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Transcrição na íntegra, da entrevista com o Prof.

Severino Celestino da Silva* no Programa Transição
veiculado na redetv em sob o título A Bíblia e o Espiritismo sob nº 39 disponível em
www.programatransicao.tv.br

Apresentadora Del Mar Franco (DMF): Olá, começa agora o Programa Transição a visão espírita para
um novo tempo. Hoje contamos aqui com a presença de uma pessoa que é muito querida de longos anos,
trazendo um tema intrigante e pouco estudado pela maioria das pessoas. O tema é A Bíblia e o
Espiritismo. Nosso querido convidado é Severino Celestino. Obrigada pela sua presença, Severino.

Prof. Severino Celestino (SC): Eu é que agradeço, Dra. Del Mar pela oportunidade e pela felicidade de
estarmos nos reencontrando num momento tão importante na minha vida, e com certeza da nossa vida,
porque falar da Bíblia, falar da Doutrina Espírita, para mim é algo que enternece, engrandece, porque a
Bíblia ainda é muito mal compreendida e, sobretudo, não só pelos espíritas, como pelos não espíritas que
a interpretam a seu bel prazer com um português..., uma tradução incorreta, daí fazendo uma
interpretação literal, pessoal e unilateral. Então, vamos conversar um pouquinho sobre isso, na medida do
que a gente puder auxiliar, para quebrar alguns tabus e algumas questões nesse sentido.

DMF: Eu começo, Celestino, perguntando. Há mais de quarenta anos você estuda a Bíblia. Existe alguma
condenação do espiritismo, na Bíblia ?

SC: É interessante, porque eu comecei, como seminarista. Eu ia fazer o colégio sul-brasileiro em Roma,
que era um curso muito solicitado, muito desejado, por todo seminarista daquela época, e eu não fazia,
naquela época, exceção. Mas como uma das questões que mais me intrigou, na minha vida pessoal, foi
depois que me tornei espírita, e as pessoas vinham me dizer que a Bíblia condenava o espiritismo e,
sobretudo, utilizando o Deuteronômio 18. Então eu fui fazer uma avaliação. Estudei hebraico - já tinha
noções de grego e latim do seminário - aprofundei. Então fui buscar os textos originais e graças a Deus,
eu não encontrei absolutamente nada na Bíblia que seja contrário ao espiritismo. Pelo contrário, elas se
completam. Aqui eu faço questão de citar o nosso querido Emmanuel e também o Evangelho Segundo o
Espiritismo que diz assim: "Moisés iniciou a obra, Jesus continuou e a Doutrina Espírita, com certeza a
arrematará ". Então é nesse sentido que as observações, tanto do Espírito de Verdade, quanto do próprio
Emmanuel, dizendo que a Bíblia é um repositório de símbolos que só os grandes mestres de sua raça
conseguem interpretá-lo fielmente os textos originais. Ou seja, o próprio Emmanuel declara que ele não
tinha o conhecimento profundo do que tem lá na Bíblia. Eu acho isso fantástico, porque o Livro dos
Espíritos fala que os espíritos não sabem tudo. Todos eles tem seus limites. Emmanuel, considerado o
apóstolo da Doutrina, faz uma observação dessas. E aí a questão da condenação é que me chamava mais a
atenção. Eu fui ao Deuteronômio 18, traduzi todo o Deuteronômio 18, todo do hebraico e eu descobri,
primeiro que o Deuteronômio é um livro judaico não pode reger uma doutrina Cristã que o ensino é
cristão. O Deuteronômio foi escrito para o povo hebreu, não foi escrito para os espíritas há 4000 anos
atrás. Então, a Bíblia não poderia condenar uma doutrina que nem existia. Mesmo porque a Bíblia não
tem religião nenhuma. Do Gênesis ao Apocalipse tem um código moral para ser seguido, não tem
absolutamente nenhuma religião. Se o espiritismo estivesse lá seria até um privilégio nosso. Mas não tem
absolutamente nada que se refira à Doutrina. O que sim existe lá, é a palavra 'metin' que Moisés usa
'vedorêsh el-hametin" significa 'que não exija a presença de cadáveres' no sentido de morto. Moisés não
fala na palavra 'nefesh', nem 'neshamar' que é o que significa espiritual ou 'ruah' em hebraico. Ele fala em
cadáveres. Porque naquela época havia um conceito pelo povo daquela época pelo politeísmo, pela
idolatria, do povo hebreu ir consultar os cadáveres; ia à tumba dos seus entes queridos para que eles
respondessem às dúvidas que lhe eram peculiares e pessoais, portanto, o espiritismo tem todo o respeito
pela Bíblia, mas o Deuteronômio, jamais poderia reger a Doutrina Espírita, porque ele é um livro judaico,
não é um livro cristão.

