Universidade de Brasília

Departamento de Geografia
Disciplina: Regional do Espaço Brasileiro
Professora: Cláudia Andreoli
Aluno: Ezio Santos 120010798

Fichamento do texto: Uma Teoria de Desenvolvimento Regional (pp. 40 – 82)
HILHORST, J.G.M. Planejamento Regional - Enfoque sobre sistemas. Rio de
Janeiro, 1973. Zahar Editores.
“Portanto nossa primeira tarefa será examinar o processo pelo qual tias
concentrações de atividades executivas se desenvolvem e que conduz ao
surgimento do centro do subsistema da região. Esse centro identifica-se com a
cidade, que pode ser definida como um conjunto inter-relacionado de
atividades humanas de natureza não-agrícola, separadas uma das outras por
distâncias relativamente pequenas. Como tal, ele exige, para uma existência,
uma contínua produção de excedentes agrícolas alhures. Em outras palavras,
se a produtividade agrícola não for suficientemente maior do que a exigida para
a manutenção dos agricultores e seus familiares, a especialização em
atividades não-agrícolas será impossível e as cidades não tem condições de
existir.” (p. 42)
“Embora em muitas cidades o transporte e o comércio tenham surgido primeiro,
isso não ocorre necessariamente em todas. Outras causas podem figurar em
sua origem, tais como um santuário, uma guarnição militar, um centro
governamental, uma mina etc.; contudo, as duas funções mencionadas
anteriormente serão sempre executadas. Uma consequência muito importante
desse fato é que, no momento em que tenham alcançado um alto grau de
desenvolvimento, as cidades serão bastante diferentes das vilas que a
circundam no que se segue: enquanto as aldeias se caracterizam pela
homogeneidade social, as cidades tem, como aspecto principal, a
heterogeneidade social. A homogeneidade social das aldeias é, em grande
parte, explicada pelo fato de que seus habitantes tem um interesse comum:
atividades agrícolas; enquanto que a heterogeneidade da cidade é causada,
por um lado, pela diversidade de funções executadas por seus habitantes e,
por outro lado, pela variedade das origens de que procedem.” (p. 42)
“De acordo com Lampard e Friedmann, é essa heterogeneidade social, da qual
surge a mentalidade urbana, baseada na racionalidade e não na religiosidade,
que reflete vitalidade e um anseio por mudança, ao invés de cultuar um
profundo sentimento de tradição. A inovação, da qual a transformação
tecnológica é apenas um dos aspectos, correrá mais facilmente na cidade do
que no meio rural, e é ali que ocorrerá uma amplitude relativamente grande de
antecedentes e funções que causam a disponibilidade de um grande número
de informações. As inovações, que se baseiam grandemente na combinação
de elementos existentes, e as possibilidades de utilização de unidade de
informação para o surgimento de novas combinações, evidentemente, são
muito mais intensas na cidade do que no meio rural, pois a cidade tem mais
acesso às informações, bem como a um maior número de informações.” (p. 43)
“A especialização é uma importante consequência da inovação. Isso é fato
especialmente no que diz respeito às inovações que causam transformações
nas estruturas econômicas, bem como em relação àquelas que propiciam o
aparecimento de novas estruturas sociais e políticas.” (p.43)
“Friedmann mencionou três tipos específicos de agentes que devem ser
considerados como responsáveis pela subsequente integração de uma área
geográfica em uma região na qual os espaços sociais, políticos e econômicos
do centro tendem a coincidir. Esse processo de integração baseia-se,
principalmente, nas informações levadas à periferia por intelectuais,
administradores e empresários.” (p. 44)
“A diferença bastante profunda entre os sistemas sociais da cidade e do campo
e do meio rural mencionada acima é normalmente mantida e aumentada, nas
fases iniciais do processo de desenvolvimento, pelo comportamento da
intelectualidade urbana. A profunda diferença social começará a desaparecer
com o surgimento de intelectuais descontentes, e provavelmente dissidentes,
que passarão a comunicar, ao outro grupo, os valores existentes.” (p. 44)
“À medida que o processo de integração social avança, ou até mesmo antes
disso, os administradores ampliarão a influência exercida pela cidade, com o
estabelecimento de uma certa ordem administrativa, a qual, mais tarde,
converter-se-á em ordem legal. Desta maneira, um elemento político da cidade
central, no qual cidades e vilas estão subordinadas às normas do centro
regional.” (p. 44)
“Em muitos casos, os recursos naturais de uma região são a base econômica
para o surgimento como tal e para o seu desenvolvimento posterior. Entende-
se que o grau de utilização dos recursos naturais seja determinado pelos níveis
da tecnologia e do desenvolvimento econômico daqueles que os exploram.” (p.
