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MANTOAN, Maria Tereza Eglér. O desafio das diferenças nas Escolas. 3. ed.

Petrópolis, Rj:
Vozes, 2011.
MORAES, Maria Cândida. O paradigma educacional emergente. 9. ed. Campinas, 2003


TODOS POSSUEM DIREITO A EDUCAÇÃO:

“Ao longo da História, as pessoas „diferentes‟ têm sido aprisionadas em rótulo ideologicamente
engendrados e repassados pela sociedade e pela cultura, arcando com um ônus que lhes vem
custando caro. (MANTOAN, 2011, p.45)

“Quando se fala em educação inclusiva, em direito de acesso à mesma sala de aula das demais
crianças e adolescentes, o objetivo é simplesmente garantir às pessoas com deficiência o acesso a
esse direito humano, comum e fundamental.” (MANTOAN, 2011, p.18)








PARÁFRASE: (COM MINHAS PALAVRAS)
Segundo Mantoan (2011), a opção correta seria a inclusão escolar, que é propiciar ao aluno
portador de deficiência física estudar em escolas regulares, e, ao mesmo tempo, fornecer a ele o
acesso ao atendimento escolar especializado, agindo este, não mais como única fonte de educação,
mas como apoio e complemento e, desta forma, garantindo todos os direitos do portador de
deficiência física, direitos estes registrados na Constituição Federal.

Para os defensores deste tipo de ensino segregado, o aluno ali matriculado está tendo acesso à
educação, pois tais defensores simplesmente desconsideram os requisitos que mencionamos para a
educação de crianças e adolescente, extraídos da Constituição e dos tratados e convenções
internacionais pertinentes, inclusive a Declaração Universal de Direitos Humanos. É como se os
alunos com deficiência não precisassem freqüentar um ambiente plural, coletivo, como forma de
buscar seu pleno desenvolvimento humano e seu preparo para o exercício da cidadania; como se
eles estivessem „dispensados‟ do direito ao Ensino Fundamental obrigatório, ministrado em
estabelecimentos oficiais de ensino e não separados por grupos de pessoas. (MANTOAN, 2011,
p.19)

Crenças tradicionais no sentido de que o ambiente de ensino, quanto mais especializado, melhor; no
sentido da obtenção de sucesso com base na concorrência entre os alunos por notas, entre outros
fatores; vêm revelando-se insuficientes e até prejudiciais aos alunos em geral. (MANTOAN, 2011,
p.20)

Conforme nos afirma Mantoan (2011, p.21) “ Há também uma constante alegação de que a inclusão
escolar é muito boa, mas não pode servir para alunos que têm deficiências muito graves, pois se as
escolas estão despreparadas para os demais, imagine-se para estes.”



PARÁFRASE: (COM MINHAS PALAVRAS)
Algumas escolas tradicionais costumam recusar alunos portadores de deficiência mas, na maioria
das vezes, não são alunos com deficiências graves, são crianças cegas, surdas, com limitações
intelectuais e/ou físicas. Enfim, não são crianças e adolescentes que necessitariam de algum
procedimento clínico especial durante o período em que estivesse na escola. Essa simples recusa, já
provaria que a escola e o Estado estariam em desacordo e em irregularidade com o que a
Constituição Federal nos indica. (MANTOAN, 2011)

PARÁFRASE: (COM MINHAS PALAVRAS)

Ainda existe, com certeza, uma grande repulsa a essa ideia da Escola Inclusiva, e até mesmo
autoridades ditas competentes, ao encontrarem um caso de uma entidade educacional que, alegando
despreparo, recusa um aluno portador de deficiência, dão crédito a esta instituição e sequer, pedem
providências para que este problema seja resolvido com aquele ou com outro aluno que venha
procurar a mesma escola. Mas, devido ao crescimento do grande número de movimentos sociais, o
auxílio mútuo de pais de crianças e adolescentes portadores de deficiências, mídias, redes sociais,
trabalhadores do Ministério Público, do Poder Judiciário e todo tipo de pessoas envolvidas neste
grande projeto da Escola Inclusiva, estamos chegando ao objetivo de provar que o aluno portador de
deficiência não só possui o direito a uma educação especial como também possui e direito a
freqüentar a escola que todos freqüentam. Sem exclusões. (MANTOAN, 2011)




CAMINHOS E DESAFIOS:












PARÁFRASE: (COM MINHAS PALAVRAS)

Parafraseando o pensamento de Mantoan (2011), ainda falta aos pais, principalmente os que
possuem filhos excluídos das escolas convencionais, buscarem se cumpra o que a Constituição
Federal e as Convenções do passado inseriram em nossa sociedade como sendo leis vigentes. Ainda
falta aos professores, principalmente eles, serem os defensores ferrenhos destes direitos primordiais
dos seus alunos. Ainda falta que a sociedade queira livrar-se da enorme resistência que possuí a
todas as inovações. É preciso que a sociedade livre-se dos obstáculos que impedem o avanço do
conhecimento. Ainda falta que as instituições retirem de si as burocracias nelas instaladas, e que as
enrijecem estruturalmente, dificultando sua gestão.