DMF: Então como você entende a condenação das religiões com relação ao espiritismo ?

SC: Eu entendo como desconhecimento. Você sabe que o preconceito é que gera... a ausência de conceito
é que gera o preconceito e por não conhecer o espiritismo eles utilizam as suas traduções, quase sempre
incorretas...Eu tenho 22 bíblias em português e todas elas com traduções diferentes, para o mesmo
versículo.
Se você pegar o Salmo 19 versículo 8 (7 ?) você vai encontra umas Bíblias dizendo assim: "A lei do
Senhor é perfeita, refrigera a alma", outra Bíblia diz, para o mesmo salmo, "A lei do Senhor é perfeita,
reconforta a alma", outra diz "A lei do Senhor é perfeita, restaura a alma" para o mesmo versículo, aí
você pega a Bíblia de Jerusalém que reputo como a Bíblia mais coerente, com uma tradução séria, bem
aceitável, ela diz, "O ensinamento de IAVÉ, é perfeito e que faz a vida voltar " e a tradução ecumênica
diz, "A lei do Senhor é perfeito porque promove o retorno do espírito". Então você analisa que houve
uma tendência nas traduções porque o espírito retorna reencarnando e como é um salmo que poderá ser
entendido como reencarnação, e como as pessoas querem esconder isso, então eles tem traduções
completamente diferentes. Então nas Bíblias que existem em português, muitos tradutores colocam suas
concepções pessoais e aí acabam condenando o que desconhecem.
Eu cito como exemplo a Bíblia de nossos irmãos Testemunhas de Jeová.. É uma Bíblia que é uma
tradução inglesa do Novo Mundo e eles colocam lá, no Deuteronômio 18: “Aquele que consulta um
médium espírita..” É um texto que no original não tem nem a palavra médium. A palavra espírita e
espiritismo não existe nem no dicionário de hebraico, grego e latim porque foi uma criação de Allan
Kardec. Então não poderia estar na Bíblia, muito menos nos textos originais. Infelizmente as pessoas
usam, às vezes, desse artifício e muitas vezes, muitas pessoas bem intencionadas pegam aquela Bíblia e
pensam que está condenando a Doutrina Espírita e na verdade, no original, não existe absolutamente
nada.
E eu até brinco: - você sabe que a reencarnação é misericórdia divina ? E quem colocou aquilo ali,
aquelas palavras, ali, médium e espiritismo no Deuteronômio 18 nas escrituras de nossos irmãos do Novo
Mundo, vai ter que reencarnar para tirar, porque não existe no original.

DMF: - Por uma questão até de estar reiterando, por uma questão até de tempo, a palavra não tinha sido
cunhada, a palavra não existia.

SC: Você pega o livro dos Espíritos e está escrito lá: “...para ciências novas, termos novos, palavras
novas” e as palavras, médium, espírita e espiritismo foram criadas por Allan Kardec então não poderiam
estar no texto original do texto do Deuteronômio 18 que não nem de origem cristã, como eu disse, é
judaico.

DMF: - Como é que é sua trajetória de estudos, de seminarista como você disse, como é que foi seu
encontro com o espiritismo ?

SC: Foi pela dor, como a maioria das pessoas, era muito..Até conhecer o espiritismo era
muito....preconceituoso e fui chamado pela dor, pela faculdade mediúnica. Eu passei a ser assediado por
entidades e a medicina não curou, porque..., nessa época eu fazia mestrado na USP e eu já era uma pessoa
cientificamente esclarecida, e aí, a dor, vamos dizer assim, o processo obsessivo que me envolveu, quem
me respondeu, quem resolveu foi a Doutrina Espírita. Então pela dor eu fui chamado para a Doutrina e
depois que eu descobri que o espiritismo era uma verdade...;depois que eu descobri que a mediunidade
não faz parte nem de religião...Faz parte do homem, onde existe o homem, está a mediunidade. Aliás, nós
temos médiuns no catolicismo, no protestantismo, no espiritismo... A vantagem para quem é espírita é
porque a mediunidade é bem mais esclarecida, bem estudada e bem mais explicada. A gente administra
mais os processos fisiológicos humanos, que é a mediunidade.

