(P-001

)
Missão Stardust
Autor
K. H. Scheer
Digitalização
Vitório
Revisão
Arlindo_San
O major Perry Rhodan, comandante da espaçonave Stardust,
descobriu muito mais do ue se supunha pudesse e!istir na "ua # ele
veio a ser o primeiro homem a entrar em contato com outra raça$
Os arc%nidas, provenientes de uma estrela distante e possuidores
de um n&vel tão elevado de conhecimentos cient&'icos e 'ilos('icos ue,
perto deles, a )umanidade ainda estava centenas de milhares de anos
atrasada$
*as estes alien&genas, enormemente poderosos, recusavam+se a
cooperar com os terrestres a menos ue Perry Rhodan sa&sse vencedor do
teste mais di'&cil a ue um ser humano jamais se submetera$$$
= = = = = = = = = = Personaens Princi!ais = = = = = = = = = =
Ma"or Perr# $hodan — Comandante da nave Stardust.
%a!itão $einald &ell — Engenheiro eletrônico da Stardust.
%a!itão %lar' (. )letcher — Astrônomo da Stardust.
*enente-+,dico -ric Manoli — Médico de bordo da Stardust.
(eneral .esle# Pounder — Chefe da Força Espacial dos Estados nidos.
/r. )leet — Médico!chefe da Força Espacial dos Estados nidos.
Allan /. Mercant — Chefe do Conselho "nternacional de defesa.
%rest — Cientista!chefe da e#pediç$o organi%ada por uma raça desconhecida.
*hora — Comandante da nave dos arcônidas.
Pro0essor .eh+ann — &iretor da Academia de 'ecnologia Espacial da Calif(rnia e
pai espiritual da Stardust.
Aconselhamos o leitor a começar o livro
pela segunda parte, onde iniciam propriamente
as aventuras espaciais de Perry Rhodan$ ,a
primeira parte s( h- uma viagem detalhada .
"ua, inteiramente 'ict&cia$
)*"ME"*A )A*'E
A )artida
1
+o prédio principal da Central de +evada Fields, -ue abrigava o centro
nervoso eletrônico da base espacial, reinava a atividade febril e aparentemente in.til
-ue caracteri%a os preparativos finais da partida de uma espaçonave. A .nica
finalidade de todas as operaç/es, dos avisos transmitidos pelos alto!falantes e dos
c0lculos detalhados era controlar mais uma ve% os resultados -ue de h0 muito tinham
sido apurados.
1s engenheiros -ue formavam a e-uipe respons0vel pela parte eletrônica da
nave verificaram os in.meros circuitos do computador astro!eletrônico, cu2a
finalidade consistia em proceder a eventuais correç/es de curso.
*eali%aram, também, uma revis$o no dispositivo autom0tico 3, um robô
especial incumbido do controle da decolagem e da separaç$o dos est0gios e, ainda, do
comando remoto.
1 computador eletrônico C, -ue era o robô coordenador dos ecos de radar
recebidos, e ainda a estaç$o de comando das c4maras especiais teleguiadas do
dispositivo de infralocali%aç$o, apresentava, como 20 se esperava, funcionamento
perfeito. 1s .ltimos c0lculos de verificaç$o, reali%ados através de computadores
eletrônicos, estavam e#atos até a décima casa decimal.
1 engenheiro!chefe, respons0vel pela manutenç$o, comunicou -ue os dois
dispositivos autom0ticos principais — dispositivos eletrônicos da decolagem e do
controle remoto — estavam em perfeitas condiç/es de funcionamento.
Fe%!se tudo a-uilo -ue 20 tinha sido feito em v0rias decolagens anteriores,
numa rotina altamente especiali%ada. S( uma pe-uena nuança de nervosismo poderia
ter revelado a um observador e#perimentado -ue desta ve% n$o se tratava do
lançamento de uma espaçonave -ual-uer.
1s soldados, fortemente armados, -ue se encontravam na entrada norte do
prédio principal, prestaram contin5ncia com um gesto displicente. 1 general 6esle7
)ounder, comandante da 3ase Aérea de +evada Fields e chefe do &epartamento de
)es-uisas Espaciais, n$o fa%ia muita -uest$o de -ue em oportunidades como esta a
eti-ueta militar fosse estritamente observada. Ficava satisfeito em saber -ue os
homens estavam bem atentos nos seus postos.
Como havia sido plane2ado, o general )ounder entrou na sala principal do
comando 8 meia!noite e -uin%e em ponto. Estava acompanhado do chefe do Estado
Maior, o coronel Maurice e do diretor cient9fico do pro2eto, o professor F. 6ehmann,
-ue se tornara famoso principalmente como diretor da Academia de 'ecnologia
Espacial da Calif(rnia.
A chegada dos personagens principais n$o causou a menor interrupç$o nas
atividades -ue se desenvolviam no interior da sala. 1 general tinha chegado: era s(
isso.
6esle7 )ounder, um homem -uadrado no aspecto e no car0ter, famoso entre os
colaboradores, e difamado em ;ashington pela intransig5ncia com -ue insistia no
cumprimento das suas e#ig5ncias, apro#imou!se da enorme tela de controle.
As imagens, -ue na sala de imprensa apareciam pouco n9tidas, desli%avam,
a-ui, em tamanho natural na tela ligeiramente abaulada.
)ounder apoiou as m$os no encosto da poltrona girat(ria e permaneceu im(vel
por alguns instantes. 1 professor 6ehmann segurou os (culos sem aro com um gesto
nervoso. Alguma coisa parecia arder dentro dele. +a sua opini$o, havia coisas muito
mais importantes para fa%er do -ue voltar a inspecionar, em companhia do
comandante das operaç/es, coisas de import4ncia secund0ria -ue 20 tinham sido
controladas. 6ançou um olhar de s.plica ao chefe do Estado!Maior. 1 coronel
Maurice ergueu os ombros de modo -uase impercept9vel. 'inham -ue aguardar. Ao
-ue parecia, )ounder ainda tinha algumas perguntas a fa%er, embora estivesse mais
bem informado -ue muitos dos membros da sua e-uipe de cientistas.
— "sto é belo< &e uma bele%a empolgante< — disse )ounder em vo% bai#a,
en-uanto olhava para a tela. — Alguma coisa dentro de mim vive perguntando se n$o
estamos indo longe demais. 1s peritos do &epartamento de +avegaç$o Espacial
continuam a achar -ue é rematada loucura arriscar o lançamento da 'erra. +$o é
apenas a resist5ncia do ar -ue temos de vencer. Além disso, devemos atingir a
velocidade -ue resultaria, automaticamente, de um lançamento a partir da plataforma
espacial. S$o e#atamente =,>? -uilômetros por segundo, ou se2a, @A.B>> -uilômetros
por hora.
— C a velocidade em -ue a estaç$o espacial tripulada percorre sua (rbita,
general — apressou!se o professor 6ehmann a murmurar. — +o nosso caso, essa
velocidade n$o representa um fator decisivo. )eço licença para voltar a insistir nas
enormes dificuldades -ue surgiriam na montagem da nave, com peças pré!fabricadas,
reali%ada no espaço, fora da aç$o da gravidade. D0 tivemos e#peri5ncias bem amargas
nesse setor. C bem mais f0cil construir a nave na 'erra do -ue a E.=F> -uilômetros de
altitude. E, em termos econômicos, isto representa uma diferença, a menos, de
tre%entos e cin-Genta milh/es de d(lares por unidade.
— Esse argumento causou uma impress$o formid0vel em ;ashington —
ironi%ou o general. — 3em, a esta altura, n$o se pode alterar mais nada. Façamos
votos para -ue os resultados brilhantes dos vôos e#perimentais 2ustifi-uem o risco
-ue, ho2e, estamos assumindo. A bordo desta nave estar$o -uatro dos meus melhores
homens, professor. Se alguma coisa n$o der certo, o senhor ter0 -ue se e#plicar
comigo.
6ehmann empalideceu sob o olhar gélido do general. Mas o coronel Maurice,
um estrategista h0bil em manter perfeito o e-uil9brio entre os interesses conflitantes
da pes-uisa cient9fica e os do poderio militar, interveio com o tato -ue lhe era
peculiar, levando a conversa para outro campo.
— Heneral, peço licença para lembrar!lhe o pessoal da imprensa. 1s
rep(rteres 20 devem estar ardendo de curiosidade. Ainda n$o liberei informaç/es mais
detalhadas.
— +$o poder9amos evitar isso, coronelI — resmungou )ounder. — +o
momento tenho coisas mais importantes para fa%er.
— Acho conveniente atend5!los — respondeu o coronel de forma bem
sugestiva.
1 &r. Fleet, perito em astrof9sica, pigarreou. Era também o respons0vel pelas
-uest/es de medicina espacial, cabendo!lhe, ainda, cuidar da boa sa.de dos
cosmonautas.
&e repente, )ounder sorriu.
— Muito bem. Falarei com eles. Mas s( pelo circuito fechado de televis$o.
Maurice sobressaltou!se. 1s técnicos -ue os rodeavam riram disfarçadamente.
Era outra das atitudes t9picas do velho.
— )elo amor de &eus, general. Essa gente conta com a sua presença pessoal.
Foi o -ue eu lhes prometi.
— )ois, ent$o, retire a promessa — sugeriu )ounder sem se mostrar
impressionado.
— Mas v$o di%er o diabo de n(s nos editoriais — disse o chefe do Estado!
Maior em tom suplicante.
— +este caso, mandarei prender estes rapa%es até -ue se tenham acalmado.
Jeremos. 6igue!me com eles.
+as paredes nuas do abrigo de observaç$o, os alto!falantes pareciam retornar 8
vida. A cabeça de )ounder apareceu numa tela. Com o seu mais cativante sorriso,
dese2ou a todos uma manh$ bem agrad0vel. 6ogo ap(s, o rosto do general tornou!se
sério, n$o fa%endo caso das feiç/es contrariadas dos rep(rteres.
&e forma lacônica e em tom indiferente, como se estivesse e#plicando algo
bem irrelevante, anunciouK
— Cavalheiros, a imagem -ue apareceu h0 alguns minutos nas telas e#istentes
no interior do abrigo em -ue se encontram corresponde a um foguete de tr5s est0gios.
+os elementos -ue comp/em o mesmo, foram introdu%idas modificaç/es
importantes. A decolagem ter0 lugar dentro de tr5s horas apro#imadamente. Est$o
sendo reali%ados os preparativos finais. +o momento, os -uatro tripulantes ainda
dormem um sono profundo -ue lhes descansar0 os nervos. S( ser$o despertados duas
horas antes da decolagem.
1s rep(rteres ainda se mostravam indiferentes. D0 havia tempo -ue as viagens
espaciais tripuladas tinham dei#ado de ser novidade. 1s olhos de )ounder
estreitaram!se ligeiramente. Estava antego%ando os trunfos -ue surpreenderiam os
homens da imprensa.
— Em virtude de e#peri5ncias passadas, o Comando de E#ploraç$o do Espaço
decidiu n$o montar a nave espacial na estaç$o orbital. +inguém ignora as
dificuldades e os fracassos das tentativas anteriores. )or isso, a primeira espaçonave
-ue dever0 pousar na 6ua, partir0 diretamente da 'erra. A nave foi bati%ada com o
nome de Stardust. 1 comandante da primeira miss$o lunar é o ma2or )err7 *hodan,
com trinta e cinco anos de idade, piloto de provas da Força Espacial, cosmonauta e
f9sico nuclear, especiali%ado em motores de radiaç$o atômica. Acho -ue *hodan é
uma pessoa bastante conhecida, como sabem, foi o primeiro homem da Força
Espacial -ue contornou a 6ua.
)ounder fe% outra pausa. Com grande satisfaç$o registrou o barulhento e
e#altado vo%erio -ue seguiu suas palavras. Alguém, aos berros, pediu sil5ncio. A
calma voltou a reinar no recinto.
— Muito obrigado — disse o general. — 1s senhores estavam um pouco
agitados. )eço!lhes -ue n$o formulem perguntas. 1 oficial encarregado das
informaç/es tratar0 disso logo ap(s o lançamento. Meu tempo é muito curto de modo
-ue devemos aproveit0!lo o m0#imo poss9vel. A Stardust ser0 tripulada por uma
e-uipe de -uatro homens rigorosamente selecionados. Além do ma2or *hodan,
participam da e#pediç$o o capit$o *eginald 3ell, o capit$o ClarL H. Fletcher e o
tenente!médico Eric Manoli. m grupo de pessoas altamente especiali%adas tanto no
terreno militar -uanto no cient9fico. Cada um deles é possuidor de pelo menos duas
especiali%aç/es distintas. ma tripulaç$o cu2os membros se completam com uma
perfeiç$o -ue poucas ve%es é alcançada. 1s senhores receber$o, depois, fotografias e
dados adicionais sobre eles.
Ao -ue parecia, o general )ounder n$o estava disposto a brindar o audit(rio,
-ue se mantinha cativo 8s suas palavras, com um discurso mais prolongado. Ent$o,
silenciando as vo%es -ue começavam a se levantar, ao mesmo tempo em -ue olhava
para o rel(gio, e#clamouK
— )or obsé-uio, cavalheiros, as perguntas -ue est$o formulando s$o em v$o.
'udo o -ue lhes posso fornecer s$o dados genéricos. A Stardust est0 preparada para
uma perman5ncia de -uatro semanas na 6ua. 1 programa de e#ploraç$o a ser
cumprido pelos tripulantes est0 perfeitamente determinado. &epois da alunissagem
bem sucedida de naves n$o tripuladas, resolvemos assumir o risco de enviar uma
e#pediç$o de -uatro homens 8 6ua e, -ueira &eus, n$o cometeremos -ual-uer
e-u9voco. Como os senhores sabem, a partida da 'erra consome uma -uantidade
enorme de energia, ainda mais -ue o .ltimo est0gio da nave ter0 -ue descer na 6ua e
voltar com os seus pr(prios recursos, o -ue n$o seria poss9vel com os engenhos
convencionais de propuls$o, ainda mais numa nave de apenas tr5s est0gios de
dimens/es relativamente redu%idas.
— Mueremos dados técnicos< — gritou alguém, e#altado.
— Ser$o fornecidos — resmungou o general em resposta. — 1 comprimento
total da nave é de NE,O metros. 1 primeiro est0gio tem FO,A metros: o segundo, @B,= e
o terceiro, -ue constitui o m(dulo -ue descer0 na 6ua, F>,B. 1 peso m0#imo de
decolagem, com os tan-ues de combust9vel completos e a carga .til, é de O.?A>
toneladas, sendo a carga .til de OB,@ toneladas. Assim mesmo, o m(dulo lunar n$o
parece muito maior -ue a maioria das naves de transporte. "sto acontece por-ue s( o
primeiro est0gio é dotado de propelentes -u9micos. 1 segundo e o terceiro est0gios
conter$o os primeiros mecanismos de propuls$o nuclear.
Esta declaraç$o foi a segunda bomba de )ounder. Ele a soltara de surpresa.
"mpass9vel, prosseguiuK
— 1 primeiro est0gio usar0, como combust9vel, a melhor composiç$o -u9mica
de -ue dispomos para esse fimK o ,+trietil+borazan, cu2o elemento combust9vel é o
hidrog5nio!boro. 1 o#ig5nio é fornecido pelo tradicional 0cido n9trico, -ue
desencadeia a reaç$o de auto!igniç$o -uando misturado na proporç$o de E para B,N.
A pot5ncia de empu#o é superior em E?>P 8 da velha hidra%ina, em id5nticas
condiç/es este-uiométricas. 1s reatores do primeiro est0gio s$o desligados a uma
velocidade final de E>.EEA -uilômetros por hora e a uma altitude de ?? -uilômetros.
+esse ponto, esse est0gio se desprende. 1 segundo est0gio 20 est0 e-uipado com os
novos propulsores nucleares, cu2o reator funciona a uma temperatura de F.N@> graus
cent9grados utili%ando ligas especiais obtidas por condensaç$o molecular. 1s novos
micro!reatores foram instalados em condiç/es bastante favor0veis. Funcionam 8 base
de plutônio. A energia puramente térmica por eles gerada é transmitida para as
c4maras de compensaç$o térmica ou de e#pans$o, através de um elemento ativo
intermedi0rio. Como elemento de transmiss$o das radiaç/es, utili%amos o para!
hidrog5nio l9-uido em estado de pure%a -uase absoluta, -ue é a-uecido e eliminado
pelos propulsores. &epois -ue conseguimos eliminar as perdas através da
evaporaç$o, o hidrog5nio l9-uido passou a ser e#celente elemento transmissor de
radiaç$o. 'ivemos -ue solucionar problemas bastante dif9ceis, especialmente a-ueles
ligados ao ponto de ebuliç$o e#tremamente bai#o do hidrog5nio l9-uido, -ue começa
a ferver a uma temperatura de @A@,=? graus cent9grados abai#o de %ero. 1 mecanismo
de propuls$o nuclear funciona a uma velocidade de escapamento de E>.E>@ metros
por segundo, velocidade -ue, em hip(tese alguma, poderia ser atingida através de
uma reaç$o -u9mica. )osteriormente, lhes ser$o fornecidos outros dados a respeito.
QA Stardust ser0 lançada 8s tr5s horas e dois minutos. Jai descer 2unto 8
cratera +eRcomb, perto do p(lo sul lunar. Estamos interessados em descobertas
relativas 8 face oculta da 6ua mas, devido 8s limitaç/es da comunicaç$o pelo r0dio,
deveremos manter um homem na face vis9vel. Como é do conhecimento de todos, as
ondas de r0dio se propagam em linha reta. 1s tripulantes far$o, também, e#tensos
passeios no solo lunar com um novo tipo de ve9culo e#plorat(rio. )or ora, isso é tudo,
senhores. 'ransmiti!lhes todas as informaç/es essenciais. 1utros pormenores
detalhados, inclusive técnicos lhes ser$o fornecidos pelo oficial encarregado pelo
setor.S
T T T
U uma hora em ponto, o &r. Fleet encontrava!se diante dos -uatro homens
adormecidos. Estavam descansando, havia -uator%e horas, sob o efeito da
psiconarcotina.
1 &r. Fleet hesitou por alguns segundos antes da aplicaç$o do elemento
neutrali%ador dos efeitos narc(ticos do sopor9fero. 'eve um indefin9vel sentimento de
compai#$o. Com o despertar, retornariam os pensamentos, o esp9rito voltaria 8
lucide% e tudo a-uilo, -ue com tanto esforço se procurou afastar dos -uatro homens,
voltaria a assalt0!los.
m tripulante nervoso, sonolento, f9sica e psi-uicamente esgotado era um
parceiro pouco ade-uado 8s m0-uinas de calcular insens9veis e aos mecanismos
solicitados até o limite e#tremo da sua capacidade. Era indispens0vel -ue o esp9rito
humano se mantivesse l.cido, pois s( a ele caberia, em .ltima inst4ncia, a decis$o.
Evidentemente, ainda seriam reali%ados outros e#ames médicos de rotina, -ue
demandariam cerca de uma hora. 1utra hora seria dispendida pelos engenheiros
encarregados do e-uipamento. 1s homens subiriam a bordo da nave de% minutos
antes da partida. E ficariam deitados em suas macias camas met0licas abstendo!se de
-ual-uer esforço mental.
Com a partida da espaçonave, o per9odo de repouso chegaria ao fim. &ali em
diante, teria in9cio uma luta encarniçada -ue forçaria o corpo e a mente até o e#tremo
da resist5ncia. 1s homens enfrentariam um verdadeiro mart9rio no ventre de um
monstro furioso feito de aço!molibd5nio e fibras sintéticas.
As -uatro camas bai#as, com seus colch/es de espuma -ue respiravam
ativamente através de poros, estavam cercadas de uma luminosidade suave e
acariciante. )arecia ser o m0#imo de conforto dispensado a homens -ue dali a pouco
teriam -ue suportar tremendas provaç/es.
1 ma2or )err7 *hodan, 0s da Força Espacial, abriu os olhos. )raticamente sem
a menor transiç$o, passou do sono para um estado de perfeita lucide%.
— Cuidou de mim em primeiro lugarI — perguntou. )arecia antes uma
constataç$o -ue uma indagaç$o. Com grande satisfaç$o o &r. Fleet registrou a reaç$o
l.cida do comandante. +$o havia d.vida, *hodan estava de volta.
— E#atamente como t9nhamos plane2ado — confirmou com vo% abafada.
*hodan ergueu!se num gesto comedido, respirando profundamente. Alguém
afastou a coberta fina dotada de ventilaç$o ativa. Ele tra2ava uma vestimenta ampla,
cu2o formato lembrava uma camisa -ue n$o e#ercia -ual-uer press$o sobre o corpo.
En-uanto levantava, proferiu, em vo% bai#a, uma maldiç$o -ue fe% aflorar um sorriso
aos l0bios dos homens -ue o rodeavam. 1 gesto parecia provocar uma sensaç$o de
al9vio nessa situaç$o um tanto irreal.
— &outor, se eu tivesse pernas t$o lindas como as suas teria, pelo menos, um
motivo para me conformar — observou *hodan com um humor seco. +os seus olhos
havia uma luminosidade faiscante. Em compensaç$o, o rosto estreito e magro
permaneceu impass9vel.
m ronco cavernoso f5!lo voltar a cabeça. 3astante interessado, observou o
procedimento -ue faria despertar seu companheiro dileto, o capit$o ClarL H. Fletcher
-ue, como ele, 20 tinha contornado a 6ua. *hodan ainda n$o sabia como a-uele
gigante bochechudo de pele delicada como um beb5 e m$os maltratadas como uma
fa#ineira poderia ser acomodado no espaço e#9guo de uma nave espacial. Com o
ronco -ue faria um mamute ao se levantar, Fletcher, especialista em astronomia e
matem0tica e futuro doutor em f9sica, levantou!se.
— Meu filho 20 chegouI — ressoou sua vo%.
Ao -ue parecia, a partida iminente s( lhe despertava um interesse secund0rio.
— Ent$o, doutor, cuidou bem de minha esposaI
1 &r. Fleet soltou um suspiro abafado.
— Escute a-ui, meu 2ovem, se o amigo acha -ue sua esposa é um milagre
anatômico, suponho -ue est0 um pouco enganado. Ainda faltam tr5s meses. Acalme!
se, a nature%a n$o tem pressa.
— Muito bem< — disse o gigante. — Jou sentar e esperar.
1 terceiro membro da tripulaç$o deu mostras do despertar por meio de um riso
bai#o e agrad0vel. 1 tenente!médico Eric Manoli, também ge(logo, era o homem
mais calmo e retra9do da tripulaç$o. E, provavelmente, o dotado de melhor
autodom9nio. Cumprimentou os presentes com um gesto e lançou um r0pido olhar ao
rel(gio. Evidentemente, o &outor Manoli observava estritamente a lei n$o escrita dos
cosmonautas -ue, em termos claros e ob2etivos, di%iaK Q+unca fale na partida da
nave, a n$o ser -ue se2a absolutamente necess0rio: voc5 dormiu para revigorar o
corpo e o esp9rito: n$o redu%a os efeitos favor0veis do sono com a idéia de -ue é
necess0rio encarar imediatamente toda a seriedade da situaç$o.S Era uma f(rmula
simples, consagrada pela e#peri5ncia.
— 'udo bem, EricI — indagou *hodan.
— 'udo bem — confirmou. E, voltando!se para Fletcher, continuouK — 1 -ue
h0 com 3ellI )arece -ue ele dorme o sono das montanhasI
1 capit$o Fletcher virou!se na cama. Sua m$o direita deu um estalo no ombro
rechonchudo da-uele bai#ote -ue revelava uma tend5ncia evidente para a obesidade.
Muem conhecesse bem o capit$o *eginald 3ell iria compar0!lo a uma el0stica
bola de borracha. A gordura -ue apresentava era um meio e#celente para iludir os
incautos. A verdade é -ue, na centr9fuga gigante, ele suportou melhor a força e#igida
de E? H — ou se2a de%oito ve%es a aceleraç$o da gravidade — -ue o &r. Manoli,
pe-ueno e ossudo.
— +$o amole< — veio o resmungo -ue parecia sair de dentro do travesseiro
de espuma. m rosto largo, todo coberto de sardas saiu de dentro da massa de
lenç(is. 1s olhos a%uis, -ue pareciam descorados piscaram para FletcherK — Estou
acordado h0 uma hora — afirmou 3ell, com a vo% indolente. — A dose de sopor9fero
foi muito fraca para um homem do meu tamanho.
— C claro -ue foi — concordou *hodan com toda seriedade. — Admiro a sua
paci5ncia. Joc5 deve ter respirado bem bai#inho para n$o incomodar os outros.
— )or isso, voc5 vai ser condecorado — disse Fletcher descendo de sua cama.
— Mas, primeiro, s$o os pais em perspectiva e os sofredores. Ali0s, gostaria de saber
o -ue ainda falta e#aminar no nosso organismo.
Subitamente, Fletcher ficou em sil5ncio, olhando, embaraçado, para o
comandante. )or pouco, ele teria violado a lei. *hodan fe% -ue n$o ouviu. E,
boce2ando, disse com estudada indiferençaK
— Comecemos por ele, doutor, 20 -ue ele vai ser pai logo. C de se supor -ue
nossa circulaç$o este2a em ordem. Ainda assim, convém dei#ar as in2eç/es
neutrali%adoras 8 m$o.
)err7 *hodan começou a analisar suas pr(prias reaç/es. Sentiu uma ang.stia
martiri%ante no canto mais recôndito do subconsciente. A tagarelice dos homens nada
mais era sen$o um ardil psicol(gico através do -ual pretendiam se acalmar.
Eles sabiam -ue n$o deviam falar na partida iminente. Fa%iam de conta -ue
a-uilo era perfeitamente normal, uma viagem como todas as anteriores. Mas *hodan
sabia, e eles também, -ue cedo as coisas seriam bem mais sérias do -ue eles
pensavam.
+o -ue di%ia respeito 8 força da inércia, a situaç$o do homem -ue era
impulsionado por um foguete de propuls$o nuclear era muito diferente da-uela -ue
se e#perimentava -uando do lançamento de uma nave comum. As press/es eram
muito maiores e, maiores ainda, as -ue nasciam nas incontrol0veis profunde%as do
esp9rito humano. Sentia!se medo. Era natural e ninguém 2amais negou isso. Apenas,
esses homens foram treinados, também, para controlar o medo e n$o se dei#ar
dominar por ele, acontecesse o -ue acontecesse.
*hodan observou, disfarçadamente, os homens de sua tripulaç$o. 'odos
pareciam estar bem. 'alve% Fletcher estivesse um pouco in-uieto. )ensava demais no
filho -ue estava por nascer. Se fosse por ele, desta ve% Fletcher teria ficado em casa.
'odavia, n$o era aconselh0vel desfalcar um grupo, cu2os membros 20 se haviam
adaptado t$o perfeitamente uns aos outros. m novo elemento admitido em cima da
hora n$o se a2ustaria bem ao con2unto. )or isso, *hodan conformou!se com o fato
consumado. &e resto, n$o encontrou -ual-uer outro fator negativo.
11
1s assentos!leitos eram obras!primas de engenharia. &otados de controle
hidropneum0ticos e controladores de n9vel -ue adaptavam o e-uil9brio 8 mais leve
mudança de peso, eram o m0#imo -ue se podia conceber em termos de conforto.
&esde as primeiras naves espaciais -ue se fa%ia -uest$o, absoluta, de -ue os
tripulantes se acomodassem sobre leitos especiais, en-uanto estivessem usando os
pesados tra2es espaciais. As normas de segurança obrigavam os tripulantes a usar,
inclusive, os capacetes pressuri%ados durante o lançamento.
C evidente -ue pe-uenas les/es ocorriam por ve%es, como resultado das
tremendas press/es causadas pela aceleraç$o. 1 caso mais tr0gico e lament0vel
ocorreu -uando da construç$o da primeira estaç$o espacial. m capacete mal
a2ustado provocou fratura da base do cr4nio de um dos tripulantes -uando a
aceleraç$o chegou a
)err7 *hodan nunca usara o tra2e espacial durante a partida e este privilégio
especial ele estendera aos demais membros de sua tripulaç$o. 1s técnicos, porém,
achavam -ue isso era um risco desnecess0rio. A mais leve ruptura da parede e#terna
da nave provocaria uma descompress$o e#plosiva, isto é, uma violenta perda de
press$o. E todos sabiam com -ue facilidade o sangue humano tendia, numa situaç$o
dessas, a entrar em ebuliç$o.
Acontece -ue *hodan sempre tivera uma boa estrela. As naves -ue ele
tripulara nunca haviam sido atingidas por meteoros e nem sofreram -ual-uer dano
em virtude das tremendas forças desencadeadas por ocasi$o da decolagem.