“O convívio com as pessoas com deficiência nas escolas e fora delas é recente e gera ainda certos
receios. O preconceito justifica as práticas de distanciamento dessas pessoas, devido às suas
características pessoais [...].” (MANTOAN, 2011, p. 36, grifo do autor)

Os caminhos, até então percorridos para que a escola brasileira acolha a todos os alunos,
indistintamente, têm se chocado com o caráter eminentemente excludente, segregado e conservador de
nosso ensino, em todos os seus níveis: básico e superior. [...] É inegável que, por estarem pautadas para
atender a um aluno idealizado e ensinando a partir de um projeto escolar elitista, meritocrático e
homogeneizador, nossas escolas produzem quadros de exclusão que têm, injustamente, prejudicado a
trajetória educacional de muitos estudantes. (MANTOAN, 2011, p. 29)

Estamos vivendo um momento de tomada de decisão, em que não adianta mais „tapar o sol com a
peneira‟. O próprio tempo, de tão longo, já foi suficiente para que se entendesse o que é proposto como
um a escola para todos. Se ainda não conseguimos avançar em sua direção, é porque, certamente,
pensam muito essas contendas e esses desencontros entre os que se dispõem a progredir, a revirar as
escolas comuns e especiais do avesso, e os que querem conservá-las como estão, para garantir outros
benefícios, para impedir avanços, para barrar o novo. (MANTOAN, 2011, p. 35)



PARÁFRASE:

Adaptar o ensino somente para alguns alunos das escolas convencionais não é escola inclusiva. A
inclusão pede total reorganização pedagógica, e completa mudança de tudo aquilo que, até então,
considerava-se normal. Reorganização geral e total da velha forma de educar. Dar lugar ao novo.
Novos planejamentos, novas formas de turmas, novas metas e currículos. Novas avaliações enfim,
nova maneira de educar. Isso é a Escola Inclusiva. Nenhum aluno fora do contexto. (MANTOAN,
2011).

ENSINANDO A TURMA TODA
“Embora a palavra de ordem seja melhorar o nosso ensino, [...] ainda predominam formas de
organização do trabalho escolar que não se alinham na direção de uma escola de qualidade para
todos os alunos.” (MANTOAN, 2011, p. 59)












Vigora ainda a visão conservadora de que as escolas de qualidade são as que enchem as cabeças dos
alunos com datas, fórmulas, conceitos justapostos, fragmentados. A qualidade desse ensino resulta do
primado e da supervalorização do conteúdo acadêmico em todos os seus níveis. Persiste a ideia de que
as escolas consideradas de qualidade são as que centram a aprendizagem no racional, no aspecto
cognitivo do desenvolvimento, e que avaliam os alunos quantificando respostas-padrão. Seus métodos e
práticas preconizam a exposição oral, a repetição, a memorização, os treinamentos, o livresco, a
negação do valor do erro. São aquelas escolas que estão sempre preparando o aluno para o futuro: seja
este a próxima série a ser cursada, o nível de escolaridade posterior, o exame vestibular! Pensamos
que uma escola se distingue por um ensino de qualidade, [...], quando consegue aproximar os alunos
entre si, tratar as disciplinas como meios de conhecer melhor o mundo e as pessoas que nos rodeiam e
ter como parceiras as famílias e a comunidade na elaboração e cumprimento do projeto escolar. [...] Em
uma palavra, as escolas de qualidade são espaços educativos de construção de personalidades humanas
autônomas, críticas, nos quais as crianças aprendem a ser pessoas. Nestes ambientes educativos ensina-
se os alunos a valorizar a diferença, pela convivência com seus pares, pelo exemplo dos professores,
pelo ensino ministrado nas salas de aula, pelo clima sócio afetivo das relações estabelecidas em roda a
comunidade escolar – sem tensões, competição de forma solidária e participativa. Escolas assim
concebidas não excluem nenhum aluno de suas classes, de seus programas, de suas aulas, das
atividades e do convívio escolar mais amplo. São contextos educacionais em que todos os alunos têm
possibilidade de aprender, freqüentando uma mesma e única turma. (MANTOAN, 2011, p. 60-61)



