DMF: - Você disse que foi pela dor, de uma maneira mais geral, mas, especificamente foi como ? Que é
que aconteceu ? o que é que você sentia ? aonde foi ? o que é que aconteceu ?

SC: Eu desde menino já via entidades, em criança, minha avó faleceu e estava vindo para minha casa
todo dia e eu via e eu falava e minha mãe não aceitava e as pessoas zombavam de mim e eu acabei não
dizendo mais nada porque aquilo passou a ser tão comum pra mim, que eu via.... As pessoas não viam e
ignoravam e eu também ficava quieto.
Quando meu pai faleceu, ele veio me dizer que havia falecido. Chegou assim à minha frente, como você
está aí e eu aqui. Eu encarei como normal, aquilo não afetava em absolutamente nada. Mas aqui em São
Paulo foi sério. Eu cheguei em frente daquele edifício que havia incendiado, o Joelma, e comecei a passar
mal, a partir daí esse processo foi se agravando e eu procurei médicos e não teve jeito...

DMF ...e diante dos exames ...

SC: ...todos normais, os médicos, já diziam assim: Você não tem nada. Me passavam ansiolíticos, anti-
distônicos, cheguei a tomar o Valium 10, e não conseguia dormir. O efeito era contrário. Eu comecei, a
partir daí a ouvir vozes, e essas vozes me diziam que eu pulasse do terceiro andar de onde eu morava e eu
ia ficar bom. Eu me apavorei, procurei a Igreja. Foi um processo dolorosíssimo em minha vida e eu não
podia evitar aquilo. E cheguei à grande verdade. As pessoas diziam assim: - Não procurem falar com os
espíritos. Eu nunca procurei. Eles sempre procuraram por mim. E ninguém pode ser culpado por alguém
que lhe procura. São entidades, que na verdade, vêm pedir ajuda.
Esse processo foi se agravando, se agravando e até quem resolveu a situação foi a minha esposa, que é
médium, e ela, através de meu pai, que ela recebeu. Então ele veio... minha esposa não conhecia meu pai,
não conheceu...Quando nós casamos ele já havia falecido havia oito anos, e através dele, dela, ele veio
me dizer o que é que estava acontecendo. Então eu procurei a Doutrina Espírita e a partir daí, Graças a
Deus, eu cheguei à conclusão que eu tinha duas opções: ou assumia a minha faculdade mediúnica,
encarando a mensagem divina, porque Jesus está em todo o canto, e onde a gente encontra mais Jesus, em
termo de doutrina, é nas obras o Evangelho segundo o Espiritismo, no Livro dos Espíritos e na própria
Bíblia. Então eu descobri que eu tinha duas opções: ou eu aceita isso, encarava de frente, ou então eu ia
viver à custa de remédios em algum sanatório psiquiátrico. E como eu não sou lá muito burro, eu fiz a
melhor opção. Acho que fiz a melhor opção e continuo com a Doutrina Espírita até hoje.

DMF: - E você hoje tem uma atividade dentro da Doutrina, fazendo que coisa ?

SC: Eu, hoje, ministro um curso de mediunidade na minha Casa, nas quartas feiras, sou presidente do
Grupo Espírita Bom Samaritano, lá em João Pessoa, a quem eu saúdo, todos os meus irmãos, lá na
Paraíba, de João Pessoa, e, na área religiosa, fundei na Universidade Federal da Paraíba, juntamente com
mais três professores, um curso de Ciência das Religiões. Especialização, mestrado e agora já saiu
licenciatura e vai sair bacharelado. Graduação, pós-graduação e então, trabalhamos para lançar
doutorado. Então nós temos lá, pastores, padres, espíritas, ateus, pessoas de todas as religiões. A nossa
filosofia é essa: Conhecer a religião do outro para lhe respeitar.
Ninguém entra ali para a gente fazer proselitismo, mudar a religião de ninguém. Então as pessoas entram,
começa assim como uma torre de babel, cada brotinho no seu canto, e depois começa um entrosamento e
a gente descobre que antes da religião tem o ser humano, que é uma criação divina, que é uma criação de
Deus que merece o nosso respeito. A religião é secundária, diante do homem. Primeiro é o homem. Jesus
nunca pregou religião.Ele pregou um código moral.
“Primeiro ama o teu próximo como a ti mesmo” e depois vem o caminho que leva a Ele é completamente
pessoal: é você que escolhe. Então, eu me dou muito bem com pastores, com os padres. Aliás, a maioria
dos pastores, alguns, são nossos orientandos nos cursos de mestrados, e tem pastor lá, fazendo uma tese
conosco sobre reencarnação e ressurreição. Quer dizer, a gente descobre, com o tempo que a verdade,
como diz Jesus, em João 8,32, ela liberta o ser humano.

