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ANÁLISE CRÍTICA AO MODELO DE AUTO-AVALIAÇÃO
DAS BIBLIOTECAS ESCOLARES
Após a leitura e análise do Modelo de Auto-Avaliação das Bibliotecas
Escolares verifico que o se pretende com este modelo é aferir o impacto que a
nossa Biblioteca tem na escola e na aprendizagem dos alunos.

Com esta auto-avaliação podemo-nos questionar:

- Como é a nossa Biblioteca?

- De que forma contribui para o processo de ensino-aprendizagem?

- De que maneira ajudamos os nossos alunos a serem estudantes atentos,
investigadores, precursores de um futuro com sucesso?

- Temos capacidade para reflectir sobre o nosso trabalho?

- Temos coragem para avaliar e verificar se os trabalhos que desenvolvemos
estão a ser eficaz?

- Desenvolvemos parcerias, contactos com os colegas e demais comunidade
para o bom funcionamento da Biblioteca?

- Preocupamo-nos com a quantidade ou com a qualidade?

Desta forma, o modelo é realmente um instrumento pedagógico de melhoria,
porque nos permite avaliar o trabalho realizado e reflectir sobre o que está bem ou
mal e o que pode ser melhorado, uma vez que não constitui um fim, mas uma
hipótese de reflexão, podendo originar mudanças concretas na nossa prática.

Considero muito importante neste modelo, o envolvimento dos órgãos
directivos da escola, assim como o de todos os actores que participam no processo
educativo.

Os conceitos implicados na construção e aplicação deste modelo estão
relacionados com a Missão da BE no contexto da escola, as aprendizagens,
desenvolvimento curricular e sucesso educativo, bem como a melhoria de
prestação de serviços e de qualidade da BE .

O conceito de avaliação no contexto das organizações :

“a systematic measurement of the extent to which a system (for example a library)
has achieved its objectives in a certain period of time” Mackenzie (1990)

“a systematic measurement of the extent to which a system (for example a library)
has achieved its objectives in a certain period of time”. It is also described as a
systematic process of determining “value” (in terms of benefit gained) and
“quality” (as reflected in customers satisfaction) of a system (McKee 1989: 156).

O conceito de Evidence Based Practice e de pesquisa/acção que se traduz na
recolha de evidências, associadas ao trabalho do dia-a-dia.

“”EBP combines professional wisdom, reflective experience, and
understanding of students’ needs with the judicious use of research-
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derived evidence to make decisions about how the school library can best
meet the instructional goals of the school.
In order to accomplish this, school libraries need to systematically collect
evidence that shows how their practices impact student achievement; the
development of deep knowledge and understanding; and the
competencies and skills for thinking, living, and working.
[…] holistic approach to evidence-based practice in school libraries
involves three dimensions: evidence for practice, evidence in practice, and
evidence of practice.
Ross Todd(2008) “the Evidence – Based Manifesto for School Librarians”

Com o modelo actual também se perspectivam práticas de pesquisa acção.
Durante o processo, segundo Markless, Streffield (2006) p.120:

• Identifica-se um problema;
• Recolhem-se evidências;
• Avaliam-se, interpretam-se as evidências recolhidas;
• Procura-se extrair conhecimento que oriente futuras acções e que delineie
caminhos. Centra-se a pesquisa, mais uma vez, no impacto e não nos
imputs.

Os conceitos implicados são importantes e pertinentes para o
desenvolvimento do processo, uma vez que a BE passa a estar mais associada à
relação directa entre imputs e outputs:

