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I.

DOS FATOS
I.I – DO CONTRATO DE DEPÓSITO/CADERNETA DE POUPANÇA – CONSIDERAÇOES
GERAIS
1.1 O(A) Autor(a) mantém e/ou manteve contrato de
depó!to/caderneta de po"pan#a com a entidade financeira exordialmente epigrafada,
durante o ano de 1$%$.
1.& A conta poupança em apreço foi aberta e mantida à
época de vigência do denominado Plano con!mico "P'ano (er)o *+ane!ro/1$%$, "
re#pon#$vei# pelo# expurgo# inflacion$rio# perpetrado# em de#favor do poupador, em
conformidade com o# extrato# banc$rio# em anexo, o# %uai# #ervem de #ub#trato probat&rio
para emba#ar a pre#ente contenda.
1.- A##i#te #alientar, in limine litis, %ue a caderneta/conta
de poupança #e reve#te na forma de um contrato de ade#'o, atravé# do %ual o
depo#itante/poupador inve#te o# #eu# recur#o# econ!mico#/financeiro# e adere à# condiç(e#
de remuneraç'o, no tocante a )uro#, correç'o monet$ria e pra*o#, de maneira previamente
e#tipulada pela# autoridade# competente#. Ao contr$rio de outra# modalidade# de
inve#timento, a caderneta de poupança n'o #e #ubmete ao# ri#co# de perda# de rentabilidade
inerente# de mercado.
1.. A conta/caderneta de poupança con#i#te em uma
e#pécie de contrato de dep&#ito a pra*o celebrado com o e#tabelecimento de crédito, e %ue
#e renova tacitamente a cada per+odo de trinta dia# (trint+dio), para a %ual deve #er aplicada
a real inflaç'o ocorrida para a correç'o/atuali*aç'o de #eu #aldo, de #orte %ue a correç'o
n'o con#titui renda, ma# #im atuali*aç'o do valor da moeda corro+do pela inflaç'o.
1./ A lei de regência deve #er a%uela em vigor na data da
celebraç'o do contrato (data do dep&#ito) ou de #ua renovaç'o t$cita.
I.II – DO P0ANO (ER1O *+ane!ro/1$%$,
1.2 Po#teriormente, atravé# da ediç'o da 3ed!da
Pro4!ór!a n. 5-&6 de 1/ de +ane!ro de 1$%$ – P'ano Econ78!co (er)o, tran9or8ada
e8 0e! n. :.:-5/%$, nova alteraç'o #e deu relativamente ao# +ndice# aplic$vei# à#
caderneta# de poupança, tra*endo mudança# no# critério# de aplicaç'o da correç'o
monet$ria, extinguindo a O,- e e#tabelecendo %ue, para o mê# de fevereiro de ./0/, o#
#aldo# da# caderneta# de poupança pa##ariam a #er atuali*ado# com ba#e no rendimento da
12, " 1etra 2inanceira do ,e#ouro -acional.
1.: O novo +ndice adotado foi inferior ao %ue era
regularmente a)u#tado, cau#ando pre)u+*o# de grande monta ao(à) Autor(a), e ve* %ue o #eu
efeito retroativo e#tabelecido alcançou o direito ad%uirido do poupador e o ato )ur+dico
perfeito.
1.% 3om relaç'o ao +ndice monet$rio do 4P3 para o mê# de
)aneiro de ./0/, alimentando5#e do intento de e#clarecer a %ue#t'o, reprodu*imo# de forma
#inteti*ada o voto da 6uarta ,urma do 7uperior ,ribunal de 8u#tiça " 7,8, proferido pelo
eminente mini#tro 7$lvio de 2igueiredo em 9ecur#o #pecial de n. :;.<==/7P, com
)ulgamento em data de >/ de ago#to de .//=, in verbis?
@A O,-, atuali*ador vigente de#de fevereiro/./0A, teve #eu
valor rea)u#tado até <./<././0/ e, diariamente, até o dia .=
da%uele mê#, %uando entrou em vigor a Bedida Provi#&ria n.