1s -uatro homens estavam estendidos nos leitos, tra2ando seus uniformes
a%uis. 1s pesados e desconfort0veis tra2es espaciais estavam pendurados em suportes,
colocados ao alcance da m$o. Com isso, *hodan livraria seus companheiros de uma
provocaç$o martiri%ante, evitando, também, pe-uenas contus/es e escoriaç/es -ue
poderiam vir a ser dolorosas e, o -ue é pior, um problema a mais.
A .ltima verificaç$o geral havia sido conclu9da. 3em abai#o deles, a mais de
oitenta metros, os técnicos iam se afastando. Acabavam de verificar a regulagem dos
estabili%adores do primeiro est0gio.
1 capit$o 3ell, especialista em eletrônica e em motores de propuls$o nuclear,
precisara de mais algum tempo para a verificaç$o dos instrumentos -ue lhe estavam
afetos, en-uanto -ue *hodan 20 terminara de checar o mecanismo de auto!igniç$o e o
sistema de direç$o por controle remoto.
Fletcher e o &r. Manoli, -ue no momento nada tinham a fa%er, estavam
deitados atr0s dos dois assentos principais. A cabine era muito apertada. Estava
rodeada de in.meros fei#es de cabos, tubulaç/es pl0sticas e painéis de instrumentos.
6ogo abai#o da sala de comando. Vavia uma min.scula sala para repouso com uma
mini!co%inha e instalaç$o sanit0ria. +$o era poss9vel mais espaço do -ue o -ue
haviam conseguido. Estes dois compartimentos ficavam logo abai#o do nari% do
foguete.
Abai#o da cabine de comando e da de repouso, vinha o dep(sito de carga .til,
no -ual guardavam!se as provis/es. 1 espaço abai#o do piso do dep(sito era regi$o
proibida para os tripulantes. 60, ficavam os tan-ues isolados -ue continham
hidrog5nio l9-uido. 6ogo abai#o, estavam as instalaç/es de bombeamento e os
geradores de força. A espessa parede constru9da com uma liga especial indicava o
fim da %ona de segurança. Atr0s dela abrigava!se o reator de plutônio, trabalhando
num ritmo vertiginoso, e as monstruosas c4maras de combust$o com seus condutos
térmicos e v0lvulas de press$o.
A Stardust possu9a um .nico reator principal e -uatro reatores menores -ue
pertenciam ao mecanismo de direç$o. A capacidade de empu#o do mecanismo de
propuls$o chegava a E.E@> toneladas a uma velocidade de radiaç$o de E>.E>@ metros
por segundo.
1 ponteiro de minutos do rel(gio saltou para o mecanismo seguinte. Eram tr5s
horas e um minuto. Faltavam, pois, sessenta segundos para o lançamento.
*hodan voltou a cabeça. 1 movimento tornou!se um pouco dif9cil uma ve%
-ue ele estava literalmente afundado na camada de espuma de borracha -ue revestia
os assentos!leitos.
— 'udo bem com voc5sI — perguntou.
A resposta resumiu!se a um sorriso. 'odos ouviam a vo% mon(tona do
encarregado pela contagem regressiva. 1 .ltimo minuto havia chegado. E, embora
todos eles 20 tivessem in.meras ve%es ironi%ado a-uele paulificante desfilar de
n.meros, desta ve% até isso tinha mudado. A lembrança do reator atômico logo
abai#o deles era como um pesadelo.
— ...de%oito, de%essete, de%esseis, -uin%e...
*hodan apro#imou o microfone dos l0bios.
— Mensagem final da Stardust 8 Central — irrompeu sua vo% pelos alto!
falantes. Era ouvida em toda parte, inclusive no abrigo isolado para a imprensa. —
'udo bem a bordo. Joltaremos a chamar ap(s a e2eç$o do primeiro est0gio. C4mbio
final.
— ...tr5s, dois, um, %ero, se-G5ncia de igniç$o iniciada.
Era a mesma coisa de sempre. Eles sabiam -ue, apesar de todo o cuidado
concernente ao isolamento ac.stico, o corpo do foguete constitu9a!se em um
e#celente corpo de resson4ncia. E nem mesmo a divis$o por est0gios podia alterar
isso.
1uviram o borbulhar e o chiado das turbobombas instaladas embai#o, no
interior do primeiro est0gio. &epois, teve in9cio o ribombar, ainda hesitante, da pré!
igniç$o, seguido imediatamente pelo barulho infernal das subst4ncias -u9micas -ue
reagiam entre si. 1 ,+trietil+borazan, -ue servia de combust9vel, misturou!se com o
0cido n9trico -ue desprendia o o#ig5nio. 1 processo -u9mico teve in9cio, com
monstruosa pot5ncia nas B@ c4maras de combust$o do primeiro est0gio.
As l9nguas de fogo -ue relu%iam numa incandesc5ncia branca, romperam a
escurid$o da noite. 1 uivo da onda de compress$o desencadeado pelo processo de
igniç$o tomou conta do espaço até se perder no trove2ar ensurdecedor do gigantesco
mecanismo de propuls$o.
A Stardust ergueu!se lentamente. U ascens$o tran-Gila, seguiu!se uma série de
movimentos laterais in-uietantes no terço superior da nave. Era o instante mais
cr9tico do lançamento. 'ravava!se, na-uele segundo, a luta entre os dispositivos de
estabili%aç$o e o mecanismo de propuls$o -ue parecia -uerer dese-uilibrar o
gigantesco foguete -ue mal iniciara sua arrancada rumo ao espaço. Mas os dados
fornecidos pelo computador de bordo indicavam -ue a perigosa inclinaç$o 20 havia
sido corrigida.
As e#clamaç/es de entusiasmo dos rep(rteres submergiram no barulho
ensurdecedor. )arecia o fim do mundo. Era um barulho enorme e indescrit9vel -ue s(
poderia ser superado pelo produ%ido pela e#plos$o de um artefato nuclear. +em
mesmo no interior dos abrigos era poss9vel compreender as palavras proferidas.
Muem n$o usasse isoladores no ouvido, via!se condenado temporariamente a uma
surde% absoluta. 1s l0bios se moviam e as m$os transmitiam sinais breves mas n$o se
ouvia uma .nica palavra. E os gestos pareciam revelar um esforço intenso e uma
grande tens$o nervosa.
Afinal, a nave começou a ganhar velocidade e iniciou sua tra2et(ria, como se
estivesse 0vida para entrar no seu elemento. 1 ru9do parecia aumentar aos poucos. A
torrente 9gnea -ue escapava das c4maras de combust$o chicoteava a plataforma com
tremenda f.ria -ue o céu tornou!se de um rubro sangG9neo. "nstantes depois, em
perfeito e-uil9brio, o gigante subia verticalmente até -ue a esteira luminosa -ue o
seguia fosse vista como um débil ponto de lu% -ue aos poucos desaparecia no céu
estrelado.
1uviu!se um estalo vindo dos alto!falantes e o rosto do general )ounder
surgiu na tela.
— A nave espacial Stardust foi lançada e#atamente 8s tr5s horas e dois
minutos, conforme as previs/es — comunicou com vo% calma. — +$o houve
-ual-uer ocorr5ncia e#traordin0ria, tudo correu bem. 1s senhores poder$o ouvir os
comunicados radiofônicos dos pilotos. Falta pouco para a separaç$o do primeiro
est0gio. A aceleraç$o m0#ima final é de N,FH. &entro de tr5s minutos
apro#imadamente a nave Stardust dever0 penetrar no campo alcançado pela estaç$o
orbital. &ali em diante os senhores voltar$o a v5!la nitidamente, podendo
acompanhar a separaç$o do segundo est0gio. Muero salientar mais uma ve% -ue s(
dever$o dei#ar o campo de +evada Fields depois -ue a Stardust tiver pousado na
6ua. Estamos guardando uma surpresa. C s(.
1 general )ounder concluiu com um sorriso.
Jinda do sistema de alto!falantes, ressoou outra vo%, esta, de um dos técnicos.
— Cinco segundos para a separaç$o do n.mero um. Funcionamento perfeito,
nenhum desvio de rumo... dois... um... contato<
1 dispositivo eletrônico reali%ou a operaç$o com incr9vel precis$o. +$o houve
movimento de m$os ou de um dedo se-uer. Apenas olhos febris -ue espreitavam,
nervosos na sala de comando e, contrastando com esta ansiedade, a est(ica paci5ncia
dos rep(rteres.
+os alto!falantes, soou o sinal ac.stico -ue indicava o final da operaç$o. E, de
repente, surgiram dois corpos distintos na tela do radar. +este instante, o sistema de
aterrissagem por controle remoto assumiu o comando do primeiro est0gio, tra%endo!o
de volta ao ch$o.
A tripulaç$o dispunha de um intervalo de oito segundos. 1 computador de
bordo 20 preparava a igniç$o do segundo est0gio.
A vo% de *hodan soou, tran-Gila.
— *hodan falando. +enhum desvio de curso. "ndicaç/es normais, vibraç/es
dentro dos limites normais. 'ripulaç$o pronta para igniç$o do segundo est0gio.
C4mbio final.
Era tudo o -ue tinha a di%er e o bastante para os cientistas e supervisores da
estaç$o situada na 'erra. )rosseguindo sem -ual-uer força propulsora, a Stardust
precipitava!se em direç$o ao va%io do espaço. *hodan lançou um r0pido olhar ao
redor de si. 'udo parecia em ordem para o capit$o 3ell: Fletcher e Manoli também
tinham suportado muito bem a força de N,FH.
Agora era a ve% do mecanismo de propuls$o atômica do segundo est0gio.
*hodan sentiu a palma das m$os .midas, mas seus sentidos e#perimentados n$o
registraram -ual-uer ru9do anormal. *einava o mais absoluto sil5ncio.
Subitamente veio um arran-ue violento acompanhado de um uivo estridente
-ue parecia invadir todas as moléculas do material de -ue era feito a nave. Mais uma
ve%, o corpo do foguete funcionou como c4mara de resson4ncia.
&epois de alguns instantes, a aceleraç$o subiu para ? H. Com isso, teve in9cio
a tremenda sobrecarga imposta ao organismo dos tripulantes mal refeitos do primeiro
esforço.
*hodan sentiu o efeito do poderoso medicamento destinado a regular a
circulaç$o. )or en-uanto o organismo estava suportando a provaç$o, apenas a
respiraç$o transformara!se em verdadeiro mart9rio. "ncapa% de mover um dedo, fitou,
com os olhos embaçados, os painéis de controle situados em sua frente. 1s sete
segundos decorridos até o momento em -ue a tremenda press$o fosse redu%ida ao
valor normal de E H pareceram uma eternidade. 'ratava!se de uma pausa para
recuperaç$o, fi#ada com base em c0lculos e#atos, nos -uais se considerava a enorme
pot5ncia do sistema de propuls$o.
Com a vo% rouca, *hodan gritou um tudo bem< e a resposta -ue se seguiu foi,
para ele, inintelig9vel. Ap(s isso, veio o segundo intervalo de aceleraç$o do est0gio
n.mero dois. Ainda n$o estava esgotada a reserva de combust9vel.
'r5s segundos depois da segunda igniç$o foi ultrapassada a velocidade de
deslocamento da 'erra. 1s indicadores dos veloc9metros indicavam EE,A -uilômetros
por segundo.
1s reatores do segundo est0gio se e#tinguiram a uma velocidade de @>
-uilômetros por segundo. +ovamente a separaç$o se reali%ou de modo s.bito, sem a
menor transiç$o de tal modo -ue a aus5ncia de gravidade -ue se seguiu produ%iu o
efeito de uma tremenda martelada. 1s tripulantes sentiram!se impelidos para cima.
ma força selvagem parecia comprimir seus corpos contra os cintos -ue os prendiam
nos leitos.
)or alguns instantes, *hodan perdeu a consci5ncia. Muando voltou a abrir os
olhos, viu, através da vermelhid$o -ue parecia envolv5!lo, -ue 20 se encontravam no
espaço e#terior.
A correç$o de rumo 20 tinha sido levada a efeito. 3em atr0s deles, o segundo
est0gio, -ue 20 podia ser visto nas telas, estava sendo condu%ido para o curso de
retorno pelo controle de 'erra. A essa altura, a Stardust 20 ultrapassara a (rbita da
estaç$o espacial. )rosseguindo em velocidade constante, encontrava!se a F.@A>
-uilômetros acima da superf9cie da 'erra.
Agora dispunham de alguns minutos de descanso. 'eoricamente a velocidade
da nave, no momento, devia ser suficiente para liber0!la em definitivo da aç$o da
gravidade terrestre. Ainda segundo a teoria, estaria em condiç$o de atingir -ual-uer
ponto do universo independentemente de -ual-uer propuls$o.
'odavia, um enorme abismo separa a teoria da pr0tica. A gravidade da 'erra
tinha sido superada, mas a 'erra ainda se fa%ia sentir, influenciando o vôo da
espaçonave. Além disso, o simples prosseguimento da viagem n$o bastava. Ainda
tinham -ue ser reali%adas in.meras manobras, para as -uais a essa altura n$o se
dispunha de dados precisos. 1s desvios de rota, por 9nfimos -ue fossem, tinham sido
calculados e corrigidos. E também era necess0rio corrigir diferenças ainda menores
nos valores!limites te(ricos da velocidade, -ue, ultimamente, tinham causado
dificuldades por ocasi$o das manobras de apro#imaç$o.
1 leito de *hodan dobrou!se, formando uma macia poltrona. 1 painel de
instrumentos acompanhou o movimento, ficando, agora, em frente a ele, e n$o acima.
Foi uma sensaç$o de al9vio.
*eginald 3ell recuperou!se com e#press/es menos soci0veis. 1 capit$o
Fletcher fe% ouvir uma tosse 0spera e seca. +os cantos da sua boca havia sangue
coagulado.
— Foi duro, muito mais duro -ue das outras ve%es — disse *hodan com vo%
grave. — +os .ltimos segundos, levaram!nos a EA,B H. Com isso, atravessamos o
perigoso cintur$o de radiaç$o. 1 -ue houve com voc5, FletcherI
Fletcher estava p0lido. Seu rosto bochechudo perdera as cores sadias. Apenas
o brilho do seu cabelo continuava inalterado. E, torcendo os l0bios num gesto triste,
gemeuK
— C o diabo. Seria bom -ue eu descesse antes de fa%er mais tolices. Com = H
ainda estava com a ponta da l9ngua entre os dentes. Foi uma estupide%. A primeira
coisa -ue se ensina a -ual-uer aluno da academia é -ue deve abster!se de gestos
dessa espécie. 6ogo eu...
Ao concluir, encolheu os ombros. Seu rosto contorcia!se de dor. *hodan
lançou!lhe um olhar perscrutador. E disfarçou a e#press$o indagadora com um
sorriso frio.
As solas magnéticas das botas de 3ell estavam na chapa met0lica do piso.
Cambaleando, lutava para e-uilibrar!se. En-uanto o sistema de propuls$o da Stardust
estivesse parado, n$o tinham peso. Sem di%er uma palavra, venceu os poucos passos
-ue o separavam de Manoli, erguendo e voltando a colocar no piso as solas
magnéticas com movimentos pesados. &epois de segurar ligeiramente o pulso de
Manoli, fe% um sinal de al9vio.
— Est0 bem — disse laconicamente. — 6ogo estar0 de volta. 1 pulso trabalha
-ue nem um mecanismo de rel(gio. Mostre a l9ngua, Fletcher. Jamos logo< Abra a
boca<
m filete de sangue escorreu!lhe por entre os l0bios. Era problema para o &r.
Manoli.
1 comandante girou para a direita o regulador de volume e os sons confusos
do r0dio tornaram!se aud9veis. En-uanto isso, o &r. Manoli se recuperava. *hodan
ouviu o leve chiado do mecanismo hidropneum0tico. 1 leito de Manoli transformou!
se em poltrona e alguns instantes depois, ele estava de pé ao lado de Fletcher.
— Mue sorte< — disse o médico. — +$o chegou a cortar a l9ngua, foi apenas
um ferimento -uase superficial. )reciso de uns de% minutos. C poss9velI
— C. )ode começar, doutor. 3ell, registre na fita magnética os .ltimos valores
do computador central. Muero um c0lculo de controle. Jamos adiar as etapas
seguintes por do%e minutos. Avise!me logo -ue terminar. )oderemos compensar a
perda de tempo com -uatro segundos de pot5ncia total.
Alguns instantes depois, o rosto de *hodan apareceu na tela da estaç$o da
'erra. )ounder, -ue estava de pé diante do microfone, nervoso e in-uieto, respirou
aliviado.
— Stardust para +evada Fields — soou a vo% forte e clara na sala da Central
de Comando. — 1 capit$o Fletcher sofreu um ferimento leve. Mordeu a l9ngua.
Manoli est0 estancando o sangue. 1 ferimento poder0 ser tratado com e#trato de
plasma. )reciso de um adiamento de do%e minutos. C4mbio.
)ounder ergueu!se. Seu olhar lançado em direç$o ao professor 6ehmann disse
tudo. 1 cientista confirmou com ligeiro aceno de cabeça. Era perfeitamente poss9vel.
Vavia uma margem de segurança prevenindo contra incidentes inesperados como
esse.
1 computador começou a trabalhar. Alguns segundos depois, os valores
corrigidos estavam dispon9veis. Foram transmitidos automaticamente para a Stardust
por meio de uma antena direcional especial. 1 painel iluminou!se diante do capit$o
3ell. As calculadoras autom0ticas da nave, pe-uenas mas eficientes, acusaram o
recebimento. )ara todos os efeitos, num instante foram inutili%ados os resultados de
uma série enorme de c0lculos. +ovas cifras cru%aram o espaço e, em poucos
segundos, um plano de vôo foi inutili%ado e convertido em valores inteiramente
novos.
1s dedos de 3ell martelaram o teclado para registrar os dados recebidos.
*hodan transmitiu as informaç/es de rotina relativas a radiaç/es, resultados das
mediaç/es, temperatura, press$o da cabine e estado de sa.de dos tripulantes.
Manoli n$o gastou mais -ue on%e minutos para colocar Fletcher em condiç/es.
1s pe-uenos pontos estavam praticamente invis9veis.
Fletcher olhou, encabulado, para os companheiros.
— &a pr(#ima ve%, use o dedo, neném — disse *hodan. — Ele agGenta mais
-ue a l9ngua.
1s encostos das poltronas voltaram a inclinar!se para tr0s. 6ogo ap(s teve
in9cio a m.sica assombrosa da-uele mecanismo, cu2o funcionamento ainda
encaravam com receio e e#pectativa.
Era o mecanismo de propuls$o nuclear -ue, no segundo est0gio, revelara um
funcionamento e#celente em id5nticas condiç/es.
Joltou!se a ouvir o ronco selvagem e sentiu!se o solavanco pesado. A
aceleraç$o, porém, s( subiu para @,EH. "sso n$o causou -ual-uer dificuldade para
*hodan e sua tripulaç$o.
Seguida por um raio chame2ante de hidrog5nio a-uecido a uma temperatura
elevad9ssima, a nave foi impulsionada numa velocidade vertiginosa para as
profunde%as do espaço.
ma ve% superados totalmente os problemas da decolagem, surgiram as
dificuldades mais sérias de uma viagem espacial.
*hodan ouviu o barulho retumbante, agora uniforme, emitido pelo mecanismo
de propuls$o atômica. A chama branco!a%ulada, suspensa no espaço va%io, seguia de
perto a nave. *esultava da combust$o do hidrog5nio l9-uido, submetido a um
processo de e#pans$o forçada na c4mara a-uecida pela energia atômica.
1 abastecimento do reator seria suficiente para mais de um ano. 'odavia, era
necess0rio ter cautela com o elemento irradiante. A reserva dele era limitada. ma
ve% esgotados os tan-ues, n$o havia mais nenhum elemento -ue pudesse ser e#pelido
da c4mara de combust$o. &essa forma, até mesmo o mais eficiente dos reatores se
tornaria in.til.
*espirando pesadamente no seu leito, en-uanto transmitia a intervalos
regulares seus breves comunicados para os receptores da estaç$o espacial, *hodan
pensava nesse mecanismo propulsor, maravilhoso mas ainda primitivo.
)or en-uanto, o empu#o s( podia ser obtido indiretamente através do
elemento intermedi0rio formador do 2ato de propuls$o. Ser0 -ue um dia o homem
conseguiria construir um mecanismo propulsor atômico puroI Seria um motor
superpotente, cu2o limite de velocidade ficaria situado perto da velocidade da lu%.
Com grande esforço, *hodan torceu os l0bios. Sentia vontade de rir. Ao -ue
parecia, *eginald 3ell entretinha pensamentos semelhantes. Subitamente, gemeuK
— Duro -ue para os her(is de romance tudo é mais simples. Eles n$o t5m o
problema da compress$o provocada pelo impulso da nave, e nunca mordem a pr(pria
l9ngua. Como vai, FletcherI Ser0 -ue voc5 agGentaI Jai demorar mais alguns
minutos. &a-ui a cinco segundos subimos para ?,BH. 'udo bemI
— 'udo bem — fungou o gigante pelo intercomunicador. +os fones de
ouvido percebia!se a sua respiraç$o ruidosa. — 'udo bem. Santo &eus, estamos a
caminho. m dia contarei a meu filho. Seus olhos ser$o redondos e brilhantes -ue
nem bolinhas de m0rmore polido.
Fletcher ficou calado. Sentia um cansaço profundo. S( mesmo uma pessoa de
organismo resistente, bem treinada, conseguiria falar claramente a um n9vel de
compress$o ligeiramente superior a @ H. E, embora todos os tripulantes fossem
capa%es disso, o &r. Manoli abriu m$o da oportunidade. Em compensaç$o, deu
mostras dos seus sentimentos através da sombra de um sorriso suave.
Estavam a caminho. A decolagem ficara para tr0s. 1 -ue estava por vir
dependeria da capacidade de racioc9nio e de reaç/es e#tremamente r0pidas. As forças
de compress$o, horr9veis mas inevit0veis, estavam praticamente superadas. Vaviam
dei#ado para tr0s a 'erra, a-uela gigantesca bola verde!a%ulada -ue se afastava
lentamente. )odiam sentir!se superiores 8 vida ligada 8 'erra: no momento essa
sensaç$o ainda os dominava.
S( a mente cristalina de *hodan n$o acompanhou esse sentimento. +inguém
percebeu o brilho desconfiado dos seus olhos. Ainda n$o tinham chegado. Ainda n$o
tinham pousado na 6ua. E ainda n$o estavam preparados para a volta 8 'erra. &esta
ve%, o programa n$o previa apenas um contorno relativamente seguro da 6ua, mas
um pouso e#tremamente dif9cil no satélite da 'erra.
111
Até )err7 *hodan mostrou!se cauteloso. 6ogo ap(s os pesados intervalos de
compress$o resultante da manobra de desaceleraç$o mandou -ue os membros da
tripulaç$o colocassem os tra2es espaciais. A essa altura, a Stardust 20 entrara em
(rbita lunar preestabelecida a uma velocidade de cerca de F,A -uilômetros por
segundo, -ue poderia ser facilmente neutrali%ada.
1s homens obedeceram em sil5ncio. En-uanto o controle remoto e#ercido
pelo computador da estaç$o espacial impelia a espaçonave para (rbitas cada ve% mais
redu%idas em torno da 6ua, os -uatro colocaram a vestimenta -ue, apesar de leve,
apresentava um aspecto monstruoso. Eram tra2es de proteç$o supermodernos.
Vermeticamente fechados, resistiam perfeitamente a press/es imensas. &ispunham
de suprimento pr(prio de energia, controle de temperatura, abastecimento de
o#ig5nio e capacetes circulares feitos de pl0stico transparente, cu2a resist5ncia
igualava a do aço.
*hodan chegara a ordenar -ue os capacetes transparentes fossem fechados. S(
as v0lvulas situadas do lado es-uerdo e direito do c9rculo de engate permaneciam
abertas, para -ue os homens pudessem continuar a respirar o ar da cabine. 1
dispositivo autom0tico embutido fecharia essas v0lvulas t$o logo a press$o e#terior
bai#asse além do normal. Com isso, *hodan fi%era tudo -ue estava ao seu alcance
para redu%ir ao m9nimo as possibilidades de um acidente.
A Stardust prosseguia seu caminho com a popa para a frente de modo -ue os
reatores de propuls$o pudessem funcionar em sentido contr0rio ao seu deslocamento.
A tra2et(ria estendia!se de um p(lo a outro. &essa forma, a nave ficava fora do
alcance do controle remoto toda ve% -ue mergulhava atr0s da 6ua, penetrando na 0rea
inating9vel para os sinais de r0dio emitidos pela estaç$o espacial. +essas
oportunidades, a direç$o ficava a cargo do dispositivo autom0tico de bordo. &epois
de percorridas cinco (rbitas el9pticas completas, a desaceleraç$o seria suficiente para
permitir o pouso na superf9cie lunar.
A -uinta (rbita fora iniciada. 1 Sol se erguera do lado vis9vel do satélite,
dando in9cio a um dos longos dias lunares. Sessenta por cento do hemisfério vis9vel
20 estavam mergulhados na escurid$o.
Somente os aparelhos de radar proporcionavam um -uadro n9tido da superf9cie
lunar. Esta, pouco se diferençava da superf9cie vis9vel, fato 20 perfeitamente
conhecido. +esse ponto, a 6ua 20 n$o se constitu9a um mistério.
&epois de algum tempo, voltaram a emergir da sombra lunar. A altitude em
-ue se encontravam n$o ultrapassava noventa -uilômetros e a velocidade fora
redu%ida para @,F -uilômetros por segundo.
1 piloto autom0tico emitiu um silvo agudo. A nave estava sendo atingida
novamente pelos poderosos raios direcionais da estaç$o espacial. 1 computador
central da Stardust recebeu novas instruç/es e o capit$o 3ell estabeleceu contato para
a interpretaç$o.
+a tela, a nave era representada por um ponto verde. &esli%ava e#atamente
pela linha previamente traçada, -ue correspondia 8 tra2et(ria de apro#imaç$o. 1 final
da linha situava!se 2unto ao p(lo sul lunar, perto da cratera +eRcomb. A 0rea de
alunissagem estava representada por um c9rculo vermelho. Era um terreno
relativamente plano, rochoso, -ue devia proporcionar apoio firme 8 nave.
1s tripulantes podiam ouvir claramente a vo% do chefe do programa com a
mesma clare%a com -ue ouviam o piloto autom0tico registrar os impulsos direcionais.
Vavia pausas de alguns segundos entre um comunicado e outro devido a grande
dist4ncia -ue separava a nave da Central de Controle.
A Stardust chegou 8 margem ocidental do *are ,ubium em velocidade ainda
elevada. "mediatamente 8 frente, estava a cratera ;alter. Estavam perto da 0rea de
pouso.
— Controle de terra. Heneral )ounder falando — ouviu!se a vo% pelo alto!
falante em meio a algumas interfer5ncias. — A nave atingir0 o ponto de invers$o do
curso dentro de =@ segundos. +a emiss$o do impulso ser0 considerada a dist4ncia a
ser vencida pelas ondas de r0dio. )or ora desligaremos para evitar perturbaç/es. A
imagem da nave na tela de radar est0 bem n9tida. *ecepç$o boa, -uase sem
interfer5ncias. )iloto autom0tico em funcionamento.
Jamos coloc0!los no solo lunar s$os e salvos. Comecem a estender os
suportes de alunissagem. )eço comunicar a e#ecuç$o desta instruç$o. Entraremos em
contato ap(s o pouso. 3oa sorte. C4mbio final.
*hodan empurrou uma pe-uena alavanca. 1s -uatro suportes telesc(picos da
nave estenderam!se, separando!se do corpo da nave num 4ngulo de -uase -uarenta e
cinco graus. 1 mecanismo hidr0ulico afastava, cada ve% mais, as longas pernas e nas
e#tremidades inferiores destas, desdobraram!se placas, cu2a superf9cie de contato era
de -uatro metros -uadrados.
)ouco depois, a Stardust atingiu o ponto de pouso, seguindo, ainda, a linha de
deslocamento traçada no mapa. Alguns desvios ligeiros tinham sido prontamente
corrigidos.
— 'udo pronto. Aguardamos contato — disse 3ell com vo% arrastada. Era o
momento decisivo, do -ual dependia o sucesso do pouso.
Subitamente, sem -ual-uer outro preparativo, ouviu!se o ru9do estridente do
piloto autom0tico. 1 impulso havia chegado com e#atid$o infinitesimal.
