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EXCELENTÍSSIMO(A) SENHOR(A) DOUTOR(A) JUIZ(A) FEDERAL DA
___ VARA DO JUIZADO ESPECIAL FEDERAL CÍVEL DE BLUMENAU-SC.




IVAN MARTINS THOMAZ JUNIOR, brasileiro, solteiro,
portador do CPF 172 672 238-42, identidade nº 4728750-
0, representante comercial, residente e domiciliado na
Rua Nereu Ramos nº 372, apartamento 501, CEP 89010-
400, nesta cidade de Blumenau/SC, vem
respeitosamente à presença de Vossa Excelência, por
seus procuradores adiante assinados, propor
Ação de Cobrança
contra a CAIXA ECONÔMICA FEDERAL - CEF, empresa
pública federal, pessoa jurídica de direito privado,
inscrita no CNPJ/MF sob o nº 00.360.305/0001-04, com
sede em Brasília-DF, podendo ser citada na sede
regional, situada na Rua Almirante Lamego,1389, CEP
88015-601, Centro, Florianópolis, SC, na pessoa de seu
representante legal, pelas razões de fato e de direito a
seguir expostas.
Dos fatos
O autor mantinha depósito em caderneta de
poupança em junho de 1987 junto à instituição financeira requerida,
conta nº 1370-013-00002876.0, conforme o comprovante anexo. A


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conta, ressalte-se, tinha como data-base (aniversário da poupança)
o dia 02 do mês.
Consoante o Decreto nº 2.284/86, regra esta alterada
pelo Decreto-lei nº 2.290/86, os saldos dos depósitos em cadernetas
de poupança deveriam ser corrigidos em conformidade com a
variação do IPC ou das Letras do Banco Central (LBCs), apllicando-
se o mais dos dois índices.
Com a Resolução nº 1.338, do Banco Central do Brasil,
datada de 15 de junho de 1987, determinou-se a substituição do
critério até então vigente pelo exclusivo rendimento das LBCs, ainda
que o índice do IPC fosse superior. Assim, inadequadamente fora
creditada aos depósitos a taxa de 18,02%, enquanto a variação do
IPC foi superior, da ordem de 26,06%.

Da Legitimidade Passiva Ad Causam
De acordo com contrato celebrado entre as partes –
poupador e agente financeiro - típico contrato de adesão, cabia à
instituição financeira a correção mensal dos valores depositados
pelos poupadores, e, no caso de remuneração inferior à devida,
quem com isso se beneficia é o agente financeiro, razão pela qual é
quem deve suportar os efeitos da eventual condenação.
A questão, inclusive já foi assentada pelo Superior
Tribunal de Justiça, na Súmula 179, verbis:
O ESTABELECIMENTO QUE RECEBE DINHEIRO EM DEPÓSITO
JUDICIAL, RESPONDE PELO PAGAMENTO DA CORREÇÃO
MONETÁRIA RELATIVA AOS VALORES RECOLHIDOS.
No mesmo sentido aponta a jurisprudência pátria,
como se observa do aresto que se transcreve abaixo:
CIVIL. CONTRATO. POUPANÇA. PLANO BRESSER (JUNHO DE
1987) E PLANO VERÃO (JANEIRO DE 1989). BANCO


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DEPOSITANTE. LEGITIMIDADE PASSIVA PRESCRIÇÃO.
VINTENÁRIA. CORREÇÃO. DEFERIMENTO.
1. Quem deve figurar no poli passivo de demanda onde se
pede diferenças de correção monetária, em caderneta de
poupança, nos meses de junho de 1987 e janeiro de 1989, é
a instituição bancária onde depositado o montante objeto
da demanda.
2. Os juros remuneratórios e conta poupança, incidentes
mensalmente e capitalizados, agregam-se ao capital, assim
como a correção monetária, perdendo, pois, a natureza de
acessórios, fazendo concluir, em conseqüência, que a
prescrição não é de cinco anos, prevista no art. 178, § 10,
do Código Civil de 1916 (cinco anos), mas a vintenária.
Precedentes da Terceira e Quarta Turma.
3. Nos termos do entendimento dominante desta Corte são
devidos, na correção de caderneta de poupança. O PIC
de junho de 1987 (26,06%) e o IPC de janeiro de 1989
(42,72%).
4. Recurso especial não conhecido. (STJ – REsp 707.151-SP –
Rel. Ministro Fernando Gonçalves, 4ª Turma, j. 17.5.2005)
Portanto, o único legitimado para figurar no pólo
passivo da demanda é o banco depositário.

