemisfério cerebral direito é o lesionado.
• Acalculia anaritmetia: implica na inabilidade em conduzir operações aritméticas,
em consequência de lesão em ambos os hemisférios cerebrais.
A discalculia, distúrbio de aprendizagem na área da matemática, também, tem
diferentes subtipos, que, segundo Farrell (2008), podem ser descritos da seguinte
forma:
• Discalculia espacial: relaciona se com a dificuldade de avaliação e organização
viso espacial;
• Anarimetria: descrita como uma confusão em procedimentos aritméticos, como,
por exemplo, a mistura das operações escritas (adição, soma, multiplicação e
divisão);
• Discalculia léxica: é uma dificuldade na leitura de símbolos matemáticos, como
numerais e operações. Assim como a verbal o aluno não consegue identificar os
números e símbolos matemáticos para entender o problema e resolvê-lo.
• Discalculia Gráfica: é a dificuldades na escrita de símbolos matemáticos como
números, sinais e operações. Esta dificuldade impossibilita, muitas vezes, até a
cópia dos exercícios matemáticos.
• Discalculia Practognóstica: refere se com a dificuldade de manipular objetos
concretos ou graficamente ilustrados.
• Discalculia Operacional: é a dificuldades na realização de operações e cálculos
matemáticos. Caracterizada na dificuldade em o aluno desenvolver o exercício
matemático, ou seja, ele não “opera”.
• Discalculia Ideognóstica: é a dificuldades em fazer cálculos mentais e identificar
se um número é maior ou menor que outro. O aluno não é capaz de somar 2+3
mentalmente e nem saber qual deles é o maior.


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3.3 Inclusão educacional

A inclusão educacional parte do pressuposto da aceitação das diferenças
individuais, por meio da convivência, ou seja, as escolas devem comportar a todos,
sem distinção, respeitando a diferenças de classe social, deficiência/inabilidade,
estado de saúde (i.e. HIV, TB, hemofilia, Hidrocefalia ou qualquer outra condição),
entre outros. Os professores devem ser capazes de ensinar a qualquer tipo de
alunos, desde os comuns (o termo “normal” é totalmente desnecessário) até os com
deficiência física ou intelectual. Portanto é importante ressalta que inclusão, neste
contexto, não é educação especial.
Segundo Farrel (2008), a Declaração Universal dos Direitos Humanos, de
1948, reconhece a educação como um direito básico humano. A constituição
Federal Brasileira de 1988 em seu artigo 205 assegura a educação como direito de
todos, sendo dever do Estado e da família como partes responsáveis por sua
viabilização, mediante a igualdade de condições para o acesso e permanência na
escola.
A educação inclusiva está em processo constante de evolução, indo de
encontro a uma sociedade justa que propicia o respeito às diferenças. Diferenças,
estas, que sempre existiram, porém participavam de um contexto excludente.
Preparar o professor para a educação inclusiva significa re-significar o papel
do professor, da escola, da educação e de práticas pedagógicas que são usuais, no
contexto excludente do ensino, em todos os seus níveis. Desta forma o caminho que
o professor ira trilhar para viabilizar a proposta inclusiva não será fácil e irá
transformar as escolas que abraçarem esta causa (MANTOAN, 2003).




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3.4 O Papel do professor no processo

Será que o professor está preparado para inclusão? Eles esperam ser
preparados para ensinar os alunos com deficiência e/ou dificuldades de
aprendizagem e de indisciplina, uma fórmula metodológica de trabalho pedagógico
que os ajude nas salas de aula, garantindo-lhes a solução dos problemas que
presumem encontrar nas escolas ditas inclusivas terminando, assim, seu trabalho?
Segundo BASTOS (2008), a ação interventiva faz se necessária e deve
contar com etapas e objetivos claros. Etapas, estas, que devem ser hierarquizadas
de acordo com as dificuldades emergenciais do aluno, que darão base à superação
de outras. Devem ser pautadas no diagnóstico, desenvolvendo o lúdico, o
significativo e o especifico.
Deve-se identificar o transtorno o quanto antes, para que seja trabalhado este
aluno de forma diferenciada, para que o mesmo consiga evoluir no aprendizado em
igualdade aos demais alunos, conseguindo, assim, atingir as expectativas esperadas
para sua média de idade cronológica, capacidade intelectual e nível de escolaridade
do indivíduo.
O professor deve buscar diferentes estratégias de ensino com esse aluno,
pensando apenas no desenvolvimento e na vida do mesmo. E isso pode ser feito de
forma bem simples, como permitir a utilização da tabuada, da calculadora, cadernos
quadriculados e elaborar exercícios e provas com enunciados mais claros e diretos.
Pode também estimular esse aluno passando exercícios e trabalhos para
casa repetitivos e cumulativos.
Por meio do lúdico é possível adquirir conhecimento, socialização, formação
moral, compreensão de regras, desenvolvimento físico, concentração e afetividade.
Desta forma a criança poderá operar mentalmente sobre sua própria
realidade, adquirindo o comportamento esperado no contexto escolar, propiciando o
envolvimento, prazer, ação mental, reflexiva, imaginação, fantasia, representação,
magia e criatividade (BASTOS, 2008).