1 mecanismo de propuls$o do foguete emitiu um ru9do ensurdecedor. Era um
empu#o de desaceleraç$o breve, mas e#tremamente violento, -ue, com seus E@ H,
eliminou cerca de cin-Genta por cento da velocidade da nave.
)assado o cho-ue e iniciada a pausa para correç$o de descida, os homens
respiraram fundo, mais refeitos do novo golpe. +o pr(#imo empu#o de frenagem
teria -ue ser reali%ada a correç$o de curso de sessenta graus e, logo depois, o
posicionamento vertical dos reatores de popa em relaç$o 8 superf9cie lunar. +essa
oportunidade, a nave teria -ue se encontrar e#atamente acima da 0rea de pouso.
&evia descer sobre o 2ato por ela e#pelido com valor de empu#o perfeitamente
dosado. A velocidade final da -ueda n$o poderia ultrapassar -uatro metros por
segundo.
1s dados passavam como rel4mpagos pelo cérebro de *hodan. 'udo parecera
e#tremamente simples e f0cil. Agora, deitado no interior da-uele mecanismo sens9vel
e fr0gil, pôde visuali%ar as imensas dificuldades -ue ainda estavam por vir.
A Stardust começou a cair numa tra2et(ria parab(lica -ue formava um 4ngulo
bem aberto com a superf9cie lunar. A gravidade da 6ua fa%ia!se sentir mais
intensamente. Estava na hora de modificar o curso. 1s reatores da c4mara de
combust$o n$o podiam permanecer em posiç$o hori%ontal: tinham -ue ser dirigidos
para bai#o. A nave ca9a de lado, como uma t0bua, e por si s( n$o poderia efetuar a
correç$o necess0ria, colocando o mecanismo de propuls$o na posiç$o e#ata.
— Menos tr5s segundos... dois... um... contato — e#clamou a vo% cansada de
3ell.
S-(23/A PA$*-
A 1nter0er4ncia
1
1 contato veio. 1s ru9dos -ue o seguiram irromperam pelos amplificadores
como uma torrente de 0gua. 1s silvos e#tremamente agudos pareciam arrebentar os
ouvidos dos tripulantes sobressaltados. )or uma fraç$o de segundo, 3ell olhou para
frente sem nada compreender. &epois, seu rosto largo contorceu!se numa careta de
p4nico.
*hodan enri2eceu os m.sculos e permaneceu absolutamente im(vel. ma ve%
superado o tremendo golpe, ele reagiu com a rapide% do raio. Com um estalo, sua
m$o direita ligou a chave reservada para situaç/es de acidente. As fitas magneti%adas
prenderam os homens aos assentos -ue se dobraram para tr0s.
'odos os membros da tripulaç$o ouviram o estridente sinal de alarme emitido
pelo dispositivo autom0tico. 1 computador da nave informava de forte interfer5ncia.
As l4mpadas -ue se acendiam demonstravam -ue o impulso de invers$o de curso,
emitido pela estaç$o de controle da 'erra, n$o havia chegado 8 nave. E o computador
acusara, de imediato, os graves riscos -ue a miss$o corria.
As lu%es dos diagramas se acenderam automaticamente e sem a menor
incorreç$o.
— &esvio — gritou 3ell fora de si. — +$o chegou nenhum impulso de
igniç$o. Estamos caindo para além do ponto de alunissagem. As interfer5ncias est$o
impedindo a recepç$o dos impulsos de controle central. S$o transmitidos e#atamente
na nossa fre-G5ncia< &e onde vir$oI
*hodan n$o perdeu tempo para pensar. A superf9cie lunar, iluminada pelo sol
nascente, apro#imava!se em velocidade vertiginosa. *apidamente, ele desligou a
chave geral, interrompendo todos os contatos com a 'erra. 1 uivo demon9aco dos
instrumentos terminou. Cessou repentinamente, como se nunca tivesse e#istido. ma
campainha começou a emitir um som estridente. ma vo% gravada em fita do
dispositivo central de direç$o fa%!se ouvirK
— Computador eletrônico central assume procedimentos autom0ticos para
pouso. C0lculos sendo e#ecutados. Completos. "niciaremos a alunissagem. "mpulso
de emerg5ncia MM*WM sendo condu%idos com intensidade m0#ima para canal EO.
"niciando alunissagem.
Era o -ue algum técnico tinha gravado na fita antes do lançamento. Contudo, a
intenç$o -ue todos tinham de pousar, diferia completamente da situaç$o -ue estava
ocorrendo.
Em um gesto desesperado, tratavam de fa%er a nave descer de -ual-uer
maneira. +a-uela altura, 20 n$o era mais poss9vel arremeter e iniciar o caminho de
retorno. A superf9cie lunar estava muito pr(#ima e a velocidade da -ueda voltaria a
subir para mais dois -uilômetros por segundo. +essas condiç/es, a indispens0vel
mudança de direç$o teria consumido tempo demais. 'ratava!se de um pouso de
emerg5ncia -ue teria -ue ser reali%ado fossem -uais fossem as circunst4ncias. )ouco
importava -ue abai#o da popa flame2ante se estendesse uma plan9cie ou se erguesse a
encosta de uma cratera de rochas agudas e pared/es 9ngremes.
1 mecanismo de propuls$o entrou em funcionamento. 1s dispositivos fi%eram
a nave girar com tamanha rapide% -ue ela assumiu imediatamente a posiç$o vertical.
A proa pontuda apontava para o céu absolutamente escuro -ue na 6ua, desprovido de
atmosfera, se identificava com o espaço sideral. Alguém gritou alguma coisa.
+inguém sabia -uem.
*hodan n$o deu ordens 8 tripulaç$o. +$o faria nenhum sentido. +uma
situaç$o como a-uela, nenhum homem poderia fa%er -ual-uer coisa, nem mesmo ele,
-ue reagira imediatamente. 1s c0lculos e as manobras necess0rias s( podiam ser
feitos pelos computadores. 1 cérebro humano n$o funcionaria com tamanha
velocidade, mais ainda numa situaç$o angustiante como a-uela.
A encosta recortada de uma cratera surgiu na tela -ue estava acoplada ao
dispositivo -ue captava as imagens do e#terior da nave. As paredes da cratera
estavam iluminadas pelo 2ato incandescente e#pelido pela c4mara de combust$o.
3ell gritou alguma coisa. E era de admirar -ue com EO H de press$o ainda
conseguisse emitir algum som.
1uviram!se, ent$o, fortes ru9dos abafados. m novo solavanco afundou!os nas
camas pneum0ticas. A estrutura da nave rangeu como se fosse partir ao meio e
algumas cone#/es e instrumentos se -uebraram. 6ogo, seguiram!se vibraç/es e
sacudidelas intensas. Mas, antes -ue as oscilaç/es da nave cessassem, fe%!se um
sil5ncio t$o profundo e repentino -ue os sentidos puseram!se em alerta. 1 barulho
feito pelos suportes de alunissagem também havia cessado e o indicador pendular
indicava -ue a nave estava em posiç$o vertical. ma l4mpada verde, acima de
*hodan, brilhava sem cintilaç/es, emitindo uma lu% tran-Gila e constante. Em meio
ao sil5ncio, ouviu!se uma estridente e histérica gargalhada.
— Capit$o Fletcher<
*hodan n$o falou alto, mas sua vo% tinha algo de cortante. 1s sons agudos
cessaram. Muando Fletcher se calou, as linhas duras do rosto de *hodan se
descontra9ram. +os olhos do comandante surgiu uma e#press$o calma.
— Est0 bem, Fletcher, es-ueça<
A l4mpada verde brilhava e por meio dela o computador central transmitia um
sinal silencioso. A nave estava de pé e, aparentemente, sem maiores avarias.
3ell e#ibia um sorriso de espanto. )arecia recusar!se a crer no -ue acontecia.
1 &r. Manoli ficou, como sempre, calado. 1s olhos negros davam vida ao rosto
p0lido. )areciam indagar.
*hodan causaria, ainda, um cho-ue aos tripulantes. +aturalmente, eles
esperavam alguma observaç$o sobre o pouso de emerg5ncia bem sucedido. Seria um
procedimento (bvio. Mual-uer homem normal teria reagido dessa forma, nem -ue
fosse apenas por meio de um breve suspiro de al9vio. Era de se esperar -ue surgisse
alguma atitude relacionada com a ang.stia terr9vel dos .ltimos instantes. Mas
*hodan reagiu de outra formaK
— Fletcher, voc5 vai fa%er o favor de verificar imediatamente a locali%aç$o da
emissora desconhecida -ue provocou a interfer5ncia. 1s dados est$o gravados nas
fitas magnéticas do computador central. Muero ver se voc5 é bom mesmo em
matem0tica<
E nada mais disse.
11
1 nome do homen%inho viva% -ue e#ibia um rosto 2ovial sob a calva enorme
era Allan &. Mercant. Era sempre f0cil reconhec5!lo graças 8 fai#a de cabelos -ue lhe
circundava a cabeça e cu2o tom castanho!dourado era interrompido por algumas
mechas grisalhas nas t5mporas.
Allan &. Mercant era uma criatura pacata: uma dessas almas piedosas -ue
retiram minhocas e insetos das alamedas de um 2ardim para evitar -ue se2am pisados.
Mas essa fragilidade aparente era apenas no -ue di%ia respeito 8 sua vida 9ntima. +o
-ue concernia ao aspecto funcional, ele era o homem!forte, a emin5ncia parda do
Conselho "nternacional de &efesa, -ue trabalhava em estreita colaboraç$o com os
organismos de defesa e serviços secretos do 1cidente. A 1'A+ supervisionara a
criaç$o do Conselho "nternacional de &efesa dando!lhe a denominaç$o oficial de
Ag5ncia de "nformaç$o e Segurança. Assim, Mercant estava subordinado diretamente
ao alto!comando da 1'A+.
Muando ele entrou no sal$o de confer5ncias em companhia de um homem de
meia!idade, o ru9do abafado das conversas parou.
1 general )ounder, chefe da Força Espacial, fe% as apresentaç/es. 'ratava!se
de uma reuni$o secreta -ue estava sendo reali%ada no prédio da Administraç$o
+acional de Aeron0utica e Espaço — +ASA — em ;ashington.
Allan &. Mercant n$o tomou o tempo dos presentes com rodeios. 1 rosto
2uvenil e moreno, encimado pela testa larga, era am0vel e muito simp0tico. Apontou
para uma pilha de 2ornais -ue se via numa das e#tremidades da mesa.
— Cavalheiros, acho -ue n$o h0 mais necessidade de conversarmos a respeito
da causa destas not9cias. Compreendo, general, -ue lhe tenha sido imposs9vel manter
os rep(rteres indefinidamente em +evada Fields. &e -ual-uer maneira, recebemos
um n.mero consider0vel de cr9ticas, algumas em termos bastante enérgicos, mas
creio -ue o coronel Xaats tenha conseguido contornar as mesmas, solucionando!as a
contento.
1 homem de meia!idade -ue estava a seu lado confirmou com um aceno de
cabeça. 1 coronel Xaats era da )ol9cia Federal e e#ercia as funç/es de chefe da
&ivis$o Especial de &efesa "nterna.
— Algumas not9cias veiculadas pelos 2ornais e pela televis$o s$o bastante
in-uietantes. Segundo estas fontes, a Stardust n$o desapareceu, apenas, mas caiu
sobre a superf9cie da 6ua. Us ve%es, as not9cias s$o t$o ricas em pormenores -ue n$o
podemos dei#ar de nos perguntar até onde elas s$o verdadeiras. As fontes destas
informaç/es nos parecem o ponto de maior import4ncia. Faço estas consideraç/es
apenas para situ0!los com maior perfeiç$o dentro de todo o problema. E posso
adiantar -ue 20 começamos a investigar com o maior cuidado.
Mercant olhou pensativo seu rel(gio, antes de prosseguir.
— 1 fato é -ue a nave Stardust est0 desaparecida h0 mais de vinte e -uatro
horas. )or en-uanto, preferimos considerar a idéia de simples desaparecimento, o -ue
nos dei#a, ainda, com uma pontinha de esperanças. 1 ponto -ue me interessa é a
opini$o dos senhores sobre os editoriais de alguns dos 2ornais de maior circulaç$o,
nos -uais se afirma, clara e e#pressamente, -ue teria sido recebida uma mensagem de
socorro procedente da nave espacial. 'eria sido o sinal MM*WM -ue, no c(digo da
Força Espacial, designa um ata-ue, uma perturbaç$o proposital do controle remoto e
a imin5ncia de uma -ueda. Caso isto tenha ocorrido, peço -ue me se2am fornecidos
dados completos.
Allan &. Mercant cumprimentou os presentes com um gesto am0vel e sentou!
se.
Com um movimento cansado, o rosto marcado por rugas de preocupaç$o, o
general )ounder levantou!se. Sua vo% parecia fraca e era indisfarç0vel um tom de
desapontamento.
— 1 senhor tem ra%$o. 1 sinal MM*WM designa esses conceitos. +$o
sabemos, ainda, como certos rep(rteres conseguiram o c(digo. )edi provid5ncias ao
nosso setor de segurança mas, até agora, n$o tivemos -ual-uer resposta. A recepç$o
do sinal, porém, n$o tem nada de misterioso. Algumas das maiores estaç/es de
rastreamento estavam com suas antenas apontadas para o p(lo sul lunar e t9nhamos
pedido, também, o au#9lio dos maiores observat(rios do mundo. C bastante vi0vel
-ue algo tenha transpirado, o -ue, evidentemente, n$o e#plica o conhecimento do
c(digo por parte de alguns dos 2ornalistas presentes 8 base. C tudo o -ue tenho para
informar.
— Es-ueçamos, por en-uanto, estes fatos. Hostar9amos de saber o -ue
aconteceu, realmente, com a nave. Admite a possibilidade de uma interfer5ncia
consciente e proposital nas mensagens do controle centralI )elo -ue eu soube, por
intermédio de peritos no assunto, isso s( seria poss9vel por meio de um emissor
colocado na 6ua.
)ounder inclinou a cabeça. +os seus olhos cintilou um refle#o de raiva
impotente.
— )or mais absurdo -ue possa parecer, é isso mesmo. +$o h0 -ual-uer outra
possibilidade. Fi%emos, nas .ltimas vinte e -uatro horas, uma verificaç$o detalhada e
completa de toda a nossa aparelhagem. E e#clu9mos completamente a eventualidade
de uma falha em nossos e-uipamentos. Segundo, também, uma an0lise acurada dos
fatos, chegamos a duas conclus/es.
)ounder tirou um lenço e en#ugou o suor da testa. *espirando pesadamente,
prosseguiuK
— 1 ma2or *hodan pode ter dado um sinal codificado errôneo, ou ent$o os
receptores da nave foram danificados com a forte interfer5ncia. +o -ue di% respeito
ao ma2or *hodan, achamos imposs9vel -ue um homem com as -ualificaç/es do
ma2or possa ter cometido um erro t$o absurdo. 1 senhor sabe -ue ele é considerado o
mais e#perimentado piloto de provas e cosmonauta de nosso pa9s. Além disso, os
c0lculos efetuados provam -ue no momento decisivo, o foguete escapou ao controle
de terra. Considerando o 4ngulo da -ueda, a gravidade lunar e o peso da nave, esta
deve ter tocado o solo a cerca de sessenta ou setenta -uilômetros da regi$o polar. C
bastante prov0vel -ue tenha reali%ado um pouso de emerg5ncia sem maiores danos.
Embora n$o possamos dei#ar de admitir a possibilidade de ter havido perda total.
Muem sabeI
1s olhos de Mercant, antes l9mpidos, tornaram!se sombrios. 1 coronel Xaats
pigarreou discretamente. 1s dados conferiam com a-ueles coletados pelo serviço de
defesa.
— Admitamos, general apenas admitamos -ue o e-uipamento de bordo tenha
sido avariado por força de uma interfer5ncia muito forte. Mual a conclus$o -ue
devemos tirar dissoI — disse Mercant, falando devagar.
)ounder pareceu perturbar!se com a pergunta. Seu rosto p0lido tornou!se
-uase rubro.
— )elas informaç/es recebidas, senhor, um foguete da Federaç$o Asi0tica
teria subido ao espaço 2untamente com a Stardust.
Se esta nave atingiu a 6ua antes da nossa, e se pousou no mesmo local
previsto para a alunissagem desta .ltima, pode ter reali%ado uma interfer5ncia bem
sucedida na mesma fre-G5ncia por n(s utili%ada.
— 1 senhor acha -ue uma operaç$o como esta pressup/e conhecimentos
muito detalhados por parte dessa genteI — perguntou Xaats incrédulo.
— C claro -ue sim< — e#clamou )ounder irritado. — Acho -ue cabe ao
serviço secreto esclarecer este ponto. Sou especialista em naves espaciais, coronel,
todavia -uero ressaltar -ue uma interfer5ncia como a -ue foi feita nas nossas
emiss/es s( pode ter sido reali%ada por um transmissor colocado na 6ua, se é -ue a
nave recebeu um ata-ue deste tipo. E h0 bastante ra%$o para se crer nesta
possibilidade. +(s operamos o transmissor mais potente do mundo. Se alguém
tentasse uma interfer5ncia partindo da 'erra, ainda assim nossos sinais teriam
chegado 8 Stardust. S( mesmo um transmissor colocado na superf9cie lunar poderia
conseguir interferir com sucesso nas nossas transmiss/es.
)ounder sentou!se com um movimento brusco. )arecia esgotado.
Mercant fitou!o sem proferir uma palavra. Estava com a testa fran%ida.
— A &efesa "nternacional cuidar0 do caso — decidiu. — +$o demoraremos a
saber se o comandante da Stardust cometeu algum engano lament0vel ou se houve
interfer5ncia de interesses estranhos. +$o seria vi0vel admitir a idéia de, por
e#emplo, uma falha no e-uipamento de bordo da naveI
1 professor 6ehmann ergueu a cabeça estreita. )arecia procurar as palavras
mais ade-uadas. &epois, disse, indignadoK
— A Stardust n$o apresentou -ual-uer defeito. Seu mecanismo funcionou
perfeitamente. +o momento n$o posso apresentar os dados -ue disponho para
comprovar o -ue digo. S( esperamos -ue a tripulaç$o entre em contato conosco. Se
os homens chegaram ao solo lunar s$os e salvos, *hodan encontrar0 um meio. 1s
receptores da nossa estaç$o espacial est$o ligados. Caso *hodan consiga chegar 8
face vis9vel, poder0 transmitir sinais de r0dio. Até ent$o, s( nos resta esperar. +$o h0
outra alternativa.
— &entro de -uanto tempo estar0 pronta para lançamento a nave g5mea da
StardustI — perguntou o chefe do serviço secreto.
— A demora ser0 de cerca de dois meses, no m9nimo — respondeu )ounder.
— Até l0, meus homens morrer$o asfi#iados, se é -ue ainda est$o vivos. Seu
suprimento de o#ig5nio é suficiente para cinco semanas no m0#imo e, se
economi%arem de modo e#tremo, seis semanas. Mais do -ue isso é imposs9vel. Se for
necess0rio, podemos fa%er pousar uma sonda n$o tripulada perto do p(lo sul lunar.
Mas é muito duvidoso -ue esta operaç$o de abastecimento se2a bem sucedida. Afinal,
nossos homens teriam -ue encontrar a sonda. Estamos numa situaç$o desesperadora.
Allan &. Mercant deu a sess$o por encerrada com uma rapide% e#traordin0ria.
+o momento, nada mais havia para di%er. A nave Stardust continuava desaparecida.
ma série enorme de problemas amontoava!se diante dos presentes.
Antes de sair da sala, o chefe do serviço secreto disse, com um sorriso
misteriosoK
— 6amento informar!lhes, cavalheiros, mas a nave asi0tica a -ue se referiram,
e#plodiu no ar ap(s o lançamento.
)ounder ergueu!se de um salto. "ncapa% de abrir a boca, fitou Mercant.
1 homen%inho passou a m$o pelos olhos.
— Sinto muito, mas os senhores ter$o -ue procurar outra causa. +$o houve
-ual-uer outra nave -ue subisse ao espaço ao mesmo tempo -ue a Stardust. &e onde
teria vindo, ent$o, o transmissor colocado na 6uaI V0 coisas -ue n$o me parecem
bem claras. Apesar de tudo, os senhores receber$o, logo, not9cias minhas.
E, em vo% bai#a, acrescentouK
— 1 fato é -ue n(s também acreditamos -ue n$o houve falha por parte do
comandante da nave. Caso lhes se2a poss9vel provar -ue todo o e-uipamento de
bordo funcionou com perfeiç$o, estaremos ent$o 8s voltas com um problema -ue se
me afigura e#tremamente dif9cil. )eço -ue todos os dados dispon9veis se2am
fornecidos o -uanto antes 8 e-uipe de cientistas da &efesa "nternacional. 1 senhor h0
de compreender -ue teremos -ue chegar a um resultado convincente.
— *hodan n$o falhou — afirmou )ounder. — E poderemos provar -ue todo o
mecanismo de controle da nave funcionou com perfeiç$o. A mudança repentina do
4ngulo de -ueda é uma prova. Ela foi constatada no .ltimo instante. )oderemos
apresentar!lhes todas as provas poss9veis...
Allan &. Mercant cumprimentou!os com um gesto e saiu. Subiu ao terraço do
prédio e entrou, pensativo, no seu helic(ptero. m céu l9mpido cobria a cidade
na-uele dia ameno de 2unho.
— Jamos enfrentar tempos dif9ceis, Xaats — murmurou. — 'enho fama de
possuir um se#to sentido e ele 20 se manifestou h0 alguns minutos.
Xaats estreitou os olhos. Era verdade, Mercant possu9a uma estranha intuiç$o.
Fare2ava o perigo e as dificuldades com a mesma efic0cia de um c$o de caça.
Segundo os boatos, ele era dotado de um cérebro superdotado, além de todos os
limites da capacidade mental conhecida. Esta e outras -ualidades levaram!no, em
pouco tempo, 8 chefia da &efesa "nternacional.
111
1s membros da tripulaç$o tiveram -ue esperar vinte e -uatro horas até -ue a
radioatividade do solo lunar se redu%isse por aç$o das subst4ncias pulveri%adas no
local.
)err7 *hodan saiu da nave em primeiro lugar, -uando o contador s( registrava
poucas incid5ncias com um valor ligeiramente inferior a FA miliroentgens. 'odos
permaneceram em sil5ncio. +$o houve -ual-uer manifestaç$o de 2.bilo.
Apertaram!se as m$os e fitaram!se nos olhos sem di%er uma palavra. 'inham
certe%a de serem os primeiros homens a pisarem no solo lunar.
m dos suportes de pouso fora danificado no cho-ue violento contra o ch$o.
&e resto, a Stardust n$o sofrer0 -ual-uer avaria séria. Em virtude da radiaç$o, -ue
ainda era intensa, n$o era poss9vel verificar o mecanismo propulsor. 'odavia, um
teste r0pido mostrara -ue ele estava em perfeitas condiç/es.
1 grande gerador de força também funcionava com perfeiç$o absoluta e, o
estado dos dispositivos de renovaç$o do ar e controle da temperatura, n$o podia ser
melhor.
Vavia pe-uenas avarias -ue poderiam ser reparadas, mas o -ue inspirava
maior preocupaç$o era a deformaç$o do suporte de pouso. Segundo as estimativas do
capit$o 3ell, seriam necess0rios pelo menos seis dias para pô!lo em ordem. 1 aço!
molibd5nio era um material dif9cil de ser trabalhado.
Cerca de trinta e seis horas ap(s o pouso forçado, retiraram do compartimento
de carga a tenda pneum0tica — uma enorme esfera de fibra sintética.
1 conte.do de um pe-ueno tubo de ar comprimido foi suficiente para inflar a
tenda dando ao material a consist5ncia do aço. A aus5ncia de press$o e#terna tinha,
também, as suas vantagens.
1 longo recinto estava firmemente ancorado no solo rochoso. A face e#terna
bem polida refletia a lu% do Sol num brilho intenso. 1s membros da tripulaç$o
estavam instalando o mecanismo regulador da temperatura e o conduto do ar. )or
en-uanto, s( havia ar no espaço entre as duas paredes da tenda. A construç$o tinha
sido testada na 'erra sob condiç/es -ue simulavam as e#istentes na 6ua. S( mesmo
um meteoro poderia representar perigo.
A determinaç$o e#ata da sua posiç$o revelara!se bem simples. As numerosas
viagens ao redor da 6ua haviam permitido a confecç$o de mapas e#celentes, de modo
-ue puderam determinar sem a menor sombra de d.vida o local em -ue se
encontravam.
A Stardust havia pousado a cerca de ?@ -uilômetros além do p(lo sul lunar, 20
na face oculta do satélite. 1 Sol aparecia com o formato de uma foice. Mal e mal
surgia acima do hori%onte lunar -ue se encontrava bem pr(#imo.
As crateras -ue rodeavam o local de pouso eram conhecidas e estavam
registradas no mapa. 1 mesmo acontecia com o pe-ueno planalto -ue se erguia entre
duas encostas. S( mesmo por um acaso a nave tocara o solo 2ustamente neste ponto.
Caso tivesse descido entre as rochas pontiagudas da cadeia circular de montanhas,
teria sido, -uase -ue infalivelmente, o fim.
A 'erra n$o era vis9vel. Ficava muito além do hori%onte visual. "sso
impossibilitava o envio de mensagens de r0dio. A .nica manifestaç$o de *hodan face
8s dificuldades com -ue se defrontavam foi uma contorç$o 2uvenil nos l0bios.
+enhum dos tripulantes da nave revelava sinais de desespero ou des4nimo. Apenas
Fletcher estava mais -uieto do -ue o costume.
*hodan observou este fato sem fa%er coment0rios. Fletcher pensava com
demasiada fre-G5ncia no lar, na esposa e no filho -ue estava para nascer. Mesmo -ue
isso n$o constitu9sse motivo de uma preocupaç$o maior, 2ustificava um certo grau de
in-uietaç$o. *hodan decidiu dedicar atenç$o especial ao gigante.
Com um lento movimento de cabeça, o ma2or olhou em redor. 1 gesto foi
lento e cuidadoso. Ele estava de pé sobre um dos numerosos cumes da cadeia de
montanhas. &o lado interno, a encosta desca9a, abruptamente, para o fundo da
cratera. Algumas crateras menores eram testemunhas da -ueda de meteoros, contra os
-uais o satélite, desprovido de atmosfera, estava e#posto sem a menor proteç$o.
Cerca de B>> metros abai#o, o nari% pontudo da Stardust apontava para o
espaço. +o hori%onte, o Sol emitia uma lu% ofuscante e implac0vel. As rochas da
encosta e#posta aos raios diretos 20 começavam a absorver calor. )orém, perto da
%ona de penumbra, a temperatura ainda era suport0vel.
*hodan n$o estava preocupado com estas coisas. Ele estava bem consciente
dos problemas e perigos e tinha um e#celente preparo psicol(gico para enfrent0!los.
Além do mais, ele sabia -ue o avanço da tecnologia capacitava!os a reali%ar tarefas
-ue, h0 vinte ou trinta anos, seriam consideradas imposs9veis.
Seu tra2e espacial, por e#emplo, era uma verdadeira maravilha em termos de
mec4nica de precis$o. Sua construç$o ocupara centenas de homens. Cada peça tinha
-ue se a2ustar 8s outras com perfeiç$o milimétrica. 1 tra2e, por si s(, 20 era uma
demonstraç$o da elevada capacidade técnica desenvolvida pela espécie humana.
*hodan contemplou a paisagem imensa e desoladora. A regi$o era menos
montanhosa e acidentada -ue outras 0reas da 6ua. Assim mesmo, também a-ui n$o
havia o menor vest9gio de vida. 1 contraste tremendo entre a lu% violentamente
ofuscante do Sol e a escurid$o mais profunda dava um aspecto de pesadelo aos traços
da paisagem. +$o havia sombra, no verdadeiro sentido da palavra: n$o e#istia
nenhuma transiç$o confort0vel entre a lu% do Sol e um suave crep.sculo.
As regi/es n$o atingidas pelos raios solares mergulhavam na escurid$o
absoluta. 'ambém nesse ponto se fa%ia sentir o envolt(rio absorvedor da atmosfera.
As temperaturas chegavam a e#tremos bastante acentuados. 'udo isso produ%ia, no
esp9rito humano, um efeito estranho.
6onge, ficavam os contornos bem conhecidos da regi$o polar, tornados
invis9veis pela pro#imidade do hori%onte. )err7 *hodan tivera motivos de sobra para
escalar a cadeia de montanhas. +$o se percebia -ual-uer ob2eto -ue destoasse da
paisagem. Era verdade -ue a Stardust e a tenda relu%ente formavam corpos estranhos.
