You are on page 1of 14

Comunidades virtuais - Uma abordagem teórica∗

Raquel da Cunha Recuero

Índice mos, bem como a estrutura da sociedade.
A Comunicação Mediada por Computador
1 Reinventando o Conceito de Comuni- (CMC) também trouxe as mais variadas mo-
dade 1 dificações para o meio. Com isso, alguns
2 Comunidade Virtual 5 conceitos da sociologia, como o de comuni-
3 Conclusão 9 dade, foram transpostos para os novos fenô-
4 Referências Bibliográficas 10 menos, recebendo críticas por isso. Com
este trabalho, pretendemos fazer uma discus-
são teórica do conceito de comunidade e sua
Resumo: O presente trabalho buscar aplicação aos agrupamentos formados no ci-
fazer uma reconstrução teórica do polêmico berespaço. Acreditamos, deste modo, poder
conceito de comunidade virtual e discutir em contribuir para o saudável debate em torno
que medida ele pode ser aplicado diante das do tema.
relações que surgem entre as pessoas online.
Trata de uma reconstrução das principais
teorias da sociologia clássica, passando 1 Reinventando o Conceito de
pelas transformações ocorridas com a mo- Comunidade
dernidade e discutindo os principais teóricos
que tratam da idéia de comunidade virtual, Historicamente, o ser humano sempre foi
tratando de seus fundamentos, seus elemen- um animal gregário. Para sobreviver e con-
tos e sua caracterização no ciberespaço. seguir reproduzir-se, trabalhava em grupos,
que mais tarde, evoluíram para as primei-
Palavras-Chaves : Comunidades Virtu- ras comunidades. O conceito, no entanto,
ais, sociabilização no ciberespaço, virtual nunca foi uma unanimidade. Max We-
settlement. ber, quando procurou traçar algumas premis-
sas sobre o assunto, ressaltou que "O con-
As novas tecnologias de comunicação ceito de comunidade é mantido aqui deli-
têm, como é natural, agido de modo a re- beradamente vago e conseqüentemente in-
configurar os espaços como os conhece- clui um grupo muito heterogêneo de fenô-
menos"(1987:79), pois também considerava

Trabalho apresentado no V Seminário Internaci- que a idéia de comunidade compreendia re-
onal de Comunicação, no GT de Comunicação e Tec- lações muito abrangentes. Os autores clás-
nologia das Mídias, promovido pela PUC/RS.
sicos, como Ferdinand Tönies, procuravam
2 Raquel da Cunha Recuero

conceituar a comunidade em oposição à so- trabalho de Tönies constitua-se em uma re-
ciedade. Tönies era inspirado no método ga- ferência, o próprio autor reconhecia que sua
lilaico, que era fundado em duas invenções obra baseava-se em tipos "normais", de ins-
da cultura grega, a teoria das idéias de Platão piração platônica: "Não conheço nenhum es-
e a geometria de Euclides. "O método con- tado de cultura ou sociedade em que elemen-
sistia em escolher somente um caso e livrá-lo tos de Gemeinschaft e de Gesellschaft não
das impurezas do mundo observável, a fim de estejam simultaneamente presentes, isto é,
encontrar o princípio de acordo com o qual misturados"(In Tötö 1995:50).
o caso em questão ‘funcionaria’ em circuns- Emile Durkheim escreveu, pouco após
tâncias ideais"(Töttö 1985:49). Por isso, Tö- a publicação de Gemeinschaft Ud Gessels-
nies procurou criar um conceito de comuni- chaft1 , uma resenha à obra de Tönies. Nesta
dade "pura", idealizada, oposta ao conceito resenha (que está reproduzida em Aldus,
de sociedade, criado pela vida moderna. Para 1995:113), criticou algumas das idéias do
Tönies, Gemeinschaft (comunidade) repre- autor e expôs o seu próprio pensamento a
sentava o passado, a aldeia, a família, o ca- respeito dos conceitos de comunidade e so-
lor. Tinha motivação afetiva, era orgânica, ciedade. A crítica que Durkheim imputa
lidava com relações locais e com interação. a Tönies foi a de que a Gesellschaft tam-
As normas e o controle davam-se através bém teria um caráter orgânico, ou seja, na-
da união, do hábito, do costume e da reli- tural. Tönies havia dito que apenas a co-
gião. Seu círculo abrangia família, aldeia e munidade ( Gemeinschaft ) teria um cará-
cidade. Já Gesellschaft (sociedade) era a fri- ter natural, sendo a sociedade uma "cor-
eza, o egoísmo, fruto da calculista moderni- rupção"do primeiro conceito, realizada pela
dade. Sua motivação era objetiva, era mecâ- modernidade. Segundo Durkheim, a socie-
nica, observava relações supralocais e com- dade não teria um caráter menos natural do
plexas. As normas e o controle davam-se que a comunidade, pois existiriam peque-
através de convenção, lei e opinião pública. nas semelhanças de atitude nas pequenas al-
Seu círculo abrangia metrópole, nação, Es- deias e grandes cidades. Além disso, ele
tado e Mundo. Para Tönies, a comunidade afirma (acabando por não confrontar-se to-
seria o estado ideal dos grupos humanos. A talmente com a idéia de Tönies de comuni-
sociedade, por outro lado, seria a sua corrup- dade e sociedade, pois a mesma baseia-se
ção. em tipos ideais, e não na observação em-
A mudança social, de acordo com Tönies, pírica, como era o método de investigação
seria fruto de dois princípios aparentemente social defendido por Durkheim), que nem
conflitantes: o aristotélico de que o homem Gemeinschaft nem Gesellschaft possuem ca-
é um ser social e o hobbesiano, no qual o racterísticas que podem ser encontradas uni-
homem é de natureza anti-social. Estes dois camente em um agrupamento social (Aldus
princípios constituiriam a natureza contradi- 1995:118). Durkheim acredita, comoTönies,
tória do homem. O ser humano, portanto, na natureza da dicotomia entre Gemeinschaft
aspiraria à união e ao mesmo tempo, seria eGesellschaft . Admite também que aquela
contra ela, oscilaria entre a conexão e a se- 1
Nome da obra de Tönies, no original alemão.
paração, o coletivo e o individual. Embora o

