CURSO: OAB X EXAME – NOITE

DISCIPLINA: DIREITO ADMINISTRATIVO
PROFESSOR: LUIS EDUARDO DE JESUS
AULA 3 BLOCO: 01- 04
MATÉRIA: LICITAÇÃO (CONT) – CONTRATO ADMINISTRATIVO – BENS PÚBLICOS
Indicações de bibliográficas:
• Constituição Federal
Leis e artigos importantes:

TEMA: LICITAÇÃO (CONT) – CONTRATO ADMINISTRATIVO – BENS PÚBLICOS
PROFESSOR: LUIS EDUARDO DE JESUS
MODALIDADES DE LICITAÇÃO
a) Concorrência - modalidade utilizada para a contratação para grande e imenso vulto. Vale
ressaltar que o primeiro ato administrativo é a audiência pública e não a publicação do edital.
- A concorrência é universal porque qualquer interessado pode se habilitar. A concorrência é
julgado por uma comissão formada por pelo menos 3 membro, sendo dois deles servidores e o
outro convidado.
- A concorrência é utilizada para os contratos de concessão de direto real de uso, concessão de
serviços púbicos, alienação de bem imóvel (exceto os inerentes ao leilão) contratos de obras e
serviço de engenharia acima 1,5 milhão e nos demais contratos acima de 650 mil.
b) Tomada de preço - E a modalidade de licitação, utilizada para meio porte. Esta modalidade
não é universal pois em regra, só pode participar os licitantes cadastrados.
- Excepcionalmente é possível não cadastrados possam participar do procedimento licitatório.
Para isso os mesmo devem apresentar os documentos em até 3 dias antes da data para a
abertura dos envelopes.
- A comissão que julgará a tomada de preço terá a mesma formação que na concorrência. A
tomada de preço será utilizada nos seguintes valores:
- Contrato de obra e serviço de engenharia – Acima de 150 mil até 1,5 milhão de reais.
- Contratos comuns - Acima de 80 mil até 650 mil reais.
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c) Convite – E a modalidade utilizada para os contratos de pequeno vulto.
Obs.: no convite deve participar no mínimo 3 participantes, e como já citado seu instrumento
convocatório chama-se carta convite.
- As propostas devem ser apresentadas no prazo de 5 dias.
- O convidado pode ser cadastrado ou não, dessa forma não podem ser discriminados os
não cadastrados.
Obs.: Os já cadastrados, porém não convidados podem oferecer proposta em até 24 horas
antes da apresentação das demais.
Obs.: as 3 modalidades acima percebemos a possibilidade de licitação internacional.
Obras e Serviço de engenharia Contratos Comuns
Concorrência Acima de 1,5 milhão Acima de 650 mil
Tomada de preço Acima de 150 mil até 1,5 milhão Acima de 80 mil até 650 mil
Convite Até 150 mil Até 80 mil
d) Concurso - O concurso visa escolher trabalho técnico ou científico, não respeitando
patamares de valores.
- O edital do concurso deve ser publicado com antecedência mínima de 45 dias.
Obs.: no concurso, o licitante vencedor não esta obrigado a executar o trabalho. Ex: Arquiteto
que pela modalidade de concurso recebe 200 mil reais de um Estado para fazer um projeto de
edificação. Ele esta comprometido apenas em fazer o projeto, e não em contratar mão de obra
para execução do serviço.
e) Leilão - É a modalidade utilizada para alienação de bens públicos móveis inservíveis
(desafetados), venda de produtos apreendidos, bens penhorados, bem como os bens imóveis
adquiridos por procedimento judicial ou em dação em pagamento.
OBS: No leilão busca-se o maior lance.
- As mercadorias passiveis de leilão não podem ser falsificadas, estes bens devem ser
destruídos.
- Exceção: Se forem camisas falsificadas, estas poderão ser doadas a orfanatos, pois seria
um desperdício sua destruição.
- No leilão também não se aplicam os critérios de valores, pois o estado quer mais é
arrecadar.
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f ) Pregão - Modalidade que visa contratar serviços e bens comuns.