;>, de .=/<././0/, tran#formada em 1ei n. C.C;</0/, %ue
extinguiu a%uele t+tulo a partir de <./<>/./0/, congelando5o
no valor men#al de -3*D A,.C a partir de .=/<././0/. ,al
valor foi obtido pelo u#o do 4P3, %ue mediu a inflaç'o de
de*embro/00, calculada na forma do artigo ./ do Eecreto51ei
n. >.;;=/0C (média de preço# verificada entre a .F %uin*ena
do mê# de referencia e o .AF dia do mê# anterior) " vale
di*er, pelo ponto médio do per+odo, a##im con#iderado o dia
;< do mê# anterior.
A partir da 1ei n. C.C;</0/ " artigo /F, alterou5#e a
#i#tem$tica de c$lculo do 4P3, e#tabelecendo5#e %ue #e
comparariam o# preço# do dia .=/<. com a média do# preço#
con#tatado# no per+odo de .=/.. a .=/.>/00, ou #e)a, com o#
preço# praticado# a ;</../00. O +ndice obtido, %ue mediria a
inflaç'o por aproximadamente :A dia#, foi divulgado pelo
4GH como #endo de C<,>0I. Portanto, tal +ndice englobou a
inflaç'o verificada entre ;</.. e .=/.>/00, )$ medida pelo
4P3 de de*embro da%uele ano. Ao levantar o# dado#
indicado# em lei, o 4GH foi obrigado a coleta5lo# no per+odo
de .C a >;/<., o %ue e%uivaleu, na pr$tica, a e#timar a
inflaç'o até o ponto médio de >< de )aneiro, arra#tando,
a##im, mai# de <= dia# %ue, #omado# à .F %uin*ena de
de*embro, totali*am #& >< dia# de acré#cimo.
O G,- foi criado em .//<A/./0/ (1ei n. C.CCC/0/) para
#ub#tituir a O,-. -e#te +nterim continuou5#e a calcular o
4P3, %ue #erviu para c$lculo retroativo do novo t+tulo a partir
de <./<>/./0/, re#tando a de#coberto apena# o mê# de
)aneiro, face ao congelamento da O,- na%uele per+odo.
,udo i#to condu* à conclu#'o de %ue, para medir5#e a
inflaç'o no mê# de )aneiro/0/, deve5#e utili*ar o 4P3 pro rata
die, i#to é, dividindo5#e C<,>0I pelo# dia# de #ua aferiç'o
(=.), o %ue indicaria a inflaç'o de um (<.) dia.
Bultiplicando5#e tal valor por ;. (dia# de )aneiro a
de#coberto), ter5#e5ia o +ndice ade%uado, %ue é :>,C>IJ.
I( – DO 3;RITO
1.$ 3om fundamento no pr!nc<p!o do d!re!to ad="!r!do6
no pr!nc<p!o do ato +"r<d!co per9e!to6 e no pr!nc!p!o da !rretroat!4!dade da 'e!, a# nova#
regra# e#tabelecida# pela Bedida Provi#&ria n. ;>/0/ (Plano Ker'o) deveriam #er aplic$vei#
apena# na modalidade de incidência imediata e di#pondo para o futuro, n'o abrangendo a#
#ituaç(e# )ur+dica# )$ con#titu+da#, ve* %ue e#ta# Lltima# )$ #e encontravam com trint+dio
iniciado ou renovado para receberem de maneira integral a correç'o/atuali*aç'o monet$ria
do mê# de )aneiro/./0/ para o crédito do mê# de fevereiro/./0/.
1.15 4ncorrendo na forma em comento, o 9éu apropriou5#e
do direito de #eu# poupadore# " in casu, incluindo5#e ne#te contexto, o(a) Autor(a), poi#
n'o aplicou o +ndice correto da correç'o/atuali*aç'o monet$ria à época em %ue mantinMa a
#ua caderneta/conta de poupança, extraindo5lMe o ganMo real de #ua# economia#.
1.11 Ee#tarte, deve5#e impelir o 9éu a aplicar o percentual
de :>,C>I (+ndice de 4P3 corre#pondente à correç'o monet$ria do mê# de )aneiro/./0/)
para a correç'o/atuali*aç'o da# conta#/caderneta# de poupança do mê# de fevereiro/0/,
devendo, ne##e ca#o, pagar a diferença entre e#te percentual correto e o percentual de
>>,/C<0I (referente ao percentual efetivamente creditado " Plano Ker'o), ou #e)a, o valor
de ./,C=I, além do# )uro# remunerat&rio# legai# de .I, )uro# de mora, correç'o monet$ria,
e demai# encargo# legai#.