Mas eram seus velhos conhecidos. A essa altura, inclusive, 20 fa%iam parte da
paisagem.
m sorriso -uase impercept9vel aflorou!lhe aos l0bios. +um ceticismo -ue
condi%ia bem com o autodom9nio -ue o caracteri%ava, perguntou!se com -ue direito
fa%ia essa constataç$o. Chegou 8 conclus$o de -ue a mesma devia resultar de uma
certa arrog4ncia resultante de sua concepç$o humana. 1 homem costumava conservar
e considerar como ob2eto de sua propriedade tudo a-uilo -ue havia con-uistado com
trabalho e sacrif9cio. )or isso, a nave Stardust fa%ia parte da paisagem.
Ao surpreender!se com essas refle#/es, *hodan deu uma risada.
"mediatamente, o pe-ueno amplificador embutido no seu capacete começou a estalar.
1uviu!se uma vo% ligeiramente preocupada.
— 1 -ue houve, )err7I — disse a vo%. — Alguma dificuldadeI Aconteceu
alguma coisaI
*hodan sorriu para si mesmo. Seus olhos se estreitaram como se estivesse
absorto com algum pensamento.
— )err7< *esponda< 1 -ue houveI — gritou 3ell com mais força. Ele tinha
certe%a -ue ouvira a risada de *hodan pelo seu amplificador.
— 'omei a liberdade de rir — disse *hodan. — 1 amigo se op/eI
1uviu!se uma praga.
— Este su2eito est0 em cima de uma cratera lunar, s( e abandonado e acha
motivos para ficar rindo — disse 3ell indignado. — Joc5 ouviu FletcherI 1 su2eito
est0 l0 em cima e ainda ri<
— D0 é alguma coisa — disse a vo% mal!humorada no alto!falante. — Estou
me esforçando h0 meia hora para cocar as costas e n$o consigo. C bem onde est$o os
tubos de o#ig5nio.
3ell tornou a chamar *hodan. A vo% da-uele parecia uma e#plos$o. 1 ma2or
teve -ue redu%ir o volume.
— )err7, como est0 o ar a9 em cimaI — soou sua vo%.
— 'eremos trovoada — respondeu *hodan em tom seco.
3ell ficou calado. 1 humor de *hodan era invenc9vel.
— &igo isso, por-ue na 6ua o ar é muito carregado — acrescentou com vo%
suave.
— Compreendi, comandante. Mas -ual a vantagem em saber dissoI
— C e#atamente o -ue penso< Mas eu estava me esforçando para tornar a
informaç$o o mais e#ata poss9vel. &e agora em diante, n$o dependeremos mais do
som, mas da vis$o. CertoI Ent$o, meu caro, a -ue dist4ncia eu estou da9I
— Cerca de ?A> metros — soou a vo% divertida do &r. Manoli. — )ara ser
mais preciso, ?A@ metros. Estou 2unto ao radar e ele me deu sua posiç$o e#ata.
Eficiente, n$o éI
— Muito mais -ue isso< — disse *hodan, rindo. — 3ell, tenho uma tarefa
para voc5. )egue a pistola autom0tica, regule a luneta para um aumento de de% ve%es
e a alça de mira para ?A> metros. &epois, descarregue metade de um pente de balas
na-uele bloco de pedra -ue se parece com a cabeça de um gigante. Fica cerca de A>
metros a minha es-uerda. Est0 vendoI
— Estou — confirmou 3ell. — )osso saber apenas para -ue é a brincadeira.
— +$o estou brincando. Muero saber os efeitos de um pro2étil!foguete em
miniatura. Estou interessado, principalmente, na força de impacto e na energia da
e#plos$o. Comece. )reste atenç$o para sentir a nature%a do recuo sob as condiç/es de
gravidade da-ui.
— +$o vai haver recuo — disse 3ell. — Cada pro2étil tem sua pr(pria carga
propulsora e funciona nos moldes de um foguete. +$o h0 c0psulas. 1 pro2étil e a
espoleta saem ao mesmo tempo. A velocidade de sa9da é de @.B?> -uilômetros por
segundo. A pontaria é e#ata e segura e, positivamente, n$o h0 força de recuo. Caso o
senhor n$o saiba, colhi informaç/es bem detalhadas a esse respeito.
— 3om menino< — disse *hodan com ironia. — Agora, atire, mas por favor,
n$o me confunda com as rochas.
3ell soltou uma risada trove2ante. Fletcher observou!o em sil5ncio, en-uanto
ele levantava a arma pesada e enorme, com a coronha muito curta e o cano de grande
di4metro. Segundo determinaç/es de segurança, os tripulantes s( deviam sair da nave
com a arma na m$o.
1 capit$o 3ell estava parado diante da tenda pressuri%ada, cu2a montagem
ainda n$o havia sido conclu9da. Mais adiante, a menos de trinta metros, o foguete
erguia!se no céu lunar.
3ell a2ustou a luneta do visor para um aumento de de% ve%es, e a dist4ncia
para ?A> metros.
A lu% vermelha da igniç$o elétrica começou a brilhar e o primeiro pro2étil
desli%ou para dentro da c4mara de igniç$o. 1 calibre dos pro2éteis era redu%ido. +$o
passava de seis mil9metros e tinham o comprimento de um dedo. Sua pot5ncia
e#plosiva, no entanto, era enorme.
3ell hesitou por uns momentos. 1 alvo ficava muito longe, embora o visor o
trou#esse para muito perto.
— Jamos — soou uma vo% enérgica. — 1 -ue est0 esperandoI Faça de
contas -ue foi esse bloco de pedra -ue perturbou o nosso sistema de controle remoto.
Ent$oI
3ell soltou uma praga. Finalmente compreendia aonde *hodan pretendia
chegar. A e#peri5ncia ad-uiriu um novo sentido. A idéia de uma brincadeira in.til
desvaneceu!se.
— Se voc5 concordar, a2ustarei a arma para de% tiros, fogo espaçado — disse
com um tom seco na vo%. — )reciso ver até onde consigo chegar com esta arma.
— Certo< )ode começar.
3ell encostou a coronha da arma no ombro.
1 bloco de pedra surgiu no visor bastante aumentado. Ele lembrou!se -ue a
dist4ncia a ser vencida n$o representava nada para esses pro2éteis, cu2a velocidade era
tremenda. +$o havia necessidade de levantar o cano da arma acima do alvo. Com a
redu%ida força de gravidade do satélite da 'erra e a aus5ncia de atrito do ar, o pro2étil
descreveria uma tra2et(ria -uase retil9nea. 1 visor tinha sido a2ustado para tais
condiç/es, de maneiras -ue o atirador pudesse visar alvos colocados a -uilômetros de
dist4ncia. E as probabilidades de acertar o alvo eram muito grandes.
Muando 3ell acionou o contato de igniç$o, Fletcher conteve a respiraç$o. Mas
n$o houve o mais leve ru9do. +a terra, ouvir!se!ia o assobio estridente e a chicotada
produ%ida pela sa9da do pro2étil. A-ui, o disparo foi cercado de um sil5ncio
fantasmag(rico.
1 .nico sinal vis9vel foi a sa9da de chamas luminosas pela abertura para
escapamento de gases, e#istente no cano da arma.
3ell estava estupefato.
— )ercebeu alguma coisaI — perguntou. — Mue diabo< 'erei -ue me
acostumar a esta maneira de disparar uma arma. +$o senti o mais leve recuo.
— C, mas as lascas de pedra foram atiradas até o lugar onde me encontro —
ouviu!se uma vo% r0pida. — Acho -ue antes de voc5 diminuir a press$o no gatilho o
pro2étil 20 tinha atingido o alvo. A rapide% é incr9vel. 1 bloco de pedra apresenta um
furo de uns F> cent9metros de di4metro e mais ou menos o mesmo de profundidade.
E olhe -ue é granito. 'ente uma ra2ada mais longa. A arma é de uma precis$o
fant0stica.
3ell pu#ou o gatilho. As chamas luminosas dos pro2éteis lhe fustigavam os
olhos. &o ponto onde estava, *hodan viu a tra2et(ria luminosa dos pro2éteis,
representada pela -ueima do combust9vel s(lido -ue os impelia. Muando penetraram
na escurid$o -ue se formara na encosta, surgiu um traço incandescente e antes -ue
3ell compreendesse o -ue se passava, o carregador da arma estava va%io.
&o bloco de granito restavam apenas lascas -ue, atiradas para o ar, voltavam
ao solo com enervante lentid$o.
*hodan acompanhara atentamente a série numerosa de e#plos/es. *eali%aram!
se em sil5ncio e sem a menor vibraç$o. *evelavam!se, apenas, através da chuva de
pedras e dos rel4mpagos chame2antes.
— )ode parar, 3ell — disse com vo% abafada. — 'emos -ue reconhecer -ue a
seç$o de armamento nos deu um brin-uedo mais -ue eficiente. )or -uanto tempo
voc5 apertou o gatilhoI
— ns dois minutos — respondeu 3ell. E o carregador est0 va%io< &isparei
noventa tiros em um instante<
— Est0 certo. A cad5ncia de tiros é de cerca de cin-Genta por minuto. Muito
bem< A e#peri5ncia terminou. Jou descer. Eric, a comida est0 prontaI
— Est0. )elo menos, fi% o -ue pude. *hodan começou a descer. Era f0cil
vencer as fendas e outros obst0culos do solo. A leve%a proporcionada pela aus5ncia
de gravidade facilitava muitas coisas.
Ap(s alguns minutos, estava diante da tenda pressuri%ada. A montagem da
cone#$o de ar estava conclu9da e a aparelhagem reguladora da temperatura tinha sido
ligada 8s instalaç/es da nave.
— 1 enchimento consumiu alguns litros de o#ig5nio l9-uido — e#plicou
Fletcher. — Ser0 -ue vale a pena desperdiçar um g0s t$o preciosoI Muem sabe se n$o
precisaremos dele, um dia, para abastecer o interior da StardustI +ossa reserva é
limitada.
*hodan postou!se diante dele, ereto. Ainda assim, Fletcher o ultrapassava em
altura por alguns cent9metros.
— 1ra, Fletcher, voc5 est0 se preocupando por nada. 1 reparo de suporte de
pouso e#ige habilidade e liberdade de movimentos. +$o -uero ter os movimentos
embaraçados por um tra2e espacial -uando tivermos -ue trabalhar com o aço!
molibd5nio. E também n$o -uero ficar parado neste va%io
Fletcher piscou os olhos em direç$o ao céu estrelado -ue se apresentava de
uma limpide% incr9vel.
— Foi s( uma idéia — murmurou. +os seus l0bios surgiu, por instantes, um
sorriso de des4nimo.
— Joc5 estava pensando em sua volta 8 'erra, n$o éI Muem sabe, no beb5I
— perguntou *hodan, calmamente.
Fletcher ficou calado. Seu rosto transformou!se.
— +$o h0 problema. Compreendemos perfeitamente. Mas convém -ue voc5
n$o pense demais nisso. +osso plano foi estabelecido e n(s tivemos bastante tempo
para discuti!lo em detalhes. S( partiremos para uma viagem de e#ploraç$o -uando a
Stardust estiver completamente reparada. +$o podemos arriscar uma partida imediata
seguida de uma alunissagem além do p(lo, pois o suporte danificado n$o agGentaria o
cho-ue. C l(gico -ue poderemos subir alguns -uilômetros e entrar em contato visual
direto com a 'erra através de uma manobra ade-uada. Mas, como 20 disse, ter9amos
-ue pousar novamente. Com isso, a nave seria danificada de tal maneira -ue n$o
conseguir9amos repar0!la com os recursos de -ue dispomos. Se cheg0ssemos a uma
situaç$o dessas, eu também duvidaria da conveni5ncia de desperdiçar o#ig5nio com a
tenda pressuri%ada. Mas, agora, estamos em condiç/es de fa%5!lo, n$o éI
m sorriso indiferente surgiu no rosto de *hodan. En-uanto -ue Fletcher
continuava a olhar para o espaço.
— C claro -ue sim — respondeu. — Acontece -ue ocorreu!me mais uma
pergunta. +$o seria conveniente iniciar imediatamente a viagem de retornoI
Conseguimos reali%ar um pouso de emerg5ncia, certoI Ent$o, por -ue devemos nos
preocupar com o conserto do suporteI 1 pouso na 'erra é reali%ado por meio de asas
de sustentaç$o e tocaremos o solo com os trens de pouso. +$o importa -ue o suporte
este2a danificado, ainda assim, descer9amos normalmente.
3ai#ou a cabeça e seus olhos cintilaram.
*hodan n$o perdeu a paci5ncia nem a capacidade de raciocinar. Apenas o tom
de sua vo% tornou!se mais enérgico.
— Fletcher, é (bvio -ue o -ue voc5 prop/e é vi0vel. Acontece -ue isso seria
uma falta total de iniciativa e responsabilidade de nossa parte. 'emos uma miss$o a
cumprir e n$o ser0 um suporte de alunissagem com defeito -ue nos far0 sair da-ui
antes da hora. E, além do mais, tenho a vaga impress$o -ue n$o conseguiremos
alcançar o espaço sem problemas. V0 algo para ser esclarecido a-ui antes de
partirmos.
Fletcher dominou!se imediatamente. +um gesto silencioso, seus olhos a%uis
pediam perd$o. 3ell começou a rir. 1 incidente estava encerrado.
— Est0 bem< Es-ueça minhas palavras — disse Fletcher, pigarreando. — Foi
um ligeiro instante de fragilidade humana. Jamos comer e depois saberemos onde
procurar o transmissor de onde partiu a interfer5ncia. D0 apurei os dados
fundamentais, depois vou pedir a2uda ao computador.
— Estou bastante curioso — disse *hodan. — 3em< Jeremos o -ue o nosso
médico conseguiu fa%er.
)elos amplificadores dos capacetes, ouviram um suspiro de indignaç$o. 1 &r.
Manoli e#plicou, ent$o, longamente, como e por -ue a arte de co%inhar, t$o
enaltecida, se resumia a uma simples identidade com os processos -u9micos mais
conhecidos. 1 discurso soou bem, mas havia, nele, algo -ue n$o estava muito certo.
*hodan parou 2unto 8 0rea de pouso situada logo abai#o do mecanismo
propulsor da nave, onde o solo ainda desprendia um pouco de radioatividade. &iante
dele estava a cesta transportadora pendurada no braço do guindaste -ue sa9a da
comporta principal do compartimento de carga. Este ficava logo abai#o da cabine dos
tripulantes. *hodan preferira n$o utili%ar os degraus dobr0veis presos 8 parte e#terna
da nave. )assando por bai#o dos suportes de alunissagem, chegavam perto demais do
mecanismo propulsor -ue ainda emitia radioatividade em e#cesso.
— m de n(s ter0 -ue desistir, por hora, das del9cias -ue t$o avidamente
esperamos — anunciou *hodan com um sorriso. Seus olhos voltaram!se para os
companheiros.
— 3ell, -uer fa%er o favor de ficar de guarda a-ui foraI &entro de meia hora
eu o substituirei. V0 um (timo lugar ali em cima do morro. Fi-ue de olhos bem
abertos. Manteremos contato pelo r0dio.
*eginald 3ell n$o disse uma s( palavra. A vo% profunda de *hodan bastou!lhe
para fa%5!lo compreender. )or mais calma -ue fosse a apar5ncia do comandante, a
in-uietaç$o o consumia por dentro. Antes de se afastar, com a arma carregada,
voltou!se para *hodan.
— )err7, s( uma pergunta. Joc5 est0 lembrado da informaç$o segundo a -ual
uma nave tripulada da Federaç$o Asi0tica teria sido lançada antes de n(sI
— Je2o -ue voc5 compreendeu meu temor, 3ell — confirmou *hodan. Seu
rosto tornou!se sério e sombrio. — )ode ser -ue ha2a alguém interessado em
certificar!se pessoalmente da nossa -ueda. +a minha opini$o, o transmissor deve
estar locali%ado perto da regi$o polar. )ortanto, preste bastante atenç$o< +osso
radiogoniômetro est0 testando todas as fre-G5ncias poss9veis. 6ogo -ue ouçamos
algum ru9do estranho, teremos modificaç/es por a-ui.
+o interior da cabine, o &r. Manoli começou a ter calafrios e em poucos
instantes estava indisposto. Ele era um homem -ue estava sempre pronto a enfrentar
-ual-uer perigo ou -ual-uer sofrimento desde -ue fosse por amor 8 ci5ncia e 8
pes-uisa. +o entanto, -uando surgiam complicaç/es inesperadas e -ue cheiravam a
viol5ncia, as coisas mudavam de figura. Manoli n$o era homem de enfrent0!las com
calma. Martiri%ado por pensamentos sombrios, ouviu o ru9do do motor do guindaste.
*hodan e Fletcher subiram no cesto, en-uanto -ue, na tela, a figura de 3ell tornava!
se cada ve% menor até desaparecer na regi$o escura de uma sombra pro2etada por
uma sali5ncia do solo.
Alguns instantes ap(s, ouviu!se o assobio da comporta de despressuri%aç$o e,
-uando eles entraram, Manoli e#ibiu um sorriso forçado.
— Alô< — disse com vo% débil. — +$o ouvi nada no radiogoniômetro. S( a
conversa de voc5s.
*hodan saiu do tra2e espacial. 1 rosto de Fletcher estava banhado de suor.
— )u#a — disse este, suspirando. — Até parece -ue estou chegando no
para9so.
— Acho -ue, na 'erra, 20 nos consideram desaparecidos — observou Manoli
em vo% bai#a.
1 sorriso de Fletcher desvaneceu!se.
— C. &eve ser — confirmou *hodan em tom indiferente, olhando!os com
firme%a.
— Mas n$o ser0 por muito tempo, dou!lhes minha palavra. Assim -ue
terminarmos de comer iniciaremos os reparos no suporte de alunissagem.
Manoli estava pensando na esposa. Fletcher, no beb5. +enhuma palavra foi
trocada, mas todos sabiam. S( mesmo m$os fortes e vontade férrea poderiam
dominar esse tipo de situaç$o. E *hodan as tinha de sobra.
1V
Estavam s(s em um mundo estranho e cheio de mistérios: sem ar, sem 0gua,
sem vida...
A fina liga especial -ue revestia o ve9culo blindado, de forma achatada, podia
resistir a tiros de um canh$o de calibre médio: assim mesmo, n$o conferia aos seus
ocupantes total sensaç$o de segurança, pois além das chapas de aço começava o
va%io — o J0cuo absoluto com seus perigos conhecidos e desconhecidos. +$o era
tanto o risco de vida -ue martiri%ava estes homens. Era o ambiente desolador, t$o
estranho: era o semic9rculo incandescente do Sol -ue emitia um brilho ofuscante: as
crateras -ue surgiam em meio a plan9cies vastas, rasgadas, por fendas no solo: eram
as cordilheiras recortadas de forma bi%arra, -ue nunca foram corro9das pelas
intempéries.
&iante de todo a-uele panorama, o mais 0rido dos desertos da 'erra transmitia
uma mensagem de vida e felicidade.
Estes fatos constitu9am uma carga psicol(gica de primeira grande%a. Eram os
riscos para a mente -ue tinham -ue ser combatidos em primeiro lugar. E vencidos de
-ual-uer maneira. Muem n$o aceitasse e superasse estes fatos com uma
impassibilidade total, sucumbiria sob o peso dos mesmos. +$o havia -ual-uer
medicamento contra as influ5ncias corrosivas -ue o ambiente c(smico e#erce sobre o
esp9rito dos homens.
*hodan levou tudo isso em consideraç$o -uando resolveu partir no ve9culo
lunar e dei#ar Fletcher e o &r. Manoli a bordo da nave. +$o s( por-ue dois
tripulantes deviam ficar a bordo da Stardust como também, por-ue os nervos de
ambos n$o suportariam aos efeitos da e#pediç$o.
Fletcher recebeu ordens terminantes, por escrito, para decolar de volta para a
'erra assim -ue 2ulgasse conveniente, colocando!se sob a aç$o do controle da estaç$o
orbital caso ele — *hodan — n$o voltasse dentro de de%oito dias do calend0rio da
'erra.
Fletcher confirmou com um movimento de cabeça. Ele estava perfeitamente
habilitado para condu%ir a nave ao espaço levando!a aonde fosse necess0rio.
Apenas cinco dias foram gastos para o reparo do suporte de alunissagem e um
dia para a montagem e o preparo do ve9culo lunar.
&epois de terem dormido por um per9odo prolongado, sob os efeitos da
psiconarcotina, *hodan e 3ell partiram no ve9culo lunar. Ele fora testado sob as
condiç/es mais adversas e n$o poderia falhar.
Era um meio de transporte apto a enfrentar -ual-uer terreno. +$o levava
armamento e dispunha de uma cabine ampla para -uatro pessoas. Sua c.pula, de uma
liga transparente, podia ser escurecida 8 vontade. +o pe-ueno espaço de carga
situado atr0s da cabine pressuri%ada s( havia e-uipamentos e peças sobressalentes.
*hodan n$o estava disposto a e#ecutar -ual-uer uma das numerosas miss/es de
pes-uisa constantes do programa.
1 -ue importava era salvar a vida. Antes de mais nada, era necess0rio notificar
a estaç$o orbital. E o transmissor do ve9culo era bastante forte para emitir sinais -ue
chegariam 8 estaç$o.
Vavia vinte e -uatro horas -ue estavam a caminho. 'inham dormido por cinco
horas e, no momento, *hodan fa%ia com -ue os motores elétricos arrastassem o
ve9culo por cima de uma elevaç$o.
1 semic9rculo solar começava a aumentar. &entro em pouco atingiriam o p(lo
sul lunar e estariam, ent$o, em linha direta com a 'erra.
Ainda estavam usando os tra2es espaciais, mas sem os capacetes. A c.pula
pressuri%ada do ve9culo oferecia a mesma segurança da cabine principal da Stardust.
Seria necess0ria uma força descomunal para destruir o material sintético.
3ell estava olhando para a frente. 1s cumes elevados -ue se descortinavam
diante dele n$o o agradavam. Joltou a estudar o mapa.
— +$o h0 d.vida, é a cordilheira de 6eibnit% — disse com vo% abafada. —
Muer dar uma paradinhaI
*hodan desligou o comando elétrico. 1 %umbido dos motores cessou.
*hodan en#ugou o suor da testa. Sem di%er uma palavra, começou a limpar o
vidro dos (culos escuros. A radiaç$o ultravioleta o estava incomodando. 'ambém
lançou um olhar em direç$o 8s montanhas.
— S( faltam uns oito -uilômetros. A-ui a gente se engana tremendamente
com as dist4ncias. 'emos diante de n(s a cratera Vusemann, -ue n$o pode ser vista
da 'erra. Se seguirmos mais uns -uin%e -uilômetros chegaremos do outro lado do
p(lo. Mas n$o podemos manter o rumo atual. 'emos de nos desviar para o leste,
sen$o passaremos pelas ramificaç/es da cordilheira de 6eibnit%. E isso n$o seria
nenhum pra%er.
1 indicador de 3ell tocou o mapa. Seu rosto parecia cansado e inchado sob a
barba -ue 20 tinha v0rios dias. A viagem estava se transformando num mart9rio.
*hodan correra -ue nem um louco. Se fosse poss9vel seguir em linha reta 20 teriam
atingido a regi$o polar h0 muito tempo. Acontece -ue tinham -ue contornar os
in.meros obst0culos. A linha traçada no mapa, -ue registrava o deslocamento do
ve9culo, se apresentava bastante sinuosa.
*hodan tossiu. Sem di%er uma palavra estendeu a garrafa de 0gua em direç$o
a 3ell.
— Jamos dobrar para leste. 6eibnit% n$o é brincadeira. +$o tenho vontade de
cair na-ueles precip9cios. A-uilo ali é uma das ramificaç/es orientais da cordilheira.
1 maciço principal fica mais ao oeste. )assaremos sem maiores dificuldades.
3ell sorveu o l9-uido em goles compridos. +a cabine fe%!se um sil5ncio
profundo.
*hodan protegeu o teto com outra série de folhas de pl0stico polido. 1 sol era
por demais forte. +$o podiam absorver muito calor. Seria um problema livrar!se do
mesmo. Finalmente 3ell disse em tom sombrioK
— Jai acontecer alguma coisa. Estou sentindo c(cegas na nuca. +$o pode
dei#ar de acontecer alguma coisa. 1lhe isto a-ui<
Seu dedo voltou a tocar o mapa. 1 rumo -ue estavam tomando condu%ia
diretamente para um c9rculo -ue Fletcher, o matem0tico, havia traçado no mapa.
— D0 sei — disse *hodan, esticando as palavras. m sorriso -ue parecia uma
m0scara passou!lhe pelos l0bios.
3ell fitou!o. 'inha os l0bios secos e rachados.
— &ev9amos contornar esta 0rea bem de longe, procurando em primeiro lugar
estabelecer comunicaç$o radiofônica com a 'erra. &epois poderemos ver o resto. 1
-ue achaI
)or um instante, *hodan olhou fi#amente para a frente. &epois disso *eginald
3ell viu um rosto de linhas bem marcadas. 1s olhos de *hodan cintilavam.
— 1s problemas e#istem para serem resolvidos. +$o adianta adiar a decis$o
com desculpas esfarrapadas. Muer -ueiramos, -uer n$o, teremos de enfrentar a-uilo.
)refiro uma aç$o r0pida. )ortanto, seguiremos pelo caminho mais curto. A parte -ue
agir com maior rapide% levar0 uma vantagem consider0vel. 1s outros também est$o
sofrendo os efeitos negativos do ambiente, provavelmente mais -ue n(s.
— Sim, somos her(is — resmungou 3ell. — Est0 certo, da-ui por diante
cuidarei da sonda infravermelha. Se surgir -ual-uer sinal voc5 ter0 de correr -ue nem
o diabo.
Sua m$o pousou automaticamente na arma. 'ra%iam na nave as armas
autom0ticas de grande calibre, -ue funcionavam como metralhadoras.
*hodan moveu a chave. 1 ve9culo blindado arrancou sob o uivo dos motores
elétricos. &epois de terem contornado o morro em -ue ficava a cratera, chegaram a
uma grande plan9cie pedregosa. A poeira levantou!se atr0s das esteiras velo%es. As
part9culas ficavam suspensas numa estranha imobilidade, até -ue descessem com
uma lentid$o fant0stica. +$o podia haver nada -ue revelasse melhor a aus5ncia do
vento.
Ap(s outras seis horas de viagem viram todo o Sol. A progress$o foi r0pida
por causa da curvatura redu%ida da 6ua. &epois de terem passado pela 0rea cr9tica
sem maiores incidentes, atingiram o limite do campo de vis$o direta. 6ogo acima, a
'erra surgiu em forma de semic9rculo. Era perfeitamente vis9vel e, embora estivesse
bem bai#a, acima do hori%onte setentrional, devia haver possibilidade de estabelecer
contato pelo r0dio.
*hodan lançou um olhar r0pido para os lados. +as .ltimas horas tinham!se
mantido bastante calados.
3ell sorriu, depois assobiou em tom agudo uma melodia desafinada. *hodan
fe% com -ue o ve9culo subisse uma encosta 9ngreme. As esteiras revolviam o solo e o
ru9do dos motores tornou!se mais intenso. Chegados 8 parte de cima, pararam num
pe-ueno platô de rocha. U sua direita um pared$o sombrio erguia!se em direç$o ao
espaço.
3em diante deles, porém, estava suspensa no espaço a esfera brilhante -ue era
a 'erra. Conseguiram. Muase n$o falaram. 1 esgotamento e#tremo estava gravado
nos seus rostos. E#ecutaram as operaç/es necess0rias depressa, talve% mesmo
precipitadamente. Ambos tinham a sensaç$o de -ue n$o havia tempo a perderK estava
na hora de agir.
*hodan fe% sair a antena direcional parab(lica, e 3ell fe% funcionar o reator,
ligando!o ao transmissor. As v0lvulas foram se a-uecendo, en-uanto *hodan
a2ustava a antena com a maior e#atid$o. A 'erra estava ao alcance do e-uipamento
autom0tico de radiofonia.
Com um gesto lento e hesitante *hodan girou a poltrona. &iante dele
dançavam os ponteiros dos instrumentos de controle. 1 aparelho estava em perfeita
ordem. Colocou o microfone mais perto da boca. Com um movimento um tanto
complicado controlou a sintoni%aç$o autom0tica.
— Est0 prontoI — perguntou 3ell com a vo% 0spera. Estava de pé na cabine,
meio abai#ado. Segurava na m$o o pesado dispositivo autom0tico de controle.
