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CHQAO

Curso de Habilitação ao Quadro Auxiliar de Oficiais

GESTÃO DE
MATERIAL E
PATRIMÔNIO

GESTÃO DA
TECNOLOGIA
DA INFORMAÇÃO

GESTÃO DE
PESSOAS NA
ADMINISTRAÇÃO
PÚBLICA
GESTÃO DE
QUALIDADE EM SERVIÇOS
GESTÃO ORÇAMENTÁRIA
E FINANCEIRA
FUNDAMENTOS
DO DIREITO
PÚBLICO E PRIVADO

ADMINISTRAÇÃO
PÚBLICA BRASILEIRA

Coordenação Didático-Pedagógica
Stella M. Peixoto de Azevedo Pedrosa
Redação Pedagógica
Alessandra Muylaert Archer
Frieda Marti
Tito Ricardo de Almeida Tortori
Revisão
Alessandra Muylaert Archer
Projeto Gráfico e Diagramação
Romulo Freitas
Coordenação de Conteudistas
Roberto Blaschek
Conteudista
Tatiana Braga Filippone
Produção
Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro
Realização
EsIE – Escola de Instrução Especializada
Exército Brasileiro

Gestão da tecnologia da informação / coordenação
didático-pedagógica: Stella M. Peixoto de Azevedo Pedrosa ;
redação pedagógica: Alessandra Muylaert Archer, Frieda Marti,
Tito Ricardo de Almeida Tortori – Rio de Janeiro : PUC-Rio,
CCEAD, 2013.
3 v. : il. (color.) ; 21 cm
Inclui bibliografia
Conteúdo: unidade 1. TI nas organizações – estratégia e
conceitos / conteudista: Tatiana Braga Filippone.
1. Tecnologia da informação. 2. Gestão do conhecimento.
3. Sistemas de informação gerencial. 4. Comércio eletrônico. I.
Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro.
CDD: 004

CHQAO

Curso de Habilitação ao Quadro Auxiliar de Oficiais

GESTÃO DA TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO
Unidade 1

TI NAS ORGANIZAÇÕES – ESTRATÉGIA E CONCEITOS

APRESENTAÇÃO

O Curso de Habilitação ao Quadro de Auxiliar de Oficiais (CHQAO),
conduzido pela Escola de Instrução Especializada (EsIE), visa habilitar os
subtenentes à ocupação de cargos e ao desempenho de funções previstas
para o Quadro Auxiliar de Oficiais.
A disciplina Gestão da Tecnologia da Informação (GTI), iniciada nesta
apostila, possui carga horária total de 60 horas.
Os objetivos gerais dessa disciplina são:
• Desenvolver a capacidade de planejamento em TI.
• Construir competências para a criação e inovação de estratégias
vencedoras na área de Tecnologia da Informação.
• Conhecer os principais sistemas de TI utilizados pelo Exército Brasileiro.
Nesta apostila será apresentada a Unidade I – TI nas Organizações –
Estratégia e Conceitos, cujos objetivos específicos estarão no início
de cada capítulo.
Boa leitura!

É Pesquisadora do Laboratório de Engenharia de Software (LES) da PUC-Rio. qualidade de software. engenharia de software. e Mestrado pelo Instituto Coppead de Administração (UFRJ) com ênfase em Estratégia e Tecnologia da Informação. processos de desenvolvimento de software e implantação de pacotes. pós-graduação em Análise. planejamento estratégico. Projeto e Gerência de Sistemas pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio).conteudista Tatiana Braga Filippone possui graduação em Administração de Empresas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). . Tem experiência na área de gerência de projetos. onde atua como gerente de diversos projetos.

MODELO DE FORÇAS COMPETITIVAS DE PORTER 35 5.Índice 1.3 Modelo da cadeia de valor 43 6.3 A bolha digital e seus efeitos 17 2. WEB 2.1 Modelo de cinco forças competitivas 35 5.0 47 7. INTRODUÇÃO 09 2.2 O Modelo de cinco forças e a internet 40 5. NEGÓCIOS NA ECONOMIA DIGITAL 11 2.1 Empresa digital 14 2.4 A geração V 18 3.2 Papel da tecnologia na economia digital 15 2. PLANEJAMENTO E ESTRATÉGIA DE TI 29 5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 55 . TENDÊNCIAS EM TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO 21 4.

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em 16 de maio de 2013. Se a Anatel aceitar. Que mudanças a evolução da Tecnologia da Informação (TI) ainda irá promover nas tarefas do nosso dia a dia e em nosso cotidiano? O mundo que nós conhecemos sofrerá uma transformação radical? Qual o impacto da TI na economia e nos modelos produtivos? Essas e outras questões serão abordadas na disciplina Gestão da Tecnologia da Informação. haverá a necessidade de alterar o regulamento de uso da faixa. A Folha de São Paulo. levando ao surgimento de uma grande diversidade de serviços para smartphones.1 INTRODUÇÃO O Ministério da Defesa pleiteou espaço na faixa de 700 MHz. pois existirá menos espaço para operar o 4G. Boa leitura! 9 GESTÃO DA TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO . já que a ocupação da faixa seria dividida com sistemas do Exército e das polícias. telefones celulares. informa que o Ministério da Defesa protocolou o pedido junto à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e que será submetido à área técnica e ao Conselho Diretor da Agência. tablets e toda variedade de equipamentos móveis.U1 . A tecnologia 4G tem o potencial de oferecer um acesso veloz à internet em qualquer lugar. já bastante disputado pelas empresas de telefonia móvel.

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que se conectam a uma rede wireless e a um provedor de conteúdo como o Netflix. garantindo acesso imediato a centenas de filmes. como o Playstation 3. • Identificar a Geração V. Previsões feitas há pouco menos de dez anos indicavam que a internet substituiria o sistema telefônico. • Conceituar economia digital. rado. como se buscam informações. o uso da internet era limitado às universidades e instituições de pesquisa. • Descrever o papel da tecnologia. a comunicação via aplicativos de comunicação por [VoIP]. Uma característica interessante é que salva o ponto em que uma pessoa parou de assistir a um título. mas logo em seguida as Forças Armadas passaram a ser outro grande usuário. Apesar de a telefonia usual não ter morrido definitivamente. Em jogos. Só posteriormente o governo permitiu o acesso para uso comercial. sugere títulos a partir de outros já visualizados. Além disso. disponibilizado por streaming via internet. 11 GESTÃO DA TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO . empresas. compartilha-se fotos e vídeos. permitindo-lhe continuar daquele ponto em diante.2 Negócios na Economia Digital Objetivos específicos • Apresentar o conceito de empresa digital. podendo ser acessado por dispositivos móveis. Hoje é possível assistir a filmes através de aparelhos. Inicialmente. • Analisar a bolha digital e seus efeitos. Atualmente é inquestionável o quanto a internet já mudou e continuará mudando a vida das pessoas. A televisão também já não é mais a única forma de acessar conteúdo e isso muda bastante o cenário dos negócios. já é amplamente utilizada. desenhos e seriados. A forma como as compras são efetuadas. Viber ou similares. mesmo em outro dispositivo. por uma tarifa única ao mês. como Skype. Netflix é um provedor de conteúdo sob demanda.U1 . interage-se e comunica-se está sendo ressignificada em ritmo aceleVoIP: voz sobre IP (identificação única de um dispositivo). os programas identificam e instalam atualizações gratuitas disponíveis quando o usuário inicia um jogo. governos e países. como o Playstation e o Xbox.

poderiam ajustar suas operações e oferecer novos e melhores serviços a seus clientes. 12 Curso de Habilitação ao Quadro Auxiliar de Oficiais . alguns produtos de papelaria. A Figura 1 apresenta um gráfico do tipo Cauda Longa. entre outros. distribuem conteúdos de artistas mais e menos conhecidos. O termo economia digital também se refere à [convergência de tecnologias] de computação e comunicação através da internet e outras redes. também tem sua representatividade. está convertendo o [mercado de massa] em milhões de nichos. cesso da lista de [views] de um provedor de conteúdo. 2010). e o fluxo resultante de informações e tecnologia que está estimulando transações eletrônicas e uma ampla transformação organizacional (Turban. Enquanto na economia tradicional usualmente 20% dos produtos correspondem por 80% das vendas. porém. Trata-se de uma economia baseada em tecnologias digitais.As empresas. Nela. Somando-se todas essas representatividades menores. que expressa os filmes e séries de maior su- Views: visualizações de um título. Enquanto no passado não havia opção além das disponíveis via veículos de massa como a televisão e os jornais. ao utilizar a internet. como fibra óptica. McLeam. A tecnologia Mercado de massa: mercado não segmentado em que produtos diferenciados de massa ou não (como sucos. Esse nome vem da curva de demanda do século XXI. nova economia ou economia Comunicação digital: é a transferência física de dados por um canal. em que o prolongamento inferior da curva é muito comprido em relação à cabeça. em termos absolutos. colaboram e procuram informações. É o que descreve Chris Anderson (2006) como o fenômeno da Cauda Longa. web. Da mesma forma. então. a proporção das vendas ainda é maior nos chamados hits. comunicam-se. Convergência de tecnologias: integração de diferentes tecnologias. As mudanças proporcionadas pela internet permitiram o surgimento da economia digital. hoje há espaço para pessoas e empresas desconhecidas ganharem admiradores através de blogs ou sites de distribuição de conteúdo – como os sites de música – que. ainda que por uma pequena quantidade de espectadores. por não possuírem a limitação das mídias tradicionais. incluindo redes sem fio e [comunicação digital]. perceberam que. Wetherbe. chega-se a uma boa lucratividade. Leinder. às vezes chamada economia da internet. por exemplo. entre outros) são oferecidos através de distribuidores de massa (como supermercados) e anunciados em mídias de massa como TV e rádio. a quantidade de vendas de um cantor desconhecido. interagem. as infraestruturas de rede. Muito mudou desde os primórdios da internet até os dias atuais. canais de comunicação sem fio. na economia digital 98% dos produtos geram vendas. fornecem uma plataforma global em que pessoas e organizações planejam estratégias. É importante observar que a maioria dos títulos disponíveis no provedor será visto todos os meses. cabos de rede.

um cadastro no eBay torna uma pessoa um distribuidor de conteúdo. etc. Na curva tradicional.Views Hits Demais conteúdos Conteúdo Figura 1 . a cauda não existe. as câmeras digitais. 13 GESTÃO DA TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO . Três forças possibilitam a redução dos custos: • Democratização da produção: os computadores pessoais. através do Google. iTunes. • Democratização da distribuição: a internet converteu todos em distribuidores. pois não há a oferta de tanto conteúdo quanto na era digital. os softwares de tratamento de imagem e vários outros propiciaram que muito mais pessoas produzam conteúdo. • Ligação entre oferta e demanda: a apresentação dos bens para os consumidores é impulsionada pela internet. blogs.Cauda Longa em um provedor de conteúdo A Cauda Longa é viabilizada pela redução dos custos para alcançar nichos.U1 .

e o centro de dados corporativos. aplicativos e conjunto de dados – para a orquestração dos serviços e fluxos de trabalho que definem o negócio e. O Quadro 1 apresenta alguns processos empresariais e como seriam endereçados. McLeam. ou seja. a ferramenta primordial de administração.22). p. competências essenciais. em última instância. com arquiteturas digitais que interconectam o extremo da rede. que exige um ambiente modular e interoperável. financeiras e ativos humanos – são gerenciados por meio de redes digitais que abrangem toda a organização ou que interligam múltiplas organizações. A empresa digital desloca o foco da gestão de recursos de TI individuais – dispositivos. parceiros e clientes espalhados pelo mundo.2. que segundo Laudon e Laudon (2004). muitas estão no caminho para se tornarem digitais. Em uma empresa digital. fornecedores e funcionários são habilitados e mediados digitalmente. qualquer informação necessária para dar suporte às principais decisões de negócio está disponível a qualquer hora e lugar. Os processos de negócios essenciais e os principais ativos corporativos – propriedade intelectual. Há nela uma dependência quase total de um conjunto de Tecnologias de Informação (TI). a empresa digital percebe e reage aos seus ambientes muito mais rapidamente e oferece oportunidades para uma organização e administração mais globais. funcionários fixos e móveis. é aquela em que praticamente todos os relacionamentos empresariais significativos com clientes. entregam valor a clientes e usuários finais (Turban. 14 Curso de Habilitação ao Quadro Auxiliar de Oficiais . Leinder. 2010. Assim. A empresa digital adota uma infraestrutura própria de informações cruciais. Wetherbe. A TI é o cerne da empresa. Atualmente é difícil a existência de empresas 100% digitais.1 Empresa digital Neste modelo econômico surge a empresa digital.

