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O ataque modernista contra Fátima

do Padre Fox
Parte II de III

Vai anulando as profecias de Fátima, ao mesmo tempo
que finge acreditar nelas
É mais que evidente que quem pensa como Kasper há-de considerar a conversão da Rússia e o
Triunfo do Imaculado Coração de Maria como uma coisa totalmente inadmissível. Mas, como são
neo-modernistas — isto é, modernistas de hoje, que não são diferentes dos modernistas do tempo de
S. Pio X — os que são como Kasper são espertos de mais para simplesmente dizerem que a
Mensagem de Fátima deve ser posta de lado, porque isto podia provocar a ira dos que eles gostam de
chamar "os fiéis simples." O truque é fazer de conta que respeitam a Mensagem de Fátima, ao
mesmo tempo que lhe dão interpretação que, na prática, a anula.
Por exemplo, no seu "comentário" distintamente neo-modernista sobre a Mensagem de Fátima e
o Terceiro Segredo, o Cardeal Ratzinger liquidou a conversão da Rússia e o Triunfo do Imaculado
Coração desta maneira:
Queria, no fim, tomar uma vez mais outra palavra-chave do “segredo” que
justamente se tornou famosa: “O meu Imaculado Coração triunfará”. Que significa
isto? Significa que este Coração aberto a Deus, purificado pela contemplação de Deus,
é mais forte que as pistolas ou outras armas de qualquer espécie. O fiat de Maria, a
palavra do Seu Coração, mudou a história do mundo, porque introduziu neste mundo
o Salvador: graças àquele Sim, Deus pôde fazer-Se homem no nosso meio e tal
permanece para sempre.
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Segundo a interpretação neo-modernista de Ratzinger, o Triunfo do Imaculado Coração
profetizado por Nossa Senhora em 1917 como um acontecimento futuro, teve lugar, na realidade, há
2.000 anos, quando Maria consentiu em ser Mãe do Redentor. Ratzinger conseguiu fazer este truque
exegético fazendo desaparecer convenientemente as palavras "Por fim" da profecia de Nossa
Senhora. E também evitou mencionar a promessa de Maria de que o Triunfo do Seu Imaculado
Coração ver-se-ia na conversão da Rússia e num tempo de paz mundial, acontecimentos que são o
próprio apogeu de toda a Mensagem.
Note-se isto bem: Sabendo que a profecia de Nossa Senhora
começa com duas palavras cruciais — Por fim — Ratzinger
deliberadamente amputou estas palavras da sua explicação da
profecia, sabendo muito bem que estava também a esconder uma
predição de três acontecimentos futuros que preferiu não mencionar,
e que ainda estão por acontecer no Seu triunfo futuro:
"Por fim, o Meu Imaculado Coração triunfará;
1. o Santo Padre consagrar-Me-á a Rússia,
2. que se converterá, e
3. um tempo de paz será dado ao mundo."
O truque é fazer de
conta que respeitam a
Mensagem de Fátima,
ao mesmo tempo que
lhe dão interpretação
que, na prática, a
anula.

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Não pode haver outra conclusão: a "interpretação" que Ratzinger deu da Mensagem de Fátima foi
calculada para a destruir. Porque o que é que resta da profecia de Fátima, se se ignora a conversão da
Rússia e um período de paz futuro para a humanidade, e identifica o triunfo do Imaculado Coração
com o Seu fiat de há2.000 anos? É óbvio que não resta nada. A profecia passa a ser nada mais do
que uma declaração sobre o passado, ou, na melhor das hipóteses, uma referência para o presente. A
versão neo-modernista da profecia, portanto, não é profecia nenhuma. Por isso, até o Los Angeles
Times observou que Ratzinger tinha "desmascarado delicadamente o culto de Fátima"
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— ou antes,
tinha tentado fazê-lo.
Afirmar e desmascarar, tudo ao mesmo tempo — e tudo com a aparência de autoridade,
legitimidade e respeito pela verdade — é precisamente a maneira como o neo-modernista tenta minar
a Fé Católica. E é precisamente a maneira como os neo-modernistas estão a tentar minar a
Mensagem de Fátima, enquanto fingem respeitá-la — e, pior ainda, ao mesmo tempo que ousam ter
devoção a Nossa Senhora de Fátima.
O Padre Fox promove a "Consagração da Rússia" Neo-Modernista
Este mesmo modus operandi neo-modernista está agora a ser seguido pelo Padre Fox, que se
apresenta a si próprio como um grande defensor da autêntica Mensagem de Fátima. A
"interpretação" da Mensagem que o Padre Fox dá é, tal como a de Ratzinger, uma verdadeira
tentativa de a neutralizar. Tal como Ratzinger, o Padre Fox professa a sua dedicação a Fátima ao
mesmo tempo que tenta extirpar o seu conteúdo profético, deixando-nos sem aquilo que poderia
ofender os proponentes do "ecumenismo" e do "diálogo" — incluindo o Padre Fox. Vejamos como o
Padre Fox faz isto.
Primeiro há a "interpretação" neo-modernista do Padre Fox da Consagração da Rússia. Ora
"consagrar" significa destacar uma pessoa, lugar ou coisa para o fim sagrado. É claro como água que,
para se consagrar um lugar, é preciso mencionar o lugar a ser consagrado. Seria absurdo um Bispo
insistir que podia consagrar uma nova catedral, consagrando toda a diocese sem fazer menção da
catedral, segundo a teoria de que a catedral é parte da diocese. Mas o Padre Fox, seguindo a linha do
partido do Cardeal Sodano, propõe seriamente que o Papa conseguiu consagrar a Rússia através da
consagração do mundo, mesmo tendo evitado deliberadamente mencionar a Rússia para não ofender
os Ortodoxos.
Para apoiar esta afirmação, o Padre Fox recorre mais uma vez ao que ele diz ser "uma carta
pessoal da Irmã Lúcia que diz que a Consagração Colegial foi realizada" em 1984. Esta "carta
pessoal," de 1990, era uma de cinco "cartas pessoais" feitas a computador e alegadamente assinadas
pela Irmã Lúcia, que não escreve cartas no computador, mas que escreve toda a sua volumosa
correspondência (para não falar de centenas de páginas de memórias) à mão. Uma destas "cartas
pessoais," dirigida a um tal Sr. Noelker, diz que, durante a sua visita a Fátima em 1967, o Papa Paulo
VI consagrou o mundo ao Imaculado Coração — coisa que nunca aconteceu. Ora como a Irmã
Lúcia, que esteve presente na visita do Papa Paulo, não podia ter feito um tal erro, este só podia
dever-se à pessoa mal informada que criou as tais "cartas pessoais" num computador. É ainda mais
estranho, porque a carta a Noelker, já completamente desacreditada, é a única prova citada no
Comentário do Cardeal Ratzinger para apoiar a asserção de que a Consagração já foi feita. Não se fez
um esforço para obter um depoimento pessoal da Irmã Lúcia sobre o assunto, embora ela estivesse
imediatamente disponível; nem sequer lhe pediram para autenticar a carta a Noelker — omissão esta
que é bem eloquente.
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Maria do Fetal: a grande testemunha do Padre Fox. Quando o Padre Fox
começou a sua campanha em 1989, afirmando que a Consagração da Rússia
estava feita e que Gorbachev e as mudanças na Rússia eram o começo do
triunfo de Nossa Senhora, apoiou-se na sua testemunha-estrela, Maria do
Fetal (em cima) cuja bona fides ele alegou ter previamente verificado.

