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Formação de Técnicos Superiores de Segurança e Higiene no Trabalho

Módulo 12 - Avaliação de Riscos Profissionais – Parte I 1







Formação de Técnicos Superiores de
Segurança e Higiene no Trabalho




MÓDULO 12


AVALIAÇÃO DE
RISCOS
PROFISSIONAIS

PARTE I









Rui José

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Módulo 12 - Avaliação de Riscos Profissionais – Parte I 2
ÍNDICE

1.CONCEITOS E TERMINOLOGIAS RELATIVOS AO PROCESSO DE AVALIAÇÃO DE
RISCOS ..............................................................................................................................3

2. METODOLOGIAS DE AVALIAÇÃO DE RISCOS (POR SECTOR DE ACTIVIDADE) ......8
2.1. Métodos Estatísticos .......................................................................................................... 8
2.2. Métodos Descritivos ........................................................................................................... 8
2.3. Métodos Matemáticos ........................................................................................................ 8
2.4. Métodos Pontuais .............................................................................................................. 9
2.5. Árvores Lógicas ................................................................................................................. 9

3. METODOLOGIAS E TÉCNICAS DE AVALIAÇÃO DE RISCOS POTENCIAIS NA FASE
DE CONCEPÇÃO ............................................................................................................. 10
3.1. Instalações e Locais de Trabalho .................................................................................... 11
3.2. Equipamentos, Máquinas e Processos de Trabalho ....................................................... 12
3.3. Ergonomia ........................................................................................................................ 14

4. METODOLOGIAS E TÉCNICAS DE IDENTIFICAÇÃO DE PERIGOS ............................ 22
4.1 Análise probabilística da Segurança ................................................................................ 22
Identificação dos Riscos ..................................................................................................... 22
Quantificação dos Riscos ................................................................................................... 23
4.2. Métodos comparativos ou métodos fundamentais .......................................................... 23
Análise de Riscos Industriais .............................................................................................. 25

5. AVALIAÇÃO E CONTROLO DE RISCOS ...................................................................... 26



























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1.CONCEITOS E TERMINOLOGIAS RELATIVOS AO
PROCESSO DE AVALIAÇÃO DE RISCOS

INTRODUÇÂO


Segundo os dicionários, risco é:" "fatalidade muito possível de efectivar-se".
Já os antigos diziam que "onde está o Homem está o perigo" . Logo, Homem, por si só,
é já um factor de risco.

Este fenómeno acompanhou sempre os mortais através dos tempos. Hoje, é ponto
assente que o risco, nas suas mais variadas formas, está sempre presente onde quer que
haja actividade humana, bem como em situações que, muito embora não exijam a sua
presença em permanência, utilizam meios que funcionam como seus alongamentos.

A análise do perigo e suas causas não é nova. Sem remontar ás escolas pitagóricas,
temos presente a célebre polémica entre J.J. Rousseau e Voltaire sobre as causas do
terramoto de 1755, em Lisboa. Como se sabe Voltaire, compadecido, acusava a Natureza,
talvez os Deuses, pelo sismo enquanto que Rousseau, prefigurando a teoria dos riscos
controláveis, fazia notar que a decisão de edificar uma grande cidade numa zona sísmica
era resultante da falta de inteligência e sentido de responsabilidade dos homens. Não é à
Natureza, dizia, que cabe modificar as Leis que a regem, mas ao Homem ser cuidadoso e
prudente na localização das urbes onde escolheu viver.

E certo que existem casos em que o risco tem maior probabilidade de acontecer. Manda a
elementar prudência, a fim de se evitarem situações lamentáveis, que se efectuem a seu
tempo, as necessárias correcções

O avanço tecnológico, assim como as medidas regulamentares melhoraram o potencial
risco das instalações industriais, tornando-as significativamente mais seguras assim como
os produtos nelas fabricados.

No entanto esse mesmo avanço tecnológico criou novos componentes e substâncias que
aumentam a complexidade dos processos, implicando novos riscos e influenciando a
fiabilidade global da instalação e também para o exterior da mesma.

No vastíssimo âmbito em que cabe o risco, há actividades de natureza pr ofissional que
dada a sua particularidade, lidam frequentemente com situações consideradas de grande
vulnerabilidade. Dentre elas e por nosso particular interesse, convêm que destaquemos
aquela que mais directamente se prende ao nosso caso. Refiro-me á auditoria e análise
de risco.

Uma vez aqui chegados, apraz-me dizer que os auditores lidam com dois tipos de risco.
Um deles é inerente à própria actividade da auditoria enquanto tal.

O outro decorre do programa de trabalhos elaborado pelo auditor, o que fi caria incompleto
se por acaso não incorporasse sempre o factor risco.

E pois um dado adquirido que este factor deve estar incito em todos os projectos de
auditoria, variando a sua graduação de acordo com as características da actividade a
auditar.

O conceito de Risk Management ou Gestão do Risco, vem sendo reconhecido, de forma
crescente, como uma necessidade pelas empresas.

Define-se Risk Management como um conjunto de princípios e técnicas, métodos e
procedimentos que habilitam as empresas a identificar os riscos a que a sua actividade
está exposta e, ao mesmo tempo, sugerir uma maneira mais correcta de os assumir e
minimizar. Este conjunto de métodos e técnicas vai da identificação e avaliação, à
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prevenção e à gestão do seu financiamento.
Avaliação de riscos pelas empresas
Fundamentalmente consiste em duas fases e um complemento:
1
ª
- Fase: Identificação dos riscos
2ª Fase: Quantificação dos riscos
Complemento: Propostas de correcção (controle)
A gestão de riscos é o processo global de identificação, medição e minimização de
acontecimentos incertos que afectam os recursos.
Um aspecto fundamental da gestão de riscos é a identificação de áreas específicas onde as
salvaguardas são necessárias contra acessos não autorizados, deliberados ou inadvertidos,
modificação de informação, recusa de serviço ou uso não autorizado.

A gestão de riscos pode ser vista conforme o esquema seguinte:



Podem ser aplicadas contramedidas nestas áreas para eliminar ou adequadamente
reduzir o risco identificado. Os resultados desta actividade providenciam informação
fundamental para a decisão de credenciação.





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A gestão de riscos pode incluir:

(1) análises de risco
(2) análises custo-benefício
(3) selecção de contramedidas
(4) testes e avaliação de segurança
(5) implementação de contramedidas
(6) testes de penetração
(7) revisões do sistema

A análise de risco minimiza o risco especificando as medidas de segurança
Compatíveis com os valores relativos dos recursos a serem protegidos, as
vulnerabilidades destes recursos e as ameaças identificadas contra eles.

Como exemplo, referir-se-á a Rosácea da Vulnerabilidade que identifica tipos de riscos.
O significado dos riscos na vida quotidiana na empresa analisa-se pelo :

O significado dos riscos na vida quotidiana na empresa analisa-se pelo


―Circulo de Riscos‖








O sistema do circulo de riscos pode ser um bom ponto de partida se for tomado como um
"check list", será fácil ir verificando quais os riscos que no caso concreto se manifestam, e
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por exclusão de partes se reunirá uma súmula de problemas (riscos) sobre os quais irão
incidir os estudos seguintes

Aqui se levanta uma questão que estará subjacente a todos os trabalhos a desenvolver no
âmbito do "risk management": quem deles se ocupar terá de ser um profundo conhecedor
da empresa (da sua situação económica, da sua tecnologia, do seu «know-how», de todos
os seus problemas específicos.