2 Papel da tecnologia na economia digital Para operacionalizar as [transações digitais] emergentes que fluem entre os diferentes setores da empresa – e entre ela. pois sua seleção e utilização pode causar um profundo impacto sobre o desempenho de uma empresa. Para tanto. candidatos preenchem um formulário no website (não enviam o tradicional CV). através da medição e análise de desempenho. provas classificatórias aplicadas via web com o resultado emitido on-line. Por isso. é preci- Transações digitais: transações realizadas digitalmente.Processo Empresa Digital Recrutamento e Seleção Vaga divulgada no website da empresa. Assim. Treinamento Realizado on-line. seus clientes e fornecedores – são necessários mais recursos de processamento e armazenamento. impedindo que seus recursos fiquem obsoletos ou com baixa capacidade de processamento. cada vez mais através de dispositivos móveis. Compras Compras realizadas via troca de mensagens (webservices) entre empresa e fornecedores. tanto em termos de hardware quanto de software. Vendas Vendas totalmente on-line pelo website da empresa.U1 . A tecnologia computacional. Para algumas vagas não seria necessária a entrevista presencial. prevê quando um sistema de hardware de computador ficará saturado. Esse procedimento. Quadro 1 – Processos empresariais numa empresa digital 2. para constantemente redimensionar as suas necessidades de hardware e software. esses recursos organizacionais devem ser corretamente administrados. considera o número máximo de usuários que o 15 GESTÃO DA TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO . 2004). Pós-vendas Todos os pedidos de assistência técnica encaminhados pelo website da empresa. Isso permite prever a necessidade de insumos para a atualização constante do parque tecnológico. chamado de planejamento de capacidade. so entender a importância dos novos requisitos tecnológicos para a economia e para as empresas digitais. As empresas digitais – ou aquelas que dependem fortemente de TI – costumam ter uma equipe dedicada a antecipar as necessidades da empresa e do mercado. tem papel fundamental na economia digital (Laudon e Laudon.

Digitalização Ciberintermediação: intermediação através da internet. 16 Curso de Habilitação ao Quadro Auxiliar de Oficiais . os sistemas analógicos estão sendo convertidos em sistemas digitais. medições de desempenho. ferramentas de pesquisa inteligentes podem ajudar os usuários a localizar o que eles precisam. [Ciberintermediação] e nenhuma intermediação estão em alta. aumentando a concorrência e a eficiência de mercado. Modelos e processos de negócio Modelos e processos de negócio novos e aprimorados fornecem oportunidades a novas empresas e indústrias. Mercados físicos estão sendo substituídos por mercados eletrônicos. O planejamento de capacidade assegura que a empresa tenha recursos suficientes para suas necessidades correntes e futuras. • Selecionar tecnologias para a nova infraestrutura de Tecnologia da Informação: gerentes podem encontrar dificuldades em selecionar o conjunto correto de tecnologias. Muitos processos de negócio foram acelerados em 90% ou mais. filmes e muito mais são digitalizados para distribuição rápida e barata. 2004): • Ter uma visão mais ampla do desenvolvimento de infraestrutura: a infraestrutura deve conectar toda a empresa e ligar-se a outras infraestruturas. novos mercados estão sendo criados. Sobrecarga de informações Embora a quantidade de informações geradas seja crescente. mercados eletrônicos globais. fotos. produtos e serviços. o impacto causado pelas aplicações de software existentes e as futuras e. Sistemas Digitais Da TV a telefones e instrumentação. Clientes. Velocidade Uma mudança nas transações em tempo real. ainda. Os desafios administrativos para habilitar uma empresa para a era digital envolvem (Laudon e Laudon. fornecedores e parceiros globais. livros. Redes e aplicativos não podem mais ser isolados ou mantidos na fronteira empresarial. Mercados Os mercados estão se transformando em mercados on-line. As principais características da TI na economia digital podem ser assim resumidas: Área Globalização Comunicação e colaboração globais. graças à digitalização de documentos.sistema pode atender ao mesmo tempo. Descrição Música.

Essa expressão foi utilizada para descrever o fenômeno ocorrido naqueles anos em que. Os investidores apostavam nessas empresas sem utilizar os tradicionais métodos de avaliação de ativos. Acreditava-se que as “ponto. A combinação do rápido aumento dos preços das ações.As principais características da TI na economia digital (Turban et al. da confiança de mercado que as empresas depositaram em lucros futuros. Aparentemente. assim como estoura uma bolha quando chega ao seu tamanho máximo. da especulação em ações individuais e da ampla disponibilidade de capital de risco criou um Os métodos de avaliar o valor de um ativo (que pode ser uma empresa) são compostos de medidas subjetivas e objetivas. Fraudes Criminosos empregam uma grande quantidade de esquemas inovadores na internet.U1 . formava-se a bolha digital. crescendo. Na época da bolha digital não havia com o que comparar e mesmo métodos possíveis de serem utilizados foram deixados de lado pela euforia do momento.3 A bolha digital e seus efeitos Entre os anos de 1995 e 2000. sem conseguir mais se sustentar. que receberam volumosos investimentos. Organizações Muitas empresas estão tentando mudar para um status digital completo. Cibercriminosos estão em toda parte. 2010) 2. Mais do que nunca patentes estão sendo concedidas. bastava uma ideia e/ou um site para que o lucro fosse garantido. tal qual uma bolha. Métodos comuns de determinar o valor de um ativo incluem compará-lo a ativos similares e avaliar seu potencial de fluxo de caixa. a tal ponto que em um determinado momento estourou. Oportunidades Há uma abundância de oportunidades em quase todos os aspectos da vida e dos negócios. já o lucro líquido é uma medida objetiva baseada em receitas menos despesas. A bolha digital caracterizou-se também pela alta vertiginosa dos valores das ações dessas empresas. a quantidade de empresas “ponto com” foi crescendo. Quadro 2 . 17 GESTÃO DA TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO . Obsolescência O ritmo acelerado das inovações cria uma alta taxa de obsolescência.Área Descrição Inovação Inovações digitais e baseadas na internet continuam a um passo rápido. Guerras Guerras convencionais estão se transformando em guerras cibernéticas.com” iriam representar a nova economia de crescimento ilimitado e na qual os lucros seriam altos. A marca de uma empresa não pode ser objetivamente medida.

2006). simplesmente adicionando ao seu nome o prefixo “e -” ou o sufixo “. ou Geração Virtual. Especialistas indicam que. A confiança era tão grande à época que. 2. 18 Curso de Habilitação ao Quadro Auxiliar de Oficiais . blogs. em redes sociais. Normalmente utilizado para levantar capital quando a empresa deseja expandir suas operações. games e em postagens interativas. Essas ações acontecem na esfera virtual. teve seu ápice em 10 de março de 2000. consolidou-se a popularização da rede: enquanto o número de usuários era de 16 milhões de pessoas em 1995. A internet torna a vida uma colaboração contínua e maciça e essa geração adora isso (Tapscott e Williams. algumas empresas tiveram os preços de suas ações disparados. em que muitos investidores estavam dispostos a ignorar parâmetros econômicos tradicionais em favor da confiança pela novidade tecnológica. pois realizam todas as suas compras on-line. autenticando. Os altos investimentos realizados foram reduzidos a nada. cado pela quebra de inúmeras empresas que haviam feito seus [IPOs (Initial Public Offering) ou Oferta Pública de Ações] antes mesmo de começarem a ter lucro. pode ser caracterizada por suas ações on-line e pelo aumento crescente do uso de canais de mídia digital para descoberta e compartilhamento de informações. por exemplo. lendo. sites de venda. O estouro da bolha foi provoIPO (Initial Public Ofering ou Oferta Pública de Ações): acontece quando uma empresa passa a negociar ações em uma bolsa de valores. Isso porque naquele período houve um intenso incremento tecnológico. conhecida como Geração V.ambiente de certa euforia. que propiciou o desenvolvimento de sites como o Google. só os utilizando em casos de emergência. Seriam indivíduos que em algumas esferas privilegiariam a experiência virtual em detrimento da experiência física. em 2005 havia saltado para 957 milhões e em 2012 já era de mais de 2 bilhões de pessoas. que era um receptor passivo da comunicação em massa. como.4 A Geração V A primeira geração a crescer na era digital. esse período foi determinante e até positivo para que a internet tivesse o tamanho e a importância que tem hoje. ou ainda Geração Net. essa geração passa o seu tempo pesquisando.com”. Além disso. apesar disso. Um exemplo: pessoas que não frequentam supermercados. A Nasdaq. Ao contrário da geração anterior. quando enfim a bolha estourou e os preços das ações começaram a cair sem parar. colaborando e organizando. atualmente uma das marcas mais valiosas do mundo. inspecionando. A estimativa é de que US$ 5 trilhões em investimentos tenham “evaporado” junto com essa bolha. bolsa de valores criada especialmente para essa nova economia. por exemplo.