www.bocc.ubi.pt
Comunidades virtuais 3

desenvolve-se primeiro e, a segunda, é seu um sentimento de situação comum e de suas
fim derivado. conseqüências, está também situada a ação
No entendimento de Weber, o conceito de reciprocamente referida e que essa referên-
comunidade baseia-se na orientação da ação cia traduz o sentimento de formar um todo.
social. Para ele, a comunidade funda-se em A visão de uma comunidade como "reden-
qualquer tipo de ligação emocional, afetiva tora"e tipo "ideal"de convivência humana
ou tradicional. Weber utiliza como exemplo permeia muitas das visões e idéias da soci-
básico de comunidade a relação. ologia clássica, bem como a dicotomia entre
comunidade e sociedade.
"Chamamos de comunidade a uma
A idéia de comunidade moderna come-
relação social na medida em que a
çou a se distinguir de seu protótipo antigo,
orientação da ação social, na média
apoiando-se em diferentes princípios de co-
ou no tipo ideal- baseia-se em um
esão entre os seus elementos constituintes,
sentido de solidariedade: o resul-
como o contraste entre parentesco e territó-
tado de ligações emocionais ou tra-
rio, sentimentos e interesses, etc. O conceito
dicionais dos participantes". (We-
de comunidade foi identificado com diversos
ber 1987:77)
aspectos, como a coesão social, a base terri-
A idéia de "tipos normais"(como Tönies torial, o conflito e a colaboração para um fim
preferia chamar o "tipo ideal") através da comum, e não mais a idéia de uma relação
qual Tönies constrói sua teorização é extre- familiar, como na Gemeinschaft tönesiana.
mamente semelhante à de Weber. Segundo Palacios (1998, online ) enumera os ele-
Merlo (1995:128), é "explicitamente reto- mentos que caracterizariam essa comuni-
mado em Tönies a distinção entre comuni- dade: o sentimento de pertencimento, a ter-
dade e associação; a própria teoria da ra- ritorialidade, a permanência, a ligação entre
cionalização pode ser expressa, em termos o sentimento de comunidade, caráter corpo-
tönesianos, como a tendência para a substi- rativo e emergência de um projeto comum, e
tuição do agir comunitário pelo agir socie- a existência de formas próprias de comuni-
tário". Em Weber, comunidade e sociedade cação. O sentimento de pertencimento, ou
não são mais necessariamente alternativas de "pertença", seria a noção de que o indiví-
integração do indivíduo nas estruturas soci- duo é parte do todo, coopera para uma fina-
ais, nem tampouco conceitos que se excluem lidade comum com os demais membros (ca-
mutuamente, ou ainda, que se opõe frontal- ráter corporativo, sentimento de comunidade
mente. Para Weber, como para Durkheim, e projeto comum); a territorialidade, o locus
a maior parte das relações sociais tem em da comunidade; a permanência, condição es-
parte o caráter de comunidade, em parte o sencial para o estabelecimento das relações
caráter de sociedade. Em qualquer comu- sociais.
nidade seria possível encontrar as situações Outros autores, como Beamish (1995, on-
de conflitos e opressão, que de acordo com line ), explicam que o significado de comuni-
Tönies não fariam parte da idéia de comuni- dade giraria em torno de dois sentidos mais
dade. Para Weber, a comunidade só existi- comuns. O primeiro refere-se ao lugar fí-
ria propriamente, quando sobre uma base de sico, geográfico, como a vizinhança, a ci-

