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Próprio dos Santos – 16 de novembro

SANTA GERTRUDES, VIRGEM
Nasceu em Eisleben (Turíngia) no ano 1256. Era muito jovem ainda quando
foi acolhida no mosteiro cisterciense de Helfta, onde se entregou com
grande diligência ao estudo, dedicando-se especialmente à literatura e à
filosofia. Mais tarde, consagrou-se exclusivamente a Deus e progrediu de
modo admirável no caminho da perfeição, levando uma vida extraordinária
de oração e contemplação. Morreu a 17 de novembro de 1301.
Segunda leitura
Dos livros das Revelações do amor divino, de Santa Gertrudes,
virgem
(Lib. 2,23,1.3.5.8.10: SCh 139,330-340)
(Séc. XIII)
Tiveste sobre mim pensamentos de paz
Que minha alma te bendiga, Senhor Deus, meu criador, e,
do mais íntimo de meu ser, louvem-te as tuas misericórdias
com que tão gratuitamente me envolveu tua imensa piedade!
Dou graças, onde e sempre que posso, à tua infinita
misericórdia. Com ela louvo e glorifico tua generosa paciência
com que encobriste todos os anos de minha infância e
meninice, adolescência e juventude, até perto dos vinte e cinco
anos. Anos vividos com tão cega insensatez que, por
pensamentos, palavras e atos, fazia sem remorsos, assim me
parece agora, tudo o que queria, onde quer que podia. Se não
me prevenisses pelo inato horror ao mal e gosto pelo bem, pela
exortação exterior das pessoas circunstantes, teria vivido como
pagã entre pagãos. Nunca teria, então, entendido que tu, meu
Deus, recompensas o bem e castigas o mal. No entanto, desde a
infância, isto é, os cinco anos, tu me tinhas escolhido para me
admitir entre os mais fiéis dos teus amigos na prática da santa
religião.
Por isto, Pai amantíssimo, como reparação, eu te ofereço a
paixão de teu dileto Filho, desde a hora em que deu o primeiro
vagido, deitado nas palhas da manjedoura, e, em seguida,
suportou as fraquezas da infância, os limites da meninice, as
adversidades da adolescência e os sofrimentos juvenis, até a
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hora em que, inclinando a cabeça na cruz, entregou o espírito
com um forte grito. Da mesma forma, em satisfação de todas as
minhas negligências, ofereço-te, Pai amantíssimo, a mais santa
das vidas, perfeitíssima em todos os pensamentos, palavras e
atos, a vida de teu Unigênito, desde o instante em que, enviado
das alturas do teu trono, entrou em nosso mundo, até depois
daquela hora em que apresentou a teus paternos olhos a glória
da carne vencedora.
Em ação de graças, mergulhando no profundo abismo da
humildade, cubro de louvores tua mais que excelente
misericórdia. Ao mesmo tempo adoro a suavíssima
benignidade com que tu, Pai das misericórdias, pensaste
pensamentos de paz e não de aflição sobre mim que vivia tão
desorientada, e com que me exaltarias com a multidão e
grandeza de teus benefícios. Acrescentaste ainda para mim o
dom da familiaridade inestimável da amizade. De diversos
modos me abriste a nobilíssima arca da divindade, quero dizer,
teu coração divinizado, para a satisfação de todos os meus
desejos.
Além de tudo isto, atraíste minha alma com as promessas
tão firmes de benefícios com que queres me cumular na morte
e depois da morte. Com toda razão, se não recebesse de ti
nenhum outro dom, só por elas o meu coração com viva
esperança ansiaria sem cessar por ti.

Responsório Cf. Jr 31,3b; Os 2, 16b.21
R. Com eterna caridade, o Senhor amou Gertrudes e por isso,
compassivo, desde a infância, a atraiu, a levou para o deserto
* E falou-lhe ao coração.
V. Desposou-a para sempre, num amor-fidelidade. * E falou-
lhe ao coração.
Oração
Ó Deus, que preparastes para vós uma agradável morada no
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coração da virgem Santa Gertrudes, iluminai, por suas preces,
as trevas do nosso coração, para que experimentemos em nós a
alegria da vossa presença e a força da vossa graça. Por nosso
Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.