Do prazo prescricional
Consoante entendimento já pacificado pelo Egrégio
Superior Tribunal de Justiça, a ação de cobrança de diferença
resultante do cálculo da correção monetária de saldo da caderneta
de poupança é pessoal. Neste diapasão, tendo transcorrido mais da
metade do prazo prescricional de vinte anos até a data de vigência
do Código Civil de 2002, conforme dispõe o art. 2.028 deste diploma,
há de preponderar, como prazo prescricional, o interstício previsto
no antigo Código Civil de 1916, que não se exauriu.




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Plano Bresser – Correção Monetária
expurgada em Jun/1987
Consoante o Decreto-lei nº. 2.284/86, regra esta
alterada pelo Decreto-lei nº. 2.290/86, os saldos dos depósitos em
cadernetas de poupança deveriam ser corrigidos em conformidade
à variação do IPC ou das Letras do Banco Central (LBCs), aplicando-
se o maior dos dois índices.
Registre-se que o art. 12 do Decreto-lei nº. 2.284/86,
estabeleceu que os saldos das cadernetas de poupança seriam
corrigidos “pelos rendimentos das Letras do Banco Central (LBC) ou
por outro índice que vier a ser fixado pelo Conselho Monetário
Nacional”. Por sua vez, o CMN, submetido à mencionada lei,
publicou a Resolução nº. 1.265, de 26 de fevereiro de 1987, a qual
estabeleceu que “o valor da OTN até o mês de junho de 1987” seria
atualizado mensalmente pela variação do IPC ou da LBC,
“adotando-se o índice que maior resultado obtiver”, e que às
cadernetas de poupança seria aplicada a OTN assim apurada.
Com a Resolução nº. 1.338, do Banco Central do Brasil,
datada de 16 de junho de 1987, determinou-se a substituição do
critério até então vigente pelo exclusivo rendimento das LBCs, ainda
que o índice do IPC fosse superior. Assim, Excelência,
inadequadamente fora creditada aos depósitos a taxa de 18,02%,
enquanto a variação do IPC foi superior, da ordem de 26,06%,
resultado este face à alteração dos critérios de atualização da OTN,
(item 1) “pelo rendimento produzidos pelas LBC no período de 1º a
30 de junho de 1987.”.
A utilização do índice de 18,02% (originário do
rendimento exclusivo pelas LBCs), em vez do IPC, que alcançou, na
ocasião, a taxa de 26,06%, representa ofensa a direito adquirido.
Como se percebe, honroso Magistrado, o Autor já tinha direito
adquirido ao critério anterior, o qual previsto pela Resolução nº.
1.265. Ao revés, a Resolução nº. 1.338/87 teve efeito retroativo,
alcançando período aquisitivo em curso antes de sua vigência.