Ela aguentou-se de Agosto de 1989 até ao início de 1990, altura em que
admitiu ao Padre Pierre Caillon que tinha "inventado" as suas histórias sobre
a Irmã Lúcia e a Consagração da Rússia.

Desde então, tem-se mantido na penumbra e nunca mais deu entrevistas.
Fox tinha sido mais prudente se lhe seguisse o exemplo. Em vez disso,
continuou a sua campanha de desinformação contra a Consagração da Rússia.

Nem o Padre Fox nem mais ninguém do seu campo fizeram o mínimo esforço para explicar
como é que as alegadas "cartas pessoais" de 1989-90 se podem enquadrar no testemunho constante
da Irmã Lúcia, tanto antes como depois da cerimónia de 1984, de que Nossa Senhora tinha pedido a
Consagração da Rússia pelo nome, e não a consagração do mundo. O Padre Fox foi confrontado uma
e outra vez com os depoimentos anteriores da Irmã Lúcia; e esquivou-se uma e outra vez a explicar
como é que a sua "carta pessoal da Irmã Lúcia" pode ser reconciliada com esses depoimentos.
Recordemos aqui alguns exemplos desses depoimentos anteriores:
• Entrevista de Setembro de 1985 da Irmã Lúcia ao Sol de Fátima, publicação
oficial do Exército Azul em Espanha:
Pergunta: "J oão Paulo II convidou todos os Bispos a associar-se à Consagração
da Rússia, que ele iria fazer em Fátima em 13 de Maio de 1982, e que renovaria no
fim do Ano Santo em Roma em 25 de Março de 1984, perante a imagem original de
Nossa Senhora de Fátima. Não teria feito, portanto, o que foi pedido em Tuy?"
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Irmã Lúcia: "Não houve a participação de todos os Bispos e não houve uma
menção da Rússia."
Pergunta: "Então a Consagração não foi feita como Nossa Senhora pediu?"
Irmã Lúcia: "Não. Muitos Bispos não deram importância a este acto."
• Declaração de 1983 da Irmã Lúcia ao Núncio Papal:
Precisamente porque a consagração de 1982 não fizera menção da Rússia (e os Bispos não
participaram), a Irmã Lúcia disse ao Núncio Papal em Portugal em 19 de Março de 1983 que o Acto
de Consagração de 1982 era insuficiente porque a Rússia não fora o objecto da consagração e os
Bispos não participaram numa cerimónia solene e pública de Consagração da Rússia. E concluiu: "A
Consagração da Rússia não foi feita como Nossa Senhora pediu. Não pude fazer antes esta
declaração por não ter autorização da Santa Sé."
• Declaração da Irmã Lúcia ao Padre Umberto, publicada em L’Osservatore
Romano:
Em 12 de Maio de 1982, na véspera da tentativa de consagração de 1982, L’Osservatore Romano
(edição italiana) publicou uma entrevista dada em 1978 pela Irmã Lúcia ao Padre Umberto Maria
Pasquale, um sacerdote salesiano que fora "confidente da vidente de Fátima desde 1939."
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O Padre
Pasquale já tinha recebido, por essa altura, 157 cartas da Irmã Lúcia. Durante esta entrevista, que
teve lugar em 5 de Agosto de 1978, a Irmã Lúcia disse claramente ao Padre Umberto que Nossa
Senhora não tinha pedido a consagração do mundo em geral, mas especificamente da Rússia, e
apenas da Rússia:
Em certa altura eu disse-lhe: "Irmã, gostava de lhe fazer uma pergunta. Se não me
poder responder, assim seja. Mas se puder responder, ficar-lhe-ia muito grato ... Nossa
Senhora alguma vez lhe falou da consagração do mundo ao Seu Imaculado Coração?"
"Não, Senhor Padre Umberto! Nunca! Na Cova da Iria em 1917 Nossa Senhora
prometeu: Virei pedir a Consagração da Rússia ... Em 1929, em Tuy, como tinha
prometido, Nossa Senhora voltou para me dizer que tinha chegado o momento de
pedir ao Santo Padre a Consagração daquele país (a Rússia)."
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• Carta manuscrita da Irmã Lúcia ao Padre Umberto, confirmando o seu
depoimento:
Depois desta conversa, o Padre Umberto pediu à Irmã Lúcia para pôr este
esclarecimento por escrito. A sua resposta manuscrita — não usou nem um
computador nem uma máquina de escrever — foi publicada pela primeira vez em
1980, num folheto produzido pela revista Cavaleiro da Imaculada, estabelecendo para
além de qualquer dúvida que a consagração "do mundo" não era suficiente para
atender ao pedido de Nossa Senhora em Fátima, como a própria Irmã Lúcia diria mais
tarde, depois de ambas as cerimónias de consagração de 1982 e 1984. Eis a cópia,
reproduzida fotograficamente, da carta da Irmã Lúcia ao Padre Umberto, datada de 13
de Abril de 1980.
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Em baixo, a transcrição da carta escrita pela Irmã Lúcia ao Padre Umberto em 13 de Abril de
1980.

Transcrição
J † M.

