AMEAÇA A VÊNUS

Autor
KURT MAHR
Tradução
RICHARD PAUL NETO
Digitalização
VITÓRIO
Revisão
ARLINDO_SAN
(P-020)
Perry Rhodan e Reginald Bell, os expoentes máximos de uma
humanidade que avança impetuosamente, oram as !ni"as pessoas
su#metidas a um tratamento realizado no planeta Peregrino, que
por um espaço de sessenta e dois anos interrompe qualquer
pro"esso de envelhe"imento$ %om isso um velho sonho dos homens
en"ontrou sua realização nesses dois terráqueos& o sonho da
imortalidade$
'as tudo tem seu preço$ ( esse preço tem de ser pago no
momento em que a )tardust*+++ volta a penetrar no sistema solar
terreno$
= = = = = = = = = = Pers!"#e!s Pr$!%$&"$s' = = = = = = = = = =
Perr( R)*"! — Chefe supremo da Terceira Potência.
Re#$!"+* ,e++ — Amigo íntimo e confidente de Perry Rhodan.
Cr!e+ -re(. — Privado de toda iniciativa por um bloqueio hipntico.
/e!er"+ T0$se!12 — !ue recebeu ordem de conquistar um planeta.
M"3r Der$!#)4se — !ue constatou o fato de que as armas autom"ticas de origem
terrena podem representar um perigo real para os produtos da supert#cnica
arc$nida.
T"1 K"14." — % &nico que pode vencer o bloqueio do c#rebro positr$nico.
Cres. — !ue sofreu uma decep'(o cruel em suas esperan'as e)ageradas.
5
Com ele e ao redor dele* a sala de comando redonda da gigantesca nave passou a
ser.
%s quadros de comando e de controle* as telas* as poltronas* os instrumentos de
medi'(o emergiram do cin+a sem contornos* resultante da transi'(o* e recuperaram as
formas usuais.
Perry Rhodan foi o primeiro a superar o choque da transi'(o. ,eu c#rebro voltou a
funcionar praticamente no mesmo instante que o relê do dispositivo positr$nico- avaliou
a situa'(o e fe+ com que os olhos absorvessem o quadro e)ibido pelas telas.
Reginald .ell* que naquele v$o desempenhava as fun'/es de primeiro0oficial e co0
piloto* estava caído sobre o painel coberto de instrumentos. 1evantou0se com um gemido
e* com uma e)press(o de espanto* lan'ou os olhos arregalados em torno de si.
— %nde... o que...2 Ah* sim3 4 sempre a mesma coisa.
5urante a transi'(o a atividade neur$nica do organismo humano era redu+ida a um
mínimo. % fim da transi'(o representava para o indivíduo a mesma coisa que o despertar
de um sono leve ou de um ligeiro desmaio.
— A posi'(o3 — ordenou Rhodan com a vo+ "spera. — 6erificar dados. 7ornecer a
tra8etria de um v$o normal.
.ell come'ou a se mover. %s comandos de Rhodan tamb#m sobressaltaram os
outros tripulantes que* profundamente reclinados em suas poltronas* ou seguros 9s bordas
das mesas* ainda estavam empenhados em superar o choque do hiper0salto.
A atividade voltou a tomar conta da central de comando. %s comunicados foram
r"pidos e precisos.
— Posi'(o- R : ;-<=
l>
m. Pi : ?<@>=A. Teta : <<B@.
%uviu0se o tilintar característico do registrador positr$nico que* no cart(o
introdu+ido no aparelho* lan'ou um ponto vermelho que designava a posi'(o da nave.
— 5iferen'a dos dados- R : 0<=
?
m. Pi : C<<D. Teta : nenhuma diferen'a.
Em sorriso apressado passou pelo rosto de Rhodan.
— Fais e)ato n(o # possível — resmungou Reginald .ell.
— ,olicitaram0se os dados da tra8etria para o prosseguimento do v$o — anunciou
um dos oficiais0navegadores* e acrescentou* em tom menos rígido- — Aí est(o3...
G G G
A ,tardust0HHH se encontrava a seis bilh/es de quil$metros do ,ol e se deslocava em
linha reta em dire'(o ao sistema* ligeiramente inclinada em rela'(o 9 tra8etria dos
planetas.
,aíra do hiperespa'o com uma velocidade correspondente a setenta e cinco por
cento da velocidade da lu+I por ordem de Rhodan a velocidade foi aumentada para
noventa e cinco por cento.
A Terra se encontrava do lado oposto do sistema. ,egundo os c"lculos de tra8etria*
a nave passaria pelo ,ol a uma distJncia de menos de quarenta bilh/es de quil$metros.
6ênus e Farte se encontravam em oposi'(o a esse lado do ,ol.
A transi'(o decorrera perfeitamente* com um erro muito inferior ao esperado.
Kingu#m se deu ao trabalho de verificar se a oposi'(o entre Farte e 6ênus se
harmoni+ava com a data registrada no calend"rio de bordo* e)istente acima do assento do
piloto.
G G G
— Chamado para a central de Lobi3
% oficial de comunica'/es ligou o hiper0comunicador e regulou a energia de
emiss(o na potência necess"ria para fa+er a mensagem atingir a Terra.
— !uero falar com o coronel 7reyt — completou Rhodan.
%bservou o 8ovem oficial que manipulava o aparelho complicado.
MTodos estão "ansadosA* pensou. M(stá na hora de des"ansarmos$ (ssa hist,ria do
Peregrino oi mais do que os rapazes podem ag-entar$A
6e+ por outra olhava para a grande escotilha de entrada. Reginald .ell surpreendeu
um de seus olhares e um sorriso amargo se esbo'ou em seu rosto.
— K(o querem aparecer* n(o #2
Rhodan sacudiu a cabe'a.
— Ainda bem. Por mais que me esforce* sempre tenho a impress(o de ter feito um
papel feio com os arc$nidas.
.ell fe+ um gesto de despre+o.
— A culpa n(o # sua. 7oi ele quem decidiu que nem Thora nem Crest* nem
qualquer outro arc$nida* 8amais poder" ser submetido ao tratamento com o fisiotron.
Nle...
— !ue nada3 — interrompeu Rhodan em tom e)altado. — 4 sempre ele. !uase
chegamos a acreditar que ele # 5eus* n(o #2
Ko mesmo instante ouviu0se a vo+ rouca e carregada de pJnico do 8ovem oficial de
informa'/es.
— A Terra n(o responde3
5e um instante para outro Rhodan se esqueceu daquilo que ainda h" pouco o
dei)ara nervoso. 5eu dois ou três passos e se colocou ao lado do hipercomunicador*
e)aminando os controles do mesmo.
— Nst" tudo em ordem — disse o oficial — se # nisso que est" pensando. %
instrumento funciona* e pelo eco pode ver que a mensagem est" chegando ao destino.
Alguma coisa aconteceu na Terra.
Rhodan percebeu.
— 5ei)e por minha conta3 — gritou para o oficial de comunica'/es.
% 8ovem oficial se levantou do assento. Rhodan sentou diante do aparelho. ,eus
dedos ligeiros passaram pelo teclado e introdu+iram a mensagem autom"tica no aparelho.
6iu o ponto verde na lJmina do oscilador e esperou.
Kada.
A Terra continuava muda.
%utro chamado. Fais uma ve+ a tecla de chamada autom"tica foi comprimida
vigorosamente.
% ponto vermelho.
N logo surgiu a luminosidade tremelu+ente na tela.
6iu0se o rosto do coronel 7reyt* de início desconfiado* mas logo com os olhos
brilhantes e a boca sorridente* quando reconheceu seu interlocutor.
— %ra* chefe3 4 você mesmo2
Rhodan n(o estava disposto a enfrentar uma cena de boas0vindas.
— % que houve2 Apresente um relato em condi'/es e diga por que tivemos de
chamar três ve+es antes que você respondesse.
% rosto de 7reyt enri8eceu. % sorriso desapareceu. Fas os olhos ainda brilhavam.
— 4 o coronel 7reyt de Lal")ia — relatou. — Pronto para receber a mensagem.
K(o respondi aos primeiros dois chamados porque pensava que se tratasse de uma
armadilha.
— Ema armadilha23
— ,im. Pensei que algu#m quisesse descobrir nossa posi'(o. Recebi instru'/es para
ter cautela no uso do hipercomunicador.
Rhodan confirmou com um aceno de cabe'a.
— ,ei. Fas você bem poderia imaginar que voltaríamos a chamar mais ou menos a
esta hora* n(o #2
— K(o* n(o poderia. K(o estava em condi'/es de adivinhar que você teria tantas
dificuldades com sua viagem de regresso. Hsso seria...
— !ue dificuldades2 — gritou Rhodan. — 7oi a viagem de regresso mais tranqOila
que 8" tive.
7reyt n(o se perturbava com muita facilidade.
— Para evitar mal0entendidos* talve+ tivesse sido conveniente que* depois de sua
&ltima mensagem* houvesse me informado sobre sua nova posi'(o* desde que as
condi'/es permitissem* naturalmente.
Rhodan enrugou a testa.
— %u'a* 7reyt* quantas mensagens tenho de lhe enviar num mês para que este8a
informado sobre minha situa'(o2 Acredito...
— Kum mês2 — interrompeu 7reyt aos gritos. — Afinal* sua &ltima mensagem foi
recebida h" muito mais de um mês3
Rhodan se sobressaltou.
— Po8e n(o fa+ um mês e alguns dias da &ltima mensagem23
Percebia0se que 7reyt come'ava a duvidar da sanidade mental de Rhodan. Nste
percebeu os olhos semicerrados de seu interlocutor e come'ou a compreender que* no
entretempo* havia acontecido alguma coisa de que ainda n(o sabia.
— Po8e — disse 7reyt* esfor'ando0se para conservar a calma — fa+ quatro anos e
meio3
A palestra foi condu+ida em tom elevado* de modo que alguns dos oficiais que se
encontravam nas pro)imidades conseguiram acompanh"0la.
Rhodan sentiu o silêncio angustiante que de repente se espalhou pelo recinto. Teve
algumas id#ias bastante aventurosas enquanto encarava o rosto de 7reyt e esperava que os
homens que se encontravam atr"s dele se acalmassem.
— Fuito bem — disse depois de algum tempo. ,ua vo+ parecia t(o indiferente que
qualquer um se indagaria se um salto de quatro anos e meio n(o significava nada para ele.
— Parece que* por algum motivo* dei)amos alguns anos de fora. Como # que as coisas
têm sido para você nesse meio tempo2
7reyt respirou aliviado. Receara complica'/es.
— Fal — respondeu segundo a verdade dos fatos. — A Terra est" convencida de
que n(o pode contar mais com você. % .loco %riental calcula que isso representa uma
chance para ele* enquanto a 7edera'(o Asi"tica e a %TAK continuam a se esfor'ar para
formar um verdadeiro governo mundial. Ko .loco %riental houve uma reviravolta. Tudo
indica que mais cedo ou mais tarde acabar" havendo uma terceira guerra mundial. At#
agora n(o fi+ qualquer esfor'o para interferir na situa'(o* porque...
Rhodan interrompeu0o com um gesto.
— Nst" bem* 7reyt. Pousaremos no m")imo dentro de uma hora* e ent(o veremos o
resto.
Hnterrompeu a comunica'(o e girou a poltrona de tal forma que olhou para .ell.
Nste parecia desorientado.
— %nde estivemos todo este tempo2 — perguntou.
Rhodan deu de ombros.
— Teremos de quebrar a cabe'a sobre isso... mais tarde. Talve+ no planeta
Peregrino o flu)o do tempo se8a diferente. % que importa no momento # que* segundo
parece* na Terra muitas coisas n(o s(o como deviam ser.
G G G
Alguns minutos depois* a ,tardust0HHH passou pela rbita de Farte. % planeta se
encontrava a cerca de vinte milh/es de quil$metros de distJncia.
A nave disp$s0se a cru+ar a rbita da Terra — apenas a rbita* pois a prpria Terra
se encontrava al#m do ,ol — quando Rhodan recebeu um chamado do setor de
vigilJncia.
A vo+ que transmitiu a mensagem parecia espantada.
— 1ocali+amos uma por'(o de mat#ria.
— !ual # a posi'(o2
% interlocutor de Rhodan forneceu os dados.
— Nm rela'(o a ns — acrescentou — isso fica al#m de 6ênus.
— Prossiga nas observa'/es3 — ordenou Rhodan. — Avise assim que obtiver dados
mais precisos.
5esligou o aparelho e fi)ou a tela que se encontrava 9 sua frente.
Ema locali+a'(o de mat#ria 8unto a 6ênus.
K(o havia nada que fosse mais precioso para a Terceira Potência* nada de que
Rhodan precisasse tanto como da base em 6ênus com suas poderosas armas defensivas e
o gigantesco c#rebro positr$nico.
,er" que dessa locali+a'(o se devia concluir que algu#m se preparava para pousar
em 6ênus2
Em sorriso amargo se esbo'ou no rosto de Rhodan. Acreditara que poderia
regressar ao lar em triunfo. .atera um inimigo poderosíssimo* os tpsidas* encontrara o
segredo da vida eterna* adquirira conhecimentos que nem sequer estavam ao alcance de
Crest e Thora* os dois arc$nidas* e obtivera a garantia do ser do planeta Peregrino de que
9 Pumanidade seria concedido o domínio da gal")ia.
Nram motivos mais que suficientes para transformar a viagem de regresso numa
marcha triunfal.
% homem do posto de observa'(o voltou a chamar* esbaforido-
— Kovos resultados- o que temos pela frente s(o pelo menos quatrocentos ob8etos.
Trata0se de naves espaciais ou coisa parecida. ,(o bem pequenas. % volume de cada
ob8eto n(o ultrapassa trinta mil metros c&bicos. Apro)imam0se de 6ênus. Tudo indica
que pretendem pousar l".
Rhodan se sobressaltou.
— 6amos mudar de rota* meus amigos3 — disse em tom "spero. — 6oaremos em
dire'(o a 6ênus. Keste instante a nave entra em estado de rigorosa prontid(o.
,em olhar* abai)ou a chave de alarma. % uivo das sereias encheu os longos
corredores e as salas da gigantesca nave.
A ,tardust0HHH havia retornado ao seu sistema planet"rio. A primeira coisa que teria
de fa+er era abrir os tampos dos compartimentos em que se encontravam as pe'as de
artilharia e mostrar ao inimigo que tipo de advers"rio teria que enfrentar.
G G G
% coronel 7reyt n(o sabia de nada. Rhodan o informou sobre a mudan'a de rota* no
mesmo instante em que a ,tardust0HHH entrou em sua nova tra8etria.
K(o parecia muito satisfeitoI mas sabia que 6ênus era importante.
Ka central de Lobi n(o havia sido observada qualquer movimenta'(o no espa'o.
Kingu#m saberia di+er quem estava fa+endo das suas na "rea de 6ênus.
Rhodan era o &nico que tinha suas suposi'/es. Por enquanto as mesmas ainda lhe
pareciam um tanto temer"riasI mas n(o havia outras. 7reyt n(o teria dei)ado de detectar
uma frota de quatrocentas naves que penetrasse no sistema solar terreno* vinda do
hiperespa'o.
5ali se concluía que a mesma n(o vinha do hiperespa'o.
% coronel 7reyt recebeu instru'/es para se manter na e)pectativa.
G G G
% general TomisenQoR observou os trabalhos de montagem de sua barraca. Esava
roupa leve* de acordo com as condi'/es clim"ticas daquele mundo. Tra8ava cal'as curtas
e camisa bem aberta no peito. As ombreiras com as platinas haviam escorregado para a
frente e balan'avam por cima da clavícula.
TomisenQoR tirou o bon# e en)ugou o suor da testa. 5epois olhou para seu
a8udante.
— !ue tempo horrível* n(o #2
% a8udante se apressou em assegurar que o tempo realmente estava horrível.
6inha de ,ebastopol* onde o tempo no ver(o n(o era muito diferente daquele lugar.
Fas o general TomisenQoR passara a maior parte de sua vida em %chotsQ* e naquele
lugar as pessoas sentiam frio at# no ver(o.
K(o convinha contrariar o general TomisenQoR* fosse no que fosse.
— K(o demoraremos em nos livrar disto — prosseguiu TomisenQoR. — Aí n(o
precisaremos mais en)ugar o suor a cada trinta segundos.
Kesse instante* um homem com uma folha de papel na m(o saiu correndo por entre
as barracas que estavam sendo montadas.
— Ema mensagem3 — gritou de longe.
— Ema mensagem para o general.
TomisenQoR se virou.
— Passe para c" — resmungou.
Kum instante passou os olhos pelas poucas palavras da mensagem. % ordenan'a viu
que seu rosto ficava vermelho.
— Por que ficam correndo de um lado para outro com este papel2 — gritou para seu
ordenan'a. — Por que n(o atiram2
% ordenan'a ficou em posi'(o de sentido.
— 6amos* corra3 — gritou TomisenQoR.
— 5iga0lhes que derrubem aquele ob8eto.
% ordenan'a saiu correndo. TomisenQoR pegou seu a8udante pelo bra'o e arrastou0
o consigo.
— 1ocali+aram alguma coisa — e)plicou. — Ko início pensaram que se tratasse de
um corpo celeste* por causa do tamanho. Acontece que seus movimentos est(o sendo
dirigidos. Agora querem que eu lhes diga o que devem fa+er.
1an'ou um olhar matreiro para seu a8udante.
— ,abe o que #2 — perguntou.
— K(o* general.
— Pois eu lhe digo. Andaram falando muito naquele ma8or americano* o tal Perry
Rhodan. Nst" lembrado2 N tamb#m naquela nave gigantesca em que anda passeando pelo
espa'o. Acho que ficou sabendo de nossa miss(o em 6ênus mais cedo do que
esper"vamos* e agora quer estragar nossa festa.
% a8udante ficou p"lido.
— Perry Rhodan2
TomisenQoR confirmou com um vigoroso aceno de cabe'a.
— Provavelmente. ,empre dese8ei um encontro com ele. Parece que chegou a hora.
Kaquele instante o solo come'ou a ressoar. 1onge dali* no meio da selva* oito
foguetes defensivos se puseram a caminho* subindo com um uivo ao c#u encoberto de
6ênus.
TomisenQoR riu.
— 7icar" admirado com a recep'(o calorosa que lhe estamos preparando.
G G G
— Pouso dentro de quatro minutos. 6erificar os envoltrios protetores.
— Nm ordem3
Rhodan olhou em torno. Ka sala de comando s havia quatro homens* al#m dele
mesmo e do primeiro0oficial Reginald .ell. %s outros tinham retornado 9s suas posi'/es
8unto 9 tripula'(o* nos postos de observa'(o e de combate.
% c#u nublado de 6ênus se estendeu nas telas.
Nscureceu.
Fas os aparelhos infravermelhos e de microondas captaram a superfície daquele
planeta quente coberto de selvas. ,urgiu o delta de um rio* que parecia se apro)imar
vertiginosamente do observador. Percebeu0se o litoral* uma clareira na selva.
— 1ocali+a'(o3 7oguetes de combate3 Em raio ofuscante surgiu nas telas. Nra
branco0a+ulado e doía nos olhos surpresos.
Fas n(o se ouviu o menor ruído. Hmperturb"vel* a gigantesca nave prosseguia na
sua rota.
.ell anunciou com a vo+ indiferente.
— N)plosivo nuclear* detonador de fiss(o. Potência de um megaton de TKT.
6irou0se e indagou perple)o-
— % que ser" isso2
Rhodan sorriu* divertido. %utro raio passou pela tela de imagem.
— % que poder" ser isso* que dispara foguetes antiquados com um poder e)plosivo
desses contra uma nave espacial2
5ei)ou a resposta por conta de .ell. Chamou o encarregado do posto de observa'(o
e soube que as tra8etrias dos foguetes haviam sido fi)adas at# o ponto de origem.
6inham do continente polar norte* de um ponto situado pouco al#m do litoral. %s postos
de combate esperaram em v(o pela ordem de abrir fogo. Rhodan decidiu outra coisa.
Assumiu a dire'(o da ,tardust0HHH e desceu quase ao nível do mar. 5epois deslocou0
a em alta velocidade em dire'(o ao litoral do continente norte.
Perry Rhodan observou a superfície imvel do oceano e viu a luminosidade a+ulada
que envolvia as capas protetoras da nave* 8" que a ,tardust0HHH desenvolvia velocidade
tamanha que o impacto das capas protetoras ioni+ava as mol#culas do ar e fa+ia com que
brilhassem.
Ka lu+ turva do meio0dia de 6ênus via0se o tra'o escuro da costa longa e pouco
recortada.
Atr"s dela come'ava a selva.
G G G
TomisenQoR prague8ou.
— 5ispare outra salva3 — gritou para o oficial de armas. — ,e8a qual for a capa
protetora* basta bombarde"0la o suficiente para fa+ê0la ceder.
Acontece que TomisenQoR n(o tinha a menor id#ia sobre o que seria uma
sobrecarga para as capas protetoras da ,tardust0HHH. %s cem foguetes nucleares de que
dispunha nada representavamI nem mesmo mil.
% oficial de armas p$s0se em movimento. Atrav#s do pequeno transmissor port"til
deu ordens lac$nicas ao pessoal que equipava as rampas de foguetes.
7oi quando os homens encarregados do radar anunciaram outra surpresa.
— % inimigo vem em nossa dire'(o. A velocidade # de cerca de quin+e quil$metros
por segundo... A nave # enorme3
A bola chame8ante foi crescendo. Ko momento em que acreditava que dentro de um
instante se encontraria por cima do acampamento* TomisenQoR percebeu como tinha
subestimado seu tamanho.
Continuou a crescer por mais três ou quatro segundos. 5epois se encontrava diante
do acampamento como se fosse uma montanha que cuspia fogo* passou por cima e...
Nnt(o veio o fim do mundo.
%s tímpanos de TomisenQoR dei)aram de funcionar quando foram atingidos pelo
ruído ensurdecedor do primeiro choque. K(o viu mais nada* porque os relJmpagos o
cegaram. Fas sentiu nitidamente que uma for'a irresistível fe+ com que perdesse o apoio
dos p#s* ergueu0o e atirou0o para longe. ,entiu uma chicotada no rosto quando foi
arrastado por entre os fios de um telefone de campanha* e pouco depois o impacto
doloroso sobre uma aresta dura. A pancada e)peliu o ar dos seus pulm/es. 7e+ um
esfor'o desesperado para se erguer sobre os 8oelhos. 5epois perdeu a consciência.
!uando recuperou os sentidos* n(o tinha a menor id#ia sobre o tempo que se
passara. ,eu relgio de pulso havia desaparecido.
1evantou0se. Apesar da dor aguda que sentia no peito* respirou profunda* mas
cautelosamente* e lan'ou os olhos em torno.
% que viu ultrapassou seus piores temores.
% acampamento n(o e)istia mais.