www.bocc.ubi.pt
4 Raquel da Cunha Recuero

dade, o bairro. Assim, as pessoas que vi- social que ele julga necessária para o "senti-
vem em um determinado lugar geralmente mento de comunidade", porque seriam aque-
estabelecem relações entre si, devido à pro- les onde existe o "lazer", onde as pessoas
ximidade física, e vivem sob convenções co- encontram-se de modo desinteressado para
muns. O segundo significado refere-se ao se divertirem (lugares de vida pública "in-
grupo social, de qualquer tamanho, que di- formal"nas palavras do autor). Como esses
vide interesses comuns, sejam religiosos, so- lugares estariam desaparecendo da vida mo-
ciais, profissionais, etc. Ou seja, Beamish derna, devido às atribulações do dia a dia, as
já separa o conceito sob dois aspectos: o do pessoas estariam sentindo que o "sentimento
território como elemento principal na consti- de comunidade"estaria em falta. O traba-
tuição do grupo ou do interesse comum (e lho de Oldenburg revelou que na maior parte
neste caso, o território comum não é mais das cidades da América e do Ocidente re-
condição para a existência das relações en- almente havia um declínio desses "terceiros
tre as pessoas) como cerne da constituição lugares". Oldemburg acredita que esse de-
do grupo. saparecimento ocorreria por diversas razões,
Como é observa-se, o termo "comuni- entre elas, a construção padronizada, típica
dade"evoluiu de uma sentido quase "ideal"de do modernismo, constituía subúrbios e hos-
família, comunidade rural, passando a inte- tilizava o espaço com suas estruturas (Olden-
grar um maior conjunto de grupos humanos burg, In Hamman, 1998, online ). Rheingold
com o passar do tempo. Com o advento aponta para esta ausência do "sentimento de
da modernidade e da urbanização, princi- comunidade"como uma das causas do surgi-
palmente, as comunidades rurais passaram mento das comunidades virtuais.
a desaparecer, cedendo espaço para as gran- A decadência do senso de comunidade,
des cidades. Com isso, a idéia de "comu- em nossa sociedade, foi também atribuída
nidade"como a sociologia clássica a conce- ao surgimento e consolidação do individu-
bia, como um tipo rural, ligado por laços alismo, ao culto à personalidade, de acordo
de parentesco em oposição à idéia de socie- com autores como Sennet (1997), citado por
dade, parece desaparecer, não da teoria, mas Fernback e Thompson (1998, online ). Sen-
da prática. Ray Oldenburg, citado por Ham- net acredita que a noção de comunidade
man (1998, online ) e Rheingold (1994:61), desenvolveu-se da Gemeinschaft para a Ges-
afirma, em sua obra "The Great Good Place selschaft , assim como Tönies explicitou,
", que as comunidades estariam desapare- quando as pessoas passaram a associar a
cendo da vida moderna devido à falta dos ação pública à expressão da psique indivi-
lugares que ele chamava "great good places dual de cada um. Com o avanço da industria-
". Segundo ele, haveriam três tipos impor- lização e o surgimento do conceito de ‘socie-
tantes de lugar em nossa vida cotidiana: o dade de massa’, as pessoas tornaram-se ato-
lar, o trabalho e os "terceiros lugares", refe- mizadas e a ordem social foi caracterizada
rentes àqueles onde os laços sociais fomen- por uma "anomia"(anomie). Sennet acredita
tadores das comunidades seriam formados, que a noção de comunidade como um territó-
como a igreja, o bar, a praça e etc. Esses rio limitado foi, neste ponto, substituída pela
lugares seriam mais propícios para a relação noção de comunidade como a de "mentes

www.bocc.ubi.pt
Comunidades virtuais 5

iguais", ou de pessoas com pensamentos se- munidade virtual"para os grupos humanos
melhantes. As idéias de Sennet evidenciam que travavam e mantinham relações sociais
um importante traço na definição de uma co- no ciberespaço, define-a:
munidade: um senso de traço comum, carac-
terística, identidade ou interesses. "As comunidades virtuais são
agregados sociais que surgem
da Rede [Internet], quando uma
2 Comunidade Virtual quantidade suficiente de gente leva
Muitos autores têm ressaltado a importância adiante essas discussões públicas
dos meios de comunicação que, através de durante um tempo suficiente, com
sua ação modificam o espaço e o tempo, mo- suficientes sentimento humanos,
dificam também as relações entre as várias para formar redes de relações
partes da sociedade, transformando também pessoais no espaço cibernético
a idéia de comunidade (McLuhan, 1964). [ciberespaço]."3
Deste modo, também a Comunicação Medi-
ada por Computador está afetando a socie- De acordo com a definição de Reinghold,
dade e influenciando a vida das pessoas e a destacamos, como elementos formadores da
noção de comunidade. Por isso, muitos au- comunidade virtual as discussões públicas,
tores optaram por definir as novas comuni- as pessoas que se encontram e reencon-
dades, surgidas no seio da CMC por "comu- tram, ou que ainda, mantêm contato atra-
nidades virtuais"(Rheingold, 1996 Palacios, vés da Internet (para levar adiante a discus-
1998, Donath, 1999 Smith, 1999 Wellman são), o tempo e o sentimento. Esses ele-
e Gulia, 1999 Paccagnella, 1997, entre ou- mentos, combinados através do ciberespaço,
tros.) poderiam ser formadores de redes de rela-
"Comunidade Virtual"seria o termo uti- ções sociais, constituindo-se em comunida-
lizado para os agrupamentos humanos que des. Rheingold deixa de lado um dos pontos
surgem no ciberespaço2 , através da comuni- mais essenciais da definição do que até então
cação mediada pelas redes de computadores a maior parte dos sociólogos convencionou
(CMC). chamar de comunidade : um agrupamento
Rheingold (1996: 20), um dos primeiros humano dentro de uma determinada base ter-
autores a efetivamente utilizar o termo "co- ritorial. E este constitui-se um dos grandes
2
problemas da aplicação do conceito de co-
Na definição de Lemos (1998, online), o ciberes-
paço pode ser entendido sob duas perspectivas: "como
munidade ao ciberespaço, para a definição
o lugar onde estamos quando entramos em um ambi- da comunidade virtual, que foi logo apon-
ente virtual", ou seja, num ambiente como as salas tado por diversos pesquisadores: a ausência
de chat, por exemplo, ou ainda, como o "conjunto de
3
redes de computadores, interligadas ou não, em todo Las comunidades virtuales son agregados socia-
o planeta". Ele seria caracterizado como um espaço les que surgem de la Red cuando una cantidad sufici-
virtual, não oposto ao real, mas que o complexifica- ente de gente lleva a cabo estas discusiones públicas
ria, público, imaterial, constituído através da circula- durante un tiempo suficiente, com suficientes senti-
ção de informações. (Lévy, 1999:94, Manta e Sena, mentos humanos como para formar redes de relacio-
1998 online). nes personales en el espacio cibernético.

