TRABALHO EFEITOS DA CONDENAÇÃO

Principio da Independência entre as instancias
Lei nº 8.112, de 11/12/90 –“ Art. 121. O servidor responde civil, penal e
administrativamente pelo exercício irregular de suas atribuições.

Art. 122. A responsabilidade civil decorre de ato omissivo ou comissivo,
doloso ou culposo, que resulte em prejuízo ao erário ou a terceiros.
EXCEÇÕES:
1- Negativa de fato;
2- Negativa de autoria
3- Embora não expresso na lei nº 8.112/90, inclui-se também a
possibilidade da ação criminal comprovar a existência de excludente
de ilicitude a favor do servidor (atuação ao amparo de estado de
necessidade, legítima defesa, exercício regular de direito ou
cumprimento de dever legal) ou comprovar a sua inimputabilidade..
Exemplo:
Figure-se, por exemplo, a situação em que o agente seja acusado
administrativamente de “crime contra a Administração”, definido no
Código Penal, com fundamento no art. 132, I, da Lei 8.112/90. Nesse caso,
por força de norma constitucional que define o princípio da unidade de
jurisdição, compete exclusivamente ao Poder Judiciário definir se naquela
hipótese há ou não a configuração do ilícito penal. Daí que é necessária a
suspensão do processo enquanto perdurar o processo penal sob pena de,
inconstitucionalmente, a Administração arvorar-se no direito de dizer o
direito também em relação à esfera penal. Tal situação é inconcebível e
caracteriza, no mínimo, usurpação de funções. Logo, a incidência da
sanção disciplinar somente poderá ocorrer após a prolação da sentença
penal condenatória.
O decisório penal passado em julgado, contendo a insofismável afirmação
de que o servidor público cometeu determinado fato ilícito, repercutirá
indubitavelmente na seara disciplinar, não mais podendo ser ali discutido, a
menos que o fato elucidado na sentença não seja definido, pela lei ou pelo
regulamento, como falta disciplinar. Afora essa ressalva, a sentença penal
condenatória transitada em julgado projetará, sempre, os efeitos no campo
disciplinar”.[21] No mesmo sentido a lição Edmir Netto de Araújo[22] e
José Cretella Jr.[23]
Por isso, três hipóteses podem ocorrer: a) se já houver processo
administrativo sobre o fato decidido no processo penal, aquele perde o
objeto em virtude da superveniência de sentença penal condenatória; b) se
não houver processo administrativo, a Administração Pública aproveitará a
sentença penal para aplicar a pena que nela for determinado (v.g.
demissão); c) se o processo administrativo já estiver concluído, a sentença
penal servirá apenas de confirmação se igual decisão tiver sido tomada pela
Administração ou, acaso a decisão administrativa for contrária à decisão
penal, a Administração deverá adequá-la.
O consagrado princípio da independência das instâncias civil e criminal preconizado pelo artigo 935, da
Legislação Substantiva Civil, assevera que “a responsabilidade civil é independente da criminal, não se
podendo questionar mais sobre a existência do fato, ou sobre quem seja o seu autor, quando estas
questões se acharem decididas no juízo criminal”
O artigo 91 trata dos efeitos genéricos da condenação, ditos assim porque
todas as condenações criminais os contêm.

O primeiro efeito é a obrigação de reparar o dano, condito no inciso I do artigo
em questão, assim como no inciso II do artigo 475-N do Código de Processo
Civil. Tal dispositivo encerra salutar medida de economia processual, pois livra
a vítima e/ou seus sucessores da obrigação de buscarem, na esfera civil, um
novo reconhecimento do dever do condenado de indenizar o ilícito praticado.

Sem embargo ao reconhecimento dessa obrigação, para que ela se torne
líquida contra o condenado, deve ser fixado ainda o valor do dano, em
procedimento próprio de liquidação de sentença.

O inciso II do artigo 91 do Código Penal trata do confisco dos instrumentos do
crime, já que resulta na perda de bens do condenado em favor do Estado.

Os bens passíveis de confisco são os instrumentos do crime, quando seu
fabrico, alienação, uso, porte ou detenção constitua fato criminoso.

