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Gilmaisa Macedo da Costa

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SERVIÇO SOCIAL EM DEBATE
Ser Social, Trabalho, Ideologia
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2011
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SERVIÇO SOCIAL EM DEBATE
Ser Social, Trabalho, Ideologia
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APRESENTAÇÃO
2
3
À memória dos meus pais
SUMÁRIO
It!od"#$o .............................................................................6
4
Ca%&t"lo I ' So(!e o T!a(al)o***********************************************22
Trabalho: Protoorma da !ti"idade #uma$a...........................23
%. !s &ategorias 'sse$ciais do Trabalho..................................2(
2. ) Processo )b*eti"a+,o-'.teriori/a+,o...............................36
3. P0r Teleológico e !lter$ati"a..............................................41
4. Trabalho e Posi+2es Teleológicas Secu$d3rias.....................64
Ca%&t"lo II ' So(!e a Ideolo+ia*********************************************,-
5ases )$tológicas da Ideologia...............................................11
%. Posi+2es Teleológicas Secu$d3rias e Ideologia....................(%
2. ) 6uplo &ar3ter do &omple.o Ideológico..........................78
2.%. Ideologia e 9u$+,o Social.............................................77
3. I$di"idualidades Sociais e Ideologia..................................%84
Ca%&t"lo III . So(!e o Se!/i#o Social**********************************11,
Ser"i+o Social: :ma &o$cep+,o em 6ebate...........................%%(
%.&o$sidera+2es Prelimi$ares............................................ ...%%(
2.Ser"i+o Social e 'speciali/a+,o Proissio$al........................%26
3.Ser"i+o Social e ;uest,o social...........................................%48
4. Ser"i+o Social, ;uest,o Social e Ideologia.........................%41

Coside!a#0es 1iais***********************************************************1,0
Bi(lio+!a2ia**************************************************************************134
5"est$o Social6 o/as 2o!mas7 /el)as !a&8es 9a!ti+o:**********13,
I;TRODUÇ<O
4
! rela+,o e$tre Ser"i+o Social e processo de trabalho
emergiu de proposi+2es da categoria proissio$al por ocasi,o da
cria+,o de um $o"o curr<culo para os cursos de Ser"i+o Social $a
segu$da metade dos a$os %778. =o"ime$to cu*o desdobrame$to
oi o de suscitar o aprou$dame$to das co$cep+2es ormuladas
sobre a proiss,o, $o >ual a co$cep+,o de Ser"i+o Social como
proiss,o origi$ada da di"is,o social e t?c$ica do trabalho, aceita
at? e$t,o por gra$de parte do co$*u$to proissio$al, passa por
uma i$le.,o, se$do compree$dida como o próprio trabalho.
@pode ser $o se$tido o$tológico ou abstratoA. 'sse mo"ime$to de
apro.ima+,o ao trabalho $,o e.pressa simplesme$te uma
rele.,o i$ter$a B proiss,o mesma. ) debate sobre a
ce$tralidade do trabalho i$staurado $as ciC$cias sociais, i$clusi"e
$as te$dC$cias mar.istas, impulsio$ado pela di"ersiica+,o das
ati"idades sociais co$temporD$eas, pelo desemprego e pela
prou$da crise eco$0micoEsocial oram os pote$ciais
catalisadores para a apro.ima+,o B categoria trabalho. Pela
press,o do desemprego, o trabalho, $os seus mais di"ersos
D$gulos, tor$aEse ob*eto de teori/a+,o por parte de importa$tes
pe$sadores de disti$tas 3reas das ciC$cias huma$oEsociais. !
i$terroga+,o sobre o desti$o do trabalho e o lugar dos
trabalhadores $a ce$a pol<tica mu$dial estimula a i$"estiga+,o
sobre o trabalho $a sociabilidade e suas ormas co$temporD$eas,
passa$do a ocupar boa parte do debate $as Fltimas d?cadas
%
.
%
Gor/, !. Adeus ao Proletariado - Para Além do Socialismo @%7(1AH
#abermas, I. Teoria de la Acción Comunicativa @%7(1AH Jo*Ki$e, I. A
6
) Ser"i+o Social $,o passa ao largo desta rele.,o. !l?m
do mais, a pro.imidade desta proiss,o com os usu3rios dos
ser"i+os sociais a a/ receptora dos rele.os >ue o desemprego
ocasio$a $a "ida dos desempregados e suas am<lias. 6este
modo, tem3ticas reere$tes B reestrutura+,o produti"a e suas
repercuss2es sobre o trabalho e sobre os ser"i+os passam a a/er
parte do ele$co de >uest2es tratadas pelo Ser"i+o Social. Tor$aE
se, i$clusi"e, uma categoria $orteadora $a orma+,o proissio$al
com a $o"a proposta curricular para os cursos de Ser"i+o Social
elaborada pela !5'SS-&'6'PSS
2
. ) debate $o pla$o
curricular tra/ sub*ace$te, ai$da >ue $,o clarame$te e.plicitada,
a suposi+,o de >ue a co$cep+,o do Ser"i+o Social como
processo de trabalho respo$deria a uma a$tiga aspira+,o do
co$*u$to dos assiste$tes sociais, uma maior segura$+a >ua$to B
sua co$cep+,o e $os procedime$tos em termos de ob*eto, meios
e i$s proissio$ais.
Tal"e/ $e$huma outra proiss,o te$ha se i$dagado ta$to
sobre o seu ser, sua u$+,o $a sociedade e o modo de
operacio$ali/ar sua atua+,o. 'm outras proiss2es a u$+,o
social parece estar delimitada a partir do >ue as pessoas a/em,
mas $o Ser"i+o Social, a categoria proissio$al, atra"?s dos seus
Revolução Informacional @%774A e !$tu$es. L. Adeus ao Trabalho? @%774A
s,o e.emplos de disti$tas abordage$s amplame$te discutidas B ?poca, >ue
deram um tratame$to i$icial ao tema e suscitaram desdobrame$tos $a sua
apree$s,o.
2
6iretri/es Gerais para o &urso de Ser"i+o Social @&om base $o curr<culo
m<$imo apro"ado em !ssembleia Geral '.traordi$3ria de (. Mo". %776A.
&ader$os !5'SS $.1, &orte/, p.4(E64.
1
age$tes i$telectuais, tem te$tado ultrapassar essa parede do
imediato $a busca de realme$te compree$dCEla e de dei$ir um
modo espec<ico de agir socialme$te, comum ao co$*u$to dos
proissio$ais. !i$da >ue isso te$ha sido largame$te debatido,
>uestio$ado, $egado, "e/ por outra retor$a se*a pela "ia de
>uest2es de m?todo, se*a pela "ia dos procedime$tos t?c$icos.
'm te.to memor3"el Ios? Paulo Metto @%7(6A iro$i/a,
com sua peculiar lucide/, sobre o problema de >ue esse tema da
metodologia própria, >ue i$clui um ob*eto particular e
aut0$omo, ? como Ne$trar $uma sala escura, pi$tada de preto,
com óculos escuros, sem $e$huma sa<da, para procurar um gato
pretoO @47E8A. 6e modo >ue o debate a esse respeito parecia ter
se esgotado $a d?cada de %7(8. Parecia reco$hecida a
impossibilidade de tal empree$dime$to em co$ormidade com a
te$dC$cia mar.ia$a e pelo car3ter de uma proiss,o >ue,
aba$do$a$do as i$terpreta+2es e$doge$istas $a busca de um
modelo particular e aut0$omo, reco$heceu suas i$alidades como
postas pelo co$*u$to da totalidade social $a >ual se i$sere e tem
seu campo de atua+2es. ! pro.imidade da atua+,o proissio$al
com procedime$tos "i$culados ao campo das pol<ticas sociais
dei$idas $o u$i"erso de i$ter"e$+,o do 'stado "eio reor+ar tal
i$terpreta+,o.
Sem sombra de dF"idas, esse ? um resultado da
apro.ima+,o ao mar.ismo e da cr<tica Bs i$luC$cias positi"istaE
u$cio$alistas $uma co$*u$tura determi$ada em >ue a
(
delimita+,o de ro$teiras e$tre as ciC$cias sociais dei$ia
teori/a+2es a campos peculiares de co$hecime$to. =as parece
>ue cada co$*u$tura acaba por re>uisitar $o"as respostas, e
tamb?m a impor $o"as i$terroga+2es, ta$to >ue o tema trabalho
e.erce ho*e orte peso $a co$cep+,o de Ser"i+o Social e $o seu
pro*eto de orma+,o proissio$al $o se$tido de >ue e$>ua$to
trabalho possuiria ob*eto, i$strume$tos e produto, te$do como
ob*eto a >uest,o social e$te$dida como mat?riaEprima do
processo de trabalho proissio$al.
6esde a>uele primeiro mome$to da i$ser+,o do tema
Trabalho e Ser"i+o Social ocorreram a"a$+os e este alca$+ou
uma delimita+,o mais clara pela disti$+,o e$tre trabalho e
trabalho abstrato. ) debate ga$hou co$tor$os com reerC$cia Bs
categorias de trabalho coleti"o, trabalho abstrato e de suas
subcategorias trabalho produti"o e improduti"o, co$stitui$do o
cer$e da problem3tica ce$tral $a rele.,o sobre a $ature/a e a
u$+,o e.ercida pelo Ser"i+o Social $a sociedade capitalista.
&ertame$te e.istem co$"ergC$cias e di"ergC$cias $a apree$s,o
do problema dessa rela+,oH seria um preco$ceito meta<sico
pe$sar >ue diere$tes i$di"<duos ti"essem igual co$sciC$cia sobre
algo, al?m do ato de >ue em todo processo de co$hecime$to
e.istem graus diere$ciados $o aprou$dame$to e i$"estiga+,o
de uma tem3tica.
! importD$cia do debate sobre o trabalho ? i$eg3"el. 'le
i$trodu/, em $<"el cresce$te, os u$dame$tos o$tológicos
7
mar.ia$os da sociabilidade e da sociedade capitalista em
particular *3 prese$tes $a cr<tica ao Ser"i+o Social tradicio$al,
co$igura$do um $o"o impulso B apree$s,o teórica da "ida em
sociedade a partir de suas determi$a+2es esse$ciais.
! rela+,o e$tre trabalho e Ser"i+o Social parece ter
e$co$trado um Nporto seguroO $o trabalho assalariado, sob o
co$ceito de um corpo proissio$al >ue "e$de sua or+a de
trabalho ao capital. Por?m, mesmo $o Dmbito dessa categoria
$,o alca$+a car3ter resoluti"o, por>ue se co$ro$ta com dilemas
de co$hecime$to >ue ultrapassam os limites do Ser"i+o Social
mesmo. 'stes di/em respeito B apree$s,o do ser em sua essC$cia
e do capitalismo em sua particular e.press,o e dese$"ol"ime$to,
e est,o prese$tes $o mu$do e $o pe$same$to da atualidade.
PuseramEse problemas como: ! co$di+,o de assalariado
assegura a ide$tidade e$tre proiss,o e trabalhoP ) trabalho
abstrato ? idC$tico ao trabalho $o preciso se$tido o$tológico de
base da produ+,o da ri>ue/a materialP ) trabalho
abstrato-i$diere$ciado pode ser a$alisado atribui$doElhe ob*eto,
meios e i$sP &om as tra$sorma+2es eco$0micoEsociais
co$temporD$eas e a abra$gC$cia do setor de ser"i+os $a
ocupa+,o da or+a de trabalho desaparece toda diere$+a de
classe e, porta$to, todo trabalhador assalariado ? igualme$te
produtor da ri>ue/a materialP ) trabalho ? uma categoria
u$i"ersal idC$tica B totalidade socialP
%8
) retor$o a =ar. a$te esses gra$des problemas oi
i$e"it3"elH suas descobertas a respeito das determi$a+2es
esse$ciais do modo de produ+,o capitalista e das rela+2es sociais
$ele co$stitu<das $o"ame$te re"elaramEse u$dame$tais ao
e$te$dime$to do car3ter do trabalho e de suas e.press2es
co$temporD$eas. =as a ormula+,o de =ar. sobre as bases
eco$0micoEsociais e a atualidade de seus u$dame$tos para
e.plicar o capitalismo ho*e, co$iguramEse em polCmicas de
lo$ga data. !t? mesmo a categoria do trabalho abstrato e$>ua$to
trabalho i$diere$ciado, por>ue dele abstraemEse Nas diere$+as
de suas ormas FteisO @=ar., %7(3, p.42A, tem sido ob*eto de
a$3lise e de co$ro$tos teóricos. '$co$tramEse imbricadas em
um u$i"erso categorial de gra$de comple.idade, $o >ual tem
desta>ue a maisE"alia, >uem a produ/ diretame$te, >uem dela
participa.
6este modo, o sig$iicado da apro.ima+,o e$tre Trabalho
e Ser"i+o Social ? muito mais amplo do >ue parecia i$icialme$te
e tamb?m muito mais importa$te e decisi"o para sua apree$s,o.
I$depe$de$teme$te da utilidade >ue poderia tra/er $o aspecto
co$ceitual ou mesmo t?c$icoEoperati"o, em tor$o do
esclarecime$to sobre a co$cep+,o de proiss,o e de sua
i$strume$talidade, essa apro.ima+,o $o se$tido o$tológico
preciso das categorias mar.ia$as tra/ para o debate proissio$al
um sig$iicado >ue ultrapassa essas $ecessidades sub*ace$tes.
%%
Sua importD$cia di/ respeito B co$tribui+,o >ue a rele.,o
sobre o tema pode dar ao campo das teorias sociais, des"ela$do
>uest2es reere$tes ao ser social e$>ua$to totalidade $a >ual o
Ser"i+o Social emerge como mome$to do próprio
dese$"ol"ime$to histórico co$creto. Por isso, trataEse de um
mome$to do processo de i$"estiga+,o dos ob*etos sociais t,o
sig$iicati"o >ua$to os de$omi$ados ob*etos da pr3tica
proissio$al, das pol<ticas sociais, dos direitos sociais ou do
'stado, e $,o uma mera rele.,o >ue di/ respeito ao NumbigoO
do Ser"i+o Social. I$"estigar o Ser"i+o Social $este se$tido do
seu car3ter esse$cial ? pe$sar o ser social, a "ida em sociedade,
os u$dame$tos esse$ciais do mu$do dos home$s e o seu
dese$"ol"ime$to.
'$te$demos >ue a i$"estiga+,o co$siste$te e o debate
maduro $o co$ro$to de ideias $,o amea+am a te$dC$cia de
I$te$+,o de Luptura deri"ada da Leco$ceituali/a+,o e, me$os
ai$da, o pro*eto proissio$al co$stru<do $as Fltimas d?cadas, >ue
ta$to trou.eram para o posicio$ame$to cr<tico do Ser"i+o Social,
impulsio$a$do o crescime$to teóricoEproissio$al. Se estes se
e$co$tram amea+ados certame$te $,o ? pela buscar de superar o
Nalso socialme$te $ecess3rioO, apro.ima$doEse o mais ielme$te
poss<"el da realidade, e sim por >uest2es para al?m do próprio
Ser"i+o Social, com a te$dC$cia ao co$ser"adorismo >ue a crise
atual tem estimulado. !o co$tr3rio, o debate de ideias segue uma
tradi+,o i$augurada por =ar. de i$corporar co$hecime$tos
%2
produ/idos, elaborar a cr<tica e tra/er B to$a imprecis2es, para ir
a u$do B apree$s,o do real. =ome$tos impresci$d<"eis para >ue
a i$"estiga+,o produ/ida ad>uira um sig$iicado importa$te se a
prope$s,o do Ser"i+o Social tem sido a de i$serirEse $a seara do
co$hecime$to huma$o das rela+2es sociais, por>ue a< se re"ela
um mome$to da ob*eti"idade social e, $este se$tido, a
i$"estiga+,o e o debate e$tre disti$tas perspecti"as ?
u$dame$tal.
Mo >ue co$cer$e ao tema da rela+,o e$tre trabalho e
Ser"i+o Social, tratada a>ui, *amais ti"emos a prete$s,o de
abra$ger todo o co$*u$to problem3tico >ue a co$igura, $em a
autora se co$sidera suicie$teme$te preparada para tal
reali/a+,o. 'm $e$hum mome$to remetemos diretame$te B
categoria do trabalho abstrato e suas subcategorias de trabalho
produti"o e improduti"o. !s rele.2es aprese$tadas $este li"ro se
i$serem $o debate e$>ua$to abordagem o$tológica esse$cial ao
e.ame da u$+,o >ue o Ser"i+o Social e.erce $a sociedade,
como um mome$to da realidade ob*eti"a em seu
dese$"ol"ime$to reproduti"o. Meste se$tido, co$sideramos as
rele.2es a>ui co$tidas ple$ame$te "3lidas atualme$te, $,o
re>uere$do reparos esse$ciais. =oti"o pelo >ual propomoE$os
submetCElas B aprecia+,o de um pFblico mais amplo.
! perspecti"a >ue co$du/ a rele.,o ? de >ue a
caracteri/a+,o de Ser"i+o Social como proiss,o assalariada, se ?
base para articul3Ela ao trabalho abstrato, ? i$suicie$te para
%3
dei$iElo como processo de trabalho e, e$>ua$to tal, portador de
ob*eto, meios e produto próprios. Se o Ser"i+o Social disp2e de
tais eleme$tos $,o ? por sua ide$tidade ao trabalho. !l?m do
mais, co$ceituar Ser"i+o Social imp2e, a $osso "er, e$te$der o
ser social, o >ue ele ?, o seu se$tido o$tológico preciso, e $este
Fltimo se$tido seguem as $ossas rele.2es.
Para isso temos claro >ue do po$to de "ista dos
u$dame$tos o$tológicos da sociabilidade huma$a h3 aspectos
re"eladores sobre o homem, tratados pelo ilósoo hF$garo
Georg JuK3cs, em sua obra da maturidade Per l !ntolo"ia
dell#ssere Sociale
3
$ >ue podem co$tribuir $,o só $o
esclarecime$to de categorias mar.ia$as e $a apree$s,o do
comple.o categorial do ser social $o seu co$*u$to, mas tamb?m
$a delimita+,o do lugar e da u$+,o do Ser"i+o Social $o
co$te.to da sociabilidade huma$a.
! escolha dos u$dame$tos para o $osso debate recaiu
sobre este pe$sador *ustame$te por>ue o pe$same$to do JuK3cs
da maturidade, segui$do a esteira de um decisi"o po$to
metodológico do mar.ismo, aprese$ta uma i$stiga$te e.posi+,o
da gC$ese e do lugar o$tológico do trabalho $o mu$do dos
home$s, dos seus $e.os i$ter$os e de sua articula+,o com a
totalidade social. !l?m disso, as dime$s2es ce$trais >ue se
desdobram a partir do comple.o do trabalho apree$didas por
3
JuK3cs, G. %ur !ntolo"ie des "esellschaftilichen Sein& Jutcherla$d Qerlag,
%7(6. :tili/amos a tradu+,o italia$a desta mesma obra, i$titulada Per
l!ntolo"ia dell#ssere Sociale, Loma, Liu$iti, %7(%.
%4
este pe$sador se mostram solu+2es muito atuais em rela+,o ao
pe$same$to mar.ista co$temporD$eo. 'm sua !ntolo"ia reali/a
um tertium datur ta$to em termos do mar.ismo "ulgar >ue
compree$de os e$0me$os sociais como puras deri"a+2es
mecD$icas das legalidades eco$0micas, >ua$to Bs proposi+2es
idealistas >ue situam estes mesmos e$0me$os e.clusi"ame$te $a
esera da sub*eti"idade. !mbos s,o comple.os articulados e
i$dissoci3"eis da totalidade social.
JuK3cs des"ela as articula+2es e a co$ti$uidade da "ida dos
home$s em sociedade u$dame$tado $uma co$cep+,o histórica
do ser em geral e$>ua$to comple.o de comple.os e $uma
co$cep+,o de ser social e$>ua$to resultado e.clusi"o das a+2es
huma$as. 'mbora $,o ti"esse prete$s,o de produ/ir uma
o$tologia do ser em geral, sua i$"estiga+,o do mu$do dos
home$s se amplia para uma "is,o o$tológica al?m do ser social,
por compree$der >ue o co$ro$to e$tre a "ida social e as
estruturas e.iste$tes $a $ature/a a*uda a e.plicar a orga$i/a+,o
da sociedade huma$a, sem >ue isso sig$ii>ue uma simples
co$ti$uidade $atural do mu$do da $ature/a para o ser social, e
tampouco >ue a sociedade huma$a se e.pli>ue por pri$c<pios
purame$te ideais.
Sob esta perspecti"a, o ser em sua u$i"ersalidade m3.ima ?
composto das eseras mi$eral e orgD$ica e do mu$do dos
home$sH essas eseras se articulam e$tre si pela rela+,o de
depe$dC$cia e.iste$te e$tre uma e outra. ) ser social tem sua
%4
base de e.istC$cia $o ser orgD$ico, e este, por sua "e/, precisa do
ser mi$eral para e.istir. !o mesmo tempo, essas eseras ormam
comple.os relati"ame$te aut0$omos e esse$cialme$te disti$tos
em suas legalidades i$ter$as, co$igura$do um comple.o de
comple.os de car3ter u$it3rio: ta$to o ser em geral como o ser
social s,o comple.os de comple.os i$ter$ame$te heterogC$eos
mas, por Fltimo, u$it3rios. Meste se$tido, todo ser ? um
comple.o >ue e.iste como parte de um todo comple.o. !l?m
disso, o ser ? portador de uma co$ti$uidade histórica >ue se
e.plicita $o i$cessa$te mo"ime$to de determi$a+,o rele.i"a dos
comple.os parciais e$tre si e destes com a totalidade.
) >ue disti$gue o ser social das eseras $aturais ? >ue a
ob*eti"idade do ser social ? u$dada por atos teleológicos
huma$os, uma categoria e.iste$te some$te $o ser social. '$tre a
$ature/a e o ser social se i$terp2e um salto o$tológico
4
H o mu$do
dos home$s passa a co$stituirEse $uma $o"a esera de ser $a
medida em >ue ? u$dado a partir dos atos co$scie$tes dos
home$s >ue se apoiam $ecessariame$te sobre decis2es e$tre
alter$ati"as. Por outro lado, a base de e.istC$cia do ser social
perma$ece sempre o ser $atural.
4
Sobre salto o$tológico JuK3cs compree$de: Ntodo salto implica uma
muda$+a >ualitati"a e estrutural do ser, $a >ual a ase i$icial co$t?m
certame$te em si determi$adas premissas e possibilidades das ases
sucessi"as e superiores, mas estas $,o podem se dese$"ol"er da>uelas a
partir de uma simples e retil<$ea co$ti$uidade. ! essC$cia do salto ?
co$stitu<da por essa ruptura com a co$ti$uidade $ormal do dese$"ol"ime$to
e $,o pelo $ascime$to repe$ti$o ou gradual $o tempo, da $o"a orma de
serO. JuK3cs, G. Per l !ntolo"ia 'ell #ssere Sociale. Loma: Liu$iti, %7(%.
Qol IIR, I, p. %1E(.
%6
! esera social some$te pode se diere$ciar da $ature/a
$um processo em >ue surge e se dese$"ol"e uma comple.a
articula+,o $a >ual o mu$do dos home$s submete
co$sta$teme$te a $ature/a a tra$sorma+2es orie$tadas por um
ato teleológico. &o$orme JuK3cs, No mais alto grau do ser >ue
co$hecemos, o social, se co$stitui como grau espec<ico, se ele"a
a partir do grau em >ue est3 baseada a sua e.istC$cia, o da "ida
orgD$ica, e se tor$a uma $o"a esp?cie aut0$oma de ser, some$te
por>ue h3 $ele este operar real do ato teleológicoO@Idem,
ibidem$ p.24A. )u se*a, o mome$to u$da$te $este processo ?
precisame$te o trabalho. 'ste importa$te comple.o social ? a
media+,o pela >ual o homem reali/a a troca orgD$ica com a
$ature/a, possibilita$do ao ser social co$stituirEse em esera
o$tológica particular $o i$terior da totalidade do ser em geral.
Se por um lado o trabalho, ou o p0r teleológico prim3rio, ?
a media+,o u$dame$tal $o salto o$tológico B co$stitui+,o do
mu$do dos home$s, outras posi+2es teleológicas, igualme$te
importa$tes, agem $o i$terior do ser social da$do lugar a
processos reproduti"os u$dame$tais B ele"a+,o do homem a ser
huma$o ge$?rico. 'ssas posi+2es teleológicas secu$d3rias est,o
muito mais pró.imas do trabalho em sua ase mais dese$"ol"ida
e se e$co$tram muito imbricadas Bs posi+2es prim3rias. Mo
imediato, a realidade se aprese$ta como uma i$dissolF"el
u$idade e$tre os comple.os parciais, diiculta$do a percep+,o do
car3ter de ide$tidade da ide$tidade e da $,o ide$tidade e.iste$te
%1
e$tre comple.os >ue se i$terpe$etram $o i$terior da totalidade
social.
Messa perspecti"a do ser social como comple.o histórico,
>ue tem por u$dame$to as posi+2es teleológicas dos home$s,
co$du/imos $osso debate sobre a co$cep+,o do Ser"i+o Social
como processo de trabalho. Ti"emos sempre prese$te >ue a
história $,o ? teleológica, ou se*a, ? s<$tese dos i$Fmeros atos
si$gulares dos home$s e $,o h3 >ual>uer teleologia >ue a
preceda al?m dos atos huma$os. !l?m disso, a co$ti$uidade
histórica $,o sig$iica um simples mo"ime$to li$ear, acha$doEse
su*eita a rupturas e retrocessos, de modo >ue $o processo
e"oluti"o $,o h3 gara$tia de a"a$+osH os home$s produ/em a
história a/e$do escolhas em circu$stD$cias determi$adas, com
possibilidades, i$clusi"e, de i$"olu+2es. =as $o co$t<$uo
mo"ime$to histórico os home$s, de simples e.emplares $aturais,
dese$"ol"eramEse a partir do trabalho em meio a co$tradi+2es,
em dire+,o B co$stitui+,o da huma$idade ho*e e.iste$te e Bs
possibilidades de sua ema$cipa+,o.
Mo esse$cial, o te.to >ue ora aprese$tamos apoiouEse $o
pressuposto o$tológico pelo >ual $,o e.iste >ual>uer
possibilidade de >ue o ser social possa ser redu/ido ao trabalho,
do mesmo modo >ue do trabalho $,o se pode dedu/ir o ser
social em sua totalidade. ) ser social ? co$stitu<do a partir das
posi+2es teleológicas dos home$s, te$do $o trabalho a posi+,o
prim3ria ou categoria u$da$te, por>ue $ela se reali/a a s<$tese
%(
e$tre teleologia e causalidade >ue origi$a um $o"o ser disti$to da
$aturalidade simples. &o$tudo, e$tre trabalho e totalidade social
predomi$am os mome$tos sociais, e a sociabilidade, desde as
primeiras ormas, co$stituiEse $um comple.o de comple.os >ue
e.trapola os simples atos do trabalho. Iu$to a ele tCm lugar
posi+2es secu$d3rias >ue co$iguram as bases das rela+2es e$tre
os home$s. 6eri"a do car3ter u$it3rio do ser social e$>ua$to
comple.o de comple.os >ue o trabalho e outros e$0me$os
sociais some$te e.istam em rela+,o um ao outro, $uma <$tima
determi$a+,o rele.i"aH e$treta$to, s,o polos relati"ame$te
aut0$omos com aspectos >ualitati"ame$te disti$tos.
)rie$tamos $ossa rele.,o pela an(lise imanente de te)to$
co$ce$tra$do esor+os $a dire+,o de apree$der o car3ter
esse$cial das posi+2es teleológicas prim3rias e secu$d3rias,
pri"ilegia$do dois mome$tos da !ntolo"ia de JuK3cs: o trabalho
e a ideologia. 5uscamos, assim, tor$ar preciso ta$to o trabalho
e$>ua$to posi+,o >ue se desti$a B troca orgD$ica com a
$ature/a, >ua$to as outras posi+2es >ue se desdobram a partir
deste importa$te comple.o do ser social, te$do por i$alidade
agir sobre a co$sciC$cia de outros home$s, cu*o ob*eto, porta$to,
? o homem e suas rela+2es reais. !$alisamos >ue tipo de posi+,o
teleológica aprese$ta maior pro.imidade com o Ser"i+o Social,
discuti$do sua apro.ima+,o e seus limites com o processo de
trabalho e po$dera$do sobre a possibilidade de seu car3ter
o$tológico como ideologia.
%7
Mossa e.pectati"a ? co$tribuir para o debate sobre o
Ser"i+o Social $a perspecti"a de e$te$dCElo e$>ua$to um
comple.o da sociabilidade huma$a com u$+,o $a reprodu+,o da
sociedade. Leco$hecemos o $<"el i$trodutório das rele.2es, sem
prete$s,o de atribuir a elas um car3ter co$clusi"o, e$te$de$doEas
como um mome$to da apree$s,o do Ser"i+o Social $o co$te.to
da totalidade social, >ue se co$stitui po$to de partida para $o"as
i$"estiga+2es e aprou$dame$tos.
28
Capítulo I:
SOBRE O TRABALHO
Trabalho: Protoforma da Atividade Humana
2%
!s teses e pri$c<pios o$tológicos u$dame$tais do ilósoo
hF$garo Georg JuK3cs em >ue $os apoiamos para esta rele.,o
sobre o Ser"i+o Social est,o co$tidas $o te.to de sua !ntolo"ia$
co$igura$do um amplo u$i"erso categorial em >ue debate com
outros importa$tes pe$sadores e e.p2e sua apree$s,o do Ser
Social. M,o h3 de $ossa parte a prete$s,o de tratar da obra em
sua totalidade, o >ue le"aria um tempo muito maior,
co$sidera$do sua dime$s,o e o co$*u$to de ormula+2es $ela
co$tidas. Para esta e.posi+,o iremos tomar basicame$te como
reerC$cia dois cap<tulos da segu$da parte da obra: ! Trabalho e
! Problema da Ideolo"ia, mome$tos esse$ciais das posi+2es
teleológicas dos home$s.
JuK3cs dee$de >ue Ntoda muralha chi$esa >ue te$ha sido
erguida $o curso do dese$"ol"ime$to social e$tre ciC$cia e
ilosoia de"e ser demolida, sem >ue as diere$+as e$tre ambas
se*am a$uladasO @28%8, p. 277A. ! coopera+,o orgD$ica e$tre
ciC$cia e ilosoia tem como sig$iicado metodológico >ue
todo o co$hecime$to cie$t<ico de"e se orie$tar pelo
co$hecime$to ilosóico, e todo co$hecime$to ilosóico pelo
cie$t<ico, e de modo i$i$terrupto e.tra"asarEse, a im de
apree$de, i$telecti"ame$te, o ser em sua articula+,o categorial
e as suas categorias como determi$a+2es i$ter$as do ser @idem,
p.3%%A.
=as para >ue isto eeti"ame$te se*a "3lido as bases
ilosóicas de >ual>uer co$hecime$to de"em co$siderar
u$dame$talme$te o car3ter o$tológico do ser em sua
u$i"ersalidade e em sua particularidade. )s aspectos merame$te
22
isolados de >ual>uer ser le"am a distor+2es $o co$hecime$to
eeti"o do real em sua "erdadeira co$stitui+,o, de modo >ue:
NSem um dom<$io i$telectual e cie$t<ico do ser social, >ue tem
de partir o$tologicame$te, sempre das te$tati"as teóricas de
esclarecime$to da pr3.is huma$a @$o se$tido mais amploA, $,o
ha"er3 uma o$tologia co$i3"el ob*eti"ame$te u$dadaO @idem, p.
47A. &om isso JuK3cs reuta te$tati"as metodológicas de
apree$s,o do ser merame$te g$osiológicas e airma uma
o$tologia mar.ia$a materialme$te u$dada.
I$icialme$te dei.amos claro >ue ? poss<"el ide$tiicar
algu$s co$ceitos u$dame$tais ao e$te$dime$to da perspecti"a
luKacsia$a sobre o homem e suas rela+2es. ) co$ceito de
totalidade ? algo decisi"o $a !ntolo"ia de JuK3cs, o ser social ?
"isto como uma totalidade comple.a, um compósito de i$Fmeras
outras totalidades >ue $o seu co$*u$to e $os seus detalhes s,o
sempre totalidades, de modo >ue $o se$tido mais geral, ou $o
se$tido mais si$gular, cada comple.o ? ormado por um co$*u$to
de rela+2es >ue se i$terdetermi$am e se articulam em uma
totalidade basicame$te composta em se$tido mais geral pelo
dese$"ol"ime$to dos polos o$tológicos da sociabilidade e da
i$di"idua+,o, um polo compree$de o dese$"ol"ime$to das or+as
produti"as, o outro o das i$di"idualidades sociais. ) car3ter
dessa totalidade ? o$tológico, tem uma e.istC$cia eeti"a como
produto da a+,o dos home$s, "isto >ue, para o autor, No homem
? um ser >ue respo$deO@%71(, p.4A tra$sorma$do suas carC$cias
23
em resposta Bs $ecessidades criadas cotidia$ame$te media$te o
processo de reprodu+,o.
! sociedade, especialme$te a mais e"olu<da, ? um
comple.o de comple.os de cu*a base eco$0micoEmaterial emerge
um co$*u$to de rela+2es e de comple.os $,o eco$0micos como a
pol<tica, o direito, a arte, a ilosoia etc., em perma$e$te
i$tera+,o com esta base >ue, se $,o podem ser desco$ectadas
desta, possuem em rela+,o a ela uma auto$omia relati"a.
Porta$to, $,o h3 uma completa ide$tidade e$tre a base e os
comple.os particulares dela deri"ados, bem como e$tre os
comple.os e$tre si, cada um e.erce u$+,o espec<ica $o
co$te.to da totalidade social e aprese$ta peculiaridades em
rela+,o aos outros.
) ser social ? uma totalidade em mo"ime$to, h3 $ele um
processo e"oluti"o >ue "ai das ormas de orga$i/a+,o social
mais simples Bs mais comple.as "isto >ue o ser, ali3s, todo ser ?,
para o autor, dotado de co$ti$uidade. Só >ue esse processo
e"oluti"o, repetimos, $,o sig$iica um mero continuum, uma
e"olu+,o li$ear, mas um processo permeado tamb?m por
desco$ti$uidades, e"olu+2es e i$"olu+2es como ta$tas "e/es tem
ocorrido $a história. !s sociedades surgem, podem e"oluir ou se
autodestruir, $,o h3 gara$tia de uma co$ti$uidade do processo
huma$o como simples e"olu+,o perma$e$te, o car3ter dessa
co$ti$uidade est3 $o ato de >ue o gC$ero huma$o surgido com
o trabalho "em, ao lo$go da história, co$ser"a$do tra+os comu$s
24
>ue marcam o dese$"ol"ime$to de um ser social ai$da mudo em
dire+,o B supera+,o de sua mude/. =ome$tos decisi"os desse
processo desde o comu$ismo primiti"o aprese$tam caracteres
peculiares e F$icos sempre com base em determi$a+2es ob*eti"as,
metamorosea$doEse $a história em modos de produ+,o cada "e/
mais comple.os e co$traditórios em dire+,o B huma$i/a+,o do
homem.
) surgime$to das sociedades de classe desde o escra"ismo
? marcado pela e.plora+,o do homem pelo homem, porta$to,
pela alie$a+,o @#nfremdun"* >ue impede o crescime$to dos
i$di"<duos $o mesmo $<"el do crescime$to das or+as produti"as,
co$stitui$do obst3culos ao dese$"ol"ime$to ple$o do gC$ero
huma$o, por isso mesmo JuK3cs, pós =ar., e$te$de a história
huma$a como i$completa, ai$da $,o orie$tada co$scie$teme$te
em a"or do próprio homem, ou se*a, como a pr?Ehistória da
huma$idade. Some$te um $<"el superior de sociabilidade daria
i$<cio B história huma$a autC$tica, mas mesmo assim $,o
sig$iicaria o im da história, pois: N! oposi+,o a todo utopismo
se e.pressa em =ar. tamb?m $o ato de >ue todo Sim da
históriaT e declarado estritame$te imposs<"elO @JuK3cs, 28%8,
p.33%A.
) co$ceito de trabalho ? u$dame$tal $a !ntolo"ia
especialme$te por correspo$der B gC$ese do ser social. U a
categoria ce$tral e decisi"a $a co$stitui+,o do homem, categoria
$o se$tido mar.ia$o de Nmodo de ser, determi$a+,o da
24
e.istC$ciaO @%7(%, p.38%A, sig$iica$do >ue o trabalho ? um
processo histórico real e ob*eti"ame$te e.iste$te, composto de
i$Fmeros atos i$di"iduais $os >uais operam uma co$sciC$cia >ue
se apodera da realidade ob*eti"a e a tra$sorma media$te uma
i$cessa$te produ+,o de $o"as realidades. &om o trabalho, surge
um gC$ero huma$o, dotado de uma co$sciC$cia peculiar e capa/
de i$teragir com a $ature/a produ/i$do algo $,o e.iste$te a$tes,
tem i$<cio o processo de huma$i/a+,o do homem e$>ua$to
processo históricoEsocial. !o tratar do trabalho em seus $e.os
i$ter$os JuK3cs dei.a claro >ue est3 reali/a$do uma Nabstra+,o
$ecess3riaO, $o se$tido dei$ido por =ar., mas o trabalho
eeti"ame$te só e.iste e$>ua$to mome$to real do processo de
reprodu+,o articulado ao co$te.to da totalidade social.
Sob $e$huma hipótese, co$"?m repetir, JuK3cs restri$ge as
determi$a+2es do ser social ao trabalho. ) trabalho ? mome$to
disti$to e i$separ3"el da totalidade social $o mu$do dos home$s
do >ual a/em parte desde as ormas mais primordiais de
orga$i/a+,o huma$aH tamb?m de modo decisi"o para a
reprodu+,o do ser social, importa$tes categorias, como: a ala, a
di"is,o do trabalho, a coopera+,o, a ideologia. 6e modo >ue o
trabalho e.iste, de ato, $o i$terior de uma sociabilidade, em uma
rela+,o rec<proca com as outras categorias do ser social,
i$tegra$do a totalidade deste ser como comple.o de comple.os.
&o$sidera$do a premissa de >ue o trabalho u$da a
sociabilidade, mas a totalidade social $,o pode ser redu/ida ao
26
trabalho co$du/imos $ossa rele.,o $o se$tido de des"elar
aspectos o$tológicos u$dame$tais para a apro.ima+,o ao
Ser"i+o Social como um comple.o da totalidade social. Ma
e.posi+,o i$iciaremos pela categoria trabalho para, em seguida,
tratar da ideologia, busca$do tor$ar precisos os mome$tos
ce$trais desses comple.os, suas determi$a+2es e u$+2es
esse$ciais. ! te$tati"a ? de apro.ima+,o o mais ielme$te
poss<"el ao >ue o autor produ/iu, procura$do des"elar as
poss<"eis co$e.2es e heteroge$eidades e.iste$tes e$tre trabalho,
$o preciso se$tido do termo, e os comple.os ideológicos
resulta$tes do dese$"ol"ime$to social. &om isso esperamos
dispor de argume$tos suicie$tes para a$alisar a apro.ima+,o
e$tre Ser"i+o Social e Processo de Trabalho.
1* Cate+o!ias Esseciais do T!a(al)o
Mo pe$same$to de JuK3cs o trabalho ? mome$to criador
>ue opera a s<$tese e$tre teleologia e causalidade, ou se*a,
co$stitui uma i$tera+,o e$tre su*eito e ob*eto atra"?s da >ual
Nreali/aEse, $o Dmbito do ser material, uma posi+,o teleológica
>ue d3 origem a uma $o"a ob*eti"idadeO @Idem, ibidem p.%7A.
TrataEse de uma categoria a$tiga. ) trabalho *3 ti$ha sido
21
pe$sado desde os gregos at? #egel com basta$te pro.imidade ao
real, mas coube a =ar. sua apree$s,o $o preciso se$tido
o$tológico materialista $o >ual JuK3cs se apoia para di"isar os
mome$tos esse$ciais. ! teleologia a/ do trabalho uma
peculiaridade e.clusi"a do mu$do dos home$s, co$orme =ar.
*3 ha"ia a$u$ciado:
Pressupomos o trabalho $uma orma em >ue perte$ce
e.clusi"ame$te ao homem. ! ara$ha reali/a opera+2es >ue
se parecem com as do tecel,o, a abelha a/ corar de
"ergo$ha muitos ar>uitetos ao co$struir os seus a"os de
cera. =as o >ue disti$gue, de a$tem,o, o pior ar>uiteto da
melhor abelha ? >ue ele co$struiu o a"o $a sua cabe+a
a$tes de co$stru<Elo $a cera. Mo im do processo de
trabalho emerge um resultado *3 prese$te $o i$<cio $a
imagi$a+,o do trabalhador e, porta$to, idealme$te. 'le $,o
ape$as eeti"a uma muda$+a da orma da mat?ria $aturalH
reali/a, ao mesmo tempo, $a mat?ria $atural, seu ob*eti"o,
>ue ele sabe >ue determi$a como lei a esp?cie e o modo de
sua ati"idade, e ao >ual tem de subordi$ar a sua "o$tade
4
.
=ar. apree$de a dime$s,o u$dame$tal da teleologia
e$>ua$to mome$to e.clusi"o do trabalho huma$o e com isso
si$ali/a a diere$+a desta a+,o dos home$s em rela+,o a >ual>uer
orma dos atos $o mu$do a$imal >ue por"e$tura se*am a ele
assemelhados. ! disti$+,o co$siste em >ue, pelo trabalho, o
homem respo$de aos desaios da mat?ria $atural, te$do por base
um ato de co$sciC$cia >ue estabelece uma i$alidade, e esta
i$alidade dirige todo o processo. ) produto i$al ? a ideia
origi$al impressa $o ob*eto, resulta$te de um mo"ime$to $o >ual
a co$sciC$cia se subordi$a Bs determi$a+2es u$dame$tais do
4
=ar., V. 'as +a,ital, "ol I, p.%48, a,ud JuK3cs, Per l!ntolo"ia
dell#ssere Sociale, "ol.IIR,I, p,%(E7. ! ca,ital$ 'ditora !bril &ultural, S.
Paulo, %7(3, "ol I, p. %47E48.
2(
ob*eto e, ao mesmo tempo, reorde$a o ob*eto sob $o"as ormas e
rela+2es, co$orme ob*eti"o pre"iame$te dei$ido. 'ste ato de
co$sciC$cia *3 $,o co$stitui um epie$0me$o, como $o mu$do
a$imal, pois ultrapassa as determi$a+2es purame$te biológicas,
impulsio$a$do para o dese$"ol"ime$to de rela+2es sociais
u$dadas $o trabalho.
!ssim como =ar., JuK3cs co$cebe o trabalho como uma
categoria e.clusi"a do ser social, e a teleologia como um
mome$to limitado ao trabalho, pode$doEse legitimame$te
reco$hecCEla de modo mais amplo $a pr3.is huma$a. ) autor
demarca sua co$traposi+,o B ideia de >ue a teleologia possa ser
ele"ada ao status de categoria cosmológica u$i"ersal, >ue
perpassou todo o pe$same$to ilosóico, e cu*a co$se>WC$cia oi
uma a$ti$omia co$corre$cial e$tre teleologia e causalidade,
resulta$do $uma co$cep+,o de teleologia como motor da
história. 6ele emergem ideias de uma história teleológica
co$du/ida pela ra/,o ou por um ser tra$sce$de$te, $o se$tido de
>ue o homem sofre a história em "e/ de produ/iEla de ato.
'$co$traEse a< a o$te de uma teleologia u$i"ersal, de >ue a
história seria teleológica, co$du/ida idealme$te.
Para o ilósoo hF$garo, por?m, No trabalho $,o ? uma das
muitas ormas e$omC$icas da teleologia em geral, mas o F$ico
lugar o$de se pode demo$strar o$tologicame$te a prese$+a de
um "erdadeiro p0r teleológico como mome$to eeti"o da
27
realidade materialO @JuK3cs, %7(%, p.23A
6
. 'ssa percep+,o
a"a$+ada da teleologia decorre da possibilidade de sua eeti"a
demo$stra+,o como mome$to de um ato e.iste$te $o real, $o
>ual a teleologia comp2e ob*eti"ame$te um processo de
tra$sorma+,o material e, $este processo, o homem dei.a sua
marca, >ue pode ser reco$hecida em >ual>uer tempo.
) trabalho $,o poderia se reali/ar se os ob*etos a serem
produ/idos $,o ossem elaborados idealme$te, ou se*a, se o
pe$same$to $,o ormulasse um pro*eto para guiar as ati"idades
pr3ticas apropriadas B sua produ+,o. ! teleologia co$stitui,
assim, a categoria ce$tral $o trabalho, a>uele mome$to si$gular e
abstrato em >ue a co$sciC$cia pro*eta idealme$te a co$stru+,o de
um $o"o ser e de"e co$creti/3Elo $uma i$tera+,o com a
causalidade. &omo pr?"ia idea+,o co$t?m, pote$cialme$te, os
sucessi"os atos >ue tra$sormam o ob*eto em $o"a realidade.
Para JuK3cs, a teleologia, por sua própria $ature/a, ? uma
categoria posta: Ntodo processo teleológico implica uma
i$alidade e, porta$to, uma co$sciC$cia >ue estabelece um imO
@28A. !o ter i$<cio $um ato de co$sciC$cia, a teleologia sup2e um
autor, uma <$tima liga+,o com a co$sciC$cia >ue a origi$a. =as
isso $,o redu/ a teleologia a simples impulso sub*eti"o, pois os
atos teleológicos, assim como a co$sciC$cia >ue os p2e, some$te
6
6e"ido ao gra$de $Fmero de cita+2es re>uerido pelo procedime$to de
a$3lise, a partir de agora i$dicaremos as cita+2es de JuK3cs reere$tes a Per
lontolo"ia dellessere sociale some$te pelo $Fmero da p3gi$a, e$tre
parC$teses.
38
e.istem $o i$terior do ser social, compo$do o co$*u$to da
ob*eti"idade social.
!ssim, a teleologia, $a co$di+,o de mome$to co$scie$te
do ser social, ? Nmome$to real da realidade materialO@23A,
dei$ida por JuK3cs como Numa categoria o$tológica
ob*eti"aO@23A, $o preciso se$tido de >ue a co$sciC$cia, com o ato
de p0r, d3 i$<cio a um processo real, e.atame$te ao processo
teleológico. ) p0r, porta$to, Ntem $este caso um i$elimi$3"el
car3ter o$tológicoO@28A. 6e modo >ue uma posi+,o $,o sig$iica
some$te uma tomada de co$sciC$cia a$te a realidade ob*eti"a,
mas um mome$to ob*eti"o >ue desla$cha um processo ob*eti"o
$o mu$do dos home$s. !o dese$cadear um processo real
espec<ico do mu$do huma$o, o p0r, assim co$siderado, u$da
uma $o"a ob*eti"idade, algo $,o e.iste$te a$teriorme$te $a
história $atural.
'$t,o, JuK3cs $,o só co$sidera o ob*eto, mas tamb?m a
teleologia, como ati"idade huma$a se$s<"el, e$>ua$to ato de p0r
>ue tra$sorma a causalidade em algo i$alisticame$te produ/ido
e, porta$to, e.erce em meio ao ob*eto uma or+a material real.
'$treta$to, como "eremos posteriorme$te, a ob*eti"idade da
teleologia ? di"ersa da>uela ob*eti"idade da $ature/a, ha*a "ista
>ue teleologia e causalidade ma$tCm sempre suas >ualidades
esse$ciais.
!o co$tr3rio da teleologia, a causalidade $,o sup2e autor
co$scie$teH NX...Y ? um pri$c<pio de automo"ime$to >ue repousa
3%
sobre si mesmo e >ue ma$t?m este car3ter mesmo >ua$do uma
s?rie causal te$ha o seu po$to de partida $um ato de
co$sciC$ciaO@28A. Suas >ualidades residem em pri$c<pios
totalme$te alheios ao p0r teleológicoH suas caracter<sticas,
desti$o ou e"olu+,o obedecem a leis $aturais e i$depe$de$tes da
co$sciC$cia huma$a, e$tra$do em rela+,o com esta some$te $o
ato de produ+,o. 9ora dessa rela+,o, a causalidade ? Num sistema
de comple.os cu*a legalidade co$ti$ua a operar com total
i$diere$+a com respeito Bs id?ias e aspira+2es do homemO@26A.
!ora modiica+2es próprias da $ature/a, em si despro"idas de
>ual>uer teleologia, some$te um ato huma$o pode p0r em
mo"ime$to as >ualidades $aturais de uma causalidade.
'sta >uest,o ? percept<"el at? mesmo $a realidade
cotidia$a. Se um homem $,o se propuser a tra$sormar uma
pedra $um outro ob*eto para seu uso, a pedra, i$te$cio$alme$te,
*amais se tra$sormar3 $a>uele ob*eto. Sem alar >ue, por parte
da pedra, o processo de tra$sorma+,o se reali/a $a mais
absoluta i$co$sciC$cia, embora as >ualidades i$ere$tes B pedra
e.er+am, como "eremos adia$te, uma or+a tamb?m decisi"a $o
processo. Mo aspecto sub*eti"o, a essC$cia da causalidade
co$irma a teleologia como categoria decisi"a e ce$tral $o
trabalhoH da ob*eti"idade material $,o brota $aturalme$te um ser
de uma $ature/a di"erge$te da>uele >ue o origi$ou, pois isso só
pode ocorrer pela a+,o de um p0r teleológico, de um ato
origi$ado $a co$sciC$cia @&. 23E24A.
32
Por outro lado, atra"?s de uma a+,o dirigida pelo
pe$same$to, uma pedra pode tor$arEse um ob*eto >ue di"erge da
simples $aturalidade. :ma aca de pedra produ/ida $o
Paleol<tico, por e.emplo, oi produ/ida para ter utilidade,
porta$to, ? portadora de uma esse$cialidade própria do mu$do
dos home$s. Ma i$tera+,o com a sub*eti"idade o ser da pedra oi
reorga$i/ado sob $o"as ormas e rela+2es, co$"erte$doEse em
ob*eto social.