Rev.do Senhor P. Humberto

Respondendo à sua pergunta esclareço:
Nossa Senhora, em Fátima, no Seu pedido, só
se referiu à Consagração da Rússia.
Na carta que escrevi ao Santo Padre Pio XII –
por indicação do confessor – pedi a consagração
do mundo com menção explícita pela Rússia.
Dedicada, em união de orações

Coimbra, 13- IV-1980

Ir. Lúcia

Aqui, a Irmã Lúcia confirma para toda a Igreja, na sua própria letra, que a consagração do mundo
é exterior à Mensagem de Fátima, e representa, no máximo, a sugestão do seu confessor. Esta
sugestão parece ter resultado de uma ordem do Bispo de Gurza para que a Irmã Lúcia enviasse a Pio
XII um pedido para uma consagração do mundo (além da da Rússia), na sua carta de 2 de Dezembro
de 1940.
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O que isto parece sugerir é a disposição da Irmã Lúcia, sujeita a "obediência," de evitar
insistir clara e inequivocamente no que Nossa Senhora pediu especificamente.
• Declaração de 1982 da Irmã Lúcia ao Núncio Papal:
Em 21 de Março de 1982, a Irmã Lúcia encontrou-se com o Núncio Papal em Portugal, o Rev.
Sante Portalupi, precisamente para tratar de como a consagração que o Papa tinha marcado para 13
de Maio desse ano devia ser feita. O Núncio foi informado do seguinte:
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A Irmã Lúcia explicou que o Papa devia escolher uma data em que, por ordem de
Sua Santidade, os Bispos de todo o mundo fariam, cada um na sua própria catedral e
ao mesmo tempo do Papa, uma cerimónia solene e pública de Reparação e
Consagração da Rússia ...
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• Declaração de 1957 da Irmã Lúcia ao Padre Fuentes:
Em 26 de Dezembro de 1957, a Irmã Lúcia fez o seguinte depoimento ao Padre Fuentes, Vice-
Postulator da causa de beatificação de J acinta e Francisco:
“Senhor Padre, a Santíssima Virgem está muito triste porque ninguém presta
atenção à Sua Mensagem, nem os bons nem os maus. ... Os bons continuam no seu
caminho, mas sem dar importância à Sua Mensagem. ... Diga-lhes, Senhor Padre, que
muitas vezes a Santíssima Virgem disse aos meus primos Francisco e J acinta, assim
como a mim, que muitas nações desaparecerão da face da terra. Disse que a Rússia
será o instrumento do castigo escolhido pelo Céu para castigar todo o mundo, se antes
não obtivermos a conversão daquela pobre nação.”
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• Declaração de 1946 da Irmã Lúcia ao historiador William Thomas Walsh:
Em 15 de J ulho de 1946, o eminente escritor e historiador William Thomas Walsh entrevistou a
Irmã Lúcia para o seu livro Our Lady of Fatima [“Nossa Senhora de Fátima”], de que se vendeu
mais de um milhão de exemplares. Walsh fez várias perguntas precisas sobre os requisitos para a
Consagração da Rússia, referentes à então recente consagração do mundo ao Imaculado Coração,
feita por Pio XII em 1942 — cerimónia esta que a Irmã Lúcia claramente não considerou como tendo
respondido ao pedido de Nossa Senhora:
Chegámos finalmente ao assunto importante do segundo segredo de J ulho, sobre o
qual têm sido publicadas tantas versões diferentes e contraditórias. Lúcia tornou claro
que Nossa Senhora não tinha pedido a consagração do mundo ao Seu Imaculado
Coração. O que Ela pediu especificamente foi a Consagração da Rússia. Não
comentou, é claro, o facto de o Papa Pio XII ter consagrado o mundo, e não a Rússia,
ao Imaculado Coração em 1942. Mas ela disse mais do que uma vez, e com ênfase
deliberada: "O que Nossa Senhora quer é que o Papa e todos os Bispos do mundo
consagrem a Rússia ao Seu Imaculado Coração num dia especial. Se isto se fizer, Ela
converterá a Rússia e haverá paz. Se não se fizer, os erros da Rússia espalhar-se-ão
por todos os países do mundo."
"Quer isto dizer, na sua opinião, que todos os países, sem excepção, serão
dominados pelo comunismo?"
A Irmã Lúcia respondeu: "Sim."
21a

Para esclarecer melhor, o Professor Walsh perguntou: "Quer isso dizer os Estados
Unidos da América também?"
"A Irmã Lúcia respondeu: ‘Sim.’"
21b



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Monsenhor Guerra, um dos associados do Padre Fox
em atacar Fátima

Em cima, à esquerda, está Frère François, autor da obra erudita Fatima: Intimate Joy, World Event. À direita
está o Reitor do Santuário de Fátima, Monsenhor Luciano Guerra — a mesma pessoa que PERMITE cerimónias
cultuais a deuses pagãos no Santuário de Fátima, no local exacto em que Nossa Senhora apareceu, e que até o
APROVA publicamente. É este mesmo Monsenhor Guerra que o Padre Fox defende.

Nesta fotografia histórica, tirada no Centro Paulo VI em Fátima, ao meio-dia de 12 de Outubro de 1992, no
fim da sessão de encerramento da primeira Conferência Internacional sobre a Pastoral em Fátima, Frère François
confronta o Reitor, Monsenhor Luciano Guerra. "Senhor Reitor, pode jurar sobre os Evangelhos que não
escreveu as cartas apócrifas da Irmã Lúcia?" Monsenhor Guerra: "Não, não quero. Não posso fazer isso nestas
condições ..." Frère François: "A crítica interna destas cartas mostra que são falsas." Monsenhor Guerra: "Não
vou discutir consigo. Não tem coração ... não tem coração."


