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HIDROLOGIA APLICADA

Prof. Me. Luiz A. Grell de Moraes



Bacias Hidrográficas - Precipitação
Determinação da Precipitação Média
Método de “Thiessen”











Aluno: Macelo do Nascimento Alves
RA: 411106603

Hidrologia – Bacias Hidrológicas Página 2

Precipitação
Definição
A água da atmosfera, que atinge a superfície da terra, na forma de chuva, granizo, neve,
orvalho, neblina ou geada é denominada precipitação. No Brasil a chuva é a forma mais
importante de precipitação. Em engenharia a forma de precipitação mais comum, e que tem
maior interesse é a chuva. A chuva é a principal causa dos processos hidrológicos, e sua
quantificação correta é um dos desafios que o hidrólogo ou o engenheiro enfrentam.

Importância
A precipitação é a única forma de entrada de água em uma bacia hidrográfica. Assim sendo,
ela fornece subsídios para a quantificação do abastecimento de água, irrigação, controle de
inundações, erosão do solo, etc., e é fundamental para o adequado dimensionamento de obras
hidráulicas, entre outros.

Formação da precipitação
Para que ocorra a precipitação, a condição básica é a presença de vapor de água na
atmosfera. A quantidade de vapor que o ar pode conter é limitada. A quantidade máxima de
vapor que pode ser contida no ar sem condensar é a concentração de saturação (o ar a 20º C
pode conter uma quantidade máxima de vapor de, aproximadamente, 20 gramas por metro
cúbico – quantidades de vapor superiores a este limite acabam condensando). Uma
característica muito importante da concentração de saturação é que ela aumenta com o
aumento da temperatura do ar. Assim, o ar mais quente pode conter mais vapor do que ar frio.
Ao se resfriar, pode chegar ao ponto de saturação, transformando o vapor de água em
pequenas gotículas líquidas espalhadas no ar livre em forma de aerosol, constituindo nuvens.
A formação das nuvens está ligada ao aumento do volume das gotículas, que flutuam graças
às turbulências atmosféricas. O processo de aumento crescimento é possibilitado pela
absorção de uma gotícula por outra, por choque entre elas ou pela condensação do vapor de
água sobre as próprias gotículas, facilitada pela presença de núcleos de condensação que
normalmente flutuam no ar. Porém, em certas condições, as gotas das nuvens crescem,
atingindo (entre 0,5 e 2 mm) peso suficiente para vencer as correntes de ar que as sustentam.
Nestas condições, a água das nuvens se precipita para a superfície da Terra, na forma de
chuva. Embora os volumes das gotas de chuva são de 105 a 106 vezes maiores que os das
gotículas, a condensação de toda a água da nuvem geraria uma chuva imperceptível. É
necessário admitir então uma constante alimentação de vapor de água de fora da nuvem por
correntes de ar ascendente que conduzem ar quente e úmido e refazem constantemente a
nuvem enquanto dura a precipitação.

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Tipos de precipitação
De acordo com as características de localização, intensidade e abrangência, o ar úmido eleva-
se sob diferentes condições, e dá origem a três tipos básicos de precipitação:
 Convectiva: quando há pouca circulação de massas de ar, o ar próximo ao solo é aquecido
pela radiação emitida e refletida pela superfície terrestre. Esse ar quente, menos denso que
o ar circundante, eleva-se na forma de células de convecção. Esse ar se esfria
adiabaticamente, até atingir o nível de condensação, gerando nuvens de tipo cúmulos. As
características principais de uma chuva convectiva são a sua pequena duração, intensidade
elevada, atingindo áreas reduzidas; é também esse tipo de precipitação que gera o granizo.
Problemas de inundação em áreas urbanas estão, muitas vezes, relacionados às chuvas
convectivas.

 Orográfica: quando os ventos carregados de umidade, soprando normalmente do oceano
para o continente, encontram uma barreira montanhosa, as massas de ar úmido elevam-se
para transpor o obstáculo, resultando num resfriamento que pode alimentar a formação de
nuvens e desencadear precipitações. São localizadas nas encostas montanhosas que
olham para o mar e quando os ventos conseguem ultrapassar a barreira montanhosa, do
lado oposto projeta-se a sombra pluviométrica, dando lugar a zonas secas ou semiáridas,
causadas pelo ar seco, já que a umidade foi descarregada na encosta oposta. Esse tipo de
precipitação geralmente tem ocorrência localizada, podendo atingir grande intensidade.