1.1& Outro##im, pleiteia, por via de con#e%Nência, para %ue
#e opere a correç'o/atuali*aç'o relativo# à março//< (::,0<I), maio//< (>,;AI) e
fevereiro//. (..;/I), com ba#e na S>8"'a -: do Tr!?"na' Re@!ona' Federa' da . Re@!)o
*DA B Se#)o & B 1./5-/1$$26 p.1/-%%,?
-a li%uidaç'o de débito re#ultante de deci#'o )udicial,
incluem5#e o# +ndice# relativo# ao 4P3 de março, abril e maio
de .//<, e fevereiro de .//..
II. DO DIREITO
PRE0I3INAR3ENTE

II.I – DA 0EGITI3IDADE AD CAUSAM PASSI(A
>.. A##i#te, em #ede preliminar, di#correr acerca da
pre#criç'o do direito de aç'o e da legitimidade material e proce##ual ad causam do agente
financeiro para figurar no p&lo pa##ivo da pre#ente aç'o, motivada com o intuito de
cobrança da# diferença# n'o creditada# a t+tulo de atuali*aç'o monet$ria na# caderneta# de
poupança.
>.> 9éu é a in#tituiç'o financeira depo#it$ria de caderneta
de poupança, re#pondendo, a##im, pelo# pre)u+*o# verificado# em ra*'o do# expurgo#
inflacion$rio# em de#favor do(a) Autor(a) poupador(a), e o pra*o pre#cricional para #e
invocar a tutela )uri#dicional pleiteada é de >< (vinte) ano#, em conformidade com o %ue
di#p(e o novo Codex Civilis, ei# %ue #e di#cute, no mérito, o direito ao pr&prio crédito, e
n'o ao# #eu# ace##&rio#.
>.; Para e#clarecer a matéria, tra*emo# à colaç'o menta
do Ac&rd'o de 9ecur#o #pecial de n. .:/>==/7P, cu)o entendimento e#t$ reiterado e
pacificado na 3orte do 7uperior ,ribunal de 8u#tiça, in verbis?
Ac&rd'o Or!@e8C STA B SUPERIOR TRIDUNA0 DE AUSTIÇA
C'aeC RESP B RECURSO ESPECIA0 B 1.$&//
Proce##o? .//C<<AAA=<A O2? 7P Prg'o 8ulgador? 6OA9,A ,O9BA
Eata da deci#'o? >A/.</./// Eocumento? 7,8<<<;;A>/;
2onte E8 EA,A?>./<>/><<< PQH4-A?.>0
9elator(a) 37A9 A72O9 9O3RA
menta 93O97O 7P34A1. E494,O 3O-SB43O. 3AE9-,A E POOPA-TA.
B77 E 8O-RO E ./0C 8A-49O E ./0/. P97394TUO. ATUO P77OA1.
P9AVO K4-,-Q94O. 1H4,4B4EAE PA774KA @AE 3AO7ABJ EA
4-7,4,O4TUO 24-A-349A. AP143ATUO EO P93-,OA1 E :>,C>I.
39OVAEO7 -OKO7 G1O6OAEO7. BA9TO A 8O1RO E .//<. 2K949O E
.//.. 3O99TUO BO-,Q94A. 41H4,4B4EAE PA774KA. 4-7,4,O4TUO
24-A-349A EPO74,Q94A.
5 Na a#Ee de co?ran#a de eFp"r@o !n9'ac!onGr!o e8 caderneta de
po"pan#a6 o ped!do de !nc!dHnc!a de deter8!nado <nd!ce de corre#)o
8onetGr!a cont!t"!Be no própr!o crId!to6 e n)o e8 aceór!o6 endo6
deca?!da6 a!86 a !nc!dHnc!a do praJo =K!n=Kena' do art!@o 1:%6 L156
III6 do Cód!@o C!4!'. Na epIc!e6 tratandoBe de a#)o peoa'6 o praJo
precr!c!ona' I o 4!ntenGr!o.
5 Eta e@rI@!a Corte pac!9!co" o entend!8ento de ="e a !nt!t"!#)o
9!nance!ra co8 ="e8 e 9!r8o" o contrato de depó!to I ="e8 te8
'e@!t!8!dade pa!4a para reponder por e4ent"a' pre+"<Jo na
re8"nera#)o de conta de po"pan#a e8 +"nMo de 1$%: e +ane!ro de
1$%$.