!o mesmo tempo, isto aco$tece sem >ue a pedra dei.e de
ser pedra. JuK3cs di/ >ue Na F$ica muda$+a das categorias
$aturais só pode co$sistir $o ato de >ue estas Z em se$tido
o$tológico Z tor$amEse postasO @21A. =as as categorias $aturais
se tor$am postas some$te por>ue No seu car3ter de ser postas ? a
media+,o da sua subordi$a+,o B determi$a$te posi+,o
teleológica, media$te a >ual, ao mesmo tempo em >ue se reali/a
um e$trela+ame$to, de causalidade e teleologia, se tem um
ob*eto, um processo, u$itariame$te homogC$eoO@21A.
Isto $,o sig$iica >ue a pedra se tra$smutou em
pe$same$to, ao co$tr3rio, ma$te"e suas propriedades $aturais. !
causalidade dada @$ature/aA se subordi$a a determi$adas
posi+2es teleológicas, ad>uiri$do $o"as ormas e rela+2es >ue a
tor$am causalidade posta @realidade socialA, sem, co$tudo,
co$"erterEse em teleologia: Nsem "er ati$gida a sua
essC$ciaO@24A. Isto por>ue, em termos o$tológicos $aturais, os
u$dame$tos da causalidade $,o sorem modiica+,o, icam
33
ma$tidos como Npri$c<pio de automo"ime$to >ue repousa sobre
si mesmoO@28A, i$diere$tes ao ato de estarem ou $,o
articulados $uma orma origi$ada $um ato de co$sciC$cia.
'm suma, uma $o"a ob*eti"idade surge da $ature/a B
medida >ue a sub*eti"idade huma$a apree$de suas propriedades e
leis, atribuiElhe $o"as u$+2es e diere$tes modos de operar,
te$do o limite de $,o poder alterar o car3ter u$da$te do ser
material. !ssim, ica de"idame$te esclarecido >ue, para JuK3cs,
e$tre teleologia e causalidade $,o e.iste uma ide$tidadeH su*eito
e ob*eto s,o categorias esse$cialme$te heterogC$eas.
) trabalho, $este se$tido, sig$iica uma s<$tese $a >ual
temEse Numa e.istC$cia co$creta, real e $ecess3ria, e$tre
causalidade e teleologiaO, e$te$dido como um Nprocesso real
u$it3rio, cu*a mobilidade ? u$dada $a i$tera+,o destes
opostosO@24A. ) processo de trabalho some$te se reali/a
media$te a articula+,o e$tre sub*eti"idade e ob*eti"idade,
e$>ua$to categorias disti$tas e eeti"ame$te e.iste$tes. Messe
processo a teleologia tem o papel determi$a$te de i$teragir com
a causalidade, tor$a$doEa causalidade posta. Sem essa a+,o do
su*eito sobre a ob*eti"idade $,o e.iste processo de trabalho. )
mome$to do trabalho $o >ual se reali/a a co$"ers,o de
causalidade em causalidade posta ? a ob*eti"a+,o.
34
2* O =!ocesso O(>eti/a#$o?E@te!io!i8a#$o
,
&om o trabalho o homem opera $o mu$do $atural
modiica+2es de car3ter o$tológico, reali/a$do a co$"ers,o de
um ob*eto $atural em ob*eto social. ! prese$+a da teleologia ?
decisi"a para >ue isso aco$te+a. Mo i$terior do processo de
trabalho a teleologia i$terage com a causalidade e se ob*eti"a $o
ob*eto, da$doElhe $o"a ei+,o. &om isso la$+a $o mu$do $atural
algo i$teirame$te $o"o, uma causalidade posta, uma realidade
tor$ada co$creta pelo processo de ob*eti"a+,o, $o >ual uma
posi+,o teleológica, em resposta a um desaio da realidade
e.iste$te, ga$ha materialidade $um ob*eto material real. !
ob*eti"a+,o ? precisame$te o mome$to do trabalho em >ue a
teleologia se tra$smuta em causalidade posta.
&omo "imos a$teriorme$te, as muda$+as $a causalidade
aco$tecem sem >ue ha*a >ual>uer modiica+,o $as suas
>ualidades $aturais, Nsem passar por $e$huma tra$sorma+,o
i$ter$a, dos ob*etos, das or+as da $ature/a surge algo totalme$te
$o"oO, mas isto pode ocorrer some$te N$o i$terior da
i$suprimilidade o$tológica das leis da $ature/aO@21A, o >ue
ma$t?m a i$tegridade ob*eti"a da causalidade.
1
'.teriori/a+,o, em alem,o #nt-usserun"$ mome$to do trabalho $o >ual o
su*eito se e.teriori/a a$te o ob*eto criado, ? diere$te de #nfremdun"$ .ue
correspo$de B !lie$a+,o. #nfremdun" ? tradu/ido Bs "e/es como
'stra$hame$to. Ma "ers,o italia$a de Perlontolo"ia$ #nt-usserun" oi
tradu/ido como Aliena/ione e #nfremdun" como #strana/ione$ o >ue le"ou
ao e>u<"oco de co$u$dir e.teriori/a+,o com alie$a+,o. Para JuK3cs, como
"eremos adia$te, s,o categorias disti$tas.
34
! causalidade se tor$a posta $o se$tido de >ue ? um ob*eto
criado a partir de um impulso do su*eito para respo$der a
$ecessidades ob*eti"as, porta$to, tem sua gC$ese $uma
co$sciC$cia >ue estabelece uma i$alidade. Por sua "e/, o
pe$same$to se co$"erte em causalidade posta $o preciso se$tido
de >ue o ob*eto criado ? a e.press,o material do pro*eto pe$sado
idealme$te e com isso i$corporou ao seu em si os co$tor$os
decisi"os desse pro*eto, ga$ha$do uma >ualidade di"ersa da
$aturalidade simples. 6i/ JuK3cs >ue, Npor um lado, a posi+,o
teleológica Ssimplesme$teT utili/a a ati"idade própria da
$ature/aO, gra+as ao >ue o ob*eto ma$t?m seus atributos
$aturaisH Npor outro lado, a tra$sorma+,o de tal ati"idade a/
desta o co$tr3rio de si própriaO@26E1A.
) ob*eto criado *3 $,o ? mais e.clusi"ame$te $ature/aH ao
mesmo tempo, sem dei.ar de ser $ature/a, se co$"erteu $o seu
oposto. ! causalidade soreu uma muda$+a >ualitati"a,
reali/a$do um salto para um $o"o grau do ser, o >ue, para
JuK3cs, sig$iica um salto o$tológico. 6e ma$eira >ue a
co$"ers,o da causalidade em causalidade posta se reere a uma
muda$+a de grau de um ob*eto do mu$do $atural para o mu$do
dos home$s. NMature/a e trabalho, meio e im, alca$+am alguma
coisa >ue ? em si homogC$ea: o processo de trabalho e, ao i$al,
o produtoO@21A. ) produto do processo u$it3rio de trabalho ?
causalidade posta.
36
!ssim se$do, para JuK3cs, o ser social ? esse$cialme$te
causalidade posta, $a medida em >ue, te$do sua gC$ese $o
trabalho e, de$tro dele, $o processo de ob*eti"a+,o, ad>uire os
co$tor$os >ue a sub*eti"idade lhe imprime. ! ob*eti"a+,o opera
uma modiica+,o do mu$do dos ob*etos $o se$tido de tor$3Elos
sociais. Mo i$terior do processo de trabalho a ob*eti"a+,o reali/a
a s<$tese e$tre o mome$to ideal e a realidade material, u$da$do
o ser social, um processo >ue se eeti"a ma$te$do sempre
teleologia e causalidade como categorias o$tologicame$te
disti$tas. Meste se$tido o ser social, de modo $ecess3rio, ?
i$ter$ame$te co$traditório.
! causalidade e$>ua$to categoria da $ature/a tem
e.istC$cia própria particular e aut0$oma, sua e.istC$cia
i$depe$de de atos teleológicos. ) co$tr3rio, por?m, $,o ?
"erdadeiro. ! teleologia, co$orme "imos $o item a$terior, ?
uma categoria posta cu*a e.istC$cia est3 delimitada pelo
comple.o social do trabalhoH some$te $o i$terior do trabalho tem
lugar a coe.istC$cia co$creta e$tre teleologia e causalidade.
Porta$to, a teleologia ? uma categoria cro$ologicame$te
posterior B causalidade, >ue opera em co$e.,o com o
dese$"ol"ime$to material do mu$do huma$o. '$treta$to, a
teleologia e.erce uma a+,o de retor$o sobre a causalidade. !o se
apropriar das >ualidades i$tr<$secas da $ature/a e reorde$3Elas
$um $o"o modo de ser, pro"oca prou$das tra$sorma+2es $a
31
própria $ature/a e u$da uma $o"a esera o$tológica, o ser
social.
! causalidade posta, resulta$te do processo de ob*eti"a+,o,
? um e$te ob*eti"o t,o real >ua$to a causalidade dada e,
porta$to, sua história tra$scorre de modo alheio aos atos
teleológicos do seu criador. )s ob*etos criados pelo homem
@se*am eles si$gularidades ou a totalidade das rela+2es sociaisA
caracteri/amEse, e$>ua$to causalidade >ue s,o por si, como
Npri$c<pio de automo"ime$to >ue repousa sobre si mesmoO@28A.
Por isso aparecem aos i$di"<duos como uma Nsegu$da $ature/aO
@28A, $o se$tido de >ue, $o cotidia$o ou at? mesmo ao te$tar
compree$der o ob*eto criado com o ob*eti"o de tra$sorm3Elo, o
i$di"<duo se dero$ta com algo disti$to do su*eito, do mesmo
modo >ue em rela+,o B $aturalidade simples. &o$orme di/
JuK3cs:
! base do trabalho ? >ue o ser, o mo"ime$to etc. da
$ature/a s,o completame$te i$diere$tes para com as
$ossas decis2esH ? ape$as o seu co$hecime$to correto >ue
permite domi$3Elos praticame$te. )ra, o aco$tecer social
tem, certame$te tamb?m ele, uma legalidade ima$e$te
S$aturalT e $este se$tido se mo"e i$depe$de$teme$te de
$ossas alter$ati"as, do mesmo modo como o a/ a $ature/a
@%24E6A.
6esse modo a ob*eti"idade social ma$t?m o car3ter causalH
seu dese$"ol"ime$to $ada tem de teleológico, ? determi$ado por
sua legalidade ima$e$te e$>ua$to causalidade posta e pelas
rela+2es >ue se estabelecem $o co$*u$to da totalidade social. !
ob*eti"a+,o $o processo de trabalho se e.pressa $uma i$cessa$te
3(
produ+,o de $o"as realidades, >ue ga$ham auto$omia $o
c0mputo geral do ser social em mo"ime$to. )$tologicame$te
ala$do, a ob*eti"idade do ser social resulta$te do trabalho e, $o
seu i$terior, do processo de ob*eti"a+,o ? t,o real >ua$to a
ob*eti"idade da $ature/a. !s diere$+as >ue se a/em prese$tes
e$tre a ob*eti"idade $atural e a ob*eti"idade social di/em respeito
Bs peculiaridades $a legalidade ima$e$te a cada esera do ser em
particular.
! ob*eti"a+,o ? uma rela+,o esse$cial >ue se re"ela em
todas as e.press2es huma$as, $a medida em >ue o homem
i$terage com a $ature/a e com a sociedade. 'ssa i$tera+,o se
co$creti/a em Ncada ato de ob*eti"a+,o do ob*eto da pr3.isO,
simulta$eame$te a Num ato de e.teriori/a+,o do seu
su*eitoO@371A. )s processos de ob*eti"a+,o e.pressam ati"idades
de su*eitos sociais >ue $,o some$te agem sobre o mu$do
ob*eti"o, mas tra$sormam, tamb?m, a si mesmos e ao co$*u$to
da sociedade por eles criada, e s,o, ao mesmo tempo,
tra$sormados por ela. 6i/ JuK3cs:
Qisto >ue todas as e.press2es do homem, a come+ar pelas
u$dame$tais como o trabalho e a li$guagem, at? as
ob*eti"a+2es do mais alto "alor, s,o sempre
$ecessariame$te posi+2es teleológicas, a rela+,o su*eitoE
ob*eto, e$>ua$to rela+,o t<pica do homem com o mu$do, ?
uma i$terErela+,o $a >ual se tem uma a+,o i$o"adora,
tra$sormadora, perma$e$te do su*eito sobre o ob*eto e do
ob*eto sobre o su*eito, $a >ual $em uma $em outra
compo$e$te pode ser co$cebida isoladame$te, separada do
seu oposto, isto ?, de modo aut0$omo @482A.
37
Mo co$t<$uo mo"ime$to de reprodu+,o do ser social
"eriicaEse, co$comita$teme$te, No sociali/arEse da sociedade, o
dirigirEse da huma$idade a uma ge$eridade real, $o se$tido da
essC$cia em si, e o desdobrame$to da i$di"idualidade
huma$aO@483A.
6isso resulta um e$trela+ame$to Ne$tre os dois comple.os
eleme$tarEu$dame$tais do ser social: e$tre a totalidade real de
>ual>uer sociedade e a totalidade igualme$te real dos home$s
si$gulares >ue a ormamO@41%A. 'sse eleme$to $o"o co$tido $o
ser social possibilita por si a e.istC$cia de um gC$ero huma$o,
pois, co$orme =ar., Na ge$eridade cessa de ser mudaO@412A,
como o ? $os a$imais, B medida >ue Ne$tre cada e.emplar e o
gC$ero se "eriica uma i$tera+,o perma$e$te >ue
perma$e$teme$te se tradu/ em co$sciC$cia i$teriorO@412A.
) dese$"ol"ime$to dessas categorias se reali/a de modo
desigual $o curso de um lo$go e co$t<$uo "irEaEser históricoE
social. Meste, as posi+2es teleológicas, desde o trabalho e a
li$guagem at? produtos huma$os do mais alto "alor, implicam
processos baseados $a u$idade o$tológica de ob*eti"a+,o do
ob*eto e de alie$a+,o do su*eito.
Sobre o processo ob*eti"a+,o-e.teriori/a+,o, JuK3cs
co$sidera e"ide$te >ue se trata de algo mais al?m de dois
aspectos i$terligados do mesmo processo. ! e.teriori/a+,o
dirigeEse mais precisame$te B co$stitui+,o da i$terioridade do
su*eito. &om ela tem i$<cio o processo de reco$hecime$to e
48
co$stru+,o do i$di"<duo como Npessoa huma$aO. &o$ceito >ue,
em JuK3cs, carrega todas as co$se>uC$cias o$tológicas de >ue a
perso$alidade, com toda a sua problem3tica, ? uma categoria
social. &omo real+a Tertulia$:
! perso$alidade $,o ? um epie$0me$o do ambie$te, um
simples produto do determi$ismo @tese de Tai$eA, $em
uma or+a aut3r>uica >ue surgiria e se airmaria para al?m
da totalidade socialX...Y. Segu$do JuK3cs, a sociedade ?
co$substa$cial aos i$di"<duos >ue agem sempre de$tro de
um co$*u$to de co$di+2es co$cretas, ob*eti"a$doEse e
e.teriori/a$doEse ao mesmo tempo @a,ud )ldri$i, %774,
p.%%(A.
) ilósoo hF$garo compree$de a e.teriori/a+,o
@#nt-usserun"A como a a+,o de retor$o >ue todo ser resulta$te
da ob*eti"a+,o e.erce sobre o su*eito >ue o criou. Por meio da
e.teriori/a+,o os home$s reco$hecemEse disti$tos dos ob*etos
por eles criados. ) ato de ob*eti"a+,o, ao dar origem a um $o"o
ser, permite a e.teriori/a+,o da co$sciC$cia a$te B realidade
e.ter$a a si mesma. Meste mo"ime$to em >ue os i$di"<duos
reco$hecem o seu em si, tem origem a e.teriori/a+,o do su*eito.
) ser social atua sobre a co$sciC$cia dos home$s >ue o
produ/iram. Se$tido pelo >ual a e.teriori/a+,o ? media+,o
u$dame$tal B co$stitui+,o dos i$di"<duos sociais >ue, por sua
"e/, e.ercem papel determi$a$te $o dese$"ol"ime$to da
sociabilidade e "iceE"ersa.
&ompre$deEse, e$t,o, a airma+,o de )ldri$i: N!>uilo >ue
JuK3cs i$dica como SpessoaT ? o resultado de uma dial?tica
social >ue ati$ge as bases reais da "ida do i$di"<duo e se
4%
relacio$a com a estrutura eco$0mica, as co$di+2es, as rela+2es
de classe, etc., em resumo, com o Scampo de ma$obra históricoE
social co$creto, $o i$terior do >ual a>uela "ida se dese$"ol"eT O
@%774, p.%%7A.
Jessa e.pressa o >ue represe$ta a e.teriori/a+,o $o
pe$same$to do ilósoo hF$garo: N!o co$tr3rio do
estra$hame$to @#ntfremdun"A, >ue s,o os obst3culos postos B
ple$a e.plicita+,o da ge$eralidade huma$a, a e.teriori/a+,o
correspo$de, para JuK3cs, aos mome$tos $os >uais a a+,o de
retor$o do ob*eti"ado sobre o su*eito impulsio$a a i$di"idua+,o e
a sociabilidade a patamares cresce$teme$te ge$?ricosO @Jessa,
%771, p.%4A
(
. 6este modo a e.teriori/a+,o em JuK3cs tem um
se$tido positi"o, se co$stitui em impulso para >ue i$di"<duo e
sociedade se ele"em B co$di+,o de gC$ero huma$o.
&ertame$te o mo"ime$to em dire+,o ao ser huma$o
ge$?rico $,o ocorre sem media+2es. ! a+,o de retor$o do ser
social sobre o seu criador pode atuar $egati"ame$te sobre os
processos de i$di"idua+,o e de sociabilidade, co$stitui$doEse em
obst3culo B ge$eralidade huma$a. &omo di/ S?rgio Jessa:
) e$0me$o do estra$hame$to correspo$de B cria+,o,
pelos próprios home$s, $o lu.o da pr3.is social, de
obst3culos B ple$a e.plicita+,o do ser huma$o ge$?rico @e
porta$to das i$di"idualidadesA. !o co$tr3rio da
e.teriori/a+,o, >ue correspo$de ao mome$to de airma+,o
do huma$o, o estra$hame$to se co$stitui $um mome$to
socialme$te posto de $ega+,o do huma$o, uma $ega+,o
social do ser huma$o @Jessa, %776, p.%%1A.
(
Mesta obra o autor tradu/ alie$a+,o @#ntfremdun"* ,or estra$hame$to&
42
Ma co$ti$uidade da pr3.is huma$a os home$s produ/em
limites ao dese$"ol"ime$to da perso$alidade, da$do origem a
rela+2es sociais alie$adas. )s estra$hame$tos ou alie$a+2es se
e.pressam sob i$Fmeras ormas, depe$de$do do mome$to em
>ue s,o produ/idos. =as para JuK3cs, determi$ada orma de
alie$a+,o pode $ascer da e.teriori/a+,o, embora esta Fltima
possa muito bem e.istir sem produ/ir alie$a+2es. Meste se$tido,
a alie$a+,o tem o seu lugar o$tológico $o processo
ob*eti"a+,o-e.teriori/a+,o, mas, de modo $e$hum,
e.teriori/a+,o e alie$a+,o sig$iicam a mesma coisa.
) dese$"ol"ime$to das or+as produti"as ?
$ecessariame$te tamb?m o dese$"ol"ime$to da capacidade
huma$a EE e a>ui emerge praticame$te o problema da
alie$a+,o EE o dese$"ol"ime$to da capacidade huma$a $,o
produ/ obrigatoriame$te o Xdese$"ol"ime$toY da
perso$alidade huma$a. !o co$tr3rio, *ustame$te
pote$ciali/a$do capacidades si$gulares, pode desigurar,
a"iltar, etc., a perso$alidade do homem @JuK3cs, %7(%,
p.462A.
6e modo >ue o e$0me$o da alie$a+,o, em sua essC$cia
co$creta, remete B co$tradi+,o e$tre o dese$"ol"ime$to das
or+as produti"as e o crescime$to i$terior dos i$di"<duos
huma$os. !ssim, o dese$"ol"ime$to eco$0mico $,o sig$iica
$ecessariame$te o dese$"ol"ime$to ple$o das perso$alidades
i$di"iduais $o mesmo $<"el, ao co$tr3rio, o dese$"ol"ime$to
causal da eco$omia pode at? mesmo i$luir $egati"ame$te sobre
a perso$alidade do homem. 'ste e$0me$o se a/ prese$te $a
história por di"ersos modos. ;ua$to a isso, #ola$da come$ta:
43
'm se trata$do de um e$0me$o socialme$te determi$ado,
co$orme *3 assi$alamos, a alie$a+,o, $a sua co$ti$uidade
histórica, assume ormas particulares de se e.plicitar.
Toda"ia, perma$ece em todas as suas ma$iesta+2es EE
i$depe$de$te de sua orma ou co$teFdo EE essa a$t<tese de
u$do e$tre dese$"ol"ime$to da capacidade e
dese$"ol"ime$to da perso$alidade. ' ta$to mais
dese$"ol"idas as or+as produti"as, mais e"ide$te se tor$a
tal co$tradi+,o @%77(, p.76A.
6esse modo, ? um e$0me$o históricoEsocial >ue se
ma$iesta em determi$ado mome$to Ne a partir desse mome$to
assume $a história ormas sempre diere$tes, cada "e/ mais
claras. Jogo, a sua co$stitui+,o $ada tem a "er com uma
condition humaine geral e ta$to me$os com uma u$i"ersalidade
cósmicaO @JuK3cs, %7(%, p.447A. Some$te tem sig$iicado $o
pla$o o$tológico e$>ua$to ma$iesta+,o co$creta de uma
situa+,o co$creta.
)s e$0me$os e.teriori/a+,o e alie$a+,o em JuK3cs
re>uerem um estudo muito mais aprou$dado, o >ue $,o
co$stitui $osso propósito $este te.to. &om essas co$sidera+2es
>ueremos ape$as registrar >ue o processo
ob*eti"a+,o-e.teriori/a+,o em JuK3cs ? a base o$tológica do
mo"ime$to em dire+,o B Sociabilidade e B I$di"idua+,o. !o
mesmo tempo, o comple.o ob*eti"a+,o-e.teriori/a+,o d3 origem
B alie$a+,o, e$>ua$to impedime$to B ple$a e.plicita+,o da
ge$eralidade huma$a. 'm Fltima i$stD$cia, a gC$ese desses
processos e$co$traEse $o processo de ob*eti"a+,o do trabalho.
'm s<$tese, com o processo de ob*eti"a+,o-e.teriori/a+,o
$o trabalho a co$sciC$cia reali/a a tra$sorma+,o da causalidade
44
em causalidade posta e media$te esse mo"ime$to d3 origem ao
mu$do huma$o. Qimos >ue isto aco$tece sem >ue a ob*eti"idade
criada perca a >ualidade esse$cial de causalidade e$>ua$to e$te
o$tológico ob*eti"o.
A* =B! TeleolC+ico e Alte!ati/a
Para JuK3cs, a estrutura i$ter$a do p0r teleológico ?
composta de dois atos esse$ciais: a posi+,o dos i$s e a busca
dos meios
7
. &om a posi+,o dos i$s o pe$same$to estabelece a
i$alidade de sua a+,o, ao mesmo tempo >ue articula a busca dos
meios $ecess3rios para ati$gir a>uela i$alidade. Mo mo"ime$to
desses dois atos esse$ciais se re"ela a <$tima liga+,o e$tre
7
&o$orme JuK3cs: N!ristóteles disti$gue $o trabalho dois compo$e$tes: o
pe$sar @$o?sisA e o produ/ir @poi?sisA. !tra"?s do primeiro ? posto o im e se
buscam os meios para reali/3EloH atra"?s do segu$do o im posto se tor$a
real. M. #artma$, por seu tur$o, di"ide a$aliticame$te o primeiro
compo$e$te em dois atos, posi+,o de im e busca dos meios, e assim tor$a
mais co$creta, de modo correto e i$struti"o, a rele.,o pio$eira de
!ristóteles, sem alterarElhe imediatame$te a essC$cia o$tológica >ua$to aos
aspectos decisi"os.O @JuK3cs, %7(%, p.23A.
44
teleologia e causalidade. Porta$to, $,o es>ue+amos >ue a
posi+,o teleológica est3 submetida aos limites colocados pelas
determi$a+2es da causalidade.
=esmo assim, em todo ato si$gular de trabalho predomi$a
a orie$ta+,o dada pela posi+,o do im. Por e.emplo, o ato
i$di"idual de produ/ir um abrigo ? dirigido por alguma i$alidade
>ue pode ser a resposta a uma $ecessidade do homem se
proteger de alguma coisa. ) desdobrame$to do processo de
ob*eti"a+,o >ue se eeti"a a partir da< ? orie$tado para alca$+ar
a>uela i$alidade. Sig$iica >ue, $a si$gularidade e $a
imediaticidade de toda a+,o huma$a, a pr?"ia idea+,o ? o
mome$to predomi$a$te.
Isto >uer di/er >ue, $o ato imediato e si$gular do trabalho,
a busca dos meios ocupa papel secu$d3rio em rela+,o B
i$alidade. )s meios e i$strume$tos do trabalho s,o u$dame$tais
como media+2es $ecess3rias para a co$secu+,o dos i$s a >ue se
desti$a o processo em curso, mas a i$alidade tem o papel
primordial de dirigir o p0r teleológico.
Para >ue $,o se colo>uem e>u<"ocos $a apree$s,o
ade>uada desta abstra+,o sobre o p0r teleológico, JuK3cs
assi$ala >ue Nem Fltima i$stD$cia trataEse de ato de um
dese$"ol"ime$to social, isto ?, da>uele comple.o >ue =ar.
chama de i$tercDmbio orgD$ico da sociedade com a $ature/a, $o
>ual $,o h3 dF"ida >ue o mome$to social $,o pode dei.ar de ser
46
o mome$to predomi$a$teO@38A. !l?m disso, *3 "imos >ue para
este autor a co$sciC$cia ?, ela mesma, socialme$te determi$ada.
Mo dese$"ol"ime$to da história huma$a a busca dos meios
ad>uire uma importD$cia u$dame$tal $a co$ti$uidade e $o
dese$"ol"ime$to do ato de trabalhar. Pois, $o curso dos
aco$tecime$tos sociais, a i$alidade imediata a partir da >ual oi
produ/ido um i$strume$to de trabalho pode at? se perder,
e$treta$to o i$strume$to de trabalho ser"e como media+,o social
para i.ar o co$hecime$to ad>uirido $a produ+,o da>uele ob*eto.
!ssim, os meios do trabalho se tor$am uma importa$te o$te de
co$hecime$to ob*eti"o da realidade e ad>uirem uma posi+,o de
importD$cia predomi$a$te $o dese$"ol"ime$to do trabalho. Para
uma melhor compree$s,o do processo de trabalho e do apare$te
parado.o $a i$"ers,o da predomi$D$cia e$tre posi+,o dos i$s e
busca dos meios, JuK3cs co$sidera importa$te a separa+,o
a$al<tica e$tre essas posi+2es @&. 2(E3%A.
! busca dos meios ? o mome$to do p0r teleológico $o
>ual a co$sciC$cia toma um impulso em dire+,o ao co$hecime$to
da realidade e.ter$a a si mesma. Permite ao pe$same$to capturar
os $e.os i$ter$os do ob*eto, suas propriedades esse$ciais, pelo
co$hecime$to ob*eti"o do sistema causal dos ob*etos e dos
processos cu*o mo"ime$to pode le"ar a alca$+ar o im posto. !
busca dos meios tem uma dupla u$+,o:
de um lado e"ide$ciar a>uilo >ue em si mesmo go"er$a os
ob*etos em >uest,o i$depe$de$teme$te de toda
co$sciC$ciaH de outro lado, descobrir $eles a>uelas $o"as
co$e.2es, a>uelas $o"as poss<"eis u$+2es >ue, >ua$do
41
postas em mo"ime$to, tor$am eeti"3"el o im
teleologicame$te posto @26A.
&ompete a esse mome$to do p0r teleológico descobrir a
legalidade i$ter$a da causalidadeH al?m disso, de"e precisar as
combi$a+2es poss<"eis dos caracteres esse$ciais do ob*eto,
"isa$do $o"as u$+2es >ue possam ate$der B i$alidade
pre"iame$te dei$ida. JuK3cs e$te$de >ue a $ecess3ria co$cre+,o
de uma posi+,o teleológica co$siste em esta ser capa/ de alterar
de alguma ma$eira o ob*eto, tra$sorma$do seus $e.os causais
em $e.os causais postos. Sem esse e.erc<cio uma posi+,o
teleológica $,o passa de um ato da co$sciC$cia >ue, impote$te
dia$te da $ature/a, se desa/ como pura puls,o do pe$same$to.
Meste se$tido o$tológico uma posi+,o teleológica só se
caracteri/a como tal >ua$do e.erce eeti"ame$te esta u$+,o de
tra$sormar causalidade em causalidade posta. ! u$+,o
o$tológica da posi+,o teleológica do trabalho imp2e o
co$hecime$to da $ature/a. 6i/ JuK3cs:
:ma "e/ >ue a pes>uisa da $ature/a, i$dispe$s3"el ao
trabalho, est3, a$tes de tudo, co$ce$trada $a prepara+,o
dos meios, s,o estes o pri$cipal i$strume$to de gara$tia
social de >ue os resultados dos processos de trabalho
perma$e+am i.ados, >ue ha*a uma co$ti$uidade $a
e.periC$cia de trabalho e especialme$te >ue ha*a um
dese$"ol"ime$to ulterior. U por isso >ue o co$hecime$to
mais ade>uado >ue u$dame$ta os meios @ute$s<lios , etc.A
?, muitas "e/es, para o ser social, mais importa$te do >ue a
satisa+,o da>uela $ecessidade @i$alidadeA@27A.
! busca dos meios se materiali/a $os i$strume$tos
produ/idos $a e para a co$secu+,o do trabalho, mome$to pelo
4(
>ual se tor$a realidade ob*eti"a capa/ de subsistir ao homem >ue
o criou. N) arado ? mais $obre >ue as satisa+2es >ue ele permite
e >ue co$stituem os i$s. ) i$strume$to se co$ser"a, e$>ua$to as
satisa+2es imediatas passam e s,o es>uecidasO @27A. !ssim,
co$t?m os tra+os do trabalho huma$o $o mome$to em >ue oi
produ/ido, e.pressa$do um determi$ado $<"el de
dese$"ol"ime$to social. Mos ob*etos criados pelo homem
Npodemos obter, a respeito da "ida co$creta das pessoas >ue os
utili/aram, co$hecime$tos muito maiores do >ue os >ue
apare$teme$te parecem esco$derEse $elesO @38A. Meste se$tido
est,o i.ados co$hecime$tos do processo de trabalho huma$o em
seu dese$"ol"ime$to ima$e$te.
JuK3cs airma >ue Na busca dos meios para tor$ar ato a
i$alidade $,o pode se$,o implicar um co$hecime$to ob*eti"o do
sistema causal dos ob*etos e da>ueles processos cu*o mo"ime$to
? capa/ de reali/ar o im postoO@24A. ) su*eito $ecessita
i$corporar determi$a+2es do real para poder co$creti/ar o seu
pro*eto e, $essa rela+,o, o ob*eto e.erce o mome$to
predomi$a$te $a delimita+,o das possibilidades e das
$ecessidades da pr?"ia idea+,o.
6o po$to de "ista social, a busca dos ob*etos e dos
processos $aturais >ue precede a posi+,o da causalidade $a
posi+,o dos meios ? co$stitu<da esse$cialme$te por atos
cog$osciti"os reais, ai$da >ue $,o ha*a $o decorrer do processo
de trabalho co$sciC$cia e.pressa de tal situa+,o. Toda
47
e.periC$cia com rela+,o a uma causalidade real se i$sere $o
trabalho para ate$der a um F$ico im. '$treta$to, em sua
e.ecu+,o pr3tica s,o elaboradas abstra+2es corretas, precisas e
ob*eti"as >ue, por a$alogia, podem ser aplicadas a outras
situa+2es. Por isso mesmo a busca dos meios te$de $aturalme$te
a auto$omi/arEse a$te os atos si$gulares do trabalho. Mestes
termos a busca dos meios ad>uire um poder regulador da própria
i$alidade.
Sem o co$hecime$to do real a reali/a+,o do im tor$aEse
uma impossibilidade. ! co$di+,o de reali/a+,o de um pro*eto
pre"iame$te ideali/ado sup2e uma $ecess3ria rela+,o e$tre a
i$alidade e o dese$"ol"ime$to da busca dos meios. Para >ue
essa i$terErela+,o se*a bemEsucedida ? $ecess3rio >ue o
co$hecime$to da $ature/a te$ha ati$gido um $<"el ade>uado. Se
assim $,o or, Na i$alidade perma$ece um mero pro*eto utópico,
uma esp?cie de so$hoO@21E(A. '.emplo disso ? o ato de >ue o
so$ho de "oar perma$eceu um simples pro*eto huma$o at? >ue
se domi$asse o co$hecime$to dos meios $ecess3rios a sua
co$creta reali/a+,o.
&o$tudo, esta e.igC$cia $,o se a/ em termos do
co$hecime$to absoluto do real. Pois, Ntodo ob*eto $atural, todo
processo $atural aprese$ta uma i$i$idade i$te$si"a de
propriedades, e de rela+2es com o mu$do circu$da$teO@2(A, ou
se*a, todo ob*eto co$stitui sua si$gularidade como part<cipe de
uma determi$ada totalidade. Meste se$tido, o mo"ime$to em
48
dire+,o ao co$hecime$to particular de um ob*eto com i$s
espec<icos $,o pode dei.ar de "ir acompa$hado por abstra+2es,
hipóteses acerca de suas determi$a+2es u$i"ersais. ) co$teFdo
dessas abstra+2es pode at? ser also, mas $,o i$"iabili/a o
processo de trabalho. JuK3cs po$dera:
Se, para trabalhar, osse $ecess3rio uma co$sciC$cia,
mesmo >ue só apro.imada, desta i$i$idade i$te$si"a
e$>ua$to tal, $as ases i$iciais de obser"a+,o da $ature/a
@>ua$do $,o e.istia uma co$sciC$cia em se$tido
co$scie$teA o trabalho $,o poderia *amais ter surgido @2(A.
) homem age $o trabalho abstrai$do parcialme$te do
ob*eto mome$tos da i$i$idade i$te$si"a >ue, media$te uma
situa+,o co$creta, apa$he ade>uadame$te os $e.os causais
$ecess3rios e suicie$tes B eeti"a+,o de determi$ada posi+,o dos
i$s. )bser"emos >ue, e$tre ta$tos outros trabalhos
surpree$de$tes, o homem reali/ou com sucesso a $a"ega+,o em
alto mar, apesar de o co$hecime$to sobre o u$i"erso estar
baseado $uma co$cep+,o geocC$trica, posteriorme$te
co$siderada alsa. ! $a"ega+,o, com certa margem de erro, ?
claro, orie$ta"aEse corretame$te atra"?s da obser"a+,o das
estrelas, tor$a$do poss<"el o alca$ce da i$alidade.
) co$hecime$to $ecess3rio $o dese$"ol"ime$to da>uela
ati"idade "oltaEse para a captura de tra+os da realidade,
ob*eti"ame$te u$dados, dirigidos para i$s imediatos. !
$ecessidade absoluta $a busca dos meios ? >ue a posi+,o
teleológica abstraia de modo eica/ as determi$a+2es da
realidade >ue se e$co$tram ao alca$ce imediato do p0r
4%
teleológico. )u se*a, No trabalho para se reali/ar pressup2e um
co$hecime$to co$creto, ai$da >ue *amais pereito, de
determi$adas i$alidades e de determi$ados meiosO @JuK3cs,
%71(, p.(A. Sem essa apro.ima+,o B realidade, porta$to, sem a
busca dos meios, $,o e.iste trabalho poss<"el.
JuK3cs ide$tiica $a busca dos meios $o trabalho a gC$ese
o$tológica da ciC$cia. &om a a$3lise desse importa$te ato
teleológico ele articula trabalho e pe$same$to cie$t<ico, >ua$do
airma ser: Na partir da te$dC$cia i$tr<$seca de auto$omi/a+,o da
busca dos meios, dura$te a prepara+,o e e.ecu+,o do processo
de trabalho, >ue se dese$"ol"e o pe$same$to orie$tado para a
ciC$cia e mais tarde se origi$am as ciC$cias $aturaisO @JuK3cs,
%7(%, p.32A.
:ma caracter<stica o$tológica do trabalho ? a perma$e$te
pro*e+,o $o se$tido do aperei+oame$to e dese$"ol"ime$to,
impulsio$a$do a cria+,o de produtos sociais de $ature/a mais
ele"ada. 6i/ o autor:
Tal"e/ a mais importa$te dessas diere$cia+2es se*a a
auto$omi/a+,o das ati"idades preparatórias, ou se*a, a
separa+,o EE sempre relati"a EE >ue, $o próprio trabalho
co$creto, tem lugar e$tre o co$hecime$to, de um lado, e,
por outro, as i$alidades e os meios. ! matem3tica, a
<sica, a >u<mica, etc. eram origi$alme$te partes,
mome$tos desse processo preparatório do trabalho. Pouco a
pouco, elas cresceram at? se tor$arem campos aut0$omos
do co$hecime$to, sem, por?m, perderem i$teirame$te essa
respecti"a u$+,o origi$3ria @ JuK3cs, %71(, p.(E7A.
! co$e.,o e$tre trabalho e pe$same$to cie$t<ico
e$co$traEse, como *3 "imos, $a busca dos meios e$>ua$to
42
impulso ima$e$te B apree$s,o das leis da ob*eti"idade, mas
ape$as o impulso origi$3rio do pe$same$to cie$t<ico. Mo
processo de dese$"ol"ime$to da sociedade a ciC$cia ad>uire
relati"a auto$omia e gra$de importD$cia social, e.trapola$do o
Dmbito da troca orgD$ica com a $ature/a. 9orma um comple.o
particular permeado por soisticadas media+2es, i.a$do e
dese$"ol"e$do o co$hecime$to sobre o ser $atural.
) solo >ue dema$da sua e.pa$s,o ? o dese$"ol"ime$to
social global. &omo >ual>uer comple.o parcial, a ciC$cia i$tegra
a totalidade social e$>ua$to comple.o de comple.os, e as
respostas por ela elaboradas est,o predomi$a$teme$te
delimitadas pelo mo"ime$to da totalidade. ! orma como reali/a
essas respostas depe$de do seu dese$"ol"ime$to, de sua história
i$ter$a e$>ua$to comple.o particular do ser social.
M,o temos prete$s,o de $os deter $a a$3lise da ciC$cia, o
>ue comportaria i$Fmeros aspectos a serem co$siderados.
;ueremos ape$as po$tuar >ue JuK3cs situa o impulso para o
co$hecime$to ob*eti"o da realidade $o comple.o do trabalho.
Meste mesmo po$to articula trabalho e ciC$cia e$>ua$to
te$dC$cia a um co$hecime$to desa$tropomori/ador do real.
&o$hecime$to >ue, em li$has muito gerais, se u$da $a
perspecti"a de des"e$dar ob*eti"ame$te o em si dos ob*etos,
i$depe$de$teme$te dos se$time$tos >ue suscita $o su*eito
@JuK3cs,%7(%,p.34A. ) mome$to preciso $esta articula+,o ? a
busca dos meios.
43
&om a <$tima articula+,o e$tre busca dos meios e posi+,o
dos i$s $o processo de trabalho, a co$sciC$cia huma$a se
dista$cia eeti"ame$te da simples adapta+,o B $ature/a. )u se*a,
N$a medida em >ue a reali/a+,o da i$alidade se tor$a um
pri$c<pio replasmador $eoormati"o da $ature/a, a co$sciC$cia
>ue a ele deu impulso e dire+,o $,o pode mais ser,
o$tologicame$te, um epie$0me$o do ser orgD$icoO @34E6A. Isto
co$ere B co$sciC$cia huma$a um estatuto o$tológico disti$to da
co$sciC$cia purame$te a$imal.
JuK3cs reco$hece >ue, em certo grau, os a$imais operam
atos >ue tra$sormam a $ature/a de modo i$"olu$t3rio. =as
esses atos est,o $o limite das determi$a+2es biológicas da esera
orgD$ica e, porta$to, $os limites de uma co$sciC$cia >ue ? puro
epie$0me$o da reprodu+,o $atural. 'sses atos ma$iestam
possibilidades $o"as some$te em co$di+2es especiais, Bs "e/es
criadas pelo próprio homem, atra"?s de e.perime$tos.
Mo homem os co$tor$os da co$sciC$cia s,o muito mais
comple.os e superam a simples adapta+,o ao ambie$te,
e.pressa$doEse como mome$to decisi"o do trabalho, $o >ual a
reprodu+,o se caracteri/a pela i$cessa$te produ+,o de $o"as
realidades. Some$te pelo processo de trabalho a co$sciC$cia
ma$iestaEse como realidade o$tológica ob*eti"a. Meste se$tido a
e.posi+,o do seu car3ter $,o mais epie$omC$ico ? i$dissoci3"el
desse mome$to da pr3.is huma$a.
44
) processo em si do trabalho tem $a busca dos meios o
mome$to da gC$ese e dese$"ol"ime$to da categoria do rele.o,
eleme$to decisi"o $a captura do real pela sub*eti"idade. Para
JuK3cs, Nse o su*eito e$>ua$to separado, $a co$sciC$cia, do
mu$do ob*eti"o $,o osse capa/ de obser"ar e de reprodu/ir $o
seu serEemEsi este Fltimo, *amais a>uela posi+,o do im, >ue ? o
u$dame$to do trabalho, mesmo do mais primiti"o, poderia
reali/arEseO@36A.
) comple.o real do trabalho tem como base de sua
especiicidade o$tológica a solidariedade e$tre dois atos di"ersos
em sua essC$cia: Nde um lado, o rele.o o mais e.ato poss<"el da
realidade tomada em co$sidera+,o, de outro, o correlato p0r
da>uelas cadeias causais >ue, como sabemos, s,o i$dispe$s3"eis
para reali/ar a posi+,o teleológicaO @36A.
! $ecess3ria apree$s,o da realidade ob*eti"a $o processo
de trabalho se reali/a media$te o rele.o da realidade $a
co$sciC$cia. !tra"?s do rele.o Ncomo premissa de im e meio do
trabalho se reali/a uma separa+,o, um destacarEse do homem do
seu próprio ambie$te, uma tomada de distD$cia >ue se ma$iesta
clarame$te $o co$ro$to mFtuo e$tre su*eito e ob*etoO@3(A.
Tamb?m $o Dmbito do co$hecime$to JuK3cs destaca a
disti$+,o e$tre su*eito e ob*eto como polos de um processo
u$it3rio. Gra+as a este dista$ciame$to colocaEse a possibilidade
de a co$sciC$cia reali/ar apro.ima+2es sucessi"as ao ob*eto. !o
mesmo tempo, o rele.o ? respo$s3"el pela reprodu+,o do real
44
$a co$sciC$cia e pelo dese$"ol"ime$to da co$sciC$cia,
permiti$do uma apree$s,o cresce$te da
precisa separa+,o e$tre ob*etos >ue e.istem
i$depe$de$teme$te do su*eito, e su*eitos, >ue podem
reprodu/iElos de modo mais ou me$os correto media$te
atos de co$sciC$cia, >ue podem apropriarEse deles
espiritualme$te. 'ssa separa+,o tor$ada co$scie$te e$tre
su*eito e ob*eto ? um produto $ecess3rio do processo de
trabalho e com isso a base para o modo de e.istC$cia
especiicame$te huma$o @36E1A.
) ob*eto capturado pelo processo de co$hecime$to $,o ? a
mesma coisa >ue o ob*eto real. 6i/ JuK3cs: N$o rele.o da
realidade a reprodu+,o se destaca da SrealidadeT reprodu/ida, se
coagula $uma realidade própria da co$sciC$cia @3(AO. &o$stituiE
se $uma reprodu+,o i$telectual do ser ob*eti"o. Porta$to, para
este autor,
$asce uma $o"a orma de ob*eti"idade, mas $,o uma
realidade, e E em se$tido o$tológico estrito EE $,o ?
poss<"el >ue a reprodu+,o se*a da mesma $ature/a da>uilo
>ue ela reprodu/, ta$to me$os idC$tica a ela. !o co$tr3rio,
$o pla$o o$tológico o ser social se di"ide em dois
mome$tos heterogC$eos, "erdadeirame$te opostos: o ser
social e o seu rele.o $a co$sciC$cia. 'sta dualidade ? um
ato u$dame$tal do ser social @3(A.
Pelo rele.o o homem se apropria espiritualme$te da
realidade e.terior a si próprio e a partir dessa apropria+,o se
estabelece a dualidade e$tre mu$do pe$sado e mu$do real. N'ssa
separa+,o tor$ada co$scie$te e$tre su*eito e ob*eto ? um produto
$ecess3rio do processo de trabalho e com isso a base para o
modo de e.istC$cia especiicame$te huma$oO @3(A. !ssim, este
46
mome$to do trabalho se co$stitui $um dos u$dame$tos da
disti$+,o e$tre ser social e $ature/a.
! rele.,o $,o pode ser mera co$stru+,o da sub*eti"idadeH
por um lado, ? um ato teleológico e, por outro lado, respo$de a
uma $ecessidade socialme$te determi$ada. ) homem precisa
elaborar i$telectualme$te pe$same$tos >ue o apro.imem o mais
poss<"el de atos eeti"ame$te e.iste$tes. Para JuK3cs, isto Na/
com >ue as reprodu+2es $,o possam *amais ser cópias
otogr3icas, meca$icame$te i?is, da realidade. 'las s,o sempre
determi$adas pela i$alidade, >uer di/er, em termos ge$?ticos,
pela reprodu+,o social, pela "idaH $a origem, pelo trabalhoO @37A.
Lele.o e ser ob*eti"o e.istem e$>ua$to mFtua
determi$a+,o rele.i"a $o i$terior da pr3.is social. &omo bem
a$alisa S?rgio Jessa:
sem abrir m,o da categoria do rele.o, JuK3cs reco$hece
$ela um ato de sub*eti"idade >ue, de orma mais ou me$os
co$scie$te, permeia todo ato de apro.ima+,o da
co$sciC$cia ao real. !o co$"erter o real em Sposse
espiritualT, a co$sciC$cia desdobra uma apro.ima+,o ati"a
>ue, sem dei.ar de reletir o ser precisame$teEassim
e.iste$te, o a/ de modo historicame$te determi$ado. 'st3
a>ui aberto o campo para a delimita+,o da i$luC$cia de
comple.os como a ideologia, a pol<tica, os estra$hame$tos,
a arte, etc., $os processos g$osiológicos @Jessa, %771,
p.17A.
! media+,o $a >ual o rele.o da realidade se apoia para
reali/ar a posi+,o teleológica ? a categoria da alter$ati"a,
co$orme JuK3cs:
! alter$ati"a, >ue tamb?m ? um ato de co$sciC$cia, ?, pois,
a categoria mediadora por meio da >ual o rele.o da
realidade se tor$a "e<culo da cria+,o de um e.iste$te.
41
6e"eEse subli$har ai$da, a>ui, >ue esse e.iste$te $o
trabalho ? sempre algo $atural e >ue esta sua co$stitui+,o
$atural *amais pode ser i$teirame$te suprimida @46A.
! alter$ati"a est3 prese$te desde as ormas mais simples do
trabalho. Mo ato de produ/ir o $o"o o homem a/ escolhas e
essas escolhas resultam de uma decis,o a$te Bs poss<"eis
alter$ati"as para cada situa+,o co$creta. Por esse meio a
co$sciC$cia pode tra$sormar em ato a pote$cialidade elaborada
como pr?"ia idea+,o. !irma JuK3cs:
:m pro*eto, por mais comple.o e deli$eado com base em
rele.os corretos, mas >ue se*a re*eitado, perma$ece um
$,o e.iste$te @0itchtsiendesA, $,o obsta$te esco$da em si a
possibilidade de se tor$ar um e.iste$te @SeiendesA. 'm
substD$cia, porta$to, ape$as a alter$ati"a da>uela pessoa
@ou da>uele coleti"o de pessoasA >ue ? re>uerida para
colocar em mo"ime$to o processo de reali/a+,o material
media$te o trabalho, pode atuali/ar esta tra$sorma+,o da
pote$cialidade em e.iste$te @41A.
! alter$ati"a tem, em si, uma estrutura basta$te comple.a,
co$stitui um processo, Numa i$i$terrupta cadeia temporal de
alter$ati"as sempre $o"asO @43A, composto por um sistema de
rele.os, di$amicame$te elaborado e co$traditório. Todo
processo de escolha $o trabalho co$stitui uma cadeia basta$te
$umerosa de decis2es alter$ati"as. Le>uer sempre $o"as
decis2es >ue se apoiam sobre as a$teriores, amplia$do mais e
mais as media+2es $o sistema de decis,o.
! alter$ati"a opera $,o só sobre a causalidade $aturalH ela
ai$da co$ti$ua a operar depois do trabalho co$clu<do, $o se$tido
do co$trole sobre o produto, da recupera+,o de desgastes, da
4(
corre+,o de erros etc. ) dese$"ol"ime$to do trabalho impulsio$a
para >ue as decis2es alter$ati"as se deem sempre cada "e/ mais,
sobre a causalidade posta. Tor$amEse cresce$teme$te mais
di"ersiicadas e diere$ciadas, B propor+,o >ue se dese$"ol"e o
car3ter social da produ+,o, da$do lugar B eco$omia. Isso
Nco$tribui para >ue o car3ter de alter$ati"a da pr3.is huma$a, do
comportame$to do homem para com o próprio ambie$te e para
co$sigo mesmo se baseie sempre mais em decis2es alter$ati"asO
@44A. ! cadeia de alter$ati"as subsidia decis2es de i$di"<duos ou
de grupos sociais a$te situa+2es co$cretas. ) solo $o >ual s,o
geradas dema$das e respostas >ue re>uerem escolha e$tre
alter$ati"as a serem tradu/idas em pr3tica ? precisame$te o ser
social real.