• Estabeleça objetivos. e não de si próprias. do contrário. agregam valor a uma interação. bem como o nível de interação necessária para os negócios tornarem essa comunidade possível. o que pode começar como uma forma de se conectar aos consumidores pode acabar por danificar a marca da empresa. A Geração V se comunica on-line através de seus perfis. As empresas. Nesse contexto.U1 . mas somente absorvem o que está sendo comunicado. descobrir a verdadeira identidade do cliente se torna irrelevante. Cada nível tem um valor significativo para o negócio e cada abordagem determinará a tecnologia a ser usada para suportá-la. mas não a iniciam. Eles podem recomendar produtos e serviços. 2013). Sendo assim. • Contribuintes – Entre 3 e 10% dos indivíduos: essencialmente seguidores. Todos esses níveis têm valor significativo para os negócios. em última instância. para transações. podem aproveitar sua influência para propósitos de marketing e. Os perfis representam a personalidade que o indivíduo assume naquela interação virtual. 19 GESTÃO DA TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO . criarão ambientes virtuais múltiplos e interativos como uma forma de direcionar a exploração do consumidor até o momento da compra. projetar e vender para perfis virtuais. Apesar disso. • Oportunistas – Entre 10 e 20% dos indivíduos: podem promover contribuições às decisões de compra e adicionar valor a uma interação enquanto consideram uma determinada compra. • Observadores – Aproximadamente 80% dos indivíduos colhem os frutos da comunidade on-line. que refletem a extensão na qual clientes irão interagir com outros clientes. Tenha um plano para determinar o retorno do investimento (ROI). Esses quatro níveis são: • Criadores – Até 3% dos indivíduos: geram conteúdo original e promovem produtos e serviços. As empresas. portanto. eles podem implicitamente contribuir e indiretamente reportar o valor para o resto da comunidade. ao reconhecerem e focarem nesses níveis. Gartner (2013) faz as seguintes recomendações para o marketing das empresas: • Planeje segmentar e suportar todos os quatro níveis da comunidade. acredita-se que deva se pensar. não para pessoas.Há quatro níveis de envolvimento dentro da Geração V (Gartner.

o crescimento da Geração V é uma conseConsumerização: fenômeno no qual as tecnologias são originadas. em que o valor da colaboração. Essa geração pode ser caracterizada por três atributos chave de comportamento: • Uso da tecnologia como uma ferramenta para facilitar a comunicação. que não é limitada por barreiras geográficas. 20 Curso de Habilitação ao Quadro Auxiliar de Oficiais . quência direta da [consumerização] de Tecnologia da Informação. selecionadas e desenvolvidas no mundo dos usuários ao invés de nos departamentos de TI das organizações. Crença em um ambiente meritocrático. o valor do “nós” é mais poderoso e valioso do que o “eu”.Segundo a revista Forbes (2008). utilizando perfis. • Desejo de participar através do envolvimento em comunidades globais. e que o compartilhar aumenta o valor das coisas ao invés de diminuí-lo ou acabá-lo.

selecionadas e desenvolvidas no mundo dos usuários ao invés de nos departamentos de TI das organizações. ou “Escolha seu Próprio Aplicativo”. mobilidade e redução de custos. A maior tendência apontada pela empresa de consultoria Gartner Group para os próximos anos é o aumento da mobilidade. assim como traz benefícios. também traz preocupações. Um dos desafios que os gerentes de tecnologia devem enfrentar atualmente é o gerenciamento desses dispositivos móveis utilizados por seus colaboradores. soluções conhecidas como Mobile Device Management (MDM) e Enterprise Mobility Management (EMM). que é a consumerização de TI. de 2005. A consumerização é o fenômeno no qual as tecnologias são originadas. Os principais benefícios incluem aumento da produtividade. É o chamado BYOD – Bring your Own Device. O conceito está se expandindo para incluir também a utilização de serviços em nuvem pelos funcionários – adiante esse conceito será aprofundado.3 Tendências em Tecnologia da Informação Objetivos específicos • Identificar o papel da Tecnologia da Informação. Essa tendência não pode ser interrompida e. Os colaboradores passam a trazer seus próprios dispositivos móveis para utilização no ambiente organizacional. Mas o que é o Big Data? Antes de conceituá-lo. ou ainda CYOD – Choose your Own Device. • Identificar as tendências de TI. Outra forte tendência em Tecnologia da Informação é o chamado Big Data. Para lidar com esses desafios. é importante entender e analisar primeiro a questão dos dados. com a invasão dos dispositivos móveis (smartphones e tablets). os gestores precisam de ferramentas para gerenciamento dos dispositivos móveis. Esse aumento é derivado de uma tendência mais antiga. ou “Traga seu Próprio Dispositivo”. enquanto os riscos envolvem questões de segurança e proteção dos dados e dos hardwares. 21 GESTÃO DA TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO .U1 .

milhões de transações são armazenadas em computadores ao redor do mundo. Os celulares serão utilizados para que as pessoas saibam. nos quais as pessoas interagem. O que já se viu em alguns filmes 22 Curso de Habilitação ao Quadro Auxiliar de Oficiais . processos. Leinder. colaboração e troca muito maior de informações entre os atores virtuais. carros. que acontecerá devido à convergência de pessoas. “internet of everything”(IoE). prédios. fotos. se é adequado ou não à sua dieta. por exemplo. Confira! <http://www. De fato. tudo isso significa que a tecnologia auxilia diversas tarefas humanas sem que o indivíduo perceba. o auxílio virá de diversas formas automaticamente. informações nutricionais. que então enviariam a informação para um computador. “internet of things” (IoT). 0. Quando alguém quisesse entrar em contato com esse funcionário. máquinas. No entanto. A “internet das coisas” passará a se chamar a “internet de tudo” ou. o número de telefone mais próximo seria indicado automaticamente por um sistema. Outra causa do crescimento atual de dados – tendência de TI para as próximas décadas – é a “internet das coisas” ou. trocando e consumindo conteúdo – informações. criando. etc. As [mídias sociais] possibilitam uma produção. plantas e até mesmo seres humanos.6% restantes representam aproximadamente 10 bilhões de “coisas” conectadas e esse número crescerá exponencialmente até 2020. O crachá conteria um microprocessador para transmitir a localização deles aos sensores do edifício. já está acontecendo. como no exemplo acima. estradas. eletrodomésticos. 2010). economia digital.A quantidade de dados capturados. ideias.4% dos objetos ainda não estejam conectados à internet. Um exemplo de sua utilização são os “crachás ativos”. Amanhã. ou seja. animais. a cada segundo. ou seja. McLeam. Wetherbe. Atualmente a Nos vídeos sugeridos a seguir é possível saber um pouco mais sobre a chamada “internet das coisas”. Como o próprio nome sugere.youtube. Uma das causas desse crescimento exponencial é o papel ativo dos consumidores na Mídias sociais: instrumentos de comunicação social. Na categoria de “coisa”. deve-se incluir os objetos em todos os sentidos. em inglês.youtube. você acessa seu celular e solicita que a previsão do tempo seja exibida. dados e coisas.com/ watch?v=QZkqBJzbNSs&feat ure=player_embedded> tecnologia é passiva. A “internet das coisas” também pode ser chamada de “computação onipresente” (Turban.com/ watch?v=QaTIt1C5R-M> <http://www. é um conceito que se refere a um futuro em que todos os objetos estarão conectados e se comunicando através da internet. que seriam usados por funcionários que desejassem permanecer em contato sempre que se deslocassem pelas dependências da empresa. Olhando por outro ângulo. a estimativa é de que 99. Segundo pesquisa realizada pela Cisco (2013). de que é composto determinado produto no supermercado. acionada. O futuro. na realidade. roupas. produzidos e armazenados pelas empresas cresce exponencialmente a cada dia. etc. em inglês.

Primeiro. Os RFID já são usados há muito tempo em fábricas. dados. recuperando e armazenando dados remotamente. processos. coisas) 50B 10B 200M 1995 2009 2013 2020 Figura 2 . • A habilidade de analisar os dados e torná-los informações valiosas. poderá indicar o que está faltando e já fazer a solicitação no supermercado. as tendências de tecnologias poderosas. • O crescimento da nuvem. Computação “fixa” (você vai até o dispositivo) Mobilidade/BYOD (você anda com o dispositivo) “Internet das coisas” (era dos dispositivos) “Internet de tudo” (pessoas. por exemplo. são os primeiros exemplos dessa utilização.U1 . Será uma forma totalmente nova de se relacionar com o mundo. os RFID. que a geladeira. A utilização desse tipo de solução tem um grande potencial para muitas indústrias.futuristas. 23 GESTÃO DA TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO . • Habilidade de combinar hardware e software de forma a gerar mais valor através da conectividade. para registrar se um determinado funcionário realizou a manutenção programada para um equipamento específico. São etiquetas com chips ou transponders que transmitem a informação a partir da passagem por um campo de indução. a “internet de tudo” será direcionada por diversos fatores.Da computação “fixa” à “internet de tudo” Fonte: Cisco (2013) Ainda segundo a pesquisa da Cisco. tais como: • O aumento na capacidade de processamento e armazenamento. • Banda a custos menores. se tornará realidade. • As mídias sociais e a computação móvel. Os dispositivos para identificar um objeto automaticamente através de sinais de rádio. por exemplo.

precisam ser identificadas unicamente. O termo “competências centrais” foi cunhado por Prahalad e Hamel em seu artigo The Core Competence of the Corporation. O IPv6 cria capacidades infinitas de endereçamento. as “coisas” terão que ter uma identidade. que futuramente poderão permitir conexão à internet entre coisas que nem os olhos humanos podem ver. As empresas não podem mais somente confiar em suas competências centrais e no conhecimento dos funcionários. é possível voltar a atenção ao Big Data. inovação e valor para o cliente. evoO smart device é um dispositivo eletrônico sem fio. a redução do tamanho dos aparelhos. Tendo analisado a questão dos dados. em uma rede local ou pública. como o iPhone e o iPad. por exemplo. Por fim. ou seja. Siga os pensadores de Big Data no Twitter: < h t t p s : / / t w i t t e r. permitindo que mais pessoas. por exemplo. suportando novas ondas de crescimento de produtividade. • Fotos e vídeos. publicado pela revista Harvard Business Review. e cada uma possui um identificador único. conectado via wi-fi ou 3G/4G. Isto é. com capacidade de comunicação de voz e vídeos. • Sinais de GPS. a cadeira e a pessoa. a criação de valor para os negócios se deslocou para o poder das conexões e para a habilidade de criar inteligência a partir delas. • Postagens em mídias sociais. porque as barreiras à conectividade continuam a cair. c o m / search?q=%23bigthinkers>. os dados são oriundos de todo lugar: • Sensores que capturam informações climáticas. o Big Data é formado por esses grandes conjuntos de dados e será uma base chave para a competição. há duas “coisas”. oferece endereçamento ilimitado para dispositivos. é composto de diversos tipos de dados. Em outras palavras. 24 Curso de Habilitação ao Quadro Auxiliar de Oficiais . Nesse caso. estruturados ou não estruturados. Como visto. necessárias para a quantidade prevista de dispositivos que irão precisar de um endereço IP – identificação única de um dispositivo como.Segundo. entre outros. para se tornarem um smart device. computador e impressora. sendo difíceis de serem imitadas e promovendo vantagem competitiva. Segundo a consultoria de gestão McKinsey. Refere-se às competências que uma organização possui e que de fato a diferenciam no mercado. Isso é o Big Data. dados e coisas estejam conectados à internet. lução do IPv4. mas sim capturar inteligência rapidamente de muitas fontes externas. O IPv6. móvel. acesso a internet e e-mails e geolocalização. Terceiro. para que seja possível saber. • Registros de transações. se uma determinada posição de trabalho em uma empresa está ou não ocupada e por quem. em 1990. processos.

isso também é uma característica positiva. que tem picos nas datas comemorativas. Os dados são armazenados em tabelas compostas de colunas e linhas. paga-se pelo que é utilizado. Dados transacionais: dados de transações relacionadas a objetos de negócios. As decisões de negócios não serão mais baseadas somente em [dados transacionais] armazenados em [bancos de dados relacionais]. forneceriam capacidade de processamento. nuvem ou simplesmente contratos de cloud. • Redução de custos quando se possui picos de utilização com outros períodos de baixa ao longo do ano. como IBM. não precisa ter um data center preparado para os picos e que passará o restante do tempo ocioso. cloud computing). de armazenamento. uma empresa de vendas on-line. armazenamento e análise das diversas fontes e tipos de dados. execução de seu trabalho. Os ganhos na adoção do modelo de computação em nuvem são: • Eliminação da necessidade de ter grandes [data centers] gerenciados internamente. dados de pagamentos de funcionários. por exemplo. Nos contratos de computação em Data centers: centrais onde ficam localizados os servidores (de dados. Outra tendência de Tecnologia da Informação é a computação em nuvem (do inglês. 25 GESTÃO DA TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO . de aplicações. Em tempo: para quem oferece os serviços de cloud. Os funcionários teriam um pequeno aparelho que se conectaria aos servidores na internet e que. o de outra pode estar aumentando. energia. pessoal. utiliza o que precisa em cada mês e paga somente por isso. reduzindo custos de manutenção e atualização do parque tecnológico. Assim. Os itens são localizados através do cruzamento entre linhas e colunas. armazenamento e softwares necessários para a Bancos de dados relacionais: modelo baseado na teoria matemática dos conjuntos e relações. oferecem plataformas que suportam a aquisição. licenças. Em um ambiente mais utópico. equipamentos de rede e telecomunicações de uma empresa. por sua vez. relacionadas entre si. por exemplo.Os grandes fornecedores. já que quando há o declínio de necessidade de uma indústria. Intel e Oracle. existiriam organizações sem computadores e/ou servidores. entre outros). O que é computação em nuvem e como esse conceito está relacionado ao que foi visto até agora? A computação em nuvem significa a oferta de infraestrutura de tecnologia como serviço. upgrades de softwares e pacotes. Com a cloud.U1 .

