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Miguel Arcanjo Lima Maia

Resumo Arte-Terapia e Loucura
Clinica Paeeon
São José dos Campos
200
Resumo Arte-Terapia e Loucura
No seguinte resumo visualizaremos a idéia básica de cada um dos sub-
capítulos que compõe o presente livro para então promovermos fechamento da
importância da arte-terapia para o campo da psicologia e do tratamento em
saúde menta
! tra"ado de como podemos entender a loucura se inicia na base do
pensamento #reco$ a partir do material escrito por %omero$ ícone de toda
cultura grega e seu ideário Nesta a loucura é ilustrada como de caráter que
foge a razão e os valores determinados as personalidades dos gregos &
altera"ão destes humores$ sentimentos não virtuosos e atos considerados
insanos eram atribuídos então como que desencadeados pelos deuses que
curvavam a razão humana com seus atributos$ acionando as chamadas Erínias
e os Daimones 'endo$ portanto$ encadeado pelos deuses$ as altera"ões de
humores seriam igualmente realinhadas a partir dos atributos de um novo deus
&s tragédias imergem$ ao fim do século ()$ inaugurando uma perspectiva de
homem que$ além de imantado ao sabor dos deuses$ encontra-se e*posto
também as contradi"ões de seu querer$ da moral$ da razão e também dos
deuses$ servindo de palco para sua desdita ! que se presa neste sentido$ é a
conduta humana que alinha a sanidade e a virtude em oposi"ão a perda do
controle sobre si e da vida humana + partir do desequilíbrio destas for"as &
arte$ neste conte*to$ ,á vinha a marcar estas no"ões de homem e de mundo$
preservando a cultura -m %ip.crates$ vemos por fim$ o surgimento da
perspectiva médica como assim a conhecemos$ estabelecendo novo norte para
o entendimento do ser e sua perda$ de saúde$ de sanidade$ de humores /om
'.crates$ vemos a primazia da razão que deve governar este homem no
mundo -ste são os pilares da concep"ão humana a partir dos gregos$ a arte$
neste conte*to$ vinha tra"ando tais dimensões do ser$ pontuadas em pinturas$
poesias$ esculturas$ além de ob,etos e utensílios
Na era cristão$ a aten"ão ao saber médico voltou$ as guerras permitiam a
constru"ão de hospitais ao longo das estradas e foram desenvolvidos os
chamados procedimentos terap0uticos$ nesta época$ ao ver da medicina
moderna$ um tanto absurdos 1ratamento da melancolia$ evolu"ão dos estudos
anat2micos$ assim como$ a partir dos te.ricos cristão$ o surgimento da
demonologia$ a associa"ão destes com os prazeres 3lascivos4 do feminino e
suas tenta"ões$ eis alguns dos fatores que permeavam o imaginário e a
3ci0ncia4 cristã -sta ultima perspectiva culmina na loucura associada a
bru*aria na idade média$ as torturas$ 3e*purga"ões de dem2nios4$ queima de
bru*as$ em prol da salva"ão de suas almas5uito confortavelmente$ feiticeiros
e bru*os eram aqueles que$ não seguindo o padrão social que e*igiam a
submissão do ser e a dimensão de sua riqueza em suas praticas$ então$
consideradas hereges 6aracelso$ a grande alquimista$ e outros$ que
acreditavam que a loucura era ob,eto dos médicos$ foram re,eitados a estes
grupos que iam contra o ideal da igre,a &s conclusões teol.gicas$ com isso$
passaram a queimar doentes mentais em suas fogueiras
7 preciso citar que a arte$ neste período$ era a arte sacra$ voltada para
igre,a$ os santos e seus ícones #rande evolu"ão ,á foi presenciada neste
período$ em nível de técnicas na arte
-m seq80ncia temos o período da 9enascen"a no qual$ a arte$ voltava
as origens greco-romanas$ buscando neste referencial hist.rico$ maneiras de
se e*primir para além da religião cristã :unta a isso a e*pansão comercial$ o
surgimento das ci0ncias$ o desenvolvimento da política$ técnicas e hist.ria
contribuem para novo espírito humanístico &os poucos o religioso era
substituído pelo real e pela primazia do homem -rasmo de 9otterdã tra então