Mas o que aconteceu em 1989?
Porque é que Padre Fox declarou de repente em 1989 que a Consagração da Rússia não precisava
de mencionar a Rússia, quando esta mudança de posição era contrária ao testemunho imutável da
Irmã Lúcia, para não falar do próprio senso comum? Porque é que, em 1989, começaram a aparecer
cartas feitas a computador, alegadamente assinadas pela Irmã Lúcia, quando ela tinha sempre escrito
tudo à mão, e afirmando inesperadamente o contrário do que ela sempre afirmara?
A resposta parece ser uma directiva vinda dos elementos da burocracia do Vaticano opostos a
Fátima, muito provavelmente o Secretário de Estado, em data incerta no período de 1988-89. Como
Frère François, perito reconhecido de Fátima, relatou: "[V]eio uma ordem do Vaticano, endereçada
às autoridades de Fátima, à Irmã Lúcia, a diversos eclesiásticos, incluindo o Padre Messias Coelho, e
a um padre francês [evidentemente o Padre Pierre Caillon] muito devoto de Nossa Senhora,
ordenando a todos que deixassem de incomodar o Santo Padre com a Consagração da Rússia." O
devoto de Fátima Padre Caillon confirmou que "Veio uma ordem de Roma, que obrigava a todos a
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dizer e pensar: ‘A Consagração está feita. Como o Papa fez o que podia, o Céu dignou-se aceitar este
gesto.’"
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Por coincidência, foi exactamente na altura da ordem do Vaticano que o Padre Fox começou de
repente a promover com vigor a linha de que a Rússia tinha sido consagrada sem sequer ser
mencionada, e que a Rússia estava a "converter-se." Como alegou no número de Outubro-Novembro
de 1989 da sua revista, a consagração do mundo tinha sido "aceite" por Deus em lugar da
Consagração da Rússia, e "Vemos sinais de um início do facto de Deus cumprir a Sua palavra."
Quinze anos mais tarde, o Padre Fox ainda está a proclamar o "início" da conversão da Rússia,
enquanto a situação da sociedade russa e da Igreja Católica na Rússia continuam a declinar.
Ora bem, se a consagração do mundo foi feita na primeira metade de 1984, porque é que o Padre
Fox esperou até fins de 1989 — mais de cinco anos — para iniciar uma campanha para nos
convencer de que esta consagração fora "aceite" pelo Céu? A conclusão é inescapável: o Secretário
de Estado do Vaticano acabara de ditar a nova linha do partido sobre Fátima — ou seja: a Rússia está
consagrada; Fátima está acabada. Na verdade, foi em 1989 que o então Bispo do Padre Gruner (o
Bispo de Avellino) lhe comunicou pela primeira vez os "sinais de preocupação" do Secretário de
Estado do Vaticano sobre o apostolado de Fátima do Padre Gruner, que não estava a seguir a linha
do partido mas, pelo contrário, continuava a manter (o que tem feito até hoje) a posição de que a
Rússia não foi consagrada em 1984.
E o Padre Fox sem responder
Até hoje, o Padre Fox não conseguiu responder ao desafio que lhe foi feito pelo Padre Kramer e
por The Fatima Crusader — em 1990 e 1992 — para explicar a alegada reviravolta súbita do
testemunho até então imutável da Irmã Lúcia sobre o que era preciso fazer para a Consagração da
Rússia.
22a
O Padre Fox não respondeu ao desafio porque não tem resposta.
Em vez disso, o Padre Fox aderiu à versão neo-modernista, "ecuménica" da Consagração: uma
cerimónia em que tudo é mencionado, menos a Rússia. Por isso, desde 1984 não vimos apenas uma
consagração do mundo, mas (em 8 de Outubro de 2000) uma consagração a Maria, chamada um
"acto de entrega," de uma lista de beneficiados, mas excluindo uma menção específica da Rússia:
"todos os povos," "as crianças por nascer," "os nascidos na pobreza e sofrimento," "os jovens em
busca de um sentido da vida," "os desempregados," "os que sofrem de fome e doenças," "todas as
famílias perturbadas," "os velhos sem ninguém que os ajude," e "todos os que estão sós e sem
esperança."
Ninguém pode dizer que consagrar (ou "confiar") todos estes grupos diferentes a Maria é uma
coisa má. Pelo contrário, é uma coisa boa. Mas vemos aqui a aplicação de outra técnica neo-
modernista: sublinhar um bem para ocultar outro que querem esconder — como, por exemplo,
quando o neo-modernista fala incessantemente da misericórdia de Deus para obscurecer a Sua
justiça, ou da humanidade de Cristo para obscurecer a Sua divindade. Ao consagrar tudo e mais
alguma coisa à face da terra, com a única excepção do que Nossa Senhora pediu para ser consagrado,
os difusores da versão neo-modernista de Fátima querem fazer-nos esquecer a razão para Nossa
Senhora ter descido à terra em primeiro lugar: pedir a conversão da Rússia como prelúdio do Triunfo
do Seu Imaculado Coração e da paz no mundo. E agora o Padre Fox junta-se a esta obfuscação neo-
modernista da verdade simples de Fátima.
O Padre Fox promove a "Conversão da Rússia" neo-modernista
Aderindo à "consagração da Rússia" neo-modernista, o Padre Fox compromete-se a defender a
versão neo-modernista da suposta "conversão" da Rússia desde 1984.
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No seu artigo, com o título irrelevante de "Padre Gruner — um padre católico suspenso," o Padre
Fox até admite que "ainda há guerras, violência no mundo, e a Rússia está longe de estar
convertida." O Padre Fox confronta a seguir a objecção que certamente muitos dos seus próprios
apoiantes lhe apresentaram: "Se a Consagração está feita, porque é que a Rússia não se converteu?"
Em vez de responder a esta objecção, o Padre Fox troça retoricamente dos que "defendem a posição
de que viria um paraíso terrestre, uma Rússia tornando-se de repente num povo de santidade
comvertida e até de Católicos Romanos, imediatamente a seguir à Consagração Colegial."
Por outras palavras, o Padre Fox, trespassando com um punhal o
coração da Mensagem de Fátima, insiste em como Nossa Senhora de
Fátima não prometeu o milagre duplo de um tempo de paz no mundo
e a conversão da Rússia à religião católica. Segundo o Padre Fox,
Nossa Senhora não prometeu mais do que já vemos hoje: nem a paz
no mundo, nem a conversão do povo russo. Mas, sendo assim, qual
seria a razão para as aparições de Fátima? Então a Mãe de Deus veio
à terra e apresentou o Milagre do Sol, só para anunciar que os
milagres não iriam acontecer logo a seguir à concretização dos Seus
pedidos? Mas que disparate é este? Isto é um absurdo neo-
modernista, que afirma e nega Fátima ao mesmo tempo.
Mas como o Padre Fox sabe muito bem, a intervenção de Nossa Senhora na terra produziu, de
facto, a conversão miraculosa de toda a nação do México. Cerca de nove milhões de almas até então
perdidas nas trevas do paganismo foram baptizadas e recebidas na Igreja Católica no curto espaço de
apenas nove anos que se seguiram às aparições de Nossa Senhora de Guadalupe em 1531. Mas vinte
anos depois de uma "consagração da Rússia" em que a Rússia nunca foi mencionada, o Padre Fox
informa-nos que não podemos esperar que Nossa Senhora faça um milagre semelhante na Rússia —
ou mesmo converter um número significativo de russos à Fé Católica! E este, note-se, é o homem
que se apresenta como o grande campeão de Nossa Senhora de Fátima e do Triunfo do Seu
Imaculado Coração.
Quando se pensa nisto por um momento, compreende-se que o que o Padre Fox está realmente a
dizer é que Deus não é capaz de conseguir a conversão milagrosa da Rússia. Tendo a sua visão
enevoada pelo nevoeiro ecuménico que há quarenta anos afecta a Igreja, o Padre Fox nega
implicitamente o poder do próprio Deus.
Compare-se o Padre Fox com o exemplo brilhante do Padre Leonid Feodorov (1879-1935), que
foi a Roma quando ainda era um estudante ortodoxo russo de teologia e se uniu à Igreja Católica no
Gesù em 31 de J ulho de 1902 — quinze anos antes de Nossa Senhora de Fátima ter vindo pedir que
todos os Ortodoxos Russos seguissem o exemplo de Feodorov. Feodorov foi ordenado sacerdote
católico e elevado à cabeça da Igreja Católica de Rito Bizantino na Rússia como o seu Exarca, sendo
condenado a dez anos de cadeia pelos Bolcheviques em 1923 pelo "crime" de promover a reunião
dos Ortodoxos com Roma. Referindo-se à sua sentença, o Padre Feodorov declarou: "Tanto me faz
se for fuzilado ou condenado a dez anos de prisão; mas, apesar disto, não sou um fanático. Desde o
momento em que me entreguei à Igreja Católica que o meu único pensamento foi levar o meu país a
aquela Igreja, que eu acredito que é a única Igreja verdadeira."
Poderá haver um soldado mais corajoso ao serviço de Nossa Senhora de Fátima? Quanto ao
Padre Fox, ele devia envergonhar-se de se chamar a si próprio apóstolo mariano. Porque, como
veremos, ele usa a sua posição confortável na Igreja para agir contra o regresso da Rússia à "única
Igreja verdadeira," uma causa pela qual o Padre Feodorov estava disposto a dar a vida.
O Padre Fox aderiu à
versão neo-
modernista,
"ecuménica" da
Consagração: uma
cerimónia em que tudo
é mencionado, menos a
Rússia.