*hodan confirmou com um movimento de cabeça e ligou o aparelho. +os
alto!falantes do receptor ouviram!se os ru9dos normais. +$o se identificavam com os
estouros e os guinchos infernais resultantes de uma interfer5ncia deliberada.
m sorriso suave aflorou aos l0bios de *hodan. &epois ligou o transmissor.
Em tom circunspecto falouK
— Ma2or )err7 *hodan, comandante da E#pediç$o Stardust chamando
controle de terra de +evada Fields. Favor acusar recebimento. Ma2or )err7 *hodan,
comandante da E#pe...
Aconteceu subitamente, como um raio -ue ca9sse de um céu a%ul. m brilho
esverdeado surgiu e foi!se tornando cada ve% mais forte, transformando!se numa
luminosidade intensa, -ue envolveu os rostos dos dois homens em uma lu%
fantasmag(rica.
A poucos metros acima deles, a antena ardeu em chamas verdes e
fosforescentes, cu2a luminosidade era tamanha -ue fe% *hodan soltar um gemido,
cobrindo os olhos torturados com as m$os.
'udo foi muito r0pido e silencioso. ma ab(bada de chamas saltitantes
ergueu!se acima do ve9culo lunar. A luminosidade do Sol tornou!se turva e os
contornos da paisagem lunar se desfi%eram.
Antes -ue 3ell tivesse tempo de soltar um grito apavorado de advert5ncia, o
e-uipamento de r0dio começou a estourar. m raio saltou do envolt(rio de pl0stico.
Japores corrosivos desprenderam!se do aparelho. 1s isoladores fundidos ficaram
envoltos em pe-uenas chamas.
1 pontapé de *hodan foi desferido no .ltimo instante, rompendo a ligaç$o
com o gerador nuclear. 3ell mal percebeu -ue a m$o de *hodan bateu com um estalo
no seu capacete. Muando o o#ig5nio fresco penetrou nos seus pulm/es, voltou a
raciocinar com clare%a. Seus gritos cessaram.
)err7 *hodan, im(vel, estava encolhido na sua poltrona. )arecia nem ter
notado os .ltimos acontecimentos. A luminosidade misteriosa desaparecera com a
mesma rapide% com -ue havia surgido. +$o se via mais nada, nem mesmo o brilho
mais débil.
S( mesmo a antena totalmente fundida e o aparelho de r0dio consumido pelas
chamas davam mostras de um acontecimento -ue ficava além do seu entendimento.
3ell moveu!se pela cabine rapidamente. Com os olhos selvagens procurava um
inimigo. Segurava a arma em atitude ameaçadora, mas n$o via -ual-uer figura
humana.
1 chiado agudo do e#tintor de espuma seca fe% com -ue se sobressaltasse de
novo. *hodan dirigiu o 2ato sobre o aparelho de r0dio destru9do. Sua atitude era t$o
indiferente -ue 3ell começou a prague2ar. Ele o fe% de forma intensa, com bastante
barulho. 'odavia, os l0bios mal se moviam no rosto inchado, tomado de uma palide%
cadavérica.
1 fogo foi e#tinto. 1 e-uipamento de condicionamento de ar sugou os
vapores. 1 o#ig5nio fluiu para o interior da cabine. 1 incidente consumira v0rios
litros do ar respir0vel.
*hodan abriu o capacete. Com o rosto indiferente, olhou cuidadosamente para
cima. &epois falouK
— )ronto. Est0 tudo terminado. S( esperavam por isto.
— Santo &eus, o -ue foi issoI — cochichou 3ell. E#austo, dei#ou!se cair na
sua poltrona. — 1 -ue foi issoI
— Foi uma maneira muito engraçada de interferir numa transmiss$o de r0dio.
)elo amor de &eus, n$o me pergunte como fi%eram< +este ponto sou t$o ignorante
como um recém!nascido. +$o tenho a menor idéia. 1 -ue posso di%er é -ue essa
luminosidade apareceu como um raio com a primeira frase -ue soltei para o
microfone. &a9 se conclui -ue estavam 8 espreita com um radiogoniômetro
inteiramente autom0tico. 1 aparelho funcionou imediatamente. C s( o -ue posso
di%er.
3ell levou 8 boca seu comprimido de concentrado. Seus olhos estreitaram!se.
1 engenheiro competente despertou dentro dele. Entrou em funcionamento a parte do
seu cérebro no -ual estava arma%enada a massa enorme de conhecimentos relativos 8
eletrônica moderna.
— Ser0 -ue voc5 est0 passando bemI — indagou. — Sempre o considerei um
aluno e#emplar da Academia Espacial e pensei -ue tivesse capacidade de raciocinar.
— E agora 20 n$o pensa assimI — perguntou *hodan, com um traço de
amargura no rosto.
— +o momento n$o. Joc5 acaba de falar como o célebre Super!Vomem
da-ueles fasc9culos de cin-Genta centavos. 1 -ue -uer di%er com a e#press$o
radiogoniômetro autom0ticoI Ser0 -ue voc5 sabe o -ue acaba de di%erI 'rabalhamos
com um raio direcional bem a2ustado. Como é -ue uma emiss$o destas poderia ter
sido locali%ada com tamanha rapide%I A antena apontava para o espaço va%io. Mas
n$o é s( isso. Ser0 -ue voc5 também tem uma e#plicaç$o para a luminosidade verdeI
)ode imaginar -ue tipo de energia essa gente utili%ouI
— Convém n$o perguntar, pois a resposta teria de soar como a fala de um
louco.
— Fomos cobertos por um anteparo abobadado — prosseguiu 3ell
obstinadamente. — Ji perfeitamente. &ali desceu um raio de lu% verde, e nossa
antena 20 era. )err7, asseguro!lhe -ue uma coisa dessas n$o e#iste. )oderia
compreender tudo, mas tudo mesmo. Até admitiria uma descarga dirigida de
rel4mpagos. Mas neste ponto minha intelig5ncia dei#a de funcionar.
*hodan continuou na sua posiç$o r9gida. Seus olhos ardiam.
— Muer di%er -ue tudo n$o passou de um sonho, n$o éI Se eu fosse voc5 teria
dito -ue minha intelig5ncia chegou ao limite e#tremo da compreens$o. Alguém ouviu
minha mensagem no mesmo instante em -ue ela foi iniciada, e agiu imediatamente.
+$o estou muito interessado em saber como fe% isso, 20 -ue com os conhecimentos
cient9ficos de -ue disponho n$o tenho capacidade de interpretar o acontecimento. 1
-ue me interessa mais é o fato de -ue esse alguém -uer nos redu%ir 8 condiç$o de
prisioneiros da 6ua. &arei minha cabeça 8 forca se conseguirmos subir um
-uilômetro com a Stardust. +$o pergunte por -ue, mas sinto -ue é assim. +$o, n$o
sintoK sei< Sendo assim, -ue nos resta fa%erI
*eginald 3ell empalideceu ainda mais. 'odo l9vido, fitou o comandante, cu2os
olhos claros se tinham tornado sombrios.
— Joc5 é a pessoa mais insens9vel -ue 20 vi< — gague2ou. — Ser0 -ue n$o
tem mais nada a di%erI
— +$o. Acontece -ue meu esp9rito s( toma conhecimento das situaç/es em
-ue podemos fa%er alguma coisa. 1s problemas insol.veis s$o imediatamente postos
de lado. +$o dev9amos falar a respeito deles.
3ell pigarreou. A cor retornou 8 sua face.
— 1X. Jamos esconder a cabeça na areia, -ue nem um avestru%. — &eu um
sorriso triste. Seus olhos percorreram a paisagem. Estava desolada e va%ia como
antes.
— 1 fato é -ue 20 n$o compreendo mais nada. Se n$o parecesse coisa de
louco, falaria num campo energético. Mas como poderia o mesmo ser montado no
espaço praticamente va%ioI +$o ve2o nenhum p(lo energético, absolutamente nada.
Muem est0 tentando nos eliminarI E como est0 fa%endo tudo issoI
— Muem sabe se o foguete da Federaç$o Asi0tica n$o pousou algumas horas
antes de n(sI 'er$o a bordo algum e-uipamento completamente novo. 3asta -ue se
ve2a a luminosidade verde.
*hodan olhou atentamente para seu amigo.
3ell sorriu. Suas m$os pesadas balançavam entre as pernas como se fossem
enfeites incômodos.
— &ei#emos de falar bobagens, meu velho. +$o me diga -ue voc5 acredita no
-ue est0 di%endo. +o ponto em -ue estamos nada mais importa para mim. Estou
disposto a engolir um prego enferru2ado caso os chineses tenham inventado isso. Foi
uma coisa assombrosa. Est0 bem, est0 bem, estou perfeitamente calmo. Ent$o, o -ue
vamos fa%erI
*hodan deu um sorriso muito cordial. 3ell 20 sabia -ue a-uela contorç$o dos
l0bios do companheiro representava um sinal de alarme de primeiro grau. Conhecia
muito bem esse homem alto de rosto magro,
— Jamos até l0 ver o -ue h0 e, se poss9vel, encostaremos o dedo no gatilho
um décimo de segundo antes do inimigo. +$o ve2o outra possibilidade. Se ficarmos
parados, morreremos asfi#iados dentro de algumas semanas. Se decolarmos, a nave
ser0 abatida com toda certe%a.
— Jamos negociarI — perguntou 3ell num tom de insegurança.
— 3em -ue gostaria disso. A -uest$o é se poderemos negociar com essa
gente. 1s fatos indicam o contr0rio. )or -ue ser0 -ue n$o nos dei#aram e#pedir a
mensagemI "sso n$o poderia fa%er mal a ninguém. A esta altura toda a Vumanidade
20 deve saber -ue a Stardust pousou na 6ua. )ortanto, n$o fa% nenhum sentido
interromper as nossas comunicaç/es de forma t$o dr0stica. "sso até parece obra de
algum maluco. +$o h0 nenhuma l(gica, nenhum motivo. Se tentassem nos matar
ainda haveria uma certa l(gica nesse procedimento. Mas parece -ue n$o est$o
pensando nisso. )or -ue ser0I
3ell voltou a soltar seus assobios estridentes.
— Em .ltima an0lise é precisamente isso -ue fa%emK est$o nos matando —
disse. — C verdade -ue o. est$o fa%endo aos poucos. Muando as nossas reservas de
o#ig5nio estiverem esgotadas...
3ell ficou calado. Sua testa enrugou!se. &epois, disse laconicamenteK
— Est0 certo, comandante. Jou registrar o novo curso no mapa. Jamos 8
boca do mistério. &entro de oito horas estaremos l0.
Jirou!se na sua poltrona. &epois veio a observaç$o de *hodan.
— Antes de mais nada vamos dormir e#atamente oito horas. &epois vamos
fa%er a barba. +$o -uero dar a impress$o de um selvagem.
3ell ficou perple#o. 1lhou pelo material da c.pula blindada.
— Fa%er a barbaI — gemeu. — Ser0 -ue ouvi bemI
— 1s asi0ticos n$o t5m tanta barba como n(s. )or isso nosso aspecto poderia
ser chocante para eles — e#plicou *hodan com um sorriso estranho.
*eginald 3ell sentiu um calafrio. Muais seriam as idéias do comandanteI
V
A uns F> -uilômetros do p(lo o aparelho de busca infravermelho reagiu.
&evia haver um corpo -ue irradiasse bastante calor nas pro#imidades. 1 ponto
assinalado ficava e#atamente na 0rea -ue o capit$o Fletcher indicara como sendo a
locali%aç$o prov0vel do emissor -ue havia provocado a interfer5ncia -uando desciam
na 6ua.
Sa9ram do ve9culo blindado e foram seguindo a pé 2unto 8s rochas escarpadas.
A montanha erguia!se a uma altura de cerca de A>> metros. Abrigava uma cratera -ue
n$o era vis9vel da 'erra.
&epois de mais meia hora de escalada tinham vencido o .ltimo obst0culo -ue
impedia sua vis$o. Ainda estavam ao pé da montanha, mais ao norte.
1s sinais do aparelho port0til de locali%aç$o tornaram!se cada ve% mais
n9tidos. &eviam encontrar!se nas pro#imidades do outro foguete. Subitamente
*eginald 3ell teve um colapso.
Caiu de 2oelhos, com as m$os apoiadas no ch$o. Seu riso louco era captado
pelo microfone e transmitido pelo emissor embutido no capacete.
)err7 *hodan n$o disse uma palavra. +um gesto instintivo procurou
cobertura. Agora estava empenhando toda sua energia para dominar!se. Era o golpe
de miseric(rdia nos nervos desgastados dos dois homens.
— +$o, n$o: isso n$o, isso n$o< — ouviu!se 3ell gemer no aparelho de
radiofonia. *epetia constantemente as mesmas palavras.
*hodan recompôs!se de um golpe. Suas m$os descontra9ram!se. Com uma
brutalidade desnecess0ria arrastou o amigo para tr0s de uma rocha. 3ell despertou do
aturdimento -ue lhe perturbara os sentidos. Estava todo tr5mulo, olhando para
*hodan. 1 suor -ue lhe cobria o rosto embaçou a l4mina transparente do capacete.
*hodan ligou o pe-ueno ventilador. 3em -ue 3ell estava precisando.
— Calma< Controle!se< )elo amor de &eus, acalme!se< +$o fale< Se fi%erem
surgir a lu% verde nas nossas antenas estaremos li-uidados. Fi-ue calmo.
Mesmo *hodan recorreu 8s palavras estereotipadas. *epetidas muitas ve%es,
tornar!se!iam mon(tonas, mas produ%iam efeito até mesmo pelo tom em -ue eram
proferidas. Estava preparado para a-uilo. Assim mesmo, o s.bito conhecimento da
situaç$o o fe% desmoronar. +$o estava mais a s(s. +unca tinham estado...
A compreens$o desse fato revolveu seu interior e fe% com -ue perdesse a
serenidade habitual. 'inha a sensaç$o de estar postado diante de uma muralha de
altura infinita.
)err7 *hodan precisou apenas de um instante para -ue as feiç/es do seu rosto
se recompusessem. As batidas furiosas do seu coraç$o foram diminuindo. Mas n$o
diminuiu a press$o com -ue segurava o braço de 3ell. "maginava -ue o amigo
precisaria de mais tempo -ue ele. 'inha sido o cho-ue mais violento -ue o capit$o
*eginald 3ell 20 e#perimentara.
Cautelosamente *hodan levantou o capacete circular por cima da rocha. Seus
olhos fi#aram!se avidamente no -uadro tit4nico. 'odas as d.vidas se desvaneceram.
+$o, n$o era nenhum sonho. 'inha diante de si um fato positivamente
verdadeiro.
Ficou calado, até -ue 3ell se manifestasse espontaneamente. +$o pensava
mais em proibir a utili%aç$o do transmissor port0til. Sabia -ue seria in.til.
— Joc5 sabia, n$o éI D0 sabia h0 algumas horas — cochichou 3ell. — Foi por
isso -ue tive -ue fa%er a barba. Como foi -ue voc5 soube, )err7I
— +$o se e#alte, rapa%, n$o adianta — disse *hodan. — A-uela nave espacial
-ue voc5 est0 vendo ali n$o foi constru9da na Ysia. 1 fato é -ue n$o veio da 'erra.
&esconfiei disso -uando surgiu a lu% verde. +enhum homem seria capa% de criar um
campo energético desses, nem conseguiria interromper nossa transmiss$o dessa
forma. )rocure dominar!se. 'emos -ue enfrentar isso. +$o temos alternativa.
3ell ergueu!se. Seus olhos ad-uiriram vida. &epois, olhou para frente.
— Fi%eram um pouso forçado — disse ap(s algum tempo. — *asparam a
parede da cratera com uma força t$o grande -ue nem é bom pensar. Muem s$o elesI
Como ser$oI &e onde v5emI E o -ue ser0 -ue -uerem a-uiI — concluiu 3ell com
um sorriso sombrio.
A pergunta fe% com -ue *hodan despertasse de ve%. *ecuperou a capacidade
de refletir e seus l0bios contorceram!se.
— Jamos descobrir — disse, com 5nfase. — Agora começa a surgir a l(gica
de um ato -ue parecia irracional. C claro -ue tinham -ue interromper a nossa
transmiss$o. Ao -ue parece, n$o fa%em -uest$o de -ue, na 'erra, saibam da presença
deles. 'alve% pensem -ue, antes de pousarmos, vimos essa nave gigantesca. &esta
forma, tudo se torna compreens9vel.
E, realmente, tudo era bem compreens9vel. Subitamente, *hodan viu a-uele
ob2eto com outros olhos. Seu cérebro emitiu sinais de perigo, fruto de muito tempo
de conviv5ncia com situaç/es -ue demandavam uma avaliaç$o r0pida do momento.
)assou a olhar a nave com o senso ob2etivo de um cientista. +$o se via
nenhuma reentr4ncia, nenhuma abertura vis9vel. Apenas uma linha circular e
abaulada desenhava!se na linha e-uatorial.
A nave estava im(vel diante da parede rompida da cratera. E, embora n$o
apresentasse o menor arranh$o, era evidente -ue tinha havido um cho-ue.
1 ve9culo descansava sobre pés curtos -ue pareciam colunas. Estavam
dispostos em c9rculo e, aparentemente, tinham sido estendidos ou desdobrados da
parte inferior da esfera. Era s( o -ue se oferecia 8 vis$o.
1 sol batia em cheio na espaçonave estranha, fa%endo!a brilhar com uma
luminosidade vermelho p0lida. )ara ver a parte superior, tinham -ue inclinar a cabeça
bem para tr0s. Mas, ao sa9rem de tr0s da rocha -ue lhes impedia a vis$o,
encontraram!se bem perto da nave.
3ell também recuperara o autocontrole. A prova era sua vo% 0spera e calma.
— C a forma esférica pura, a concepç$o ideal de uma nave espacial de grandes
proporç/es, desde -ue se disponha de um mecanismo propulsor ade-uado. 1
di4metro é de cerca de -uinhentos metros< 1u melhor, pelo menos -uinhentos
metros. C mais alta -ue a cordilheira. Como se consegue fa%er com -ue uma massa
como essa suba para o espaçoI Aos poucos fico tendo uma idéia bastante vaga das
m0-uinas -ue devem ter sido montadas no interior dessa nave.
Falando mais bai#o, acrescentou.
— E n(s -ue nos orgulhamos tanto de nosso 5#ito< Atingimos a 6ua com uma
coisinha de nada. m )e-ueno )olegar -ue mal e mal conseguiu completar o salto. 1
-ue temos diante de n(s deve estar além do nosso sistema solar. Ser0 -ue voc5 fa%
idéia do -ue n(s, seres humanos, umas criatura%inhas t$o presunçosas, representamos
diante da-ueles seres aliI
— Se voc5 disser macacos, vou e#plodir< — disse *hodan.
— Era a e#press$o -ue eu tinha na ponta da l9ngua — respondeu 3ell com um
sorriso. — Joc5 é um homem muito orgulhoso, n$o éI
— 1rgulho!me de ser homem. Sinto orgulho pela espécie humana, por suas
-ualidades, sua r0pida evoluç$o, seu futuro brilhante. D0 con-uistamos a 6ua e, um
dia, con-uistaremos as estrelas.
&epois, olhando a gigantesca nave alien9gena, continuouK
— Essa nave espacial t$o estranha, n$o prova -ue seus ocupantes se2am mais
inteligentes -ue n(s. 'alve% este2am, até, usufruindo a herança dei#ada por de%enas
de milhares de geraç/es laboriosas, isto é, alguma coisa -ue, simplesmente, caiu!lhes
nas m$os. A ignor4ncia n$o deve ser confundida com a estupide%. &eve!se levar em
consideraç$o o fato de o ignorante ter tido ou n$o oportunidade para aprender e, se
teve, ainda assim, tudo depende do saber da-ueles -ue se encarregaram de o ensinar.
+inguém pode assimilar mais do -ue a-uilo -ue lhe foi transmitido por alguém. A
espécie humana é uma raça ainda 2ovem. +ossos cérebros parecem espon2as. 'enho
certe%a absoluta de -ue ainda podem absorver muita coisa. )ortanto, n$o v0 me di%er
-ue, a essa altura, voc5 est0 se sentindo -uase um macaco.
*hodan %angara!se de verdade. )arecia até ter es-uecido o ob2eto -ue se
erguia diante de seus olhos.
3ell riu, depois segurou cuidadosamente a arma autom0tica.
— &ei#e isso — preveniu *hodan. — +$o poderemos resolver os nossos
problemas dessa forma. 'emos de admitir, de -ual-uer maneira, -ue n$o somos os
.nicos seres inteligentes no niverso. 1 -ue n$o chega a se constituir uma surpresa.
+$o to-ue na arma: a situaç$o é diferente da -ue prev9amos.
— Eu me sentiria melhor se a-uilo fosse apenas uma nave da Federaç$o
Asi0tica — cochichou 3ell e, em tom provocador, acrescentouK — 1 -ue é -ue
vamos fa%er agoraI Ainda bem -ue é voc5 -uem est0 no comando. Estou ardente de
curiosidade<
— E eu estou curioso h0 muito tempo — observou *hodan. — )arece
imposs9vel< )elo menos tudo indica -ue esses camaradas n$o t5m intenç$o de nos
matar. E h0 outra coisa...
Joltou a olhar para o pared$o de rochas esfaceladas.
— m comandante sensato n$o faria um pouso desses, n$o éI Eu, pelo menos,
n$o faria. C de se supor -ue alguém -ue arrasa metade de uma montanha de pedra ao
pousar, n$o o tenha feito de prop(sito. Ao -ue parece estes desconhecidos sofreram
alguma pane. Joc5 n$o acha -ue isso os torna mais humanosI
*hodan sorriu com suas pr(prias palavras.
— Alguma coisa n$o deve estar em ordem na-uela nave. E 20 -ue tenho fama
de saber perder, vamos olhar mais de perto.
*hodan pôs!se de pé. m sorriso irônico aflorou aos seus l0bios.
— Joc5 est0 doidoI< Abai#e!se< — gritou 3ell — "sso é uma loucura.
— 6oucuraI Je2a a nossa situaç$o< &e -ual-uer maneira, n$o conseguiremos
sair da-ui. Muando o general )ounder enviar outra nave 20 estaremos mortos. Além
disso, a nova tripulaç$o ter0 a mesma sorte -ue n(s. A esta altura 20 n$o adianta
refletir. Ser0 -ue uma cabeça dura como a sua consegue assimilar esta verdadeI
Como se este ponto de vista n$o bastasse, *hodan estava sendo devorado pela
curiosidadeK um instinto primitivo e irreprim9vel do homem. 1 desassossego
constante provocado pelo -ue se escondia atr0s de tudo a-uilo.
Subitamente, os olhos de *hodan se estreitaram. Alguém soltara uma risada.
Fora apenas um ru9do breve, -uase impercept9vel. Mas n$o havia d.vidas de -ue
alguém rira.
3ell ergueu!se de um salto, com o dedo no gatilho. Seu rosto estava p0lido.
— Joc5 ouviu — disse. — Alguém est0 sintoni%ado na nossa fre-G5ncia. Mue
diaboI
— 1 -ue voc5 estava pensandoI — soou a vo% indiferente de *hodan. — )or
-ue voc5 acha -ue encenei um pe-ueno drama com di0logos t$o longosI C claro -ue
alguém est0 nos escutando. 1 fato de n$o terem destru9do os transmissores dos
nossos capacetes constitui prova da sua intelig5ncia. Sabem perfeitamente -ue, com
eles, n$o emitiremos nada para a 'erra. C uma l(gica simples e contundente. Jamos.
3ell permaneceu im(vel, com a arma na m$o. )arecia -ue sua curiosidade
havia desaparecido completamente. Com a vo% arrastada e num tom frio, disseK
— Se voc5 -uiser ir, v0. Muanto a mim, n$o sinto a menor vontade de me
lançar nos tent0culos de polvos inteligentes ou outros tipos de monstros com um
sorriso cordato nos l0bios. )refiro ficar a-ui.
1 rosto de *hodan tornou!se sério.
— Joc5 anda lendo muitos romances de ficç$o cient9fica, meu caro. m ser
como o polvo 2amais conseguir0 construir uma nave espacial, ainda -ue, contra toda a
e#pectativa, ad-uira intelig5ncia. +$o confunda a fantasia com o saber estabelecido.
Encontramo!nos diante de um fato real. 60, na 'erra, cientistas de renome -ue
n$o escondem a certe%a da e#ist5ncia de vida inteligente no niverso, mas n$o
pintam -uadros de horror. )ortanto, n$o diga bobagens e venha< Ser0 -ue tenho -ue
voltar insistir em -ue n$o temos outra alternativaI
— 'alve% tenhamos — murmurou 3ell perturbado. — A idéia de entrar nessa
nave como carneiro indefeso n$o me agrada nem um pouco. C uma viol5ncia contra o
meu instinto de conservaç$o. EntendeI
— Claro< +unca dei#o de compreender um argumento ra%o0vel. C o instinto
-ue fa% o homem temer o desconhecido, talve% se2a esta a coisa mais ra%o0vel -ue o
Criador deu aos homens. C bom -ue se2a assim. Acontece -ue certas horas temos -ue
dominar o furac$o dos sentimentos. Joc5 vir0 comigo se -uiser. +$o darei ordem
nesse sentido.
*hodan voltou!se. Andando rapidamente, saiu do ref.gio proporcionado pela
rocha. Seu pensamento e seus sentimentos passaram a ser dominados pela l(gica
pura. Sabia -ue n$o havia outro remédio.
Sua arma autom0tica balançava!lhe ao ombro. 1s braços pendiam ao longo do
corpo. *hodan n$o estava disposto a transformar o primeiro encontro entre um
homem e uma forma estranha de intelig5ncia em um combate armado. 'eria sido
uma péssima saudaç$o. "ndigna de um homem como ele.
Sentiu um certo va%io dentro de si. A medida -ue se apro#imava do
gigantesco ob2eto, crescia nele o sentimento aflitivo provocado pela antevis$o do
encontro. 1s desconhecidos tinham tomado a iniciativa.
+$o havia d.vidas. Agiram, porém, por via indireta. *hodan concluiu -ue a
interfer5ncia nas transmiss/es de r0dio representara antes uma medida de precauç$o,
n$o o dese2o deliberado de destruir. A idéia tran-Gili%ou!o. )assou a confiar no
esp9rito -ue havia de reinar ali, ao -ual faria algumas concess/es.
Enganara!se bastante na dist4ncia em -ue se encontrava da nave. Esta era
muito maior do -ue supunha. As paredes da mesma erguiam!se cada ve% mais
imponentes. )areciam ameaçadoras e enganadoras. &epois de ter percorrido algumas
centenas de metros sob a lu% ofuscante do Sol, 20 n$o podia abranger toda a nave com
o olhar. Seu di4metro devia ser superior a -uinhentos metros.
1s pés de pouso eram colunas enormes com grossas placas de apoio nas
e#tremidades. Muando percebeu a semelhança com a concepç$o da Stardust sorriu
ligeiramente. 1 pensamento da-ueles seres devia funcionar de forma an0loga a dos
homens, pelo menos sob o aspecto técnico!cient9fico.
1uviu, ent$o, a respiraç$o acelerada de 3ell no amplificador. 6ogo ap(s viu
aparecer a sombra do companheiro.
3ell acompanhou!o em sil5ncio. +$o disse uma s( palavra. *hodan
cumprimentou!o com a cabeça. 1 gesto parecia bi%arro por causa do capacete
pressuri%ado.
3ell retribuiu com um sorriso. Embora conseguisse dominar!se, n$o apagara
dos olhos um brilho estranho.
Seus passos tornaram!se cada ve% mais lentos. )or cima deles, erguia!se a
imensa forma abaulada. 1 sol s( cobria parte do solo -ue ficava por bai#o da enorme
esfera. *hodan parou no ponto onde começava a escurid$o total. 1lhou para cima.
Jiu as aberturas largas da parte inferior da sali5ncia -ue 20 observara na linha
e-uatorial. Esta havia se transformado em um anel gigantesco com mais de setenta
metros de largura.
— Se resolvessem decolar agora ser9amos redu%idos a 0tomos — disse
calmamente. &epois, apontou para cima.
— A-uilo ali deve ser as aberturas dos reatores, se é -ue a nave é
impulsionada por esses engenhos. C prov0vel -ue o solo, -ue se apresenta vitrificado
em torno da nave, tenha sido levado 8 incandesc5ncia. Calculo -ue nas condiç/es da
'erra, o peso de decolagem de uma nave como essa seria de dois milh/es de
toneladas. Como ser0 -ue isso se deslocaI
— Sugiro um foguete de S$o Do$o — disse 3ell em tom sarc0stico. ma raiva
surda apoderou!se dele. Ao -ue parecia, ninguém lhes dava atenç$o. &entro dele,
começou a se fa%er ouvir uma vo% -ue o chamava de macaco. 3ell n$o conseguia
evitar. +$o possu9a a enorme dose de autoconfiança do companheiro. *efugiava!se
num humor um tanto sem graça. *ecorria, invariavelmente, a esse subterf.gio
-uando o pensamento l(gico n$o mais bastava.