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Visto que toda criança adora brincar, o educador tem a possibilidade de trazer
jogos para a sala de aula tornando, assim, as aulas divertidas, propiciando
divertimento exploração, ainda que desordenada e atuando como aliados
fundamentais na construção do saber.
Vejamos alguns exemplos de jogos que, segundo BASTOS,(2008) podem ser
divertidos e ensinar ao mesmo tempo:
• Jogo dos cubos e das garrafas: esta atividade consiste em ensinar para a
criança os conceitos de grande e pequeno e a capacidade espacial e a atenção da
criança. Dê a ela papel, caneta e lápis coloridos para realização de desenhos, em
seguida entregue algumas garrafas de plásticos de tamanhos diferentes e alguns
cubos de madeira coloridos e mostre e conceitue as informações.
• Jogo de dominó: é capaz de desenvolver na criança a capacidade de perceber
sistema de numeração e estimular a associabilidade, a noção de sequência e a
contagem. Desta forma, deixando a disposição da criança um dominó, pega se uma
das peças e, em seguida pede se a criança para pegar a sua correspondente,
assim, despertado o interesse nas crianças.
• Botões matemáticos: trabalhando no sentido de fazer a criança entender
sistemas de numeração, a coordenação motora e a orientação espacial. Separa se
botões (várias cores e tamanhos, selecionados por cores e tamanhos), folha de
papel e um barbante. Em seguida pede se a criança que separar botões por
tamanhos, na quantidade solicitada, utilizando barbante e folha de papel.
• Tangram: composto de sete peças (cinco triângulos, um quadrado e um
paralelogramo), de cartelas com diferentes figuras, o objetivo é formar um quadrado
com as sete peças. O aluno deve montar o jogo numa superfície plana, permite o
exercício da inteligência e imaginação, pois são possíveis milhares de combinações.
• A batalha: cartas de baralho (do As até o 10) são distribuídas os jogadores,
aquele que virar a carta mais alta fica com todas as cartas daquela rodada, vence no
final quem ficar com mais carta. Este jogo permite a leitura de numero, comparação
e noções de maior e menor.


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• 7 cobras: utilizando dois dados lápis e papel, os participantes escrevem, no
papel, uma sequência (2 a 12), o jogador joga o dado, marcando o numero
correspondente na folha, se a soma der 7 marca uma cobra, quem marcar 7 cobra
perde. Este jogo propicia a leitura gráfica de número e a habilidade de soma.
• Quantos patos tem?: com folha de papel, dado e lápis. Combinado o número de
partida, o jogador lança o dado e marca no papel o resultado que deu, ganha o
maior resultado da soma. Esta atividade permite soma de dados, sequência
numérica, comparação de quantidade e representação numérica.
• Número oculto: utilizando lápis e papel, pensa se num número e escreve no
papel (estipula se um valor, de 0 a 50, por exemplo), o outro deve adivinhar este
número, quem pensou nele deve informar se é maior ou menor de que o falado,
quem acertar ganhara a vez de pensar em outro número a ser adivinhado. Este jogo
permite aprender comparação de quantidades, sequência numérica, raciocínio lógico
matemático.
• Jogo do detetive: dispondo de um jogo de blocos, divide se a sala em duas
equipes, uma delas escolhe um dos blocos e a outra terá que adivinhar qual bloco é
por meio de perguntas feita a equipe que escolheu, ganha quem adivinhar fazendo o
menor número de pergunta, se errar perde. Esta atividade permite a comparação de
quantidades, sequência numérica, raciocínio lógico matemático.
• Jogo Uno: jogo de cartas, cada jogador recebe sete cartas. O restante do baralho
é deixado na mesa com a face virada para baixo e então se vira uma carta do
monte. Esta carta que fica em cima da mesa serve como base para que o jogo
comece. Os jogadores devem jogar, na sua vez, uma carta de mesmo número, cor,
ou símbolo da carta que está na mesa. A rodada termina quando um dos jogadores
zerar as suas cartas na mão. Este jogo permite a identificação dos números, cores e
símbolos. Sendo um baralho personalizado, pode se ensinar os símbolos
matemáticos.
• Xadrez: é um jogo de tabuleiro que se assemelha à guerra, onde um exército luta
contra outro dispondo do mesmo número de elementos no início da partida. O
tabuleiro representa o campo de batalha e as peças são de aparência e movimentos