passaram a ter na oferta de cloud sua linha de negócios. mas também de software. no qual seus maiores esforços devem estar concentrados. a empresa para. oferecem serviços de computação em nuvem. caso não haja satisfação com o serviço contratado. inclusive. Apesar de oferecer diversos benefícios. • Links de dados: [links] costumam ser caros e nem sempre confiáveis. um gerente de projetos não precisa ter o MsProject instalado em todos os computadores que usa para acessar seus arquivos de projeto da empresa. • Dificuldade de migração (aprisionamento): não é simples migrar entre nuvens. e a integração entre nuvens nem sempre existe. Estima-se que muito do tempo do pessoal de TI seja dedicado a solucionar problemas de operação e de manutenção. que traz mais lucratividade para a empresa. • Facilidade de acesso remoto: os recursos da computação em nuvem podem ser acessados de qualquer lugar. • Confiabilidade na provedora do serviço: há sempre a preocupação se a provedora irá manter o seu nível de serviço. pois hoje a maioria das empresas já oferece acesso remoto aos seus servidores. Grandes empresas que já processam um alto volume de informações. 26 Curso de Habilitação ao Quadro Auxiliar de Oficiais . também há alguns pontos contra a nuvem: • Segurança e privacidade: as empresas se preocupam muito quanto à segurança dos seus dados na nuvem e se estão protegidos do acesso de pessoas não autorizadas. a adoção desse novo modelo permite. Links: ligações entre dois ou mais pontos para transmissão de dados entre eles. a qualquer momento. Assim. Algumas. Não se trata somente de hardware. Se o link cai. então. Essas empresas enxergaram na ociosidade de seus próprios data centers uma grande oportunidade de negócio. Assim. se não ocorrerá nenhum problema em seu data center ou mesmo se a provedora continuará a existir. Portanto. possibilitando à empresa que adotou o modelo de computação em nuvem ficar Core business: é o negócio principal da empresa. que empresas especializadas façam o trabalho específico. tais como Amazon e IBM. é muito mais ágil e simples fazer um contrato de cloud do que aumentar a capacidade de um data center próprio. livre para dedicar-se ao seu [core business]. Esse é o conceito de terceirização. a adoção do modelo de computação em nuvem permite que os departamentos de TI possam focar no que realmente trará valor para a empresa.• Facilidade de implantação: quando há um novo projeto.

aws. é simples pensar na integração de tudo. 27 GESTÃO DA TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO .O futuro parece apontar para que as empresas migrem para os serviços de cloud – ou os usem parcialmente –.com/ pt/> para conhecer os serviços oferecidos pela Amazon. Agora que já foi visto o que é o Big Data. sistemas e bancos de dados.amazon.amazon. A computação em nuvem vem como uma das opções para solucionar o problema que se vislumbra para os próximos anos. ou que montem a sua própria nuvem. a “internet das coisas” e a computação em nuvem (cloud computing). disponível em <http://aws.com/>. As empresas necessitarão de muito mais capacidade de armazenamento e processamento para lidar com o volume grande de dados que irá povoar seus Visite o site da Amazon Web Services. O link a seguir é de um monitor do serviço de cloud oferecido pelo Amazon: <http:// status.U1 .

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Tipicamente. a importância de estar alinhado à estratégia empresarial. o planejamento envolve a diretoria de TI e as gerências abaixo dela. porém. conforme explicado a seguir: 29 GESTÃO DA TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO . • O cronograma macro de desenvolvimento dos projetos ao longo do ano. aprimoradas ou desligadas. um processo realizado anualmente nas empresas e determina os objetivos (muitas vezes já em forma de projetos) e investimentos necessários para atingir esses objetivos para o ano seguinte. • Conhecer o modelo de Porter. adequando-os às necessidades que virão: máquinas e licenças a serem adquiridas ou renovadas. • Os recursos financeiros e humanos necessários para desenvolver os projetos aprovados. O relatório final de um planejamento de TI deve conter. geralmente.U1 . Os planejamentos podem ser de longo. pelo menos. que deve endereçar tanto questões de infraestrutura quanto questões de aplicações. • Apresentar o posicionamento na estratégia de TI. links que deverão ser aumentados. • A definição de investimentos no parque tecnológico. médio ou curto prazo.4 Planejamento e estratégia de TI Objetivos específicos • Conhecer os princípios fundamentais do planejamento e estratégia de TI. Será visto adiante. Pode ser realizado trimestral ou semestralmente. servidores que deverão sofrer upgrade. as seguintes informações: • A relação de aplicações a serem desenvolvidas. entre outros. O planejamento de Tecnologia da Informação é.

799. Planejamento tácito ou de curto prazo Contém orçamentos e agendas para os projetos e as atividades no ano atual. tais como: gerenciamento de incidentes. devem ser utilizadas as melhores práticas existentes. gestão de demandas e gestão de projetos. Como há alguns anos muitas empresas passaram a ser de capital aberto. por exemplo. CMMI e ISO 17. o CobiT é o mais utilizado. Dentre esses. Os mais comuns são: gestão do portfólio. para que se possa garantir o controle das informações que se encontram em Sistemas de Informação. etc. Assim como na governança corporativa. Assim. Esse framework sugere uma série de processos a serem seguidos. Esses comitês geram insumos para o processo 30 Curso de Habilitação ao Quadro Auxiliar de Oficiais . Os mais completos auxiliam no mapeamento tanto do nível estratégico. ou seja. a governança de TI veio para auxiliar as organizações a enfrentar os desafios corporativos e os requisitos reguladores maiores e mais complexos a cada dia. cada um aborda diferentes aspectos. chamados de objetivos de controle. Quadro 3 – Tipos de planejamento (Turban et al. CobiT. a governança de TI também visa Stakeholders: são as partes interessadas em uma empresa – acionistas. conselho. PMBok. problemas. passaram a negociar suas ações na bolsa de valores. 2002) Os planos de longo prazo costumam ser chamados de PETI – Planejamento Estratégico de Tecnologia de Informação. ITIL. segurança da informação.Planejamento de longo prazo Especificam as orientações gerais em termos de infraestrutura e dos requisitos dos recursos para atividades de TI em um intervalo de tempo de cinco a dez anos no futuro. tornou-se necessário ter uma forma de garantir aos novos acionistas que eles estariam contando com fontes confiáveis de informação. Um dos assuntos normalmente endereçados pelos planejamentos estratégicos de TI é a questão da governança de TI. indicadores e auditoria externa. Como existem vários modelos disponíveis. dar mais transparência aos [stakeholders]. Por serem de longo prazo. que surgiu da necessidade de haver mais transparência nas organizações. quanto tático e operacional. desenvolvimento de um [framework organizacional] específico. A implementação efetiva da governança de TI só é possível com o Framework organizacional: é um modelo utilizado para mapear a organização. como o BSC. faz parte da governança de TI. Para tanto. através da utilização de controles. Em uma organização. a formação de alguns comitês de gestão de TI. A governança de TI é um braço da governança corporativa. tratam de questões que nortearão a TI da empresa nos anos subsequentes. Planejamento de médio prazo Contém aqueles projetos que levarão mais de um ano para serem concluídos e estão em consonância com os planos de longo prazo. executivos.

A gestão de demandas visa catalogar as demandas de melhorias e novos desenvolvimentos. Nos comitês de gestão acontecem reuniões periódicas e cada um fornece insumos para o outro. A importância do alinhamento estratégico entre a TI e o negócio é uma das maiores questões enfrentadas pelos chefes de Tecnologia da Informação.org/ cobit/pages/default. Um PMO supervisiona o gerenciamento de projetos. tecnologia e processos devem estar alinhados com os CobiT é um framework e um conjunto de ferramentas de governança de TI que permite aos gerentes ligar os requisitos de controle. CIOs (Chief Information Officer): chefe de Tecnologia da Informação. em que sua estratégia. também.de planejamento e/ou acompanham o andamento dos projetos. stakeholders.U1 . Essa posição está evoluindo para CKO (Chief Knowledge Officer) que engloba conhecimento e não somente informação. ferramentas disponíveis que facilitam o planejamento de TI. A partir dessa arquitetura são definidos os bancos de dados organizacionais e identificadas as aplicações que darão suporte às estratégias de negócio. e estes se tornam a base de uma arquitetura de informação. Modelo do planejamento de sistemas de negócio (BSP) O modelo BSP. Existe o alinhamento da TI. Dependendo do tamanho da empresa. A premissa mais importante da governança de TI é o alinhamento entre as diretrizes e objetivos estratégicos da organização com as ações de TI. riscos e problemas. linha de produtos ou outro centro de lucro de uma empresa. Outros exemplos serão apresentados abaixo. decisões e projetos de SI estejam em consonância com as necessidades de toda a empresa. O CobiT habilita o claro desenvolvimento de uma política e boas práticas para controle de TI ao longo das organizações. Project Management Office) é uma unidade organizacional que centraliza e coordena o gerenciamento de projetos sobre seu domínio. A governança é uma das metodologias e Unidade/linha de negócio: uma unidade de negócios é uma divisão. Escritório de projetos: um escritório de projetos ou PMO (do inglês. Levanta os processos de negócio e as classes de dados envolvidas nos processos. custo. muitas vezes realizada ou alinhada por um [escritório de projetos]. benefícios. o gerente geral ou o gerente de TI. pode ser o diretor. cronograma. promovendo sinergias entre os projetos. a. McLean e Wetherbe. A gestão do portfólio visa garantir que as prioridades de TI e do negócio estejam alinhadas e que o portfólio de aplicações da empresa atenda o negócio a nível estratégico. tático e operacional. O objetivo do alinhamento estratégico dos sistemas de informação é assegurar que prioridades. estrutura. 2002).aspx>. desenvolvido pela IBM. A gestão de projetos. habilita o alinhamento e simplifica a implementação do framework. as questões técnicas e os riscos do negócio. Leidner. o alinhamento estratégico de SI (Sistemas de Informação) com a estratégia organizacional. programas ou uma combinação dos dois. Atingir o alinhamento estratégico não é tarefa simples para os gestores de TI. É necessário utilizar diferentes abordagens para entender a utilização de TI e dos sistemas na organização. inicia-se com a análise das estratégias de negócio.isaca. auxilia as empresas a aumentar o valor obtido através da TI. priorizando-os junto às áreas de negócio. os [CIOs]. objetivos das [unidades de negócio]. E há. Conheça um pouco mais sobre o CobiT visitando a página: <http://www. O não alinhamento correto do SI com a estratégia organizacional pode resultar em altos investimentos em sistemas que fornecem poucos benefícios ou no não investimento em sistemas que poderiam fornecer muitos benefícios (Turban. 31 GESTÃO DA TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO . entendida como um departamento da organização. Enfatiza a observância regulatória. tem o objetivo de gerenciar os projetos em suas diferentes esferas: escopo.

