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Universidade Federal da Bahia

Instituto de Física
Departamento de Física do Estado Sólido
Física Geral e Experimental IV-E
Docente: Ricardo Marinho
Discentes: Paloma e Sidimar

Relatório do Experimento 13 – Polarização com Micro-Ondas

1- Objetivo
Verificar o caráter transversal de uma onda eletromagnética na
faixa das micro-ondas, observar e modificar seu estado de
polarização. Medir a atividade óptica de um meio.

2- Material utilizado
Durante o experimento fizemos uso dos seguintes equipamentos:
 Corneta transmissora de micro-ondas;
 Corneta receptora de micro-ondas;
 Grade polarizadora;
 Placa metálica refletora;
 Material opticamente ativo.

3- Procedimento Experimental
3.1- Interpretação dos resultados
3.1.1- Polarização Linear
Arma-se o dispositivo como mostra a seguinte figura:

Coloca-se as cornetas emissora e receptora com suas antenas na
posição vertical. Ajusta-se o botão Gain (ganho) no aparelho receptor
para uma posição intermediária (aproximadamente metade do giro) e
em seguida ajusta-se o botão Klyston voltage procurando-se a
posição em que se observa a máxima deflexão no miliamperímetro
do receptor. Ajusta-se o botão de ganho no receptor para 0,8 mA
como um valor de referência.
Folga-se o parafuso que fixa o eixo da corneta receptora e gira-se
esta corneta em torno de seu eixo e anota-se que acontece.
Ao girar a corneta receptora de um ângulo de 90° ocorre deflexão
da ponteira do miliamperímetro de 0,8 mA para 0,0 mA.
Isso é devido ao fato de que a corneta emissora emite micro-ondas
linearmente polarizadas na direção da antena, ou seja, na direção
vertical. A componente do campo elétrico oscila nessa direção, a
corneta receptora quando girada de um ângulo de 90°, fica com sua
antena perpendicular a componente do campo elétrico E, portanto,
não ocorre absorção de energia e nenhuma corrente é gerada.
Volta-se a corneta receptora à posição normal (antena vertical) e
aperta-se o parafuso de fixação. Coloca-se a grade polarizadora
entre as cornetas e gira-se a grade mantendo seu plano frontalmente
às cornetas (mantendo-a perpendicular ao eixo das cornetas) e
anota-se o que ocorre.

Ao girar a grade ocorre deflexão da ponteira do miliamperímetro
de 0,8 mA para 0,0 mA.
Isso porque a grade está inicialmente com as barras na direção
horizontal que é perpendicular a componente do campo elétrico E, e,
portanto, as ondas são transmitidas sem qualquer alteração e atinge
a corneta receptora. Ao girar a grade, as barras ficam na direção
vertical, a mesma do componente do campo elétrico que gera
corrente e ocorre absorção de energia, as ondas não são transmitidas
e não atinge a corneta receptora, fazendo com que a ponteira do
miliamperímetro despenque para 0,0 mA.
Coloca-se as duas cornetas lado a lado e, à frente destas, a uma
distância de aproximadamente 30 cm, uma placa metálica, como na
figura abaixo:

Ajusta-se a posição desses elementos e o ganho do receptor de
modo a obter, novamente, aproximadamente 0,8 mA. Substitui-se a
placa pela grade polarizadora com as barras na posição vertical e
observa-se o resultado. Gira-se a grade até as barras ficarem na
horizontal e observa-se. Anota-se tudo o que acontece.
Ao trocar a placa pela grade polarizadora, ocorreu uma deflexão
na ponteira do miliamperímetro tendendo a 0,0 mA.
Ao girar a grade até as barras ficarem na horizontal, a ponteira do
miliamperímetro permanece tendendo a 0,0 mA.
Observa-se que, como a grade polarizadora está com suas barras na
posição vertical e a componente do campo elétrico também está na
direção vertical, ocorre absorção de energia pelas barras da grade, e
a componente vertical do campo E é anulada. Ao girar a grade até as
barras ficarem na horizontal, a componente do campo elétrico E fica
perpendicular à direção das barras e a onda é transmitida
linearmente polarizada na direção perpendicular às barras da grade.
3.1.2- Rotação da direção de polarização
Coloca-se novamente as cornetas frente a frente, separadas de 50
cm, e ajusta-se o ganho do receptor novamente para 0,8 mA. Gira-
se a corneta receptora em torno do seu eixo até que nenhuma
corrente seja detectada no miliamperímetro. Coloca-se então a grade
entre as cornetas com as barras formando 45° com a direção
horizontal. Observa-se e anota-se o que ocorre. Pense em uma
explicação para o fato observado.
Ao colocar a grade com as barras formando um ângulo de 45°,
observou-se que a corrente aumenta mais rápido (é máxima).
Isso acontece porque se o campo elétrico da onda que chega à grade
for oblíquo com relação à direção das barras, as componentes Ey e
Ez geram uma resultante do campo elétrico que será detectado, isso
é devido ao caráter transversal das micro-ondas, a micro-onda
polariza-se numa direção oblíqua com ângulo de 45°.
3.1.3- Polarização elíptica e circular
Arma-se o dispositivo como mostra a figura abaixo:

