RESUMO

Resenha com a finalidade de expor e analisar alguns dos métodos de treinamento do
ator, e suas funções.
Nas últimas décadas, a noção de treinamento difundiu-se com grande importância no
teatro ocidental, produzindo outros meios a inúmeros pesuisadores da arte do ator, ue
passaram a experimentar diferentes pr!ticas, técnicas e procedimentos. "or tratar-se de
uma noção ue a#range muitos campos de pesuisa, ela carrega em sua potencialidade,
muitas contradições e am#ig$idades.
% treinamento do ator parece a#rir uma reflexão so#re o modo como o treinamento pode
fomentar a autonomia do ator, e a força do ato criati&o.
O treinamento não ensina a interpretar, a se tornar hábil, não
prepara para a criação. O treinamento é um processo de
autodefinição, de autodisciplina que se manifesta através de reações
físicas. Não é o exercício em si mesmo que conta por exemplo, fa!er
flexões ou saltos mortais mas a motivação dada por cada um ao
pr"prio trabalho, uma motivação que, ainda quem banal ou difícil de
se explicar por palavras, é fisiolo#icamente perceptível, evidente para
o observador. $ssa aborda#em, essa motivação pessoal decide o
sentido do treinamento, da superação dos exercícios particulares, na
verdade exercícios #inásticos estereotipados. %&'(&') *++*, p. ,+-
% cap'tulo escolhido para an!lise no li&ro ' 'rte .ecreta do (tor é o ue se fala so#re
$N$(/0'.
ENERGIA
)egundo *.% +urnier ,-../, p. 01-2.3, a pala&ra energia &em do grego 4N4R5%N,
ue significa 6em tra#alho7 ,em 8 entrar, dentro9 ergon, ergein 8 tra#alho3, não de&endo
ser confundida, no entanto, com conceitos como força e &igor, pois energia pode ser
algo delicado e sutil. % tra#alho pressupõe uma resist:ncia ue ao ser produzida, gera
energia.
"ara 4ugenio +ar#a, a ener#ia do ator é uma qualidade claramente identificável) é sua
pot1ncia nervosa e muscular, que está presente em qualquer corpo vivo. "ara ele, o ator
pode manipular sua energia por meio de #ases técnicas #aseadas em &!rias tradições do
teatro e da dança, ue utilizam resist:ncias musculares poderosas, oposições corporais,
entre outros procedimentos ue tem como o#;eti&o destruir as posições mais naturais no
corpo do ser humano.
+urnier tam#ém afirma ue uma outra maneira de se referir < energia é defini-la como
fluxo ue encontra resist:ncias para &enc:-las, ou como &i#ração ue se propaga pelo
espaço. =essa forma, energia estaria ligada < capacidade de gerar tra#alho, de transpor
resist:ncias e romper com a inércia.
)endo uma realidade no tra#alho do ator, constitui-se como algo poss'&el de ser
manipulado, controlado, desperdiçado, construindo um tra#alho de resist:ncia
constante.
2$studar a ener#ia do ator, portanto, si#nifica examinar os princípios pelos quais ele pode
modelar e educar sua pot1ncia muscular e nervosa de acordo com situações não3cotidianas4.
%&arba, *++,, p. 56-
( energia é tida como algo gerado no corpo pela ação, ue en&ol&e as dimensões f'sica,
&ocal, emocional e ps'uica. 4la pode estar associada a muitos tipos de pot:ncias.
27...8dilatam sua presença e, consequentemente, também a percepção do espectador. $les são o
corpo3em3vida na ficção do teatro ou dança. 9ara esse fim usam processos mentais, má#icos,
subtextos pessoais. 9ara esse fim, ima#inam que seu corpo é o centro de uma rede de tensões e
resist1ncias físicas, irreais mas efica!es. $les usam uma técnica extracotidiana do corpo e da
mente.
No nível visível parece que eles estão expressando a si mesmos, trabalhando com seu corpo e
sua vo!. Na realidade, eles estão trabalhando sobre al#o invisível) a ener#ia.
