Universidade de Brasília

Departamento de Geografia
Disciplina: Regional do Espaço Brasileiro
Professora: Cláudia Andreoli
Aluno: Ezio Santos 120010798

Fichamento do texto: O Conceito de Polo de Crescimento (pp. 145 – 156)
PERROUX, François. Note sur la notion de pôle de croissance. Economie
Appliquée, 1955. Com permissão da Revista Brasileira de Estudos Políticos.
“G. Cassel apresentou-nos o modelo de uma economia em crescimento
equilibrado, em que não se modificam as proporções entre os fluxos. Nele a
população cresce; a produção global cresce na mesma proporção que a
população; assim, a relação entre o fluxo de bens de produção e o fluxo de
bens de consumo permanece constante; a propensão a consumir e a
propensão a poupar, os coeficientes de produção, o tempo de trabalho
permanecem constantes; o capital real aumenta de modo exatamente
proporcional à produção e ao consumo; a renda real “per capita” matem-se
constante; o índice do nível geral de preços e os preços relativos não
mudam..., Em suma, „a economia de um período é a réplica exata da economia
do período antecedente; as quantidades são apenas multiplicadas por um dado
coeficiente‟.” (p. 145)
“o equilíbrio estático e o circuito estacionário são instrumentos lógicos, próprios
para colocar em destaque as mutações e classificar os tipos de mutações.
Igualmente, o crescimento sem mutação nas proporções e nas flutuações (que
prefigura as modalidades contemporâneas do crescimento equilibrado) é um
instrumento para compreender e classificar as mutações estruturais, as
flutuações, os progressos (e eventualmente os retrocessos) que concorrem em
todo processo observável de crescimento.” (p. 146)
“O fato, rude mas verdadeiro, é o seguinte: o crescimento não aparece
simultaneamente em toda parte. Ao contrário, manifesta-se em pontos ou polos
de crescimento, com intensidades variáveis, expande-se por diversos canais e
com efeitos variáveis sobre toda a economia.” (p. 146)
“a) No equilíbrio geral da concorrência perfeita, a maximização do produto
global no ponto ótimo é consequência da maximização dos lucros de cada
firma individual. Tais lucros são função de suas vendas e de suas compras no
mercado de fatores.” (p. 148)
“Estabelecendo uma comparação entre a firma e a indústria, o que foi dito a
respeito das inter-relações entre firmas pode-se estender às inter-relações
entre indústrias. Se eliminarmos o conceito de indústrias e mantivermos
apenas o de um conjunto de empresas, a aplicação das economias externas é
imediata.” (p. 148)
“O nascimento de uma indústria nova é sempre fruto de uma expectativa. Um
ou mais agentes se propõem a enfrentar uma situação nova. Julgam-na
possível. Assumem os riscos de sua realização. O projeto vai depender da
amplitude de seu horizonte econômico, e se consubstancia em um plano ou
mais exatamente, em planos alternativos e suscetíveis de correções, no
decurso de períodos sucessivos. Uma vez que esses planos sejam ou se
tornem compatíveis com os planos de outros agentes, em um mesmo conjunto,
a expectativa torna-se criativa.” (p. 150)
“1. Considere-se uma indústria que tenha a prosperidade de aumentar as
vendas (e as compras de serviços) de uma outra, ou de várias outras
indústrias, ao aumentar suas próprias vendas (e suas compras de serviços
produtivos). Chamamos, por enquanto (segundo esta acepção determinada),
motriz a primeira indústria e a segunda (ou as segundas), indústria movida.” (p.
152)
“O conceito de indústria-chave, essencialmente relativo, é um instrumento de
análise que, em cada caso concreto, exige uma definição precisa do conjunto
de indústrias movidas, do período considerado e do complexo formado pela
indústria motriz e indústrias movidas. O fato decisivo é que, em toda estrutura
de uma economia articulada, existem indústrias que constituem pontos
privilegiados de aplicação das forças ou dinamismos de crescimento. Quando
essas forças provocarem aumento das vendas de uma indústria-chave,
provocarão também, expansão e crescimento, de grande vulto, no conjunto
mais amplo.” (p. 153)
“2. Frequentemente, o regime do complexo industrial, é, por si mesmo,
„desestabilizante‟, por se uma combinação de formas oligopólicas.” (p. 153)
“3. A aglomeração territorial adiciona suas consequências específicas à
natureza da atividade (indústrias-chaves) e ao regime não-concorrencial do
complexo. (p. 154)
“Em um polo industrial complexo, geograficamente aglomerado e em
crescimento, registram-se efeitos de intensificação das atividades econômicas,
devido à proximidade e aos contatos humanos. A aglomeração industrial-
urbana suscita tipos de consumidores com padrões de consumo diversificados
e progressivos, em comparação com os do meio rural. Necessidades coletivas
(habitação, transportes, serviços públicos) emergem e se encadeiam. Rendas
da terra vêm somar-se aos lucros dos negócios. No âmbito da produção, tipos
de produtores (empresários, trabalhadores qualificados, quadros industriais)
formam-se e mutuamente se influenciam, criam suas tradições e
eventualmente participam do espírito coletivo.” (p. 154)
“O crescimento do mercado no espaço, quando provém da comunicação de
polos industriais, e, mais geralmente, de polos de atividades territorialmente
aglomerados, é precisamente o contrário do crescimento igualmente
distribuído: opera-se por concentração de meios de pontos de crescimento no
espaço, de onde se irradiam, em seguida, correntes de trocas. As mudanças
da técnica, as vicissitudes políticas, as orientações das correntes do tráfico
mundial entre polos maiores favorecem ou desfavorecem os polos
territorialmente aglomerados. Quando começa o declínio do polo, se fazem
sentir as consequências das concentrações humanas e de capitais fixos e
fixados e da rigidez das instalações e das estruturas que haviam acompanhado
o desenvolvimento desse polo. O polo, até então, fonte de prosperidade e de
crescimento, passa a ser um centro de estagnação.” (p. 155)
“A economia nacional em crescimento não mais se apresenta, unicamente,
como um território politicamente organizado sobre o qual vive uma população,
nem como um aprovisionamento de fatores de produção, cuja mobilidade
cessa nas fronteiras.” (p. 155)