a loucura não como mérito de um dem2nio maligno$ mas da rela"ão do ser
consigo mesmo !s loucos passam a ser colocados em prisões$ a loucura
então$ tem de ser delimitada e controlada ! racionalismo e o empirismo
decorrentes do século ;()) e ;())) inauguram a época da razão$ no qual$ a
loucura$ é vista com um espetáculo <p=>? @ma cartografia do ser come"a a
ser é proposta tanto para compreender seus ânimos como formas de
tratamento para sua possível loucura 5esmo que os sucessos não fossem
muitos e a confusão em torno da loucura premente$ esta postura empírica
ganha maior dita no período que chamamos iluminismo$ no qual a razão deve
guiar os passos do ser para além do obscurantismo da tradi"ão &s formas de
tratamento por sangria$ banhos quentes e frios$ os primeiros instrumentos de
choque$ surgiam então 6inel é um dos responsáveis por uma nova l.gica no
olhar a loucura$ desconsiderando as práticas supersticiosas e inaugurando
modelos que consideram o louco como um 3doente moral4$ com provável
desequilíbrio da e*cita"ão se*ual$ o que designou a título de 3&liena"ão
5ental4$ reunindo as formas clássicas de loucura$ como melancolia$ dem0ncia
e idiotia 'urgem ainda os retiros nos quais o louco$ em desalinho com suas
fun"ões sociais e nortes morais$ teria de entra novamente em contato com sua
natureza e moralidade 1emos ainda$ nesta liga"ão com a se*ualidade$ a
caracteriza"ão do 3ananismo4 9ush e suas formas de tratamento$ que mesmo
que agressivas ao doente$ utilizando de seus medos para contra eles$ era
naquele período considerado um humanista Aá-se então o surgimento da
alopatia$ que utilizando de remédios para e*citar ou acalmar$ muitas vezes
matavam os doentes pela super dosagem Frenologia e Magnetismo Animal,
mais tarde chamado mesmerismo, origens das quais surgiu o conceito de
hipnose$ também surgiram neste período aliando as formas de compreender a
loucura e seu tratamento
& psiquiatria vindo a se estabelecer & filosofia dos tempos modernos
Bant$ tra"ando um paralelo entre os conceitos filos.ficos e os estados de
loucura (ários estudiosos se dedicavam a compreensão da doen"a$ do que é
estar saudável$ e das formas de tratamento propostas a loucura que agora$
tinha na mente o seu palco @m cita"ão nos chama a aten"ão$ devido a
evolu"ão dos modos de compreensão$ trazendo o foco para o psicol.gicoC
/om base no processo descritivo e classificat.rio de 6inel e seus
seguidores$ médicos alemães direcionaram suas preocupa"ões para
as for"as irracionais$ emocionais e ocultas da personalidade /om o
tratamento humano procuraram compreender o doente mental e sua
totalidade$ mente e corpo$ desvendando o psicol.gico e*istente por
trás da loucura <p D>?
Eun"ões mentais perturbadas$ sonhos$ 3conflitos internos4$ pecados em
conflito com a consci0ncia foram termos ob,etos de aten"ão Aestaca-se entre
isso tudo o que fora chamado de loucura masturbat.ria$ concorrendo para a
3cura deste mal4 cintas de controle contra a ere"ão e até mesmo o corte dos
nervos penianos
'urgiam então$ ao seu tempo$ os termos de neurose$ psicose$ dem0ncia
precoce$ histeria Neste ponto$ vemos o desenvolvimento da psicanálise surgir$
a partir de Ereud$ que não se faz preciso esmiu"ar$ mas que se focou
largamente na histeria e tra"ou um mecanismo de funcionamento da psique
1ambém temos em :ung$ na seq80ncia$ os estudos sobre esquizofrenia$
comple*os psíquicos$ arquétipos
No decorrer do século ;; a neuropsiquiatria toma o campo do
tratamento +s doen"as mentais ! descobrimento da pelicilina$ a descoberta
das sulfasF defici0ncia nutricional$ distúrbios do metabolismo$ genética e
bioquímica$ assim como a evolu"ão técnica das cirurgias no cérebro e no
cora"ão Aentre estas$ a lobotomia era aplicada nos meados dos primeiras
décadas deste século$ fazendo dos pacientes em saúde mental$ meros zumbis