www.bocc.ubi.pt
6 Raquel da Cunha Recuero

de uma base territorial, até então um dos sus- sas mensagens em uma seqüência têm rela-
tentáculos da idéia de comunidade desenvol- ção entre si e, especialmente, como as men-
vida pela sociologia clássica. Alguns auto- sagens posteriores têm relação com as ante-
res (Weinrech, 1997 In Jones, 1997, online ) riores. É a expressão da extensão de uma sé-
criticam a idéia de comunidade virtual justa- rie de trocas comunicativas; (2) uma varie-
mente por não conseguirem conceber a idéia dade de comunicadores, que é condição as-
de uma comunidade sem um locus especí- sociada à primeira característica da interati-
fico, trazendo à discussão a necessidade de vidade, (3) um espaço público comum onde
um local onde a comunidade se estabeleça, uma porção significativa do grupo de comu-
ponto este que discutiremos, com a ajuda do nicação mediada por computador interativa
conceito de Jones (1997) de virtual settle- de uma comunidade ocorre, onde ele coloca
ment . o espaço público como um fator importante
Jones (1997, online ) vê dois usos mais co- na existência da comunidade virtual, e di-
muns do termo "comunidade virtual". O pri- ferencia o espaço público, onde está a co-
meiro refere-se simplesmente como comuni- munidade, do espaço privado, onde ocorrem
dade virtual das diversas formas de grupos as trocas de mensagem individuais; (4) Um
via CMC, o que ele diz ser uma "comuni- nível mínimo de associação sustentada, ou
dade virtual – lugar no ciberespaço". É o que ainda, uma quantidade de membros relati-
se entende por suporte da comunidade: as vamente constante, necessária para o nível
classes de grupos de CMC, como por exem- razoável da interatividade exposta pela pri-
plo, o IRC, os e-mails , etc. O segundo ex- meira característica.
plica que "comunidades virtuais"são novas As idéias de Jones trazem alguns pontos
formas de comunidade, criadas através do que podem ajudar-nos a esclarecer um pouco
uso desse suporte de CMC. Ele chama a pri- a idéia de "comunidade virtual". Se agre-
meira definição de "virtual settlement "(esta- garmos, como o próprio autor determina,
belecimento virtual) e a segunda como ver- ao conceito de comunidade virtual o de vir-
dadeira "comunidade virtual". Jones tenta tual settlement , veremos que também existe
distinguir a comunidade virtual do lugar que como condição para a comunidade virtual,
ela ocupa no ciberespaço (virtual settlement a existência de um espaço público, onde a
). Em sua teoria, ele afirma que a existência maior parte da interação da comunidade se
de um virtual settlement geralmente está se- desenrole. Este espaço, por si só não cons-
guida da existência de uma comunidade vir- titui a comunidade, mas a completa. A co-
tual associada. Portanto, seria possível iden- munidade precisa, portanto, de uma base no
tificar comunidades virtuais a partir do en- ciberespaço: um lugar público onde a maior
contro de virtual settlements. Ovirtual set- parte da interação se desenrole. A comuni-
tlement é um ciber-lugar, que é simbolica- dade virtual possui, deste modo, uma base
mente delineado por um tópico de interesse, no ciberespaço, um senso de lugar , um locus
e onde uma porção significativa de interativi- virtual. Este espaço pode ser abstrato, mas é
dade ocorre. Eles seriam caracterizados por: "limitado", seja ele um canal de IRC, um tó-
(1) um nível mínimo de interatividade, que, pico de interesse, uma determinada lista de
para Jones, trata-se da extensão em que es-

