You are on page 1of 3

Tipográfca

O
da Combinação
O design quase sempre parte de 4 fatores primordiais na hora de escolher a tipografa de um
trabalho.
PRIMEIRO:
Qual é a função do projeto? É um texto corrido? Existirão titulares? É texto curto ou leitura
constante? Precisaremos de uma quantidade de estilos?
SEGUNDO:
Tecnicamente teremos limitações na impressão? É of-set, gráfca rápida, silk, CTP? Seremos
obrigados a usar True Type ou poderemos usar Open Type?
TERCEIRO:
O cliente tem verba para confeccionarmos uma letra? E se não tiver o sufciente, essa grana
compra quantas licenças?
QUARTO:
Qual é a relação entre a forma e o conteúdo? O volume/visibilidade são essenciais para o
trabalho?
Bê-a-bá
CST Design Gráfco/UPF - Tipografa - Prof. Thomas G. Battesini
No nosso alfabeto (latino) as letras são lidas pela forma, o que exige bom senso e respeito
com o ‘tom’ a ‘personalidade’ delas. Isso porque muitas vezes esses ‘timbres’ não harmoni-
zam (grafcamente falando). E como a forma é o que nos interessa, rolam aberrações se
colocarmos uma Bela e uma Fera pra dançar no layout.
Assim como na química, aqui combinações erradas também explodem na nossa cara. As
itálicas difcilmente duplam bem com romans: é preciso escolher com sabedoria (imprimir,
testar a leitura ao máximo principalmente no caso de texto corrido). E infelizmente a combi-
nação com letras de uma mesma família não resolve isso. Seja o caso de itálica + roman ou
não, esse sempre será um coquetel perigoso. Ex.: Helvetica Roman + Helvetica Expanded… é
horrível!
VALE RESSALTAR QUE SE LEVARMOS AO PÉ DA LETRA,
CRIAR UMA COMBINAÇÃO TIPOGRÁFICA (COM TIPOS
JÁ EXISTES) DE UM LIVRO OU ALGO DO TIPO, NÃO É
DESIGN: É EDITORAÇÃO. NO CASO DE UM LIVRO, SÓ
SERIA DESIGN SE ELE FOSSE PROJETADO DENTRO DE
UMA FUNÇÃO, COMO UM OBJETO. OU SEJA: DESEN-
VOLVIMENTO DE TIPOGRAFIA ADEQUADA; ESCOLHA
DE UM SUPORTE (PAPEL, CAPA) CORRETO; APLICA-
DOS NUM FORMATO IDEAL. VOILÀ! DESIGN.
Um jeito fácil de resolver essas combinações é diferenciando bem a altura, o corpo e o
espaço. Ou seja? Chuta o balde com tamanhos muito diferentes. Normalmente isso funcio-
na.
As combinações clássicas (e mais fáceis) são entre serif + sans serif. Mas se o caso for de
duplar serif + serif ou sans + sans, senta e chora. Nada pode ser mais difcil do que isso. As
sans são ótimas. Mas nem sempre se aplicam bem em tudo. Cada vez que alguém usa sans
em texto corrido, um tigre-de-sumatra morre na Indonésia. Outro erro clássico é o uso de
bold em texto para longas leituras. Nesse caso, falamos de 12 pandas morrendo de gripe na
China. Seguindo a bula, é sempre bom evitar. :)
Na hora de comprar uma letra, é sempre bom fcar esperto, pois existem diferenças entre
“mesmos tipos” de “diferentes fabricantes”. Elas não são iguais. Em alguns casos (serifs) você
pode comprar uma letra mecanizada, sem aquele traço orgânico, elegante, que é desenvol-
vido com base no traço de uma ponta. Isso não signifca que as mecânicas são imprestáveis:
são ótimas parceiras de sans.
Tipografa é uma ciência. E como todas as outras, seu desenvolvimento não tem limites,
nem verdades absolutas. Portanto o que vale é tomar cuidado com os erros mais clássicos,
encontrar novas combinações e compartilhar com todos. É a melhor forma de desenvolver-
mos isso cada vez mais. :)
por Saulo Mileti
@saulomileti
05.jul.2011
http://goo.gl/Sjm2f5

Related Interests