5 A# alteraç(e# do critério de atuali*aç'o da caderneta de poupança previ#ta#
pelo# Plano# 3ru*ado e Ker'o n'o podem refletir #obre o# dep&#ito# %ue )$
tiveram #eu# per+odo# a%ui#itivo# iniciado#, devendo5#e ob#ervar a# regra#
em vigor no in+cio do re#pectivo trint+dio.
5 No 8H de +ane!ro de 1$%$6 de4eBe o?er4ar co8o 9ator de corre#)o
8onetGr!a o percent"a' do IPC6 N ?ae de .&6:&O *REp .-.5//BSP6
Corte Epec!a',.
5 -o per+odo em %ue perdurou o blo%ueio do# ativo# financeiro# determinado
pela 1ei nW 0.<>://<, inclu#ive no# me#e# de fevereiro e março de .//., a
in#tituiç'o financeira depo#it$ria n'o re#ponde por eventuai# diferença# de
correç'o monet$ria incidente# #obre dep&#ito# de poupança, vi#to %ue ela
perdeu, por força de ato de império, a total di#ponibilidade do# #aldo#
depo#itado#, %ue foram compul#oriamente tran#ferido# para o Ganco
3entral.
5 9ecur#o e#pecial parcialmente conMecido e, ne##a exten#'o, provido.
>.: no %ue for pertinente à vigência da 1ei n. .<.:<A, de
.< de )aneiro de ><<> " novo 3&digo 3ivil, tran#crevemo# " pre#criç'o vinten$ria?
Art. 2.028. Serão os da lei anterior os prazos, quando reduzidos por
este Código, e se, na data de sua entrada em vigor, ! "ouver
transcorrido mais da metade do tempo estabelecido na lei revogada.
3ERITORIA3ENTE
II.II – DO DIREITO ADPUIRIDO E DO ATO AURQDICO PERFEITO
>.= -o tocante a# digre##(e# formulada# %uanto ao mérito,
a te#e da Autoria #e encontra e#po#ada no pr!nc!p!o cont!t"c!ona' do D!re!to Ad="!r!do6
conoante prece!to !nc"'p!do no art!@o /R6 !nc!o SSS(I da Cont!t"!#)o Federa' de
1$%%, e, por #ub#e%Nência, no# princ+pio# %ue o acompanMam " o pr!nc<p!o do ato
+"r<d!co per9e!to e o pr!nc<p!o da !rretroat!4!dade da 'e!.
>.A 7egundo magi#tério de E P1Q34EO 741KA, in
vocabul$rio )ur+dico, 2oren#e, 0X ed. ./0:, pg.CC/C0?
YO direito ad%uirido tira #ua exi#tência do# fato# )ur+dico#
pa##ado# e definitivo#, %uando o #eu titular o# pode exercer.
-o entanto, n'o deixa de #er ad%uirido o direito, me#mo
%uando #eu exerc+cio dependa de um termo prefixo ou de
uma condiç'o pree#tabelecida inalter$vel ao arb+trio de
outrem.Y Por i##o #ob o ponto de vi#ta da retroatividade da#
lei#, n'o #omente #e con#ideram ad%uirido# o# direito#
aperfeiçoado# ao tempo em %ue #e promulga a lei nova,
como o# %ue e#te)am #ubordinado# a condiç(e# ainda n'o
verificada#, de#de %ue n'o #e indi%uem alter$vei# ao
arb+trio de outremY
>.C Para 3A9KA1RO 7A-,O7, (3&digo 3ivil Gra#ileiro
4nterpretado, 2reita# Ga#to#, .:X ed. Kol, 4, ./0A pg. :;/::), in verbis?
Y7e o exerc+cio depende de termo prefixo, o direito )$ é
ad%uirido, #endo evidente, poi#, %ue no #i#tema do c&digo
n'o é ad%uirido #omente o direito %ue )$ #e incorporou ao
patrim!nio individual. O pra*o ou termo, de fato, n'o
pre)udica a a%ui#iç'o do direito, %ue )$ #e verificou, #endo
#eu Lnico efeito protelar o exerc+cio de#te direitoY.
