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Aula de Hoje: Arendt Lijphart e os

Modelos de Democracia

Referências:
LIJPHART, A. (2003). Modelos de democracia;
desempenho e padrões de governo em 36 países.
Rio de Janeiro: Civilização Brasileira.
Sumário: 

(1) Introdução geral: a proposta de
modelos de democracia; 
(2) Revisão dos sistemas eleitorais; 
(3) Sistemas partidários; 
(4) Dimensão Executivo/Legislativo.
Dimensões/Variáveis Modelo Majoritário Modelo Consensual

I) Estado/Partidos

1) Sistemas partidários - Bipartidários; - Pluripartidários;

2) Gabinetes - Gabinetes - Recurso à coalizão;
monopartidários;
3) Executivo/Legislativo - Predomínio do - Equilíbrio entre os
Executivo; poderes;
4) Sistemas Eleitorais - Majoritários; - Proporcionais ou
Mistos;
5) Grupos de Interesse - Pluralismo; - Coordenação
corporativista;

II) Federal/Unitário

6) Divisão de Poder - Governo unitário e - Governo federal e
centralizado; descentralizado;
7) Parlamento/Congresso - Legislativo - Bicameralismo
unicameral; “simétrico”;
8) Constituições - Flexíveis; - Rígidas;
9) Controle de Constitucionalidade: - É feito pelas - É feito por uma corte
próprias legislaturas; judiciária;
10) Banco Central: - Dependentes do - Independentes;
gabinete/Executivo;

Princípios do modelo majoritário majoritarismo → “governo da
maioria”. Quem ganha as eleições concentra o poder decisório.

Princípios do modelo consensual → Dispersão e desconcentração do
poder. Inclusão e representação das minorias. Decisões negociadas entre
vários grupos.
Dimensões/Variáveis Inglaterra Nova Zelândia
(antes de
1996)
I) Estado/Partidos
1) Sistemas partidários - Hegemonia dos dois partidos principais - Partido
(Trabalhista e Conservador) e Nacional e
disciplinados, apesar da força crescente Trabalhista;
do “liberal-democrata”;
- Sistema partidário unidimensional e
polarizado por questões econômicas;

2) Gabinetes - Geralmente é composto pelos membros - Idem
do partido detentor da maior bancada na
Casa Legislativa;
- Minorias são excluídas do governo;
- Possibilidade remota de “gabinetes de
coalizão” e “gabinetes de minoria”;
3) Executivo/Legislativo - Devido à coesão e disciplinas dos - Idem;
partidos, o gabinete controla claramente o
parlamento, sofrendo pouca resistência
para aprovar sua agenda;
4) Sistemas Eleitorais - uninominal de pluralidade que gera - Idem; minoria
grandes distorções (fenômeno das Maori
“maiorias fabricadas”) [cf. exemplos]
5) Grupos de Interesse - pluralismo competitivo com alto grau de - Idem
confronto trabalhista;
Dimensões/Variáveis Inglaterra Nova Zelândia
(antes de 1996)
II) Federal/Unitário
6) Divisão de Poder - Nação unitária e centralizada, onde - Idem;
os poderes locais são dependentes do
central e não garantidos
constitucionalmente;
7) Parlamento/Congresso - regime bicameral, mais assimétrico, - Unicameralismo
com uma Câmara dos Lordes fraca; puro;
8) Constituições - Flexíveis e os dispositivos das leis - Também não tem
básicas podem ser alteradas por Constituição;
maioria congressual;
9) Controle de - Não existe Constituição escrita e nem - Idem;
Constitucionalidade: tribunal de controle da
Constitucionalidade;
10) Banco Central: - Inexiste autonomia; apenas foi - Idem;
concedida em 1997;