Por sua "e/, $a posi+,o dos i$s reside o mome$to em >ue
o p0r teleológico si$ali/a para o mo"ime$to em dire+,o a uma
realidade ai$da i$e.iste$te. Mesta posi+,o, Na tarea utura
teleologicame$te posta ? o pri$c<pio determi$a$te da pr3tica >ue
te$de a elaO @1(A. !ssim se$do, o mome$to predomi$a$te $a
posi+,o dos i$s ? o de"erEser. Ma medida em >ue o de"erEser ? o
mome$to predomi$a$te $a posi+,o dos i$s, o uturo passa a ser
uma dime$s,o decisi"a $a escolha e$tre alter$ati"as $o processo
de ob*eti"a+,o.
&omo di/ JuK3cs, o ato teleológico N? determi$ado a
partir de um uturo posto como dei$ido, ? e.atame$te um agir
guiado pelo de"erEser do imO @1(A. Se $a busca dos meios o
47
processo de trabalho te$de para o co$hecime$to do ob*eto,
precisa$do i$corporar determi$a+2es reere$tes ao passado dos
ob*etos, a posi+,o dos i$s impulsio$a para o de"erEser. Por isso
mesmo um rele.o só ser3 ele"ado B co$di+,o de ato teleológico
$a posi+,o dos i$s >ua$do correspo$der, ade>uadame$te, B
i$alidade pre"iame$te dei$ida. JuK3cs airma:
) rele.o correto da realidade ?, $aturalme$te, a premissa
i$e"it3"el de um de"erEser >ue u$cio$e de ma$eira
corretaH tal rele.o correto, toda"ia, tor$aEse eeti"o ape$as
>ua$do a"orece realme$te a reali/a+,o da>uilo >ue de"e
ser @47A.
)u se*a, assim como, $a busca dos meios, a co$sciC$cia
reali/a a $ecess3ria disti$+,o su*eito . ob*eto. '$treta$to, a
alter$ati"a $a posi+,o dos i$s $,o se eeti"a determi$ada
primordialme$te pelo co$teFdo g$osiológico do rele.o do
ob*eto e sim pela i$alidade >ue dirige o processo de ob*eti"a+,o.
) mome$to predomi$a$te $esta posi+,o teleológica cabe ao
de"erEser. ) de"erEser e.erce a u$+,o de mediar os atos de
escolha $a rela+,o homem e $ature/a. Meste se$tido tem sua
e.istC$cia delimitada $o i$terior da pr3.is social.
JuK3cs reco$hece o de"erEser como modelo o$tológico do
"alor, com algumas po$dera+2es. M,o se podem redu/ir
categorias perte$ce$tes Bs ormas mais e"olu<das do ser social B
orma origi$3ria do de"erEser >ue atua $a troca orgD$ica com a
$ature/a. )s "alores e "alora+2es >ue tCm $o de"erEser o seu
solo ge$?tico possuem uma estrutura muito mais comple.a.
&omo di/ JuK3cs, Ne$tre o modelo e suas "aria+2es posteriores,
68
muito mais comple.as, h3 uma rela+,o de ide$tidade e$tre
ide$tidade e $,o ide$tidadeO@16A. :ma a$3lise da categoria "alor
e.trapola completame$te as prete$s2es desta $ossa disserta+,o.
Situaremos a>ui o >ue, $o esse$cial, co$ecta "alor e alter$ati"a
como mome$tos ge$?ticos dos processos ideológicos. Para
JuK3cs:
! ob*eti"idade do "alor eco$0mico est3 u$dada $a
essC$cia do trabalho como i$tercDmbio orgD$ico e$tre
sociedade e @$ature/aA e, $o e$ta$to, a própria orma
origi$al do trabalho para a >ual a utilidade i.a o "alor do
produto, mesmo >ue se relacio$e diretame$te com a
satisa+,o da $ecessidade, coloca em mo"ime$to $o
homem >ue o reali/a um processo cu*a i$te$+,o ob*eti"a EE
i$depe$de$teme$te do grau de co$sciC$cia EE ? dirigida a
promo"er $a realidade o dese$"ol"ime$to posterior do
homem @(7A.
=esmo $a troca orgD$ica com a $ature/a o "alor tem
car3ter ob*eti"o, est3 ligado B legalidade ima$e$te dos ob*etos e
dos processos >ue se estabelecem $a pr3.is do trabalho. Messa
rela+,o todo ato de "alorar tem determi$a+2es purame$te
sociais. !s escolhas dos i$di"<duos ou grupos de i$di"<duos, em
Fltima i$stD$cia, respo$dem a $ecessidades sociais ligadas ao
campo da reprodu+,o huma$a. 6ia$te de situa+2es co$cretas o
su*eito toma decis2es opta$do pelas alter$ati"as Bs >uais ele
atribui um maior "alor. =as os atos rele.i"os da co$sciC$cia
opera$tes $o processo de decis,o @certo ou errado, ade>uado ou
i$ade>uado, bom ou mauA s,o "alora+2es i$telecti"as, pro"Cm da
ati"idade co$scie$te e $,o da essC$cia dos ob*etos $aturais.
) "alor tem uma co$e.,o i$dissoci3"el com o car3ter
alter$ati"o da pr3.is social. ! $ature/a $,o co$hece
6%
"alores, mas ape$as $e.os causais e as muda$+as, a
di"ersiica+,o das coisas, dos comple.os, etc. >ue s,o
produ/idos por eles. 6este modo a prese$+a eeti"a do
"alor, $a realidade, se restri$ge ao ser social @7%A.
U a $ecess3ria co$cretude $a escolha e$tre alter$ati"as >ue
desdobra um processo "alorati"o $o i$terior do ser social. 'ssa
escolha ? orie$tada Npara "alores >ue $,o co$stituem de modo
$e$hum resultados, s<$teses etc., dos "alores sub*eti"os
si$gulares, mas, ao co$tr3rio, ? sua ob*eti"idade $o i$terior do
ser social >ue estabelece se s,o certas ou erradas as posi+2es
teleológicas alter$ati"as orie$tadas para o "alorO @7%A. 6e modo
>ue o "alor $,o ? um produto e.clusi"o da sub*eti"idade, $em
uma decorrC$cia imediata da ob*eti"idade material. TrataEse de
uma realidade da co$sciC$cia >ue tem e.istC$cia ob*eti"a
some$te $a pr3.is huma$a.
!o mesmo tempo, os "alores desempe$ham uma u$+,o
cresce$teme$te mais i$te$sa $o dese$"ol"ime$to da cadeia de
alter$ati"as $ecess3ria B reali/a+,o da pr3.is huma$a. Sua
ob*eti"idade reside em se co$stitu<rem em Npartes mo"e$tes e
mo"idas da totalidade do dese$"ol"ime$to socialO@71A. &om a
e"olu+,o das rela+2es sociais, acabam por se ormar comple.os
sociais como o direito, a pol<tica, a ilosoia e a arte >ue, em
Fltima i$stD$cia, tCm sua gC$ese $os "alores u$dados $o
processo de trabalho. Qe*amos em seguida o >ue tor$a poss<"el o
surgime$to desses comple.os sociais.
62
4* T!a(al)o e =osi#0es TeleolC+icas Sec"dD!ias
Pela argume$ta+,o deli$eada at? a>ui, o trabalho ? a>uela
ati"idade huma$a si$gular >ue medeia a troca orgD$ica do
homem com a $ature/a, tra$sorma$do ob*etos materiais em
ob*etos sociais. Por meio deste ato si$gular o homem reali/a a
s<$tese e$tre pr?"ia idea+,o @teleologiaA e realidade $atural
@causalidadeA, da$do origem a uma causalidade posta @ser socialA.
Meste se$tido origi$3rio e preciso, o trabalho ? uma posi+,o
teleológica prim3ria por meio da >ual o homem age sobre a
$ature/a com a i$alidade de produ/ir "alores de uso. JuK3cs
come$ta:
&om ra/,o, di/ =ar.: So trabalho como ormador de
"alores de uso, como trabalho Ftil, ? uma co$di+,o de
e.istC$cia do homem, i$depe$de$te de >uais>uer ormas
de sociedade ? uma $ecessidade $atural eter$a >ue tem a
u$+,o de mediar o i$tercDmbio e$tre o homem e a
$ature/a, isto ?, a "ida dos home$sT @=ar., a,ud JuK3cs,
%4A.
Mo tratame$to o$tológico do ser social, JuK3cs atribui um
lugar ce$tral e decisi"o ao trabalho, co$orme ressalta o próprio
ilósoo:
&o$sidera$do >ue $os ocupamos do comple.o co$creto da
sociabilidade como orma de ser, poderEseEia
63
legitimame$te pergu$tar por >ue, ao tratar deste comple.o,
colocamos o ace$to e.atame$te $o trabalho e lhe
atribu<mos um lugar t,o pri"ilegiado $o processo e para o
salto de sua gC$ese. ! resposta, em termos o$tológicos, ?
mais simples do >ue possa parecer B primeira "ista: todas
as outras categorias desta orma de ser tCm, como sua
essC$cia o$tológica, um claro car3ter socialH suas
propriedades e seus modos de operar some$te se
desdobram $o ser social *3 co$stitu<doH >uais>uer
ma$iesta+2es deles, ai$da >ue se*am primiti"as,
pressup2em o salto como *3 aco$tecido @JuK3cs, %7(%,
p.%4A.
Jogo em seguida, o mesmo autor airma: NSome$te o
trabalho tem, como sua essC$cia o$tológica, um claro car3ter
i$termedi3rio: ele ?, esse$cialme$te, uma i$terrela+,o e$tre
homem @sociedadeA e $ature/a, ta$to i$orgD$ica @ute$s<lios,
mat?ria, ob*eto do trabalho, etc.A, como orgD$ica,X...Y a$tes de
tudo, assi$ala a passagem, $o homem >ue trabalha, do ser
merame$te biológico ao ser socialO @%4A. '$treta$to,
o ser social, at? $o est3gio mais primiti"o, represe$ta um
comple.o de comple.os, o$de h3 i$tera+2es perma$e$tes
>uer e$tre os comple.os parciais, >uer e$tre suas partes.
6a>ui se dese$"ol"e o processo reproduti"o do comple.o
total em >uest,o, $o >ual tamb?m os comple.os parciais se
reprodu/em como atores aut0$omos EE ai$da >ue só
relati"ame$te, EE mas em cada um de tais processos ? a
reprodu+,o da totalidade >ue, $este mFltiplo sistema de
i$tera+2es, co$stitui o mome$to predomi$a$te @%3(A.
!ssim se$do, o trabalho ? a protoorma da ati"idade
huma$a por>ue $ele Nest,o gra"adas in nuce todas as
determi$a+2es >ue,X...Y, co$stituem a essC$cia de tudo >ue ?
$o"o $o ser socialO@%4A. 6e"ido B importD$cia do trabalho para
a apree$s,o o$tológica do ser social, ao tratar isoladame$te este
64
comple.o JuK3cs a/ uma $ecess3ria abstra+,o teórica, por?m,
segu$do o autor, Na sociabilidade, a primeira di"is,o do trabalho,
a li$guagem, etc., surgem do trabalho, mas $,o $uma sucess,o
temporal clarame$te ide$tiic3"el e sim, >ua$to B sua essC$cia,
simulta$eame$teO@%4A. !i$da sobre o trabalho como protoorma
da ati"idade huma$a, JuK3cs e$ati/a, em outro mome$to:
) car3ter dial?tico do trabalho como modelo da pr3.is
social aparece a>ui e.atame$te $o ato de >ue esta Fltima,
$as suas ormas mais e"olu<das, aprese$ta muitos des"ios
com rela+,o ao próprio trabalho. X...Y., o trabalho ? a orma
u$dame$tal e por isso mais simples e clara da>ueles
comple.os cu*a mFtua prese$+a orma a peculiaridade da
pr3.is social. '.atame$te por isso ? preciso subli$har
sempre de $o"o >ue as marcas espec<icas do trabalho $,o
podem ser tra$seridas sem mais $em me$os para as
ormas mais comple.as da pr3.is social.X...Y, o trabalho
reali/a materialme$te a rela+,o radicalme$te $o"a do
i$tercDmbio orgD$ico com a $ature/a, ao passo >ue as
outras ormas mais comple.as da pr3.is social, $a sua
gra$d<ssima maioria, pressup2em este i$tercDmbio
orgD$ico com a $ature/a, este u$dame$to da reprodu+,o
do homem $a sociedade @64E6A.
6este modo, o ser social $,o pode ser redu/ido ao
trabalho, se$do composto de outras categorias sociais al?m do
trabalho, e tampouco as categorias do ser social podem ser
dedu/idas deste mesmo comple.o: a ala, a sociabilidade, a
li$guagem, a primeira di"is,o do trabalho surgem
simulta$eame$te com ele. !l?m disso, e$tre os atos si$gulares do
trabalho e a totalidade do ser social se desdobra a teia de
media+2es >ue compree$de o comple.o da reprodu+,o social.
! alter$ati"a $,o só ? a categoria >ue a/ a co$e.,o e$tre
a totalidade social e o "alor, como se a/ prese$te em toda
64
posi+,o teleológica. Ma pr3.is huma$a, como di/ JuK3cs, Na
$o"a categoria determi$a$te, a>uela >ue a/ a passagem da
possibilidade B realidade, ? e.atame$te a alter$ati"aO@48A: Ma
alter$ati"a, No mome$to predomi$a$te ? co$stitu<do pelo seu
car3ter predomi$a$teme$te cog$osci"oO @48A, o homem co$hece
e a/ escolhas a$te as possibilidades alter$ati"as e.iste$tes. 6e
modo >ue o trabalho, tamb?m por este car3ter da alter$ati"a,
represe$ta uma "itória da co$sciC$cia sobre o mero i$sti$to
biológico para respo$der a uma $ecessidade reproduti"a.
Todo produto huma$o resulta de uma decis,o e$tre
alter$ati"as. )u se*a, como as Nrea+2es de um i$di"<duo ao seu
ambie$te social @i$clusi"e a troca orgD$ica da sociedade com a
$ature/aA tCm sempre um car3ter alter$ati"o, compree$dem
sempre em si, i$e"ita"elme$te, um sim ou $,o @ou um S"oto de
abste$+,oTA re$te B dema$da posta pela sociedadeO@263A.
&o$tudo, as alter$ati"as prese$tes $as posi+2es do trabalho
propriame$te dito aprese$tam sig$iicati"as diere$+as em
rela+,o B>uelas opera$tes $a pr3.is social em sua orma mais
comple.a. )bser"emos o >ue assi$ala o ilósoo hF$garo:
) trabalho $o se$tido origi$3rio e mais estrito ? um
processo e$tre ati"idade huma$a e $ature/a: seus atos
te$dem a tra$sormar algu$s ob*etos $aturais em "alores
de uso. Iu$to a isto, $as ormas ulteriores e mais e"olu<das
da pr3.is social, se destaca mais ace$tuadame$te a a+,o
sobre os outros home$s, cu*o ob*eti"o ?, em Fltima
i$stD$cia EE mas some$te em Fltima i$stD$cia EE mediar a
produ+,o de "alores de uso. Tamb?m $este caso, o
u$dame$to o$tológico estrutural ? co$stitu<do pelas
posi+2es teleológicas e pelas s?ries causais >ue elas p2em
em mo"ime$to. Mo e$ta$to, o co$teFdo esse$cial da
66
posi+,o teleológica $este mome$to EE ala$do em termos
i$teirame$te gerais e abstratos EE ? a te$tati"a de i$du/ir
uma outra pessoa @ou grupo de pessoasA a reali/ar algumas
posi+2es teleológicas co$cretas @44E6A.
'ssas co$sidera+2es de JuK3cs tor$am e"ide$te >ue o ser
social ? composto por posi+2es teleológicas de gC$ero di"erso.
!specto de importD$cia decisi"a para as $ossas rele.2es, dado
>ue prete$demos demo$strar >ue o Ser"i+o Social co$stitui uma
posi+,o teleológica disti$ta do trabalho. !s posi+2es teleológicas
prim3rias, co$cer$e$tes ao trabalho em se$tido restrito, s,o atos
>ue se dirigem diretame$te para tra$sormar a $ature/a, em
resposta Bs $ecessidades de reprodu+,o da "ida huma$a.
Ma pr3.is social mais ele"ada JuK3cs destaca as posi+2es
teleológicas secu$d3rias, cu*o co$teFdo se "olta para Na te$tati"a
de i$du/ir uma pessoa @ou grupo de pessoasA a reali/ar algumas
posi+2es teleológicas co$cretasO@46A. Mosso autor co$sidera >ue
este Nproblema aparece logo >ue o trabalho se tor$a social, $o
se$tido de >ue depe$de da coopera+,o de mais pessoasO @46A,
pois o trabalho só pode ser reali/ado eica/me$te media$te a
distribui+,o dos participa$tes segu$do u$+2es determi$adas. 6i/
JuK3cs:
!s posi+2es teleológicas >ue a>ui se "eriicam tCm, $a
realidade, um peso secu$d3rio em rela+,o ao trabalho
imediatoH de"e ter ha"ido uma posi+,o teleológica a$terior
>ue determi$ou o car3ter, o papel, a u$+,o, etc. 6este
modo, o ob*eto dessa i$alidade secu$d3ria *3 $,o ? um
eleme$to da $ature/a, mas a co$sciC$cia de um grupo
huma$oH a posi+,o do im *3 $,o "isa a tra$sormar
diretame$te um ob*eto $atural, mas a a/er surgir uma
posi+,o teleológica >ue te$ha, por?m, como ob*eti"o algu$s
ob*etos $aturaisH da mesma ma$eira, os meios *3 $,o s,o
61
i$ter"e$+2es imediatas sobre ob*etos $aturais, mas
prete$dem pro"ocar estas i$ter"e$+2es por parte de outras
pessoas @46A.
Jogo em seguida, o mesmo autor co$clui: NTais posi+2es
teleológicas secu$d3rias est,o muito mais pró.imas da pr3.is
social $os est3dios mais e"olu<dos do >ue o próprio trabalho $o
se$tido >ue a>ui o e$te$demosO @46A. ) surgime$to das posi+2es
teleológicas secu$d3rias pro"oca modiica+2es sig$iicati"as $o
comple.o do trabalho.
! estrutura origi$3ria do trabalho sore muda$+as
substa$ciais >ua$do a posi+,o teleológica $,o prete$de
mais tra$sormar e.clusi"ame$te ob*etos $aturais e utili/ar
processos $aturais, mas >uer i$du/ir outros home$s a
reali/ar por si mesmos determi$adas posi+2es deste gC$ero.
'ssa muda$+a se tor$a ai$da mais pro$u$ciada >ua$do o
dese$"ol"ime$to tem como co$se>WC$cia o ato de >ue o
próprio modo de comportarEse, a sua própria i$terioridade
passam a ser o ob*eto da posi+,o teleológica do i$di"<duo
@46A.
! $ature/a das modiica+2es $a estrutura do trabalho
decorre do ob*eto >ue a posi+,o de"e mirar para cumprir a
i$alidade. M,o se trata mais de agir some$te sobre a
materialidade simples, o su*eito i$te$cio$a operar sobre o
comportame$to dos i$di"<duos, com "istas ao prosseguime$to
do processo de trabalho. 6o dese$"ol"ime$to social do trabalho
resulta >ue a i$terioridade do su*eito acaba tamb?m por se tor$ar
ob*eto de a+,o de posi+2es teleológicas do su*eito. !s tareas
re>ueridas para tal empree$dime$to ad>uirem uma >ualidade
di"ersa da a+,o direta sobre a $ature/a.
6(
;ua$do, como "imos, o im teleológico ? o de i$du/ir
outros home$s a posi+2es teleológicas >ue eles mesmos
de"er,o reali/ar, a sub*eti"idade de >uem p2e ad>uire um
papel >ualitati"ame$te diere$te e, ao i$al, o
dese$"ol"ime$to das rela+2es sociais e$tre os home$s
implica >ue tamb?m a autotra$sorma+,o do su*eito se
tor$e um ob*eto imediato de posi+2es teleológicas, cu*o
co$teFdo ? um de"erEser @1(A.
'm decorrC$cia do dese$"ol"ime$to das rela+2es sociais
ocorrem muda$+as $o co$teFdo esse$cial das posi+2es
teleológicas. ) su*eito >ue p2e ad>uire u$+2es diere$tes
da>uelas re>ueridas pelo trabalho em se$tido restrito. Por este
moti"o, JuK3cs co$sidera a impossibilidade de se deri"ar
categorias comple.as do ser social a partir das mais simples,
te$do em "ista >ue N$,o ? ape$as o seu co$creto modo de
aprese$tarEse >ue est3 su*eito ao co$dicio$ame$to históricoE
social, mas tamb?m as suas ormas gerais e a sua essC$cia est,o
ligadas a determi$ados est3dios do dese$"ol"ime$to da
sociedadeO @%24E4A.
Maturalme$te, $os est3dios i$iciais, o$de predomi$a a
rela+,o orgD$ica com a $ature/a, as posi+2es teleológicas e.igem
um sistema de media+2es muito mais simples. ! posi+,o
teleológica prim3ria co$ecta de orma mais direta a rela+,o
teleologia e causalidade. Mos est3dios superiores, ao co$tr3rio, a
posi+,o teleológica some$te se co$ecta B $ature/a de orma
i$te$same$te mediada. Qe*amos por >ue isso aco$tece.
)s home$s $ecessitam dese$"ol"er ati"idades >ue
assegurem sua sobre"i"C$cia, isto se imp2e a eles como ato
67
diretame$te $ecess3rio e i$elimi$3"el. Meste se$tido, toda pr3tica
imediata do trabalho respo$de B $ecessidade de ma$ute$+,o e
reprodu+,o da "ida. '$treta$to, JuK3cs di/:
Só >ue $ós *3 o sabemos EE o ser homem do homem se
u$da precisame$te $isto EE tal imediaticidade pode se
reali/ar como base da e.istC$cia huma$a some$te se
supera a própria imediaticidade. ! posi+,o teleológica >ue
$ecessariame$te se i$terp2e e$tre $ecessidade e satisa+,o
co$t?m *3 em si tal supera+,o @464A.
) trabalho, e$>ua$to resposta imediata Bs $ecessidades
re>ueridas pela reprodu+,o, some$te pode ser superado por>ue
Ntoda posi+,o teleológica possui em si a possibilidade,X...Y, de
suscitar outras posi+2es de i$alidade para o seu prosseguime$to
e, ao mesmo tempo, de adaptar, dado o car3ter ob*eti"a$te dos
atos de reali/a+,o, a aculdade huma$a Bs $o"as e.igC$ciasO
@464A. ) car3ter de possibilidade i$ere$te a toda posi+,o
teleológica re>uer a cada mome$to $o"as alter$ati"as,
impulsio$a$do a pr3.is social para ormas cada "e/ mais
comple.as. JuK3cs airma:
) campo da eco$omia socialme$te dese$"ol"ida co$t?m
posi+2es de "alor de ambos os tipos e$trela+adas de modos
di"ersos, por?m, $este comple.o tamb?m as do primeiro
tipo, sem perder a sua essC$cia origi$3ria, sorem
muda$+as >ue as tor$am diere$tes. 6isto resulta, $a esera
da eco$omia, uma comple.idade maior do "alor e das
posi+2es de "alor. ;ua$do, e$t,o, e$tramos em eseras $,o
eco$0micas, $os e$co$tramos re$te a >uest2es ai$da mais
comple.as e de >ualidade diere$te @7%A.
!s posi+2es teleológicas suscitadas por a>uelas origi$ais
dirigemEse para outros i$s sociais >ue $,o se co$ectam
diretame$te B produ+,o material. '$treta$to, cumprem
18
importa$te papel, ta$to $a reprodu+,o e ma$ute$+,o da esera
eco$0mica, como $a reprodu+,o da sociedade como um todo. U
$este se$tido >ue JuK3cs airma >ue o dese$"ol"ime$to das
rela+2es sociais Nle"a B>uelas posi+2es teleológicas >ue i$te$tam
pro"ocar um $o"o comportame$to dos outros home$s, e as
tor$a sempre mais importa$tes, $o se$tido e.te$si"o e i$te$si"o,
>ua$titati"o e >ualitati"o, para o processo de produ+,o e para a
sociedade i$teiraO @464A. ' mais adia$te:
5asta recordar como o costume, o uso, a tradi+,o, a
educa+,o, etc., >ue se u$dam totalme$te sobre posi+2es
teleológicas deste gC$ero, com o dese$"ol"ime$to das
or+as produti"as ",o co$ti$uame$te aume$ta$do seu raio
de a+,o e a sua importD$cia, termi$a$do por se ormar
eseras ideológicas espec<icas @sobretudo o direitoA para
satisa/er estas $ecessidades da totalidade social @464A.
Porta$to, eseras ideológicas, como o direito, $,o $ascem
para respo$der a $ecessidades de reprodu+,o da "ida material,
co$orme os processos teleológicos prim3rios. ) seu campo de
ati"idade ? mediar a rela+,o e$tre os home$s "isa$do ate$der
$ecessidades da totalidade social. 'ssas eseras dierem
esse$cialme$te do trabalho em se$tido estrito. JuK3cs ad"erte:
Se $,o podemos co$trapor em termos meta<sicoEabsolutos,
sem grada+2es, a esera eco$0mica B superestrutura, $,o
podemos tampouco alar >ue o comple.o das posi+2es
teleológicas $o ser social ? um co$*u$to u$iorme
i$diere$ciado. X...Y ? preciso ter prese$te tamb?m $a esera
eco$0mica, e com eeitos sig$iicati"os $os outros comple.os,
a disti$+,o de gra$de rele"o o$tológico e$tre e$0me$o e
essC$cia @364A.
&o$clui$do, o ser social ? composto por posi+2es
teleológicas prim3rias @trabalhoA e secu$d3rias @respo$s3"eis pela
1%
rela+,o e$tre i$di"<duo e i$di"<duo e e$tre i$di"<duo e
sociedadeA. ) dese$"ol"ime$to social tor$a poss<"el o
surgime$to de comple.os sociais ideológicos >ue, embora
te$ham sua origem $o trabalho, dierem >ualitati"ame$te destes,
especialme$te >ua$to ao ob*eto sobre o >ual i$cide sua a+,o. Ma
sua origem est,o posi+2es teleológicas secu$d3rias >ue "isam
p0r em mo"ime$to a co$sciC$cia de outros home$s, em resposta
a $ecessidades da totalidade social.
! relati"a auto$omia >ue os comple.os ideológicos
ad>uirem $o i$terior do ser social ad"?m de possu<rem uma
legalidade i$ter$a >ue lhes ? co$erida pelo dese$"ol"ime$to de
sua história particular. '$treta$to, sua e.istC$cia se articula ao
co$te.to do ser social e$>ua$to comple.o de comple.os, uma
u$idade di$Dmica de di"ersos em >ue as processualidades
i$ter$as aprese$tam determi$a+2es co$cretas muito diere$tes.
Mo pró.imo cap<tulo iremos $os deter $o problema da ideologia,
e$>ua$to categoria o$tológicoEsocial cu*a pr?"ia idea+,o ? uma
posi+,o teleológica secu$d3ria.
12
Ca%&t"lo II
SOBRE A IDEOLOGIA
Ba!e! Ontol"#i$a! da Ideolo#ia
13
!o lo$go da história da ciC$cia moder$a o problema da
ideologia tem sido abordado sob as mais di"ersas acep+2es. )
co$ceito de ideologia, de a$tiga origem, ? empregado
re>ue$teme$te, desde as e.press2es mais cotidia$as, $a pr3tica
pol<tica e at? em abordage$s cie$t<icas e ilosóicas, com
diere$tes sig$iicados. 6ia$te disso, =ichel J[\] @%71(A airma
>ue Nao lo$go dos Fltimos dois s?culos ele se tor$ou ob*eto de
uma acumula+,o i$cr<"el, at? mesmo abulosa, de ambiguidades,
parado.os, arbitrariedades, co$traEse$sos e e>u<"ocosO @J^_`,
%71(, p.%8A. Isto só a/ "er >ue ideologia ? um tema de di<cil
e>uacio$ame$to e tem re>uerido esor+o de rele.,o $o percurso
do co$hecime$to huma$o.
Jea$dro Vo$der @2882A, por sua "e/, reali/a uma "asta
a$3lise sobre o problema da ideologia, reu$i$do a "is,o de
proemi$e$tes pe$sadores a$tes e depois de =ar., al?m de
autores $acio$ais e i$ter$acio$ais de di"ersas 3reas das ciC$cias
huma$oEsociais. Seu te.to A 1uestão da Ideolo"ia dei.a claro
>ue uma marca recorre$te $o pe$same$to co$temporD$eo ? a
rela+,o e$tre co$hecime$to e ideologia, a ideia de >ue o
co$hecime$to, sob a press,o deormadora da ideologia, estaria
su*eito a distor+2es. &o$tra essa "is,o distorcida e ilusória do
mu$do, os i$di"<duos lutariam em busca de airmar suas
co$"ic+2es, recorre$do a verdades $a reali/a+,o de escolhas e
decis2es >ue lhes permitem ma$terEse "i"os e atua$tes.
14
) autor sugere ai$da >ue a >uest,o da ideologia ?
decisi"a para os problemas huma$os, mas sua resolu+,o teórica
perma$ece e$igm3tica. TrataEse de um problema cu*a solu+,o
compete B pr3.is, depe$de$do de cada ?poca, do próprio
co$te.to espec<ico. =esmo assim ele po$dera:
'mbora, em Fltima a$3lise, a solu+,o de problemas teóricos
cruciais depe$da da a+,o pr3tica, co$"?m a/er a ressal"a de
>ue a a+,o pr3tica capa/ de resol"er esses problemas precisa,
ela mesma, da teoria. ;uer di/er: precisa de uma teoria
melhor, mais abra$ge$te e mais rigorosa do >ue a>uela >ue
tem tido. 'ssa co$clus,o $,o implica me$ospre/o algum pelo
trabalho dos teóricos >ue se empe$haram em decirar e$igmas
dos per<odos a$teriores ao $osso. !o co$tr3rio, o a"a$+o $o
trabalho teórico a ser empree$dido agora pressup2e o e.ame
rigoroso Z e por isso mesmo respeitoso Z do >ue *3 oi eito $o
pla$o da teoria @Vo$der, 2882, p.264A.
!o a$alisar pe$sadores co$temporD$eos, Vo$der dedicou
parte do reerido te.to ao problema da ideologia $o JuK3cs de
2istória e Consci3ncia de Classe, obra de %722, bem como em
algumas de suas produ+2es subse>ue$tes, e$ati/a$do a
i$luC$cia do seu pe$same$to sobre os mais di"ersos autores >ue
o sucederam. &om $osso te.to >ueremos aprese$tar rele.2es
sobre a co$cep+,o de ideologia >ue JuK3cs ormula $a sua
!ntolo"ia, produ/ida 48 a$os depois de 2istória e Consci3ncia
de Classe, busca$do apree$der, pelo i$terior do próprio te.to,
i$orma+2es precisas sobre essa categoria do ser social $o
pe$same$to da maturidade deste pe$sador hF$garo. 6o $osso
po$to de "ista, a produ+,o de uma o$tologia materialista por
parte de JuK3cs aprou$da e acresce $o"os eleme$tos ao
problema da ideologia >ue ",o al?m da abordagem do próprio
14
autor em obras precede$tes, co$orme argume$tamos $a
se>uC$cia.
JuK3cs @%71(A airma >ue No homem ? um ser >ue
respo$deO@p.4A, um ser ati"o, capa/ de agir sobre a $ature/a para
satisa/er suas $ecessidades e tamb?m de agir sobre os outros
home$s $o se$tido de co$du/iElos a ati$gir determi$ada
i$alidade. ! ati"idade huma$a se dese$"ol"e mediada por
i$Fmeros atos teleológicos >ue implicam a rela+,o do homem
com a $ature/a e do homem com os outros home$s. 'ssa
ati"idade tem o car3ter de pr3.isH $ela, su*eito e ob*eto s,o
categorias disti$tas, eeti"ame$te e.iste$tes e eeti"ame$te
opera$tes, >ue i$teragem $o processo de ob*eti"a+,o de um $o"o
ser. 'eti"ame$te,
o homem tor$aEse um ser >ue d3 respostas, precisame$te
$a medida em >ue EE paralelame$te ao dese$"ol"ime$to
social e em propor+,o cresce$te EE ele ge$erali/a,
tra$sorma$do em pergu$tas seus próprios carecime$tos e
suas possibilidades de satisa/CElosH e, >ua$do em sua
resposta ao carecime$to >ue a pro"oca, u$da e e$ri>uece a
própria ati"idade com tais media+2es, re>We$teme$te bem
articuladas @J:Va&S, %71(, p.4A.
! "ida social $,o se co$stitui em uma simples co$ti$uidade
da "ida $atural, mas, como *3 "imos, tem por base as posi+2es
teleológicas dos home$s, Ntodos os mome$tos da "ida sócioE
huma$a, >ua$do $,o tCm um car3ter biológico totalme$te
espo$tD$eoE$ecess3rio @respirarA s,o resultados causais de
posi+2es teleológicas e $,o simples elos de cadeias causaisO
@34%A. !ssim, as posi+2es teleológicas de um modo geral
16
e.pressam o modo particular da reprodu+,o do ser social em
rela+,o Bs outras eseras do ser e$>ua$to u$i"ersalidade.
! apree$s,o da ideologia reali/ada por Georg JuK3cs em
Para a !ntolo"ia do Ser Social sub"erte, a $osso "er, o co$ceito
de ideologia habitualme$te prese$te em outras obras de tradi+,o
mar.ista, em dois aspectos esse$ciais. 'm primeiro lugar, por
ide$tiicar $o trabalho a base o$tológica da ideologia,
demo$stra$doElhe um se$tido mais amplo >ue o co$ceito a ela
atribu<do. 'm segu$do lugar, por a/er a disti$+,o e$tre
ideologia e alsa co$sciC$cia, dei$i$do a ideologia como u$+,o
$a reprodu+,o social, e$>ua$to ato huma$o eeti"ame$te
e.iste$te e opera$te sobre os co$litos do cotidia$o, >ue pode se
e.pressar $a orma de ideia ou mesmo de ati"idade pr3tica. !
ideologia burguesa ? alsa co$sciC$cia >ua$do alseia o real, mas
$,o ? este alseame$to >ue a tor$a ideologia. ! rele.,o
luKacsia$a $esta obra ? i$teirame$te permeada pela $o+,o da
totalidade social como comple.o de comple.os e do trabalho
como u$dame$to de toda ati"idade huma$oEsocial. Leletiremos
i$icialme$te a rela+,o e$tre ideologia e as posi+2es teleológicas
secu$d3rias.
1* =osi#0es TeleolC+icas Sec"dD!ias e Ideolo+ia
11
!s ati"idades huma$as, se*am elas simples ou comple.as,
implicam uma escolha a$te as "3rias possibilidades e.iste$tes. 6e
modo >ue, ta$to as posi+2es teleológicas >ue se dirigem B troca
orgD$ica com a $ature/a como a>uelas >ue medeiam as rela+2es
huma$as, tCm por base uma alter$ati"a >ue p2e i$alidade. &omo
di/ JuK3cs,
todas s,o rela+2es de de"erEser, atos $os >uais $,o ? o
passado, $a sua espo$tD$ea causalidade, >ue determi$a o
prese$te, mas, ao co$tr3rio, ? o ob*eti"o uturo,
teleologicame$te posto, o pri$c<pio determi$a$te da pr3.is
@1(A.
Qimos a$teriorme$te >ue do dese$"ol"ime$to social
resultam comple.os ideológicos mediadores $as rela+2es e$tre os
home$s, >ue retroagem sobre essas rela+2es, e.erce$do
importa$te u$+,o social $a reprodu+,o da sociedade. Toda
posi+,o teleológica, se*a prim3ria ou secu$d3ria, ? precedida de
um mome$to ideal >ue dirige toda a a+,o. ) mome$to em
comum Bs posi+2es teleológicas ? >ue ambas implicam $uma
escolha e$tre alter$ati"as.
6este modo as diere$+as e$tre as posi+2es teleológicas
$,o sig$iicam uma cli"agem absoluta e$tre as posi+2es próprias
do trabalho e a>uelas >ue se dese$"ol"em simulta$eame$te a ela,
com u$+2es $a reprodu+,o dos i$di"<duos e da sociabilidade.
'.istem tra+os de ide$tidade e$tre essas posi+2es, dado >ue em
toda pr3tica social e.istem i$s a ser perseguidos e para isso ?
$ecess3rio dei$ir como ati$giElos.
1(
:m mome$to de ide$tidade e$tre as posi+2es prim3rias e
secu$d3rias di/ respeito B $ecessidade do co$hecime$to do
ob*eto sobre o >ual a posi+,o i$cide. Para reali/ar as ati"idades
de trabalho, caracter<sticas do i$tercDmbio com a $ature/a, s,o
$ecess3rias decis2es tomadas sempre sobre uma base de
co$hecime$to dos processos $aturais do ob*eto e de suas
rela+2es causais. 6o mesmo modo, para i$du/ir os home$s a
uma posi+,o teleológica dese*ada, para co$du/iElos a reali/ar
uma a+,o, ? $ecess3rio Num co$hecime$to sobre o modo pelo
>ual os home$s s,o eitos, sobre as suas rec<procas rela+2es
sociais e pessoaisO @444A, >ue possa gerar tomadas de posi+,o
e$tre alter$ati"as para o agir a$te o ser social.
6e modo >ue, em pri$c<pio, Nse*a $o i$tercDmbio com a
$ature/a, se*a $a i$luC$cia sobre as posi+2es teleológicas de
outros home$s, a posi+,o some$te pode ad>uirir uma eic3cia
ob*eti"a >ua$do $o seu ob*eto i$te$cio$al p2e em mo"ime$to
home$s, or+as, etc., reaisO @478A. !l?m disso, depe$de de um
co$hecime$to o mais apro.imado poss<"el dos meios e.iste$tes a
serem mobili/ados. &o$tudo, como di/ JuK3cs, Na i$suprim<"el
situa+,o u$dame$tal de toda pr3.is huma$a, isto ?, >ue >ual>uer
decis,o >ue suscita uma a+,o tem lugar em circu$stD$cias >ue o
homem, >ue reali/a a posi+,o teleológica, $,o est3 em co$di+2es
de pre"er completame$te e, porta$to, de co$trolarO @446A,
comporta, para >ual>uer posi+,o, um coeicie$te de i$certe/a.
17
) homem operacio$ali/a as posi+2es do trabalho sempre
com um dom<$io limitado dos $e.os causais do ob*eto,
reali/a$do some$te o >ue ? poss<"el a cada mome$to. ', a cada
mome$to, o mais importa$te ? se a co$sciC$cia captou os dados
da realidade ob*eti"a corretame$te ou $,o, pois, Nse hou"er erro
a respeito deles $o processo de busca, X...Y a posi+,o teleológica
se suprime por si mesma, uma "e/ >ue, $,o se$do reali/3"el, se
redu/ a um ato de co$sciC$cia tor$ada impote$te dia$te da
$ature/aO @21A. Porta$to, a escolha do homem, $o trabalho, ?
ob*eti"ame$te orie$tada pelo car3ter material do ob*eto. Para as
posi+2es teleológicas do segu$do tipo as coisas s,o um pouco
diere$tes. Segu$do JuK3cs,
as mais primordiais co$se>WC$cias da i$cipie$te di"is,o do
trabalho colocam aos home$s tareas cu*a e.ecu+,o e.ige e
mobili/a or+as ps<>uicas $o"as, di"ersas da>uelas
re>ueridas pelo processo laborati"o "erdadeiro e próprio
@pe$seEse $a coragem pessoal, $a astFcia e e$ge$hosidade,
$o altru<smo em certos trabalhos e.ecutados
coleti"ame$teA. !s posi+2es teleológicas >ue a< i$ter"Cm,
por isso, est,o EE ta$to mais e.plicitame$te, >ua$to mais
dese$"ol"ida ? a di"is,o social do trabalho EE diretame$te,
$o imediato a despertar, corroborar e co$solidar $os
home$s estes se$time$tos tor$ados i$dispe$s3"eis @464A.
6e modo >ue $as posi+2es teleológicas secu$d3rias o
NmaterialO da posi+,o do im ? o homem, suas rela+2es, suas
ideias, seus se$time$tos, sua "o$tade, suas aptid2es. !ssim,
trataEse de um campo N>ualitati"ame$te mais oscila$te, Ssua"eT,
impre"is<"el >ue $o trabalhoO @33(A, oerece$do uma resistC$cia
maior >ue a ob*eti"idade $atural. !s legalidades >ue regem a
ob*eti"idade $atural, ai$da >ue oere+am diiculdades $a sua
(8
apree$s,o, sig$iicam me$or possibilidade de imprecis,o e
impre"isibilidade >ue o huma$o.
!ssim se$do, o Ncoeicie$te de i$certe/a ?, como sabemos,
$,o some$te mais alto, mas tamb?m de uma ordem de gra$de/a
>ue lhe co$ere uma >ualidade di"ersaO@478A. ) c<rculo do
desco$hecido tor$aEse muito maior, pois ao dese$cadear or+as e
$e.os reais pode propiciar o aparecime$to de $o"as ormas e
$o"as legalidades, tor$a$do bem mais di<cil captar as
"erdadeiras te$dC$cias e"oluti"as do processo social >ue i$te$ta
i$lue$ciar os home$s a agirem co$orme um comportame$to
esperado.
'ssa diere$+a >ualitati"a ? de"eras importa$te, mas
implica, segu$do JuK3cs, N$,o uma i$certe/a absoluta, $,o uma
irracio$alidadeO@464A. ) agir dos home$s sobre os home$s $,o
tem uma co$du+,o irracio$al e pode ter algum grau de
pre"isibilidade em sua reali/a+,o de i$alidades. )u se*a, a a+,o,
$as mais di"ersas ormas, sobre a co$sciC$cia de outros home$s,
se*a como or, tem sempre u$cio$ado. N) ato de >ue o
coeicie$te de i$certe/a se*a mais alto, tem simplesme$te
comportado $este campo uma prese$+a, i$cisi"a e eicie$te, $o
caso, da desigualdade do dese$"ol"ime$to, muito maior >ue $o
trabalho, $o se$tido estritoO@464A. Isto ?, o dese$"ol"ime$to $o
campo eco$0micoEmaterial a"a$+a $uma propor+,o desigual em
compara+,o ao dese$"ol"ime$to das rela+2es $o Dmbito das
or+as produti"as. ) dese$"ol"ime$to eco$0mico e o
(%
dese$"ol"ime$to das rela+2es, ai$da >ue articulados, $,o se
reali/am igualme$te $a mesma propor+,o.
Isto tem uma ra/,o de ser, pois o ob*eto sobre o >ual as
posi+2es teleológicas secu$d3rias recaem s,o os próprios home$s
e, Npor pri$c<pio, $em o ob*eto, $em o po$to >ue a posi+,o de"e
mirar podem ser, assim, clarame$te precisadosO @464A. 6e modo
>ue tais posi+2es $,o est,o em co$di+2es de e.ercer um co$trole
direto e correti"o sobre o ob*eto, ou se*a, Nas posi+2es >ue agem
sobre outros home$s $,o podem $u$ca chegar B>uele
determi$ismo u$<"oco, ao me$os imediato, >ue caracteri/a
a>uelas do i$tercDmbio com a $ature/a, as >uais se apóiam em
um co$hecime$to relati"ame$te e.ato dos $e.os $aturais
rele"a$tesO @484A.
Mo processo de trabalho, por mais >ue remeta para al?m de
seus i$s imediatos, a i$te$+,o >ue determi$a as posi+2es
teleológicas de base ? orie$tada para um im bem preciso. )
mesmo $,o aco$tece com as posi+2es teleológicas secu$d3rias,
pois Nas posi+2es >ue est,o desti$adas a guiar o comportame$to
dos home$s, re>ue$teme$te tCm, a ,riori, como im todo um
campo de rea+2es dese*adas @ou $,o dese*adasA em rela+,o a
atos, situa+2es, obriga+2es, etc. sociaisO @466A.
)u se*a, o ato de >ue os home$s pe$sam e reagem
positi"a ou $egati"ame$te dia$te de situa+2es >ue e$co$tram
dia$te de si tor$a ai$da mais comple.a a captura do ob*eto e o
co$se>ue$te dese$"ol"ime$to das a+2es. 6e ma$eira >ue, $o
(2
Dmbito da i$te$cio$alidade, as opera+2es laborati"as se
caracteri/am por um im F$ico, bem determi$ado, e$>ua$to $as
teleologias secu$d3rias dirigemEse a um "ariado campo de
rea+2es huma$as.
:ma sig$iicati"a diere$+a e$tre teleologia prim3ria e
secu$d3ria Eest3 $o ato >ue uma posi+,o teleológica secu$d3ria
p2e em mo"ime$to, em dei$iti"o, $,o uma cadeia causal, mas
uma $o"a posi+,o teleológicaO @464A. 6ecorrem da< problemas
de $ature/a di"ersa do i$tercDmbio orgD$ico com a $ature/a,
tamb?m $o se$tido de >ue os co$hecime$tos >ue i$lue$ciam as
posi+2es teleológicas secu$d3rias s,o mais di<ceis de ser
des"i$culados da>uelas posi+2es >ue co$dicio$aram o seu
aparecime$to.
SabeEse >ue em certos mome$tos da historia huma$a
Nmuitos processos laborati"os esta"am, $o pla$o emp<rico,
i$dissolu"elme$te associados a cerim0$ias m3gicas etc. Isto
toda"ia aparecia assim some$te B co$sciC$cia do trabalhadorH $a
ob*eti"idade, o processo laborati"o e$>ua$to tal se dese$rola"a
i$depe$de$teme$te dos atos de ? deste tipoO@466A. Mo Dmbito
das posi+2es teleológicas secu$d3rias $,o ? assimH segu$do
JuK3cs,
o liame com represe$ta+2es m3gicas e, mais tarde,
sobretudo religiosas $,o pode $a gra$de maioria dos casos
ser elimi$ado da $ature/a real dos aetos, das id?ias, etc.,
>ue se dese*a suscitar, e isto por>ue, EE em co$traposi+,o
aos ob*etos $aturais, em cu*a e.istC$cia imediata parece
desaparecer o modo pelo >ual $ascem, EE todo aeto, toda
(3
atitude perma$ece ligada pelo co$teFdo e pela orma B
esp?cie de sua gC$ese @466A.
!ssim, o processo de trabalho, e$>ua$to tal, se dese$"ol"e
de$tro de sua legalidade própria, i$depe$de$teme$te do >ue se
passa $a cabe+a do homem >ue trabalha, da>uilo >ue ele pe$sa
ou adota como meio de sua reali/a+,o, ou se*a, das
represe$ta+2es >ue ele cria sobre a realidade e.iste$te. Mas
posi+2es teleológicas secu$d3rias as represe$ta+2es est,o ligadas
B $ature/a dos se$time$tos e das ideias >ue prete$de pro"ocar,
tor$a$do mais di<cil a des"i$cula+,o e$tre a ob*eti"idade criada
e sua origem, uma "e/ >ue ambas se e$co$tram $o campo das
ideias. 'm co$se>uC$cia, o co$hecime$to poss<"el $este Dmbito
re"ela com limites certas te$dC$cias da e"olu+,o do processo,
tor$a$doEse poss<"el, em sua i$teire/a, some$te ,ost festum&
'm resumo, a primeira e u$dame$tal diere$+a $a busca
dos meios e$tre teleologia prim3ria e secu$d3ria ? >ue $a
segu$da o ob*eto s,o os próprios home$s, suas a+2es e seus
aetos. ! segu$da diere$+a, decorre$te da primeira, co$siste $a
amplia+,o do grau de i$certe/a $o co$hecime$to do ob*eto $as
posi+2es teleológicas secu$d3rias, diiculta$do a captura das
te$dC$cias do processo em curso e possibilita$do some$te um
co$hecime$to ,ost festum, mas ai$da assim, racio$al. M,o
podemos es>uecer >ue e$tre estas posi+2es e.iste uma
ide$tidadeH co$sistem ambas $uma tomada de decis,o e$tre
alter$ati"as e, porta$to, $um ato de co$sciC$cia >ue resulta $um
(4
produto social esse$cialme$te huma$o. Qale destacar >ue, para
JuK3cs,
>ual>uer >ue se*a o grau de di"ersidade a >ue se pode
chegar, $,o se elimi$a o eleme$to comum, em Fltima
a$3lise decisi"oH em ambos os casos, trataEse de posi+2es
teleológicas, cu*o sucesso ou i$sucesso depe$de do
co$hecime$to >ue o su*eito >ue p2e te$ha da co$stitui+,o
das or+as >ue de"em ser postas em mo"ime$toH da
precis,o com a >ual o su*eito correspo$de$teme$te este*a
em co$di+2es de atuali/3Elas da ma$eira dese*ada $as
se>WC$cias causais $ela ima$e$tes @33(A.
'm suma, sob todos os aspectos, as posi+2es teleológicas
secu$d3rias, embora se dese$"ol"am co$comita$teme$te Bs
ati"idades laborati"as, $,o se co$u$dem com o trabalho $o
se$tido estrito. &omp2em o co$*u$to de atos >ue caracteri/am a
totalidade do mu$do dos home$s como comple.o de comple.os,
participa$do da co$stitui+,o da i$terioridade das pessoas e do
dese$"ol"ime$to huma$o e$>ua$to processo histórico.
&omo *3 oi dito, tais posi+2es s,o e.tremame$te
importa$tes para >ue a esera eco$0mica possa se ma$ter e se
reprodu/ir. Isto por>ue a sociedade se dese$"ol"e a tal po$to
>ue o modo de se ma$iestar da $ecessidade cada "e/ mais tor$aE
se caracteri/ado por i$du/ir, impelir ou coagir os home$s a
tomarem determi$adas decis2es teleológicas ou de impedir
determi$adas tomadas de decis,o.
&om o dese$"ol"ime$to social as posi+2es teleológicas
secu$d3rias ga$ham corpo e, al?m do mais, Ncom a diere$cia+,o
social de $<"el superior, com o $ascime$to das classes sociais
com i$teresses a$tag0$icos, esse tipo de posi+,o teleológica
(4
tor$aEse a base espiritualEestrutura$te do >ue o mar.ismo chama
de ideologiaO @JuK3cs, %71(, p.7A. 6e modo >ue as sociedades
mais comple.as acabam por gerar i$teresses co$lita$tes,
e$re$tados media$te ormas de co$sciC$cia >ue se caracteri/am
como posi+,o teleológica secu$d3ria.