www.bocc.ubi.pt
Comunidades virtuais 7

discussão ou mesmo um determinado MUD. Semelhante é a idéia de Primo (1998, online
São fronteiras simbólicas, não concretas. ). Ele acredita que é preciso partir da inte-
A comunidade virtual é, também, dife- ração humana para compreender a interativi-
rente de seu virtual settlement , mas este dade na comunicação humano - computador
é parte necessária para a existência da pri- pois, deste modo, o humano não seria ape-
meira. Logo, a comunidade é diferente de nas colocado como disparador de programas.
seu suporte tecnológico e não pode ser con- Para compreender a interatividade nos meios
fundida com ele. "Um servidor de IRC con- informáticos, Primo propõe dois conceitos:
tendo milhares de canais que não possuem o de interação mútua e o de interação reativa
relações entre si, por exemplo, não demons- . A interação mútua se dá de forma nego-
tra a existência de uma comunidade virtual, ciada, que acontece entre agentes, de forma
embora um canal ou um pequeno conjunto aberta, através de um processo de negoci-
de canais possa demonstrar."(Jones, 1997, ação, com ações interdependentes que ge-
online ). Isso porque o servidor de IRC é o ram interpretações, possuem fluxo dinâmico
suporte no qual as pessoas podem conectar- e cuja relação se dá através da construção ne-
se para acessar canais e trocar mensagens. gociada. A interação reativa dá-se em um
Ele, por si, não é uma comunidade virtual. sistema fechado, num processo de estímulo-
Da mesma forma, um sistema que permite resposta, com fluxo linear e determinado, re-
que várias listas de discussão possam ser ge- lação causal e baseada no objetivismo. Se-
radas através dele (como o Yahoo Groups gundo Primo, é nas reações mútuas que se
, por exemplo), não é em si uma comuni- encontra um "poderoso canal ou meio que é
dade virtual, assim como qualquer outro ser- o computador ligado em rede ". A interação
viço online onde várias pessoas que não pos- mútua é, portanto, a interação onde as tro-
suem quaisquer relações entre si e cujo único cas não são predeterminadas, mas caóticas,
ponto comum é a busca do serviço, não pode complexas e imprevisíveis. É a interação que
ser determinado como uma comunidade vir- um chat , por exemplo, proporciona. Já a re-
tual. ativa, ao contrário, constitui-se num sistema
A comunidade pressupõe relações entre os fechado, de respostas pré-programadas, onde
seus membros: a interatividade. Essa ques- as trocas são determinadas, previsíveis.
tão tem suscitado as mais variadas discus- Nesta construção a interação é classificada
sões. Jones (1997, online ) afirma que a inte- pelo modo através do qual se utiliza o meio.
ratividade não é uma característica do meio, A interatividade é, deste modo, uma caracte-
mas "a extensão em que as mensagens, em rística do meio, mas não uma garantia deste
uma seqüência, relacionam-se umas com as meio, pois depende dos usos que cada parte
outras, especialmente na extensão em que da relação comunicativa fizer. Ela é, como
mensagens posteriores tem relação com as diz Jones, associada às relações entre as tro-
anteriores"4 . A idéia de Jones que relaciona cas comunicativas, mas, trocas essas que só
a interatividade com as trocas comunicativas. poderão ser possibilitadas pelas ferramentas
4
"Interactivity is not a characteristic of the me- later messages recount relatedness of earlier messa-
dium. It is the extent to which messages in a sequence ges".
relate to each other, and especially the extent to which

www.bocc.ubi.pt
8 Raquel da Cunha Recuero

de que o meio dispõe. A interatividade é um aprofundar-se de modo suficiente a dar aos
característica da Internet (Palacios, 1998), indivíduos um senso de pertencimento, pois
bem como a massividade. No entanto, só a cada desconexão tudo aquilo que havia sido
é possível interagir de forma mútua , como construído seria imediatamente destruído. A
a concebida por Primo, se o meio permitir, permanência é o oposto da efemeridade.
oferecendo as ferramentas necessárias, se o O pertencimento é o próximo elemento da
meio possuir a característica aberta, de via comunidade virtual. Ele é explicado por Pa-
de duas mãos, para as trocas comunicativas. lacios (1998, online ) como um sentido de
E mesmo que o meio possua essa caracte- ligação. Este sentimento para com a comuni-
rística, é ainda, necessário que os elemen- dade, pode ser encontrado nas noções de Ge-
tos ativos efetivamente realizem essas trocas meinschaft de Tönies ou mesmo na comuni-
para que se possa afirmar que existe inte- dade emocional de Weber. A comunidade é
ratividade. A interação mútua é, do nosso constituída também sobre sentimento. Primo
ponto de vista, a única capaz de gerar trocas (1997, online ) afirma que este sentimento é
capazes de construir relações sociais e, por- também encontrado na comunidade virtual:
tanto, comunidades virtuais. O ciberespaço, "Os participantes de chats reconhecem-se
enquanto espaço comunicativo, permite que como parte de um grupo e responsáveis pela
esse tipo de interação ocorra, mas não é ga- manutenção das relações."Este sentimento é
rantia dela. visto como condição necessária para a exis-
As características de variedade de comu- tência de comunidade no ciberespaço por di-
nicadores (pressuposto da interatividade pro- versos autores, como Beamish (1995, online
posta por Jones) e estabilidade de mem- ), que acredita que uma comunidade para
bros demonstram que a comunidade deve ser ser caracterizada, necessitaria, antes de tudo,
composta por várias pessoas que estabele- de um "sentimento de pertença", ou de ter-
çam trocas entre si. Além disso, as relações se algo em comum. Segundo ela, é preciso
sociais devem ser forjadas e mantidas tam- que os indivíduos tenham consciência de que
bém no ciberespaço, para que a quantidade são partes de uma comunidade e sintam-se
de membros participantes do virtual settle- responsáveis por ela, como "partes de um
ment permaneça relativamente estável. Essa mesmo corpo".
estabilidade é, em nossa opinião, a carac- No ciberespaço, entretanto, este senti-
terística da permanência. A permanência é mento é diferenciado da idéia de comuni-
outra característica da comunidade virtual. dade offline . Palacios (1998, online ) chama
Isso porque, sem a existência em um plano a atenção para o desencaixe entre o pertenci-
de tempo, as relações entre as pessoas não mento e a territorialidade. A noção de comu-
poderão ser aprofundadas o suficiente para nidade offline compreendia o pertencimento
que constituam uma comunidade. Imagine- como associado ao território geográfico. O
mos que a cada vez que o indivíduo retornar pertencimento aqui, se associarmos o terri-
ao virtual settlement , ele precise reiniciar a tório geográfico com o "lugar"determinado
operação de travar relacionamentos com os no ciberespaço, é efetivamente desencaixado
demais indivíduos. Parece-nos que seria im- do lugar – território concreto, e associado ao
possível que um dia estas relações pudessem lugar-ciberespacial da comunidade. Mesmo