FORMAÇÃO DE PROFESSORES





“Para ser capaz de se situar numa nova organização de ensino e de gestão da classe, o professor
precisa redimensionar seu sistema de crenças e valores”. (MANTOAN, 2011, p. 142)
A possibilidade de se ensinar todos os alunos, sem discriminações e sem métodos e práticas de ensino
especializados, deriva, portanto, de uma reestruturação do projeto pedagógico-escolar como um todo e
das reformulações que esse projeto exige da escola, para que esta se ajuste a novos parâmetros de ação
educativa. Não se pode encaixar um projeto novo em uma velha matriz de concepção do ensino escolar.
(MANTOAN, 2011, p. 60-61)


O sucesso da aprendizagem está um explorar talentos, atualizar possibilidades, desenvolver
predisposições naturais de cada aluno. As dificuldades e limitações são reconhecidas, mas não
conduzem/restringem o processo de ensino, como comumente acontece.
Para ensinar a turma toda, independentemente das diferenças de cada um dos alunos, temos de passar
de um ensino transmissivo para uma pedagogia ativa, dialógica, interativa, conexional, que se
contrapõe a toda e qualquer visão unidirecional, de transferência unitária, individualizada e hierárquica
do saber. (MANTOAN, 2011, p. 62)


Embora quase todos percebam que o mundo ao redor está se transformando de forma bastante
aceleradas, a educação continua apresentando resultados casa vez mais preocupantes em todo o mundo
e a grande maioria dos professores ainda continua privilegiando a velha maneira como foram
ensinados, reforçando o velho ensino, afastando o aprendiz do processo de construção do
conhecimento, conservando um modele de sociedade que produz seres incompetentes, incapazes de
criar, pensar , construir e reconstruir conhecimento. (MORAES, 2003, p. 16)




A educação não é a busca pela verdade, mas a oportunidade de os sujeitos se emanciparem
intelectualmente quando há espaço para a dúvida e a construção do conhecimento. [...] O professor
pensa que o aluno aprendeu quando responde exatamente as questões que partem do conteúdo
transmitido. A repetição que o aluno faz do conteúdo ensinado pelo professor leva-nos a acreditar que o
aluno aprendeu e que consequentemente ele é inteligente. A inteligência é muito mais do que a
repetição dos conteúdos. Aliás, resumir a inteligência na repetição dos conteúdos é embrutecê-la.
(MANTOAN, 2011, p. 71)





A formação inicial, bem como a formação continuada de professores [...], precisa levar em conta
princípios de base que os instrumentalizem para a organização do ensino e a gestão da classe, bem
como princípios éticos, políticos e filosóficos que permitam a esses profissionais compreenderem o
papel deles e da escola frente ao desafio de formar uma nova geração capaz de responder às demandas
do nosso século. (MANTOAN, 2011, p. 141)






“Nessa perspectiva, os professores também são aprendentes. Leva-se em conta a diversidade e as
diferenças que compõem o corpo docente da escola. É neste lugar que o professor avança no mode
de produzir sua ação e, assim, vai transformando sua prática.” (MANTOAN, 2011, p. 141)

“A diversidade é tão natural quanto a própria vida. Essa diversidade é formada pelo conjunto de
singularidades, mas também pelas semelhanças que unem o tecido das relações sociais.”
(MANTOAN, 2011, p. 143. grifo do autor)








“O argumento de despreparo dos professores não pode continuar sendo álibi para impdeir a inclusão
escolar de pessoas com deficiências. Se não estamos preparados, precisamos urgentemente nos
preparar.” . (MANTOAN, 2011, p. 79)

“Uma nova escola é perfeitamente possível, porque muitos são os professores que, apoiados pelas
famílias e assessorados por seus diretores e supervisores, estão acreditando em outros modes de
pensar a educação e de fazê-la acontecer na sala de aula.” . (MANTOAN, 2011, p. 82)

“Portanto, os dois; escola comum e atendimento educacional especializado precisam acontecer
concomitantemente, pois um beneficia o desenvolvimento do outro e jamais esse benefício deverá
caminhar linear e sequencialmente.” (MANTOAN, 2011, p. 127)
A escola é uma realidade histórica em processo contínuo. É preciso que seja entendida como uma
instituição voltada para a realização da prática pessoas e social, contextualizada nas dimensões espacial
e temporal, revestida de caráter contraditório e complexo. É preciso privilegiar sua abordagem como
processo, não um produto acabado. A escola não é, e, sim, está sendo. (MANTOAN, 2011, p. 147)





A escola regular busca, muitas vezes, anular diferenças, padronizar e modelizar, excluindo, assim,
quem não cabe em seus parâmetros. Significa a instauração de critérios que dividem e
compartimentam, gerando dualidades que evidenciam tipos estanques. O regular diz respeito a alguns,
mas o perigo mora exatamente aí, já que a escola é de todos. (MANTOAN, 2011, p. 149. grifo do
autor)