*hodan conservou seu autodom9nio. "maginava -ue alguma discuss$o devia
estar sendo travada no interior da nave. )rovavelmente, também para a-ueles
desconhecidos, a situaç$o era embaraçadora. Sabiam, é evidente, -ue poderiam
livrar!se dos dois homens com facilidade, provavelmente bastaria apertar um bot$o.
*hodan considerou o fato como um ponto positivo. Esses seres n$o lhes
fariam mal, a n$o ser -ue fossem guiados por uma ética totalmente inconceb9vel e
n$o conhecessem -ual-uer tipo de toler4ncia. &e outra forma, s( lhes caberia
continuar em sil5ncio ou transmitir algum sinal de vida. )or isso, o ma2or *hodan
armou!se de paci5ncia.
A reaç$o de 3ell foi diferente. &epois de alguns instantes, disse em vo% bai#a
e tom irônicoK
— Embai#o da sua nave encontram!se dois monstros horr9veis -ue sentem
fome e sede. 3om dia. Meu nome é *eginald 3ell. 1s senhores tiveram a gentile%a
de nos obrigar a um pouso de emerg5ncia. Estamos a-ui para apresentar a conta.
3ell calou!se. Se a situaç$o fosse outra, *hodan teria ca9do na gargalhada. A
essa altura, porém, tinha a garganta seca. Ao -ue parecia, as palavras de 3ell n$o
eram despropositadas, embora, é l(gico, n$o passassem de brincadeira.
+$o disseram mais nada. *hodan também se sentiu tentado a pegar a arma.
3ell 20 agarrara o fu%il autom0tico. *hodan estava se controlando. Seu olhar de
censura provocou um gesto desdenhoso por parte de 3ell.
ma lu% ofuscante surgiu t$o inesperadamente como a luminosidade verde de
algumas horas atr0s. *hodan encolheu!se. A arma autom0tica desceu até a altura do
cotovelo contra sua vontade, como se tivesse sido atra9da por alguma força m0gica.
)rague2ou, estremecendo por dentro, e voltou a colocar a arma sobre o ombro.
— )onha isso de lado — gritou para 3ell.
ma abertura ampla surgira na esfera. Era de l0 -ue vinha a lu%. 'udo se
passara num sil5ncio absoluto, como sempre acontece na 6ua. +unca antes *hodan
sentira falta de um condutor de som como o ar.
Alguma coisa foi saindo da abertura. Muando a e#tremidade tocou o solo, o
ob2eto se abriu numa fai#a larga e totalmente lisa. +$o aconteceu mais nada.
*hodan foi andando devagar em direç$o 8-uela superf9cie fracamente
iluminada. )arou antes de l0 chegar.
— C um convite — disse com vo% abafada. — e olhe -ue n$o h0 degraus. A
porta fica a pelo menos trinta metros de altura. 3em -ue poder9amos colocar isso na
Stardust.
— &eve ser um teste de intelig5ncia, n$o éI — disse 3ell, nervosamente,
olhando para cima.
*hodan foi até a rampa inclinada, -ue subia em 4ngulo de -uarenta e cinco
graus m9nimo. Muando percebeu -ue estava sendo erguido, estendeu os braços num
gesto instintivo. Mueria evitar uma -ueda e acabou percebendo -ue n$o poderia cair.
Suas botas n$o tocavam a rampa. Ficavam suspensas alguns cent9metros acima do
material fluorescente. &esli%ou para cima como se estivesse numa escada rolante.
3ell, atr0s, soltou uma praga. +$o conseguia tirar as m$os de um apoio
imagin0rio. &e -uatro, foi seguindo *hodan.
Foram colocados suavemente numa grande sala de onde vinha a lu% brilhante.
&epois -ue as portas se fecharam, tudo continuou em sil5ncio. Estavam a bordo da
estranha nave.
— +$o haver0 -uem acredite nisso< — cochichou 3ell. — +inguém< *esta
saber se, algum dia, voltaremos a falar com algum ser humano. Mue pretende fa%erI
— +egociar. sar a intelig5ncia. Mue mais poder9amos fa%erI As situaç/es
dei#am de parecer irreais -uando aceitamos as coisas como (bvias. 'udo depende
dos instintos. 'ente deslig0!los.
1uviram um som agudo provocado pelo ar -ue penetrava no compartimento.
1utros sons também se tornaram percept9veis. Ainda era duvidoso, porém, se essa
mistura de gases seria respir0vel para um ser humano. *hodan percebeu -ue estavam
sendo submetidos a um teste. Se abrisse o capacete, arriscando as conse-G5ncias, esse
ato irrefletido seria interpretado contra ele. +$o sabia -ue tipo de g0s tinha sido
introdu%ido ali, por isso ficou im(vel até -ue se abrisse a porta interna.
Muando esta se abriu, viram um corredor amplo e abobadado, -ue terminava
em um poço fluorescente.
)rosseguiram. +$o havia nada mais a discutir. A nave parecia deserta. A
situaç$o fantasticamente estranha. 3ell sabia -ue seus nervos n$o agGentariam mais
-ue cinco minutos. &epois disso, perderia todo o autodom9nio. 'inha vontade de
gritar e sair correndo dali.
&e repente, ouviram uma vo% clara, falando um ingl5s perfeito.
— )odem abrir os tra2es de proteç$o. 1 ar é respir0vel para os senhores.
*hodan soltou uma e#clamaç$o de espanto e surpresa. &epois, abriu o
capacete.
V1
Seu nome era Crest. Sua raça n$o fa%ia distinç$o de nome e sobrenome. Era
muito alto e magro, -uase trinta cent9metros mais alto -ue *hodan. 'inha, também,
dois braços e duas pernas, um tronco estreito e o rosto intelectuali%ado de um homem
muito velho, cu2a pele tivesse conservado a 2uventude e um e#traordin0rio vigor. A
testa alta encimava dois olhos -ue revelavam uma e#pressividade penetrante. )ela
cor da pele poderia pertencer a alguma tribo do )ac9fico sul -ue tem te% aveludada.
'odavia essa impress$o era afastada pela vermelhid$o albina dos olhos e pelos
cabelos esbran-uiçados -ue cobriam sua cabeça. Alguma coisa estranha e irreal
parecia irradiar de sua pessoa, embora no seu aspecto e#terior guardasse grande
semelhança com os homens. As diferenças reais deviam estar nos aspectos -ue n$o se
percebiam imediatamente. *hodan via!se diante de um organismo, cu2a construç$o
era completamente diferente da sua, mas -ue também respirava o#ig5nio.
+a grande sala reinava um calor abafado. A lu%, muito forte, era a%ulada.
)rovavelmente, a parte e#trema das suas radiaç/es 20 se situava no campo ultravioleta
do espectro. &eviam vir de algum planeta em -ue brilhava um sol muito luminoso,
muito -uente e cu2os raios seriam, provavelmente, a%ulados. 1 tipo de iluminaç$o e o
calor reinante na sala pareciam indicar isso. Era tudo o -ue *hodan conseguia
perceber.
+$o. Vavia algo mais. Alguma coisa -ue notara no começo.
Crest parecia fraco e esgotado. Seus movimentos eram um tanto desa2eitados.
'inha o aspecto de um homem gravemente enfermo. *hodan 20 notara -ue a
montanha tinha sido desbastada na parte interior. 'eria este fato alguma relaç$o com
a fra-ue%a da-uela intelig5ncia superiorI
Vavia mais dois seres na sala. 'ambém pertenciam ao se#o masculino. 1s
olhos de *hodan estreitaram!se por um instante. Damais observara tamanha letargia.
A falta de interesse e de participaç$o e a sonol5ncia da-uelas criaturas eram tamanhas
-ue -ual-uer pessoa notaria por mais superficial -ue fosse a observaç$o.
Em comparaç$o com eles, Crest, com toda a sua debilidade, parecia vigoroso e
cheio de vida. 1s outros dois seres vivos ali presentes n$o chegaram, se-uer, a virar a
cabeça -uando o visitante, -ue para eles devia ser bastante estranho, entrou na sala.
Estavam deitados em seus leitos largos e muito bai#os, com os olhos fitos na
tela oval ligada a certos instrumentos, cu2a finalidade *hodan n$o compreendia.
Se-uer percebia o cintilar -ue crescia e decrescia, passando por todas as cores do
arco!9ris. Figuras geométricas planas desfilavam numa variedade imensa. 'udo isso
era acompanhado de um %umbido agudo e intermitente. *hodan teve um
pressentimento pouco agrad0vel. Alguma coisa n$o estava em ordem na-uela nave
-ue parecia t$o perfeita. A sala enorme estava impregnada de um fluido de
sonol5ncia bem percept9vel. +inguém tomava conhecimento da presença dos dois
homens.
Crest dirigira a palavra a um dos outros seres ali presentes. Este retribu9ra com
um sorriso am0vel e cort5s. &eu uma resposta e voltou a olhar a tela.
3ell estava com a boca aberta de estupefaç$o. 'udo mudou, abruptamente
-uando a mulher entrou na sala. "rradiava tamanha frie%a e arrog4ncia -ue *hodan
estremeceu. Ela lançou um olhar insens9vel aos dois homens e passou a ignor0!los.
Era da altura de *hodan e tinha os olhos avermelhados caracter9sticos de sua
raça. Se estivesse na 'erra seria considerada uma bele%a de primeira linha. Mas
*hodan logo abandonou essa idéia, e preferiu tomar em consideraç$o a advert5ncia
-ue lhe vinha no 9ntimo. A-uela mulher de rosto estreito e hostil era perigosa, por-ue
n$o parecia disposta a usar sua intelig5ncia. )ara ela, os dois homens n$o passavam
de répteis pré!hist(ricos -ue tinham os cérebros embotados.
Esta impress$o assaltou *hodan com uma pontada dolorosa. Damais alguém
manifestara por ele tamanho despre%o mesclado com indiferença. +unca fora dei#ado
de lado com tamanha manifestaç$o de repugn4ncia. *hodan tornou!se l9vido, cerrou
os punhos. A mulher usava uma roupa 2usta, com alguns s9mbolos -ue emitiam uma
fosforesc5ncia vermelha pregados na altura dos seios. S( ap(s algum tempo *hodan
notou -ue se tratavam de distintivos hier0r-uicos. Crest, cu2os sentimentos pareciam
ser bem semelhantes aos dos homens, apresentou!a como 'hora, a comandante da
nave. 1 homem débil, cu2o rosto parecia e#ibir uma 2uventude fascinante, tinha as
maneiras refinadas de um aristocrata.
*hodan penetrara num ambiente em -ue reinava os contrastes mais estranhos.
Jia uma apatia invenc9vel ao lado de uma cortesia e#trema e, 2unto a ambas, uma
frie%a hostil. +unca passara por momentos t$o es-uisitos. 3ell comparou a situaç$o a
uma dança sobre um barril de p(lvora. Animou!se com a idéia de -ue n$o tinham
e#igido a entrega das armas. 'ambém isso era muito estranho.
Crest e#aminou!os e estudou!os longamente. Ele o fe% sem disfarces, com
uma fran-ue%a t$o grande -ue sua atitude n$o poderia ofender os dois homens.
*hodan ainda n$o proferira uma .nica palavra. Em posiç$o ereta, ficou parado
no centro da sala -uase va%ia.
Crest voltou a deitar!se com um sorriso embaraçado. Sua respiraç$o era
pesada. *hodan voltou a perceber sinais de preocupaç$o nos olhos da mulher.
Ela dirigiu!se em tom bastante 0spero aos dois outros seres -ue se
encontravam na sala. m deles ergueu!se ligeiramente do seu leito. &epois sorriu e
tornou a deitar!se.
*hodan sabia -ue estava na hora de fa%er alguma coisa. 3ell n$o suportaria a
tens$o por mais tempo. Seu rosto p0lido e os l0bios contorcidos num sorriso forçado
di%iam tudo.
1s olhos sombreados de Crest iluminaram!se. )arecia sentir -ue o homem 20
estava saturado da-uela situaç$o. )oucas ve%es *hodan chegara a observar uma
e#press$o de tamanha curiosidade nos olhos de -ual-uer ser. Crest parecia estar
ansioso por uma palavra salvadora.
Mual seria a sua posiç$o a bordo da naveI Mual seria o poder e#ercido pela
mulherI
*hodan avançou mais alguns passos. 1 capacete balançava, preso 8s
dobradiças. A mulher virou!se bruscamente. 1 movimento instant4neo com -ue
colocou a m$o no cinto parecia uma advert5ncia. *hodan enfrentou seu olhar.
En-uanto os olhos da mulher pareciam irradiar hostilidade, os de *hodan assumiram
subitamente uma e#press$o de frie%a -ue a dei#ou mais admirada -ue contrariada. 1
sorriso r9gido de 3ell se descontraiu. Seus olhos se iluminaram. Conhecia *hodan.
Acabara de mudar de atitude, Agora s( poderia seguir!se uma luta decisiva ou ent$o a
reuni$o tomaria um caminho ra%o0vel.
*hodan passou pela mulher, -ue recuou como se tivesse tocado num inseto
venenoso.
Crest acompanhou tudo com bastante interesse. Muando *hodan chegou perto
dele, fechou os olhos. 3ell nunca ouvira o comandante falar com vo% t$o suave.
— Sei -ue o senhor me compreende. +o momento n$o importa como isso é
poss9vel. 'ambém nossa situaç$o atual n$o interessa. Meu nome é )err7 *hodan. Sou
ma2or da Força Espacial dos Estados nidos e comandante da nave espacial Stardust,
vinda da 'erra. 1 senhor obrigou!nos a reali%ar um pouso de emerg5ncia, mas
prefiro, por ora, n$o falar a esse respeito.
— Se der mais um passo, o senhor morrer0< — soou uma vo% -uase sufocada
pela raiva contida.
*hodan virou!se devagar, e#ibindo seu sorriso caracter9stico. Aparentemente,
a mulher havia ligado algum aparelho. Estava envolta por uma luminosidade
cintilante. Seu olhar revelava um misto de espanto e indignaç$o desmedida. Aos
poucos *hodan compreendia o -ue se passava. Ela estava de tal forma imbu9da de
um sentimento de superioridade e presunç$o -ue achava -ue *hodan estava
cometendo um sacrilégio pelo simples fato de apro#imar!se do leito de Crest. *hodan
modificou sua opini$o sobre o motivo da-uele despre%o. Ela se considerava um ser
dotado de intelig5ncia superior, ao passo -ue *hodan n$o era mais -ue um homem da
idade da pedra. Era isso. Ele compreendera a situaç$o.
Ao -ue parecia, Crest tinha percebido o -ue estava acontecendo com *hodan.
— Sinto muito — disse com vo% débil. — +$o estava em condiç/es de evitar
as dificuldades. +$o esper0vamos a sua chegada. )elas informaç/es -ue t9nhamos
recebido, o terceiro planeta deste sistema solar seria um mundo primitivo habitado
por criaturas subdesenvolvidas. 'udo indica -ue depois da nossa .ltima viagem de
e#ploraç$o a situaç$o se modificou. Aconteceu -ue n$o viemos para c0 na intenç$o
de estabelecer contato com os senhores.
— J0 embora — interveio 'hora. 'inha o rosto rubro de raiva. — 1 seu
procedimento é ilegal. A lei me pro9be de manter contato com seres -ue ainda n$o
tenham chegado ao grau C na escala de desenvolvimento. J0 embora<
m mundo de esperanças desmoronou na mente de *hodan. Eram simples
criaturas. ma raiva impotente apoderou!se dele.
— Se é assim, por -ue permitiu -ue sub9ssemos a bordoI — perguntou em
tom sombrio.
— C isso mesmo — e#clamou 3ell. — 1 -ue significa tudo issoI
— A entrada dos senhores foi facultada por iniciativa minha — disse Crest. —
+$o lhes ser0 f0cil compreender isso. 1s senhores pertencem a uma raça 2ovem.
Minha enfermidade fe% com -ue me fosse poss9vel contornar a lei. E#iste um
dispositivo especial para esta hip(tese. )odemos estabelecer contato com seres
subdesenvolvidos logo -ue nossa e#ist5ncia...
— Compreendo — interrompeu *hodan. — Compreendo perfeitamente. 1
senhor est0 precisando de au#9lioI
'hora soltou um grito agudo de despre%o. Apesar disso, parecia preocupada de
novo.
— 1 senhor é muito 2ovem e ativo — disse Crest em vo% bai#a. — 'odos os
seres da sua raça s$o assimI
*hodan esboçou um sorriso. 'inha certe%a absoluta de -ue era assim.
— +$o h0 nenhum médico a bordoI )or -ue ninguém fa% nada pelo senhorI
— A doença dele é incur0vel — disse 'hora laconicamente. — E agora v0. 1
senhor 20 me humilhou bastante. Crest falou com o senhor. Minha paci5ncia est0 no
fim. Sou eu -uem comando esta nave.
3ell estava começando a ficar espantado. "maginava -ue o primeiro encontro
com seres inteligentes decorresse de forma diferente. )arecia tudo t$o irreal e teatral.
U guisa de resposta, *hodan tirou o capacete. Seus olhos ardiam. "gnorou
a-uela mulher. Crest mostrou!se ainda mais interessado. Seu olhar tornou!se
cortante.
— 1 senhor se recusa a obedecerI — cochichou fora de si. — Sabe com -uem
est0 lidandoI
*hodan falou com uma grosseria flagranteK
— Sim, sei perfeitamente. Acontece -ue possuo um cérebro -ue funciona
muito bem, embora a comandante dos senhores procure negar este fato. )or isso,
também sei -ue me encontro numa nave espacial ocupada por dorminhocos. Muando
me lembro do est0gio de desenvolvimento cient9fico alcançado pelos senhores, acho
muito estranho -ue ninguém trate da sua doença. Ao -ue parece, ninguém se
interessa por ela. 'udo indica -ue o senhor e a comandante s$o os .nicos ocupantes
desta nave -ue ainda sabem raciocinar com clare%a. Além disso, tenho a impress$o de
me encontrar diante dos descendentes irremediavelmente degenerados de uma raça
-ue 20 foi muito desenvolvida. 6amento ter -ue di%er uma coisa destas, mas volte a
cabeça e e#amine friamente a-ueles dois homens. Se estivessem na 'erra, 20 teriam
sido internados num hosp9cio.
*hodan virou!se. Empunhava ameaçadoramente a arma com a espoleta 20 em
igniç$o.
'hora empalidecera. *epentinamente, duas figuras met0licas -ue soltavam um
%umbido estranho ergueram!se atr0s dela.
*hodan conhecia apenas os robôs terrestres e os computadores eletrônicos.
Mas a-uilo eram m0-uinas de aspecto humano, altamente aperfeiçoadas, -ue
dispunham de braços com armas e ferramentas, concebidos de forma genial.
Surgiram de repente. Cabeças redondas sem olhos erguiam!se ameaçadoras. Além
disso os canos sa9dos de v0rios aparelhos desconhecidos ocupavam suas posiç/es,
presos a suportes compostos de v0rias articulaç/es.
— )are com isso — soou a vo% de *hodan. — As coisas desagrad0veis devem
ser ditas ve% por outra. A senhora sabe perfeitamente -ue falei a verdade. Se o fato de
ter a mesma sido proferida por um selvagem a incomoda, a senhora n$o devia ter
permitido -ue entr0ssemos na nave.
Estava com o dedo no gatilho. *eginald 3ell procurava abrigo atr0s de um dos
leitos.
A mulher parecia fora de si. Com o rosto p0lido olhou para o cano da arma de
*hodan.
— 1 senhor se atreve<... — gemeu. Suas m$os se contorceram. — Atreve!se a
proferir palavras dessa espécie na nave e#ploradora do Hrande "mpério. Se n$o
sa9rem imediatamente mandarei destru9!los.
— 1X. Aceito — disse *hodan. — +esse caso h0 de permitir -ue decole com
a minha nave. Afinal, isto a-ui é o satélite da 'erra. +$o estamos em condiç/es de
viver a-ui.
— Sinto muito, mas n$o posso permitir -ue espalhe a not9cia da nossa
presença entre os seres -ue habitam o terceiro planeta.
— Muito bem< +esse caso -uer -ue morramos asfi#iados, n$o éI +$o
dispomos dos conhecimentos técnicos acumulados pelos seus antepassados, -ue os
senhores evidentemente ad-uiriram por herança. +$o sabemos e#trair o#ig5nio das
pedras ou fabricar alimentos com a poeira. Mal iniciamos a con-uista do espaço.
*hodan nunca teria esperado a reaç$o -ue se seguiu 8s suas palavras. Crest,
-ue parecia uma criatura t$o calma, levantou!se com um grito agudo. Subitamente
parecia ter es-uecido sua fra-ue%a.
— 1 -ue est0 di%endoI "niciaram o -u5I
— "niciamos a con-uista do espaço — repetiu *hodan em tom indiferente. —
Esta e#press$o choca o senhorI 'rilharemos nosso caminho, e um dia também
possuiremos naves gigantes como esta. E isso acontecer0 muito mais depressa do -ue
o senhor imagina.
— Espere, por favor — gemeu Crest. *hodan ergueu!se espantado. Abai#ou a
arma. Entre o enfermo e a comandante 'hora travou!se uma discuss$o t$o acalorada
-ue ele 2ulgou sua presença supérflua. 6entamente foi para 2unto de 3ell.
— C a situaç$o mais idiota -ue 20 vi — cochichou este apressadamente. — 1
-ue est0 acontecendo agoraI Est$o se devorando uns aos outrosI Seria bom -ue
déssemos o fora en-uanto é tempo. +$o gosto nem um pouco desses robôs. 1 -ue
voc5 acha disso tudoI
As perguntas de 3ell sa9am!lhe da boca precipitadamente. 'ivera -ue manter!
se por muito tempo em atitude passiva. *hodan observou atentamente a cena. &epois
disse com a vo% sombriaK
— 'enho a impress$o de -ue est$o discutindo sobre o nosso destino. +$o h0
d.vida de -ue esse homem tem poder e influ5ncia. Se n$o fosse assim a mulher n$o
se humilharia tanto. C um diabo esta mulher. Ainda n$o ve2o claro. Como é -ue eles
falam perfeitamente a nossa l9nguaI E o -ue significa a e#press$o 1 Hrande "mpérioI
Até parece -ue durante mil5nios a Vumanidade foi crescendo 8 margem de
acontecimentos e#traordin0rios sem desconfiar de nada. C uma coisa horr9vel. Ainda
acontece -ue, provavelmente, esta n$o é a .nica raça inteligente -ue e#iste no
niverso. Je2o possibilidades imensas. Continuaremos a-ui. Controle!se, meu velho,
pelo amor de &eus< Entramos numa grande 2ogada, ainda -ue tudo isto pareça
rid9culo. Essa gente lida com concepç/es totalmente diferentes das nossas. )ara eles
s$o perfeitamente naturais certas coisas -ue dei#ariam os estadistas da 'erra doentes
se alguém falasse nelas. 'emos de tratar com eles de igual para igual. Somos os
representantes da Vumanidade, e é meu dese2o -ue essa Vumanidade se torne grande,
forte e unida. Joc5 compreendeI
— Compreendo perfeitamente — disse 3ell, esticando as palavras. — Mas
também sinto o dese2o de sobreviver.
— Acho -ue Crest est0 tomando uma decis$o importante. Je2a s(< A mulher
paece estar encolhendo. Est0 cada ve% mais nervosa. Sinto -ue alguma coisa est0
acontecendo. 1lhe<
A comandante parecia fora de si. Seus olhos fascinantes ad-uiriram uma
tonalidade vermelho dourada. Crest disse mais alguma coisa. Falou em tom r9spido e
decidido. Ap(s isso ela assumiu uma posiç$o t$o angular -ue *hodan pensou -ue
estivesse prestando alguma homenagem.
"nterceptou seu olhar misterioso. Estava muito p0lida. )arecia -ue as palavras
de Crest haviam desencadeado nela um sentimento desagrad0vel. Jirou!se
subitamente e desapareceu em companhia dos dois enormes robôs.
Ficaram so%inhos. As duas criaturas ap0ticas deitadas nos leitos n$o contavam:
ao menos n$o contavam para )err7 *hodan.
Crest ca9ra sobre o leito: estava e#austo. "nclinou!se sobre o estranho com um
sentimento de real preocupaç$o. 1lhando bem de perto: viu -ue na verdade se
encontrava diante de um homem muito idoso. A lisura da pele era enganadora.
— 'enho um médico e#celente na minha nave — disse apressadamente. —
'emos de e#aminar o senhor e dispensar!lhe o tratamento ade-uado. 'enho a
impress$o de -ue a-ui ninguém lhe pode prestar au#9lio. V0 -uanto tempo 20 se
encontra no satélite da 'erraI
Crest recuperou!se um pouco. As feiç/es marcadas pelo cansaço
descontra9ram!se.
— Estou a-ui h0 um per9odo de tempo -ue o senhor chamaria de -uatro meses
— disse bai#inho. — Foi um acaso. 'ivemos de reali%ar um pouso de emerg5ncia.
Aproveitamos a oportunidade para aprender a l9ngua principal do seu planeta. 1
senhor deve achar isso bastante estranho. Acontece -ue nossos cérebros s$o
diferentes dos seus. +ossa mem(ria possui um registro gr0fico. +aturalmente
ficamos ouvindo as emiss/es radiofônicas dos homens. Ainda bem -ue n$o
pousamos no terceiro planeta. 1s seus habitantes est$o na imin5ncia de cometer um
crime tremendo contra as leis universais.
— Sim, é a guerra atômica — disse *hodan com a vo% aflita. — A situaç$o é
muito tensa. 6amento ter -ue admitir isso. Haranto!lhe -ue os homens n$o dese2am a
guerra.
— +$o a dese2am, mas provocam!na. Foi por isso -ue fomos de opini$o -ue a
raça 8 -ual pertencem os senhores ainda leva uma vida primitiva. Acontece -ue
mudei de opini$o. 1s senhores s$o 2ovens, ativos e dotados de uma receptividade
e#traordin0ria. &epois de t5!los observado atentamente, decidi en-uadr0!los na escala
de evoluç$o &. Cabe a mim tomar uma decis$o desta espécie. 'hora foi instru9da
para introdu%ir na mem(ria positrônica a nova classificaç$o da raça dos senhores.
Sou o chefe cient9fico desta e#pediç$o. Acho -ue é este o nome -ue os senhores
dariam ao meu cargo. 'hora é a encarregada da navegaç$o. 1s senhores
compreendemI D0 conhecem distinç/es desta espécie no poder de comandoI
*hodan disse -ue sim. Até -ue os homens as conheciam muito bem.
— As declaraç/es dos senhores guardam relaç$o direta com a lei da
classificaç$o das raças promulgada pelo Hrande "mpério. 1s senhores desde -ue 20
tenham dado in9cio 8 con-uista do niverso podem ter seu n9vel de classificaç$o
elevado por decis$o de um cientista autori%ado pelo "mpério. Foi o -ue fi%. Com isso
os argumentos da 'hora acham!se superados. Estamos autori%ados a entrar em
contato com os senhores.
Sorriu ligeiramente. +os seus olhos via!se a e#press$o de um triunfo
silencioso. *hodan compreendera. *eginald 3ell soube interpretar corretamente a
posiç$o r9gida -ue assumira. *hodan estava certo de ter dado um passo enorme 8
frente.
— 1 senhor est0 precisando de au#9lio — repetiu. — &ei#e!me buscar o
nosso médico. 'emos de fa%er alguma coisa.
— &ei#emos isso para depois. Escute!me primeiro. Ali0s, n$o acredito -ue o
senhor este2a em condiç/es de a2udar!me. Embora se2amos parecidos no aspecto
e#terior, é prov0vel -ue o funcionamento do meu organismo se2a completamente
diferente do seu. A constituiç$o do nosso organismo também n$o deve ser a mesma.
&e -ual-uer maneira os senhores est$o em conformidade com os re-uisitos da lei
fundamental do "mpério. '5m muita semelhança conosco, possuem esp9rito e
conseguiram dar emprego .til 8 energia do n.cleo atômico, descoberta pelos
senhores. Ainda n$o cometeram o erro de utili%ar essa energia fundamental para sua
autodestruiç$o. Sou um dos principais cientistas do Hrande "mpério, um dos poucos
homens -ue conservou a força de vontade e a energia vital. A posiç$o de 'hora os
surpreendeuI
3ell lançou um olhar triste para as criaturas im(veis. Ao -ue parecia, o
programa singular tinha mudado. Subitamente, ouviu!se um furac$o de ru9dos. As
figuras geométricas modificavam!se muito pouco.
