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No século XVIII, a ciência economica surgiu como instrumento para analisar a

origem e a dinâmica das estruturas de produção e circulação de bens e serviços que estavam
cada vez mais ganhando autonomia e relevância no tecido social !ssa an"lise passava pela
identi#icação de leis e pr$ncipios que regiam a #uncionalidade dessas estruturas, e muitas dessas
observaç%es se con#undiam com o e&erc$cio #ilos'#ico, pois remetia a um e&ame apro#undado
da razão e do sentido dessas leis (orém, o que distinguia a investigação puramente #ilos'#ica de
um conhecimento mais )especializado*, era o #ato da ciência economica articular a #iloso#ia
com a #undamentação emp$rica para produzir assertivas e teorias que e&pliquem +s atividades
economicas, relativas não s' a gerência de recursos, mas como também a sua pr'pria geração e
distribuição
,ogo, o papel desempenhado pela economia do século XVIII, tinha um sentido muito mais
ligado a investigaçãos das origens e sentidos das dinâmicas re#erentes a #orma como a produção
material se dava e como os seus produtos eram distribuidos, ao invés de descrevê-las sem
questionar e apontar a natureza das condiç%es socias e hist'ricas que a conceberam .
economista estava induzido a uma atividade /multidisciplinar/ cu0a relação mais estreita com a
#ilos'#ia era necess"ria para dar razão +s suas teorias e principios 1dam 2mith, por e&emplo,
recorreu diretamente a corrente #ilos'#ica utilitarista para conceber o pr$ncipio do agente
economico racional que ma&imiza a sua utilidade através da permutação
3i#erentemente da economia contemporânea, que esta restrita +s teorias e principios que #oram
delienadas nos prim'rdios da economia cl"ssica e desenvolvidas posteriormente no século XIX
até metade do XX (ouco se discute as premissas e a validade conceitual das teorias que são
veiculadas em #orma de livros ou até mesmo num simples coment"rios em um canal de
televisão !las são concebidas como pontos #i&os e s'lidos, impass$veis de relativização e
contra-argumentação, muitas vezes emolduradas num #ormato did"tico semelhante a de um
manual, cu0o conte4do é pragm"tico, ob0etivo e técnico . economista ho0e, ao contr"rio do
campo de atuação mais /plural/ do século XVIII , têm seu es#orço intelectual direcionado
prioritariamente a uma leitura das teorias que e&plicam a economia, se limitando ao espaço
estritamente economico, sem dialogar com outras es#eras do conhecimento para buscar
concepç%es que por ventura possam questionar essas teorias ou até memso rati#ica-las 5udo 0"
esta dado, e o economista deve apenas desempenhar a #unção de aplicar aquilo que 0" esta
estabelecido, se assemelhando cada vez mais com o per#il de um técnico ou mesmo um oper"rio
alienado 6uitas vezes, o economista é movido por interesses pol$ticos e ideol'gicos de classe
sem perceber, porque ele acha que o que est" #azendo é isento de qualquer viés
pol$tico7ideol'gica por considerar a economica como um campo )técnico e ob0etivo*
!ssa concepção do economico como um campo pr"tico e ob0etivo, desponta as
condiç%es necess"rias para o engendramento de dogmas e mitos que podem ser
utilizados por certos segmentos sociais para lhe con#erir vantagens . que é di#undido
nas principais midias, é que o mercado e&ige certas medidas para o seu #uncionamento
adequado, e que o )bem comum* estaria inevitavelmente atrelado + sua sa4de, mesmo
que numa primeira an"lise o mercado precise de a0ustes que se0am nocivos + sociedade,
o que seria mais pre0udicial se estes tais a0ustes #ossem negligenciados e que o mercado
so#resse intervenç%es na sua dinâmica ontol'gica, )ideal*8 o mercado requer mais
competividade8 menos direitos trabalhistas, menos serviços p4blicos e mais arrocho
salarial e #iscal, mas tudo isso é necess"rio para a sociedade, que não pode se
desenvolver sem que o mercado se movimente )livremente* e assuma uma posição
central nas decis%es pol$ticas
Nos meios midiaticos e até mesmo em alguns meio acadêmicos, não h" debate e uma
divergência mais pro#unda envolvendo os #undamentos destes a&iomas re#erente a
hegemonia do mercado8 h" a apenas a reprodução deles, num tom técnico e pragm"tico,
como se #osse uma verdade cient$#ica imut"vel 6as pouco se di#unde, por e&emplo,
que o mercado como entidade per#eita a onde a sociedade realiza seu desenvolvimento
equilibrado e harmonico, é uma assertiva que encontra sérios contrapontos em v"rias
rami#icaç%es do conhecimento hist'rico, sociol'gico e até mesmo economico
9elipe :atista de .liveira 2ouza, !conomia ;< per$odo, matricula= >?;@?A??;?->