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A SUBALTERNIDADE DO ÍNDIO: UMA LEITURA DE NOTÍCIAS DO JORNAL O

PROGRESSO
Juliana Marques de Matos Amorim
EME! " No#a Andradina
Resumo: O objetivo deste trabalho é analisar notícias do jornal O Progresso, publicado em Dourados
– MS, de modo a indicar traços de subalternidade do indígena sul-mato-grossense nas notícias
veiculadas pelo jornal - baseando-se, para tanto, nas contribuições de chugar !"##$%, &ue disserta
sobre os 'balbucios( de um 'planeta sem boca( – e, portanto constituído de subalternos) em
observações de *everle+ !"##,%, &ue discorre sobre subalternidade e representaç-o, e em estudos
desenvolvidos por .anclini !"##/%, &ue discute a preservaç-o da identidade em um mundo
globali0ado1 2ste trabalho, antes de empreender a an3lise proposta, discorre sobre a subalternidade na
perspectiva dos 2studos .ulturais, demonstrando como os autores citados abordam o tema, para
proporcionar uma melhor compreens-o da an3lise 4eita posteriormente) também h3 um percurso
hist5rico re4erente 6s origens do jornal O Progresso e sobre a 4orma como aborda as notícias &ue
publica) embora aborde também notícias de nível nacional, sua agenda setting priori0a os
acontecimentos de Mato 7rosso do Sul – em especial a regi-o de Dourados1 s ocorr8ncias das
aldeias indígenas ali situadas s-o assuntos 4re&uentes em sua grade de notícias, e estas constituem a
tem3tica de artigos e notícias publicados neste jornal – os &uais envolvem 4atores hist5ricos re4erentes
aos povos indígenas e também as intenções do jornalista ao escrever a notícia – embora os jornais
comumente se de4inam como imparciais1
ala#ras$%&a#e: Subalternidade) 'balbucio(, índio1
A'stra%t: 9he objective o4 this report is to anal+0e the ne:s o4 the periodical O Progresso, published
in Dourados – MS, in order to indicate traces o4 subalternit+ o4 sul-mato-grossense indians, in the
ne:s propagated 4or the periodical – being based, 4or in such a :a+, in the contributions o4 chugar
!"##$%, :ho disserts about the 'mumbles( o4 a 'planet :ithout a mouth( – and, there4ore constituted
o4 subordinates) in comments o4 *everle+ !"##,% that comments about subalternit+ and representation,
and in studies developed 4or .anclini !"##/%, :ho comments about the preservation o4 the identit+ in a
globali0ated :orld1 9his report, be4ore underta;ing the anal+sis proposed, disserts about the
subalternit+ in the perspective o4 the .ultural Studies, demonstrating as the cited authors approach the
subject, to later provide one better understanding o4 the done anal+sis) also this report has a historical
course re4erring to the origins o4 the periodical O Progresso, and about the 4orm as it approaches the
ne:s that it publishes) although, is also approaches ne:s o4 national level, its agenda setting
prioriti0es o4 Mato 7rosso do Sul state – in special, the region o4 Dourados1 9he occurrences o4 there
situated the indians villages are 4re&uent subjects in its grating o4 ne:s, and these constitute the
thematic o4 articles and ne:s published in this periodical – :hich also involves historical 4actors to the
indian people and the intentions o4 the journalist :hen :riting the ne:s – even so the periodicals
generall+ are de4ined as impartial1
(e)$*ords: Subalternit+) 'mumble(, indian1
*aseando-se nas contribuições de chugar !"##$%, &ue disserta sobre os 'balbucios(
de um 'planeta sem boca( – e, portanto constituído de subalternos, em observações de
*everle+ !"##,%, &ue discorre sobre subalternidade e representaç-o, e em estudos
desenvolvidos por .anclini !"##/%, &ue discute a preservaç-o da identidade em um mundo
globali0ado, este ensaio tem como objeto de estudo alguns recortes de notícias do jornal O
Progresso &ue t8m como 4oco principal o indígena sul-mato-grossense, de modo a analisar a
condiç-o de subalternidade do índio no mundo globali0ado< como se encontra esta condiç-o
atualmente em relaç-o 6 sua situaç-o em épocas passadas= De &ue 4orma o mundo
globali0ado 4e0 &ue o índio n-o mais 4osse autossu4iciente e independente, capa0 de sustentar
a si pr5prio=
2m um primeiro momento, 4a0endo-se uma an3lise super4icial das notícias, pode-se
a4irmar &ue o indígena depende, em grande parte, do poder do 2stado para sua subsist8ncia,
embora por ve0es tenha &ue lutar contra o estado – ironia suprema, pois as leis &ue o regem