45)
“Desde que tais recursos estejam localizados de uma maneira concentrada, as
chances de se obter um desenvolvimento vigoroso dos estabelecimentos
urbanos são maiores do que se estivessem localizados de maneira dispersa. E
como o crescimento dos estabelecimentos urbanos pode ser identificado com o
aparecimento de melhores chances para a ocorrência das inovações, pode-se
avaliar como positiva, do ponto de vista do desenvolvimento, a concentração
de recursos naturais.” (p. 45)
“O centro urbano desenvolvido pelo aumento da produtividade de seu
hinterland, bem como, pela produtividade de suas atividades secundárias, foi
denominado por Perroux “pôle de croissance”, ou seja, polo de crescimento,
que enfatiza o efeito que tias centros causam no desenvolvimento global da
região, como em sua estrutura espacial. Perroux argumenta que o
aparecimento de tal polo dá origem a economias de escala que, até então, não
podiam ser realizadas na região.” (p. 46)
“A analise de Perroux foi aperfeiçoada por Siebert, que estuda um certo
número de fatores de crescimento, em termos de sua origem e efeito
locacionais, tais como crescimento dos estoques de capital e trabalho e
aumentos relacionados da procura de bens de consumo e de bens de capital.
Por isso, Siebert diz que a taxa de retorno do capital for maior no centro, ou
polo, haverá a tendência de um fluxo de rendas investíveis, provenientes de
muitos pontos da região em direção ao centro.” (p.46)
“Dado o fato de que os bens de investimentos são normalmente encontrados
em firmas de médio e grande porte, deve-se concluir que o aumento da procura
para bens de investimento se dirigirá à polarização. Enquanto os processos
econômicos ocorrem, dos quais a migração é de especial importância
econômica, os processos sociais e políticos continuam, algumas vezes,
reforçando os processos econômicos, e em outras tolhendo-os.” (p.47)
“O tipo de recursos naturais mencionados na seção precedente resulta,
frequente e subsequentemente, em uma escala de atividades que é
determinada, principalmente, pela procura extra-regional. Este é,
especialmente, o caso de recursos naturais tais como belezas naturais,
reservas minerais, condições ecológicas favoráveis, portos naturais etc., ou
suas combinações. A exploração dos recursos pode, então, tornar-se a base
econômica para o processo de desenvolvimento de uma região. Isso não
acontecerá, porém, se certas pré-condições não forem satisfeitas.” (p. 48)
“o resultante aumento das exportações da região produz efeitos multiplicadores
similares aos das exportações de uma nação. Em outras palavras, os
rendimentos auferidos pelo aumento das atividades de exportação serão
gastos na região, o que causa uma atividade econômica regional bem como o
aumento da importação, muito embora, frequentemente, os lucros não sejam
investidos na área na qual são gerados, porque a propriedade das unidades
exportadoras é de firmas estabelecidas fora da região, não se estimulando,
dessa maneira, o seu futuro crescimento.” (p. 49)
“uma vez que o comércio entre duas regiões alcance um certo volume, uma
outra força começa a funcionar, propiciando a destruição das condições nas
quais o crescimento da região pobre se baseava. Tal força encontra-se nos
melhoramentos das redes de transporte e comunicação; uma vez que estas
estejam em melhores condições, a imobilidade de fatores de produção nas
áreas inexploradas das duas regiões começa a desaparecer e as dotações de
fatores das duas regiões tendem a igualar-se.” (p. 51)
“um certo número de atividades, que anteriormente existiam graças a uma
pobre rede de transporte, não é mais capaz de competir com a oferta da região
mais rica. Ademais, quando as oportunidades de emprego não crescem de
forma adequada, os melhores elementos da força de trabalho da região mais
pobre serão atraídos pela região mais rica.” (p. 52)
“Os efeitos de fluência positivos podem, por fim, prevalecer sobre os efeitos de
polarização, se a região mais rica tiver de contar com os produtos da região
pobre para o desenvolvimento posterior.” (p. 52)
“Há dois tipos de distribuição de cidades por tamanho e ocorrem tanto de
maneira isolada quanto por combinação dos dois. O primeiro tipo de
distribuição é a chamada distribuição primaz de cidades por enquanto, ou seja,
distribuições em que aparecem uma ou algumas grandes cidades juntamente a