A selva estava modificada. Ema fai)a de v"rios quil$metros de largura se abria em
meio a ela. Come'ava ao sul* passava pelo lugar em que fora montado o acampamento*
pelas posi'/es de embasamento dos foguetes e pelo campo de pouso da frota espacial e
prosseguia em dire'(o ao norte.
Nra uma reta perfeita* que parecia ter sido tra'ada por um gigantesco rolo
compressor.
TomisenQoR constatou* admirado* que havia situa'/es em que era perigoso ceder
aos sentimentos. Fovimentou seu corpo de touro e p$s0se a e)aminar as pessoas que com
ele se encontravam na pequena clareira quando o desastre desabou sobre todos.
% oficial de armas estava morto. Fas no a8udante surgiram sinais de vida* depois
que TomisenQoR o sacudira bastante.
Aps algum tempo abriu os olhos e encarou o general* todo perple)o.
— 1evante3 — gritou TomisenQoR. Nntendia perfeitamente suas prprias palavrasI
mas o a8udante sacudiu a cabe'a* confuso* e passou as m(os pelas orelhas.
TomisenQoR sabia o que fa+er numa situa'(o dessas. Comprimiu a testa contra a do
a8udante e repetiu a ordem-
— 1evante3
Conseguiu o efeito dese8ado. %s sons foram transmitidos atrav#s da vibra'(o dos
ossos do crJnio. % a8udante entendeu e se levantou de um pulo.
TomisenQoR fe+ um movimento amplo do bra'o em dire'(o ao acampamento.
5epois saiu andando. % a8udante seguiu na dire'(o oposta.
A procura pelos sobreviventes teve início.
% general TomisenQoR trou)era de+ mil homens para 6ênus. Nra uma divis(o de
elite.
Ainda encontraram oito mil. 5estes* seis mil estavam gravemente feridos* e os
restantes mais ou menos machucados.
Todos tinham perdido a audi'(o. !uando tinham algo a di+er* comunicavam0se por
escrito ou comprimiam as testas uma contra a outra.
5as quinhentas naves com que a divis(o pousara s oitenta continuavam de p#. %
resto fora derrubado pelo torvelinhoI algumas chegaram mesmo a ser arrastada e atiradas
em meio 9 selva mais ao norte.
% rastro da tempestade tinha uns de+ quil$metros de largura. Ko centro* havia uma
fai)a queimada de pouco menos de um quil$metro de largura. A terra derretida irradiava
um calor insuport"vel. Ko momento* TomisenQoR n(o poderia atravessar essa fai)a para
entrar em contato com os homens que se encontravam do lado oposto.
— % que foi isso2
Nra esta a &nica pergunta formulada naquelas horas.
% &nico que tinha uma id#ia clara da situa'(o era TomisenQoR. Tinha coisa mais
importante a fa+er do que informar seus homens de como subestimara o poderio de
Rhodan. % acampamento — ou melhor* o que ainda sobrava dele — teria de ser
transferido. Nra de recear que Rhodan voltasse* e TomisenQoR ainda n(o estava
convencido de que teria de capitular.
As selvas de 6ênus eram muito e)tensas. Kelas poderiam ser escondidas centenas
de divis/es* de tal forma que nenhum inimigo conseguiria encontr"0las.
TomisenQoR deu prova de seu talento de organi+ador. Fuito embora perto de seis
mil de seus homens estivessem t(o gravemente feridos que n(o conseguiam se deslocar
por suas prprias for'as* e embora se tivesse de consumir o triplo do tempo usual para
fa+er com que os ouvidos ensurdecidos entendessem qualquer comando* o início da
transferência n(o demorou mais de duas horas a partir da cat"strofe.
As naves que ainda se encontravam intactas transportaram a maior parte dos
homens gravemente feridos. % resto foi carregado pela selva sobre macas grosseiras
Para os homens que se encontravam al#m da fai)a de terra incandescente foram
dei)adas indica'/es sobre o lugar ao qual teriam de se dirigir.
% destino de TomisenQoR era uma cordilheira situada ao noroeste. K(o distava
mais de du+entos quil$metros do acampamentoI mas* face aos meios primitivos de
locomo'(o de que dispunham* TomisenQoR calculou que levariam pelo menos uma
semana do tempo terreno para atingi0la.
7oi o &ltimo a abandonar o acampamento* 8untamente com o a8udante e alguns
oficiais de elevada patente. A evacua'(o decorrera sem incidentes e n(o demorara mais
que de+ horas. Kesse meio tempo os tímpanos haviam recuperado parte de sua
capacidade* e os homens podiam conversar* embora aos gritos.
A curiosidade e a inseguran'a dos homens crescera tanto que TomisenQoR 8ulgou
preferível romper seu silêncio e informar os oficiais sobre o que realmente havia
acontecido.
— ,uponho que todos tenham notado aquela esfera — gritou. — K(o e)iste a
menor d&vida de que era a nave espacial que Rhodan usa em suas grandes viagens.
— Fas tinha pelo menos um quil$metro de altura3 — ob8etou algu#m.
TomisenQoR balan'ou a cabe'a.
— Fais ou menos. % que nos atingiu n(o foi nenhuma arma especial. % posto de
radar informou no &ltimo instante que a nave se deslocava a uma velocidade de cerca de
<S QmTs. Hsso # quase cinco quil$metros mais que a velocidade de um meteorito que
penetra na atmosfera terrestre* vindo do espa'o csmico. % ar n(o tem tempo de se
desviar de um ob8eto desses. 4 comprimido. N a compress(o # t(o intensa que fa+ com
que as mol#culas emitam radia'/es ou se8am mesmo ioni+adas. Ao mesmo tempo a
compress(o do ar produ+ uma eleva'(o instantJnea e consider"vel da temperatura.
7e+ um gesto vago em dire'(o 9 fai)a de terra incinerada e continuou a gritar-
— 6e8am3 Ema pergunta permanece em aberto- Como # que Rhodan consegue que
o ar se torne incandescente* e sua nave n(o2 K(o posso fornecer qualquer informa'(o
e)ata a este respeito. ,abemos que a nave est" provida de campos energ#ticos protetores
de elevada potência. Provavelmente os mesmos est(o em condi'/es de absorver os
efeitos nocivos de um v$o desse tipo.
7e+ uma pausa* aguardando perguntas. K(o houve nenhuma.
— 5evemos nos apressar — sugeriu TomisenQoR. — Rhodan n(o se far" esperar
por muito tempo. ,abe perfeitamente quanto tem a perder em 6ênus. 6amos lhe preparar
uma recep'(o bem calorosa3
G G G
A uma velocidade de <S QmTs o olho humano n(o tem capacidade de perceber e
fi)ar detalhes.
Rhodan n(o tinha a menor id#ia sobre o lugar e o momento em que a ,tardust0HHH
passara por cima do acampamento inimigo. Fas os instrumentos autom"ticos haviam
tirado fotografias* e n(o haveria nenhuma dificuldade em obter todos os dados
interessantes a partir das mesmas.
A bordo da nave ainda se procurava adivinhar quem teria sido o inimigo que
conseguira pousar em 6ênus* t(o perto da base preciosa que se encontrava naquele
planeta.
A &nica pessoa que poderia dar informa'/es a este respeito permanecia num
mutismo total. Aos poucos foi desacelerando a imensa nave* e numa curva suave dirigiu0
a para o comple)o montanhoso sob cu8as encostas rochosas se situava a base.
Fas subitamente a ,tardust0HHH foi detida a cerca de quinhentos quil$metros da
mesma. % efeito foi violento* mas n(o representou qualquer perigo para a nave. %s
neutrali+adores gravitacionais absorveram o choque produ+ido pela frenagem. 5entro de
poucos segundos a nave se imobili+ou pouco acima da selva &mida.
Em tanto cansado* Rhodan se reclinou na poltrona. % nervosismo se espalhou em
torno dele. Reginald .ell corria de um instrumento para outro* o telegrafista fe+ tentativas
fren#ticas para transmitir o sinal codificado em hiperondas ao grande c#rebro positr$nico
situado no interior da fortale+a* e o terceiro0oficial indagou 8unto ao centro de comando
t#cnico se toda a aparelhagem estava em ordem.
Kenhuma dessas providências produ+iu o menor resultado.
7inalmente Rhodan deu o comando-
— 5escer3 6amos pousar3
.ell olhou0o perple)o.
— % que houve2 Por que n(o podemos entrar2
— Porque fomos cautelosos demais — respondeu Rhodan com a vo+ cansada.
Ko momento se limitou a essa resposta. %bservou atentamente como a ,tardust0HHH
descia em dire'(o ao solo. A floresta densa* de cerca de quarenta metros de altura*
desmoronou como se fosse de capim* sob o peso da nave de oitocentos metros de altura.
%s suportes hidr"ulicos foram escamoteados e afundaram v"rios metros no solo macio da
selva. Ema lu+ vermelha se acendeu no painel* e um +umbido tranqOili+ador anunciou-
— Pousamos3
Rhodan se levantou e foi at# o telecomunicador de bordo.
— Pe'o aos senhores oficiais que compare'am 9 sala de comando. Tenho uma
declara'(o a fa+er.
A ordem foi cumprida imediatamente. 5e um minuto para outro a sala de comando
se encheu. A ,tardust0HHH tinha uma tripula'(o de quinhentos homens* e menos de
quarenta destes eram oficiais. Al#m disso* havia v"rios mutantes que* segundo o
regulamento da Terceira Potência* ocupavam a posi'(o de oficiais.
A declara'(o de Rhodan* de que a ,tardust0HHH retornara ao sistema natal quatro
anos e meio depois do tempo calculado* provocou um espanto consider"vel. Fas Rhodan
se limitou a transmitir a informa'(o relativa ao fatoI n(o forneceu qualquer coment"rio*
muito menos uma e)plica'(o.
Ainda relatou o que soubera do coronel 7reyt sobre a evolu'(o dos acontecimentos
políticos na Terra.
— !uando retornarmos 9 Terra — disse — veremos um quadro diferente daquele
que temos na lembran'a. Ao que parece quatro anos e meio foram suficientes para afastar
ao menos parte da Pumanidade do caminho certo. Teremos de tomar providências para
que essa s#rie de equívocos n(o produ+a danos ao nosso planeta. Fas* antes disso* temos
de enfrentar outro problema. Todos os nossos planos* na parte em que di+em respeito 9
Pumanidade e ao seu desenvolvimento no quadro gal"ctico* dependem em boa parte da
nossa capacidade de em qualquer tempo* ho8e ou dentro de algumas de+enas de milhares
de anos* reencontrarmos o planeta Peregrino. Com base no trecho da rbita de que
dispomos* o grande c#rebro positr$nico instalado em nossa base em 6ênus pode calcular
a rbita de Peregrino at# os tempos mais longínquos.
MPor isso uma das nossas tarefas preferenciais consistiria em introdu+ir no
dispositivo positr$nico os dados sobre o trecho conhecido da rbita de Peregrino* e isso
com a maior urgência* 8" que a cada minuto que passa o c"lculo se torna mais difícil. N
essa tarefa se tornou ainda mais premente* 8" que um inimigo que aparentemente sabe o
que quer vem reali+ando esfor'os para se apoderar das instala'/es e)istentes em nossa
base de 6ênus.A
7e+ uma pausa e lan'ou os olhos para diante de si* como se tivesse de refletir
cuidadosamente sobre as palavras que iria proferir.
— A base positr$nica foi regulada de maneira a n(o produ+ir dano a qualquer ser
humano. !uando efetuei essa regulagem contei com a possibilidade de que num v$o a
6ênus pudesse acontecer alguma coisa a um de ns que o impedisse de transmitir o sinal
convencionado em cdigo. Com a regulagem anterior o c#rebro positr$nico teria partido
automaticamente ao ataque. Hsso tinha de ser impedido. Para ser franco* nunca contei com
a possibilidade de que algum ser humano fosse pousar em 6ênus contra nossa vontade.
— MFas tudo indica que foi precisamente o que aconteceu. K(o h" d&vida de que os
numerosos pontos que se deslocavam a pequena velocidade* locali+ados pelos
instrumentos de vigilJncia nas pro)imidades da base de 6ênus* n(o s(o outra coisa sen(o
naves espaciais de propuls(o nuclear* construídas na Terra* fora do territrio da Terceira
Potência. %s foguetes com que fomos atacados tamb#m indicam que os invasores provêm
da Terra. Por fim* o simples fato de que o c#rebro positr$nico n(o impediu o pouso
constitui a melhor prova de minha suposi'(o.
M7ace ao relato do coronel 7reyt* n(o h" como duvidarmos de que uma poderosa
frota espacial do .loco %riental pousou em 6ênus para se apoderar da base. % c#rebro
positr$nico ainda fe+ outra coisa. % bombardeio da ,tardust0HHH com foguetes nucleares
foi um acontecimento que na memria do c#rebro est" arma+enado sob a classifica'(o de
fato e)traordin"rio e inquietante. Transmiti ordens e)pressas ao c#rebro para que nessa
hiptese toda a "rea da base se8a fechada hermeticamente* de tal forma que ningu#m
possa penetrar na mesma.
MReconhe'o* cavalheiros* que efetuei essa regulagem num acesso de cautela
e)cessiva. Fas pe'o0lhes que considerem que um caso como o presente n(o poderia ter
sido previsto pela fantasia mais e)travagante. % fato # que nem mesmo ns podemos
romper o campo protetor da base. 5evemos nos empenhar em redu+ir o invasor 9
impotência o quanto antes e convencer o c#rebro positr$nico de que n(o e)iste mais
qualquer perigo em 6ênus.A
1an'ou um olhar penetrante para os oficiais.
— !uanto antes* # o que acabo de di+er. K(o # difícil compreender que daqui a
umas três semanas da contagem de tempo terrena ser" impossível at# mesmo para o
grande c#rebro positr$nico calcular toda a rbita do planeta Peregrino com base no trecho
conhecido. Pe'o0lhes que esclare'am os suboficiais e a tripula'(o sobre a nova situa'(o e
aguardem minhas instru'/es. %brigado* cavalheiros.
A ,tardust0HHH encontrava0se diante de um problema difícil* mas n(o insol&vel.
Ka sala de comando s permaneceram Rhodan* .ell e os dois oficiais que
ocupavam seus lugares nos postos de telegrafia e de dire'(o.
.ell sacudiu a cabe'a.
— Para falar com franque+a — disse* contrariado — 8" n(o entendo mais nada.
6ocê acha que foi acertado confessar um erro seu perante os subordinados2
Nstavam sentados diante do quadro de pilotagem. % posto de telegrafia e de dire'(o
se encontravam a uma distJncia suficiente para que pudessem conversar 9 vontade.
Rhodan riu.
— Por que n(o2 Cometi um erro* n(o cometi2
— K(o diria que foi um erro. Todo mundo teria chamado você de idiota se* naquele
tempo* tivesse manifestado a id#ia de tomar providências para impedir que o .loco
%riental pousasse em 6ênus com uma frota de invas(o.
— Acontece que fi+eram isso mesmo. 7oi um erro meu. 5everia ter considerado
todas as possibilidades.
.ell estendeu as m(os* com a palma para cima.
— Nst" bem. Fas h" outra coisa que n(o entendo.
— % que #2
— 7reyt devia estar informado sobre os acontecimentos que se verificaram na
Terra. Por que n(o fe+ nada2
Rhodan contorceu o rosto.
— Tamb#m foi minha culpa — respondeu. — 7reyt est" su8eito a um bloqueio
hipntico. K(o est" em condi'/es de e)ercer qualquer influência sobre a política do
%cidente. Apliquei esse bloqueio nele porque n(o tinha certe+a de que n(o acabaria
acalentando certas ambi'/es. Poderia dispor irrestritamente do potencial t#cnico da
Terceira Potência. Nra bem possível que caísse em tenta'(o.
— 4 por isso que est" su8eito ao bloqueio.
— N # por isso que n(o podia fa+er nada quando houve uma reviravolta no .loco
%riental e este se desviou do bom caminho.
Reginald .ell acenou com a cabe'a.
— Pois bem — disse depois de algum tempo. — Kaquela #poca ningu#m contaria
com a possibilidade de que s depois de quatro anos e meio volt"ssemos a aparecer* n(o
#2 ,e n(o fosse assim* você teria agido de outra forma.
Rhodan acompanhou as riscas de soalho com a ponta da bota.
— K(o procure desculpar meu procedimento — recomendou a .ell. — Cometi um
erro ao tomar todas as decis/es de acordo com minha cabe'a e a capacidade restrita de
raciocínio de que disponho. Ko futuro terei de conversar com maior freqOência com
nosso grande c#rebro positr$nico. ,uas previs/es s(o mais ob8etivas que as minhas.
.ell lhe lan'ou um olhar s#rio.
— N a frota de invas(o2 Por que n(o a eliminamos pura e simplesmente2
Rhodan respondeu em tom hesitante-
— Nm primeiro lugar repugna ao meu gênio eliminar algu#m pura e simplesmente*
e depois isso n(o ser" possível. ,e o chefe da frota tiver alguma inteligência* ter"
abandonado imediatamente o lugar em que se encontrava. N nesta selva teremos
dificuldade at# mesmo em locali+"0lo.
.ell se sobressaltou.
— Al#m disso deve ter espalhado seus homens a tal ponto que um bombardeio
concentrado n(o nos adiantar" mais nada. 6ocê n(o acha2
Rhodan acenou com a cabe'aI estava muito s#rio.
.ell refletiu por algum tempo.
— !uer di+er que teremos de travar uma pequena guerra na selva2
Rhodan sorriu.
— ,e for pequena — disse com a vo+ bai)a — poderemos nos dar por satisfeitos.
2
A franque+a que Rhodan demonstrou perante seus subordinados produ+iu um efeito
que era e)atamente o oposto do que Reginald .ell previra.
Nra a primeira ve+ em toda a histria da Terceira Potência que Rhodan tinha motivo
para confessar um erro* porque era a primeira ve+ que cometia um.
,eus subordinados — os oficiais* suboficiais e tripulantes — que at# ent(o o
veneravam gra'as ao seu saber superior e 9 sua capacidade e)traordin"ria* agora sentiam
que precisava deles* porque* apesar de seus dotes geniais* era um homem como qualquer
outro.
Pela primeira ve+ a venera'(o* que sempre sabia guardar distJncia* era
acompanhada de um forte sentimento de comunh(o.
!ualquer ordem que Rhodan desse para preparar a a'(o contra a frota invasora era
e)ecutada depressa* mas cuidadosamente. Tudo engrenava e)atamente. 5uas horas aps
o pouso* as fotografias tiradas durante o v$o pelos instrumentos autom"ticos de
observa'(o haviam sido interpretadas a tal ponto que Rhodan podia preparar seus planos
t"ticos. 5ali a mais duas horas soubera atrav#s de sondas de espionagem de que forma o
general TomisenQoR reagira ao golpe* e sete horas aps o pouso uma for'a
e)pedicion"ria com o efetivo inicial de cinqOenta homens* totalmente armado e equipado*
estava pronta a sair pelas comportas.
% prprio Rhodan assumiu o comando.
Fas antes teve uma palestra com Thora e Crest* os dois arc$nidas.
G G G
A finalidade que levara os dois arc$nidas a penetrar nessa "rea da gal")ia a bordo
de um cru+ador espacial — um dos &ltimos que a ra'a arc$nida* decadente* conseguira
p$r a caminho — fora a procura do mundo da vida eterna* isto #* de um mundo cu8os
habitantes conheciam o segredo da conserva'(o das c#lulas.
% cru+ador pousara na lua terrestre em virtude de avarias* 8ustamente no tempo em
que o primeiro foguete guiado por homens se punha a caminho da 1ua.
% encontro era inevit"vel* e a constela'(o das circunstJncias fe+ com que os
tripulantes da velha ,tardust* Rhodan* .ell e o 5r. Fanoli* se ligassem a Crest e Thora*
sobreviventes da nave arc$nida* para a vida e a morte.
Ka Terra impediram* atrav#s do poderio proporcionado pelos recursos arc$nidas* a
irrup'(o da terceira guerra mundial* e se constituíram em Terceira Potência no deserto de
Lobi.
5o ponto de vista de Rhodan* a liga'(o de início se inspirara unicamente na
finalidade que tinha em vista. ,eus ob8etivos eram muito elevados- a uni(o da
Pumanidade e a consolida'(o da posi'(o da Terra no seio da gal")ia. %s arc$nidas com
sua t#cnica superior apareceram em boa hora.
Tamb#m da parte de Crest e de Thora no princípio a perspectiva de uma vantagem
pesava mais que qualquer simpatia. Rhodan era um homem ativo. 5epois de ter
absorvido o saber arc$nida atrav#s de um processo de treinamento hipntico* estaria em
condi'/es de montar uma ind&stria capa+ de construir uma nave de grande alcance do
tipo arc$nida. Com uma nave dessas* Crest e Thora poderiam prosseguir na sua viagem
em busca do mundo da vida eterna ou retornar a Urcon* seu mundo natal.
Pouve complica'/es. Hnteligências estranhas atacaram a Terra. A Terceira Potência
conseguiu repeli0las. A Terceira Potência ainda travou uma guerra no sistema 6ega* e a
,tardust0HHH* uma nave inimiga apresada* empreendeu uma viagem longa e arriscada 9
procura do mundo em cu8a busca Thora e Crest partiram h" anos de Urcon.
Peregrino — era este o nome do planeta da vida eterna.
Em mundo artificial* que seu construtor for'ara a descrever uma rbita e)travagante
em torno de trinta sistemas solares.
Rhodan soube do segredo* e soube ao mesmo tempo que* no relgio do Eniverso*
havia soado a hora final para os arc$nidas. Para eles n(o haveria qualquer renova'(o
celular. A vida eterna lhes foi negada.
Crest e Thora haviam colocado Rhodan na pista do segredo e agora* que o haviam
descoberto 8untos* a revela'(o lhes foi recusada.
Rhodan obteve a solu'(o — Rhodan* o herdeiro do imp#rio gal"tico.
G G G
Crest estava s* no seu camarote.
Reclinara0se profundamente na macia poltrona articulada e fitava o teto. K(o se
me)eu quando Rhodan entrou.
Rhodan parou perto dele.
— K(o sei — disse em vo+ bai)a e cautelosa depois de algum tempo — se vale a
pena se entregar e)clusivamente 9 melancolia.
7alava no idioma arc$nida.
Crest dei)ou passar algum tempoI depois virou a cabe'a e lan'ou um olhar s#rio
para Rhodan.
— % senhor n(o imagina — respondeu — o que esta derrota representa para mim e
para todos os arc$nidas. Para alcan'armos a perfei'(o final s nos faltava o segredo da
vida eterna* nada mais. 4 um golpe duro ouvir que o grau mais elevado da evolu'(o nos
foi recusado.
Rhodan refletiu no que devia di+er. ,entou perto de Crest.