4oram criadas e>atamente por a&ueles contra os &uais est-o lutando1 Seriam estas leis
elaboradas justamente para manter a comunidade indígena em uma situaç-o de subalternidade
perante o n-o-índio= lém do poder do 2stado, ainda en4rentam o poder dos grandes
lati4undi3rios, contra os &uais reclamam as posses de terras, e 6s ve0es até contra eles
pr5prios, devastados &ue s-o pela miséria, vício e viol8ncia1
?ma das características marcantes da subalternidade do índio demonstradas pela mídia
é a 4alta de 'vo0(< muitas ve0es &uem 4ala por eles s-o as autoridades, ou mesmo o pr5prio
jornalista, &ue sobrepõem seus argumentos aos do índio1 Os indígenas seriam, neste caso,
seres 'balbuciantes(, cuja vo0 n-o se ouve ou n-o se distingue das outras) seriam o eterno
'Outro(, seriam considerados todos 'iguais( entre sua etnia1 @as palavras de chugar, esta
4alta de distinç-o entre um e outro remete aos discursos racistas !p1 A/% – embora tenha se
passado mais de B## anos da 'descoberta( do *rasil, ainda persiste a ideia do índio como um
selvagem, embora haja certa insist8ncia em integr3-lo 6 sociedade n-o-índia) ao mesmo tempo
em &ue h3 uma suposta inclus-o, h3 um distanciamento do índio en&uanto submetido 6s
regras da sociedade 'branca(, uma ve0 &ue situar e 4iliar o Outro s-o maneiras de 'estabelecer
o posicionamento de &uem 4ala, possibilita projetar ou inventar mem5rias, possibilita
construir passados ou inventar hist5rias( !.C?7D, "##$, p1 /"%1 Desta 4orma, en&uanto
h3 uma manobra política de integrar o índio 6 sociedade, h3 também um distanciamento da
sociedade em relaç-o a ele, mediante sua representaç-o como selvagem &ue se 4ormou ao
longo da hist5ria1
opç-o pela an3lise de notícias do jornal O Progresso deve-se justamente aos 4atores
&ue determinam a subalternidade do índio na sociedade< o indígena é constantemente
retratado pelo jornal em condições de miséria, viol8ncia, abandono, o &ue resulta na
inter4er8ncia do 2stado em sua comunidade – o &ue re4orça a sua condiç-o de subalterno1 O
&ue se veri4ica nas notícias em &uest-o é um discurso &uase &ue político, no &ual a condiç-o
do índio é preterida pelas ações institucionais &ue procuram demonstrar seu serviço perante a
mídia, ao invés de priori0arem um atendimento mais pro4ícuo 6 comunidade indígena1
2ste trabalho justi4ica-se, ent-o, por estar baseado em problem3ticas atuais, mas &ue
ao mesmo tempo t8m raí0es hist5ricas) embora o índio tenha sido 4ortemente in4luenciado
pela globali0aç-o, e com isso sua cultura tenha sido mudada de 4orma radical, ainda persiste
na sociedade a sua imagem como 'selvagem(1 Segundo chugar, uma justi4icativa para esta
4orma de pensar seria o 4ato de &ue, ao &uali4icar e nomear determinados segmentos da
humanidade, o ser humano estaria evocando 4atos e características do passado<
ntrop54agos, b3rbaros, canibais, índios, selvagens, coloni0ados, nativos,
indígenas, dominados, subalternos, escravos, marginali0ados, submergidos,
monstros, 'povos sem hist5ria(, a lista com &ue se denominam ou &uali4icam
alguns dos 'personagens( da hist5ria latino-americana – her5is ou vilões, de
acordo com &uem conta a hist5ria – poderia continuar por um bom tempo1
Substantivos e &ualitativos &ue, n-o sendo necessariamente sinEnimos,
evocam ar&uivos, 4iliações, narrativas, tradições e perspectivas di4erentes1
!.C?7D, "##$, p1 /#%
o delimitar sua perspectiva sobre o índio, classi4icando-o como 'n-o-civili0ado(, o
n-o-índio também marca o seu espaço na sociedade< a&uele &ue é considerado o
'estrangeiro(, estranho ao seu meio, n-o competiria por seu espaço por ser assim considerado,
ao mesmo tempo em &ue se submeteria 6&uela etnia &ue se considera a 'superior(1
2stabelecer-se-ia, assim, a subalternidade do índio na sociedade< de um povo independente,
passaria a depender &uase &ue e>clusivamente da aç-o do n-o índio, para adaptar-se a
paradigmas estipulados por este – tal condiç-o resultaria em um parado>o< ao revoltar-se
contra esta subalternidade, o indígena teria &ue da mesma 4orma submeter-se, uma ve0 &ue as
leis &ue o regem 4oram elaboradas por seus 'oponentes(1
@este trabalho, n-o h3 a pretens-o de justi4icar todas as lacunas nas notícias em
an3lise, mas sim propor uma re4le>-o a respeito da condiç-o do índio na sociedade p5s-