No Grasil$ temos o conte*to da coloniza"ão e suas for"as no desenvolver
da sociedade brasileira$ seus hospitais$ com forte influencia ,esuíta$ os boticas$
onde se faziam os remédios !s tratamentos médicos vinham condicionados a
obriga"ão do confessionário$ mantendo o poder religioso & difama"ão do
médico ,udeu$ atribuindo sua pratica ao dem2nio :á no cenário urbano$ os
loucos e pobres perambulavam pelas ruas$ era apedre,ados e aqueles que
apresentavam comportamento agressivo eram encaminhados as cadeias$
casas de corre"ão ou a santa casa de miseric.rdia !s modelos europeus de
tratamento vigoravam$ e eram o que de melhor o Grasil poderia oferecer para
sua popula"ão !s loucos$ de todo forma$ eram agrupados então em hospícios$
e seu tratamento sofria de larga precariedade e higiene$ isso$ obviamente$
possibilitava a mascara social da classe média em seu espa"o urbano &os
doentes mentais$ vagarosamente$ foram introduzidos$ no :uquerH$ esquemas
de tratamento que ,á se utilizariam de música$ filmes$ comédias$ livros etc
(ale finalizar com a cita"ão na qual temos que 3IJ a psiquiatria
necessita da antropologia$ das ci0ncias naturais e das artes4 'endo o
desenvolvimento das ultimas técnicas de tratamento$ voltado para integra"ão
de saberes e formas de tratamento
& arte diz respeito$ na psicologia analítica$ a produ"ão da psique que
permite uma ponte entre o conteúdo psíquico interno e inconsciente$ para o
mundo e*terno e tangível$ fazendo neste processo$ o entrar em contato e a
simboliza"ão de coisas sagradas$ de comple*os etc & arte tem seu tempo
hist.rico$ sua dimensão arquetípica$ mesmo presente$ é ornada pelo momento
especifico da cultura onde esta é produzida$ assim como pode receber
infer0ncias$ das pr.prias e*peri0ncias do criador & arte é em si$ um substrato$
material psíquico por e*cel0ncia$ traduzindo todas estas características citadas
& autora$ buscando a compreensão da arte e da loucura$ e sua
importância$ promove então a rela"ão intima$ e*istente entre a arte e a religião
(ale citar que as primeiras manifesta"ões artísticas tinham sempre cunho
sagrado 5aterializar o inconsciente em arte pode dizer ser um ato sagrado em
si$ ainda porque$ no pr.prio inconsciente e seu mistério$ o sagrado habita &
arte$ ao longo da hist.ria$ esteve atrelado a religião e a psicologia de :ung$
desde sua origem$ se preocupa com a dimensão do religare no ser
& e*peri0ncia clinica levou :ung a concluir que o dogma e os ritos são
de e*traordinária importância para os métodos de higiene psíquica <p KLM?
'egue-se$ neste capítulo$ a instru"ão dos conceitos de arquétipo$ comple*o e
símbolo 6odemos dizer$ para constar que$ comple*os são os núcleos
carregados de afeto$ que quando tocados$ produzem forte sentimento e rea"ão
por parte do ser$ sendo estes$ os pontos originários das patologias psíquicas
&rquétipos são os núcleos psíquicos que habitam em toda coletividade 'ão
motivos fundamentais e estruturantes da hist.ria do homem e de sua
psicologia$ surgindo sob os mais diversos símbolos$ e vigorando no mais intimo
de nossos comportamentos !s símbolos são$ por e*cel0ncia$ então$ aquilo
que reuni a multiplicidade dos significados de algo$ sendo este plano de fundo
um arquétipo ou mesmo um comple*o$ porém$ sempre ainda inconscientes em
sua delimita"ão 'e um significado se torna consciente$ o símbolo morre$ s.
restando seu caráter hist.rico Nualquer ob,eto pode revesti-se de valor
simb.lico$ pedras$ montanha$ fogo$ raio$ números etc ! símbolo$ condensando
os opostos$ torna possível entrar em contato com algo ainda além da
compreensão da consci0ncia
&o perceber que os sentidos tem limita"ões e que e*istem inúmeras
coisas que estão fora de sua compreensão$que transcendem a sua
intelig0ncia$ o seu racional$ o homem utiliza imagens simb.licas para
e*pressar o invisível<p KOD?