— ,airei da nave — disse em tom s#rio. — Algu#m se instalou em 6ênus e vem
nos causando dificuldades.
Crest ergueu as sobrancelhas brancas e espessas. 5e resto n(o deu mostras de
qualquer surpresa ou nervosismo.
— K(o sei quanto tempo demoraremos l" fora — prosseguiu Rhodan. — Por isso
quero lhe pedir um favor.
Crest conseguiu esbo'ar um sorriso d#bil.
— Tem certe+a de que ainda conseguirei levantar desta cadeira e vencer minha
depress(o2 — perguntou.
Rhodan fe+ que sim.
— Tenho certe+a absoluta. Cuide de Thora* sim2 Tamb#m foi afetada por essa
histria do planeta PeregrinoI al#m disso* # muito impetuosa.
Crest ainda estava sorrindo.
— 4 claro que cuidarei — asseverou. — 5esde a decolagem n(o a ve8o mais* mas
irei vê0la imediatamente.
1evantou0se.
— 7a'a um bom trabalho3 — disse* dirigindo0se a Rhodan. — N volte s(o e salvo.
Rhodan respondeu com um aceno de cabe'a.
5ois minutos depois se encontrava na comporta sul e transmitia as &ltimas
instru'/es aos seus homens.
% corpo e)pedicion"rio de cinqOenta homens estava subdividido em quatro grupos.
Rhodan confiou o comando dos grupos aos e)perimentados ma8ores 5eringhouse e
Kyssen* e ao tenente Tanner.
Cada homem envergava um tra8e transportador arc$nida. Tratava0se de um aparelho
de m&ltiplas aplica'/es* dotado de um gerador de for'a gravitacional para a produ'(o de
gravidade artificial. Com isso* podia transportar seu portador pelo ar. Al#m disso* um
min&sculo dispositivo eletromagn#tico produ+ia um campo de defle)(o* que conferia
qualidades quase hidromecJnicas ao meio circundante* em rela'(o 9 propaga'(o de
emana'/es luminosas* de forma que as ondas luminosas contornavam o campo em forma
de linhas de flu)o* tornando invisível o tra8e e o homem que o envergasse.
Cada grupo dispunha de três cJmbios. Tratava0se do veículo ultra vers"til dos
arc$nidas* que se deslocava com igual facilidade em três elementos.
%s homens estavam equipados com o armamento usual. , os oficiais portavam
pequenos pro8etores mentais.
— % inimigo encontra0se em marcha — e)plicou Rhodan. — Creio que conhe'o
seu ob8etivoI mas* para termos certe+a* devemos manter contato ininterrupto com a nave.
% que temos pela frente # nada menos que uma guerra na selva ao estilo antigo. !uem
quer que detenha o comando do outro lado h" de saber que os recursos de que dispomos
s(o superiores aos seus* e plane8ar" sua a'(o de acordo com esse fato. 5istribuir" seus
homens por uma "rea bastante ampla e travar" uma guerra de guerrilhas* o que nos
impedir" tirarmos proveito de nossa superioridade. Apesar de tudo isso* temos de chegar
quanto antes a uma solu'(o final. K(o temos tempo a perder. Portanto* fa'am um
trabalho bem feito.
G G G
% general TomisenQoR logo constatou que subestimara grandemente as
dificuldades da marcha.
Chanicadse* um 8ovem tenente armênio* marchara durante duas horas diante dele*
cuidando para que os galhos* que a selva 8" voltara a estender por cima da trilha aberta
pelo destacamento de vanguarda* n(o fustigassem o rosto do general com demasiada
violência.
Ko início da terceira hora* quando Chanicadse se dispunha a remover uma
trepadeira* um verme branco* da grossura de uma cocha humana* surgiu da esquerda com
uma agilidade incrível* envolveu o corpo do tenente* e desapareceu com ele na selva.
Antes que TomisenQoR* seu a8udante e os dois oficiais que o acompanhavam se
dessem conta do que estava acontecendo* o gigantesco verme 8" havia desenrolado uns
vinte metros de sua repugnante e)tens(o. ,obre o resto* que media outros vinte metros*
dirigiram que nem um bando de loucos os disparos de suas pistolas autom"ticasI mas
aquela criatura de 6ênus pouco se incomodou com as balas.
Chanicadse continuava desaparecido. TomisenQoR proibiu a persegui'(o do verme.
K(o queria perder mais gente naquela selva impenetr"vel.
Feia hora depois ouviram um ruído rítmico e retumbante vindo do oeste. %
a8udante acreditava que se tratasse de um terremoto.
Ema hora depois viram o que era — ou melhor* estavam em condi'/es de reali+ar
uma reconstitui'(o apro)imada do quadro. Em animal de dimens/es fenomenais cru+ara
a trilha* colocando uma das pernas e)atamente sobre a mesma. A marca do p# era
redonda* e tinha o diJmetro de cinco metros. Ko centro da mesma viam0se alguns restos
de uniforme* e o solo estava ensopado de sangue. Kem havia possibilidade de verificar
quantos dos homens de TomisenQoR haviam perecido.
5ali a dois quil$metros a trilha descreveu uma curva acentuada em dire'(o ao sul e
condu+ia a um lago estreito e comprido* rodeado pela selva. Em dos dois oficiais n(o
quis percorrer o caminho longo em torno do lago. Nntrou na "gua* andou um peda'o e
p$s0se a nadar.
5epois de ter vencido cerca de três quartos da distJncia* teve que se desviar de um
ob8eto estranhoI parecia um tapete brilhante e colorido* pousado tranqOilamente na
superfície da "gua. % oficial passou a grande distJncia. Fas subitamente o tapete p$s0se
em movimento e seguiu0o. 5e início o nadador n(o percebeu nada. , teve a aten'(o
despertada quando TomisenQoR* o a8udante e o outro oficial o preveniram aos gritos.
Com amplas bra'adas procurou alcan'ar a margem oposta. Fas* no lugar e)ato em
que seus p#s alcan'aram o fundo do lago* foi alcan'ado pelo tapete. A "gua come'ou a
fervilhar* e o homem mergulhou aos gritos. % tapete passou por uma estranha
transforma'(o. ,ubitamente n(o era mais colorido* nem se estendia sobre a "guaI tornou0
se cin+ento e assumiu o formato de uma massa compacta e disforme* cu8as for'as
evidentemente eram muito superiores 9s de sua vítima.
Com uma rapide+ incrível aquela massa atingiu a +ona de "gua profunda.
Fergulhou. % homem do grupo de TomisenQoR nunca mais foi visto.
G G G
5o outro lado da fai)a de terra derretida e calcinada* que a ,tardust0HHH parecia ter
tra'ado a r#gua em meio 9 selva* alguns homens da divis(o de defesa de foguetes do
general TomisenQoR conseguiram ficar vivos.
5e início* o destacamento espacial de desembarque contara com mais de du+entos
homens. Agora sobravam vinte e oito.
5as de+ rampas de lan'amento apenas duas continuavam de p#. % suprimento de
foguetes nucleares se redu+ira de cem para cinco.
% ma8or 1ysenQoR assumiu o comando dos vinte e oito sobreviventes. Nra um
homem relativamente 8ovem* que punha todo seu empenho em mostrar aos homens que
mantinha o domínio perfeito da situa'(o.
Tamb#m a leste da fai)a devastada* a nave em sua r"pida passagem afetara os
tímpanos dos homens. 1ysenQoR teve de se comunicar por escrito com seus homensI n(o
lhe ocorreu a id#ia brilhante de TomisenQoR.
5epois de algumas horas* quando acreditava estar em condi'/es de mane8ar um dos
transmissores port"teis* procurou entrar em contato com o general. At# ent(o os vinte e
oito homens s estavam ocupados em tratar das feridas* apurar a radiatividade da fai)a
derretida e* de tempos em tempos* medir a temperatura do solo na mesma.
TomisenQoR n(o respondeu* e nenhuma outra pessoa acusou o recebimento do
chamado.
1ysenQoR se sentiu terrivelmente perturbado. 1evou bastante tempo at# que lhe
ocorreu que provavelmente TomisenQoR teria abandonado o acampamento* dei)ando no
local alguma indica'(o sobre seu paradeiro atual.
1ysenQoR n(o gostou da id#ia de aguardar at# que a fai)a calcinada esfriasse a
ponto de n(o representar qualquer perigo. Nram cento e oitenta horas* tempo localI dentro
de de+ ou do+e horas ficaria escuro.
1ysenQoR participara do bombardeio infrutífero da nave inimigaI por isso estaria
em condi'/es de imaginar mais ou menos o que tinha acontecido* mesmo que n(o
soubesse e)plicar certos detalhes. Fas calculava que dentro de algum tempo o inimigo
voltaria a atacar e mandou preparar as rampas de disparo que ainda restavam.
5epois* ficaram 9 espera.
G G G
% ma8or 5eringhouse recebera instru'/es para verificar de ambos os lados da fai)a
calcinada* para apurar se ainda havia restos das tropas inimigas escondidos na "rea em
que antes se encontrava o acampamento.
5eringhouse se afastara do destacamento com dois dos seus cJmbiosI passando
rente 9 copa das "rvores* avan'ou na dire'(o sul.
Nncontrou a parte oeste do acampamento va+ia e abandonada* com e)ce'(o dos
cad"veres de alguns homens vitimados pelo furac(o.
Passou pela fai)a devastada a cerca de quinhentos metros de altitude. Ao p$r do sol
os dois veículos pousaram 8unto a uma das rampas de foguete escondidas na folhagem*
que o furac(o derrubara.
5eringhouse e)aminou a rampaI a &nica coisa interessante que encontrou foi uma
inscri'(o em letras cirílicas e)istente no quadro de comando eletr$nico* que provava se
tratar de uma e)pedi'(o do .loco %riental.
% que ainda dava que pensar era o fato de que a rampa — se porventura n(o tivesse
sido atirada para aquele local em virtude do deslocamento do ar — se encontrava em
meio 9 folhagem* com um campo de tiro mínimo. Poderia haver mais uma d&+ia dessas
posi'/es de disparoI mas sem encostar o nari+ nelas n(o seria possível descobri0las.
5eringhouse dispunha de um &nico mutante em seu grupo. Nra ,on %Qura. %
8aponês fran+ino com os grandes culos de aro de tartaruga possuía uma faculdade
estranha. ,eus olhos sabiam captar uma fai)a muito mais ampla do espectro
eletromagn#tico que os de um homem comum. ,on %Qura via o infravermelho com suas
ondas longas* da mesma forma que o a+ul radiante do c#u terreno. Nstava em condi'/es
de captar at# mesmo certa fai)a de lu+ ultravioleta.
Kaquele instante era da maior importJncia para 5eringhouse* porque este* apesar da
escurid(o que irrompia* n(o quis assumir o risco de usar os holofotes de lu+
infravermelha* que poderiam ser detectados pelos instrumentos do inimigo. Fas* como o
calor do dia se mantivesse* &mido e opressivo* sob a cobertura espessa das folhas* os
olhos de %Qura mantinham toda sua eficiência. Para ele* de noite a floresta continuava t(o
iluminada como uma paisagem coberta pelos raios do sol.
%utro au)iliar de 5eringhouse consistia nos pequenos locali+adores de microondas*
que todo cJmbio condu+ia a bordo. Em dos homens estava pesquisando os arredores do
local de pouso. Pequeninos pontos verdes come'avam a emitir uma d#bil luminosidade
sempre que o fei)e de ondas atingia a massa met"lica de outras rampas de lan'amento.
%utro homem anotava os resultados num mapa provisrio.
Nnquanto 5eringhouse ainda aguardava o resultado* o homem que mane8ava o
dosímetro anunciou um nível anormal de radiatividade. 5eringhouse pegou um pequeno
contador e* acompanhado de dois homens* saiu em busca da fonte de radia'/es. Em dos
dois homens era ,on %Qura.
Apro)imaram0se da fai)a de terra calcinada.
,ubitamente %Qura parou e ergueu a m(o. 5eringhouse permaneceu imvel. %
ruído produ+ido por uma s#rie de pisadas e estalos se apro)imou da esquerda.
5eringhouse viu uma sombra comprida e achatada* que atravessou a folhagem a uns vinte
metros de distJncia.
5esapareceu na dire'(o norte. Ao que parecia n(o percebera o grupo dos três
homens que se mantinham numa e)pectativa ansiosa* ou n(o se interessava pelo mesmo.
Prosseguiram em sua marcha. Para vencer obst"culos maiores* valiam0se dos
geradores antigravitacionais de seus tra8es. 7inalmente chegaram a um ponto em que o
contador acusava uma emana'(o t(o elevada que 5eringhouse achou preferível n(o
prosseguir.
A uns cem metros de distancia* na fai)a da selva que o furac(o escaldante da
,tardust0HHH redu+ira a cin+as* %Qura p$de distinguir um con8unto de ob8etos de cor
escuraI provavelmente tratava0se dos remanescentes de um edifício. K(o havia a menor
d&vida de que as radia'/es provinham dali. 5eringhouse estava praticamente convencido
de que os homens do .loco %riental haviam arma+enado parte de seu armamento nuclear
naquele edifício* e que esse armamento fora atingido pela tempestade de fogo.
5isp$s0se a regressar. Fas nesse instante %Qura* num gesto de advertência* colocou
a m(o sobre seu bra'o.
— Psiu3...
Agu'aram os ouvidos. %uviram sons martelantes* vindos do sudoeste* tra+idos pelo
vento causado pelo calor da fai)a de terra queimada. 5eringhouse n(o sabia que ruído era
esse* mas %Qura logo descobriu.
— 4 um fac(o3 — cochichou. — Algu#m se apro)ima. Nu o ve8o.
5eringhouse resolveu esperar.
As pancadas chicoteantes cessaram assim que o desconhecido atingiu a fai)a
devastada* passando a se mover em terreno desimpedido. Kem 5eringhouse nem o cabo
que o acompanhava distinguiam qualquer coisaI mas o 8aponês via o homem com toda
nitide+.
— Nst" de uniforme — cochichou. — Tra+ uma carabina autom"tica na m(o
esquerda e um pequeno aparelho na direita.
5ali a um minuto acrescentou-
— 6em e)atamente em nossa dire'(o. 6amos procurar uma cobertura.
Agacharam0se atr"s do toco de uma gigantesca "rvore que o furac(o carregara.
5eringhouse preparou seu radiador de impulsos energ#ticos.
Pouco depois viu o vulto desconhecido emergir da escurid(o. %uviu0o murmurar.
Parou a uns cinco metros de seu esconderi8o. Continuava a segurar a carabina
descuidadamente na m(o esquerda. Fas colocara a cai)inha bem diante dos olhosI
5eringhouse viu uma lu+ d#bil* que na sua opini(o provinha de uma escala luminosa.
Nra um dosímetro. %s homens do .loco %riental vigiavam o foco do perigo
radiativo.
5eringhouse n(o teve muito tempo para refletir sobre a t"tica que devia empregar.
,e atirasse com o radiador de impulsos* mataria o homem. Acontece que pretendia saber
alguma coisa por seu interm#dio.
Nrgueu0se cautelosamente. % desconhecido se encontrava quase de costas. As
longas pernas de 5eringhouse venceram a distJncia em dois ou três saltos r"pidos. Antes
que o homem compreendesse o que estava acontecendo* foi golpeado na cabe'a com a
coronha da arma de 5eringhouse.
5obrou os 8oelhos e caiu molemente ao solo.
— 6enham3 — chamou 5eringhouse a meia vo+. — Agarrei0o.
G G G
% ma8or 1ysenQoR fe+ tudo para que seus homens n(o percebessem nada* mas 8"
n(o conseguia esconder a verdade de si mesmo- se a incerte+a durasse mais algumas
horas* sofreria um colapso.
Tinha diante de si* sobre o solo batido diante da cabana de folhas primitiva que
sobrara do furac(o* um mapa provisrio da "rea em que pousara a e)pedi'(o do general
TomisenQoR. Luiando0se pelas estimativas reali+adas 8untamente com seus homens
desenhara no mapa a fai)a atingida pelo furac(o* a fai)a de terra calcinada e o ponto em
que a radiatividade atingia um nível perigoso* em cu8o centro se encontravam os foguetes
derretidos.
!uis o acaso que 8ustamente nesse ponto a fai)a aquecida fosse mais estreita.
5entro de três horas* o mais tardar* 1ysenQoR assumiria o risco de fa+er com que seus
homens transpusessem a fai)a nesse ponto* em passo aceleradoI numa situa'(o dessas
n(o importava quantos homens resistissem a um empreendimento desses. % que
interessava a 1ysenQoR era que ele mesmo* o chefe do grupo* fosse bastante r"pido para
atingir o lado oposto s(o e salvo.
Fas havia a mancha contaminada. ,e o nível de radiatividade n(o bai)asse com
suficiente rapide+* teriam de esperar at# que a fai)a de terra queimada esfriasse o bastante
em outro ponto* onde a largura era maior.
4 que nem mesmo o ma8or 1ysenQoR estava livre dos efeitos das emana'/es
radiativas.
Nnviara um homem ao local para medir as radia'/es.
%lhou para o relgio.
Por que o su8eito estaria demorando tanto2
1ysenQoR se levantou e saiu da cabana. ,eguiu na dire'(o em que o homem se
afastara. Passando entre as trepadeiras que lhe barravam o caminho* agu'ou o ouvido.
Percebeu o som de passos.
Parou. A folhagem se movimentou diante dele e uma sombra emergiu da mesma.
— Por que demorou tanto2 — chiou 1ysenQoR.
% homem parouI n(o respondeu.
— Apro)ime0se3 — ordenou 1ysenQoR.
% homem deu alguns passos em sua dire'(o.
— Por que demorou tanto2 — repetiu 1ysenQoR. — Responda.
Ko momento em que come'ou a suspeitar* porque o homem que tinha diante de si
era mais bai)o que aquele que enviara ao local* 8" era tarde.
Com um salto de felino* ,on %Qura se grudou na garganta do ma8or. 1ysenQoR n(o
teve a menor chance. Ema pancada vigorosa com a coronha do radiador de impulsos
energ#ticos p$s fim 9 luta antes que a mesma tivesse come'ado.
%Qura deu um assobio estridente. Trinta segundos depois 5eringhouse e o cabo se
encontravam ao seu lado.
% 8aponês apontou para o corpo imobili+ado de 1ysenQoR.
— Parece que # o chefe — cochichou.
5eringhouse confirmou com um aceno de cabe'a.
— 6amos amarr"0lo e amorda'"0lo — ordenou laconicamente.
% cabo recorreu a algumas trepadeiras e ao seu len'o para cumprir essa
incumbência.
— Prosseguir3 — ordenou 5eringhouse. — 5ei)em o homem aqui.
,on %Qura seguiu 9 frente. Andando pelo caminho que 1ysenQoR abrira em meio 9
vegeta'(o* encontraram a cabana. Kum raio de cinqOenta metros %Qura notou mais três
cabanas* de maiores propor'/es* espalhadas sob as "rvores. Pelos c"lculos de
5eringhouse deviam ser uns trinta homens que viviam ali.
Convocou o resto de seus homens e lhes e)plicou a posi'(o e)ata do ob8etivo. A
fonte de radiatividade constituía um e)celente ponto de referência.
%ito minutos depois* os cJmbios pousaram. Atr"s da cabana de 1ysenQoR* ao
sudoeste* havia uma fai)a de mata livre de vegeta'(o rasteira. 5esceram ali sem provocar
o menor ruído.
5eringhouse transmitiu instru'/es lac$nicas. !uando terminou* viu uma sombra
que se apro)imava da cabana* vinda do leste. Admirado* 5eringhouse se ergueu por
completo.
— Vto tam2 — perguntou a sombra. Aquelas palavras de uma língua estrangeira
provocaram a rea'(o instantJnea de 5eringhouse. Antes que a sentinela soubesse se a
suspeita que o trou)era at# ali era 8ustificada ou n(o* 5eringhouse atirou. % efeito do
choque t#rmico do radiador de impulsos energ#ticos foi t(o fulminante que a vítima nem
teve tempo para gritar.
% resto foi f"cil. 5iante de cada cabana havia uma sentinela. Todos foram
dominados prontamente e com um mínimo de ruído. As dificuldades causadas pelos
soldados que dormiam no interior das cabanas foram ainda menores. 5entro de quin+e
minutos a a'(o estava concluída. 5eringhouse capturara mais vinte e sete prisioneiros.
Em deles lhe havia revelado que daquele lado da fai)a de terra calcinada n(o havia
outros homens do bloco %riental. Fandou dois dos seus homens tra+erem o prisioneiro
capturado em primeiro lugar* atrav#s do qual souberam a situa'(o daquela posi'(o
provisria.
!uando uma tormenta desabou sobre a selva* 5eringhouse prosseguiu no
interrogatrio. Fas s dali a uma hora* quando a tormenta 8" estava amainando* apurou a
importJncia de sua presa. 5epois que o furac(o causado pela ,tardust0HHH destruíra a
maior parte do arsenal nuclear da e)pedi'(o do .loco %riental* e uma ve+ capturados
pelos homens de 5eringhouse os cincos foguetes nucleares remanescentes* a mesma 8"
n(o dispunha de qualquer arma nuclear cu8o poder e)plosivo fosse superior a um quiloton
de TKT. Restavam as armas defensivas das naves espaciais* das quais TomisenQoR — no
meio tempo 5eringhouse apurara o nome — provavelmente teria salvo algumas.
% perigo maior havia sido eliminado.
5eringhouse imediatamente transmitiu o respectivo relatrio a Rhodan* atrav#s do
hipertransmissor.
6
A tempestade* que 5eringhouse e seus homens enfrentaram sem maiores
problemas* trou)e uma situa'(o bastante difícil para o general TomisenQoR* seu a8udante
e os outros membros da coluna que comandava.
5epois da aventura pavorosa 8unto ao lago* TomisenQoR tamb#m perdera o terceiro
dentre seus acompanhantes. !uin+e minutos depois* quando o mesmo se esfor'ava para
afastar um cip grosso e resistente* percebeu tarde demais que se havia metido com uma
cobra.
Nsta* que era do tamanho de uma 8ibia* fugiu pelo ombro do 8ovem oficial que a
atacara a golpes de fac(o e desapareceu em meio 9 vegeta'(o. Parecia que tudo tinha
terminado bemI fora s o susto* que atingira TomisenQoR e seu a8udante quase com a
mesma intensidade que ao 8ovem oficial.
Fas* alguns minutos depois* o 8ovem subitamente caiu ao ch(o. TomisenQoR
procurou lhe prestar au)ílio. % pesco'o* que era a &nica parte do corpo tocada pela cobra*
estava t(o inchado que era da mesma grossura da cabe'a. % homem morreu dentro de
poucos instantes.
% a8udante tirou o fac(o das m(os do morto e foi abrindo caminho. Nm uma hora
n(o avan'aram mais que mil e quinhentos ou dois mil metros.