DMF: O que é que te levou a ter interesse pelo Velho Testamento ?

SC: É interessante, como, estudando a Doutrina Espírita, eu descobri, que Allan Kardec, não chama o
Velho Testamento. Ele chama: Primeira Revelação. Chama o Evangelho de Segunda, e a Doutrina, de
terceira.
Os judeus não chamam de Velho Testamento. Chamam de “brit hichom” que é Primeira Aliança,
com Deus. O novo testamento, chamam de “brit hameshá” então, Nova Aliança. O termo Velho
Testamento é inadequado. É até injusto, porque para os judeus ele está atualizadíssimo. E Jesus, como
judeu, no capitulo 5, versículo 17,18,19 do Evangelho de Mateus, ele declara fidelidade à Torah. Torah,
leia-se, Primeira Revelação, que é o termo correto. Torah não é lei como muita gente traduz. Torah é
ensinamento ou revelação divina. Veja como Kardec foi sábio em colocar, Primeira Revelação. Então, à
Primeira Revelação, Jesus se refere a ela, com muito respeito: “Não penseis que eu vim destruir a Torah
nem os profetas”, “Eu não vim destruir, eu vim...aperfeiçoar”. Ele ainda declara em Mateus 5, 18: “Que
não passará um só “iud” da Torah, o iud é a menor letra do alfabeto hebraico. “Não passará um só iud da
Torah, sem que tudo seja cumprido”. Ou seja, tudo que tem na Torah, leia-se Velho Testamento, é
importante para Jesus. E no 5:19: “Ai daquele que alterar um só iud da Torah e assim ensinar os meus
filhos” “Será chamado o menor no reino dos céus”, como aquele que ensinar ou praticar, será o maior.
Veja que coisa interessante, que Jesus tem três versículos no evangelho de Mateus que ele dedica ao
Velho Testamento como uma obra importante. Eu cito na tradução do Gênesis, que é minha terceira obra,
a gente mostra, que logo no Gênesis, tem citação a Jesus. O Messias está lá. No livro do Gênesis, no texto
original, Bereshit.

DMF: - Qual é o nome do seu livro ?

SC: - O primeiro livro que nós temos, o que é a Bíblia.. e espiritismo, é “Analisando as traduções
Bíblicas” é uma obra que já está em 6ª edição já com trinta mil exemplares, a segunda, “Sermão do
Monte”, que é tradução do grego e do hebraico comparados, do sermão de Jesus, capítulos 5,6,7 de
Mateus, e a terceira que falei agora que é “Bereshit”, que é o nome hebraico do Gênesis. São 1534
versículos traduzidos e comentados, diretamente do hebraico para o português, sem nenhum interesse
religioso, mas o interesse de busca da verdade. E ali a gente encontra coisas fantásticas. Portanto, Jesus
nunca foi contra a primeira revelação, Kardec diz que a Bíblia não contém erros e os homens se
equivocam em interpretá-la. Está na questão 59 do Livro dos Espíritos. E o Espírito de Verdade, cita na
questão 275, o Eclesiastes e, na questão 560 ele cita os Salmos. Então Jesus, Espírito de Verdade e
Kardec, não condenam o Velho Testamento. Você, meu querido irmão espírita, se não conhecer, é melhor
você dizer que não gosta, agora não diga que o espiritismo não tem nada com Bíblia. Só tem !
Porque primeira, segunda e terceira, segundo diz Emmanuel, cada uma, revelação, veio a seu
tempo, para pessoas específicas, compatíveis com aquela época.