www.bocc.ubi.pt
Comunidades virtuais 9

para aquelas que são associadas a uma re- nos interessa, e que cremos que é importante,
presentação de um espaço territorial real, o é não somente analisar como se formam es-
sentimento de pertencimento é associado à ses laços online , mas também em que me-
comunidade em primeiro lugar e não ao terri- dida afetam a vida offline das pessoas. A co-
tório ou mesmo à representação do território. munidade virtual pode ser estendida ao es-
Palácios também fala de uma segunda carac- paço concreto, mas continuará tendo seu vir-
terística importante do pertencimento na co- tual settlement no ciberespaço. E continuará
munidade virtual. Segundo ele, existe uma como um espaço social onde as pessoas po-
eletividade do pertencimento, ou seja, é pos- derão reunir-se para formar novos laços soci-
sível escolher a comunidade da qual se de- ais. E prioritariamente, essas relações soci-
seja fazer parte. "(...)o indivíduo só pertence ais foram estabelecidas no ciberespaço, atra-
se, quando e por quanto tempo estiver, efeti- vés da comunicação mediada por computa-
vamente, interessado em fazê-lo." dor, de uma forma completamente diversa do
Wellman, citado por Hamman, afirma que estabelecimento tradicional de relações soci-
a comunidade virtual não seria uma nova ais, sem o contato físico, invertendo o pro-
forma de sociabilização, mas simplesmente cesso de formação do laço social (Palacios,
a comunidade tradicional transposta para um 1998, online ). Não é, deste modo, a mesma
novo suporte para manter seus laços sociais. coisa. Existem diferenças bastante importan-
"[A] CMC é apenas uma das muitas tecno- tes, como procuramos investigar neste traba-
logias utilizadas pelas pessoas através das lho. Essas diferenças estão diretamente rela-
quais as redes de comunidades existentes cionadas ao suporte, mas não se resumem a
comunicam-se "5 . Essa crítica fundamenta- ele.
se no fato de que grande parte das comuni-
dades virtuais que sobrevivem no tempo tra-
3 Conclusão
zem os laços do plano do ciberespaço para o
plano concreto, promovendo encontros entre Existem muitas críticas à idéia de comuni-
seus membros. dades virtuais Alguns explicam seu posici-
Acreditamos, pela nossa experiência no onamento dizendo que as comunidades vir-
estudo do assunto, que muito provavelmente, tuais não são nada mais do que comunida-
grande parte dos laços sociais forjados no ci- des tradicionais mantidas através da CMC
berespaço sejam transpostos para a vida of- (Wellman, citado por Hamman, 1998, on-
fline das pessoas. No entanto, esses laços line). Outros, no entanto, afirmam que a co-
continuam a ser mantidos prioritariamente munidade virtual não possui um território e,
no local onde foram forjados: na comuni- portanto, não seria uma comunidade stricto
dade virtual. E mesmo assim, alguns des- senso (Weinrech, citado por Jones,1997 on-
tes laços podem nunca passar para o plano line ). O que procuramos demonstrar neste
offline , devido à distância geográfica. O que trabalho foi uma discussão teórica a respeito
5
do que viria a ser a comunidade virtual. Ape-
CMC is just one of the many technologies used
by people within existing network communities to sar da polêmica, diversos autores têm apre-
communicate. sentado soluções e argumentos consistentes
para a utilização do conceito no ciberespaço.

www.bocc.ubi.pt
10 Raquel da Cunha Recuero

Apesar da modificação de algumas noções ção Debates. Editora Perspectiva. São
da idéia de comunidade offline , os elemen- Paulo, 1987.
tos são semelhantes. A comunidade virtual
é um elemento do ciberespaço, mas é exis- COATE, John. Cyberspace Innke-
tente apenas enquanto as pessoas realizarem eping: Building Online Com-
trocas e estabelecerem laços sociais. O seu munity. 1993. Online em:
estudo faz parte da compreensão de como as gopher://gopher.well.sf.ca.us/00/Comm
novas tecnologias de comunicação estão in- unity/innkeeping (26/10/1998)
fluenciando e modificando a sociabilização DONATH, Judith S. Identity and Decep-
das pessoas. Por isso, acreditamos que a tion in the Virtual Community .In KOL-
construção teórica do conceito possa ser útil LOCK Peter. e Marc Smith. (orga-
para futuros estudos. nizadores) Communities in Cyberspace.
Routledge. New York, 1999.
4 Referências Bibliográficas
FERNANDES, Florestan. (organizador) Co-
ALDUS, Joan. O Intercâmbio entre munidade e Sociedade. Companhia
Durkheim e tönies quanto à Natureza Editora Nacional e Editora da Univer-
das Relações Sociais. In MIRANDA, sidade de São Paulo. São Paulo, 1973.
Orlando. Para Ler Ferdinand Tönies.
Edusp. São Paulo, 1995. FERNBACK, Jan & THOMPSON,
Brad. Virtual Communities:
ARANHA FILHO, Jayme. Tribos Eletrô- Abort, Retry, Failure? Online em:
nicas: usos e costumes. Online em http://www.well.com/user/hlr/texts/Vc
http://www.alternex.com.br/ esocius/t- civil.html (06/10/1998)
jayme.html (06/10/1998)
FERNBACK, Jan. The Individual within the
BEAMISH, Anne. Commuties on-line: A Collective: Virtual Ideology ad the Rea-
Study of Community – Based Com- lization of Collective Principles. In JO-
puter Networks. Tese de Mes- NES, Steve G. Virtual Culture: Iden-
trado em Panejamento de Cidades. tity & Communication in Cybersociety.
Instituto de Tecnologia de Massa- Sage Publications: Thousand Oaks, Ca-
chusetts – Estados Unidos. 1995. lifornia, 1997
http://albertimit.edu/arch/4.207/anneb/
thesis/toc.html (06/10/1998). FERNBACK, Jan. There is a There There:
Notes Towards a Definition of Cyber-
BELLEBAUM, Alfred. Ferdinand Tönies. community. In JONES, Steven G. b.
In MIRANDA, Orlando. Para Ler Fer- Doing Internet Research. Critical Is-
dinand Tönies. Edusp. São Paulo, sues and Methods for Examining the
1995. Net. Sage Publications. Thousand
Oaks, California, 1999.
BUBER, Martin. Sobre Comunidade. Cole-