 Frontal: quando se encontram duas grandes massas de ar, de diferente temperatura e
umidade, o ar mais quente (mais leve e, normalmente, mais úmido) é empurrado para cima,
onde atinge temperaturas mais baixas, resultando na condensação do vapor. As massas de
ar que formam as chuvas frontais têm centenas de quilômetros de extensão e movimentam
se de forma relativamente lenta, consequentemente as chuvas frontais caracterizam-se pela
longa duração e por atingirem grandes extensões.

Aquisição de dados de precipitação
No Brasil a precipitação é convencionalmente medida por meio de aparelhos chamados de
pluviômetros ou pluviógrafos. Existe ainda a possibilidade de se medir a precipitação por meio
de radar ou imagens de satélite, mas os erros associados a esses métodos ainda são
relativamente grandes. No entanto, pelo fato de apresentarem medidas em um contínuo
espacial são excelentes ferramentas, que permitem a análise da distribuição espacial da chuva,
ao contrário dos pluviômetros e pluviógrafos, que têm medição de caráter pontual.

Pluviômetros
O pluviômetro é um aparelho dotado de uma superfície de captação horizontal, delimitada por
um anel metálico e de um reservatório para acumular a água recolhida, ligado a essa área de
captação. É um aparelho que fornece o total de água acumulado durante um intervalo de
tempo. Em função dos detalhes construtivos, há vários modelos de pluviômetros em uso no
mundo.
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Pluviógrafos
Quando é necessária informação mais detalhada da precipitação, como sua distribuição
temporal ou a variação das intensidades, usa-se o pluviógrafo. Esse tipo de instrumento
permite um monitoramento contínuo, sendo que originalmente eram mecânicos,utilizavam uma
balança para quantificar a água e um papel para registrar o total precipitado. Os pluviógrafos
antigos com registro em papel foram substituídos, nos últimos anos, por pluviógrafos
eletrônicos com memória.

Radar
A chuva também pode ser estimada utilizando radares meteorológicos. A medição de chuva
por radar está baseada na emissão de pulsos de radiação eletromagnética que são refletidos
pelas partículas de chuva na atmosfera, e na medição da intensidade do sinal refletido . A
relação entre a intensidade do sinal enviado e recebido, denominada refletividade, é
correlacionada à intensidade de chuva que está caindo em uma região. A principal vantagem
do radar é a possibilidade de fazer estimativas de taxas de precipitação em uma grande região
no entorno da antena emissora e receptora, embora existam erros consideráveis quando as
estimativas são comparadas com dados de pluviógrafos.

Satélite
Também é possível fazer estimativas da precipitação a partir de imagens obtidas por sensores
instalados em satélites. A temperatura do topo das nuvens, que pode ser estimada a partir de
satélites, tem uma boa correlação com a precipitação (quanto mais quente a nuvem, mais água
ela contém). Além disso, existem experimentos de radares a bordo de satélites que permitem
aprimorar a estimativa baseada em dados de temperatura de topo de nuvem.

Características gerais da precipitação
Do ponto de vista da engenharia, são necessários três parâmetros para definir completamente
uma precipitação: sua altura pluviométrica, sua duração e sua frequência de ocorrência ou
probabilidade.
Altura Pluviométrica (P): Corresponde à espessura média da lâmina da água precipitada, que
recobriria a região atingida pela precipitação, admitindo-se que esta água não se infiltrasse,
não evaporasse nem escoasse para fora dos limites da bacia. A unidade de medição é o mm
de chuva, definido como a quantidade de precipitação correspondente a um volume de 1 litro
por metro quadrado de superfície. A altura pluviométrica total multiplicada pela área da bacia
fornece o volume médio. A quantidade total de chuva dividida pela duração indica a intensidade
média dessa precipitação. Conceitualmente define-se como a quantidade de chuva por unidade
de tempo (mm/h), ou taxa de transferência de água da atmosfera para o solo. A intensidade
varia de um instante para outro dentro da mesma precipitação.