• Cada serviço SOA tem um nível de serviço associado (ANS. 2013): • Os serviços SOA possuem interfaces auto descritivas em documentos XML independentes de plataforma. e aumentando a velocidade de resposta às demandas em rápida e constante mudança. Não adianta a empresa possuir uma equipe especialista no ambiente externo e uma boa projeção de cenários se os executivos não acreditarem neles e não estiverem preparados para mudanças. • Os serviços SOA são mantidos na empresa através de um registro que atua como um diretório. do inglês. Service Level Agreement). Podem ser tanto otimistas quanto pessimistas e a empresa precisa estar pronta para lidar com as diferentes hipóteses. integrando a TI e as linhas de negócio.b. Os desenvolvimentos são pensados em termos de serviços. Mensageria: termo utilizado para designar a transmissão de mensagens em uma arquitetura orientada a serviços. O SOA também provê um modelo arquitetural para integrar os serviços de parceiros de negócios. 32 Curso de Habilitação ao Quadro Auxiliar de Oficiais . [mensageria] confiável e políticas sobre quem pode invocar os serviços. Definition and Integration). possibilitando mais flexibilidade. Service-Oriented Architecture (SOA) Com a mudança de orientação das empresas para uma orientação por serviços. cujo padrão é o UDDI (Universal Description. ou SLA. o alinhamento estratégico de TI com a estratégia do negócio pode ser facilitado pelo estilo arquitetural SOA. Planejamento de cenários A organização elabora hipóteses que podem ocorrer no futuro e procura desenvolver sua estratégia tendo em mente essas diferentes possibilidades. c. Web Services Description Language (WSDL) é o padrão para descrever os serviços. Alguns desses elementos são requisitos de segurança. As aplicações podem invocar o serviço diretamente no registro. o que reduz custos e aumenta a satisfação do cliente. Os cenários são projetados a partir do estudo das variáveis externas à organização sobre as quais não tem controle. clientes e fornecedores em um processo de negócio da empresa. • Os serviços SOA se comunicam com mensagens definidas por esquema XML. As arquiteturas orientadas a serviços possuem as características chave a seguir (Javaworld. Acordo de Nível de Serviço. promovendo assim um alinhamento maior entre eles.

33 GESTÃO DA TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO . dados. Como o BPM define e gerencia o relacionamento entre pessoas. e. tais como: • Quais são as aplicações e tecnologias que suportam ambientes de missão crítica? • A substituição de uma determinada tecnologia afetará quais objetivos estratégicos da organização? • Se houver uma mudança em um processo.S. São linguagens fáceis de ler e aprender. O Business Process Execution Language (BPEL) e o Business Process Management Notation (BPMN) foram criados para facilitar a comunicação entre o negócio e a TI. Arquitetura empresarial A arquitetura empresarial é uma combinação de diversas outras arquiteturas: TI. processos e sistemas de TI e auxilia no alinhamento estratégico entre a TI e os processos de negócio.U1 . The U. tornando o [workflow organizacional] mais eficiente e capaz de se adaptar às mudanças. gerenciando seus ciclos de vida e procurando Workflow organizacional: fluxos de trabalho de uma empresa.d. processos. Há várias definições diferentes. e as empresas trabalham com diferentes níveis de arquiteturas. eliminar ineficiências. infraestrutura. Uma boa arquitetura empresarial pode responder a diversas perguntas. Business Process Management (BPM) BPM é uma abordagem sistemática que foca na otimização das operações do negócio. The Extended Enterprise Architecture Framework (E2AF) do Institute For Enterprise Architecture Developments e The Gartner Framework. etc. The Open Group Architecture Framework (TOGAF). The United States Government Federal Enterprise Architecture (FEA). sistemas. Possui grande ênfase na melhoria contínua dos processos. é frequentemente um ponto de conexão entre as linhas de negócio e o departamento de TI. documentando-os. Department of Defense Architecture Framework (DoDAF). assim os processos ficam claros para todas as partes. que infraestrutura será afetada? • Como é a estabilidade do ambiente que suporta o departamento X? • Que tipo de equipamento será necessário para suportar um novo sistema? • Serão abertas novas filiais? Qual é o impacto na arquitetura atual? Há vários frameworks organizacionais para mapeamento da arquitetura empresarial: The Zachman Framework. negócio. muitas vezes sobrepostas ou mesmo divergentes.

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cujo conjunto determina o potencial de lucro final na indústria (Porter.1 Modelo de cinco forças competitivas A essência da formulação de uma estratégia competitiva é relacionar uma empresa com o seu meio ambiente. • Identificar o poder de barganha dos clientes. • Analisar o impacto da internet na cadeia de valor. • Conhecer o paradoxo da internet. 1986). • Identificar a rivalidade entre competidores existentes. o professor da Universidade de Harvard. respectivamente. Os modelos das forças competitivas e da cadeia de valores de Michael Porter são ferramentas importantes a serem utilizadas. Autor de vários livros e artigos sobre competitividade. • Identificar as fontes de barreira de entrada.5 Modelo de forças competitivas de Porter Objetivos específicos • Apresentar o modelo de forças competitivas de Porter. na análise do potencial dos Sistemas de Informação em uma organização e também como base para explicar o suporte que a TI pode oferecer para as operações da empresa. Michael Porter concebeu o modelo analítico da competição entre as empresas considerando cinco forças competitivas para que as empresas possam desenvolver uma estratégia empresarial eficiente. O modelo de forças competitivas 35 GESTÃO DA TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO . A concorrência em uma indústria depende de cinco forças competitivas básicas. O aspecto principal do meio ambiente é a indústria ou as indústrias em que compete. 5.U1 . • Identificar a ameaça de produtos substitutos. • Identificar o poder de barganha dos fornecedores. • Apresentar o modelo da cadeia de valor. • Analisar o impacto da internet no modelo. • Apresentar conceitos de concessionária pública de informação.

às dificuldades que um novo entrante deverá enfrentar e superar. a) Ameaça de novos entrantes O início das operações de uma nova empresa pode ser considerado uma nova entrada ou a aquisição de uma empresa já existente na indústria para construir uma posição no mercado. menor é a ameaça. já que eles são mais numerosos e disputam a mesma fatia do mercado. Uma indústria nessa situação possui uma posição um pouco mais confortável e a concorrência tende a ser amigável.Forças que dirigem a concorrência na indústria Fonte: Porter (1986) A seguir serão descritas cada uma das cinco forças do modelo. a retaliação também é maior caso uma empresa se aventure em uma indústria de barreiras elevadas. Em ambos os casos há uma ameaça. uma vez que novos recursos são introduzidos na indústria. O tamanho da ameaça está diretamente relacionado às barreiras de entrada da indústria. Porém. Quando as barreiras são baixas. 36 Curso de Habilitação ao Quadro Auxiliar de Oficiais . Quanto mais altas são as barreiras. podendo causar uma queda nos preços ou aumentos dos custos dos participantes.de Porter (Figura 3) identifica essas cinco forças no ambiente de uma organização que influenciam a concorrência. há uma alta competição entre os concorrentes. ENTRANTES POTENCIAS AMEAÇAS DE NOVOS ENTRANTES PODER DE NEGOCIAÇÃO DOS COMPRADORES FORNECEDORES CONCORRENTES NA INDÚSTRIA RIVALIDADE ENTRE AS EMPRESAS EXISTENTES COMPRADORES PODER DE NEGOCIAÇÃO DOS FORNECEDORES AMEAÇA DE PRODUTOS OU SERVIÇOS SUBSTITUTOS SUBSTITUTOS Figura 3 . ou seja.

se não atingem o objetivo. (4) Custos de mudança: Representa os custos que o comprador tem quando troca de fornecedor. (5) Acesso aos canais de distribuição: Os [canais de distribuição] já estão atendendo às empresas estabelecidas.U1 . (3) Necessidades de capital: Refere-se à quantidade de recursos financeiros que devem ser injetados para entrar em uma indústria. reduzindo Canais de distribuição: é o caminho através do qual os produtos oferecidos por uma empresa chegarão aos consumidores. Podem estar presentes em qualquer parte da cadeia de valores. para que os novos entrantes sejam atendidos. • Subsídios oficiais. (6) Desvantagens de custo independentes de escala: Vantagens de custo podem ser impossíveis de serem igualadas por novos entrantes. por exemplo. Assim. à medida que o volume absoluto por período aumenta. o que pode representar um volume alto de investimento. Os custos para construir uma marca e fidelizar os clientes são muito altos. Essa barreira pode ser tão alta que o novo entrante precise criar um canal de distribuição completamente novo. 37 GESTÃO DA TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO . especialmente em atividades de alto risco. (2) Diferenciação do produto: As empresas que estão no mercado há mais tempo já têm grande reconhecimento de sua marca e conquistaram a lealdade dos clientes a seus produtos. verbas para campanha de publicidade em cooperação. consideravelmente seus lucros. estes devem dar aos canais. maior é essa barreira de entrada. tais como: • Tecnologia patenteada do produto. a empresa entrante precisa oferecer uma significativa redução no custo do produto ou serviço ou uma diferenciação que traga vantagens ao comprador que compensem os custos de mudança. • Acesso favorável às matérias-primas. Quando esses custos são altos. • Curva de aprendizagem ou de experiência.Segundo Porter. não têm valor residual. Quanto mais alta. • Localizações favoráveis. são seis as principais barreiras de entrada: (1) Economias de escala: Referem-se aos declínios nos custos unitários de um produto (ou operação ou função que entra na produção de um produto).

• Grandes interesses estratégicos. As seguintes circunstâncias fazem um grupo ser poderoso: • Estar concentrado ou adquirir grandes volumes em relação às vendas do vendedor. 38 Curso de Habilitação ao Quadro Auxiliar de Oficiais . mais sujeita estará a indústria a uma guerra de preços ou a uma constante necessidade de oferecer mais qualidade ou mais serviços. • Ausência de diferenciação ou custos de mudança. • Capacidade desenvolvida em grandes incrementos. em alguns casos. • Concorrentes divergentes. • Custos fixos ou de armazenamento altos. a necessidade de guardas de segurança. • Os produtos adquiridos da indústria representam uma fração significativa de seus próprios custos ou compras. Os produtos substitutos reduzem os retornos potenciais de uma indústria. • Crescimento lento da indústria. porém com os mesmos objetivos alcançados. São exemplos: a câmera digital que substituiu a câmera com rolo de filme e os sistemas de segurança que reduziram ou eliminaram. c) Ameaça de produtos ou serviços substitutos Produtos substitutos são aqueles que desempenham a mesma função de um determinado produto de maneira semelhante. São eles: • Concorrentes numerosos ou bem equilibrados. • Os produtos que compra da indústria são padronizados ou não diferenciados.b) Rivalidade entre as empresas existentes A intensa rivalidade entre as empresas existentes é consequência da interação de vários fatores estruturais. A lucratividade fica comprometida. Quanto mais atrativa for a alternativa de preço-desempenho oferecida pelos produtos substitutos. mais firme será a pressão sobre os lucros da indústria. • Barreiras de saída elevadas. d) Poder de negociação dos compradores Quanto mais poder estiver nas mãos dos compradores. colocando um teto nos preços que as empresas podem fixar com lucro.

