Agrupamento de escolas Pinheiro e Rosa

ANO LETIVO 2013/2014
Disciplina: Filosofia
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TRABALHO DE FILOSOFIA DA CIÊNCIA: GUIÃO

1. Descreva as principais ideias defendidas pela teoria do geocentrismo. Como se
explica que estas tenham perdurado durante tantos séculos?
Segundo os vídeos apresentados na bibliografia, o geocentrismo é uma teoria acerca do
sistema cosmológico, foi desenvolvida inicialmente pelos babilónios e, posteriormente, pelos
gregos.
Por volta de 350 a.C., Aristóteles, um filósofo grego, baseando-se em observações científicas e
na dedução lógica, desenvolveu a ideia de que a Terra era o centro do Universo, um enorme
círculo finito, e 9 esferas giravam em seu redor. Apesar disso, pode dizer-se que foi Cláudio
Ptolomeu, geógrafo e matemático, quem foi reconhecido como o maior representante do
geocentrismo. Este, no século II d.C., reforçou o pensamento de Aristóteles e elaborou a teoria
do geocentrismo, também chamada de sistema ptolomaico. Deste modo, na sua obra
“Almagesto” descreveu o conhecimento astronómico da época, confirmando que a Terra
estava parada no centro do Universo sendo que esta era orbitada pelo pela Lua, Mercúrio,
Vénus, Sol, Marte, Júpiter e Saturno, respetivamente, através das esferas. Na esfera mais
distante estavam as estrelas fixas. Cada planeta girava ao longo do seu próprio epiciclo, círculo
pequeno. Todavia, Ptolomeu não conseguiu explicar certas irregularidades nos movimentos
planetários.
A teoria de Ptolomeu foi aceite durante 2000 anos, aproximadamente, pela maioria dos
intelectuais e pela Igreja Católica, visto que era confirmada por certas passagens bíblicas. Para
além disso, a explicação do cosmos, apesar de ser errada, resistiu porque o facto do homem
estar no centro do Universo, mostrava que este ocupava um lugar privilegiado na criação
divina. Acresce que as ideias alternativas à teoria geocêntrica eram contrárias ao senso
comum (simplista e intuitivo).

2. Descreva as principais ideias defendidas pela teoria do heliocentrismo. Como se
explica a resistência, por parte de muitas pessoas, em aceitá-las?
O heliocentrismo foi, inicialmente, debatido por astrólogos gregos, indianos e árabes. Foi
proposto pela primeira vez pelo astrónomo grego Aristarco de Samos, mas só se tornou uma
explicação sustentada, do ponto de vista científico, com Nicolau Copérnico e, sobretudo,
Galileu Galilei. É uma teoria científica acerca do cosmos que contraria a teoria geocêntrica,
afirmando que a Terra e os restantes planetas giram em torno do Sol.
Segundo os vídeos apresentados na bibliografia, pode dizer-se que a ideia de Aristarco não foi
aceite, pois exigia muita imaginação. Contudo, foi através dele e de cálculos matemáticos que
Copérnico, considerado o fundador da astronomia moderna e o pai do heliocentrismo,
elaborou três teses: a Terra gira sobre o seu próprio eixo a cada 24 horas, explicando os dias e
as noites e os movimentos do Sol e das estrelas; o Sol está no centro do Universo e a Terra gira
em torno dele; a Terra é apenas mais um planeta entre outros e não ocupa uma posição
especial no Universo. Para além disso, provou, que os planetas também se moviam segundo o
heliocentrismo.
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Por volta de 1542, Copérnico publicou as suas teses, compiladas na sua obra “Das revoluções
das esferas celestes”. Porém, embora esta tenha sido dedicada ao Papa, foi colocada no Index
(a lista de livros proibidos pela Igreja Católica), visto que as ideias nela defendidas eram
demasiado complexas para conseguir contrariar os pensamentos da antiguidade e os textos
bíblicos.
No século XVII (Renascimento), o italiano Galileu Galilei construiu o telescópio, instrumento
que o fez descobrir novas provas a favor da teoria heliocêntrica. Galileu defendia que a ciência
podia descobrir verdades sobre a Natureza através dos seus métodos de investigação. Porém,
foi considerado perigoso pela Igreja Católica, a qual controlava a produção cultural e científica
e defendia a teoria do geocentrismo. Foi julgado pela Inquisição mas não foi queimado vivo
visto que preferiu negar a sua teoria.
Apenas passados 50 anos, com Isaac Newton e da sua teoria da gravidade, foram apresentadas
mais provas a favor do heliocentrismo. Contudo, esta ainda demorou algum tempo até ser
aceite pelo Papa e pela Igreja Católica. Só em 1822, o livro de Copérnico “Das revoluções das
esferas celestes” deixou de ser proibido.

