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MEDIDAS DE SEGURANÇA

André Phllipe Brito Garganta
Moisés dos Santos Pimentel
Sebastião Fernandes Gurgel Neto

Sumário: I – Introdução, II – Conceito de Medidas de Segurança, III
– Aspectos Gerais das Medidas de Segurança, IV – Tipos de
Medidas de Segurança e Conceitos, V – Execuções das Medidas de
Segurança, VI – Duração das Medidas de Segurança, VII – Extinção
das Medidas de Segurança, VIII – Considerações Finais.

RESUMO
O presente artigo pretende elucidar aspectos importantes das medidas de
segurança, positivadas em nosso ordenamento jurídico nos artigos 96 à 99 do
código penal brasileiro. Mostraremos os aspectos históricos acerca da temática, o
conceito de medida de segurança, os aspectos gerais, tipos de medidas de
segurança, conceitos inerentes às medidas de segurança, a quem esta se aplica, a
execução, a duração e a extinção das medidas de segurança.
I – INTRODUÇÃO
No Brasil, o primeiro dispositivo referente ao assunto foi o Decreto n.
1132 de 1903, determinando o recolhimento em institutos para alienados, indivíduos
portadores de moléstia mental que comprometessem a ordem pública ou a
segurança das pessoas.
Com o Código de 1940 foi adotado o sistema duplo-binário, no qual
medida de segurança e pena eram aplicados cumulativamente àqueles que viessem
a cometer crimes e fossem perigosos. A medida era aplicada tanto em inimputáveis

como em imputáveis, e era executada após o cumprimento da pena diminuída. A
medida de segurança tinha limite mínimo e não tinha máximo, sendo admitida
inclusive uma perpetuidade de tal sanção.
A proposta de um novo código penal em 1969, que eliminava o
sistema duplo-binário, foi frustrada, pois tal legislação foi revogada antes mesmo de
sua vigência devido a motivos políticos.
Em 1981 teve início à elaboração de um novo código penal por uma
comissão presidida pelo Ministro Francisco de Assis Toledo. Tornando-se
efetivamente ordenamento positivo, com a Reforma da Parte Geral do Código Penal
em 1984, as medidas de segurança são aplicadas somente a indivíduos
inimputáveis ou semi-imputáveis por doença mental ou desenvolvimento mental
incompleto ou retardado, que, ao tempo da ação ou da omissão, era inteiramente
incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse
entendimento (art. 26, CP); o sistema duplo-binário foi substituído pelo sistema
vicariante, no qual é aplicada ao sujeito ou pena ou medida de segurança, nunca os
dois; persistiu, porém, a inexistência de limite máximo de tal sanção.
Assim, da maneira com que tal instituto está no ordenamento
jurídico-positivo brasileiro, são pressupostos para a aplicação das medidas de
segurança, a prática de um fato previsto como crime e a periculosidade do agente.
Desse modo, se o fato não constitui ilícito penal ou se o agente foi
absolvido por ter praticado o fato ao abrigo de um excludente de antijuricidade,
inexiste aplicação de sanção penal.
Na lição de Cezar Roberto Bitencourt diz que:
“periculosidade pode ser definida como um estado subjetivo mais ou menos
duradouro de anti-sociabilidade. É um juízo de probabilidade – tendo por
base a conduta anti-social e a anomalia psíquica do agente – de que este
voltará a delinquir.” Ou seja, pode ser real ou presumida.
Periculosidade Real ou também dita Judicial é aquela reconhecida
pelo juiz quando se tratar de agente semi-imputável portador de desenvolvimento
mental incompleto ou retardado e que em razão disto teve uma redução na sua
capacidade de compreensão ou autodeterminação, fazendo-se, portanto, necessária