2* O D"%lo Ca!Dte! do Com%le@o IdeolC+ico
) e$o>ue o$tológico de JuK3cs sobre o problema da
ideologia di"erge esse$cialme$te das proposi+2es lógicoE
g$osiológicas sobre as determi$a+2es do >ue ? e do >ue $,o ?
ideologia. 'le atribui o predom<$io do crit?rio g$osiológico $a
apree$s,o do e$0me$o ideológico ao ato de No pe$same$to
ilosóico ter sido i$teirame$te domi$ado pela teoria do
co$hecime$to, pela lógica e pela metodologiaO, h3 >uase dois
s?culos @%778, p.3(A. &om isso a >uest,o do ser oi relegada B
co$di+,o de problema Ndestitu<do de >ual>uer u$dame$to
cie$t<icoO, o >ue para JuK3cs $,o pode ser "erdadeiro. !
e.istC$cia do ser $,o pode ser $egada por>ue se e$co$tra
i$timame$te ligada B "ida e B pr3.is huma$a. Mum tom de cr<tica
morda/, JuK3cs d3 como e.emplo:
mesmo >ue se*a $o pla$o da teoria do co$hecime$to, um
obsti$ado $eopositi"ista, capa/ de $egar toda a realidade EE
(6
ao chegar a um cru/ame$to de"er3, por or+a, co$"e$cerEse
de >ue se $,o parar, um automó"el real o atropelar3
realme$teH $,o lhe ser3 poss<"el pe$sar >ue uma órmula
matem3tica >ual>uer de sua e.istC$cia estar3 sub"ertida
pela u$+,o matem3tica do carro ou pela sua represe$ta+,o
da represe$ta+,o do automó"el @Idem, ibidem, p.37A.
&om base $o crit?rio o$tológicoEpr3tico, JuK3cs elabora
uma caracteri/a+,o ampla e uma caracteri/a+,o restrita da
ideologia. ) problema de u$do $a caracteri/a+,o das ideologias
si$gulares, segu$do este autor, ? >ue
a gC$ese destas ideologias pressup2e estruturas sociais $as
>uais operam grupos di"ersos e i$teresses co$trapostos,
>ue te$dem a se impor como i$teresse geral da sociedade
i$teira. 'm suma: o $ascime$to e a dius,o das ideologias
s,o o co$ato geral da sociedade de classe @%7(%, p.443A.

!l?m disso, JuK3cs co$sidera >ue Nos i$teresses s,o,
decerto, por or+a das coisas determi$ados pela estrutura social,
mas tais determi$a+2es podem se tor$ar o motor da pr3.is
some$te >ua$do os home$s si$gulares "i"am estes i$teresses
como seus próprios i$teresses e te$dam a airm3Elos $o >uadro
das rela+2es para eles "itais com os outros home$sO @443A. 'ssas
>uest2es, co$sideradas *ustas pelo autor como aspectos das
ideologias si$gulares, s,o, co$tudo, i$suicie$tes para a
caracteri/a+,o da ideologia em geral.
JuK3cs argume$ta >ue, se $a história da huma$idade
tomamos o per<odo da ca+a e da coleta, em >ue $,o podiam
ai$da estar prese$tes todas as determi$a+2es >ue caracteri/am a
estratiica+,o em classes sociais, mesmo a>uela mais origi$3ria,
No co$ceito de ideologia X...Y alca$+a uma certa amplia+,o e
(1
tamb?m a sua gC$ese aparece sob uma lu/ um ta$to modiicadaO
@443A. 6i/ o autor:
a ca+a de a$imais ero/es re>uer dos home$s modos de
rea+,o totalme$te di"ersos e comportame$tos
obrigatoriame$te impostos por estes Fltimos $ascem, ao
me$os, simulta$eame$te ao trabalho, ou melhor, $o >ue
co$cer$e ao peso social s,o at? precede$tes e mais
rele"a$tes. LeerimoE$os, sobretudo, B coragem, B irme/a,
se $ecess3rio o esp<rito de sacri<cio, sem os >uais a ca+a,
>ue era habitual EE como est3 demo$strado EE dura$te o
Paleol<tico, teria sido imposs<"el @444E4A.
!ssim, ormas ideológicas embrio$3rias se dese$"ol"em
orga$icame$te do processo de reprodu+,o social poss<"el $a
?poca, a ca+a como meio de reprodu+,o i$di"idual e coleti"a,
la$+a$do as bases de modos de co$duta >ue $as ases ulteriores,
em sociedades de classe, Nsucessi"ame$te, ad>uiriram orma
ideológica @$o pla$o pol<tico, moral, etc.AO@444A, tor$a$doEse
importa$tes i$strume$tos do processo de reprodu+,o social.
'.press2es sócioEhuma$as diere$tes do trabalho
propriame$te dito, ou se*a, NX...Yas posi+2es teleológicas >ue
"isam determi$ar a co$duta dos outros home$s, *3 de"iam estar
u$i"ersalme$te diu$didasH de outro modo $,o seria poss<"el $em
a coleta $em a ca+aO @444A. 'ssas posi+2es $,o e.pressa"am
a$tago$ismos de classe. Sua u$+,o de"ia ser assegurar uma
maior u$idade $o agir dos grupos huma$os. Segu$do JuK3cs,
de"iam e.istir,
aspectos da segui$te ideologia: uma certa ge$erali/a+,o
social das $ormas do procedime$to huma$o, mesmo se
elas $,o se impu$ham ai$da em termos a$tag0$icos $o
Dmbito da luta e$tre i$teresses de grupos @444E6A.
((
Jogo, as ati"idades imediatas de subsistC$cia tor$a"am
$ecess3ria a e.istC$cia de uma $ormati"idade grupal, de um
co$*u$to de regras de co$duta a serem reco$hecidas e
respeitadas por todos os membros do grupo. !< se e$co$tram
possi"elme$te Nos germes dos co$litos e$tre a comu$idade e os
i$di"<duos, por>ue seria um preco$ceito meta<sico supor >ue a
co$sciC$cia social osse totalme$te idC$tica em cada homemF
@446A. 'sses argume$tos do autor s,o sig$iicati"os para a
caracteri/a+,o ampla da ideologia.
Para este pe$sador, a caracteri/a+,o ampla de ideologia
co$siste em >ue Ntoda ideologia tem seu serEprecisame$teEassim
social: ela $asce direta e $ecessariame$te do hic et nunc social
dos home$s >ue agem socialme$te $a sociedadeO @446A. )
cotidia$o mais imediato ? o solo $o >ual a ideologia se tor$a um
compo$e$te $ecess3rio B "ida em sociedade. Surge como
co$se>uC$cia da própria ati"idade social dos home$s, >ue
medeiam esta mesma ati"idade por atos de co$sciC$cia. 6este
modo, o
se$tido co$creto da ideologia ?, porta$to, mais amplo do
>ue o seu co$ceito rigoroso. Isso >uer di/er simplesme$te
EE de um modo apare$teme$te tautológico EE >ue $o ser
social $,o pode se dar $ada, cu*o $ascime$to $,o se*a
determi$ado de ma$eira decisi"a tamb?m pelo próprio
$ascime$to @447E48A.
'sta determi$a+,o se reere a toda esp?cie de ser e a todo
ob*eto >ue e$tra $a esera social. 6etermi$a+2es deste gC$ero
$u$ca podem desaparecer i$teirame$te da $ature/a real dos
(7
ob*etos. &omo *3 "imos a propósito de outras categorias $o
trabalho, ? uma lei do dese$"ol"ime$to >ue, $o curso dos
aco$tecime$tos, elas se tor$em cresce$teme$te mais sociais. 6i/
JuK3cs:
!ssim, desde a $utri+,o e da se.ualidade at? a mais
abstrata e.press,o do pe$same$to, $,o h3 >ual>uer
compo$e$te do ser social cu*o co$creto serEprecisame$teE
assim $,o se*a determi$ado pelas circu$stD$cias sociais de
sua gC$ese @448A.
=edia$te essas co$sidera+2es JuK3cs airma: NIsto e $ada
mais $os di/ a caracteri/a+,o mais geral de ideologiaO @448A.
Mesta determi$a+,o geral do ser, Nse e$co$tra a m3.ima
co$cretude poss<"el para o homem e$>ua$to e$te social, isto ?, a
sociabilidade u$i"ersal do próprio homem e de todas as suas
e.press2es "itaisO @448A. ! determi$a+,o ge$?tica da ideologia
tor$aEa um compo$e$te "ital da cotidia$idade, pois
co$sta$teme$te $a cotidia$idade surgem co$litos a resol"er,
e$re$tados media$te ormas ideológicas. Meste se$tido, as
ideologias s,o Nos i$strume$tos pelos >uais s,o co$scie$ti/ados
e e$re$tados tamb?m os problemas >ue pree$chem tal
cotidia$idadeO @446A.
) autor a$u$cia: N! ideologia ? acima de tudo a>uela
orma de elabora+,o ideal da realidade >ue ser"e para tor$ar a
pr3tica social dos home$s co$scie$te e operati"aO@446A. !s
$ecessidades socialme$te postas origi$am ge$erali/a+2es >ue
ser"em para co$scie$ti/a+,o e co$ti$uidade da pr3tica huma$oE
social.
78
! determi$a+,o do cotidia$o mais imediato do ser
históricoEsocial sobre todas as e.press2es huma$as tra/ Ncomo
co$se>WC$cia >ue toda rea+,o dos home$s ao seu ambie$te
eco$0micoEsocial pode, em determi$adas circu$stD$cias, tor$arE
se ideologiaO @446A. !ssim, >ual>uer resposta >ue os home$s
"e$ham a ormular em rela+,o aos problemas decorre$tes do seu
ambie$te eco$0micoEsocial pode tor$arEse ideologia ao orie$tar
a pr3tica social, co$scie$ti/3Ela e operacio$ali/3Ela. 6e ato, a
ideologia, em se$tido amplo, se ma$iesta perma$e$teme$te $a
"ida social, $,o ? uma e.press,o circu$scrita aos mome$tos de
crise, $em aos co$litos de i$teresse e$tre os home$s.
6este modo, a ideologia $,o ? um atributo e.clusi"o de
um determi$ado pe$same$to, mas uma possibilidade posta pelas
circu$stD$cias históricoEsociais $uma determi$ada sociedade.
:ma possibilidade u$i"ersal >ue assegura Bs rea+2es huma$as
marcas de sua gC$ese $o co$te.to da sociedade. Se estas marcas
s,o "is<"eis ou $,o, depe$de da u$+,o >ue desempe$ham $este
mesmo co$te.to.
'stas co$sidera+2es de JuK3cs re"elamEse importa$tes
para situar o$tologicame$te o problema da ideologia, mas
e.pressamEse ai$da em termos basta$te gerais. Para tor$3Ela mais
precisa com rela+,o aos comple.os si$gulares, ele ormula a
caracteri/a+,o mais restrita de ideologia. ! acep+,o mais restrita
de ideologia, para JuK3cs, est3 ligada ao seu e$te$dime$to como
i$strume$to de luta social. Jogo >ue o co$lito social se
7%
aprese$ta como problem3tica "ital $a realidade dos home$s, as
sociedades produ/em co$cretame$te i$strume$tos para a sua
resolu+,o $a orma de ideologia. JuK3cs di/:
6e ato, a ideologia ? tamb?m, i$dissocia"elme$te do primeiro
aspecto, um i$strume$to da luta social >ue caracteri/a
>ual>uer sociedade, pelo me$os a>uelas da Spr?EhistóriaT da
huma$idade @441A.
'le se reere a>ui ao se$tido mar.ia$o de >ue a história dos
home$s at? o mome$to co$iguraria ape$as uma pr?Ehistória para
a huma$idade, te$do em "ista >ue o homem $,o se e$co$tra
i$teirame$te e.plicitado e$>ua$to gC$ero huma$o. 'm
mome$tos de crise eco$0micoEsocial de determi$adas orma+2es
sociais, surgem ormas ideológicas de pe$same$to, ou de
pr3ticas sociais, como respostas $ecess3rias B media+,o dos
co$litos de i$teresse e$tre os home$s, >ue tomam dime$s,o
sig$iicati"a como co$litos de classe. &om re>uC$cia os
teóricos da ideologia, se*am seus cr<ticos ou dee$sores,
costumam trat3Ela ape$as sob este aspecto de i$strume$to de luta
social, N"isto >ue co$sideram como se$do o F$ico cu$ho do agir
guiado pela ideologia, da sua u$da+,o teórica e dos comple.os
>ue aparecem $a luta ideológicaO @441A.
JuK3cs admite >ue este aspecto da ideologia ? sua acep+,o
restrita. Mas sociedades de classe os home$s combatem os
co$litos sociais por meios ideológicos, "isto >ue este ? um meio
atra"?s do >ual os home$s tomam ciC$cia dos co$litos e
elaboram os i$strume$tos mais ade>uados para solucio$3Elos.
72
Para JuK3cs, $o car3ter restrito da ideologia residem as orige$s
do se$tido pe*orati"o >ue esta ad>uiriu $o curso dos
aco$tecime$tos sociais.
! i$co$ciliabilidade atual das ideologias $o co$lito e$tre
si toma $o curso da história as ormas mais "ariadasH pode
aprese$tarEse como i$terpreta+2es de tradi+2es, de
co$"ic+2es religiosas, de teorias e m?todos cie$t<icos, etc.,
mas se trata sempre, a$tes de tudo, de i$strume$tos de
lutaH a >uest,o a decidir ? sempre um >ue a/erP social e a
sua co$traposi+,o atual ? determi$ada pelo co$teFdo
social deste >ue a/erP @441A.
'm suma, a acep+,o mais restrita de ideologia est3 ligada
ao seu e$te$dime$to como i$strume$to de luta social. Jogo >ue
o co$lito social se aprese$ta como problem3tica "ital $a
realidade dos home$s, as sociedades produ/em, co$cretame$te,
i$trume$tos para sua resolu+,o $a orma de ideologia. JuK3cs
come$ta: NSegu$do =ar., como "imos, esta co$siste $o ato de
>ue os home$s tra/em B co$sciC$cia e combatem os seus
co$litos sociais, cu*a base Fltima ? preciso procurar $o
dese$"ol"ime$to eco$0micoO @442A.
Meste se$tido, o surgime$to da ideologia le"a a supor
co$litos sociais a serem resol"idos $o Dmbito prim3rio da
eco$omia. '$treta$to, toda sociedade produ/ ormas ideológicas
espec<icas cu*o ob*eti"o se dirige para mediar tais co$litos. Para
o ilósoo hF$garo,
os portadores o$tológicos imediatos de >ual>uer ati"idade
social, e por isso tamb?m dos co$litos, s,o os home$s
si$gulares. Ma imediaticidade, porta$to, todos os co$litos
aprese$tamEse como co$trastes de i$teresse e$tre
i$di"<duos si$gulares, ou e$tre i$di"idualidades e grupos,
ou ai$da e$tre dois grupos @442A.
73
!ssim se$do, estas s,o as co$di+2es >ue aprese$tam No
modelo ge$eral<ssimo da gC$ese da ideologiaO @442A. ) co$lito
b3sico ao >ual $os reerimos se i$stitui por>ue se ormam grupos
de i$di"<duos cu*os i$teresses "itais aprese$tam co$"ergC$cias ou
di"ergC$cias e$tre si e e$tram em co$litos com i$teresses de
outros grupos. 'm Fltima a$3lise, tais di"ergC$cias tCm ra</es $as
rela+2es estabelecidas $o campo da produ+,o. '$treta$to,
estes co$litos podem ser dirimidos com eic3cia $a
sociedade só >ua$do os membros de um grupo logram
persuadir a si mesmos >ue os seus i$teresses "itais
coi$cidem com os i$teresses importa$tes da sociedade
i$teira, isto ?, >ue todos a>ueles >ue dee$dem estes
i$teresses a/em ao mesmo tempo algo de Ftil para a
sociedade i$teira @442E3A.
6esta orma, retoma$do as airma+2es i$iciais $o i$<cio
deste item, "ale reairmar >ue, para JuK3cs, os i$teresses >ue
co$du/em a co$litos e$tre os home$s s,o socialme$te
determi$ados. !o mesmo tempo, Ntais determi$a+2es podem se
tor$ar o motor da pr3.is some$te >ua$do os home$s si$gulares
"i"am estes i$teresses como seus próprios i$teresses, e te$dam a
airm3Elos $o >uadro das rela+2es para eles "itais com os outros
home$sO @443A.
'm suma, a >uest,o ce$tral $o surgime$to do e$0me$o
ideológico, em sua acep+,o restrita, ? >ue sua gC$ese pressup2e
a e.istC$cia de sociedades o$de grupos com i$teresses
co$trapostos te$dem a impor seus i$teresses como
correspo$de$tes aos i$teresses de toda a sociedade. )u se*a,
74
retoma$do o >ue citamos $o i$<cio deste item, No $ascime$to e a
dius,o da ideologia s,o o co$ato geral da sociedade de classeO
@443A.
! sociedade de classe cria a base e propicia os meios
atra"?s dos >uais a ideologia se co$stitui $um importa$te
i$strume$to de combate aos co$litos de i$teresses e$tre os
home$s. Porta$to, a base sobre a >ual se i$stitui a ideologia $o
se$tido restrito.
2*1* Ideolo+ia e 1"#$o Social
Ma perspecti"a de JuK3cs, e$t,o, essas trCs dime$s2es: a
ideologia tem suas determi$a+2es co$cretas $o cotidia$o mais
imediatoH a ideologia ser"e para tor$ar a pr3tica huma$a
co$scie$te e operati"aH a ideologia dirigeEse para domi$ar
co$litosH s,o dime$s2es >ue se articulam B $o+,o o$tológicoE
pr3tica de ideologia como u$+,o social. !ssim, percorre$do o
cami$ho desta co$cep+,o, o autor airma >ue resulta $uma
distor+,o i$terpretar o co$ceito de ideologia como Nelucubra+,o
arbitr3ria de pessoas si$gularesO@444A, pois,
74
a$tes de tudo: e$>ua$to um pe$same$to perma$ece
simplesme$te o produto ou a e.press,o ideal de um
i$di"<duo, $,o importa o "alor ou des"alor >ue possa
co$ter, $,o pode ser co$siderado uma ideologia. Mem
mesmo uma dius,o social mais ampla ati$ge o po$to de
tra$sormar um comple.o de pe$same$to diretame$te em
ideologia @444A.
6o mesmo modo, uma opi$i,o correta ou alsa, uma teoria
cie$t<ica ou uma hipótese, por si mesmas, $,o podem ser
co$sideradas ideologiaH podem some$te tor$arEse ideologia em
determi$adas circu$stD$cias, $o curso de aco$tecime$tos, >uase
sempre permeados por muitas media+2es. Ilustra$do suas
airma+2es, JuK3cs e.empliica:
! astro$omia heliocC$trica ou a doutri$a e"olucio$ista $o
campo da "ida orgD$ica s,o teorias cie$t<icas, dei.a$do de
lado sua corre+,o ou alsidade, e $em isso e$>ua$to tais,
$em o repFdio ou o acolhime$to delas co$stituem em si
ideologia. Some$te >ua$do Galileu ou 6ar\i$ em seus
co$ro$tos, de suas tomadas de posi+,o de"ieram
i$strume$to de luta $os co$litos sociais, elas, em tal
co$te.to EE operaram como ideologias @447A.
6este modo, a história co$t?m e.emplos de pe$same$tos
cie$t<icos >ue, em circu$stD$cias determi$adas operaram como
ideologia, mas isso $,o decorre da corre+,o ou da alsidade das
ideias $eles co$tidas.
U "erdadeiro, segu$do o autor, N>ue a ime$sa maioria das
ideologias se u$da em premissas >ue $,o resistem a uma cr<tica
g$osiológica rigorosa,X...Y. =as isto sig$iica >ue estamos
ala$do da cr<tica da alsa co$sciC$ciaO. JuK3cs prossegue sua
argume$ta+,o: Nem primeiro lugar, s,o muitas as ormula+2es da
alsa co$sciC$cia >ue $u$ca se tor$aram ideologiaOH mais adia$te:
76
Nem segu$do lugar, a>uilo >ue se tor$a ideologia $,o ? de modo
algum $ecessariame$te idC$tico B alsa co$sciC$ciaO. Por
co$se>uC$cia, Na mais pura "erdade ob*eti"a pode ser usada para
dirimir co$litos sociais e, porta$to, como ideologiaO @&. 46%A.
6este modo o crit?rio g$osiológico pode ser"ir para >ualiicar
um pe$same$to como also ou "erdadeiro, mas $,o ? crit?rio
para ide$tiicar se este pe$same$to ? ou $,o uma ideologia.
! co$cep+,o de ideologia para JuK3cs tamb?m $,o se
suste$ta em crit?rios moraisH N$a imediaticidade $,o e$tram em
>uest,o $em os aspectos morais @co$"ic+,o si$cera ou
demagogia c<$ica, etc.A como crit?rios para estabelecer o >ue ?
ideologiaO@4(1A. I$depe$de$teme$te da >ualidade moral de um
pe$same$to, Nele pode ad>uirir uma or+a de embate pr3ticoE
imediata t,o gra$de >ue pode parecer o meio mais eica/ para
dirimir uma criseO@4(1A. 6e ma$eira >ue, tamb?m o crit?rio
moral, tomado isoladame$te, $,o basta para >ualiicar um
pe$same$to como ideologia. JuK3cs airma ai$da:
Mem mesmo uma dius,o social mais ampla ati$ge o po$to de
tra$sormar um comple.o de pe$same$to diretame$te em
ideologia. Para >ue isso ocorra ? $ecess3ria uma u$+,o social
bem determi$ada, >ue =ar. descre"e disti$gui$do com
precis,o as desorde$s materiais das co$di+2es eco$0micas da
produ+,o das Sormas *ur<dicas, pol<ticas, religiosas, art<sticas
ou ilosóicas, ou se*a, as ormas ideológicas >ue permitem aos
home$s co$ceber este co$lito e de combatCEloT @444A.
&om base em =ar., o decisi"o, para JuK3cs, ? >ue os
pe$same$tos, Nsome$te depois de terem se tor$ado "e<culo
teórico ou pr3tico para combater co$litos sociais, >uais>uer >ue
71
se*am estes, gra$des ou pe>ue$os, episódicos ou decisi"os para o
desti$o da sociedade, ? >ue s,o ideologiaO @44(E7A. !ssim, a
co$cep+,o de ideologia em JuK3cs est3 i$timame$te articulada B
u$+,o social >ue um pe$same$to e.erce $o Dmbito dos co$litos
sociais e$>ua$to rea+2es dos home$s Bs co$di+2es materiais
e.iste$tes.
! ide$tiica+,o de um pe$same$to como ideologia se apoia
$o crit?rio o$tológicoEpr3tico, pelo e.ame da u$+,o >ue este
pe$same$to, ou pr3tica social, desempe$ha $a "ida cotidia$a
eeti"a. Seu car3ter est3 "i$culado B origem $o hic et nunc do
serEprecisame$teEassim históricoEsocial e B u$+,o >ue e.erce
*u$to Bs rea+2es huma$as ao ambie$te eco$0micoEsocial.
)s problemas gerados com a rea+,o dos home$s ao
ambie$te eco$0micoEsocial podem at? ter como media+2es
processos le"a$tados e resol"idos por meios cie$t<icos. Isto $,o
i$"alida >ue o campo de possibilidades de sua resolu+,o, assim
como de sua e.istC$cia, Npossa surgir *ustame$te $a sua
espec<ica peculiaridade ape$as sobre o hic et nunc de seu serE
precisame$teEassimO @447A. Mo"ame$te JuK3cs reairma o
car3ter da ideologia como u$+,o social >ue surge e atua $o
cotidia$o mais imediato do ser social em seu dese$"ol"ime$to
ima$e$te.
Jogo em seguida, $osso pe$sador di/: N) pe$same$to
cie$t<ico se tra$sorma, pois, em ideologia pela a+,o >ue e.erce
sobre o mesmo hic et nuncO @447A. Meste se$tido, a ideologia
7(
$asce do cotidia$o e a ele se dirige como resposta a$te as
co$di+2es sociais em >ue os home$s produ/em e estabelecem
suas rela+2es de e.istC$cia. ! i$te$cio$alidade do su*eito $,o
dei.a de ter uma participa+,o $esse processo, mas, por si, ? uma
determi$a+,o i$suicie$te para a tra$sorma+,o de um
pe$same$to em ideologia. Mo aco$tecer dessa tra$sorma+,o
operam i$Fmeras media+2es e de"e ocorrer mesmo >ue a
muda$+a se "erii>ue some$te $o mo"ime$to dessas mFltiplas
media+2es.
'm suma, um pe$same$to, ou uma pr3tica social, tor$aEse
ideologia >ua$do e.erce eeti"ame$te uma u$+,o $os co$litos
huma$oEsociais e esta u$+,o co$siste em ser "e<culo de
co$scie$ti/a+,o e pr?"ia idea+,o da pr3tica social dos home$s. )
cotidia$o mais imediato ? o solo $o >ual as ideologias surgem e
tCm seu campo de opera+2es.
A* Idi/id"alidades Sociais e Ideolo+ia
Mas pala"ras de JuK3cs, a compree$s,o do car3ter amplo
ou do car3ter restrito da ideologia some$te se eeti"a $o
comple.o $o >ual a ideologia surge e opera. )u se*a, N$o >uadro
de seu u$cio$ame$to de$tro da totalidade do mesmo comple.oO
@441A. 'm seguida, o autor e.p2e >ue esta totalidade N? a
sociedade de um dado per<odo, e$>ua$to comple.o co$traditório
>ue, $a pr3.is dos home$s, co$stitui o ob*eto e ao mesmo tempo
77
a F$ica base real do seu agirO @441A. 'stes dois aspectos:
co$stituirEse $a base de e.istC$cia da ideologia e, ao mesmo
tempo, em ob*eto de a+,o ideológica dos home$s, ormam, para
o autor, uma u$idade i$ci$d<"el, >ue some$te opera de modo
aut0$omo de"ido B di"ersidade de suas u$+2es $o i$terior desta
mesma sociedade.
) co$teFdo da posi+,o teleológica $a ideologia e.prime,
ao mesmo tempo, essa u$idade e di"ersidade das u$+2es
pr3ticas $o i$terior da totalidade social. 6ecorre da< >ue No
homem age em uma determi$ada situa+,o co$creta da realidade e
de"e ter como escopo a muda$+a destaO @441E(A. =uda$+a >ue,
compree$dida em termos muito gerais, implica tamb?m a
co$ser"a+,o do status .uo. !l?m do mais, segu$do JuK3cs, a
i$te$+,o de dee$der o status .uo só pode surgir como ob*eto de
uma posi+,o teleológica >ua$do se imagi$a >ue ele se e$co$tra,
i$ter$a ou e.ter$ame$te, sob amea+a de uma poss<"el muda$+a.
Te.tualme$te JuK3cs come$ta:
=esmo >ue tal situa+,o se*a aprese$tada a>ui em termos
gerais, ? e"ide$te >ue a amea+a ao status .uo ? poss<"el de
imediato só atra"?s de a+,o dos home$s, e >ue, por isso, as
posi+2es teleológicas chamadas B "ida para dee$dCElo
"isam operar sobre os home$s, isto ?, perte$cem B>uele
tipo de posi+,o de >ue *3 $os ocupamos $a $ossa cr<tica dos
4dola @44(A.
Meste se$tido, as ideologias como posi+2es teleológicas
>ue agem sobre outros home$s medeiam co$litos situados $a
rela+,o e$tre os i$di"<duos, como e.press,o m<$ima da
totalidade social, e esta mesma totalidade. Mo tratame$to da
%88
ideologia JuK3cs se det?m sobre a problem3tica das
i$di"idualidades. I$icia a e.posi+,o desse tema e.po$do:
como todas as categorias sociais importa$tes, a ob*eti"a+,o
e a e.teriori/a+,o tCm um duplo car3ter: de um lado,
e$cami$ham todas as e.press2es "itais em se$tido
u$i"ersal e, porta$to, ge$erali/a$teH de outro co$stituemEse
$a sua si$gularidade social espec<ica @448A.
Todos os seres e todos os processos tCm como
caracter<stica o$tológica geral a si$gularidade. !ssim, o homem,
e$>ua$to e$te ? tamb?m portador dessa propriedade do ser,
co$stitui$doEse $um e$te si$gular sob "3rios aspectos.
5iologicame$te essa si$gularidade pode ser imediatame$te
"is<"elH por e.emplo, as impress2es digitais de uma pessoa s,o
diere$tes das de >ual>uer uma outra. ) mesmo $,o se aplica ao
i$di"<duo social:
! si$gularidade social ?, ao co$tr3rio, uma orma si$t?tica,
comple.a, $a >ual se e.prime a>uela u$idade pessoal >ue
regula a peculiaridade das posi+2es teleológicas e das
rea+2es Bs posi+2es dos outros. ! u$idade da pessoa tem,
por isso, um duplo car3ter ob*eti"o, i$dissolu"elme$te
u$it3rio @448A.
! si$gularidade da pessoa se re"ela $a ma$eira como ela
reage a$te Bs alter$ati"as >ue a "ida lhe aprese$ta, media$te as
>uais toma uma determi$ada decis,o. Meste se$tido as rele.2es
>ue a$tecedem essas decis2es s,o sig$iicati"as para a
compree$s,o de sua si$gularidade espec<ica, mas,
decisi"ame$te, N? $a cadeia das escolhasEdecis2es de sua "ida
>ue se e.prime a "erdadeira essC$cia da si$gularidade social, o
car3ter pessoal do homemO @44%A.
%8%
) segu$do aspecto desse duplo car3ter ob*eti"o dos
i$di"<duos sociais ? >ue Ntodas as alter$ati"as e$tre as >uais o
homem toma as suas decis2es s,o produtos da>uele hic et nunc
$o >ual ele de"e "i"er e agirO @44%A. )u se*a, as decis2es dos
i$di"<duos s,o determi$adas pelo cotidia$o mais imediato da "ida
social. Porta$to, $,o pode ser uma escolha purame$te sub*eti"a
de um ser isolado.
&o$ti$ua$do sua rele.,o, JuK3cs compleme$ta: Ntamb?m
o campo das poss<"eis respostas reais a >ual>uer dessas >uest2es
?, co$cretame$te, socialme$te determi$ado. ) homem, porta$to,
? pessoa e$>ua$to ele mesmo reali/a a escolha e$tre estas
possibilidadesO @44%A. Sem dF"ida >ue uma pessoa, por sua
origi$alidade, pode at? e$co$trar respostas diere$tes dos seus
co$temporD$eos, mas isso tamb?m comp2e o campo de
possibilidades socialme$te postas.
!ssim, a perso$alidade huma$a se co$stitui $uma s<$tese
da rela+,o e$tre i$di"<duo e sociedade, o$de os i$di"<duos
reagem aos desaios >ue a "ida lhes aprese$ta e elaboram
respostas com base $a escolha e$tre as alter$ati"as eeti"ame$te
e.iste$tes. 6e modo $e$hum as perso$alidades podem ser
co$sideradas isoladame$teH o homem i$depe$de$te da sociedade
$,o passa de pura abstra+,o. !ssim, Npodemos airmar >ue ser
pessoa, reali/ar uma ati"idade pessoal e reagir ade>uadame$te ao
serEprecisame$teEassim históricoEsocial, s,o dois lados coligados
do mesmo comple.oO @44%A.
%82
!>ui ad>uire sig$iicado a rele.,o de =ar., citada por
JuK3cs. N=ar. disse com *uste/a: a ri>ue/a espiritual real do
i$di"<duo depe$de da ri>ue/a de suas rela+2es reaisO @44%A. U $o
co$te.to dessas rela+2es >ue se co$stroem as i$di"idualidades e
os home$s se tor$am perso$alidades ta$to mais comple.as
>ua$to mais e"olu<da a sociedade. ' JuK3cs $,o tem dF"ida em
airmar co$tra certos preco$ceitos >ue, $a i$tera+,o i$di"<duo e
totalidade, a co$tribui+,o dos i$di"<duos para o dese$"ol"ime$to
social ? ta$to maior >ua$to mais dese$"ol"ida ? a sua
perso$alidade.
6e modo >ue para JuK3cs a i$di"idua+,o ? um processo
rigorosame$te social, resulta$te do dese$"ol"ime$to da
sociabilidade. 'la ? um ato relati"ame$te $o"o $o co$te.to das
sociedades, pois, a rigor, as i$di"idualidades só emergem
eeti"ame$te $o i$terior da rela+2es sociais puras. Para JuK3cs, a
primeira rela+,o purame$te social ? o capitalismo. Segu$do o
$osso autor, com o capitalismo criaEse uma situa+,o em >ue a
polaridade e$tre i$di"<duo e sociedade aparece pela primeira "e/,
de orma e.pl<cita, $a co$sciC$cia dos home$s.
! $o"a situa+,o social, em termos ob*eti"os e tamb?m $os
aspectos e$omC$icos >ue se desdobram $o pla$o da co$sciC$cia,
N? um eeito $ecess3rio do $ascime$to do capitalismo e do
processo >ue le"a este Fltimo ao poder e, por isso, ? tradu/ida
em realidade some$te pela gra$de re"olu+,o ra$cesaO @241A.
'ssa re"olu+,o $,o só p2e em mo"ime$to as or+as sociais
%83
$ecess3rias ao dese$"ol"ime$to da eco$omia $a $o"a
sociabilidade, como tamb?m Nproclama a u$idade do homem
como homo economicus *3 e.iste$te $a teoria e $a pr3ticaO
@24(A. &o$orme JuK3cs:
! re"olu+,o pol<tica X...Y rompeu a sociedade ci"il $as suas
simples partes co$stituti"as, de um lado os i$di"<duos, de
outro, os eleme$tos materiais e espirituais >ue co$stituem
o co$teFdo da "ida, a situa+,o ci"il destes i$di"<duos
@=ar., a,ud JuK3cs, %7(%, p.241A
%8
.
! i$terErela+,o i$di"idualidade e sociedade aparece
racio$ada $a co$sciC$cia dos home$s como Ndualismo e$tre
cito5en e homme @bour"eoisA prese$te em cada membro da $o"a
sociedadeO @241A. 6a< ad"?m uma co$stela+,o de problemas
co$tidos *3 $as teses do *o"em =ar. >ue, em sua ?poca elabora
uma cr<tica B orma pela >ual a esera do cito5en ? degradada em
rela+,o ao bour"eois e, porta$to, o homem burguCs ? "isto como
o "erdadeiro homem.
&o$corda$do com =ar. em rela+,o B cr<tica ao i$di"<duo
3tomo e Bs alsas a$ti$omias >ue pe$sam uma substD$cia da
i$di"idualidade huma$a ora do espa+o e do tempo, e igualme$te
a>uelas >ue tCm uma co$cep+,o do i$di"<duo como mero
produto do ambie$te, JuK3cs dee$de o po$to de "ista de >ue as
ge$erali/a+2es $as >uais o i$di"<duo surge como ob*eto social
desligado da totalidade social s,o e.press2es alie$adas do
racio$ame$to do homem $a reerida sociedade. )u se*a,
%8
JuK3cs a/ reerC$cia a< ao debate de =ar. com 5ru$o 5auer em A
1uestão 6udaica$ >ua$do discute o im da "elha sociedade eudal e a
emerge$te situa+,o dos i$di"<duos $a sociedade.
%84
reletem as alie$a+2es eeti"ame$te e.iste$tes $a pr3tica social,
em >ue o particular se sobrep2e ao u$i"ersal.
Para JuK3cs o decisi"o ? >ue, como todo e >ual>uer
comple.o social, a si$gularidade social guarda certa auto$omia e
certa peculiaridade em rela+,o ao comple.o social e$>ua$to
totalidadeH ao mesmo tempo, some$te se dese$"ol"e $a
co$sta$te i$tera+,o com essa mesma totalidade social. Messa
i$tera+,o a muda si$gularidade do homem, $os seus tra+os
purame$te biológicos, ? superada media$te um processo
co$traditório e desigual por uma si$gularidade ge$?rica
históricoEsocial sem, co$tudo, *amais perder os "<$culos com os
tra+os $aturais.
&om o dese$"ol"ime$to da sociabilidade o serEparaEsi da
si$gularidade do homem se co$ecta B sua e.istC$cia como
membro de uma sociedade. !ssim se$do, o dese$"ol"ime$to
social pressup2e o dese$"ol"ime$to dos i$di"<duos si$gulares.
Por um lado, se eles s,o a s<$tese dos eleme$tos biológicos e
sociais $ecess3rios B reprodu+,o da autC$tica i$di"idualidade,
simulta$eame$te co$stituem a base da reprodu+,o do ser social
como um todo.
6o mesmo modo >ue a sociabilidade deri"a da propriedade
do trabalho em dese$"ol"er $os home$s $o"as habilidades e
$o"as capacidades impulsio$a$do ao dese$"ol"ime$to das or+as
produti"as, o processo de dese$"ol"ime$to da i$di"idualidade
%84
huma$a com "istas ao ser huma$o ge$?rico tem "<$culo com o
trabalho, co$orme di/ JuK3cs.
6e ato, a i$te$cio$alidade origi$3ria da posi+,o
teleológica do trabalho ? imediatame$te dirigida B
satisa+,o da $ecessidade. Some$te $o co$te.to social
ob*eti"o o processo e o produto do trabalho sorem uma
ge$erali/a+,o >ue ultrapassa o i$di"<duo si$gular e >ue,
toda"ia, ? ligada B pr3.is, e media$te esta, ao ser do
homem: e.atame$te B ge$eridade @214A.
Ma comu$idade huma$a reF$emEse eleme$tos como
trabalho, di"is,o do trabalho e suas co$se>uC$cias e some$te a< a
ape$as muda si$gularidade do homem te$de a dimi$uir. =edia$te
a co$sciC$cia decorre$te de sua pr3.is, o i$di"<duo se tor$a
membro do gC$ero, i$icialme$te idC$tico, em tudo, B própria
comu$idade >ue o gera.
) eleme$to $o"o, decisi"o, ? >ue o perte$cer ao gC$ero, ai$da
>ue $ormalme$te sur*a por "ia $atural EE media$te o
$ascime$to EE ? toda"ia ormado e se tor$a co$scie$te atra"?s
de uma pr3tica co$scie$teme$te social, atra"?s da educa+,o
@$o seu se$tido mais latoA, e >ue, al?m disso, tal perte$cer
produ/, com a l<$gua comum, um órg,o próprio criado
socialme$te, etc. @214A.
JuK3cs e$te$de >ue >ua$to mais a sociedade se
dese$"ol"e, ta$to mais o perte$cer dos i$di"<duos B sociedade ?
me$os determi$ado pelas ra/2es $aturais do seu $ascime$to. Mo
aspecto >ue $os i$teressa, a sociabilidade produ/ co$di+2es para
>ue as posi+2es teleológicas secu$d3rias "ia educa+,o, "ia
li$guagem, atuem mais decisi"ame$te sobre a co$stitui+,o dos
i$d<"<duos. 'm co$se>uC$cia, esse mesmo dese$"ol"ime$to a/
com >ue as decis2es alter$ati"as em determi$ados tipos de pr3.is
%86
Nse ce$trali/em cada "e/ mais sobre a co$sciC$cia do eu dos
i$di"<duos >ue de"em agirO @214A. 'st3 clarame$te dei$ido,
por?m, >ue as ra</es dessas decis2es $,o se e$co$tram $o
dese$"ol"ime$to ima$e$te aos próprios i$di"<duos e sim, $a
ele"a+,o cresce$teme$te social dos processos de sociabili/a+,o.
!s a+2es dos i$di"<duos, em >ual>uer situa+,o, tCm por
base uma alter$ati"a i$tro*etada $o seu ser como i$di"idualidade
social. Sobre este aspecto Jessa come$ta >ue:
Por ser o i$di"<duo um polo t,o real do processo de
sociabili/a+,o >ua$to a totalidade social, a alter$ati"a ? a
media+,o >ue articula a peculiaridade e a relati"a
auto$omia de cada processo de i$di"idua+,o com a
totalidade social da >ual ? part<cipe. ', por outro lado e ao
mesmo tempo, a alter$ati"a ? media+,o real pela >ual a
situa+,o históricoEco$creta p2e aos i$di"<duos $ecessidades
e possibilidades para o seu dese$"ol"ime$to e$>ua$to
i$di"idualidade
%%
.
'ssa importD$cia t,o decisi"a da escolha e$tre alter$ati"as
$a rela+,o e$tre i$di"<duo e o ser social se ma$iesta B
co$sciC$cia dos i$di"<duos $a orma de co$lito. Pois, Ntoda
decis,o si$gular pr3tica co$t?m em si, ao mesmo tempo,
eleme$tos e te$dC$cias da mera particularidade, da simples
si$gularidade ape$as e.iste$te em si, e a>ueles da ge$eridadeO
@216A.
&om o trabalho o homem busca respo$der a $ecessidades
particulares como a ome, o rio, a preser"a+,o <sica etc. Por?m,
tal ati"idade impulsio$a o i$di"<duo para al?m de si mesmo,
%%
Jessa, S. 'studo Sobre a &ategoria do 'stra$hame$to, "ers,o 2, p.4E6,
@mimeoA.
%81
co$t?m eleme$tos >ue o i$cluem como part<cipe de uma
comu$idade ge$?rica. Meste se$tido, o homem >ue trabalha de"e
escolher e$tre seus i$teresses particulares e os i$teresses
huma$os ge$?ricos.
! dupla determi$a+,o do processo
ob*eti"a+,o-e.teriori/a+,o, >ue impulsio$a por um lado a
ge$eridade e por outro a i$di"idua+,o, se a/ prese$te de orma
cresce$te desde a "ida cotidia$a at? as m3.imas ob*eti"a+2es do
ser social, perma$e$teme$te perpassadas pela te$s,o e$tre
eleme$tos >ue di/em respeito a i$teresses ge$?ricos e
particulares, e.pressos $a co$sciC$cia dos home$s >ue agem
socialme$te. Por sua "e/, reeri$doEse B totalidade social, JuK3cs
airma:
Mesta aparece a>uilo >ue se de"e e$te$der por ideologia $o
se$tido mais lato do termo, isto >uer di/er >ue a "ida de
todos os home$s e, porta$to, todas as suas ati"idades,
se*am elas pr3ticas, i$telectuais, art<sticas, etc., s,o
determi$adas por a>uele ser social $o >ual o i$di"<duo em
>uest,o "i"e e opera @442A.
'sta $o+,o u$dame$tal a >ual>uer ciC$cia da sociedade
e$co$tra, segu$do JuK3cs, correspo$dC$cia $a airma+,o de
=ar.: NM,o ? a co$sciC$cia dos home$s >ue determi$a o seu ser,
mas ao co$tr3rio, o seu ser social >ue determi$a a sua
co$sciC$ciaO @442A. &o$sciC$cia huma$a e ser social e$co$tramE
se em determi$a+,o rele.i"a como pr3.is huma$a. Mas
ormula+2es de JuK3cs com rela+,o ao surgime$to das
ideologias em sociedades si$gulares, ica esclarecido >ue ?
%8(
esta totalidade, o seu grau de dese$"ol"ime$to, os
problemas e"oluti"os >ue dela deri"am para o homem EE *3
dei$ido por $ós a$teriorme$te como um ser >ue respo$de
Z >ue colocam em mo"ime$to a>uelas rea+2es >ue
e"e$tualme$te se p2em como ideologia @447A.
'm suma, os portadores imediatos dos atos co$scie$tes e,
porta$to, dos co$litos socialme$te postos, s,o os i$di"<duos
si$gulares. 6este modo as ideologias, e$>ua$to posi+2es
teleológicas secu$d3rias, agem sobre os i$di"<duos e grupos
huma$os "isa$do a co$ser"a+,o ou a muda$+a do status .uo.
!s ormula+2es de JuK3cs sobre o e$0me$o ideológico se
p2em $a perpecti"a de demo$strar >ue a ideologia, bem
determi$ada e compree$dida, aprese$ta uma caracteri/a+,o mais
ampla do >ue os limites "ulgarme$te atribu<dos a ela, como
ma$iesta+,o e$omC$ica de mome$tos de crise, circu$scrita aos
co$litos de classe.
6o po$to de "ista o$tológico, a realidade cotidia$a produ/
situa+2es de co$lito >ue re>uerem dos home$s respostas,
tomadas de decis,o, e estas s,o respaldadas em produtos
espirituais e.pressos sob as mais di"ersas ormas: costumes,
"alores morais, "is2es de mu$do, co$"ic+2es religiosas,
ormula+2es cie$t<icas etc. ) dese$"ol"ime$to do ser social
gestou comple.os ideológicos >ue respo$dem a $ecessidades da
totalidade social, desempe$ha$do importa$te u$+,o $a
reprodu+,o da sociedade e dos i$di"<duos.
! realidade social ? determi$a+,o u$dame$tal $o
surgime$to do co$lito e tamb?m das poss<"eis respostas $a sua
%87
resolu+,o. Misto co$siste o sig$iicado amplo da ideologiaH
ideologia e e.istC$cia social e.pressamEse como realidades
i$separ3"eis. 'm >ual>uer $<"el de dese$"ol"ime$to o ser social
aprese$ta problemas a resol"er e s,o elaboradas respostas para
sua resolu+,o. Meste processo social surge e opera o e$0me$o
ideológico.
! ideologia ? uma u$+,o social e $,o uma >ualidade i.a
de um pe$same$to ou de uma a+,o. ) car3ter o$tológico pr3tico
da ideologia como u$+,o ? tor$ar a pr3tica huma$a co$scie$te e
operati"a. !liada ao aspecto amplo, a ideologia ?, tamb?m, um
i$strume$to de luta social com u$+,o $os co$litos de classe.
'm li$has gerais, com reerC$cia Bs categorias do trabalho
e da ideologia, co$sideramos co$clusi"o >ue, segu$do JuK3cs,
$o i$terior do ser social se e$co$tram prese$tes posi+2es
teleológicas de tipos di"ersos. !s posi+2es teleológicas prim3rias
compree$didas como trabalho, $o preciso se$tido do termo,
a/em a i$tera+,o teleologia e causalidade com o im de
tra$sormar ob*etos materiais em causalidade posta.
Por sua "e/, as posi+2es teleológicas secu$d3rias medeiam
rela+2es e$tre os i$di"<duos e e$tre estes e a sociedade. Qisam ao
comportame$to social dos i$di"<duos com a i$alidade de
co$du/iElos a tomar decis2es >ue possibilitem reali/ar uma
i$alidade dese*ada. &om isso, as posi+2es teleológicas
secu$d3rias p2em em mo"ime$to outras posi+2es teleológicas,
co$stitui$doEse em meios atra"?s dos >uais i$di"<duo e sociedade
%%8
processam o mo"ime$to de reprodu+,o social das rela+2es e$tre
os home$s. Por todos os co$teFdos e.postos $esta $ossa
disserta+,o, podemos perceber >ue o solo o$tológico a partir do
>ual se co$substa$cia a pr3tica do Ser"i+o Social só pode ser a
posi+,o teleológica secu$d3ria.
%%%
Ca%&t"lo III
SOBRE O SER%I&O SOCIAL
Servi'o So$ial: (ma Con$ep')o em *ebate
1* Coside!a#0es =!elimia!es
Mos cap<tulos a$teriores $os debru+amos sobre as
categorias do trabalho e da ideologia co$orme as apree$de
Georg JuK3cs. Isto $os permitiu ter uma $o+,o clara do
%%2
processo de trabalho em seus $e.os o$tológicos mais decisi"os,
como tamb?m precisar >ue
uma ati"idade t,o u$i"ersal como o trabalho se relacio$a
$o se$tido "erdadeiro, some$te com a troca orgD$ica com a
$ature/a. Mem mesmo o progresso da t?c$ica elimi$a esta
sua caracter<stica o$tológica, *3 >ue de tal perspecti"a $,o
muda $ada o ato do trabalho ser ma$ual ou mecD$ico @at?
automati/adoA, >ue a sua i$te$+,o se diri*a diretame$te a
e$0me$os $aturais co$cretos ou B utili/a+,o de
legalidades $aturais @284A.
!o mesmo tempo, com essa i$"estiga+,o apree$demos
>ue, e$>ua$to posi+,o teleológica prim3ria, o trabalho co$t?m a
possibilidade de e$cami$har um processo e"oluti"o $o ser social
pelo >ual a reprodu+,o dos i$di"<duos, da sociabilidade e da ala
te$de a tor$arEse cada "e/ mais social. 'ssa di$Dmica só e$co$tra
reios $a própria estrutura criada pelos home$s, >ue retroage
sobre os i$di"<duos e sobre a sociedade. ! troca orgD$ica com a
$ature/a d3 origem a $o"as posi+2es teleológicas, possibilita$do
a co$stitui+,o de comple.os sociais parciais >ue te$dem a tor$ar
a rela+,o e$tre o homem e a $ature/a cada "e/ mais socialme$te
mediada.
Por isso, com o dese$"ol"ime$to social criamEse certos
comple.os sociais parciais, ormados de posi+2es teleológicas
secu$d3rias, >ue só muito mediadame$te se desti$am B troca
orgD$ica com a $ature/a. Sua i$alidade prec<pua, em termos
gerais e abstratos, ? agir sobre a co$sciC$cia dos home$s,
co$sciC$cia e$te$dida $o se$tido co$creto, como a>uela >ue
regula as a+2es pr3ticas do i$di"<duo $a "ida cotidia$a. 'stes
%%3
comple.os e$omC$icos "isam B co$ser"a+,o ou a tra$sorma+,o
do ser social ou de parte dele.
'ste segu$do tipo de posi+,o teleológica ? a base
o$tológica da ideologia, um mome$to do ser social >ue se
desti$a a mediar as rela+2es e$tre os home$s em resposta aos
co$litos huma$oEsociais. 'm JuK3cs, esses co$litos se reerem
a um "ariado campo de problemas >ue ",o desde a resolu+,o de
problemas decisi"os para um determi$ado mome$to históricoE
social at? a>ueles >ue os i$di"<duos e$re$tam $o seu cotidia$o.
! ideologia, por sua "e/, tem por base os "alores, >ue s,o
partes mo"e$tes e mo"idas da totalidade do dese$"ol"ime$to
social. 'm JuK3cs, $o se$tido amplo a ideologia est3 prese$te
em toda a+,o huma$a e ? o i$strume$to pelo >ual os home$s
tomam co$sciC$cia dos seus problemas e criam os meios para
solucio$3Elos. 'm termos restritos, i$dissocia"elme$te do
primeiro aspecto, as ideologias espec<icas se "oltam ao campo
de luta social, >ue di/ respeito aos i$teresses de classe. 6e um
modo geral as ideologias comp2em a superestrutura ideal
origi$ada $o pla$o eco$0mico, >ue e.erce uma u$+,o $os
co$litos, em rela+,o ao de"ir homem do homem. ! $osso "er, ?