DMF: - Severino, você esteve na Palestina, e muitas pessoas – eu já vi você em algumas apresentações –
muitas perguntas que sempre lhe fazem é: Qual foi a emoção de caminhar, onde Jesus caminhou ?
SC: - É indescritível ! Eu, como médium que tem muita sensibilidade - e eu tenho uma afeição muito
grande por Jesus - a história dele sempre me fascina. Me emociona quando eu falo.
Eu estive numa cidade da Galiléia, chamada Cafarnaum e ali eu tive um encontro espiritual com
Jesus que foi assim uma coisa assim impressionante. Eu, às vezes, não gosto nem assim de dizer, que as
pessoas podem pensar que estou extrapolando meus sentimentos. Foi uma visão impressionante. Eu
cheguei no dia 25 de setembro ainda eu me lembro, foi em Cafarnaum, eu não fui de excursão, fui
praticamente só. Eu, minha mulher e o meu filho e alí nas ruínas, que se chamam as ruínas da casa de
Pedro eu comecei a procurar. Eu senti algo diferente quando eu entrei ali. Primeiro eu procurei uma
estrada de terra no sentido de Magdala e eu não encontrei. Fiquei até decepcionado. –Cadê a estrada que
não está aqui ? E quando eu entrei em Cafarnaum, a estátua de Pedro, ali, muito bonita, eu comecei a
sentir alguma coisa. Aí me vem toda uma história de um paralítico que colocaram por cima do teto na
casa de Pedro, porque ele não conseguia... muita gente em busca de Jesus. E quanto eu estou naquela
reflexão, eu tive uma espécie de regressão no tempo e agora eu via a estradinha de terra. A estrada estava
cheia de pessoas. E no meio dela, de costas, não vi o rosto, me parece que era Jesus. Me deu um misto...
de tristeza... e alegria, como se eu tivesse perdido algo importante... que eu não valorizei, o quanto
deveria valorizar. A sensação de alguém que perde uma excursão muito importante e não teve a
oportunidade de chegar a tempo. Mas eu tenho uma voz que me fala: “Nunca é tarde para recomeçar” E
eu creio, Del Mar, que de 25 de setembro de 2000 para cá ,minha vida foi outra. Até o dia 25 eu tive uma,
do dia 25 para cá eu tive outra. Porque a certeza eu tenho hoje que eu vivi ali, e que eu fui indiferente a
Jesus. Eu devo ter cruzado com Ele, por ali naquelas regiões, Cafarnaum, Tiberíades e Magdala que fica
no meio ali às margens do mar da Galiléia...Vejo Ele por ter cruzado e fui indiferente...Talvez seja por
isso que eu hoje, busco tanto Jesus, com tanta sêde. Para mim, todo o tempo que eu tiver para Ele, é
pouco.
E este ano, se Deus quiser, nós estaremos realizando uma excursão... Não é totalmente uma
excursão. Nós vamos com uma equipe de pesquisa, mais uma vez, porque eu estou lançando mais uma
obra, nós vamos com a TV Mundo Maior, toda a equipe, eu, o Dr. Adão Nonato e nós convidamos você
que queira estar conosco. Você entra em contato com a rwturismo@rwturismo.com.br e aí você tem
todas as informações. Nós vamos sair do Egito, atravessar o Mar Vermelho, Deserto do Sinai, Cavernas
de Quram ali no Mar Morto, ali perto de Jericó e vamos até a alta Galiléia. Vamos fazer o caminho de
Moisés e os caminhos de Jesus, unindo os dois. E você, caro irmão telespectador, é nosso convidado.
Entre em contato pelo email e você terá condições de estar conosco, numa viagem que creio que será a
viagem mais importante de sua vida. Para mim é sempre importante ver Israel. É sempre uma alegria
redobrada.

DMF: - Severino, me fale a respeito da palavra Bíblia. O que é que ela significa ?

SC: A palavra Bíblia é uma palavra grega. Vem de byblion que significa livro. E byblos ou Bíblia é o
plural do livro. A Bíblia não é um livro, é uma biblioteca com 72 livros católicos, 66 a Bíblia dos nossos
irmãos protestantes e 39 a Bíblia de nossos irmãos judeus. Então nós temos três. A palavra Torah que
simboliza mais de cinco livros de Moisés que é a revelação divina, com os dez mandamentos, e Kardec
quando faz a obra “O evangelho segundo o Espiritismo” ele escolhe o primeiro capítulo “Não vim
destruir a Lei” Então ele fala sobre todos os dez mandamentos e ainda coloca mais um capítulo, o XIV
que é “Honrar pai e mãe” que também é do Velho Testamento, então Kardec, também não fez essa
distinção e ele utilizou muito bem e ele citou Jó, Isaias, e todos profetas, que Emmanuel diz, que a
despeito da feição esfingética que a mensagem da primeira revelação, mas os ensinamentos dos profetas,
são clarões de luz em nossas vidas, assim usa o nosso querido Emmanuel na obra, “A caminho da luz”.