Ao p$r do sol perceberam que a trilha aberta por um dos grupos que ia 9 frente
come'ava a se abrirI parecia mais recente. Realmente* dali a quarenta e cinco minutos
alcan'aram um grupo de cinco homens levemente feridos* que carregavam as macas em
que iam dois feridos graves.
!uase no mesmo instante* o a8udante* que carregava o r"dio pendurado ao pesco'o*
recebeu a mensagem e)pedida por um dos grupos que iam mais 9 frente. % grupo havia
encontrado um local adequado para montar acampamento* numa "rea de terreno aberto.
Fuito embora os cinco homens com ferimentos leves a que se haviam reunido minutos
antes bem merecessem que algu#m lhes prestasse au)ílio* carregando as pesadas macas
ao menos por alguns metros* TomisenQoR n(o hesitou em seguir 9 frente com seu
a8udante* para chegar ao local do acampamento antes que ficasse completamente escuro.
— Abriremos um bom caminho para vocês — prometeu TomisenQoR para consolar
os homens.
Pouco depois do p$r do sol chegaram ao p# do plat$ de pedra de onde fora e)pedida
a mensagem do grupo de vanguarda.
!uin+e minutos depois* TomisenQoR e seu a8udante chegaram ao acampamento
levantado nesse meio tempo. 7icava numa clareira circular com cerca de trinta metros de
diJmetro* situada em meio 9 vegeta'(o rasteira.
Kas pro)imidades havia uma nascente que despe8ava sua "gua num ribeir(o* por
cima de uma pedra ligeiramente inclinada. Nra uma "gua fresca e boa de beberI mas logo
se percebia seu elevado teor de ferro. Pavia possibilidade de cuidar dos homens que
haviam sofrido ferimentos graves* cu8as condi'/es gerais tinham piorado bastante face 9s
condi'/es adversas em que eram transportados e ao calor &mido reinante em 6ênus.
7oi quando desabou a tempestade.
!uando TomisenQoR decolou com sua frota e)pedicion"ria* foi informado de que*
face 9 redu+ida velocidade com que 6ênus e)ecutava seu movimento de rota'(o* a
diferen'a entre a temperatura diurna e noturna devia ser consider"vel* o que
provavelmente ocasionaria fen$menos atmosf#ricos anormais ao nascer e ao p$r do sol.
Acontece que TomisenQoR n(o sabia muito bem o que seriam esses fen$menos
atmosf#ricos anormais* motivo por que decidiu aguardar os acontecimentos.
,e tivesse sido avisado de que o alvorecer e o anoitecer tra+iam consigo furac/es de
intensidade e)traordin"ria* teria tomado suas providências.
Como de nada desconfiasse* o rugido surdo que se apro)imava do leste* de início*
s causou um ligeiro susto a ele e a seu a8udante. Ambos procuraram disfar'ar o susto.
!uando perceberam que o rugido representava um perigo real 8" era tarde.
% furac(o atingiu o acampamento com a intensidade de uma gigantesca punhalada.
Pela segunda ve+ no mesmo dia TomisenQoR se sentiu agarrado por uma m(o de ferro e
arrastado para a frente. Caiu dentro de alguma coisa que devia ter uma forte semelhan'a
com as urtigas terrenas. 5e um instante para outro sentiu um ardor insuport"vel no rosto
e nas m(os. Teve vontade de gritarI mas* como era um homem duro* mesmo para consigo
mesmo* dei)ou de fa+ê0lo.
A tempestade prosseguiu no seu rugido* agitou a vegeta'(o e lhe tornou impossível
a respira'(o enquanto virasse o rosto na dire'(o de onde soprava o vento. 6oltou0se para
o outro lado e comprimiu o corpo contra o solo pedregoso.
7icou deitado por alguns minutos* que lhe pareceram horas. ,eus olhos* ofuscados
pelas lJmpadas de pilha do acampamento* se acostumaram 9 escurid(o.
6iu alguma coisa que se apro)imava sob a vegeta'(o. Nram formigas* ou alguma
coisa que se parecia com formigas* uma massa cintilante* coberta por crneas. Cada
animal media uns cinco centímetros.
Centenas delas se deslocavam em sua dire'(o* rentes ao ch(o. Hmobili+ado pelo
susto* permaneceu deitado at# que a primeira atingisse o ponto em que se encontrava sua
m(o estendida. % animal percebeu que havia algo de estranho* levantou a cabe'a e cravou
as tena+es na m(o. TomisenQoR soltou um grito de dor* encolheu a m(o e sacudiu0a at#
se livrar da formiga. Ka m(o havia uma pequena mancha vermelha.
% incidente parecia ter despertado a aten'(o das formigas. Kuma velocidade maior
que antes* precipitaram0se em sua dire'(o.
,acudido de pJnico* o general se ergueu de um salto. Nsquecera a tempestade. Nsta
agarrou0o com uma for'a irresistível* levantou0o por cima das moitas e tangeu0o como se
fosse uma folha. .em ao oeste* largou0o no ch(o. Com o impacto perdeu os sentidos.
G G G
Rhodan passou a hora da tempestade crepuscular em plena seguran'a* no ch(o da
selva. 5esde a primeira e)pedi'(o a 6ênus ficou sabendo que a parede formada pela
mata constituía a melhor prote'(o contra a for'a do furac(o. A selva era t(o densa* e as
plantas que a compunham t(o fle)íveis que no acampamento de Rhodan a tempestade s
era sentida como um ruído perturbador.
% acampamento se situava ao p# de uma singular encosta de pedra* que se erguia
suavemente em dire'(o ao sul e estava coberta somente de pequenos arbustos.
Rhodan pretendia prosseguir assim que amainasse a tempestade* a fim de se lan'ar
quanto antes ao ataque do primeiro grupo inimigo. Fas nem desconfiava de que
TomisenQoR* cu8o nome ficara conhecendo atrav#s do relato de 5eringhouse* naquele
mesmo instante se encontrava a apenas dois quil$metros de distJncia* pouco al#m da
eleva'(o de cento e cinqOenta metros de altura* que a encosta de pedra formava em meio
9 planura da selva.
A bordo da ,tardust0HHH tudo ia bem.
G G G
Por mais que a tempestade tivesse fustigado o acampamento e os homens* assim
que tudo terminou* ainda havia bastante disciplina para que os homens compreendessem
que antes de mais nada deveriam procurar o general TomisenQoR.
A &nica coisa que o a8udante sabia era que TomisenQoR fora arrastado pelo vento
na dire'(o oeste.
Nquipados com lanternas de pilha* os homens penetraram na "rea coberta de
arbustos. Nncontraram0se com uma trilha de gigantescas formigas marrom0claras e
tiveram inteligência suficiente para contorn"0las a grande distJncia.
5epois de uma hora de buscas encontraram TomisenQoR. Nstava recuperando a
consciência e gemia. A costela* trincada pelo furac(o que a ,tardust0HHH desencadeara*
fora fraturada totalmente na queda.
TomisenQoR foi carregado por um trecho. !uando recuperou os sentidos por
inteiro* achou que essa forma de locomo'(o n(o correspondia 9 sua elevada dignidade e
passou a se arrastar sobre as prprias pernas* sempre resmungando.
% balan'o levantado por dois homens ilesos que haviam permanecido no
acampamento era assustador. Hnicialmente o grupo era composto de trinta homens* do+e
deles ligeiramente feridos e de+oito com les/es graves. 5estes &ltimos* seis haviam
morrido e oito n(o foram encontrados. Nntre os feridos leves havia dois mortos e quatro
desaparecidos.
As cabanas tiveram de ser levantadas de novo. TomisenQoR mandou que seu
a8udante entrasse em contato pelo r"dio com a nave espacial pousada nas montanhas.
5epois de algumas tentativas in&teis o a8udante conseguiu estabelecer contato.
TomisenQoR deu ordem para que uma das naves voltasse a decolar e viesse busc"0lo.
Kada restava do dese8o de fornecer um e)emplo brilhante aos subordinados.
%s componentes da e)pedi'(o espacial haviam sido preparados para as condi'/es
especiais reinantes nas selvas do planeta 6ênus. Por isso n(o gastaram mais de quin+e
minutos em levantar uma cabana relativamente confort"vel* e outros quin+e minutos para
fechar a entrada com uma cortina de trepadeiras praticamente opaca* da qual
TomisenQoR fa+ia quest(o. ,abia perfeitamente que v"rias horas seriam necess"rias para
colocar um foguete pousado em condi'/es de decolar* e que ele mesmo disporia de pelo
menos oito horas para tratar suas feridas e descansar.
5eitou confortavelmente no leito de folhas e p$s0se a discutir com seu a8udante as
perspectivas que a situa'(o abria para o futuro. A dor provocada pela costela fraturada
era suport"vel e* passado o susto das &ltimas horas* a confian'a come'ou a voltar ao
espírito de TomisenQoR.
% a8udante se mostrava menos confiante.
— ,ou de opini(o que nos encontramos numa posi'(o perdida — disse com toda
franque+a. — A tempestade provou que nosso preparo # insuficiente at# mesmo para
enfrentar os fen$menos naturais deste planeta. Acontece que* al#m da nature+a de 6ênus*
ainda teremos de lutar contra um inimigo superior em for'as. Como poderemos resistir a
isso2
TomisenQoR se +angou.
— K(o culpe o Finist#rio da 7or'a Nspacial pela presen'a de Rhodan. Todo mundo
estava convencido de que ele se encontrava em algum ponto bem afastado do espa'o.
Kingu#m poderia prever que iria retornar 8ustamente neste instante.
% a8udante deu de ombros. K(o cometeria a imprudência de continuar a contrariar
seu superior.
— % que acha — principiou TomisenQoR depois de algum tempo. Fas nesse
instante alguma coisa me)eu na cortina de trepadeiras.
— !uem #2 — perguntou TomisenQoR em tom "spero.
%uviu0se um ruído borbulhante* vindo do lado de fora.
— 6e8a o que #. — ordenou TomisenQoR.
% a8udante se levantou* afastou a cortina e se defrontou com dois olhos vermelhos e
chame8antes de tamanho descomunal* que se encontravam bem diante de seu rosto.
Recuou com um grito estridenteI mas quem se encontrava do lado de fora — fosse
l" quem fosse — n(o quis saber de brincadeira. TomisenQoR* cu8a aten'(o fora
despertada pelo incidente* viu uma pata com v"rios dedos sair da cortina e segurar o
a8udante pela gola do uniforme. Nste foi arrastado aos gritosI a cortina foi arrancada. 1"
fora* viu0se uma sombra disforme e oscilante* e dois círculos chame8antes do tamanho de
uma palma de m(o dan'avam pelo ar.
%s gritos do homem surpreendido de maneira t(o apavorante cessaram.
TomisenQoR* que estava enri8ecido de susto* ouviu sons tateantes* que se afastavam
rapidamente* e logo a seguir uma estranha batida.
, ent(o recuperou as faculdades. ,em se preocupar com as dores que sentia na
costela* saltou do leito e p$s0se a gritar-
— Alarma3 ,ocorro3
1ogo foi ouvido. Fas algum tempo se passou at# que os homens pudessem dedu+ir
de seu relato confuso o que realmente havia acontecido. %s três holofotes de pilha de que
o grupo dispunha foram montados e os fei)es de lu+ iluminaram toda a "rea do
acampamento. Kem o a8udante* nem o ser misterioso que o vitimara foi encontrado. A
frente da cabana de TomisenQoR o ch(o era duro. K(o havia rastros.
TomisenQoR mandou dobrar as sentinelas. Ainda estava transmitindo instru'/es aos
homens* quando um grito selvagem soou nos fundos do acampamento. Em dos holofotes
girou rapidamente e abrangeu* do lado direito* 8unto 9 &ltima cabana* ainda n(o
concluída* um quadro horripilante.
Em animal que se movia sobre duas pernas e* 9 primeira vista* parecia ser da
metade do tamanho de uma casa se apro)imara de um dos feridos em estado grave*
agarrara0o com o bico longo e pontudo e* sem d&vida* estava prestes a se afastar com a
presa quando foi surpreendido pela lu+ ofuscante do holofote. 7echou os grandes olhos
vermelhos encravados na cabe'a semelhante 9 de um p"ssaro e ficou na e)pectativa. %
ferido continuava a gritar.
— % que est(o esperando2 — berrou TomisenQoR. — Atirem logo3 Atirem.
Com essa ordem os homens puseram0se em movimento. %uviu0se o estrondo de
uma confus(o de tiros- as pancadas duras e matraqueantes das carabinas autom"ticas e o
estouro met"lico das pistolas.
W lu+ dos holofotes via0se que grande n&mero de tiros acertou o alvo. A pele do
animal* que tinha a configura'(o do couro* se abriu sob os impactos* e um tipo de sangue
pore8ou pelas feridas. % ferido silenciou de repente.
% animal 8" n(o parecia ter interesse nele. 5ei)ou0o cair e saiu correndo. Nnquanto
corria* as pernas pareciam crescer em comprimento. Pela segunda ve+* TomisenQoR
ouviu o ruído r"pido e tateante* sempre que as patas tocavam o ch(o.
% estranho animal havia percorrido uns cem metros* a uma velocidade cada ve+
maior. ,ubitamente dois retalhos de pele desdobraram0se nas suas costas e se abriram em
asas de uma envergadura inacredit"vel. A velocidade da corrida foi suficiente para erguer
o animal no ar de um instante para outro. Produ+iu alguns sons repulsivos produ+idos
pelas batidas das asas e saiu voando t(o rapidamente que a lu+ dos holofotes n(o p$de
segui0lo.
Por algum tempo TomisenQoR e os membros do grupo mal ousavam respirar* de t(o
assustados que estavam. 5epois de uns dois ou três minutos algu#m disse com a vo+
quase devota-
— Em lagarto voador3
% encanto estava rompido.
N)aminaram o ferido. Nstava morto.
TomisenQoR n(o se atrevia a voltar 9 cabana. Fandou suspender a constru'(o das
mesmas e determinou aos homens que dormissem ao ar livre. Fais da metade dos
membros dos grupos foram destacados para servir de sentinelas. Assim mesmo
TomisenQoR prague8ou contra a t#cnica e os pilotos dos foguetes* que levavam tanto
tempo para vir busc"0lo.
G G G
Rhodan dormira duas horas. Hsso bastava para que se sentisse perfeitamente
descansado.
5esenvolveu* com base nos novos dados fornecidos pelo sistema de locali+a'(o da
,tardust0HHH uma rota de marcha provisria que* pelos seus c"lculos* devia lev"0lo a pelo
menos dois grupos inimigos.
Ainda estava ocupado em interpretar os dados* quando um dos homens do sistema
de locali+a'(o se fe+ ouvir-
— Aí vem alguma coisa. 4 do tamanho de um avi(o* mas n(o fa+ o menor ruído.
Rhodan deu alguns passos e se colocou 8unto ao pequeno aparelho de locali+a'(o.
,urpreso* observou a larga mancha verde* que lentamente foi raste8ando da borda para o
centro da tela.
— A velocidade # de cerca de oitenta quil$metros por hora — completou o homem.
A mancha ainda se encontrava a certa distJncia do centro da tela* quando
subitamente alterou sua rota.
— Nst" descendo — disse o homem surpreso.
Rhodan recebeu a informa'(o com os olhos semicerrados. Procurou descobrir que
ob8eto seria esteI mas a imagem pro8etada na tela de microondas praticamente n(o
permitia qualquer conclus(o al#m do tamanho.
Com a modifica'(o da altitude a mancha verde se apro)imara bastante do centro da
tela. Antes que o alcan'asse* parou subitamente.
— % que ser" isso2
Rhodan compreendeu. Em animal provocara o refle)o. Nra um animal grande* com
asas* talve+ um lagarto voador. 5escera sobre as "rvores nas pro)imidades do lugar em
que se encontravam. A mancha verde encontrava0se e)atamente sobre a linha sinuosa que
marcava a altura da mata.
— K(o se preocupe — disse Rhodan ao vigilante. — 7oi apenas um animal.
Provavelmente um...
Nstacou.
— %uviu alguma coisa2 — perguntou.
— Tamb#m tive a impress(o... — respondeu o vigilante.
Prenderam a respira'(o e agu'aram o ouvido* bastante tensos.
5epois de algum tempo voltaram a ouvir o ruído. Nra um grito* um grito que
e)primia o grau mais elevado de pavor. Em grito humano.
A rea'(o de Rhodan foi instantJnea.
— 6erifique a dire'(o3 — gritou para o vigilante.
1ogo desapareceu na escurid(o.
5entro de poucos segundos estava pronto para decolar num cJmbio* 8untamente
com cinco de seus homens. Colocou o veículo pouco acima da cabe'a do vigilante0
locali+ador e mandou que este lhe indicasse a dire'(o e)ata. 5epois rompeu a folhagem
das copas das "rvores e p$s0se a procurar.
% cJmbio dispunha de um locali+ador prprio. Ka tela do oscilgrafo o animal
estranho e imenso se destacava nitidamente sob a forma de um ponto relu+ente contra o
fundo representado pela mata.
— Fantenham as armas prontas para disparar — disse Rhodan* enquanto deu uma
brusca acelerada no cJmbio. — Abram os olhos. Em homem est" em perigo.
A distJncia que separava o animal do acampamento n(o era superior a du+entos
metros. % cJmbio se apro)imou a trinta metrosI os homens 8" haviam enquadrado
seguramente o alvo.
Rhodan ligou o holofote de lu+ infravermelha e olhou atrav#s do filtro. 6iu o
gigantesco animal na copa de uma "rvore gigantesca. Por um instante se assustou com o
vulto horrível envolvido por uma pele nua.
Nra um lagarto voador* n(o havia a menor d&vida* muito embora se parecesse
bastante com um p"ssaro.
Ao que parecia o raio infravermelho inquietava o animal. A cabe'a se levantou e
Rhodan p$de distinguir o bico longo e pontudo* de mais de dois metros de comprimento.
— Acionar o raio neutr$nico — ordenou Rhodan* sem tirar os olhos do filtro. —
Em cent#simo.
A ordem foi e)ecutada imediatamente. A gradua'(o mais fraca do radiador
neutr$nico mal foi suficiente para fa+er o animal sentir que alguma coisa n(o estava em
ordem. Abriu as asas e* com algumas batidas surdas transmitidas pelo microfone e)terno*
elevou0se alguns metros acima da copa da "rvore.
K(o se via mais nada do homem que gritara ainda h" pouco.
— Em d#cimo — ordenou Rhodan.
A intensidade do raio neutr$nico foi aumentada. % animal soltou um grito agudo e
procurou fugir.
— Acionar o radiador de impulsos3 — gritou Rhodan.
A terrível arma alcan'ou o animal em meio ao v$o e fe+ com que se precipitasse na
selva.
Rhodan voltou a acelerar. A folhagem da gigantesca "rvore foi bastante densa para
sustentar o veículo. Rhodan desceu e recomendou aos homens que tivessem cautela ao
saírem.
Al#m da pequena comporta de ar foram recebidas pelo cheiro nauseante do animal
queimado. Nquilibravam0se sobre os galhos da grossura de um bra'o humano* que as
garras do lagarto haviam limpado de toda folhagem. Com o au)ílio de um holofote
manual* encontraram o corpo amolecido daquele que pouco antes gritara por socorro.
Nstava deitado num entroncamento de galhos.
Rhodan e)aminou o homem antes que fosse carregado ao cJmbio. ,eu uniforme
estava rasgado* e sangrava por v"rias feridas. Rhodan espalhou sobre as mesmas um
rem#dio destinado a estancar o sangue* pertencente 9 farm"cia arc$nida da ,tardust0HHH.
K(o conhecia o homem. Fas* pelo uniforme* concluiu que pertencia ao .loco
%riental. ,e permanecesse vivo poderia fornecer indica'/es importantes.
1evaram0no com todo cuidado ao cJmbio e retornaram ao acampamento.
,ob a influência dos medicamentos de que Rhodan podia dispor l"* o homem logo
recuperou a consciência. Ao despertar n(o sentiu doresI Rhodan cuidara disso.
%lhou em torno* um tanto admirado* apoiou0se sobre os cotovelos e levantou0se.
— %nde estou2 — perguntou em russo.
— K(o o entendo — respondeu Rhodan. — % senhor fala inglês2
% homem fe+ que sim.
— % senhor... # Rhodan2 — perguntou em tom hesitante.
Rhodan confirmou com um aceno de cabe'a.
— !uem # o senhor2
Talve+ o homem n(o tivesse a inten'(o e dar uma resposta verídica a Rhodan.
Fesmo que este o tivesse libertado das garras do lagarto* ainda continuava a ser seu
inimigo.
Fas o olhar de Rhodan* a for'a imensa daquela vontade e as energias vitais
irradiadas por um homem dotado de imortalidade relativa representavam uma sugest(o
irresistível que refor'ou a pergunta. Ao homem n(o restou outra alternativa sen(o di+er a
verdade.
— Feu nome # TreRuchin. ,ou a8udante do general TomisenQoR.
,atisfeito* Rhodan acenou com a cabe'a.
7ormulou outras perguntas. Nmbora TreRuchin antes estivesse decidido da enganar
Rhodan na medida do possível* respondeu sem hesita'(o e conforme a verdade.
G G G
TomisenQoR n(o conseguiu conciliar o sono.
A costela doía* e os acontecimentos do dia que passara representavam uma carga
e)cessiva at# mesmo para um homem enri8ecido como o general.
,empre que conseguia mergulhar numa esp#cie de torpor* lagartos voadores que
cuspiam fogo e)ibiam seus olhos vermelhos e queriam agarr"0lo* fa+endo0o despertar
com um grito de pavor reprimido.
5eitou sobre o lado direito do corpo e olhou para a orla da moita de arbustos que*
numa linha negra* se destacava de forma estranha contra o c#u cin+ento.
A atmosfera densa e o sol muito pr)imo* curou sua mente cansada. Nm 6ênus a
claridade nunca # completa* porque o ar # muito denso* nem a escurid(o # total* porque a
atmosfera # um timo condutor da lu+.
Em holofote iniciou o trabalho* cansado* descrevendo um círculo lento. % círculo
come'ou ao norte* girou para o leste e para o sul. TomisenQoR cerrou os olhos para n(o
ser ofuscado quando o fei)e de lu+ atingisse os arbustos.
Pretendia fechar os olhosI mas n(o o fe+.
6iu alguma coisa. %s arbustos se moviam* e alguma coisa larga e desa8eitada saiu
por entre os mesmos.
, TomisenQoR o vira 9 lu+ do holofote. 5e início pensara que fosse um animalI
mas logo ouviu o +umbido fraco e agudo de uma m"quina.
Perry Rhodan3
A id#ia provocou o impacto de um choque el#trico.
Rhodan descobrira a posi'(o do acampamento e iria atacar.