3. À luz dos conhecimentos científicos atuais, qual é o lugar da Terra e do Homem no
Universo? Porquê?
Hoje em dia, a ciência considera que é necessário confiar nas provas, pois é apenas através da
sua aceitação que chegamos a compreender não só o universo como também o nosso lugar
dentro dele.
Graças ao conhecimento científico e aos instrumentos que são construídos pelo Homem (como
o telescópio espacial Hubble), hoje pode considerar-se a Terra, conhecida como “planeta
azul”, um planeta da Via Láctea - uma das muitas galáxias existentes no Universo infinito e em
expansão. Mais especificamente, dentro da Via Láctea, a Terra localiza-se no Sistema Solar,
composto por oito planetas - Mercúrio, Vénus, Terra, Marte, Júpiter, Saturno, Úrano e
Neptuno. O terceiro planeta mais próximo do Sol é, segundo os estudos científicos, o único
planeta (ainda conhecido) com condições propícias à existência de vida devido à atmosfera.
Para além disso, e como já fora defendido na teoria heliocêntrica, a Terra realiza os
movimentos de translação, movimento em torno do Sol, durando 365 dias (um ano); e o
movimento de rotação, movimento em torno de seu próprio eixo, que dura cerca de um dia
(24 horas).
À luz dos conhecimentos científicos atuais, o Homem participa ativamente na descoberta de
novas explicações científicas para os fenómenos através de investigações e de estudos
metódicos, sistemáticos e rigorosos. Pode afirmar-se que o conhecimento científico surgiu da
necessidade de querer saber como funciona o mundo natural, em vez de apenas o aceitar sem
questionar. Porém, o conhecimento científico tem um caráter preditivo, pois permite prever e
manipular os fenómenos. O poder que a ciência confere ao homem, pode ser muito útil, se for
bem utilizado ou, pelo contrário, problemático, caso seja mal utilizado.
Também pode concluir-se, olhando a evolução do conhecimento científico ao longo da
História, que atualmente o Homem possui uma mentalidade mais crítica e aberta, o que há
uns séculos atrás era impensável. Cada vez mais, a investigação científica visa resolver um
problema que levanta incertezas ou desenvolver tecnologias, permitindo a aquisição de novos
conhecimentos e a criação de instrumentos que permitem agir e manipular a realidade.
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4. Escolha uma das experiências interativas que realizou no Museu da Electricidade e
responda às seguintes questões:

4.1 Identifique o problema em causa.
De entre todas as experiências que pudemos realizar no Museu da Eletricidade, a que escolhemos
foi a bola (ou lâmpada) de plasma.