>.0 A e#te re#peito, 317O A-,S-4O GA-E49A E
B11O, com a Mabitual excelência de #eu magi#tério, (in #evista de $ireito %&blico n' (),
p. **(), anota %ue o problema
Yn'o #e re#olve com a #imple# noç'o de irretroatividade de
lei, poi# n'o #e coloca a %ue#t'o de #eu retorno #obre o
pretérito. ,rata5#e, i#to #im, da #obrevivência do# efeito# da
lei antiga, vale di*er, da per#i#tência de #eu# efeito# em
ca#o# concreto#, durante o império da nova lei. 3ogita5#e de
Mip&te#e em %ue #ituaç'o produ*ida no pa##ado, #em
con#umaç'o nele, deve ter efeito# perdur$vei# no tempo,
permitindo %ue ele# atrave##em inc&lume# o dom+nio da#
lei# po#teriore#. -'o M$, poi#, a rigor, %ue#t'o de
retroatividade. Pelo contr$rio? M$ #u#taç'o do# efeito#, i#to
é, da incidência da nova lei #obre #ituaç(e# concreta# dante#
ocorrida#, cu)o# efeito# #e de#e)a p!r a #alvo, a fim de %ue
n'o #e)am perturbado# pela #uce##'o normativaJ.
>./ O(A) Autor(a) celebrou com o 9éu contrato de
dep&#ito/caderneta de poupança, %ue, como #e #abe, é contrato de ade#'o, atravé# do %ual o
depo#itante/poupador inve#te o# #eu# recur#o# econ!mico#/financeiro# e adere à# condiç(e#
de previamente e#tabelecida# pela# autoridade# competente#, de modo %ue, ao contr$rio de
outra# modalidade# de inve#timento, n'o #e #ubmete ao# ri#co# de perda# de rentabilidade
inerente# de mercado, poi# %ue a correç'o #obre ela incidente n'o con#titui renda, ma# #im
atuali*aç'o do valor da moeda corro+do pela inflaç'o.
>..< -'o ob#tante, a# medida#
aplicada# #obre o# valore# depo#itado# pelo(a) Autor(a) )unto ao 9éu, n'o levando em
con#ideraç'o a inflaç'o real da%uele per+odo, proporcionaram à%uele(a) um pre)u+*o de
monta con#ider$vel, ve* %ue, con#oante #e dedu*, a inflaç'o men#urada em )aneiro/./0/ foi
de :>,C>I, en%uanto o valor efetivamente creditado na conta poupança foi de #omente
>>,/C<0I.
>... O direito ad%uirido do(a)
Autor(a) de ver o #eu dinMeiro acre#cido da atuali*aç'o monet$ria pelo# +ndice# econ!mico#
vigente# n'o poderia #er alcançado por norma )ur+dica po#terior, in casu, a Bedida
Provi#&ria n. ;>/0/ (1ei n. C.C;</0/), a %ual bu#ca efeito retroativo, %uando #e #abe %ue o
+ndice inflacion$rio de#tinado para a correç'o/atuali*aç'o monet$ria (4P3) )$ era conMecido
e e#tava em pleno vigor no# contrato# de abertura e/ou com renovaç'o t$cita (#uce##iva e
autom$tica) da# caderneta# de poupança.
>..> A Bedida Provi#&ria n.
;>/0/ editada pelo governo federal em data de .=/<././0/, po#teriormente tran#formada em
1ei n. C.C;</0/, em ;./<././0/, modificadora# do critério de correç'o/atuali*aç'o
monet$ria da# poupança#, n'o podem retroagir para alcançar o ciclo de trinta dia# (trint+dio)
)$ aperfeiçoado " iniciado ou renovado, rompendo com uma #ituaç'o )ur+dica )$
con#olidada.
>..; A lei nova n'o pode,
portanto, alterar a# condiç(e# do contrato, impondo no meio do per+odo men#al da #ua
execuç'o critério diver#o da%uele e#timado para apuraç'o da taxa inflacion$ria. Oma ve*
iniciado o ciclo men#al, %ual%uer legi#laç'o %ue venMa a alterar o# critério# de
correç'o/atuali*aç'o do contrato de poupança a ele n'o #e aplica. 4n#ere5#e, a%ui, outro##im,
o princ+pio do ato )ur+dico perfeito, con#agrado con#titucionalmente.