www.bocc.ubi.pt
Comunidades virtuais 11

GUIMARÃES JR. Mário. A Cibercultura JOHNSTON, Elizabeth. The Commu-
e as Novas Formas de Sociabilidade. nity in Ciberspace. Online em:
Trabalho apresentado no Grupo de Tra- http://www.acs.ucalgary.ca/ dobrent/38
balho "Nuevos mapas culturales: Cy- 0/webproj/commun.html (14/08/2000)
ber espacio y tecnologia de la virtuali-
dad", na II Reunión de Antropologia del JONES, Quentin. Virtual-Communities,
Mercosur, Piriápolis, Uruguai, de 11 a Virtual Settlements & Cyber-
14 de novembro de 1997. Online em: Archaelogy – A Theoretical Outline.
http://www.cfh.ufsc.br/imprimatur/arti In Journal of Computer Media-
gos/guimaraes.htm (12/08/1999) ted Communication vol. 3 issue
3. December, 1997. Online em:
HAMMAN, Robin. Computer networks http://jcmc.huji.ac.il/vol3/issue3/jones.
linking network communities: ef- html (01/10/1998)
fects of AOL use upon pre-existing
communities. 1999. Online em: JONES, Steven G. (org) Virtual Culture:
http://www.socio.demon.co.uk/cyberso Identity & Communication in Cyber-
ciety/ (01/08/2001) society. Sage Publications: Thousand
Oaks, California, 1997
HAMMAN, Robin. The Online/Offline
Dichotomy: Debunking Some Myths KOLLOCK Peter. e Marc Smith. (orga-
about AOL Users and the Effects nizadores) Communities in Cyberspace.
of Their Being Online Upon Offline Routledge. New York, 1999.
Friendships and Offline Commu- KOLLOCK Peter. e Marc Smith. Com-
nity. Mphil thesis. University munities in Cyberspace .In KOLLOCK
of Liverpool, 1998. Online em: Peter. e Marc Smith. (organizado-
http://www.cybersoc.com/mphil.html res) Communities in Cyberspace. Rou-
(01/08/2001) tledge. New York, 1999.
HAMMAN, Robin. Introduction to Virtual LEMOS, André L. M . As Estrutu-
Communities Research and Cybersoci- ras Antropológicas do Cyberes-
ology Magazine Issue Two. Online em: paço. Online em http://www.lig-
http://members.aol.com/Cybersoc/is2in se.com/professores/jurema/estruturas.
tro.html (06/10/1998) html (01/08/2001)
HARVEY, David. Condição Pós-Moderna. LEMOS, André L. M. Santa Clara Pol-
Edições Loyola. São Paulo, 1989. tergeist: "Cyberpunk"à brasileira?
HOLETON, Richard. Composing Cybers- Online em: http://www.facom.ufba.br
pace: Identity, Community and Kno- /ciberpesquisa/lemos/culcyber.html
wledge in the Eletronic Age. McGraw- (30/08/2001)
Hill. USA, 1998. LEVACOV, Marília. Do Analógico ao Digi-
tal: A comunicação e a Informação no

www.bocc.ubi.pt
12 Raquel da Cunha Recuero

Final do Milênio. In Tendências na Co- Para Ler Ferdinand Tönies. Edusp. São
municação. LPM, Porto Alegre, 1998. Paulo, 1995.