A quantificação dos riscos ao nível da empresa pode fazer -se por métodos bastante
diversificados, de acordo com as características específicas das empresas.
Entenda-se que a perspectiva das empresas é frequentemente bem diferente da técnica de
análise de riscos usada pelos auditores de risco.

Se os métodos utilizáveis pelas empresas podem ser bem diversificados, também será
claro que todos eles se norteiam por critéri os básicos bastante semelhantes, para não dizer
comuns. Nomeadamente:

 Escalonamento dos riscos na razão directa do transtorno que a sua verificação
(ocorrência do acidente) pode causar à empresa;
 Expressão económica que visa estimar o custo das perdas possíveis (ou
eventualmente já verificadas);

 Balanço das opcções alternativas também calculdado em termos económicos para
possibilitar as decisões de gestão
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As propostas de correcção são, no fim de contas, o corolário lógico da quantificação; qualquer
estudo dos riscos orientado desta forma suscitará implicitamente.

O Risk Management deve ser assumido como função chave nas empresas, com impacto
económico, social, ambiental e institucional.

E necessário encarar esta questão "não como um custo, mas antes como um investimento. É
preferível adoptar uma política e uma cultura de Gestão do Risco, do que ser-se obrigado a
fazer uma gestão do sinistro".

Princípios Orientadores da Gestão de Risco

Determinação do Risco
1. Identificar e avaliar o total de activos e recursos da organização
2. Identificar situações de maior exposição ao risco
3. Avaliar e comunicar os riscos correntes e potenciais

Controle de Risco
4.Manter um programa pró-activo de controle de Riscos
5.Conseguir o máximo de incentivo à participação no programa de gestão de risco
6. Controlar a eficácia das actividades de controle de risco

Financiamento do Risco
7. Financiar o risco, tendo em consideração todos os recursos financeiros disponíveis.
8. Manter uma protecção apropriada para a eventualidade de catástrofe
9. Distribuir os custos de financiamento do risco, entre as unidades operacionais, numa
base equitativa, acordada e aceitável.

Administração
10. Criar e defender o empenhamento da Direcção na gestão de risco.
11. Adoptar uma estrutura de gestão de risco claramente definida.
12. Desenvolver objectivos anuais claramente definidos
13. Manter um diálogo permanente com todos os níveis de gestão envolvidos



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2. METODOLOGIAS DE AVALIAÇÃO DE RISCOS (POR
SECTOR DE ACTIVIDADE)

Principais metodologias de análise de risco:

Os diversos métodos utilizados para identificar e quantificar riscos podem dividir -se em
dois grandes grupos, consoante o caminho utilizado no seu estudo.
 Quando partimos das causas prováveis de um acontecimento para chegar ao
conhecimento dos seus eventuais efeitos, utilizamos métodos indutivos.

 Se analisarmos um acidente, procurando as razões que lhe podem Ter dado origem,
isto é, se partimos dos efeitos para as causas, estaremos a usar métodos dedutivos.

Assim de uma forma muito sintética, indicamos alguns destes métodos — algumas das
técnicas mais usuais — tendo o cuidado de referir, sempre que possível, os seus campos
de aplicação e os critérios fundamentais em que se baseiam.

2.1. Métodos Estatísticos

 análise de acidentes — índices de frequência e de gravidade
 análise de incidentes — índices de ocorrências
 análise de avarias — índices de fiabilidade
 análise probabilística — taxas médias de falha

2.2. Métodos Descritivos

 mapas e tabelas de reacções químicas perigosas
 normas de segurança
 genéricas
 específicas
 códigos de execução
 estudos de implantação
 estudos de movimentação
 fluxogramas
 planos de sinalização
 listas de verificação ("check lists")
 etc

2.3. Métodos Matemáticos
 modelos de falhas
 modelos de difusão de nuvens de gás
 cálculo da fiabilidade de sistemas complexos
 análise estatística; correlação causa/efeito
 etc


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2.4. Métodos Pontuais

 GRETENER .............................. risco de incêndio
 ERIC (Cluzel & Serrat) ............. risco de incêndio
 PURT ......................................... risco de incêndio
 CEA ............................................ risco industrial e comercial
 DOW .......................................... risco industrial e comercial
 IFAL ........................................... risco industrial e comercial
 FMEA ......................................... risco industrial e comercial
 HAZOP ...................................... risco industrial e comercial
 ORZOP ...................................... risco das organizações
 NELSON & SHIBE .................... risco hospitalar
 SAFEM ...................................... risco em edifícios
 TRABAUD ................................. risco florestal
 AMD ........................................... risco geral
 métodos "what-if" ...................... risco geral
 gráficos de estado .................... risco geral
 estabelecimentos de cenários
 etc

2.5. Árvores Lógicas

 de acontecimentos
 de falhas
 de causas
 de decisões (causa efeito)
 de decisões (efeito causa)
 etc

Os Métodos Estatísticos implicam o conhecimento de dados correspondentes a um número
suficientemente elevado de casos, de modo a que sejam aplicáveis as noções estatísticas
de índice, média, mediana .desvio, variância, tendência, limite, etc.

A probabilidade de um determinado acontecimento se dar, de uma certa falha se verificar,
de uma decisão conduzir a um resultado esperado, pode deduzir -se a partir de
observações feitas num número suficientemente grande de casos de tal modo que se
possa considerar que constituem um universo estatístico aceitável.

1°) Listas de verificação (checklists)
2°) Análise Preliminar( PHA — Preliminary Hazard Analysis)
3
º
) HAZOP (Hazard Operability Studies)
4°) FMEA (Failure Modes and Effects Analysis)
5
º
) Árvores de Falhas (PTA — Fault Tree Analysis)
6
º
) Árvores de Acontecimentos (ETA — Event Tree Analysis)
7°) MCA (Maximum Credible Accident Analysis)




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3. METODOLOGIAS E TÉCNICAS DE AVALIAÇÃO DE
RISCOS POTENCIAIS NA FASE DE CONCEPÇÃO
Princípios Gerais de Prevenção

Toda a problemática inerente às condições de trabalho encontra grande parte da sua solução
na implementação de um adequado "Programa de Prevenção".

Para isso, torna-se imprescindível pensar na S.H.S.T. desde a fase de Projecto do
Estabelecimento, Instalação ou Serviço, onde se irá desenvolver a actividade de trabalho.

A "Prevenção Integrada de Riscos Profissionais" deverá incluir a simulação e optimização dos
comportamentos do sistema produtivo de acordo com os constrangimentos existentes de forma a
minimizar a ocorrência de acidentes, para o trabalhador e para o sistema, com o objectivo de
maximizar a produtividade.

A integração na fase de projecto das medidas de Prevenção de Riscos Profissionais e de
Melhoria das Condições de Trabalho, permite a sua optimização, quer através da redução de
custos (muitas vezes causados pela necessidade de intervenções correctivas à posteriori, trabalhos
de manutenção e acidentes de trabalho), quer em função do aumento da produtividade e da
qualidade, geradoras, sem dúvida, da melhoria da competitividade das empresas.