• A indústria não é um cliente importante para o grupo fornecedor.U1 . 39 GESTÃO DA TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO . 1. e) Poder de negociação dos fornecedores Os fornecedores podem exercer poder na indústria elevando preços ou reduzindo a qualidade dos bens e serviços prestados. • Compradores que são uma ameaça concreta de integração para trás.• Enfrenta poucos custos de mudança. • Os produtos são diferenciados ou o grupo desenvolveu custos de mudança. 2. • Consegue lucros baixos. • O comprador tem total informação. Liderança no custo total: atingir a liderança no custo total através de um conjunto de políticas funcionais orientadas para esse objetivo. Semelhante ao poder dos compradores. • O grupo de fornecedores é uma ameaça concreta de integração para frente. Enfoque: focar em um determinado grupo comprador. • O produto dos fornecedores é um insumo importante para o negócio do comprador. • O produto da indústria não é tão importante para a qualidade dos produtos ou serviços do comprador. Estratégias Competitivas Genéricas Para enfrentar as forças competitivas descritas anteriormente. um grupo fornecedor é poderoso nas seguintes circunstâncias: • É dominado por poucas companhias e é mais concentrado do que a indústria para a qual vende. segmento da linha de produtos ou mercado geográfico. criando algo que seja considerado único ao âmbito de toda a indústria. Porter (1986) propõe três estratégias competitivas genéricas para buscar a liderança na indústria. • Não está obrigado a lutar com outros produtos substitutos na venda para a indústria. 3. Diferenciação: diferenciar o produto ou o serviço oferecido pela empresa.

Métricas financeiras distorcidas e não confiáveis foram utilizadas. mesmo que os fornecedores. como parte de quase qualquer estratégia (Porter. 1999).2 O modelo de cinco forças e a internet O maior impacto da internet foi possibilitar a reconfiguração de indústrias existentes que estavam limitadas por altos custos de comunicação. pois não analisaram as bases da indústria. A internet deve ser vista como é. As cinco forças ainda determinam a lucratividade. coleta de informação ou realização de transações. O que mudou foi a forma como a oferta e a compra são efetuadas. As empresas não poderiam ter esquecido da criação de valor econômico verdadeiro. seja nova ou velha. em sua maioria. algumas tendências são descritas na figura a seguir (Porter. A internet pode criar valor? Para ter essa resposta. mas a sua utilização. as empresas tomaram iniciativas sem analisar. pelas formas convencionais. não como uma forma totalmente nova de se fazer negócios. Esses direcionadores de lucratividade são universais e transcendem qualquer tecnologia ou tipo de negócios (Porter. que é de onde realmente vem a lucratividade do negócio. um conjunto de poderosas ferramentas que podem ser usadas em quase qualquer indústria. Um exemplo são os websites de compra e venda. Porém. seria errôneo tirar conclusões gerais sobre o impacto da internet na lucratividade. 2001): 40 Curso de Habilitação ao Quadro Auxiliar de Oficiais . ocorreu alterando a interface do processo de indústrias já existentes (Porter. A internet até criou novas indústrias. Muitas empresas falharam em suas estratégias virtuais. 1999). Devido a sinais prematuros de um mercado promissor. A internet deve ser utilizada como um complemento às operações da empresa. 2001). deve se olhar também para a estrutura da indústria e para a vantagem competitiva sustentável. os custos e receitas de determinada operação. Essa atividade já existia em classificados de papel. O modelo de forças competitivas continua sendo válido para a análise de uma indústria.5. canais. Somente gerar receitas ou reduzir custos não significa que algum valor tenha sido criado. Devido à força de cada uma dessas cinco forças variar consideravelmente de indústria para indústria. uma tecnologia “habilitadora”. substitutos ou competidores mudem.

• Rivalidade entre competidores existentes: como é difícil manter as informações em segredo. a internet facilita a entrada de novos concorrentes. reduz barreiras de entrada • Aplicações de internet são difíceis de serem proprietárias contra novos entrantes • Aumenta o mercado geográfico. a diferença entre os concorrentes diminui. redução dos investimentos em força de vendas. em especial nos setores nos quais os competidores são intermediários ou onde o produto ou serviço é digital. aumentando a pressão por desconto de preço (-) • Reduz barreiras de entrada como a necessidade de uma força de vendas. Além disso. aumentando o número de competidores • Reduz a diferença entre competidores.qualquer coisa que a tecnologia da internet elimine ou facilite a fazer. a internet pode expandir o tamanho do mercado Poder de barganha dos fornecedores (+) • A proliferação das abordagens para internet criam novas ameaças de substitutos (-) • A internet fornece um canal para fornecedores atingirem usuários finais. porém também pode dar aos fornecedores mais acesso aos clientes (+) • Transfere o poder de barganha para os usuários finais • Reduz custos de mudança (-) • A competição é migrada para preço (+/-) Barreiras de entrada • Uma enxurrada de novos entrantes surgiu em muitas indústrias (-) • Reduz os custos variáreis sem relação aos custos fixos. reduzindo a influência de empresas intermediárias Clientes Poder de Poder de barganha barganha dos dos canais usuários finais • A aquisição via internet e os mercados digitais tendem a dar a todas as empresas acesso igual aos fornecedores. levam à aquisição a produtos padronizados que reduzem a diferenciação.U1 . por seu alcance geográfico. a internet tende a reduzir os custos variáveis em relação aos 41 GESTÃO DA TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO .Ameaça de produtos ou serviços substitutos • Ao tornar a indústria como um todo mais eficiente.Como a internet influencia a estrutura da indústria Fonte: Porter (2001) É importante analisar o impacto em cada uma das forças: • Barreiras de entrada: em muitas indústrias. acesso a canais e ativos físicos . bem como é difícil manter as ofertas prioritárias Figura 4 . • Reduz barreiras à entrada e a proliferação de competidores transferindo o poder para os fornecedores • Elimina canais poderosos ou melhora o poder de barganha em canais tradicionais Rivalidade entre competidores existentes (-) • A aquisição usando a internet tende a aumentar o poder de barganha sobre fornecedores.

Porém. com a integração digital das cadeias de suprimento os custos de mudança aumentam. a facilidade de acesso e de implementação não é mais uma vantagem competitiva sustentável (aquela que a empresa consegue manter por um longo período de tempo. • Clientes: os compradores possuem muito mais acesso às informações dos fornecedores e produtos. Ambos os fatores encorajam uma competição destrutiva de preços na indústria. Nesse cenário. também são mais facilmente copiáveis. com isso seu poder de barganha aumenta muito. o que leva a desconto nos preços. Nesse contexto. o que garante que o poder dos fornecedores não seja reduzido ou em alguns casos até aumente. livros e música. • Ameaça de produtos ou serviços substitutos: o risco de substitutos é maior em indústrias da informação como. Ainda segundo Porter. possibilitar que os compradores e vendedores se encontrem e realizem negócios entre si mais facilmente – também torna mais difícil para as empresas capturarem esses benefícios sob a forma de lucro. ou possuir um preço premium. pelos mesmos motivos.custos fixos. para garantir uma vantagem competitiva sustentável. com a base de competição se transferindo para preço e o poder se transferindo para os clientes. pois os compradores podem comparar e procurar por outros fornecedores mais facilmente. o posicionamento estratégico se torna cada vez mais importante. Há custos de desenvolvimento envolvidos. a princípio. Em linhas gerais. a empresa precisa operar a um custo menor. o paradoxo da internet é que boa parte de seus benefícios – tornar informações amplamente disponíveis. A eficiência operacional hoje é mais fácil de ser atingida. Porém. ou ambos. reduzir as dificuldades para comprar. 42 Curso de Habilitação ao Quadro Auxiliar de Oficiais . a maior parte das indústrias deverá acabar com um número maior de competidores e rivalidade mais intensa do que antes da internet (Porter. comercializar e distribuir. Tais vantagens podem ser obtidas através de eficiência operacional ou posicionamento estratégico. 2001). por exemplo. a análise das forças indica que a tecnologia da internet continuará a pressionar a lucratividade de muitas indústrias. pois as tecnologias estão mais acessíveis e mais fáceis de implementar do que há alguns anos. muitas empresas ainda enxergam a internet como fonte de eficiência operacional. representando uma forte barreira de entrada). • Poder de barganha dos fornecedores: ao mesmo tempo em que. Como a combinação de novas e antigas empresas geralmente diminui as barreiras de entrada. o poder dos fornecedores diminui. Logo.

Em outras palavras. já a cadeia olha para o interior da empresa. A margem é a diferença entre o valor total e o custo coletivo da execução das atividades de valor (Porter. o primeiro modelo analisa fatores externos à empresa e ajuda a traçar algumas estratégias para enfrentá-los. • Atividades de apoio: aquelas que atendem cada atividade em separado. o modelo da cadeia de valor de Porter é amplamente utilizado na análise das atividades da empresa e na identificação de suas fontes de vantagem competitiva. fontes de criação de valor. As atividades de valor são as atividades física e tecnologicamente distintas. sendo.U1 . as atividades que a empresa desempenha para atingir suas metas. através das quais uma empresa cria um produto valioso para os seus compradores. onde possui vantagens sobre seus concorrentes.5. As atividades de valor são divididas em: • Atividades primárias: aquelas diretamente envolvidas na criação do produto. 43 GESTÃO DA TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO . então. com o objetivo de identificar onde estão seus pontos fortes. 1989).3 Modelo da cadeia de valor Enquanto o modelo de cinco forças é utilizado na análise das forças competitivas de uma indústria. A cadeia de valores (Figura 5) exibe esse valor total e consiste em atividades de valor e margem.A cadeia de valores genérica Fonte: Porter (1989) Uma empresa é rentável se o valor que impõe a seus produtos ultrapassa os custos envolvidos na sua produção. mas também os processos da cadeia como um todo. INFRAESTRUTURA DA EMPRESA GERÊNCIA DE RECURSOS HUMANOS ATIVIDADES DE APOIO DESENVOLVIMENTO DE TECNOLOGIA MARGEM AQUISIÇÃO LOGÍSTICA INTERNA OPERAÇÕES LOGÍSTICA EXTERNA MARKETING E VENDAS SERVIÇO ATIVIDADES PRIMÁRIAS Figura 5 . seus processos e. suas partes componentes. fundamentalmente.