“A systems approach means looking at an organization in terms of inputs,
processes, and outputs. For example, inputs refer to the building blocks of
the library program—the staff, resources, information technology systems,
facilities, and budget. Outputs are the services, instruction, and resources
that the program provides to students and faculty. When describing their
programs, librarians frequently focus on the inputs when they should be
promoting the outputs. Decision makers don't care so much about inputs.
They're more interested in the results—what programs provide for
students.
The three main outputs of a library program are instruction, reading
advocacy, and information management. They can be subdivided even
further, for example, into information and technology skills instruction,
reading guidance activities, and information services, facilities, and
collection services.
Processes turn inputs into outputs. They include analysis, decision
making, implementation strategies, planning, managing, and
communication. Formal processes are critical to achieving the ultimate
output—getting students to become effective users of ideas and
information”.
Michael B. Eisemberg with Danielle H Miller– School Library Journal,
9/1/2002 This Man Wants to Change Your Job
Hoje em dia, interessa a qualidade e o impacto positivo que a BE tem nos
valores e conhecimento dos utilizadores, o que é assaz importante já que a BE deve
ser um meio construção de conhecimento e informação.
A estrutura do modelo organiza-se em quatro domínios e nos indicadores
sobre os quais assenta o trabalho da Biblioteca Escolar.
Concordo com esta estrutura, pois é a mesma que tem norteado o trabalho
dos coordenadores das Bibliotecas e as suas equipas.
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Os níveis e respectivos descritores são importantes porque ajudam a
identificar a situação em que a Biblioteca se encontra e a verificar onde é preciso
melhorar. Nesse sentido, creio que a aplicação deste modelo, apesar de não vir a
ser uma tarefa fácil, pode perfeitamente ser viável. Contudo pode haver
constrangimentos , uma vez que exige que a escola esteja preparada para uma
aprendizagem contínua e que haja motivação por parte de todos os seus membros.
Exige também que se perca o medo à “avaliação” que tanto tem atormentado a
cabeça dos professores ultimamente.
Considero bastante positivo neste modelo, o facto de ser um processo que
não constitui um fim, de se poder ir melhorando e a hipótese de ser flexível e
adaptado à escola e ao contexto onde a mesma se insere.

“Flexibility is central to strategic thinking. There are few absolutes in education:
program needs and priorities change from year to year. This year, for example, your
school's focus may be on improving reading scores through coordinated schoolwide
efforts. This would likely call for an increased emphasis on your role as a reading
advocate, while maintaining or perhaps reducing activities related to information
literacy instruction or information management. Next year, however, the school may
focus on integrating technology into classrooms, and the library program will have to
shift its emphasis accordingly. The library advisory committee can play a very useful
role in these decisions, as well as getting the message out to the rest of the school”.

Michael B. Eisemberg with Danielle H Miller – School Library Journal,
9/1/2002 This Man Wants to Change Your Job

É necessário que os órgãos directivos estejam também informados e que
compreendam que este modelo não serve só para avaliar o trabalho da BE e do
Professor Bibliotecário, mas sim o impacto que a mesma tem na escola.

É preciso que os mesmos se consciencializem de que a Biblioteca não existe só
pr existir, porque é bonito ter uma Biblioteca bonita.
A BE, neste contexto, tem que estar patente no Projecto Educativo, Projecto
Curricular de turma, Conselho Pedagógico, Conselhos de Turma, Áreas curriculares
não disciplinares e demais estruturas da escola.
Na escola onde desempenho o meu cargo, penso que não será difícil contactar
com todos os órgãos decisórios e fazer-me ouvir nas diversas estruturas. O trabalho
e a colaboração com todos os docentes e alunos na recolha de evidências, apesar
de não ser de todo uma tarefa fácil, também não é impossível porque o
agrupamento é pequeno e espero contar com a colaboração de todos, como tem
acontecido habitualmente com outros projectos.
Mais difícil será fazer ver que este modelo é um instrumento agregador capaz
de unir a escola e a equipa em torno do valor da BE e do impacto que pode ter nas
aprendizagens, assim como também mostrar que esta avaliação tem pontos de
intersecção com a avaliação da escola.
“What's important is that the gathered evidence highlights how the

librarian plays a crucial role in boosting student achievement, in shaping

important attitudes and values, in contributing to the development of

self-esteem, and in creating a more effective learning environment”.

(Todd, 2003)
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Voltando à importância do Professor Bibliotecário e às suas competências, o PB
tem que estar aberto ao diálogo com os seus pares, tem que ter um papel activo,
prospectivo e sobretudo tem que ter capacidade de liderança e coordenação de
todo o trabalho que a equipa desenvolve.