E pois importante, que quem elabora, dirige e coordena um Projecto esteja particularmente
sensibilizado para os aspectos relacionados com SHST, dado o seu papel privilegiado na
concepção dos futuros locais de trabalho.
Um projecto deve atender à organização de um conjunto de meios necessários ao ramo de
actividade em causa, nomeadamente:
 escolha dos equipamentos e ferramentas;
 definição dos "lay-out's";
 manutenção de máquinas, ferramentas, instalações, entre outros;
 armazenamento de materiais, matérias primas e produtos acabados;
 recursos humanos envolvidos;

A prevenção na fase de projecto e execução visa não só proteger os trabalhadores da empresa,
mas também, eventuais trabalhadores externos, tais como fornecedores, clientes, utilizadores e
vizinhos das instalações.

Para se atingirem elevados níveis nos padrões de segurança, higiene, saúde e bem - estar,
existem uma diversidade de regras e normas técnicas (de acordo com o produto, máquina e
instrumentos a que se referem) às quais se deve obedecer.

Para além destas, os códigos de boa prática, valores limites de exposição e guias dos
fabricantes de equipamentos e produtos aos quais devemos estar particularmente atentos, não
esquecendo, obviamente, o que está previsto na Lei.

Na fase de concepção têm que ser tomadas medidas no sentido de conceber locais e postos de
trabalho devidamente adaptados ao trabalhador, bem como, uma criteriosa escolha dos
equipamentos, produtos e métodos de trabalho e de produção.

Se tais aspectos forem tidos em consideração estamos a minimizar os riscos, no entanto, dever-se-
à ainda ter em conta na fase de concepção, o que normalmente se designa por Princípios Gerais
de Prevenção:









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 Evitar os riscos;
 Avaliar os riscos que não podem ser evitados;
 Substituir elementos perigosos por outros não perigosos ou menos perigosos;
 Combater os riscos na origem;
 Aplicar medidas de protecção colectiva preferencialmente às medidas de
protecção individual;
 Atender ao estado de evolução da tecnologia.

A importância para a aplicação destes princípios reside da necessidade de, antes de
serem implementadas medidas organizacionais, se proceder a uma avaliação do seu
impacto ao nível das condições de Segurança e Saúde, tendo em conta o seguinte:
 Isolar/afastar a fonte do risco;
 Eliminar/reduzir o tempo de exposição ao risco;
 Reduzir o n
9
de trabalhadores expostos ao risco;
 Eliminar a sobreposição de tarefas incompatíveis (no tempo e espaço);
 Atenuar o trabalho monótono e cadenciado, reduzindo os seus efeitos sobre a
saúde.
3.1. Instalações e Locais de Trabalho

Por instalações entende-se qualquer edificação ou área onde sejam efectuados
todos os procedimentos normais de um sistema produtivo, incluindo todas as
operações desde a recepção, preparação, transformação até à expedição.


Localização e Implantação de Edifícios
As instalações devem ser concebidas de acordo com a actividade produtiva a
desenvolver.
Neste ponto, devem-se tomar em consideração os seguintes factores:
Ambiente/Relevo/Hidrografia, por forma a evitar os problemas ambientais
(efluentes, ruído, etc.) e oferecer condições de salubridade e segurança;
Acessibilidade não só dos trabalhadores, mas também, de clientes e de meios de
socorro em caso de emergência;

Disposição e Orientação dos Edifícios, em relação à exposição solar e aos ventos
dominantes. A disposição dos edifícios é obviamente, condicionada pelo diagrama de
fabrico e pela economia de circulação de pessoas e de materiais.

E ainda importante reservar espaços livres para parqueamento de viaturas, de materiais, e
para operações de carga e descarga, entre outros.

Localização e Implantação das Diversas Áreas

Antes de se proceder ao planeamento das instalações, têm de se definir as áreas e os fins
diversos para que se destinam:
 Instalações para a produção;
 Instalações sociais - refeitório, vestiário/balneário, zonas de lazer;
 Areas de armazenagem - explosivos, produtos inflamáveis, produtos químicos;
 Parqueamento de viaturas de trabalhadores e visitantes;
 Vias de circulação, de acesso, e de entradas e saídas



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Devem-se respeitar as distâncias entre edifícios de modo a proporcionar uma boa
insolação, iluminação e visibilidade para o exterior. Igualmente devem ser respeitadas
as distâncias de segurança relativas às linhas de alta tensão caso existam.

Devem ser estudadas as vias de circulação exterior atendendo:
 As viaturas de acesso;
 As entradas e saídas;
 Aos fluxos das viaturas de acesso;
 A sinalização.

Deve ser considerado de forma exaustiva todo o fluxo de produção, desde a chegada da
matéria prima, armazenamento, transformação e expedição do produto final. O
mesmo se aplica a situações de atendimento ao público ou de circulação de pessoas.
Concepção do Edifício


A estrutura do edifício, o dimensionamento e as características do espaço de trabalho,
devem obedecer a normas técnicas e garantir condições de higiene e segurança
compatíveis com as características e os riscos das actividades que nele sejam exercidas.

Embora estes aspectos não se encontrem no âmbito desta formação, gostaríamos de
deixar alguns exemplos.

 Pé direito deverá ter no mínimo 3,0 m de altura
 Área por cada trabalhador deverá ser, no mínimo de 2 m
2

 Cubagem por trabalhador deverá ser, no mínimo de 11.50 m
3


3.2. Equipamentos, Máquinas e Processos de Trabalho
Equipamentos e Máquinas

Podemos dizer que existem 6 Princípios de Integração de Segurança no que se refere às
máquinas e equipamentos de trabalho:

1. As máquinas devem, de origem, estar aptas a cumprir a função a que se destinam e
ser objecto de regulação e manutenção sem expor a riscos as pessoas que com el as
trabalham quando tais operações sejam efectuadas de acordo com as condições
previstas pelo fabricante. As medidas tomadas devem ter por objectivo eliminar os
riscos de acidente durante o tempo previsível de vida da máquina, incluindo as fases
de montagem e desmontagem, inclusivamente nos casos em que tais riscos resultem
de situações anómalas previsíveis.

2. Ao escolher as soluções mais adequadas, o fabricante deve aplicar as seguintes
características, pela ordem indicada:


 Eliminar ou reduzir os riscos, na medida do possível.

 Tomar as medidas de protecção necessárias em relação aos riscos que não
possam ser eliminados.

 Informar os utilizadores dos riscos residuais devidos à eficácia não completa das
medidas de protecção adoptadas, indicar se é exigida uma formação específica e
assinalar se é possível prever um equipamento de protecção individual.
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3. Aquando da concepção e do fabrico da máquina e por ocasião da redacção do manual
de instruções, o fabricante deve considerar não só a utilização normal da máqui na mas
também a utilização que pode ser razoavelmente esperada,

4. Nas condições de utilização previstas, o incómodo, a fadiga e os constrangimentos
psíquicos do operador, devem ser reduzidos ao mínimo possível, tendo em conta os
princípios de ergonomia.

5. O fabricante deve ter em conta, na elaboração do projecto de concepção e fabrico, as
limitações impostas ao operador pela utilização necessária ou previsível de
equipamentos de protecção individual (por exemplo, sapatos, luvas, etc.)

6. A máquina deve ser fornecida com todos os equipamentos e acessórios especiais e
essenciais para poder ser regulada, cuidada e utilizada sem risco.