- Bem e serviço comum – É aquele que consigo descrever de forma objetiva, de forma que
qualquer atuante na área consiga perceber (art. 1º da lei 10.520/02).
- Todos os entes federativos na administração pública direta e indireta podem utilizar o
pregão.
- O pregão pode ser comum ou eletrônico.
g) Consulta - Visa contratar bens e serviços Não comuns (não objetivo). São aqueles que
em regra não podem ser descritos de forma objetiva.
Somente as agências reguladoras podem utilizar a consulta.
Ex: A ANAC quer comprar um radar de ultima tecnologia, é um bem não comum.
Quadro comparativo entre pregão e consulta.
Modalidades de licitação utilizadas pelas agências
reguladoras
Objetos
Pregão Bens e serviços comuns
Consulta Bens e serviços específicos, exceto obras e
serviços de engenharia.
Concorrência, tomada de preços e convite Obras e serviços de engenharia.
EXTINÇÃO DA LICITAÇÃO
Por ser um procedimento administrativo, a licitação quando é extinta de forma anormal por
revogação e anulação. Pelo exposto a clara redação do art. 49 da Lei 8666/93.
Art. 49. A autoridade competente para a aprovação do procedimento somente poderá revogar a
licitação por razões de interesse público decorrente de fato superveniente devidamente
comprovado, pertinente e suficiente para justificar tal conduta, devendo anulá-la por ilegalidade,
de ofício ou por provocação de terceiros, mediante parecer escrito e devidamente fundamentado.
§1º - A anulação do procedimento licitatório por motivo de ilegalidade não gera obrigação de
indenizar, ressalvado o disposto no parágrafo único do art. 59 desta Lei.
§2ª - A nulidade do procedimento licitatório induz à do contrato, ressalvado o disposto no parágrafo
único do art. 59 desta Lei.
§3º - No caso de desfazimento do processo licitatório, fica assegurado o contraditório e a ampla
defesa.
§4º - O disposto neste artigo e seus parágrafos aplica-se aos atos do procedimento de dispensa e
de inexigibilidade de licitação.
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CONTRATO ADMINISTRATIVO
Na forma do artigo 54 da Lei 8666/93, “considera-se contrato todo e qualquer ajuste entre
órgãos e entidades da administração Pública e particulares, em que haja um acordo de
vontade para a formação de vínculo e a estipulação de obrigações recíprocas”. Contudo,
contrato administrativo é o acordo de vontades que a Administração Pública firma em regra
com o particular para a consecução de objetivos de interesse público.
- Os principais contratos administrativo:
- Contrato de obra pública.
- Contratos de serviços.
- Contrato de fornecimento.
- Contrato de concessão (serviço, obra e uso de bem público).
Obs.: esse contrato é regido pelo direito público e subsidiariamente pelo direito privado.
Obs.: o que qualifica um contrato como administrativo não é a presença da Administração como
contratante, mas sim a supremacia do interesse público materializada em clausulas
exorbitantes. Isso de dá em razão da existência dos contratos da administração.
A Administração celebra contrato de direito privado - também denominado de contrato
administrativo atípico – ou da administração. Ex: locação.
Nos contratos observamos seis elementos caracterizadores.
- UM AJUSTE BILATERAL (Igual entre as partes)
- FORMAL
- DE ADESÃO
- COMUTATIVO
- ONEROSO
- PESSOALIDADE OU INTUITO PERSONAE
- Características
a) Formalismo.
Todo contrato administrativo é escrito e deve seguir as formalidades expressas em lei (art. 61 e
seu § único).
Art. 61. Todo contrato deve mencionar os nomes das partes e os de seus representantes, a
finalidade, o ato que autorizou a sua lavratura, o número do processo da licitação, da dispensa ou
da inexigibilidade, a sujeição dos contratantes às normas desta Lei e às cláusulas contratuais.
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Parágrafo único. A publicação resumida do instrumento de contrato ou de seus aditamentos na
imprensa oficial, que é condição indispensável para sua eficácia, será providenciada pela
Administração até o quinto dia útil do mês seguinte ao de sua assinatura, para ocorrer no prazo de
vinte dias daquela data, qualquer que seja o seu valor, ainda que sem ônus, ressalvado o disposto
no art. 26 desta Lei.