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O Cardeal Mario Luigi Ciappi, feito Cardeal pelo Papa Paulo VI, foi
escolhido para teólogo pessoal do Papa João Paulo II. Nessa qualidade, teve
acesso ao verdadeiro Terceiro Segredo. Sobre esse assunto, escreveu: "No
Terceiro Segredo (de Fátima) está profetizado, entre outras coisas, que a
grande Apostasia na Igreja começará pelo cimo." Para mais informações
sobre isto, leia O derradeiro combate do demónio.
Nossa Senhora dos Ortodoxos Russos?
O Padre Fox troça das "histórias de horror sobre a Rússia como prova de que nenhuma
consagração foi aceite por Deus." Passando por cima das "histórias de horror" (sobre que ele não
pode arranjar desculpa para as ignorar), o Padre Fox cita, ao que parece com toda a seriedade, a
opinião do Patriarca Ortodoxo Alexey II — um antigo agente do KGB! — ou seja, que ele (Alexey)
"acredita" que a Igreja Ortodoxa Russa está a viver um "renascimento." Este Alexey II é o mesmo
que, não há muito tempo, bradava que o Papa estava a "invadir território russo" quando Sua
Santidade fez uma transmissão televisiva de circuito fechado para um pequeno grupo de Católicos
em Moscovo — de circuito fechado porque as estações de televisão controladas pelo Sr. Pútin
recusaram-se a transmitir imagens do Papa ao povo russo em geral.
Assim, o Padre Fox, auto-definido como apóstolo de Fátima, que proclama em voz alta a sua
lealdade ao Papa, está agora a sugerir que a Mãe de Deus veio à terra para trazer um "renascimento"
da Igreja Ortodoxa Russa — a mesma Igreja cismática que rejeita por completo a comunhão com o
Papa e nem sequer permite que ele vá a Moscovo, a não ser que a Igreja Católica renuncie a qualquer
tentativa de proselitismo na Rússia! Por favor, Senhor Padre Fox! Nossa Senhora não veio a Fátima
dar ajuda à Ortodoxia Russa cismática, mas antes para reconciliar o povo russo com a Igreja
Católica, como Soloviev compreendeu e como vemos na conversão histórica do Padre Feodorov.
Talvez por reconhecer o absurdo da sua posição, o Padre Fox tenta dar autoridade papal à sua
"conversão da Rússia" neo-modernista, dizendo que J oão Paulo II "fala dos Ortodoxos como da
nossa Igreja irmã." Engana-se mais uma vez, Senhor Padre Fox. Em 9 de J unho de 2000, a
Congregação para a Doutrina da Fé emitiu uma nota doutrinal, aprovada especificamente pelo Papa,
que avisa que:
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"não se pode dizer propriamente que a Igreja Católica é irmã de uma
determinada Igreja ou grupo de Igrejas... Consequentemente, deve-se evitar, como
fonte de mal-entendido e de confusão teológica, usar formulações como as nossas
duas Igrejas, que, se se aplicar à Igreja Católica e à totalidade das Igrejas Ortodoxas
(ou só a uma Igreja Ortodoxa), implica uma pluralidade não apenas ao nível das
respectivas Igrejas, mas também ao nível da Igreja Una, Santa, Católica e Apostólica
confessada no Credo, cuja existência real é assim obscurecida."
Portanto, ao defender a sua versão neo-modernista da "conversão da Rússia," o Padre Fox mete-
se num caso de eclesiologia neo-modernista que até o aparelho de Estado do Vaticano,
freneticamente "ecuménico" como é, foi forçado a condenar para evitar uma confusão teológica — a
mesma confusão causada pelas iniciativas ecuménicas de certos burocratas do Vaticano, incluindo o
Cardeal Kasper! (Eis a "desorientação diabólica da Igreja" de que falou a Irmã Lúcia.)
Não, Senhor Padre Fox, os Ortodoxos não são a "Igreja irmã" da Igreja Católica, porque Cristo
fundou apenas uma Igreja que não tem "irmã". Os Ortodoxos Russos, Senhor Padre Fox, são
cismáticos, que Nossa Senhora de Fátima veio reconciliar com a única Igreja verdadeira — a Igreja
Una, Santa, Católica e Apostólica — Igreja essa de que é Mãe. É isto que o exemplo do Padre
Feodorov e de outros convertidos valentes nos ensina. Como corrompeu a Mensagem de Fátima,
Senhor Padre Fox, no seu zelo de defender a linha do partido de Sodano e obter o favor dos
burocratas "ecuménicos" do Vaticano, que lhe prodigalizam os louvores dos homens — a
respeitabilidade que lhe é dada por indivíduos do género do Cardeal Sodano e do Cardeal Kasper. O
Padre Gruner não tem essa "respeitabilidade" — de facto, nem a quer nem a procura — porque ele,
ao contrário de si, ousa dizer a verdade sobre Fátima e a sua relação com a crise na Igreja e no
mundo, uma crise que o Senhor Padre continua a fingir que não existe enquanto ela explode à sua
volta.
Seja como for, o que o Padre Fox apresenta como o "renascimento" da Ortodoxia Russa é um
mito. É bem sabido que quase todos os que se chamam a si próprios Ortodoxos Russos não praticam
a sua religião. Como sublinhou The Economist: "A Rússia está a passar por uma crise de fé... 94%
dos russos entre os 18 e os 29 anos de idade não vão à Igreja."
23
Assim, não surpreende que a
degeneração moral da sociedade russa continua a acelerar: dois abortos para cada nascimento (uma
média de cinco a seis abortos para cada mulher russa), alcoolismo generalizado e crime violento, que
fez baixar de 1991 a 2002 a expectativa de vida do russo médio caiu de 68 anos para 60, uma
epidemia crescente de SIDA desde que Boris Yeltsin legalizou a homossexualidade, uma indústria
florescente de pornografia infantil, graças ao sistema legal russo, que pouco faz contra a pornografia
(outra maneira de a Rússia espalhar os seus erros pelo mundo), e assim por diante.
24