— 1 motivo é esseI — perguntou *hodan em tom sereno. — A decad5ncia da
raça, n$o éI
— C certo. )elo calend0rio dos senhores, minha raça tem alguns milh/es de
anos de idade. Antigamente, éramos iguais aos senhoresK possu9mos esp9rito de
con-uista, energia e sede de saber. V0 v0rios milhares de anos, começou a
decad5ncia. 1 Hrande "mpério esfacelou!se. Certas intelig5ncias e#(ticas revoltaram!
se contra o nosso dom9nio e o reino dos astros começou a oscilar. Sempre fomos
soberanos bondosos, ao contr0rio das outras formas de intelig5ncia. Agora, chegamos
ao fim. 1 "mpério entrou em decad5ncia e a luta pelo poder absoluto est0 sendo
travada. Mais de cin-Genta raças muito evolu9das travam guerras terr9veis nas
profunde%as da Jia 60ctea. 1s senhores nada sabem a esse respeito. 1 Sol fica muito
longe do palco dos acontecimentos, encontra!se num braço secund0rio da gal0#ia.
— 1 -ue est$o fa%endo para remediar a situaç$oI — indagou 3ell.
— +ada. D0 n$o fa%emos mais nada — disse o velho resignadamente. —
'ornamo!nos fracos e ap0ticos. )ertenço 8 dinastia reinante de Yrcon. 'hora,
também. Yrcon é um mundo -ue fica a mais de trinta e -uatro mil anos lu% da-ui. 1s
senhores contam a dist4ncia em anos!lu%, n$o éI
*hodan estava espantado. Era uma dist4ncia por demais vasta para -ue a
mente humana pudesse avaliar.
— Muer di%er -ue os senhores con-uistaram o segredo da viagem espacial a
velocidade superior 8 da lu%I
— Claro -ue 20< "sso aconteceu h0 algumas de%enas de milhares de anos pelo
calend0rio terrestre. Conhecemos a 'erra h0 cerca de mil anos. Foi na-uela época -ue
fi%emos nossa .ltima visita 8 regi$o. &epois disso, teve in9cio a decad5ncia dos
arcônidas. As viagens de e#ploraç$o foram suspensas, as naves espaciais
permaneceram nas respectivas bases. 'odos s$o de opini$o -ue n$o poderemos
escapar 8 aç$o de uma lei natural. C verdade -ue ainda pensamos e plane2amos. +o
campo puramente espiritual concebemos planos maravilhosos para a criaç$o de um
novo império. Mas n$o passamos disso. Falta!nos energia e força de vontade para
transformar em realidade os nossos pensamentos fuga%es. +egligenciamos assuntos
da maior import4ncia. A decad5ncia acentua!se cada ve% mais: a pr(pria dinastia
*einante foi atingida. 'odos procuram a bele%a e a tran-Gilidade, desistindo de
-ual-uer tipo de reali%aç$o. Estamos muito velhos. +ossas energias desgastaram!se.
E... — os olhos de Crest estreitaram!se — até agora n$o t9nhamos descoberto
nenhuma raça -ue fosse assim como n(s 20 fomos. )rovavelmente os senhores
constituem a e#ceç$o maravilhosa. Foi por isso -ue os elevei na escala da
classificaç$o. C meu direito e meu dever.
&entro de *hodan despertou o cientista. Jia diante de si in.meras indagaç/es
e mistérios impenetr0veis.
— )elo -ue acaba de di%er, os senhores est$o a-ui h0 -uatro meses. )or -ue
ainda n$o decolaramI
Crest confirmou com um gesto comedido. Seu olhar tornava!se cada ve% mais
penetrante.
— A pergunta é pr(pria de um ser inteligente, dotado de uma tremenda
energia. )or -ue ainda estamos a-uiI 1 pouso de emerg5ncia no satélite da 'erra foi
motivado por uma falha das m0-uinas. +inguém se preocupa mais com a manutenç$o
das nossas naves espaciais. A avaria é pe-uena, mas n$o temos peças sobressalentes a
bordo. Simplesmente foram es-uecidas, da mesma forma -ue tudo -uanto é
importante costuma ser es-uecido. +inguém se lembrou. )or isso estamos presos
a-ui. Ficamos esperando indefinidamente, e n$o acontece nada. Minha doença me
impede de adotar pessoalmente as provid5ncias necess0rias. 'emos necessidade
premente de peças sobressalentes. +$o acredito -ue poder9amos obt5!las no mundo a
-ue pertencem os senhores.
— )oderemos confeccion0!las — disse 3ell. — 3asta mostrar!nos como s$o
feitas, e elas lhes ser$o entregues dentro de pouco tempo. 1 senhor n$o nos deve
subestimar. 1s maiores cérebros da 'erra trabalhar$o a todo vapor. Arrancaremos as
estrelas do céu, desde -ue o senhor nos diga como fa%5!lo. A ind.stria da 'erra é
uma organi%aç$o enorme. Conseguiremos -ual-uer coisa. "sto mesmo, -ual-uer
coisa.
Estas palavras otimistas reanimaram Crest.
— Acredito no senhor — disse em tom e#altado. — 1s senhores t5m de
con-uistar 'hora. As mulheres da nossa raça s$o menos degeneradas -ue os seres do
se#o masculino. C por isso -ue as mulheres ocupam tantas posiç/es importantes.
Essa situaç$o 20 e#iste h0 séculos. Antes disso as mulheres s( se ocupavam dos
afa%eres domésticos. 1 esp9rito de 'hora ainda é l.cido e penetrante. Ma2or *hodan,
o senhor é o homem indicado para ela. 'hora tem medo do senhor. 1 fato me
surpreende.
*hodan engoliu em seco. Ent$o era isso< 3ell sorriu. A situaç$o complicara!se
ainda mais.
— +$o se admirem se me e#primo em conformidade com as concepç/es dos
senhores — disse Crest. — V0 muito tempo est0 a meu cargo os contatos com
intelig5ncias estranhas. Estou acostumado a adaptar!me rapidamente 8 mentalidade
de -ual-uer raça. &essa forma a presença dos senhores n$o foi nenhuma surpresa
para mim. C um acontecimento banal. 1s senhores est$o profundamente
impressionados: chegam a estar deprimidos. Até a-ui ignoravam -ue n$o s$o os
.nicos seres inteligentes do niverso. D0 tive conhecimento de muitos casos
semelhantes. 1 primeiro contato com um ser superior sempre causa um cho-ue. Mas
os senhores 20 superaram este cho-ue.
— 1 -ue est0 fa%endo essa genteI — indagou *hodan com a vo% abafada. A
m.sica estranha mudara de novo. 'ransformara!se num tipo de murm.rio persistente.
Crest virou a cabeça num gesto cansado.
— C o conhecido 2ogo do simulador, -ue influiu decisivamente na decad5ncia
do esp9rito e da vontade dos seres da nossa raça. 3ilh/es de arcônidas passam os dias
deitados diante das telas de imagem. 'rata!se de 2ogos fict9cios. Cada um deles foi
concebido por um profissional diferente. S$o muito complicados. *epresentam a
ilustraç$o visual e ac.stica dos pensamentos. 1s seres da minha raça n$o se
interessam por mais nada. A coisa est0 cada ve% pior. A bordo desta nave s( h0
cin-Genta pessoas. *aramente chego a v5!las. Muando isso acontece est$o deitadas
diante das telas de imagens fict9cias, perdidas no seu enlevo. +ossa decad5ncia nada
tem -ue ver com rela#amento dos costumes. &ecorre da debilitaç$o total da vontade.
'udo nos dei#a indiferentes. +ada nos e#cita, nada nos interessa. A obra de -ual-uer
artista novo sempre tem a preced5ncia. 'odo mundo anda t$o ocupado -ue se apressa
em go%ar com a maior rapide% as del9cias da criatividade art9stica.
— Mue di%er -ue dei#aram o senhor 2ogado a-ui por -uatro mesesI — disse
*hodan, revoltado no seu 9ntimo. — +$o fi%eram -ual-uer tentativa de encontrar
algum remédioI )ara os seres da sua raça isso devia ser f0cil.
— Seria f0cil se alguém se animasse a agir. 'emos a bordo medicamentos em
-uantidade suficiente. Acontece -ue fui acometido de uma enfermidade ainda
desconhecida entre n(s. Vaveria necessidade de e#ames e pes-uisas. Estas, porém,
e#igiriam tempo, esforço e trabalho intenso. E isso n$o é poss9vel. +esta nave
encontram!se artistas de renome, -ue constantemente criam novas obras fict9cias. A
tripulaç$o de robôs mantém a ordem na nave. 1 pouso de emerg5ncia dos senhores
também foi obra desses mecanismos autom0ticos. &ecorreu do funcionamento
normal dos dispositivos de segurança. 1 cérebro positrônico constatou -ue n$o
dev9amos manter contato com os senhores. )or isso ligou as chaves correspondentes.
C muito simples.
— Muito simples< — gemeu *hodan. Sentia!se tomado por uma perturbaç$o
terr9vel. — 1 senhor considera simples coisas -ue para n(s soam como contos de
fadas. A prop(sito, o -ue significa a palavra positrônicoI +(s dispomos de
computadores eletrônicos cu2a, capacidade é enorme. Mas um positron é uma coisa
muito ef5mera.
Crest riu. +os seus olhos surgiu uma e#press$o -ue pareciaK ser de piedade
paternal. 3ell engoliu uma palavra 0spera.
— 1 senhor acabar0 compreendendo. +$o estamos mais em condiç/es de
decolar. Ser0 -ue poderei contar com o seu au#9lioI
Subitamente *hodan voltou a transformar!se no comandante — e também
num homem. 1s efeitos da surpresa imensa haviam passado. Começou a refletir com
a precis$o fria de uma m0-uina.
— 1s .ltimos comunicados dos nossos serviços secretos revelam -ue s(
através dos esforços mais intensos poder0 ser evitada a irrupç$o de uma guerra entre
o mundo ocidental e as pot5ncias da Federaç$o Asi0tica, cu2as conse-G5ncias
certamente seriam terr9veis. +$o posso e#plicar em pouco tempo o motivo por -ue
ser0 dif9cil evitar essa guerra. +o fundo esse motivo deve ser procurado nas
diferenças ideol(gicas. )rovavelmente o senhor n$o conhece nada disso. Acontece
-ue na 'erra prevalecem estas condiç/es. &ese2o formular uma pergunta clara.
Crest soltou um suspiro profundo.
— ma pergunta clara< — repetiu. — &esde a minha 2uventude n$o ouço uma
formulaç$o dessas. Entre n(s ninguém mais fa% perguntas claras. )or obsé-uio, diga
o -ue dese2a.
— 1 senhor disp/e de meios para impedir um conflito arrasador com armas
atômicasI Em caso afirmativo, -ue meios s$o essesI
— &e -ue tipo seriam as armas atômicasI — perguntou Crest bastante
interessado.
— S$o de duas espécies. +uma espécie é usado o processo de desintegraç$o
nuclear, noutra a reaç$o termonuclear.
— 1 processo de desintegraç$o pode ser impedido por meio da absorç$o
completa dos n5utrons liberados. Conheço o processo primitivo da desintegraç$o
nuclear, -ue é muito antigo. +a aus5ncia das part9culas -ue os senhores chamam de
n5utrons o mesmo n$o é poss9vel.
— )erfeitamente. Sabemos disso, mas n$o temos meios para conseguir a
absorç$o dos n5utrons. E -ue tal as termonucleares, como as bombas de hidrog5nioI
— 'ambém se trata de um processo anti-G9ssimo, -ue 20 n$o é utili%ado entre
n(s. 1 dispositivo antineutrônico n$o serve para impedir a fus$o nuclear.
— C verdade. Acontece -ue por en-uanto entre n(s s( se conhece a chamada
igniç$o -uente. 'odas as pot5ncias da 'erra dependem de um dispositivo de igniç$o
térmica baseado na desintegraç$o nuclear para desencadear a reaç$o da carga de
hidrog5nio das grandes bombas. +a falta da carga nuclear -ue fornece o impulso
térmico inicial 2amais se conseguir0 a fus$o dos pr(tons mais leves.
— Je2o -ue o senhor é cientista. Muito bem. Haranto -ue essas armas
falhar$o totalmente, desde -ue ainda funcionem com o processo de igniç$o primitivo.
)ara isso basta um pe-ueno aparelho.
— )ara toda a 'erraI — indagou *hodan surpreso.
— A 'erra é um planeta pe-ueno, e nossa nave representa um poderio
tremendo. Conseguiremos.
*hodan engoliu desesperadamente em seco. +$o tinha coragem de fitar os
olhos arregalados de 3ell. 1 técnico sentia!se aturdido. A-uele estranho falava de
todas essas maravilhas com a mesma desenvoltura -ue um menino da 'erra
demonstraria ao conversar com coleguinhas sobre seus brin-uedos.
— +esse caso, valer0 a pena lev0!lo 8 'erra para ser tratado. Mas é necess0rio
-ue o &r. Manoli o e#amine imediatamente. Ele descobrir0 a nature%a do seu mal.
Muem sabe se, oferecendo alguns dados sobre a estrutura do seu organismo e sobre o
seu metabolismo, o senhor pode facilitar!lhe o diagn(stico. +a minha opini$o, seria
conveniente -ue ele estivesse a par de tudo.
— )artiremos com o ve9culo blindado — disse 3ell com a vo% in-uieta. —
Santo &eus< Se n$o chegarmos a tempo Fletcher apertar0 o bot$o de decolagem. Ser0
o diabo<
— +$o é necess0rio -ue v0 até l0 — disse Crest em vo% bai#a. — Fale com
'hora. Ma2or *hodan, o senhor ainda n$o sabe do -ue somos capa%es.
V11
1 Capit$o Fletcher tremia como vara verde. Apavorado, passou os olhos pela
sala circular da-uela nave imensa.
'hora observava!o com uma e#press$o de ironia nos olhos. 1 &r. Eric Manoli
desaparecera logo. )recipitara!se sobre Crest com o verdadeiro entusiasmo de um
pes-uisador. Vavia mais alguns homens na sala. 1fereciam um aspecto desa2eitado
-ue inspirava compai#$o, muito embora, segundo as informaç/es de Crest, se
contassem entre os indiv9duos mais ativos da-uela raça.
*hodan, todavia, teve a impress$o de -ue todas as part9culas da-ueles seres
debilitados ansiavam apenas pelo pr(#imo programa fict9cio. Embora envergassem o
uniforme do Hrande "mpério, pareciam pensar e#clusivamente nas telas simuladoras.
Era este o aspecto dos descendentes de uma raça c(smica outrora poderosa.
Seria dif9cil imaginar -ue os antepassados da-ueles seres haviam fundado um
império gal0ctico.
*hodan n$o acreditava -ue uma coloni%aç$o desse tipo tivesse sido levada a
efeito sem sangue e l0grimas. Mas tudo isso pertencia ao passado. Encontravam!se
diante dos restos de um grande povo, cu2o legado técnico!cient9fico 20 n$o poderia ser
aproveitado. A lembrança da operaç$o de resgate causava vertigens em *hodan.
'hora estivera so%inha na sala de comando apinhada de aparelhos, cu2a
profus$o era perturbadora para ele. *hodan n$o contava os numerosos robôs, embora
afinal eles tivessem reali%ado todo o trabalho.
Fletcher -uase enlou-uecera -uando a Stardust foi erguida por uma força
apavorante. Sentia arrepios ao lembrar!se de tudo a-uilo.
— Foi terr9vel — disse com a vo% abafada. — +ossa solid$o 20 se tinha
tornado -uase insuport0vel. Eric e eu nos reve%0vamos no serviço de guarda.
Cont0vamos sempre com o aparecimento repentino de alguma patrulha asi0tica. E
viv9amos pensando em voc5s e na mensagem radiofônica -ue pretendiam enviar. &e
repente começaram os solavancos. Alguma coisa levantou a nave como se fosse uma
pena. +$o vimos nem ouvimos nada. 'omado de p4nico, liguei a chave de partida.
&ei a força de empu#o m0#ima, sem utili%ar o dispositivo autom0tico. Foi em v$o.
Subitamente o reator dei#ou de funcionar, e l0 se foi todo o empu#o. A Stardust foi
arrastada por cima da cratera. 6ogo depois vimos a nave gigantesca. A essa altura nos
pousaram com tamanha delicade%a -ue mal sentimos um ligeiro solavanco. Fi-uei
feli% -uando vi a cara de 3ell. Ser0 -ue voc5s t5m mais alguma surpresa para n(sI
Sim, havia mais uma surpresa. Em termos lacônicos, 'hora deu e#plicaç$o do
fenômeno. 'ratava!se simplesmente da criaç$o de um campo energético destinado 8
movimentaç$o de ob2etos dotados de estabilidade material. Era um procedimento
corri-ueiro em Yrcon.
Escolhera cautelosamente as palavras, mas n$o conseguira disfarçar a ironia.
Ainda n$o se es-uecera. )rovavelmente n$o conseguiria es-uecer t$o depressa. )ara
ela os homens continuavam a ser criaturas subdesenvolvidas. S( mesmo a situaç$o
dif9cil em -ue se encontravam 2ustificava a cooperaç$o com os mesmos. Era por isso
-ue ela os tinha aceito, mais nada.
Encontravam!se numa pe-uena ante!sala, 8 espera do &r. Manoli. Este
conseguira material gr0fico suficiente para formar uma idéia sobre a construç$o do
organismo de um arcônida. &e -ual-uer maneira, *hodan tinha certe%a de -ue
Manoli teria de enfrentar um problema médico e#cepcional. Certamente surgiriam
in.meras dificuldades. +$o se poderia esperar -ue -ual-uer médico terreno
conseguisse familiari%ar!se com um organismo totalmente estranho num verdadeiro
golpe de prestidigitaç$o. 'ratava!se de um ob2eto de estudo completamente distinto.
E ainda havia a considerar os enormes perigos -ue poderiam resultar de -ual-uer
espécie de tratamento.
A intervenç$o do médico representaria um 2ogo arriscado, -ue envolveria a
vida da-uele ser. +inguém poderia prever como o mesmo reagiria aos medicamentos
usados na 'erra.
&e -ual-uer maneira poderia confiar no discernimento de Manoli. Se n$o
houvesse possibilidade de au#9lio imediato teriam de recorrer 8s maiores
intelig5ncias da 'erra. *hodan estava decidido a fa%er trabalhar toda a ind.stria
farmac5utica do planeta a pleno vapor, se isso fosse necess0rio. Essa criatura tinha de
ser salva. )ouco importava como.
1 &outor Manoli desaparecera h0 de% horas. +inguém poderia prestar!lhe
a2uda. +enhuma das outras pessoas -ue se encontravam a bordo da nave era médico.
'hora parecia cada ve% mais in-uieta. )ercebia -ue se encontrava numa encru%ilhada
decisiva da sua e#ist5ncia. Suas idéias sobre as possibilidades de desenvolvimento da
raça humana ainda eram muito confusas.
*hodan observou!a bastante preocupado. Ela se esforçava para ocultar a
ang.stia -ue a roia atr0s de uma ironia causticante e uma generosa condescend5ncia.
Sentia, porém, -ue a-uele homem alto, cu2os olhos cintilavam numa e#press$o de
ironia, percebia o -ue se passava no seu interior.
'udo seria simples para 'hora se a-uelas intelig5ncias estranhas n$o tivessem
o mesmo aspecto dos indiv9duos da sua raça. Assim, porém, a situaç$o a perturbava e
deprimia, colocando!a numa posiç$o embaraçosa. Saberia lidar sem -uais-uer
dificuldades com criaturas -ue n$o tivessem a apar5ncia humana. A-ui, porém, o
caso mudava de figura. Sentia a vontade firme de *hodan, -ue n$o -ueria ceder um
palmo se-uer. Fa%ia -uest$o de ser aceito, de ver reconhecida sua -ualidade de ser
inteligente. Arrogava!se o direito de comparar!se a ela, -ue era uma arcônida. Esse
fato -uase chegou a desencadear nela uma tormenta interior. Subitamente teve
consci5ncia da posiç$o e#cepcional -ue a raça humana ocupava no niverso. Antes
disso ninguém adotara diante dela uma atitude t$o franca e desafiadora. Estava
acostumada a ver todo mundo humilhar!se, reconhecendo sem -ual-uer restriç$o o
seu poder imenso. 'udo isso parecia n$o atingir a-uele homem. Ele a fe% ferver de
raiva com seu sorriso impertinente. &epois tratou!a como uma criatura tola. 'hora
estava fora de si.
Ficou r9gida -uando *hodan voltou a apro#imar!se dela. Seu olhar furioso foi
retribu9do com um am0vel aceno de cabeça. Ser0 -ue ele n$o percebia nada, ou n$o
-ueria perceberI 'udo indicava -ue n$o -ueria perceber. 'al atitude a assustou.
— 'enho outra pergunta bem clara — disse *hodan. — 1u melhor, meu
esp9rito est0 ocupado com certo problema. &iga!me uma coisa. +o seu mundo e#iste
-ual-uer meio de pagamento, isto é, dinheiro ou -ual-uer outro instrumento de trocaI
— C claro -ue o interc4mbio comercial entre mais de de% mil planetas
habitados n$o poderia prescindir de meios de pagamento — respondeu 'hora em tom
irônico.
— Muito bem — disse *hodan com um sorriso. — 'erei de levar Crest para a
'erra. A bordo do nosso foguete min.sculo n$o temos os medicamentos de -ue
precisamos, nem os instrumentos necess0rios aos e#ames. 'alve% ha2a necessidade de
uma operaç$o. 1 -ue pode oferecer em pagamentoI '9tulos de crédito ou dinheiro
dificilmente nos interessariam, pois n$o saber9amos o -ue fa%er com isso. 1 -ue tem
para oferecer, portantoI Mue tal algum material sintético valiosoI Alguma subst4ncia
artificial ou coisa -ue o valhaI
— 6evamos a bordo bens de troca normais para os mundos em
desenvolvimento dos n9veis C e &. 'rata!se de m0-uinas!ferramentas -ue disp/em de
suprimento de energia pr(prio, comando integral por robô e garantia de
funcionamento de oitenta anos pelo calend0rio terrestre. E#istem m0-uinas para
todos os tipos de atividade econômica. Ainda posso oferecer e-uipamentos
micromec4nicos, tais como aparelhos port0teis para a procura de elementos -u9micos,
a reforma do solo, a neutrali%aç$o da gravidade com vistas ao transporte aéreo
individual e...
— )are, sen$o acabo endoidecendo — gemeu Fletcher. — "sso é uma loucura.
A 'erra ficar0 de pernas para o ar. 1s homens se matar$o por essas m0-uinas
milagrosas.
— "sso n$o é comigo. )ara as intelig5ncias primitivas s( tenho ob2etos
inofensivos.
— E o -ue tem para oferecer 8s tais intelig5ncias verdadeirasI — indagou
*hodan. — Est0 bem< &ei#emos disso. )osso imaginar. Faça o favor de providenciar
para -ue a Stardust se2a abastecida. )onha na nave tudo a-uilo de -ue Crest vai
precisar. E — interrompeu!se — faça o favor de n$o es-uecer a-ueles aparelhos
especiais. Acho -ue a senhora ainda se lembra da nossa palestra.
'hora observou!o atentamente. m sentimento de respeitosa aceitaç$o
começou a surgir no seu 9ntimo.
— Sabe -ue est0 arriscando sua vidaI Compreendo os seus motivos. Acho -ue
fa% bem. S( penso nas reaç/es b0rbaras dos seres sub... isto é...
— )ode pronunciar a palavra sem susto — disse *hodan com um sorriso. —
"sso n$o me atinge mais. +esta altura ve2o em voc5 alguém indeciso -ue 20 n$o sabe
bem o -ue di%. Es-ueçamos isto. )eço!lhe -ue comece imediatamente com o
carregamento. *etire tudo -ue se encontra no por$o de carga da Stardust. 'enha
cuidado para -ue n$o se2am colocadas mais de sessenta toneladas de carga .til. 1
pouso ser0 dif9cil. Ali0s pensando melhor, -uem sabe se n$o -uer nos ceder uma das
suas grandes naves au#iliaresI Com ela atingir9amos a 'erra dentro de uma hora.
— &entro de cinco minutos — corrigiu 'hora. — 6amento, mas minha boa
vontade n$o chega a esse ponto. S( mesmo Crest e alguns dos aparelhos -ue se
encontram nesta nave poder$o tocar o solo da 'erra. +$o posso proceder de outra
forma. 'enho de ater!me 8s instruç/es.
— Crest colocou!nos numa classificaç$o mais elevada.
— Foi sorte sua. Se n$o fosse assim nem poder9amos conferenciar com os
senhores. Assim mesmo, n$o posso enviar -ual-uer nave au#iliar 8 atmosfera
terrestre. 1 cérebro positrônico n$o iria cooperar. E n$o posso modificar a regulagem
do robô gigante. +ossa miss$o era outra.
— Mual eraI — perguntou *hodan com uma sensaç$o desagrad0vel.
— 6amento mais uma ve%. &e -ual-uer maneira n$o pretend9amos pousar
a-ui. +osso destino era outro. Ficava a alguns anos!lu% de dist4ncia.
1 &r. Manoli apareceu. Estava p0lido e esgotado. Sua saudaç$o parecia um
gesto de recusa.
— +$o façam perguntas. Foi mais -ue cansativo. &iferem de n(s menos do
-ue eu temia. A disposiç$o dos (rg$os é bem compreens9vel se bem -ue se2a
diferente da nossa. 1 es-ueleto também n$o é igual ao nosso. 'odavia, possuem
sangue id5ntico ao humano. 'rata!se de um caso de leucemia. 1 hemograma prova!o
com absoluta certe%a. Jali!me de todas as possibilidades -ue nosso laborat(rio de
bordo oferece. V0 dois anos conseguimos produ%ir o soro anti!leuc5mico. Até ent$o a
doença era incur0vel. Agora s( me resta fa%er votos para -ue Crest rea2a ao nosso
soro. 'alve% o resultado se2a catastr(fico. &igo talve%: n$o tenho certe%a.
3iologicamente, os arcônidas se parecem muito conosco. 'enho plena certe%a de -ue
é leucemia...
*hodan voltou a sobressaltar!se. 'hora, toda assustada, perguntou -uais eram
as causas da moléstia. Subitamente perdera seus ares de superioridade.
— Comece logo< — disse *hodan em tom 0spero. — +$o faça perguntas.
Comece com o carregamento da nossa nave. Est0 em cima da hora. 1 diabo -ue
carregue todos os dorminhocos da sua raça. )ouco me importa -ue n$o goste da
e#press$o. C uma vergonha -ue intelig5ncias superiores se entreguem a um
divertimento de loucos. )ara um ser humano tal atitude seria inconceb9vel. Comece
logo< 1u ser0 -ue n$o se preocupa com a sa.de de CrestI
'hora refletiu um pouco. &epois respondeu num tom ine#pressivoK
— V0 pouco o senhor perguntou o -ue est0vamos procurando nesta regi$o do
espaço. )ois eu lhe direi. Estamos empenhados em conservar nossos grandes
esp9ritos. +$o conseguimos reali%ar a manutenç$o da vida biol(gica. Apenas
alcançamos alguns 5#itos parciais. Fui incumbida de ir a um planeta descoberto numa
e#pediç$o anterior, cu2os habitantes conhecem o segredo da conservaç$o biol(gica
das células. Crest é uma das personalidades mais importantes da nossa raça. Além
disso, n$o foi atingido pela decad5ncia geral. Salve!o< 'ome -ual-uer medida -ue
se2a conceb9vel. &ar!lhe!ei todo o apoio. 1uça bem, ma2or *hodanK todo o apoio.
1lhe -ue isso significa alguma coisa< Caso ha2a -ual-uer dificuldade, uma chamada
pelo transmissor especial basta. Seguirei suas recomendaç/es 8 risca. C bom -ue
saiba -ue o poder dos governantes terrenos n$o passa de um nada rid9culo, -ue posso
varrer para todo o sempre, apenas ligando uma chave. Com esta nave poderia destruir
todo o sistema solar. m .nico dos meus canh/es energéticos bastaria para
transformar um continente inteiro num oceano incandescente de rochas derretidas.
6embre!se disso e avise!me assim -ue precisar de -ual-uer coisa.
Saiu sem di%er mais nada. 1 rosto do capit$o Fletcher apresentava uma
palide% cadavérica.
— Mesmo -ue nunca tivesse acreditado em nada, aceitaria isto a-ui como
verdade pura — disse. — Santo &eus, onde é -ue fomos pararI E o -ue vai sair de
tudo istoI ;ashington ficar0 de pernas para o ar.