um grande número de cidades e vilas menores, enquanto cidades de tamanho
intermediário não estão representadas.” (p. 56)
“Berry reafirma sua argumentação em termos mais gerais, quando sugere que
as distribuições “log normal” são produto de um processo de crescimento
“estocástico”, em outras palavras, um processo no qual muitas forças surgem
aleatoriamente. Entretanto, em outros tipos de distribuição, agem forças mais
poderosas porém em menor quantidade, e as distribuições resultantes mostram
uma tendência para primazia.” (p. 57)
“se o conjunto de valores e atitudes, com o qual um sistema espacial foi
organizado, inclina-se à centralização, os agentes de decisão (ou unidades
executivas de alto nível) tenderão a agrupar-se em poucas cidades de
tamanhos relativamente grandes, ao passo que, se prevalecer o inverso, a
distribuição de cidades por tamanho tenderá à forma “log normal”. A
centralização é aqui definida como a organização do processo de decisão, no
qual decisões interdependentes, relativas a atividades locais e regionais, são
tomadas nos níveis regional e nacional respectivamente.” (p. 58)
“Entende-se como polarização a tendência pra um certo número de atividades
em uma ou mais áreas, denominadas polo ou centro. Em outras palavras, o
centro domina a periferia. Como se pode verificar nas obras de autores tais
como Friedmann, num sistema nacional o centro deveria, na maioria dos caos,
identificar-se com o subsistema no qual a capital da nação esteja localizada. É
ai que são tomadas, dentro dos limites fixados pelo sistema internacional, as
decisões diretas e indiretas de natureza alocativa que influenciam todo o
sistema.” (p. 60)
“O subsistema dominante acha-se numa posição monopolizadora, no que diz
respeito à tecnologia. É o mesmo que ocorre com as informações: sua posição
central permite acesso a maiores informações relativas a todo o sistema; e sua
posição de elo de ligação com a rede internacional de comunicações facilita-lhe
a condição de escolher em primeira mão as inovações por ela transmitidas.” (p.
62)
“Nos estágios iniciais do desenvolvimento de um país, o centro estará
especialmente interessado em tais estruturas, através das quais as relações
entre centro e periferia possam se mantidas, e que permitem a execução de
decisões tomadas no centro, bem como o controle sobre esta execução.” (p.
64)
“A necessidade de dar emprego à gente da periferia leva o centro a estabelecer
facilidades educacionais, pelas quais a periferia adquire os meios para sua
melhor adaptação à nova tecnologia oriunda do centro. Embora a tecnologia e
as informações tenham sido introduzidas para a sustentação dos agentes do
centro, estarão elas, no futuro, integradas na periferia e colocarão em uso as
suas vantagens?” (p. 66)
“O componente extrativo, nas relações de centro-periferia, continuará mais
forte do que o componente distributivo, até que a periferia tenha criado elites
regionais, geralmente educadas no sistema educacional do centro, que tenham
suficiente capacidade para substituir os agentes de fora. Em consequência dos
contatos entre os dois grupos, essa substituição ocorrerá, subsequentemente,
nas funções administrativas, bem como nas de caráter econômico e político.
Especialmente no que diz respeito às atividades internacionais e nacionais (ao
contrário das regionais e locais), a participação nessas funções, por parte de
pessoas da periferia, fará surgir um decréscimo no componente extrativo de
dominação, pelo fato de que tais pessoas estarão mais inclinadas ao bem-estar
da periferia do que ao do centro. Explica-se essa tendência pela pressão do
controle social.” (p. 67)
“um fato mais importante é que a concentração de recursos naturais será
capaz de criar uma periferia regional relativamente grande, enquanto que a
distribuição dispersiva causará uma periferia relativamente pequena. Para
explicar a maneira como age o primeiro fator, no nosso entendimento,
pressupomos, de forma implícita, que as áreas que circundam a localização
dos recursos naturais sejam ecologicamente adequadas a grandes
aglomerações humanas. Esse pressuposto, porém nem sempre é verdadeiro.
Há casos de poços de petróleo em desertos ou em oceanos, e também casos
de recursos naturais explorados em áreas montanhosas e de difícil acesso,
como é o caso da cordilheira dos Andes.” (p. 70)