& imagem pintada de um animal$ no tempo paleolítico$ tinha fun"ão
substitutiva! animal sendo flechado indicava o controle sobre o ato em
questão$ servindo de prepara"ão para a finalidade em questão$ a partir daquela
arte$ que seria a bem sucedida ca"a & utiliza"ão de máscaras também
remetem o ser a dimensão arquetípica$ com atributos deíficos bons ou maus
& arte no neolítico$era dividida entre os fazeres artísticos rituais
sagrados$ pelo masculino$ e o fazer artístico profano$ utilitário$ em potes e
utensílios$ pelas mulheres No -gito$ vemos os deuses com cabe"as de
animais sendo largamente representados em pedras e pinturas Na #récia$
temos a riqueza de seus mitos traduzidas em suas artes$ neste tempo$ ainda
impessoal$ sacralizada$ pertencente + comunidade No conte*to cristão$ a arte
sofre o impulso novo da religião$ tendo também como diferen"a$ para além dos
temas$ que apesar de tudo continuarão arquetípicos$ a dissemina"ão da arte
para as massas & igre,a$ como em tudo o mais$ monopoliza a arte e sua
produ"ão$ voltada pra si /atedrais$ pinturas bíblicas$ ornamentos para as
igre,as$ eram o mister dos artistas Na renascen"a$ os artistas se voltam para a
arte naturalística$ da nostalgia aos tempos greco-romanos &gora o artista$
embasado num período hist.rico de racionalismo p.s centralidade absoluta da
igre,a$ volta-se para perfei"ão da descri"ão real do mundo$ e assina suas
obras$ como numa revolu"ão de focos$ tendo aí o indicio de que o divino da
lugar ao humanismo Na arte moderna temos a recria"ão e reinven"ão de
qualquer dos modelos anteriores$ novas formas de olhar o mundo$ o
sentimento em foco$ a empatia do trabalho$ que não segue mais a norma rígida
da perfei"ão sensorial$ mas sim$ antes$ um arroubo poético$ abstrato e passível
de leitura do que trás$ fazendo direta ponte com o inconsciente ! surrealismo$
e a abstra"ão vão ganhando com isso$ cada vez mais espa"o 6oderéiamos
dizer$ ser o inconsciente a céu aberto$ e*posto nas artes$ sem limita"ões ou
regras para o que a e*pressam é em si e o que gera no ser
& autora encerra o capitulo$ trazendo a dimensão dos trabalhos
desenvolvidos por !s.rio /ezar e Nise da 'ilveira$ com pacientes de saúde
mental No período de !s.rio$ o foco era entender como o loucos tinham na
e*pressão um recurso$ estabelecendo paralelos entre a arte dos loucos$ a arte
infantil dos primitivos e arte moderna & observa"ão no comple*o do :uquerH$
levou !s.rio a concluir altera"ões na forma de e*pressão com indiscutíveis
valor simb.lico$ visto a partir da livre e*pressão dos loucos /hegou mesmo a
classificar as produ"ões em diversos tipos$ de acordo com o período artístico
Nise da 'ilveira$ por sua vez$ diferente de !s.rio$ que era dito seguir a
perspectiva freudiana$ trabalha com o enfoque do apanhado te.rico da
psicologia analítica ,unguiana Nise fazia do trabalho artístico$ válvula para a
manifesta"ão do sintoma$ criando para isso ateli0s de pintura$ escultura$ sala
de ,ogos etc ! trabalho artístico agora tem tonalidade terap0utica efetiva !
desenvolvimento psíquico agora visita o oficio em si$ criativo e livre Nuando$
na impossibilidade de mane,o ling8ístico da comunica"ão verbal$ o recurso
e*pressivo livre nos diz do mundo interno$ ao mesmo modo$ a partir das
praticas artísticas & importância desta forma de tratamento então$ inaugura
largo campo de estudos$ mas$ ainda mais importante$ otimizado paradigma de
tratamento
Re!erencia"
1!55&')$ ' 5 &rte-1erapia e PoucuraC @ma (iagem 'imb.lica /om
6acientes 6siquiátricos 'ão 6aulo$ (etor$ QMML