DMF: - Severino, qual é a diferença entre a visão judaica e a visão cristã da Bíblia ?
SC: A visão judaica é que eles só seguem os trinta e nove livros do Velho Testamento, começando com
Gênesis, que é o Bereshit e terminando em Malaquias que é o último profeta. Ele [o judeu] não tem o
Novo Testamento. Ele só tem a Torah que eles chamam Torah, Neviim e Ketuvim, quer dizer, Torah, os
profetas e os escritos. A palavra “navi” em hebraico é intermediário entre os dois planos. É o que o grego
chamou de profeta e Kardec chamou de médium. Mas o profeta de ontem, navi dos hebreus e o profeta
dos gregos é o mesmo médium que nós conhecemos na Doutrina Espírita.

DMF: - E porque Jesus falava por parábolas ?

SC: Jesus foi um dos maiores professores de todos os tempos. A parábola... o que é a parábola. Vem do
hebraico mashal e do grego “parabolé” “ao lado de”... é uma história. Jesus era um grande contador de
histórias. Foi quem contou mais histórias. E a história, ela enaltece.
A história, chama a atenção. É uma forma de ensinar, atraindo as pessoas. E Jesus ensinava com tanta
maestria, que nas histórias dele, nas parábolas que ele contava, tinha tanta riqueza, que impressionava as
pessoas. Você vê... a criação psicológica, você que é psicóloga, uma grande psicóloga, o que é que era a
parábola do bom samaritano ? Quando Jesus diz assim: “Um homem descia de Jerusalém a Jericó”,
queria dizer que ao homem hebraico descer e subir é uma diferença muito grande. Subir em hebraico é
aliyah e aliyah significa subir para Deus. Quer dizer que o homem descia e foi atacado por ladrões porque
se ele fosse subir, nada teria acontecido. Esta é a primeira mensagem que Jesus coloca nesta parábola.
Quer dizer, quem caminha para Deus, não se perde. Porque está praticando o que chamam aliyah. A
Torah judaica fica numa superfície alta, que quem sobe “aliyah Torah” está subindo para Deus. Então
Jesus já diz: Um homem descia de Jerusalém a Jericó quando foi atacado por ladrões, simbolizando que
toda vez que a gente se afasta de Deus, a gente é passível de que aconteça alguma coisa que não é boa
conosco. Que a gente deve sempre subir para Deus e nunca descer. Por isso é que aquele homem foi
atacado. E vai por aí. Aí ele usa o samaritano que era um homem discriminado, como símbolo do amor e
da solidariedade... Então, todas as parábolas de Jesus eram assimiláveis... e transcendentes.
E até hoje são atualizadíssimas. Serviu para o pessoal daquela época, está servindo para nós e daqui a
milhões de encarnações nós estaremos nos servindo. Eu estou preparando uma obra, se Deus quiser...será
a próxima à que vou lançar este ano, que será “As parábolas de Jesus”. Uma avaliação judaico-cristã.
Histórica, psicológica, com toda uma transcendência que ela tem, mostrando o que Jesus disse para
aquela época e o que Jesus disse para hoje. Porque, se o tempo me der, eu gostaria de dizer, que na hora
que você abre a Bíblia, você pega um versículo, não leia este versículo e adapte imediatamente a você.
Procure saber, aquele versículo, quando foi escrito, para quem foi escrito, e porque foi escrito. Senão,
você não vai separar o ontem, do hoje.
Por exemplo, o Deuteronômio 18: Todo mundo diz que é contra o espiritismo. E foi escrito para quem ?
Para o povo hebreu. Onde ? na planície do Sinai. Por quê ? Porque eles eram politeístas; porque eles eram
idólatras. E o que é que os espíritas têm a ver com isso ? Absolutamente nada. Moisés não escreveu
nenhuma linha para os espíritas. Seria muita pretensão minha, sua, nossa, dizer que Moisés escreveu
alguma coisa para a gente. Escreveu um código moral para a humanidade. E isso é que é importante. E
que a gente possa seguir e que com certeza a gente se libertará de qualquer dificuldade.