Obs.: quando o contrato for de pequeno valor (até R$ 4.000,00) e para pronta entrega o contrato
pode ser verbal (art. 60, § único da lei 8666/93).
b) Contrato de adesão.
O contrato administrativo é de adesão, pois as cláusulas são previamente estabelecidas e
propostas pela administração.
Obs.: o art. 55 da lei 8666/93 enumera as cláusulas que obrigatoriamente devem estar
presentes nos contratos administrativos.
Art. 55. São cláusulas necessárias em todo contrato as que estabeleçam:
I - o objeto e seus elementos característicos;
II - o regime de execução ou a forma de fornecimento;
III - o preço e as condições de pagamento, os critérios, data-base e periodicidade do reajustamento
de preços, os critérios de atualização monetária entre a data do adimplemento das obrigações e a
do efetivo pagamento;
IV - os prazos de início de etapas de execução, de conclusão, de entrega, de observação e de
recebimento definitivo, conforme o caso;
V - o crédito pelo qual correrá a despesa, com a indicação da classificação funcional programática
e da categoria econômica;
VI - as garantias oferecidas para assegurar sua plena execução, quando exigidas;
VII - os direitos e as responsabilidades das partes, as penalidades cabíveis e os valores das
multas;
VIII - os casos de rescisão;
IX - o reconhecimento dos direitos da Administração, em caso de rescisão administrativa prevista
no art. 77 desta Lei;
X - as condições de importação, a data e a taxa de câmbio para conversão, quando for o caso;
XI - a vinculação ao edital de licitação ou ao termo que a dispensou ou a inexigiu, ao convite e à
proposta do licitante vencedor;
XII - a legislação aplicável à execução do contrato e especialmente aos casos omissos;
XIII - a obrigação do contratado de manter, durante toda a execução do contrato, em
compatibilidade com as obrigações por ele assumidas, todas as condições de habilitação e
qualificação exigidas na licitação.
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c) Pessoalidade (intuitu personae).
O contrato deve ser realizado pela pessoa que se obrigou com a administração (o licitante
vender em regra). A prova cabal que dessa característica é que a morte do contratante ou
dissolução da sociedade acabam com o contrato administrativo (rescisão – art. 78, X da lei
8666/93).
Obs.: excepcionalmente é possível a subcontratação parcial. É necessário previsão no contrato
e autorização da própria administração (art. 72 da 8666/93).
d) Finalidade pública e atuação da Administração como poder público.
O contrato administrativo é uma expressão do Poder Público, ou seja, a Administração participa
para alcançar o interesse público.
e) Presença de clausulas exorbitantes.
São as clausulas que caracterizam um contrato administrativo e são assim chamadas, pois
extrapolam as regras do direito privado e não seriam admitidas no direito privado.
– Das clausulas exorbitantes.
Em ordem de prioridade passemos abaixo as clausulas exorbitantes.
a) Poder de alteração unilateral do contrato.
É a que possibilita a Administração alterar unilateralmente o contrato em dois aspectos (art. 65,
I): qualitativo e quantitativo.
- Alteração qualitativa: mudança do projeto ou das especificações técnicas do contrato.
Por exemplo, pode ser determinado que, em uma obra, seja utilizado o material B e não o
A, usado anteriormente e que passou a ser considerado inapropriado para os interesses da
Administração
- Alteração quantitativa: acréscimos ou supressões no objeto de até 25% do valor
atualizado do contrato. No caso, de reforma de edifícios e de equipamentos, o acréscimo
pode chegar a 50%. Acréscimos ou supressões superiores a esses limites só podem ser
feitos com a concordância do contratado (art. 65, §§ 1°e 2°).
Obs.: Manutenção do equilíbrio econômico-financeiro do contrato. (mesmo com alterações o
equilíbrio financeiro deve ser respeitado).
b) Possibilidade de rescisão unilateral do contrato .
Extinção do contrato administrativo decorrente de ato unilateral da Administração Pública, por
motivo de inadimplência do usuário ou de interesse público na cessação do contrato.
Obs.: em qualquer caso, o ato deve ser motivado.