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Duração: é o tempo transcorrido entre o início e o fim da chuva, expresso em horas ou
minutos.
Frequência: de ocorrência: é a quantidade de ocorrências de eventos iguais ou superiores ao
evento de chuva considerado. Chuvas muito intensas tem frequência baixa, isto é, ocorrem
raramente. Chuvas pouco intensas são mais comuns. À medida que aumenta a intensidade da
chuva diminui a frequência de ocorrência.
A variável utilizada na hidrologia para avaliar eventos extremos como chuvas muito intensas é
o tempo de retorno (TR), dado em anos. O tempo de retorno é uma estimativa do tempo em
que um evento é igualado ou superado, em média. Por exemplo, uma chuva com intensidade
equivalente ao tempo de retorno de 10 anos é igualada ou superada somente uma veza cada
dez anos, em média. Esta última ressalva “em média” implica que podem, eventualmente,
ocorrer duas chuvas de TR 10 anos em dois anos subsequentes.
Variação Espacial da Precipitação
Uma das características da precipitação é sua extrema variabilidade espacial, existindo
gradientes pluviométricos tanto horizontais como verticais. Os dados de chuva dos
pluviômetros e pluviógrafos referem-se a medições executadas em áreas muito restritas, quase
pontuais, não conseguindo, portanto, representar a variabilidade espacial da precipitação. A
chuva apresenta uma grande variabilidade espacial, principalmente se é originada por um
processo convectivo. Uma forma de visualizar essa variação são os mapas de isoietas, isso é,
linhas que unem pontos de igual precipitação durante certo período de tempo (dia, mês, ano).
As isoietas são obtidas por interpolação dos dados de pluviômetros ou pluviógrafos, e podem
ser traçadas deforma manual ou automática. As regiões onde as isoietas ficam muito próximas
entre si é caracterizada por uma grande variabilidade espacial.

Variabilidade Sazonal da Precipitação
Um dos aspectos mais importantes do clima e da hidrologia de uma região é a época de
ocorrência das chuvas. Existem regiões com grande variabilidade sazonal da chuva, com
estações do ano muito secas ou muito úmidas. Na maior parte do Brasil o verão é o período
das maiores chuvas. A variabilidade sazonal da chuva é representada por gráficos com a
chuva média mensal.

Variabilidade da Precipitação com a Altitude
As observações indicam que, em geral, o volume de chuva precipitado aumenta com a altitude
até atingir um máximo, a partir do qual decresce; isso permite elaborar perfis pluviométricos de
grandes bacias ou áreas extensas. No estudo de grandes bacias com relevo acidentado, essa
característica não pode ser ignorada nas estimativas dos volumes precipitados; no traçado de
isoietas, como consequência desse fato, as isolinhas em princípio devem ser paralelas às
curvas de nível e isso deve ser levado em conta ao confeccionar os mapas referidos.

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Variabilidade da Precipitação com a Área
A chuva não é homogênea numa dada extensão de terreno, mas se apresenta na forma de
células mais intensas que se movimentam de acordo com os ventos. Imaginando uma rede fixa
de pluviômetros amostrando as chuvas que passam sobre eles, podem-se traçar curvas que
possibilitam ver variações para cada região.

Precipitação Média em uma Área
Os dados de chuva dos pluviômetros e pluviógrafos referem-se a uma área de coleta de
400cm², ou seja, quase pontual. Porém, o maior interesse na hidrologia é por chuvas médias
que atingem uma região, como a bacia hidrográfica. A precipitação média é considerada como
uma lâmina de água, de altura uniforme sobre toda a área considerada dentro de um certo
período de tempo (horas, dias, meses, anos) de tal forma que o volume precipitado assim
gerado seja igual ao real. Ao se fazer essa consideração, é feita uma abstração da condição
real da distribuição espacial da precipitação. No entanto, a única forma de se conhecer essa
distribuição real seria com a instalação de um grande número de pluviômetros na bacia
hidrográfica. Como a manutenção e operação dos postos pluviométricos demandam dinheiro,
normalmente contamos com um pequeno número de postos nas bacias hidrográficas, e é a
partir dessa pequena amostra que devemos retirar o máximo de informações.
O cálculo da chuva média em uma bacia pode ser realizado utilizando o método da média
aritmética; das Isoietas; dos polígonos de Thiessen ou através de interpolação em Sistemas de
Informação Geográfica (SIGs).

Método da média aritmética
É a forma mais simples de estimar a precipitação média em uma bacia hidrográfica. Como o
próprio nome do método sugere, a precipitação média é calculada como a média aritmética dos
valores médios de precipitação. Ao fazer esse processo, todos os postos pluviométricos têm a
mesma importância.
O método ignora as variações geográficas da precipitação e portanto é aplicável apenas em
regiões onde isso possa ser feito sem incorrer em grandes erros, ou seja, em regiões planas
com variação gradual e suave do gradiente pluviométrico e com cobertura de postos de
medição bastante densa.

Método dos Polígonos de Thiessen
Nesse método é definida a área de influência de cada posto pluviométrico dentro da bacia
hidrográfica. Utilizando o método dos polígonos de Thiessen o primeiro passo é traçar linhas
que unem os postos pluviométricos mais próximos. A seguir é determinado o ponto médio em
cada uma destas linhas e, a partir desse ponto é traçada uma linha perpendicular. A
interceptação das linhas médias entre si e com os limites da bacia irão definir a área de
influência de cada um dos postos.

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Conclusões