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Verifica-se, às claras, que o direito do Promovente
passa pela análise da incidência do princípio da não-retroatividade
da norma infraconstitucional, consagrado pelo inciso XXXVI do artigo
5º da atual Constituição Federal.
Conforme tese já consolidada no seio do Supremo
Tribunal Federal, aludido princípio aplica-se inclusive às normas de
ordem pública, razão pela qual nenhuma lei poderá surtir efeitos
retroativos, ainda que mínimos, à vista do artigo 5º, XXXVI, da CF/88
(RTJ 143:724).
Segundo orientação do colendo Supremo Tribunal
Federal, o poupador tem, sim, direito adquirido aos rendimentos de
depósitos de poupança, não podendo eventual mudança de
critério ser aplicada aos rendimentos de período já em curso.
Nesse sentido, o seguinte julgado:
CADERNETA DE POUPANÇA. ATO JURÍDICO PERFEITO (ARTIGO
5º, XXXVI, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL). O princípio
constitucional do respeito ao ato jurídico perfeito se aplica
também, conforme é o entendimento desta Corte, às leis
de ordem pública. Correto, portanto, o acórdão recorrido
ao julgar que, no caso, ocorreu afronta ao ato jurídico
perfeito, porquanto, com relação à caderneta de
poupança, há contrato de adesão entre o poupador e o
estabelecimento financeiro, não podendo, pois, ser
aplicada a ele, durante o período para a aquisição da
correção monetária mensal já iniciado, legislação que
altere, para menor, o índice dessa correção. Recurso
extraordinário não conhecido. (STF. 1ª Turma. RE 231.267/RS.
Relator: Ministro Moreira Alves. DJ de 16.10.98, p. 32).
Na espécie trata-se de obrigação de trato sucessivo.
Nesses casos, o ato jurídico se aperfeiçoa mensalmente, e o direito a
determinada remuneração é adquirido na data da aplicação,
renovando-se a cada aniversário.
Este é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça
que no AgRg no Ag 561405/RS, de que foi Relator o Ministro Aldir


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Passarinho Júnior, publicado no DJ de 21.2.2005, decidiu o seguinte:
PROCESSUAL CIVIL E ECONÔMICO. CADERNETA DE
POUPANÇA. CORREÇÃO MONETÁRIA. IPC DE JUNHO DE
1987(26,06%). PLANO BRESSER. SÚMULA 83-STJ.
1 – O Superior Tribunal de Justiça já firmou, em definitivo, o
entendimento de que no cálculo da correção monetária
para efeito de atualização de cadernetas de poupança
iniciadas e renovadas até 15 de junho de 1987, antes da
vigência da Resolução nº. 1.338/87-BACEN, aplica-se o IPC
relativo àquele mês em 26,06%. Precedentes.
2 – “Não se conhece do recurso especial pela divergência,
quando a orientação do Tribunal se firmou no mesmo
sentido da decisão recorrida” – Súmula 83-STJ.
3 – Agravo regimental desprovido
Nesta ordem de raciocínio, Excelência, os saldos das
cadernetas de poupança com aniversário entre 1º e 15 de junho de
1987 deveriam ser corrigidos pelo Índice de Preços ao Consumidor –
IPC relativo ao mês de junho daquele ano.
No caso em espécie, V. Ex.ª pode perceber que, à luz
dos extratos acostados, a conta-poupança do Autor tinha data-
limite (ou data-base) o dia 02, portanto em período de
aplicação/reaplicação dentre os dias da primeira quinzena de
junho/87, não lhes sendo aplicáveis o regime trazido pela Resolução
nº. 1.338/87, do BACEN.

Pedidos
Isto posto, requer:
a) citação da Requerida, por Carta, com Aviso de
Recebimento, com as cominações de estilo (CPC, art. 222 c/c art.
285);
b) condenação da Requerida ao pagamento, ao
requerente, das diferenças pecuniárias decorrentes da não-


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aplicação do percentual de 26,06% (em junho de 1987) na correção
do saldo da caderneta de poupança especificada nestes autos
(conta nº 1370-013-00002876.0), acrescido de correção monetária a
partir da data que deveria ser paga, juros contratuais de 0,50% ao
mês e juros moratórios a partir do ato citatório, consoante arts. 405 e
406 do Código Civil, além da condenação ao ônus de
sucumbência;
c) acreditando o autor que a presente querela
comporta julgamento antecipado, porquanto prescinde de provas,
meramente por desvelo de sua parte protesta provar o alegado por
toda espécie de prova admitida.
Com supedâneo 258 da Legislação Adjetiva Civil
concede-se à causa o valor estimativo de R$ 1.000,00 (um mil reais).
Nestes termos
Pede deferimento.
Blumenau, 23 de abril de 2007.



Walfrido Soares Neto
OAB/SC 10392