Kem concluiu seus pensamentos. 1evantou0se* devagar e gemendo bai)inho* para
n(o chamar a aten'(o dos outros.
A "rea dos arbustos n(o ficava a mais de cem metros. Rhodan usaria de cautela ao
se apro)imar do acampamento* e at# l"...
,eria in&til tentar organi+ar a resistência com o punhado de homens sonolentos e de
moral abalada. ,e Rhodan atacasse o acampamento* estaria preparado.
Kaquela situa'(o s uma coisa importava- que ele* TomisenQoR* n(o caísse nas
m(os do inimigo.
Penetrou no mato de arbustos na dire'(o noroeste* raste8ou por uns cinqOenta
metros e ficou aguardando.
1evou algum tempo para e)aminar a decis(o tomada 9s pressas e nada de errado viu
na mesma. 5e nada teria adiantado despertar os homens que se encontravam no
acampamento e procurar resistir a Rhodan. Fas* ao sair furtivamente e so+inho* teria uma
chance de escapar na confus(o do combate que devia come'ar a qualquer momento.
5epois de ter esperado uns cinco minutos sem ouvir nada* come'ou a ficar nervoso.
Pelos seus c"lculos Rhodan 8" deveria ter iniciado o ataque.
%utros cinco minutos se passaram e TomisenQoR se sentiu dominado pela
curiosidade. Raste8ou cautelosamente em dire'(o ao acampamento.
!uando se encontrava a quin+e metros da clareira* ouviu vo+es. Fais três metros* e
conseguiu distinguir as palavras.
Algu#m falava em inglês.
Por um instante ficou imobili+ado de susto* ao ouvir a vo+ de Rhodan-
— 5eve estar escondido nestas moitas. K(o pode ter ido longe. Procurem0noI
tenham cuidado.
TomisenQoR ouviu o estalo de galhos que se quebravam. % ruído reanimou0o.
6oltou a fugir na dire'(o noroeste o mais r"pido que p$de.
K(o se sentiu nada bem ao correr a toda pressa pelo matagal escuro. Fas n(o
perdeu tempo em refletir para onde a fuga o levaria. A dire'(o geral era correta* e talve+
conseguisse chamar a aten'(o dos tripulantes do foguete.
% que mais o perturbava era que* segundo tudo indicava* Rhodan tomara o
acampamento em silêncio e sem qualquer luta.
5epois de algum tempo — n(o saberia di+er h" quanto tempo 8" vinha percorrendo
o matagal de arbustos — o terreno* que at# ent(o subia suavemente em dire'(o ao norte*
tornou0se plano para depois descer* num declive tamb#m suave* na mesma dire'(o.
A vegeta'(o de arbustos foi se tornando cada ve+ mais densa e ve+ ou outra surgiam
"rvores* das quais TomisenQoR se desviava. Toda ve+ que fa+ia uma pausa para
descansar ouvia seus perseguidores* que falavam e fa+iam farfalhar os arbustos.
K(o era de admirar. ,e dispusessem de lJmpadas* mesmo que estas n(o fossem
muito boas* o rastro teria de lhes revelar o caminho.
5ali em diante se esfor'ou para usar um pouco mais de agilidade* n(o quebrando
tantos galhos e evitando dei)ar marcas no solo.
Nsse esfor'o devia ter consumido toda sua aten'(o* pois apesar do tamanho
descomunal s percebeu aquilo que dele se apro)imava quando* por um tri+* iria esbarrar
no peito largo e peludo e o h"lito f#tido e chiante atingiu seu rosto* vindo de cima.
TomisenQoR reagiu de forma instintiva* e foi o que o salvou. K(o sabia que animal
era este em cu8as garras quase chegara a se atirar espontaneamente. Pelo que podia ver no
escuro parecia um urso* mas tinha pelo menos o triplo do tamanho do maior dos ursos
que TomisenQoR 8" havia visto.
5e qualquer maneira TomisenQoR* muito assustado* deu um salto para o lado*
escapando assim 9 primeira patada. Ao primeiro salto se seguiu um segundo* que* no
momento o colocou fora do alcance das patas do animal e)altado.
,aiu trope'ando* sem prestar aten'(o 9 dire'(o em que se deslocava. Atr"s de si
ouviu o ruído de patas e de galhos que quebravam. 1an'ou um olhar r"pido por cima do
ombro e viu a massa escura e cambaleante que vinha atr"s dele.
Provavelmente estaria perdido* se o acaso n(o o tivesse protegido de forma t(o
estranha.
Ao se levantar depois de um grande salto por cima de uma "rvore tombada* o ch(o
cedeu sob seus p#s. ,oltou um grito abafado e abriu os bra'os* 9 procura de apoio. Fas
ao que parecia aquele buraco trai'oeiro tinha um diJmetro maior que a envergadura de
seus bra'os. Praticamente sem a menor resistência caiu vertiginosamente para dentro de
um po'o onde a escurid(o era ainda maior que na selva noturna.
Aos arranh/es e pancadas a viagem para o fundo prosseguiu ao menos por uns
cinco ou seis metros. 5epois o po'o descreveu uma curva. Ema viagem infernal levou
TomisenQoR a um recinto cu8a forma era regular* semelhante 9 de um funil* conforme
constatou logo depois.
Agu'ou o ouvido e percebeu um rugido profundo. Torr/es de terra caíram pelo
po'o. 5epois houve alguns segundos de silêncio. 1ogo depois ouviu passos retumbantes
que se afastavam l" em cima.
TomisenQoR respirou aliviado. 7osse qual fosse o lugar em que acabara de aterrisar*
se salvara das garras do urso.
Arriscou0se a acender um fsforo e observou o lugar em que se encontrava.
Nra um verdadeiro milagre que se encontrasse s(o e salvo depois da queda. % funil
tinha cerca de quatro metros de altura* e o buraco pelo qual viera ficava mais de três
metros acima da ponta do funil. Pavia outros buracos* indicando que v"rios po'os
desembocavam ali.
Hnfeli+mente a parede era t(o íngreme e lisa que TomisenQoR n(o poderia subir por
ela para alcan'ar a borda de um dos buracos.
Tirou o grande canivete que tra+ia consigo e p$s0se a trabalhar a parede revestida de
uma massa vítrea. % trabalho progredia bem. Nmbora n(o fosse f"cil* TomisenQoR tinha
esperan'a de* nas pr)imas cinco horas* cavar os degraus que lhe fossem necess"rios para
atingir um dos buracos.
% que importava por enquanto era que Rhodan e seus homens n(o o encontrassem.
!uanto a isso* se 8ulgava em seguran'a l" embai)o.
, depois de algum tempo come'ou a refletir sobre a finalidade daquele funil e de
suas diversas entradas. Kotara que* at# a altura de cerca de cinqOenta centímetros* a ponta
do funil estava cheia de certo tipo de li)oI talve+ fosse a poeira que penetrava pelos
buracos* fechados apenas por uma fina camada de terra. Acontece que aquilo que
TomisenQoR sentia sob os p#s eram ob8etos slidos.
Acendeu outro fsforo e e)aminou o material sobre o qual se apoiavam seus p#s.
Pegou ao acaso um ob8eto duro e e)aminou0o.
Nra um peda'o de ossoI n(o havia a menor d&vida.
TomisenQoR teve uma sensa'(o desagrad"vel. Como teria aquele osso vindo parar
no buraco em que se encontrava2
% formato do funil era t(o regular que n(o poderia ter sido escavado pela eros(o
provocada pela "gua da chuva. Ainda havia o revestimento vítreo da parede. N os buracos
no solo* t(o bem disfar'ados.
Nra uma armadilha3
Ema armadilha pertencente a qualquer fera do planeta 6ênus. 5e tempos em
tempos viria para verificar o que havia capturado e devorava0o.
TomisenQoR p$s0se a cavar o revestimento vítreo numa rapide+ desesperada.
G G G
Perry Rhodan valera0se do pro8etor mental para atacar o acampamento* cu8a
locali+a'(o lhe fora revelada pelo a8udante de TomisenQoR.
Poucos segundos depois da fuga de TomisenQoR* o pro8etor cobriu toda a "rea do
acampamento* impondo a vontade de Rhodan aos que ali se encontravam. K(o se
opuseram quando lhes tiraram as armas e amarraram os bra'os. Kingu#m ofereceu
resistência.
, quando se encontravam em seguran'a Rhodan suspendeu a influência
hipnoti+ante. %s prisioneiros puseram0se a prague8ar.
Rhodan dei)ou0os 9 vontade. Nscolheu um deles e interrogou0o sobre o general
TomisenQoR que* segundo tudo indicava* n(o se encontrava entre as pessoas
aprisionadas. % homem estivera de sentinela pr)imo ao lugar em que TomisenQoR
havia desaparecido no matagal. 5isp$s0se prontamente a prestar um relato fiel* 8" que
Rhodan refor'ara sua pergunta com toda a for'a sugestiva do pro8etor mental.
Aps isso Rhodan ordenou a saída de um grupo de busca* o mesmo do qual
TomisenQoR havia fugido.
5epois de uma hora o grupo retornou sem ter conseguido nada. Nncontrara a pista
do gigantesco animal* que encobria a de TomisenQoR. Nra tudo. Kingu#m sabia di+er
onde se encontrava o general.
% ê)ito inicial de Rhodan foi seguido de outro. Cerca de duas horas aps o ataque
ao acampamento* um foguete grosseiro desceu cuspindo fogo e* depois de e)ecutar
algumas manobras complicadas* pousou a uns quinhentos metros do acampamento.
% piloto foi aprisionado* e tamb#m o resto da tripula'(o. % piloto revelou que*
naquela altura* a divis(o s dispunha de um total de oitenta naves espaciais. A resposta de
Rhodan foi lac$nica- — Agora s restam setenta e nove.
7
Para Rhodan* TomisenQoR estava desaparecido. Nstava convencido que sua fuga
desesperada lhe causara a prpria morte. Kenhum homem isolado que dispusesse apenas
do armamento do .loco %riental* totalmente inadequado para as condi'/es reinantes em
6ênus* conseguiria se manter vivo na selva por mais de meio dia de 6ênus.
% pr)imo ob8etivo de Rhodan era o acampamento da divis(o espacial* situado na
parte noroeste do comple)o montanhoso. Pelo que ouvira dos prisioneiros* o trabalho n(o
seria f"cil. Fuito embora n(o conhecesse as características do local* TomisenQoR dera
ordem para que os remanescentes de sua divis(o se distribuíssem por uma "rea e)tensa.
,e ainda considerasse o terreno difícil* Rhodan poderia ter certe+a de que teria de travar
uma verdadeira guerra de guerrilhas.
,eria in&til atacar o acampamento nas montanhas com o armamento da ,tardust0HHH.
As armas de bordo haviam sido concebidas para alvos compactos* e Rhodan teria de
calcinar toda a +ona montanhosa para ter certe+a de que a e)pedi'(o do .loco %riental
havia sido destruída.
K(o pretendia fa+er nada disso. ,uas armas leves tamb#m eram muito superiores 9s
de que dispunham os membros da e)pedi'(o. ,e agisse com alguma cautela poderia
atingir seu ob8etivo sem sofrer perdas e sem recorrer 9s armas da ,tardust0HHH* que
provocariam altera'/es na superfície de 6ênus.
Ainda era de se considerar que nesse meio tempo o ob8etivo de Rhodan se
modificara.
X" n(o estava interessado em destruir a e)pedi'(o do .loco %riental. Antes pelo
contr"rio* gostaria que o maior n&mero possível de membros da divis(o espacial
sobrevivesse 9s lutas que se apro)imavam.
Pretendia destruir suas naves espaciais e lhes tirar as armas com que poderiam
causar estragos em 6ênus. Poderiam conservar o resto* inclusive a vida.
Rhodan imaginava perfeitamente o que seria feito dos remanescentes da divis(o
depois disso.
G G G
TomisenQoR desenvolveu uma atividade t(o furiosa que s ouviu o ruído raste8ante
quando quase 8" era tarde demais.
Hmobili+ado pelo susto* entreparou* agu'ou o ouvido* percebeu o raste8ar que se
apro)imava cada ve+ mais* e finalmente ouviu um +umbido no ar.
K(o imaginava o que poderia ser aquilo. A escurid(o era total* e n(o se atrevia a
acender uma lu+.
Fas aquela coisa monstruosa espalhou um mau cheiro que quase o levou a vomitar.
%uviu outro +umbido e sentiu uma forte pancada no ombro. !uase chegou a cair.
Apesar do pJnico que se apossou dele* percebeu que aquilo que o havia atingido no
ombro era mole e tinha a grossura de um robusto bra'o de homem.
Ao menos era o que concluía com base na sensa'(o provocada pela pancada.
TomisenQoR se encolheu o mais que p$de. % medo pro8etou lu+es coloridas e
dan'antes diante de seus olhos e cobriu0lhe a testa de suor. ,entiu um chiado no ouvido.
Fas tirou a pistola* reuniu a coragem que lhe restava e esperou.
Ao que tudo indicava a coisa que acabara de ouvir havia penetrado por um dos
po'os. Fas o fato de que n(o despencara como ele* mas movia0se tranqOilamente*
indicava que n(o era uma das vítimas da armadilha* mas provavelmente o possuidor da
mesma.
Kaquele momento parecia bastante irritado. Alguma coisa tateou na escurid(o*
acima da cabe'a de TomisenQoR* e logo o bra'o mole e vigoroso voltou a descer.
5esta ve+ se moveu com seguran'a. Nnvolveu o ombro de TomisenQoR e passou
por bai)o de seus bra'os. Nste se controlou e esperou.
, come'ou a disparar quando o bra'o fl"cido e gosmento come'ou a levant"0lo.
%s tiros de pistola encheram o recinto subterrJneo com um ribombar ensurdecedor.
!uase inconsciente* TomisenQoR percebeu que a sensibilidade ac&stica dos ouvidos
diminuía* e eles se encheram de uma m&sica aguda.
%s tiros provocaram nele uma esp#cie de embriague+. Continuou a comprimir o
gatilho da arma autom"tica* at# que a pancada seca do percussor indicou que o pente de
balas estava va+io.
% bra'o que enla'ara TomisenQoR come'ou a tremer. Nste percebeu que a for'a do
mesmo diminuía* e subitamente caiu ao solo. % bra'o soltara0o. Por cima dele* o animal*
ferido pelos tiros de pistola* provocava um barulho infernal em meio 9 escurid(o.
Com um movimento suave* TomisenQoR enfiou outro pente de balas na pistola e
esperou. Calculava que o animal* ferido pelos tiros* se poria em fuga ou morreria.
Por isso levou um susto quase mortal quando voltou a ouvir o +umbido que 8"
conhecia e* pelo que se dedu+ia do deslocamento de ar* o bra'o tentacular passara rente
ao seu rosto. Com a queda* TomisenQoR encontrava0se em posi'(o diferente. % animal
teria que procur"0lo de novo.
A resistência de seus nervos estava chegando ao fim. K(o quis esperar para ver se o
animal conseguiria encontr"0lo de novoI apontou a pistola na dire'(o de que viera o ruído
e apertou o gatilho.
!uando o pente estava va+io* seu corpo emborcou para o frente e o rosto caiu em
meio ao li)o fedorento acumulado na ponta do funil.
As for'as o haviam abandonado por completo. Tentou em v(o levantar o corpo com
o au)ílio dos bra'os* mas os m&sculos 8" n(o suportavam o peso. Com um choro
desesperado voltou a cair para a frente.
, depois disso se deu conta de que acima dele tudo estava em silêncio.
Agu'ou o ouvido.
Tinha a impress(o de que percebia um ruído raste8ante bem ao longe* mas era s.
A id#ia de que talve+ tivesse posto o animal em fuga lhe deu novo Jnimo.
Conseguiu p$r0se de p# e* depois de ter esperado cinco minutos* durante os quais n(o
ouvira nada* voltou a riscar um fsforo.
% funil estava va+io* tal qual ele o vira meia hora atr"s. K(o havia o menor vestígio
dos acontecimentos que se desenrolaram no meio tempo* com e)ce'(o dos buracos que
os tiros de pistola abriram na parede.
TomisenQoR estacou. Percebiam0se nitidamente duas s#ries de pontos de impacto.
Nra bvio que a primeira provinha do primeiro pente de balas que disparara* e a outra do
segundo.
As duas s#ries ficavam 9 direita e 9 esquerda de um dos buracos* apro)imadamente
a igual distJncia do mesmo. Concluía0se que fi+era pontaria em dire'(o ao buraco onde
supunha que o animal estivesse* mas s atingira a parede* uma ve+ 9 direita* outra ve+ 9
esquerda do alvo.
Cada pente continha cinqOenta balas. ,egundo um c"lculo ligeiro de TomisenQoR*
cada s#rie de impacto era formado por uns cinqOenta furos.
Concluía0se que nenhum dos tiros havia atingido o alvo.
Por que teria fugido o animal2
TomisenQoR achou a pergunta muito interessanteI mas o que importava no
momento era sair daquele buraco. Kum trabalho febril voltou a escavar degraus na
parede. 5entro de pouco tempo p$de subir ao buraco pelo qual caíra no interior do funil.
Ainda esperava encontrar algumas dificuldades no interior do po'o que* de forma
t(o surpreendente* o condu+ira ao interior do planeta 6ênus. Fas constatou que parte da
cobertura superior do mesmo consistia em cips. Com a queda de TomisenQoR estes
foram arrastados para o interior do po'o e esperavam que ele os usasse como uma corda
de escalada. N)perimentou sua firme+a* 8ulgou0a satisfatria e p$s0se a subir.
Prosseguindo sem pausa* conseguiu p$r0se em ch(o firme.
Ema ve+ l" em cima* ficou deitado por algum tempo de bru'os e respirou
profundamente. 5epois se levantou e disp$s0se a prosseguir em sua caminhada* na
dire'(o primitiva.
K(o se ouvia mais nada dos perseguidores que Rhodan mandara no seu encal'o. Ws
ve+es ouviam0se ruídos estranhos e pavorososI mas TomisenQoR era de opini(o que* de
animais estranhos e pavorosos* n(o eram de se esperar ruídos de outra esp#cie. Por
enquanto deu0se por satisfeito com o fato de que n(o estava sendo atacado nem
perseguido.
Ko entanto* se interessou em saber em que dire'(o seguira o animal em cu8a
armadilha caíra. K(o estava disposto a reali+ar uma fuga apressada e cair novamente em
suas garras.
Acendeu um fsforo e lan'ou os olhos em torno.
A luminosidade do fsforo n(o alcan'ava muito longeI mas logo encontrou o que
estava procurando.
K(o era o rastro do animal* mas o prprio animal.
%ferecia uma vis(o estranha. TomisenQoR ofereceu outro e mais outro fsforo e
dei)ou que lhe queimassem os dedos para n(o perder nada do quadro.
% animal estava mortoI n(o havia a menor d&vida. ,e o nari+ de TomisenQoR n(o
tivesse sido irritado pela fuma'a dos tiros* provavelmente 8" teria sentido o mau cheiro.
Nra um animal sem esqueleto* conforme 8" supusera* uma esp#cie de plipo
terrestre. % tronco* que devia ter um metro e meio de altura* estendia em todas as
dire'/es tent"culos de mais de três metros. Em deles fora o suposto bra'o que erguera
TomisenQoR.
TomisenQoR refletiu sobre o que poderia ter causado a morte do animal. 7inalmente
teve uma id#ia que de início lhe pareceu um tanto ousada.
%s tiros que disparara produ+iram três efeitos distintos- primeiro as balas* depois a
fuma'a e finalmente o barulho.
As balas n(o haviam acertado o alvo.
Concluía0se que a morte do animal fora causada por um dos outros efeitos — o
barulho ou o cheiro. As probabilidades a favor de uma ou outra das alternativas eram
idênticas* e TomisenQoR n(o se decidiu por nenhuma delas.
Hntrodu+iu outro pente de balas na pistola e p$s0se a andar. % fato de ter se livrado
do plipo refor'ou0o na convic'(o de que conseguiria resistir tamb#m aos outros perigos
da selva.
G G G
Kesse meio tempo Rhodan obtivera informa'/es precisas sobre as inten'/es* a for'a
e as rela'/es pessoais da e)pedi'(o do .loco %riental.
,abia que originariamente a e)pedi'(o era formada por quinhentas naves.
% comando cabia ao general TomisenQoR. Nra assessorado por dois ma8ores* cinco
coron#is e grande n&mero de oficiais de menor gradua'(o. 5os dois ma8ores s um
sobrevivera. Nra 1emonovitch. %s prisioneiros de Rhodan tinham certe+a de que
1emonovitch assumiria em definitivo o comando dos remanescentes da e)pedi'(o* assim
que soubesse que n(o devia contar com o aparecimento de TomisenQoR.
% ob8etivo da e)pedi'(o era evidente. Ao retornar de sua primeira grande e)pedi'(o
a 6ênus* Rhodan n(o ocultara o fato de que ali reali+ara descobertas importantes —
descobertas que o tornariam independente da boa ou m" vontade dos blocos de potências
terrenas.
% .loco %riental tamb#m n(o dispunha de dados mais e)atos. Fas o novo governo
do mesmo decidira se apossar dessas descobertas de qualquer maneira* mesmo sem
conhecer sua nature+a. Por isso a divis(o de TomisenQoR decolou em dire'(o a 6ênus
depois de ter sido submetida a um treinamento intensivo* e ali pousara com quinhentas
naves* segundo as previs/es.
Ainda mais not"vel que a falta de escr&pulos do governo do .loco %riental foi o
trabalho t#cnico levado a efeito. As naves da divis(o espacial dispunham de mecanismos
de propuls(o nuclear do tipo daqueles com que estava equipada a ,tardust em seu
primeiro v$o 9 1ua. Ko momento da decolagem* 6ênus se encontrava no ponto mais
afastado da Terra. A viagem durara quatro semanas* e a frota conseguiu reali+"0la sem
qualquer perda.
— Com esse tipo de gente poderíamos conquistar o Eniverso* se n(o aparecesse
sempre algum idiota que os p/e no caminho errado — disse Rhodan em tom amargo.
Prosseguindo na e)ecu'(o de seu plano* decolou do acampamento conquistado em
dire'(o ao noroeste* onde pretendia atacar os remanescentes da e)pedi'(o em seu novo
esconderi8o. Kesse meio tempo* 5eringhouse voltara a se reunir ao pequeno grupo.
Condu+ira 1ysenQoR e seus homens 9 ,tardust0HHH* e fi+era com que principalmente
1ysenQoR fosse interrogado sob constri'(o hipntica. ,uas declara'/es foram cote8adas
com as de TreRuchin* a8udante de TomisenQoR. Coincidiam.