O conceito de ener#ia é um conceito obvio e difícil. 9odemos associá3lo ao ímpeto externo, ao
#rito, ao excesso de atividade muscular e nervosa. :as ele também se refere a al#o íntimo,
al#o que pulsa na imobilidade e no sil1ncio, uma força retida que flui no tempo sem se
dispersar no espaço.4
%&arba, *++,, p.;*-
( noção de presença est! intimamente ligada a energia. 4ugenio +ar#a chama-a de
cont'nua mutação e crescimento ue acontece diante de nossos olhos, para os uais o
fluxo de energia ue caracteriza o comportamento cotidiano foi redirecionado. )egundo
ele ,/112, p. 203, 2as tensões que secretamente #overnam nosso modo normal de estar
fisicamente presentes, v1m < tona no ator, tornam3se visíveis inesperadamente4.
4studar a energia do ator, segundo ele, significa examinar os princ'pios pelos uais o
ator pode modelar e educar sua pot:ncia muscular e ner&osa, de acordo com situações
não-cotidianas. No cap'tulo 64nergia7 ,p.>03, +ar#a denomina &!rios tipos de energia
em diferentes culturas. Nas tradições orientais a energia tem como expressão o ?oshi,
na @ndia, ?ung-fu na Ahina, +aBu em +ali, etc.
?%)CD E "ala&ra usada no Fapão para definir a presença do ator. Refere-se a uma única
parte do corpoG o uadril.
Hazer uso do ?oshi implica em #louear o mo&imento do uadril uando caminhamos.
=ois tipos de tensões são criados no corpo - na parte inferior ,as pernas ue de&em
mo&er-se3 e na parte superior ,o tronco e a coluna &erte#ral3, ue est! comprometida,
forçando para #aixo, so#re o uadril. Dsto &ai pedir um euil'#rio peculiar, onde o tInus
muscular do ator é alterado, precisando usar muito mais energia e fazer maior esforço
do ue uando caminha cotidianamente.
(tri#ui-se tam#ém no ocidente a terminologia JanimaJ < energia feminina e ao termo
JanimusJ a energia masculina.
2$m todo homem há uma mulher e em toda mulher há um homem. $sse lu#ar comum, não
auxilia o ator a se tornar consciente da nature!a dupla e afilada da ener#ia individual 7...8.4
2.eria um erro pensar que um ator é #uiado somente por uma dessas ener#ias) ambas estão
sempre presentes, e um ator experiente sabe como equilibrar seu uso, acentuando uma ou outra
de ve! em quando.4 %p.5;-.
(s ualidades de energia 6anima7 e 6animus7, descre&em uma polaridade
complementar inerente a tudo o ue &i&e e é criado.
=atsumi >i?i@ata
Aa!uo Ohno
"enso ue o corpo e mente extracotidiano, ad&ém do tra#alho de uma única força ue é
o mane;o puro e m!gico da energia, ue permeiam de um corpo a outro sem fazer
distinção de sexo. Aada ator tem sua propensão indi&idual e sua força plasmadora ue
nascem de impulsos prKprios e naturais.
+ar#a ainda nos diz ue energia não é esse 'mpeto externo, esse excesso de ati&idade
muscular e ner&osa, mas se Jrefere a al#o íntimo, al#o que pulsa na imobilidade e no
sil1ncio, uma força retida que flui no tempo sem se dispersar no espaço4.
4m +ali, energia é definida pelo termo baBu,&ento3. ( energia é um &endo ue anima as
ações do ator, atra&és de um dom'nio das posições do corpo, ue &ariam de tensões
sua&es e fortes.
Lodas as formas de dança #alinesa são constru'das so#re uma série de oposições entre
?4R() 4 M(ND).
?4R() significa forte e &igoroso. M(ND) significa delicado e sua&e. (s duas forças
opostas são encontradas sempre como ualidades essenciais para ualuer ;ogo de
oposição e tensão no corpo do ator.
=eatro &alin1s %diafra#ma tenso-
( energia na @ndia tam#ém é tra#alhada dentro da polaridade, são di&ididos em duas
categorias principaisG *()N( ,sua&e3 e L(N=(O( ,&igorosa3.
( representação do personagem não é #aseada na identidade sexual do ator, mas no
modelamento da energia segundo uma direçãoG forte ou delicada.
% teatro NI