São também passíveis de apropriação pela União o produto do crime ou
qualquer bem de valor, incluindo-se aí eventual vantagem pecuniária, obtida
pelo autor do fato criminoso.

Contudo, a perda dos bens não pode resultar em prejuízo contra o lesado ou o
terceiro de boa-fé.

Por fim, inexistindo restrição legal à incidência do confisco destes bens,
compreende-se que esta medida prescinde manifestação do Juízo, operando-
se automaticamente, por força de lei.




Art. 63. Transitada em julgado a sentença condenatória, poderão promover-lhe a execução, no juízo
cível, para o efeito da reparação do dano, o ofendido, seu representante legal ou seus herdeiros.
Os efeitos secundários da sentença penal condenatória são tão importantes que, mesmo que haja o
abolitio criminis, esses efeitos não são apagados. As conseqüências são curiosas, pois o indivíduo não
pode mais ser preso ou mantido preso pela prática do crime, pois a lei penal somente pode retroagir para
beneficiar o réu.
Porém, os efeitos civis da condenação perduram, posto que o fato de uma ação ser ou não descrita como
ilícito penal, em nada interfere em ser essa mesma ação considerada, ou não, como um ilícito civil.
Assim, podemos dizer que os efeitos secundários da sentença penal condenatória, especialmente a
obrigação de indenizar pelo dano causado pela prática delituosa, não são apagados, ainda que o crime o
seja.
A execução da sentença penal condenatória para fins de reparação do dano oriundo do crime objeto da
sentença se dá, como dissemos, no juízo civil, sendo um título executivo judicial.
O próprio Código de Processo Civil, em seu artigo 475-N, inciso II, dispõe a respeito do assunto, nos
seguintes termos: “São títulos executivos judiciais: (...) II – a sentença penal condenatória transitada em
julgado”.
EFEITOS GENÉRICOS
: São automáticos decorrendo de qualquer condenação criminal e não
precisam ser expressamente declarados na sentença (art. 91).a)
Tornar certa a obrigação de indenizar o dano causado pelo crime
:
Observações
:-a sentença condenatória transitada em julgado torna-se titulo executivo no
juízo cível,sendo desnecessário rediscutir a culpa do causador do dano (art.
63 do CPP). No juízocível somente se discute o montante da reparação, em
liquidação de sentença.-O valor do dinheiro pago à vítima ou a seus
dependentes em caso de substituição da pena por prestação pecuniária deve
ser descontado do montante da indenização;-Em não se tratando de
sentença condenatória, deverá o prejudicado propor ação ordináriade
indenização para reparação do dano causado pelo ato ilícito;-O mesmo
pode ocorrer quando não ocorrer condenação por causa da prescrição;
dearquivamento de inquérito, de transação penal da Lei 9.099/95.-Quando
o ofendido for pobre, o Ministério Público tem legitimidade para propor a
açãocivil ex delicto (legitimação extraordinária).* Em caso de sentença
absolutória, também é possível a propositura da ação no cível,
EXCETO
quando o JuízoCriminal reconhecer que:1)o fato não aconteceu;2)que o
acusado não foi o autor do fato3)ou que atuou sob excludente de
criminalidade,As decisões acima também fazem coisa julgada no juízo
cível.
A perda em favor da União (confisco) dos instrumentos do crime, desde
que seu uso, porte, detenção,alienação ou fabrico, constituam fato ilícito
,
ressalvado o direito do lesado ou de terceiro de boa-fé
:
Observações
:-Confisco é a perda ou privação de bens do particular em favor do Estado.-
Instrumentos são os objetos, coisas materiais empregadas para a realização
do crime;-a corrente majoritária entende que o dispositivo não se aplica em
casos de condenação por contravenção, mas tem decisões admitindo o
confisco em crimes e contravenções;-Nos crimes previstos na lei de tóxicos
(art. 34, caput, Lei n. 6.368/76) permite-se a perda,ainda que não
constituam, em si mesmos, fato lícito.-As glebas de terras utilizadas para
cultura ilegal de plantas psicotrópicas (art. 243, caputCF) e todo e qualquer
bem de valor econômico apreendido em decorrência do tráfico(parágrafo
único do 243, CF).