Ao mesmo tempo que não consegue apresentar provas da conversão religiosa da Rússia, para
além do "renascimento" mítico da Ortodoxia russa cismática e anti-romana, o Padre Fox é forçado a
admitir que "Infelizmente, a Igreja Ortodoxa na Rússia ainda tem uma mentalidade de confiança no
Estado para avançar com as suas actividades religiosas." Confiança no regime de Vladímir Pútin,
antigo chefe do KGB e apoiante do aborto! Será preciso acrescentar mais?
Tal como Soloviev sublinhou há mais de cem anos, a Igreja Ortodoxa Russa, desligada de Roma
e da Igreja universal, é pouco mais do que uma criatura do Estado. Mas o "renascimento" inexistente
desta Igreja-fantoche, controlada pelo Estado, cujo "patriarca" ex-KGB trabalha de mãos dadas com
oSr. Pútin na perseguição da Igreja Católica, é o que o Padre Fox tenta impingir aos seus leitores
como se fosse a "conversão da Rússia."
Em resumo, o "renascimento" da Ortodoxia russa, como todas as tentativas do Padre Fox para
rescrever a Mensagem de Fátima numa perspectiva "ecuménica", é uma fraude.
11
http://www.fatima.org/port/essentials/opposed/pdf/062504frfox2.pdf
E a Igreja Católica na Rússia?
É de notar que o ataque do Padre Fox contra o Padre Gruner evita discutir a verdade inegável de
que não há quaisquer sinais da conversão que Nossa Senhora profetizou: a conversão do povo russo à
religião católica e o seu regresso a Roma. Pelo contrário, enquanto o Padre Fox promove o seu
substituto neo-modernista da conversão da Rússia, a perseguição à Igreja Católica sob o regime de
Pútin piora de dia a dia.
Graças à lei russa de 1997 sobre a "liberdade de consciência," a própria existência da Igreja na
Rússia está à mercê de burocratas "ex-comunistas" que emitem as licenças anuais para a operação
das paróquias católicas, enquanto a Ortodoxia Russa, o J udaísmo, o Islão e o Budismo têm um
estatuto legal que não tem necessidade de licenças. Tratados como missionários estrangeiros, os
padres católicos são obrigados a renovar os seus vistos de turistas de três em três meses para
continuarem no país. Eclesiásticos católicos importantes foram já expulsos quando os seus vistos
lhes foram negados; um deles era o próprio Secretário da Conferência dos Bispos Católicos Russos,
oPadre Stanislaw Opiela, a quem foi negado um visto de entrada por três vezes sem explicação:
"Não me parece que tente outra vez. É que não vale a pena," disse. "Talvez haja algum género de
protesto."
25
Em Abril de 2002, o Bispo J erzy Masur, encarregado pelo Vaticano de administrar a
vasta (mas escassamente povoada) região da Sibéria, foi também expulso da Rússia, sendo o seu
visto de entrada confiscado sem explicação. O Bispo Masur soube depois que tinha sido
acrescentado a uma “lista” secreta de clérigos católicos que foram considerados "indesejáveis" e não
voltarão a poder entrar em território russo.
Vinte anos depois da "consagração" de 1984, a Igreja Católica
mantém uma presença tão discreta na Rússia que o escritório de
Moscovo em que o Arcebispo Kondrusiewicz trata dos assuntos da
Igreja está "entalado por detrás do escritório de um comandante
militar e não tem qualquer indicação de que ali está a direcção russa
da Igreja Católica."
25a
Os Católicos continuam a ser uma minoria
insignificante no país; há talvez 500.000 Católicos nominais numa
nação de 144 milhões de pessoas. A pequena percentagem de
Católicos que vão de facto à Missa dominical (a maior parte deles na
Sibéria) depende quase inteiramente de padres que não são russos, e
cujos vistos podem ser cancelados em qualquer altura. Em toda a
Rússia, só há hoje 200 padres católicos, dos quais apenas dez são
russos de nascimento — muito menos dos que havia antes da
Revolução Bolchevista de Outubro de 1917.
Todos estes acontecimentos levaram o Arcebispo Kondrusiewicz a divulgar um protesto formal,
em nome da Conferência dos Bispos Católicos da Rússia, intitulado "A liberdade religiosa na Rússia
está em perigo grave." O protesto declarava:
Os Católicos na Rússia perguntam a si próprios: O que é que irá acontecer a
seguir? As garantias constitutionais serão também válidas para eles, incluindo a
liberdade de consciência e o direito de ter os seus próprios pastores, o que implica
convidá-los a vir do estrangeiro, porque, não esqueçamos, durante 81 anos a Igreja
Católica foi privada do direito de formar e ordenar os seus próprios sacerdotes?
Talvez o Estado considere realmente os Católicos como cidadãos de segunda classe?
Estarão eles (o Estado) a voltar ao tempo da perseguição da Fé? ... A expulsão de um
Bispo Católico, que não violou qualquer lei, ultrapassa todos os limites imagináveis
das relações civilizadas entre o Estado e a Igreja. ... Com graves preocupações,
exprimimos o nosso protesto decisivo quanto à violação dos direitos constitucionais
dos Católicos.
26