Obs.: a rescisão unilateral pode ser feita nos casos previstos no art. 78 da lei.
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c) Fiscalização da execução do contrato.
É a faculdade de supervisionar, acompanhar, fiscalizar a e intervir na execução do contrato.
Obs.: a execução do contrato deve ser fiscalizada por um representante da Administração (art.
67), sendo que essa fiscalização não exime o contratado das responsabilidades civis,
administrativas e penais (art. 70).
d) Aplicação direta de sanções.
Os arts. 86 e 87 prevê sanções administrativas aplicáveis ao contratado que descumprir, integral
ou parcialmente, o contrato.
Obs.: essa penalização somente é possível se não houver justificativa plausível para a
inadimplência.
Art. 86. O atraso injustificado na execução do contrato sujeitará o contratado à multa de mora, na
forma prevista no instrumento convocatório ou no contrato.
§1º - A multa a que alude este artigo não impede que a Administração rescinda unilateralmente o
contrato e aplique as outras sanções previstas nesta Lei.
§2º - A multa, aplicada após regular processo administrativo, será descontada da garantia do
respectivo contratado.
§3º - Se a multa for de valor superior ao valor da garantia prestada, além da perda desta,
responderá o contratado pela sua diferença, a qual será descontada dos pagamentos
eventualmente devidos pela Administração ou ainda, quando for o caso, cobrada judicialmente.
Art. 87. Pela inexecução total ou parcial do contrato a Administração poderá, garantida a prévia
defesa, aplicar ao contratado as seguintes sanções:
I - advertência;
II - multa, na forma prevista no instrumento convocatório ou no contrato;
III - suspensão temporária de participação em licitação e impedimento de contratar com a
Administração, por prazo não superior a 2 (dois) anos;
IV - declaração de inidoneidade para licitar ou contratar com a Administração Pública enquanto
perdurarem os motivos determinantes da punição ou até que seja promovida a reabilitação
perante a própria autoridade que aplicou a penalidade, que será concedida sempre que o
contratado ressarcir a Administração pelos prejuízos resultantes e após decorrido o prazo da
sanção aplicada com base no inciso anterior.
§1º - Se a multa aplicada for superior ao valor da garantia prestada, além da perda desta,
responderá o contratado pela sua diferença, que será descontada dos pagamentos
eventualmente devidos pela Administração ou cobrada judicialmente.
§2º - As sanções previstas nos incisos I, III e IV deste artigo poderão ser aplicadas juntamente com
a do inciso II, facultada a defesa prévia do interessado, no respectivo processo, no prazo de 5
(cinco) dias úteis.
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§3§ - A sanção estabelecida no inciso IV deste artigo é de competência exclusiva do Ministro de
Estado, do Secretário Estadual ou Municipal, conforme o caso, facultada a defesa do interessado
no respectivo processo, no prazo de 10 (dez) dias da abertura de vista, podendo a reabilitação ser
requerida após 2 (dois) anos de sua aplicação.
f) Restrições à oposição da exceção do contrato não cumprido (exceptio non adimpleti
contractus).
- No direito civil qualquer dos contratantes pode suspender a execução do contrato quando
o outro não estiver cumprindo as suas obrigações (isso é a oposição da exceção do
contrato não cumprido).
- No contrato administrativo defende-se que essa exceção no pode ser alegada. Tudo em
razão do princípio da continuidade e supremacia do interesse público.
- Hoje com a lei 8666/93 essa regra foi um pouco atenuada, pois é possível o contratado
alegar essa exceção quando o inadimplemento for superior a 90 dias.
Art. 78, XV - o atraso superior a 90 (noventa) dias dos pagamentos devidos pela Administração
decorrentes de obras, serviços ou fornecimento, ou parcelas destes, já recebidos ou executados,
salvo em caso de calamidade pública, grave perturbação da ordem interna ou guerra, assegurado
ao contratado o direito de optar pela suspensão do cumprimento de suas obrigações até que seja
normalizada a situação;
g) Exigência de garantia
Para facilitar o pagamento de indenizações em razão do descumprimento do contrato pode ser
exigido dos mesmos garantias. Em razão da importância vamos a lei.
