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Tourette: novo tratamento tem resultado melhor que medicamento



Terapias comportamentais são mais eficientes que uso de medicamentos para ajudar adultos que sofrem da
síndrome de Tourette a controlarem seus tiques, afirma um estudo do Hospital Geral de Massachusetts (da
Universidade de Harvard), de Yale, do Centro de Ciências da Saúde do Texas e outras instituições.
A síndrome de Tourette é caracterizada por tiques motores ou vocais que podem ser embaraçosos para o
paciente. Em alguns casos, por exemplo, a pessoa diz palavras obscenas sem ter controle sobre sua fala
(coprolalia).
"O programa que testamos, que ensina aos pacientes novas maneiras para controlar o impulso dos tiques, foi
associado a um grande decréscimo nas severidades dos tiques se comparado ao tratamento de controle", diz
Sabine Wilhelm, do hospital de Massachusetts. A síndrome costuma aparecer na infância, ter um pico na
adolescência e uma queda na idade adulta. Contudo, em alguns casos, os tiques persistem com o passar dos
anos.
Geralmente, os pacientes recebem medicamentos, inclusive potentes antipsicóticos, que raramente eliminam
todos os tiques e ainda têm vários efeitos colaterais indesejáveis (como ganho de peso e sedação). Isso leva
muitos pacientes a descontinuarem o uso das drogas. Por outro lado, tratamentos comportamentais já
mostraram resultados promissores, mas nenhum bom o suficiente para ser usado nas clínicas.
O estudo dividiu 122 participantes com idades entre 16 e 65 em dois grupos: aqueles que receberiam
medicamento e outros que seriam submetidos a um novo tratamento - que continha diversos componentes,
de conscientização sobre os tiques a treino de relaxamento.
Na fase de conscientização, os pacientes aprendem a detectar os sinais iniciais de que um tique está para
ocorrer. Eles ainda aprendem a identificar e controlar situações em que a frequência e a severidade dos
tiques aumentam. Uma das técnicas é usar padrões de respiração em ritmo lento. Outra, para aqueles com
tiques no braço, por exemplo, é pressionar o cotovelo contra o torso.
Os pacientes foram divididos entre aqueles que receberam o tratamento convencional e o novo. Estes, após
oito sessões de treinamento em um período de 10 semanas, tiveram a oportunidade de estender o tratamento
por mais sessões durante três meses.
Os resultados foram animadores: depois das primeiras 10 semanas, os pacientes com o novo tratamento
tiveram uma melhora geral de 38% (segundo avaliação dos médicos), contra 6% daqueles que receberam
medicamento. Após seis meses, o benefício continuou, afirmam os pesquisadores.
"Apesar de os resultados serem encorajadores, a resposta positiva neste estudo com adultos foi de certa
forma baixa se comparada com nosso estudo anterior em crianças. Pode ser que os pacientes com tiques
persistentes na vida adulta tenham uma forma mais crônica da desordem. Por outro lado, este é o primeiro
tratamento para tiques associados à síndrome de Tourette para toda a vida", diz Wilhelm.
Terra