Obs.: Tentativas de introduzir a representação proporcional no Reino
Unido, e aprovação do sistema misto na Nova Zelândia em 1996 podem
afetar o funcionamento desse sistema.
Dimensões/Variáveis Suíça Bélgica (federativo após 1993) Brasil??
- Tipo puro com apenas uma exceção; - Modelo a ser estudado.
I) Estado/Partidos
1) Formação do gabinete: + Nem presidencialismo, nem + Monarquia parlamentarista; + Sistema de governo
[partilha do Poder parlamentarismo; vigora um sistema de + Gabinetes de coalizão, incluindo presidencialista;
Executivo por coalizões] colegiado com mandatos fixos; grupos lingüísticos; + Governos de coalizão
+ Na Suíça governa o Conselho Federal, + A Constituição Belga apresenta combinando critérios
composto por sete membros, que se um requisito formal para que o partidários e regionais [cf.
alternam na chefia do governo; há um Executivo inclua representantes Abranches];
governo de coalizão, formado por três dos grandes grupos lingüísticos;
grandes partidos nacionais: Cristão
Democrático; Social-Democrático; Radical
Democrático;
2) Executivo/Legislativo: + O sistema não é nem parlamentarista, + Sistema de governo - Predomínio do Executivo
[equilíbrio entre os nem presidencialista. Existe o Conselho parlamentarista; na produção legislativa e
poderes] Federal. + Os gabinetes duram pouco na formação do gabinete;
+ Como os mandatos são fixos e a tempo, e são formados por - Uso de medidas
legislatura não pode emitir voto de censura coalizões amplas e pouco coesas provisórias;
ao gabinete, os dois poderes são mais [NB: não avança muito nos - Cf. Argelina e Limongi
independentes entre si, e as relações entre indicadores]; (1999);
eles, equilibradas;
3) Sistemas partidários: + Sistema multipartidário, sem nenhum + 12 partidos representados na + Sistema pluripartidário,
[pluripartidarismo = f partido majoritário ou hegemônico; Câmara Baixa, e 9 deles com fragmentado;
(heterogeneidade + RP)] + 200 cadeiras na Câmara baixa, com 15 potencial de coalizão; + Partidos pouco coesos e
partidos representados, das quais 162 são + Clivagens religiosas, de classe altas taxas de migração
ocupadas pelos 4 maiores partidos; e lingüísticas; partidária;
+ Obs.: Polêmica;
4) Sistemas Eleitorais: + Sistema eleitoral proporcional; + Sistema eleitoral proporcional + Sistema eleitoral
[representação de listas fechadas; proporcional de listas
proporcional] abertas;

5) Grupos de Interesse + “corporativismo liberal” com alto grau de + “corporativismo liberal” com alto + “corporativismo de
[corporativismo] poder das associações patronais (≠ do grau de poder das associações estado”, com forte papel
corporativismo “social”): concertação patronais; do Estado;
tripartite; grupos de interesse; associações
de cúpula;
Dimensões/Variáveis Suíça Bélgica (federativo após 1993) Brasil??
II) Federal/Unitário

6) Divisão de Poder: + Federação altamente descentralizada +/- Tornou-se uma nação + Federação centralizada
[governo federal e formada por vinte cantões e seis federativa a partir de 1993 mas com papel importante
descentralizado] subcantões; combinando regiões geográficas e dos governadores;
comunidades culturais;
7) Parlamento/Congresso: + Bicameralismo forte e simétrico +/- Bicameralismo forte e - Bicameralismo forte com
[forte bicameralismo] (Conselho Nacional e Conselho dos assimétrico, já que o Senado não grande poder de veto;
Estados) tem poderes orçamentários;
8) Constituições: + Rígidas; emendas à Constituição têm de - Rígidas; emendas à Constituição - Rígidas; emendas à
[rigidez constitucional] ser aprovadas por referendo na maioria têm de ser aprovadas por 2/3 de Constituição necessitam
dos cantões; ambas as casas; de quorum de 3/5 em
ambas as casas;
9) Controle de - A Suprema Corte Suíça (o Tribunal +/- Na Bélgica apenas em 1984 + O STF tem essa
Constitucionalidade Federal) não pode realizar revisão judicial; foi introduzida a Nova Corte de prerrogativa →
[revisão judicial] Arbitragem; Judicialização da política”

10) Banco Central: + O BACEN Suíço é um dos mais fortes e - O Banco Nacional da Bélgica era - BACEN ganhou
independentes do mundo; fraco e dependente do Executivo progressiva autonomia ao
até meados dos 90’s; longo dos 90’s;
Cap. 8) Sistemas eleitorais. 