Art. 56. A critério da autoridade competente, em cada caso, e desde que prevista no instrumento
convocatório, poderá ser exigida prestação de garantia nas contratações de obras, serviços e
compras.
§1º - Caberá ao contratado optar por uma das seguintes modalidades de garantia:
I - caução em dinheiro ou em títulos da dívida pública, devendo estes ter sido emitidos sob a forma
escritural, mediante registro em sistema centralizado de liquidação e de custódia autorizado pelo
Banco Central do Brasil e avaliados pelos seus valores econômicos, conforme definido pelo
Ministério da Fazenda;
II - seguro-garantia;
III - fiança bancária.
§2º - A garantia a que se refere o caput deste artigo não excederá a cinco por cento do valor do
contrato e terá seu valor atualizado nas mesmas condições daquele, ressalvado o previsto no §3º
deste artigo.
§3º - Para obras, serviços e fornecimentos de grande vulto envolvendo alta complexidade técnica e
riscos financeiros consideráveis, demonstrados através de parecer tecnicamente aprovado pela
autoridade competente, o limite de garantia previsto no parágrafo anterior poderá ser elevado para
até dez por cento do valor do contrato.
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§4º - A garantia prestada pelo contratado será liberada ou restituída após a execução do contrato
e, quando em dinheiro, atualizada monetariamente.
§5º - Nos casos de contratos que importem na entrega de bens pela Administração, dos quais o
contratado ficará depositário, ao valor da garantia deverá ser acrescido o valor desses bens.
- Prazo de duração e prorrogação dos contratos administrativos.
Os contratos estão limitados a vigência dos créditos orçamentários (art. 57). Contudo há
exceções:
Art. 57. A duração dos contratos regidos por esta Lei ficará adstrita à vigência dos respectivos
créditos orçamentários, exceto quanto aos relativos:
I - aos projetos cujos produtos estejam contemplados nas metas estabelecidas no Plano Plurianual,
os quais poderão ser prorrogados se houver interesse da Administração e desde que isso tenha
sido previsto no ato convocatório;
II - à prestação de serviços a serem executados de forma contínua, que poderão ter a sua duração
prorrogada por iguais e sucessivos períodos com vistas à obtenção de preços e condições mais
vantajosas para a administração, limitada a sessenta meses;
III - (Vetado). (Redação dada pela Lei nº 8.883, de 1994)
IV - ao aluguel de equipamentos e à utilização de programas de informática, podendo a duração
estender-se pelo prazo de até 48 (quarenta e oito) meses após o início da vigência do contrato.
§1º - Os prazos de início de etapas de execução, de conclusão e de entrega admitem prorrogação,
mantidas as demais cláusulas do contrato e assegurada a manutenção de seu equilíbrio
econômico-financeiro, desde que ocorra algum dos seguintes motivos, devidamente autuados em
processo:
I - alteração do projeto ou especificações, pela Administração;
II - superveniência de fato excepcional ou imprevisível, estranho à vontade das partes, que altere
fundamentalmente as condições de execução do contrato;
III - interrupção da execução do contrato ou diminuição do ritmo de trabalho por ordem e no
interesse da Administração;
IV - aumento das quantidades inicialmente previstas no contrato, nos limites permitidos por esta
Lei;
V - impedimento de execução do contrato por fato ou ato de terceiro reconhecido pela
Administração em documento contemporâneo à sua ocorrência;
VI - omissão ou atraso de providências a cargo da Administração, inclusive quanto aos
pagamentos previstos de que resulte, diretamente, impedimento ou retardamento na execução do
contrato, sem prejuízo das sanções legais aplicáveis aos responsáveis.
§2º - Toda prorrogação de prazo deverá ser justificada por escrito e previamente autorizada pela
autoridade competente para celebrar o contrato.
§3º - É vedado o contrato com prazo de vigência indeterminado.
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§4º - Em caráter excepcional, devidamente justificado e mediante autorização da autoridade
superior, o prazo de que trata o inciso II do caput deste artigo poderá ser prorrogado por até doze
meses.
- Responsabilidade pela execução do contrato e respectivos encargos.
O contrato é responsável pela execução e encargos do contrato.