Sobre os equipamentos e máquinas de trabalho, a ideia que deverá ficar retida é que os
mesmo deverão ser fabricados com materiais adequados e, para garantir a SHST,
devem ser mantidos em boas condições de conservação de modo a reduzir ao mínimo
os risco de utilização.
Processos de Trabalho

Os processos de trabalho podem ser:
Inerentes ao trabalhador: modo como o Homem executa as tarefas, as estratégias
utilizadas ou modos operatórios, os gestos ou movimentos realizados.
 Inerentes à organização: prescrições e metodologias de produção impostas pela
empresa.
 Inerentes aos instrumentos de trabalho: precauções, limitações e facilitações,
exigências de aprendizagem, entre outros, relacionadas com máquinas, equipamentos
ou outros instrumentos de trabalho.
Uma empresa, independentemente da sua actividade económica, orienta a sua actuação
em função dos objectivos a atingir, definindo estratégias de actuação e desenvolvendo
metodologias próprias.

Todos os trabalhadores têm, por imposição da política empresarial, que actuar de acordo
com esses processos de trabalho definidos.
No entanto, na realização das suas tarefas, adoptam estratégias de actuação, que não
pondo em causa os processos de trabalho definidos pela empresa, lhes facilita a execução
das funções. Podemos dizer, que cada trabalhador tem modos operatórios diferentes
mesmo quando executam as mesmas tarefas.

Dizemos que cada trabalhador tem uma actividade de trabalho própria.

No entanto, é de salientar que o trabalhador se encontra em interacção com todo o meio
envolvente e que as suas formas de resposta a esse mesmo meio difere de uns para
outros.
Desse meio envolvente fazem parte as máquinas e instrumentos de trabalho sobre os
quais o trabalhador actua. Sendo assim, os processos de trabalho também são
condicionados eles, de acordo com as suas características técnicas e com a formação que
o trabalhador tem para laborar sobre eles.








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3.3. Ergonomia
Não será de mais salientar, como podemos comprovar a quando da abordagem das
sinergias, a importância da Ergonomia em todas as fases de um projecto de
construção de um edifício, de concepção de um sistema de produção, máquina ou
posto de trabalho, com o objectivo da sua máxima optimização em termos de
segurança, eficácia e adaptabilidade ao homem.

Os locais e postos de trabalho, bem como os equipamentos e as máquinas, devem ser
concebidos segundo Princípios Ergonómicos. Devendo para tal ter em consideração
alguns aspectos:
 Tarefas a realizar;
 Posturas de trabalho adoptadas decorrentes da própria actividade de trabalho
e das condições em que esta se realiza;
 Disposição e dimensionamento dos postos de trabalho decorrentes da
organização dos elementos necessários à actividade laborai, tais como
equipamentos, máquinas e produtos;
 Meios de sinalização e sua localização (visual, auditiva, táctil);
 Alcances e acessibilidade aos comandos a utilizar;
 Aspectos cognitivos decorrentes das tarefas.

Tais princípios deverão ter por base critérios de conforto, segurança e eficácia.

Identificação e Avaliação de Risco
A identificação de riscos constitui a primeira abordagem que deverá pautar um Programa
de Prevenção de Riscos Profissionais.
Esta fase tem como principal objectivo o levantamento de todos os factores que constituem
o sistema de trabalho Homem/Máquina/Ambiente e que poderão ocasionar acidentes de
trabalho, doenças profissionais e baixa de produtividade.

Uma correcta identificação de riscos, bem como um diagnóstico e avaliação de toda uma
situação (potencialmente) perigosa permite, posteriormente, agir de um modo preventivo
mais eficaz e eficiente.
Dai o slogan "Prever para prevenir!" - deve estar sempre presente na mente de todos os
intervenientes da empresa.
Por risco profissional entende-se toda e qualquer situação que represente perigo ou
condição insegura de trabalho, capaz de afectar a saúde e bem-estar dos trabalhadores,
tendo como consequências os acidentes de trabalho e/ou as doenças prof issionais.

Distingue-se o risco potencial do risco efectivo ou perigosidade, estando associado ao
primeiro um determinado conteúdo energético superior ao da resistência da zona do corpo
eventualmente atingida, e ao segundo associa-se o resultado da interacção homem/risco
potencial no tempo e espaço.

Para a identificação e avaliação de riscos são utilizados instrumentos de análise
específicos, que irão ser abordados neste módulo, de forma a garantir um diagnóstico
realista sobre os sistemas de segurança, processos, métodos ou condições perigosas em
geral.









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Sabe-se hoje, que condições de trabalho inadequadas estão na origem de acidentes de
trabalho, doenças profissionais e outras patologias, reflectindo-se consequentemente na
produtividade da empresa, retirando-lhes a sua competitividade.

E exactamente nesta óptica de aperfeiçoamento dos sistemas de trabalho e,
progressivamente, na adequação aos modelos da Qualidade Total, que a Higiene,
Segurança e Saúde no Trabalho, tem um sentido estratégico nas Organizações.

Métodos e Meios de Intervenção

Tendo por base a perspectiva que acabamos de referir, a Segurança e Saúde no
Trabalho deve ser entendida como um Sistema Integrado.

Para o desenvolvimento desse Sistema, torna-se fundamental a constituição de uma
equipa multidisciplinar composta por: médico do trabalho, higienista ocupacional,
ergonomista, psicólogo do trabalho, técnicos de diagnóstico, entre outros.

Esse Sistema deve englobar um conjunto de acções que visam colocar à disposição dos
órgãos de gestão, informação precisa e operacional relativamente à realidade de trabalho,
de modo a que as decisões ao nível organizacional, humano, social e técnico, permitam
alcançar com eficácia e eficiência os objectivos definidos.

Estamos, pois, orientados no sentido da melhoria das condições de trabalho,
manifestando-se na optimização do sistema produtivo, reflectindo-se na melhoria da
produtividade e Qualidade Total, bem como, na eliminação/redução dos riscos para a
segurança e saúde dos trabalhadores.

Para que tal aconteça, é imperativo:
 Uma adaptação mutua entre a situação de trabalho e o Homem;
 A adequação das aptidões físicas, psíquicas e sensoriais dos trabalhadores, às
exigências do posto de trabalho;
 A redução dos erros humanos e a eliminação dos factores potenciadores de risco.

Assim, e de forma sistematizada, iremos descrever a metodologia que deverá ser
desenvolvida a quando da Identificação e Avaliação dos Riscos para a Segurança e
Saúde nos Locais de Trabalho a que os trabalhadores se encontram expostos.

Para uma primeira abordagem e conhecimento geral da empresa, impõem-se um
conhecimento das seguintes informações:
 Quadro de pessoal;
 Fichas de identificação individual;
 Designação do trabalhador para o acompanhamento dos serviços;
 Toda a documentação referente a acidentes de trabalho e incêndios;
 Participação de baixas por doença;
 Listagem de equipamentos fixos e portáteis;
 Produtos utilizados e transformados no estabelecimento;
 Planta das instalações com a implantação dos postos de trabalho.

Com base nestas informações, inicia-se o processamento dos indicadores, realizado
pelas diferentes áreas técnicas. Obtém-se, assim, resultados referentes às
características técnicas dos equipamentos, à toxicidade e perigosidade dos
produtos manipulados e à sinistralidade ocorrida.

Tendo por base estes resultados, inicia-se a fase de identificação de situações de risco para
a segurança e saúde.

A identificação dos riscos baseia-se na probabilidade de ocorrência de acidentes de
trabalho, doenças profissionais e outras patologias.


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Os resultados da análise dos indicadores anteriormente referidos, permitem identificar
com mais acuidade os locais de trabalho onde ocorrem acidentes e os que provocam
doenças.