$esta esera >ue se locali/a a pr3tica dos assiste$tes sociais.
Posi+,o di"ersa desta $ossa pode ser e$co$trada $a
co$cep+,o de Ser"i+o Social co$tida $o item 3.%.3 EE MFcleo de
9u$dame$tos do Trabalho Proissio$al EE do docume$to
%%4
6iretri/es Gerais Para o &urso de Ser"i+o Social, $o >ual se
e$co$tra a segui$te airmati"a:
) co$teFdo deste $Fcleo co$sidera a proissio$ali/a+,o do
ser"i+o social como uma especiali/a+,o do trabalho e sua
pr3tica como co$creti/a+,o de um processo de trabalho >ue
tem como ob*eto as mFltiplas e.press2es da >uest,o
social
%2
.
Pelo e.posto $a airmati"a acima sobre o Ser"i+o Social
como processo de trabalho, a proissio$ali/a+,o do Ser"i+o
Social co$siste $uma especiali/a+,o do trabalho, e a pr3tica
proissio$al, $a reali/a+,o de um processo de trabalho >ue tem
como ob*eto as mFltiplas e.press2es da >uest,o social.
'"ide$ciaEse logo de imediato, $o te.to MFcleo de 9u$dame$tos
do Trabalho Proissio$al, >ue o processo de trabalho ?
compree$dido como uma a+,o sobre um ob*eto de $ature/a
purame$te social, pois as e.press2es da >uest,o social di/em
respeito B rela+,o e$tre os home$s, aos problemas postos pela
sociedade e Bs poss<"eis respostas elaboradas por esta mesma
sociedade aos problemas e.iste$tes.
Jogo em seguida o mesmo te.to di/:
Tal perspecti"a permite recolocar as dime$s2es
co$stituti"as do a/er proissio$al articuladas aos
eleme$tos u$dame$tais de todo e >ual>uer processo de
trabalho: o ob*eto ou mat?riaEprima sobre a >ual i$cide a
a+,o tra$sormadoraH os meios de trabalho EE
i$strume$tos, t?c$icas e recursos materiais e i$telectuais
>ue propiciam uma pote$cia+,o da a+,o huma$a sobre o
ob*etoH e a ati"idade do su*eito direcio$ada por uma
%2
&. 07cleo de fundamentos do trabalho ,rofissional. I$. 'iretri/es 8erais
,ara o Curso de Serviço Social 9Com base no curr4culo m4nimo a,rovado
em Assembléia 8eral #)traordin(ria de :& 0ov& ;<<=AO. &ader$os !bess
$.1, &orte/, p.66.
%%4
i$alidade, ou se*a, o próprio trabalho. Sig$iica, ai$da,
reco$hecer o produto do trabalho proissio$al em suas
implica+2es materiais, <deoEpol<ticas e eco$0micas @Idem,
p.66A.
!>ui esta argume$ta+,o, ao apree$der o a/er proissio$al
como trabalho, dei$e >ue os i$s e os meios da ati"idade
proissio$al, assim como sua a+,o tra$sormadora sobre um
ob*eto ou mat?riaEprima, correspo$dem B>uelas próprias a todo e
>ual>uer processo de trabalho.
'merge e$t,o um problema, como o trabalho, co$orme
apree$de JuK3cs em airma+,o citada $o i$<cio desta $ossa
a$3lise: Nse relacio$a $o se$tido "erdadeiro, some$te com a troca
orgD$ica com a $ature/a. X...Y $,o muda $ada o ato do trabalho
ser ma$ual ou mecD$ico @at? automati/adoA, >ue a sua i$te$+,o
se diri*a diretame$te a e$0me$os $aturais co$cretos ou B
utili/a+,o de legalidades $aturaisO, resta sube$te$dido >ue a
i$te$+,o da ati"idade proissio$al dirigeEse a e$0me$os $aturais
co$cretos ou B utili/a+,o de legalidades $aturais.
'$treta$to, se a mat?riaEprima do trabalho proissio$al ? a
>uest,o social, como a ati"idade proissio$al pode dirigirEse a
e$0me$os $aturais co$cretosP 'm outras pala"ras, como pode
caracteri/arEse como posi+,o teleológica prim3ria, se tem como
ob*eto de sua ati"idade a >uest,o social, >ue ? um ob*eto
purame$te socialP ! mat?riaEprima do processo de trabalho tem
uma $ature/a esse$cial diere$te dos ob*etos purame$te sociaisH
ambas s,o ob*eti"as e eeti"ame$te e.iste$tes, mas a ob*eti"idade
%%6
social e a ob*eti"idade $atural s,o de uma >ualidade
o$tologicame$te disti$ta. Porta$to, ob*eto, meio e i$s $o
trabalho s,o tamb?m de uma >ualidade disti$ta da>uela re>uerida
pelo processo dese$cadeado a$te os ob*etos sociais, cu*o im
co$stitui modiica+2es >ue di/em respeito aos home$s e suas
rela+2es.
&ertame$te e.iste a< algum e>u<"oco e, porta$to,
>ueremos demo$strar >ue $a co$cep+,o de Ser"i+o Social como
Processo de Trabalho, e.posta $o MFcleo de 9u$dame$tos do
Trabalho Proissio$al, h3 uma imprecis,o >ua$to a relacio$ar
processo de trabalho diretame$te ao processo dese$cadeado pela
ati"idade proissio$al do Ser"i+o Social. !s deli$ea+2es co$tidas
$o te.to em reerC$cia i$dicam >ue, $o Dmbito do Ser"i+o Social,
operam posi+2es teleológicas muito di"erge$tes em rela+,o ao
processo de trabalho propriame$te dito, pois a chamada
Nmat?riaEprimaO da a+,o proissio$al ? de $ature/a
e.clusi"ame$te social.
! precisa apree$s,o de Nmat?riaEprimaO oi eita por =ar.
ao tratar do processo de trabalho. I$icialme$te ele di/ >ue:
!$tes de tudo, o trabalho ? um processo e$tre o homem e a
Mature/a, um processo em >ue o homem, por sua própria a+,o,
medeia, regula e co$trola o seu metabolismo com a Mature/a.
'le mesmo se dero$ta com a mat?ria $atural como uma or+a
$atural. 'le p2e em mo"ime$to as or+as $aturais perte$ce$tes
B sua corporalidade, bra+os e per$as, cabe+a e m,o, a im de
apropriarEse da mat?ria $atural $uma orma Ftil para sua
própria "ida. !o atuar, por meio desse mo"ime$to sobre a
Mature/a e.ter$a a ele e ao modiic3Ela, ele modiica, ao
mesmo tempo, sua própria $ature/a. 'le dese$"ol"e as
%%1
potC$cias $ela adormecidas e su*eita o *ogo de suas or+as a
seu próprio dom<$io @=ar., %7(3, p.%47A.
9ica e"ide$ciado >ue se trata de trabalho mesmo, $o e.ato
se$tido o$tológico, ou se*a, $a>uilo >ue dei$e o car3ter
esse$cial do trabalho, como *3 "imos com JuK3cs. 'm seguida,
=ar. a/ airma+2es ai$da mais esclarecedoras:
M,o se trata a>ui das primeiras ormas i$sti$ti"as, a$imais de
trabalho. ) estado em >ue o trabalhador se aprese$ta $o
mercado como "e$dedor de sua própria or+a de trabalho
dei.ou para o u$do dos tempos primiti"os o estado em >ue o
trabalho huma$o $,o se dese/ ai$da de sua primeira orma
i$sti$ti"a @Idem$ ibidem, p.%47A.
) trabalho, tal como pe$sado por =ar., e como *3 "imos
tamb?m em JuK3cs, ? troca orgD$ica com a $ature/a, em >ue
diere$teme$te de um ar>uiteto, $a ati"idade de uma abelha
predomi$a o i$sti$to. ) ar>uiteto reali/a uma ati"idade pe$sada
$a >ual se articulam teleologia e causalidade para produ+,o de
algo $o"o, o produto do trabalho.
'sse trabalho ? um processo >ue tem como eleme$tos
simples Na ati"idade orie$tada a um im ou o trabalho mesmo,
seu ob*eto e seus meiosO @Idem$ ibidem, p.%48A. S,o os
eleme$tos u$dame$tais ao processo de ob*eti"a+,o do >ual de"e
resultar um produto material, um "alor de uso >ue, $a co$di+,o
de mercadoria, ad>uire "alor de troca.
Por Nmeio de trabalhoO =ar. e$te$de Numa coisa ou um
comple.o de coisas >ue o trabalhador p2e e$tre si mesmo e o
ob*eto de trabalho e >ue lhe ser"e como co$dutor de sua
%%(
ati"idade sobre esse ob*etoO @Idem$ ibidem, p.%48A. !s coisas
$aturais como a terra, a 3gua, os pei.es podem ser ob*eto geral
do trabalho huma$o, mas se No próprio ob*eto de trabalho, *3 ?,
por assim di/er, iltrado por meio do trabalho a$terior,
de$omi$amoElo mat?riaEprima. Por e.emplo, o mi$?rio *3
arra$cado >ue agora "ai ser la"adoO @Idem$ ibidem, p.%48A.
6esse modo, um ob*eto $atural ir3 co$stituirEse em mat?riaE
prima propriame$te dita, >ua$do soreu modiica+2es pela
media+,o do trabalho, *3 co$t?m $ela trabalho reali/ado.
Se le"armos em co$ta essa peculiaridade da mat?riaE
prima como ob*eto do trabalho huma$o $,o h3 como ide$tiic3Ela
a um ob*eto como a N>uest,o socialO, cu*o car3ter ? o$tológica e
i$teirame$te di"erso. Se delimitarmos ai$da a a$3lise ao pla$o
dos meios de produ+,o, da composi+,o do capital de >ue o
capitalista precisa dispor para dar i$<cio ao processo produti"o
e$>ua$to criador de mercadorias, a mat?riaEprima ? um dos
compo$e$tes do capital >ue $,o se "alori/a $o processo de
produ+,o, o capital co$sta$te. Mas pala"ras de =ar.:
! parte do capital, porta$to, >ue se co$"erte em meios de
produ+,o, isto ?, em mat?riaEprima, mat?rias au.iliares e
meios de trabalho, $,o altera sua gra$de/a de "alor $o
processo de produ+,o. 'u a chamo, por isso, parte co$sta$te
do capital, ou mais co$cisame$te: capital co$sta$te @Idem$
ibidem, p. %1%A.
'ssas simples digress2es em dire+,o ao pe$same$to de
=ar. $o se$tido de tor$ar preciso o car3ter esse$cial de mat?ria
prima s,o ilustrati"as para la$+ar mais problemas sobre uma
%%7
co$cep+,o >ue, como "imos, toma a pr3tica do Ser"i+o Social
Ncomo co$creti/a+,o de um processo de trabalho >ue tem como
ob*eto as mFltiplas e.press2es da >uest,o socialO. &ertame$te a
>uest,o social ou, mais apropriadame$te, suas rera+2es, podem
ser ob*eto da pr3tica proissio$al, mas $,o se caracteri/am como
mat?riaEprima $o preciso se$tido de =ar...
Porta$to, a $osso "er, toma$do como base o pe$same$to
de JuK3cs, o >ue os assiste$tes sociais de$omi$am de processo
de trabalho $o MFcleo em a$3lise, $a realidade trataEse de
processos perti$e$tes aos comple.os em >ue operam posi+2es
teleológicas secu$d3rias. Jembremos >ue o trabalho ? o modelo
de toda pr3tica social $a medida em >ue co$stitui a posi+,o
teleológica prim3ria da >ual deri"am as outras posi+2es. 'm
seguida procuraremos reu$ir argume$tos >ue permitam reiterar
esta $ossa airma+,o.
2* Se!/i#o Social e Es%eciali8a#$o =!o2issioal
! pri$c<pio >ueremos salie$tar o e$te$dime$to da
proissio$ali/a+,o do Ser"i+o Social como especiali/a+,o do
trabalho, como um aspecto basta$te co$siste$te $o te.to em
a$3lise, co$sidera$do >ue, certame$te, a di"is,o do trabalho ? o
ato gerador das proiss2es. &o$tudo, a >uest,o ? se o ato de o
%28
Ser"i+o Social resultar de uma especiali/a+,o do trabalho a/
desta ati"idade proissio$al um processo de trabalho, $os termos
>ue prop2e a &o$cep+,o de Ser"i+o Social co$tida $o MFcleo de
u$dame$tos do trabalho proissio$al.
! cria+,o de um estrato de especialistas ao >ual a
sociedade atribui uma u$+,o social $os co$te.to das rela+2es
sociais ? uma decorrC$cia da reprodu+,o do ser social, resulta$te
da di"is,o social do trabalho. Segu$do JuK3cs,
isso "em B lu/ $a própria di"is,o do trabalhoX...Y. ;ua$do
esta perma$e$te $ecessidade social de regular os
problemas >ue surgem $a reprodu+,o da "ida, se reprodu/
simulta$eame$te ao processo de reprodu+,o, este tipo de
ati"idade tor$aEse socialme$te $ecess3ria, o >ue se e.prime
$o ato de >ue i$di"<duos si$gulares ou grupos i$teiros
podem a/er dela uma ocupa+,o espec<ica da >ual "i"em
@411A.
)rigi$alme$te, Na di"is,o do trabalho se baseia $as
diere$+as biológicas das pessoas >ue ormam o grupo huma$oO
@%3(A. =as, com o recuo das barreiras $aturais, os mome$tos de
sociabilidade se sobrep2em aos $aturais, de modo >ue os
mome$tos biológicos passam a ocupar um papel cada "e/ mais
secu$d3rio $esta di"is,o. ! di"is,o do trabalho se co$stitui $um
lo$go processo, e.tremame$te diere$ciado, >ue impulsio$a a
reprodu+,o social a patamares cada "e/ mais ge$?ricos de
sociabilidade.
&omo co$se>uC$cia da di"is,o do trabalho surgem a+2es e
rela+2es purame$te sociais. )s atos >ue "isam suscitar $as
pessoas a "o$tade de agir e se a/em prese$tes, re>uere$do
%2%
algum co$hecime$to dos i$di"<duos e dos comportame$tos, tCm
um car3ter social. Mo processo social categorias purame$te
sociais agem $a i$tera+,o e$tre os home$s: N)s "alores >ue $este
po$to surgem, como o co$hecime$to dos home$s, a arte de
persuadir, a e$ge$hosidade, a astFcia, etc., alargam, por sua "e/,
o c<rculo de "alores e de "alora+2es @>ue s,o sociais em grau de
pure/a cada "e/ mais ele"adoAO @%37A.
Ma "is,o de JuK3cs, a di"is,o t?c$ica do trabalho, N>ue
$os est3gios e"olu<dos se airma com e"idC$cia cada "e/ maior,
se dese$"ol"eu da>uela di"is,o social e >ue, porta$to, admiti$do
todas as i$tera+2es e.iste$tes EE ? a$tes de tudo um eeito, $,o
uma causaO @%37A. !ssim, a di"is,o t?c$ica do trabalho resulta da
di$Dmica espo$tD$ea do comple.o da di"is,o social origi$3ria, $o
>ual os mome$tos sociais se sobrep2em cresce$teme$te aos
mome$tos $aturais.
!i$da co$orme este pe$sador, em termos precisos a
Ndi"is,o do trabalho come+a >ua$do as ocupa+2es si$gulares se
auto$omi/am em proiss2esO @%37A. ! premissa social para >ue
as diere$tes proiss2es possam se co$stituir decorre de >ue, em
todos os campos do trabalho, >ual>uer pessoa para se reprodu/ir
possa ad>uirir os produtos de >ue $ecessita sem >ue precise
produ/iElos por si mesma. )u se*a, >ue os di"ersos setores do
trabalho produ/am, em "alor de uso, al?m da>uilo >ue ?
$ecess3rio para assegurar a reprodu+,o dos produtores
e$"ol"idos $o processo e, ao mesmo tempo, >ue estes te$ham
%22
$ecessidade de be$s >ue $,o podem produ/ir com o seu próprio
trabalho.
'stes dois atos i$dicam >ue $o i$terior da comu$idade a
di"is,o do trabalho chegou a um determi$ado $<"elH
re"elam, de ato, >ue i$alme$te determi$adas pessoas se
especiali/aram em determi$ados trabalhos, e isto implica
i$e"ita"elme$te >ue outros de"em e.ecutar os trabalhos
$ecess3rios para co$ser"ar e reprodu/irElhes a "ida @%48E
%A.
'ssas rela+2es e.istem *3 basta$te cedo em pe>ue$as "ilas
e perma$ecem mesmo em mome$tos mais socialme$te e"olu<dos.
) dese$"ol"ime$to espo$tD$eo da di"is,o do trabalho ?
co$comita$te com a cria+,o do "alor de uso e sua ace$tuada
caracteri/a+,o como "alor de troca e$>ua$to categoria social
pura. 'st3 tamb?m associado ao mo"ime$to de cria+,o do
mercado e de co$stitui+,o das or+as produti"as, >ue se d3 com
a reprodu+,o do ser social. 6i/ JuK3cs:
'stamos pe$sa$do, a$tes de tudo, em dois comple.os >ue
diere$ciam orteme$te a sociedade origi$alme$te u$it3ria:
a di"is,o e$tre trabalho i$telectual e <sico e a di"is,o e$tre
cidade e campo, os >uais, por?m, se cru/am co$ti$uame$te
com a gera+,o das classes e dos a$tago$ismos de classe
@%44A.
M,o temos $e$huma prete$s,o de descre"er o processo e
os ta$tos desdobrame$tos >ue se reali/am com este importa$te
problema da reprodu+,o. Iremos $os dedicar some$te aos
aspectos >ue i$teressam ao $osso problema, >ue co$siste em
ide$tiicar se o ato de uma proiss,o resultar da di"is,o do
trabalho a tor$a um processo de trabalho.
%23
:ma "e/ >ue o ser social se tor$a cada "e/ mais social,
promo"e $o i$terior desse mo"ime$to um duplo processo: a
i$tegra+,o das comu$idades huma$as si$gulares em dire+,o a um
gC$ero huma$o $,o mais mudo, simulta$eame$te B co$stitui+,o
de i$di"idualidades huma$as cada "e/ mais sociais. !ssim se$do,
as $ecessidades do ser social $,o só se multiplicam como
tamb?m se tor$am mais soisticadas. !o mesmo tempo:
À medida em >ue progride, descobri$do e reali/a$do
coisas $o"as, $o"as $ecessidades, $o"os cami$hos para
satisa/CElas, o processo de trabalho pro"oca $a sociedade,
*u$tame$te B própria dius,o e aperei+oame$to cresce$tes,
uma di"is,o de trabalho $,o simplesme$te t?c$ica, mas
tamb?m social @%44A.
Ta$to >ue a di"is,o do trabalho $a ma$uatura *3 sig$iica
uma substa$cial muda$+a $as posi+2es teleológicas do trabalho,
co$sidera$do >ue a posi+,o teleológica se desloca para >uem
dirige a produ+,o, ao mesmo tempo >ue, aos i$di"<duos,
competem simplesme$te posi+2es repetiti"as e roti$eiras. )s
i$di"<duos *3 $,o domi$am o i$teiro processo de produ+,o, ",oE
se co$stitui$do em simples reali/adores de ati"idades >ue $,o
e.igem pe$sar i$tegralme$te o processo e sim meros rele.os
co$dicio$ados. =as, N? com a m3>ui$a >ue se i$icia a "erdadeira
di"is,o do trabalho determi$ada pela tec$ologiaO@%48A. Pois,
a m3>ui$a desa$tropomori/a o processo de trabalho, este
passa por um crescime$to >ualitati"o em dire+,o B
sociabilidade: a tarea dos home$s se restri$ge cada "e/
mais e co$siste S$o "igiar com o olho a m3>ui$a e corrigir
com a m,o os errosT. !s posi+2es teleológicas dos
i$di"<duos si$gulares se tor$am, porta$to, simples
compo$e$tes de um processo teleológico global
%24
socialme$te colocado em mo"ime$to @387, os grios do
autor se reerem a ! ca,ital de =ar.A.
! tra*etória social >ue possibilita tal di"is,o se mostra
como eeito do dese$"ol"ime$to das or+as produti"as, por sua
"e/, co$stitui$do o po$to de partida para seu dese$"ol"ime$to
posterior. Mo imediato, a di"is,o do trabalho deri"a das posi+2es
teleológicas dos i$di"<duos e, $o e$ta$to, p2eEse a$te estes como
or+a social >ue determi$a o seu ser e com os >uais os i$di"<duos
se co$ro$tam.
'$>ua$to co$se>WC$cia geral deste dese$"ol"ime$to, a
sociabilidade se re"ela tamb?m pelo ato >ue as posi+2es, a
,riori purame$te sociais, >ue $,o s,o dirigidas diretame$te
B troca orgD$ica com a $ature/a, mas ao co$tr3rio
te$cio$am i$luir sobre outros home$s a im de >ue eles
reali/em por si as posi+2es teleológicas si$gulares
dese*adas, aume$tem ta$to de $Fmero como de peso @387A.
Isto est3 de acordo com as co$sidera+2es de JuK3cs
>ua$to B tra*etória >ue co$du/ B di"is,o e$tre trabalho <sico e
i$telectual, prese$te origi$alme$te $a primeira di"is,o do
trabalho. Mo cap<tulo a$terior pudemos "eriicar >ue a di"is,o do
trabalho, desde sua orma mais i$cipie$te reali/ada atra"?s da
coopera+,o, *3 e.ige tareas diere$ciadas para os i$di"<duos,
permiti$do o dese$"ol"ime$to do comple.o da reprodu+,o
social.
! e.ecu+,o do trabalho, se*a $o pla$o i$di"idual ou $o
pla$o coleti"o, imp2e o co$trole dos aetos, respo$s3"el pelo
estabelecime$to de $ormas de comportame$to grupal e
i$di"idual. !< se origi$am posi+2es teleológicas geradoras
%24
tamb?m de ati"idades >ue, sem se dirigirem diretame$te aos
e$0me$os da legalidade $atural, mais tarde se tor$am meios de
"ida para certos grupos. !ti"idades ligadas B educa+,o, B
li$guagem, ao estabelecime$to de $ormas sociais e co$trole dos
comportame$tos com base em "alores. 6i/ o $osso autor:
;ua$to mais se dese$"ol"e o trabalho, e com ele a di"is,o
do trabalho, ta$to mais aut0$omas se tor$am as ormas de
posi+2es teleológicas do segu$do tipo, e ta$to mais podem
se dese$"ol"er em um comple.o por si da di"is,o do
trabalho @%44A.
! di"is,o e$tre cidade e campo acaba por pote$ciali/ar a
separa+,o e$tre di"is,o i$telectual e <sica do trabalho. Ma
cidade, at? as u$+2es mais simples da "ida s,o mediadas
socialme$te. )bser"emos, como assi$ala JuK3cs, >ue mesmo a
e.istC$cia de estruturas $aturais como um *ardim, um par>ue
etc., tem liga+2es mais predomi$a$teme$te com as a+2es sociais
do >ue com as $aturais.
;ua$to mais as cidades se dese$"ol"em, mais se
auto$omi/am, em termos relati"os, a$te as ati"idades do campo
como a agricultura, irma$doEse $as ati"idades i$dustriais e
comerciais. Meste se$tido a huma$idade "ai se dista$cia$do
da>uela situa+,o em >ue a ati"idade do trabalho, "i$culada B
troca orgD$ica com a $ature/a, comprometia completame$te o
trabalho de todos os i$di"<duos.
! base desse processo ? o dese$"ol"ime$to eco$0mico
co$siderado $a sua totalidade di$Dmica desdobrada. !
ob*eti"idade do "alor eco$0mico se u$da $a essC$cia do
%26
trabalho e$>ua$to satisa+,o da $ecessidade de reprodu+,o
material da "ida huma$a, ou se*a, $o "alor de uso do produto do
trabalho, mas a realidade ob*eti"a do seu car3ter de "alor "ai
al?m deste $e.o b3sico. ) car3ter Ftil do "alor Nad>uire uma
dime$s,o de u$i"ersalidade, de dom<$io sobre o co$*u$to da "ida
huma$aO@(7A, co$comita$teme$te essa utilidade se tor$a sempre
mais abstrata e$>ua$to No "alor de troca, sempre mediado,
ele"ado B u$i"ersalidade e em si mesmo co$traditório, assume a
u$+,o de guia $as rela+2es sociais e$tre os home$sO @(7A.
!ssim, a própria satisa+,o da $ecessidade p2e em mo"ime$to $o
homem >ue a reali/a uma i$te$+,o "oltada para um
dese$"ol"ime$to $o >ual o próprio homem co$stitui a essC$cia
real. Pois:
! sociabilidade dese$"ol"ida da produ+,o resulta $um
sistema ima$e$te, >ue repousa em si mesmo, echado em si
mesmo, com respeito ao eco$0mico, $o >ual uma pr3.is
real só ? poss<"el $a medida em >ue este*a orie$tada para
i$alidades eco$0micas ima$e$tes e para a correlati"a
busca dos meios @(7A.
'ste comportame$to $ecess3rio imediato do homem,
prese$te o$de a produ+,o se tor$ou social, segu$do JuK3cs, $,o
de"e obscurecer >ue todo ato eco$0mico se reali/a media$te
uma i$te$+,o o$tologicame$te ima$e$te, "oltada para a
huma$i/a+,o do homem $o se$tido mais amplo do termo.
!s posi+2es de "alor ta$to do tipo prim3ria >ua$to
secu$d3ria se articulam $o i$terior da esera eco$0mica mais
dese$"ol"ida. Meste comple.o as posi+2es reere$tes ao "alor de
%21
uso, ou se*a, a>uelas próprias do trabalho, tamb?m sorem
modiica+2es, mas $,o perdem sua essC$cia origi$3ria, $o se$tido
de respo$der a $ecessidades de reprodu+,o da "ida.
;ua$to Bs outras eseras do ser social, est,o, segu$do
JuK3cs, i$timame$te "i$culadas ao problema dos "alores
e$>ua$to partes mo"e$tes e mo"idas da totalidade social.
'.istem "alores >ue se airmam socialme$te media$te a cria+,o
de um aparato i$stitucio$al N>ue pode assumir as ormas mais
"ariadas @direito, 'stado, religi,o, etc.AO @77A. !s >uest2es
reere$tes B co$ti$uidade do ser social $o Dmbito dessas eseras
$,o eco$0micas s,o ai$da mais comple.as e de >ualidade
diere$te. JuK3cs di/:
U claro, de um lado, >ue determi$adas esp?cies de pr3.is
social e determi$adas regulame$ta+2es delas, mesmo
tor$adas aut0$omas ao lo$go da história, s,o, por sua
essC$cia, simples ormas de media+,o e desde a sua origem
ti"eram como u$+,o regular melhor a reprodu+,o socialH
pe$seEse $a esera do direito, $o se$tido mais amplo do
termo. ' "imos tamb?m, >ue, e.atame$te para cumprir
melhor o seu papel, esta u$+,o mediadora de"e ser
aut0$oma e ter uma estrutura heterogC$ea em rala+,o B
eco$omia @7%A.
! auto$omi/a+,o de tais comple.os a$te B esera
eco$0mica tem a "er com o melhor cumprime$to da sua u$+,o
mediadora, >ue de"e ser ob*eti"ame$te depe$de$te e
heterogC$ea em rela+,o B eco$omia. ! especiicidade do agir e
reagir destes comple.os tor$aEos impresci$d<"eis para a
totalidade social. !ssim se$do:
! di"is,o social do trabalho, $a sua e.pa$s,o >ua$titati"a
e >ualitati"a, cria e$cargos especiais, ormas espec<icas de
%2(
media+2es e$tre comple.os sociais si$gulares >ue,
e.atame$te por causa desta u$+,o particular $o processo
reproduti"o do comple.o total, ad>uirem uma peculiar
estrutura i$ter$a. !s $ecessidades do processo e$>ua$to
comple.o co$ser"am, por?m, a sua prioridade o$tológica e
por isto determi$am tipo, essC$cia, dire+,o, >ualidade, etc.,
das u$+2es e.ercidas por tais comple.os o$tológicos
mediadores @223A.
! prioridade da eco$omia $o ser social, decorre$te de sua
u$+,o o$tológica u$da$te, $,o sig$iica, $o pe$same$to de
JuK3cs, $e$huma "alori/a+,o hier3r>uica deste comple.o em
rela+,o aos outros. Sig$iica um ato o$tológico em >ue Numa
determi$ada orma do ser ? a i$suprim<"el base o$tológica de
uma outra e a rela+,o $,o pode ser $em i$"ersa $em rec<procaO
@78A.
) dese$"ol"ime$to social acaba por criar situa+2es em >ue
ati"idades >ue pouco tCm a "er com o trabalho $o se$tido estrito
se tor$em a base de especiali/a+2es >ue um grupo de pessoas
a+am dela uma proiss,o. Surgem setores de ati"idades a partir
da di"is,o social do trabalho >ue delega a um grupo huma$o
especiali/ado a u$+,o de pe$sar e agir com certa co$sciC$cia $a
e.ecu+,o de uma ati"idade. :ma co$sciC$cia deormada de tal
situa+,o pode Nco$du/ir B etichi/a+,o do comple.o, ao >ual
estreitame$te se atribui uma auto$omia absolutaO @226A, >ua$do
$a realidade se trata de um dos comple.os da totalidade social
cu*a auto$omia ? basta$te relati"a.
'm s<$tese, a sociabili/a+,o cresce$teme$te ge$?rica da
sociedade, resulta$te da di"is,o social do trabalho, Nse aprese$ta
%27
com muita clare/a como um processo em co$t<$uo reor+ame$to.
6e um lado a própria produ+,o ad>uire um car3ter t,o comple.o
>ue opera+2es >ue parecem ter pouco ou $ada a "er com a
produ+,o material de be$s tor$amEse, ao co$tr3rio,
i$dispe$s3"eis para o processo globalO @411A.
Jogo adia$te, o autor airma: NMeste se$tido, uma marca
social da sociali/a+,o ? a >ua$tidade de pessoas >ue podem
reprodu/ir em termos i$di"iduais a sua "ida, sem tomar parte $a
direta produ+,o material da essC$ciaO @411A. Mem toda proiss,o
>ue deri"a da di"is,o do trabalho dese$"ol"e ati"idades
diretame$te relacio$ada B produ+,o.
Podemos co$cluir, e$t,o, >ue as especiali/a+2es >ue
deri"am da di"is,o do trabalho $,o sig$iicam $ecessariame$te
comple.os >ue operam posi+2es teleológicas prim3rias, ao
co$tr3rio, o solo ge$?tico dessa di"is,o reside $as posi+2es >ue
i$te$tam i$du/ir outros home$s a agir co$orme um
comportame$to dese*ado. Ma co$ti$uidade do processo social
certos comple.os sociais ad>uirem mesmo uma relati"a
auto$omia $o co$te.to da totalidade social, algu$s deles com
u$+2es mediadoras e$tre os comple.os si$gulares
especiicame$te ligadas ao campo dos co$litos huma$oEsociais,
em particular, a>ueles reeridos aos co$litos de classe.
&om essas co$sidera+2es, buscamos e"ide$ciar >ue o ato
de uma proiss,o co$stituirEse $uma especiali/a+,o origi$ada $a
di"is,o social do trabalho $,o implica sua caracteri/a+,o como
%38
trabalho. ) Ser"i+o Social certame$te ? uma proiss,o >ue
deri"a da di"is,o do trabalhoH as $ecessidades sócioEhistóricas
>ue o legitimam como proiss,o o "i$cula a um e$0me$o t<pico
da ase capitalista dos mo$opólios. '$treta$to, isso $,o sig$iica
>ue, com sua ati"idade dirigida a determi$adas realidades sociais,
se reali/e um processo de trabalho $o preciso se$tido do termo.
!s especiali/a+2es >ue se desti$am ao trabalho mesmo,
Nco$di+,o $atural eter$a da "ida huma$aO, o se$tido de =ar.,
co$ser"am como i$te$+,o direta a tra$sorma+,o da ob*eti"idade
$atural ou da mat?riaEprima dela deri"ada.
! di"is,o do trabalho e.tremame$te soisticada da
sociedade capitalista tem propiciado o surgime$to de i$Fmeras
modalidades proissio$ais i$e.iste$tes em sociedades a$teriores.
Isto ? "is<"el ta$to para a esera da produ+,o eco$0mica, em ace
do dese$"ol"ime$to cada "e/ mais i$te$so das or+as produti"as,
>ua$to para a da reprodu+,o social. 5asta >ue obser"emos a
di"ersidade de proiss2es >ue se i$stitucio$ali/am com as
atribui+2es do 'stado em decorrC$cia da co$solida+,o e
dese$"ol"ime$to desta sociedade.
'm rela+,o ao Ser"i+o Social, a i$stitucio$ali/a+,o
proissio$al $os parece um tema ade>uadame$te discutido por
di"ersos autores e sob disti$tos D$gulos, >ue tor$a e"ide$te o
mome$to em >ue parte da sociedade d3 i$<cio a esta
especialidade $o co$*u$to das proiss2es
%3
. ! i$"estiga+,o da
%3
Metto, I. P. Ca,italismo >ono,olista e Serviço Social. S,o Paulo, &orte/,
%772. Mesta obra o autor situa o surgime$to do Ser"i+o Social $as co$di+2es
%3%
gC$ese da proiss,o propicia aos assiste$tes sociais "eriicar >ue,
$uma ase da sociedade capitalista compree$dida e$tre a segu$da
metade do s?culo bIb e os a$os 48 do s?culo bb, tem i$<cio
todo um processo de i$stitucio$ali/a+,o para o Ser"i+o Social,
"i$culado Bs $o"as modalidades de i$ter"e$+,o do 'stado *u$to
B or+a de trabalho.
&riaEse a rela+,o de assalariame$to para a proiss,o,
processaEse a abertura de campos de atua+,o e de orma+,o
proissio$al. 6e modo >ue o Ser"i+o Social se i$scre"e $a
soisticada di"is,o do trabalho >ue se desdobra a partir da>uele
mome$to da sociedade capitalista. )u se*a, o surgime$to da
proiss,o tem determi$a+2es $a comple.iica+,o da produ+,o
material e $a co$se>ue$te soistica+,o da di"is,o do trabalho
capitalista
%4
.
) lugar >ue o Ser"i+o Social ocupa $a di"is,o do trabalho
articulaEo B pol<tica social, aos direitos e gara$tias sociais, aos
ser"i+os sociais pFblicos e pri"ados, e$>ua$to campo de resposta
socialme$te elaboradas e legalme$te i$stitucio$ali/adas $o
Dmbito do aparato estatal. ', decisi"ame$te, o 'stado $,o ? uma
categoria do trabalho
%4
. 'm outras pala"ras, sig$iica di/er >ue o
históricoEsociais ad"i$das com o capitalismo dos mo$opólios, precisame$te
demarcado e$tre %(78 e %748, &. I, p. %3E11.
%4
:ma a$3lise do Ser"i+o Social &l3ssico em seu processo de
i$stitucio$ali/a+,o $os 'stados :$idos permite a apro.ima+,o aos
primórdios do capitalismo mo$opolista, com o e.erc<cio de u$+2es
ideológicas em >ue as rela+2es e$tre os home$s, seus comportame$tos e
modos de agir s,o o imediato ob*eto da a+,o.
%4
! despeito de todo o debate em tor$o do car3ter do 'stado e de suas
u$+2es, $em mesmo a "ariedade de acep+2es sobre ele permite a$te"er a
%32
lugar do Ser"i+o Social $a di"is,o do trabalho $,o o situa
diretame$te $a esera eco$0mica
%6
. 'mbora, e$>ua$to proiss,o
legalme$te i$stitu<da, ele possa e.ercer sua pr3tica *u$to aos mais
di"ersos comple.os sociais e.iste$tes $a sociedade, i$clusi"e os
produti"os. ) lugar da proiss,o $a sociedade, ao >ue tudo
i$dica, co$ere a ela u$+,o reproduti"a $as rela+2es e$tre os
home$s.
A* Se!/i#o Social e 5"est$o Social
1,
Letomaremos a a$3lise da co$cep+,o de Ser"i+o Social
como Processo de Trabalho do po$to em >ue, $o MFcleo de
9u$dame$tos do Trabalho Proissio$al, e$co$traEse a co$cep+,o
da pr3tica dos assiste$tes sociais
ide$tidade e$tre 'stado e Trabalho. Mo Dmbito do mar.ismo
co$temporD$eo, Ist"3$ =?s/3ros @2882A o compree$de como mome$to do
co$trole do sistema sociometabólico do capital >ue disp2e de sua própria
superestrutura.
%6
Mo te.to a$teriorme$te citado, Ca,italismo >ono,olista e Serviço
Social ,Ios? Paulo Metto, $uma a$3lise abra$ge$te das u$+2es do 'stado $a
ase mo$opolista do capitalismo, e.p2e clarame$te >ue o Ser"i+o Social $,o
se i$stitucio$ali/a opera$do u$+2es produti"as.
%1
! >uest,o social, $o se$tido >ue a e$te$demos, pode ser co$igurada a
partir de trCs dime$s2es diere$tes >ue se articulam: )s determi$a$tes
esse$ciais da acumula+,o capitalista e a gera+,o da pobre/a e da
desigualdade socialH a rea+,o dos trabalhadores atra"?s da luta de classes
co$tra a e.plora+,o do trabalhoH as respostas do 'stado pela "ia da
i$stitui+,o de direitos e pol<ticas sociais $o se$tido de co$ser"a+,o da
sociedade e $a co$te$+,o de co$litos e$tre classes sociais.
%33
como co$creti/a+,o de um processo de trabalho >ue tem
como ob*eto as mFltiplas e.press2es da >uest,o social. Tal
perspecti"a permite recolocar as dime$s2es co$stituti"as
do a/er proissio$al articuladas aos eleme$tos
u$dame$tais de todo e >ual>uer processo de trabalho: o
ob*eto ou mat?riaE prima sobre a >ual i$cide a a+,o
tra$sormadoraH os meios de trabalho EE i$strume$tos,
t?c$icas e recursos materiais e i$telectuais >ue propiciam
uma pote$cia+,o da a+,o huma$a sobre o ob*etoH e a
ati"idade do su*eito direcio$ada por uma i$alidade, ou
se*a, o próprio trabalho
%(
.
! co$cep+,o de Ser"i+o Social sobre a >ual estamos a>ui
$os debru+a$do co$cebe a pr3tica proissio$al como processo de
trabalho. Meste caso, como pr3tica portadora de todo car3ter
esse$cial Bs posi+2es teleológicas prim3rias, *3 >ue, co$orme o
próprio te.to em a$3lise, o a/er proissio$al em suas dime$s2es
co$stituti"as de"e estar articulado aos eleme$tos u$dame$tais
de todo e >ual>uer processo de trabalho: ob*eto ou mat?riaE
prima, meios e i$s >ue caracteri/am uma ati"idade huma$a
direcio$ada para uma i$alidade. Por outro lado, airma >ue o
ob*eto da pr3tica proissio$al s,o as mFltiplas e.press2es da
>uest,o social, ou se*a, a a+,o dos assiste$tes sociais i$cide sobre
algo decorre$te da própria sociedade, como tal, uma realidade
eeti"ame$te e.iste$te, mas de car3ter purame$te social.
!co$tece >ue a mat?riaEprima do trabalho ? o ser $atural,
ou mais precisame$te, a ob*eti"idade material sobre a >ual *3
i$cidiu trabalho huma$o. &omo *3 "imos a$tes, sua essC$cia ?
di"ersa dos ob*etos sociais reere$tes Bs rela+2es e$tre os
home$s, pois se trata de uma ob*eti"idade real i$depe$de$te de
%(
&. NMFcleo de 9u$dame$tos do Trabalho Proissio$alO, op. cit., p. 66.
%34
>ual>uer ato co$scie$te. 6ia$te do ob*eto $atural o su*eito se
e$co$tra a$te algo cu*os $e.os causais s,o simplesme$te
$aturais, e.igi$do co$hecime$to de suas leis ima$e$tes.
=esmo >ue esse ob*eto *3 te$ha sorido modiica+2es
decorre$tes de uma a+,o de trabalho huma$o e *3 se co$stitua
$um ob*eto >ue $,o perte$ce e.clusi"ame$te ao mu$do da
$ature/a, a a+,o sobre esse ob*eto, e$>ua$to mat?riaEprima para
outra a+,o, de"er3 i$cidir sobre a>uelas >ualidades i$ere$tes a
sua materialidade esse$cial, sobre os $e.os de sua legalidade
$atural. Some$te assim essa a+,o co$ter3 as caracter<sticas do
trabalho $o preciso se$tido do termo.
!ssim, airmar a pr3tica do Ser"i+o Social como processo
de trabalho correspo$de a assegurar >ue o Ser"i+o Social, $o seu
co$*u$to ou $as a+2es de seus age$tes i$di"iduais, opera atos
teleológicos dirigidos B tra$sorma+,o de ob*etos materiais em
ob*etos sociais. Isto sig$iica, por e.emplo, >ue o resultado ou
produto de sua a+,o poderia ser coisas materiais assim como
carros, roupas ou alime$tos.
Tal hipótese *amais oi le"a$tada, co$sidera$do >ue, $o
>ue se co$stata da pr3tica proissio$al, atos dessa $ature/a $,o
s,o próprios do dese$"ol"ime$to da a+,o do Ser"i+o Social. )s
atos do Ser"i+o Social e$"ol"em sempre uma a+,o dos age$tes
proissio$ais a$te determi$adas realidades sociais, co$di+2es
e.iste$tes $a "ida de i$di"<duos ou grupos huma$os resulta$tes
das rela+2es sociais prese$tes. &omo se pode "er, este ? um tipo
%34
de materialidade $ada idC$tico B materialidade simples ou
$atural, mesmo se esta Fltima *3 co$te$ha trabalho huma$o
tor$a$doEa ob*eti"idade social.
)ra, se ? "erdadeiro >ue o ob*eto da pr3tica proissio$al se
co$stitui $as e.press2es da >uest,o social, a Nmat?riaEprimaO
sobre a >ual i$cide a a+,o proissio$al ? de uma $ature/a
o$tológica esse$cialme$te diere$te da mat?riaEprima própria Bs
posi+2es teleológicas caracter<sticas do trabalho. !s e.press2es
da >uest,o social di/em respeito Bs rela+2es e$tre os home$s, em
especial as rela+2es de classe e rea+,o dos home$s aos
meca$ismos de e.plora+,o, aos problemas postos pela sociedade
e Bs poss<"eis respostas elaboradas por esta mesma sociedade.
' >ua$do se trata das rela+2es e$tre os home$s, a posi+,o
teleológica >ue opera com i$s de ma$ter ou mudar essa
realidade ? tamb?m de uma >ualidade esse$cialme$te di"ersa do
trabalho, pois a posi+,o de"e se dirigir B co$sciC$cia das pessoas,
e some$te a estas cabe reali/ar uma escolha e$tre as alter$ati"as
e.iste$tes para a co$secu+,o dos ob*eti"os propostos. Meste
caso a situa+,o com rela+,o aos meios ?, tamb?m,
esse$cialme$te diere$te, como di/ JuK3cs:
o SmaterialT das posi+2es causais >ue de"e reali/arEse $os
meios ? de car3ter social, isto ?, trataEse de poss<"eis
decis2es alter$ati"as de pessoas e, por isso, de algo >ue por
pri$c<pio $,o ? homogC$eo e >ue, al?m disso, est3 em
co$sta$te mo"ime$to @%82A.
'sta ati"idade sig$iica, porta$to, uma a+,o *3 muito
dista$ciada da>uelas "oltadas B simples reprodu+,o material da
%36
"ida. !< se tem uma ati"idade com base $uma posi+,o teleológica
secu$d3ria, $a >ual os meios tCm uma tarea ai$da mais
comple.a do >ue $o trabalho em se$tido estrito, $a medida em
>ue sob sua mira est3 um campo de rea+2es dese*adas e $,o
dese*adas. !l?m do mais, os resultados dessa a+,o p2em em
mo"ime$to outras posi+2es teleológicas.
!ssim se$do, com rela+,o B pr3tica do Ser"i+o Social,
mesmo >ue a ati"idade do su*eito >ue age se*a direcio$ada por
uma i$alidade e mesmo >ue este de"a dispor de meios para a
pote$cia+,o da ati"idade sobre um ob*eto da >ual resulte um
produto, por si só, isto $,o caracteri/a a ati"idade do Ser"i+o
Social como processo de trabalho.
;ua$to a este aspecto, as posi+2es do tipo secu$d3rio
aprese$tam a mesma estrutura e di$Dmica >ue as posi+2es
opera$tes $o trabalho: dirigemEse a um ob*eto, p2em meios e
i$s. ! disti$+,o b3sica e$tre o trabalho e essas outras posi+2es
reside pri$cipalme$te $o ob*eto >ue a posi+,o de"e mirar. Mo
primeiro caso @trabalhoA, a ob*eti"idade $aturalH $o segu$do caso
@teleologia secu$d3riaA, posi+2es causais de car3ter social.
Mo segu$do caso, o su*eito ad>uire uma u$+,o diere$te
do trabalho em se$tido estrito. 6e"e agir $o se$tido de co$du/ir
outros home$s a reali/arem por si mesmos outras ati"idades com
base $um processo rele.i"o. Meste caso podem ter como
dire+,o, at? mesmo, a própria i$terioridade dos su*eitos
e$"ol"idos $o processo para poder reali/ar modiica+2es de
%31
car3ter social $a sua "ida ou $a do grupo huma$o ao >ual
perte$ce, $o seu trabalho ou $a co$du+,o de processos sociais
de $ature/a pol<tica orie$tada para um determi$ado im. 6este
modo, e$te$demos >ue a tese da pr3tica do Ser"i+o Social como
Processo de Trabalho, >ua$do a$alisada sob a perspecti"a do
trabalho em JuK3cs, resulta sem suste$ta+,o.
Lestaria pe$sar >ue a categoria proissio$al toma a pr3.is
huma$a em geral como trabalho, por?m da< tamb?m decorrem
problemas de imprecis,o. '$tre a pr3.is huma$a geral e a pr3.is
si$gular do trabalho se p2em media+2es >ue caracteri/am
trabalho e sociabilidade como categorias esse$cialme$te
heterogC$eas. JuK3cs $,o d3 >ual>uer i$dica+,o de >ue a pr3.is
huma$a possa ser redu/ida aos processos de trabalho, do mesmo
modo >ue do trabalho $,o se pode dedu/ir abstratame$te a
totalidade do mu$do dos home$s. 6as ormas mais simples Bs
mais comple.as:
) ser social ? um comple.o de comple.os cu*a reprodu+,o
se e$co$tra em mFltiplas e "ariadas i$terErela+2es com o
processo reproduti"o dos comple.os parciais relati"ame$te
aut0$omos, por?m o$de a totalidade e.erce sempre uma
i$luC$cia predomi$a$te $o i$terior dessas rela+2es @244A.
Sobre este aspecto "imos *3 $o cap<tulo do trabalho >ue,
em primeiro lugar, o trabalho ? a categoria >ue reali/a a s<$tese
e$tre teleologia e causalidade e por isso u$da o ser social. 'm
segu$do lugar, >ue o trabalho ? uma categoria e.clusi"ame$te
social e e.iste simulta$eame$te, pelo me$os a comple.os como a
sociabilidade, a coopera+,o e a ala, e$>ua$to media+2es
%3(
esse$ciais B reprodu+,o do homem como i$di"<duo e como
sociedade. 'm termos da rela+,o e$tre totalidade e essC$cia
JuK3cs ad"erte em outro mome$to:
se $,o podemos co$trapor em termos meta<sicoEabsolutos,
sem escalas, a esera eco$0mica B superestrutura, $,o podemos
tampouco di/er >ue o comple.o das posi+2es teleológicas $o
i$terior do ser social se*a um co$*u$to u$iorme,
i$diere$ciado. X...Y icaE$os claro >ue estas duas ormas do
ser, u$idas e$tre si por uma i$i$idade de i$tera+2es,
co$stituem uma u$idade di$Dmica, $a >ual, por?m, as
determi$a+2es co$cretas aprese$tamEse muito diere$tes @364A.
;ua$to B determi$a+,o dos comple.os da reprodu+,o $o
processo histórico, Jessa di/:
'$tre o trabalho, e$>ua$to categoria u$da$te, e o mu$do
dos home$s como um todo, temos a i$elimi$3"el media+,o
da reprodu+,o social. X...Y. a co$stru+,o social da
particularidade de cada mome$to histórico EE
particularidade esta >ue, pelas determi$a+2es u$i"ersais de
>ue ? portadora, se articula B história da huma$idade, e,
pelas si$gularidades >ue lhe determi$am, se disti$gue de
todos os outros mome$tos da história EE ? uma u$+,o >ue
perte$ce B essC$cia da categoria da reprodu+,o e$>ua$to
tal @Jessa, S. op. cit. p.%42A.
6e modo >ue, $o toca$te Bs rela+2es sociais, some$te se
i$corrermos $uma abstra+,o muito gra$de, estas podem ser
e$te$didas como trabalho. ) salto o$tológico para uma $o"a
esera do ser *3 sig$iica >ue o homem ? capa/ de trabalhar, de
alar e dese$"ol"er ati"idades de $o"o tipo, cu*a co$stitui+,o
esse$cial $,o e$co$tra similar $a $ature/a. Mo processo de
co$stitui+,o dessa $o"a substa$cialidade o papel da sub*eti"idade
e dos i$di"<duos $,o ? $ada despre/<"el.
%37
4* Se!/i#o Social7 5"est$o Social e Ideolo+ia
! categoria >uest,o social aparece $a produ+,o dos
assiste$tes sociais mais precisame$te $a d?cada de %7(8. 'ste
ob*eto ? i$serido $o u$i"erso i$telectual do Ser"i+o Social
brasileiro a partir da i$"estiga+,o da gC$ese i$stitucio$al da
proiss,o. Sua apree$s,o resulta da i$"estiga+,o sobre as orige$s
do Ser"i+o Social por parte de autores >ue se i$spiraram $a
tradi+,o mar.ista
%7
. )s autores a "i$culam ao co$*u$to de
determi$a+2es sociais gerador das co$tradi+2es de classe
e.iste$tes $a sociedade e do e$te$dime$to sobre o lugar do
Ser"i+o Social $o co$te.to da produ+,o e reprodu+,o do ser
social burguCs.