Pela meia0noite de 6ênus o grupo de Rhodan atingiu o p# da cordilheira em que os
remanescentes da divis(o espacial se ocultavam com suas naves. Al#m das escassas
indica'/es sobre a dire'(o do v$o* fornecidas pelo setor de locali+a'(o da ,tardust0HHH*
Rhodan n(o dispunha de dados sobre a "rea em que deveria procur"0los. Fas* como
soubesse que o novo esconderi8o abrangia uma "rea de de+ mil quil$metros quadrados*
sup$s que* de tempos em tempos* os homens do .loco %riental se comunicariam pelo
r"dio.
Fandou que o grupo assumisse suas posi'/es num ponto elevado e instruiu os
operadores de r"dio para que procurassem captar as mensagens e)pedidas pela e)pedi'(o
e locali+assem os emissores por meio do goni$metro.
5entro de umas oitenta horas 8" havia registrado cinqOenta pontos em seu mapa.
Cada um deles correspondia 9 posi'(o de um emissor inimigo.
%s pontos se estendiam em três filas* por ve+es em quatro* sobre a "rea central da
+ona montanhosa. Rhodan n(o p$de e)trair qualquer detalhe do mapa levantado por
ocasi(o do primeiro v$o sobre 6ênus. Fas estava convencido de que* em todo lugar em
que havia registrado um ponto* ficava um vale. As naves n(o teriam pousado em encostas
onde seriam facilmente visíveis* muito menos em plat$s.
Pelas oitenta e cinco horas da manh(* quando a noite 8" ia chegando ao fim* Rhodan
p$s0se a caminho com os membros de seu grupo. 5a ,tardust0HHH* .ell transmitira a
informa'(o de que tudo estava em ordem. Fas observou que* segundo os dados
fornecidos pelo dispositivo positr$nico da nave* n(o deveria retardar muito sua entrada
no forte de 6ênus* pois do contr"rio o grande dispositivo positr$nico da fortale+a n(o
mais estaria em condi'/es de* com base no trecho conhecido* calcular toda a rbita do
planeta Peregrino.
% grupo de cJmbios voou pr)imo 9s encostas* na dire'(o noroeste. 5eslocava0se a
uma altitude m#dia de quatro mil metros acima da planície. Fesmo nessa altitude os
flancos da montanha estavam cobertos com uma selva t(o densa como na planície.
!uatro mil metros n(o representavam uma diferen'a de altitude muito significativa para o
clima quente e &mido reinante em 6ênus.
A pro8e'(o do terreno sobre as telas locali+adoras forneceu um quadro bi+arro. A
montanha era uma forma'(o 8ovem. As rochas eram íngremes* arestosas e* na e)press(o
de 5eringhouse* Mlivres de qualquer "ompromissoA.
Pelas oitenta e oito horas passaram 9 altura do primeiro ponto registrado no mapa de
Rhodan. Nste n(o pretendia atacar a posi'(o mais pr)ima. Preferia vir do norte* para
lan'ar confus(o nas posi'/es inimigas.
5entro de uma hora atingiram o centro da fileira de pontos. Rhodan tomou o rumo
do sul e se dirigiu a um ponto que* segundo as medi'/es reali+adas pelo telegrafista*
apresentava uma potência emissora maior que os demais.
% primeiro alvorecer do novo dia surgia no hori+onte quando o cJmbio de Rhodan
passou cautelosamente por cima do cume pontudo da montanha que limitava um vale
que* em linha quase vertical* descia profundamente por entre as montanhas. A diferen'a
de altitude entre o cume da montanha e o fundo do vale era superior a dois mil metros.
Todas as encostas eram verticais* embora entrecortadas* e o diJmetro do vale era de cerca
de oito quil$metros.
%s cJmbios foram descendo rentes 9 encosta. Ko fundo do vale o mundo ainda n(o
percebera o irromper do novo dia. Nra escuroI se os radares inimigos n(o estivessem
dirigidos e)atamente sobre a encosta vertical* n(o perceberiam nada do ataque iminente.
Por enquanto Rhodan s conseguia perceber a nave nas telas dos locali+adores. %s
holofotes de lu+ infravermelha n(o revelavam nada* e ,on %Qura* 8" em companhia de
Rhodan* tamb#m n(o p$de distinguir o ob8eto. Ao que tudo indicava a nave se encontrava
num lugar cercado de "rvores muito altas. Com o crescimento incrivelmente vigoroso que
se verificava em 6ênus* a clareira aberta durante o pouso 8" devia ter sido fechada.
Rhodan pousou 8unto ao pared(o de rocha. 5ei)ou quatro homens 8unto aos
cJmbios* para servirem de sentinelas. Com os outros avan'ou pela selva em dire'(o 9
nave* cu8a posi'(o era indicada com elevado grau de precis(o pelo refle)o do aparelho
locali+ador.
5eslocaram0se pelo ch(o da selva. Rhodan achou que seria muito arriscado recorrer
aos tra8es transportadores. 1evaram duas horas para atingir a "rea em que supunham que
estivesse o ob8etivo.
Kesse meio tempo clareara tamb#m no fundo do vale. ,on %Qura 8" n(o era o &nico
que conseguia ver alguma coisa.
,ubitamente se depararam com a nave espacial.
Afundara alguns metros no ch(o macio da selva e se encontrava em posi'(o
ligeiramente inclinada. Fas n(o havia d&vida de que estava em boas condi'/es* e para
um piloto h"bil a inclina'(o n(o representaria maior problema durante a decolagem.
A nave descansava sobre os suportes de popa. Nntre dois dos suportes* os contornos
da escotilha de uma comporta desenhavam0se sobre o metal. Rhodan deu ordem para que
os homens parassem.
— Abriremos a escotilha a ma'arico — sugeriu. — K(o deve demorar mais de um
minutoI terminaremos antes que l" dentro desconfiem de qualquer coisa. Cada nave
destas tem uma esp#cie de depsito* onde s(o alo8ados vinte homens durante o v$o* e* na
ponta* a sala do piloto. K(o sei quantos homens se encontram nesta nave* mas de
qualquer maneira deveremos encontrar alguns tanto no depsito como na sala do piloto.
7iquem de olhos abertos. K(o queremos torcer0lhes o pesco'o* mas se houver qualquer
resistência* atirem imediatamente. Nntendido2 Tudo h" de dar certo3
G G G
% ma8or 1emonovitch pousara sua nave na e)tremidade noroeste da cordilheira.
Ema segunda nave pousara pouco depois da sua no mesmo vale.
7ace 9 mensagem de TomisenQoR* 1emonovitch deu ordem para que uma das
naves pousadas no setor sudeste decolasse e fosse buscar o general. A nave n(o deu mais
sinal de vida* e 8" fa+ia cem horas que decolara. 1emonovitch estava convencido de que
caíra ou fora derrubada pelo inimigo. 7a+ia apro)imadamente o mesmo tempo que n(o
tinha qualquer contato com o general TomisenQoR e seu a8udante. Procurara locali+ar o
general pelo r"dio e* de algumas horas para c"* acreditava que fora vitimado pelas
condi'/es reinantes em 6ênus* tal qual o piloto e seu foguete.
Nsclarecera a tropa de que provavelmente o general TomisenQoR estaria morto* ou
teria caído em m(os do inimigo* e que ele mesmo* 1emonovitch* como oficial de patente
mais elevada* assumiria o comando da divis(o.
Parecia tudo muito simplesI mas 1emonovitch ficou quebrando a cabe'a sobre o
que deveria fa+er.
Ao que tudo indicava o esconderi8o era seguro. Aquilo que receara no início* que o
inimigo atacasse toda a +ona montanhosa com suas armas superiores e a transformasse
num pantanal incandescente e radiativo* n(o se reali+ara. K(o sabia di+er por que Rhodan
n(o adotara esse procedimento* mas o mesmo lhe convinha sobremaneira.
Todavia* a miss(o da divis(o espacial n(o consistia em ficar parado nos
esconderi8os at# que as naves se deteriorassem ou os homens envelhecessem. Alguma
coisa tinha de ser feita.
% dia foi amanhecendo* e 1emonovitch* sorvendo seu caf# preto — que para os
demais membros da divis(o fora submetido a um racionamento e)tremamente rigoroso
— matutava sobre seu problema* quando houve uma ocorrência que de golpe o livrou de
todas as dores de cabe'a.
Algu#m abriu com uma forte pancada a escotilha que separava a sala do piloto do
depsito situado abai)o da mesma e enfiou a cabe'a. 1emonovitch esteve a ponto de
repreender o homem. Fas este p$s0se a falar* e)tremamente e)altado-
— P" um comunicado* ma8or* um comunicado3 A C0<YS foi atacada pelo inimigo.
, a sala do piloto ainda resiste com cinco tripulantes. Nst(o pedindo socorro. Rhodan
participa pessoalmente do ataque.
Por alguns segundos 1emonovitch ficou imobili+ado pelo susto. Compreendeu em
primeiro lugar o perigo que amea'ava a C0<YS* e logo aps a chance que se lhe oferecia.
1evantou0se de um salto* comprimiu o bot(o que acionava as sereias de alarma e
gritou para o ordenan'a-
— 5iga ao oficial de armas que se apresente imediatamente com seus homens.
A escotilha foi fechada com um forte ruído. 1emonovitch se inclinou sobre uma
grande folha de papel coberta por uma rede de coordenadas. A posi'(o das naves estava
registrada com a precis(o de um minuto de coordenada* a configura'(o das montanhas
apenas constava com certa apro)ima'(o.
!uando o oficial de armas e seus três homens precipitaram0se atrav#s da escotilha*
1emonovitch 8" sabia como devia ser orientado o tiro.
Pegou o oficial pelo ombro e arrastou0o para 8unto do mapa.
— Aqui3 — disse ofegante. — Nsta # a C0<YS. P" poucos minutos foi atacada por
Rhodan e seus homens. 5iri8a uma salva de ao menos cinco foguetes contra a mesma.
Kunca mais teremos uma chance destas. N atire bem para o alto. K(o quero que os
pro8#teis se8am interceptados por alguma montanha. Nntendido2
% oficial fe+ que sim e transmitiu a um de seus homens as coordenadas constantes
do mapa. Três oficiais subalternos come'aram a apontar as pe'as de artilharia.
,ubitamente o homem que havia recebido a ordem de 1emonovitch estacou-
— Fa8or* ser" que Rhodan 8" se apoderou da C0<YS2 — indagou. — Todos os
nossos homens est(o mortos2
1emonovitch se limitou a gritar-
— Podemos agarrar Rhodan* e vamos agarr"0lo3
% 8ovem oficial de armas deu de ombros.
— Pronto para disparar — anunciou um de seus subordinados.
N o oficial ordenou* lan'ando um olhar para 1emonovitch-
— 7ogo3
G G G
%s quarenta homens que se encontravam no compartimento de depsito se
entregaram imediatamente. Fas n(o foi possível evitar todo e qualquer ruído* e os cinco
homens que se encontravam na sala do piloto desconfiaram. A escotilha foi trancada* e
mesmo a for'a unida dos quatro pro8etores mentais levou algum tempo para transpor o
maci'o anteparo met"lico e vencer a resistência da tripula'(o da sala do piloto.
A escotilha foi aberta* e Rhodan entrou com uma pressa estranha. %s cinco homens
se agruparam em torno da escotilha e pelos seus rostos se concluiria que h" muito tempo
se preparavam para receber a visita de Rhodan.
Nste fe+ sinal para que o 8aponês se apro)imasse. ,on %Qura subiu pela escotilha
com a agilidade de um esquilo.
— Pergunte se enviaram uma mensagem pelo r"dio — ordenou Rhodan.
%Qura formulou a pergunta em russo. Rhodan viu que um dos homens respondeu
com um aceno de cabe'a. % homem disse algumas palavras* que %Qura tradu+iu-
— Hnformou o ma8or 1emonovitch de que a nave estava sendo atacada* e de que o
senhor se encontrava entre os atacantes.
Rhodan virou0se apressadamente e gritou pela escotilha-
— A nave ser" evacuada imediatamente. N)iste um perigo gravíssimo.
Pouve muita confus(o. , os homens de Rhodan sabia que este aludia a um perigo
realmente gravíssimo quando usava essa e)press(o. Apesar da influência hipntica a que
se achavam submetidos* os prisioneiros n(o se deram muita pressa em e)ecutar a ordem
de evacua'(o. %s homens de Rhodan tiveram que tangê0los com suas armas.
— Aos cJmbios — gritou Rhodan atr"s deles.
5epois disso fe+ os cinco tripulantes da sala do piloto saírem pela escotilha e
descerem a escada. Nle mesmo e %Qura puseram0se no fim da fila. %Qura estava curioso
para conhecer o motivo de tanta pressa* mas nem sequer teve tempo para perguntar.
Ema ve+ fora da nave* Rhodan indicou aos prisioneiros a dire'(o em que deviam
correr.
,on %Qura tradu+iu-
— % caminho # este. Corram como o diabo* se quiserem continuar vivos.
Rhodan e o 8aponês valeram0se dos tra8es transportadores arc$nidas e voaram a toda
velocidade acima da folhagem das "rvores. ,atisfeito* Rhodan constatou que seus homens
iam uns du+entos metros 9 sua frente. Tinha certe+a de que* uma ve+ livres da influência
do pro8etor mental* n(o teriam coisa mais urgente a fa+er sen(o se reagrupar na tentativa
de um contra0ataque. % importante era que tinha chamado sua aten'(o para o perigo.
!uando Rhodan e %Qura alcan'aram o local do pouso* os cJmbios estavam prontos
para decolar. 1evantaram v$o imediatamente e foram subindo 8unto 9 encosta íngreme.
7inalmente Rhodan teve tempo para esclarecer seus homens sobre o perigo que os
amea'ava.
— 1emonovitch* que # o comandante atual da e)pedi'(o* est" informado sobre
nosso ataque — disse pelo telecomunicador. — At# sabe que eu participei dele. 4 de
esperar que* sem considera'(o por sua gente* procure destruir nosso grupo. Conforme
sabemos* as naves do .loco %riental disp/em... olhem* aí vem.
%s cJmbios haviam vencido apro)imadamente metade da encosta quando* l"
embai)o* sucederam0se quatro e)plos/es ofuscantes. !uem prestasse aten'(o perceberia
que duas delas ocorreram e)atamente sobre o local em que se encontrava pousada a nave*
enquanto as outras detonaram mais ao sul.
5entro de uma fra'(o de segundo* uma enorme onda de compress(o atingiu os
cJmbios. Ao mesmo tempo o ribombar tremendo das e)plos/es envolveu os veículos e
provocou um forte +umbido no ouvido dos homens.
%s cJmbios dispunham de um dispositivo autom"tico de compensa'(o. Fantiveram
o equilíbrio e* al#m disso* o deslocamento de ar provocado pela e)plos(o levou0os para o
alto com uma velocidade maior do que seria conseguido com a potência dos motores.
5epois de terem passado pelo cume da montanha e pousado do lado oposto*
encontravam0se em seguran'a.
Rhodan espiou para o interior do vale. ,abia que com isso se e)punha
pessoalmente* pois o nível de radiatividade desprendida at# mesmo por um foguete de
tamanho m#dio era consider"vel* e o tra8e arc$nida* que era um e)celente meio de
transporte* oferecia uma prote'(o redu+ida contra a mesma.
K(o viu nenhum sinal dos homens que tangera para fora da nave. Contara com um
&nico foguete. Fas 8" que 1emonovitch n(o quis assumir nenhum risco* disparando
quatro foguetes de ve+* achou duvidoso que qualquer dos tripulantes da C0<YS ainda
estivesse vivo.
Apesar disso entrou em contacto com a ,tardust0HHH* e instruiu .ell para que
enviasse quanto antes um cJmbio cu8os tripulantes deviam ser protegidos contra
radia'/es* para empreender a busca de eventuais sobreviventes.
Nnquanto isso* um dos subordinados do tenente Tanner constatou que* no flanco
norte da montanha que fechava o vale pelo oeste* e)plodira um quinto foguete* que abrira
uma cratera de dimens/es apreci"veis.
Poucos minutos depois* os cinqOenta homens da e)pedi'(o de Rhodan puseram0se a
caminho* tanto para abandonarem a "rea submetida a uma radiatividade mais intensa
como para* quanto antes* acrescentarem outra a'(o 9 primeira. Rhodan n(o se iludiu- dali
em diante as dificuldades seriam bem maiores. 1emonovitch estava prevenido. ,e n(o
estivesse plenamente convencido de que Rhodan fora vitimado pelos foguetes* avisaria
seus homens.
Por enquanto o que mais importava a Rhodan era a constata'(o de que a e)pedi'(o
do .loco %riental fora desfalcada de mais uma nave.
Ainda sobravam setenta e oito.
G G G
Pelas cento e de+ horas* tempo local* o general TomisenQoR chegou a um lugar da
selva em que acreditava reconhecer uma trilha aberta por seus homens.
K(o tinha certe+a absoluta. % crescimento vegetal e)tremamente r"pido de 6ênus
faria desaparecer dentro de uma hora qualquer trilha que fosse aberta. Fas na antiga
trilha predominariam os brotos recentes.
TomisenQoR e)aminou o local e concluiu que tivera ra+(o. ,eus homens haviam
passado por aliI se seguisse a trilha* dentro de pouco tempo se uniria a eles.
As horas passadas — pela contagem de tempo terreno seriam dias — produ+iram
uma modifica'(o profunda em TomisenQoR.
Fatara a tiros dois monstros em forma de urso que queriam devor"0lo* esmagara
uma cobra com a m(o* e matara quin+e outras tamb#m a tiro. Nscapara a um daqueles
plipos* cu8os m#todos de ca'a n(o ficavam restritos 9s armadilhas* mas compreendiam a
persegui'(o em terreno abertoI imitando os macacos* deslocou0se pelos galhos com
rapide+ maior que o animal de corpo fl"cido. Ko fim de seu passeio a#reo ficara preso
numa teia de aranha cu8os fios tinham a grossura de um dedo humano. 6ira a horrível
aranha* de tamanho superior ao de um homem* bem perto de siI balan'ando0se fortemente
e de maneira ritmada* conseguiu romper a rede. Lastara duas horas para se libertar dos
fios pega8osos a ponto de poder se locomover livremente. Kessas duas horas estivera
praticamente indefeso.
Ws cento e quin+e horas fe+ uma longa pausa. Consumiu os alimentos colhidos no
caminho e se deitou para dormir num entroncamento de galhos* bem no alto* na copa de
uma "rvore.
5escobrira que a vida na selva se desenvolve em quatro degraus distintos. %
primeiro era o das armadilhas dos plipos e dos animais revestidos de crneas que* como
os enormes vermes* com eles viviam em simbiose. Nsse degrau ficava em m#dia cinco
metros abai)o do solo. % segundo degrau era o nível do solo* com seus animais
perigosos* entre os quais se destacavam os s"urios* com os quais TomisenQoR ainda n(o
se defrontara diretamente* e os monstros em forma de urso que* conforme TomisenQoR
descobrira* tamb#m pertenciam 9 classe dos s"urios* sendo apenas de uma outra esp#cie.
% terceiro degrau situava0se na altura das copas das "rvores* na galeria inferior de
galhos* a uns de+ metros acima do nível do solo. Nra o reino das aranhas* muito mais
numerosas do que TomisenQoR supusera de início. Hsso acontecia porque sabiam
esconder suas teias com muita ast&cia. !uem n(o desconfiasse de sua presen'a nunca as
encontraria.
% &ltimo degrau* situado entre uns vinte e quarenta metros acima do nível do solo*
correspondia 9 parte superior das copas das "rvores* cu8a popula'(o era bastante restrita.
Pavia pequenos lagartos voadores* cu8o tamanho variava entre o de um pardal e o de um
pombo* e outros seres estranhos* tamb#m inofensivos* que para TomisenQoR
representavam um degrau intermedi"rio entre os lagartos e a classe mais bai)a de animais
de sangue quente. Ali podia se deitar para dormir sem ser devorado imediatamente* e
TomisenQoR aproveitou a vantagem. Ko início se aborreceu com o fato de que um
lagarto voador curioso* que pousara em seu rosto* despertou0o de um sono profundo. Fas
acabou se conformando com o fato de que o lugar mais agrad"vel de 6ênus era muito
pior que o ch(o duro da tundra siberiana.
%utra +ona a ser evitada era o limite superior da folhagem. 4 que acima das "rvores
mais altas come'ava um setor que poderia ser designado como o quinto degrau. Nra a
regi(o dos grandes lagartos voadores* pelos quais TreRuchin* seu a8udante* havia sido
vitimado.
Fas quem se mantivesse escondido na folhagem n(o tinha por que temê0los.
Perto do meio0dia* TomisenQoR voltou a p$r0se a caminho. Cinco horas de sono
foram suficientes para restituir0lhe as for'as. A mata fumegava sob os raios do sol* e a
temperatura na superfície do solo apro)imava0se da marca dos cinqOenta graus. Fas
tamb#m a esse calor TomisenQoR 8" se acostumara.
Fanteve0se na trilha aberta por seus homens* afastando com os bra'os os galhos e
as trepadeiras finas que cresceram nesse meio tempo.
5ali a duas horas* percebeu que o terreno entrava em aclive. Poucos minutos depois
o caminho se tornou bastante íngreme* e o suor come'ou a pore8ar na testa de
TomisenQoR.
Kum lugar em que havia uma pequena abertura na folhagem viu os cumes das
montanhas* quase na vertical acima de sua cabe'a.
Atingira a cordilheira3 Conseguira3
Tinha certe+a de que encontraria ainda nesse dia algum dos seus homens.
A trilha* que at# ent(o cortara a selva em linha reta* come'ou a descrever curvas.
Lrandes blocos de pedra estavam espalhados pela mata* e 9s ve+es a subida era t(o
íngreme que TomisenQoR teve que se deslocar de quatro.
K(o teve mais sossego. Avan'ava rapidamente sem pensar em outra coisa al#m do
caminho e da esperan'a fero+ de encontrar seus homens al#m da primeira curva.
K(o foi na primeira curva* nem na segunda. Fas* depois de ter marchado quase de+
horas depois do &ltimo descanso* viu0se num desfiladeiro estreito que representava a
entrada de um imenso vale* que se estendia entre as montanhas na dire'(o quase e)ata do
norte. Nspantado* TomisenQoR constatou que praticamente n(o havia qualquer vegeta'(o
no fundo do vale. Nra o primeiro trecho de solo nu que descobria em 6ênus. Talve+ os
vapores vulcJnicos fossem respons"veis pelo fen$meno. TomisenQoR viu a neblina
passar diante das encostas.
As imensas montanhas que fechavam o vale retinham a lu+* 8" por si bastante turva.
TomisenQoR n(o en)ergava a mais de cem metros. Fas* como seus homens deviam ter
penetrado no vale* n(o hesitou em proceder da mesma maneira.
5epois de percorrer algumas centenas de metros fora da selva* a atmosfera come'ou
a se modificar. ,entiu o cheiro do en)ofre e de outras coisas desagrad"veis. Parou por um
instante e aspirou o ar. Ao que parecia n(o havia qualquer perigo. Teve uma ligeira tosse*
era tudo.