moderna, e de se chegar a um entendimento sobre a sua condiç-o de subalternidade perante o
n-o-índio1
A su'alternidade na +ers+e%ti#a dos Estudos Culturais
De acordo com *everle+ !"##,%, a e>press-o 'subalterno( começou a ser utili0ada na
década de F#, na Gndia, &uando se 4a0ia re4er8ncia aos coloni0ados do subcontinente sul-
asi3tico1 partir disso, iniciou-se uma espécie de organi0aç-o de estudos sobre o tema,
composto por estudiosos sobre Hohn *everle+, Dobert .arr, Hose Dabasa, Ileana Dodrigue0 e
Havier Sanjine0) tal 4ormaç-o era similar ao coletivo acad8mico do grupo sul-asi3tico,
composto por Danajit 7uha, 7a+atr+ Spiva; e Dipesh .ha;rabart+1
*everle+ a4irma &ue a a4inidade com o grupo sul-asi3tico 4oi o resultado de seu
surgimento a partir de uma 'crise da es&uerda(, &ue havia se disseminado na academia e nos
estudos sul-asi3ticos1 Jara o grupo de *everle+, o principal impedimento para a participaç-o
ativa das classes subalternas nos processos políticos e de constituiç-o do poder acad8mico tem
sido as tradicionais con4igurações da democracia e do 2stado-@aç-o1 @-o dei>a de ter ra0-o,
no &ue di0 respeito 6 &uest-o do indígena< a democracia 4oi con4igurada de acordo com as leis
e princípios da sociedade 'branca(, e de acordo com a cultura, os valores e as necessidades
desta) com isso, o indígena 4ica e>cluído deste sistema democr3tico, em &ue até mesmo seus
interesses precisam da inter4er8ncia do n-o-índio para serem levados a termo1 lém disso, ao
integrar-se 6 sociedade para instruir-se e em de4esa de sua cultura e etnia, o índio perde sua
cultura e identidade, e j3 n-o pode ser considerado nem como índio !por n-o possuir as
características 4ísicas e culturais de seu povo% nem como branco !por sua representaç-o ser a
de indígena%1 2ste entremeio em &ue se encontra colabora, de certa 4orma, para a
subalternidade do índio< j3 n-o pode valer-se de sua cultura para se sustentar, mas a utili0a
para garantir sua subsist8ncia mediante o au>ílio das leis e da cultura do n-o-índio1
@o seio da sociedade e sob a égide do capitalismo, embora haja a tentativa de se
incluir o índio na sociedade, sua vo0 ainda é considerada apenas um 'balbucio(, &ue s5 é
ouvido &uando conveniente 6s outras classes1 O 'balbucio( – termo empregado por chugar
!"##$% para denominar a vo0 do subalterno – n-o é constituído somente pela vo0 do
subalterno ! representado a&ui pelo índio%< di0 respeito também 6s teorias &ue tratam desta
subalternidade, e &ue di4icilmente s-o tratadas com a devida atenç-o1 Jor isso, chugar
!"##$, p1 /#% disserta também sobre o 'balbucio te5rico(, ao a4irmar &ue todo a&uele &ue n-o
4a0 parte do 'testamento( de indivíduos e situações &ue sejam convenientes 6&ueles &ue s-o
considerados 'superiores(, simplesmente n-o é levado em consideraç-o – para os ouvidos dos
'superiores(, ser3 apenas um balbucio incoerente, ao &ual cabe apenas a inconsist8ncia
te5rica1 Desta 4orma, o estudo da subalternidade !no caso, dentro de um discurso te5rico
latino-americano% n-o seria reconhecido como 'estruturado( por a&ueles &ue se imaginam em
um grau mais 'elevado( teoricamente e culturalmente1
De4letir sobre a subalternidade nos leva a pensar na relaç-o entre coloni0ador e
coloni0ado, con4orme a hist5ria de nosso pr5prio país1 Desde o início, o indígena 4oi ao
mesmo tempo visto como 'acomodado( – uma ve0 &ue n-o 4a0 parte de sua cultura cultivar os
pr5prios alimentos – e como uma m-o-de-obra Ktil, mas &ue necessitava inicialmente da
cate&ui0aç-o e de estratégias de persuas-o para &ue entendesse &ue a apro>imaç-o com o
homem branco seria, além de tudo, garantia de proteç-o !J2DDO@2-MOISLS, AMM"<AAN%1
Comi *habha, em O local da cultura, disserta no capítulo A outra questão: o estereótipo, a
discriminação e o discurso do colonialismo, sobre o discurso colonial sob a 5tica da '4i>ide0
da construç-o ideol5gica da alteridade( !p1 A#B%1 4i>ide0 seria uma 4orma de manter
determinados estere5tipos com o objetivo de manter o poder de outras camadas da sociedade)
*habha considera-a 'um signo da di4erença cultural, hist5rica e racial( dentro do discurso
colonialista, e também 'um modo de representaç-o parado>al( baseado na 'desordem,
degeneraç-o e repetiç-o demoníaca( !p1 A#B%1 Diante das inKmeras manchetes de jornal &ue
tratam da &uest-o da desnutriç-o indígena, pode-se considerar &ue tal repetiç-o visa n-o