Coloca-se a grade polarizadora, com as hastes verticais, à frente da
placa metálica, sobre os pés de madeira encostada na placa. Medi-se
a distância entre a placa e a grade e anota-se este valor. Gira-se a
corneta receptora em torno do seu eixo, anotando, a cada 45°, a
corrente. Afasta-se um pouco (≈ 2 mm) a grade com relação à placa
mantendo-a paralela, repete-se o procedimento de giro da corneta
receptora e observa-se a variação. Continua-se afastando aos
poucos e repetindo-se o giro até encontrar uma posição para a grade
em que a variação da corrente seja mínima possível. Anota-se a
distância entre a grade e a placa em que isso ocorre bem como os
valores da corrente. Nesse ponto, a polarização é aproximadamente
circular (eixo da elipse igual ao eixo menor).
d (mm) 0 2 4 6 8 10
ângulo (°) I (mA) I (mA) I (mA) I (mA) I (mA) I (mA)
0 0,76 0,78 0,72 0,80 0,78 0,74
45 0,28 0,31 0,26 0,38 0,38 0,40
90 0,05 0,05 0,05 0,05 0,05 0,05

O ângulo correspondente à corrente máxima é onde a direção da
antena receptora coincide com o eixo maior da elipse de polarização,
enquanto que, o ângulo correspondente à corrente mínima é onde a
direção da antena receptora coincide com o eixo menor da elipse. A
distância com mínima variação de corrente foi d=4mm, ou seja,
nessa posição as componentes do campo elétrico

e

, chegam na
corneta receptora com uma diferença de fase de

⁄ , ou seja, o
eixo menor da elipse é igual ao eixo maior, essa onda tem
polarização circular, já para os outros valores de d (mm),
correspondem às componentes do campo elétrico

e

, onde a
diferença de fase quando as mesmas chegam a corneta assumi
valores entre 0 e , polarização elíptica.
3.1.4- Atividade óptica
Coloca-se as cornetas frente a frente de modo permitir a introdução,
entre elas, das caixas contendo o meio opticamente ativo e ajusta-se
a corrente para 0,8 mA. Utiliza-se o bloco de isopor entre a mesa e a
caixa para ajustar a altura da caixa, como mostra a seguinte figura:

Antes de colocar as caixas, gira-se a corneta receptora até obter-se
corrente mínima no miliamperímetro. Coloca-se a caixa com as
esferas de isopor marcadas de vermelho entre as cornetas e observa-
se o que acontece. A seguir gira-se um pouco a corneta receptora de
modo a restabelecer a corrente mínima, anotando o ângulo de giro e
o sentido de rotação necessário para isso. Executa-se esse
procedimento também para o outro meio opticamente ativo com
esferas marcadas de preto.
Experimenta-se também com o meio opticamente ativo que simula
um cristal. Esse meio contém placas de isopor preenchidas por
pequenas molas regularmente espaçadas.
Caixa de esferas de isopor
Vermelha Preta Cristal
Comprimento (cm) 19,0 16,5 19,0
I° (mA) 0,1 0,1 0,1
I (mA) 0,04 0,32 0,08
θ (°) 10 9 5
Sentido de rotação anti-horário horário anti-horário

Ao fazer passar a onda linearmente polarizada na direção vertical,
normal ao plano da mesa, pela caixa de esferas de isopor vermelhas,
observamos um ângulo de rotação no sentido anti-horário (levógiro),
isso significa que nessa caixa só existem esferas com molas
levógiras, que muda a direção de polarização para a esquerda. Na
caixa com esferas de isopor pretas, observamos um ângulo de giro
no sentido horário (dextrógiro), isso quer dizer que a maioria das
molas das esferas da caixa desviam a direção de polarização da onda
para o lado direito (molas dextrógiras). Na caixa que simula um
cristal, como obtivemos um ângulo de 5°, podemos dizer que mais
da metade das espirais nas placas paralelas de isopor são espirais
levógiras, pois desviaram a direção de polarização para a esquerda
(anti-horário).
Se o número de molas dextrógiras e levógiras fossem
aproximadamente iguais, o ângulo de giro da direção de polarização
seria aproximadamente zero, ou seja, meio opticamente inativo.
3.2- Cálculos
3.2.1- Das medidas realizadas na seção 3.1.4 calcule a constante de
rotação (ângulo de giro dividido pelo comprimento do meio
opticamente ativo) para os meios opticamente ativos que você
utilizou.
Caixa de esferas de isopor
Vermelha Preta Cristal
Comprimento (dm) 1,90 1,65 1,90
I° (mA) 0,1 0,1 0,1
I (mA) 0,04 0,32 0,08
θ (°) 10 9 5
Sentido de rotação anti-horário horário anti-horário
Constante de rotação 5,26 5,45 2,63


3.3- Conclusão
Através do Experimento de Polarização com Micro-ondas,
conseguimos verificar o caráter transversal dessa onda
eletromagnética, observamos e modificamos sua direção de
polarização usando uma grade com barras paralelas equidistantes,
com distância entre ela menor que o comprimento de onda da
micro-onda. Vimos também que uma onda com polarização linear
pode ser transformada em uma onda com polarização elíptica por
um processo de reflexão, como também podemos aproxima-la
também de uma onda com polarização circular. Medimos a atividade
óptica de alguns meios materiais, um deles simula um cristal de
quartzo. Que desvia a direção de polarização assim como também as
esferas vermelhas e pretas que simulam as moléculas de açúcar
dissolvidas em água. Vale salientar também, os erros associados às
medidas, principalmente de corrente e ângulo de rotação, ao quais
os equipamentos não oferecem alta precisão permitindo maior
confiabilidade nos dados.