uma condenação in concretu para a aplicação de sanção penal. Reconhecendo o
juiz a periculosidade do réu e a necessidade de um especial tratamento curativo,
pois ao momento da ação ou omissão era ele incapaz de discernir suas atitudes,
poderá a pena ser substituída por medida de segurança.
Caso contrário, se o juiz ao analisar o caso e crer que mesmo
portador de desenvolvimento mental incompleto ou retardado, o réu era
potencialmente capaz de compreender o que estava fazendo, este receberá uma
pena, porém reduzida de 2/3, como prediz o parágrafo único do art. 26.
Como já dito anteriormente, após a Reforma de 1984 não é mais
possível à aplicação de medida de segurança a indivíduo imputável.
II – CONCEITO DE MEDIDAS DE SEGURANÇA
A medida de segurança é um instituto de Direito Penal e constitui
espécie do gênero sanção penal, entretanto de natureza essencialmente preventiva,
são fundadas no juízo de periculosidade, cessando quando este cessar, e podem
ser aplicadas a inimputáveis ou semi-imputáveis. Dessa maneira, segundo Eduardo
Reale:
“A Medida de Segurança constitui uma providência do poder político que
impede que determinada pessoa, ao cometer um ilícito-típico e se revelar
perigosa, venha a reiterar na infração, necessitando de tratamento
adequado para sua reintegração social”
III – ASPECTOS GERAIS DAS MEDIDAS DE SEGURANÇA
Tal sanção é aplicada aos inimputáveis ou semi-imputáveis que devido à
doença mental não dispunham total ou parcialmente de suas faculdades mentais ao
tempo da ação ou omissão da prática de um comportamento previsto na legislação
como crime. Diferentemente das penas possui além do fim preventivo o fim curativo.
Baseado no juízo de periculosidade, o juiz determinará ao réu a medida de
segurança, podendo esta ser internação em Hospital de Custódia e Tratamento
Psiquiátrico ou tratamento ambulatorial.
Como já exposto, as medidas de segurança estão positivadas nos artigos
96 à 99 do código penal brasileiro. Cabe ressaltar que inimputável é isento de pena,
conforme reza nosso código penal em seu artigo 26 e parágrafo único:

“é isento de pena o agente que, por doença mental ou desenvolvimento
mental incompleto ou retardado, era, ao tempo da ação ou da omissão,
inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-
se de acordo com esse entendimento”.
Parágrafo único: “a pena pode ser reduzida de um a dois terços, se o
agente, em virtude de perturbação de saúde mental ou por desenvolvimento
mental incompleto ou retardado não era inteiramente capaz de entender o
caráter ilícito do fato ou determinar-se de acordo com esse entendimento”.
IV – TIPOS DE MEDIDAS DE SEGURANÇA E CONCEITOS
São apenas duas espécies de medida de segurança previstas no
ordenamento jurídico brasileiro: a internação em hospital de custódia e tratamento
psiquiátrico e sujeição a tratamento ambulatorial, ficando abolidas outras medidas
pessoais e patrimoniais.
A INTERNAÇÃO EM HOSPITAL DE CUSTÓDIA E TRATAMENTO
PSIQUIÁTRICO, consistente na internação do sentenciado no hospital de custódia e
tratamento psiquiátrico ou na falta deste em estabelecimento similar para a
readaptação do indivíduo à vida em sociedade.

Segundo, Álvaro Mayrink Costa:

“A internação no Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico objetiva a
proteção da macrossociedade para possíveis atos anti-sociais futuros de
doentes mentais graves, autores de injustos penais, bem como o doente
mental internado a tratamento psiquiátrico obrigatório.”

Para Mirabet:
“O Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico é um hospital-presídio,
um estabelecimento penal que visa assegurar a custódia do internado.”
No Tratamento Ambulatorial, são oferecidos cuidados médicos à pessoa,
mas sem internação. É uma inovação no ordenamento brasileiro trazido com a
Reforma de 1984, sendo recomendada aos crimes punidos com detenção. Aos
crimes punidos com reclusão, tal tratamento é impossível de ser concedido de início.
Contudo a possibilidade de punição do crime com detenção por si só não é
suficiente para determinar a conversão da internação em tratamento ambulatorial. É
necessário examinar as condições pessoais do agente para constatar sua
compatibilidade ou incompatibilidade com a medida mais liberal. Se as condições