O professor bibliotecário deve, neste processo, evidenciar as seguintes
competências:

a. Ser um comunicador efectivo no seio da instituição;
b. Ser proactivo;
c. Saber exercer influência junto de professores e do órgão directivo;
d. Ser útil, relevante e considerado pelos outros membros da
comunidade educativa;
e. Ser observador e investigativo;
f. Ser capaz de ver o todo - “the big picture”;
g. Saber estabelecer prioridades;
h. Realizar uma abordagem construtiva aos problemas e à realidade;
i. Ser gestor de serviços de aprendizagem no seio da escola;
j. Saber gerir recursos no sentido lato do termo;
k. Ser promotor dos serviços e dos recursos;
l. Ser tutor, professor e um avaliador de recursos, com o objectivo de
apoiar e contribuir para as aprendizagens;
m. Saber gerir e avaliar de acordo com a missão e objectivos da escola.
n. Saber trabalhar com departamentos e colegas.
Tilke (1999) “The role of the school librarian in providing conditions for
discovery and personal growth in the school library. How will the school
library fulfill this purpose in the next century?”
Todas estas competências mostram-nos como é importante o papel do Professor
Bibliotecário, numa altura em que o mesmo é o elo de ligação entre todas as
estruturas da escola e a Biblioteca.

“ Let's take a more in-depth look at these roles. First and foremost,
today's school librarian is a teacher, primarily of information literacy. But
the school librarian also partners with classroom teachers. Information
Power describes this dual role: as a teacher, the school librarian
"collaborates with students and other members of the learning community
to analyze learning and information needs, locate and use resources that
will meet those needs, and to understand and communicate the
information the resources provide." As a partner, the school librarian
"joins with teachers and others to identify links across student
information needs, curricular content, learning outcomes, and a wide
variety of print, nonprint, and electronic information resources.”

Michael B. Eisemberg with Danielle H Miller – School Library Journal,
9/1/2002 This Man Wants to Change Your Job
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Para que todas estas competências sejam observadas e aplicadas é
necessário que o Professor Bibliotecário tenha tempo para pôr em prática todo esse
processo.

A afectação de um Professor Bibliotecário a tempo inteiro vai facilitar
essa tarefa, no entanto para o Professor que só está metade do tempo, essa tarefa
será mais difícil, porque o professor tem todo o trabalho pedagógico inerente às
suas funções lectivas, o que lhe rouba muito tempo e além disso a sua atenção não
pode estar só focada na Biblioteca.

Em termos práticos, poderá haver dificuldades na aplicação do modelo porque a
Professora Bibliotecária não está a tempo inteiro e tem uma grande carga lectiva,
os membros da equipa têm poucas horas de Biblioteca e a maior parte não tem
nenhuma formação em BE.

No que se refere à Literacia de Informação, o Professor Bibliotecário terá que ter
conhecimentos e formação adequada na área das TIC para pôr em prática
determinadas actividades, bem como alguns membros da equipa.

É necessário também que o espaço esteja bem apetrechado com o material
adequado.

E para finalizar a minha reflexão, termino com uma citação do texto de Ross Todd,
que, quanto a mim, resume todo o papel do novo Professor Bibliotecário e os
desafios que lhe são propostos pelo actual Modelo de Auto-Avaliação e que todos
gostaríamos de poder alcançar:

“At a fundamental level then, the instructional role of the school librarian,
in proactively engaging with the curriculum and learning goals of the
school, is formational as well as informational, interventionist and
integrative, supportive and service oriented, and it is both outcomes-
oriented and process-oriented. Against this backdrop, school as an
inclusive, interactive and empowered learning community, particularly
centre around professional practice being informed by research, a
pedagogy directed to knowledge construction, and in the emerging
context of outcomes-based education, a focus on evidence-based practice
where the central contribution of the instructional role of the school
librarian to learning outcomes is clearly understood, documented and
celebrated.”

TODD, ROSS (2002) School Librarian as Teachers: Learning Outcomes and
Evidence-Based Practice

Barrancos, 12/11/2009
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Maria da Purificação Fialho de Almeida