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POSSIBILIDADE JURÍDICA DO PEDIDO COMO CONDIÇÃO DA AÇÃO OU COMO

PRESSUPOSTO PROCESSUAL
1.TEORIAS DA AÇÃO
Três teorias da ação nos interessam, as teorias da ação como direito concreto e ação como
direito abstrato e a teoria eclética de Liebman, a duas primeiras foram integradas para a criação da
terceira teoria, a qual foi utilizada pelo legislador na formatação do Código de Processo Civil
vigente.
A teoria da ação como direito concreto foi elaborada por ac!. "egundo seu pensamento, o
direito # ação $ auton%mo ao direito material e&istente, no entanto, o direito # ação só e&istiria
quando !ouvesse tamb$m o direito sub'etivo material por parte do autor da ação, assim somente
quando a sentença fosse favor(vel ao autor, ou se'a, quando a ação fosse declarada procedente,
!averia consequentemente o e&erc)cio do direito de ação.
A teoria da ação como direito abstrato foi elaborada por v(rias autores quase simultaneamente,
no entanto, o autor mais recon!ecido $ o alemão *egen+olb. "egundo esta lin!a de pensamento o
direito de ação independe do direito material sub'etivo invocado, não dei&a de !aver ação quando a
sentença $ favor(vel ao r$u, por e&emplo. A demanda pode at$ ser temer(ria, basta que o autor a
ten!a como interesse pass)vel de proteção abstrata pelo *ireito, que então 'ulga a demanda e profere
uma resolução de m$rito.
A doutrina de ,iebman, que desfruta de interesse no -rasil, vê a ação como um direito
auton%mo e abstrato. Auton%mo por que, como as teorias anteirormente citadas, separa o direito #
ação .direito processual/ do direito material e abstrato porque independe do resultado pr(tico da
demanda, de forma que !( ação mesmo em casos de improcedência dos pedidos. 0o entanto, a
teoria de ,iebman d( especial destaque #s condiç1es da ação, de forma que se estas não estiverem
cumpridas !aver( carência da ação e não !aver( resolução de m$rito. 0este caso a e&istência da
ação depender( do eventual sucesso da demanda, de forma que não seria aquela de todo abstrata. 0o
entanto foi essa a teoria implantada no CPC vigente, de forma que vamos analisar o 2u)zo de
Admissibilidade do Processo, que $ como *idier 2r qualifica as condiç1es necess(rias # ação e ao
processo para e&istirem e3ou terem validade 'ur)dica.
2.JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE DO PROCESSO
Ação $ o direito ao e&erc)cio da tutela 'urisdicional que se opera atrav$s do processo. 0o
entanto, esta atividade 'urisdicional $ racionalizada e possui um sistema que impede que pretens1es
sem fundamento ou legalidade se'am apreciadas pelo Poder 2udici(rio levando a pre'u)zos de tempo
e din!eiro p4blico. 5 rec$m prestigiado princ)pio da economia processual .art. 67, inc ,889::: C;/
garante os meios que, promovam a celeridade da tramitação dos processos. 5 'u)zo de
admissibilidade do processo $ um destes meios.
<ste sistema $ formado por certas condiç1es, ou requisitos, que uma ação precisa ter para ser
v(lida e para, posteriormente, findar em na sentença final do 'uiz. A legislação .art. =>? inc. :9 e
9:/ e imp1e duas classes diferentes de requisitos, os pressupostos processuais e as condições da
ação. Ambos são condiç1es do 'u)zo de admissibilidade do processo.