A perda dos instrumentos do crime é automática. No entanto, é incabível
este confiscoquando celebrada a transação penal prevista no art. 74 da Lei
n. 9.099/95. Da mesmaforma se ocorrer o arquivamento, absolvição ou
extinção da punibilidade pela prescriçãoda pretensão punitiva.c)
A perda em favor da União (Confisco), do produto e do proveito do crime
ou de qualquer bem ou valor que constitua proveito auferido pelo agente
com a prática do fato criminoso, ressalvado o direito do lesado oude
terceiro de boa-fé,.
Observações
:-Produto é a vantagem direta auferida pela prática do crime (ex. relógio
furtado).-Proveito é a vantagem decorrente do produto (o dinheiro obtido
com a venda do relógio).-O produto do crime deve ser devolvido ao lesado
ou terceiro de boa-fé, somente serealizando o Confisco pela União se
permanecer ignorada a identidade do dono ou não for reclamado o bem ou
valor.d)
A suspensão dos direitos políticos
, enquanto durarem os efeitos da condenação (art. 15, III, da CF).-Enquanto
não for extinta a pena, independente da modalidade aplicada, o condenado
fica privado de seus direitos políticos, não podendo sequer exercer o direito
de voto.-Comentar sobre a aparente contradição existente entre o art. 15,
inciso III (que prevê asuspensão dos direitos políticos e, por conseqüência,
a perda do mandado eletivo) e o art.55, VI, da CF (que condiciona a perda
do mandado eletivo dos parlamentares federais àdeliberação pela Casa
respectiva por voto secreto e maioria absoluta, mesmo por sentençacriminal
transitada em julgado)
a) Tornar certa a obrigação de indenizar: a sentença penal condenatória faz coisa julgada no
cível, valendo como título executivo (CPC, art. 584, II). Assim, no juízo Cível, não precisará o
interessado obrigado a comprovar, autoria, materialidade e ilicitude. Pode a vítima partir
diretamente para a execução, que deverá ser movida contra a pessoa que figura no título, na
sentença (em outras palavras, o Réu na ação criminal). O responsável civil que não consta do
título (que não foi condenado no processo crime) não poderá ser executado, sendo necessária
uma ação de conhecimento anterior.
OBS1: a vítima ou seus sucessores não estão obrigados a aguardar o desfecho da ação
penal, podendo buscar o ressarcimento do dano através de ação civil ex delicto.
OBS2: sentença penal absolutória não impede a ação indenizatória no juízo cível,
desde que não baseada em inexistência do fato, negativa de autoria ou que o agente atuou
sob o manto de uma excludente de ilicitude;
b) Perda em favor da União dos instrumentos e produtos do crime: tão-somente aqueles
instrumentos cujo fabrico, alienação, uso, porte ou detenção constitua fato ilícito (ex: bisturi
do médico não!). Este confisco somente se aplica aos crimes e prescreve com a condenação,
mas não é suspenso com a concessão do sursis. A pena restritiva de direito de perdimento de
bens tem preferência, pois se trata de pena, efeito principal da condenação.
O crime prescreve, mas não a obrigação de indenizar. A reparação do dano é,
como diz o próprio nome, do dano, questão civil. Mesmo que ocorra a
prescrição, o indivíduo ainda é obrigado a indenizar. A prescrição é a perda
do jus puniendi por decurso de tempo: direito do Estado de punir o indivíduo,
ou seja, atribuir-lhe uma pena. A indenização não tem caráter penal.
O Direito Penal é lógico. Se não se vê logicidade, é por causa da subjetividade
em virtude da teoria finalista da ação. Os institutos não podem entrar em
contradição. Uma aparente contradição é a ocasião da morte do agente, que leva
os herdeiros à obrigação de pagar contraposta à morte do agente como causa de
extinção de punibilidade.

Art. 62. Os veículos, embarcações, aeronaves e quaisquer outros meios de transporte, os
maquinários, utensílios, instrumentos e objetos de qualquer natureza, utilizados para a prática
dos crimes definidos nesta Lei, após a sua regular apreensão, ficarão sob custódia da
autoridade de polícia judiciária, excetuadas as armas, que serão recolhidas na forma de
legislação específica.