LÈVY, Pierre. Cibercultura. Editora 34. São PACCAGNELLA, Luciano. Getting the
Paulo, 1999. Seats of Your Pants Dirty: Strategies
for Ethnographic Research on Virtual
LÈVY, Pierre. A Revolução Contemporâ- Communities. Journal of Computer
nea em Matéria de Comunicação . In Mediated Communication, Vol 3,
MARTINS, Francisco M. e SILVA, Ju- Issue 1. Junho de 1997. Online em:
remir M. da. Para Navegar no Século http://www.ascusc.org/jcmc/vol3/issue1
XXI. Tecnologias do Imaginário e da /paccagnella.html (12/08/1998)
Cibercultura. EDIPUCRS, Porto Ale-
gre, 1999. PALACIOS, Marcos. Cotidiano e Soci-
abilidade no Cyberespaço: Aponta-
LÈVY, Pierre. O que é o Virtual? Editora mentos para Discussão. Online em:
34. São Paulo, 1997. http://facom/ufba/br/pesq/cyber/palacios
/cotidiano.html (19/11/1998)
LÈVY, Pierre. As Tecnologias da Inteligên-
cia. Editora 34. São Paulo, 1998. PRIMO, Alex F. T. A Emergência das
Comunidades Virtuais. Texto apre-
MANTA, André e SENA, Luiz Henrique.
sentado no Gt de Teoria da Comu-
As afinidades virtuais: A Sociabi-
nicação no XX Congresso da Inter-
lidade do Videopapo. Online em:
com – Santos/SP, 27 de agosto a
http://www.facom.ufba.br/pesq/cyber/
07 de setembro de 1997. Online
lemos/estray1.html (06/10/1998)
em: http://usr.psico.ufrgs.br/ aprimo
MCLUHAN, Marshall. Os Meios de Comu- (10/08/2001)
nicação como Extensões do Homem. PRIMO, Alex F. T. Interação Mútua e
Ed. Cultrix, São Paulo, 1964. Interação Reativa. Texto apresentado
MERLO, Valerio. Rumo à Origem da So- no GT de Teoria da Comunicação
ciologia Rural: Vontade Humana e Es- para apresentação do XXI Con-
trutura Social ao Pensamento de Ferdi- gresso da Intercom - Recife, PE, de
nand Tönies. In MIRANDA, Orlando. 9 a 12 de setembro de 1998. Online em:
Para Ler Ferdinand Tönies. Edusp. São http://www.psico.ufrgs.br/ aprimo/pb/in
Paulo, 1995. tera.htm (12/08/2001)

MIRANDA, Orlando. (organizador) Para PRIMO, Alex F. T. Explorando o Con-
Ler Ferdinand Tönies . EDUSP. São ceito de Interatividade. Definições
Paulo, 1995. e Taxionomias . Artigo publicado
na revista "Informática na Educa-
MIRANDA, Orlando. A Armadilha do Ob- ção", do PGIE/UFRGS. Online em:
jeto – O Ponto de Partida de Ferdi- http://www.psico.ufrgs.br/ aprimo/pb/p
nand Tönies. In MIRANDA, Orlando. gie.htm (01/08/2001)

www.bocc.ubi.pt
Comunidades virtuais 13

RECUERO, Raquel da C. Comunidades Vir- Cyberspace. Routledge. New York,
tuais no IRC – Estudo dos Canais #Pe- 1999.
lotas, #Mundo e #Brasil. Monografia
de conclusão de curso apresentada para SPENDER, Dale. Gender- Bending. In HO-
a obtenção do bacharelado em Jorna- LETON, Richard. Composing Cybers-
lismo pela Universidade Católica de Pe- pace: Identity, Community and Kno-
lotas. Dezembro de 1998. wledge in the Eletronic Age. McGraw-
Hill. USA, 1998.
ROSS, Murray e LAPPIN, B. W. Commu-
nity Organization. Theory, principles TÖTO, Pertti. Ferdinand Tönies, um Raci-
and practice. Second Edition. Tokyo. onalista Romântico . In MIRANDA,
Harper International Edition: 1967 Orlando. Para Ler Ferdinand Tönies.
Edusp. São Paulo, 1995.
RHEINGOLD, Howard. La Comunidad Vir-
tual: Una Sociedad sin Fronteras. Ge- TURKLE, Sherry . Life on the Screen: Iden-
disa Editorial. Colección Limites de La tity in the Age of the Internet. Touchs-
Ciência. Barcelona, 1994. tone. New York, 1997.

RHEINGOLD, Howard. The Heart of the TURKLE, Sherry Virtuality and its Dis-
WELL. In HOLETON, Richard. Com- contents: Searching for Commu-
posing Cyberspace: Identity, Commu- nity in Cyberspace. Adaptado do
nity and Knowledge in the Eletronic "Life on the Screen". The Ame-
Age. McGraw-Hill. USA, 1998. rican Prospect. 1999. Online em:
http://www.prospect.org/archives/24/24
RHEINGOLD, Howard. A Slice turk.html > (04/08/2000)
of Life in my Virtual Commu-
nity. Junho de 1992. Online em TURKLE, Sherry Identity in the Age of In-
gopher://gopher.well.sf.ca.us/00/Comm ternet: Living on the MUD . In HO-
unity/virtual_communities92 LETON, Richard. Composing Cybers-
(06/10/1998) pace: Identity, Community and Kno-
wledge in the Eletronic Age. McGraw-
SCIME, Roger. <Cyberville> and the Hill. USA, 1998.
Spirit of Community: Howard
Rheingold meet Amitai Etzioni. WEBER, Max. Conceitos Básicos de So-
Online no gopher server da WELL: ciologia. Editora Moraes. São Paulo,
gopher://gopher.well.com/00/Communi 1987.
ty/cyberville (10/1998). WEBER, Max. Metodologia das Ciências
SMITH, Ana Du Val. Problems in Con- Sociais. Parte 2. Editora Cortez. São
flict managemente in Virtual Commu- Paulo, 1992.
nities. In KOLLOCK Peter. e Marc WELLMAN, Barry e GULIA, Milena. Vir-
Smith. (organizadores) Communities in tual Communities as Communities: Net

www.bocc.ubi.pt
14 Raquel da Cunha Recuero

Surfers don’t ride Alone. In KOLLOCK
Peter. e Marc Smith. (organizado-
res) Communities in Cyberspace. Rou-
tledge. New York, 1999.

www.bocc.ubi.pt