somente re4orçar a e>ist8ncia desta situaç-o, mas também de dei>ar bem claro a posiç-o &ue o
indígena ocupa na sociedade – e de manter esta imagem de subalterno abandonado do índio
diante dos leitores, de 4orma indelével1
Jortanto, o estere5tipo, segundo o autor – e neste conte>to estere5tipo pode ser
entendido como uma 4orma de representaç-o – oscila entre algo 4i>o, &ue nunca muda, e
como algo &ue e repetido sempre de 4orma a assegurar sua condiç-o1 ssim, a constante
repetiç-o pelos jornais de notícias muito semelhantes, além de apontar para dados estatísticos
estarrecedores acerca das condições de vida das aldeias, se presta a assegurar de &ue a&uele
lugar, embora esteja situado 6s margens da sociedade e em condições bastante prec3rias, é o
lugar do índio – e conse&uentemente, a&uele é o papel do índio na sociedade< sobreviver em
meio a um ambiente &ue 4oi devastado pelo homem branco !e portanto sem recursos naturais
para sua subsist8ncia% e depender totalmente das leis e ações do governo, de 4orma a assegurar
também o lugar de poder destes na sociedade1
4orça da ambival8ncia do estere5tipo – de ser 4i>o e repetitivo – assegura a validade
do discurso colonial< garante &ue ele permaneça o mesmo em todos os processos de evoluç-o
da Cist5ria e do discurso, produ0indo e4eitos de verdade - e, no caso dos estere5tipos, estes
sempre ter-o por base o e>agero, &ue n-o pode ser provado ou e>plicado pela e>peri8ncia ou
mesmo pela l5gica1 ssim, a a4irmaç-o corrente de &ue o índio é 'acomodado(, por e>emplo,
n-o se baseia no 4ato de &ue a cultura indígena n-o é originalmente voltada ao trabalho
agrícola !antes de serem permeados por outras culturas, os índios se mantinham somente com
o &ue colhiam na nature0a, sendo desnecess3rio portanto 'plantar( o pr5prio alimento%, mas
sim na perspectiva dos coloni0adores europeus, &ue ao chegarem em terras brasileiras tiveram
uma certa di4iculdade em 4a0er com &ue os índios os servissem1
construç-o do sujeito no discurso e a garantia de seu poder s-o e4etivadas por meio
da articulaç-o das di4erenças do Outro – e tal articulaç-o sempre envolveu características
concernentes a raça e se>o, o &ue nos leva a pensar &ue 'articular di4erenças( signi4icaria o
mesmo &ue 4a0er valer um preconceito1 articulaç-o de di4erenças raciais O se>uais nega uma
'identidade original ou uma singularidade dos objetos da di4erença( !p1 A#F%, contribuindo
para &ue a percepç-o de di4erenças e as discriminações sirvam de base para a construç-o de
discursos e para as 'políticas de hierar&ui0aç-o cultural e racial( !p1 A#F%1 Desta 4orma, onde
houvesse articulaç-o sobre 'di4erenças( e 'contradições( haveria também a marginali0aç-o
das 4ormas de alteridade racial O cultural1
De acordo com *habha, o &ue deve ser &uestionado é 'o modo de representaç-o da
alteridade( – por conseguinte, o 4oco do presente trabalho1 .itando Stephen Ceath, no livro A
touch of evil, o autor aborda a 4orma como determinadas representações s-o construídas até
mesmo por meio de elementos te>tuais, como as ocasiões em &ue s-o utili0ados semas como
'estrangeiro(, 'mistura( e 'impure0a( como uma 4orma de signi4icar 'transgressores( e
'corruptores( !p1 A#F – A#N%1 Desta 4orma, se considerarmos termos como 'nEmades( e
'coletores( &ue aparecem nos jornais para designar os índios, sabemos &ue n-o est-o se
re4erindo ao passado hist5rico deles, de n-o 4i>arem moradia e de coletarem alimentos na
nature0a, mas sim de &ue s-o 'andarilhos( e 'pedintes(, coletores de 'sobras( !um 4ato &ue
pode comprovar esta hip5tese é o das crianças indígenas &ue procuram 'p-o velho( nas casas
de Dourados%1
De certa 4orma, o discurso colonialista d3 a entender &ue os estere5tipos s-o uma
4orma de garantia &ue o4erece um ponto seguro de identi4icaç-o – ou seja, é mais cEmodo
4a0er julgamentos baseando-se em estere5tipos do &ue buscar uma identidade 'original( e
'legítima( para 4a0er tal julgamento – embora n-o se saiba e>atamente o &ue seja original e
legítimo &uando se 4ala sobre identidade, uma ve0 &ue ela é lí&uida !*?M@, "##B% e pode
mudar de acordo com a conveni8ncia e necessidade dos sujeitos !.S92PPS, AMMM%1
representatividade, portanto, a4irma ao mesmo tempo em &ue permanece sobre bases incertas1
O discurso colonial se apoia no 'reconhecimento e repKdio de di4erenças raciais,