!rticulada B co$cep+,o de Ser"i+o Social como proiss,o
i$serida $a di"is,o sociot?c$ica do trabalho da sociedade
burguesa, a >uest,o social ? apree$dida como base de u$da+,o
do Ser"i+o Social e como ob*eto de sua atua+,o. !tualme$te a
%7
Mo 5rasil o Ser"i+o Social come+a a ser "i$culado B >uest,o social desde o
primeiro &urso de 9orma+,o Social mi$istrado em S,o Paulo por =lle.
!dcle de Jo$eu. em %732. =as ? com a te$dC$cia de i$te$+,o de ruptura, B
>ual $os reerimos a$teriorme$te, >ue se ortalece a ideia da rela+,o e$tre
Ser"i+o Social e >uest,o social, sob a "is,o mar.ista de luta de classe. !
primeira obra de Ser"i+o Social de$tro dessa te$dC$cia em >ue aparece
ormulada teoricame$te essa categoria ? a obra *3 citada, Relaç?es Sociais e
Serviço Social$ de Iamamoto e &ar"alho.
%48
associa+,o e$tre Ser"i+o Social e >uest,o social perpassa os
pressupostos da mais $o"a proposta de orma+,o proissio$al,
i$dica$do a or+a >ue a >uest,o social ad>uire $o u$i"erso de
pe$same$to dos assiste$tes sociais.
:ma das produ+2es em Ser"i+o Social dei$e assim esta
categoria:
! >uest,o social $,o ? se$,o as e.press2es do processo de
orma+,o e dese$"ol"ime$to da classe oper3ria e de seu
i$gresso $o ce$3rio pol<tico da sociedade, e.igi$do seu
reco$hecime$to como classe por parte do empresariado e
do 'stado. U a ma$iesta+,o $o cotidia$o da "ida social, da
co$tradi+,o e$tre o proletariado e a burguesia X...Y
@I!=!=)T) e &!LQ!J#), op.cit., p.11A.
Ma se>uC$cia do processo de apree$s,o da origem do
Ser"i+o Social $as rela+2es sociais, em outra produ+,o, o autor,
ao a$alisar as modalidades de i$ter"e$+,o do 'stado $uma ase
precisa do capitalismo, utili/a a segui$te dei$i+,o:
Por S>uest,o socialT, $o se$tido u$i"ersal do termo,
>ueremos sig$iicar o co$*u$to de problemas pol<ticos,
sociais e eco$0micos >ue o surgime$to da classe oper3ria
imp0s $o curso da co$stitui+,o da sociedade capitalista.
!ssim, a S>uest,o socialT est3 u$dame$talme$te "i$culada
ao co$lito e$tre o capital e o trabalho @&'L;:'IL!
9IJ#), a,ud =!LTIM'JJI, %773, p. 2%A.
Lece$teme$te, o co$ceito de >uest,o social aparece
e.plicitadame$te mais pró.imo das a+2es peculiares ao cotidia$o
da pr3tica proissio$al:
)s assiste$tes sociais trabalham com a >uest,o social $as
suas mais "ariadas e.press2es >uotidia$as, tais como os
i$di"<duos as e.perime$tam $o trabalho, $a am<lia, $a
3rea habitacio$al, $a saFde, $a assistC$cia social pFblica,
etc. ;uest,o social >ue se$do desigualdade ? tamb?m
rebeldia, por e$"ol"er su*eitos >ue "i"e$ciam as
%4%
desigualdades e a elas resistem e se op2em. U $esta te$s,o
e$tre produ+,o da desigualdade e produ+,o da rebeldia e
da resistC$cia, >ue trabalham os assiste$tes sociais,
situados $esse terre$o mo"ido por i$teresses disti$tos, aos
>uais $,o ? poss<"el abstrair ou deles ugir por>ue tecem a
"ida em sociedade
28
.
'.pressas sob D$gulos diere$tes, podemos obser"ar >ue as
co$cep+2es de >uest,o social a>ui e.postas aprese$tam como
eleme$to comum o co$lito de i$teresses e$tre os home$s.
!licer+amEse $a ideia de >ue co$di+2es desiguais de e.istC$cia
social origi$adas $o campo eco$0mico pro"ocam atos de
resistC$cia e rebeldia, respo$s3"eis pela te$s,o e$tre classes
sociais a$tag0$icas.
Messes termos, essa te$s,o e os problemas com ela
surgidos est,o $a base da >uest,o social. 'la ? percebida como
orma particular de e.press,o da rea+,o dos home$s ao seu
ambie$te eco$0micoEsocial. Lea+,o >ue re>uer respostas sociais,
a+2es criadas socialme$te >ue se materiali/am como alter$ati"as
de solu+,o para os problemas co$tra os >uais os home$s se
rebelam.
! rela+,o e$tre a >uest,o social e a pr3tica dos assiste$tes
sociais ? compree$dida como uma resposta operacio$ali/ada $o
limiar da co$tradi+,o e$tre a produ+,o da desigualdade e a
produ+,o da rebeldia e da resistC$cia de su*eitos sociais Bs
co$di+2es materiais de e.istC$cia social. Se isso ? "erdadeiro, a
28
I!=!=)T), =. ! Serviço Social na Contem,oraneidade: dime$s2es
históricas, teóricas e ?ticoEpol<ticas. 6ebate $. 6, &ressE&'. 9ortale/a, %771,
p. %4.
%42
apree$s,o da >uest,o social como ob*eto da pr3tica do Ser"i+o
Social tem desdobrame$tos i$teressa$tes >ua$do a$alisada com
base $a o$tologia de JuK3cs.
Imediatame$te $os chama a ate$+,o >ue a pr3tica
proissio$al ? e.plicitada como a+,o e.ercida $o i$terior dos
co$litos e$tre su*eitos sociais e a sociedade da >ual a/em parte.
', para JuK3cs, os pe$same$tos >ue subsidiam atos huma$os
com esta u$+,o social s,o caracteri/ados como ideologia.
&o$orme ha"<amos "isto a$teriorme$te, >ual>uer pe$same$to ?
ideologia >ua$do se tor$a "e<culo teórico ou pr3tico de combate
a co$litos sociais. 'sta u$+,o ? o determi$a$te esse$cial $a
caracteri/a+,o o$tológica da ideologia.
Lecordemos >ue JuK3cs $,o i$terpreta a ideologia
$ecessariame$te $o se$tido de alsa co$sciC$cia, mas como
e.press,o de uma realidade eeti"ame$te e.iste$te >ue tem sua
gC$ese $o cotidia$o mais imediato e >ue e.erce uma a+,o sobre
esse mesmo cotidia$o. !l?m disso, a ideologia ? o meca$ismo
pelo >ual os home$s tra/em B co$sciC$cia co$litos huma$os e os
meios de combatCElos.
!ssim, se o Ser"i+o Social $asce como uma resposta
"oltada a combater co$litos sociais, e se N? $esta te$s,o e$tre
produ+,o da desigualdade e produ+,o da rebeldia e da resistC$cia
>ue trabalham os assiste$tes sociais, situados $esse terre$o
mo"ido por i$teresses disti$tosO, co$orme airma =arilda
Iamamoto em cita+,o acima sobre a >uest,o social, o Ser"i+o
%43
Social e$co$traEse de$tro dos crit?rios como "e<culo pr3tico de
ideologia.
'stamos ala$do de um "e<culo pr3tico por>ue, como
sabemos atra"?s da recupera+,o histórica da proiss,o, o Ser"i+o
Social $,o surge $a sociedade capitalista com a tarea de
produ/ir co$hecime$tos, mas como uma pr3tica social i$serida
i$stitucio$alme$te e predomi$a$teme$te e.ercida *u$to a
i$di"<duos ou a am<lias co$sideradas care$tes de a*uda material
ou moral
2%
. :ma a+,o >ue $as ormas origi$3rias do Ser"i+o
Social brasileiro ti$ha o mome$to ideal $os costumes e $o
pe$same$to social crist,o.
! gC$ese i$stitucio$al ? um mome$to da pr3tica
proissio$al, um mome$to importa$te >ue u$da algumas de suas
caracter<sticas esse$ciais, como origem e posi+,o $a sociedade,
ou se*a, sua u$+,o social e$>ua$to ati"idade >ue se
i$stitucio$ali/a *u$to a a+2es do 'stado e i$ter"?m $o Dmbito
dos co$litos sociais. Toda"ia, a co$stitui+,o da proiss,o mesma
dema$da um processo perma$e$te de a+,o $a realidade e de
produ+,o i$telectual. 6e modo >ue, $a se>uC$cia do
dese$"ol"ime$to da proiss,o impulsio$ado por atores di"ersos,
2%
Iamamoto, sobre o Ser"i+o Social brasileiro: N!spectos da #istória do
Ser"i+o Social $o 5rasilO. I$ Iamamoto e &ar"alho. Relaç?es Sociais e
Serviço Social no @rasil esbo+o de uma i$terpreta+,o histórico
metodológica. &orte/, dJima , PeruY, %7(6, e Iea$$i$e QerdcsEJerou., sobre
o Ser"i+o Social ra$cCs, em Trabalhador SocialA ,r(ticas$ h(bitos$ ethos e
formas de intervenção. Trad. Le$? de &ar"alho, S,o Paulo &orte/, %7(6,
a/e$do uma recupera+,o das ormas embrio$3rias do Ser"i+o Social
demo$stram atra"?s da a$3lise de "asto material emp<rico essas ormas de
atua+,o.
%44
relacio$ados ao dese$"ol"ime$to social, as respostas elaboradas
pela proiss,o sorem modiica+2es, em ace das circu$stD$cias
sociais >ue dema$dam sua atua+,o
22
.
!o mesmo tempo, o Ser"i+o Social come+a a produ/ir
teoricame$te e sua atua+,o tamb?m se modiica pela
apro.ima+,o com teorias cie$t<icas e com u$dame$tos
ilosóicos >ue ",o al?m do pe$same$to crist,o. Messe processo
o Ser"i+o Social elabora cr<ticas ao próprio Ser"i+o Social,
procura apree$der o emEsi da proiss,o, comprometeEse com os
usu3rios dos seus ser"i+os, e$"ol"eEse com mo"ime$tos sociais
sem perder o "<$culo com sua u$+,o social ge$?tica, atuar $o
campo dos co$litos huma$oEsociais, e.pressos $o >ue Ios?
Paulo Metto de$omi$ou de rera+2es da >uest,o social.
&o$orme *3 "imos, as ideologias s,o respostas a
problemas da realidade cotidia$a >ue e.igem do su*eito
pe$same$to e a+,o dirigidos a tra$sormar @ou a ma$terA uma
realidade espec<ica. =as a a+,o sobre essa realidade espec<ica
se dirige B co$sciC$cia dos i$di"<duos. Meste se$tido se "olta a
todo um campo de rea+2es dese*adas e $,o dese*adas >ue os
i$di"<duos e grupos huma$os ma$iestam a$te os problemas >ue
permeiam os "3rios $<"eis de sua e.istC$cia. 6a mesma orma
22
Mo caso brasileiro, reerimoE$os a mome$tos di"ersos como: a ase
dese$"ol"ime$tista, re>uere$do da pr3tica proissio$al atua+2es *u$to a
pro*etos de dese$"ol"ime$to de comu$idade sobre os >uais di"ersos autores
a/em uma ampla a$3lise. ' tamb?m ao co$te.to da ditadura militar,
>ua$do o Ser"i+o Social se e$"ol"e com as propostas de luta social pela
democrati/a+,o da sociedade brasileira.
%44
>ue o trabalho, as ideologias tCm como estrutura as decis2es
e$tre alter$ati"as, mas s,o atos t<picos das posi+2es teleológicas
secu$d3rias.
&omple.os sociais como o direito, a pol<tica, a ilosoia e a
arte operam posi+2es teleológicas dessa $ature/a. 'ssas
posi+2es, ao dese$cadearem um processo teleológico $a
realidade social, $,o p2em em mo"ime$to, imediatame$te, os
$e.os causais da realidade, e sim outras posi+2es teleológicas
origi$adas dos atos de co$sciC$cia dos i$di"<duos.
&ertos atos ideológicos espec<icos como, por e.emplo, as
reali/a+2es da obra de um artista pl3stico ao produ/ir uma
pi$tura ou uma escultura, operam sobre a causalidade simples,
mas o produto deste ato se dirige B co$sciC$cia das pessoas. )s
atos ideológicos tCm sempre como im agir sobre a co$sciC$cia
dos i$di"<duos. ! a+,o do su*eito sobre os problemas ou
co$litos sociais, >ua$do p2e como i$alidade a preser"a+,o ou a
tra$sorma+,o do ser social ou de parte dele, tem por base
mome$tos ideais >ue se dirigem B co$sciC$cia, ao
comportame$to dos home$s dia$te das co$di+2es de e.istC$cia
social.
! importD$cia dessas posi+2es est3 $a e.ata medida em
>ue est,o "oltadas B muda$+a de comportame$to e$tre os
home$s, pro"oca$do $o"as posi+2es teleológicas i$dispe$s3"eis
ao processo de e"olu+,o dos i$di"<duos e da sociedade.
Lecordemos >ue este processo $,o ? t,o simplesH muitos
%46
impedime$tos B ele"a+,o do i$di"<duo e da sociedade a ser
huma$o ge$?rico assumem a orma de ideologia, ou se a/em
prese$tes $as ideologias. 6e modo >ue $,o se trata de pe$sar
>ue a ideologia ? $ecessariame$te um impulso positi"o $este
se$tido e tampouco >ue se co$stitua $a sua $ega+,o. !
sociedade produ/ os mome$tos e as co$di+2es em >ue os
pe$same$tos ou as a+2es se co$stituem em comple.os >ue agem
$um se$tido ou $o outro.
Mo $osso e$te$dime$to, se o Ser"i+o Social e.erce uma
u$+,o $o Dmbito dos co$litos, a busca de dirigirEse ao
comportame$to dos i$di"<duos decorre esse$cialme$te dessa sua
pr3tica, e$>ua$to ma$iesta+,o da u$+,o ideológica. )s
co$litos deri"ados da totalidade social ma$iestamEse
basicame$te $a co$sciC$cia dos i$di"<duos. Isso sig$iica >ue o
Ser"i+o Social age $a realidade te$do por base um mome$to
ideal a partir do >ual opera como posi+,o teleológica secu$d3ria.
'$te$demos ai$da >ue, por isso, a pr3tica proissio$al dos
assiste$tes sociais ? perpassada por a+2es muito pró.imas aos
processos educati"os e, muitas "e/es, ad>uirem tamb?m
dime$s,o pol<tica, i$seri$doEse $o campo das lutas por melhores
co$di+2es de "ida, saFde, educa+,o, trabalho etc.
M,o ? de se estra$har >ue os cl3ssicos do Ser"i+o Social
te$ham se i$spirado em co$ceitos como os de pessoa huma$a e
de pessoa em situa+,o social, ao co$ceberem o Ser"i+o Social de
&aso, de Grupo e de &omu$idade. Mas ases i$iciais esta"a
%41
e.plicitame$te posto >ue a ati"idade proissio$al "olta"aEse
basicame$te para i$ter"ir sobre o comportame$to social dos
i$di"<duos, >ue a situa+,o social i$lue$cia"a sobre esses
comportame$tos e >ue, para sair da situa+,o em >ue se
e$co$tra"am, os i$di"<duos depe$diam da supera+,o de seus
limites i$teriores. Some$te a t<tulo de e.emplo, uma obra
largame$te utili/ada $a orma+,o dos assiste$tes sociais
brasileiros at? a d?cada de %718:
;ua$do se di/ >ue as $ecessidades huma$as de"em ser
satiseitas e $,o ig$oradas, rustradas ou $egadasH >ue a
pessoa huma$a tem seu próprio "alor e sua
i$di"idualidadeH >ue a i$terdepe$dC$cia do i$di"<duo e da
sociedade tor$a impresci$d<"el o respeito mFtuo e a "ida
em sociedade, com pessoas dos mais di"ersos
temperame$tos e culturas, orie$tadas de ma$eira
co$struti"a E e$t,o os "alores e ob*eti"os comu$s tor$amEse
partes i$tegra$tes da discipli$a e do próprio m?todo. !l?m
disso, para a*udar eicie$teme$te aos outros, ? preciso
respeitar a pessoa huma$a, isto ?, o seu direito de "i"er a
própria "ida, de usuruir de liberdade pessoal e pol<tica, de
buscar a elicidade e de procurar os "alores espirituais a
>ue aspira @#!=IJT)M, %7(2, p.28A.
Se essas a+2es se dirigiam para a muda$+a ou para a
co$ser"a+,o das rela+2es sociais, ou se as perspecti"as em >ue se
basea"am alsea"am ou $,o o real, ? um aspecto >ue $,o $os
i$teressa $este mome$to, at? por>ue *3 oi ob*eto de a$3lise por
di"ersos autores, de orma basta$te co$siste$te. U de
co$hecime$to dos assiste$tes sociais >ue, $a se>uC$cia do
mo"ime$to de reco$ceituali/a+,o
23
oi reali/ada uma "asta cr<tica
23
Por mo"ime$to de reco$ceituali/a+,o do Ser"i+o Social e$te$demos o >ue
Ios? Paulo Metto di/: N! reco$ceituali/a+,o ?, sem >ual>uer dF"ida, parte
i$tegra$te do processo i$ter$acio$al de eros,o do Ser"i+o Social
%4(
Bs posturas tradicio$ais do Ser"i+o Social, especialme$te pela
te$dC$cia de$omi$ada Ni$te$+,o de rupturaO
24
. 'ssa cr<tica ati$ge
a i$di"iduali/a+,o dos problemas sociais $a i$ter"e$+,o da
>uest,o social sob a ordem do capitalismo mo$opolista. Segu$do
Metto:
! i$di"iduali/a+,o dos problemas sociais, sua remiss,o B
problem3tica si$gular @psicológicaA dos su*eitos por ela
aetados ?, como "imos, um eleme$to co$sta$te, embora
com gra"ita+,o "ari3"el, $o e$re$tame$to da S>uest,o
socialT $a idade do mo$opólioH ela permite EE com todas as
co$se>WC$cias >ue da< decorrem EE psicologi/ar os
Stradicio$alT e, porta$to, $esta medida, partilha de suas causalidades e
caracter<sticas. &omo tal ela $,o pode ser pe$sada sem a reerC$cia ao
>uadro global @eco$0micoEsocial, pol<tico, cultural e estritame$te
proissio$alA em >ue a>uele se dese$"ol"e. Mo e$ta$to, ela se aprese$ta com
$<tidas peculiaridades, procede$tes das particularidades lati$oEamerica$as,
X...Y, a reco$ceituali/a+,o est3 i$timame$te "i$culada ao circuito
sociopol<tico lati$oEamerica$o da d?cada de sesse$ta: a >uest,o >ue
origi$alme$te a coma$da ? a funcionalidade ,rofissional na su,eração do
subdesenvolvimento& I$daga$doEse sobre o papel dos proissio$ais em ace
da ma$iesta+,o da S>uest,o socialT, i$terroga$doEse sobre a ade>ua+,o dos
procedime$tos proissio$ais co$sagrados Bs realidades regio$ais e $acio$ais,
>uestio$a$doEse sobre a eic3cia das a+2es proissio$ais e sobre a
legitimidade de suas represe$ta+2es, i$>uieta$doEse com o relacio$ame$to
da proiss,o com os $o"os atores >ue emergiam $a ce$a
pol<tica@u$dame$talme$te ligados Bs classes subalter$asA EE e tudo isso sob
o peso do colapso dos pactos pol<ticos >ue "i$ham do pósEguerra, do
surgime$to de $o"os protago$istas sociopol<ticos, da re"olu+,o cuba$a, do
i$cipie$te reormismo gC$ero !lia$+a para o Progresso EE, ao mo"erEse
assim, os assiste$tes sociais lati$oEamerica$os, atra"?s de seus segme$tos de
"a$guarda, esta"am mi$a$do as bases tradicio$ais da sua proiss,oO. Metto,
I. P. 'itadura e Serviço Social EE uma a$3lise do ser"i+o social pósE64, S,o
Paulo: &orte/, %77%, p. %46. Grio $o próprio te.to.
24
Idem, ibidem$ N! terceira dire+,o ide$tiicada $o processo de re$o"a+,o
do Ser"i+o Social $o 5rasil ? a te$dC$cia ide$tiicada como intenção de
ru,tura com o Ser"i+o Social Stradicio$alT. !o co$tr3rio das a$teriores esta
possui como substrato $uclear uma cr<tica sistem3tica ao desempe$ho
Stradicio$alT e aos seus suportes teóricos, metodológicos e ideológicos. X...Y
Ma sua e"olu+,o e e.plicita+,o ela recorre, progressi"ame$te, B tradi+,o
mar.ista X...Y e re"ela as diiculdades de sua airma+,o $o >uadro sócio
Epol<tico da autocracia burguesaO @...A. Grio $o origi$al, p. %47.
%47
problemas sociais, tra$seri$do a sua ate$ua+,o ou
proposta de resolu+,o para a modiica+,o e- ou redei$i+,o
de caracter<sticas pessoais do i$di"<duo @? e$t,o >ue
emergem, com rebatime$tos pr3ticoEsociais de mo$ta, as
estrat?gias, retóricas e terapias de a*ustame$to, etcA @Idem,
ibidem, p.31A.
Sem >ual>uer reto>ue sobre a a$3lise acima descrita, >ue
trata de aspectos rele"a$tes da i$di"iduali/a+,o psicológica $a
i$ter"e$+,o sobre a >uest,o social, $ossa a$3lise se a/ $a
dime$s,o de situar >ue >ual>uer tipo de atua+,o sobre as
i$di"idualidades, como ser i$depe$de$te e dissociado da
totalidade das rela+2es sociais, tor$aEse poss<"el some$te por>ue
? $a sociedade capitalista >ue se e.plicita pela primeira "e/ a
polari/a+,o e$tre i$di"<duo e sociabilidade. &o$orme JuK3cs:
a própria i$di"idualidade, assim como o "alor de sua ple$a
e.plicita+,o, ? um produto do dese$"ol"ime$to social e por
isso, em toda a sua ma$iesta+,o co$creta, EE ta$to mais
>ua$to mais ele"ada, >ua$to mais si$gular ela ? EE
pressup2e o$tologicame$te um determi$ado $<"el de
produ+,o @%13A.

Tal $<"el de produ+,o se d3 $a sociedade burguesa, o$de a
co$sciC$cia dessa polari/a+,o se dissemi$a socialme$te,
aparece$do como mome$to importa$te do processo reproduti"o.
!$teriorme$te *3 i/emos alus,o B cr<tica de =ar. ao
pe$same$to liberal >ua$to B a$ti$omia e$tre cito5en e bour"eois.
=ostramos tamb?m >ue, para JuK3cs, e$te$der o i$di"<duo
desligado da sociedade $,o passa de pura abstra+,o, uma orma
de alie$a+,o >ue se a/ prese$te $a realidade social.
%48
'$te$demos o duplo mo"ime$to de impulso B sociabilidade
e B i$di"idua+,o e$>ua$to resultado do dese$"ol"ime$to do
trabalho como protoorma do ser social e da totalidade social
como mome$to predomi$a$te $este processo. Meste se$tido,
i$di"<duo e sociedade s,o compree$didos como comple.os
sociais >ue e.istem em rela+,o um ao outro e se determi$am
rele.i"ame$te.
'$treta$to, este aspecto do ser social praticame$te $,o
aparece como ob*eto de a$3lise $o c0mputo geral das produ+2es
do Ser"i+o Social. ! atua+,o proissio$al parece estar "elada por
certa resistC$cia da categoria proissio$al em se deter sobre a
problem3tica da i$di"idua+,o, como se isto sig$iicasse
$ecessariame$te a psicologi/a+,o dos problemas de ordem
social.
&om isso, ica es>uecido >ue toda pr3tica huma$a ?
reali/ada pelos i$di"<duos $o i$terior de suas rela+2es reais, pois
estes s,o os portadores imediatos dos atos de co$sciC$cia. ;ue
essas rela+2es reais, produto da di"is,o do trabalho, Np2em aos
home$s as pergu$tas >ue eles $a sua "ida de"em respo$derH
dese$"ol"e$do $eles, assim, a capacidade de respo$dCElas, por
isso estas respostas, e$t,o, dese$"ol"em $o homem
simulta$eame$te a i$di"idualidade e a ge$eridadeO @4%6A. )
cotidia$o ? o campo ?rtil para >ue as respostas elaboradas pelos
home$s se*am tra$sormadas em ge$erali/a+2es >ue ser"em de
base ao surgime$to e B opera+,o de uma ideologia.
%4%
Lece$teme$te ? >ue algu$s age$tes da categoria come+am
a tratar deste importa$te comple.o social. ! $osso "er uma
i$"estiga+,o $ecess3ria B apree$s,o do papel dos i$di"<duos $o
dese$"ol"ime$to do ser social, *3 >ue, co$orme o mesmo te.to
h3 pouco citado: N)s assiste$tes sociais trabalham com a >uest,o
social $as suas mais "ariadas e.press2es >uotidia$as, tais como
os i$di"<duos as e.perime$tam $o trabalho, $a am<lia, $a 3rea
habitacio$al, $a saFde, $a assistC$cia social pFblica, etc.O. Pois,
para JuK3cs:
! alie$a+,o de cada i$di"<duo se dese$"ol"e pelas suas
i$tera+2es com a própria "ida cotidia$a. 'la ?, $o seu
co$*u$to, e $os aspectos particulares, um produto das
rela+2es eco$0micas cada "e/ mais domi$a$tes e,
ob"iame$te, s,o estas >ue e.ercem i$lu.os, em Fltima
a$3lise, decisi"o sobre os home$s, tamb?m $a esera
ideológica @3%A.
!ssim se$do, co$sideramos u$dame$tal a i$"estiga+,o
sobre os processos de reprodu+,o social $o Dmbito da rela+,o
i$di"<duo e sociedade. =as >ue isso $,o sig$ii>ue o e>u<"oco de
retomar te$dC$cias psicologi/a$tes *3 de"idame$te a$alisadas e
>uestio$adas e sim a correta apree$s,o de >ue a i$di"idua+,o ?
um dos polos o$tológicos do dese$"ol"ime$to huma$o t,o real
>ua$do o da sociabilidade. !l?m disso, >ue o dese$"ol"ime$to
desigual desses dois polos ? um resultado do processo de
alie$a+,o >ue age sobre as co$sciC$cias i$di"iduais, blo>uea$do
o crescime$to dos i$di"<duos $o se$tido do seu dese$"ol"ime$to
huma$oEge$?rico. ! pobre/a resulta$te das rela+2es reais
retroage sobre os i$di"<duos alie$a$doEos e limita$do o
%42
dese$"ol"ime$to de suas capacidades como gC$ero huma$o $o
se$tido do a"a$+o de uma co$sciC$cia paraEsi.
Muma primeira apro.ima+,o B problem3tica do Ser"i+o
Social como ideologia, o "<$culo e$tre Ser"i+o Social e >uest,o
social co$du/ a uma ide$tiica+,o desta proiss,o como uma
a+,o "oltada B resolu+,o de co$litos de i$teresses e$tre os
home$s, >ue se e.pressam $o cotidia$o mais imediato, pois o
cotidia$o ? o campo em >ue se eeti"a $,o só a "ida de todos
$ós, mas tamb?m o campo em >ue o Ser"i+o Social se eeti"a
como ati"idade proissio$al.
!l?m disso, o aparecime$to dessa proiss,o determi$ado
pela comple.iica+,o da produ+,o material e pela ace$tua+,o da
di"is,o social do trabalho $a orma+,o social capitalista,
"i$culada Bs a+2es do 'stado, ? i$d<cio muito orte $a
caracteri/a+,o do Ser"i+o Social como comple.o ideológico
restrito. '$treta$to, isso merece um tratame$to cuidadoso, para
$,o i$corrermos em co$clus2es precipitadas.
)s comple.os ideológicos se ma$iestam por di"ersos
modos espec<icos e podem ser caracteri/ados, segu$do JuK3cs,
e$>ua$to ideologia restrita, como o direito e a pol<tica, ou
e$>ua$to ideologia pura, como a ilosoia e a arte. !prese$tam,
tamb?m, ormas espo$tD$eas oriu$das dos usos e costumes, e da
moral. ) lugar >ue cada um desses comple.os ocupa $o campo
da ideologia em geral ? demarcado pelo ob*eti"o mais ou me$os
restrito >ue lhes compete e pelo tipo de eiciC$cia >ue caracteri/a
%43
cada um deles, te$do sempre a o$tologia da "ida cotidia$a como
po$to de partida e de chegada.
)s comple.os ideológicos de car3ter restrito, cada um com
sua peculiaridade, respo$dem mais apropriadame$te aos co$litos
sociais deri"ados do co$te.to produti"o. SituamEse $a ro$teira
e$tre a ati"idade eco$0mica e a ge$erali/a+,o dos i$teresses da
classe domi$a$te para a sociedade i$teira. Podem ser"ir para
orde$ar e regulame$tar as ati"idades eco$0micas e suas
ma$iesta+2es co$lituais cotidia$as, campo do direito Ncomo
a>uele importa$te meio para dirimir os co$litos da "ida
cotidia$a dos home$sO @4(%AH ou podem "oltarEse para
solucio$ar co$litos co$cer$e$tes ao ser social em sua
globalidade, campo da pol<tica e$>ua$to Norma pela >ual s,o
combatidos os co$litos >ue co$cer$em B sociedade i$teiraO
@473A.
!pesar de aprese$tarem caracteres muito particulares,
estes comple.os de"em respo$der a determi$ados ob*eti"os
situados $o co$te.to da reprodu+,o do ser social e precisam ser
eicie$tes >ua$to ao car3ter resoluti"o dos co$litos >ue se
prop2em a resol"er. Para isto possuem uma estrutura
i$stitucio$al relati"ame$te aut0$oma >ue lhes permite
operacio$ali/ar suas ge$erali/a+2es.
Por sua "e/, as ormas puras da ideologia como a ilosoia
e a arte ma$iestamEse de modo di"erso da ideologia restrita.
JuK3cs airma:
%44
Ta$to do lado da i$di"idualidade >ua$to da>uele da
ge$eridade h3 ge$erali/a+2es de tipo superior, >ue s,o
aptas para dirimir os comple.os e"oluti"os esse$ciais
acerca de ambos os pólos do ser social, >ue tCm a
capacidade de dar, Bs co$tradi+2es acerca de ambos os
pólos e $as suas i$tera+2es, uma ge$erali/a+,o de tipo a
colocar a huma$idade em co$di+2es de tra$sormar o emE
si da sua autoEreali/a+,o EE >ue sob este peril represe$ta
some$te um campo de possibilidades EE $a realidade do
próprio ser paraEsi. 6e ato, ideologias deste tipo tCm sido
produ/idas $o dese$"ol"ime$to da huma$idade sobretudo
pela ilosoia e pela arte @4%(A.
) campo de sua a+,o ultrapassa a imediaticidade cotidia$a,
$,o pode e $,o prete$de e.ercer >ual>uer a+,o direta sobre o
campo eco$0mico e sobre as estruturas >ue est,o a ele
relacio$adas. 6i/ JuK3cs:
) ob*eto ce$tral da ilosoia ? o gC$ero huma$o, isto ?, a
imagem o$tológica do u$i"erso EE e, $ele, da sociedade EE
sob a a$gula+,o de como oi, se tra$sormou e ?, para
elaborar como $ecess3rio e poss<"el o tipo a cada "e/
eeti"o de ge$eridade. 'la, pois, reF$e si$teticame$te os
dois pólos, mu$do e homem, $a imagem da ge$eridade
co$creta. Mo ce$tro da arte, ao i$"?s, est3 o homem, o
modo pelo >ual, $os embates e co$ro$tos com o seu
mu$do e ambie$te, se a/ uma i$di"idualidade ge$?rica
@423A.
!s ideologias puras di"ergem e$tre si >ua$to ao modo
peculiar de se porem dia$te dos problemas relacio$ados ao ser
huma$o, mas $a orma mais ele"ada compree$dem ambas,
i$telec+,o e posse do mu$do, "oltadas para a resolu+,o de
co$litos esse$ciais do homem com rela+,o ao ser huma$o
ge$?rico. ! ideologia pura tamb?m pode i$lue$ciar ta$to
$egati"a >ua$to positi"ame$te. Segu$do JuK3cs:
)s ilósoos agem $,o por>ue se*am sempre *ustos,
progressistas, etc., em rela+,o a todas as >uest2es
%44
esse$ciais, mas por>ue, a seu modo, a*udam a combater
esses co$litos. Mo campo de possibilidades de uma
situa+,o de crise e$tram tamb?m coisas alsas, retrógradas,
so<sticas etc. ) papel da ilosoia pode tamb?m ser muito
$egati"o do po$to de "ista do dese$"ol"ime$to da
huma$idade @422A.
!ssim, ideologias puras podem impulsio$ar $o se$tido
progressi"o ou podem obstaculi/ar o processo de
dese$"ol"ime$to da ge$eralidade autC$tica.
Some$te os comple.os ideológicos mais ele"ados,
produ/idos em mome$tos históricos disti$tos, dirigemEse para os
co$litos huma$os de $ature/a ?tica e est?tica, >ue se co$stituem
em pr?"ia idea+,o da luta pela ge$eridade autC$tica. 6ista$ciamE
se da a+,o pr3tica imediata, situa$doEse $a pro.imidade de
>uest2es >ue di/em respeito aos problemas da ge$eralidade e da
i$di"idua+,o, com implica+2es $a rela+,o e$tre homem e mu$do,
ou se*a, B sociedade e aos i$di"<duos como gC$ero huma$o.
!s ideologias puras $,o possuem um aparato i$stitucio$al
próprio e particular a partir do >ual possam operar suas
ge$erali/a+2es, como as ideologias $o se$tido restrito. Por?m,
sua i$luC$cia ideológica dissemi$aEse socialme$te $o cotidia$o
da "ida social. )s i$di"<duos $,o reagem como classe some$te se
ti"erem acesso a obras ilosóicas, $em o comportame$to ?tico
e.ige $ecessariame$te a leitura de obras de arte. I$Fmeros s,o os
meca$ismos de dissemi$a+,o dessas ideologias.
&ertame$te o car3ter particular do Ser"i+o Social como
ideologia $o i$terior do comple.o ideológico geral situaEo $o
%46
Dmbito dos co$litos cotidia$os mais imediatos. '$treta$to, o
aparato de atua+,o dos assiste$tes sociais $,o co$siste $um
bloco sistem3tico e coere$te de ideias e de i$strume$tos de
i$ter"e$+,o $essa ro$teira e$tre a produ+,o da desigualdade e
da resistC$cia.
:ma a$3lise cuidadosa dos mais "ariados registros da
pr3tica proissio$al ? suicie$te para se ide$tiicar >ue a pr3tica
do Ser"i+o Social ? um composto de diere$tes pr3ticas, de a+2es
sobre diere$tes ob*etos e dese$cadeadas com base em diere$tes
mome$tos ideais.
U "erdade >ue as a+2es proissio$ais i$cluem atos
teleológicos "oltados $o cotidia$o para resolu+,o de co$litos
deri"ados da desigualdade eco$0mica. !s atribui+2es do Ser"i+o
Social *u$to Bs pol<ticas sociais situamE$o $a ro$teira da rela+,o
co$lituosa e$tre as a+2es do 'stado e os usu3rios dos ser"i+os.
) cotidia$o da gra$de maioria das pr3ticas i$stitucio$ais ?
composto de a+2es dessa $ature/a. !i$da assim, as respostas
elaboradas pelo Ser"i+o Social s,o subsidiadas por pe$same$tos
muito di"ersos e muitas posi+2es di"ergem de certos ob*eti"os
i$stitucio$ais, tor$a$doEse, por "e/es, i$strume$tos de cr<tica Bs
i$alidades pre"iame$te dei$idas.
! atua+,o do Ser"i+o Social $o Dmbito da i$iciati"a
pri"ada o apro.ima ai$da mais da base eco$0mica da sociedade,
porta$to, dos co$litos >ue e.pressam a co$tradi+,o capital E
trabalho. Meste caso a rela+,o e$tre Ser"i+o Social e co$litos de
%41
classe ? mais <$tima e problem3tica, co$sidera$do >ue o Ser"i+o
Social ? dema$dado diretame$te pelo capital. 6i/ respeito B
i$terpe$etra+,o de comple.os ideológicos B rea+,o dos home$s
$a esera da ati"idade eco$0mica propriame$te dita.
'stes tipos de atua+,o $,o s,o os F$icos e.iste$tes $o
Ser"i+o Social. ) Ser"i+o Social tamb?m age *u$to a
mo"ime$tos sociais, caracteri/a$do atos teleológicos mais
pró.imos da pol<tica, e$>ua$to posi+,o "oltada ao campo de
i$teresses >ue aetam a sociedade i$teira. Ma d?cada de %7(8 as
posi+2es >ue dee$diam a atua+,o do Ser"i+o Social *u$to a
mo"ime$tos sociais em a"or das classes subalter$as
co$stitu<ramEse em ormas de atua+,o com gra$de i$luC$cia $o
i$terior do Ser"i+o Social.
)s atos "oltados aos mo"ime$tos sociais ti"eram
desdobrame$tos para >uest2es como co$litos de gC$ero,
e$>ua$to rela+,o homem e mulher e de ra+a, amplia$do o
u$i"erso de temas $o i$terior do Ser"i+o Social e a di"ersidade
de propostas $a sua atua+,o.
!t? agora essas po$dera+2es só reiteram a apro.ima+,o do
Ser"i+o Social B ideologia $o se$tido restrito, ou se*a, o Ser"i+o
Social como comple.o parcial da sociedade se co$stitui em meio
para a resolu+,o de co$litos cotidia$os imediatos, deri"ados do
co$te.to produti"o. Tamb?m $uma orma de ati"idade pol<tica,
mas ai$da em se$tido restrito, como ati"idade >ue se "olta a
%4(
>uest2es co$lituais >ue e$"ol"em a globalidade da orma+,o
social.
Por outro lado, o Ser"i+o Social $,o se co$stitui, $o
i$terior da sociedade, $um comple.o aut0$omo com estrutura
própria e particular, como o direito ou a pol<tica, a partir do >ual
possa operar de orma pr3tica suas ge$erali/a+2es com base em
i$strume$tos e.clusi"os. :ma caracter<stica própria B ideologia
restrita, >ue permite aos tipos de comple.os ideológicos desta
$ature/a agirem de modo muito mais decisi"o $os co$litos
sociais, tor$a$doEse impresci$d<"eis B reprodu+,o da sociedade.
!l?m disso, o Ser"i+o Social tamb?m produ/
ge$erali/a+2es >ue $,o se situam $o Dmbito dos co$litos
cotidia$os mais imediatos. S,o pe$same$tos >ue di/em respeito
B produ+,o e reprodu+,o do gC$ero huma$o. 'ssa perspecti"a se
preocupa com as gra$des i$terroga+2es $o campo da ?tica: a
rela+,o e$tre sociabilidade e i$di"idua+,oH a produ+,o e
reprodu+,o dos i$di"<duos aute$ticama$te ge$?ricosH o problema
da liberdade e de outros "alores huma$osH os impedime$tos $a
co$stru+,o de uma sociedade huma$a e solid3riaH e$tre outros.
Problem3ticas >ue ",o muito al?m do co$lito de i$teresses
ou da simples reprodu+,o material dos home$s em suas
e.press2es cotidia$as. 6e$otam preocupa+,o com as orige$s e
desti$o da ge$eridade huma$a
24
. 6esse modo, e$te$demos o
24
) tratame$to do ethos proissio$al co$temporD$eo por parte de =aria
JFcia Sil"a 5arroco @288%A "ai Bs bases o$tológicas do gC$ero huma$o, o
>ue atesta a circula+,o de pe$same$tos $o i$terior do Ser"i+o Social,
ultrapassa$do a mera ideologia restrita. ! preocupa+,o com os desti$os do
%47
Ser"i+o Social como um comple.o >ue se mo"ime$ta da
ideologia restrita B ideologia pura.
'ssa orma ideológica, sem dei.ar de possuir uma
legalidade i$ter$a dada pelo dese$"ol"ime$to de sua história, $,o
ad>uire uma estrutura aut0$oma a po$to de caracteri/3Ela como
ideologia $o se$tido restrito do termo. Por outro lado, produ/
mome$tos ideais >ue se "oltam aos embates do homem e$>ua$to
ge$eralidade huma$a $o mu$do.
Mo i$terior do Ser"i+o Social mo"ime$tamEse
pe$same$tos, desde a resolu+,o de problemas mais imediatos at?
a>ueles mais ge$?ricos, >ue se tor$aram i$terroga+2es para a
huma$idade sobre os desti$os da sociedade. Supomos >ue esses
pe$same$tos i$lue$ciam a pr3tica dos assiste$tes sociais,
e.pressa$doEse cotidia$ame$te $o trato com as pessoas. Se isso
se eeti"a realme$te como impulso ao dese$"ol"ime$to da
autC$tica ge$eralidade huma$a ou como obst3culo a isso, ? algo
>ue só pode ser discutido corretame$te $o i$terior de uma
i$"estiga+,o co$creta, e e.trapola $osso ob*eti"o $este
mome$to.
! a$3lise da co$cep+,o de Ser"i+o Social com base $o
pe$same$to de Georg JuK3cs le"ouE$os B apree$s,o do Ser"i+o
Social como comple.o ideológico do ser social, decorre$te de
sua u$+,o $os co$litos sociais. Por outro lado, um comple.o
o$de as ge$erali/a+2es produ/idas pela categoria se situam e$tre
gC$ero huma$o se i$scre"e $a proposi+,o da ?tica proissio$al e e.pressa
esse mo"ime$to e$tre ideologia restrita e ideologia pura.
%68
a ideologia restrita, $o se$tido de se dirigirem aos co$litos mais
imediatos da "ida social, e a ideologia pura, como mome$to ideal
>ue se reere aos problemas do gC$ero huma$o.
6este modo, damos por co$clusi"o >ue, $a co$cep+,o de
Ser"i+o Social como trabalho, e.posta $o MFcleo de
9u$dame$tos do Trabalho Proissio$al, e.iste uma imprecis,o
teórica >ue co$du/ B co$us,o e$tre ormas o$tologicame$te
diere$tes de pr3.is sociais. ) trabalho, $o >ual o su*eito i$terage
com a ob*eti"idade $atural e as posi+2es teleológicas
secu$d3rias, em >ue o su*eito tem como media+,o da pr3.is
huma$a a co$sciC$cia dos i$di"<duos com "istas ao
dese$"ol"ime$to dos processos sociais. Ma perspecti"a >ue a>ui
dee$demos, a ati"idade proissio$al do Ser"i+o Social $,o se
co$stitui em processo de trabalho $o se$tido estrito. ! base
o$tológica do Ser"i+o Social e$>ua$to posi+,o teleológica
secu$d3ria ? a ideologia como ati"idade >ue e.erce uma u$+,o
$os co$litos huma$oEsociais. &o$stituiEse media+,o $as rela+2es
>ue os home$s estabelecem e$tre si e como tal sua a+,o tem um
car3ter disti$to do trabalho, pois a materialidade do seu ob*eto de
a+,o, as rela+2es sociais, ? >ualitati"a e o$tologicame$te
diere$te do ob*eto do trabalho propriame$te dito.
CO;SIDERAÇGES 1I;AIS
=o! H"e o Se!/i#o Social I "m com%le@o ideolC+icoJ
%6%
Mossa apro.ima+,o ai$da basta$te i$trodutória com o
pe$same$to de JuK3cs permite ressaltar o papel decisi"o do
trabalho $a co$stitui+,o do ser social como comple.o de
comple.os. ) trabalho, e$>ua$to uma categoria portadora do
mome$to ob*eti"a+,o-e.teriori/a+,o possibilita demo$strar
o$tologicame$te a e.istC$cia do p0r teleológico pelo >ual a
sub*eti"idade se articula com a causalidade $atural, cria$do uma
$o"a esera do ser. U o mome$to predomi$a$te $o salto
o$tológico e$tre o mu$do $atural e a co$stitui+,o do ser
huma$o.
Mo mome$to da ob*eti"a+,o-e.teriori/a+,o o homem
processa a cria+,o de um $o"o ob*eto e, ao mesmo tempo, se
reco$hece como su*eito a$te o ob*eto por ele criado. Meste
se$tido, $,o só cria um $o"o ser, como criaEse a si mesmo como
ser huma$o ge$?rico. ) homem supera a a$imalidade media$te a
ati"idade do trabalho, >ue co$t?m, em germe, os atos de
co$sciC$cia capa/es de elaborar respostas ao ambie$te $atural,
assegura$do a sobre"i"C$cia da esp?cie huma$a como gC$ero
$,o mais mudo. 6este modo, a ge$eridade huma$a *3 se e$co$tra
prese$te a partir desse mome$to, embora ai$da $,o este*a
i$teirame$te e.plicitada. Sua autC$tica e.plicita+,o sig$iica a
supera+,o total de sua mude/ em uma sociabilidade em >ue a
huma$i/a+,o de i$di"<duo e gC$ero implica a i$teira ema$cipa+,o
do homem.
%62
) impulso i$ere$te ao próprio trabalho $a supera+,o da
imediaticidade tor$a as rela+2es e$tre homem e $ature/a cada
"e/ mediadas por categorias sociais cresce$teme$te mais
comple.as. Misto reside o car3ter ce$tral e decisi"o do trabalho
$o mu$do dos home$s. =as, se JuK3cs postula o trabalho como
categoria ce$tral do ser social, ao mesmo tempo co$sidera >ue a
totalidade deste ser, em Fltima i$stD$cia u$it3ria, se reali/a pela
reprodu+,o de categorias e de rela+2es sócioEo$tológicas >ue,
te$do o trabalho por seu u$dame$to, disti$guemEse dele em sua
processualidade i$ter$a e em suas >ualidades esse$ciais.
Por isso, e$tre o trabalho e a totalidade social se i$terp2e a
malha de media+2es >ue comp2em o comple.o da reprodu+,o
social. 'ssa malha de media+2es ? diere$ciada desde as
sociabilidades mais simples, em >ue a di"is,o do trabalho permite
apree$der >ue pelo me$os a ala e.iste simulta$eame$te ao
trabalho, e$>ua$to um dos mome$tos decisi"os da esera
huma$a. Se o trabalho ? um mome$to u$dame$tal da esera
social, esta esera $,o se redu/ ao trabalho.
) trabalho, em >ual>uer tempo, e.pressa sempre uma
ati"idade sobre a materialidade $atural ou sobre suas
co$se>uC$cias causais, co$orme apree$dera =ar. sobre o
trabalho e$>ua$to Nco$di+,o $atural eter$a da "ida huma$a e
porta$to, i$depe$de$te de >ual>uer orma dessa "ida, se$do
a$tes igualme$te comum a todas as suas ormas sociais @=ar.,
%7(3, p.%43AO. U uma posi+,o teleológica prim3ria >ue sup2e
%63
um pro*eto pre"iame$te ideali/ado $a co$sciC$cia com a
i$alidade de tra$sormar um ob*eto material em social >ue,
como ob*eto social, ad>uire um determi$ado "alor. Para isso ?
$ecess3rio o co$hecime$to preciso, ai$da >ue parcial, das
legalidades i$ter$as da ob*eti"idade material.
'sse car3ter ob*eti"o do trabalho imp2e a e.istC$cia de
ge$erali/a+2es >ue se co$stitu<ram em base ge$?tica de
ati"idades reere$tes ao pe$same$to huma$o. Tais ge$erali/a+2es
di/em respeito B captura do real pela sub*eti"idade. ) homem
teori/a sobre o e.iste$te, busca apree$dCElo, des"e$d3Elo pelos
mais di"ersos meios, e.pressa$doEo sob as mais di"ersas ormas.
! auto$omi/a+,o dos meios do trabalho origi$ou, por e.emplo,
o comple.o da ciC$cia, e$>ua$to comple.o particular do ser
social.
) trabalho ? o solo ge$?tico da ati"idade huma$a,
e$treta$to, $o processo de reprodu+,o deri"ado da di"is,o do
trabalho di"ersiicamEse as $ecessidades do homem,
e.trapola$do a>uelas reere$tes B simples reprodu+,o da "ida
material. ) homem dese*a co$hecer a si mesmo e, para isso,
produ/ ge$erali/a+2es >ue $,o se desti$am ape$as Bs
causalidades $aturais dos ob*etos do trabalhoH respo$dem aos
co$litos >ue o i$>uietam, te$dem a e.plicar os segredos de sua
e.istC$cia, de seu desti$o e de sua origem, busca$do co$erir
se$tido a suas $ecessidades aeti"as. '.pressam "alores >ue se
%64
"oltam B i$terioridade do su*eito como i$di"idualidade >ue a
sociedade da >ual ? membro ? i$capa/ de respo$der.
&o$litos deste gC$ero ",o de e$co$tro ao comportame$to
$ecess3rio $o e.erc<cio das ati"idades do trabalho e das rela+2es
criadas pelos home$s e$>ua$to totalidade social. Por isso
tor$amEse $ecess3rias $ormas ge$erali/adoras do
comportame$to huma$o, >ue surgem do cotidia$o mais imediato
da "ida social e assumem processualme$te a orma de costumes,
tradi+2es, $ormas sociais, co$"ic+2es religiosas, "is2es de
mu$do, e.press2es art<sticas, teorias cie$t<icas etc. ) >ue
*ustiica o seu surgime$to ? o ato de >ue os homem tra"am
co$litos se*a e$tre i$di"<duos, se*a e$tre i$di"<duos e sociedade,
se*a e$tre grupos de i$di"<duos. ' esses co$litos precisam ter
uma resolu+,o, sob pe$a de porem em risco a orga$i/a+,o social
e.iste$te.
! $ature/a desses co$litos pode "ariar de sociedade para
sociedade, mas a resposta elaborada para sua resolu+,o
represe$ta uma alter$ati"a e.pressa $as ge$erali/a+2es criadas
pela sociedade em >ue os home$s "i"em e agem. &omo os
i$di"<duos s,o os portadores imediatos dos atos de co$sciC$cia,
as respostas sociais elaboradas para a resolu+,o dos co$litos só
podem se eeti"ar mediadas pela co$sciC$cia destes mesmos
i$di"<duos. )s atos ideológicos desse tipo caracteri/amEse como
posi+,o teleológica secu$d3riaH $eles o su*eito $,o tem como im
imediato a ob*eti"idade material, mas a própria sub*eti"idade
%64
huma$a, te$do em "ista co$du/ir outros home$s a agirem
co$orme uma posi+,o dese*ada.