DMF: - Severino, eu gostaria de falar aqui por horas, com você, mas eu gostaria, agora, que o programa
vai chegando ao seu final, que você, deixasse uma mensagem para quem está te vendo e ouvindo:

SC: Você meu caro irmão, protestante, católico, espírita, não importa a sua religião...Judeu, que eu tenho
muitos amigos judeus. Você busque a verdade. Siga a Jesus. Busque a verdade que ela, com certeza, o
libertará. Nunca julgue o seu irmão pela religião dele. Busque o que ele tem de bom dentro de si, porque
ele é uma criatura de Deus. TODOS NÓS – está lá no Gênesis – fomos criados à imagem e semelhança
de Deus... EM ESPÍRITO ! porque todos nós temos alguma coisa de bom dentro de nós. E você tem !
Procure de bom o que você tem, no seu irmão, que, com certeza, você encontrará. Além do que é bom,
você encontrará Deus, encontrará Jesus e encontrará a sua própria paz. Muito obrigado e fiquem com Ele.

DMF: Assim, o Programa Transição vai chegando ao seu final. Espero que você se sinta estimulada,
estimulado ao estudo. Estudar a Bíblia em profundidade, estudar os livros, fazer esse contato mais
próximo com a tua essência, enfim, fazer as transições necessárias rumo à evolução que é a lei do
progresso e envolve a todos nós.
Até a próxima, com um novo Transição, a Visão Espírita para um novo Tempo.

*
Dados biográficos e informações
da orelha do livro "Analisando as Traduções Bíblicas” 6ª Idéia Editora Ltda

Severino Celestino da Silva nasceu na cidade de Alagoa Grande, estado da Paraíba, em 1949. É
professor do Curso de Pós-Graduação em Ciências das Religiões, no Curso de Sociologia, da UFPB.Ex-
seminarista, pesquisador, é estudiodo do hebraico e das religiões, prinpalmente do Judaísmo, base de
todas as religiões cristãs. Nunca deixou de estudar a Bíblia, buscando sua essência e conteúdo divino em
sua língua original: o hebraico. Apresenta aqui, a história das “Traduções Bíblicas” e o que tem ocorrido
com os textos sagrados, desde a época de Moisés até o presente, levando você a refletir sogbre as
palavras de São Jerônimo? “ a verdade não pode existir em coisas que divergem”. Utiliza conceitos do
Talmude, do Midrash e dos Rabinos com relação à Bíblia (Torá).
É formado em Odontologia e possui curso de especialização em Periodontia, mestrado em
Clínicas Odontológicas pela USP e doutrorado em Odontologia Preventiva e Social pela Fundação de
Ensino Superior de Pernambuco (FESP). É professor de ensino superior no curso de Odontologia da
Universidade Federal da Paraíba há 28 anos.
O autor é espírita há 26 anos, defendendo o Espiritismo à luz da Bíblia, como demonstra neste
trabalho que dedica àqueles que, não possuindo sectarismo religioso, buscam a verdade que liberta.
Realizou essa obra com o máximo de respeito possível a todo e qualquer princípio religioso. Procurou,
sobretudo, mostrar que a “Doutrina Espírita” possui coerência com os textos sagrados e bases espirituais
nos escritos de Moisés, dos profetas, de David e do próprio Cristo. “Analisando as Traduções Bíblicas”
apresente um Deus amor, misericordioso e infinitamente justo e bom. Demonstra ainda, “um inferno cada
vez mais distante e inexistente”, bem como “um satanáz de criação puramente humana”, levando você a
meditar sobre novos conceitos, que conduzirão todos à tão sonhada paz e a libertação espiritual.

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“A Torah tem sua própria terminologia complexa e um único conjunto de regras e linhas mestras pelas
quais pode-se interpretá-la. Uma tradução direta pode facilmente levar a uma distorção, mau
entendimento e até a negação da unidade de Deus “ (Rebe de Lubavitch)

“Não é possível entender a Cabaláh sem acreditar na eternidade da alma e suas reencarnações” (Rabino
Arieh Kaplan)

“Perante o livre-arbítrio, desvanecem-se as desculpas, justificativas e pretestos que têm o intuito de
liberar-nos das nossas responsabilidade” (Rabino Moshe Grylak)
“O espiritismo é a chave com o auxílio do qual tudo se explica de modo fácil”
(Evangelho Segundo o Espiritismo)

Links
www.programatransicao.tv.br
http://duplavista.com.br/arquivo/programa-transicao-visao-espirita-28-jun-a-biblia-e-o-espiritismo