4.2 Descreva o modo como a Física o explica.
Esta experiência é constituída por uma esfera de vidro, onde existe um ar rarefeito. No centro,
encontramos um oscilador a alta voltagem. Por baixo, existe uma parte eletrónica. Esta prende-se
ao oscilador que produz potenciais elétricos elevados capazes de, conforme o campo elétrico
produzido, ionizar o gás rarefeito aprisionado no globo. Os raios de plasma observados dentro da
esfera são, portanto, determinados pela natureza do sinal elétrico utilizado.
Em Física, plasma é um fluído condutor, constituído por uma mistura de átomos, iões (átomos
com mais ou menos eletrões) e eletrões (partículas de carga negativa).
Ao globo é-lhe, inicialmente, retirado todo o ar, repondo-se, posteriormente, um gás inerte (gás
que não reage quimicamente com outras substâncias em condições normais de temperatura e
pressão) - normalmente o néon ou árgon.
Sob o efeito do intenso campo eléctrico que cerca o eléctrodo central do globo, ocorre a ionização
do gás rarefeito e observam-se vários raios entre esse eléctrodo central e o globo de vidro que
tem, efectivamente, o potencial eléctrico do solo. Os raios não numa direção fixa, uma vez que o
eléctrodo central (pequeno globo de vidro preenchido com aparas de grafite) está à mesma
distância de qualquer parte do globo de vidro. Descargas eléctricas provocam a excitação e a
ionização de alguns átomos do gás. Os átomos excitados, ao voltarem ao estado inicial, emitem
radiação, isto é: luz. Quando algum corpo, como é o caso da mão, se aproxima do globo, o campo
eléctrico fica mais intenso entre o eléctrodo central e o “solo”, e nesse caso, as descargas
ocorrerão preferencialmente nessa região do globo, formando feixes elétricos mais intensos do
que os fluxos anteriormente observados.
Quando alguém aproxima a mão do globo haverá faísca entre este e as pontas dos dedos (pois o
corpo humano é um bom condutor de energia elétrica). Se outra pessoa aproxima a sua mão da
mão dessa primeira haverá também uma faísca entre os dedos dessa segunda pessoa e a pele da
mão da primeira. Ambas as pessoas sentirão as pequenas picadas.

4.3. Imagine como seria explicado esse fenómeno apenas a partir do senso comum (ou
conhecimento vulgar).
A experiência consiste numa bola de vidro enorme com um género de bola muito mais pequena e
equidistante da primeira. Desta última, saem raios roxos, os quais serão produzidos de forma
semelhante à dos relâmpagos, visto que são praticamente iguais aos que costumamos ver nas
tempestades. Portanto, deverão de existir, na bola de tamanho de mais reduzido, duas placas (de
metal, talvez) que eclodem uma com a outra e produzem os raios. Por sua vez, a nossa mão
parece que tem algum efeito de atração, como o íman, pois quando colocamos a mão por cima do
globo podemos ver que os feixes de luz dirigem-se uniformemente para o local onde a nossa mão
se encontra. Outro facto a relatar é o choque que se sente quando o alguém que está a tocar na
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bola (sem ter contacto com o chão) toca noutra pessoa. Este fenómeno poderá, então, ser
explicado pelo poder (temporário) que esta bola de raios dá - de poder transmitir eletricidade
através das mãos.

4.4. A explicação científica contradiz a explicação do senso comum? Porquê?
Não é que a explicação científica contradiga a explicação do senso comum. O que acontece aqui é
que a primeira, utilizando uma linguagem técnica, explica melhor os factos e mostra, realmente,
tudo aquilo que observámos. É, portanto, uma explicação mais aprofundada, objetiva, mais
precisa, a qual nos permitir perceber o fenómeno que acontece dentro da esfera.
Por outro lado, a explicação do senso comum poderá não ser muito fiável porque se baseia,
principalmente, nos sentidos, em particular na visão. Ao observarmos esta experiência, e se não
percebermos nada de Física, será muito difícil compreender as causas deste fenómeno. Por outro
lado, a linguagem do senso comum é vaga e imprecisa, o que impossibilita o confronto com testes
experimentais.

Bibliografia:

https://www.youtube.com/watch?v=V5KpAoITk1w
https://www.youtube.com/watch?v=6xC7oYbudaE
https://www.youtube.com/watch?v=FoBvJuKWC10
https://www.youtube.com/watch?v=1SgaBosb3-I
https://www.youtube.com/watch?v=V5KpAoITk1w
http://www.coladaweb.com/filosofia/conhecimento-cientifico
http://www.mundoeducacao.com/geografia/geocentrismo-heliocentrismo.htm
http://www.suapesquisa.com/o_que_e/heliocentrismo.htm
http://planeta-terra.info/
http://pt.wikipedia.org/wiki/Globo_de_plasma
http://www.feiradeciencias.com.br/sala03/03_06.asp

Mariana Guerreiro, nº 20;

Miguel Rodrigues, nº28; 11ºD

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