5epois de ter prosseguido por meia hora* ficou perguntando a si mesmo qual seria o
comprimento daquele vale. ,ubitamente algu#m o chamou da escurid(o reinante entre as
rochas caídas.
Nram palavras russas. Fas fa+ia tanto tempo que TomisenQoR n(o ouvira qualquer
vo+ humana* que at# sua língua materna o assustou. Reagindo com a rapide+ que
aprendera na selva* dei)ou0se cair para a frente e procurou abrigo numa fenda na rocha.
— ,ou TomisenQoR3 — respondeu. — !uem est" chamando2
Em riso de deboche soou entre as rochas.
— Conte isso a outro3 TomisenQoR est" morto.
7urioso* TomisenQoR se levantou de um salto.
— Pois olhe* seu idiota3 — gritou. — ,ou TomisenQoR ou n(o sou2
A sentinela n(o se perturbou.
— 1argue a armaI depois darei uma olhada em você.
TomisenQoR obedeceu.
— Nst" bemI 8" vou.
% homem saiu de seu esconderi8o* com a pistola autom"tica engatilhada. Parou a
dois metros de TomisenQoR. 7icou intrigado com o cabelo branco do mesmo* e a barba
crescida no meio tempo. Al#m disso* o general n(o tivera oportunidade ou interesse em
se lavar. Cada centímetro quadrado de sua pele estava oculto sob uma grossa camada de
su8eira.
Apesar disso a sentinela o reconheceu.
— 4 o general3 — disse perple)o. — 6e8am s3
6oltou0se e sua m(o apontou para um ponto situado no fundo do vale.
— Por ali est" a C0<=B. 4 a &ltima nave de que dispomos.
% susto de TomisenQoR foi tamanho que por algum tempo n(o conseguiu di+er uma
palavra.
— K(o # bem isto — retificou a sentinela. — Temos mais algumasI mas est(o
deitadas de nari+* ou os tanques est(o va+ios* ou o reator queimou* e n(o sei mais o quê.
5e qualquer maneira* a C0<=B # a &nica que est" em condi'/es de voar.
5urante sua marcha TomisenQoR n(o se entregara a muitas ilus/esI mas o que
acabara de ouvir ultrapassou seus piores temores. 1evou algum tempo para se recuperar
do choque.
— 1eve0me para 8unto dos meus homens — ordenou 9 sentinela.
8
Rhodan agiu rapidamente e com uma precis(o absoluta. % ataque 9 C0<YS ficou
sendo um caso isolado. 5ali em diante Rhodan colocou seus homens em a'(o em v"rios
pontos ao mesmo tempo e lhes ordenou que n(o assumissem qualquer risco. Etili+ando o
dispositivo defletor dos tra8es transportadores* se apro)imavam de forma invisível das
naves inimigas. Colocavam sob os suportes uma carga de e)plosivo suficiente para
derrubar a nave* abriam os tanques a tiro* fa+endo com que o precioso hidrogênio líquido
se e)alasse em poucos segundos ou danificavam os reatores de tal forma que ficavam
inutili+ados para sempre.
Todas essas a'/es foram e)ecutadas praticamente sem incidentes. Pelo meio0dia o
inimigo s dispunha de três naves* que Rhodan poupara para o caminho de volta. Ws
cento e vinte e cinco horas* duas delas haviam sido destruídas* e Rhodan disp$s0se a
atacar a &ltima* a C0<=B* com maior dose de cautela* 8" que* do contingente de cerca de
cinco mil homens com que a e)pedi'(o do .loco %riental ainda contava* mais de dois
mil se encontravam no esconderi8o da C0<=B.
G G G
% motivo era convincente.
5epois da evacua'(o do primeiro acampamento* a maior parte dos sobreviventes
teve que se privar de qualquer conforto e empreender a marcha pela selva.
Ao chegar 9 cordilheira* a coluna encontrou em primeiro lugar a nave C0<=B* que
pousara mais ao leste. Como os homens n(o tivessem a inten'(o de acrescentar outros
quil$metros aos at# ent(o percorridos para encontrar o esconderi8o de outra nave* a
maioria ficou 8unto 9 C0<=B. , alguns homens mais cora8osos e apenas levemente
feridos prosseguiram na marcha e se abrigaram 8unto a uma das outras naves.
%s dois mil e du+entos homens que o general TomisenQoR encontrou no
acampamento da C0<=B contavam que o pr)imo alvo dos ataques de Rhodan seria
aquela nave.
W primeira vista* TomisenQoR percebeu que teria de 8ogar tudo numa cartada e p$s0
se a preparar a recep'(o de Rhodan. ,oube que poucos dos grupos atacados por Rhodan
ainda mantinham contato radiof$nico. A opini(o generali+ada era a de que* nos outros
pontos* ningu#m mais estava vivo. Fas TomisenQoR retificou essa opini(o pronta e
radicalmente.
— ,empre que Rhodan inutili+a uma nave* derrubando0a* as instala'/es de r"dio
s(o destruídas — e)plicou. — Assim que nossos homens tenham reparado os aparelhos*
voltaremos a ter notícias deles.
As informa'/es recebidas das naves cu8as instala'/es radiof$nicas n(o haviam sido
destruídas pareciam um tanto confusas a TomisenQoR. Nm todas elas se di+ia que* apesar
da vigilJncia intensa da "rea que cercava a nave* a apro)ima'(o do inimigo n(o foi
notada.
— % que # isso2 — resmungou TomisenQoR. — Nle n(o pode se tornar invisível.
Fas n(o estava muito convencido do que estava afirmando.
Para TomisenQoR era ainda mais estranho o fato de que* em todas as a'/es de
Rhodan sobre as quais recebera relatos radiof$nicos* nenhuma pessoa sofrer" o menor
dano. ,em d&vida a coisa seria diferente no caso das naves tombadas. Teria havido
mortos e feridos. 5e qualquer maneira* dos relatos chegados 9 C0<=B se dedu+ia que
Rhodan se esfor'ava para derramar a menor quantidade possível de sangue.
Por quê2
5e inicio TomisenQoR mandou retirar da nave duas bases de lan'amento de
foguetes e empilhar uma reserva de muni'/es em redor das mesmas. ,e* apesar de tudo*
Rhodan conseguisse derrubar a nave* n(o ficaria indefeso.
%s foguetes tra+iam um n&cleo e)plosivo do tipo .aby* com uma carga de plut$nio
que* por si* estava abai)o do limite crítico. Nla s se tornava crítica por meio de um
refletor de paredes grossas que funcionava com base no o)ido de berílio. % detonador
funcionava segundo o princípio da implos(o. %s foguetes* com os respectivos
detonadores* n(o eram muito maiores que a granada de um pro8#til de canh(o.
Al#m disso* TomisenQoR postou seus homens em v"rias fileiras atrav#s dos blocos
de rocha que* de ambos os lados* margeavam as encostas do vale. Em grupo de t#cnicos
de comunica'(o instalou uma linha telef$nica provisria de ambos os lados da entrada do
vale* para que a sentinela pudesse avisar TomisenQoR assim que Rhodan se apro)imasse.
TomisenQoR ordenou* ainda* a suspens(o de todas as comunica'/es pelo r"dio. K(o
havia d&vida de que Rhodan s conseguira descobrir os esconderi8os com tamanha
rapide+ porque os telegrafistas das naves lhe facilitaram a locali+a'(o goniom#trica. %
general rugiu de raiva ao saber que ningu#m se lembrara de suspender em tempo as
comunica'/es pelo r"dio.
A &ltima instru'(o que transmitiu antes do ataque foi dirigida aos mil e quinhentos
homens que n(o receberam qualquer incumbência específica. Receberam ordem para se
comportar como quem se sente em seguran'a. TomisenQoR tinha certe+a de que Rhodan
observaria o acampamento por algum tempo antes de iniciar o ataque.
5epois disso TomisenQoR ficou 9 espera.
G G G
Rhodan veio do norte. Pelas cento e quarenta horas os cJmbios sobrevoaram a
entrada do vale e pousaram 8unto 9 borda oeste* uns mil metros acima do fundo.
% acampamento foi observado por algum tempo.
— Parece que est" tudo em ordem — disse o ma8or 5eringhouse.
Rhodan olhou pelo binculo.
— Alguns prisioneiros afirmaram que nesse acampamento se encontram dois mil e
du+entos homens — disse em tom pensativo. — 1" embai)o ve8o uns mil e quinhentos.
%nde est(o os outros2
5eringhouse deu de ombros.
— K(o fa'o a menor id#ia. Talve+ este8am ca'ando.
Rhodan riu.
— ,etecentos homens2 K(o* alguma coisa n(o est" em ordem. ,abem que ns
atacaremos e est(o preparados.
5eringhouse voltou a pegar o binculo e olhou para o vale. Fas* como
TomisenQoR tivesse escondido seus homens muito bem* n(o p$de ver nada.
% ma8or Kyssen e o tenente Tanner sugeriram que se desistisse do procedimento
habitual* destruindo a nave e o acampamento por meio de uma bomba nuclear.
Rhodan re8eitou a proposta.
— K(o posso dispensar nenhum homem em 6ênus — respondeu.
5ecidiu voar para dentro do acampamento em companhia de Tanner e 5eringhouse.
Nnquanto isso* Kyssen assumiria o comando dos cJmbios.
Rhodan e seus acompanhantes tornaram0se invisíveis por meio dos defletores. %
&nico ob8eto visível era a carga e)plosiva* do tamanho de um mel(o* que Tanner
carregava consigo e pretendia colocar por bai)o de um dos suportes da C0<=B. Fas s
parte do mel(o ficava fora do campo de defle)(o.
A grande desvantagem dos campos defletores consistia no fato de que um homem
envolto pelo mesmo n(o podia ver outro que se encontrasse nas mesmas condi'/esI neste
ponto era tal qual um estranho. Para n(o perderem o contato* Rhodan e seus homens
tiveram de voar de m(os dadas.
G G G
% tenente Xossip ocupava seu posto na &ltima fileira* 8unto 9 encosta oeste. Ali
estava h" algumas horas e 8" come'ara a prague8ar contra o mundo em geral e contra o
general TomisenQoR em particular* porque proibira fumar.
% que Xossip mais precisava era de um cigarro* mas n(o podia...
Alguma coisa atingiu0o no ombro e caiu ao solo com um baque.
Nra uma pedra* uma pedra bem achatada.
Xossip se virou e procurou descobrir de onde viera a pedra.
Nvidentemente de cima. Ws ve+es alguma pedra se desprendia do pared(o. A
posi'(o n(o era isenta de perigo. Fesmo que Rhodan n(o atacasse* a gente poderia
esticar as botas.
Xossip voltou 9 posi'(o anterior e* por falta do que fa+er* olhou por cima da mira de
sua pistola autom"tica. 5ali poderia acertar...
Xossip cerrou os olhos e bateu com a palma da m(o na testa. Fas a coisa continuava
ali.
Nra uma semi0esfera de uns quin+e centímetros de diJmetro* de cor cin+a0escura. %
ob8eto flutuava no ar* um metro ou pouco mais acima da superfície da rocha achatada*
atr"s da qual Rhodan estava deitado.
5an'ava para cima e para bai)o e foi se afastando lentamente.
Xossip levantou a arma e fe+ pontaria. Ko mesmo instante algu#m bateu no seu
ombro.
— Ko que pretende atirar2
Xossip se virou sobressaltado.
— 5ei)e de tolices3 — chiou algu#m.
Nra o capit(o 18ubol* que se encontrava atr"s dele. A m(o trêmula de Xossip apontou
na dire'(o do ob8eto voador.
— %lhe* ali est"... — gague8ou.
Parou espantado. A semi0esfera havia desaparecido.
Fas a curiosidade de 18ubol fora agu'ada. Xossip contou sua histria. 18ubol torceu
o rosto e disse-
— 5ê0me um gole daquilo que você andou bebendo e ficarei bem quietinho.
G G G
% tenente Tanner procurou avaliar a melhor posi'(o para provocar a queda da nave.
5ecidiu0se pelo suporte voltado para o interior do vale e ali colocou seu mel(o* sem que
ningu#m desconfiasse.
A e)plos(o arrancaria o suporte e faria a nave tombar para o lado em que se
encontrava o mesmo. A proa bateria perto do lugar em que estavam sentados alguns dos
homens aos quais TomisenQoR ordenara que fi+essem de conta que n(o temiam qualquer
perigo* e lhes meteria um tremendo susto.
— Pronto2 — perguntou Rhodan com a vo+ bai)a.
— ,im — respondeu Tanner.
— Tenha cuidadoI vamos regressar — ordenou Rhodan.
6oltaram pelo mesmo caminho. Fas* antes de chegar 9 primeira linha de soldados*
Rhodan deu ordem para acionar os neutrali+adores gravitacionais para voarem acima das
fileiras* em ve+ de passarem andando.
7oi quando aconteceu o desastre.
Tanner estava de p# sobre uma rocha inclinadaI quando se disp$s a acionar o
neutrali+ador* escorregou. K(o teve tempo para regular o desempenho do mesmo de tal
forma que o tra8e o condu+isse para cima. Prague8ando* caiu sobre a rocha e rolou para
bai)o. Com um baque* mas invisível* aterri+ou no ch(o mole do vale.
,ua praga foi ouvida e a sentinela viu a impress(o que o corpo de Tanner dei)ara no
ch(o macio.
% homem n(o perdeu tempo em descobrir o que havia acontecido ou indagar se
uma coisa dessas era possível- atirou. Lritou para os que se encontravam nas
pro)imidades e apontou para a impress(o dei)ada pelo corpo de Tanner. 5entro de
poucos segundos o fogo de pelo menos vinte pistolas autom"ticas se concentrou sobre o
tenente.
Nra bem verdade que o tra8e transportador de Tanner dispunha de um anteparo
energ#tico que absorvia os pro8#teis e os fa+ia cair ao ch(o. Fas fora concebido de forma
a permitir que seu portador resistisse inclume ao fogo de uma ou duas armas. Para
resistir a centenas de impactos produ+idos pelas balas e)pelidas por vinte pistolas
autom"ticas teria de recorrer a uma suplementa'(o de energia* e esta foi e)traída do
gerador do dispositivo de neutrali+a'(o gravitacional e do defletor.
Com isso Tanner ficou privado da possibilidade de se locomover* e seu defletor
falhou- tornou0se visível. Al#m disso* o impacto dos pro8#teis sobre o envoltrio
energ#tico causou uma s#rie de sacudidelas desagrad"veis* que o impediam at# mesmo de
sair correndo.
Procurou cobertura 9s pressas e respondeu ao fogo com seu radiador de impulsos.
,eguindo a ordem de Rhodan* de* na medida do possível* poupar vidas humanas* tra'ou
uma barreira incandescente sobre a barreira de rocha atr"s da qual se abrigara a primeira
linha de atiradores* obrigando os homens a encolherem a cabe'a e se afastarem
apressadamente da "rea atingida pelo calor escaldante.
Fas Tanner n(o alcan'ou um ê)ito completo porque fora observado por grupos
mais distantes* que contra ele dirigiram seu fogo.
— AgOente firme3 — gritou Rhodan de algum lugar.
Tanner resmungou sua concordJncia.
Tinha certe+a de que Rhodan e 5eringhouse n(o o abandonariam.
,ua situa'(o n(o era das mais brilhantes. Nra verdade que estava a salvo de
ferimentosI mas o fogo concentrado ininterrupto impediu o funcionamento do
neutrali+ador e do defletor. Nstava preso ao lugar* e todo mundo podia vê0lo.
G G G
% general TomisenQoR logo compreendeu a situa'(o. K(o gastou um segundo para
rever sua opini(o de que o inimigo n(o poderia se tornar invisível.
Kuma pressa e)trema convocou os homens das posi'/es mais afastadas e lan'ou0os
em combate no lugar em que Tanner lutava desesperadamente pela invisibilidade e pela
liberdade de movimentos.
Kesse instante* 5eringhouse* com um ligeiro impulso transmitido pelo r"dio*
provocou o mel(o alo8ado sob o suporte da nave. Tanner* que se encontrava a menos de
cem metros de distJncia* foi erguido no ar e atirado para o lado. 5e sua nova posi'(o viu
a proa da nave se inclinar e desaparecer numa imensa nuvem de p. Poucos instantes
depois o solo come'ou a dan'ar sob o impacto do colosso met"lico.
% fogo cessou por alguns segundos. % defletor de Tanner voltou a funcionar* e ao
mesmo tempo a tra'(o leve do campo neutrali+ador da gravidade se fe+ sentir.
Fas* naquele instante* o ma8or Kyssen 8" cometera seu erro funesto. ,em ter a vis(o
da luta que se desenrolava rio fundo do vale* ficou convicto de que por algum motivo
ine)plic"vel Rhodan e seus homens corriam perigo. Por isso ordenou o ataque geral.
Todos os cJmbios* com e)ce'(o de um* que permaneceria no cume da montanha para
servir de posto de observa'(o* desceram pela encosta.
%s cJmbios provocaram um susto tremendo entre as &ltimas linhas de atiradores dos
homens do .loco %riental. %s veículos pousaram praticamente sem ruídoI ouviram0se
vo+es e)altadas* mas n(o se via nada. Poucos segundos depois a rocha come'ou a entrar
em incandescência e a ferver bem diante do nari+ dos homens.
%s homens de TomisenQoR n(o tiveram outra alternativa sen(o a fuga. ,aíram dos
abrigos aos montes e correram para o centro do vale.
TomisenQoR logo reconheceu a situa'(o e percebeu que contra um inimigo desses
era quase indefeso.
!uase3 Ainda havia uma possibilidade.
7e+ sinal a três dos seus oficiais para que se apro)imassem e transmitiu0lhes
algumas instru'/es apressadas. %s oficiais se puseram a caminho* de início em dire'(o 9
saída norte do vale.
G G G
Rhodan ordenou a retirada.
Ko mesmo instante o inimigo* que assumira novas posi'/es no centro do vale*
come'ou a dirigir o fogo de suas armas contra os cJmbios. Como estes dispusessem de
campos protetores* nem mesmo as granadas de fu+il* que funcionavam como foguetes em
miniatura* podiam lhe causar qualquer dano. Fas os homens de Rhodan se tornaram
visíveis assim que penetraram na chuva de granadas que desabava em redor dos cJmbios*
e o fogo das fileiras de atiradores concentrou0se sobre os homens que por alguns instantes
podiam ser vistos.
Rhodan deu ordem para decolar* pois acreditava que todos 8" se encontravam em
seus lugares. As m"quinas se ergueram de um golpe e dispararam para o alto.
Todos os cJmbios* com e)ce'(o de um.
!uando come'ou a confus(o* Tanner se afastou em dire'(o ao norte. Ko momento
em que Rhodan deu ordem de retirada* voou em dire'(o ao cJmbio que pousara mais ao
norte.
%uviu vo+es. A tripula'(o do cJmbio seguia as instru'/es de Rhodan. Tanner n(o se
deu conta de que* ao contr"rio dos outros* este cJmbio n(o estava sendo submetido ao
fogo do inimigo. Fas ouviu que os homens prague8avam enquanto tentavam colocar em
funcionamento o gerador.
— % que houve2 — perguntou em tom "spero.
K(o via ningu#m* e ningu#m o via.
— K(o quer pegar — lamentou0se um dos interlocutores invisíveis.
— 5ei)e0me ver.
Tanner ocupou o assento do piloto. Comprimiu o bot(o verde que acionava o
gerador e aguardou o +umbido que 8" conhecia.
K(o veio.
— K(o h" tempo a perder — gritou. — Procurem se acomodar num dos outros
veículos ou subam nos seus tra8es. R"pido3
%uviu o ruído de passos que se afastavam.
Tanner dei)ou0se cair de lado* para fora do veículo* e e)aminou o chassi. W
primeira vista* notou o buraco oval cortado no lugar e)ato em que antes ficara o
transmissor de impulsos positr$nicos* que condu+ os comandos emitidos pelo piloto ao
mecanismo de propuls(o.
Algu#m o retirara. Algu#m que n(o entendia praticamente nada da estrutura do
cJmbio* pois do contr"rio teria retirado o gerador.
5e qualquer maneira a falta do transmissor de impulsos bastava para inutili+ar o
veículo.
Kesse instante Tanner foi alve8ado. Algu#m devia ter visto a impress(o que suas
botas dei)aram no ch(o macio.
K(o era um fogo concentrado. % campo protetor absorvia0o sem necessidade de
recorrer 9 energia destinada ao neutrali+ador e ao defletor. Tanner se levantou e viu* a uns
vinte metros de distJncia* metade de um bra'o e uma pistola autom"tica que saía de
detr"s de uma rocha. 5isparou o radiador de impulsos at# que a rocha entrasse em
incandescência e achou que 8" era tempo de dar o fora.
%s cJmbios 8" se encontravam pr)imos 9 borda do vale. Tanner dependia de seu
tra8e transportador. 5eu o empenho m")imo ao neutrali+ador gravitacional* se
desprendeu do solo e foi subindo rente 9 encosta. 1evou mais tempo que os cJmbios para
atingir a borda segura. Fas agora* que n(o dei)ava qualquer rastro* ningu#m mais o
molestava.
Ko fundo do vale os tiros emudeceram quando os atiradores n(o tinham mais nada
em que atirar. A poeira levantada pela queda da C0<=B 8" desaparecera. 6iu0se que a nave
se partira no meio. Kunca mais decolaria.
%s homens de Rhodan haviam capturado três prisioneiros e conseguiram lev"0los
apenas com ferimentos leves atrav#s do fogo dos prprios companheiros. Rhodan 8ulgava
necess"rio interrogar esses homens o quanto antes. Nra bem verdade que considerava a
posi'(o atual muito perigosaI ordenou o regresso imediato 9 ,tardust0HHH.
Tanner ofereceu seu relato sobre a maneira pela qual o &ltimo cJmbio fora impedido
de decolar. Rhodan ergueu as sobrancelhas e disse com certo respeito-
— Parece que l" embai)o o comando # e)ercido por um homem bastante
inteligente.
G G G
TomisenQoR tomou conhecimento de que* entre seus homens* havia sete mortos e
vinte e dois feridos graves.
Fas n(o demonstrava muito interesse.
%s homens com os quais confabulava eram os especialistas em eletr$nica da C0<=B.
— Peguem o bloco — insistiu TomisenQoR — e coloquem0no no mesmo lugar de
que foi retirado. K(o pode ser difícil. 5epois coloquem a coisa em funcionamento.
%s t#cnicos puseram0se a trabalhar. Realmente n(o houve a menor dificuldade em
recolocar o bloco. Como o buraco fosse oval* s havia uma posi'(o de encai)e.