culturais e hist5ricas( !p1 AAA%1 Seu objetivo é representar o 'coloni0ado( como alguém a ser
repudiado, utili0ando-se para isto de estigmas raciais e culturais como 4orma de estruturar
seus sistemas de administraç-o e instruç-o1 O coloni0ado seria, portanto, o 'outro(
apreensível e visível – totalmente e>posto1 Segundo *habha, a representaç-o é um conceito
'&ue articula o hist5rico e a 4antasia(, uma ve0 &ue se utili0a de 4atos hist5ricos para construir
imagens perante a sociedade1 2sta, por sua ve0, reconhece mas recusa a di4erença – 'O 4etiche
ou estere5tipo d3 acesso a uma QidentidadeR baseada tanto na dominaç-o e no pra0er &uanto na
ansiedade e na de4esa, pois é uma 4orma de crença mKltipla e contradit5ria( !p1 AA$%1 ssim,
ao mesmo tempo em &ue a sociedade dita 'superior( tem o pra0er de deter o poder mediante
uma estipulaç-o de representaç-o para a alteridade, também de4ende por meio deste processo
a sua pr5pria representaç-o perante a sociedade, mantendo uma imagem de 4orça e poder
intoc3veis1
O acesso ao reconhecimento da di4erença é negado ao coloni0ador e ao coloni0ado,
pois tal di4erença ameaça o desejo do sujeito por uma origem pura – ambos situam as
di4erentes etnias em um lugar '4ora( do seu1 @o entanto, o estere5tipo n-o é uma 4orma de
simpli4icar identidades, mas sim de distorcer uma dada realidade) ele n-o admite circulaç-o e
articulaç-o do signi4icante 'raça(, a n-o ser em sua 4orma 4i>a 'racismo( !p1 AAF%1
Segundo o autor, s5 e>istem duas 4ormas de identi4icaç-o no imagin3rio< o narcisismo
e a agressividade) en&uanto o sujeito se imagina o modelo ideal para tudo, repele tudo o &ue é
contradit5rio 6 sua nature0a1 O sujeito consegue ser bem-sucedido em suas construções de
representaç-o ao constituir uma cadeia contínua e ininterrupta de outros estere5tipos 4orjados
ao decorrer da Cist5ria - e tais representações podem ser 'grati4icantes e aterrori0antes, de
modo di4erente a cada ve0 &ue é repetida( !p1 A"#%1 .omo se pode perceber, a 4antasia
!constituída no imagin3rio popular, &ue se baseia em estere5tipos% é um importante 4ator no
e>ercício do poder colonial1 Jode-se considerar o estere5tipo como algo '4also( por 'atacar( a
realidade e destruí-la, 4a0endo com &ue um Knico indivíduo tivesse inKmeras representações1
'O Outro estereotipado revela algo da 4antasia !111% da&uela posiç-o de dominaç-o( !p1 A"$%,
ou seja, o dominante e4etiva seu papel con4orme prova &ue o Outro é mais 4raco ou in4erior a
ele1 ssim, pode-se considerar &ue a 'cadeia estereotípica é curiosamente misturada e
dividida, polimor4a e perversa, uma articulaç-o da crença mKltipla( !p1 A"$% – desta 4orma, o
indígena pode ser visto como 'selvagem(, mas também pode ser o servo obediente e digno1
administraç-o da sociedade seria, portanto, baseada justamente na coe>ist8ncia de
dominadores e dominados, a &ual empreende o uso de estratégias de hierar&ui0aç-o e
marginali0aç-o1
Suanto 6 condiç-o do pr5prio índio como subalterno, apesar da globali0aç-o em
vig8ncia, ainda é considerado de acordo com uma vis-o europeia de 'habitante original(, &ue
viria a se caracteri0ar mais tarde como 'mesclado( ou 'transculturado( – mas nunca seria
classi4icado como completamente 'civili0ado( no sentido cultural do termo1
Talar em subalternidade implica também sobre a &uest-o da identidade1
subalternidade de uma etnia ou classe social é resultado, muitas ve0es, de um processo de
alteraç-o de sua identidade, resultante do processo de globali0aç-o1 @o caso dos povos
indígenas, sua identidade original 4oi a4etada por tal processo, ao &ual teve &ue adaptar-se –
uma ve0 &ue tudo a&uilo &ue o cerca, desde os 4atores &ue alteraram o seu habitat até os seus
meios de subsist8ncia, est3 relacionado de alguma 4orma ao mundo globali0ado1 pesar de
tentarem se a4irmar como índios perante a sociedade, por meio de seu aspecto 4ísico e alguns
traços de sua cultura – os indígenas, mesmo completamente tomados pela cultura do n-o-
índio, se recusam a assumir uma 'perda de identidade( – é praticamente impossível
considerar, atualmente, uma comunidade indígena sem inter4er8ncia de algo estranho 6 sua
cultura – de algo 'globali0ado(1 Seria, portanto, impossível dissociar a globali0aç-o da perda
da identidade e da cultura dos povos indígenas, pois atualmente a globali0aç-o colabora no
sentido da subsist8ncia das aldeias, e est3 presente nos meios de comunicaç-o, na assist8ncia
