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Momentos Históricos

Na história dos festivais há um momento que não será esquecido. Em 10 de outubro de 1966
no "II Festival de MPB", realizado pela TV Record, Jair Rodrigues - que interpretava a música
"Disparada" de Geraldo Vandré e Theo de Barros (que ainda tocou sua viola), acompanhado
de Hermeto Pascoal no piano e completado Quarteto Novo, Nanini (percursão) e o Trio Maraya
- competiu lado a lado com Nara Leão e Chico Buarque - interpretando sua música "A Banda".
O público ficou indeciso com seus gritos e aplausos, metade queria consagrar "Disparada"
como a vencedora, a outra metade queria "A Banda"... O mesmo acontecia com os jurados.
Historicamente tiveram que dividir o título ao meio.

O festival de 1967 entraria para a história dos Grandes Festivais por possuir um grande número
de músicos de boa qualidade, desde Chico Buarque à Roberto Carlos, passando por Gilberto
Gil (neste ano nasceu a Tropicália), Edu Lobo, Johnny Alf, Mutantes, entre outros. Mas neste
mesmo festival cobriram os auditórios de vaias quando Jair Rodrigues foi desclassificado por
causa de uma pequena torcida da gravadora e foi classificada a música "Beto Bom de Bola" de
Sérgio Ricardo, que mostrava-se desafinado e com altos e baixos na melodia de sua música.
No final do concurso as vaias aumentaram e Sérgio Ricardo, com muita raiva quebrou seu
violão na perna e tacou-o na platéia. Naquela edição do festival começaram a surgir os
protestos com tempáticas revolucionárias, anti-ditadura militar. A censura começou a pegar no
pé com mais firmeza...

E 1968 foi o ano do Tropicalismo nos festivais da Record, daí surgiu Tom Zé, que foi campeão
com "São São Paulo Meu Amor" ao lado de Chico Buarque com "Bem Vinda". O último festival
foi em 1969, o IV Festival de Música Popular Brasileira, que foi vencido por Paulinho da Viola e
sua música "Sinal Fechado". Depois disso acabaram-se os festivais da Record e a emissora
optou por reformular seu modelo de festival e criar a Bienal do Samba (a primeira aconteceu
em 1968).

No ano seguinte vários incêndios se espalharam pelos estúdios das emissoras do Rio e de São
Paulo, como também em seus teatros (exemplo disso é o caso do incêndio no Teatro Record -
a emissora sofreu três incêndios em menos de um ano).

Outros Festivais

A Excelsior em 1966 deixaria de fazer o Festival de Música Popular Brasileira, como já disse
aqui, e criaria o "I Festival da Nova Música Popular" (chamada pela própria também como "II
Festival de MPB", como o que já acontecia na Record) e depois criou o "Brasil Canta" (em São
Paulo) e "Brasil Canta no Rio", que revelou Taiguara.

A Secretaria de Turismo da Guanabara criou em 1965 o "FIC - Festival Internacional da
Canção", que teve sua primeira realização feita pela TV Rio em 1966. O primeiro consagrou
Nana Caymmi com "Saveiros" de Nelson Motta e de seu irmão Dori Caymmi. A partir do II FIC,
a Globo foi a responsável - até 1972 quando ele foi extinto.

Foi através do FIC que Milton Nascimento, Beth Carvalho, Golden Boys, Belchior, Zé Rodrix,
Jorge Ben (na época sem o segundo "jor") Edmundo Souto, Baden Powell, Paulinho Tapajós,
Danilo Caymmi, Ednardo, Cynara e Cybele (que depois seriam responsáveis pela criação do
"Quarteto em Cy", Paulo Sérgio Pinheiro, Tom Jobim e outros se consagraram. O FIC
conseguiu mais força ainda quando Solano Ribeiro passou da Record para lá, ao lado de seu
produtor Renato Corrêa e Castro em 1968. O FIC tinha até hino, composto por Erlon Chaves.

A TV Globo naquele ano finalmente fez com que o FIC ficasse para história quando transmitiu
com muita ousadia músicas anti-ditadura, como "É Proibido Proibir" de Caetano Veloso,
"Questão de Ordem" de Gil e principalmente "Pra Não Dizer Que Não Falei das Flores", que
virou hino da luta contra a ditadura militar ("Caminhando e cantando e seguindo a canção..." - a
música impressionou o povo mais ainda no Maracanãzinho, por ter sido cantada apenas por
Vandré e acompanhado só do violão, mais nada, nem ninguém). A platéia quase chegou a
agredi-los. Foram perseguidos após baterem de frente com o AI-5 (Ato Inconstitucional n.º 5,
imposto pelo Presidente Costa e Silva). E o resultado foi o exílio da maioria dos cantores da
época...Gil, Caetano, Chico Buarque, entre outros foram para o exterior, sem esquecer dos
políticos e líderes de movimentos revolucionários. A vitória de "Sabiá" de Tom Jobim no lugar
de "Pra Não Dizer Que Não Falei das Flores" é considerado por muitos como uma vitória
injusta. Talvez seja por causa desta música que Tom Jobim seja taxado por muito como
alguém que ficou omisso ao movimento anti-ditatura na classe artística da qual fez parte até
sua morte. Solano Ribeiro até disse uma vez ao Jornal da Tarde que "houve uma forçada de
barra, sim", quando se referiu à vitória de "Sabiá". Outra coisa que marcou o FIC era a frase do
apresentador Hilton Gomes: "Boa sorte, maestro!".