1.1) Introdução: 
Sete aspectos básicos dos sistemas
eleitorais 
Tese: os SR são menos
desproporcionais. 
As fórmulas eleitorais das 36
democracias (p. 171)
Uma longa citação... 
“A preferência dos defensores do modelo majoritário pelos
sistemas bipartidários, assim, está clara e logicamente ligada
à sua preferência pelos gabinetes unipartidários poderosos e
predominantes. Além disso, no capítulo 8, mostrarei uma
forte ligação entre os sistemas partidários e os sistemas
eleitorais, o que explica ainda mais a sólida preferência dos
advogados do modelo majoritário pelo sistema de maioria
simples, em lugar da representação proporcional, por causa
de sua inclinação pelos partidos maiores e sua contribuição
para o estabelecimento e a manutenção dos sistemas
bipartidários. Entretanto, o fato de essa síndrome das
características majoritárias realmente traduzir-se, ou não,
por um processo decisório mais capaz e eficaz do que seu
correspondente consensual é totalmente um outro assunto.
Lowell afirma, simplesmente, que a força concentrada
significa uma efetiva capacidade de tomar decisões. No
capítulo 15 demonstrarei que essa certeza é, em grande
parte, incorreta.” (p. 87).
1.2) Principais determinantes do N (partidos) que
compõem sistemas partidários e do grau de
desproporcionalidade dos sistemas políticos: 
Fórmulas eleitorais: efeitos “mecânicos” (objetivos)
e “psicológicos” (subjetivos sobre o eleitor) dos
diferentes sistemas; 
Magnitude dos distritos: ↑ magnitude => ↓
desproporcionalidade 
Barreira eleitoral/”Cláusula de barreira”: ↑ barreira
=> ↓ N (partidos); 
Dimensões do corpo eleito: ↑ N (eleitos) = ↑ N
(partidos) 
Sistemas de governo: Presidencialismo => ↓ N
(partidos) 
Distribuição geográfica dos distritos:
gerrymandering (majoritários); desigualdades
regionais (proporcionais); 
Coligações eleitorais: apparentement : coligações
“fáceis” => ↓ desproporcionalidade e ↑ N (partidos)
1.3) Graus de desproporcionalidade: 

Desproporcionalidade = % votos -
% cadeiras que os partidos obtém. 
Os graus/índices de
desproporcionalidade nas 36
democracias (p. 187); 
Análise dos graus de
desproporcionalidade (p. 188)
1.4) Sistemas eleitorais e sistemas
partidários 

As maiorias “fabricadas”; 
Correlação alta entre grau de
desproporcionalidade e nº partidos
efetivos;
Cap. 5) Sistemas partidários: padrões
bipartidários e multipartidários: 

Critérios de contagem do número
efetivo de partidos; 
Número aproximado de partidos
efetivos nas 36 democracias
examinadas; 
Determinantes não institucionais do
número de partidos => o grau de
pluralismo do sistema partidário.
5.1) O número efetivo de partidos 

Critérios de contagem: 
Sartori => índice qualitativo = f
(potencial de coalizão; potencial de
veto); 
Markku Laakso & Rein Taagepera
(1979):
5.2) Os sistemas partidários das 36
democracias
Cap. 6) Gabinetes: concentração X
partilha do poder Executivo: 

A extensão da participação dos
representantes do povo no ramo
Executivo do governo como variável
mais típica do contraste DM/DC; 
Dois problemas centrais: a)
modelos explicativos das coalizões;
b) características dos gabinetes nas
36 democracias
6.1) Teoria das coalizões: 

Coalizão no parlamentarismo // do
presidencialismo;
6.2) Incentivos para a formação de
gabinetes de minoria e de ampla maioria: 

GMV/Gabinetes Minimamente Vitoriosos =
mais de 50% mas se sair algum partido
perde essa maioria; 
GS/Gabinetes Sobredimensionados =
mais de 50% e mesmo se um partido sair
da coalizão não perde a maioria; 
GM/Gabinete de Minoria = não são
apoiado por uma maioria parlamentar
(115)
Características das coalizões:

Tipo de gabinete Nº Partidos Base parlamentar de Grau de Consenso
apoio

GS pluripartidários N>1 N – 1 > 50% Muito Alto

GS unipartidário Não existe Não existe Não existe

GMV pluripartidário N>1 N > 50% Alto

GM unipartidário N=1 N < 50% Médio

GMV Unipartidário N=1 N > 50% Baixo
Apêndice: as críticas a Lijphart. 

Acrescentar depois algumas críticas
ao autor.