Entre as atividades de apoio. as informações geradas na cadeia de valores em suas atividades em separado e em seus elos podem ser amplamente difundidas dentro da empresa. 1999). por exemplo. chega a ser citada em seu livro Vantagem Competitiva. transformando a maneira como as atividades de valor são desempenhadas e a natureza do elo entre elas. o recrutamento e seleção.A infraestrutura da empresa necessariamente apoia a cadeia inteira. Também passou a afetar o escopo competitivo e a reformular a maneira como os produtos satisfazem às necessidades dos compradores. ATIVIDADES DE APOIO Infraestrutura da empresa Modelos de planejamento Gestão de Recursos Humanos Programação de pessoal automatizada Desenvolvimento da tecnologia Projeto baseado em computador Suprimentos Fornecimento on-line de peças Pesquisa de mercado eletrônica MARGEM Depósitos automatizados Fabricação flexível Processamentos de pedidos automatizados Telemarketing Manutenção remota de equipamentos Programação e definição de roteiros por computador para caminhões de serviços Figura 6 . o projeto de arquitetura e a construção do edifício. Quando Porter idealizou a cadeia de valores. Alguns anos mais tarde não havia mais como negligenciar o papel da Tecnologia da Informação na cadeia de valores e uma nova versão da cadeia incorporou a TI (Figura 6). Esses efeitos básicos explicam por que a Tecnologia da Informação adquiriu significado estratégico e é diferente das muitas outras tecnologias utilizadas (Porter. citando sistemas de apoio às operações e começando a pensar na integração dos processos. mas como tecnologia de Sistemas de Informação. Isso pode fortalecer a 44 Curso de Habilitação ao Quadro Auxiliar de Oficiais . Em uma empresa de recrutamento e seleção. fornecedores e clientes. o desenvolvimento e aquisição de soluções tecnológicas podem ser citados. a tecnologia ainda não tinha o papel que passou a ter alguns anos depois. para seus parceiros. entre as atividades primárias é possível citar o orçamento da obra. Em uma empresa de engenharia.A Tecnologia da Informação impregna a cadeia de valores Fonte: Porter (1999) A Tecnologia da Informação passou a permear todos os pontos da cadeia. mas nada com muito destaque. tal atividade estaria nas atividades primárias. Com o uso da internet. Assim.

uma empresa já forte no mundo real. 45 GESTÃO DA TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO . Requer um foco forte em lucratividade. Não obstante o uso crescente da Tecnologia da Informação. Observe a matriz a seguir: BANCOS REFINO DE PETRÓLEO JORNAIS EMPRESAS DE AVIAÇÃO CONTEÚDO DE INFORMAÇÃO DO PRODUTO CIMENTO INTENSIDADE DE INFORMAÇÕES DA CADEIA DE VALOES Figura 7: Matriz de intensidade da informação Fonte: Porter (1999) A matriz apresentada na Figura 7 está relacionada com a intensidade da informação na cadeia de valores e com o conteúdo de informação no produto. deveria replicar todo o sistema. pode conquistar a lealdade de seus clientes. este pode ser melhor defendido se a cadeia de valores estiver altamente integrada e ajustada. habilidade para definir uma proposição de valor única e uma vontade de realizar trocas duras ao escolher o que não fazer. A intensidade da informação refere-se à quantidade e à importância das informações nas diversas atividades da empresa. 2001). a Tecnologia da Informação também está mudando a própria natureza da competição.empresa de diferentes maneiras. Além de transformar os produtos e processos. Voltando ao posicionamento estratégico citado anteriormente. 1999). Quando as atividades de uma empresa se combinam em um sistema autorreforçável. qualquer competidor.U1 . Ter uma estratégia é questão de disciplina. ao invés de copiar somente algumas características do produto ou formas de realizar algumas atividades em particular (Porter. os setores sempre se diferirão quanto à intensidade da informação e quanto à velocidade da mudança (Porter. Por exemplo. para imitar sua estratégia. ao oferecer um serviço de qualidade via website de informações de seus produtos e pós-venda.

São elas: • Avaliar a intensidade da informação. não tendo a atenção das áreas de negócio o processamento físico continua dominante. Assim. 46 Curso de Habilitação ao Quadro Auxiliar de Oficiais . porém “baixo” em conteúdo do produto. porém é possível pensar em termos de produtos que podem processar informações. Se há uma posição “alto” em intensidade de informação. Na posição ”baixo-baixo”. entre outros. Mas. • Determinar o papel da Tecnologia da Informação na estrutura setorial. como no refino do petróleo. • Investigar como a Tecnologia da Informação geraria novos negócios. inovação. também tem uma alta intensidade na cadeia de valores. Finalmente. Como a empresa está posicionada na matriz? Na era da informação. realizar algumas análises. a tecnologia desempenha uma função central na empresa. e o conteúdo de informação no produto? O Exército não comercializa produtos. • Identificar e classificar as maneiras pelas quais a Tecnologia da Informação seria capaz de criar a vantagem competitiva. Assim. já que não há expectativa de um aumento exponencial de informações vindas de produtos. como os automóveis. os armamentos. armazenamento. o atual parque tecnológico deve ser suficiente para suprir as necessidades da empresa. criatividade. há um desafio para todos os gestores: entender como sua organização pode redesenhar seus processos visando uma maior eficiência/eficácia. não há exemplos de indústrias na posição “baixa intensidade-alto conteúdo”. como nos bancos. os gerentes devem. Como o custo do hardware e do software tende a diminuir. Como o Exército está posicionado nessa matriz? Não há dúvidas de que a intensidade da informação na cadeia de valores é alta. • Desenvolver um plano para se beneficiar com a Tecnologia da Informação. então.Quando a posição de uma indústria na matriz é “alto-alto”. a tendência é que as indústrias se desloquem para os quadrantes de um conteúdo de informação mais elevado. se uma indústria possui alto conteúdo de informação do produto. uma coisa está relacionada a outra. a “internet das coisas” está “chegando”. É necessário processamento. Como visto anteriormente. a tecnologia desempenha funções secundárias.

fundador da empresa. 47 GESTÃO DA TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO .6 Web 2. Tim O’Reilly. pode-se dizer que a Web 2. as empresas que sobreviveram ao colapso pareciam ter algo em comum. quando uma série de novas tecnologias possibilitou que os websites se tornassem mais dinâmicos. Além disso. a web estava mais importante do que nunca. Dale Dougherty. Na época. Os websites dinâmicos se somam à grande mudança de paradigma analisada nesta Unidade. A principal dessas regras Efeitos de rede: são os efeitos que ocorrem quando um bem ou serviço fica mais valioso quanto mais usuários o utilizam. é essa: construir aplicações que dominem os [efeitos de rede] para melhorarem quanto mais pessoas a utilizarem. não havendo um consenso sobre o que é exatamente. outros do ponto de vista sociológico e outros ainda pelo ponto de vista econômico-financeiro.0 surge após a bolha da internet ter estourado em 2001. (O’Reilly apud Shuen. apesar de ter “quebrado” após o estouro da bolha em 2001. define: A Web 2.14) Olhando do ponto de vista puramente tecnológico. 2008.0.0 Há muitas definições diferentes de Web 2. p. criadores e compartilhadores de conhecimento. pioneiro da web e vice-presidente da O’Reilly.U1 . fazendo parte da mudança de nos vermos como meros espectadores e consumidores de informações de massa para participantes ativos. A conferência Web 2.0 é a revolução do negócio na indústria do computador causada pela mudança da internet como plataforma e uma tentativa de entender as regras para o sucesso nessa nova plataforma.0 nasceu da convicção dos executivos da O’Reilly de que o colapso marcou algum tipo de virada para a web. Essa divergência vem do fato de alguns autores a definirem a partir do ponto de vista tecnológico. no lugar dos primeiros websites estáticos a que todos estavam habituados. em 2004. apontou que. com novas aplicações emocionantes e sites surgindo com uma regularidade surpreendente. É uma tecnologia? É colaboração? É cauda longa? São os modelos de negócio? O termo foi utilizado pela primeira vez como título de uma série de conferências promovidas pela empresa O’Reilly Media.

As principais tecnologias que possibilitaram a Web 2.0 bastante utilizado é o GoogleMaps. 48 Curso de Habilitação ao Quadro Auxiliar de Oficiais . Laudon. Documento Object Model. Possibilita a criação de dados que podem ser lidos por qualquer aplicação em qualquer plataforma. cor. XHTML. mas não precisa ser recarregada a cada letra que você digita. Nele. Um exemplo da Web 2. Esse código pode ser utilizado para criar outra aplicação ou ainda pode ser aprimorado. HTML.0 são: • AJAX (Asynchronous Java Script and XML): é o termo designado para expressar a utilização de um conjunto de tecnologias existentes – Java Script. • RSS (Really Simple Syndication): o RSS é uma forma do usuário reunir em um só local informações de várias fontes. A página está se conectando ao servidor para trazer essas informações. O movimento open source garantiu que muitas novas aplicações fossem desenvolvidas melhor e mais rapidamente. • Software open source: permite que qualquer um olhe o código utilizado para criar a aplicação. Caso a página tivesse que ser recarregada a cada dado recebido do servidor. espaçamento) a documentos web. independente de sistema operacional. sendo uma das peças da chamada democratização da web. CSS – para criar aplicações web mais interativas. assim o conhecimento pode ser exportado e compartilhado sem complicações. como notícias de vários jornais. • Webservices: componentes de software que podem ser entregues via internet e habilitam a comunicação entre uma aplicação e outra sem exigir conversão. XLT. posts de diferentes blogs. • XML (Extensible Markup Language): possibilitou que o conteúdo fosse separado da forma. é possível buscar um endereço e depois navegar ao redor do ponto localizado. aumentando ou reduzindo a imagem e até mesmo vendo fotos do local. Possibilita adicionar conteúdo a uma página sem ter que recarregá-la. a cada palavra digitada são sugeridas algumas palavras-chave ou frases mais procuradas. não seria possível haver aplicativos como esse. Exemplo: ao realizar uma busca no Google. • CSS (Cascading Style Sheets): mecanismo para adicionar estilo (fonte. XML. entre outros. 2004). linguagem de programação ou dispositivo cliente (Laudon.

• Wikis. veja uma lista de características.0: • Blogs: sites para postagens de ideias. pontos de vista.Para tornar ainda mais clara a compreensão. criando uma cultura/clube virtual em torno daquela marca. desconhecidos. • Enciclopédias interativas e dicionários: criação e compartilhamento de conhecimento/informação. os sites de fotografias aprendem sobre os hábitos. A diferença é que a hashtag é precedida do sinal “#”. ligando o post a um assunto sendo discutido no Twitter.U1 . como a Wikipedia: criação e compartilhamento de conhecimento/informação. São muitas possibilidades. apresentação ou funcionalidade de duas ou mais fontes para criar novos serviços. As [hashtags]. comentários. Uma loja de roupas pode. • Jogos avançados: possibilidade de jogar em rede. texto “#melissadodia”. Uma pessoa tira uma foto e na sua legenda escreve um comentário que contenha o Tag/Hashtag: são palavras-chave inseridas em uma postagem. compartilhar informações. visualização e agregação. solicitar a seus seguidores que postem fotos com essa hashtag e todas que o fizerem estarão concorrendo a uma roupa. etc. Todo dia. com oponentes O Instagram é um aplicativo que permite tirar fotos a partir dos celulares. • Tags/folksonomias: é um sistema de classificação na web que permite agrupar e localizar as informações mais facilmente. • Mash-ups: página ou aplicação web que combina dados. por exemplo. 49 GESTÃO DA TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO . que converte em um link a palavra-chave. por exemplo. #melissadodia (do Instagram das sandálias Melissa). A partir das [tags] que os usuários inserem em suas fotos. aplicações/tipos de aplicações possibilitadas pela Web 2. etc. ainda em fase beta. Nela são apresentadas em tempo quase real as atualizações feitas na Wikipedia no mapa do GoogleMaps. Twitter e Tumblr. tipos de imagens e outras informações das fotos. trabalhos. Um exemplo é a aplicação. imaginar uma hashtag #promo_lookdodia. são utilizadas para divulgações e promoções. uma foto de uma sandália da coleção ou de uma coleção passada é selecionada e indicada como a “Melissa do Dia”. • Redes sociais como o Facebook: conectar-se a amigos. da Wikipedia junto com o Google. Suas características são combinação. • Serviços baseados no Google e outros serviços gratuitos: modelos de negócios possibilitados pelas novas tecnologias (ver mais detalhado abaixo). Instagram. por exemplo. além de aplicar filtros e publicá-las diretamente no Facebook.