<ste 'u)zo preferencialmente precede ao 'ulgamento de m$rito da mat$ria f(tica do caso
concreto, apesar de !aver a possibilidade de ser aplicado no decurso do processo. 0ão preclue o
direito de sua arguição, podendo ser questionadas a qualquer tempo e em qualquer grau de
'urisdição .art. =@?, A B.7/
“Toda postulação se sujeita a um duplo exame pelo magistrado:
primeiro, verifica-se se ser poss!vel o exame do conte"do da
postulação# ap$s, e em caso de um ju!%o positivo no primeiro momento,
examina-se a proced&ncia ou não da'uilo 'ue se postula( )(((* +o ju!%o
de admissibilidade, verifica-se a exist&ncia dos re'uisitos de
admissibilidade( ,istingue-se do ju!%o de mérito, 'ue é a'uele -em 'ue
se apura a exist&ncia ou inexist&ncia de fundamento para o 'ue se
postula, tirando-se da! as conse'.&ncias cab!veis, isto é, acol/endo-se
ou rejeitando-se a postulação( +o primeiro, julga-se esta admiss!vel ou
inadmiss!vel# no segundo, procedente ou improcedente( ),0,012
34+052, 6redie( 7ressupostos 7rocessuais e condições da ação: o
ju!%o de admissibilidade do processo( 8ão 7aulo: 8araiva, pg( 9:;9<(
9==<(*
3.PRESSUPOSTOS PROCESSUAIS
5s pressupostos processuais são os requisitos necess(rios para uma ação e&istir e tamb$m para
que ela atinga seu ob'etivo, seu escopo( <les são uma demanda regularmente formulada )>7>, art(
9# >77, art( 9:*, a capacidade de 'uem o formula e a investidura do destinatrio da demanda, ou
se'a, a qualidade do 'uiz.
Cma sentença de m$rito só poder( ser proferida se estiverem presentes esses requisitos legais.
A falta de algum pressuposto de exist&ncia do processo tem por corol(rio a ine&istência da relação
'ur)dica processual. <ssa ine&istência .'ur)dica/ pode ser recon!ecida a qualquer tempo, durante ou
após o t$rmino do processo. A ausência de algum pressuposto de validade da relação processual
causa, em regra, a e&tinção do processo sem resolução do m$rito. 0o que pertine # imparcialidade
.suspeição e impedimento/ e # competência absoluta do 'u)zo, sua inobservDncia não leva # e&tinção
do processo, !avendo a nulidade dos atos decisórios e a remessa dos autos ao 'uiz desimpedido ou
absolutamente competente, conforme o caso.
4.CONDIÇÕES DA AÇÃO
"ão os requisitos de e&istência da ação, devendo por isso serem ob'eto de investigação no
processo, preliminarmente ao e&ame do m$rito .ainda que implicitamente, como se costuma
ocorrer/. *e preferência o e&ame dever( acontecer ainda na apreciação da petição incial. "ó se
estiverem presentes essas condiç1es $ que se pode considerar e&istente a ação, surgindo para o 'uiz a
necessidade de 'ulgar sobre o pedido .a demanda/ para acol!êElo ou re'eit(Elo. <las podem, por isso,
ser definidas tamb$m como condiç1es de admissibilidade do 'ulgamento do pedido, ou se'a como
condiç1es essenciais para o e&erc)cio da função 'urisdicional com referência # situação concreta
.concreta fattispecie/ deduzida em 'u)zo. 0a falta de qualquer uma dessas condiç1es, !aver( a
car&ncia de ação( 0esta situação $ declarada a ine&istência da ação, ou se'a, não era v(lido o direito
de ação realizado pelo autor.
As três condiç1es oriundas da teoria de ,iebman são legitimidade ad causam, interesse de agir
e possibilidade jur!dica do pedido( A legitimidade ad causam $ a obrigatoriedade do autor da ação
ser algu$m que realmente possua o direito de propor a ação, como por e&emplo, a v)tima no caso de
crime de ação e&clusivamente privada. "egundo ,iebman, o interesse de agir $ um interesse
processual secund(rio e instrumental com relação ao interesse substancial prim(rioF tem por ob'eto
o provimento que se pede ao 'uiz como meio para obter a satisfação de um interesse prim(rio lesado
pelo comportamento da parte contr(ria, ou, mais genericamente, pela situação de fato ob'etivamente
e&istente. <m uma ação de cobrança, o d$bito do re4 perante o credor $ o interesse substancial
prim(rio enquanto a ação de e&ecução da d)vida $ o interesse substancial segundo. Por 4ltimo, a
possibilidade 'ur)dica do pedido $ a possibilidade, dentro do ordenamento 'ur)dico positivo, de se
acatar a pretensão proposta. Para isso, deve !aver concordDncia entre a pretensão e o ordenamento.