O Padre Fox,
trespassando com um
punhal o coração da
Mensagem de Fátima,
insiste em como Nossa
Senhora de Fátima
não prometeu o
milagre duplo de um
tempo de paz no
mundo e a conversão
da Rússia à religião
católica.
12
http://www.fatima.org/port/essentials/opposed/pdf/062504frfox2.pdf
Ignorando a perseguição à Igreja Católica na Rússia, o Padre Fox promove conscientemente a
linha do partido neo-modernista do Cardeal Sodano, segundo a qual a "conversão" referida na
Mensagem de Fátima foi redefinida para excluir um regresso à religião católica. Papagueando a
mesma linha do partido, o próprio Secretário Geral da Conferência dos Bispos Católicos Romanos da
Rússia, Igor Kovalesky, declarou em 6 de Maio de 2004 que "Não há uma directriz de proselitismo
da parte da Santa Sé, nem há qualquer intenção de converter a Rússia ao Catolicismo Romano."
27

Ora aqui está: os elementos da burocracia do Vaticano opostos a Fátima, ajudados e apoiados
pelo Padre Fox, estão agora diametralmente opostos ao desígnio do próprio Deus para a conversão
da Rússia à Fé Católica. Declaram abertamente que a Rússia não será católica. Mas estes mesmos
indivíduos, incluindo o Padre Fox, apresentam-se como devotos e intérpretes fiáveis da Mensagem
de Fátima. A "interpretação" do Cardeal Sodano do Terceiro Segredo, que pretende que a visão de o
Papa ser executado por um bando de soldados significa J oão Paulo II a não ser morto por um
assassino solitário em 1981, foi citada nada menos que quatro vezes no comentário do Cardeal
Ratzinger ao Segredo. A "interpretação" de Sodano, tal como o resto da revisão neo-modernista de
Fátima, tem apenas um fim: mandar Fátima para o passado, e para o esquecimento.
Não há conversão de espécie nenhuma na Rússia
De facto, o Padre Fox não pode mostrar-nos como a Rússia se converteu de qualquer maneira,
para além de uma certa liberalização da economia de consumo, o que certamente não é o que Nossa
Senhora veio anunciar. Apesar da "queda do comunismo" em 1991, a Rússia hoje é um estado
autoritário, cujo ditador virtual, Vladímir Pútin, obteve o controlo dos meios de comunicação,
prendeu ou exilou todos os seus principais opositores políticos, proibiu a formação de partidos de
oposição populares, e impediu a formação de um poder judicial independente. Como The
Washington Post observou em fins de 2003: "Devemos reconhecer agora que houve uma supressão
em massa dos direitos humanos e a imposição em Moscovo de uma administração do tipo de facto da
Guerra Fria."
28

Numa recente declaração ao Congresso, o Congressista republicano Christopher Cox disse a
verdade que o Padre Fox nunca descreve na sua revista de “flores e passarinhos”: "A Rússia não tem
um sistema político aberto e competitivo, que proteja a liberdade de expressão e associação," disse
Cox, "e o seu Governo não respeita as normas universais dos direitos humanos." O analista russo
Nikolai Zlobin, do Centro de Informações de Defesa, diz, mais resumidamente: "Estamos a combater
numa nova Guerra Fria."
29