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diferentes, sendo elas rei, dama (ou rainha), torre, bispo, cavalo e peão, cada peça
representando em seus movimentos uma figura de antigamente. O objetivo é a
morte do rei adversário. Este jogo permite o desenvolvimento da memória,
concentração, planejamento e tomadas de decisões. Na Matemática explora-se
inicialmente o tabuleiro e a movimentação das peças associadas com a Geometria e
suas dimensões.
• Material dourado: para trabalhar o sistema decimal de numeração, propiciando,
assim, a aprendizagem de conceitos matemáticos por meio da experimentação,
discussão e conclusão.
Além de todos os jogos o educador, também, pode se valer do uso da
informática para motivar a aprendizagem em crianças com discalculia, pois o uso
dela desempenha o máximo de atenção e concentração, desenvolvendo seu
potencial cognitivo e emocional (BASTOS, 2008). Estimula: percepção
(discriminação, memória auditiva, visual e sequencial, coordenação visomotora,
coordenação motora e entre outros.); cognição (capacidade de representação do
virtual para o real, simbólica, resolução de problemas, imaginação e criatividade,
leitura e escrita, formação de conceitos, entre outros.); emoção (atitudes, hábitos,
habilidades, motivação, conscientização da própria cognição, atenção, memória,
entre outros).

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS

A aprendizagem matemática é vista, pelos alunos, como o “vilão” das
disciplinas escolares e a dificuldade é inerente à aprendizagem. Porem tal
dificuldade não deve ser confundido como o distúrbio de aprendizagem, a
discalculia.
O distúrbio de aprendizagem na área da matemática é uma falha do sistema
nervoso central em processar as informações recebidas polo aprendiz. Estas
informações são “recebidas” adequadamente, porém, esta falha resulta em um
problema na “saída” da informação, comprometendo, assim, a habilidade em
calcular.


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O diagnóstico deve ser feito por uma equipe multidisciplinar (neurologista,
psicopedagogo, fonoaudiólogo e psicólogo), por meio de exames apropriados.
Somente pode se determinar que uma criança tenha uma deficiência especifica de
aprendizagem se ela não tiver um desempenho consistente com sua idade e níveis
de capacidade em uma ou mais das áreas listadas a seguir: expressão oral;
compreensão auditiva; expressão escrita; habilidades básicas de leitura;
compreensão de leitura; cálculos matemáticos e/ou raciocínio matemático. O
diagnóstico é fundamental para que aja intervenção necessária.
Deste modo, após o diagnóstico a ação interventiva faz se necessária e deve
contar com etapas e objetivos claros, desenvolvendo o lúdico, o significativo e o
especifico. O professor tem um papel muito importante neste processo. Cabe a ele
buscar diferentes estratégias de ensino com esse aluno, pensando apenas no
desenvolvimento.
Uma excelente estratégia no processo ensino aprendizagem de alunos com
discalculia é o jogo, visto que a criança poderá operar mentalmente sobre sua
própria realidade, adquirindo o comportamento esperado no contexto escolar,
propiciando o envolvimento, prazer, ação mental, reflexiva, imaginação, fantasia,
representação, magia e criatividade.
Com a elaboração deste artigo concluiu-se que a discalculia não é uma
doença e a atividade lúdica, o uso de jogos educativos, brinquedos e brincadeiras,
facilitam e potencializa a aprendizagem matemática, além de colocar o professor
como facilitador / mediador entre o aluno e a construção do conhecimento
matemático, estimulando ideias matemáticas para que o aluno consiga estabelecer
relações com a realidade que ele vivencia.
O professor, a partir destas atividades estimula as ideias e pensamentos dos
alunos, apresentando situações-problemas e levantando questionamentos que
induzam o aluno a pensar e desenvolver o conhecimento a partir de suas próprias
experiências.





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REFERÊNCIAS


BASTOS, J. A. O Cérebro e a Matemática. São José do Rio Preto: Editora:
Independente, 2012.

BOCK, A. M. B; FURTADO, O & TEIXEIRA, A. L. T. Psicologias: uma introdução
ao estuda da psicologia. São Paulo: Saraiva, 1999.

BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares
nacionais: introdução aos parâmetros curriculares nacionais / Secretaria de
Educação Fundamental. – Brasília : MEC/SEF, 1997. 126p.

CERVO, A. L.; BERVIAN, P. A. Metodologia científica. São Paulo: Editora Makron
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