A filosofia da Web 2.youtube.com Passando a análise para o ponto de vista sociológico. Segundo o autor. sendo a comunicação a essência da atividade humana. E. todos estão de olho no que os demais estão fazendo. começou a se constituir em torno do planeta. Uma nova forma social. As barreiras geográficas foram derrubadas.0 está criando uma web social. muitos afirmam que “nós somos a web” e que a internet não é mais somente uma ferramenta.com/ watch?v=6gmP4nk0EOE>.0 enfatiza a importância da interação entre as pessoas. Todos podem contribuir. O site informa que quando o usuário não gostar de alguma coisa que ele tenha recomendado.0 é uma mudança na sociedade como um todo. A Web 2. embora sob uma diversidade de formas e com consideráveis diferenças em 50 Curso de Habilitação ao Quadro Auxiliar de Oficiais . colaborativo e interativo.0: The Machine is Us/ing us. porém reunido em uma única interface. Figura 8 . disponível em <https://www. de modo que o site estará aprendendo a partir do que o usuário informar para eles. outra sugestão será dada. trata-se de um novo ambiente de comunicação.com. todos os domínios da vida social estão sendo modificados pelos usos disseminados da internet. Funciona como a opção “Favoritos” da barra do Internet Explorer.0 na questão do XML. Esse novo ambiente é chamado por Castells (2001) de “galáxia da internet”. • Social bookmarking: websites que permitem ao usuário colecionar o que ele acha de melhor na internet e compartilhar com outros usuários suas opiniões e preferências. apesar de focar a mudança para a Web 2. o conhecimento é criado e compartilhado por todos. passa por vários pontos apresentados até o momento. a sociedade de rede. com possibilidade de compartilhamento e colaboração.Vale a pena assistir ao vídeo Web 2.Primeiro acesso ao site Stumbleupon. A Web 2. mas um local mais social. A Figura a seguir apresenta um primeiro acesso ao site Stumbleupon.

nada seria possível sem que houvesse lucros provenientes da web. Após o entusiasmo inicial com 51 GESTÃO DA TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO . o inventor da web. ou mesmo rumores. Há vários críticos da Web 2. não concorda com a visão de que a Web 2. Segundo ele.U1 . Como falado anteriormente. mas não menos importantes. Ele chamou a Web 2. Ainda segundo ele. cultura e instituições. Nossa música virá de bandas de garagem. Embora essa visão possa ser bastante pessimista ou mesmo discriminatória para alguns. segundo o autor. os filmes. segundo ele.0. Keen chama de narcisismo digital o fenômeno de autopublicações e blogging. estaríamos expostos ao conhecimento da massa. Assim como na vida real. sendo que nesta última as fontes de informação não são confiáveis.suas consequências para a vida das pessoas. as oportunidades dessa transformação são tão numerosas quanto os desafios que emergem. serão analisadas as oportunidades de negócio na Web 2. Por fim. A popularidade é mais importante do que a experiência.0. O site da enciclopédia britânica recebe menos visitas do que a Wikipedia. de “YouTubes” glorificados. que encontra a regra do popular. Tim Berners-Lee. de fofocas. Isso acontece. as pessoas começam a selecionar aquilo que desejam consumir de informação. Critica também o tipo de informação que está sendo criada. mas também pode libertar os poderosos para oprimir os desinformados. entre eles. Assim. Até agora foram abordadas as questões tecnológicas e sociais da Web 2. Informações distorcidas ou erradas. Nesse sentido geral.0 é revolucionária. a web sempre foi um meio para as pessoas se conectarem e também não haveria nada de novo ou revolucionário em sua filosofia. Se você não curte as postagens de um amigo virtual. levar à exclusão dos desvalorizados pelos conquistadores do valor. quando a ignorância encontra o egoísmo. que encontra o mau gosto. nossas notícias. autor do livro O Culto do Amador. é comum ocultá-las ou excluí-lo de suas amizades.0. dependendo de história. a sociedade não teria mudado muito. Muitos estão começando a limitar a quantidade de amigos em redes sociais ou a incluir somente aquelas pessoas que são realmente seus amigos.0 de um “pedaço de jargão” e falou que ninguém sabe o que significa. apresenta questões que realmente devem ser pensadas. Atualmente já é possível ver uma saturação de informações na web. A internet é uma tecnologia da liberdade. Andrew Keen. podem se proliferar como verdade. à cultura de massa que. já provou em vários momentos da história não ser o melhor para que decisões sejam tomadas.

por page views. Sites de informações como o site da revista Harvard Business Review e sites de armazenamento de arquivos como o Dropbox. sites de pagamentos de transações como o Paypal. Americanas. os efeitos de rede aumentam o valor de um produto ou serviço quanto mais pessoas o utilizarem ou o adotarem. Rendimento com patrocínio/ comercialização conjunta ou participação nos lucros Valores de patrocínios Sites patrocinados no Google. entre outros formatos. Modelos Fonte de renda Exemplos Rendimento por assinatura/sócio Valores das mensalidades (ou outro tipo de período de pagamento). sites de imagens em que os usuários pagam por download de imagem. puramente on-line e vende somente produtos virtuais. não sustentáveis – surgiram [modelos de negócio] mais sólidos e que trazem retorno para os investidores. Rendimento baseado na propaganda (merchandising on-line) Anunciantes. Na web. opera com lojas físicas e vendas on-line e Apple iTunes.0. 52 Curso de Habilitação ao Quadro Auxiliar de Oficiais . Rendimento com taxa de transação Taxa fixa ou percentual da transação que foi facilitada pelo site. Quadro 3 : Modelos de sucesso na Web 2. puramente on-line. segundo Shuen (2009).com (rendimento misto. Sites de classificados como o eBay e OLX. que podem pagar por clique.0.as possibilidades que a internet traria – entusiasmo esse baseado em pilares Modelo de negócios: a definição de como uma empresa irá gerar receitas e lucrar através de suas operações. O Facebook é tão mais valioso quanto maior a quantidade de pessoas o utilizarem.com.com. Rendimento baseado em comércio eletrônico Vendas on-line. O Netflix é tão mais rentável quanto maior o seu número de assinantes e todos os exemplos que podem ser citados se tornam mais valiosos e rentáveis através dos efeitos de rede. Amazon. Site do Google. Rendimento licenciado e de sindicância Pagamento por licença Licenças de utilização de software. depende da quantidade de assinantes.com. site Globo. O quadro a seguir apresenta alguns modelos de sucesso da Web 2. por tamanho e/ou tipo da propaganda. de assinantes e anunciantes).

Finalmente.0 é uma evolução dos websites estáticos para os dinâmicos. os usuários devem contribuir para a criação do valor. resultando em um valor adicional para o produto ou serviço original. a Web 2. aqueles a quem ele está conectado através da rede social ou da rede de negócios. do ponto de vista tecnológico. é a forma como as tecnologias e as mudanças sociais estão sendo estruturadas em modelos de negócios que de fato trazem lucro para os acionistas. Para isso. Assim. Do ponto de vista social. Em resumo. 53 GESTÃO DA TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO . por exemplo.Existem diferentes tipos de efeitos de rede: Efeitos diretos Cada novo cliente aumenta o valor da rede e a disposição de todos os participantes pagarem pelos serviços da rede.U1 . possibilidade pelo desenvolvimento das novas tecnologias. com o surgimento de comunidades virtuais criadoras de conhecimento. é uma mudança na forma de comunicação. Quadro 4 – Tipos de efeitos de rede (Shuen. como era na comunicação de massa. do ponto de vista econômico-financeiro. Efeitos indiretos A maior utilização do produto gera a produção de produtos complementares incrivelmente valiosos. é necessário que o modelo de negócios esteja solidamente definido e que os efeitos de rede sejam adquiridos. Efeitos sociais de rede Um usuário é influenciado diretamente pelas decisões de um subgrupo normalmente pequeno de outros clientes. Efeitos de rede cruzada ou efeitos de rede de dois lados Um aumento no uso por um grupo de usuários pode aumentar o valor de um produto ou serviço complementar em outro grupo distinto de usuários. porque algumas coisas nunca irão ser diferentes. Algumas questões precisam ser avaliadas para cada tipo de negócio: quais facilidades para o usuário o site pode incorporar? Como novos clientes podem ser atraídos? Como criar uma comunidade virtual em torno de sua marca? Como explorar as mídias sociais? Cada empresa e cada projeto trará seus próprios questionamentos. a empresa deve entender como fazer para que eles tenham disposição de colaborar e compartilhar informações. em uma postura mais ativa do que passiva. Tentar diferentes estratégias virtuais pode ser um passo para o sucesso. 2009) Para que um negócio seja bem sucedido na web.

de comunicação. Basta observar a nossa volta como mudou o padrão de comportamento. a TI tem um papel primordial. Os CIOs serão peças chave no sucesso das empresas. possibilitada e impulsionada pelos avanços tecnológicos. Todas as empresas sabem da importância de ter seus processos coesos. mas aquelas empresas que investirem e entenderem como as novas tecnologias podem trazer vantagens competitivas para elas. integrados. mas ainda há muito a ser explorado. é necessário estar sempre atualizado. Apesar de toda a novidade. A economia. Há muito estudo e trabalho pela frente. Dentro desse contexto. A cadeia de valores ainda continua mapeando as atividades da empresa e auxiliando na análise de como elas se relacionam e de como os processos da empresa se interligam. as empresas e as pessoas não são mais as mesmas. os modelos clássicos de estratégia não podem e não devem ser desconsiderados nos anos que virão. As forças competitivas continuam estabelecendo a lucratividade da indústria.Este é um momento de grandes transformações. A aventura está só começando. já é uma realidade. Muitas tecnologias ainda aparecerão. Os profissionais de TI precisam estar preparados para todos os projetos que virão pela frente. A empresa digital é a meta de toda grande empresa. Conhecer as tendências tecnológicas e entender onde e como podem ser aplicadas será fundamental. de consumo. A economia digital. ainda podem e devem ser usados para análise empresarial. entre tantas outras mudanças. Se ainda é vista como área meio desconectada da estratégia empresarial. 54 Curso de Habilitação ao Quadro Auxiliar de Oficiais . As tendências aqui apresentadas não são exaustivas. as que já existem sofrerão atualizações. Ainda há um longo caminho a ser percorrido. estarão à frente da concorrência. com muitos desafios e oportunidades. o mundo tecnológico não para nunca. mais a frente isso dificilmente se sustentará como verdade. Como visto.

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CCEAD – Coordenação Central de Educação a Distância Coordenação Geral Gilda Helena Bernardino de Campos Coordenação de Avaliação e Acompanhamento Gianna Oliveira Bogossian Roque Coordenação de Criação e Desenvolvimento Claudio Perpetuo Coordenação de Design Didático Sergio Botelho do Amaral Coordenação de Material Didático Stella Maria Peixoto de Azevedo Pedrosa Coordenação de Tecnologia da Informação Renato Araujo Gerente de Projetos José Ricardo Basílio Equipe CCEAD Alessandra Muylaert Archer Alexander Arturo Mera Ana Luiza Portes Angela de Araújo Souza Camila Welikson Ciléia Fiorotti Clara Ishikawa Eduardo Felipe dos Santos Pereira Eduardo Quental Frieda Marti Gabriel Bezerra Neves Gleilcelene Neri de Brito Igor de Oliveira Martins Joel dos Santos Furtado Lucas Feliciano Luiza Serpa Luiz Claudio Galvão de Andrade Luiz Guilherme Roland Maria Letícia Correia Meliga Neide Gutman Romulo Freitas Ronnald Machado Simone Bernardo de Castro Tito Ricardo de Almeida Tortori Vivianne Elguezabal .

EXÉRCITO BRASILEIRO .