>..: A e##e re#peito, colMe5#e
parte do voto prolatado pelo eminente magi#trado Ari Pargendler, do 7uperior ,ribunal de
8u#tiça, na relatoria da Aç'o de ArgNiç'o de 4ncon#titucionalidade de n. 0/.<:.</C>C5:/97,
in 9evi#ta ,92/:F 9egi'o n. .</>A, %ue a##im decidiu a %ue#t'o, in verbis+
O contrato de dep&#ito em caderneta de poupança, embora
#em pra*o determinado, tem um ciclo men#al %ue pode, ao
talante do titular da conta, e#gotar " pela retirada do #aldo "
todo# o# #eu# efeito#. 3om meno# de mê#, o depo#ito nada
rende #e #acado ante#. A cada mê#, capitali*a correç'o
monet$ria e )uro#, iniciando novo ciclo de igual duraç'o.
Ee certo modo, o depo#itante de caderneta de poupança, a
cada aniver#$rio da conta (e##a a de#ignaç'o impr&pria do
ciclo de trinta dia#), #e n'o #acar o #aldo, formali*a uma
nova fa#e do contrato. Ea+ a conclu#'o de %ue tudo o %ue
acontece ante# ou depoi# do ciclo de trinta dia# é
irrelevanteZ iniciado o ciclo de trinta dia#, nenMuma
alteraç'o pode atingir o# dep&#ito# feito# ou mantido# à lu*
da legi#laç'o ent'o vigente.
>..= 3omo a Bedida
Provi#&ria n. ;> (Plano Ker'o) foi publicada em .A de )aneiro de ./0/, o# contrato#
iniciado# e/ou renovado# .= de )aneiro de ./0/ tem direito à aplicaç'o men#al da# regra#
anteriore#, para atuali*aç'o do ciclo em formaç'o.
>..A , no ca#o e#pec+fico da
Bedia Provi#&ria n. ;>/0/ (1ei n. C.C;</0/), o fato de a me#ma Maver extinguido o G,-
n'o pre)udica tal creditamento, por%uanto o 4P3, %ue ba#eava a variaç'o do G,-,
continuou a exi#tir.
>..C -e##e #entido, a questio
uris #e encontra #uperada em todo# o# #eu# ponto#, %uai# #e)am, a legitimidade pa##iva do
9éu, a competência de#te 8u+*o, a aplicaç'o do# +ndice# correto# no# valore# percentuai#
di#criminado#, o pagamento da# diferença# percentuai# da correç'o/atuali*aç'o monet$ria
devida, ao cabimento da pre#ente aç'o #omente em relaç'o à# caderneta# de poupança com
aniver#$rio na primeira %uin*ena, e, ainda, a%uela# %ue embora fora da %uin*ena, ma#caram
aplicaç'o no# me#mo# +ndice#, a partir do# reiterada# e pacificada# deci#(e# prolata# pela#
3orte# 7uperiore# de 8u#tiça, a# %uai# de#tacamo# alguma#, in verbis?
Ac&rd'o Or!@e8C STA B SUPERIOR TRIDUNA0 DE AUSTIÇA
C'aeC RESP B RECURSO ESPECIA0 B 1..$:2
ProceoC 1$$:55/%$%11 UFC SP Ór@)o A"'@adorC PUARTA TUR3A
Data da dec!)oC 5&/5-/1$$$ Doc"8entoC STA555&2----
2onte E8 EA,A?.C/<=/./// PQH4-A?></
9elator(a) 37A9 A72O9 9O3RA
menta E494,O 3O-SB43O. 3AE9-,A E POOPA-TA. B77 E 8O-RO E ./0C
vE 8A-49O E ./0/. A1,9ATUO EO 9H4B E 3Q13O1O EA
9BO-9ATUO. BA,[94A PA3\243A. AP143ATUO EO P93-,OA1 E :>,C>I
B 8A-49O E ./0/. P97394TUO K4-,-Q94A.
5 A# alteraç(e# do critério de atuali*aç'o da caderneta de poupança n'o podem
refletir #obre o# dep&#ito# %ue )$ tiveram #eu# per+odo# a%ui#itivo# iniciado#,
devendo5#e ob#ervar a# regra# vigorante# no in+cio do re#pectivo trint+dio.