Apesar disto, o Padre Fox desvaloriza estes acontecimentos como
se fossem "histórias de horror," encobrindo assim os crimes do
regime de Pútin, assim como os jornalistas de esquerda no Ocidente
encobriram os crimes de Lenine e Estaline, merecendo assim de
Lenine a definição de "idiotas úteis." Nos dias de hoje, alguns idiotas
úteis na Igreja Católica encobrem a verdadeira situação da Rússia
para fazer vingar nos fiéis a sua versão "ecuménica" de Fátima. Ao
Padre Fox, só podemos dizer com toda a sinceridade: Está a ser
cúmplice da perseguição à Igreja na Rússia, porque abandonou a
causa da conversão da Rússia por causa de um programa humano
fracassado de "diálogo ecuménico." Na verdade, está a usar o seu
apostolado "respeitável" para se opor à Consagração da Rússia, ao
mesmo tempo que ousa receber esmolas dos fiéis em nome de Nossa Senhora de Fátima.
O Padre Fox não pode
mostrar-nos como a
Rússia se converteu de
qualquer maneira,
para além de uma
certa liberalização da
economia de consumo,
o que certamente não
é o que Nossa Senhora
veio anunciar.
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http://www.fatima.org/port/essentials/opposed/pdf/062504frfox2.pdf
A Rússia sofre, enquanto o Padre Fox se gaba do seu santuário de Fátima
Enquanto o povo russo, e especialmente os Católicos, continua a sofrer, o Padre Fox está todo
contente por ter conseguido recolher donativos para construir um pequeno santuário de Fátima em S.
Petersburgo, Rússia: "Foi construído com fundos recolhidos pelo meu apostolado," gaba-se ele. Diz
oPadre Fox que o santuário foi dedicado pelo Arcebispo Kondrusiewicz em 1998 — o mesmo
Arcebispo Kondrusiewicz que agora se lamenta da perseguição à Igreja na Rússia, que o Padre Fox
finge que não está a acontecer.
Tendo-se felicitado a si próprio por arranjar dinheiro para construir o santuário, o Padre Fox
murmurou que "o Padre Gruner continuou com as suas abordagens negativas." Como podemos ver,
estas "abordagens negativas" a que o Padre Fox se refere são fazer lembrar as consequências de não
se atender ao pedido de Nossa Senhora: que a Rússia não se converterá, que a Rússia sofrerá, que a
Igreja sofrerá, que o mundo sofrerá.
Parece que o Padre Fox acha que a tolerância que o regime de Pútin mostra pelo seu pequeno
santuário representa uma espécie de triunfo para a Igreja na Rússia. Mas não se trata de um triunfo.
Desde que o santuário do Padre Fox foi dedicado, a perseguição aos Católicos russos tem vindo a
piorar, como se vê pelos acontecimentos atrás descritos. Pútin, tal como Lenine e Estaline antes dele,
faz hoje grande alarde de deixar que algumas paróquias católicas funcionem, enquanto a perseguição
à Igreja continua sem diminuir. Enquanto o Padre Fox se aplaude a si próprio, o pequeníssimo
número de sacerdotes católicos na Rússia são vítimas de uma perseguição sistemática por parte do
Estado, e — ironia das ironias — há hoje na Rússia muito menos Católicos praticantes do que havia
nos tempos de Lenine ou de Estaline.
Talvez o Céu espere algo mais da hierarquia católica do que o santuário mariano do Padre Fox
em S. Petersburgo. Talvez o Céu espere o que Nossa Senhora de Fátima pediu: a Consagração da
Rússia ao Seu Imaculado Coração. Mas o Padre Fox quer convencer-nos que Nossa Senhora de
Fátima veio profetizar uma consagração que não é consagração, e uma conversão que não é
conversão. De uma forma autenticamente neo-modernista, o Padre Fox (na linha dos elementos da
burocracia do Vaticano opostos a Fátima) "interpreta" a Mensagem de Fátima no sentido da sua
extinção.
14
http://www.fatima.org/port/essentials/opposed/pdf/062504frfox2.pdf
Os factos que o Padre Fox
continua a ignorar desde há 20 anos!
Em cima, uma reprodução fotográfica da notícia no número de 26 de Março de
1984 do L’Osservatore Romano. Em destaque está o importantíssimo ad lib do Papa,
cuja tradução e significado estão explicados a seguir.
Em 8 de Dezembro de 1983, o Papa João Paulo II escreveu a todos os Bispos do
mundo, convidando-os, mas não ordenando-lhes, a associar-se a ele em 25 de Março de
1984 na consagração do mundo ao Imaculado Coração de Maria. Com essa carta,
enviou o texto preparado para a consagração do mundo. Este mesmo texto foi também
publicado em L’Osservatore Romano em meados de Fevereiro de 1984.
Porém, em 25 de Março de 1984, o Papa, depois de fazer a consagração do mundo
perante a imagem de Nossa Senhora de Fátima, acrescentou ao texto preparado as
seguintes palavras (assinaladas em cima): "Iluminai especialmente os povos de que
esperais a nossa consagração e a nossa entrega."
A Irmã Lúcia disse muitas vezes: "Nossa Senhora de Fátima só pediu a
Consagração da Rússia."
As palavras acrescentadas pelo Papa indicam claramente que ele já sabia que a
consagração do mundo não correspondia aos pedidos de Nossa Senhora de Fátima.
Como aqui se pode ver, esta alteração ao texto preparado apareceu no próprio
jornal da Santa Sé no dia seguinte, 26 de Março de 1984.
É evidente que o Papa sabe que Nossa Senhora ainda está à espera de que o Santo
Padre, em união com os Bispos Católicos, Lhe consagre certos povos, isto é, os povos
da Rússia.
Embora o Padre Fox diga ser leal ao Papa e a Nossa Senhora, continua a não
referir estas palavras, pronunciadas tão publicamente pelo Papa João Paulo II nesta
ocasião solene!
Artigos relacionados:

O ataque modernista contra Fátima do Padre Fox, Parte III de III

O ataque modernista contra Fátima do Padre Fox, Parte I de III
15
http://www.fatima.org/port/essentials/opposed/pdf/062504frfox2.pdf
Notas:
14. Cardeal J oseph Ratzinger, "Comentário Teológico," A Mensagem de Fátima, p. 43.
15. "Catholic Church Unveils Third Secret of Fatima", Los Angeles Times, 27 de J unho de 2000.
16.
Cf. Omissão flagrante #6 do Arcebispo Bertone, in Padre Paul Kramer, ed., The Devil’s Final Battle
[“O derradeiro combate do demónio”], pp. 205-206.
17. The Devil’s Final Battle, pp. 270-271 [“O derradeiro combate do demónio”, Apêndice: Uma cronologia
do encobrimento de Fátima: 12 de Maio, 1982].
18. Frère François de Marie des Anges, Fatima: Tragedy and Triumph (Immaculate Heart Publications,
Buffalo, Nova York, 1994), p. 218.
19. The Whole Truth About Fatima, Vol. II, pp. 730-742.
20. "Sister Lucy’s Recent Authorized Statements," The Fatima Crusader, Nº 13-14, Outubro-Dezembro de
1983, p. 3.
21. Frère Michel de la Sainte Trinité, The Whole Truth About Fatima, Vol. III, The Third Secret,
(Immaculate Heart Publications, Buffalo, Nova York, 1989) pp. 504-505.
21a. William Thomas Walsh, Our Lady of Fatima [“Nossa Senhora de Fátima”], quarta edição, (1947) p.
226.
21b. O Padre Manuel Rocha, tradutor do Professor William Thomas Walsh no encontro de 15 de J ulho,
descrevendo a série de perguntas e respostas, no livro The Wonders She Performs de Louis Kaczmarek,
pp. 159-160.
22. Fatima: Tragedy and Triumph, p. 190.
22a. Cf. The Fatima Crusader, Nº 35, Dezembro de 1990, Padre Paul Kramer, "The Consecration Hoax," pp.
6-9; Nº 41, J unho de 1992, "The Consecration Hoax Continues," pp. 18-20.
23. Notícia da agência Zenit, 22 de Dezembro de 2002.
24. Por exemplo, cf. "Russia Legalizes Homosexuality," United Press International, 28 de Maio de 1993.
Ver também "Activist says Child Porn Prosecutions Will be Difficult in Indonesia, Russia," Christine
Brummitt, Associated Press (AP), 9 de Agosto de 2001.
25. Catholic News Service Report, 8 de Maio de 2001.
25a. Notícia e fotografia da Associated Press, 28 de Fevereiro de 2002.
26. Edição online do National Catholic Register, 28 de Abril a 5 de Maio de 2002.
27. Notícia da agência Itar-Tass, 7 de Maio de 2004.
28. "The Failure of Putin’s Rússia," Bruce P. J ackson, Washington Post, 28 de Outubro de 2003, p. A23.
29. Fox News, 6 de Maio de 2004.
16
http://www.fatima.org/port/essentials/opposed/pdf/062504frfox2.pdf