médica, na educaç-o, e no 4ator político !administrativo% da comunidade indígena1
globali0aç-o s5 permite adaptar-se a ela< n-o h3 como regredir depois de sua inter4er8ncia1
Jor isso, .anclini !"##/, p1 ",% n-o considera &ue, atualmente, seja relevante tentar optar por
de4ender a identidade ou globali0ar-se – a globali0aç-o est3 em todo o lugar1
?ma an3lise sobre a subalternidade do índio nas notícias de jornal est3, portanto,
completamente ligada aos 2studos .ulturais, pois envolve um assunto constante nestes
estudos !a subalternidade%, &ue por sua ve0 est3 relacionado diretamente 6 cultura destes
povos &ue est3 sendo alterada pelo processo de globali0aç-o !outra pauta &ue predomina em
2studos .ulturais%1
O PROGRESSO: ,+ensamento e a-.o/ na leitura %otidiana
O jornal O Progresso 4oi lançado no dia "" de 4evereiro de AM"# pelo advogado e
jornalista Hosé Jassos Dangel 9orres, na cidade de Jonta Jor-, regi-o sul do ent-o 2stado de
Mato 7rosso, e era publicado &uin0enalmente1
2m AM/#, O Progresso 4oi obrigado a encerrar suas atividades – 4ato este justi4icado
pela 4amília como resultado de ameaça política1 2m "A de abril de AMBA, o jornal 4oi reaberto
por Ueimar 9orres, um dos 4ilhos do 4undador, e registrava o cotidiano da cidade de
Dourados, constituído de acontecimentos e eventos &ue eram divulgados em 4orma de te>tos
noticiosos) 4otogra4ias s5 4oram publicadas em AMB,1 @esta época, O Progresso era semanal,
com circulaç-o aos s3bados1 2m AM$B, passou a ser bissemanal e em AMF#, trissemanal1 2m
AMF$ tornou-se di3rio - como permanece até atualmente - e um ano depois passou a utili0ar a
impress-o colorida1 tualmente, em seu comando est-o diles do maral 9orres, diretora-
presidente – !esposa do 4alecido Ueimar 9orres%) e as 4ilhas Hune Vngela do maral 9orres
Oliveira, diretora-e>ecutiva) e *lanche Maria 9orres, diretora-superintendente1
2mbora O Progresso tenha em pauta assuntos de aspecto nacional, sua agenda setting
priori0a, os acontecimentos de Mato 7rosso do Sul – em especial a regi-o de Dourados1 s
ocorr8ncias das aldeias indígenas ali situadas s-o assuntos 4re&uentes em sua grade de
notícias, e estas constituem a tem3tica de artigos e notícias publicados neste jornal1
s notícias &ue a&ui ser-o analisadas constam em e>emplares do ano de "##B –
&uando aconteceu, em Dourados, a I .on4er8ncia Degional dos Jovos Indígenas1 O evento
abriu espaço para discussões acerca das condições das comunidades indígenas de Mato
7rosso do Sul, abordando &uestões re4erentes 6 2ducaç-o, saKde, e, especialmente, a inclus-o
do índio na sociedade1 Jorém, ao mesmo tempo em &ue se buscava soluções para os
problemas dos índios, as aldeias &ue cercavam Dourados eram assoladas pelo abandono, pela
miséria e pela viol8ncia< v3rias crianças indígenas perderam suas vidas em decorr8ncia dos
casos de desnutriç-o grave) algumas 4oram morar nas ruas da cidade, habitando prédios
abandonados e pedindo esmolas) além disso, ainda havia o problema da entrada de bebidas
alco5licas e drogas nas aldeias, &ue colaboravam para os atos de viol8ncia &ue ocorriam na
comunidade indígena1
@este ínterim, en&uanto as aldeias passavam por problemas, as autoridades
competentes se mobili0avam para resolv8-los – e ent-o transparecia, nas notícias, a condiç-o
de total depend8ncia e subalternidade da comunidade indígena1 2ra evidente &ue nada do &ue
pudessem 4a0er por si pr5prios era o su4iciente para ameni0ar a situaç-o em &ue se
encontravam – e havia ainda a &uest-o de espaço no jornal< os dados relativos 6 comunidade
indígena eram baseados somente no discurso das autoridades) di4icilmente a vo0 do índio
aparecia para con4irmar ou negar o &ue era noticiado – e &uando aparecia era por meio de
discurso indireto, com inter4er8ncia do jornalista respons3vel<
R 0 " Desnutri-.o mata mais um em Dourados – Criança tinha sete
meses de vida, estava na terceira internação e pesava três quilos e
seiscentos gramas – ?ma menina indígena de sete meses morreu na
madrugada de s3bado no Cospital da Mulher de Dourados1 Segundo a
Tunasa – Tundaç-o @acional da SaKde, a criança morreu de complicações
em decorr8ncia de um &uadro de desnutriç-o crítico1 W111X Os pais da criança,
9iburcio Ternandes de Oliveira e Maurea révalo con4irmaram 6 reportagem
de O RO1RESSO &ue a criança estava passando pela terceira internaç-o1