Por e&emplo, em um ordenamento 'ur)dico onde não !( a figura do divórcio, $ imposs)vel para o
Poder 2udici(rio, apreciar o m$rito de uma ação cu'a pretensão $ 'ustamente o divórcio.
5. POSSIB. JURÍDICA DO PEDIDO: CONDIÇÃO, PRESSUPOSTO OU MÉRITO
5 Código de Processo Civil -rasileiro seguiu a teoria de ,iebman, adotando uma tricomia de
categorias processuaisG condiç1es da ação, pressupostos processuais e m$rito. "egundo a mesma
legislação os pressupostos processuais e as condiç1es da ação são preliminares HaoI con!ecimento
do m$rito, '( que este só poder( ser apreciado se presentes os requisitos dos pressupostos
processuais e das condiç1es da ação, uma vez inocorrentes um deles, ser( inadmiss)vel a an(lise do
m$rito. Acreditamos em uma !ipot$se diferente que ser( tratada a seguir.
A grande dificuldade em se separar as condiç1es da ação .possibilidade 'ur)dica do pedido,
interesse de agir e legitimidade ad causam/ do m$rito gera entre os doutrinadores tormentosas
discuss1es quanto # aplicabilidade desta categoria. Assim, !( doutrinadores que, apesar desta
dificuldade, aderiram # doutrina liebmaniana traçando novas lin!as de entendimento como, por
e&emplo, Joniz de Aragão e Kumberto T!eodoro 2r.. <m contrapartida !( outros doutrinadores
como, por e&emplo, Celso -arbi e ;redie *idier 2r que dizem ser inaplic(vel as condiç1es da ação
em nosso ordenamento ou, ainda, como Pontes de Jiranda que simplesmente ignora as condiç1es
da ação, falando em pressupostos processuais e pr$Eprocessuais.
-aseado na divergente doutrina, cito a tese de que $ um erro então, afirmar que a possibilidade
'ur)dica $ uma condição ou pressuposto, afinal estes servem # economia processual. "ão
preliminares HaoI con!ecimento do m$rito, '( que este só poder( ser apreciado se presentes os
requisitos dos pressupostos processuais e das condiç1es da ação, uma vez inocorrentes um deles,
ser( inadmiss)vel a an(lise do m$rito. 0o entanto, o 'ulgamento da possibilidade 'ur)dica do pedido
$ um 'ulgamento do m$rito da causa. Afinal, tanto a possibilidade 'ur)dica quanto o próprio processo
em si são a 'ustaposição da demanda acrescidas dos fatos e provas com o direito material positivo.
A doutrina separa forçosamente a obtenção de uma decisão do Poder 2udici(rio sobre a mat$ria e
uma decisão pelo acol!imento do pedido, as quais são em essência a mesma coisa. A possibilidade
'ur)dica como refle&o positivo do direito material que deve estar corretamente fundamentado na
demanda $ puramente uma questão de m$rito. Para concluir o estudo citamos opinião similar
proferida por *idier 2rG
? possibilidade jur!dica do pedido não é condição da ação, e nem poderia
ser, pois atine ao pr$prio exame do direito material: não /
correspond&ncia entre o fato alegado pelo autor com o fato legalmente
previsto como embasador de sua pretensão# a fattispecie legal não incide na
fattispecie material# a anlise, pois, é de mérito(
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