Identificadas as situações de risco, procede-se à sua avaliação quantitativa e qualitativa,
resultando assim, um Quadro Diagnóstico das situações de risco para a segurança e
saúde, bem como dos disfuncionamentos do sistema produtivo.

Podemos exemplificar

1. Análise da Sinistralidade
A análise da sinistralidade engloba a análise dos últimos 5 anos. Sendo assim, podemos
traçar gráficos evolutivos relativamente às várias informações que apurámos:

 Indices de sinistralidade: frequência, gravidade, incidência e duração;

 Classificação do estabelecimento de acordo com a "Tabela da Organização
Mundial de Saúde";

 Classificação do acidente segundo a forma, o agente material, a natureza das
lesões, a localização das lesões, os grupos profissionais e os grupos etários;
Distribuição dos acidentes ao longo dos anos, meses, dias e horas de trabalho.

Embora bastante pormenorizada, esta análise pode ser complementada, de acordo com o
diagnóstico da situação e do grau de intervenção pretendido, pelas informações que se
obtêm através da observação da actividade de trabalho, da aplicação de
questionários, entrevistas e registo em vídeo da situação de trabalho, actividades
estas, desenvolvidas no terreno.

Sobre esta temática - análise da tarefa e da actividade de trabalho - falaremos mais
adiante.

2. Equipamentos, Máquinas e Produtos

Um outro aspecto de particular atenção relaciona-se com os equipamentos e máquinas
que existem na empresa, bem como os produtos utilizados e transformados no
estabelecimento.

Da análise destes parâmetros, retiramos a informação referente ao grau de risco que
determinado equipamento ou máquina representa para o ou os trabalhadores que laboram
nessa máquina ou nas suas proximidades, bem como para a própria empresa.

Numa análise mais exaustiva, e em parceria com a análise ergonómica, podemos
relacionar as variáveis identificadas com outras, como sejam:
 Dimensionamento dos posto de trabalho;
 Características do trabalhador que labora com esse equipamento ou máquina;
 Características das tarefas;
 Características da actividade de trabalho;
 Características do envolvimento ambiental, entre outros aspectos.

A semelhança do que foi dito para a análise da sinistralidade, estes aspectos são
registados através de outras actividades desenvolvidas no terreno: questionários,
observações livres, registos em vídeo da situação de trabalho, que iremos abordar
neste módulo.

Relativamente aos produtos, salientamos a importância da sua análise quer para a área
médica, quer para a segurança. Se não vejamos:
Um produto potencialmente perigoso para a segurança ou para a saúde, pode não
constituir um risco se for manipulado de forma correcta, no entanto, o inverso também se
pode verificar, ou seja, um produto potencialmente pouco perigoso pode constituir um risco
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Módulo 12 - Avaliação de Riscos Profissionais – Parte I 17
grave se não for manipulado em condições de segurança.

Outro factor importante a ter em conta é o período de exposição e o conhecimento do
Tempo Limite de Exposição (TLV) dos produtos. Os produtos, apenas são perigosos para
a saúde, quando os TLV's são atingidos e assim mesmo, há que ter um conta as
condições em que os mesmos são manipulados.

3. Avaliação do Ambiente Sonoro (ruído)

Seja uma actividade industrial ou uma actividade de escritório, os níveis de ruído
devem ser sempre avaliados.

Se por um lado, em situação industrial, a exposição ao ruído pode ser causa de doença
profissional e acidente de trabalho, num escritório pode ser um factor perturbador da
concentração e da comunicação que, de acordo com a maioria das tarefas
desenvolvidas neste tipo de actividade, podem levar à ocorrência de erros, omissões,
entre outros aspectos, como é do vosso conhecimento.

As medições do ruído efectuam-se no interior das instalações, nas secções do processo
produtivo que normalmente são ocupadas por trabalhadores, registando-se os níveis
sonoros contínuos equivalentes (LEP,d) e os picos de níveis de pressão sonora (Max L
Pico). Tais medições são realizadas segundo a Norma 1730 (1996). A quantificação dos
níveis de exposição sonora é efectuada para cada trabalhador exposto, em horário normal
de trabalho e nas diferentes máquinas utilizadas. A análise da frequência do ruído é feita
quando o nível de pressão sonora ultrapassa os 85 dB (A) – nível de acção estabelecido
por lei.

As medições são realizadas com o sonometro à altura dos ouvidos dos trabalhadores e na
vizinhança imediata destas máquinas, ocupando estes os seus postos de trabalho e
executando o seu trabalho habitual.

4. Estudo dos Níveis de Iluminação
No que concerne ao estudo da iluminação, este deve ser realizado com base na
Norma DIN 5032.

E de salientar as implicações de uma deficiente iluminação quer para a saúde dos
trabalhadores, quer para a quantidade e qualidade do trabalho realizado.

Os parâmetros analisados são:
 Iluminância ou Nível de Iluminação, que é a medida do fluxo luminoso incidente
por unidade de superfície, cuja unidade de medida é o lux;

 Reflectãncia ou Coeficiente de Reflexão, que é a razão entre o fluxo luminoso
reflectido por um material e o correspondente fluxo incidente.

O equipamento utilizado para a medição da iluminação dos locais de trabalho é um
luxímetro de precisão.

Como metodologia utilizamos a recolha de valores ao nível da superfície de trabalho, ao
nível do olhar, ao nível do posto de trabalho para valores de reflectância e em pontos
aleatórios do interior de todo o estabelecimento.

5. Temperatura e Humidade

As variáveis, temperatura e humidade, são importante factores de risco, sendo
realizada a sua avaliação quando a situação encontrada o justifique.




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Módulo 12 - Avaliação de Riscos Profissionais – Parte I 18
Estão intimamente ligadas ao aspecto da ventilação, como factor de contr olo e
ajustabilidade dos valores recomendados para os diferentes tipos de actividade
desenvolvida.


As correntes de ar, os riscos biológicos provocados por microorganismos que se
desenvolvem devido à falta de manutenção das condutas de ventilação, podem afectar a
saúde dos trabalhadores.

6. Vibrações

As vibrações emitidas por certas máquinas, são passíveis de provocar doença
profissional. Elas podem afectar o conforto, reduzir o rendimento do trabalho e causar
desordens das funções fisiológicas, dando lugar ao desenvolvimento de doenças quando a
exposição é intensa.

À semelhança dos estudos da temperatura e humidade, a avaliação das vibrações é
feita sempre que a situação de trabalho o justificar.

Análise da Tarefa e da Actividade de Trabalho
Para além das avaliações anteriores, deverá proceder-se a uma análise mais profunda dos
constrangimentos e disfuncionamentos do sistema de trabalho, onde a Ergonomia
tem um papel fundamental.
Para poder intervir no sistema produtivo de forma a melhorar as condições de trabalho e
consequentemente a diminuir os índices de sinistralidade e melhorar a produtividade, há
que ir ao terreno observar a actividade de trabalho, auscultando os trabalhadores,
sentindo as suas dificuldades.
Planeamento da Prevenção

As medidas de Prevenção não devem solucionar problemas de forma não sistemática, isto
é, à medida que vão surgindo os acidentes e incidentes.

Devem, pelo contrário, ser metodicamente programadas e integradas na gestão
estratégica da empresa. Esta integração exige um elevado grau de organização da
Segurança e Higiene da empresa com vista a uma metodologia de trabalho consequente,
fugindo de intervenções ou correcções isoladas no tempo e no espaço.