Art. 70. O contratado é responsável pelos danos causados diretamente à Administração ou a
terceiros, decorrentes de sua culpa ou dolo na execução do contrato, não excluindo ou reduzindo
essa responsabilidade a fiscalização ou o acompanhamento pelo órgão interessado.
Art. 71. O contratado é responsável pelos encargos trabalhistas, previdenciários, fiscais e
comerciais resultantes da execução do contrato.
- Extinção do contrato.
Em regra o contrato é extinto pelo cumprimento do objeto ou pelo termino do prazo. Mas
excepcionalmente pode ser das formas abaixo.
a) Anulação - Extinção do contrato por vicio de ilegalidade. Pode ser de oficio ou provocada,
além de não gerar direito a indenização (mas deve a administração indenizar pelo já foi feito ou
prejuízos - art. 59, § único).
b) Rescisão - É a extinção antes do termino do contrato. Essa pode ser com ou sem culpa do
contratado (ou da Administração – nesse caso só pode ser feita em juízo ou com acordo).
– Inexecução contratual.
É o descumprimento total ou parcial do contrato. Pode ser com ou sem culpa do contratado ou
administração. Contudo, a que mais nos interessa é a inexecução do contratado.
a) Com culpa do contratado - Acarreta a aplicação de sanções legais e contratuais (art. 86 e
87 da lei 8666/93) e também possibilita a rescisão unilateral do contrato pela Administração que
executará as garantias contratuais, multas e buscará indenizações.
Obs.: o contratado quando for por culpa da administração deve pedir a rescisão em juízo, bem
como a devolução das garantias, prejuízos e o que já fez do contrato.
b) Sem culpa do contratado - Aqui existe uma justificativa para o descumprimento. Essa está
baseada na teoria da imprevisão e afasta a responsabilidade do contratado.
Situações:
- Caso fortuito e força maior (art. 78, XVII da 8666/93): dá ensejo a revisão ou a rescisão
contratual (tudo isso pode ser amigável ou em juízo).
- Caso fortuito: evento da natureza que torna o contrato onero ou impossível de ser
cumprido. Ex: chuvas, deslizamentos etc.
- Força maior: evento humano, que torna o contrato onero ou impossível de ser cumprido.
Ex: greves.
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- Fato do príncipe: é uma determinação estatal e geral que torne o contrato impossível ou
oneroso por demais (aqui gera a revisão – é o mais comum art. 65, II ‘d”). ex: aumento das
taxas de reajustes ou impostos de bens ligados ao contrato.
- Fato da administração: quando uma ação ou omissão do Poder Público ligado ao
contrato, impede ou retarda a sua exceção. Gera a revisão ou a sua paralisão (até as
coisas voltarem ao normal). Art. 78 , XIV, X V e XVI da 8666/93. Ex: o administração não
entrega o terreno para fazer a obra.
- Teoria da imprevisão.
É a teoria que fundamenta a inexecução sem culpa. Para tanto todas as situações de
inexecução devem ser imprevisíveis e extraordinárias (do contrario não há inexecução sem
culpa).
PARCERIA PÚBLICO PRIVADA (PPP)
As concessões de serviços ou obras públicas que envolvam a realização de investimentos
pecuniários pelo poder concedente devem observar as normas gerais fixadas pela lei
11079/2004 que institui o denominado “parceria público-privada”. No regime da parceria há
a presença da administração pública e ainda do particular contratado que é denominado de
parceiro privado. Não constitui Parceria Público Privada a concessão comum, que é aquela
em que não há a contraprestação pecuniária do parceiro público ao privado.
A parceria público privada pode ser conceituada como contrato administrative de
concessão, na modalidade patrocinada ou administrativa.
Será patrocinada , porque a administração admite a realização de investimentos pelo
poder público (chamado parceiro público), além da cobrança de tarifas dos usuários.
Será administrativa, a concessão em que envolva apenas serviços de que a
administração seja a usuária, ainda que envolva a execução de obra ou fornecimento e
instalação de bens.
O regime parcerias é aplicável, ainda, à Administração Direta e Indireta dos Poderes da
União, Estados, Distrito Federal, bem como, aos fundos especiais constituídos por estes
entes federados.