5 O 7uperior ,ribunal de 8u#tiça con#olidou a utili*aç'o do 4P3, à ba#e de
:>,C>I, para a remuneraç'o referente ao mê# de )aneiro de ./0/ (9#p
:;.<==57P, 3orte #pecial).
5 -a# aç(e# de cobrança de expurgo# inflacion$rio# em caderneta de poupança,
o pedido de incidência de determinado +ndice de correç'o monet$ria
con#titui5#e no pr&prio crédito, e n'o em ace##&rio, #endo, de#cabida, a##im, a
incidência do pra*o %Nin%Nenal do artigo .C0, ].<, 444, do 3&digo 3ivil. -a
e#pécie, tratando5#e de aç'o pe##oal, o pra*o pre#cricional é o vinten$rio.
5 9ecur#o e#pecial parcialmente conMecido e, ne##a exten#'o, provido.
POUPANÇA. P0ANOS TDRESSERU E T(ER1OU. PRESCRIÇ1O.
0EGITI3IDADE PASSI(A. RENDI3ENTOS DE AUNVO/%: E DE
AANEIRO/%$.
.. ,ratando5#e de aç'o pe##oal, o pra*o pre#cricional é de >< (vinte)
ano#. -o %ue tange ao# )uro#, a pre#criç'o é %Nin%Nenal (97P
0A:C.597 " 9el. Bin. 9u^ 9o#ado de Aguiar. E8 >C.<=./A)
>. A in#tituiç'o financeira tem legitimidade pa##iva para re#ponder
pela# diferença# do# rendimento# da# conta# de poupança afetada#
pelo# Plano# Gre##er e Ker'o.
;. A atuali*aç'o da# caderneta# de poupança inaugurada# ou renovada#
ante# de .A.<A.0C, a##im como da%uela# cu)o ciclo de remuneraç'o )$
e#tava em cur#o no dia .=.<..0/, tem por ba#e o 4P3.
TRF .R Re@!)o – AC $:.5.:-.25B-6 Re'ator A"!J A'8!r Sart!6 DAU 51.5..1$$%6
p. &:.
*GRIFO NOSSO,
III. DO REPUERI3ENTO
_ vi#ta do expo#to, arra*oado e fundamentado,
con#ub#tanciando5#e no# Fato narrado# na exordial e no D!re!to aplic$vel à e#pécie,
REPUER #e digne Ko##a xcelência, na reali*aç'o da nobre re#pon#abilidade Mumana, a
%uem a 1ei repre#enta e a 8u#tiça #imboli*a?
-.1 à CITAÇ1O DO R;U6 para, na forma e no pra*o legal,
conte#tar a pre#ente aç'o )udicial, #ob pena de confi##'o e revelia %uanto ao# fato#
dedu*ido#Z
-.& à PROCEDWNCIA TOTA0 DOS PEDIDOS6 condenando
o réu ao pagamento da# correç(e# monet$ria#, na forma como #e #egue?
a) P0ANO (ER1O. A pagar ao(à) autor(a) a diferença da
correç'o/atuali*aç'o monet$ria relativa ao Plano
con!mico Ker'o, entre o percentual %ue foi
efetivamente creditado (>>,/C<0I) e o %ue deveria #er
creditado (.&6:&O " correç'o monet$ria corre#ponde ao
4P3 do mê# de )aneiro/./0/), mai# a incidência de )uro#
remunerat&rio# de <,=I do mê# de fevereiro/./0/, de
)uro# de mora de <.I ao mê# (*2, ao ano, seguindo
aplica-ão do ./0/C1A$2 20 da 1 3ornada de $ireito
Civil do S43), de correç'o monet$ria e demai#
cominaç(e# legai#, #obre o #aldo exi#tente na conta
do(a) autor(a) para toda# caderneta# de poupança
iniciada# ou renovada# ante# de .=/<././0/, tudo a #er
apurado em li%uidaç'o de #entençaZ
b) SX3U0A .- – STA. O +ndice de correç'o monet$ria #obre
d+vida é devido por ato il+cito a partir do efetivo
pre)u+*o. 1n casu, a partir de %uando deveria #er
creditado na conta5poupança o valor correto, ou #e)a, a
partir de )ulMo/./0C " Plano Gre##er, e a partir de
fevereiro/./0/ " Plano Ker'o " me#e# em %ue e#tariam
completo# o ciclo de trinta dia# iniciado na re#pectiva
%uin*ena.
c) SX3U0A -: B TRF .R REGI1O. Eevem #er inclu+do#
+ndice# do 4P3 relativo# à março//<, abril//<, maio//<,
e fevereiro//., com ba#e na 7Lmula ;C do ,ribunal
9egional 2ederal da :F 9egi'o.