Assim, o objectivo da prevenção é detectar atempadamente as causas dos acidentes
de trabalho e das lesões profissionais, seleccionando os métodos para as eliminar
ou controlar.

Após a identificação e avaliação prévia dos riscos detectados, surge então esta etapa de
importância vital na eficácia de todo o processo de Prevenção Integrada de Riscos
Profissionais.

Podemos dividir um Planeamento desta natureza em 4 fases:
1) Como já tivemos oportunidade de ver, o ideal será sempre prever os riscos em fase de
concepção de um projecto, à qual damos o nome de prevenção no projecto e é a que
tem menos custos a curto e a longo prazo;

2) Mas sabemos igualmente que isto nem sempre é possível, em particular nas empresas
que já estão em plena laboração. Assim, a melhor solução neste caso é eliminar os
riscos na fonte.

3) As instalações e equipamentos já existentes podem sempre beneficiar de uma
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Módulo 12 - Avaliação de Riscos Profissionais – Parte I 19
melhoria contínua. Por exemplo, uma melhoria da instalação eléctrica, da protecção
das partes mecânicas móveis dos seus equipamentos ou da colocação de um auxílio
mecânico para absorção de poeiras, gases ou f umos tóxicos, que nem sempre têm
custo muito elevados. A esta estratégia chamamos prevenção colectiva.

4) Finalmente a quarta forma de proteger os trabalhadores num local de trabalho é a
protecção individual. Aparentemente tem menos custos, uma vez que se trata de
corrigir a perigosidade da situação disponibilizando equipamentos de segurança
individual adequados, mas, na realidade a médio prazo é a mais cara.

Para que um programa de prevenção na empresa seja orientado para uma permanente
melhoria dos níveis de segurança e protecção da saúde nos locais de trabalho, deverá
seguir-se as seguintes etapas:










Estas preocupações devem conduzir à adopção de um programa de prevenção de
riscos na empresa, no sentido da melhoria da segurança e saúde, que se traduz na
melhoria da qualidade dos serviços prestados e consequentemente na satisfação do
cliente.



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Módulo 12 - Avaliação de Riscos Profissionais – Parte I 20
Programa de Prevenção de Riscos Profissionais
Para se alcançarem as metas e objectivos estabelecidos no que se refere à melhoria das
condições de trabalho, há que organizar a prevenção. E como organizar a
prevenção?

Através de um Programa de Prevenção de Riscos Profissionais que responda sempre às
questões de como, quando, de que maneira (método), com quem, com que dados, com
quê e porquê que são colocada ao longo de todo este processo em permanente
evolução técnica, organizacional, ambiental e humana.

CONHECER OS PERIGOS PARA CONTROLAR OS RISCOS

Muitos seriam os exemplos que poderiam ilustrar a concepção e implementação de um
Programa de Prevenção de Riscos Profissionais.

Sitamos um exemplo através do qual, com a alteração do Layout de trabalho, eliminação
de riscos para a segurança e saúde e consequente aumento de produtividade se pode
comprovar a eficácia e eficiência de um Programa de Prevenção.

Numa empresa, a determinada altura verificou-se um aumento do número de queixas
por parte dos trabalhadores que habitualmente se encontravam na linha de produção.

As queixas mais frequentes residiam na postura de pé estática e durante longos
períodos de tempo, dores nos membros inferiores, dores na coluna lombar e cervical,
cansaço físico geral, desmotivação para o trabalho, fadiga visual, dores de cabeça e
em alguns postos de trabalho dores ao nível dos membros superiores.

Consequentemente, a empresa ressentiu-se com:
aumento do número de dias de baixa por doença
diminuição dos índices de produtividade
diminuição da qualidade dos produtos
aumento do número de peças rejeitadas injustificadamente
aumento dos custos de produção
aumento dos acidentes de trabalho

Partiu-se então para o terreno, onde se realizaram várias reuniões com diferentes
profissionais da Engenharia, da Qualidade, da Produção, de Ergonomia e da
Psicologia.

Efectuaram-se ainda entrevistas livres e questionários aos trabalhadores, bem como a
recolha de imagens vídeo. Desta forma podemos diagnosticar o problema.

Processada e analisada toda a informação, foram propostas alterações nos postos de
trabalho que apresentavam disfuncionamentos relativamente à actividade de trabalho e ao
trabalhador ou trabalhadores que neles laboravam.

Essas alterações passaram pela aquisição de cadeiras adaptadas aos trabalhadores,
reformulação dos lay-out's dos postos de trabalho, aproveitando o material existente,
introdução de novos instrumentos de trabalho e alteração dos modos operatórios.

Paralelamente, procedeu-se à análise do Perfil Psicomotor dos trabalhadores, no
sentido de seleccionar os que possuíam os perfis mais adequados às exigências visuais e
psicomotoras dos postos de trabalho, daquela linha de montagem e controlo de
qualidade.

Assim, realizaram-se avaliações sobre o estado visual (acuidade visual e teste de lshihara),
psicomotor (destreza manual) e cognitivo dos trabalhadores em causa (testes
psicotécnicos).

Para além destes testes, foi simulada a situação real de trabalho. Reconstruiu-se em
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gabinete o ambiente de trabalho, tendo sido identificadas previamente um conjunto de
peças, umas com defeito e outras não.

O que se pretendia, era medir o tempo de rejeição ou aceitação da peça, a qualidade de
resposta e o grau de certeza.

O resultado foi a recolocação dos trabalhadores nos postos de trabalho que se
adaptavam melhor às suas competências em termos físicos, comportamentais e
cognitivos.

Os resultados e a validação da nova recolocação foram posteriormente interpretados
pelos especialistas e pelos responsáveis das áreas em que incidiu este estudo.

Os resultados conjunto destas intervenções foram:
 desaparecimento das queixas por parte dos trabalhadores;
 a diminuição do absentismo;
 a diminuição da percentagem de erros por parte dos trabalhadores;
 o aumento da produtividade;
 a diminuição dos custos de produção;
 a diminuição dos acidentes de trabalho;
 a satisfação por verificar que este tipo de problemas preocupa a direcção da
empresa.





































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Módulo 12 - Avaliação de Riscos Profissionais – Parte I 22
4. METODOLOGIAS E TÉCNICAS DE IDENTIFICAÇÃO
DE PERIGOS

4.1 Análise probabilística da Segurança
A análise probabilística da segurança vem responder aos imperativos colocados
anteriormente, em relação á abordagem determinística. O seu suporte é a avaliação de
riscos, que podemos definir do seguinte modo:
«Avaliação quantitativa da probabilidade de ocorrência de eventos não desejados e da
probabilidade de danos, em conjunto com juízos de valor respeitantes à significância dos
resultados»
Devemos realçar como particularmente importantes, os seguintes pontos:
 um tipo de análise quantitativa, necessária á estimativa da probabilidade de
ocorrência de eventos indesejáveis e seus efeitos.
 O risco é função de dois parâmetros: a probabilidade de ocorrência de um evento
não desejado, e as consequências resultantes da ocorrência.
Vamos representar graficamente estes conceitos, do seguinte modo:


Identificação dos Riscos

Consiste na identificação das origens de acidentes significativos e quais os modos de
ocorrência.