Na PPP, o valor do contrato não poderá ser inferior a vinte milhões de reais; o prazo de
duração ao pode ser inferior a cinco anos nem superior a trinta e cinco anos, incluindo as
eventuais prorrogações e não pode ter como objeto único o fornecimento de mão de obra
ou o fornecimento e instalação de equipamentos, ou ainda a execução de obra pública.
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BENS PÚBLICOS.
Antes de estudarmos as regras e disciplinas gerais sobre bens públicos, nesse momento carece
explicarmos que normas pertinentes aos bens públicos estão expressas no Código Civil. Tal fato
sê dá, pois a matéria de bens é estudada no referido Codex.
Tratando direto do assunto, na forma do art. 98 do Código Civil bens públicos são os bens do
domínio nacional pertencentes às pessoas jurídicas de direito público interno; todos os outros
são particulares, seja qual for a pessoa a que pertencerem.
Obs.: em regra as questões que versam sobre os mesmos são julgadas nas Varas de Fazenda
Pública.
– Classificação.
a) Quanto à titularidade.
Quanto a titularidade os bens públicos podem ser Federais (os que pertencem a União – art. 20
da CF), Estaduais (os que pertencem aos Estados-membros – art. 26 da CF), Distritais (os que
pertencem ao Distrito Federal – não tratado pela CF) e Municipais (os que pertencem aos
Municípios – não tratado pela CF). Pertencendo aos referidos entes federativos ou as suas
autarquias.
b) Quanto à destinação.
Essa classificação está positivada no art. 99 incisos I, II e III do Código Civil, tal redação divide
os bens públicos em: bens de uso comum do povo, uso especial e dominicais.
Dessa forma, pela própria redação do Código Civil:
- Bens de uso comum do povo são aqueles utilizados pela coletividade, por meio de
destinação legal ou da própria natureza do bem. Ex: rios, mares, estradas, ruas e praças.
- Bens de uso especial são os utilizados pela Administração Pública para atender aos
seus objetivos. Ex: edifícios ou terrenos destinados a serviço ou estabelecimento da
administração federal, estadual, territorial ou municipal, inclusive os de suas autarquias;
- Bens dominicais são aqueles que não têm destinação pública, mas fazem parte do
domínio público.
Ex: bens que constituem o patrimônio das pessoas jurídicas de direito público, como objeto de
direito pessoal, ou real, de cada uma dessas entidades.
c) Quanto à disponibilidade.
Quanto a essa classificação os bens públicos podem ser indisponíveis por natureza (que pela
própria natureza não podem ser alienados e oneraos – ex: os bens de uso comum do povo),
patrimoniais indisponíveis (são aqueles que o Poder Público não pode dispor, mesmo tendo
natureza patrimonial – ex: bens de uso comum suscetível de valoração patrimonial e bens de
uso especial) e patrimoniais disponíveis (são aqueles que apesar de ser público, tem valoração
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econômica e é possível a alienação).
- Características.
a) Inalienabilidade .
Em regra os bens públicos não podem ser alienados (É forma voluntária de perda da
propriedade. É o ato pelo qual o titular transfere sua propriedade a outro interessado. Dá-se a
alienação de forma voluntária ou compulsória, sendo exemplo de alienação voluntária a dação
em pagamento, e de alienação compulsória a arrematação. Ela ainda pode ser a título oneroso
ou gratuito, configurando-se alienação a título oneroso a compra e venda, e a título gratuito a
doação.
Cumpre ressaltar que a transferência do bem alienado só poderá ocorrer por meio de contrato,
isto é, através de negócio jurídico bilateral que expresse a transmissão do bem a outra pessoa).
Contudo, essa regra foi mais explicada pelo nosso atual Código Civil. Nesse Codex o art. 100
afirma que os bens públicos de uso comum do povo e os de uso especial são inalienáveis,
enquanto conservarem a sua qualificação, na forma que a lei determinar. Já o art. 101, afirma
que os bens públicos dominicais podem ser alienados, observadas as exigências da lei.
Obs.: em regra em concurso público quando falamos em alienação, falamos em venda.