!O Progresso, "##B, .aderno Dia-a-Dia, p1 A%
Observa-se, neste recorte, &ue a 4ala dos pais da criança é reportada de 4orma indireta e
super4icial< n-o h3 detalhes sobre o estado de saKde e a posterior morte da menina, uma ve0
&ue os pais acompanharam todo o processo 'de perto(1 chugar !"##$% consideraria esta 4ala
indireta como um 'balbucio(, um 'grasnado(, em &ue &ual&uer re4er8ncia 6 pr5pria situaç-o
ou cultura do sujeito é anulada1 .om e4eito, o discurso indireto, ao invés de revelar,
simplesmente apaga, silencia, torna medíocre a 4ala do subalterno, torna-a menor ainda do &ue
j3 é1 O &ue prevalece é o discurso da autoridade<
R 2 " ?m dos médicos da Tunasa, &ue pre4eriu n-o ter o nome divulgado,
disse &ue a 4amília da menina resistia em permitir o tratamento médico,
talve0 por &uestões religiosas1 W111X O pai da criança con4irmou 6 reportagem
&ue os agentes da Tunasa iam constantemente até a resid8ncia para prestar
atendimento1 !O Progresso, "##B, .aderno Dia-a-Dia, p1 A%
2mbora o discurso do médico também seja e>posto por discurso indireto, sua 4ala é
mais detalhada, chegando mesmo a cogitar &uestões religiosas para o impedimento da 4amília
em tratar da saKde da 4ilha – o &ue poderia 4acilmente ser con4irmado pelos pr5prios pais da
criança, o &ue n-o 4oi 4eito1 &ui, a subalternidade do índio é abordada tanto a partir de sua
saKde – &ue, 4r3gil, dependia da intervenç-o das autoridades – &uanto pelo silenciamento de
sua vo0, pela &ual poderia esclarecer aos leitores sobre muitos detalhes sobre a situaç-o &ue
en4rentavam1 '4alta de vo0( é um traço marcante da subalternidade< citando Danajit 7uha e
7a+atr+ Spiva;, *everle+ !"##,% associa a subalternidade aos grupos marginali0ados, &ue n-o
possuem vo0 ou representatividade devido 6 sua 'posiç-o( na sociedade – a&ui, a
subalternidade n-o apenas caracteri0aria o subalterno como oprimido, mas também seria uma
4orma de representaç-o da&ueles &ue n-o conseguem se en&uadrar de 4orma total 6
globali0aç-o, ao capitalismo total e e>cludente1
?ma outra importante consideraç-o a respeito da subalternidade em R 0 é a de &ue,
teoricamente, todo subalterno é assim denominado por n-o poder ser representado por teorias
ou saberes acad8micos !SJIYZ, apud *2Y2DP2[, "##,%, pois tal pr3tica de representaç-o
constituir-se-ia ativamente em subalternidade – ou seja, todo subalterno n-o tem vo0, pois se a
tiver, n-o pode ser considerado como subalterno1 @o caso de R 0, os pais da criança indígena,
ao terem seu discurso representado pela 4ala do jornalista, acabam sendo anulados en&uanto
parte principal da tem3tica da notícia, o &ue concentra o 4oco de atenç-o mais na vo0 do jornal
do &ue na situaç-o ali retratada – promovendo, assim, o sil8ncio do subalterno1
lém do 4ator 'silenciamento( por parte do discurso do jornal, h3 também a&uele &ue
parte das pr5prias autoridades1 Jor ve0es, o índio tenta romper sua condiç-o de subalternidade
com alguma 4orma de resist8ncia, no &ue é prontamente 'blo&ueado( pelas leis e valores do
n-o-índio1 @o recorte a seguir, o jornal noticia o cativeiro de um che4e de posto da Tunai,
tomado como re4ém pelos índios<
R 3 " Os índios de Dourados apresentaram 6 reportagem c5pias de um
documento datado de ", de novembro do ano passado1 @o documento, o
administrador da Tunai, Israel *ernardo, e>onera o atual che4e do posto,
Saulo Tilho, e indica para o cargo o índio caiu3 Silvio Orti0, au>iliar de
en4ermagem da Tunasa1 Silvio n-o pode assumir o cargo por&ue tinha
problemas com a justiça1 2nt-o os líderes indígenas das aldeias Haguapiru e
*oror5 se reuniram e apontaram um novo nome< o do guarani I0a&ue de
Sou0a, pro4essor da escola da aldeia Haguapiru1 Mas, segundo os
mani4estantes, Israel *ernardo n-o ouviu o pedido da comunidade e voltou a
conceder o cargo a Saulo .amilo Tilho1 !O Progresso, "##B, .aderno Dia-a-
Dia, p1 A%
@esta situaç-o, os índios reivindicavam – note-se mais uma ve0 a 4alta de um discurso
direto por parte deles – &ue o posto da Tunai 4osse assumido por um indígena1 Dessa maneira,
4oram contestados de duas 4ormas< primeiro, encontrou-se um impedimento legal para &ue o
indígena Sílvio Orti0 assumisse o cargo) depois, &uando 4inalmente encontraram alguém apto
para assumir o cargo – o pro4essor I0a&ue de Sou0a -, simplesmente 4oram ignorados,