Fase de estimativa quantitativa da probabilidade de ocorrência destes acidentes

É mais conhecida como a fase de análise das frequências e nesta, estuda-se o evento não
desejado poderá ocorrer todos os anos, de dez em dez, etc.

Fase de estimativa quantitativa das potenciais consequências dos acidentes, ou de
análise das consequências para o funcionamento do sistema.


Procura-se estimar a probabilidade de pessoas situadas em vários ambientes e a
distâncias variáveis do local, serem mortas ou gravemente feridas.

Estima-se também as consequências para o funcionamento do sistema.


Fase de cálculo dos níveis de risco

Estes calculam-se combinando dados da frequência e da gravidade, obtidos nas
respectivas fases. São normalmente expressos em termos de probabilidade de mortes ou
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ferimentos graves, quer à força de trabalho quer à população adjacente, ou em termos de
perdas financeiras.



Quantificação dos Riscos

Esta fase é particularmente importante para a sua avaliação e posterior gestão.

Obviamente, que um erro cometido neste estágio dos trabalhos, irá reflectir -se de forma
negativa em todas as outras fases subsequentes. Assim, há que ter particular cuidado na
metodologia que se utiliza para esta fase de análise. Aquilo que por rotina consideramos
seguro, poderá constituir um risco assinalável.

Em todo o caso, há que lançar mão de métodos, de levantamentos adequadamente
estruturados, que permitam um exame sistematizado de processos, equipamentos e
procedimentos de trabalho.

De entre uma multiplicidade de classificações possíveis destes métodos, poderemos reter
a que se afigura mais simples:
4.2. Métodos comparativos ou métodos fundamentais.
Métodos Comparativos

Os métodos comparativos podem consistir em listas de verificação, capazes de
fornecer uma referência rápida para avaliação de situações de trabalho, segurança de
máquinas e equipamentos, etc.

Podem derivar apenas da experiência e de um trabalho de análise executado ao longo de
um determinado período de tempo, cuidadosamente escolhido em função da sua
representatividade, ou podem aproveitar as conclusões de estudo que tenham utilizado os
métodos fundamentais ou diagramas lógicos de falha.

Habitualmente, os métodos comparativos possuem uma lacuna que deveremos procurar
preencher: são apenas qualitativos e assim, é necessário recorrer a um método que
permita valorar o que poderemos denominar de não conformidades, por comparação com
as listas de verificação.

Para o fazer, lançaremos novamente mão da noção de sistema. Eis algumas definições
relativas ao sistema que consideramos pertinentes:

Sistema - conjunto de elementos materiais, lógicos e humanos, em interacção,
organizados para preencher uma missão determinada, evoluindo no tempo num
ambiente de referência.

Segurança do sistema - aptidão do sistema para não originar eventos «à priori»
receados, pondo em causa a prazo imediato, médio ou longo, a vida do homem ou a
integridade dos seus bens, com uma probabilidade de ocorrência superior a um nível pré-
determinado.

Disponibilidade - aptidão do sistema para cumprir a sua missão após ter efectuado os
controlos previstos. E expressa por uma probabilidade que é a percentagem de tempo
durante a qual a probabilidade para cumprir a missão é atingida

Com base nos conceitos expressos, poderemos definir uma hierarquia de eventos
receados, tendo em linha de conta a disponibilidade do sistema. Assim, se a probabilidade
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de um sistema para cumprir a missão para que foi criado for anulada de forma
permanente, isso significa que um ou vários dos seus elementos essenciais foi de tal
modo afectado por um evento desfavorável que este se encontra inoperativo de forma
permanente.

Diremos então que as consequências são catastróficas, e poderemos valorá-las de acordo
com esta perspectiva.

Se a probabilidade de um sistema para cumprir a sua missão for afectada de modo que
este venha a ficar inactivo durante um período longo, e só poder voltar a operar após
reparações importantes, isso significará que um ou vários dos seus elementos foi afectado
por um evento receado de magnitude suficiente para que esse facto ocorra.
Se a probabilidade de um sistema para cumprir a missão for afectada de modo que
este sofra apenas uma breve interrupção de funcionamento, diremos que nenhum dos
seus elementos essenciais, foi afectado por eventos cuja magnitude fosse de recear para o
regular funcionamento.

É evidente que o aspecto «disponibilidade», está directamente ligado à noção de
«segurança do sistema». Quer dizer, quanto maior for a segurança do sistema maior será
a sua disponibilidade, sendo a inversa verdadeira.

E assim pertinente avaliar os riscos que o sistema pode originar, tendo em vista assegurar
uma disponibilidade acrescida, criando para tal uma escala onde se ajustem os vários
graus de gravidade dos acidentes sofridos. Estes, (manifestação final de uma cadeia
causal) têm a sua origem num nível de anterioridade lógica mais ou menos longínquo da
cadeia de nexo causal. Todavia, o seu ponto de partida radica sempre nos componentes
básicos do sistema.

De facto, todo o sistema possui os seus limites de funcionamento e, dentro destes, os
seus componentes vão-se ajustando de acordo com as várias situações, de modo que ele
continue a funcionar. E óbvio, que os limites de funcionamento do sistema estão por sua
vez subordinados aos de cada um dos seus componentes. Quer dizer, a disponibilidade do
sistema é condicionada pela do seu componente mais fraco, (aquele que possui os limites
de funcionamento mais restritos). Assim, a análise prospectiva (avaliação do risco) das
causas que podem afectar negativamente o funcionamento de um qualquer sistema, deve
ser exercida ao nível de cada componente, extrapolando daí as consequências finais para
o conjunto, em termos de risco a que está sujeito ou que origina.

Particular incidência deverá ser feita, durante esta análise, no elemento que se considere
mais fraco ou menos fiável. Neste estágio da avaliação, a análise é feita em termos de
frequência e de gravidade, de modo que a consequência final para todo o sistema venha
dada em termos de risco. (Risco = Frequência x Gravidade ).


Os componentes do sistema são, como já referido, os seguintes:
-o homem
-a máquina
-o ambiente
-as normas de execução

Assim, poderemos afirmar que a avaliação de riscos se deve preocupar, numa situação
industrial, com os componentes acima referidos, exercendo a sua actividade prospectiva
ao nível de cada um deles.

Numa primeira abordagem à avaliação de riscos, as listas de verificação podem ser de
grande utilidade se convenientemente valorizados os vários factores desfavoráveis
presentes no sistema. Esta é exercida sobre os elementos que contribuem para a criação
de um risco: uma probabilidade de ocorrência de um certo acidente e a sua consequência
previsível. Uma vez obtidos estes factores, convenientemente quantificados, ficamos aptos
a avaliar o risco potencial de uma dada situação.
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Se arbitrarmos valores para os quatro graus de consequências referidos, poderemos
através da formula básica que nos dá o grau de risco, obter valores para os restantes
factores, de modo a preencher um dado critério de quantificação.

Se admitirmos que para uma disponibilidade de 100% o grau de risco se situa num dado
intervalo e também que a soma grau de risco/disponibilidade é constante e igual a 100,
poderemos definir intervalos relativos ao grau de risco.

Assim, poderemos considerar os seguintes intervalos:

Se assumirmos que o risco é o produto de uma probabilidade por uma consequência,
poderemos por seu turno definir valores de probabilidade e consequências que satisfaçam
os critérios atrás estabelecidos graficamente podemos então definir zonas em que a
probabilidade e a consequência preenchem aquele critérios.