'ste ato co$scie$te >ue ser"e B media+,o dos co$litos
huma$os JuK3cs co$cebe como ideologia. Ma sua acep+,o mais
ampla, a ideologia tem origem $o cotidia$o mais imediato da
"ida social, ser"i$do B co$scie$ti/a+,o e operacio$ali/a+,o da
pr3tica huma$a. 'm termos gerais, ? orie$ta+,o ideal >ue se a/
prese$te em todo ato huma$o. Todo i$di"<duo age a/e$do
op+2es e$tre seu i$teresse particular e a>ueles >ue o a/em
part<cipe do gC$ero huma$o. ! co$ti$uidade do ser social seria
impossibilitada se o co$*u$to dos i$di"<duos $,o e"itasse a+2es
obstaculi/a$tes ao processo de reprodu+,o social, media$te
preceitos >ue brotam espo$ta$eame$te $a "ida social. !
ideologia permite >ue os home$s tomem co$sciC$cia desse
co$lito e e$co$trem a resposta mais ade>uada para solucio$3Elo.
) car3ter ideológico de um pe$same$to ou de uma pr3tica
social deri"a de sua u$+,o $os co$litos sócioEhuma$os, e $,o
das caracter<sticas >ualitati"as >ue aprese$tam, embora estes
aspectos se*am importa$tes para uma cr<tica Bs ideologias. 6e
modo >ue >ual>uer pe$same$to, em determi$adas circu$stD$cias,
pode tor$arEse ideologia ao ser"ir como i$strume$to para
co$scie$ti/ar e operacio$ali/ar a ati"idade huma$a.
)s co$litos tomam propor+2es realme$te sig$iicati"as
como co$litos de classe. ! ideologia, compree$dida em se$tido
restrito, se gera e tem seu campo de opera+2es >ua$do o co$lito
%66
social se aprese$ta como problema "ital para a sociedade, $o
>ual as classes tra"am lutas sociais sob os mais di"ersos
aspectos, pe$etra$do at? o <$timo das i$di"idualidades. !
ideologia, e$t,o, se e.pressa como i$strume$to ideal de luta >ue
ser"e aos embates e$tre grupos huma$os com i$teresses
a$tag0$icos.
;ua$do os i$teresses de um grupo precisam pre"alecer
sobre todos os outros grupos como se$do o i$teresse da
sociedade como um todo, a ideologia ocupa uma u$+,o "ital $a
reprodu+,o do ser social. Tor$aEse media+,o $os co$litos de
i$teresse gerados $o campo eco$0mico, >ue s,o e$re$tados
media$te a cria+,o de comple.os sociais ideológicos com a
u$+,o de regular estas rela+2es socioeco$0micas, em resposta a
$ecessidades da totalidade social. ! ideologia com essa u$+,o
restrita pode agir $o se$tido de ma$ter ou $o se$tido de
modiicar aspectos da realidade social, retroagi$do sobre os
processos socioeco$0micos em curso.
JuK3cs e.p2e o direito e a pol<tica como duas ormas
espec<icas de ideologia decorre$tes das $ecessidades do
dese$"ol"ime$to eco$0micoEsocial. 'stas se especiicam a partir
da di"is,o do trabalho, ad>uiri$do auto$omia como ati"idade
peculiar dista$ciada da produ+,o material, mas cumpri$do uma
e.igC$cia do dese$"ol"ime$to dessa di"is,o, $o se$tido de
assegurar a reprodu+,o das rela+2es sociais.
%61
) dese$"ol"ime$to social produ/ aparatos i$stitucio$ais
particulares relati"ame$te aut0$omos, media$te os >uais essas
ormas espec<icas de ideologia operacio$ali/am suas
ge$erali/a+2es e cumprem suas u$+2es peculiares $o i$terior da
sociedade. 'ssa auto$omia relati"a $,o sig$iica uma cli"agem
absoluta e$tre o mu$do eco$0mico e as ideologias particulares,
"isto >ue estas tCm $este a sua base de e.istC$cia. ) espa+o de
a+,o desses comple.os ideológicos ? o cotidia$o @campo do
direitoA, ou o co$te.to social global, espa+o da pol<tica.
Maturalme$te o car3ter de comple.os do ser social implica a
i$terpe$etra+,o desses comple.os e desses espa+os, mas $,o a
homoge$ei/a+,o de suas especiicidades o$tológicas.
!s ormas puras de ideologia s,o a>uelas mais dista$tes da
a+,o pr3tica imediata. 'st,o relacio$adas B problem3tica da
totalidade social, >ue compree$de um processo de reprodu+,o
polari/ado em dois mome$tos i$terligados: o da sociabilidade e o
da i$di"idua+,o. Lelacio$amEse B tem3tica da huma$i/a+,o do
ser social como gC$ero e$>ua$to u$i"ersal, base o$tológica das
possibilidades dos comple.os si$gulares e dos i$di"<duos
si$gulares e$>ua$to u$idade m<$ima do processo de reprodu+,o
da i$di"idualidade ge$?rica.
'ssas ormas mais ele"adas da ideologia, segu$do o
pe$sador hF$garo, reletem o processo co$t<$uo de
sociabili/a+,o do homem, $o >ual a i$di"idualidade ad>uire
cresce$teme$te maior aute$ticidade, articulada B e.pa$s,o da
%6(
própria ge$eridade huma$oEsocial. 6e modo >ue emergem do
dese$"ol"ime$to social e desempe$ham $este um papel
u$dame$tal $a resolu+,o dos problemas reere$tes B autC$tica
ge$eridade huma$a.
! ilosoia e a arte, e.pressas por JuK3cs como ormas
puras da ideologia, aprese$tamEse dista$ciadas da pr3tica social
mais cotidia$a em ace da auto$omi/a+,o relati"a >ue ad>uirem
$a di"is,o social do trabalho. Isto $,o sig$iica >ue, de alguma
orma, $,o e.er+am uma i$tererC$cia $o dese$"ol"ime$to social,
mas as >uest2es sobre as >uais se e.pressam ",o al?m do
cotidia$o imediato, se*a $o pla$o mais particular ou mais global
de uma determi$ada sociedade.
'm s<$tese, o ser social ? um comple.o de comple.os, por
Fltimo, u$it3rio, >ue tem por base as posi+2es teleológicas dos
home$s. Sig$iica >ue o ser social ? produ+,o e reprodu+,o das
rela+2es sociais. ) trabalho ? o ato mais u$dame$tal da
essC$cia do ser social, co$stitui$doEse em modelo da pr3.is
huma$a em geral. '$treta$to, o trabalho reereEse
o$tologicame$te B ati"idade huma$a sobre a $ature/a, mais
precisame$te ligada ao campo da produ+,o e seus
desdobrame$tos $o i$terior da ati"idade eco$0mica.
Porta$to, do dese$"ol"ime$to do ser social resultam
ati"idades origi$adas $o campo eco$0mico >ue $,o tCm e $,o
podem ter o mesmo car3ter do trabalhoH s,o comple.os sociais
relati"ame$te aut0$omos, atua$tes como posi+2es teleológicas
%67
secu$d3rias, >ue cumprem importa$te papel $a reprodu+,o do
ser social. Meste particular, situamos as ideologias como
comple.os >ue agem media$do as rela+2es produ/idas pelos
home$s, com u$+,o $os co$litos huma$oEsociais. ) campo de
atua+,o das ideologias ? amplo e diere$ciado, mas seu car3ter
mais decisi"o ? cumprir uma u$+,o $os co$litos huma$os $o
i$terior do ser social, se*a $o se$tido de sua co$ser"a+,o, se*a $o
se$tido de sua tra$sorma+,o.
Por todas essas co$sidera+2es, co$clu<mos >ue a
co$cep+,o de Ser"i+o Social como Processo de Trabalho
e.pressa $o MFcleo de u$dame$tos do trabalho proissio$al
aprese$ta, em termos o$tológicos, uma imprecis,o teórica >ue a
tor$a problem3tica. ) Ser"i+o Social $,o pode ser trabalho $este
se$tido o$tológico preciso se ? uma ati"idade >ue tem como
base de sua u$da+,o e como ob*eto de sua atua+,o a >uest,o
social, porta$to, um ob*eto purame$te social e >ue tem sua
gC$ese e e.istC$cia $o i$terior de uma sociabilidade *3 muito
a"a$+ada. M,o aprese$ta >ual>uer tra+o de uma ati"idade >ue
sig$ii>ue uma posi+,o teleológica prim3ria, com i$s de
tra$sormar um ob*eto $atural em ob*eto social, ou de atuar
diretame$te sobre a ob*eti"idade material, produ/i$do coisas
Fteis ou mesmo mercadorias.
Poder<amos pe$sar >ue o trabalho em sua orma moder$a,
em uma sociedade i$teirame$te social, *3 $,o emprega $o
processo de produ+,o grupos de pessoas "oltadas B
%18
tra$sorma+,o da $ature/a, opera$do uma F$ica posi+,o
teleológica e dirigida e.clusi"ame$te B ob*eti"idade material.
Sem dF"ida se trata de algo a ser pe$sado. '$treta$to, mesmo
em sociedades a$teriores >ue a/iam uso da coopera+,o, as
posi+2es teleológicas prim3rias e secu$d3rias se e$co$tra"am
articuladas $o processo de trabalho, o >ue re>uisita"a, i$clusi"e,
um co$hecime$to das capacidades e comportame$tos dos
i$di"<duos, muitas "e/es co$troladas media$te a "iolC$cia. )
modo de produ+,o ma$uatureiro, por sua "e/, *3 tra/ uma
muda$+a substa$cial $as rela+2es $o i$terior do trabalho >ua$do
Na posi+,o teleológica se desloca para >uem dirige a
produ+,oO@JuK3cs, %7(%, p.%48A. Isso ? estabelecido co$orme a
u$+,o e.ercida pelos su*eitos $o processo produti"o e articulado
B primeira di"is,o do trabalho propriame$te capitalista, a
ma$uatura. Tal di"is,o re>uisita i$di"<duos para a super"is,o e
co$trole de u$s sobre outros, e$>ua$to a>ueles mais diretame$te
ocupados com a ati"idade produti"a passam a e.ecutar
ati"idades repetiti"as e roti$eiras.
) car3ter espec<ico da di"is,o ma$uatureira do trabalho
i$cide decisi"ame$te sobre o processo de trabalho e sobre o
trabalhador ta$to $o pla$o ob*eti"o >ua$to sub*eti"o. 6e acordo
com =ar.:
! ma$uatura propriame$te dita $,o só submete ao
coma$do e B discipli$a do capital o trabalhador a$tes
aut0$omo, mas cria tamb?m uma gradua+,o hier3r>uica
%1%
e$tre os próprios trabalhadores. '$>ua$to a coopera+,o
simples em geral $,o modiica o modo de trabalho do
i$di"<duo, a ma$uatura o re"olucio$a pela base e se
apodera da or+a i$di"idual de trabalho em suas ra</es.
'la alei*a o trabalhador co$"erte$doEo $uma a$omalia ao
ome$tar artiicialme$te sua habilidade $o porme$or
media$te a repress,o de um mu$do de impulsos e
capacidades produti"as, X...Y os trabalhos parciais
espec<icos s,o $,o só distribu<dos e$tre di"ersos
i$di"<duos, mas o próprio i$di"<duo ? di"idido e
tra$sormado $um motor autom3tico de um trabalho
parcial @=ar., %7(3, p. 2(3A.
) trabalhador perde gradati"ame$te a capacidade de
e.ecutar, por i$teiro, ati"idades >ue reali/a"a a$teriorme$te.
6ese$"ol"e sua ati"idade como um acessório, compo$e$te de
um co$*u$to $o >ual da co$di+,o de criador se tra$sorma em
meio do trabalho, com isso ele $,o se reco$hece $o produto i$al
de sua obra, algo >ue agora lhe aparece como alheio. ) corpo de
trabalho em a+,o $a ma$uatura ? uma orma de e.istC$cia do
capital e aparece como or+a produti"a do capital, posto >ue o
meca$ismo social de produ+,o perte$ce ao capitalista. )
trabalhador e$co$traEse alie$ado, mero i$strume$to de trabalho
para o capital. Tal processo mais tarde ser3 ai$da mais
aprou$dado pela ma>ui$aria, >ua$do o oper3rio se tra$sorma
em Nsimples apC$dice da m3>ui$aO. 'sta di"is,o do trabalho
orma a base origi$al da>ueles grupos de trabalhadores >ue =ar.
de$omi$ou de produti"os e improduti"os.
U certo >ue $esse processo atuam posi+2es prim3rias e
secu$d3rias >ue se e$co$tram i$teirame$te articuladas. =as as
%12
posi+2es secu$d3rias peculiares a ati"idades como o Ser"i+o
Social s,o relati"ame$te aut0$omas em rela+,o ao processo
produti"o propriame$te dito. Sem dF"idas elas deri"am do
trabalho, mas a sua base o$tológica peculiar ? a reprodu+,o
social e$>ua$to processo de co$ti$uidade das rela+2es sociais.
!ti"idades como o direito, por e.emplo, co$stituem, segu$do
JuK3cs, comple.os dessa $ature/a, e.erce$do importa$te u$+,o
$o processo de reprodu+,o como meio de combate aos co$litos
sociais.
! gC$ese do Ser"i+o Social se e$co$tra $as co$di+2es
ob*eti"as criadas pelo capitalismo e e.erce a< u$+,o espec<ica:
agir sobre os eeitos da desigualdade social *u$to a parcelas
pauperi/adas da popula+,o. ) capitalismo ha"ia criado pobre/a e
mis?ria, uma mis?ria i$compat<"el com o dese$"ol"ime$to das
or+as produti"as e com a capacidade huma$a de produ/ir
ri>ue/a e isto aparecia aos represe$ta$tes da burguesia como
i$e.plic3"el. S,o essas co$di+2es >ue criam a $ecessidade dessa
ati"idade social e a/em surgir um grupo de pessoas >ue a/em
dela um meio de "ida. ) seu surgime$to ocorre em uma
sociedade >ue $,o $ecessita de todos os i$di"<duos e$"ol"idos
$a produ+,o, $a >ual a di"is,o do trabalho criou ormas
particulares de proiss,o assalariada, cu*a u$+,o $,o coi$cide
com a do operariado. !o mesmo tempo, uma sociedade >ue, em
um dado mome$to de sua e.pa$s,o e co$solida+,o, o
capitalismo mo$opolista, a/ emergir um 'stado >ue re>uisita
%13
a+2es dirigidas a problemas causados pelas desigualdades sociais,
e$tre outras coisas atua$do $as rera+2es da >uest,o social.
!l?m disso, o Ser"i+o Social se i$stitucio$ali/a em uma
determi$ada ase do capitalismo como uma das respostas B
>uest,o social, ou mais especiicame$te de suas rera+2es, e esta
e.pressa os co$litos >ue se desdobram do co$ro$to de
i$teresses e$tre classes a$tag0$icas por>ue a desigualdade social
? decorrC$cia dessa sociedade de classes. Meste se$tido, por sua
u$+,o $os co$litos sociais da< deri"ados, o Ser"i+o Social pode
ser e$te$dido como ideologia e isso $,o aeta a co$di+,o de
assalariado dos seus proissio$ais, mas $,o permite uma
ide$tidade com a u$+,o do proletariado, pois Fltimo al?m de
produtor de maisE"alia tem a u$+,o de tra$sormar a $ature/a
em meios de produ+,o e meios de subsistC$cia. ) Ser"i+o Social
co$stitui uma ati"idade articulada aos meca$ismos de
ide$tiica+,o de problemas geradores de co$litos sociais e de
cria+,o dos meios mais ade>uados para combatCElos. M,o ?
acide$tal >ue possua um "<$culo com pol<ticas e programas
sociais, como respostas aos problemas sociais >ue pro"ocam
rea+2es da sociedade, geralme$te ide$tiicados como >uest,o
social.
! >uest,o social tem uma base ob*eti"a: ! essC$cia do
capitalismo gera ri>ue/a e mis?ria, algo >ue =ar. e.pressou
re"ela$do o meca$ismo de e.tra+,o da mais "alia da mercadoria
or+a de trabalho @&ap<tulo I de ! Ca,italA e em sua Jei Geral
%14
da !cumula+,o &apitalista @&ap<tulo bbIII de ! Ca,italA.
'.plica"a a pobre/a e.perime$tada pelos trabalhadores la$+ados
$o e.?rcito i$dustrial de reser"a $os primórdios da sociedade
burguesa e tamb?m suas ormas de resistC$cia pelo despertar de
uma co$sciC$cia do proletariado. 6i/ =ar.:
!ssim >ue, porta$to, os trabalhadores des"e$dam o segredo de
como pode aco$tecer >ue, $a mesma medida em >ue
trabalham mais, produ/em mais ri>ue/a alheia, e >ue $a
medida em >ue a or+a produti"a de seu trabalho cresce, at?
mesmo sua u$+,o de meio de "alori/a+,o se tor$a cada "e/
mais prec3ria para elesH assim >ue descobrem >ue o grau de
i$te$sidade da co$corrC$cia e$tre eles depe$de i$teirame$te
da press,o da superpopula+,o relati"aH assim >ue eles, e$t,o,
media$te Trade Bnions etc&$ procuram orga$i/ar uma atua+,o
co$*u$ta pla$e*ada dos empregados com os desempregados
para elimi$ar ou e$ra>uecer as rui$osas co$se>uC$cias
da>uela lei $atural da produ+,o capitalista sobre sua classe, o
capital e seu sicoa$ta, o eco$omista pol<tico, clamam co$tra a
"iola+,o da Seter$aT e, por assim di/er SsagradaT lei da
dema$da e oerta. U >ue toda solidariedade e$tre os
empregados e desempregados perturba a a+,o Sli"reT da>uela
lei @! Ca,ital, tomo 2. p. 286.A
Por isso mesmo, a >uest,o social $,o pode ser redu/ida
simplesme$te a um co$ceito, ou a um termo. Sob esse reere$cial
ela ? uma e.press,o de algo eeti"ame$te e.iste$te: a $ecess3ria
e co$lituosa co$tradi+,o e$tre capital e trabalho, a e.tra+,o da
maisE"alia como o$te de acumula+,o do capital, a apropria+,o
pri"ada dos meios e do produto do trabalho. ! rea+,o dos
trabalhadores em tal mome$to ? t<pica da luta de classes co$tra
essa co$di+,o de e.plora+,o e ? essa e.press,o pol<tica >ue
comume$te predomi$a $o co$ceito de >uest,o social.
'$te$demos, co$tudo, >ue a >uest,o social pode ser co$igurada
%14
a partir de trCs dime$s2es articuladas: %A )s determi$a$tes
esse$ciais da acumula+,o capitalista e a gera+,o da pobre/aH 2A !
rea+,o dos trabalhadores atra"?s da luta de classes co$tra a
e.plora+,o do trabalhoH 3A !s respostas do 'stado media$te a
i$stitui+,o de direitos e pol<tica sociais $o se$tido de
co$ser"a+,o da sociedade e $a co$te$+,o de co$litos e$tre
classes sociais. )s modos diere$ciados como esses aspectos se
e.pressaram $o dese$"ol"ime$to social capitalista ? uma
decorrC$cia do processo de e.pa$s,o do capital.
'm tempos de capitalismo co$corre$cial, sob o predom<$io
do pe$same$to liberal, em li$has gerais prega"aEse o ideal do
'stadoEor+a co$tra a rea+,o e a luta dos trabalhadores co$tra o
capital. !liado a isso, apregoa"aEse a desrespo$sabili/a+,o do
'stado e a respo$sabili/a+,o dos i$di"<duos pelas rera+2es da
>uest,o social como a pobre/a, as co$se>uC$cias do
desemprego, os doe$tes, a ragme$ta+,o amiliar, o aba$do$o de
cria$+as e idosos, etc. 'ssa u$+,o de"eria ser reali/ada por
outros comple.os, a e.emplo das orga$i/a+2es sociais, te$do
pri$cipalme$te a Igre*a $o coma$do, uma prerrogati"a >ue, com
algumas modiica+2es, ? co$ser"ada at? mesmo $o capitalismo
a"a$+ado. '$treta$to, o 'stado I$glCs tamb?m p0s em pr3tica
medidas e criou as Jeis dos Pobres com "istas a co$ter re"oltas,
especialme$te $o tempo em >ue ro$da"a o a$tasma da
Le"olu+,o 9ra$cesa. Jeis >ue dei$iam atribui+2es do 'stado
*u$to ao e.?rcito i$dustrial de reser"a e se co$stitu<ram o$tes de
%16
re"oltas co$tra as i$stitui+2es por elas criadas, especialme$te as
CorDhauses$ como di/ &oggiola:
!s casas de trabalho eram odiadas pelos trabalhadores e a luta
co$tra sua impla$ta+,o le"ou a "3rias re"oltas $o $orte da
I$glaterra, se$do uma das causas do surgime$to do
mo"ime$to cartista, e mereceram o segui$te come$t3rio de
Varl =ar.: SU $otório >ue $a I$glaterra, o$de o dom<$io da
burguesia ? o mais e.te$so, at? a be$eicC$cia pFblica assumiu
as ormas mais $obres e ter$as: as CorDhouses britD$icas Z
hosp<cios $os >uais o e.cede$te da popula+,o trabalhadora
"egeta Bs custas da sociedade ci"il Z u$em do modo mais
rei$ado a ila$tropia com a "i$ga$+a >ue a burguesia e.erce
sobre os desgra+ados >ue se "eem $a $ecessidade de recorrer a
seu mag$D$imo bolso. M,o só se $utre os pobres diabos com
os alime$tos mais miser3"eis, escassos e i$suicie$tes at? para
a reprodu+,o <sica, mas tamb?m sua ati"idade ica limitada a
uma aparC$cia de trabalho, um trabalho improduti"o >ue
obstrui a me$te e e$colhe o corpoT. @&oggiola, 28%8, p.4A
Para &oggiola, essas leis s,o demo$strati"as de >ue
Programas Sociais &ompe$satórios, comu$s $a atualidade, tCm
origem secular >ua$do co$sideradas a caridade pFblica e pri"ada
>ue os a$tecedeu. '.pressam a i$capacidade do 'stado de
elimi$ar as causas da pobre/a. =ar. *3 ha"ia alertado >ue:
9i$alme$te, todos os 'stados procuram a causa em
deiciC$cias acide$tais i$te$cio$ais da admi$istra+,o, e por
isso o rem?dio para os seus males em medidas admi$istrati"as.
Por >ueP '.atame$te por>ue a admi$istra+,o ? a ati"idade
orga$i/adora do 'stado @=ar., %774, p.(8A.
!dotam medidas ou legalidades admi$istrati"as
co$stitu<das como meca$ismos de co$te$+,o de co$tradi+2es e
co$litos gerados com a e.pa$s,o da mis?ria >ue o capitalismo
$o seu percurso se mostrou i$capa/ de elimi$ar e, >ua$do muito,
%11
a desloca para a perieria dos pa<ses ce$trais. Ide$tiicaEse,
porta$to, uma rela+,o e$tre programas sociais assiste$ciais,
co$tradi+2es de classe e desigualdade social >ue de um po$to de
"ista da totalidade social s,o i$dissoci3"eis, ai$da >ue
co$sideradas as particularidades de cada mome$to histórico.
! orte press,o dos trabalhadores orga$i/ados $os
primórdios do capitalismo e suas lutas i$clu<am redu+,o da
*or$ada de trabalho, direitos trabalhistas e luta co$tra o capital,
sua e.plora+,o e sua desuma$i/a+,o. ! legisla+,o abril,
a$tecedida por medidas de regula+,o das rela+2es de trabalho
abril, tor$ouEse i$e"it3"el como meio de prote+,o <sica e
espiritual dos trabalhadores, bem como para assegurar a própria
reprodu+,o do capital.
6uas or+as co$"i"em em te$s,o com i$teresses opostos.
6e um lado as classes propriet3rias buscam apropriarEse da or+a
de trabalho em a"or do capital pelo mais ade>uado modo de
e.tra+,o da mais "alia. Por outro, os trabalhadores >ue buscam
preser"ar sua or+a de trabalho e suas co$di+2es de "ida. 'm
meio a isso emergem as respostas sociais aos problemas
decorre$tes do pauperismo. !s leis trabalhistas co$stituem parte
das respostas sociais, "ia regula+,o estatal dos co$litos de
classe.
Ma se>uC$cia, o operariado europeu, >ue dese$"ol"e uma
co$sciC$cia do processo, empree$de suas rei"i$dica+2es sob o
peso do mo"ime$to socialista, luta co$tra a opress,o e o trabalho
%1(
e.austi"o, busca satisa/er carC$cias e >uestio$a a estrutura
capitalista em sua essC$cia. Passa a dee$der o e$si$o obrigatório
e a regulame$ta+,o do trabalho das mulheres. =edia$te
orga$i/a+2es pressio$a a a+,o do 'stado por i$ter"e$+,o $a
esera eco$0mica e social, pela regulame$ta+,o do mercado de
trabalho e em a"or da melhoria de suas co$di+2es de "ida. Mo
co$te.to, a e.te$s,o dos pri$c<pios da legisla+,o abril a outros
espa+os de trabalho, como as mi$as e a agricultura, se e.pa$de.
&riamEse comiss2es para i$"estiga+,o do trabalho de cria$+as, de
adolesce$tes e de mulheres $a agricultura. !ssim, a e.pa$s,o do
capital e$co$tra resistC$cia $os mo"ime$tos oper3rios e, precisa
le"3Elos em co$ta "isto >ue re>uer a reprodu+,o do trabalhador
como mercadoria $ecess3ria ao dese$"ol"ime$to das or+as
produti"as.
Mo processo de e.pa$s,o e acumula+,o do capital, sob o
predom<$io do capitalismo mo$opolista e sob a i$luC$cia do
Ke]$esia$ismo, em resposta B crise capitalista i$staurada, o
'stado i$tereriu decisi"ame$te $a eco$omia e i$corporou
rei"i$dica+2es dos trabalhadores, i$clusi"e agi$do sobre as
rera+2es da >uest,o social com pol<ticas sociais pFblicas. )
Ser"i+o Social se i$stitucio$ali/a em meios a toda essa teia de
rela+2es em >ue o 'stado amplia sua a+,o assumi$do a
i$ter"e$+,o sobre as rera+2es da >uest,o social pela i$stitui+,o
de ser"i+os sociais. Ser"i+os dirigidos a mi$imi/ar problemas
sociais como o empobrecime$to dos trabalhadores, o aba$do$o
%17
de cria$+as e idosos, a ausC$cia de co$di+2es de moradia, de
saFde, de educa+,o etc. Trata"aEse da ati"idade orga$i/adora do
'stado $os co$litos sociais pela admi$istra+,o da assistC$cia
media$te pol<ticas e ser"i+os sociais.
Messe per<odo dos mo$opólios, $a >ual se destaca a busca
de solu+2es para uma de suas crises c<clicas, o capital i$corpora
parte dessas pautas de luta, a e.emplo dos direitos e gara$tias
sociais, tor$a$doEse perme3"el Bs press2es dos trabalhadores.
&o$iguraEse uma situa+,o em >ue o 'stado ser3 chamado a
i$ter"ir $a >uest,o social como 3rbitro dos co$litos ad"i$dos
das rela+2es de trabalho. :ma i$ter"e$+,o >ue re>ue$teme$te ?
tida como uma co$cess,o por certas te$dC$cias, cu*a aparC$cia ?
do estabelecime$to de co$se$sos e mi$imi/a+,o do impulso
acumulador do capital em a"or da distribui+,o. 9oi um per<odo
aberto B a>uisi+,o de direitos do trabalho especialme$te $os
pa<ses ce$trais, sob a press,o dos trabalhadores, mas certame$te
$,o se trata de uma a+,o i$oce$te para os ga$hos do capital, pois
? algo articulado ao seu processo de e.pa$s,o e de acumula+,o
e, $a certa, co$igura uma $ecessidade dele.
) Ser"i+o Social tem a< sua i$stitucio$ali/a+,o,
assegura$do seu espa+o de atua+,o proissio$al, pois o 'stado
re>uisita $o"os age$tes sociais i$cumbidos da atua+,o *u$to a
i$di"<duos e grupos ati$gidos pelas rera+2es da >uest,o social,
a< ica e.pl<cita a rela+,o e$tre >uest,o social e Ser"i+o Social
em suas media+2es mais decisi"as. )s i$s a serem ati$gidos com
%(8
uma ati"idade social desta $ature/a tCm por media+,o a
co$sciC$cia de pessoas, pois elas s,o as portadoras imediatas dos
atos de co$sciC$cia >ue operacio$ali/am o processo de
reprodu+,o social. &omo se trata de um ato o$tológico e $,o de
pura e.press,o da sub*eti"idade, ? o dese$"ol"ime$to eco$0mico
ob*eti"o >ue p2e >ual>uer ati"idade social a$te as $o"as decis2es
alter$ati"as ou >ue imp2e limites a elas para assegurar sua
co$ser"a+,o.
! ati"idade proissio$al, a $osso "er, tem por base uma
posi+,o teleológica secu$d3ria surgida do cotidia$o e dirigida ao
cotidia$o da "ida social. Secu$d3ria por>ue, deri"ada do
trabalho, tem por i$alidade agir sobre co$sciC$cias com "istas a
ati$girem uma i$alidade dese*ada, $,o e.erce diretame$te
u$+2es produti"as. Sua a+,o, i$depe$de$teme$te da ati"idade
e.ercida, ? mediada pela co$sciC$cia das pessoas e se dirige B
co$sciC$cia das pessoas. ;ual>uer pro*eto de muda$+a @ou de
co$ser"a+,oA de uma determi$ada realidade origi$ada com a
ati"idade proissio$al só pode ser operacio$ali/ada pelos
i$di"<duos ou grupos e$"ol"idos $o processo. Sig$iica >ue a
a+,o proissio$al some$te age sobre os $e.os causais da
realidade social po$do em mo"ime$to outras posi+2es
teleológicas, pois o NmaterialO das posi+2es causais ? o homem e
suas rela+2es reais >ue, por sua "e/, compree$dem polos
i$dissoci3"eis da totalidade social.
%(%
Ma co$di+,o de ideologia o Ser"i+o Social ? alsa
co$sciC$ciaP M,o $ecessariame$te. '$te$demos o Ser"i+o Social
como comple.o ideológico >ue tra$sita da ideologia restrita B
ideologia pura. Meste se$tido, $,o tem uma u$+,o delimitada
e.clusi"ame$te ao campo dos co$litos cotidia$os mais
imediatos, ta$to e.erce ati"idades pr3ticas *u$to a pessoas e
grupos media$te a operacio$ali/a+,o de ser"i+os e pol<ticas
sociais, >ua$to produ/ co$hecime$tos de $ature/a pol<tica,
ilosóica e cie$t<ica >ue podem desti$arEse a pe$sar para al?m
do simples imediato. ) u$i"erso das ge$erali/a+2es produ/idas
pelo Ser"i+o Social ? amplo e "ariado, compree$de um semE
$Fmero de ob*etos e de processos >ue se dirigem a um tamb?m
di"ersiicado campo de atua+2es. 6a< a diiculdade de delimitar a
especiicidade do Ser"i+o Social, em termos de ob*eto e.clusi"o,
pois esta e.clusi"idade $,o e.iste.
'ssas ge$erali/a+2es podem desti$arEse ao cotidia$o mais
imediato, "isa$do a atua+,o $os co$litos e rea+2es Bs e.press2es
da >uest,o social >ue e$"ol"e su*eitos $o Dmbito dos ambie$tes
i$stitucio$ais pFblicos e pri"ados, a maior parte das a+2es
proissio$ais se e$co$tra $este Dmbito. Podem e$"ol"er
problemas reere$tes B globalidade social co$lituada, como os
mo"ime$tos e processos pol<ticos de luta social relati"os B
sociedade como um todo. Podem reletir sobre os co$litos
huma$oEge$?ricos, $os aspectos ?ticos e dos "alores huma$oE
%(2
sociais, com "istas a uma autC$tica ge$eridade i$di"idual e
social.
=o"ime$ta$doEse $este "ariado campo da realidade social
e da ati"idade do pe$same$to, o Ser"i+o Social $,o se
circu$scre"e ao Dmbito da ideologia restrita, $o se$tido de aterE
se e.clusi"ame$te aos co$litos e rea+2es mais imediatas da "ida
social deri"ados das rela+2es de classe das respostas sociais a
eles. !l?m do mais, $,o possui um aparato i$stitucio$al
particular, a e.emplo da pol<tica e do direito, atra"?s do >ual
possa operar suas ge$erali/a+2es. Mo pla$o i$telectual ultrapassa
o limite da ideologia restrita, i$terroga$doEse sobre o homem,
sua origem e seu Npara o$deO, busca$do descorti$ar as
possibilidades de uma $o"a sociabilidade. &om isso apro.imaEse
da ideologia pura, $a >ual o problema ce$tral e decisi"o ? a
essC$cia e o desti$o do gC$ero huma$o. M,o es>ue+amos,
por?m, >ue at? mesmo as ideologias puras podem ser
perpassadas por alie$a+2es.
Por tudo isso o Ser"i+o Social pode ou $,o co$stituirEse
alsa co$sciC$cia. !breEse a ele a possibilidade de produ/ir
co$hecime$to also ou "erdadeiro, pode agir pr3tica e
teoricame$te $o se$tido da co$ser"a+,o ou da tra$sorma+,o
social, pois a co$sciC$cia ta$to pode impulsio$ar $a dire+,o de
$o"os passos adia$te >ua$to $o se$tido de co$ser"ar a>uilo >ue
*3 oi alca$+ado. &o$tudo,
toda ideologia Z por mais decisi"ame$te >ue seu co$teFdo
este*a orie$tado em muitos aspectos para a ge$eridade
%(3
autC$tica Z tem de perma$ecer ideologia sem eeito real
pr3tico se $,o puder acertar co$tas com as possibilidades
e.iste$tes da eco$omia, se $,o crescer i$telectualme$te al?m
das te$dC$cias de dese$"ol"ime$to desta Fltima @JuK3cs,
28%8, p.24(A.
Sem as co$di+2es eco$0micoEmateriais para a cria+,o de
um Nrei$o da liberdadeO a ideologia pura >ue apo$ta em dire+,o
a um gC$ero huma$o paraEsi perma$ece limitada. Sua i$luC$cia
se a/ prese$te $o impulso ao ator sub*eti"o, $o pla$o do a$seio
da huma$idade a uma sociedade li"re das alie$a+2es prese$tes $o
capitalismo.
'm li$has gerais, >ual>uer te$tati"a de ele"ar idealme$te o
Ser"i+o Social B co$di+,o de uma or+a sobera$a, aut0$oma e
desco$ectada da base eco$0mica e do processo de reprodu+,o
social le"a a uma etichi/a+,o da ati"idade proissio$al e,
co$se>ue$teme$te, a uma alsa co$sciC$cia. Mo Dmbito da
ati"idade pr3tica o etichismo pode aparecer pelo $,o
des"elame$to da u$+,o do assiste$te social *u$to aos
trabalhadores como bem percebeu =ota em ) eiti+o da a*uda
@%77%A, ou igualme$te pelo $,o des"elame$to da rela+,o e$tre
pol<ticas, ser"i+os, programas sociais e os determi$a$tes
eco$0micoEpol<ticos >ue a or*am, atribui$doElhes o pote$cial de
resol"er problemas sem >ue a base destes se*a elimi$ada, um
poder >ue eeti"ame$te $,o tem.
'$im, co$sideramos estas rele.2es ai$da i$suicie$tes
para e.por todos os aspectos do Ser"i+o Social como comple.o
ideológico do ser social. #3 um lo$go cami$ho B re$te at? >ue
%(4
as >uest2es a>ui deli$eadas possam se apro.imar, de ma$eira
mais ade>uada, do tecido categorial co$tido $o pe$same$to de
JuK3cs sobre o ser social. ! e.pectati"a ? >ue estas rele.2es
co$tribuam com o debate proissio$al sobre a i$ser+,o do
Ser"i+o Social $a sociedade $o >ue se reere ao seu car3ter
o$tológico esse$cial.
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ARTIGO
5UEST<O SOCIAL6 ;OVAS 1ORMAS7 VELKAS RALMES
2-
Edlene Pimentel
Gilmaísa Macedo da Costa
26
Qers,o re"ista e atuali/ada do artigo ;uest,o Social e 6esigualdades:
$o"as ormas, "elhas ra</es, das mesmas autoras.
%(7
Mo decorrer desta e.posi+,o, buscaEse re"elar aspectos
esse$ciais de um e$0me$o >ue historicame$te tem sido
de$omi$ado >uest,o social, em sua rela+,o com o i$dustrialismo
e a desigualdade social. )b*eti"aEse estabelecer os u$dame$tos
eco$0micoEsociais do seu surgime$to e de sua e.plicita+,o a
partir das leis i$ter$as do dese$"ol"ime$to capitalista em seu
processo de acumula+,o e e.pa$s,o, aprese$ta$do tra+os de
co$ti$uidade e de muda$+as em suas e.press2es $a atualidade.
'ste te.to ? resultado de i$"estiga+,o sobre as ra</es materiais e
huma$as da >uest,o social $o capitalismo, os co$litos de classe
$ele recorre$tes e sua i$terpreta+,o por pe$sadores di"ersos.
Por "olta da d?cada de 38 do s?culo bIb, come+a a
tomar orma, em larga escala o pauperismo das massas
trabalhadoras. Trata"aEse de algo $o"o $a história da 'uropa,
disti$to da pobre/a at? e$t,o e.iste$te, de"ido B sua di$Dmica e
car3ter massi"o e absoluto. 9ila$tropos e cr<ticos sociais da
sociedade $asce$te ocuparamEse em registrar e propor
i$ter"e$+2es $os eeitos deste e$0me$o, surgi$do da< uma ampla
docume$ta+,o >ue re"ela"a o >ua$to a pobre/a crescia B medida
>ue a sociedade se tor$a"a capa/ de produ/ir mais be$s e
ser"i+os. 6este modo, a sua $o"idade co$sistia em >ue o
pauperismo $,o podia ser associado ao bai.o dese$"ol"ime$to
%78
das or+as produti"as, $em B escasse/ da produ+,o material de
be$s.
Tal e$0me$o tor$ouEse i$c0modo para os ideólogos da
sociedade em asce$s,o, te$do em "ista >ue $,o correspo$dia aos
ideais de igualdade propostos pela re"olu+,o burguesa,
tor$a$doEse e$t,o ob*eto de preocupa+,o por parte de
pe$sadores das mais "ariadas te$dC$cias. ;ua$do as massas
trabalhadoras come+aram a reagir Bs co$di+2es de "ida geradas
pelo pauperismo, orga$i/a$doEse como classe em tor$o de
i$teresses comu$s, o e$0me$o ad>uiriu co$ota+,o pol<tica,
passa$do a ser de$omi$ado de >uest,o social. :m termo
utili/ado mais comume$te pelo pe$same$to co$ser"ador, >ue
i$corporou i$Fmeras acep+2es em sua i$terpreta+,o, mas sempre
associado a e.press2es da precariedade de "ida das classes
populares e aos riscos >ue a luta dos trabalhadores co$tra a
e.plora+,o represe$ta"a para a sociedade.
As Bases da 5"est$o Social
'$te$demos i$icialme$te >ue as co$di+2es eco$0micoE
sociais e pol<ticas $as >uais se deu o surgime$to da de$omi$ada
>uest,o social est,o i$timame$te "i$culadas ao i$te$so
dese$"ol"ime$to das or+as produti"as, com ra$ca e.pa$s,o do
i$dustrialismo e a amplia+,o de mercados $o s?culo bIb. Ma
eco$omia, alteramEse radicalme$te os processos e as rela+2es de
%7%
produ+,oH a i$corpora+,o das m3>ui$as ao processo produti"o
gera uma $o"a di$Dmica i$dustrial >ue co$ce$tra m,oEdeEobra
$as cidades e e.ige uma $o"a discipli$a $a 3brica, aeta$do
diretame$te o operariado emerge$te em suas co$di+2es de "ida e
de e.istC$cia social em termos materiais e pol<ticos.
=ar. e.p0s a co$stitui+,o das citadas co$di+2es
eco$0micas em ! Ca,ital, em >ue a$alisa o car3ter
re"olucio$3rio >ue o capitalismo co$ere aos processos de
trabalho em termos do dese$"ol"ime$to das or+as produti"as e,
ao mesmo tempo, os aspectos co$traditórios >ue este co$t?m, $a
medida em >ue a cria+,o e a e.pa$s,o das $ecessidades huma$as
só podem reali/arEse $a orma de mercadorias. Ma gra$de
i$dFstria o capital elimi$ou as barreiras B sua ple$a e.pa$s,o, o
trabalhador tor$ouEse um apC$dice da m3>ui$a e, assim, N?
remo"ido o moti"o t?c$ico da a$e.a+,o do trabalhador a uma
u$+,o parcial, por toda a "ida. Por outro lado, caem as barreiras
>ue o mesmo pri$c<pio impu$ha ao dom<$io do capitalO @=ar.,
t.%, %776, p. 4(2A. occore a dessub*eti"a+,o do processo de
trabalho, permiti$do ao capital co$trolar os sal3rios, te$do em
"ista a possibilidade de substitui+,o do trabalhador por
m3>ui$as, e>uipame$tos e i$stala+2es. Meste se$tido, No trabalho
abstrato ga$ha uma realidade tec$icame$te ta$g<"el, $a medida
em >ue a $i"ela+,o geral das opera+2es permite o deslocame$to
dos trabalhadores de uma m3>ui$a para outra, de um setor a
%72
outro, em tempo muito bre"e e sem a $ecessidade de um
adestrame$to especialO @T'Ib'IL!, %777, p. %%A.
! partir da< a produ+,o de coisas Fteis reali/aEse some$te
se orem lucrati"as para o capital, ou se*a, os "alores de uso s,o
produ/idos some$te e$>ua$to portadores de "alores de troca.
!l?m disso, a reprodu+,o do capital imp2e produ/ir uma
mercadoria cu*o "alor se*a mais alto >ue a soma dos "alores das
mercadorias e.igidas para produ/iEla, de modo >ue imp2e
produ/ir $,o só um "alor de uso, mas "alor e $,o só "alor, como
tamb?m maisE"alia. ! o$te desse maisE"alor ? eeti"ame$te o
trabalho huma$o, seu modo de e.tra+,o um eleme$to ce$tral $a
co$stitui+,o da desigualdade social $os marcos da
i$dustriali/a+,o emerge$te. ! produ+,o capitalista por si só $,o
pode elimi$ar essa co$tradi+,o, pois isso sig$iicaria colocar o
dese$"ol"ime$to das or+as produti"as a ser"i+o do homem, e
$,o do capital.
Por outro lado, =ar. co$sidera o capitalismo uma orma
i$o"adora de produ+,o e e.pa$s,o do mercado e da
sociabilidade huma$a, ao airmar:
!o i$"?s das a$tigas $ecessidades, satiseitas pelos
produtos $acio$ais, surgem $o"as dema$das, >ue
reclamam para sua satisa+,o os produtos das regi2es
mais lo$g<$>uas e de climas os mais di"ersos. Mo
lugar do a$tigo isolame$to de regi2es e $a+2es
autossuicie$tes, dese$"ol"emEse um i$tercDmbio
$acio$al e uma u$i"ersal i$terdepe$dC$cia das
%73
$a+2es. ' isto se reere ta$to B produ+,o material
como B produ+,o i$telectual. !s cria+2es i$telectuais
de uma $a+,o tor$amEse patrim0$io comum. !
estreite/a e a u$ilateralidade $acio$ais e locais
tor$amEse cada "e/ mais imposs<"eisH das $umerosas
literaturas $acio$ais e locais $asce uma literatura
u$i"ersal @=!Lb g 'MG'JS, %77(, p. 43A.
! dime$s,o positi"a do capitalismo reside $o
re"olucio$ame$to co$sta$te das or+as produti"as, permiti$do
criar uma massa de be$s e ser"i+os capa/ de respo$der a todas as
$ecessidades da sociedade, $uma di$Dmica co$sta$te de
u$i"ersali/a+,o. !< se e$co$tra a Ngra$de i$luC$cia ci"ili/adora
do capitalH sua produ+,o de um est3gio social, em compara+,o
com o >ual todos os a$teriores aparecem como meros
dese$"ol"ime$tos locais da huma$idade ou idolatria da $ature/aO
@=!Lb, %7(4$ p. 362A.
6este modo, =ar. des"e$da, por um lado, o car3ter
ema$cipatório do capital em termos do dese$"ol"ime$to das
or+as produti"as em sua capacidade de e.ercer o dom<$io sobre
a $ature/a para satisa/er as $ecessidades sociais e seu impulso B
e.pa$s,o tra$s$acio$alH por outro lado, sua co$tradi+,o i$ter$a
compree$de os limites impostos pelo próprio capital para
sub*ugarEse Bs $ecessidades huma$as. !irma: N) capital ?
destruti"o a$te tudo isso e co$sta$teme$te o re"olucio$a,
rompe$do todas as barreiras >ue impe+am o dese$"ol"ime$to
das or+as produti"as, a e.pa$s,o das $ecessidades, a
%74
di"ersiica+,o do dese$"ol"ime$to da produ+,o e a e.plora+,o e
o i$tercDmbio das or+as $aturais e espirituaisO @Idem, Ibidem:
362A.
) capitalismo cria uma classe oper3ria urba$a com suas
$ecessidades $,o ate$didas e um ime$so osso e$tre as co$di+2es
de "ida e os i$teresses e$tre o operariado e a burguesia >ue
possui os meios para co$trat3Elo. ! co$corrC$cia da m3>ui$a
ha"ia gerado e.cede$te de m,oEdeEobra, rebai.ame$to dos
sal3rios e amplia+,o da *or$ada de trabalho acima da capacidade
<sica dos trabalhadores. ! pauperi/a+,o do trabalhador, de
car3ter absoluto $a medida em >ue o e.propria de co$di+2es
materiais e espirituais de e.istC$cia, gera ri>ue/a aos
e.propriadores, media$te a e.tra+,o da maisE"alia. U um
processo de acumula+,o capitalista resulta$te da i$dustriali/a+,o
e imp2e o i$gresso da am<lia do trabalhador $o mercado de
trabalho para amplia+,o da re$da, em u$+,o de assegurar a
reprodu+,o social do trabalhador e de sua am<lia. U essa $o"a
pobre/a >ue se tor$a ob*eto de preocupa+,o por parte de
pe$sadores dos mais di"ersos mati/es, at0$itos dia$te da
i$capacidade do sistema em operacio$ali/ar os pri$c<pios
$orteadores da re"olu+,o burguesa.
Tamb?m =ar. se ocupa dessa pobre/a >ua$do di/: N!
im de esclarecer ple$ame$te as leis da acumula+,o, ? preciso ter
em "ista tamb?m sua situa+,o ora da oici$a, suas co$di+2es de
$utri+,o e moradia. )s limites deste li"ro le"amE$os a cuidar
%74
a>ui, a$tes de tudo, da parte mais mal paga do proletariado
i$dustrial e dos trabalhadores agr<colas, isto ?, da maioria da
classe trabalhadoraO @=!Lb, V. t. 2, %776, p. 2(2A. !i$da
segu$do =ar., a lista oicial de i$dige$tes $a I$glaterra te$deu a
aume$tar e$tre %(44 e %(66, obriga$doEos a recorrer B caridade
pFblica e a submeterEse aos horrores das CorDshouses @Idem,
%776, p. 2(2E3A. ! situa+,o ? ai$da mais gra"e e$tre os
trabalhadores $o campo, se$do >ue: Na sub$utri+,o e$tre os
trabalhadores agr<colas reca<a pri$cipalme$te sobre mulheres e
cria$+as, pois So homem precisa comer para a/er o ser"i+oTO
@Idem, %776, p. 2(4A. Para ele, Na co$e.,o i$ter$a e$tre o
torme$to da ome das camadas mais laboriosas de trabalhadores
e o co$sumo esba$*ador, grosseiro ou rei$ado dos ricos,
baseado $a acumula+,o capitalista, só se des"ela com o
co$hecime$to das leis eco$0micasO @Idem, %776, p. 2(6A.
Problema e$te$dido $uma perspecti"a abra$ge$te, ta$to em
termos das di"ersas ra+2es de trabalhadores e localidades,
>ua$to dos torme$tos >ue aeta"am os trabalhadores,
decorre$tes do próprio trabalho e ou tamb?m da alta dele,
porta$to, do desemprego.
! $osso "er, =ar., ao tratar da lei geral da acumula+,o
capitalista, des"e$da o e$0me$o origi$3rio do pauperismo, da
ma$eira como ele co$stitui uma das e.press2es primeiras da>uilo
>ue se co$"e$cio$ou de$omi$ar >uest,o social, co$sidera$do a
dime$s,o ima$e$te ao co$lito de classes $o capitalismo,
%76
ma$iesta $a desigualdade social. 'sta ad>uire car3ter
esse$cialme$te pol<tico >ua$do se tor$a uma amea+a B pa/
$ecess3ria B reprodu+,o social $os moldes dos i$teresses das
classes domi$a$tes. ) problema do operariado, com sua mis?ria,
sua i$satisa+,o e suas lutas urba$as p2e em pauta a >uest,o
social $a>uele mome$to. 6i/ respeito a uma pauperi/a+,o da
classe oper3ria, ditada pelas $ecessidades de acumula+,o do
capital, >ue se p2e historicame$te permeada pela luta dos
trabalhadores e pelas estrat?gias de domi$a+,o das classes
burguesas para co$tCElas, em a"or da reprodu+,o social. 6esse
modo, a >uest,o social emerge $o decorrer da luta oper3ria, e a
sua e.plicita+,o para o co$*u$to da sociedade se "eriica por
i$term?dio das lutas sociais urba$as, >ue se multiplicam e tCm
como pri$cipais protago$istas a classe oper3ria, a burguesia
i$dustrial e um 'stado >ue se recusa a i$ter"ir $o problema.