— 'alve% n$o< — ob2etou 3ell, esticando as palavras de tal maneira -ue
Fletcher estremeceu.
— )or -ue di% issoI
— )or nada.
3ell fitou os olhos vidrados no seu comandante. Muando Fletcher se dirigiu ao
&r. Manoli, *eginald 3ell indagou, esticando ainda mais as palavrasK
— 1 -ue h0 com voc5, meu velhoI Alguma coisa n$o est0 em ordem, n$o é
mesmoI Mual foi a conversa secreta -ue teve com 'horaI
— Muem sabe n$o lhe fi% uma proposta de casamento — respondeu *hodan
ironicamente. Seu olhar era uma advert5ncia. Joltou a ter os olhos de um
con-uistador implac0vel. Ao menos foi essa a impress$o de 3ell.
— Alguma ob2eç$oI
+$o, o Capit$o *eginald 3ell n$o fe% mais nenhuma pergunta. )elo contr0rio.
Ficou muito calado. 1s robôs passaram ao seu lado. A Stardust foi carregada com
todo cuidado com ob2etos tirados do gigantesco arsenal da nave esférica. 'ratava!se
de instrumentos, cu2o peso total era de O>,F toneladas: esse peso foi calculado
segundo as condiç/es e#istentes na 'erra.
*hodan entrou na sala em -ue se encontrava Crest. Com um sorriso animador
disseK
— Estamos de partida. "nfeli%mente, 'hora continua a recusar!se a colocar
uma nave au#iliar 8 nossa disposiç$o. +$o se poderia fa%er alguma coisaI +a
Stardust seu organismo estar0 su2eito a tens/es consider0veis. Ainda n$o
descobrimos nenhum meio para neutrali%ar a força da inércia. )or isso a energia
resultante na aceleraç$o ser0 muito elevada.
— +$o tenho nenhum meio de influir nesse tipo de decis/es. 'odavia, os
senhores n$o sofrer$o mais os efeitos da inércia. 'eremos um neutrali%ador a bordo.
+$o sentir$o absolutamente nada.
*hodan voltou a engolir em seco. Compreendeu -ue 20 estava na hora de
perder o h0bito de ficar admirado. Ao -ue parecia os arcônidas conseguiram reali%ar
tudo a-uilo -ue para a ci5ncia terrena ainda se situava no terreno long9n-uo e
nebuloso dos problemas insol.veis.
V111
— Eles conseguiram, eles conseguiram<
Estas palavras foram repetidas sem cessar. 1 general )ounder, chefe do
Comando de )es-uisa Espacial e &iretor do campo de +evada Fields parecia n$o
saber outras. +$o tirava os olhos da grande tela do radar.
&epois de -uator%e horas de viagem, a Stardust mergulhara nas camadas
superiores da atmosfera terrestre. Estava iniciando a terceira (rbita el9ptica de
frenagem.
Ainda no espaço va%io conseguira redu%ir sua velocidade para cinco
-uilômetros por segundo. A e#peri5ncia havia demonstrado -ue as previs/es sobre o
desempenha do novo mecanismo propulsor -u9mico nuclear n$o foram e#ageradas. 1
esto-ue de material irradiante de -ue ainda dispunha permitiu manobras -ue teriam
sido completamente imposs9veis se a nave trabalhasse com algum combust9vel
-u9mico.
)ouco antes de chegar 8s primeiras moléculas de ar o curso da nave foi
alterado 1s dispositivos autom0ticos n$o apresentavam -ual-uer defeito:
funcionaram com a maior precis$o. Ao -ue tudo indicava, n$o havia a menor
possibilidade da ocorr5ncia de outra pane.
1 comunicado em -ue o ma2or *hodan e#plicou as causas do seu longo
sil5ncio parecia um pouco estranho. Segundo declarou através da radiofonia, teriam
surgido problemas nos comandos do mecanismo propulsor. Acrescentou -ue s(
depois do pouso poderia fornecer dados mais detalhados.
Fa%ia alguns segundos -ue a Stardust voltara a penetrar no campo atingido
pelos instrumentos de mediç$o das estaç/es do Alasca e da Hroenl4ndia. Encontrava!
se a uma altitude de apenas E?F -uilômetros, a sua velocidade era pouco superior a
?>> -uilômetros por hora.
)ounder virou!se contrariado. 1 homen%inho dera not9cia da sua presença
através de um pigarro.
1 chefe do Serviço Secreto da 1tan, Allan &. Mercant, n$o se dei#ara
convencer a sair da estaç$o central de comando. Sabia -ue estava incomodando, mas
esse fato n$o incomodava a ele.
Surgira repentinamente h0 tr5s horas. Seus acompanhantes tinham se retirado
em sil5ncio. Ap(s isso os tan-ues da A.
a
&ivis$o dos Estados nidos surgiram
inesperadamente. Em nenhuma outra oportunidade a base de +evada Fields fora
blo-ueada de forma t$o completa.
Além disso, aterrissaram enormes avi/es de transporte com tropas de elite. A
&ivis$o de &efesa "nterna da )ol9cia Federal destacara seus melhores elementos para
a miss$o. m contingente enorme de tropas e de armamento pesado aguardava o
pouso da Stardust.
1 general )ounder ficara furioso. Allan &. Mercant e#ibiu o sorriso am0vel de
sempre.
— Sinto muito, general. Foi o senhor mesmo -ue fe% rolar a avalanche.
Hostaria de saber o -ue aconteceu realmente com a-uela nave. As informaç/es do
comandante parecem um pouco estranhas, n$o achaI
— )ara isso n$o seria necess0rio mobili%ar uma divis$o inteira com de% mil
homens — berrou o general )ounder.
1 Chefe do Serviço de &efesa s( podia lamentar o ocorrido. +a sua opini$o
era necess0rio. )or um instante )ounder pensara em avisar os -uatro pilotos pela
radiofonia. 'odavia, isso n$o foi poss9vel por-ue, subitamente, alguns homens 8
paisana surgiram na sala de r0dio.
)ounder n$o sabia o -ue pensar de tudo isso. 1s técnicos e os cientistas
estavam nervosos. 1 chefe militar do serviço de segurança do campo espacial de
+evada tinha sido posto fora de combate por algum tempo.
— 1 -ue dese2a desta ve%I — disse )ounder nervoso. — +$o est0 vendo -ue
a Stardust vai pousar segundo as previs/esI
— Acontece -ue n$o vai — observou Mercant. Seu sorriso 2ovial desapareceu.
— Est0 havendo um desvio do curso. Je2a. 1 -ue significa isso, generalI
)ounder virou!se apressadamente. +o mesmo instante soou o comunicado
in-uietador do comando remoto. 64mpadas acenderam!se, o %umbido cessou.
— Contato interrompido — ouviu!se a vo% met0lica. — )iloto assume
comando manual do foguete.
— Ser0 -ue *hodan ficou doidoI — berrou )ounder fora de si. Saltou em
direç$o ao microfone. +$o se via nada na tela de radar. Até isso *hodan havia
desligado.
— *hodan, é o general )ounder -ue est0 falando. Mue é issoI )or -ue
interrompeu o contato com o controle remotoI *esponda, *hodan<
+$o houve resposta. 1 general empalideceu. Sem saber o -ue fa%er, fitou o
chefe do serviço secreto -ue ia se apro#imando. Allan &. Mercant perdera todo o
senso de humor. Seus olhos a%uis faiscavam numa f.ria incontida.
— Est0 vendoI — disse em tom frio. — 3em -ue eu desconfiava. Alguma
coisa n$o est0 em ordem. )reveni a &efesa Aeroespacial. Se *hodan n$o mudar de
rumo imediatamente mandarei abrir fogo. Convém e#plicar!lhe -ue na altitude em
-ue se encontra ser0 alvo f0cil para nossos artilheiros.
+o mesmo instante, o sinal de alarme da Stardust começou a se fa%er ouvir
nos receptores. Era um S1S comum, -ue nem se-uer estavam sendo transmitidos em
c(digo. 1s sinais voltaram a se repetir. 1s homens olhavam!se atônitos. )or -ue
*hodan transmitia o sinal internacional de perigoI Vavia muitas possibilidades de
dar not9cia de uma situaç$o real de emerg5ncia. )oderia utili%ar a radiofonia. )or -ue
transmitia o S1S, e isso na fre-G5ncia internacionalI
Allan &. Mercant começou a agir. Mandou -ue fosse dado o sinal de alarme
continental.
1s homens da defesa anti!foguete, -ue h0 v0rias semanas se encontravam em
alerta de primeiro grau, correram para as posiç/es de combate. +a-uele instante, a
Stardust estava sobre a pen9nsula de 'ainir, situada no norte da Sibéria. )rosseguia
em velocidade inalterada.
&epois, modificou, novamente, seu curso e, irradiando sem cessar o sinal de
perigo, *hodan dirigiu!se para o sul. Sobrevoou a Sibéria.
1 -uartel!general do comandante supremo do 1riente revogou no .ltimo
instante a ordem de abrir fogo. )ercebera -ue se tratava da Stardust, uma nave
inofensiva. A m$o de um operador afastou!se de uma chave vermelha. )or pouco,
sete mil foguetes de longo alcance com carga atômica teriam subido ao céu.
Era a situaç$o t9pica em -ue a guerra poderia ter sido desencadeada em virtude
de um mal!entendido. 1 marechal )etronsL7 estava olhando as telas das estaç/es de
raios infravermelhos sem di%er uma palavra. +uma viagem louca, a Stardust
prosseguia pelo espaço aéreo siberiano em direç$o ao sul. Estava perdendo altitude.
1s computadores calcularam o local prov0vel de pouso. Se a nave americana
prosseguisse no mesmo rumo e continuasse a descer com a mesma velocidade,
tocaria o solo 2unto 8 fronteira entre a Mong(lia e a China, no deserto de Hobi.
Embora tivesse sido f0cil derrub0!la, o marechal )etronsL7, calculista frio, preferiu
n$o iniciar nenhum ata-ue.
As emissoras do -uartel!general começaram a funcionar. As ordens eram
enviadas pelo pr(prio marechal.
1 comandante do @@
o
E#ército da Sibéria recebeu instruç/es detalhadas.
Alguns minutos depois, os comandantes de divis$o recebiam ordens mais espec9ficas.
1s contingentes da ?O
a
&ivis$o Motori%ada de Fronteira, sediada na regi$o de
1botuin!Chure e 2unto ao lago salgado de Hoshun, sairiam dos -uartéis. A B
a
&ivis$o
Aerotransportada da Mong(lia, -ue se encontrava sob o comando do general ChudaL,
ficou de prontid$o.
Em poucos instantes, o marechal )etronsL7 tomara todas as provid5ncias -ue
estavam ao seu alcance para capturar a nave lunar americana, desde -ue ela tocasse o
solo em territ(rio mong(lico.
)roblemas sérios poderiam surgir se a nave pousasse do outro lado da
fronteira, em territ(rio da Federaç$o Asi0tica. 1 marechal pediu, imediatamente, uma
ligaç$o com Moscou. E sua e#posiç$o foi conclu9da com estas consideraç/esK
— ...e é de se supor -ue os dispositivos eletrônicos de bordo tenham sofrido
uma falha séria. +$o h0 d.vida de -ue a Stardust vem sendo dirigida manualmente
pelo piloto da Força Espacial. 'al conclus$o resulta da interpretaç$o dos dados
relativos 8 locali%aç$o da nave. &esisti do envio de caças r0pidos de longo alcance.
Sou de opini$o -ue se aguarde o pouso da nave antes -ue -uais-uer medidas se2am
tomadas. )eço -ue me se2am delegados plenos poderes para agir conforme as
circunst4ncias e#igirem.
)etronsL7 obteve os plenos poderes por ele solicitados. Mas n$o contava com
a habilidade do ma2or *hodan.
6ogo ap(s ter reingressado na atmosfera terrestre, a nave passou a funcionar
como um planador de linhas bastante aerodin4micas. As enormes asas triangulares
sustentavam o seu peso. U medida -ue o ar se tornava mais denso, os lemes de
direç$o funcionavam cada ve% melhor. 1 atrito do ar foi redu%indo a velocidade
ainda bastante elevada. 'odavia, esse tipo de operaç$o de pouso e#igia a penetraç$o
gradual na atmosfera. A temperatura e#terna nas asas e no nari% da nave estava ao
redor de ?=> graus cent9grados.
1 transmissor autom0tico continuava emitindo o sinal S1S na fai#a
internacional de fre-G5ncia reservada para situaç/es de emerg5ncia. *hodan
conseguira o seu ob2etivo com a-uele procedimentoK os pa9ses sobrevoados, n$o
abririam fogo contra a nave. Era claro -ue todas as pot5ncias orientais estavam
vivamente interessadas em e#aminar detalhadamente a Stardust e, para isso, era
necess0rio -ue a nave fosse capturada intacta. 1s destroços calcinados n$o seriam
.teis para ninguém.
)err7 *hodan pousou a nave na 0rea e#tensa e pedregosa situada 2unto ao lago
de Hoshun, no norte da China. 1 lago era salgado, mas o rio Morin!Hol despe2ava
nele 0gua doce. 1 local ficava no centro do in(spito deserto de Hobi, um pouco ao
sul da fronteira com a Mong(lia, e#atamente a E>@ graus a leste de HreenRich e F?
graus a norte do E-uador.
*hodan fe% com -ue a Stardust aterrissasse como um avi$o. 1s gigantescos
pneus especiais garantiram um pouso suave. &epois de alguns instantes, o nari%
afilado da nave apontava para o rio Morin!Hol, -ue se encontrava bem pr(#imo.
1 %umbido penetrante dos dispositivos autom0ticos de aterrissagem cessou.
*hodan tirou as m$os do manete de direç$o. ma ve% superados os perigos -ue a
manobra de reingresso tra%ia consigo, o pouso foi f0cil.
Com um movimento r0pido, *hodan se libertara do leito dobrado em forma de
poltrona e pegou a arma -ue tra%ia.
Fletcher, surpreso, fitava o cano da arma autom0tica. 3ell ficou im(vel na sua
poltrona, assim como o &r. Manoli. Crest, preso 8 -uinta poltrona pelo cinto de
segurança, assistia a tudo com o mais vivo interesse.
Muando a nave começou a mudar de rumo, Fletcher pôs!se a esbrave2ar numa
f.ria e num desespero incontidos. +o entanto, n$o conseguira libertar!se da poltrona
pois *hodan ligara o dispositivo da segurança -ue blo-ueava os cintos de segurança.
+um esforço desesperado, Fletcher procurou imediatamente alcançar o dep(sito de
armas -ue se encontrava atr0s dele.
— +$o faça isso, Fletcher< — advertiu *hodan. — Estamos em casa. Se eu
fosse voc5 n$o me arriscaria a tanto.
Fletcher fitou!o. 'inha o rosto p0lido. Seus l0bios tremiam.
— Ser0 -ue ouvi bemI Joc5 disse -ue estamos em casaI — disse com um
tom irônico na vo%.
&epois, com uma gargalhada estridente, completouK
— Seu traidor su2o< Joc5 pousou no centro da Ysia. Certamente plane2ou isso
h0 muito tempo. Se n$o fosse assim n$o teria dirigido a nave para esta regi$o. Foi
voc5 -ue fi#ou o curso. Ent$o é isso< Muer entregar a nave aos chineses. V0 -uanto
tempo foi concebido esse plano imundoI Muanto o piloto!chefe da Força Espacial
dos Estados nidos vai receber pelo trabalhoI Eu...
— Cale a boca, Fletcher, e 20< — interrompeu!o *hodan, -ue empalidecera.
m brilho ameaçador surgira nos seus olhos.
— Fletcher, voc5 pode ir embora -uando -uiser: ninguém o impedir0. )oder0
ver seu beb5. Eric ter0 muita coisa a contar aos seus filhos. Mas nunca me apontem
como um traidor.
— )or -ue voc5 aterrissou a-uiI — indagou 3ell com a vo% calma. E#ibia um
sorriso gélido. Estreitou os olhos. 1 capit$o 3ell ainda duvidava. Mas a arma -ue
*hodan estava segurando representava um fator -ue n$o podia ser despre%ado.
— S( -uero -ue voc5s me ouçam por um instante — disse *hodan em tom
enf0tico. — +unca prati-uei -ual-uer ato sem -ue tivesse um motivo. &esta ve%
também tive ra%/es para agir como agi.
— Ah, éI — gemeu Fletcher num tom de desespero. Fe% um esforço tremendo
para libertar!se dos cintos magnéticos. — Joc5 nos traiu. 1brigou!nos a entrar no
2ogo.
— C claro -ue sim — confirmou *hodan em tom indiferente.
Crest sorria. Conhecia as intenç/es de *hodan.
— A esta altura voc5s 20 deviam compreender -ue a Stardust se transformou
num ob2eto secund0rio, verdadeiramente insignificante. Mesmo -ue ca9sse nas m$os
dos chineses, esse fato n$o passaria de uma piada. +a 6ua e#iste uma nave, cu2os
ocupantes nesta altura s$o as .nicas pessoas -ue ho2e em dia ainda podem ser
consideradas importantes. A Stardust desempenha um papel secund0rio, embora em
Moscou, )e-uim e mesmo em ;ashington ainda se acredite -ue é a maior maravilha
do mundo. 1s homens mant5m tal opini$o simplesmente por-ue ignoram a situaç$o
real. Se os dirigentes do nosso pa9s tivessem uma idéia do -ue vimos na 6ua,
dei#ariam esta nave de lado como refugo. 1 -ue importa é t$o!somente o ser
inteligente -ue trou#emos até a 'erra. Crest é o .nico -ue conta, pois representa uma
ci5ncia infinitamente superior 8 nossa. 'rou#e até a 'erra o conhecimento dos
mistérios mais recônditos da nature%a. 1s dados arma%enados na sua mem(ria
fotogr0fica permitem -ue do dia para a noite nossa navegaç$o espacial d5 um salto de
cinco mil anos. Joc5s devem reconhecer -ue 20 n$o é a Stardust -ue importa. 1 -ue
importa é Crest, s$o a-uelas intelig5ncias estranhas da nossa gal0#ia, e é finalmente a
harmonia da Vumanidade a -ue pertencemos. )ara mim todos os habitantes da 'erra
s$o homens, se2a -ual for a cor da sua pele, a fé -ue professam ou a ideologia -ue
preferem. A-ueles -ue sempre persistem no erro ter$o de despertar, os homens de
boa vontade respirar$o aliviados. Se entreg0ssemos Crest a -ual-uer naç$o
estar9amos cometendo o maior erro da Vist(ria.
Fletcher virou a cabeça. )arecia desolado.
— C prov0vel -ue a esta altura o campo de +evada Fields este2a blo-ueado
pelas forças de segurança. 1s nossos dirigentes n$o s$o tolos. D0 devem ter chegado 8
conclus$o de -ue vimos alguma coisa e#traordin0ria na 6ua. 1s governantes
orientais, porém, ainda s$o de opini$o -ue ocorreu um simples pouso de emerg5ncia.
Crest é portador de uma cultura anti-G9ssima e conhecedor absoluto de uma ci5ncia
altamente evolu9da. +em penso em atirar uma pessoa dessas nos tent0culos de um
serviço secreto. Se2amos sinceros< Se tivéssemos aterrissado segundo as previs/es,
Crest 20 estaria sendo mantido em regime de incomunicabilidade. +em poderia dei#ar
de ser assim. Seria tratado com toda cortesia, gentile%a e defer5ncia, mas nem por
isso dei#aria de ser um prisioneiro. 1 pr(prio Crest impôs a condiç$o de poder agir
com absoluta liberdade. *epresenta o terceiro poder da 'erra. Est0 doente e precisa
de au#9lio. Dulgo -ue é meu dever defend5!lo de -uais-uer dificuldades desse tipo.
Sua pr(pria condiç$o de ser estranho e inteligente confere!lhe direito 8 liberdade. E é
natural -ue espere um tratamento decente. )ouco importa o lugar em -ue
pous0ssemos. Mual-uer das grandes pot5ncias da 'erra ficaria 0vida para assenhorar!
se do seu saber estupendo, procurando utili%0!lo em seu benef9cio. Estou convencido
de -ue a concentraç$o de todo esse saber nas m$os de um dos blocos de poder n$o
reverteria em benef9cio para maior parte dos homens. Sua presença em -ual-uer dos
pa9ses da 'erra forçosamente teria conse-G5ncias catastr(ficas. A Federaç$o Asi0tica
veria nisso uma ameaça grave. Ameaçariam, e#igindo participaç$o no seu saber. m
ultimato se seguiria ao outro. 1 resultado seria uma série de complicaç/es de 4mbito
mundial. C o -ue dese2o evitar. Sou um homem, e -uero agir de forma humana, isto
é, com dec5ncia. +inguém vai espremer Crest como um lim$o, e#plicando, com um
simples encolher de ombros, -ue, infeli%mente, isso era indispens0vel por este ou
a-uele motivo. Se ele -uiser presentear a Vumanidade com uma parcela do seu saber,
-ue o faça espontaneamente, sem o menor constrangimento. 'odos n(s tiraremos
proveito disso. E o mais importante é -ue a liberdade de movimento -ue lhe
asseguramos nos confere a garantia de -ue nunca haver0 uma guerra nuclear.
Acredito -ue a esta altura voc5s 20 devem reconhecer -ue a Stardust perdeu toda
import4ncia. Aterrissei nesta regi$o deserta para -ue Crest tenha tempo de montar
seus instrumentos antes -ue cheguem as tropas -ue 20 devem estar a caminho. C s(.
+$o tenho mais nada a di%er sobre o assunto.
— Joc5 bem -ue poderia soltar os meus cintos — disse 3ell calmamente. —
Estou disposto a a2ud0!lo. Joc5 sabe -ue dentro de uma hora no m0#imo haver0
barulho por a-ui.
— Mue ha2a. +este local um dia se erguer0 uma cidade gigantesca. A-ui ser$o
constru9das naves espaciais de velocidade superior 8 da lu%, e é a-ui -ue ser0 lançada
a semente de uma Vumanidade verdadeiramente unida. Ent$o, o -ue voc5 decidiu,
3ellI
1 bai#ote riu. Foi um riso um pouco forçado, mas provava -ue a-uele homem
tinha superado a ang.stia interior.
— Conheço os homens — disse lentamente. — Heralmente n$o -uerem fa%er
o mal, mas gostam de tirar a sua vantagem. Acho prefer9vel -ue Crest continue
independente. 'ambém n$o tenho a di%er mais nada.
— E o &r. ManoliI
1 médico ergueu a cabeça. 1 sangue retornara 8 sua face.
— Seu procedimento n$o dei#a de ter l(gica. +$o farei nenhuma ob2eç$o,
desde -ue Crest garanta -ue utili%ar0 seus conhecimentos em benef9cio de toda a
humanidade. Se der prefer5ncia a determinada pot5ncia estar0 cometendo um crime.
— )ode ficar tran-Gilo — disse o estranho em vo% bai#a. — +em penso nisso.
Apenas peço -ue em hip(tese alguma me entreguem a -ual-uer organi%aç$o estatal.
Eu enfrentaria dificuldades terr9veis. Fui eu -uem pediu ao ma2or *hodan para -ue
aterrissasse a-ui.
— Como é -ue o senhor vai se defenderI — perguntou Fletcher. — Ainda
tenho minhas d.vidas a respeito de tudo isso.
— 1ra, Fletcher< Se tivéssemos pousado em +evada Fields, 20 estar9amos
presos. 1 nosso pessoal n$o teria outra alternativa. m de n(s poderia revelar por
coaç$o ou involuntariamente a-uilo -ue vimos. Estamos agindo por um motivo sério
e, segundo penso, decente.
— Acontece -ue sou oficial da Força Espacial<
— 'ambém 20 fui. Mas a esta altura sou apenas um homem -ue -uer uma
Vumanidade grande, vigorosa e unida. Joc5 acha -ue isso é um crimeI As naç/es
isoladas 20 n$o t5m a menor import4ncia. C s( o planeta 'erra -ue importa. &a-ui por
diante temos -ue raciocinar em termos c(smicos. Ser0 -ue voc5 ainda n$o
compreendeu o rid9culo imenso -ue as disc(rdias terrenas representam no Hrande
"mpérioI Ainda n$o compreendeu -ue temos -ue nos unir sem a menor demoraI
ma intelig5ncia e#traterrena s( fala no terceiro mundo do sistema solar. +unca
menciona esta ou a-uela naç$o. +o conte#to c(smico, somos apenas habitantes da
'erra, 2amais somos considerados americanos, russos, chineses ou alem$es.
Encontramo!nos no limiar de uma nova era. 'emos -ue agir de acordo com isso.
Jolto a salientar -ue em hip(tese alguma Crest deve cair nas m$os de determinado
grupo de pot5ncias. Ficaremos a-ui mesmo.
3ell ergueu!se, devagar. Seu olhar denotava um certo ressentimento.
— Joc5 podia ter contado isso na 6ua, meu velho. 3em -ue eu sabia -ue
havia algum segredo. Mas estou de acordo< )odemos começar, Crest. C ao senhor
-ue cabe a iniciativa. Muando surgirem as primeiras tropas s( uma defesa eficiente
poder0 nos proteger. +$o conseguiremos deter uma .nica bala com belas palavras
acerca da alme2ada unidade entre os homens e sobre o papel -ue o destino nos
reserva como membros de uma comunidade intergal0ctica. 1s governantes da
Federaç$o Asi0tica achariam isso muito engraçado e, assim -ue acabassem as
gargalhadas, o senhor seria submetido a um severo interrogat(rio. )or isso, é melhor
começar logo os preparativos.
— Ficarei a bordo até -ue cheguem os medicamentos de -ue tenho
necessidade — disse o &r. Manoli. — Como médico e como homem, é meu dever
prestar au#9lio a uma criatura enferma, ainda mais em um caso como este. Seria um
erro tremendo agir apressadamente e sem o necess0rio discernimento logo ap(s o
nosso encontro com uma intelig5ncia e#traterrena. Joc5 tem ra%$o, a esta altura, n$o
devemos nos preocupar mais com a defesa de interesses nacionais.
1 capit$o Fletcher ficou calado. )arecia petrificado na sua poltrona. Crest
levantou!se com tremendo esforço. *hodan guardou a arma.
— Fletcher, nossas intenç/es s$o boas. S( -ueremos o bem. Meu &eus, n$o
somos criminosos< Ser0 um erro grave arriscar tudo a-uilo -ue nos é mais caro no
interesse do g5nero humanoI +o meu entender, n$o. 'enha em mente o -ue eu disseK
estamos no limiar de uma nova era: o -ue importa é agir com intelig5ncia e senso de
responsabilidade. +inguém agarrar0 Crest. &ou!lhe minha palavra<
*hodan abriu as comportas pesadas da c4mara de ar. A cabine encheu!se do ar
terreno. Era -uente e seco, tal -ual os pulm/es de Crest precisavam.
Ap(s alguns instantes, *hodan saiu da lave. Ainda n$o se viam tropas, mas
estas n$o demorariam a chegar. Ele bem podia imaginar a atividade febril -ue tomara
conta dos diversos postos de comando. )or en-uanto, n$o sabiam por -ue a Stardust
pousara ali. +inguém tinha idéia do poder -ue eles tinham ad-uirido, mas, logo, os
governantes da 'erra saberiam.
&ificuldades tremendas delinearam!se em sua mente e ele fechou os olhos.
Em sua frente, surgiu um -uadro nebuloso, mas no -ual distinguia naves espaciais
gigantescas, constru9das pelo homem, -ue partiam para o espaço e ouvia o ribombar
dos seus mecanismos de propuls$o, impelindo!as a uma velocidade superior 8 da lu%.
Jiu um governo central de toda a 'erra e também percebia os sinais de pa%, de
prosperidade e de reconhecimento da espécie humana ao poder gal0ctico. Era apenas
uma vis$o, mas ele sabia -ue um dia seria a realidade.
+o por$o de carga da Stardust, uma m0-uina misteriosa começou a %umbir. 1
terceiro poder estava iniciando as suas atividades. )err7 *hodan sorriu para o céu
a%ul. Com movimentos lentos, foi retirando os distintivos e as platinas do seu
uniforme.
1 ma2or )err7 *hodan acabara de se desligar da Força Espacial dos Estados
nidos.
T T T
A Stardust voltou . /erra sã e salva$ *as, para Perry Rhodan,
os verdadeiros problemas e os grandes con'litos estavam apenas
começando$ 0sto porue, com a ajuda dos avançados recursos
t1cnicos dos arc%nidas, ele pretende criar algo ue dever- realizar a
uni'icação da )umanidade2 A /3R430RA PO/5,40A$