Facilmente se tornará subsequentemente, definir os correspondentes graus de
probabilidade e de gravidade, em correspondência com os graus de risco.


Análise de Riscos Industriais
Como já se referiu, os métodos fundamentais de análise de riscos, consistem basicamente,
em interessar grupos de especialistas na aplicação de técnicas, adequadamente
estruturadas e quantificadas para a avaliação de riscos.
Poderemos ainda classificar estes métodos em duas grandes categorias: a dos indutivos e
a dos dedutivos.
Cada uma destas categorias, aplicável em circunstâncias diferenciadas da vida de um
equipamento.


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5. AVALIAÇÃO E CONTROLO DE RISCOS


A avaliação dos riscos: Epicentro da prevenção de riscos profissionais na
empresa

É a partir da avaliação dos riscos que irradia toda a matriz das acções preventivas.
De facto, o fim último da prevenção é a adaptação do tr abalho ao homem, de que decorre
para as medidas de prevenção o critério geral a eficácia. Esta, por sua vez, depende da
expressão qualitativa e quantitativa dos resultados daquela avaliação. Importa, pois,
equacionar os momentos, os intervenientes, as metodologias, os conteúdos, o controlo
dos resultados da avaliação dos riscos e, ainda, o papel reservado em tal âmbito aos
trabalhadores.

Quando deve ter lugar?

É oportuno questionar os momentos em que se deve situar a avaliação dos riscos:
a) Avaliação na fase do projecto:

No âmbito do processo de licenciamento da actividade da empresa
Por ocasião das escolhas de novos equipamentos, produtos, processos e
métodos de trabalho.

b) Avaliação durante a laboração

Avaliação inicial
Avaliações periódicas
Avaliações ocasionais
Reavaliação

A programação da prevenção deve determinar estes momentos da avaliação tendo em
conta, não só as normas gerais e específicas (legais e técnicas), mas sobretudo a
natureza e a expressão dos riscos.

Quem a pode realizar ?

A avaliação dos riscos tem por fim garantir a segurança e a saúde de pessoas e bens.
Tais valores impõem elevadas exigências no domínio da qualidade da prestação deste
serviço. Por isso, existe um sistema público de certificação profissional dos técnicos que
podem realizar estas actividades.

A certificação profissional supõe uma dada qualificação obtida através de uma formação
estruturada (e, eventualmente, a partir também da experiência profissional). Esta formação
assenta em programas (de formação) concebidos a partir de perfis profissionais.

Paradoxo do auditor

Quanto maior for o factor de risco identificado em cada projecto específico de auditoria a
realizar, maior parece ser o empenhamento e o entusiasmo do auditor.

Partindo deste quadro de referência, o risco passará a constituir para o auditor, não só um
factor estimulante, mas também e sobretudo, um desafio à sua capacidade de encontrar
as soluções adequadas, de modo a impedir que tal fatalidade possa ocorrer.




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Módulo 12 - Avaliação de Riscos Profissionais – Parte I 27
Tanto os auditores internos como os externos, adoptam noções ou conceitos de risco,
adequando-os de acordo com os seus parâmetros de avaliação, integrando-os nos seus
planeamentos e programas de trabalho segundo as suas perspectivas.

Daqui se inferirá que o risco de avaliação não terá pois o mesmo peso e, por conseguinte,
a mesma importância.

Assim para os auditores internos ele é interpretado e, consequentemente, assumido numa
óptica de cobertura global, cruzando todas as situações e suas prováveis implicações,
quer no sentido vertical, quer horizontal da actividade ou actividades sob análise.

Ademais, isso poderá ir muito para além das leis, regulamentos ou mesmo até de normas
e procedimentos aprovados.

Por seu turno, os auditores externos focalizam os seus trabalhos com uma orientação à
legislação vigente e aos princípios geralmente aceites.

Parece pois ser diferente a natureza do risco de avaliação. Quando a principal
preocupação é centrada em factores de análise que possam reduzir as hipóteses de risco,
restringindo-o à verdade dos factos, estaremos mais no domínio da auditoria externa,
entendida aqui como tratando de obtenção de informação credível, basicamente de
utilidade para a organização empresarial.

O peso dos factores de risco reflecte, como não pode deixar de ser, o julgamento do
auditor sobre o impacte relativo que um factor pode ter na selecção de uma actividade a
auditar.

Uma vez identificadas as actividades a auditar numa organização, passam estas a ser
avaliadas em função dos factores de risco que eventual mente possam comportar.
Simultaneamente há factores que, por si só, são portadores de risco. Contam-se, entre
outros, o chamado clima ético.

Ora, este é um factor de extrema importância a Ter em conta, porque pode, por si só, ser
capaz de inverter prioridades ou ser susceptível de afectar algum tipo de julgamento.

Já agora e porque é oportuno deveremos relembrar o Código de Ética.

Este instrumento de referência de todos os auditores, é certamente a chave do segredo do
seu comportamento, quando em acção. Por isso, somos de opinião que representará
também uma importante fonte de inspiração para os não-auditores, principalmente quando
se colocam questões que se relacionam de uma forma ou de outra com factores de risco
de natureza ocupacional, e que podem por em perigo a vida ou saúde dos trabalhadores.

Generalidades

As auditorias de segurança e a avaliação de riscos são instrumentos de análise que
podem ser aplicados para se proceder a verificações sobre sistemas de segurança,
processos, métodos ou condições perigosas em geral.

Do ponto de vista conceptual, para nos situarmos nos mesmos contextos de proposta
quanto às auditorias de segurança e métodos de avaliação de riscos, começamos por
definir e delimitar as intervenções de umas e outras.



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Assim:

Conceito de auditoria de segurança

-Exame sistemático (e independente) para determinar se as actividades e os resultados
relativos à segurança satisfazem as disposições pré-estabelecidas e se estas estão,
efectivamente, a ser aplicadas e são adequadas para atingir os objectivos.
Tipos de auditorias. Conceito de auditoria técnica. Avaliação de riscos

Tipos Aplicação
De gestão/De sistemas -Verificação do grau de
envolvimento/responsabilidade da
administração/direcção da empresa
-Verificação do dispositivo e dos
procedimentos estabelecidos para o
sistema de segurança da empresa
Técnicas -Análise de segurança dos
equipamentos/processos/métodos
avaliação do grau de controlo das
tecnologias) Avaliação de riscos
De produto -Verificação do cumprimento das exigências
de segurança dos produtos para os
utilizadores

A análise de riscos está directamente ligada á actividade da empresa e á sua organização;
deve apontar soluções compatíveis com as possibilidades financeiras. A segurança da
empresa deve assentar num tratamento metódico dos riscos e respeitará quatro
imperativos :
 proteger os homens, preservar os bens e o património em geral
 gerir os riscos, através de soluções que não entravem nem a eficácia nem o
desenvolvimento do trabalho
 ter em conta as possibilidades financeiras da empresa.
 justificar as soluções previstas.

Não se trata nem de fazer da segurança um fim único, nem de a considerar como uma
necessidade de ordem secundária, mas contrariamente integra-la na vida da empresa. Na
actualidade, as condições de trabalho por se situarem na génese dos acidentes, doenças
profissionais e outras patologias do trabalho e estarem na origem de outros aspectos
disfuncionais de não conformidade nos sistemas de trabalho, constituem indicadores de
falhas nos processos e métodos de produção, que conduzem a perdas importantes
humanas e materiais.