) mo"ime$to socialista d3 o tom ao car3ter
rei"i$dicatório do operariado europeu, >ue empree$de a luta
co$tra co$di+2es opressi"as de "ida e de trabalho, te$do por
suporte a dema$da pela satisa+,o de carC$cias, co$siderada
sobre seus aspectos de $ature/a material e moral. !
rei"i$dica+,o sobre e$si$o obrigatório e sobre regulame$ta+,o
do trabalho das mulheres e$grossa a pauta da press,o dos
trabalhadores. !ume$ta a press,o sobre o 'stado, "ia partidos
pol<ticos e si$dicatos, e.igi$do sua i$ter"e$+,o $a esera
eco$0mica e social, em termos de regulame$ta+,o do mercado
%71
de trabalho e de medidas com sig$iicado para a melhoria de suas
co$di+2es de "ida. ! e.te$s,o dos pri$c<pios da legisla+,o abril
a outros espa+os sociais de trabalho, como as mi$as e a
agricultura, te$de a se ace$tuar. S,o criadas comiss2es de
i$"estiga+,o do trabalho de cria$+as, de adolesce$tes e de
mulheres $a agricultura, com resultados de gra$de importD$cia.
6esse modo, a $ecessidade de e.pa$s,o do capital e$co$tra
resistC$cia em meio Bs lutas oper3rias e, ao mesmo tempo, re>uer
a reprodu+,o do trabalhador como meca$ismo de
dese$"ol"ime$to das or+as produti"as. =ar. come$ta:
se a ge$erali/a+,o da legisla+,o abril tor$ouEse
i$e"it3"el como meio de prote+,o <sica e espiritual
da classe oper3ria, ela, por outro lado, ge$erali/a e
acelera, como *3 oi a"e$tado, a metamorose de
processos de trabalho esparsos, reali/ados em
pe>ue$a escala, em processos de trabalho
combi$ados e em larga escala social, porta$to a
co$ce$tra+,o do capital e o dom<$io e.clusi"o do
regime de 3brica @Idem, t. 2, %776, p. %38A.
Meste se$tido, a legisla+,o abril regula as rela+2es de
trabalho em termos da domi$a+,o direta do capital sobre o
trabalho, ao mesmo tempo em >ue Nge$erali/a, com isso,
tamb?m, a luta direta co$tra essa domi$a+,oO @Idem, %776, p.
%38A. Ma te$s,o e$tre os i$teresses co$lita$tes e$tre
propriet3rios dos meios de produ+,o, >ue procuram tirar o maior
pro"eito do "alor de uso da mercadoria or+a de trabalho >ue
%7(
compram, e dos propriet3rios da or+a de trabalho, >ue procuram
preser"3Ela para poder "oltar a "e$dCEla, s,o co$stru<das as
respostas sociais aos problemas decorre$tes do pauperismo e das
co$di+2es de "ida dos trabalhadores. ! media+,o das leis
trabalhistas $a>uele mome$to co$stitui um meca$ismo $o se$tido
de ate$uar os eeitos per"ersos da desigualdade gerada $o
processo produti"o, ao mesmo tempo >ue assegura a reprodu+,o
social em se$tido amplo.
Por sua "e/, em abordagem disti$ta desta, Lobert &astel,
toma$do o caso ra$cCs como e.emplo t<pico, tra+a os
deli$eame$tos gerais da >uest,o social sob dois D$gulos: o >ue
represe$tou seu e$re$tame$to $a proposi+,o das classes
domi$a$tes ace B amea+a B coes,o social e o >ue represe$tou o
po$to de "ista do operariado em sua luta por melhores co$di+2es
de "ida e de trabalho. Segu$do este autor, a e.press,o N;uest,o
SocialO aparece pela primeira "e/ $o *or$al legitimista ra$cCs Ha
1uotidienne em %(3%, >ue acusa"a o go"er$o, chama$do a
ate$+,o dos parlame$tares, $o se$tido de >ue era preciso
e$te$der >ue, al?m dos limites do poder, isto ?, ora do campo
pol<tico, e.istia uma >uest,o social care$te de resposta, >ua$do
esses eeitos do processo de i$dustriali/a+,o represe$tam um
perigo B pa/ e B ordem eco$0micoEsocial e moral estabelecida.
Mo i$terior do pe$same$to dos reormadores sociais, dee$sores
do sistema, a >uest,o social passa a ser tratada como X...Y
%77
N>uest,o da reabilita+,o das classes trabalhadoras Sga$gre$adasT
pela chaga do pauperismoO @&!ST'J, %777, p. 3%1A.
!l?m do mais, a >uest,o social $essa co$*u$tura ?
e$carada como um problema cu*a resposta $,o se e$>uadra $a
estrutura do 'stado, "isto >ue a burguesia se i$spira"a $as
doutri$as liberais, a"essas a >ual>uer i$ter"e$+,o do 'stado $os
assu$tos sociais. Mo se$tido mais esse$cial, o capitalismo
co$corre$cial $,o e.igia um 'stado i$ter"e$cio$ista $os moldes
>ue se delimitaram $o s?culo bb, >ua$do s,o criados os
meca$ismos legais e i$stitucio$ais de i$ter"e$+,o para a
reprodu+,o da classe trabalhadora.
6esse modo, i$icialme$te cabe ao catolicismo social
i$ter"ir sobre tais eeitos e$ga*a$doEse totalme$te $a suposta
melhoria e recupera+,o da classe trabalhadora emerge$te. !ssim,
segu$do &astel, ela atuar3 $o espa+o >ue se abrir3 e$tre a recusa
do 'stado em assumiEla e a i$capacidade das chamadas Nclasses
i$erioresO de decidir sobre seu desti$o. Messe se$tido, ela
la$+ar3 m,o de um co$*u$to de procedime$tos e estrat?gias de
orte co$teFdo morali/ador, atua$do basicame$te em trCs $<"eis:
X...Y NassistC$cia aos i$dige$tes por meio de t?c$icas >ue
a$tecipam o trabalho social $o se$tido proissio$al do termoH o
dese$"ol"ime$to de i$stitui+2es de poupa$+a e de pre"idC$cia
"olu$t3ria >ue aprese$tam as premissas de uma sociedade
segura$cialH a i$stitui+,o da prote+,o patro$al, gara$tia da
288
orga$i/a+,o racio$al do trabalho e, ao mesmo tempo, da pa/
socialO @Idem, %777, p. 3%7A.
Mo >ue di/ respeito B assistC$cia ao i$dige$te $a 9ra$+a,
o bar,o de G?ra$do prop2e em sua obra He Lisiteur du Pauvre
uma $o"a tec$ologia da assistC$cia, >ue co$siste em distribuir
do$ati"os aos i$dige$tes, $,o de orma aleatória, mas
e.ami$a$do cuidadosame$te >uais as suas $ecessidades, >ue ",o
desde as perma$e$tes, como a>uelas pro"ocadas pela i$"alide/,
at? as ocasio$adas pelo desemprego e a m3 co$stitui+,o moral.
6esse modo, e.ercia um co$trole eeti"o sobre o processo de
sele+,o e distribui+,o, $a medida em >ue utili/a"a a presta+,o da
a*uda como i$strume$to de recupera+,o moral, submete$do o
ser"i+o de socorros B boa co$duta do assistido. !ssim, o
N"isitador do pobreO reali/a"a uma i$ter"e$+,o u$dada $uma
rela+,o pessoal, com acompa$hame$to, media$te a >ual
procura"a a/er um diag$óstico para solucio$ar problemas
i$di"iduais. 'ssa orma de atua+,o, segu$do &astel, dar3 origem
ao trabalho social proissio$ali/ado. &o$"?m ressaltar >ue essa
ma$eira de abordar a assistC$cia, ou se*a, a corre$te da scientific
charit5$ se e.pa$dir3 pelos pa<ses a$gloEsa.0$icos dura$te a
segu$da metade do s?culo bIb. Messa mesma dire+,o, segue o
case CorD
MN
, >ue surge $os 'stados :$idos em sua i$stitui+,o
ormal $o i$<cio do s?culo bb, a partir de uma $ecessidade de
21
Mos 'stados :$idos o case CorD d3 origem B primeira orma i$stitucio$al
do ser"i+o social como proiss,o, base das primeiras produ+2es teóricas
sobre a ati"idade proissio$al.
28%
ce$trali/ar $o"ame$te a i$ter"e$+,o social e$tre o age$te e os
be$eici3rios.
'm s<$tese, a >uest,o social, origi$alme$te e.pressa $o
empobrecime$to do trabalhador, tem suas bases reais $a
eco$omia capitalista. Politicame$te, passa a ser reco$hecida
como problema $a medida em >ue os trabalhadores
empobrecidos, de orma orga$i/ada, oerecem resistC$cia Bs m3s
co$di+2es de e.istC$cia decorre$tes de sua co$di+,o de
trabalhadores para o capital. Mo percurso do dese$"ol"ime$to
capitalista atra"essado por lutas sociais e$tre capital e trabalho,
co$stituemEse respostas sociais, após problemas da< decorre$tes,
mediadas ora por determi$adas orga$i/a+2es sociais, ora pelo
'stado, $um processo impulsio$ado pelo mo"ime$to de
reprodu+,o do capital.
E@%!ess0es Recetes da 5"est$o Social
Mo processo de dese$"ol"ime$to capitalista criamEse
co$di+2es ob*eti"as para o surgime$to do capitalismo
mo$opolista $o >ual a i$ter"e$+,o do 'stado tor$aEse
impresci$d<"el como orma de ate$uar a estag$a+,o eco$0mica.
Mo co$*u$to das tra$sorma+2es da< decorre$tes ? tamb?m
chamado a i$ter"ir $a >uest,o social como 3rbitro $os co$litos
ad"i$dos das rela+2es de trabalho. ) 'stado Social, >ue tem
282
como e.press,o m3.ima o Oelfare State, se caracteri/ar3 pela
a>uisi+,o de mFltiplas u$+2es, tor$a$doEse, i$clusi"e, perme3"el
Bs dema$das das classes trabalhadoras. Isso resultar3 tamb?m em
direitos sociais, meca$ismos >ue ocultam co$tradi+2es de classe
pela ate$ua+,o dos co$litos e, de certo modo, a"orecem a
reprodu+,o dos trabalhadores. '$treta$to, o im Fltimo co$siste
em assegurar o ple$o dese$"ol"ime$to do capital mo$opolista.
;ua$to a isso, =?s/3ros airma:
Mo passado, at? algumas d?cadas atr3s, oi poss<"el
e.trair do capital co$cess2es apare$teme$te
sig$iicati"as Z tais como os relati"os ga$hos para o
mo"ime$to socialista @ta$to sob a orma de medidas
legislati"as para a a+,o da classe trabalhadora como
sob a de melhoria gradual do padr,o de "ida >ue
mais tarde se demo$straram revers4veisA, obtidos por
meio de or"ani/aç?es de defesa do trabalho:
si$dicatos e grupos parlame$tares. ) capital te"e
co$di+2es de co$ceder esses ga$hos, >ue puderam
ser assimilados pelo co$*u$to do sistema, e
inte"rados a ele, e resultaram em "a$tagem
produti"a para o capital dura$te o seu processo de
auto e.pa$s,o @=USeaL)S, 2882, p. 74, grios do
autorA.
'$treta$to, os aspectos relati"os B essC$cia geradora dos
problemas sociais $,o s,o comume$te o al"o do debate sobre a
>uest,o social. #istoricame$te, $ele est,o prese$tes as gra$des
polCmicas do tipo: se a respo$sabilidade da mis?ria de"e ser
imputada aos i$di"<duos ou B sociedade, porta$to se ela ? de
283
car3ter pFblico ou de car3ter pri"ado, >ue o pe$same$to
sociopol<tico moder$o, baseado $a ragme$ta+,o e$tre i$di"<duo
e sociedade, de ato e.iste$te $a realidade, co$sagrou como ideal
de cidad,o. #egel, em debate com seus co$temporD$eos liberais,
co$orme alerta Josurdo, *3 pu$ha em dF"ida a
respo$sabili/a+,o i$di"idual do problema da pobre/a, de modo
>ue: N! mis?ria co$iguraEse e$t,o, para #egel, como uma
>uest,o social >ue $,o se e.plica simplesme$te com a suposta
i$dolC$cia ou com outras caracter<sticas do i$di"<duo >ue est3 $a
mis?riaO @J)S:L6), %77(, p. 286A. :ma posi+,o diere$ciada
de outros liberais, >ue simplesme$te respo$sabili/a"am os
i$di"<duos por sua co$di+,o de pobre. Se, mesmo em mome$to
posterior, Npara Toc>ue"ille, o i$di"<duo $a mis?ria some$te
pode apelar B caridade, se*a pri"ada ou pFblica, para #egel ele ?
dete$tor, ao co$tr3rio, de um preciso TdireitoT ao >ual
correspo$de uma precisa Sobriga+,o da sociedade ci"ilTO
@J)S:L6), %77(, p. 28(A.
Ma atualidade, o publicismo $eoliberal co$ti$ua a $egar a
>uest,o social: NQo$ #a]eK $,o se ca$sa de repetir >ue ?
absurdo alar de *usti+a ou i$*usti+a SsocialT pera$te um estado de
coisas >ue $,o ? o Sresultado da "o$tade deliberadaT de algu?m,
dia$te de um estado de coisas >ue, $,o te$do sido
Sdeliberadame$te produ/ido pelos home$s, $,o possui $em
i$teligC$cia, $em "irtude, $em *usti+a, $em >ual>uer outro
atributo de "alores huma$osTO @J)S:L6), %77(, p. 28(A. )u
284
se*a, e$te$de >ue os home$s $,o s,o os autores da história, eles
ape$as a sorem. 6e modo >ue, por parte do pe$same$to liberal,
a ob*eti"idade da >uest,o social ica presa B polCmica e$tre
respo$sabilidade i$di"idual e respo$sabilidade pFblica de resol"CE
la pela "ia do 'stado ou da sociedade ci"il. :ma polCmica ai$da
prese$te $os dias atuais, pri$cipalme$te em tempos de
$eoliberalismo, >ua$do se trata de dee$der a
desrespo$sabili/a+,o do 'stado das rera+2es da >uest,o social
e.pressas $as i$Fmeras ormas de pobre/a de gra$de parcela da
sociedade. 6este modo, co$"?m perceber >ue a i$ter"e$+,o
sobre o pauperismo e seus desdobrame$tos, em outros termos,
sobre as e.press2es da >uest,o social, este"e permeada pela
e.pa$s,o do próprio capitalismo e da reprodu+,o do capital. !
respo$sabili/a+,o-desrespo$sabili/a+,o do 'stado pelo problema
tem seguido as e.igC$cias dessa e.pa$s,o.
) e$0me$o do desemprego ro$da o processo de
reestrutura+,o produti"a em ace da i$capacidade do sistema de
absor"er m,oEdeEobra. Mum co$te.to mu$diali/ado, o
desemprego assume propor+2es i$ter$acio$ais. Para
&hossudo"sK]
2(
: N) desemprego mu$dial tor$aEse uma
Sala"a$caT da acumula+,o de capital global >ue SregulaT os custos
do trabalho em cada eco$omia $acio$al. ! pobre/a de massa
2(
Proessor de eco$omia da :$i"ersidade de )tta\a, co$sultor da )IT, do
Programa de 6ese$"ol"ime$to das Ma+2es :$idas e da )rga$i/a+,o
=u$dial de SaFde.
284
regula os custos i$ter$acio$ais do trabalhoO
@&#)SS:6)QSV`, %777, p. 18A.
&om a dimi$ui+,o dos postos de trabalho, "CEse a classe
trabalhadora heteroge$ei/arEse em trabalhadores perma$e$tes,
aut0$omos ou tempor3rios, com orte migra+,o para os ser"i+os.
) >ue le"ou algu$s a$alistas a ide$tiicar $esse e$0me$o o
desaparecime$to do operariado do ce$3rio mu$dial.
&ompree$dem >ue o trabalho assalariado *3 $,o se co$stitui $a
F$ica o$te de sobre"i"C$cia do trabalhadorH alter$ati"as di"ersas
comp2em o u$i"erso da re$da amiliar. &omo resultado das
tra$sorma+2es co$temporD$eas, surgem $o"as ati"idades e
u$+2es $o campo da produ+,o e da circula+,o, >ue e.pressam
uma totalidade mais comple.a >ue $as d?cadas >ue as
a$tecederam, com e"ide$te crescime$to do setor de ser"i+os.
)utro aspecto importa$te reereEse ao car3ter de
e.pa$s,o global, como mome$to de dese$"ol"ime$to capitalista
articula$do a reestrutura+,o dos processos de trabalho a uma
maior liberdade de a+,o, media$te a >ual ad>uire or+a o
$eoliberalismo. )correm muda$+as $o papel do 'stado com o
processo de pri"ati/a+2es e com desregulame$ta+,o dos direitos
e gara$tias sociais, cria$doEse ormas mais le.<"eis de
co$trata+,o dos trabalhadores, sem "<$culos perma$e$tes. 'sse
modelo de acumula+,o *3 $,o comporta a prese$+a do 'stado
$os moldes do modelo ordistaEKe]$esia$o opera$te
especialme$te pósESegu$da Guerra =u$dial. Leclama agora a
286
liberdade para >ue as empresas possam se a*ustar Bs e.igC$cias
competiti"as do mercado mu$dial.
Para &hes$ais, o e$0me$o de mu$diali/a+,o do capital
comporta, ao lado da $ature/a i$tr<$seca ao seu dese$"ol"ime$to
ob*eti"o, o impulso decisi"o de go"er$os das gra$des potC$cias
eco$0micas. 6i/ ele:
Sem a i$ter"e$+,o pol<tica ati"a dos Go"er$os Thatcher e
Leaga$, e tamb?m do co$*u$to dos go"er$os >ue
aceitaram $,o resistir a eles, e sem a impleme$ta+,o de
pol<ticas de desregulame$ta+,o, de pri"ati/a+,o e
liberali/a+,o do com?rcio, o capital i$a$ceiro
i$ter$acio$al e os gra$des grupos multi$acio$ais $,o
teriam podido destruir t,o depressa e t,o radicalme$te os
e$tra"es e reios B liberdade deles de se e.pa$direm B
"o$tade e de e.plorarem os recursos eco$0micos,
huma$os e $aturais, o$de lhes or co$"e$ie$te
@&#'SM!IS, %776, p. 34A.
! possibilidade de e.plorar m,oEdeEobra em lugares
muito dista$tes dos ce$tros $os >uais a orga$i/a+,o dos
trabalhadores *3 esta"a sedime$tada, aliada ao e$0me$o do
desemprego cresce$te, oram decisi"os para o relu.o da luta do
operariado $a co$tempora$eidade rece$te. Pri$cipalme$te o
desemprego, >ue tira do trabalhador sua sobre"i"C$cia e o
coloca, $os lugares o$de e.iste, $as malhas da depe$dC$cia da
seguridade socialH o$de $,o e.iste, co$de$aEo B ome. )
desemprego tamb?m $,o parece ter resultado simplesme$te das
co$di+2es ob*eti"as da reestrutura+,o produti"a: ele comp0s a
estrat?gia de supera+,o da crise proposta pelas gra$des
281
potC$cias. Segu$do airma+,o de !la$ 5udd, a$tigo assessor de
=argaret Thatcher: Naume$tar o desemprego oi uma ma$eira
muito co$"e$ie$te de se redu/ir a or+a da classe oper3ria X...Y, o
>ue se procurou or*ar X...Yoi uma crise $o capitalismo, >ue
rep0s o e.?rcito i$dustrial de reser"a e permitiu aos capitalistas a
obte$+,o de gra$des lucros da< por dia$teO
27
. QCEse, porta$to,
>ue a problem3tica do desemprego p2eEse, para algu$s, at?
mesmo como estrat?gia de dese$"ol"ime$to do capital.
6esse modo, temEse um >uadro $o >ual a estrat?gia de
subordi$a+,o da classe trabalhadora diere radicalme$te da>uela
t<pica do modelo ordistaEKe]$esia$o, $a >ual a busca do
co$se$so se e/ mediada por meca$ismos de reprodu+,o do
operariado com ra$ca permeablidade Bs suas rei"i$dica+2es.
&omo agra"a$te, as co$di+2es de des"a$tagem da classe
oper3ria, *3 e.iste$tes $a>uele mome$to, aume$taram
e$ormeme$te. 'la se e$co$tra em ra$ca des"a$tagem, $uma
atitude dee$si"a >ue predomi$a sobre as ma$iesta+2es pol<ticas
isoladas. !o mesmo tempo, se de um lado o capital alca$+a uma
potC$cia $u$ca "ista $a história, do outro a derrocada do Jeste
europeu e a e.posi+,o de suas ma/elas destru<ram os so$hos
acale$tados pelos trabalhadores de co$struir uma sociedade com
base $os ideais socialistas. !ssim, $,o parece ha"er $este
mome$to >uais>uer co$di+2es $ecess3rias aos a$seios de
27
!la$ 5udd, citado por Ios? =e$elau Meto, 6esemprego e luta de classes:
as $o"as determi$a+2es do co$ceito de e.?rcito i$dustrial de reser"a. In:
0eoliberalismo e Reestruturação ProdutivaA as novas determinaç?es do
mundo do trabalho. S. Paulo: &orte/, %776, p.11.
28(
ema$cipa+,o social dos trabalhadores, ou de co$ter a te$dC$cia
e.pa$si"a e desuma$i/adora do capital, em a"or de um
autC$tico dese$"ol"ime$to huma$o. Ma história rece$te, as
solu+2es e$co$tradas para os eeitos desuma$i/adores do capital
se mostraram i$eica/es para ati$gir as ra</es da >uest,o social,
"isto >ue:
!s co$cess2es dadas ao trabalho pelo S'stado de bemE
estar socialT $,o debilitaram em absolutame$te $ada o
capital. =uito pelo co$tr3rio, co$tribu<ram
sig$iicati"ame$te para a di$Dmica e.pa$sio$ista do
sistema por um per<odo co$t<$uo de duas d?cadas e meia
após a Segu$da Guerra =u$dial. Mem tais co$cess2es
alteraram a rela+,o de or+as em a"or do trabalho, pois,
$a "erdade, debilitaram a sua combati"idade, reor+a$do
as mistiica+2es do reormismo. Maturalme$te isso $,o
sig$iica >ue se possa dei.ar de dee$der os ga$hos
dee$si"os do passado, especialme$te >ua$do o capital,
sob a press,o de uma crise estrutural >ue se aprou$da, ?
or+ado a te$tar re"og3Elos. Sig$iica, e$treta$to, >ue as
ilus2es associadas Bs co$cess2es ao lo$go da história da
socialEdemocracia reormista de"em ser e.postas pelo >ue
realme$te s,o, e $,o pela a$tasia sobre a "iabilidade do
trabalho a partir da Salter$ati"a eco$0mica estrat?gicaT
$eoKe]$esia$a. Tal alter$ati"a $,o ape$as ? totalme$te
irreal $as circu$stD$cias da crise estrutural do capital,
mas, se por algum milagre pudesse ser impleme$tada, $em
mesmo chegaria a co$struir uma alter$ati"a
@=USeaL)S, 2882, p. 7%7A.
) pauperismo, como uma das pri$cipais e.press2es do
car3ter desuma$i/ador do capital, assume tamb?m propor+2es
mu$diais com a polari/a+,o social e a co$ce$tra+,o da ri>ue/a.
Isto, pois:
287
Mo Sul, $o Jeste e $o Morte uma mi$oria social
pri"ilegiada acumulou gra$de ri>ue/a em pre*u</o da
gra$de maioria da popula+,o. 'ssa $o"a ordem
i$a$ceira i$ter$acio$al ? $utrida pela pobre/a
huma$a e pela destrui+,o do meio ambie$te. X...Y
!l?m disso, as reormas Z "isto >ue s,o aplicadas
simulta$eame$te em mais de cem pa<ses Z le"am a
uma "lobali/ação da ,obre/a, processo >ue a$i>uila
a subsistC$cia huma$a e destrói a sociedade $o Sul, $o
Jeste e $o Morte @&#)SS:6)QSV`, %777, p. 21A.
Se $os marcos dos pa<ses ce$trais *3 se co$solidaram os
meca$ismos de co$trole do pauperismo e a pobre/a assume
car3ter relati"o, o problema e$co$traEse agora deslocado para a
perieria do capitalismo, $a >ual pode ser e$co$trada at? mesmo
a pobre/a absoluta.Ta$to ? >ue,
desde o i$al dos a$os (8, a Sdimi$ui+,o da pobre/aT
tor$ouEse uma condicionalidade dos acordos de
empr?stimos do 5a$co =u$dial. X...Y ) 9S' @9u$do
Social de 'mergC$ciaA sa$cio$a oicialme$te a retirada do
'stado dos setores sociais e a Sadmi$istra+,o da pobre/aT
@$o Dmbito microssocialA por meio de estruturas
orga$i/acio$ais separadas e paralelas. Q3rias
orga$i/a+2es $,oEgo"er$ame$tais @)MGsA i$a$ciadas por
Sprogramas de a*udaT i$ter$acio$ais tCm absor"ido
gradualme$te muitas das u$+2es do go"er$o em cada
pa<s. Produ+,o em pe>ue$a escala e pro*etos de produ+,o
artesa$al, subco$trata+,o por irmas de e.porta+,o,
trei$ame$to com base comu$it3ria e programas de
emprego, etc. s,o orga$i/ados sob os ausp<cios da Srede
de seguridade socialT. !sseguraEse, desse modo, uma
prec3ria sobre"i"C$cia para as comu$idades locais, ao
2%8
mesmo tempo >ue se dimi$ui o risco de suble"a+,o social.
@Idem, %777, p. 4(E7A.
!o >ue tudo i$dica, a i$ter"e$+,o sobre o pauperismo e
seus desdobrame$tos $a rea+,o Bs co$di+2es materiais de "ida
da< decorre$tes, com impulsos para proposi+2es de uma
sociabilidade di"ersa do capitalismo, em outros termos, sobre as
e.press2es da >uest,o social, este"e permeada pela e.pa$s,o do
próprio capitalismo e da reprodu+,o do capital em seu processo
de acumula+,o. U importa$te co$siderar a e.te$sa a$3lise eita
por =?s/3ros sobre $e.os causais de e$0me$os relati"os aos
mome$tos da e.pa$s,o capitalista ho*e e seus eeitos sobre as
co$di+2es de "ida das massas populacio$ais. )bser"aEse >ue uma
completa muda$+a em rela+,o aos termos do passado rece$te, $o
>ual se tor$ara represe$tati"a a deesa do Ni$teresse de todosO, ?
uma te$dC$cia $a atualidade. Para o autor:
'sta ? a te$dC$cia do Scapitalismo a"a$+adoT, a
metamorose de sua ase do pósEguerra caracteri/ada pelo
S'stado do bemEestarT @com sua ideologia de Sbe$e<cios
u$i"ersais de pre"idC$ciaT e a co$comita$te re*ei+,o da
Sa"alia+,o da re$tabilidadeTA, em sua $o"a realidade de
Spre"idC$cia social dirigidaT: a desig$a+,o atual da
a"alia+,o da re$tabilidade, com suas c<$icas prete$s2es de
SeiciC$cia eco$0micaT e Sracio$alidadeT, adotadas at? pelo
a$tigo ad"ers3rio socialEdemocrata sob o slo"an de S$o"o
realismoT. Maturalme$te, admiteEse >ue $em mesmo este
ato te$ha o poder de le"ar algu?m em seu *u</o pereito a
le"a$tar dF"idas sobre a "iabilidade do próprio sistema do
capital. =esmo assim, apesar de sua or+a, a mistiica+,o
ideológica $,o co$segue elimi$ar o ato desagrad3"el de
2%%
ser a tra$sorma+,o do capitalismo a"a$+ado, >ue
aba$do$a uma co$di+,o em >ue poderia se ua$ar de ser o
S'stado do bemEestarT, para uma outra em >ue mesmo os
pa<ses mais ricos tCm de oerecer so,?es e outros
be$e<cios miser3"eis @,ara os ,obres merecedoresA,
basta$te re"elador da eiciC$cia decresce$te e da
i$suiciC$cia cr0$ica do a$tes i$>uestio$3"el m?todo
pereito de e.tra+,o do trabalho e.cede$te $a atual ase
do dese$"ol"ime$to: ase >ue amea+a pri"ar o sistema do
capital em geral de sua raison d3tre histórica @Idem,
2882, p. %84, grios do autorA.
6este modo, =?s/3ros a$alisa >ue No sistema do capital ?
orientado ,ara a e),ansão e movido ,ela acumulaçãoO @Idem,
2882: %88, grios do autorA. !ssim, a determi$a+,o mais
prou$da desse sistema pode tor$arEse, ao mesmo tempo, Num
di$amismo a$tes i$imagi$3"el e uma deiciC$cia at<dicaO. Messes
termos, o capital como sistema de co$trole sociometabólico N?
absolutame$te irresist<"el e$>ua$to co$seguir e.trair e acumular
trabalho e.cede$te Z se*a $a orma eco$0mica direta, se*a $a
orma basicame$te pol<tica Z $o decurso da re,rodução
e),andida da sociedade co$sideradaO @Idem, 2882: %88, grios
do autorA. Mo e$ta$to, ha"e$do >ual>uer e$tra"e $o i$terior
desse processo de e.pa$s,o e acumula+,o, as co$se>WC$cias s,o
a"assaladoras, pode$do desse modo dese$cadear algu$s tipos de
crise.
&o$orme airma =?s/3ros, Na crise do capital >ue
e.perime$tamos ho*e ? u$dame$talme$te uma crise estruturalO.
=as Ncrises de i$te$sidade e dura+,o "ariadas s,o o modo
2%2
natural de e.istC$cia do capital: s,o ma$eiras de progredir para
al?m de suas barreiras imediatas e, desse modo, este$der com
di$amismo cruel sua esera de opera+,o e domi$a+,oO @Idem,
2882, p. 174, grio do autorA
38
. Mo mu$do do capital, as
e.press2es de uma crise estrutural podem ser reco$hecidas ta$to
em suas dime$s2es i$ter$as como $as i$stitui+2es pol<ticas.
Meste se$tido, essa crise estrutural do capital Naeta a totalidade
de um comple.o social em todas as rela+2es com suas partes
co$stitui$tes ou subcomple.os, como tamb?m a outros
comple.os aos >uais ? articuladaO @Idem, 2882, p.171A. Para ele,
Na crise estrutural do capital se re"ela como uma "erdadeira crise
de dominação em geralO @Idem, 2882: (88, grios do autorA.
'ssa crise se tor$a t,o de"astadora >ue diicilme$te >ual>uer
esera da ati"idade huma$a pode escapar aos seus eeitos. Ma
atualidade, podeEse co$statar um tipo de domi$a+,o do capital
atra"?s do espectro de destrui+,o com >ue a reerida crise "em
38
'm Para Além do Ca,ital, =?s/3ros a/ uma e.austi"a a$3lise sobre a
crise do capital e os comple.os problemas eco$0micos e pol<ticos, a>ui
ape$as limitadame$te po$tuados. Sobre a raison d3tre do sistema do
capital, e$co$traEse $o autor: No sistema do capital Z cu*a raison d3tre ? a
e.tra+,o m3.ima do trabalho e.cede$te dos produtores de >ual>uer orma
compat<"el dos seus limites estruturais Z possi"elme$te seria i$capa/ de
pree$cher suas u$+2es sociometabólicas de >ual>uer outra ma$eiraO @Idem,
2882: 77A. NSome$te >ua$do os limites absolutos das determi$a+2es
estruturais mais i$ter$as do capital "Cm B to$a ? >ue se pode alar de uma
crise >ue ema$a da bai)a efici3ncia e da assustadora insufici3ncia da
e.tra+,o do trabalho e.cede$te, com ime$sas implica+2es para as
perspecti"as de sobre"i"C$cia do próprio sistema do capitalO @Idem, 2882, p.
%82, grios do autorA.
2%3
aeta$do, de uma orma geral, o co$*u$to das rela+2es huma$as.
!ssim,
a de"asta+,o sistem3tica da $ature/a e a acumula+,o
co$t<$ua do poder de destrui+,o Z para as >uais se desti$a
globalme$te uma >ua$tia superior a um trilh,o de dólares
por a$o Z i$dicam o lado material amedro$tador da lógica
absurda do dese$"ol"ime$to do capital. !o mesmo
tempo, ocorre a $ega+,o completa das $ecessidades
eleme$tares de i$co$t3"eis milh2es de ami$tos: o lado
es>uecido e >ue sore as co$se>uC$cias dos trilh2es
desperdi+ados @Idem, 2882, p. (8%A.
) mesmo aco$tece em outros Dmbitos da esera huma$a,
$os >uais rei$am os co$litos de gera+2es, a $ega+,o de
oportu$idade de trabalho para milh2es de home$s, a press,o da
Sapose$tadoria precoceT para outros, a destrui+,o da am<lia, a
e.plora+,o da m,oEdeEobra emi$i$a, o desemprego cr0$ico,
e$im, a e.acerba+,o da desigualdade e co$se>ue$teme$te um
processo de desuma$i/a+,o e pauperi/a+,o cada "e/ mais
cresce$tes das massas populacio$ais. &o$orme assi$ala
=?s/3ros, Ntipicame$te, as solu+2es propostas $em se>uer
arra$ham a super<cie do problema, subli$ha$do, $o"ame$te, >ue
estamos B re$te de uma co$tradi+,o i$ter$a i$solF"el do próprio
capitalO @Idem, 2882, p. (82A. Je"a$doEse em co$sidera+,o >ue
o capital só u$cio$a atra"?s de co$tradi+2es,
ele ta$to cria como destrói a am<liaH produ/ a
gera+,o *o"em eco$omicame$te i$depe$de$te com
2%4
sua Scultura *o"emT e a arru<$aH gera as co$di+2es de
uma "elhice pote$cialme$te co$ort3"el, com
reser"as sociais ade>uadas, para sacriic3Elas aos
i$teresses de sua i$er$al ma>ui$aria de guerra. Seres
huma$os s,o, ao mesmo tempo, absolutame$te
$ecess3rios e totalme$te sup?rluos para o capital
@Idem, 2882, p. (82A.
Meste se$tido, os home$s se dero$tam cotidia$ame$te
com as co$se>WC$cias desuma$i/adoras do capital, ad"i$das das
suas próprias co$tradi+2es, e com a crise progressi"a desse
sistema de domi$a+,o. Mo e$ta$to, para >ue o capital possa
alca$+ar seus ob*eti"os, >uais se*am, acumular e e.pa$dirEse cada
"e/ mais, ele Nde"e airmar seu dom<$io absoluto sobre todos os
seres, mesmo $a orma mais desuma$a, >ua$do estes dei.am de
se adaptar a seus i$teresses e a seu impulso para a acumula+,oO
@Idem, 2882, p. %(4A. !ssim, com as tra$sorma+2es ocorridas
$o decorrer do s?culo passado, obser"aEse >ue o capital alastrouE
se e domi$ou todos os ca$tos da terra. Por?m, apesar da ri>ue/a
material gerada pelo processo, oi i$capa/ de solucio$ar os
problemas >ue os i$di"<duos tCm de e$re$tar $o cotidia$o de
suas "idas, co$orme as promessas re"olucio$3rias da burguesia
capitalista. !o mesmo tempo, a pe$etra+,o do capital $os pa<ses
subdese$"ol"idos só piorou esses problemas. ! t,o propalada
promessa de Smoder$i/a+,oT, após d?cadas de i$ter"e$+,o, Nsó
oereceu a i$te$siica+,o da pobre/a, a d<"ida cr0$ica, a i$la+,o
2%4
i$solF"el e uma i$capacita$te depe$dC$cia estruturalO @Idem,
2882, p. 72A. Mo e$te$der de =?s/3ros:
!s coisas mudaram basta$te $essas Fltimas d?cadas,
em rela+,o ao passado e.pa$sio$ista. )
deslocame$to das co$tradi+2es i$ter$as do capital
podia u$cio$ar com acilidade relati"a $a ase de
asce$dC$cia histórica do sistema. Sob tais co$di+2es,
era poss<"el tratar de muitos problemas "arre$doEos
para debai.o do tapete das promessas $,o
cumpridas, como a moder$i/a+,o $o STerceiro
=u$doT e uma prosperidade bem maior $os pa<ses
Smetropolita$osT, airmada com base $a e.pectati"a
de produ+,o de um bolo >ue cresceria i$i$itame$te.
Toda"ia, a co$suma+,o da asce$dC$cia histórica do
capital altera radicalme$te a situa+,o @Idem, 2882, p.
72A.
'$tre outras coisas, as promessas $,o cumpridas de"em
agora ser totalme$te es>uecidas e determi$ados Nga$hosO
alca$+ados pela classe trabalhadora em Npa<ses capitalistas
a"a$+adosO precisam ser $egociados, de ma$eira >ue possam
assegurar a ma$ute$+,o da ordem socioeco$0mica e pol<tica
"ige$tes. Seguem $essa dire+,o as solu+2es $egociadas e$tre
trabalhadores e patr2es, resulta$do $a le.ibili/a+,o de direitos
sociais e trabalhistas >ue, $o per<odo do Oelfare State$ soaram
como Nga$hosO, como N"itória ci"ili/adaO para resolu+,o de
co$litos $as rela+2es de trabalho. M,o ? por acaso >ue Nos
ser"i+os sociais mais eleme$tares s,o submetidos a duros cortes:
uma medida "erdadeira do Strabalho ci"ili/adorT do capital ho*eO
2%6
@Idem, 2882, p. (8%A. !s solu+2es atuais apo$tam ai$da para a
desrespo$sabili/a+,o do 'stado com a pre"idC$cia social e para
uma cresce$te pri"ati/a+,o dos ser"i+os sociais, impulsio$a$do
grupos assalariados a buscarem algum tipo de prote+,o em
pla$os de saFde e de pre"idC$cia ma$tidos com seus recursos
salariais diretos.
Coside!a#0es 1iais
'$te$deEse ser esse o >uadro >ue se p2e $os marcos da
atualidade para a>uilo >ue se de$omi$a de N$o"a >uest,o socialO,
pe$sada com base $os eeitos per"ersos do desemprego
cresce$te, da Ndesilia+,oO, do deslocame$to da pobre/a etc.,
>ue, $a "is,o de &astel, cria uma gera+,o de i$Fteis para o
mu$do, se*am *o"e$s >ue buscam o primeiro emprego, se*am
trabalhadores e$"elhece$do. Mada mais s,o >ue $o"as ormas de
e.press,o para um e$0me$o cu*a essC$cia perma$ece a mesma,
dado >ue se ma$tCm os meca$ismos u$dame$tais Bs leis da
acumula+,o capitalista, gera$do simulta$eame$te a ri>ue/a de
poucos e a mis?ria de muitos. &o$tudo, dia$te da crise do
capital, surgem problemas >ua$to Bs possibilidades de
ma$ute$+,o dos pri"il?gios de poucos. =?s/3ros airma:
2%1
6o po$to de "ista do capital, ? ho*e particularme$te gra"e
o ato de >ue mesmo os pri"il?gios de poucos *3 $,o
podem ser suste$tados $as costas dos muitos, em $<tido
co$traste com o passado. 'm co$se>uC$cia, todo o
sistema est3 se tor$a$do basta$te i$st3"el, ai$da >ue le"e
algum tempo a$tes >ue tra$spirem todas as implica+2es
dessa i$stabilidade sistCmica, e.igi$do rem?dios
estruturais em lugar do adiame$to ma$ipulati"o @Idem,
2882, p. 73A.
Mesta perspecti"a, o modelo de dese$"ol"ime$to
capitalista, prou$dame$te aetado pela crise estrutural do
capital, e$co$traEse i$st3"el. I3 $,o s,o suste$t3"eis as ormas
ma$ipulatórias do passado como sa<das para os co$litos gerados
pelo pri"il?gio de poucos em detrime$to de muitos, parte deles
$a mais completa mis?ria social. :ma maioria despri"ilegiada
com escasso acesso aos be$s e ri>ue/a produ/idos socialme$te
relete ape$as um aspecto e$tre as "3rias co$se>uC$cias
decorre$tes do car3ter destruti"o e desuma$i/ador do capital,
re>uere$do solu+2es $o"as do po$to de "ista estrutural para os
males >ue aetam a huma$idade.
'$im, di"ersos pe$sadores, sob di"ersas acep+2es,
apree$dem e.press2es atuais de um aspecto u$dame$tal do
modo de produ+,o capitalista $o processo de e.pa$s,o e de
acumula+,o do capital. ! pauperi/a+,o dos trabalhadores e suas
am<lias, co$orme detectara =ar., se airma $o processo de
acumula+,o do capital e se atuali/a ati$gi$do amplas camadas
populacio$ais em termos mu$diais, desloca$do para a perieria
2%(
do capitalismo a pobre/a mais e"ide$te, ao mesmo tempo em >ue
impulsio$a a migra+,o para polos mais dese$"ol"idos. 6ado >ue
o capital busca e.trair maisE"alia $os mais di"ersos ca$tos do
mu$do, as e.press2es da >uest,o social ho*e $,o est,o restritas
aos gra$des ce$tros i$dustriali/ados. U, tamb?m ela, um
e$0me$o mu$dial, ai$da >ue te$hamos de co$siderar as ormas
particulares de sua e.press,o em cada 'stado ou Ma+,o,
dese$cadea$do co$litos "ariados.
!s rece$tes rebeli2es de *o"e$s e imigra$tes $a 9ra$+a,
a$te o desemprego e B ausC$cia de perspecti"a de "ida, s,o
emblem3ticas $o se$tido deste e$0me$o. !s ormas de
resistC$cia se e.pressam em lutas po$tuais e importa ressaltar
>ue o e$0me$o do desemprego tor$ouEse cr0$ico e $,o ati$ge
some$te os *o"e$s, mulheres e oper3rios, mas toda a popula+,o,
i$clui$do tamb?m as classes m?dias. 6e ma$eira >ue a re>uC$cia
cresce$te dos co$litos $,o só aparece $a perieria do capital,
mas $as localidades de capitalismo a"a$+ado. 'sse desemprego
"em gera$do muito sorime$to $,o some$te para os
trabalhadores $,o >ualiicados, bem como para a>ueles
>ualiicados >ue disputam as poucas "agas e.iste$tes $o
mercado, com um e.?rcito e$orme de desempregados. QeriicaE
se >ue o a"a$+o do desemprego tem gerado i$segura$+a $os
trabalhadores empregados, dei.a$doEos $a e.pectati"a de como
ser3 o dia de ama$h,. Por outro lado, a i$>uieta+,o dos
go"er$a$tes tamb?m aume$ta, *3 >ue o a"a$+o do desemprego
2%7
em massa pode estar cria$do um esp<rito de i$surrei+,o. ;ua$do
as co$tradi+2es do sistema $,o puderem mais ser resol"idas
pelos deslocame$tos e.pa$sio$istas, o desemprego em massa
poder3 amea+ar todo o sistema do capital.
! multiplica+,o dessa or+a de trabalho pode represe$tar
Numa carga pote$cialme$te e.plosi"a e e.tremame$te i$st3"elO
@Idem, 2882, p. 342A. TrataEse de um problema gra"e para a
reprodu+,o do capital, Npor>ue a Se.plos,o populacio$alT
represe$tada pelos trabalhadores redu$da$tes est3 cria$do
problemas sociais e eco$0micos gra"es $os pa<ses capitalistas
mais poderosos, como os 'stados :$idos, co$siderados pelos
apologistas do capital o e.emplo mais brilha$te de solu+,o de
diiculdadesO @Idem, 2882, p. 326A. !s diiculdades se este$dem
a outras partes do mu$do, "isto >ue No crescime$to do
desemprego $a 'uropa )rie$tal,
3%
$a a$tiga :$i,o So"i?tica e $a
&hi$a ? sig$iicati"o e e.tremame$te desco$certa$te para os
apologistas do capital, precisame$te por istoO @Idem, p. 2882, p.
3%
&o$siderado $o mu$do como o pa<s do ple$o emprego: Lece$teme$te, a
ta.a de desemprego do Iap,o alca$+ou 4,%i em abril de 28%8 e o $Fmero de
desempregados icou em 3,46 milh2es. Site: \\\.g%.globo.com !cesso:
2(-4-28%8. Por outro lado: N) crescime$to gradati"o do desemprego
aprese$ta uma $o"a realidade $a sociedade *apo$esa >ue a$teriorme$te $,o
se ma$iesta"a $o pa<s, como a pobre/aH a pro"a disso ? o próprio go"er$o,
>ue publicou >ue o $Fmero de pessoas >ue moram $as ruas dos gra$des
ce$tros urba$os te"e um aume$to sig$iicati"o a partir da d?cada de 78 j
a$tes eram ce$te$as, ho*e s,o milhares, cerca de 28 mil i$dige$tesO. Site:
\\\.brasilescola.com !cesso: 2(-4-28%8. Isso só demo$stra os eeitos da
crise estrutural do capital >ue estamos e.perime$ta$do ho*e e a persistC$cia
do e$0me$o do desemprego e, em co$se>uC$cia, da pobre/a.
228
336A. ) problema reside $o ato de >ue Na ado+,o dos ideais da
Sprosperidade de mercadoT $,o trou.e para a popula+,o desses
pa<ses a S$o"a prosperidadeT prometidaO.
Mo >ue di/ respeito ao Terceiro =u$do, as solu+2es
aprese$tadas se limitaram a promessas de >ue a i$dFstria de
ser"i+os e o impacto eco$0mico positi"o de todo tipo de
emprego, >ue geram "alor tra/ido pelo recebime$to das
i$dFstrias com chami$?s, seriam as ormas utili/adas para
compe$sar o desaparecime$to dos empregos $a i$dFstria. !t?
agora, as alter$ati"as criadas $,o co$seguiram a/er com >ue as
pe>ue$as empresas gerassem os milh2es de empregos >ue est,o
se$do elimi$ados pelas tra$s$acio$ais, $em podem mais ter
espera$+a de ad>uirir uma Ncorrespo$de$te base i$dustrial em
e.pa$s,o di$Dmica, e ai$da mais sob as circu$stD$cias da
Sracio$ali/a+,oT capitalista co$tracio$istaO @Idem, 2882, p. 32(A
j redu+,o $o $<"el de ati"idade eco$0mica de um pa<s. Por sua
"e/, a estrat?gia ideali/ada da globali/a+,o tamb?m tem
agra"ado cada "e/ mais o problema do desemprego $os pa<ses
metropolita$os ou ce$trais, acelera$do a citada te$dC$cia a
u$iormi/ar o <$dice diere$cial da e.plora+,o. Messe se$tido,
ad"erte =?s/3ros:
Sub*ugar ou reprimir a or+a de trabalho Z com a
coopera+,o ati"a de suas lidera$+as pol<ticas e si$dicais Z,
em $ome da discipli$a do trabalho, do aume$to da
produti"idade, da eiciC$cia do mercado e da
competiti"idade i$ter$acio$al, $,o ? uma solu+,o realista,
apesar das "a$tage$s ,arciais >ue podem
22%
tem,orariamente disso deri"ar para uma outra sess,o do
capital competiti"o @Idem, 2882, p. 224A.
!pesar de todos os esor+os, dos recursos utili/ados pela
i$ter"e$+,o do 'stado e pela teoria eco$0mica capitalista,
$i$gu?m co$seguiu resol"er essa co$tradi+,o particular. 6a
mesma ma$eira, $em a i$te$siica+,o da ta.a de e.plora+,o, $em
a globali/a+,o e a cria+,o dos mo$opólios cada "e/ mais amplos
possibilitam uma sa<da para esse c<rculo "icioso. ) problema ?
>ue para se li"rar das diiculdades ad"i$das do processo de
acumula+,o e e.pa$s,o lucrati"a do capital, o capital
globalme$te competiti"o te$de a redu/ir ao m<$imo lucrati"o o
custo do trabalho $a produ+,o, gera$do o problema de
tra$sormar trabalhadores em or+a de trabalho sup?rlua,
residi$do a< a rai/ esse$cial do desemprego. Por >ua$to tempo o
capital co$segue ma$ter o trabalho sob co$trole, a$te as
ma$iesta+2es co$temporD$eas da cria+,o de um e.?rcito de
reser"a >ue co$t?m o pote$cial pol<tico da >uest,o socialP !
história dir3.
Re2e!Ncias
222
&!ST'J, Lobert. As metamorfoses da .uestão social P Bma
crGnica do sal(rio* Tr. Iraci 6. Poleti. Petrópolis: Qo/es, 2f ed,
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&#'SM!IS, 9ra$+ois. A >undiali/ação do Ca,ital& S,o Paulo:
bam,, %776.
&#)SS:6)QSV`, =ichel. A 8lobali/ação da Pobre/aA
im,actos das reformas do E>I e do @anco >undial& Tr.
=ar]le$e Pi$to =ichael. S,o Paulo: =oder$a Jtda., %777.
J)S:L6), 6ome$ico. 2e"el$ >ar) e a Tradição HiberalA
liberdade$ i"ualdade$ #stado& Tr. &. !. 9. Micola 6astoliH S.
Paulo: :M'SP, %77(.
=!Lb V. g 'MG'JS, 9. >anifesto comunista& S,o Paulo:
5oitempo, %77(.
=!Lb, Varl. 8rundrisse P ;:QN P;:Q:& I. =?.ico: 9o$do de
&ultura 'co$ómica, %7(4.
__________. Glosas críticas marginais ao artigo o rei da
Prússia e a reforma social. De um prussiano. Tr. Ivo Tonet In!
Praxis "elo #ori$onte! Pro%eto &oa'(im de Oliveira n) *
+,,*.
__________ ! Ca,ital$ Ji"ro Primeiro, Tomos %,e 2, S,o Paulo:
Mo"a &ultural, %776.
=USeaL)S, Ist"3$. Para Além do Ca,italA Rumo a uma
teoria da transição& Tr. Paulo &?sar &asta$heira-S?rgio Jessa.
S,o Paulo: 5oitempo-'ditora da :MI&!=P, 2882.
M'TT), Ios? =e$elau. 6esemprego e luta de classes: as $o"as
determi$a+2es do co$ceito de e.?rcito i$dustrial de reser"a. In:
223
0eoliberalismo e Reestruturação ProdutivaA as novas
determinaç?es do mundo do trabalho& S. Paulo: &orte/, %776.
T'Ib'IL!, 9ra$cisco Ios? Soares. ! Ca,ital e suas formas de
,rodução de mercadorias P Rumo ao fim da #conomia Pol4tica&
9ortale/a: Te.to, *ulho de %777.
224