Ema ve+ que a t#cnica de transmiss(o de impulsos dos arc$nidas funcionavam sem
fios* n(o havia condutores arrancados dos quais n(o se soubesse quais os seus
correspondentes. Ema ve+ recolocado e soldado* o bloco estava em condi'/es de
funcionar.
%s t#cnicos n(o tiveram que fa+er outra coisa sen(o me)er cautelosamente nos
diversos comandos e observar a rea'(o da nave.
5entro de uma hora sabiam perfeitamente o que teriam de fa+er para movimentar o
cJmbio* para dirigi0lo 9 direita ou 9 esquerda* para cima ou para bai)o. A incumbência
mais importante recebida de TomisenQoR estava cumprida.
G G G
Rhodan reali+ou o interrogatrio na margem de um pequeno lago situado
apro)imadamente a meio caminho entre o acampamento da C0<=B e o ponto em que se
encontrava a ,tardust0HHH.
Reali+ou o interrogatrio pessoalmente e valeu0se do pro8etor mental para obter a
verdade.
!uando soube tudo que lhe interessava* se tornou bastante pensativo.
— TomisenQoR voltou a aparecer — disse* dirigindo0se ao ma8or 5eringhouse. —
Kingu#m tem a menor id#ia de como conseguiu vencer a distJncia entre aquele
acampamento e a C0<=B* mas o fato # que voltou.
5eringhouse olhou0o perple)o.
— !ual # a distJncia2 Em momento... !uase du+entos quil$metros* n(o #2
5u+entos quil$metros percorridos a p# na selva de 6ênus* e isso com uma pistola
autom"tica ou se8a l" o que ele tra+ia.
— N metade do caminho foi percorrida de noite — completou Rhodan.
5eringhouse respondeu com um aceno de cabe'a.
— Nste homem # de tirar o chap#u — disse Rhodan* em tom pensativo.
— % que pretende fa+er2 — perguntou 5eringhouse.
Rhodan deu de ombros e sorriu.
— Kada. % inimigo n(o disp/e de qualquer nave com que possa sair de 6ênus.
Talve+ consiga reparar o cJmbioI nesse caso n(o ser" mais obrigado a se deslocar a p#. %
que acha que ser" deles2
— Acredita que esses homens continuar(o vivos2 — perguntou 5eringhouse.
Rhodan fe+ que sim.
— Em deles conseguiu. Para todos em con8unto ser" muito mais f"cil.
G G G
1ogo aps a decolagem* Rhodan transmitiu pelo telecomunicador a ordem para que
TaQo VaQuta* que se encontrava na ,tardust0HHH* e)ecutasse o salto.
5ias atr"s — segundo o tempo terreno — quando Rhodan adotou o plano de* na
medida do possível* poupar a vida de TomisenQoR e seus homens* abandonou
automaticamente a outra alternativa* isto #* o plano de livrar 6ênus dos invasores para
convencer o dispositivo positr$nico de que n(o havia mais perigo* fa+endo com que
abrisse as portas.
TaQo VaQuta* 8aponês como ,on %Qura e muitos outros membros do N)#rcito de
Futantes* era at# ent(o o &nico dentre os homens de Rhodan que possuía o dom da
teleporta'(o. As energias encerradas no c#rebro de TaQo VaQuta* submetido a um
processo de muta'(o* lhe possibilitavam o transporte por um trecho de at# cinqOenta mil
quil$metros* e isso por um meio que equivalia 9 transi'(o reali+ada por uma nave
espacial.
7ace a isso* era o &nico que poderia estar em condi'/es de penetrar pelas barreiras
atr"s das quais o c#rebro positr$nico de 6ênus se isolava do mundo e)terior.
5esde o início Rhodan considerara essa possibilidade. Fas* como a mesma
envolvesse certo risco para o 8aponês* teve outra id#ia. Fas agora* que a sobrevivência
dos homens de TomisenQoR parecia compensar o risco a que iria submeter o mutante*
n(o hesitou em transmitir a este a ordem correspondente* para a qual o mesmo 8" estava
preparado h" algum tempo.
% campo protetor que o c#rebro positr$nico estendera em torno da fortale+a tinha
um raio de quinhentos metros. Fesmo com um tra8e transportador* TaQo levaria algum
tempo para penetrar no recinto da fortale+a propriamente dita.
G G G
Pela alegria quase infantil que os homens demonstraram quando a silhueta da
,tardust0HHH se desenhou no hori+onte* Rhodan percebeu que* depois dos dias difíceis
passados no planeta Peregrino e da atua'(o ininterrupta de 6ênus* os mesmos haviam
chegado ao limite de suas for'as.
%s cJmbios se deslocaram na forma'(o usual* cerca de de+ metros acima da
folhagem das "rvores.
Todos os perigos haviam chegado ao fim* e o conforto da gigantesca nave acenava
ao longe. Ema cama macia* um bom caf# — que n(o viria dos pacotes de ra'/es
arc$nidas — e* principalmente* tempo para ficar de papo para o ar. K(o eram motivos
mais que suficientes para ficar alegre2
Por algum tempo Rhodan acompanhou com um sorriso a palestra e)citada que se
desenvolvia pelo telecomunicador. 5epois pediu silêncio.
Reginald .ell fi+era todos os preparativos para o regresso da pequena e)pedi'(o. A
uma distJncia de vinte quil$metros* Rhodan percebeu com o au)ílio de um bom binculo
que o port(o da comporta sul havia sido aberto.
TaQo VaQuta efetuara o salto. 6alendo0se do telecomunicador* que n(o era afetado
pelos campos protetores da fortale+a* avisou que se encontrava a caminho da entrada da
base. N)ecutara o salto sem o menor contratempo. Rhodan calculou que mais uma hora se
passaria at# que TaQo obtivesse do c#rebro positr$nico autori+a'(o para desativar o
campo protetor.
G G G
— Consegui3 — gritou o capit(o 18ubol cheio de entusiasmo.
7itou a tela de pontaria do radiador neutr$nico e pu)ou a alavanca que acreditava
ser o gatilho. 5e início nada aconteceu* mas dentro de poucos segundos as "rvores que
apareciam na tela se desfi+eram em cin+a.
% general TomisenQoR resmungou satisfeito.
— X" estava na hora — disse. — Aí vêm eles.
Nsfor'ou0se para n(o olhar a "rea da tela que mostrava os arredores do veículo na
dire'(o nordeste. % vulto brilhante da gigantesca nave o preocupava e lhe incutia a id#ia
de que aquilo que pretendia fa+er talve+ fosse t(o arriscado e irracional que ele e seus
homens n(o conseguiriam sobreviver aos acontecimentos.
5epois de p$r o cJmbio em funcionamento* procuraram encontrar a pista de
Rhodan. K(o encontraram a pista* mas a ,tardust0HHH. K(o se atreviam a atacar a naveI
mas tinham certe+a de que nessa "rea conseguiriam interceptar Rhodan e seu grupo. 5e
início s contavam com suas prprias armas* pistolas autom"ticas e lan'a0granadas. Fas
atrav#s de tentativas ininterruptas* o capit(o 18ubol descobrira o funcionamento de uma
das armas embutidas no veículo.
G G G
— 1ocali+a'(o3 — gritou o homem diante do aparelho de busca de microondas.
Fas 8" era tarde.
A estrutura do cJmbio emitiu um ruído crepitante. Rhodan logo identificou o ruído-
Nra produ+ido pelo impacto de um radiador neutr$nico.
% veículo e seus ocupantes estariam perdidos* se Rhodan n(o possuísse a faculdade
de* na fra'(o de um d#cimo de segundo* reagir adequadamente 9 situa'(o mais
surpreendente.
Atirou0se para a frente e manipulou a dire'(o do veículo por cima do ombro do
homem que* imobili+ado de pavor* estava sentado diante do volante oval.
% cJmbio emborcou para a frente e despencou os de+ metros que o separavam das
folhagens da selva. %s galhos bateram ruidosamente na carro'aria* mas quando o veículo
se imobili+ou estava abrigado dos olhares do inimigo sob uma folhagem de três metros
de espessura.
A campainha do monitor de radia'/es soou ininterruptamente. A radiatividade
indu+ida pelos nêutrons havia atingido o limite da periculosidade.
A vo+ estereotipada de 5eringhouse se fe+ ouvir-
— Reconheci o inimigo. 6ou disparar.
% radiador de impulsos do cJmbio de 5eringhouse foi posto a funcionar.
A primeira salva teria transformado o veículo de TomisenQoR numa massa
incandescente* se este n(o tivesse reagido instantaneamente ao fracasso da tentativa de
aniquilar o inimigo* colocando o veículo em movimento.
% tiro disparado por 5eringhouse atingiu o cJmbio de TomisenQoR na popa* onde
se situavam os principais plos gravitacionais que propagavam o campo neutrali+ador. %
cJmbio caiu como uma pedra antes que TomisenQoR pudesse e)ecutar qualquer manobra
para equilibr"0lo.
Ema forte pancada se fe+ ouvir quando o veículo penetrou pela folhagem. A cabe'a
de TomisenQoR bateu com tamanha violência contra um dos pain#is que o general
imediatamente perdeu a consciência.
Keste meio tempo Rhodan havia empurrado o piloto para fora de seu assento*
assumindo pessoalmente a dire'(o. Pelos cantos dos olhos* atrav#s de uma abertura na
folhagem* observou a queda do veículo inimigo e viu outro cJmbio que se precipitava
atr"s dele.
— 5eringhouse* # você2
— ,im — respondeu 5eringhouse. — 5esta ve+ o su8eito n(o escapa3
— 5ei)e0o em pa+3 — ordenou Rhodan em tom en#rgico.
— Nle usa nossas prprias armas contra ns3 — protestou 5eringhouse.
— Assim mesmo dei)e0o em pa+.
5eringhouse fe+ meia0volta. %s cJmbios voltaram a entrar em forma'(o.
Rhodan enviou 9 ,tardust0HHH um ligeiro relato do incidente e concluiu-
— Feu carro precisa de uma descontamina'(o* e os ocupantes tamb#m. Preparem
tudo.
5escontamina'(o # a e)press(o para a remo'(o da radiatividade que adere a
qualquer corpo. A ,tardust0HHH* o produto refinado de uma t#cnica superior* estava
preparada para incidentes como o que acabara de se verificar. A campainha do monitor
de radia'/es dei)aria de soar assim que o cJmbio fosse colocado sob o chuveiro
descontaminador.
G G G
TaQo VaQuta* o teleportador 8aponês* tinha uma no'(o bastante precisa da forma
pela qual o c#rebro positr$nico reagiria 9 sua visita n(o anunciada. Apesar disso n(o se
sentiu muito 9 vontade quando foi avan'ando pelos corredores amplos e profusamente
iluminados em dire'(o 9 sala de comando da gigantesca m"quina.
Nstava sendo observado* n(o havia a menor d&vida. Pavia grande n&mero de
aparelhos de vis(o e de escuta ocultos nas paredes.
!uando tinha percorrido metade do caminho no interior da montanha* o c#rebro
compreendeu qual era o lugar a que se dirigia. ,ubitamente a parede lateral direita do
corredor se abriu e dela saiu grande n&mero dos guardas roboti+ados que h" milênios
cuidavam da vigilJncia e conserva'(o da fortale+a.
TaQo n(o resistiu. %s rob$s condu+iram0no pelos corredores e galerias
antigravitacionais. Penetraram cada ve+ mais profundamente na terra* at# chegarem ao
recinto em que o c#rebro positr$nico inquiria seus prisioneiros pela forma mais detalhada
e segura- o interrogatrio hipntico.
,em que pudesse fa+er qualquer coisa* a consciência de TaQo se abriu 9 inquiri'(o
da m"quina* dei)ando claro que a &ltima ordem fornecida por Perry Rhodan n(o poderia
ser cumprida mais* pois do contr"rio ele mesmo correria s#rio perigo.
Por ora o c#rebro positr$nico assumiu seu autocomando e fe+ aquilo que achava
mais acertado.
Em receptor de telecomunica'(o da ,tardust0HHH deu sinal e anunciou-
— %s campos energ#ticos ficar(o abertos das cento e setenta e três horas e +ero
minutos at# as cento e setenta e três horas e de+ minutos. Penetrem nesse intervalo.
Rhodan preparou a nave.
G G G
,entado na parte mais elevada da copa de uma gigantesca "rvore* o capit(o 18ubol
observava a ,tardust0HHH. %utro homem estava sentado ao seu lado.
% general TomisenQoR* cu8a cabe'a apresentava um enorme galo e +umbia
terrivelmente* esperava mais embai)o e* de tempos em tempos* perguntava o que havia
para ver.
% quarto homem da equipe* um t#cnico em eletr$nica* se equilibrava nos destro'os
da nave* mantidos em posi'(o inclinada por três galhos fortes* procurando descobrir se os
mesmos ainda poderiam servir para alguma coisa.
Nra bem verdade que a ,tardust0HHH oferecia um quadro impressionanteI mas depois
de ter esperado meia hora sem que a gigantesca esfera se movesse* 18ubol teve a
impress(o de que estavam desperdi'ando seu tempo.
% t#cnico em eletr$nica teve um resultado mais compensador* embora o mesmo
levasse TomisenQoR 9 beira do desespero.
Conseguiu constatar* fora de qualquer d&vida* que as pe'as mais importantes do
cJmbio haviam sido danificadas a ponto tal que sem o conhecimento da estranha
tecnologia 8amais lhe seria possível voltar a utili+"0lo.
— Pois retire ao menos o canh(o com que 18ubol atirou h" pouco — resmungou
TomisenQoR.
— Hsso n(o adiantaria nada* general — respondeu o t#cnico. — Todos os
componentes do veículo* inclusive as armas* s(o alimentados por um gerador* e #
8ustamente este que sofreu as piores avarias.
TomisenQoR n(o acreditou enquanto o t#cnico n(o lhe mostrou as pe'as do veículo
e lhe e)plicou como estavam danificadas* e como ningu#m poderia ter a menor id#ia dos
princípios em que se baseava a tecnologia daqueles seres estranhos.
, ent(o TomisenQoR reconheceu que tamb#m perdera esse round do 8ogo* um
round em que 8ogara e)tremamente alto.
Compreendeu que* dali em diante* ele e seus homens teriam de viver em pa+ com
aquele mundo. Teriam de encontrar um meio de se adaptar 9s condi'/es reinantes em
6ênus* ou n(o viveriam sequer o bastante para que uma e)pedi'(o pudesse vir em seu
socorro.
— 18ubol des'a daí3 — gritou TomisenQoR.
A ordem foi prontamente e)ecutada pelo capit(o. Nstava contente de poder
abandonar aquele posto tedioso.
Ainda n(o havia descido dois metros quando a ,tardust0HHH come'ou a se mover*
deslocando0se numa velocidade consider"vel em dire'(o a uma cordilheira que se via no
hori+onte. Fas 18ubol n(o a via mais.
— Nsse veículo est" imprest"vel — disse TomisenQoR com um gesto de despre+o*
depois de ter reunido seus homens no ch(o da selva. — Teremos de caminhar at# o
acampamento. ,er" duroI mas ns havemos de conseguir o que 8" pude fa+er so+inho.
18ubol* pegue a b&ssola e v" na frente. Por enquanto a regra mais importante # esta-
ficarmos bem 8untos e n(o tocar em nada que n(o se8a necess"rio. 6amos3
Ko início as coisas nem pareciam t(o ruins. A vegeta'(o era muito densa* e por
ve+es certos animais que passavam sobre seus p#s causavam0lhes calafrios. Fas foram
avan'ando* e n(o muito devagar.
, quando o sol come'ou a descer sobre o hori+onte se lembraram de que a noite
que se apro)imava duraria cinco dias da contagem de tempo terrena. Passariam cento e
vinte horas na escurid(o da selva.
Continuando a refletir* chegaram 9 conclus(o de que dali em diante nunca mais
seria diferente. K(o dispunham de naves nas quais pudessem sair daquele planeta. Teriam
de viver para sempre em 6ênus.
Por algumas horas n(o disseram nadaI cada um seguia a trilha de seus pensamentos
melanclicos.
Fas logo dois daqueles animais em forma de urso come'aram a se ocupar com eles.
18ubol foi o primeiro a not"0los* e TomisenQoR deu instru'/es sobre o comportamento
que deveriam adotar. Nsconderam0se e* quando aqueles animais dotados de inteligência
medíocre puseram0se a procur"0los* mataram0nos com granadas disparadas dos fu+is.
Prosseguiram em sua marcha.
Ainda teriam de lutar v"rias ve+es antes de chegarem ao acampamento. 5e repente
a coragem voltou* e tamb#m o orgulho entusi"stico de poderem mostrar 9quele mundo
que havia chegado algu#m que era mais poderoso que a selva com seus s"urios de
milhares de toneladas* seus ursos0lagartos e toda a gama de vermes no8entos e raste8antes.
7osse qual fosse o deus em que acreditavam* fosse qual fosse a ideologia
implantada em seus c#rebros* fossem quais fossem as in8usti'as que praticavam entre si*
eram homens.
Pertenciam 9 ra'a mais ativa* arro8ada e orgulhosa da gal")ia.
N continuariam vivos* n(o todos* mas um n&mero suficiente para que o fio n(o se
rompesse.
G G G
% c#rebro positr$nico interpretou o trecho da rbita de Peregrino e deu a entender
que o problema seria solucionado nas pr)imas duas horas.
Fais um dia* e a rbita total do planeta Peregrino n(o seria mais mist#rio.
Pela primeira ve+ desde que o conheciam* os homens notaram a sensa'(o de alívio
que se espelhava no rosto de Rhodan.
Nle manteve uma palestra com o coronel 7reyt* que se encontrava em Lal")ia* a
capital da Terceira Potência. 7reyt se mostrou muito satisfeito quando soube que* dentro
de poucas horas* Rhodan e a ,tardust0HHH regressariam 9 Terra.
— K(o sei se compreende* mas aos poucos... come'o a n(o ser entendido por meus
homens — confessou. — !uerem que eu fa'a alguma coisa contra as tendências
e)pansionistas do .loco %riental* mas eu... eu...
Rhodan acenou com a cabe'a.
— Poremos tudo em ordem. K(o se preocupe. Fas fique de boca caladaI n(o diga a
ningu#m que estamos para chegar. Nntendido2
Reginald .ell* que acompanhara a palestra* entendia muito pouco do que estava
sendo feito. Nnquanto o c#rebro positr$nico estava ocupado no c"lculo da rbita do
planeta Peregrino* Rhodan forneceu a e)plica'(o-
— !uando saímos da Terra* n(o sabia quando regressaríamos. 7i+ do coronel 7reyt
o meu representante. Fas ser" que o conhecia bastante bem2 !uem me garantiria que n(o
se aproveitaria da primeira oportunidade para usar o poderio imenso que tinha ao seu
dispor para fa+er alguma tolice2 Tive que tomar minhas precau'/es. 7reyt ficou
submetido a um bloqueio hipntico que o impede de interferir na política terrena. Al#m
disso* dei)ei mutantes em Lal")ia* que e)erceram certa vigilJncia sobre 7reyt* cuidando
para que n(o fi+esse bobagens. Conforme vemos ho8e* a id#ia do bloqueio hipntico teve
sua origem num erro de c"lculo da minha parte. Nm outras palavras* minha opini(o sobre
o desenvolvimento da política terrena foi muito simplista. Acreditei que reinasse uma
situa'(o de ra+o"vel estabilidade. K(o calculava com a possibilidade de que algu#m
ainda poderia ter interesse* muito menos que poderia conseguir* p$r uma pedra no
caminho da uni(o.
,acudiu os ombros.
— ,e n(o fosse assim* as ordens transmitidas a 7reyt evidentemente teriam sido
outras. 5a forma como agora se encontra na base de Lobi* n(o poderia fa+er outra coisa
sen(o se defender de um ataque contra a mesma. At# agora n(o houve nada disso. Fas*
quanto ao mais* ficou de m(os amarradas.
— 6ocê n(o deve se recriminar por isso — disse .ell. — Kingu#m poderia prever
que nossa viagem duraria quatro anos e meio.
Rhodan sacudiu a cabe'a.
— Poderia* sim. !uem se acha investido das minhas responsabilidades deve incluir
em seus c"lculos at# mesmo as possibilidades mais remotas.
Passou a outro tema.
— Aqui na fortale+a tivemos de enfrentar o mesmo problema. 7ui cauteloso demais*
e* al#m disso* nunca imaginei a possibilidade de que* em qualquer tempo* outros homens
que n(o ns fossem pousar em 6ênus. % c#rebro reagiu pela forma que eu lhe prescrevi-
dei)ou os homens em pa+* eram os homens de TomisenQoR* e* se n(o tiv#ssemos
aparecido em tempo* provavelmente a fortale+a 8" teria sido ocupada por eles. Ko
momento em que TomisenQoR disparou seus foguetes contra ns* o c#rebro registrou
acontecimentos e)traordin"rios e inquietantes e se bloqueou tamb#m contra ns.
Fodifiquei tudo isso. Ko futuro* assim que você* eu ou alguma das outras pessoas que
ainda selecionarei irradiar um sinal em cdigo* o c#rebro positr$nico abrir" as portas* por
mais crítica que se8a a situa'(o.
— %brigado — respondeu .ell.
— Por quê2 — indagou Rhodan* perple)o.
— Pela confian'a depositada em mim.
— %ra* cale a...
% c#rebro positr$nico fe+ soar um sinal.
— .s "ál"ulos serão "on"lu/dos dentro de "inq-enta minutos — anunciou uma vo+
met"lica.
.ell se levantou.
— % que faremos agora2
,ubitamente o rosto de Rhodan assumiu uma e)press(o dura.
— Acho que 8" tivemos muita paciência — disse bai)inho* mas com um tom
amea'ador na vo+. — ,e os homens que habitam a Terra n(o quiserem se unir* ter(o de
ser obrigados. K(o podemos operar no universo com a inseguran'a representada pela
desuni(o terrena 9s nossas costas. Temos de limpar a mesa. N come'aremos com os
perturbadores da ordem. Ws ve+es ainda surge um sinal.
Fal Rhodan acabou de pronunciar estas palavras* um vulc(o come'ou seu trabalho
terrível no oeste. ,ob a press(o tremenda desencadeada pelas for'as aprisionadas no
interior do planeta* uma lava amarela e incandescente subiu numa coluna de centenas de
metros e envolveu a paisagem semi0obscurecida numa lu+ irreal.
— At# parece um símbolo — murmurou .ell.
G G G
A #reve perman0n"ia em Peregrino, o planeta da
imortalidade, "ustou a Perry Rhodan e sua equipe quase quatro
anos e meio de tempo terreno$ Por isso era "ompreens/vel que as
pot0n"ias da Terra, que 1á não "ontavam "om seu regresso,
ini"iassem seu velho 1ogo$
'as Perry Rhodan estraga a esta$ A 2uerra At3mi"a que
não 4ouve, 5 este o t/tulo do pr,ximo volume da s5rie Perry
Rhodan$

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