ARGUMENTOS DO DETERMINISMO BIOLÓGICO CRÍTICAS AO DETERMINISMO BIOLÓGICO

A diferença principal entre homens e mulheres é o cromossomo Y,
mas isso afeta vários aspectos comportamentais. Diferenças no
cérebro e nos hormônios também são fatores que diferem
principalmente nas habilidades femininas e masculinas.
Certamente, há diferença sexual de cognição e comportamento
entre o homem e a mulher, mas o que é interessante é que ela
pode aumentar, diminuir, desaparecer e mesmo ser revertida,
dependendo do contexto social, ou do país, ou do período
histórico.
Mulheres possuem maior habilidade para falar, melhor
vocabulário, maior avaliação de estética e cores, maior
sensibilidade para interpretar emoções, mais sensibilidade, mais
atenção e capacidade de realizar duas tarefas ao mesmo tempo.
Meninos e meninas têmo mesmo potencial para desempenhar
diversas tarefas, como cálculo e leitura, desde que acreditem
nisso. O comportamento característico e a diferença de sexo têm
muito mais a ver coma socialização das crianças do que com
características inatas.
Nos homens, a linguagemé mais objetiva e a habilidade é maior
na área de cálculos, matemática, engenharia, aviação e direção.
Além disso, eles são mais focados e têm maior chance de
desenvolver uma inteligência espacial, por isso existem mais
homens “gênios” do que mulheres.
Se houvesse habilidades inatas de homens e mulheres derivadas
da estrutura cerebral, isso implicaria indivíduos seguindo carreiras
de acordo com essa aptidão natural. No entanto, hoje há
mulheres na área de exatas e em outros campos antes
exclusivos dos homens, como o jornalismo esportivo.
Mulheres podemser expostas aos hormônios masculinos ainda no
útero materno, o que pode contribuir para que elas se interessem
mais por matemática ou engenharia, por exemplo. Para descobrir
isso, basta fazer o teste do dedo anelar: se for maior que o
indicador, indica que ela foi exposta a maiores níveis de
testosterona ainda no útero materno.
As funções inatas de homens e mulheres podemnão ser tão
“instintivas” quanto se pensava. É a vivência social que acaba
nos fazendo crer que há funções específicas para cada sexo. As
explicações deterministas possibilitam, portanto, a internalização
definitiva das desigualdades sociais.

Os homens são extremamente lógicos. Resolvem qualquer
problema commais desenvoltura do que as mulheres —problema
de matemática, fique claro. Provavelmente essa tendência à
lógica, marcante nos mecanismos do cérebro deles, acaba se
expressando emvários momentos do cotidiano.
Dependendo do país e da cultura social, garotas podemobter
resultados tão altos quanto os garotos emtestes matemáticos.
Alunas da Finlândia tiraramnotas maiores do que seus colegas
do sexo masculino e do que os alunos norte-americanos que
superaramsuas conterrâneas.
Agir logicamente não é um talento feminino. Esta é a opinião dos
cientistas que investigamas diferenças sexuais no cérebro —uma
das linhas de pesquisas mais quentes da Neurologia, empenhada
emprovar que homeme mulher nunca vão pensar do mesmo jeito.
No caso das propriedades comportamentais de homens e
mulheres, os limites do determinismo biológico são evidentes,
pois dependem da demonstração de que as circunstâncias
socioculturais emque homens e mulheres vivemsão irrelevantes
para a origemde seus comportamentos característicos.
O homem, então, teria desenvolvido a capacidade de se localizar
no espaço, porque uma boa noção de geografia era essencial em
suas saídas para a caça. A mulher, por sua vez, teria necessidade
de aprimorar a percepção visual, para notar eventuais ameaça à
segurança dos filhos, enquanto o companheiro estava ausente.
78%das diferenças entre os gêneros são muito pequenas ou
inexistentes, por isso os neurocientistas devemestar cientes de
que suas informações sobre diferença de gênero influenciamseu
trabalho, o de seus colegas e a sociedade, de maneira geral. Em
certas pesquisas, os estereótipos de gênero estão disfarçados de
neurociência.