assumindo o posto o n-o-índio Saulo .amilo, o &ual posteriormente 4oi tomado como re4ém1
lém de demonstrar mais um e>emplo de &ue o subalterno apenas 'balbucia( – a ponto de
sua vo0 ser simplesmente ignorada – em R 3 h3 também a &uest-o da representatividade, mas
desta ve0 n-o é por parte do jornalista !como em R 0%1 O &ue est3 em discuss-o é a
representaç-o pr3tica dos interesses dos índios< &uem os representaria dentro da Tunai= De
acordo com a perspectiva dos indígenas, ninguém melhor do &ue um índio, conhecedor de sua
cultura e de seus valores) j3 na perspectiva do n-o-índio, melhor seria &ue 4osse um 'branco(,
alguém &ue conhecesse as leis e soubesse aplic3-las convenientemente !ora a 4avor do índio,
ora em detrimento dele%1 Subentende-se &ue nomear um n-o-índio para o cargo em &uest-o
seria uma 4orma n-o de apoiar a comunidade indígena, mas de mant8-la sob controle do
2stado1
2m R3 h3, sem dKvida, um caso de disputa por poder associado 6 representaç-o1 O
representante 4icaria respons3vel pelos interesses da comunidade ao mesmo tempo em &ue
teria uma espécie de liderança e poder sobre esta1 De acordo do *everle+ !"##,%, o poder est3
realmente relacionado com a representaç-o< desta 4orma, a&ueles &ue obtivessem o poder da
representaç-o e a autoridade &ue advém desta condiç-o assegurariam a hegemonia de sua
etnia – independente de &ual 4osse o interesse do 5rg-o governamental ao &ual pertencessem1
@esse segmento, se a Tunai 4osse presidida por um índio, o poder estaria com a comunidade
indígena) ao passo &ue, se 4osse liderada por um n-o-índio, o poder estaria com a sociedade
dita 'branca(, mesmo &ue a proposta da entidade em &uest-o seja apoiar os indígenas1
2mbora os leitores do jornal estejam mais interessados nas notícias como uma 4orma
de in4ormaç-o ou mesmo de entretenimento, é importante 4a0er da leitura um espaço para a
re4le>-o sobre determinadas condições dentro da sociedade< o &ue 4a0 com &ue certas
situações ocorram= Jor &ue algumas vo0es s-o caladas, e de &ue 4orma isto ocorre= .omo
aponta chugar !"##$%, seria necess3rio uma incurs-o ao passado com uma m3&uina do
tempo para descobrir como se estabeleceram categorias de cidad-os, e como estas categorias
poderiam predeterminar &ue uns 4alassem e outros n-o, &ue uns pudessem opinar, e outros
n-o1 Mas, na impossibilidade de se 'viajar no tempo(, o &ue resta mesmo é ler as notícias de
uma 4orma crítica, &uestionar os motivos para algumas vo0es serem mais 'altas( do &ue
outras e também re4letir sobre o pr5prio papel do cidad-o na sociedade, e em &ue nível est3 a
sua pr5pria vo0 no meio em &ue atua1
Considera-4es 5inais
@as matérias veiculadas pelo jornal O Progresso, h3 a inclus-o de 4atores hist5ricos e
de intenções1 Cist5ricos por&ue a 4orma como o jornal retrata os povos indígenas remete 6
pr5pria Cist5ria do *rasil, pois mesmo &ue o mundo esteja imerso na globali0aç-o, a situaç-o
do índio atualmente n-o di4ere muito da&uela ocasi-o em &ue o territ5rio brasileiro 4oi tomado
pelos portugueses1 Dessa 4orma, começava ent-o uma hist5ria &ue correria paralela 6 Cist5ria
do Jaís, um enredo de subjugaç-o e subalternidade &ue progrediria de 4orma cada ve0 mais
dr3stica com o passar dos séculos1
Suanto 6s intenções, o jornal – apesar de todo 5rg-o de imprensa se autode4inir como
'imparcial( – 4re&uentemente silencia a vo0 do índio e priori0a o discurso da autoridade
!representada tanto pelo poder pKblico &uanto pelo pr5prio jornalista%, caracteri0ando assim a
subalternidade do primeiro e o poder do segundo1 9alve0 isto n-o ocorra de 4orma consciente
– mas é &uase evidente &ue tem seus e4eitos sobre uma sociedade &ue, se j3 via a comunidade
indígena como subalterna e indigna de prioridade, tem seus conceitos re4orçados pela
constante abordagem da mídia sobre o índio como alguém marginali0ado e sem vo01
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\\\\\\\\1 A ;lo'ali<a-.o ima;inada8 9rad1 Sérgio Molina1 S-o Jaulo< Iluminuras, "##/1
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indigenista do período colonial !séculos ^YI a ^YIII% In< .?@C, Manuela .arneiro da1
!org1%1 =ist:ria dos >ndios no Brasil8 "1 ed1 S-o Jaulo< .ompanhia das Petras O Secretaria
Municipal de .ultura O TJ2SJ, AMM"1
Recebido Para Publicação em 26 de setembro de 2010.
Aprovado Para Publicação em 17 de dezembro de 2010.