forem favoráveis, o tratamento ambulatorial será concedido; caso contrário, poderá o
juiz determinar a internação.
V – EXECUÇÕES DAS MEDIDAS DE SEGURANÇA
Para Mirabete:
“Transitada em julgado à sentença em que foi aplicada a medida de
segurança, é ordenada a guia para execução do internamento em hospital
de custódia e tratamento psiquiátrico ou do tratamento ambulatorial.” Como
prediz o art. 183 da LEP, cabe ao juiz das execuções expedir guia de
internação no caso de conversão da pena devido a superveniência de
doença mental.
O Estado é o responsável pela manutenção dos Hospitais de Custódia e
Tratamento Psiquiátrico, e uma vez que as medidas de segurança não se
confundem com as penas, já que àquelas possuem além da função preventiva a
função curativa, neste sentido, doutrina Mirabete que:
“a omissão ou imprevidência do Estado-Administração não justifica o
recolhimento na Cadeia Pública, lesando-se assim o direito individual”.
Dessa maneira, a falta de vagas não pode ensejar a permanência do
sujeito em estabelecimento prisional. Ademais, o art. 99 do CP garante que o
internado será recolhido em estabelecimento com características hospitalares e
submetido a tratamento. Dessa maneira admite-se que o internado possa receber
seu tratamento hospitalar em instituição similar, sendo admitida inclusive a
internação em hospital particular.
VI – DURAÇÃO DAS MEDIDAS DE SEGURANÇA
Nos termos do art. 97, §1º do Código Penal a medida de segurança tem
prazo indeterminado e perdura até que se verifique a cessação da periculosidade.
Não se distingue a medida de segurança para o semi-imputável ou para o
inimputável, sendo esta sempre indeterminada quanto ao máximo e “podendo” ser
perpétua e é nesse ponto que a lei penal conflita com a Constituição brasileira.
A principal justificativa daqueles que alegavam a inconstitucionalidade do
dispositivo é de que as medidas de segurança, por serem tão aflitivas quanto as
penas, uma vez que a essência de ambas as sanções é a restrição dos direitos

fundamentais, devem ser limitadas, pois o Estado não pode exercer seu ius puniendi
perpetuamente sobre nenhuma pessoa.
VII. EXTINÇÃO DAS MEDIDAS DE SEGURANÇA
Fernando Capez ensina que :
“A medida de segurança está sujeita à prescrição, porém não há na
legislação disposição específica que a regule.”
Neste sentido, cabe então à doutrina e à jurisprudência determinar como
deverá ser contado o prazo prescricional da medida de segurança. Uma corrente
defende que o prazo prescricional da medida de segurança deve ser contado tendo
como base o mínimo legal previsto no tipo praticado pelo sujeito.
Outra corrente defende que assim como as penas, o prazo prescricional
das medidas de segurança deve ser contado tendo-se como base o máximo legal
cominado ao ilícito-típico praticado, ou seja, àqueles enunciados no art. 109.
Como doutrina ainda podemos citar o jurista de notável saber Damásio de
Jesus que diz:
“A extinção da punibilidade pode ocorrer antes ou depois da sentença
irrecorrível (...) Se o Estado não tem mais o direito de punir, não podendo
impor a pena, com mais razão não deve impor ou executar medida de
segurança.”
Extinta a punibilidade (art. 107), não se impõe medida de segurança, nem
subsiste a que tiver sido imposta (art. 96, parágrafo único).
VIII – CONSIDERAÇÕES FINAIS
Devemos olhar com mais atenção para os casos de pessoas com medida
de segurança, para não corrermos o risco de que com a desculpa de ser um
tratamento que tenha o objetivo de por fim a periculosidade de alguém não
estejamos sentenciando alguém ao esquecimento e a uma pena eterna sem a
possibilidade de defesa.



BIBLIOGRAFIA
BITENCOURT, Cezar Roberto. Tratado de Direito Penal: parte geral – 14. ed. rev, atual e
ampl. – São Paulo: Saraiva, 2009. v. 1
CAPEZ, Fernando. Curso de Direito Penal: parte geral – 12. ed. de acordo com a Lei
n.11466/2007 – São Paulo: Saraiva, 2008. v. 1
JESUS, Damásio E. de. Direito Penal: parte geral – 30. ed. – São Paulo: Saraiva, 2009. v.1
MIRABETE, Julio Fabbrini. Manual de Direito Penal: parte geral – 24. ed. rev. e atual. até
31 de dezembro de 2006 – São Paulo: Atlas, 2008. v.1
PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL – LEGISLAÇÃO. Disponível
em < www.presidencia.gov.br/legislacao>
SUPREMO TRIBUNAL DE JUSTIÇA. Disponível em <www.stj.gov.br>
SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. Disponível em <www.stf.jus.br>