-.- E3O0U3ENTOS AUDICIAIS e SUCU3DWNCIA. _
condenaç'o do autor ao pagamento da# cu#ta# proce##uai#, do# Monor$rio# de advogado, a
t+tulo de #ucumbência, na ba#e de c$lculo de ><I (vinte por cento) #obre o valor da
condenaç'o/cau#a, e demai# cominaç(e# legai#Z
-.. DENEFQCIO DA AUSTIÇA GRATUITA. _ conce##'o do#
benef+cio# da )u#tiça gratuita, de conformidade com a 1ei nF ..<A< de .=..>.=<, com o art.
:F da 1ei nF C.=.<, de <:.<A.0A, ve* %ue o(a) autor(a) n'o po##ui condiç(e# de arcar com a#
cu#ta# proce##uai# e Monor$rio# advocat+cio# #em pre)u+*o do pr&prio #u#tento e de #ua
fam+lia.
-./ PREFERWNCIA DO AU0GA3ENTO DO FEITO, ca#o
o(a) autor(a) po##uir idade #uperior a A< (#e##enta) ano#, encontrando5#e amparado pelo#
benef+cio# da 1ei 2ederal n. .<.C:., de .F de outubro de ><<; " #tatuto do 4do#oZ
-.2 PRO(AS. _ produç'o de todo# o# meio# de prova em
Eireito admitida#, #em exceç'o de nature*a alguma, e#pecialmente a prova documental
inclu#a, bem como outra# %ue #e fi*erem nece##$ria#, e no# termo# #ub#e%Nente#?
a, DOCU3ENTOS. _ recepç'o e à produç'o da prova
documental inclu#a " extrato# banc$rio# relativo# ao#
per+odo# exordialmente dedu*ido#, corre#pondente# à
conta poupança de#crita firmada com o 9éuZ
?, APRESENTAÇAO DE DOCU3ENTOS. _ apre#entaç'o pelo
9éu de todo# o# extrato# banc$rio# do# me#e# dedu*ido#,
relativo# à conta poupança de#crita na inicial, ca#o Mouver
nece##idade, de acordo com o 3P3 ;== e #eguinte#,
aplicando5#e a pena e#tabelecida no 3P3 ;=/Z
c, OUTRAS. _ produç'o de toda# a# prova# em Eireito
admitida# (3P3 ;;>), notadamente a prova documental
inclu#a, a prova te#temunMal, cu)o rol #er$ apre#entado em
tempo oportuno, depoimento pe##oal da# parte#, #ob pena
de confi##'o e revelia (3P3 ;:;), bem como outra# %ue #e
fi*erem nece##$ria#.
-.: FOR3A0IDADES OFICIAIS. Ao final, #e)am tomado#
todo# o# procedimento# legai# para o encaminMamento de#te mérito no# #eu# ulteriore# ato#
até o tr`n#ito em )ulgado da %ue#t'oZ
-.% PUD0ICAÇYES 0EGAIS. 6ual%uer %ue tenMa #ido o
procurador #ignat$rio de#ta parte )uri#dicionada da# peça# %ue #e de#envolverem ao longo
do pre#ente proce##o, 9e%uer pro##igam a# publicaç(e# legai# em nome do procurador DR.
C0AITON 0UQS DORZ – OAD/SC $.-$$.
TER3OS E3 PUE6
cumprida# a# nece##$ria# formalidade# proce##uai# de
nature*a legal, pede5#e e e#pera5#e o acolMimento, o proce##amento e o deferimento de#te
M$bil e competente pedido como medida da mai# inteira e #ublime AUSTIÇAa
E$ à cau#a o valor de 9D ..<<<,<< (mil reai#), para efeito#
fi#cai#.
Glumenau, >. de #etembro de ><<=.


C0AITON 0UIS DORZ
– OAD/SC $-$$ –