Contudo, como colocado em nota, alienação é um gênero, onde temos a venda como uma das
espécies.
PERGUNTAS DE AULA
1) Como os bens dominicais podem ser aliendados (aqui como acima já falado: vendido)?
R: Por meio de licitação (na forma do art. 17 da Lei 8666/93).
Obedecendo as seguintes determinações: bens moveis sempre pela modalidade leilão. Bens
imóveis depende:
- se adquirido por processo judicial ou dação em pagamento: por leilão.
- se adquirido por qualquer outra forma (compra, doação, usucapião, desapropriação etc.):
concorrência.
Obs.: em conclusão podemos afirmar que os bens públicos não podem ser alienados (uso
comum e uso especial), exceto os bens de dominicais. Isso se dá, porque os bens de uso
comum e uso especial são bens afetados e os bens dominicais são bens desafetados.
b) Impenhorabilidade.
Os bens públicos não podem ser objeto de penhora, ou seja, são impenhoráveis. Isso se dá,
porque a Fazenda Pública tem uma forma peculiar de pagar as suas dividas: por meio de
precatório.
A única modalidade constritiva que pode acontecer sobre os bens públicos, é o seqüestro em
caso de preterição de direito no pagamento de precatórios (art.100, § 2º da CF).
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c) Imprescritibilidade.
Os bens públicos não podem ser objeto de prescrição. Quando afirmamos isso na verdade
estamos querendo dizer que os bens públicos não podem ser objeto de usucapião.
Isso está previsto na nossa Constituição Federal (arts. 183, § 3º e 191) e no Código Civil (art.
102).
Obs.: mesmo a nossa atual Constituição só tartar da vedação a usucapião aos bens imóveis
urbanos e rurais, o Código Civil é categórico em proibir a usucapião em bens públicos moveis
e imóveis.
d) Não – onerosidade.
Os bens públicos não podem ser dados em garantia (penhor, anticrese e a hipoteca).
Obs.: quando um bem público é gravado em garantia, ocorre a nulidade absoluta da garantia.
SERVIÇOS PÚBLICOS
Serviço público é toda atividade material que a lei atribui ao Estado para que a exerça
diretamente ou por meio de seus delegados, regido pelo direito público, com o objetivo de
satisfazer concretamente às necessidades coletivas.
– Características.
a) Sujeito estatal: na forma do art. 175 CF ao Estado cabe a prestação do serviço público,
contudo hoje é possível haver delegação a particulares.
b) Interesse coletivo: os serviços públicos devem alcançar os interesses da coletividade.
c) Regime de direito público: os serviços públicos em regra se submetem o regime jurídico de
direito público. Contudo, existem os serviços prestados por particular, nesses casos onde há
também a presença de normas do regime jurídico privado, ainda assim o regime jurídico é de
direito público (Carvalho chama de híbrido).
– Classificação.
a) Delegáveis e indelegáveis.
- Os delegáveis são aqueles que podem ser prestados pelo Estado ou por particulares
(transporte coletivo, luz, água, telefone etc.).
- Já os indelegáveis são aqueles que só podem ser prestados pelo Estado de forma direta.
Ex: segurança nacional, pública, policia administrativa etc.
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b) Serviços administrativos ou de utilidade publica.
- Os administrativos são aqueles que o Estado executa para compor melhor a sua
organização. Melhorar as suas condições de serviço. Ex: imprensa oficial.
- Os de utilidade pública são aqueles onde o Estado presta diretamente ao individuo. Ex.
Luz, água e telefones domiciliares.
c) Serviços coletivos e singulares.
- Os coletivos ou “uti universi” são aqueles prestados a usuários indetermináveis. Ex:
iluminação pública, saúde pública etc.
- Os individuais ou “uti singuli” são aqueles pretados a usuários determinados. Ex: luz e
telefonia residencial.
d) Serviços sociais e econômicos.
- Sociais são aqueles essenciais onde o Estado visa atender aos reclames sociais da
coletividade. Ex: assistência a criança e a mulher, assistência a áreas carentes etc.
- Econômicos são aqueles onde o E stado visa lucro. Ex: exploração de energia elétrica.
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